Os arranjos de obras de câmara para orquestras – e mais especificamente de quartetos de cordas para orquestra de cordas – são uma prática comum há bastante tempo. Mahler, por exemplo, criou suas versões orquestrais de quartetos de Beethoven e Schubert, e Schönberg arranjou obras para órgão de J.S. Bach para grande orquestra. Bem mais recentemente, um quarteto de Bacewicz recebeu uma bela versão para orquestra de cordas (aqui). E nas últimas décadas do século passado, o australiano Peter Sculthorpe criou três Sonatas para Cordas, obras orquestrais baseadas em seus próprios quartetos de cordas. A linguagem de Sculthorpe faz uso frequente de glissandi e outras técnicas que imitam ou recriam sons da natureza como o do vento e dos pássaros. Até aí, nada de tremendamente inovador, mas ele consegue encaixar isso de um jeito próprio e notável. O álbum traz ainda um “lamento” e o “porto Essington”, obras para cordas que descrevem paisagens e sentimentos. A seguir, alguns escritos sobre o compositor:
Harry Crowl, 2020:
Peter Sculthorpe, há em sua música uma amplitude épica que reflete talvez a vastidão do continente australiano.
Michelle Debra, 2024:
Era considerado uma criança prodígio e compôs seu primeiro quarteto de cordas com 14 anos. Sua obra inclui 18 quartetos de cordas, peças vocais, orquestrais e trilhas sonoras de filmes. Uma grande parte de sua música é resultado de seu interesse pela Austrália e seus vizinhos do Pacífico.
Ele já declarou que lhe agradaria que sua música fizesse as pessoas se sentirem melhores e mais alegras após tê-la escutado. Evitava normalmente as técnicas densas e atonais. Dizia-se politicamente engajado em seu trabalho que se aproxima da preservação do meio ambiente e, mais tarde, sobre as mudanças climáticas, pedidos de asilo e seu Requiem (2004) condena o bombardeio do Iraque pelos EUA.
Peter Sculthorpe (1929-2014):
Port Essington (1977) for string trio and string orchestra
I Prologue: The Bush (Con ferocita)
II Theme and Variations: The Settlement (Alla marcia – Con grazia –
Con soavita – Teneramente – Cadenza – Alla marcia)
III Phantasy: Unrest (Come veduta a volo d’uccello)
IV Nocturnal: Estrangement (Tristemente – Con ferocita)
V Arietta: Farewell (Con desiderio pieno di malinconia)
VI Epilogue: The Bush (Con semplicita)
Sonata for Strings No. 1 (1983)
I Sun Song (Deciso – Piu mosso)
II Chorale (Con pieta)
III Interlude (Risoluto – Calmo)
IV Chorale (Con pieta)
V Sun Song (Deciso – Piu mosso)
Lament for Strings (1976)
Solo Cello: Cameron Retchford
Sonata for Strings No.2 (1988)
Sonata for Strings No.3 (1994)
I Deciso 5:08
II Liberamente – Estatico 7:47
Irkanda IV (1961) for solo violin, strings and percussion
Solo Violin: Richard Tognetti
Australian Chamber Orchestra
Richard Tognetti, director
Recorded: 1995, 1996
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Pleyel