Johannes Brahms (1833-1893) – Sinfonia nº 4 (Carlos Kleiber, Filarmônica de Viena)

Postei essa gravação nos primórdios do PQPBach, há incontáveis eras. Ainda é minha favorita, e de muita gente. Passei por uma fase kleiberiana ali no início do século, ouvi aquela gravação da Quinta e Sétima Sinfonias com a mesma Filarmônica de Viena ao menos uma centena de vezes. Não sei o porquê, só sei que ela é hipnótica, parece que o General Kleiber hipnotizou os músicos e tirou a alma deles, em uma das melhores interpretações da história destas sinfonias tão gravadas. E o mesmo se aplica aqui nessa historica gravação da Quarta Sinfonia.

Em um encontro com os membros do PQPBach semana passada em Porto Alegre, onde estiveram presentes o próprio ‘patrão’ PQPBach e o Alex de Large, além da esposa do próprio patrão, exímia violinista, comentamos que a Sinfônica de Porto Alegre havia encarado a Sinfonia de nº1, do mesmo Brahms,  e que o resultado foi excelente, com uma Maestrina que também é uma excelente pianista, Vanessa Benelli Mosell. Impossível que alguém seja insensível a música de Brahms. Ela tem aquele algo a mais que nos fisga, que nos envolve, que nos deixa em estado de êxtase. Tive a oportunidade de ouvir a mesma Primeira Sinfonia em sala de concerto, também já há incontáveis eras, e tenho certeza de que todos ficaram hipnotizados com a magnificiência da obra, sem exageros.

Carlos Kleiber era filho de Erich Kleiber, um dos grandes nomes da regência na primeira metade do século XX. Se vocês procurarem, encontrarão diversos registros de gravações dele. Mas aqui temos o filho Carlos, fazendo milagres, extraindo de uma das maiores orquestras o máximo que ela podia dar. Lembro de ter ouvido essa Quarta Sinfonia com gigantes como Karajan, Bernstein, Fürtwangler, Toscanini, mas Kleiber tem aquele algo a mais que nos hipnotiza. Seria essa a gravação que eu levaria pra uma ilha deserta, não por acaso esta relacionada nas principais listas de melhores gravações de todos os tempos.
A capa do LP da Deutsche Grammophon nos mostra uma foto de Carlos Kleiber concentrado, olhando para algum lugar indefinido. Sabe-se que não era muito de aparecer em público, era muito reservado, e são poucas as aparições em vídeo. Também não gravou muito, se comparado a seus contemporâneos. Segundo relatos de músicos que atuaram sob sua regência, era muito ríspido e rígido com os músicos.
Temos uma brincadeira dentro do PQPBach que chama essas gravações antigas de pré históricas. Essa aqui nem é tão antiga assim, foi realizada em 1981, ano em que o autor destas linhas era um adolescente ainda procurando o sentido da vida. Não conhecia ainda a música de Brahms nessa época, só adquiri a fita K7 com a gravação do Karajan alguns anos mais tarde, mas se tivesse conhecido com certeza já teria se tornado a trilha sonora de minha vida mais cedo. Mas talvez eu ainda não estivesse preparado para o impacto, era muito imaturo e irresponsável, algo típico da adolescência. Contei em postagem anterior da Primeira Sinfonia como foi o impacto que essa obra me causou em momento decisivo de minha vida. Nada foi como antes, lhes garanto, foi quase uma experiência mística, com o perdão do exagero.
Mas enfim, lhes deixo com essa impressionante gravação, como lhes comentei acima, e faço questão de ressaltar, um dos melhores registros que realizados.

I. Allegro non troppo
02. II. Andante moderato
03. III. Allegro giocoso – Poco meno presto – Tempo I
04. IV. Allegro energico e passionato – Piu allegro

Wiener Philharmoniker
Carlos Kleiber – Condutor

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