Naumann está estreando hoje no PQP Bach. Ele foi um alemão que gostava de viajar, de escrever óperas e que criou uma montanha de música religiosa. Suas óperas eram escritas em italiano. Naumann andou bastante por Veneza antes de trabalhar anos em Dresden e depois na Suécia. Sua obra é de bom nível — vale a pena conhecer como cultura geral –, mas já ouvimos música sacra onde a divindade parecia comparecer in loco mesmo para ateus como eu. Aqui, ela permanece na plateia. Parece um Mozart sem a catiguria do nosso homem de Salzburgo.
Johann Gottlieb Naumann (1741-1801): Psalm 96 & 103
1 Ouvertuere zur Oper “Gustav Wasa”
2 Psalm 96 Singet dem Herrn ein neues Lied
3 Psalm 96 Es stehet herrlich und prachtig vor ihm
4 Psalm 96 Saget unter den Heiden
5 Psalm 96 Himmel freue sich und Erde sey frohlich Er wird den Erdboden richten
7 Psalm 103 Lobe den Herrn meine Seele
8 Psalm 103 Der Herr schaffet Gerechtigkeit
9 Psalm 103 Barmherzig und gnadig ist der Herr
10 Psalm 103 Denn so hoch der Himmel uber der Erden ist
11 Psalm 103 Wie sich ein Vater uber Kinder erbarmet
12 Psalm 103 Ein Mensch ist in seinem Leben wie Gras
13 Psalm 103 Die Gnade aber des Herrn wahret von Ewigkeit
14 Psalm 103 Der Herr hat seinen Stuhl im Himmel bereitet
15 Psalm 103 Lobet den Herrn ihr seine Engel Ich will dich all mein Lebenlang
Kornerscher Sing-Verein Dresden Dresdner Instrumental-Concert Peter Kopp
Aqui, a coisa fica mais alemã e indiscutivelmente melhor do que o grupo de CDs anteriores. O show de Leonhardt está no Froberger e no Kuhnau — apesar da narrativa — dos CDs 17 e 18, em minha opinião, mas ouvi apenas uma vez. Posso estar errado, claro.
CD 16:
Heinrich Ignaz Franz von Biber
Harmonia Artificiosa-Ariosa: Diversi Mode Accordata
01. Pars III
Mensa Sonora: Seu Musica Instrumentalis
02. Pars III
CD 17:
Johann Jakob Froberger
01. Capriccio No. 2
02. Fantasia No. 3
03. Toccata No. 11, “Da Sonarsi Alla Levatione”
04. Ricercar No. 2
05. Canzona No. 2
06. Toccata No. 9
Suite No. 18
07. I Allemande
08. II Gigue
09. III Courante
10. IV Sarabande
11. Toccata No. 18
Suite No. 12
12. I Lamento Sopra La Dolorosa Perdita Della Real Msta
Di Ferdinando IV, Re De Romani (Allemande) – Gigue
13. II Courante
14. III Sarabande
Musicausche Vorstellung Einiger Biblischer Historien
Musical Depiction Os Certain Biblical Stories
Representation Musicale De Quelques Histoires Bibliques
01-10. Sonata No. 1: Der Streit Zwischen David Und Goliath
The Combat Between David And Goliath
Le Combat Entre David Et Goliath
11-14. Sonata No. 2: Der Von David Vermittelst Der Music Curirte Saul
Saul Healed By David With The Help Of Music
Sauel Gueri Par David Grace A La Musique
15-23. Sonata No. 3: Jacobs Heyrath
The Marriage Of Jacob – Le Marriage De Jacob
Gustav Leonhardt, organ / harpsichord / narration
Este disco é realmente especial. Muitíssimo bem cantado e com belas obras do grande Monteverdi. É um conjunto de peças muito requintadas e bem escolhidas, retiradas dos Motetos da “Seconda pratica” de Claudio Monteverdi. São escritos para voz solo, duetos e trio. É tudo muito bonito. René Jacobs foi um estupendo contratenor que mais recentemente se tornou ainda mais famoso como um maestro. Aqui, ele canta. O termo “Seconda pratica” foi inventado pelo próprio Monteverdi. Ele contrasta com abordagem barroca inicial. Para resumir esta estética complexa, ela enfatiza o texto e dá vazão mais livre às dissonâncias, em contraste com um estilo sacro antigo usado por compositores anteriores, como Giovanni Palestrina no século XVI.
Claudio Monteverdi (1567-1643): Un Concert Spirituel — Motetos a 1, 2 e 3 vozes
1 Duo seraphim, a 3 voci 6:52
2 O quam pulchra es a voce sola: O quam pulchra es, a voce sola 5:48
3 O beatae viae, a 2 voci 5:51
4 Salve, O Regina, a voce sola 5:56
5 Confitebor tibi Domine, a voce sola 8:21
6 Pulchra es, anima mea, a 2 voci 4:29
7 Fugge, anima mea, a 2 voci 4:52
8 Ego flos campi, a voce sola 4:21
9 Nigra sum, a voce sola 4:35
10 Laudate Dominum, a voce sola 4:58
11 Jubilet, a voce sola 4:58
René Jacobs
Birgit Grenat
Judith Nelson
Jaap ter Linden
Konrad Junghänel
Concerto Vocale
Eu tenho um blog sobre literatura e otras cositas. Lá, invisto um pouco mais de angústia. Aqui, é pura diversão. Mas, uma vez, fiquei muito decepcionado com o PQP. Lembrei disto hoje, ao ver que quase toda a lista de compositores acima já tinha sua categoria no blog, apesar de não possuir posts correspondentes. Acontece que tivemos um participante do blog que postava muita música elisabetana e música do barroco francês, além de Debussy, Schubert e tudo aquilo que se referisse a Alfred Brendel. Este participante avisou que não teria mais tempo para postar e que se retiraria. OK, sem problemas. Só que, sem avisar, ele deletou todos os seus posts e ficamos destituídos de um verdadeiro tesouro. Até hoje tento entender o que o levou a fazer aquilo. Falei com ele, perguntando-lhe o motivo do tresloucado ato. A resposta foi: “Ora, estava saindo, achei natural deletar”… Bem, deixemo-lo de lado. Cada um tem de cuidar da própria loucura.
Estes são os discos mais sem graça da coleção. Os Purcell, como sempre, são ótimos, mas o resto… É só legalzinho, divertidozinho, maisoumenoszinho… Putz, fiquei de mau humor ao lembrar das deleções. Tenho quase todos os arquivos comigo, mas que coisa irritante!
The Gustav Leonhardt Edition (CDs 13, 14 e 15 de 21)
CD 13:
Henry Purcell
01. Overture In D Minor, Z771
02. Pavan In B Flat Major, Z750
03. Ground In D Minor, Z222
04. Overture (With Suite) In G Major, Z770
05. Pavan In A Minor, Z749
06. Fantasia (Chaconne): Three Parts On A Ground In D Major, Z731
07. Overture In G Minor, Z772
08. Suite In D Major, Z667
09. Pavan Of Four Parts In G Minor, Z752
10. Sefauchi’s Farewell In D Minor, Z656
11. A New Ground In E Minor, Z682
12. Sonata In A Minor, Z804
13. Fantasia A 4 No. 7
14. Fly Swift, Ye Hours
15. The Father Brave
16. Return, Revolting Rebels
Max Van Egmond, bass (14-16)
Bruegen-Consort (13)
Leonhardt-Consort / Gustav Leonhardt, harpsichord / organ
William Lawes
02-04. Suite: No. 1 In C Minor
05-06. Suite No. 2 In F Major
07-09. Sonata No.7 In D Minor
10. In Nomine (From Suite No. 3 In B flat Major)
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Tive a incrível sorte de conhecer Sebastian Bohren ao ir assistir a um recital de violino e piano no Piano Salon Christophori, em Berlim. Fiquei boquiaberto com o som e a musicalidade do suíço. Neste CD, ele dá um banho de competência e ecletismo ao trafegar de Mendelssohn a Hartmann, de Schubert a Respighi, juntamente com os excelentes camaristas da Chaarts Chamber Artists. O som e a classe de Bohren são realmente dignas de nota. O cara tem a nobreza musical e sonora instaladas. O repertório é raro e ótimo, mas a minha impressão é a de que ele poderia tocar qualquer coisa que eu ia ficar admirando, todo babado. E é um cara simples, simpático, acessível, modesto. Nobre.
Hartmann: Concerto funèbre (für Violine und Streichorchester)
1. Introduktion: Largo
2. Adagio
3. Allegro di molto
4. Choral: Langsamer Marsch
Respighi Antiche Danze ed Arie per Liuto (Alte Tänze und Arien für Laute): Suite Nr. 3
1. Italiana: Andantino
2. Arie di corte: Andante cantabile
3. Siciliana: Andantino
4. Passacaglia: Maestoso
Schubert: Rondo A-Dur D 438 (für Violine und Streichorchester)
1. Adagio – Allegro giusto
François Couperin (1668-1733), Alessandro Poglietti (?-1683), Nicolas de Grigny (1672-1703), Jean-Philippe Rameau (1682-1764) e Henry Purcell (1659-1695): The Gustav Leonhardt Edition (CDs 10, 11 e 12 de 21)
CD 10: François Couperin
Messe a L’usage Ordinaire Des Paroisses
01. Offertoire Sur Les Grands Jeux
L’Art De Toucher Le Clavecin
02-09. Preludes 1-8
Alessandro Poglietti
10. Ricercar Primi Toni
Nicolas de Grigny
11. Cromorne En Taille A Deux Parties
Jean-Philippe Rameau
Pieces De Clavecin
12. La Triomphante
13. L’Entretien Des Muses
14. Menuet In G Major – Menuet In G Minor
15. Les Tourbillons
16. Sarabande In A Major
17. La Villageoise
CD 12: Henry Purcell
01. Rejoice In The Lord Alway, Z49
02. Blow Up The Trumpet In Sion, Z10
03. O God, Thou Art My God, Z35
04. Chacony In G Minor, Z730
05. O God, Thou Hast Cast Us Out, Z36
06. My Heart Js Inditing, Z30
07. Remember Not, Lord, Our Offences, Z50
James Bowman, countertenor (01-03, 05 & 06)
Nigel Rogers Tenor (01-03, 05 & 06)
Max Van Egmond, bass (01-03, 05 & 06)
The Choir Of King’s College, Cambridge
Leonhardt-Consort / Gustav Leonhardt, harpsichord / organ
Leonhardt: saindo de Bach, fazendo um passeio pela velha Europa
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Estas são gravações foram lançadas separadamente em discos de vinil nos anos de 1961 e 68. Totalmente remasterizadas, com som de alta qualidade, elas reapareceram em CD há uns dez anos. A primeira parte do disco é reservada para Boris Godunov. Boris Godunov é uma ópera de Mussorgsky baseada no drama homônimo de Alexander Pushkin. Estreou em 8 de fevereiro de 1874 no Teatro Mariinsky, em São Petersburgo. Sob muitos aspectos, a mais “russa” de todas as óperas, é um espetáculo grandioso e sombrio em que o povo russo, ao mesmo tempo sofredor e invencível, desempenha o papel principal. Mussorgsky investiu enorme energia nessa obra. Escreveu o libreto, que condensou o drama de Pushkin, e fez uma revisão completa da partitura após sua rejeição pelo Teatro Mariinsky. A trama era aceitável aos Romanov por descrever a desordem na Rússia no início do século XVII, muito antes de sua ascensão ao poder. Era também patriótica, retratando a resistência a uma invasão polonesa. Acima de tudo, com seus coros e árias melancólicas permeados por canções folclóricas e cantos ortodoxos, Boris Godunov assemelha-se a um vasto quandro vivo da conturbada história da Rússia e de sua alma torturada. Quadros de uma Exposição é uma suíte escrita para piano. Viktor Hartmann, arquiteto e pintor, grande amigo de Mussorgsky, havia falecido recentemente (1873) aos 39 anos de idade. Em março de 1874, estava acontecendo uma exposição de seus quadros em uma galeria de São Petersburgo. Após visitá-la, o compositor resolveu prestar uma homenagem ao amigo. Escolheu dez dentre os quadros expostos e compôs uma música para cada um deles. Uniu através de um tema comum (“Promenade”) as várias partes da peça. As músicas exploram a corrente folclórica russa e o estilo de piano é inovador em sua austeridade e ausência de tessitura. Composta em uma época em que o piano era instrumento de brilho virtuosístico, a suíte foi durante algum tempo ignorada. Claude Debussy, grande compositor francês, era admirador confesso de Mussorgsky e estudou bastante esta suíte, pelo seu caráter singular. A versão aqui postada é a famosa transcrição para orquestra feira pelo super orquestrador Maurice Ravel. As interpretações merecem — e como! — o título Great Performances acima.
Modest Mussorgsky (1839-1881): Cenas de Boris Gudonov / Quadros de uma Exposição
Scenes From Boris Godunov
Prologue, Scene 2 (The Square In The Moscow Kremlin)
1 Da Zdrávstvuyet Tsar Boris Feodorovich (Long Live Tsar Boris Fedorovich!) 1:53
2 Uzh Kak Na Nébe Sólntsu Krásnomu (Even As Glory To The Radiant Sun) 2:49
3 Skorbit Dushá! (My Soul Is Torn With Anguish) 3:17
4 Sláva! (Glory!) 1:28
Boris’s Monologue From Act II
5 Dostig Ya Vïsshey Vlasti (I Have Attained The Highest Power) 6:01
Dialogue And Hallucination Scene From Act II
6 Ty Zachém (What Do You Want?) 1:02
7 Velkii Gosudár, Chelóm Byu (Mighty Lord…) 5:52
8 Ne Kázen Strashná, Strashná Tvoyá Nemilost (It Is Not Death That Is Hard To Bear…) 1:45
9 Uf Tyazheló! (God, How Stifling It’s Become!) 3:45
Boris’s Farewell To His Son And Death Of Boris From Act IV, Scene 2
10 Carevicha Skorej! (The Tsarevich, Quickly!) 6:33
11 Zvon!…Pogrebálnyi Zvon! (Listen! It’s Ringing…The Funeral Bell Is Ringing!) 4:20
George London, bass
The Columbia Symphony Orchestra and Chorus
Thomas Schippers
Pictures At An Exhibition
12 Promenade 1:33
13 Gnomus (The Gnome) 2:38
14 Promenade 0:55
15 Il Vecchio Castello (The Old Castle) 4:42
16 Promenade 0:32
17 Tuileries (Children’s Dispute After Play) 1:01
18 Bydlo (Ox-cart) 2:16
19 Promenade 0:42
20 Ballet Des Petits Poussins Dans Leur Coques (Ballet Of The Unhatched Chickens) 1:14
21 Samuel Goldenburg And Schmuyle 2:21
22 Limoges: Le Marché (The Market Place Of Limoges) 1:26
23 Catacombae: Sepulchrum Romanum (Catacombs: A Roman TOmb) 1:41
24 Cum Mortis In Lingua Morta (With The Dead In A Dead Language) 1:43
25 La Cabane Baba-Yaga Sur Des Pattes De Poule (The Hut Of Bba-Yaga On Chickens’ Legs) 3:44
26 La Grande Porte De Kiev (The Great Gate Of Kiev) 4:52
01. Prelude in F major. BWV 927
02. Quodlibet, BWV 524
03. Prelude in E Major, BWV 937
04. Prelude In G Minor, BWV 929
05. Erbauliche Gedanken Eines Tobackrauchers, BWV 515a
06. Prelude In D Minor, BWV 940
07. Canon A 2 Perpetuus, BWV 1075
08. Canon Super Fa Mi A 7 Post Tempus Musicum, BWV 1078
09. Prelude In D Major, BWV 925
10. Gib Dich Zufrieden Und Sei Stille, BWV 511
11. Canon A 4 Perpetuus, BWV 1073
12. Canone Doppio Sopr’il Soggetto, BWV 1077
13. O Herzensangst, O Bangigkeit und Zagen!, BWV 400
14. Nicht So Traurig, Nicht So Sehr, BWV 384
15. Dir, Dir Jehova, Will Ich Singen. BWV 452
16. Prelude In C Major, BWV 939
17. Fugue In C Major, BWV 952
18. Was Betruebst Du Dich, Mein Herze, BWV 423
19. Vergiss Mein Nicht, Mein Allerliebster Gott, BWV 505
20-22. Wer Nur Den Lieben Gott Laest Walten, BWV 691, 434 & 690
23-28. Capriccio Sopra La Lontananza Del Suo Fratello Dilettissimo, BWV 992
29-30. Prelude & Fugue: In A Minor, BWV 895
31-33. Suite In F Minor, BWV 823
34-35. Prelude & Fughetta In D Minor, BWV 899
Agnes Giebel, soprano – Marie Luise Gilles, alto
Bert van t’Hoff, tenor – Peter Christoph Runge, bass
Anner Bylsma, cello
Leonhardt-Consort / Gustav Leonhardt, harpsichord / organ
O mestre afinando seu instrumento. Ele tocava afinado, diferentemente de tanta gente no Brasil…
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Creio que esta seja a terceira ou quarta vez que estou atualizando o link destes dois CDs tão especiais. Trata-se de uma das melhores gravações que já foram realizadas destas obras tão fundamentais no catálogo de Bach. Temos aqui uma verdadeira aula de interpretação historicamente informada, com dois músicos extraordinários.
Em dois CDs, 300 MB que trazem consigo um tesouro: as Sonatas Completas para Violino e Cravo de meu pai, na interpretação de Rachel Podger e Trevor Pinnock. Ouso dizer que esta gravação ganha fácil daquela que tenho no álbum com 5 CDs da Musica Antiqua Köln com a música de câmara instrumental (sonatas, trios) completa de meu pai. A musicalidade e o entendimento da duplinha inglesa deveria preocupar os caras-metades de ambos porque parecem ter nascido para viverem juntos. De certa forma, neste estupendo registro realizado no ano 2000, Pinnock recupera-se de seus muitos descuidos cometidos nos anos 90, quando cheguei a pensar que era um sujeito de segundo escalão. É óbvio que a presença e o rigor da violinista Podger o chamou à seriedade e aos ensaios. O resultado, só ouvindo: trata-se de um grande e inequívoco Bach!
Sonata No. 6 In G Major BWV 1019
1-1 Allegro 3:35
1-2 Largo 1:50
1-3 Allegro (Cembalo Solo) 4:39
1-4 Adagio 3:41
1-5 Allegro 3:13
Sonata No. 1 In B Minor BWV 1014
1-6 Adagio 3:43
1-7 Allegro 2:49
1-8 Andante 3:13
1-9 Allegro 3:08
Sonata No. 2 In A Major BWV 1015
1-10 Dolce 3:03
1-11 Allegro 3:05
1-12 Andante Un Poco 3:08
1-13 Presto 4:08
Sonata No. 3 In E Major BWV 1016
1-14 Adagio 4:11
1-15 Allegro 2:53
1-16 Adagio Ma Non Tanto 4:51
1-17 Allegro 3:48
Continuo Sonata In E Minor BWV 1023
1-18 [Allegro] 0:59
1-19 Adagio Ma Non Tanto 3:22
1-20 Allemanda 3:53
1-21 Gigue 3:05
Volume II
Continuo Sonata In G Major BWV 1021
2-1 Adagio 3:54
2-2 Vivace 0:56
2-3 Largo 2:34
2-4 Presto 1:20
Sonata No. 4 In C Minor BWV 1017
2-5 Largo 4:12
2-6 Allegro 4:31
2-7 Adagio 3:11
2-8 Allegro 4:36
Sonata No. 5 In F Minor BWV 1018
2-9 [Largo] 7:38
2-10 Allegro 4:33
2-11 Adagio 2:38
2-12 Vivace 2:29
Sonata No. 6 In G Major BWV 1019a
2-13 Vivace 3:36
2-14 Largo 1:37
2-15 Cembalo Solo 4:32
2-16 Adagio 2:15
2-17 Violino Solo E Basso L’Accompagnato 2:24
2-18 Presto Ab Initio Repetatur Et Claudatur 3:38
2-19 Cantabile From Sonata No. 6 Version 2 BWV 1019a (Cantabile Ma Un Poco Adagio) 6:06
As obras deste CD não são nenhuma maravilha, apesar do esforço de Fabio Bonizzoni para dar-lhes sobrevida. Muitas vezes a gente confunde o barroco inicial com a explosão de compositores e criatividade do barroco final. Aqui, o destaque é Giovanni Picchi, um compositor, organista, lutenista e cravista. Ele era um seguidor tardio da Escola veneziana, e influenciou o desenvolvimento e a diferenciação de formas instrumentais que apenas começavam a aparecer, como a sonata. Além disso, ele era o único veneziano de seu tempo para escrever música de dança para cravo. OK, era um pioneiro, mas não tinha muita magia, por assim dizer. Indicado apenas para tarados por barroco.
GIOVANNI PICCHI (1571-1643)
1 Passo e Mezo
2 Saltarello del detto
3 Toccata
4 Passo e Mezo
SPERINDIO BERTOLDO (c.1530-1570)
5 Toccata
GIOVANNI PICCHI (Intavolatura di Balli d’Arpicordo, 1621)
6 Pass’e mezzo
7 Saltarello del Pass’e mezzo
8 Ballo ditto il Pichi
9 Ballo ditto il Stefanin
10 Ballo alla Polacha
11 Ballo Ongaro
12 Todescha
13 Padoana ditta la Ongara
GIOSEFFO GUAMI (1540-1611)
14 Toccata (Il Transilvano, 1593)
GIOVANNI GABRIELI (c.1555-1612)
15 Canzon La Spiritata (Il Transilvano, 1593)
CLAUDIO MERULO (1533-1604)
16 Toccata VII (Toccate d’intavolatura… Libro primo, 1598)
ANNIBALE PADOVANO (1527-1575)
17 Ricercar del 61/4 tono alla terza (Toccate et Ricercari, 1604)
18 Toccata 61/4 tono (Toccate et Ricercari, 1604)
VINCENZO BELL’HAVER (d. 1587)
19 Toccata (Il Transilvano, 1593)
MARTINO PESENTI (c.1600-c.1648)
20 Suite di danze (Il primo libro delli correnti alla francese, 1635)
Os ingleses detestam falar da longa noite que passaram entre Purcell e Britten. Entre estes dois picos, os grandes compositores simplesmente negavam-se a nascer na ilha que tanto ama a música. Esta gravação é boa, mas já ouvimos melhores, mais coloridas, principalmente em termos de bruxas.
Dido e Enéas é a primeira ópera inglesa, tendo sido a única escrita por Purcell (1659-1695). Ainda que tenha vivido pouco, ele nos deixou um número expressivo de odes para coro e orquestra, cantatas, canções, hinos, serviços, sonatas de câmara e obras para teclado, além de mais de quarenta peças para música de cena. Henry Purcell alcançou em vida relativo prestígio. Foi nomeado, em 1679, organista da abadia de Westminster e da Chapel Royal, em 1682, além de ocupar cargos importantes em várias instituições musicais londrinas.
A ópera foi escrita em 1689 para o internato feminino Josias Priest, de Chelsea, Londres, a partir de um libretto de Nahum Tate (1652-1715), poeta e dramaturgo inglês. O enredo segue a história de amor entre a lendária rainha de Cartago, Dido, e o refugiado troiano Enéas, narrada no livro IV da Eneida de Virgílio. Quando o mítico herói e sua tropa naufragam em Cartago, ele e a rainha se enamoram. Mas, por inveja, as bruxas conspiram contra os amantes e convencem Enéas a partir, pois seu destino, traçado pelos deuses, é o de fundar uma nova Troia, a cidade de Roma. Enéas, mesmo blasfemando contra a inclemência dos deuses, aceita seguir viagem e comunica a Dido que partirá naquela manhã. A rainha, esmagada pela dor, imola-se, apesar de Enéas, comovido e mudando o desígnio, afirmar preferir enfrentar a cólera dos deuses a abandoná-la.
A partitura é uma obra-prima de concisão e uma modelo para toda ópera de bolso: a orquestra inclui cordas e contínuo, há uns poucos papéis principais e a duração dos seus três atos não ultrapassa uma hora. Nela, Purcell incorporou tanto os desenvolvimentos da escola inglesa do século XVII, como influências musicais continentais. Combina, por exemplo, danças e coros, elementos próprios da tradição francesa, com árias que seguem em geral os modelos das óperas barrocas italianas. Os recitativos, por seu turno, a cavaleiro das tradições francesas e italianas, nada têm de artificial – são livres, melódicos e plasticamente moldados ao texto.
A abertura é francesa: um adágio solene inicial dá lugar a uma seção mais animada que introduz a cena. Já os coros homofônicos construídos com base em ritmos de dança, recordam os de Lully, assim como o minueto do coro Fear não danger to ensue (“Não temas os perigos que possam vir”). No entanto, cabe salientar a melodia tipicamente inglesa de Pursue thy conquest, Love (“Persegue tua conquista, Amor”) e a do coro Come away, fellow sailors (“Vinde, camaradas de marinheiros”), no início do terceiro ato. Esta alegre e singela canção marinheira carrega evidente matiz popular.
Algumas árias da ópera foram construídas sobre um baixo ostinato. A última delas, e a mais importante, é o famoso Lamento de Dido: When I am laid in earth (“Quando eu descer à terra”), uma das mais tocantes de todo repertório lírico. Nela, além do ostinato, os intervalos descendentes e as harmonias com retardos intensificam o infortúnio da rainha.
O coro final, With drooping wings (“Com asas caídas”) parece inspirado no de Vénus and Adonis, de Blow – de quem Purcell foi, aliás, discípulo. Possui forte caráter elegíaco, sugerido pelo uso de escalas menores descendentes e pelas impressionantes pausas após a expressão “never part” (“nunca parta”).
1 Overture 2:03
2 Act I: Shake the cloud from off your brow (Belinda, Chorus) 1:08
3 Act I: Ah! Belinda, I am press’d with torment (Dido) 6:40
4 Act I: Grief increases by concealing (Belinda, Dido, Chorus) 0:50
5 Act I: Whence could so much virtue spring? (Dido, Belinda, 2nd Woman, Chorus) 4:22
6 Act I: See, your Royal guest appears (Belinda, Aeneas, Dido, Chorus) 0:53
7 Act I: Cupid only throws the dart (Chorus) 0:40
8 Act I: If not for mine, for Empire’s sake (Aeneas, Belinda) 1:09
9 Act I: Guitar Chaconne 2:32
10 Act I: To the hills and the vales (Chorus) 1:03
11 Act I: The Triumphing Dance 1:27
12 Act II: Wayward sisters (Sorceress, 1st Witch, Witches) 2:12
13 Act II: The Queen of Carthage, whom we hate (Sorceress, Chorus) 0:40
14 Act II: Ruin’d ere the set of sun? (Witches, Sorceress, Chorus) 2:26
15 Act II: In our deep vaulted cell (Chorus) 1:19
16 Act II: Echo Dance of Furies 1:16
17 Act II: Ritornelle 0:50
18 Act II: Thanks to these lonesome vales (Belinda, Chorus) 2:59
19 Act II: Guitar Passacaille 3:05
20 Act II: Guitar Dance: Oft she visits this lone mountain (2nd Woman) 1:47
21 Act II: Behold, upon my bended spear (Aeneas, Dido) – Haste, haste to town (Belinda, Chorus) 1:22
22 Act II: Stay, Prince! and hear great Jove’s command (Spirit, Aeneas) 2:38
23 Act II: Groves’ Dance: Then since our charms have sped (Chorus) 1:31
24 Act III: Come away, fellow sailors (1st Sailor, Chorus) 2:17
25 Act III: See, the flags and streamers curling (Sorceress, 1st and 2nd Witches) 1:02
26 Act III: Our next motion (Sorceress) 1:16
27 Act III: The Witches’ Dance 1:22
28 Act III: Your counsel all is urg’d in vain (Dido, Belinda, Aeneas) 7:48
29 Act III: Great minds against themselves conspire (Chorus) 1:00
30 Act III: Thy hand, Belinda; darkness shades me (Dido) 5:05 <— Lamento de Dido
31 Act III: With drooping wings ye cupids come (Chorus) 4:53
Sarah Connolly (Dido)
Gerald Finley (Aeneas)
Lucy Crowe (Belinda)
Patricia Bardon (Sorceress)
William Purefoy (Spirit)
Sarah Tynan (Second Woman)
John Mark Ainsley (Sailor)
Carys Lane & Rebecca Outram (Witches)
Choir of the Age of Enlightenment & Orchestra of the Age of Enlightenment
Steven Devine and Elizabeth Kenny (directors)
Papai Scarlatti era muito superior ao filho Scarlatinho e este CD dá mais tempo ao pai do que ao filho. É justo. Aliás, este também é um disco de italianos competentes, o que nem sempre acontece. Fabio Biondi e seu Europa Galante são sensacionais, dá gosto e felicidade ouvi-los. Alessandro foi um compositor vário e colorido, cheio de imaginação. Domenico enfiou-se em centenas de micro-sonatas repetitivas para a nobreza portuguesa. Ele nunca pensou que o futuro ia colocá-las todas juntas nestes estranhos recitais domiciliares que são os CDs. Já Alessandro sobrevive a tudo. Confiram aí!
Alessandro Scarlatti (1660-1725)
1. Sinfonia avanti la Serenata: I. Largo 1:54
2. Sinfonia avanti la Serenata: II. Presto 0:47
3. Sinfonia avanti la Serenata: III. Minuet 0:48
4. Sinfonia avanti la Serenata: IV. Grave 0:49
5. Sinfonia in C major: I. Presto Margret Köll/ 0:53
6. Sinfonia in C major: II. Adagio Margret Köll/ 1:04
7. Sinfonia in C major: III. Allegrissimo Margret Köll/ 1:32
8. Sei Concerti in sette parte per due violini e violoncello obligato, con in piu due violini, un tenore e basso continuo, Concerto grosso No. 1 in F minor: I. Grave 2:04
9. Sei Concerti in sette parte per due violini e violoncello obligato, con in piu due violini, un tenore e basso continuo, Concerto grosso No. 1 in F minor: II. Allegro 1:47
10. Sei Concerti in sette parte per due violini e violoncello obligato, con in piu due violini, un tenore e basso continuo, Concerto grosso No. 1 in F minor: III. Largo 2:22
11. Sei Concerti in sette parte per due violini e violoncello obligato, con in piu due violini, un tenore e basso continuo, Concerto grosso No. 1 in F minor: IV. Allemande [Allegro] 1:31
12. Sei Concerti in sette parte per due violini e violoncello obligato, con in piu due violini, un tenore e basso continuo, Concerto grosso No. 2 in C minor: I. Allegro 2:20
13. Sei Concerti in sette parte per due violini e violoncello obligato, con in piu due violini, un tenore e basso continuo, Concerto grosso No. 2 in C minor: II. Grave 3:19
14. Sei Concerti in sette parte per due violini e violoncello obligato, con in piu due violini, un tenore e basso continuo, Concerto grosso No. 2 in C minor: III. Minueto 2:41
15. Sei Concerti in sette parte per due violini e violoncello obligato, con in piu due violini, un tenore e basso continuo, Concerto grosso No. 3 in Fmajor: I. Allegro 0:47
16. Sei Concerti in sette parte per due violini e violoncello obligato, con in piu due violini, un tenore e basso continuo, Concerto grosso No. 3 in Fmajor: II. Largo 1:11
17. Sei Concerti in sette parte per due violini e violoncello obligato, con in piu due violini, un tenore e basso continuo, Concerto grosso No. 3 in Fmajor: III. Allegro 1:52
18. Sei Concerti in sette parte per due violini e violoncello obligato, con in piu due violini, un tenore e basso continuo, Concerto grosso No. 3 in Fmajor: IV. Largo 1:14
19. Sei Concerti in sette parte per due violini e violoncello obligato, con in piu due violini, un tenore e basso continuo, Concerto grosso No. 3 in Fmajor: V. Allegro 2:19
20. Sei Concerti in sette parte per due violini e violoncello obligato, con in piu due violini, un tenore e basso continuo, Concerto grosso No. 4 in G minor: I. Allegro ma non troppo 1:55
21. Sei Concerti in sette parte per due violini e violoncello obligato, con in piu due violini, un tenore e basso continuo, Concerto grosso No. 4 in G minor: II. Grave 2:30
22. Sei Concerti in sette parte per due violini e violoncello obligato, con in piu due violini, un tenore e basso continuo, Concerto grosso No. 4 in G minor: III. Vivace 0:45
23. Sei Concerti in sette parte per due violini e violoncello obligato, con in piu due violini, un tenore e basso continuo, Concerto grosso No. 5 in D minor: I. Allegro 1:42
24. Sei Concerti in sette parte per due violini e violoncello obligato, con in piu due violini, un tenore e basso continuo, Concerto grosso No. 5 in D minor: II. Grave 1:48
25. Sei Concerti in sette parte per due violini e violoncello obligato, con in piu due violini, un tenore e basso continuo, Concerto grosso No. 5 in D minor: III. Allegro 0:47
26. Sei Concerti in sette parte per due violini e violoncello obligato, con in piu due violini, un tenore e basso continuo, Concerto grosso No. 5 in D minor: IV. Minuet (molto veloce) 0:48
27. Sei Concerti in sette parte per due violini e violoncello obligato, con in piu due violini, un tenore e basso continuo, Concerto grosso No. 6 in E major: I. Allegro 1:06
28. Sei Concerti in sette parte per due violini e violoncello obligato, con in piu due violini, un tenore e basso continuo, Concerto grosso No. 6 in E major: II. Allegro 1:39
29. Sei Concerti in sette parte per due violini e violoncello obligato, con in piu due violini, un tenore e basso continuo, Concerto grosso No. 6 in E major: III. Largo 0:50
30. Sei Concerti in sette parte per due violini e violoncello obligato, con in piu due violini, un tenore e basso continuo, Concerto grosso No. 6 in E major: IV. Affettuoso 3:48
Domenico Scarlatti (1685-1757)
31. Sinfonia a 3 in G major: I. Allegrissimo 0:48
32. Sinfonia a 3 in G major: II. Grave 1:00
33. Sinfonia a 3 in G major: III. Allegrissimo 1:00
34. Sinfonia in A minor: I. Allegrissimo 0:39
35. Sinfonia in A minor: II. Adagio 0:49
36. Sonata [Concerto IX] in A minor for recorder, 2 violins & basso continuo: I. Allegro 1:56
37. Sonata [Concerto IX] in A minor for recorder, 2 violins & basso continuo: II. Largo 1:54
38. Sonata [Concerto IX] in A minor for recorder, 2 violins & basso continuo: III. Fuga 2:05
39. Sonata [Concerto IX] in A minor for recorder, 2 violins & basso continuo: IV. Largo 2:15
40. Sonata [Concerto IX] in A minor for recorder, 2 violins & basso continuo: V. Allegro 2:03
Coisa linda esse disco de Cantatas de Nicola Porpora. Ele foi mais um napolitano brilhante cuja carreira foi prejudicada pelo fato de seu estilo ter ficado fora de moda ao final de sua vida. Como nós estamos longe das questões em voga na época de Porpora, fruímos alegremente a boa qualidade de sua música. Ele foi muito conhecido e respeitado em sua época, tendo andado de corte em corte. Trabalhou em Dresden, Viena e voltou para Nápoles. Atenção para a fluência dos recitativos — coisa rara — deste homem que foi um intelectual que conhecia profundamente os livros e principalmente a poesia de sua época. Porpora, gente, foi grande.
Nicola Porpora (1686-1768): Or si m’aveggio, oh Amore – Cantatas for Soprano
Or sì m’avveggio, oh Amore, cantata for voice, cello & orchestra
1 Recitative. Or sì m’avvegio, oh Amore 1:17
2 Aria. Dolce pace, lieta calma 5:28
3 Recitative. Più che nel ciel tra’ Numi 1:18
4 Aria. S’asconde Amor nel volto 3:39
Credimi pur che t’amo, cantata for voice & orchestra
5 Sinfonia. Presto 0:46
6 Sinfonia. Andante, e spiritoso 1:30
7 Sinfonia. Allegro 1:24
8 Recitative. Credimi pur che t’amo 0:54
9 Aria. Sì, sì t’adoro ma 3:55
10 Recitative. Sarò pur nell’amarti 0:51
11 Aria. Amami e non languir 4:34
Già la notte s’avvicina (La pesca), cantata for voice & orchestra, Op. 1/4
12 Aria. Già la notte s’avvicina 4:59
13 Recitative. Lascia una volta, oh Nice 1:48
14 Aria. Non più fra sassi algosi 4:49
Or che d’orrido verno, cantata for soprano, flute, strings & continuo
15 Sinfonia 1:35
16 Sinfonia 1:02
17 Recitative. Or che d’orrido Verno 1:32
18 Aria. Lungi dal ben che s’ama 7:57
19 Recitative. Pur fra tanta mia pena 1:06
20 Aria. Nocchier che mira 4:43
Elena Cecchi Fedi: Soprano
Carlo Ipata: Flauto and Direttore
Este é um LP convertido em mp3. Existe a versão em CD, mas esta nós não possuímos. Não sou cara tarado por gravações antigas como as de Toscanini, Walter, Furtwängler, etc. Mas creio que esta aqui vale a pena. Trata-se de um registro de 1955 com os grandes Gustav Leonhardt (1928-2012), Nikolaus Harnoncourt (1929-2016) mais Lars Frydén (1927-2001). Era uma época na qual os pioneiros da música antiga com instrumentos originais — a hoje chamada “Música Historicamente Informada” — ainda engatinhavam. Muito jovens, tocam Rameau como se fosse Bach. Depois ambos fizeram gravações notáveis que podem ser ouvidas em toda sua glória, musicalidade, clareza e bom som, mas aqui… Bem, já eram grandes músicos, Rameau foi um compositor monstruoso, a junção não funcionou lá essas coisas, mas acho que vale a pena ouvir.
Rameau (1683-1764): Pièces de Clavecin en Concert
Premier Concert
1 La Coulicam – Rondement 2:29
2 La Livri-Rondeau Gracieux (Andantino) 2:53
3 Le Vezinet – Gaiment (Sans Vitesse) 2:34
Deuxième Concert
4 La Laborde – Rondement (Sans Vitesse) 3:38
5 La Boucon – Air Gracieux (Andante) 3:06
6 L’Agacante – Rondement 1:30
7 Menuets I & II 4:09
Troisième Concert
8 La Poplinière – Rondement 2:40
9 La Timide – Rondeaux I & II 6:03
10 Tambourins I & II, En Rondeau (Vif) 2:47
Quatrième Concert
11 La Pantomime – Loure Vive 3:00
12 L’Indiscrète – Rondeau (Vivement) 1:23
13 La Rameau – Rondement 3:01
Cinquième Concert
14 La Forqueray – Fugue (Animé) 2:17
15 La Cupis – Rondement (Sans Vitesse) 4:26
16 La Marais – Rondement 1:54
Gustav Leonhardt, harpsichord
Lars Frydén, violin
Nikolaus Harnoncourt, viola da gamba
Um tremendo disco. Prokofiev escreveu cinco concertos para piano e dois para violino. Trata-se de uma coleção difícil de superar. Neste CD, a grande estrela é a violinista russa Lydia Mordkovitch, uma ex-aluna de David Oistrakh. Guardo muito afeto por estes concertos. Em fevereiro deste ano, assisti a um extraordinário concerto em Londres em que era interpretado o Nº 1. Depois vinha a Sagração… E o segundo sempre foi inquilino de meu ventrículo esquerdo — que é onde o coração bate mais forte. Ambos são esplêndidos! A Sonata para Violino e Piano causou espanto em uma amiga russa: “Parece Shostakovich”. Sim, parece.
1. Violin Concerto No. 1 in D major, Op. 19: I. Andantino 9:36
2. Violin Concerto No. 1 in D major, Op. 19: II. Scherzo: Vivacissimo 3:52
3. Violin Concerto No. 1 in D major, Op. 19: III. Moderato 8:37
4. Violin Concerto No. 2 in G minor, Op. 63: I. Allegro moderato 10:28
5. Violin Concerto No. 2 in G minor, Op. 63: II. Andante assai 9:28
6. Violin Concerto No. 2 in G minor, Op. 63: III. Allegro, ben marcato 6:00
7. Violin Sonata No. 1 in F minor, Op. 80: I. Andante assai 7:05
8. Violin Sonata No. 1 in F minor, Op. 80: II. Allegro brusco 7:07
9. Violin Sonata No. 1 in F minor, Op. 80: III. Andante 8:02
10. Violin Sonata No. 1 in F minor, Op. 80: IV. Allegrissimo 7:31
Lydia Mordkovitch, violino
Gerhard Oppitz, piano
Scottish National Orchestra
Neeme Järvi
Uma das páginas mais curiosas da história da música é a fase neoclássica de Stravinsky. O Neoclassicismo é um retorno à música do passado, particularmente à música dos séculos séc. XVII e XVIII, através da adoção de seus modelos formais e estruturas melódicas e rítmicas. Não é para ser uma imitação ou recriação, seria antes a criação de um novo gênero a partir de referências anteriores. Só que não adianta, tem cara de paródia, da mais gloriosa das paródias. O Neoclassicismo surge como uma reação ao carácter exacerbadamente emocional da música do séc. XIX, voltando a modelos “mais racionais” dos períodos clássicos e barroco. Muitas obras de Stravinsky revisitam estes períodos, aos quais juntam as influências do jazz, do ragtime e ainda de compositores do séc. XIX. Pulcinella (1920), um bailado cujos cenários e figurinos foram desenhados por Picasso, revisita a música de Pergolesi, tendo o tema sido proposto por Diaghilev. Segundo Igor, o balé Apollon Musagète busca a sobriedade do barroco francês. Aqui temos um Stravinsky nada cortante nem satírico. Um baita disco. A interpretação de Suzuki e dos finlandeses é esplêndida.
Igor Stravinsky (1882-1971): Pulcinella Suite, Apollon Musagète & Concerto for Strings
1 Pulcinella Suite: I. Overture: Sinfonia 1:59
2 Pulcinella Suite: II. Serenata 2:50
3 Pulcinella Suite: III. Scherzino – Allegro – Andantino 4:19
4 Pulcinella Suite: IV. Tarantella 1:59
5 Pulcinella Suite: V. Toccata 0:57
6 Pulcinella Suite: VI. Gavotta – Variation No. 1 – Variation No. 2 3:51
7 Pulcinella Suite: VII. Vivo 1:31
8 Pulcinella Suite: VIII. Minuetto 2:23
9 Pulcinella Suite: IX. Finale 1:58
10 Apollon musagète, Tableau I: Tableau I: Prologue: The Birth of Apollo 4:55
11 Apollon musagète, Tableau II: Tableau II: Apollo’s Variation 3:02
12 Apollon musagète, Tableau II: Tableau II: Pas d’action: Apollo and the Muses 4:24
13 Apollon musagète, Tableau II: Tableau II: Variation of Calliope 1:32
14 Apollon musagète, Tableau II: Tableau II: Variation of Polymnia 1:23
15 Apollon musagète, Tableau II: Tableau II: Variation of Terpsichore 1:42
16 Apollon musagète, Tableau II: Tableau II: Variation of Apollo 2:22
17 Apollon musagète, Tableau II: Tableau II: Pas de deux: Apollo and Terpsichore 3:48
18 Apollon musagète, Tableau II: Tableau II: Coda: Apollo and the Muses 3:24
19 Apollon musagète, Tableau II: Tableau II: Apotheosis: Apollo and the Muses 3:14
20 Concerto for Strings in D Major: I. Vivace 5:49
21 Concerto for Strings in D Major: II. Arioso: Andantino 2:57
22 Concerto for Strings in D Major: III. Rondo: Allegro 3:42
Trata-se de verdadeiro crime cultural o fato destes LPs com as Partitas para teclado de Bach, com Tatiana Nikolayeva (1924-1993), serem tão raros que nem se encontram completos em CD na Amazon. São gravações que não ficam nada a dever a qualquer pianista ocidental, tais como Schiff, Gould ou malufista Martins. Talvez ela perca apenas para a inacreditável Angela Hewitt. Resquícios da guerra fria, a qual nos deixou sem o fraseado peculiar desta grande pianista, aliás, a preferida de Shostakovich. Em 1993, ela foi finalmente reconhecida ao vencer o Gramophone Award por sua terceira gravação dos 24 Prelúdios e Fugas de Shosta. Encontrei estas joias convertidas para mp3 — muito bom mesmo, com poucos ruídos — aí pela rede e elas merecem receber tranquilamente o galardão de IM-PER-DÍ-VEIS !!!!.
Side 1
Partita No.1 in B-flat, BWV 825
1. Praeludium
2. Allemande
3. Courante
4. Sarabande
5. Menuet I & II
6. Gigue
Side 2
Partita No.2 in C minor, BWV 826
1. Sinfonia
2. Allemande
3. Courante
4. Sarabande
5. Rondeau
6. Capriccio
Tatiana Nikolayeva, piano
Recorded in 1980
J.S.Bach (1685-1750)
Side 1
Partita No.4 in D, BWV 828
3. Courante
4. Aria
5. Sarabande
6. Menuett
7. Gigue
Side 2
Partita No.5 in G minor, BWV 829
1. Praeambulum
2. Allemande
3. Courante
4. Sarabande
5. Tempo di Minuetto
6. Passepied
7. Gigue
Tatiana Nikolayeva, piano
Recorded in 1980
J.S.Bach (1685-1750)
Side 1
Partita No.6 in E minor, BWV 830
1. Toccata
2. Allemande
3. Courante
4. Air
Side 2
5. Sarabande
6. Tempo di Gavotta
7. Gigue
Tatiana Nikolayeva, piano
Recorded in 1980
J.S.Bach (1685-1750)
Side 1
French Overture (Partita No.7) in B minor BWV 831 <— Sete? Tá bom…
1. Ouverture
2. Courante
3. Gavotte I & II
4. Passepied I & II
Side 2
5. Sarabande
6. Bourree I & II
7. Gigue
8. Echo
Tatiana Nikolayeva, piano
Recorded in 1980
Esse disco é muito original, talvez uma excentricidade. O esplêndido grupo vocal The Hilliard Ensemble junta-se ao não menos esplêndido violinista Christoph Poppen para fazerem um disco que é uma colagem de movimentos de diferentes obras de Bach para violino solo e para coro, separados. Por alguma razão que não pesquei, há uma certa fixação pelo texto medieval Christ lag in Todes Banden (Cristo estava em ânsias de morte), mas que deve dar respaldo ao título do CD. As vozes do Hilliard são lindíssimas — poderia ouvir seus timbres por horas –, Poppen é ótimo, mas não posso declarar amor eterno ao resultado, apenas uma boa amizade. O ponto alto do disco ocorre quando eles decidem pela ousadia das faixas 20 (Den Tod…), 21 (Ciaccona, accompanied by chorale fragments) e 22 (Den Tod…). Nossa, ficou legal pacas, provando que as loucuras e a experimentação valem muito para Bach, o que não chega a ser uma descoberta. Mas por que relacionar a Chacona com a morte? Bem, talvez eu seja um ignorante apenas.
Numa noite fria do século XVIII, Bach escrevia a Chacona da Partita Nº 2 para violino solo. A música partia de sua imaginação (1) para o violino (2), no qual era testada, e daí para o papel (3). Anos depois, foi copiada (4) e publicada (5). Hoje, o violinista lê a Chacona (6) e de seus olhos passa o que está escrito ao violino (9) utilizando para isso seu controverso cérebro (7) e sua instável, ou não, técnica (8). Do violino, a música passa a um engenheiro de som (10) que a grava em um equipamento (11), para só então chegar ao ouvinte (12), que se desmilingúi (?) àquilo.
Na variação entre todas essas passagens e comunicações, está a infindável diversidade das interpretações. Mas ainda faltam elos, como a qualidade do violino – e se seu som for divino ou de lata, e se ele for um instrumento original ou moderno? E o calibre do violinista? E seu senso de estilo e cultura? E o ouvinte? E… as verdadeiras intenções de Bach? Desejava ele que o pequeno violino tomasse as proporções gigantescas e polifônicas do órgão? Mesmo? E quando se coloca um coral em cima?
Que o mundo seja dominado pelas mulheres! A violinista Chiara Zanisi trabalha com os melhores conjuntos de música barroca e antiga, principalmente com a Amsterdam Baroque Orchestra de Ton Koopman, com quem acaba de terminar uma longa turnê tocando os Brandeburgo. Ela agora dedica sua primeira gravação solo às seis sonatas de Johann Sebastian Bach para cravo e violino. Junto com ela está Giulia Nuti, uma das mais brilhantes cravistas da Itália, cujo CD solo Les Sauvages: Harpsichords in pre-Revolutionary Paris (DHM) ganhou um Diapason d’Or, entre outros prêmios. Zanisi e Nuti demonstram a riqueza estilística e de invenção dessas peças, além de deixar intocada a magia de Bach. Uma leitura elegante e quente. O violino de Zanisi é um Gagliano de 1761 e adorei a inclusão do Cantabile, un poco Adagio da versão inicial da Sonata VI. Que o mundo seja dominado pelas mulheres!
Johann Sebastian Bach (1685-1750): Seis Sonatas para Violino e Cravo
Sonata I in B minor BWV 1014
1 Adagio 3:18
2 Allegro 2:55
3 Andante 3:11
4 Allegro 3:19
Sonata II in A major BWV 1015
5 Dolce 2:39
6 Allegro assai 3:05
7 Andante un poco 3:24
8 Presto 4:19
Sonata III in E major BWV 1016
9 Adagio 3:32
10 Allegro 3:01
11 Adagio ma non tanto 4:36
12 Allegro 3:42
Sonata IV in C minor BWV 1017
1 Largo 4:03
2 Allegro 4:18
3 Adagio 2:42
4 Allegro 4:31
Sonata V in F minor BWV 1018
5 [No Title] 5:38
6 Allegro 4:34
7 Adagio 3:04
8 Vivace 2:41
Sonata VI in G major BWV 1019
9 Allegro 3:23
10 Largo 1:42
11 Allegro 4:30
12 Adagio 3:03
13 Allegro 3:18
Sonata VI BWV 1019a
14 Cantabile ma un poco adagio 6:13
Sei, há Beethoven, Mozart, Bruckner, Mahler e Shostakovich, mas, em minha humilde opinião, esta sinfonia é a melhor que conheço. Brahms era visto como o sucessor de Beethoven e estava muito preocupado em ser digno da tradição sinfônica do mestre. Tão preocupado estava que preparou sua primeira sinfonia ao longo de mais de 20 anos. Sua composição iniciou-se em 1854 e sua finalização só ocorreu em 1876.
O maestro Hans von Bülow apelidou-a de “A Décima de Beethoven”, o que é apenas uma frase de efeito. Não pretendo desconsiderar que há uma citação da Nona de Beethoven no último movimento, porém os fatos obrigam-me a encarar isto como uma demonstração de gratidão a seu antecessor, ao qual tanto devia – ou, corrigindo, ao qual tanto devemos… Depois de anos e anos como ouvinte, afirmo tranquilamente que, até mais do Beethoven, o que há aqui é Schumann, principalmente na forma inteligente como foram desenvolvidos os elos entre os movimentos que parecem brotar logicamente um do outro. No mais, a Primeira de Brahms é uma derivação autêntica, exclusiva e original do estilo empregado por Brahms em sua música de câmara. Ademais, Brahms – que estreou sua sinfonia quarenta e nove anos após a morte de Beethoven – aborda o gênero de forma diversa, dando, por exemplo, extremo cuidado à orquestração e chegando a verdadeiros achados no segundo movimento e na introdução ao tema do último tema: aquele esplêndido solo de trompa, seguido da flauta e do arrepiante trio de trombones. Tais cuidados orquestrais evidentemente não revelam um compositor maior que Beethoven, apenas revelam que o tempo tinha passado, que Brahms já tivera contato com as orquestrações de Rimsky-Korsakov, Berlioz, Wagner, Liszt (os dois últimos eram seus inimigos), que Mahler tinha 16 anos de idade e que a Sinfonia Titã estaria pronta dali a 12 anos…
Seria idiotice dizer que tenho certeza de que tudo o que ouço nesta sinfonia está realmente lá? É que em minha opinião, Brahms resolveu apresentar nela todas as suas armas como compositor. A solidez da intrincada estrutura do primeiro movimento (Un poco sostenuto – Allegro) vem diretamente de alguns outros notáveis “primeiros movimentos” de sua música de câmara. Sua complicada estrutura rítmica e aparente rispidez causa certo desconforto a ouvintes mais acostumados a gentilezas. Sua estrutura não é nada beethoveniana, os temas são mostrados logo de cara, sem as lentas introduções de nosso homem de Bonn e nada de motivos curtos e afirmativos. Afinal, estamos ouvindo nosso homem de Hamburgo! Se o primeiro movimento demonstra toda a maestria do compositor ao lidar com diversas vozes e linhas rítmicas, o próximo é um arrebatador andante (Andante sostenuto) que parece pretender mostrar “vejam bem: além daquilo que ouviram, eu também faço melodias sublimes”. A melodia levada pelo primeiro violino ao final do andante é belíssima e inesquecível. O terceiro movimento (Un poco Allegretto e grazioso) nos diz que “além daquilo que ouviram, eu também faço scherzi divertidíssimos, viram?”. Claro que não chegamos à alegria demonstrada nos scherzi de Bruckner, porém, para um sujeito contido como foi Brahms, a terceira parte da sinfonia chega a ser uma galinhagem.
O último movimento é um capítulo à parte. É a música perfeita. Há a já citada introdução de trompas e trombones, mas há principalmente um dos mais belos temas já compostos. Meus livros estão dentro de caixas esperando por uma mudança e não posso conferir o que direi a seguir: no livro Doutor Fausto, de Thomas Mann, o personagem principal Adrian Leverkühn vende sua alma ao demônio em troca da glória e da imortalidade como compositor. Feito o negócio – no mais belo capítulo já escrito: o diálogo entre Adrian e o Demônio, que deverá estar figurando como papel de parede no lavabo de minha nova casa -, Adrian vai compor e… bem, ele acaba escrevendo uma peça muito parecida com o tema a que me refiro e a abandona. Seria este um sinal de Mann, indicando que seu personagem partiria do ponto mais alto existente para a construção de uma obra estupefaciente? Creio que sim, creio que sim. Mas, sabem?, não vou gastar meu latim descrevendo o tema que aparece aos 5 minutos do último movimento da sinfonia para ser transformado e retorcido até seu final.
Afinal, ele está aqui. A sinfonia completa está. Há versões melhores do que esta, mas o registro de Haitink é ótimo. Abbado — com uma abordagem de rispidez muito mais prussiana do que Karajan, em minha opinião por demais respeitoso – , Bernstein — que a aborda com o mais desbragado romantismo — são os campeões, em minha opinião. Os registros de Böhm e de, surpresa!, Riccardo Muti também não são nada desprezíveis.
Não é música para diletantes leigos como eu. Como a ouço há anos, posso avaliar como deve ser difícil equilibrar a rigidez formal e a imaginação melódica de uma sinfonia de orquestração complexa e que – inteiramente dentro da tradição de contrastes das sinfonias – parece pretender abarcar o mundo, mostrando-se ora imponente, ora delicada; ora jocosa, ora séria.
Johannes Brahms (1833-1897): Sinfonia Nº 1 e Abertura Trágica
1. Symphony No. 1 in C minor, Op. 68: I. Un poco sostenuto – Allegro 13:42
2. Symphony No. 1 in C minor, Op. 68: II. Andante sostenuto 8:38
3. Symphony No. 1 in C minor, Op. 68: III. Un poco allegretto e grazioso 4:43
4. Symphony No. 1 in C minor, Op. 68: IV. Adagio – Allegro non troppo ma con brio 17:17
Sofrendo um grave crise de hipocantatemia bachiana, ontem botei este CD para tocar aqui em casa. Olha, que coisa maravilhosa! São cantatas solo e obras esparsas de Bach para soprano. A orquestra de Hogwood está impecável e Kirkby… O que dizer de Dame Emma Kirkby? Ela é perfeita, mas não devo elogiá-la muito porque meu colega FDP Bach morre de ciúmes.
Baita CD. Ouçam imediatamente, tá? Atenção para a primeira ária da Cantata 202. Não parece o lento caminhar de uma noiva? Alíás toda a 202 é fantástica, além do restante.
Johann Sebastian Bach (1685-1750) – The Wedding Cantatas
Cantata BWV 202, “Weichet nur, betrübte Schatten” [19:38]
01 – Arie – Weichet nur, betrübte Schatten
02 – Rezitativ – Die Welt wird wieder neu
03 – Arie – Phoebus eilt mit schnellen Pferden
04 – Rezitativ – Drum sucht auch Armor sein Vergnügen
05 – Arie – Wenn die Frühlingslüfte streichen
06 – Rezitativ – Und dieses ist das Glücke
07 – Arie – Sich üben im Lieben
08 – Rezitativ – So sei das Band der keuschen Liebe
09 – Gavotte – Sehet in Zufriedenheit
Aria “Bist Du bei mir”, BWV 508 (attrib. G.H. Stolzen) [2:21]
10 – Bist Du bei mir (Stolzen)
Ótimo disco antiguinho da Apex. Tanto a Abertura como Quinteto de Prokofiev estão entre suas peças mais inusitadas. A Abertura é muito popular, embora sua simplicidade não soe nada como Prokofiev. E o Quinteto, Op. 39, escrito para um grupo de dança para a improvável combinação de oboé, clarinete, violino, viola e contrabaixo, mostra-nos Prokofiev em seu modo experimental, como na Segunda Sinfonia. Esta peça deixa-o muito próximo do mundo sonoro de Pierrot Lunaire e L’histoire du Soldat, e é possivelmente a peça mais singular em toda a sua produção. Já o Octeto de Hindemith fica dentro do habitual do compositor, o que é muito bom! Mas eu recomendo o disco pelos Prokofiev mesmo!
Prokofiev (1891-1953): Abertura Sobre Temas Hebreus (1919) e Quinteto / Hindemith (1895-1963): Octeto
1 Sergei Prokofiev — Overture On Hebrew Themes, Op. 34 In C Minor — 8:51
Paul Hindemith — Octet
2 – Breit. Mäßig Schnell 8:01
3 – Varianten: Mäßig Bewegt 2:25
4 – Langsam 7:47
5 – Sehr Lebhaft 2:18
6 – Fuge Und Drei Altmodische Tänze: Walzer, Polka, Galopp 5:55
Sergei Prokofiev — Quintet, Op. 39 In G Minor
7 – Moderato 5:45
8 – Andante Energico 3:13
9 – Allegro Sostenuto, Ma Con Brio 2:04
10 – Adagio Pesante 4:12
11 – Allegro Precipitato, Ma Non Troppo Presto 2:46
12 – Andantino 4:16
Florian Heyerick é um regente de coro. Mas que regente, meu povo! Neste CD dedicado à família Scarlatti, temos 6 obras sacras saídas da lavra familiar dos Scarlatti. Alessandro — patriarca deste núcleo siciliano — é o craque da família e não faria feio em time nenhum. Domenico jogaria a segunda divisão com certo garbo. Já Francesco seria reserva no time de Domenico. Porém, mais do que as obras, o que encanta neste CD é a performance do coral e dos solistas vocais. É realmente algo maravilhoso o Ex Tempore de Florian Heyerick.
Alessandro, Francesco e Domenico Scarlatti:
Música Polifônica na Família Scarlatti
Domenico Scarlatti
3 Magnificat Anima Mea: I. Magnificat 4:21
4 Magnificat Anima Mea: II. Fecit Potentiam 1:38
5 Magnificat Anima Mea: III. Esurientes Implevit Bonis 4:27
6 Magnificat Anima Mea: IV. Gloria Patri et Filio 3:12
Francesco Scarlatti
8 Miserere Mei, Deus (Psalm 50): I. Miserere Mei, Deus 3:11
9 Miserere Mei, Deus (Psalm 50): II. Amplius Lava Me 2:39
10 Miserere Mei, Deus (Psalm 50): III. Ecce Enim 2:11
11 Miserere Mei, Deus (Psalm 50): IV. Asperges Me 1:44
12 Miserere Mei, Deus (Psalm 50): V. Cor Mundum 1:34
13 Miserere Mei, Deus (Psalm 50): VI. Ne Proicias Me 1:46
14 Miserere Mei, Deus (Psalm 50): VII. Redde Mihi 1:08
15 Miserere Mei, Deus (Psalm 50): VIII. Docebo Iniquos 3:09
16 Miserere Mei, Deus (Psalm 50): IX. Sacrificium Deo 2:23
17 Miserere Mei, Deus (Psalm 50): X. Benigne Fac Domine 1:21
18 Miserere Mei, Deus (Psalm 50): XI. Tunc Acceptabis 1:16
19 Miserere Mei, Deus (Psalm 50): XII. Gloria Patri 2:37
Domenico Scarlatti
20 Missa Quatuor Vocum (di Madrid): Sanctus – Benedictus 2:31
21 Missa Quatuor Vocum (di Madrid): Agnus Dei 2:31
Nos estertores do vinil, toda uma geração de melômanos teve seus primeiros contatos com a música antiga através da Coleção Reflexe, da EMI. A qualidade das gravações era tão grande que o jovem grupo de artistas responsáveis por elas estão aí até hoje, na música antiga e no barroco. Um deles chamava-se Jordi Savall com seu grupo Hespèrion XX. Este disco é lindo de chorar. (A gravação original em vinil era Quadraphonic, lembram disso?) Pois bem, a voz de Montserrat Figueras e o grupo de Savall jamais consideraram válidas as interpretações mecânicas de alguns equivocados. A coisa é de alta temperatura emocional e bonito, bonito, bonito. A música reflete a profunda influência árabe na península ibérica nos idos de 1200. Acho que você deve ouvir.
Cansós de Trobairitz: Songs of the Women Troubadours c. 1200
1 Vos Que’m Semblatz Dels Corals Amadors
Lyrics By – Condesa De Provenza, Gui De Cavalhon
Music By – Gaucelm Faidit
2 Estat Ai En Greu Cossirier
Lyrics By – Condesa De Dia*
Music By – Raimon De Miraval
3 Na Carenza Al Bel Cors Avinen
Lyrics By – Alais, Na Yselda I Na Carenza*, Carenza, Iselda
Music By – Arnaut De Maruelh
4 Si Us Quer Conselh, Bel’ami’Alamanda
Music By, Lyrics By – Guiraut De Bornelh
5 Ab Joi Et Ab Joven M’apais
Lyrics By – Condesa De Dia*
Music By – Bernart De Ventadorn
6 A Chantar M’er De So Q’ieu No Voldria
Music By, Lyrics By – Condesa De Dia
7 S’anc Fui Belha Ni Prezada
Music By, Lyrics By – Cadenet
A alemã de Munique, violinista e pianista, a verdadeira gênia que é Julia Fischer, dá-nos esta maravilhosa versão dos 24 Caprichos de Paganini, provavelmente sua única obra realmente boa. Fischer tira de letra este repertório criado pelo mais brilhante dos virtuoses. O fascínio que Paganini exercia era de tal ordem que se chegou a suspeitar que tivesse um pacto com o demônio. Imagina isto no início do século XIX… E todos os grandes virtuoses — não apenas do violino, mas do piano romântico — foram estimulados à tentação de rivalizar com ele. Paganini revolucionou a arte de tocar violino. Deixou a sua marca como um dos pilares da moderna técnica do instrumento. O seu Capricho em Lá menor, Op. 1 No. 24 está entre suas composições mais conhecidas e serviu de inspiração para outros proeminentes compositores como Johannes Brahms e Sergei Rachmaninov, que o reutilizaram em importantes obras de variações.
Niccolò Paganini (1782-1840) : 24 Caprichos Op. 1
1 No. 1 In E Major 1:47
2 No. 2 In B Minor 2:50
3 No. 3 In E Minor 3:19
4 No. 4 In C Minor 6:14
5 No. 5 In A Minor 2:46
6 No. 6 In G Minor 5:59
7 No. 7 In A Minor 3:51
8 No. 8 In E Flat 3:01
9 No. 9 In E Major 3:11
10 No. 10 In G Minor 2:17
11 No. 11 In C Major 4:32
12 No. 12 In A Flat 3:18
13 No. 13 In B Flat Major 2:27
14 No. 14 In E Flat 1:18
15 No. 15 In E Minor 2:47
16 No. 16 In G Minor 1:37
17 No. 17 In E Flat Major 3:47
18 No. 18 In C Major 2:33
19 No. 19 In E Flat Major 3:10
20 No. 20 In D Major 3:53
21 No. 21 In A Major 2:59
22 No. 22 In F Major 2:48
23 No. 23 In E Flat Major 4:44
24 No. 24 In A Minor 4:28