O Brandis Quartett foi formado por membros da Filarmônica de Berlim. Suas interpretações combinavam a poderosa tradição da orquestra com uma liberdade e alegria que muitas vezes faltavam às gravações mais solenes sob Karajan. O álbum apresenta um programa curioso, saltando do popularíssimo ao mais denso. A Serenata para Cordas, K. 525 (“Eine kleine Nachtmusik”) é a peça mais popular de Mozart para conjunto de cordas. A versão do Brandis Quartett, com a adição do contrabaixista Rainer Zepperitz, cria uma sonoridade que se aproxima de uma pequena orquestra de câmara . É uma abordagem historicamente fundamentada, já que os editores da New Mozart Edition apontam que mesmo um quarteto ou quinteto pode realizar a obra. O Quarteto de Cordas, K. 168 é uma obra mais “clássica” e menos conhecida, que serve como um interessante contraponto às outras peças do disco. Já o Quarteto de Cordas, K. 465 (“Dissonâncias”) é o ponto alto do programa. O apelido vem do famoso Adagio inicial, cujas harmonias ousadas e cromáticas parecem antecipar a inquietação harmônica do Romantismo. A forma como o quarteto aborda essa introdução, com vibrato denso e um som “sombrio”, é o momento mais poderoso do disco.
O som do Brandis é inconfundível: polido, intenso e caloroso. A crítica especializada destaca a força da execução, especialmente nos movimentos mais rápidos, moldados por frases amplas e sem firulas, e a beleza do Trio, tocado com uma intensidade que o torna inesquecível. A adição do contrabaixo de Rainer Zepperitz é um detalhe que enriquece a textura sonora da Eine kleine Nachtmusik, conferindo-lhe maior peso e corpo.
Este disco é uma excelente amostra da arte do Brandis Quartett. A execução da “Dissonâncias” é particularmente notável, revelando o lado mais ousado e profético de Mozart. Contudo, para os ouvintes que preferem uma abordagem mais leve e transparente, com vibrato mais contido, as gravações em instrumentos de época, como as do Mosaïques Quartet, podem soar mais próximas do ideal. O que não diminui o brilho e a autoridade desta gravação, um documento valioso da tradição musical berlinense aplicada ao repertório de câmara mozartiano.
W. A. Mozart (1756-1791): Eine Kleine Nachtmusik. K. 525 / Quartetos de Cordas L. 168 e 465 (Dissonâncias) (Brandis Quartett & Rainer Zepperitz)
1 Serenade in G Major, K. 525 “Eine kleine Nachtmusik”: I. Allegro 05:35
2 Serenade in G Major, K. 525 “Eine kleine Nachtmusik”: II. Romance Andante 05:22
3 Serenade in G Major, K. 525 “Eine kleine Nachtmusik”: III. Menuetto & Trio Allegretto 02:11
4 Serenade in G Major, K. 525 “Eine kleine Nachtmusik”: IV. Rondo Allegro 04:05
5 String Quartet No. 8 in F Major, K. 168: I. Allegro 04:58
6 String Quartet No. 8 in F Major, K. 168: II. Andante 05:06
7 String Quartet No. 8 in F Major, K. 168: III. Menuetto & Trio 02:41
8 String Quartet No. 8 in F Major, K. 168: IV. Allegro 02:05
9 String Quartet No. 19 in C Major, K. 465 “Dissonance”: I. Adagio – Allegro 10:32
10 String Quartet No. 19 in C Major, K. 465 “Dissonance”: II. Andante cantabile 07:30
11 String Quartet No. 19 in C Major, K. 465 “Dissonance”: III. Menuet & Trio: Allegretto 04:59
12 String Quartet No. 19 in C Major, K. 465 “Dissonance”: IV. Allegro Molto 07:24
Brandis Quartett & Rainer Zepperitz

PQP