O penúltimo cd da Integral da Obra de Câmera de Brahms, vol. 10, traz os dois últimos quartetos de cordas, o segundo do op. 51, e o de op. 67. A respeito dos quartetos de corda, vou citar abaixo um trecho extraído da biografia de Brahms escrita por Malcolm McDonald:
“A impiedosa lógica de sua construção, a extração de tantas coisas de motivos básicos, o esforço para abarcar seu vocabulário harmônico e contrapontístico mais “avançado” e pessoal, admitem poucas concessões à forma escolhida e forçam quase ao limite máximo da resistência. Quanto à forma em si, o desafio de contribuir para um repertório em grande parte criado por Haydn, Mozart, Beethoven e Schubert incitou Brahms a um senso ainda mais agudo de responsabilidade histórica do que de costume. Talvez seja por isso que as obras (sobretudo a nº 1) possam parecer tão invariavelmente sérias e impelidas com dificuldade, tão afligidas pela instabilidade do modo menor. O resultado tem sido muitas vezes severamente criticado como execrável composição de quarteto, e os quartetos de Brahms sem dúvida nunca detiveram a inexpugnável proeminência no repertório de quartetos que as suas sinfonias alcançaram na literatura orquestral. Entretanto, segundo qualqer critério são obras importantes, ´cheias de intensidade apaixonada´e de certa eloquência pressurizada. repletas (praticamente coaguladas) de substância musical e sutileza de composição. Suas formas densamente entrelaçadas, os inúmeros níveis de contraste, o fraseado maleável e fluidez tonal têm exercido seu fascínio sobre várias gerações de analistas musicais. “
Interessante também que estes quartetos foram publicados após o compositor completar 40 anos, mas Brahms já vinha trabalhando neles há muitos anos.
A interpretação continua à cargo do Quartetto Italiano.
Johannes Brahms (1833-1897): Complete Chamber Music (Cd 10 de 11) – String Quartet No.2, op.51 no.2, String Quartet No.3, Op.67 (Quartetto Italiano)
01 String Quartet No.2 in A minor, op.51 no.2 – I. Allegro non troppo
02 II. Andante moderato
03 III. Quasi minuetto, moderato – Allegretto vivace
04 IV. Finale. Allegro con assai – Piu vivace
05 String Quartet No.3 in B flat, op.67 – I. Vivace
06 II. Andante
07 III. Agitato. Allegretto non troppo
08 IV. Poco allegretto con variazioni – Doppio movimento
Quartetto Italiano

FDP

Embora Gergiev tenha vasta experiência teatral e esteja regendo uma orquestra de ópera e balé, este é definitivamente um Concerto de O Quebra-Nozes. Os andamentos são rápidos, as texturas, fluidas, e os bailarinos podem ter bastante dificuldade em acompanhar a música. Para nós, ouvintes amadores, porém, esta é uma maneira soberba de ouvir a partitura completa de Tchaikovsky e nos lembrar de quanta boa música não está incluída na suíte familiar. Gergiev justifica sua reputação como intérprete e maestro, obtendo uma execução incrivelmente precisa do conjunto. O melhor de tudo é que a Philips conseguiu, de alguma forma, reunir mais de 81 minutos de som soberbo neste disco, tornando-o uma pechincha notável. Altamente recomendado!












A colaboração de nossos leitores / ouvintes para a manutenção e inspiração deste blog tem sido significativa. Nosso colega que assina como “exigente” gentilmente subiu para o badongo e nos cedeu o link da Manfred Symphony, de Tchaikovsky, versão do próprio Mariss Jansons, e que nos permite concluir o ciclo das sinfonias do mestre russo com esse excepcional regente. Explico para o “exigente” que re-upei a mesma para o rapidshare para podermos ter um melhor controle do número de nossos downloads. Mas fica aqui o agradecimento pela gentileza.


CD 5 – Symphony nº 6, in B Minor, op. 74, “Pathetique”
Eis que passado o período natalino, FDP Bach volta à sua exploração da alma russa. Desta vez, trago mais uma sinfonia de Tchaikovsky, a de nº 4, possivelmente a primeira obra que ouvi desse compositor, quando ainda era criança.
FDP Bach volta às sinfonias de Tchaikovsky. Desta vez, segue a Sinfonia nº3, bela, melancólica, em outros momentos pungente, mas angustiante, é um retrato de um artista angustiado, atormentado, melancólico, eternamente em luta contra seus demônios interiores, mas que ao mesmo tempo produziu uma obra belíssima, com melodias inesquecíveis. A regência de Jansons como sempre é segura e vibrante.


Lembrando de que essa série é uma repostagem, originalmente feita lá em 2016. 




O que mais se pode escrever sobre o Concerto para Piano Nº 1 de Tchaikovsky senão que é uma das mais belas obras já compostas pelo ser humano? Desde seu originalíssimo tema inicial, que simplesmente é abandonado antes da metade do primeiro movimento, até seu magnífico Andante Semplice, de um lirismo sem igual, ao Allegro con Fuoco final, o que mais transparece na música é a beleza de suas melodias. Mano PQP comentou certa vez que tinha ouvido tanto que tinha enjoado. (PQP completa dizendo que prefere o Concerto Nº 2). Eu diria que já ouvi tanto que a cada nova audição mais me apaixono pela obra. Mikhail Pletnev tem a mesma alma eslava daqueles gênios do piano russo como Gilels e Richter. É um pianista de altíssimo nível, assim como um excelente regente, suas gravações das Sinfonias de Rachmaninoff foram elogiadíssimas. Por algum motivo, as outras obras contidas neste cd duplo são dificilmente gravadas, talvez por não estarem no mesmo nível do Concerto Nº 1, mas são igualmente bonitas, E Pletnev não joga a toalha por se tratarem de obras menores, ao contrário, procura realçar suas qualidades.






Quase concluindo as postagens das últimas sinfonias de Haydn, eis a magnífica Sinfonia de º 101, conhecida como “O Relógio”. Magnífica em diversos aspectos, sua orquestração é riquíssima, e Haydn explora todos os recursos disponíveis da orquestra que tem em mãos. O segundo movimento, um andante, é brilhante em sua concepção, ao tentar reproduzir o andamento e o tique-taque de um relógio. Acompanha a também brilhante sinfonia de nº102.
