Franz Schubert (1797-1828): Impromptus D 899, Fantasia Wanderer, etc (N. Kawaguchi, fortepiano)

Medalhista de prata do Concurso Chopin em Instrumentos de Época em Varsóvia (sim, existe esse concurso além do outro mais famoso) e do Concurso Musica Antiqua de Bruges, Kawaguchi apresenta aqui uma versão altamente romântica e sanguinária da Fantasia Wanderer. Nos Impromptus ele se acalma mais, e em outras pecinhas curtas, como o Adagio D. 612, ele nos faz ouvir melodias raramente tocadas de Schubert.

Diz ele no libreto do CD:
quando descobri o mundo dos instrumentos históricos, eu tinha 20 anos. O primeiro pianoforte em que toquei era cópia de um Anton Walter, na Universidade de Tóquio, onde estudei. Desde a primeira nota de uma das sonatas de Haydn, revelou-se a mim uma música totalmente diferente do Haydn que eu conhecia. Fiquei surpreso com essa experiência. A qualidade do som daquele instrumento era tão diferente da de um piano moderno que me parecia que, enfim, Haydn conseguia me falar na sua própria língua, com uma bela eloquência. (…)
Tenho certeza de que cada pessoa traz uma resposta diferente a essa questão, mas para mim, tocar em um instrumento que o compositor poderia tocar é de uma importância fundamental na nossa busca de “autenticidade”. Isso se deve, creio eu, ao fato de que a história do piano é feita de mudanças mais do que de progressos: diversas nuances sutis não podem ser expressas em um instrumento diferente daqueles da época do compositor. Um bom exemplo é o “fffz” no compasso 658 do Allegro da Wanderer-Fantasie. Essa obra tem vários “ff” (fortíssimo), mas aquele momento pede uma energia ainda mais potente. Porém, apesar da paixão que o intérprete possa colocar nessa passagem em um robusto piano de cauda de hoje, o instrumento absorve facilmente demais a energia colocada pelo pianista. O sentimento de estar no limite absoluto das possibilidades do instrumento é o que, acredito, transmete precisamente o que Schubert desejava.

Os instrumentos da época de Schubert oferecem também muitas possibilidades de sonoridades mais suaves e serenas. Além do pedal una corda, mutos instrumentos vienenses são equipados de uma surdina que modifica o timbre inserindo uma peça de feltro entre o martelo e a corda. Essa qualidade de som tem algo de sonhador, mas pode também parecer fria e sinistra, e é difícil de obter em um piano moderno.

Franz Schubert (1797-1828): Impromptus D 899, Fantasia Wanderer, etc (N. Kawaguchi, fortepiano)

Franz Schubert:
1 – Ungarische Melodie in B minor, D 817 – 4’30
2 – Adagio in E major, D 612 – 4’43

Wanderer-Fantasie in C major, D 760
3 – I. Allegro con fuoco ma non troppo – 6’16
4 – II. Adagio – 4’01
5 – III. Presto – 5’01
6 – IV. Allegro – 3’55

Franz Liszt:
7 – Trockne Blumen, S.563/4 (from 6 Melodien von Franz Schubert) – 3’46
8 – Der Müller und der Bach, S. 565/2 (from Müllerlieder von Franz Schubert) – 5’47

Franz Schubert:
Four impromptus, D 899
9 – Impromptu No. 1 in C minor – 10’14
10 – Impromptu No. 2 in E-flat major – 4’55
11 – Impromptu No. 3 in G-flat major – 6’35
12 – Impromptu No. 4 in A-flat major – 8’39
13 – Kupelwieser-Walzer in G-flat Major, D Anh I/14 – 2’53

Recording: 2-4 April 2017, Church Melsen (Belgium)
Instrument: replica (by Chris Maene) of an original Conrad Graf (1817)
instrument from the ‘Chris Maene Museum Collection’

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Os óculos de Franz Schubert

Pleyel

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