Harmonia Mundi – 50 years of music exploration – CD 2 de 29

É outra surpresa desta coleção. E é mais um francês, imaginem! O que posso dizer a não ser que é um belo disco deste sujeito que estudou com Lully e depois saiu correndo de seu país? Conhecia obras orquestrais de Muffat e surpreendi-me com a consistência destas composições nas quais André Pirro, em “L’Art des organistes”, reconheceu a proximidade aos italianos pela técnica do órgão: “é verdade que ele indica quando a pedaleira deve reforçar o teclado e quando deve tocar sozinho, mas ele também deve admitir, como Frescobaldi, que escreve sopra i pedali e senza; apesar de evitar usar teclados separados”.

Harmonia Mundi – 50 years of music exploration – CD 2/29

Apparatus Musico-Organisticus 76’08
Georg Muffat

1. Toccata No. 10 In D Major
2. Toccata No.2 In G Minor
3. Toccata No.9 In E Minor
4. Toccata No.7 In C Major
5. Toccata No.3 In A Minor
6. Toccata No.12 In B Flat Major
7. Toccata No.5 In C Major
8. Toccata No.1 In D Minor
9. Toccata No.8 In G Major
10. Toccata No.11 In C Minor
11. Toccata No.4 In E Minor
12. Toccata No.6 In F Major

Rene Saorgin, órgão

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Josef Myslivecek (1737 – 1781) – Sinfonias, 5 Aberturas

Vocês não fazem idéia da importância que Josef Myslivecek teve para a música checa. Nem eu. Sei que foi bom compositor e a prova está nestas agitadas sinfonias e aberturas que a CPO editou há poucos anos. Trata-se de um álbum duplo que tratamos de unificar para gáudio dos pequepenses. Como viveu muito mais tempo na Itália, fazendo óperas italianas, Myslivecek não tem claro “acento checo”, mas, repito, sua música é muito boa. Ele é também chamado de “o pai da ópera checa” e igualmente não temos a menor idéia do que tal galardão signifique. A Orfeo Baroque Orchestra é excepcional, o que garante bons momentos para o redivivo Myslivecek. Assim, PQP Bach cumpre, mais uma vez, a gloriosa função de imortalizar um compositor esquecido… Olha o Myslivecek chegando aí, geeeente!

Josef Myslivecek – Symphonies, 5 Overtures

CD1 -01 -Symphony III In F Major 1st Mov. Allegro.mp3
CD1 -02 -Symphony III In F Major 2nd Mov. Andante.mp3
CD1 -03 -Symphony III In F Major 3rd Mov. Presto.mp3
CD1 -04 -Symphony V In B-Flat Major 1st Mov. Allegro Con Spirito.mp3
CD1 -05 -Symphony V In B-Flat Major 2nd Mov. Andante.mp3
CD1 -06 -Symphony V In B-Flat Major 3rd Mov. Presto.mp3
CD1 -07 -Symphony VI In G Major 1st Mov. Allegro Con Brio.mp3
CD1 -08 -Symphony VI In G Major 2nd Mov. Andante.mp3
CD1 -09 -Symphony VI In G Major 3rd Mov. Presto Assai.mp3
CD1 -10 -Symphony IV In D Major 1st Mov. Allegro Assai.mp3
CD1 -11 -Symphony IV In D Major 2nd Mov. Andante.mp3
CD1 -12 -Symphony IV In D Major 3rd Mov. Prestissimo.mp3
CD1 -13 -Symphony II In A Major 1st Mov. Allegro Con Brio.mp3
CD1 -14 -Symphony II In A Major 2nd Mov. Andante.mp3
CD1 -15 -Symphony II In A Major 3rd Mov. Allegro.mp3
CD1 -16 -Symphony I In C Major 1st Mov. Allegro Con Spirito.mp3
CD1 -17 -Symphony I In C Major 2nd Mov. Andante.mp3
CD1 -18 -Symphony I In C Major 3rd Mov. Presto.mp3
CD2 -01 -Overture Il Demetrio – Allegro con spirito.mp3
CD2 -02 -Overture Il Demetrio – Andante.mp3
CD2 -03 -Overture Il Demetrio – Presto assai.mp3
CD2 -04 -Overture Romolo ed Ersilia – Allegro.mp3
CD2 -05 -Overture Romolo ed Ersilia – Andante affettuoso.mp3
CD2 -06 -Overture Romolo ed Ersilia – Presto.mp3
CD2 -07 -Overture L’Olimpiade – Allegro con spirito.mp3
CD2 -08 -Overture L’Olimpiade – Andantino con un poco di moto.mp3
CD2 -09 -Overture L’Olimpiade – Presto.mp3
CD2 -10 -Symphony op. 1 Nr. 5 in g-moll – Allegro assai.mp3
CD2 -11 -Symphony op. 1 Nr. 5 in g-moll – Andante.mp3
CD2 -12 -Symphony op. 1 Nr. 5 in g-moll – Presto.mp3
CD2 -13 -Overture Motezuma – Allegro con spirito.mp3
CD2 -14 -Overture Motezuma – Andante.mp3
CD2 -15 -Overture Motezuma – Presto.mp3
CD2 -16 -Overture Il Demofoonte – Allegro assai.mp3
CD2 -17 -Overture Il Demofoonte – Andante.mp3
CD2 -18 -Overture Il Demofoonte – Presto.mp3

Orfeo Baroque Orchestra
Michi Gaigg

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W. A. Mozart (1756-1791) – Obras para Piano (interpretadas ao Pianoforte)

Aqui, Gustav Leonhardt sai-se muito bem com outro instrumento. Este é um CD duplo da Sony em que ele interpreta algumas sonatas e obras esparsas de Mozart. Os pontos altos do trabalho são o originalíssimo Minueto K. 355 e a bela Sonata Nro. 10. Gustav Leonhardt parece à vontade neste CD de repertório clássico e que pode ser encontrado na Amazon alemã com o código B00003GPKP. Na americana, não o localizei. Muito estranho.

Conhecia o Gustav Leonhardt cravista, regente e organista, mas nunca tinha ouvido o pianista. Valeu a pena.

W.A.Mozart – Klaviersonaten

Sonata n° 13 K. 333
01.Sonata 13,allegro.mp3
02.Sonata 13,andante cantabile.mp3
03.Sonata 13,allegretto grazioso.mp3

Kleiner Trauermarsch K. 453a
04.Kleiner Trauermarsch.mp3

Sonata n° 4 K. 282
05.Sonata 4,adagio.mp3
06.Sonata 4,menuetto I & II.mp3
07.Sonata 4,allegro.mp3

Menuett K. 355
08.Menuett K. 355.mp3

Sonata n° 10 K. 330
09.Sonata 10,allegro moderato.mp3
10.Sonata 10,andante cantabile.mp3
11.Sonata 10,allegretto.mp3

Adagio K 540
12.Adagio K 540.mp3

Sonata n° 16 K. 570
13.Sonata 16,allegro.mp3
14.Sonata 16,adagio.mp3
15.Sonata 16,allegretto.mp3

Gustav Leonhardt, piano

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J. S. Bach (1685-1750) – As Quatro Aberturas (Suítes) Orquestrais

É. Já que publiquei o primeiro disco de música erudita que comprei, aqui vai o segundo. Afinal, o consumo de Bach aqui no PQP beira o alarmante. Claro, logo após a exitosa compra do primeiro LP (álbum duplo), só poderia repetir a dose bem pertinho, adquirindo outro duplo de Bach mais Collegium Aureum. Agora, se enquanto estiverem ouvindo a Ária da Suíte Nro. 3 lhes ocorrer pensar que vou publicar o terceiro disco que comprei, estão redondamente enganados pela simples razão de que não tenho em CD o álbum duplo da DG em que Karl Richter (isso mesmo) interpreta as Goldberg.

Podem baixar tranqüilos. Este é mais um grande CD!

J. S. Bach – As Quatro Aberturas (Suítes) Orquestrais

Overture (Suite) No. 1 in C major, BWV 1066
I. Ouverture 05:51
II. Courante 02:33
III. Gavotte I and II 02:48
IV. Forlane 01:20
V. Menuet I and II 03:27
VI. Bourree I and II 02:11
VII. Passepied I and II 03:10

Overture (Suite) No. 2 in B minor, BWV 1067
I. Ouverture 06:23
II. Rondeau 01:41
III. Sarabande 02:52
IV. Bourree I and II 01:48
V. Polonaise, Double 02:57
VI. Menuet 01:20
VII. Badinerie 01:31

Overture (Suite) No. 3 in D major, BWV 1068
I. Ouverture 06:18
II. Air 04:57
III. Gavotte I and II 04:10
IV. Bourree 01:15
V. Gigue 02:57

Overture (Suite) No. 4 in D major, BWV 1069
I. Ouverture 07:22
II. Bourree I and II 02:45
III. Gavotte 02:03
IV. Menuet I and II 03:57
V. Rejouissance 02:36

Collegium Aureum
Franzjosef Maier (Violinista e Regente)
Hans-Martin Linde (Flauta)

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Jean-Philippe Rameau (1683 – 1764), Gaspard Le Roux (1660-1707), Joseph Nicolas Pancrace Royer (1705-1755), Jacques Duphly (1715 – 1789) – Música Francesa para Cravo

Mais um grande CD vindo dos dedos do holandês Gustav Leonhardt. O nome do trabalho é grandioso: Masterpieces of French Harpsichord Music. Tal título não é perturbado quando ouvimos o CD. Trata-se de composições raras e belas, dignas do cravista que encarnou Bach (sim, como ator!) num filme de 1968, Chronik der Anna Magdalena Bach. Leonhardt é hoje um velhinho de 80 anos e participará de várias gravações que apresentarei a seguir. É uma involuntária homenagem a seu recente aniversário, em 30 de maio. Mais Gustav Leonhardt, aqui, no desNorte.

Masterpieces of French Harpsichord Music – Gustav Leonhardt

Jean-Philippe Rameau (1683 – 1764)
01. Les tendres plaintes
02. La Folette
03. L’entretien des Muses
04. Les Tourbillons
05. Menuets
06. Sarabande
07. L’Enharmonique

Gaspard Le Roux (1660-1707)
08. Suite en fa majeur Prelude
09. Allemande
10. Courante
11. Menuet
12. Chaconne

Joseph Nicolas Pancrace Royer (1705-1755)
13. Les tendres sentiments
14. La Majestueuse
15. La Sensible

Jacques Duphly (1715 – 1789)
16. Courante do mineur (La Boucon)
17. Menuet Do mineur
18. La Du Buq
19. Les Colombes, Rondeau
20. La De Vaucanson
21. La Pothouin, Rondeau

Gustav Leonhardt, cravo

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Mais simples e mais grave

Nos últimos dias, não tenho vindo aqui a fim de deletar ou aprovar comentários. Falta de vontade. Agora, li quase todos e aprovei 95%. Tenho (temos) liberdade para aprovar ou não. O blog é nosso. Só não faço editar. O grupo de comentários de hoje era até tranqüilo. Gosto dos comentários e mantenho as postagens por eles e pelo imenso feedback de músicos, alunos, professores e meros ouvintes como eu, que agradecem o acesso àquilo que temos.

Mas é óbvio que fiquei muito irritado com a falta de civilidade de vários deles — nunca com o debate. Posso ter deletado a mais ou a menos, não sou perfeito. Li coisas realmente muito agressivas. Como chamar outra comentarista de vaca, como dar detalhes sobre imaginadas preferências sexuais minhas, etc. É por este motivo que até pensei em me retirar. É muito ruim ser ofendido e não estamos aqui para isso.

Vocês não leram essas coisas, eu sim. Por isso, talvez vocês achem que estou dando uma repercussão exagerada a algo pouco grave. Não é um caso de censura, é de civilidade. Então, nem leio detalhadamente: se não simpatizar de cara, corto. O mesmo pode ser feito por qualquer outro dos 4 membros do PQP.

Por mim, o blog segue pelas 1500 visitas diárias, sempre crescentes, não pelos 4 ou 5 imbecis. Mas depois, outro dia. Postar música dá algum trabalho e ainda estou chateado.

Aos outros, peço desculpas.

Happy Baby: Mozart for kids

Inteiramente tomado de meiguice, P.Q.P. Bach decide homenagear os comentaristas do post sobre John Cage com este CD que tornará seus dias mais belos. Espero que suas nove faixas não lhes provoquem nada senão bons sentimentos. O conhecido Efeito Mozart, que atua tão bem sobre crianças, vai lhes afetar de forma muito positiva, penso. Em nome de C.D.F. Bach, aquele danadinho que certamente está envergonhado neste momento, pedimos escusas pelas repetidas agressões a suas delicadas sensibilidades.

A seguir, um catálogo dos efeitos que vários compositores podem causar a alguns de nossos ouvintes. Aprendam e cuidem-se.

EFEITO PAGANINI: a criança fala muito rápido e em termos extravagantes, mas nunca diz nada importante.
EFEITO BRUCKNER: a criança fala bem devagar e se repete com freqüência. Adquire reputação de profundidade.
EFEITO WAGNER: a criança se torna megalomaníaca. Há a chance de que se case com sua filha (ou irmã).
EFEITO MAHLER: A criança grita sem parar – a plenos pulmões e por várias horas -, dizendo que vai morrer.
EFEITO SCHOENBERG: A criança nunca repete uma palavra antes de usar todas as outras palavras de seu vocabulário. Às vezes fala de trás para diante. Com o tempo, as pessoas param de lhe prestar atenção. A criança passa a reclamar da burrice dos outros, que são incapazes de entendê-la.
EFEITO BOULEZ: A criança balbucia bobagens o tempo todo. Depois de um tempo, as pessoas param de achar bonitinho. A criança não está nem aí, porque seus colegas acham que ela é o máximo.
EFEITO IVES: A criança desenvolve uma habilidade fenomenal para manter várias conversas diferentes ao mesmo tempo.
EFEITO PHILLIP GLASS: A criança costuma dizer tudo de novo de novo de novo de novo de novo de novo de novo de novo de novo de novo de novo de novo.
EFEITO STRAVINSKY: a criança tem uma pronunciada tendência a explosões de temperamento selvagem, estridente e blasfemo, que freqüentemente causam pandemônio na escolinha.
EFEITO BRAHMS: a criança fala com maravilhosa gramática e vocabulário desde que suas frases contenham múltiplos de 3 palavras (3, 6, 9, etc.). No entanto, suas frases de 4 ou 8 palavras são bobas e pouco inspiradas.
E, claro, o EFEITO JOHN CAGE: a criança não fala nada por 4 minutos e 33 segundos. É a criança preferida por 9 entre 10 professores.

E muito cuidado nos comentários, há muito mais…

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Mozart for Kids

1. A fragment for a piano in Fa a major
2. A romance (Small night song)
3. So it is fine… (the Magic flute)
4. Andantino (the Concert for a piano № 20, the second part)
5. A quartet for a flute (the First part, the Theme and variations)
6. A minuet (Small night серенада)
7. Largetto (the Concert for a piano № 26, the second part)
8. Largetto (the Concert for a piano № 27, the second part)
9. An andante graciozo (the Sonata for a piano in And, the first part)

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Heinrich Ignaz Franz Biber (1644-1704)- Rosenkranz-Sonaten

Uma obra-prima, um disco estupendo do Musica Antiqua Köln. Biber nasceu em Wartenberg (hoje uma cidade chamada Straz pod Ralskem na Republica Checa).

Além de ser um compositor notável foi também um virtuoso do Violino. Em 1684 tornou-se mestre de capela em Salzburgo onde acabou por falecer 20 anos depois. Sua obra ganhou recentemente alguma popularidade pela originalidade do conjunto de 16 sonatas chamadas The Mystery Sonatas ou Rosenkranz-Sonaten que têm a particularidade de cada uma delas exigir uma afinação do violino diversa da usual. Uma outra peça de referência pela sua grandiosidade é a Missa Salisburgensis (escrita par 53 partes independentes de vozes e instrumentos). É alias uma parte desta missa que escolhemos para ilustrar o trabalho deste compositor composta em 1682.

Informações retiradas daqui.

Quem gosta e quem detesta música barroca deve baixar este CD extraordinário.

Biber – Rosenkranz-Sonaten

1. I. The Annuciation
2. II. The Visitation
3. III. The Nativity
4. IV. The Presentation
5. V. The Finding in the Temple
6. VI. The Agony in the Garden
7. VII. The Scourging of Jesus
8. VIII. The Crowing of Jesus with Thorns
9. IX. Jesus carries His Cross
10. X. The Crucifixion
11. XI. The Resurrection
12. XII. The Ascension
13. XIII. The Descent of the Holy Ghost
14. XIV. The Assumption of our Lady
15. XV. The Crowning of the Blessed Virgin Mary
16. Passacaglia

Musica Antiqua Köln:
Reinhard Goebel – violin
Phoebe Carrai – Violoncello
Konrad Junghanel – Lute
Andreas Spering – Harpsichord & Organ.

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Johann Gottlieb Graun (1703-1771) e Carl Heinrich Graun (1704-1759) – Concertos

Porque eles nunca assinavam seus concertos é difícil, se não impossível, afirmar quem é o autor de cada um desses concertos. São dos Graun Brothers. Pronto! Numa carta para Telemann, J.G. Pisendel reclama que os trabalhos estão simplesmentes assinados: “Graun”. Mas a música é boa e a interpretação do Il Gardellino é excelente.

Graun – Concerti

Graun: Concerto for Viola da gamba, Strings and Basso continuo in A major
* Performers: René Schiffer (Cello); Vittorio Ghielmi (Viola da gamba); Lorenzo Ghielmi (Piano); Shalev Ad-El (Harpsichord); Frank Coppieters (Violone); Sophie Gent (Violin); Mika Ahika (Violin); Mika Ahika (Viola); Stephen Freeman (Violin)
* Ensemble: Il Gardellino Ensemble
* Running Time: 22 min. 59 sec.
1 Allegro non troppo
2 Andantino
3 Allegro

Graun: Concerto for Oboe d’amore, Strings and Basso continuo in D major
* Performers: René Schiffer (Cello); Marcel Ponseele (Oboe); Lorenzo Ghielmi (Piano); Shalev Ad-El (Harpsichord); Frank Coppieters (Violone); Sophie Gent (Violin); Mika Ahika (Violin); Mika Ahika (Viola); Stephen Freeman (Violin)
* Ensemble: Il Gardellino Ensemble
* Running Time: 14 min. 55 sec.
4 Allegro
5 Andante
6 Allegro

Graun: Concerto for Fl, Strings and Basso continuo in E major
* Performers: René Schiffer (Cello); Jan De Winne (Flute); Lorenzo Ghielmi (Piano); Shalev Ad-El (Harpsichord); Frank Coppieters (Violone); Sophie Gent (Violin); Mika Ahika (Violin); Mika Ahika (Viola); Stephen Freeman (Violin)
* Ensemble: Il Gardellino Ensemble
* Running Time: 11 min. 9 sec.
7 Allegro
8 Siciliano
9 Allegro

Graun: Concerto grosso for Flute, Violin, Viola and Cello in G major
* Performers: René Schiffer (Cello); Jan De Winne (Flute); Lorenzo Ghielmi (Piano); Shalev Ad-El (Harpsichord); Frank Coppieters (Violone); Sophie Gent (Violin); Mika Ahika (Violin); Mika Ahika (Viola); Stephen Freeman (Violin); Vittorio Ghielmi (Viola da gamba)
* Ensemble: Il Gardellino Ensemble
* Running Time: 18 min. 45 sec.
10 Allegro non troppo
11 Arioso e largo
12 Allegro


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Franghiz Ali-Zadeh (1947) – Mugam Sayagi

Ah tá, vocês vão querer me dizer que aguardavam a postagem do maior compositor do Azerbaijão no PQP Bach. Sim, agora lembro dos vários pedidos recebidos:

– Pequepêzinho, posta o Borat, quero dizer, o Ali-Zadeh para nós?

Pois peguei vocês! Não é O Franghiz Ali-Zadeh e sim A Franghiz Ali-Zadeh. Sim, a woman! Franghiz Ali-Zadeh (nascida em 1947) é uma compositora e pianista azerbaijana que vive atualmente na Alemanha. Ela é conhecida por combinar a música tradicional do Azerbaijão, o mugam, com técnicas da música ocidental, especialmente de Arnold Schönberg. Seus trabalhos fazem enorme sucesso na região Borat.

O nome deste CD significa “no estilo do mugam”. O mugam é uma incrivelmente sofisticada e emocionada forma de música e poesia. Sons de pingos d`água abrem a maravilhosa Oasis. A compositora toca piano no Quinteto Apsheron, cujo segundo movimento é sensacional. Music for Piano é uma música para piano, dã. Para finalizar, Mugam Sayagi, um quarteto de cordas que incorpora sintetizador e percussões exóticas locais. É uma obra estupenda. Vale várias audições.

Excelente!

Para variar, este CD é um rebento do mais importante quarteto de cordas de nosso tempo, o KRONOS QUARTET. Ótima qualidade de som.

Franghiz Ali-Zadeh (1947) – Mugam Sayagi

1. Oasis (1998) 13:19

2. Apsheron Quintet (2001) I. Tactile Time 11:27
3. Apsheron Quintet (2001) II. Reverse Time 7:23

4. Music for Piano (1989/1997) 7:32

5. Mugam Sayagi (1993) 21:20

Franghiz Ali-Zadeh
Scott Fraser
Kronos Quartet

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Arto Pärt (1935) – Te Deum, Silouans Song, Magnificat e Berliner Messe

Sabem? Eu tento, tento mesmo, mas não consegui ainda desenvolver admiração por Arto Pärt e sua música estática e extática. O problema é justamente a junção destes adjetivos tão parecidos e iguais em som. Pois é a falta de movimento e o êxtase permanente que me enchem o saco. Há que ter céu e estrelas, mas também chão, sangue, vísceras, certo? Pärt parece não ser deste mundo. Li em algum lugar que quem gosta de Górecki, inevitavelmente ama Pärt. OK, sou a exceção, um ET.

Bem, mas os comentaristas dizem que este é o melhor CD com obras do compositor estoniano lançado até hoje. É um CD da ECM de 1993 que é multi, ultra e trans elogiado. Só que não é para mim. Eu acho sem graça. Mas saibam, dizem que são obras-primas!

Pärt – Te Deum, Silouans Song, Magnificat e Berliner Messe

1. Te Deum 28:45

2. Silouans Song 5:46

3. Magnificat 6:44

4. Berliner Messe – Kyrie 3:18
5. Berliner Messe – Gloria 3:43
6. Berliner Messe – Erster Alleluiavers 0:52
7. Berliner Messe – Zweiter Alleluiavers 1:10
8. Berliner Messe – Veni Sancte Spiritus 4:57
9. Berliner Messe – Credo 3:56
10. Berliner Messe – Sanctus 4:04
11. Berliner Messe – Agnus Dei 2:41

Estonian Philharmonic Chamber Choir
Tallinn Chamber Orchestra
Tonu Karljuste

BAIXE AQUI (Parte 1) – DOWNLOAD HERE (Part 1)

BAIXE AQUI (Parte 2) – DOWNLOAD HERE (Part 2)

György Ligeti (1923 – 2006) – Obras orquestrais e para coral

Eu realmente gosto muito de Ligeti. Acho que ele ocupa uma posição que talvez seja só sua e que é a mais revolucionária delas: a de fazer uma música erudita contemporânea mais próxima e acessível ao ouvinte, não obstante a extrema dificuldade de sua escritura. A postagem de hoje, na verdade, é um apanhado de 3 CDs do The Ligeti Project. Infelizmente, é o que possuo destes 3 CDs. Há algumas faixas do CD 1 faltando. Isto faz com que fiquemos sem dois movimentos do Concerto para Piano. Mas acho Ligeti tão bom e interessante que posto do mesmo jeito.

Compositor famoso por ter sido utilizado em dois filmes de Kubrick – um deles 2001 -, tem esplêndida obra, resumida assim na Wikipedia:

As primeiras obras de Ligeti são uma extensão da linguagem musical de seu compatriota Béla Bartók. Por exemplo, suas peças para piano Musica Ricercata (1951 – 53), foram comparadas com as do Mikrokosmos de Bartók . A coleção de Ligeti tem onze peças ao todo, A primeira usa somente uma nota “lá” executada em diversas oitavas. Só no fim da peça é possível escutar a segunda nota – “ré”. A segunda peça emprega três notas diferentes, a terceira emprega quatro, e assim até o fim, de tal forma que a décima-primeira peça usa todas as doze notas da escala cromática.

Nessa primeira parte de sua carreira, Ligeti foi afetado pelo regime comunista da Hungria daquele tempo, que impunha a estética do realismo socialista. A décima peça da Musica Ricercata foi proibida pelas autoridades por considerarem-na “decadente”. Isto se deveu provavelmente ao uso muito livre dos intervalos de segunda menor. Devido à ousadia de suas intenções musicais, é fácil de supor a razão por ter decidido deixar a Hungria.

Uma vez estabelecido em Colônia, começou a compor música electrónica junto a Karlheinz Stockhausen. Entretanto, suas obras para essa linguagem se resumem em três:, dentre as quais Glissandi (1957) e Artikulation (1958), antes de voltar à música instrumental e à vocal. Suas composições, então, apareceram influenciadas por suas experiências eletrônicas e muitos dos efeitos sonoros que criou lembram outras obras eletrônicas. A obra Apparitions (1958-59) foi a primeira a atrair a tenção da crítica, mas foi sua obra seguinte, Atmosphères, a mais conhecida atualmente. Foi usada, junto com fragmentos de Lux aeterna e seu Réquiem como parte de la trilha sonora de 2001: Uma Odisséia no Espaço de Stanley Kubrick – sem a autorização do próprio Ligeti.

Atmosphères (1961) é uma peça para uma grande orquesta sinfônica. É considerada peça-chave na produção de Ligeti e contém muitos dos recursos explorados durante a década de 60. Abandonou o foco na melodia, na harmonia e no ritmo, para se concentrar apenas no timbre dos sons, uma técnica conhecida como “massa de som. Cada nota da escala cromática soa em cinco oitavas. A peça se desenvolve a partir desse acorde, com nuances sempre distintas.

Ligeti cunhou o termo “micropolifonia” à técnica composicional que usou em Atmosphères, Apparitions e outras obras daquela época. Assim a definiu: “a complexa polifonia das partes individuais está fundida num fluxo harmônico-musical, no qual as harmonias não mudam subitamente; em vez disso, mesclam-se umas com as outras. É uma combinação de intervalos claramente reconhecível e que vai se tornando nebulosa. Nesta nebulosidade, pode-se distingüir uma nova combinação de intervalos se formando”.

Da década de 70 em diante, Ligeti se afastou do cromatismo total e começou a se concentrar no ritmo. Interessou-se, particularmente, nos aspectos rítmicos da música africana, em especial na dos pigmeus. Em meados de 1970, escreveu a ópera “Le Grand Macabre”, com base no teatro do absurdo com muitas referências escatológicas. Sua música dos anos 80 e 90 deram ênfase a complexos mecanismos rítmicos, em uma lingagem menos densamente cromática (tendendo a favorecer as tríades maiores e menores deslocadas e estruturas polimodais).

A última obra de Ligeti foi o Concerto de Hamburgo para trompa e orquestra de câmara (1998-99, revisado em 2003).

Ligeti – The Ligeti Project I-II-IV

Piano Concerto
with Pierre-Laurent Aimard, ASKO Ensemble
1. Piano Con: III. Vivace Cantabile – Pierre-Laurent Aimard
2. Piano Con: IV. Allegro Risoluto, Molto Ritmico – Pierre-Laurent Aimard
3. Piano Con: V. Presto Luminoso – Pierre-Laurent Aimard

Mysteries of the Macabre, for soprano & ensemble, or trumpet & piano/ensemble (arr. from “Le Grand Macabre” by E.Howarth)
with Peter Masseurs, ASKO Ensemble
4. Mysteries Of The Macabre – Peter Masseurs

Lontano, for orchestra
Performed by Berlin Philharmonic Orchestra
Conducted by Jonathon Nott
5. Lontano

Atmosphères, for large orchestra
Performed by Berlin Philharmonic Orchestra
Conducted by Jonathon Nott
6. Atmospheres

Apparitions, for orchestra
Performed by Berlin Philharmonic Orchestra
Conducted by Jonathon Nott
7. Apparitions: I. Lento
8. Apparitions: II. Agitato

San Francisco Polyphony, for orchestra
Performed by Berlin Philharmonic Orchestra
Conducted by Jonathon Nott
9. San Francisco Polyphony

Concert Românesc, for orchestra
Performed by Berlin Philharmonic Orchestra
Conducted by Jonathon Nott
10. Concert Romanesc: I. Andantino
11. Concert Romanesc: II. Allegro Vivace
12. Concert Romanesc: III. Adagio Ma Non Troppo
13. Concert Romanesc: IV. Molto Vivace

Hamburg Concerto, for horn & chamber orchestra with 4 obbligato natural horns
with Ozan Cakar, Sybille Mahni, Thomas Bernstein, Marie-Luise Neunecker, Simon Breyer, ASKO Ensemble
Conducted by Reinbert de Leeuw
14. I. Praeludium
15. II. Singale, Tanz, Choral
16. III. Aria, Aksak, Hoketus
17. IV. Solo, Intermezzo, Mixtur, Kanon
18. V. Spectra
19. VI. Capricco
20. VII. Hymnus

Double Concerto, for flute, oboe & orchestra
with Heinz Holliger, Jacques Zoon, Schoenberg Ensemble, ASKO Ensemble
Conducted by Reinbert de Leeuw
21. I. Calmo, Con Tenerezza – Heniz Holliger
22. II. Allegro Corrente – Heinz Holliger

Ramifications, for 12 strings (or string orchestra)
with Schoenberg Ensemble, ASKO Ensemble
Conducted by Reinbert de Leeuw
23. Ramifications For 12 Solo Strings – Heniz Holliger

Requiem, for soprano, mezzo-soprano, 2 choruses & orchestra
Performed by Berlin Philharmonic Orchestra
with Caroline Stein, Margriet van Reisen
Conducted by Jonathon Nott
24. I. Introitus. Sostenuto – Jonathan Nott
25. II. Kyrie. Molto Espressivo – Jonathan Nott
26. III. De Die Judicii Sequentia. Subito: Agitato Molto – Jonathan Nott
27. IV. Lacrimosa. Molto Lento – Jonathan Nott


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Bach, Beethoven, Carpeaux

A Nova História da Música é criticada com razão por ser uma espécie de “Eu e a Música”, mas Carpeaux freqüentemente escrevia coisas brilhantes. No parágrafo que segue, penso que ele põe em palavras uma opinião que está latente em nós:

A amplitude emocional da obra de Bach em conjunto é imensa: basta lembrar a solenidade majestosa das fugas, o misticismo gótico dos motetos, o sentimento comovido das árias e dos largos, o demoníaco de uma hora de rebeldia como no Concerto para piano em ré menor e a elegância aristocrática das suítes e o humorismo burlesco da Cantata dos camponeses e a inocente alegria paradisíaca como no Concerto para violino em mi maior. Bach resumiu tudo isso e muito mais. Mas não resumiu todas as possibilidades da música. Não encontro entre as obras de Beethoven algo tão perfeito como os Concertos de Brandenburgo. Mas não encontro entre as obras de Bach algo que tão intimamente tocasse o coração como o Concerto para piano n. 4 ou O Trio Arquiduque ou as variações da Sonata opus 111 nem abstrações tão transcendentais como o Quarteto opus 132 e as variações sobre a valsa de Diabelli nem uma despedida tão humana como a última obra, o Quarteto opus 135. Para variar, uma frase de Nietzsche: ‘Beethoven escuta e nota o que toca um músico celeste; Bach é esse músico celeste’. A arte de Beethoven é a mais alta música humana. A arte de Bach é menos humana porque é mais que humana. Os Concertos de Brandenburgo são um reflexo da ordem divina do Universo; uma mensagem do reino das idéias platônicas.

Otto Maria Carpeaux, 1960 – Recebido às 10h em e-mail deste grande escritor e colunista da Rascunho.

Aos navegantes e colaboradores

Upgrade das 10h56 – MIGRAÇÃO CANCELADA!!!

Motivo: Utilizamos PHP 5 no nosso servidor atual. Estamos ou estávamos indo para um que utiliza PHP 4.1 – está em fase de atualização. Teremos que esperar mais um pouco.

Então, todo mundo liberado para mexer nos blogs. Fica a piada e a foto de nosso Amado.

Hoje, a partir das 18h, estaremos fazendo a migração de todo o OPS de um servidor estrangeiro, chato, feio e inconstante para um nacional, bonito, caro e fiel. (Isso é o que todos prometem…). Recebi instruções de não mexer nos blogs desde o horário citado até às 9h da manhã de sexta. Neste ínterim (18h de hoje até 9h de amanhã, repito), os comentaristas podem escrever, mas saibam que suas observações sumirão como palavras ao vento.

Orem por nós. Esperamos retomar nossa programação brega durante o dia de amanhã. Minhas próximas postagens serão Amado Batista, ABBA, Daniel, Leonardo e New Kids on the Block. Enquanto isso, FDP Bach prepara a integral de Lindomar Castilho e Bluedog a do Grupo Dominó. CDF Bach, sempre avant-garde, postará Mara Maravilha e Clara Schumann, Roberto Leal.

Dance Dance Dance

Aguardem!

Ludwig Van Beethoven (1770-1827) – Sonatas Nº 13, 14 e 15 (Op. 27/1, 27/2 e 28)

A Fundação Maurizio Pollini, recém fundada por mim, P.Q.P. Bach, e por Lais Vogel dedica-se a divulgar e a defender — se preciso com unhas e dentes, porém com toda a civilidade — a obra do grandioso pianista italiano. A organização não têm fins lucrativos, mas aprecia doações de novos registros de nosso “ídalo”. Posters, fotos e outros gadgets devem ser enviados ao Príncipe Salinas.

Este esplêndida gravação foi tema de uma longa discussão entre os participantes de um jantar em minha casa, no último sábado. O CD foi considerado de primeiríssima linha, mas dois dos participantes do convescote — um deles minha mulher — acusaram Pollini do “pecado de ironia” na interpretação do Allegro de abertura da Sonata Pastorale. Apesar dos dois terem achado maravilhosa a criação da peça, eles imputaram ao excelso Pollini um elegante tom de deboche que não haveria no original. (Havia três pianistas no jantar, dois profissionais, e um deles, ao lado de minha cara-metade, foram os causadores da cizânia.)

Eu não nego a ironia, até a reconheço, mas a coloco na conta da profunda expressividade, habilidade e clareza de um pianista assombroso que resolveu deixar o movimento um real Allegro, retirando-o da semi-consciência a que outros pianistas o relegavam.

Obs.: A presença deste CD no P.Q.P. Bach deve-se ao matrocínio da diretora de nossa Fundação.

Ludwig van Beethoven: Sonaten Opp. 27/1 – 27/2, 28

1. Piano Sonata No.13 in E flat, Op.27 No.1 – 1. Andante – Allegro – Tempo I 5:01
2. Piano Sonata No.13 in E flat, Op.27 No.1 – 2. Allegro molto e vivace 1:54
3. Piano Sonata No.13 in E flat, Op.27 No.1 – 3. Adagio con espressione 2:53
4. Piano Sonata No.13 in E flat, Op.27 No.1 – 4. Allegro vivace – Tempo I – Presto 5:18
5. Piano Sonata No.14 in C sharp minor, Op.27 No.2 -“Moonlight” – 1. Adagio sostenuto 6:31
6. Piano Sonata No.14 in C sharp minor, Op.27 No.2 -“Moonlight” – 2. Allegretto 2:16
7. Piano Sonata No.14 in C sharp minor, Op.27 No.2 -“Moonlight” – 3. Presto agitato 7:10
8. Piano Sonata No.15 in D, Op.28 -“Pastorale” – 1. Allegro 9:45
9. Piano Sonata No.15 in D, Op.28 -“Pastorale” – 2. Andante 7:21
10. Piano Sonata No.15 in D, Op.28 -“Pastorale” – 3. Scherzo. Allegro vivace 2:09
11. Piano Sonata No.15 in D, Op.28 -“Pastorale” – 4. Rondo. Allegro ma non troppo 4:36

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Antonio Vivaldi (1678 — 1741) – Transcrições para dois pianos: As 4 Estações e Variações sobre um tema de Bach

As irmãs gêmeas e pianistas turcas Ferzan e Ferhan Önder não são apenas bonitas e reveladoras das belezas e das boas possibilidades matemáticas encontráveis no Bósforo, elas tocam bem mesmo! O repertório não é tudo aquilo, mas é bastante curioso ouvir Vivaldi transcrito para dois pianos… Como sei que Vivaldi é muito querido de nosso público, não poderia deixar de mostrar esta curiosidade saída das delicadas mãos de duas beldades turcas que nunca fizeram mal a um armênio, contrariamente a outras mãos de seu país. A gravação é de ótima qualidade e a bela duplinha já está contradada pela DG, claro. Afinal, hoje a imagem vale muito; principalmente quando há ouvidos tão incompreensivos. As Variações sobre um tema de Bach — creio que são variações sobre um tema de uma das Suítes Francesas, corrijam-me se estiver errado — não é grande obra, mas sempre fico feliz ao ouvir papai. Já As Quatro Estações não é necessário comentar, né?

Vivaldi: Reflections – The Four Seasons for 2 pianos

1. The Four Seasons, Op.8: Con No.1 in e ‘Spring’: I. Allegro
2. The Four Seasons, Op.8: Con No.1 in e ‘Spring’: II. Largo
3. The Four Seasons, Op.8: Con No.1 in e ‘Spring’: III. Allegro
4. The Four Seasons, Op.8: Con No.2 in g ‘Summer’: I. Allegro Non Molto
5. The Four Seasons, Op.8: Con No.2 in g ‘Summer’: II. Adagio
6. The Four Seasons, Op.8: Con No.2 in g ‘Summer’: III. Presto
7. The Four Seasons, Op.8: Con No.3 in F ‘Autumn’: I. Allegro
8. The Four Seasons, Op.8: Con No.3 in F ‘Autumn’: II. Adagio Molto
9. The Four Seasons, Op.8: Con No.3 in F ‘Autumn’: III. Allegro
10. The Four Seasons, Op.8: Con No.4 in f ‘Winter’: I. Allegro Non Molto
11. The Four Seasons, Op.8: Con No.4 in f ‘Winter’: II. Largo
12. The Four Seasons, Op.8: Con No.4 in f ‘Winter’: III. Allegro

(#8. Victor S., 01/07/2008, 09:04

O compositor das variações foi Gustav Nottebohm (1817-1882)
http://en.wikipedia.org/wiki/Gustav_Nottebohm)

13. Vars On A Theme By J.S. Bach in d, Op.17: Sarabande. Andantino
14. Vars On A Theme By J.S. Bach in d, Op.17: Var I
15. Vars On A Theme By J.S. Bach in d, Op.17: Var II Allegro
16. Vars On A Theme By J.S. Bach in d, Op.17: Var III Allegretto
17. Vars On A Theme By J.S. Bach in d, Op.17: Var IV Allegretto
18. Vars On A Theme By J.S. Bach in d, Op.17: Var V Allegretto Con Moto
19. Vars On A Theme By J.S. Bach in d, Op.17: Var VI Allegro Vivace
20. Vars On A Theme By J.S. Bach in d, Op.17: Var VII Allegro Ma Non Troppo
21. Vars On A Theme By J.S. Bach in d, Op.17: Var VIII Andante
22. Vars On A Theme By J.S. Bach in d, Op.17: Var IX

Ferzan e Ferhan Önder, pianos

Obrigado, Victor!

Ferhan Ferzan

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Manuel de Falla (1876 — 1946) – El Amor Brujo / El Corregidor y la Molinera

Sou um admirador de alguns nacionalismos e, dentre eles, está o do grande Manuel de Falla, compositor espanhol. Além de grande pianista e compositor, de Falla participa da história literária de seu país ao tentar – figura de proa que era na Espanha – impedir o assassinato de seu amigo Federido García Lorca pelas milícias franquistas em 1936. Em vão. Seus últimos anos foram vividos no exílio, na Argentina. El Amor Brujo é uma bela peça, mas ainda é melhor na versão de câmara original que ora apresentamos. É incomum ouvi-la assim. Já El Corregidor y la Molinera é a primeira versão de O Chapéu de Três Bicos, que depois apareceu reescrita e com novo nome para o Balé Russo de Diaguilev.

São duas peças bem espanholas, mas sem aqueles medonhos violonistas ventiladores-de-guitarras do flamenco. Aqui não há guitarras e os instrumentos não parecem necessitar ser abanados continuamente para funcionar. (Igualmente, não há dançarinas matadoras de baratas.) De Falla é elegante e traz à linguagem típica espanhola uma estranha austeridade, pois melodiosa e rítmica.

Ah, a gravação é ex-ce-len-te.

El amor brujo
1. Love The Magician: Act 1: Intro E Scena – Allegro Furioso Ma In Tempo Moderato – Claire Powell
2. Love The Magician: Act 1: Tranquillo E Misterioso – Claire Powell
3. Love The Magician: Act 1: Song Of Sorrowful Love – Allegro – Claire Powell
4. Love The Magician: Act 1: Dance Of the End Of The Day – Allegro Ma Non Troppo E Pesante – Claire Powell
5. Love The Magician: Act 1: Intermezzo – Allegro – Claire Powell
6. Love The Magician: Act 2: Andante (Con Mistero) – Claire Powell
7. Love The Magician: Act 2: Dance Of The Will-O-The-Wisp – Allegro Ritmico – Claire Powell
8. Love The Magician: Act 2: Interludio – Allegro Moderato – Claire Powell
9. Love The Magician: Act 2: Song Of The Will-O-The-Wisp – Spell To Rekindle Lost Love – Claire Powell
10. Love The Magician: Act 2: Dance And Song Of The Cunning Witch – Allegretto – Claire Powell
11. Love The Magician: Act 2: Finale – Claire Powell

Claire Powell (Mezzo Soprano)
Conductor: Nicholas Cleobury
Orchestra: Aquarius
Written: 1914-1915;
Spain Date of Recording: 7/1988
Venue: EMI Abbey Road Studios, London
Length: 33 Minutes 45 Secs.
Language: Spanish

El corregidor y la molinera
12. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 1: (Intro) – Jill Gomez
13. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 1: Solo – Jill Gomez
14. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 1, Danza – Allegro Ma Non Troppo – Jill Gomez
15. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 1: Moderato – Jill Gomez
16. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 1: Vivo – Jill Gomez
17. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 2: Allegro Ma Non Troppo – Jill Gomez
18. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 2: Poco Piu Vivo Che Prima – Jill Gomez
19. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 2: Lento – Jill Gomez
20. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 2: Tranquillo – Jill Gomez
21. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 2: Poco Piu Mosso – Aquarius/Nicholas Cleobury
22. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 2: Allegro – Aquarius/Nicholas Cleobury
23. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 2: Calmo – Aquarius/Nicholas Cleobury
24. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 2: Come Prima – Aquarius/Nicholas Cleobury Jill Gomez (Soprano)
Conductor: Nicholas Cleobury
Orchestra: Aquarius
Written: 1916-1917; Spain
Date of Recording: 7/1988
Venue: EMI Abbey Road Studios, London
Length: 41 Minutes 9 Secs.
Language: Spanish

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Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Integral das Sinfonias – A Décima-quinta (CDs 8 de 11) (*)

(*) A numeração dos CDs obedece à edição original; como fiz as postagens obedecendo a ordem das sinfonias, principalmente a das mais importantes, as finais, a numeração dos CDs ficou desencontrada, mas saibam que este post encerra mais esta série.

A Sinfonia Nº 15 está entre as maiores do mestre russo e possui grande alegria e desespero sob sua aparente tranqüilidade. É uma obra consistente, com movimentos melodiosos apoiando-se harmonicamente um no outro. Não há nada sobrando nem faltando. O primeiro movimento é felicíssimo e aparentado com a Sinfonia Nº 9 e com o primeiro movimento do Concerto Nº 2 para piano e orquestra. Ele evoca os brinquedos infantis e possui em seu cerne um dos temas da Guilherme Tell, de Rossini.

O Adagio é belo e triste com longos solos de violoncelo e também do trombone e da tuba; há a inserção do Tema do Destino (ou da Morte) que Wagner escreveu para seu Nibelungo. O Alegretto, em tom de deboche, é levado pelo clarinete.

O movimento final é o mais longo de todos: há evocações ao compositor — o motivo DSCH reaparece acompanhado pelo Tema do Destino em clara alusão às doenças e à morte próxima de Shostakovich –, mas a sinfonia é finalizada serenamente após várias intervenções de cantabiles violinos. O final, quase todo a cargo da percussão, é delicado. Um verdadeiro achado. Um despedida sem desespero, um aceno algo irônico, de um grande mestre.

Mas o que queria mesmo dizer é que esta sinfonia exerce um efeito magnético (palavras de Lauro Machado Coelho) sobre os ouvintes. É impossível não ceder a ela, ouvindo e reouvindo. Tenho vários amigos que concordam: há algo nela que nos instiga, anima, estimula, incita, algo que espicaça nossa curiosidade. O que será?

SYMPHONY No.15 in A Major, Op.141
6. Allegretto
7. Adagio. Largo. Adagio. Largo
8. Allegretto
9. Adagio. Allegretto. Adagio. Allegretto

Recorded: May 27, 1974
Moscow Philharmonic Orchestra
Kirill Kondrashin, Conductor

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Instabilidade

Pois é. O condomínio inteiro mudou de servidor e a coisa não fácil. Quem trabalha com informática sabe que estas coisas são uma merda complicadas, mesmo quando planejadas. E a culpa foi de uma nova versão do WordPress, ao que parece… Bem, esperamos que logo tudo fique direitinho.

Ah, perdemos alguns comentários. O que fazer?

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Concerto Triplo e Fantasia Coral

Quase todas as pessoas do mundo erudito conhecem a gravação-referência do Concerto Triplo com Karajan e seu trio de gênios soviéticos. Só Lebrecht não gosta – como disse o Kaissor em comentário perdido. Garanto-lhes que também adoro, mas creio que esta versão é comparável e talvez superior àquela. Um cara como Barenboim não iria gravar “este Beethoven” se não soubesse que tinha nas mãos uma joia. E tinha. Seu trabalho junto com Ma e Perlman é extraordinário e aqui ainda temos como extra a estranha e bela Fantasia Coral. Barenboim está demais ultimamente.

A gravação é ao vivo, mas a qualidade de som é extraordinária, ao menos no original.

Beethoven – Concerto Triplo e Fantasia Coral

1. Triple Concerto for Violin, Cello and Piano in C Op. 56: I. Allegro 17:02
2. Triple Concerto for Violin, Cello and Piano in C Op. 56: II. Largo 5:36
3. Triple Concerto for Violin, Cello and Piano in C Op. 56: III. Rondo all polacca 12:50
4. Fantasy for Piano, Chorus and Orchestra Op. 80 ‘Choral Fantasia’: Adagio 3:56
5. Fantasy for Piano, Chorus and Orchestra Op. 80 ‘Choral Fantasia’: Finale – Allegro 5:00
6. Fantasy for Piano, Chorus and Orchestra Op. 80 ‘Choral Fantasia’: Allegro molto 1:35
7. Fantasy for Piano, Chorus and Orchestra Op. 80 ‘Choral Fantasia’: Adagio, ma non troppo 2:54
8. Fantasy for Piano, Chorus and Orchestra Op. 80 ‘Choral Fantasia’: Marica, assai vivace – Allegro 2:10
9. Fantasy for Piano, Chorus and Orchestra Op. 80 ‘Choral Fantasia’: Allegretto, ma non troppo (quasi Andante con moto) – Presto 4:06

Itzhak Perlman
Yo-Yo Ma
Daniel Barenboim
Berliner Philharmoniker
Daniel Barenboim

Carola Hohn
Katherina Kammerloher
Andrea Bonig
Endrik Wottrich
Par Lindskog
René Pape
Chöre Der Deutschen Oper Berlin
Berliner Philharmoniker
Daniel Barenboim

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.: interlúdio :. John Surman e Nordic Quartet

Sou apaixonado pelo som do saxofonista e clarinetista inglês John Surman, que é a cara do escritor John Fowles, que nasceu em Essex, enquanto Surman é de Devon. Ele não me decepciona neste CD verdadeiramente nórdico (basta ler o nome de seus companheiros de grupo). As quatro primeiras faixas do CD são esplêndidas e o resto não lhes fica muito atrás. É notável o diálogo entre Surman e Rypdal em Offshore Piper, é belíssima e triste a balada Unwritten Letter e a levada de Gone to the Dogs provocou ohs! de aprovação enquanto ouvia o disco em minha casa. Fui pesquisar se meu entusiasmo pelo CD era algo muito original ou não, indo direto à Down Beat. O pessoal de lá tascou-lhe 4 (Very good) em 5 estrelas. Tudo bem, o CD é bom mesmo!

Atenção para os solos de clarone (bass clarinet) de Surman. Seu som é sempre puríssimo mas é neste instrumento que rende mais.

Nordic Quartet (1994)

1. Traces
2. Unwritten Letter
3. Offshore Piper
4. Gone To The Dogs
5. Double Tripper
6. Ved Sorevatn
7. Watching Shadows
8. The Illusion
9. Wild Bird

John Surman – soprano saxophone, baritone saxophone, clarinet, bass clarinet
Terje Rypdal – guitar
Karin Krog – vocals
Vigleik Storaas – piano

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Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Integral das Sinfonias – A Décima-terceira (CDs 10 e 11 de 11)

Sinfonia Nº 13 (Babi Yar), Op. 113 (1962)

Após o equívoco da Sinfonia Nº 12 — lembrem que até Beethoven escreveu uma medonha Vitória de Wellington, curiosamente estreada na mesma noite da sublime 7ª Sinfonia, mas este é outro assunto… –, Shostakovich voltaria às boas relações com a música sinfonia da forma mais gloriosa possível: pela Sinfonia Nº 13, Babi Yar. Iniciava-se aqui a produção de uma seqüência de obras-primas que só terminaria com sua morte, em 1975. Esta sinfonia tem seus pés firmemente apoiados na história da União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial. É uma sinfonia cantada, quase uma cantata em seu formato, que conta com a nada desprezível colaboração do grande poeta russo Evgeny Evtuchenko (conforme alguns, como a Ed. Brasiliense, porém pode-se encontrar a grafia Ievtuchenko, Yevtuchenko ou Yevtushenko, enfim!)

O que é, afinal, Babi Yar? Babi Yar é o nome de uma pequena localidade situada perto de Kiev, na atual Ucrânia, cuja tradução poderia ser Barranco das Vovós. Ali, em 29 e 30 de setembro de 1941, teve lugar o assassinato de 34 mil judeus pelos nazistas. Eles foram mortos com tiros na cabeça e a participação comprovada de colaboradores ucranianos no massacre permanece até hoje tema de doloroso debate público naquele país. Nos dois anos seguintes, o número de mortos em Babi Yar subiu para 200 mil, em sua maioria judeus. Perto do fim da guerra, os nazistas ordenaram que os corpos fossem desenterrados e queimados, mas não conseguiram destruir todos os indícios.

Ievtuchenko criticou a maneira que o governo soviético tratara o local. O monumento em homenagem aos mortos referia-se às vítimas como ucranianas e russas, o que também eram, apesar de saber-se que o fato determinante de suas mortes era o de serem judeus. O motivo? Ora, Babi Yar deveria parecer mais uma prova do heroísmo e sofrimento do povo soviético e não de uma fatia dele… O jovem poeta Ievtuhenko considerou isso uma hipocrisia e escreveu o poema em homenagem aos judeus mortos. O que parece ser uma crítica de importância relativa para nós, era digna de censura, na União Soviética. O poema fui publicado na revista Literatournaia Gazetta e causou problemas a seu autor e depois, também a Shostakovich, ao qual foram solicitadas alterações que nunca foram feitas na sinfonia. No Ocidente, Babi Yar foi considerado prova da violência anti-semita na União Soviética, mas o próprio Ievtuchenko declara candidamente em sua Autobiografia Precoce (Ed. Brasiliense, 1987) que a tentativa de censura ao poema não teve nada a ver com este gênero de discussão e que, das trinta mil cartas que recebeu falando em Babi Yar, menos de trinta provinham de anti-semitas… É tudo muito estranho.

O massacre de Babi Yar é tão lembrado que não serviu apenas a Ievtuchenko e a Shostakovich, tornando-se também tema de filmes e documentários recentes, assim como do romance Babi Yar de Anatoly Kuznetsov. Não é assunto morto, ainda.

O tratamento que Shostakovich dá ao poema é perfeito. Como se fosse uma cantata em cinco movimentos, os versos de Ievtuchenko são levados por um baixo solista, acompanhado de coral masculino e orquestra. Principalmente em Babi Yar e em Na Loja, é música de impressionante gravidade e luto; a belíssima linha melódica ora assemelha-se a um serviço religioso, ora ao grande modelo de Shostakovich, Mussorgski; mesmo assim, fiel a seu estilo, Shostakovich encontra espaço para seu sarcasmo.

Babi YarCalma crueldade: soldados alemães examinam as roupas dos judeus mortos em Babi Yar. (Adotando o tom sarcástico tão caro a Shostakovich, diria que, hoje, as roupas poderiam ser palestinas e os soldados… Deixa pra lá!)

A seguir, aproveitarei a excelente descrição que Clovis Marques fez para o concerto que incuía a Sinfonia Nº 13, Babi Yar, realizado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 27/07/2006. Volto no final do post:

Chostakovich, ‘for ever’Clovis Marques – Opinião & Noticia
30/07/2006

O contato em condições ideais com uma obra-prima do século XX é raro na vida musical de um mortal carioca. Na última quinta-feira, a Sinfonia nº 13 de Chostakovich passou pelo Teatro Municipal com uma carga tão densa de significado e beleza que quase não surpreendeu que a interpretação e o acabamento, a cargo da Petrobras Sinfônica, estivessem também em esferas muito altas.

“Babi Yar” é como ficou conhecida esta sinfonia-cantata para coro masculino, baixo e orquestra composta e estreada em 1962 em Moscou. O título vem do poema de Ievgueni Evtuchenko que causara rebuliço ao ser publicado no ano anterior na “Literaturnaia Gazeta”, tocando na chaga do anti-semitismo a propósito do massacre cometido pelos nazistas, durante a Segunda Guerra Mundial, no local conhecido como “ravina das mulheres”, perto de Kiev.

A partir desse texto de dura indignação, e apesar dos problemas que uma tal inspiração de “protesto” ainda geraria na União Soviética pós-stalinista, Chostakovich construiu um painel de extraordinária força em torno de duas ou três mazelas trágicas do seu tempo: o medo e a opressão, o conformismo e o carreirismo, o massacre quotidiano num Estado policial e a possibilidade de superação pelo humor e a intransigência.

Em linguagem quase descritiva, contrastando a severidade da orquestra com a impostação épica das vozes, “Babi Yar” tem um poder de evocação propriamente cinematográfico: raramente se ouviu música tão plástica e de poder de invenção tão sustentado, com um grau de concentração expressiva que sublima a revolta, o negrume e a angústia como poucas vezes na música pós-romântica.

O realismo e a concisão imagética dos poemas são admiravelmente esposados pelo estilo alternadamente sombrio e irruptivo da música de Chostakovich, que apesar da forma atípica, para uma sinfonia, dota a obra de continuidade estrutural e organicidade musical mesmerizantes – para não falar da invenção melódica tão sua, que associamos indelevelmente à Rússia soviética. Não obstante o grande efetivo orquestral e a tensão dos clímaxes, as texturas são parcimoniosas e o coro, declamando ou murmurando, canta quase sempre em uníssono ou em oitavas – mais um elemento dessa pungência feita de desolação e sobreexcitação nervosa.

O primeiro movimento alterna estrofes que exploram o horror e a culpa de Babi Yar com relatos de dois outros episódios, sobre Anne Frank e um menino massacrado em Bielostok. No segundo movimento, os tambores em ritmo marcado, a maior animação da música e o tom enfático das vozes falam da resistência que o “Humor” jamais deixará de oferecer à tirania. “Na loja”, o Adagio que se segue, descreve pictoricamente as filas de humilhadas donas-de-casa em uma linha sinuosa nas cordas graves, entrelaçada a outra que, no registro médio, evoca a maneira como elas se insinuam cautelosas até o balcão. “Elas nos honram e nos julgam”, diz o poema, enquanto blocos e castanholas fazem as vezes de panelas e garrafas se entrechocando. A reserva da estupefação moral explode na última estrofe: “Nada está fora do alcance da força delas”.

A subjugada linha sinuosa torna-se reta, com permanente vibração surda na percussão, ao prosseguir sem interrupção no episódio seguinte, em ameaçador ‘sostenuto’ das cordas graves sob solo da tuba: é o “Medo”, componente constante da vida soviética. Frente ao negrume até aqui prevalecente, a sinfonia conclui em uma satírica meditação sobre o que é seguir “Carreira”. Em orquestração e harmonização reminiscentes da música do tcheco Martinu (1890-1959), no emprego de flautas e oboés oscilantes em ritmo de valsa lenta, ficamos sabendo que a verdadeira carreira não é a dos que se submetem, mas a de Galileu, Shakespeare ou Pasteur, Newton ou Tolstoi: “Seguirei minha carreira de tal forma que não a esteja seguindo”, conclui o baixo, com o eco do sino que abrira pesadamente a sinfonia, agora aliviado pela sonoridade onírica da celesta.

A Orquestra Petrobras Sinfônica esteve esplêndida, tocando como gente grande em cada naipe e coletivamente, sob a batuta do jovem maestro chileno Rodolfo Fisher. O barítono americano David Pittman-Jennings, embora não tenha aquele baixo profundo que impressiona nas interpretações russas, ostentou o metal nobre, a projeção plena e a capacidade de nuançar que permitiram total imersão nessa escorchante fantasia pânica. O Coro Sinfônico do Rio de Janeiro, dirigido por Julio Moretzsohn, esteve mais coeso e homogêneo que nunca, em sua formação exclusivamente masculina. Faltou apenas a reprodução/tradução dos poemas.

Shostakovich Kondrashin Yevtuschenko<— Shostakovich (esquerda), com o poeta Evgeni Ievtuchenko (direita) e o regente Kiril Kondrashin na estréia da controversa 13ª Sinfonia.

A seguir, eu, P.Q.P. Bach, copiei para vocês trechos traduzidos por Lauro Machado Coelho dos poemas utilizados na 13ª Sinfonia. Notem como o poema Babi Yar não é só aquilo que diz Clóvis Marques, mas uma clara alusão ao anti-semitismo soviético. Depois, mais comentários sobre a grande estréia da peça na URSS.

Babi Yar

Tenho medo.
Tenho hoje tantos anos
quanto o próprio povo judeu.

Parece que agora sou um judeu.
Perambulo no Egito antigo.
E eis-me na cruz, morrendo.
E ainda trago em mim a marca dos pregos.
Parece que Dreyfus sou eu.
Os filisteus são os que me denunciam e são o meu juiz.
Estou atrás das grades.
Estou cercado,
perseguido, cuspido, caluniado.
E as mocinhas, com suas rendas de Bruxelas,
rindo, me enfiam a sombrinha na cara.

(…)

Eu, chutado por uma bota, sem forças,
em vão peço piedade aos pogromistas.

(…)

Que a Internacional ressoe
quando enterrarem para sempre
o último anti-semita da terra.
Não há sangue judeu no meu sangue,
mas sou odiado com todas as forças
por todos os anti-semitas, como se judeu fosse.
E é por isso que sou um verdadeiro russo.

Humor

Czares, reis, imperadores
soberanos do mundo inteiro,
comandaram as paradas
mas ao humor não puderam controlar.

Ó euzinho aqui!
De repente me desembaraço de meu casaco,
faço um gesto com a mão e “Tchau!”.

Na loja

Dar-lhes o troco errado é uma vergonha,
enganá-las no troco é um pecado.

(…)

E, enquanto enfio no bolso as minhas massas,
olho, solene e pensativo,
cansadas de carregar seus sacos de compras,
as suas nobres mãos.
Elas nos honram e nos julgam,
nada está fora do alcance de suas forças.

Medos

Lembro do tempo em que ele era todo-poderoso,
na corte da mentira triunfante.
O medo se esgueirava por toda parte, como uma sombra,
infriltava-se em cada andar.
Agora é estranho lembrarmo-nos disso,
o medo secreto que alguém nos delate,
o medo secreto de que venham bater à nossa porta.
E depois, o medo de falar com um estrangeiro…
com um estrangeiro? até mesmo com sua mulher!
E o medo inexplicável de, depois de uma marcha,
ficar sozinho com o silêncio.

Não tínhamos medo de construir em meio à tormenta,
nem de marchar para o combate sob o bombardeio,
mas tínhamos às vezes um medo mortal,
de falar, nem que fosse com nós mesmos.

Uma Carreira

Os padres diziam que Galileu era mau e doido.
Que Galileu era doido.
Mas, como o tempo o demonstrou,
o doido era o mais sábio.
Um cientista da época de Galileu,
não era menos sábio que Galileu.
Ele sabia que a Terra girava,
mas tinha uma família
e, ao subir com sua mulher na carruagem,
achava que tinha feito sua carreira,
quando, na realidade, a tinha destruído.

Para compreender nosso planeta,
Galileu correu riscos.
É isso — eu penso — que é uma carreira.
Por isso, viva sua carreira,
quando é uma carreira como
a de Shakespeare e Pasteur,
Newton e Tolstói.
Liev?
Liev!
Por que eles foram caluniados?
Talento é talento,
digam o que disserem.
Os que insultaram estão esquecidos,
mas nós lembramos dos que foram insultados.

Com estes textos, foi difícil estrear a sinfonia. Em 1962, todos tiram o corpo fora, até o velho amigo Mravinski alega excesso de trabalho. Shostakovich volta-se para um moço talentoso — Kirill Kondrashin –, que aceita reger. O regente escala Viktor Nietchpailo para cantar na noite de estréia, deixando o jovem Vitali Gromadski “na reserva”. Sábia providência, pois Nietchpailo não suporta as pressões, acrescidas de um bate boca entre Ievtushenko e Nikita Kruschev, numa reunião entre artistas que devia dissuadi-lo a manter o texto de Babi Yar na sinfonia, e, amedrontado, cai fora. Gromadski é chamado. Muitos outros músicos “adoecem” e o coro desiste de cantar. Kondrashin e Ievtushenko dão discursos indignados e o coral retorna. Popov, o Ministro da Cultura, telefona a Kondrashin perguntando se a sinfonia pode ser apresentada sem o primeiro e quarto movimentos. Kondrashin responde que não, porque mutilaria a forma da sinfonia e todos sabem que o primeiro movimento fala sobre os anti-semitas soviéticos e de Babi Yar… “Ministro, se cortarmos, haverá reações indesejáveis…”. Ouve Popov afirmar e perguntar: “A responsabilidade é sua. Faça como achar melhor. A propósito, há algo que possa impedi-lo de reger esta noite?”. “Não, todos estamos em excelente forma…”, responde Kondrashin. Enquanto isso, as pessoas brigam pelos ingressos de um concerto que fez a Grande Sala do Conservatório vir abaixo, com os aplausos ocorrendo entre cada movimento. O CD 11 é a som desta estréia.

CD 10

SYMPHONY No.13 in B flat minor, Op.113
For Bass Solo, Bass Choir and Orchestra in B Flat Minor, Op.113, “Babi Yar”
1. Babi Yar (Adagio)
2. Yumor – Humour (Allegretto)
3. V Magazine – In the Store (Adagio)
4. Strachi – Fears (Largo)
5. Kariera – A Career (Allegretto)

Recorded: August 23, 1967
Arthur Eisen, Bass
Choirs of the Russian Republic
Alexander Yourlov, Conductor
Moscow Philharmonic Orchestra
Kirill Kondrashin, Conductor
Total time 56:06

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

E aqui, o registro ao vivo da primeira apresentação. Esta gravação é superior à postada acima. O baixo é o excelente e corajoso Vitali Gromadski.

CD 11

Shostakovich: The Complete Symphonies – No.13
Artist: Moscow Philharmonic Orchestra cond. Kirill Kondrashin
Length: 0:56:35
Notes: Recorded live in the Large Hall of the Moscow Conservatory on December 18, 1962 with State Academic Choir, Yurlov Russian Choir, Vitaly Gromadsky (bass).

Tracks:
01 I Babi Yar (Adagio) [15:03]
02 II Humor (Allegretto) [7:52]
03 III In the Store (Adagio) [11:06]
04 IV Fears (Largo) [10:30]
05 V A Career (Allegretto) [12:04]

BAIXE AQUI (Ao Vivo – Estréia da obra) – DOWNLOAD HERE (Live – Premiere)

The Sóstenes Files – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonatas para Piano (CDs de 6 a 10)

Então, vamos acabar com esse negócio de Sonatas de Beethoven. Aqui estão todas elas com Claudio Arrau (1903-1991). Não gostei do chileno nas últimas sonatas — CDs 9 e 10 desta coleção –, muitíssimo inferiores às que já postei com Maurizio Pollini. Mas não podemos pedir a Arrau que faça aquilo, né? Também ele me pareceu frouxo na Waldstein (CD 7), mas no restante ele se sai muito bem. É uma i

O excelente desNorte, em 6 de fevereiro deste ano, publicou a compreensiva notícia biográfica que transcrevemos aqui:

Nos finais de Agosto de 1973, Augusto Pinochet (1915-2006) tomou posse com chefe das Forças Armadas Chilenas tendo, nessa altura, jurado fidelidade ao presidente Salvador Allende (1908-1973). Duas semanas e meia depois, no dia 11 de Setembro de 1973, Pinochet liderou um golpe militar que depôs o governo e deu início a uma ditadura que iria durar 17 anos. Allende morreu nesse mesmo dia, em circunstâncias nunca totalmente esclarecidas. Algo não tão pouco habitual como isso, os Estados Unidos desempenharam um papel importante, primeiro na campanha eleitoral que, ao contrário do que pretendiam, acabaria por colocar Allende no poder, e depois no apoio aos autores do golpe militar.

Inconformado com o rumo que o seu país natal levava, o pianista Claudio Arrau viria a assumir cidadania americana em 1978. Curiosa, esta escolha, pela contribuição dos EUA na situação criada no Chile… Arrau, contudo, nunca deixaria de ser idolatrado pelos seus conterrâneos; desde a sua primeira e triunfal turné, efectuada em 1921, passando pelos recitais dos finais da década de 1930 e terminando com uma turné em 1984. Nessa altura Claudio Arrau tinha já 81 anos, e há 17 que não tocava no Chile.

A Sociedade Robert Schumann, fundada em 1979, conta com 3 membros honorários, sendo um deles Claudio Arrau. Os outros 2 são Dietrich Fischer-Dieskau (1925-) e o maestro alemão Wolfgang Sawallisch (1923-). Em homenagem a Arrau, a sociedade estabeleceu a Medalha Arrau, destinada a premiar os pianistas que mais se distinguiram na preservação da tradição pianística do chileno; até hoje os premiados foram András Schiff (1953-), Martha Argerich (1941-) e Murray Perahia (1947), aquele dos “outros”…

Disc: 6
Piano Sonata No. 16 in G
1. 1. Allegro vivace
2. 2. Adagio grazioso
3. 3. Rondo (Allegretto)

Piano Sonata No. 17, “Tempest” in D minor
4. 1. Largo – Allegro
5. 2. Adagio
6. 3. Allegretto

Piano Sonata No. 18 in E flat
7. 1. Allegro
8. 2. Scherzo (Allegretto vivace)
9. 3. Menuetto (Moderato e grazioso)
10. 4. Presto con fuoco

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Disc: 7
Piano Sonata No. 21, “Waldstein” in C
1. 1. Allegro con brio
2. Introduzione (Adagio molto) – Rondo (Allegretto moderato – Prestissimo)

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Disc: 8
Piano Sonata No. 23, “Appassionata” in F minor
1. 1. Allegro assai
2. 2. Andante con moto
3. 3. Allegro ma non troppo

Piano Sonata No. 24 in F sharp
4. 1. Adagio cantabile – Allegro ma non troppo
5. 2. Allegro vivace

Piano Sonata No. 26, “Les adieux” in E flat
6. 1. Das Lebewohl (Adagio – Allegro)
7. 2. Abwesendheit (Andante espressivo)
8. 3. Das Wiedersehn (Vivacissimamente)

Piano Sonata No. 27 in E minor
9. 1. Mit Lebhaftigkeit und durchaus mit Empfindung und Ausdruck
10. 2. Nicht zu geschwind und sehr singbar vorgetragen

Piano Sonata No. 20 in G
11. 1. Allegro ma non troppo
12. 2. Tempo di Menuetto

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Disc: 9
Piano Sonata No. 28 in A
1. 1. Etwas lebhaft und mit der innigsten Empfindung (Allegretto ma non troppo)
2. 2. Lebhaft, marschmäßig (Vivace alla marcia)
3. 3. Langsam und sehnsuchtsvoll (Adagio ma non troppo, con affetto)
4. 4. Geschwind, doch nicht zu sehr und mit Entschlossen- heit (Allegro)

Piano Sonata No. 29, “Hammerklavier” in B flat
5. 1. Allegro
6. 2. Scherzo (Assai vivace – Presto – Prestissimo – Tempo I)
7. 3. Adagio sostenuto
8. 4. Largo – Allegro risoluto

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Disc: 10
Piano Sonata No. 30 in E
1. 1. Vivace ma non troppo-Adagio espressivo-Tempo I 2. Prestissimo
2. 3. Gesangvoll, mit innigster Empfindung (Andante molto cantabile ed espressivo)

Piano Sonata No. 31 in A flat
3. 1. Moderato cantabile molto espressivo
4. 2. Allegro molto
5. 3. Adagio ma non troppo
6. 4. Fuga (Allegro ma non troppo)

Piano Sonata No. 32 in C minor
7. 1. Maestoso – Allegro con brio ed appassionato
8. 2. Arietta (Adagio molto semplice e cantabile)

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Claudio Arrau, piano.

Luigi Nono (1924-1990) – Como una ola de fuerza y luz, for Soprano, Piano, Orchestra and Magnetic Tape (1971-72) / …sofferte onde serene… For Piano and Magnetic Tape (1976) / Contrapunto dialettico alla mente, for Magnetic Tape (1968)

O veneziano Nono foi comunista como Pollini, Berio e Abbado e é com eles — menos Berio — que gravou este disco para a DG. Era mais do que comuna, foi casado com Nuria Schönberg, filha de Arnold Schönberg, o grande revolucionário da música da primeira metade do século XX. Nuria e Nono permaneceram juntos e casados até a morte do compositor. Seu interesse pela política era tanto que passou a combinar com frequência textos políticos com música revolucionária.

Como una ola fuerza y luz (1972) é uma homenagem a Luciano Cruz, líder revolucionário chileno, assassinado em 1971, dois anos antes de Henry Kissinger planejar e realizar o golpe do fascista Augusto Pinochet. O nome Luciano é ouvido claramente durante a obra. Já …Sofferte onde serene… (1976) é belíssima e dedicada ao luto do ex-aluno Maurizio Pollini, o qual perdera dois parentes na época. Contrappunto dialettico alla mente (1968) é a mais política das três obras, incluindo palavras de Malcolm X e de panfletos contra a guerra do Vietname. Tudo em italiano.

É um disco absolutamente notável, às vezes de incrível violência orquestral, mas não é para qualquer um ou para quem esteja chegando agora sem nenhuma noção daquilo que foi o Século XX. A estupenda atuação de Pollini e Abbado nesta gravação a eleva a níveis anormais musicalidade, virtuosismo e significação.

Luigi Nono – Como una ola de fuerza y luz, for Soprano, Piano, Orchestra and Magnetic Tape (1971-72) / …sofferte onde serene… For Piano and Magnetic Tape (1976) / Contrapunto dialettico alla mente, for Magnetic Tape (1968)

Como Una Ola De Fuerza Y Luz for soprano, piano, orchestra and tape
1. Beginning
2. I. Interno Dolce
3. II. Duro Deciso
4. Piano Entry
5. III. Dolcissimo Sereno
6. Orch Entry
7. Orch And Pno Entry
Slavka Taskova – soprano.
Maurizio Pollini – piano.
Bavarian Radio Symphony Orchestra.
Conductor – Claudio Abbado.

8. …Sofferte Onde Serene… for piano and magnetic tape
Maurizio Pollini – piano

9. Contrappunto Dialettico Alla Mente for magnetic tape
I. Diletto delitto moderno
II. Mascherata di vecchietti
III. Intermedio di venditore di soffio
IV. Lo zio Sam racconta una novella
Liliana Poli – soprano.
Cadigia Bove, Marisa Mazzoni, Elena Vicini, Umberto Troni – voices.
RAI Chamber Choir, Rome.
Director – Nino Antonellini.

Production and artistic supervision: Rainer Brock (1-8).
Artistic supervision: Luigi Nono (9).
Ballance engineers: Klaus Hiemann (1-7), Marino Zuccheri (9).
Sound engineer: Marino Zuccheri (8).
Sound direction: Luigi Nono (8)

CD: Deutsche Grammophon, Germany, 1988 (423 248-2).
1-7 originally released on LP by DG in 1974 (2530 436).
8 originally released on LP by DG in 1979 (DGG 2531 004).
9 originally released on LP by DG in 1970 (2561 044).

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE