Embora geralmente não sejam tão celebradas quanto suas gravações para a RCA Victor do mesmo período, as apresentações de Duke Ellington para a OKeh (posteriormente adquirida pela Columbia) estão entre as melhores do período, apresentando solos distintos de trompetistas como o trompetista Bubber Miley (e mais tarde seu substituto Cootie Williams), o trombonista Tricky Sam Nanton (que, como Miley, era um especialista em mudos wah-wah), o clarinetista Barney Bigard e o sax alto Johnny Hodges , entre outros. Essas 50 faixas (que ignoram as tomadas alternativas de Ellington) contêm muitos clássicos, incluindo seu tema original East St. Louis Toodle-oo, Black and Tan Fantasy, The Mooche, Mood Indigo e seus primeiros solos ao piano. Este é um dos melhores registros dos primeiros Ellington disponíveis.
Duke Ellington: The OKeh Ellington
1-1 The Washingtonians– East St. Louis Toodle-oo
Written-By – B. Miley*, D. Ellington*
3:03
1-2 The Washingtonians– Hop Head
Written-By – D. Ellington*
2:55
1-3 The Washingtonians– Down In Our Alley Blues
Written By – J. Kapp
Written-By – D. Ellington*, O. Hardwick*
3:01
1-4 Duke Ellington & His Orchestra*– What Can A Poor Fellow Do?
Written-By – B. Meyers*, E. Schoebel*
3:08
1-5 Duke Ellington & His Orchestra*– Black And Tan Fantasy
Written-By – B. Miley*, D. Ellington*
3:23
1-6 Duke Ellington & His Orchestra*– Chicago Stomp Down
Vocals – Adelaide Hall
Written-By – H. Creamer*, J. Johnson*
2:46
1-7 The Washingtonians– Sweet Mama (Papa’s Getting Mad)
Written By – G. Little, P. Frost
Written-By – F. Rose*
2:52
1-8 The Washingtonians– Stack O’Lee Blues
Written By – L. Colwell, R. Lopez
2:49
1-9 The Washingtonians– Bugle Call Rag
Written-By – B. Meyers*, E. Schoebel*, J. Pettis*
2:37
1-10 Duke Ellington & His Orchestra*– Take It Easy
Written-By – D. Ellington*
3:12
1-11 Duke Ellington & His Orchestra*– Jubilee Stomp
Written-By – D. Ellington*
2:42
1-12 Duke Ellington & His Orchestra*– Harlem Twist (East St. Louis Toodle-oo)
Written-By – B. MIley*, D. Ellington*
3:15
1-13 The Harlem Footwarmers– Diga Diga Doo
Vocals – Irving Mills
Written-By – D. Fields*, J. McHugh*
2:51
1-14 The Harlem Footwarmers– Doin’ The New Low Down
Vocals – Irving Mills
Written-By – D. Fields*, J. McHugh*
3:05
1-15 Duke Ellington– Black Beauty
Written-By – D. Ellington*
3:00
1-16 Duke Ellington– Swampy River
Written-By – D. Ellington*
2:48
1-17 Duke Ellington & His Orchestra*– The Mooche
Written-By – D. Ellington*, I. Mills*
3:11
1-18 Duke Ellington & His Orchestra*– Move Over
Written-By – D. Ellington*
3:03
1-19 Duke Ellington & His Orchestra*– Hot And Bothered
Written-By – D. Ellington*
3:15
1-20 Duke Ellington & His Orchestra*– The Blues With A Feelin’
Written-By – D. Ellington*
3:13
1-21 Duke Ellington & His Orchestra*– Goin’ To Town
Written-By – B. Miley*, D. Ellington*
2:55
1-22 Duke Ellington & His Orchestra*– Misty Mornin’
Written-By – A. Whetsol*, D. Ellington*
3:20
1-23 Joe Turner & His Memphis Men*– I Must Have That Man
Written-By – D. Fields*, J. McHugh*
3:19
1-24 Joe Turner & His Memphis Men*– Freeze And Melt
Written-By – D. Fields*, J. McHugh*
2:51
1-25 Joe Turner & His Memphis Men*– Mississippi Moan
Written-By – D. Ellington*
3:24
2-1 Sonny Greer & His Memphis Men*– That Rhythm Man
Written-By – A. Razaf*, T. Waller*, H. Brooks*
2:41
2-2 Sonny Greer & His Memphis Men*– Beggar’s Blues
Written By – J. Hodge
Written-By – A. Bigard*
3:16
2-3 Sonny Greer & His Memphis Men*– Saturday Night Function
Written-By – A. Bigard*, D. Ellington*
3:22
2-4 The Harlem Footwarmers– Jungle Jamboree
Written-By – A. Razaf*, T. Waller*, H. Brooks*
3:02
2-5 The Harlem Footwarmers– Snake Hip Dance
Written-By – A. Razaf*, T. Waller*, H. Brooks*
2:48
2-6 The Harlem Footwarmers– Lazy Duke
Written-By – D. Ellington*
3:06
2-7 The Harlem Footwarmers– Blues Of The Vagabond
Written-By – D. Ellington*
3:13
2-8 The Harlem Footwarmers– Syncopated Shuffle
Written-By – D. Ellington*
2:45
2-9 Mills’ Ten Blackberries– The Mooche
Written-By – D. Ellington*, I. Mills*
3:20
2-10 Mills’ Ten Blackberries– Ragamuffin Romeo
Written-By – H. DeCosta*, M. Wayne*
3:15
2-11 Mills’ Ten Blackberries– East St. Louis Toodle-oo
Written-By – B. Miley*, D. Ellington*
3:13
2-12 Mills’ Ten Blackberries– Sweet Mama
Written-By – H. DeCosta*, M. Wayne*
3:00
2-13 Mills’ Ten Blackberries– Hot And Bothered
Written-By – D. Ellington*
2:52
2-14 Mills’ Ten Blackberries– Double Check Stomp
Written-By – A. Bigard*, I. Mills*
3:20
2-15 Mills’ Ten Blackberries– Black And Tan Fantasy
Written-By – B. Miley*, D. Ellington*
3:07
2-16 The Harlem Footwarmers– Big House Blues
Written-By – D. Ellington*, I. Mills*
3:01
2-17 The Harlem Footwarmers– Rocky Mountain Blues
Written-By – D. Ellington*, I. Mills*
3:08
2-18 The Harlem Footwarmers– Ring Dem Bells
Vocals – Cootie Williams
Written-By – D. Ellington*, I. Mills*
2:47
2-19 Frank Brown & His Tooters*– Three Little Words
Vocals – Irving Mills
Written-By – B. Kalmar*, H. Ruby*
3:12
2-20 The Harlem Footwarmers– Old Man Blues
Written-By – D. Ellington*, I. Mills*
3:05
2-21 The Harlem Footwarmers– Sweet Chariot
Vocals – Cootie Williams
Written-By – D. Ellington*, I. Mills*
2:47
2-22 The Harlem Footwarmers– Mood Indigo
Written-By – A. Bigard*, D. Ellington*, I. Mills*
3:06
2-23 The New York Syncopators– I Can’t Realize You Love Me
Vocals – Sid Garry
Written-By – B. DeSylva*, W. Donaldson*
3:23
2-24 The New York Syncopators– I’m So In Love With You
Vocals – Sid Garry
Written-By – D. Ellington*, I. Mills*
2:56
2-25 The Harlem Footwarmers– Rockin’ In Rhythm
Written-By – D. Ellington*, H. Carney*, I. Mills*
3:14
Banjo – Fred Guy
Baritone Saxophone, Clarinet, Alto Saxophone – Harry Carney
Clarinet, Soprano Saxophone, Alto Saxophone – Johnny Hodges (tracks: 1-13, 1-14, 1-17 to 2-25)
Clarinet, Tenor Saxophone – Barney Bigard (tracks: From 1-7), Prince Robinson (tracks: 1-1 to 1-3), Rudy Jackson (tracks: 1-1 to 1-6)
Double Bass [String Bass] – Wellman Braud (tracks: From 1-4)
Drums – Sonny Greer
Guitar – Lonnie Johnson (2) (tracks: 1-17 to 1-19, 1-22)
Piano, Arranged By, Leader – Duke Ellington
Soprano Saxophone, Alto Saxophone, Baritone Saxophone – Otto Hardwick (tracks: 1-1 to 1-12)
Trombone – Joe “Tricky Sam” Nanton*
Trumpet – Arthur Whetsol* (tracks: 1-13, 1-14, 1-17 to 2-5, 2-7 to 2-25), Bubber Miley (tracks: 1-1 to 1-3, 1-7 to 1-14, 1-17 to 1-23), Cootie Williams (tracks: 1-23 to 1-25, 2-6 to 2-15, 2-18 to 2-25), Freddie Jenkins* (tracks: 1-20 to 2-3, 2-6 to 2-15, 2-18 to 2-25), Jabbo Smith (tracks: 1-4 to 1-6), Louis Metcalf (tracks: 1-1 to 1-12)
Tuba – Henry Edwards (tracks: 1-1 to 1-3)
Valve Trombone – Juan Tizol (tracks: 2-7 to 2-11, 2-18 to 2-25)
Vocals – Baby Cox (tracks: 1-17, 1-19)
Recording dates:
1-1 to 1-3: March 22, 1927.
1-4 to 1-6: November 3, 1927.
1-7 to 1-9: January 9, 1928.
1-10 to 1-12: January 19, 1928.
1-13, 1-14: July 10, 1928.
1-15, 1-16: October 1, 1928.
1-17 to 1-19: October 1, 1928.
1-20 to 1-22: November 22, 1928.
1-23 to 1-25: April 4, 1929.
2-01 to 2-03: May 28, 1929.
2-04, 2-05: August 2, 1929.
2-06 to 2-08: November 20, 1929.
2-09 to 2-11: April 3, 1930.
2-12 to 2-15: June 12, 1930.
2-16, 2-17: October 14, 1930.
2-18, 2-20 to 2-22: October 30, 1930.
2-19: October 30, 1930.
2-23 to 2-25: November 8, 1930.
Original 78s from the collections of Robert Altschuler, Michael Brooks, and the Institute of Jazz Studies, Newark, New Jersey.

PQP

IM-PER-DÍ-VEL !!!







Uma Arte da Fuga à antiga, com instrumentos modernos e o grande Karl Münchinger à frente da Orquestra de Câmara de Stuttgart. Uma gravação fatalmente fora de moda, demodê para mais de metro, porém aceitável. Não consigo lembrar de uma época em que tantas gravações diferentes de A Arte da Fuga de Bach estivessem disponíveis. Tenho defendido o direito dos intérpretes de escolherem que tipo de abordagem instrumental adotar neste trabalho musicalmente profundo e científico. Podemos estar razoavelmente certos de que o próprio Bach pretendia que fosse uma obra para teclado solo e isso foi demonstrado de forma competente e convincente, por exemplo, por Gustav Leonhardt e Davitt Moroney, ambos tocando cravo solo, e por Herbert Tachezi que preferiu o órgão. Mas há uma vantagem nas versões para vários instrumentos, pois ao ouvinte mais inexperiente é permitido distinguir mais facilmente todos os fios da textura de Bach. E dá-lhe complexidade!
IM-PER-DÍ-VEL !!!
Faz muito tempo que não é postado um CD com obras para violoncelo e piano aqui no blog. Aí vai um, com o maior violoncelista mexicano da atualidade, Carlos Prieto. Algumas dentre as primeiras peças são transcrições, mas a maioria é original. O cello de Prieto tá meio fraquinho (detesto cello que canta “pra dentro”), porém, assim como no post da semana passada, vale pela peça de Marlos Nobre – e também pela de Ernst Mahle, pela de Mignone, pela do mexicano Eugenio Toussaint e pela do americano Lukas Foss.









Minha mulher perguntou se isso era um arranjo ou se apenas era uma gravação antiquada e romântica de Bach. Respondi: segunda opção. Mas eu não ousaria falar mal deste disco. E ele é bom. Numa época em que eu tinha condições de comprar apenas um ou dois discos por mês, adquiri esta Oferenda. Não sei como o vinil não furou. Devo ter ouvido esta gravação centenas de vezes e a Oferenda tornou-se uma de minhas obras prediletas. É até hoje. Não me importa que a orquestra pareça ser movida a energia atômica, tal sua potência; aqui, o que me importa são as lembranças de um adolescente que estava tendo seus primeiros contatos com Bach. CD sensacional. Sem discussões! :¬)))

IM-PER-DÍ-VEL !!!





A orquestração de Arnold Schoenberg do Quarteto para Piano Nº 1 de Johannes Brahms estreou em 1937. Numa série de palestras de 1947 intituladas “Brahms, o Progressista”, Arnold Schoenberg relata um exemplo de Brahms lidando com um de seus fãs. “Os contemporâneos encontraram várias maneiras de irritá-lo”, escreve Schoenberg sobre Brahms. “Um músico ou um amante da música pode tentar demonstrar sua grande compreensão, bom julgamento musical e conhecimento de Brahms ousando dizer havia observado que a Primeira Sonata para Piano era muito semelhante à Sonata ‘Hammerklavier’ de Beethoven. Não admira que Brahms, com sua maneira direta, tivesse respondido: ‘Todo idiota percebe isso!’”
Como eu estava sendo ameaçado fisicamente por não revalidar este link, aqui vai ele. A Sinfonia Nº 1 de Bernstein, baseada no profeta Jeremias, fala, segundo o próprio Bernstein, a respeito da crise de sua fé, simbolizada pela destruição do Templo de Jerusalém. Jeremiah é conhecido pela alcunha de “O Profeta Chorão”. O Concerto para Orquestra foi composto em 1986 e bastante ampliado em 1989. É muito curiosa esta abordagem ao modelo de “Concerto para Orquestra”, criado por Bartók. Como já publicamos antes os Concertos para Orquestra de Bartók e Lutoslawski — duas obras-primas! –, finalizamos por ora a série dedicada aos Concertos para Orquestra. Gostei bastante do disco, tanto que o ouvi 3 vezes de enfiada. Apenas estranhei a Lamentação de Jeremias ser cantada por uma mulher. Mas, enfim, o que interessa é o texto, né? E talvez seja uma mulher falando do Jerê, não examinei o texto…

IM-PER-DÍ-VEL !!!

A capa ao lado quase corresponde ao CD postado…

O americano Elliott Carter é o decano dos compositores. Também é o compositor que mais viveu. Ganhou de Schütz, Haydn, Stravinsky, Sibelius e, penso, de qualquer outro. Ainda estreia várias peças todos os anos e o 11 de dezembro de 2008 será comemorado em várias cidades. Este é o segundo CD de Carter que publico no PQP. Infelizmente, não tenho outros, pois sou um admirador recente deste compositor de absurda complexidade. A estreia desta Sinfonia ocorreu em 17 de fevereiro de 1977 e é a música mais inadequada para um aniversário, mais parecendo uma longa descida ao inferno. Mas… o que fazer? É o que tenho. Imaginem que Carter foi aluno de Nadia Boulanger em Paris, no ano de 1930… Após a fase neoclássica regulamentar, ele passou a escrever música atonal, de notável complexidade rítmica. Compõe música orquestral e de câmara, assim como obras para instrumentos solo e vocal. Ao completar 99 anos, estreou sua única ópera, chamada What Next? (post de 2008, claro).
IM-PER-DÍ-VEL !!!

O Beethoven de Harnoncourt sempre é considerado uma experiência emocionante, polêmica e distinta — e este conjunto de aberturas não é diferente. Isto é pura excitação com uma execução verdadeiramente fora deste mundo, especialmente nas transições da “escuridão para a luz” das aberturas Leonora e do maravilhoso “Egmont”, sempre um dos meus favoritos. “As Criaturas de Prometeus” também é muito interessante porque incorpora algumas músicas do próprio balé, enquanto “Coriolano” está repleto de tanto drama e tensão quanto se poderia esperar do mestre austríaco. Porém, na abertura campeã “Coriolano”, Carlos Kleiber permanece imbatível no pódio. Essas gravações estão disponíveis de uma forma ou de outra há vários anos, então, há várias capas para o mesmo disco.


Fora compositores brasileiros, o único latino-americano que postei até aqui (e já faz um bom tempo) foi Piazzolla. Agora começo a variar e apresento um venezuelano contemporâneo e desconhecido no Brasil: Alfredo Rugeles, filho de diplomata, nascido em Washington DC, e exemplo de como os compositores latino-americanos se deixaram permear em demasia pela vanguarda europeia, esquecendo-se das raízes da música popular e folclórica de seus países. Nesta coletânea de obras sinfônicas e de câmara das décadas de 70 e 80 de Rugeles, há influência de tudo, menos da música venezuelana – pelo menos o compositor é bastante competente… São obras que não me despertaram nada especial (exceto O ocaso do herói, sobre os últimos anos de Simón Bolívar), porque nada há de novo nelas – e se é para ouvir algo já feito, que se vá às fontes originais – mas tais obras podem suscitar algo em vocês.
A Fundação para a Divulgação e Inevitável Imortalização do Guia Genial dos Pianistas Maurizio Pollini fundada por Lais Vogel e P.Q.P. Bach sempre defendeu a tese — que hoje é opinião geral — de que os maiores gênios da humanidade foram William Shakespeare, Johann Sebastian Bach, Ludwig van, Charles Darwin, Karl Marx, Sigmund Freud, James Joyce e Maurizio Pollini. O resto está sob o topo daquilo que de mais alto o ser humano alcançou. Humano?, eu disse humano? Pois quando soube que Pollini lançara o Volume I do CBT, achei que ele estava fazendo o que não precisava. Claro que a gravação é excelente e dá importante contribuição à farta discografia bachiana. E oh, OK, ele está ficando velho e quis meter sua colher em Bach, quis deixar sua visão de uma obra fundamental para a arte pianística? Sem dúvida, eu o compreendo perfeitamente e só o lado técnico da interpretação já justifica tudo, mas o CBT não é o topo de Pollini como pianista, é apenas uma das melhores gravações em piano que ouvi de uma obra que prefiro ouvir no cravo. Pollini novamente não se deixa dominar por sua assombrosa técnica e insiste em fazer música. É uma gravação para rivalizar com Gould, mas nunca de forma hostil. Em alguma fugas, ouve-se não apenas a respiração como alguns gemidos a la Gould. Pollini não é um pianista vaidoso e bobo como tantos, é um intelectual ao qual se poderia atribuir a frase de Newton “Se eu vi mais longe, foi por estar em pé sobre ombros de gigantes”, ou seja, em sua gravação há ênfases de Gould, fraseados de Leonhardt e surpresas típicas de Pollini, como o súbita agressividade demonstrada no Prelúdio BWV 855, tudo dentro do maior equilíbrio e bom gosto. Mas ainda que, apesar de toda a qualidade do pianista e de seu direito de criar uma interpretação do século XXI para a obra (pós-Gould e até pós-Schiff em termos de concepção), acho que a contribuição maior de Pollini está lá adiante, a partir de Beethoven. Não fiquei decepcionado, até pelo contrário, mas prefiro os cravistas e, na verdade, lá no fundo, acho que as incensadas gravações de Bach realizadas por Gould são expressões importantes e ultra-elaboradas de uma “arte menor”, pois ele senta frente a um piano. Um purista? Talvez. Sei que estou sendo polêmico onde talvez não devesse, mas meus ouvidos há anos dizem que Leonhardt e Hantaï, em Bach, dão de dez em Gould e, agora, em Pollini.
IM-PER-DÍ-VEL !!!
Ah, adorável Purcell! King Arthur (ou The British Worthy, Z. 628), é uma ópera em cinco atos com música de Henry Purcell e libreto de John Dryden. Foi apresentada pela primeira vez no Queen’s Theatre, Dorset Garden, Londres, no final de maio ou início de junho de 1691. O enredo é baseado nas batalhas entre os bretões do Rei Arthur e os saxões, e não nas lendas de Camelot (embora Merlin apareça). Também não foi baseado na fundamental obra do Monty Python. Trata-se de uma obra mais sobrenatural, incluindo personagens como Cupido e Vênus, além de referências aos deuses germânicos dos saxões, Woden, Thor e Freya. A história centra-se nos esforços de Arthur para recuperar a sua noiva, a cega princesa Emmeline da Cornualha, que foi raptada pelo seu arquiinimigo, o rei saxão Osvaldo de Kent. Lembrei do Monty Python novamente… Rei Arthur é uma “ópera dramática” ou uma “semi-ópera”: os personagens principais não cantam. Personagens secundários cantam por eles. É uma diegese muito bem escrita — sim, pode ir ao dicionário. Os protagonistas normalmente são atores. Esta era uma prática normal na ópera inglesa do século XVII. Mas, hoje, Arthur é sempre apresentado por cantores. Eu amo especialmente a ária que ficou famosa como The Cold Song.

Um bom CD, principalmente pelo Britten inicial e o Walton final. Não sei se estou certo ao dizer que a “Sonata” de Walton é uma transcrição de um quarteto seu, mas me parece que sim. Tenho quase certeza. O Guildhall é um conjunto estupendo e convincente, com um maravilhoso som. A Sinfonia Simples, Op. 4, de Britten, é uma obra para orquestra ou quarteto de cordas. Foi escrita finalizada quando o compositor tinha 20 anos, em 1933, mas seus temas foram escritos entre 1923 e 1926, quando Britten era criança. Recebeu sua primeira apresentação em 1934 no Stuart Hall em Norwich, com Britten conduzindo uma orquestra amadora. A peça é dedicada a Audrey Alston, professora de viola de infância de Britten. Bem no início, parece um tango; o segundo movimento é um pizzicato lindo; o terceiro é sentimental, mas muito digno; e o que dizer do último movimento lá do Walton?


Mais duas maravilhosas sinfonias de Haydn, desta vez à cargo do grande George Szell à frente da Orquestra de Cleveland. Mais uma dupla incrível, que realizou gravações maravilhosas ainda nos anos 60.