Postei essa gravação nos primórdios do PQPBach, há incontáveis eras. Ainda é minha favorita, e de muita gente. Passei por uma fase kleiberiana ali no início do século, ouvi aquela gravação da Quinta e Sétima Sinfonias com a mesma Filarmônica de Viena ao menos uma centena de vezes. Não sei o porquê, só sei que ela é hipnótica, parece que o General Kleiber hipnotizou os músicos e tirou a alma deles, em uma das melhores interpretações da história destas sinfonias tão gravadas. E o mesmo se aplica aqui nessa historica gravação da Quarta Sinfonia.
Em um encontro com os membros do PQPBach semana passada em Porto Alegre, onde estiveram presentes o próprio ‘patrão’ PQPBach e o Alex de Large, além da esposa do próprio patrão, exímia violinista, comentamos que a Sinfônica de Porto Alegre havia encarado a Sinfonia de nº1, do mesmo Brahms, e que o resultado foi excelente, com uma Maestrina que também é uma excelente pianista, Vanessa Benelli Mosell. Impossível que alguém seja insensível a música de Brahms. Ela tem aquele algo a mais que nos fisga, que nos envolve, que nos deixa em estado de êxtase. Tive a oportunidade de ouvir a mesma Primeira Sinfonia em sala de concerto, também já há incontáveis eras, e tenho certeza de que todos ficaram hipnotizados com a magnificiência da obra, sem exageros.
Carlos Kleiber era filho de Erich Kleiber, um dos grandes nomes da regência na primeira metade do século XX. Se vocês procurarem, encontrarão diversos registros de gravações dele. Mas aqui temos o filho Carlos, fazendo milagres, extraindo de uma das maiores orquestras o máximo que ela podia dar. Lembro de ter ouvido essa Quarta Sinfonia com gigantes como Karajan, Bernstein, Fürtwangler, Toscanini, mas Kleiber tem aquele algo a mais que nos hipnotiza. Seria essa a gravação que eu levaria pra uma ilha deserta, não por acaso esta relacionada nas principais listas de melhores gravações de todos os tempos.
A capa do LP da Deutsche Grammophon nos mostra uma foto de Carlos Kleiber concentrado, olhando para algum lugar indefinido. Sabe-se que não era muito de aparecer em público, era muito reservado, e são poucas as aparições em vídeo. Também não gravou muito, se comparado a seus contemporâneos. Segundo relatos de músicos que atuaram sob sua regência, era muito ríspido e rígido com os músicos.
Temos uma brincadeira dentro do PQPBach que chama essas gravações antigas de pré históricas. Essa aqui nem é tão antiga assim, foi realizada em 1981, ano em que o autor destas linhas era um adolescente ainda procurando o sentido da vida. Não conhecia ainda a música de Brahms nessa época, só adquiri a fita K7 com a gravação do Karajan alguns anos mais tarde, mas se tivesse conhecido com certeza já teria se tornado a trilha sonora de minha vida mais cedo. Mas talvez eu ainda não estivesse preparado para o impacto, era muito imaturo e irresponsável, algo típico da adolescência. Contei em postagem anterior da Primeira Sinfonia como foi o impacto que essa obra me causou em momento decisivo de minha vida. Nada foi como antes, lhes garanto, foi quase uma experiência mística, com o perdão do exagero.
Mas enfim, lhes deixo com essa impressionante gravação, como lhes comentei acima, e faço questão de ressaltar, um dos melhores registros que realizados.
Johannes Brahms (1833-1897): Sinfonia nº 4 (Carlos Kleiber, Filarmônica de Viena)
01. I. Allegro non troppo
02. II. Andante moderato
03. III. Allegro giocoso – Poco meno presto – Tempo I
04. IV. Allegro energico e passionato – Piu allegro
Wiener Philharmoniker
Carlos Kleiber – Condutor
FDP
Não canso de ver Kleiber regendo esta sinfonia no YouTube. Agora baixei.
Fiz a seguinte pergunta à IA: What are the similarities and the differences in the Carlos Kleiber recordings of Brahms’ Fourth Symphony, the cd and the dvd?
Achei a resposta bem esclarecedora:
Carlos Kleiber’s interpretations of Johannes Brahms’ Symphony No. 4 in E minor, Op. 98 are widely considered landmarks of classical discography.
His two primary commercially available releases of this work are the 1980 studio CD recording with the Vienna Philharmonic Orchestra (VPO) and the 1996 live video DVD recording with the Bavarian State Orchestra (Bayerisches Staatsorchester), both issued by Deutsche Grammophon.
While both representations showcase Kleiber’s signature precision, clarity, and architectural control, they differ dramatically in execution, atmosphere, and medium.
Key Similarities
Rhythmic Momentum: Both versions feature structural drive, swift forward momentum, and an avoidance of the heavy, overly sentimental textures typical of the mid-20th-century German romantic tradition.
Interpretive Quirks: Iconic Kleiber phrasings are present in both. For instance, in the third movement (Scherzo), he distinctively pulls back and holds the tempo suddenly on the two accented quarter notes of the main theme.
Textural Transparency: Kleiber cleans away interpretive debris in both versions to lay bare individual orchestral lines, creating exceptional clarity in the counterpoint and exposing inner lines like the woodwind and brass responses.
Passacaglia Urgency: The final movement’s variation form (Passacaglia) builds with an unstoppable, sweeping inevitability in both performances, highlighting his ironclad grip on large-scale structure.
Core Differences Feature
The Studio CD (1980): OrchestraVienna Philharmonic Orchestra (VPO)
The Live DVD (1996): Bavarian State Orchestra (Bayerisches Staatsorchester)
Setting:
CD (1980): Studio (Musikverein, Vienna)
The Live DVD (1996): Live Concert (National Theatre, Munich)
Emotional Tone:
CD (1980): Classical rigor, intellectual polish, melancholic beauty
The Live DVD (1996): Raw intensity, kinetic energy, borderline aggressive
Orchestral Character
CD (1980): Creamy strings, flawless execution, uniform “Brahmsian” sound
The Live DVD (1996): Grittier textures, highly reactive, occasionally technically erratic
Sonic Qualities
CD (1980): Early digital audio; crisp but historically critique-heavy for compression
The Live DVD (1996): Live concert mix; broader acoustic but includes room and audience noise
Visual Element
CD (1980): None (Audio only)
The Live DVD (1996): Full video capturing Kleiber’s unique, fluid conducting style
Há um hiato de 16 anos entre a gravação feita em estúdio com a VPO e a gravação feita para DVD ao vivo com a Orquestra Bávara…
Excelente!
“ Impossível que alguém seja insensível a música de Brahms”
👀
Bem, vamos tentar essa gravação então, pois por ora não consigo pensar num compositor entre os grandes que “desgoste” mais. Mas confio no blog!
Essa interpretação do Kleiber é muito boa, mas nenhuma supera a do Furtwängler.
ótima postagem, FDP. Uma de minhas gravações favoritas, sempre marcante.