Franz Schubert
Impromptus
Krystian Zimerman
Como uma música tão sublime, tão poderosa e obviamente magistral pode passar desapercebida, esquecida ou subestimada?
A música de Schubert é tão pessoal e cheia de sentimentos, com menos demanda técnica do que a maioria dos outros compositores que acaba propondo aos intérpretes dificuldades de outras ordens. Na minha perspectiva, sua música demanda um enorme equilíbrio para evitar a frivolidade, mas também não derrapar na pieguice. No caso dos Impromptus que temos neste álbum, que foram compostos já no fim da vida do compositor, no período em que ele se ocupava do ciclo de Lieder Winterreise, esse equilíbrio é ainda mais necessário, pois estamos num período de transição entre o classicismo e o romantismo.
Há várias gravações destas peças que são standards da discografia de Schubert, como as gravações de Perahia, Brendel (analógica) e Lupu, mas esta gravação de Krystian Zimerman merece ocupar a mesma prateleira. Zimerman é um pianista que frequenta pouco os estúdios de gravação, mas quando o faz nos oferece álbuns para apreciar e se deliciar.
Veja como começa a crítica deste álbum em uma importante revista de música: ‘Os Impromptus representam a música de Schubert por excelência, por que eles falam em um tom de intimidade e são mais adequados às pequenas salas de convivência do que às salas de concertos’. Este aspecto mais introvertido das peças pode dar margem a uma interpretação com melodias açucaradas e olhos lacrimejantes. Não é isto o que temos neste disco. O que temos é uma apresentação de uma música sofisticada, cheia de variedades e muita dinâmica.
Os segundo impromptu do primeiro conjunto é o que eu chamo ‘música líquida’ – um fluxo de sons absolutamente irresistível. Se você não sorrir de puro prazer ao ouvir esta peça, esqueça, música não é para você. Ou pelo menos este tipo de música.
Em várias destas peças, como na primeira delas, você percebe que os pianistas são seres excepcionais – conseguem fazer o que para mim é impossível – duas ou mais coisas ao mesmo tempo. Eu consigo assobiar um recorte da música, acompanhando uma melodia, mas me dou conta que há muitas outras coisas acontecendo independentemente, que eu não consigo assobiar ao mesmo tempo. É, mas eu não sou pianista…
Franz Schubert (1797 – 1828)
Impromptus D. 899 (Op. 90)
- 1 em dó menor
- 2 em mi bemol maior
- 3 em sol bemol maior
- 4 em lá bemol maior
Impromptus D. 935 (Op. 142)
- 1 em fá menor
- 2 em lá bemol maior
- 3 em mi bemol maior
- 4 em fá menor
Krystian Zimerman, piano
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FLAC | 199 MB
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MP3 | 320 KBPS | 150 MB

Impromptu é um gênero que se praticava na época de Schubert e ele teve modelos, especialmente do compositor boêmio Jan Václav Voříšek (alô, Vassily!). De qualquer forma, as oito peças que ele produziu, assim como os Moments Musicaux, são exemplos de peças independentes e muito usadas para completar um recital. Apesar de que, especialmente o segundo conjunto, pode ser visto como uma obra só, uma sonata disfarçada de ‘impromptus’.
Não demore, baixe o disco e deleite-se com estas lindas miniaturas.
Approveite!
René Denon




Daremos um tempo na nossa integral de Lud Van para postarmos… bem, uma integral de Lud Van.









PUBLICADO ORIGINALMENTE EM 29/12/2019, REPOSTADO COM SOM MUITÍSSIMO MELHOR EM 6/3/2020










Não lhes faço mais delongas: apenas completo a série, conforme ontem lhes prometi. Mesmo com a vasta discografia para estes concertos, com solistas e orquestras de todas estirpes, estas gravações de Rubinstein sempre estarão entre as minhas favoritas. Deleitem-se!

















Mais um pacotinho de variações para piano, do mesmo naipe 


O conjunto não existe sem as partes, e as grandes orquestras não existem, por óbvio, sem ótimos músicos. Vários são os exemplos de instrumentistas que marcaram época em seus conjuntos, como o Marcel Tabuteau, o grande solista de oboé da Philadelphia Orchestra sob Stokowski e Ormandy por mais de quarenta anos, e o fenomenal Dennis Brain, trompista da Philharmonia Orchestra, precocemente falecido. Também não é incomum que alguns deles embarquem em carreiras solísticas que nos levem a esquecer de seu passado em orquestras, como fizeram o flautista James Galway e a clarinetista Sabine Meyer, ex-integrantes da Filarmônica de Berlim. Não é raro, também, que haja encontros como o deste disco, em que três grandes músicos da Orchestre de Paris dividem a ribalta com seu então regente, e aqui pianista, Daniel Barenboim.





Essas três pequenas sonatas compostas em Bonn por um Beethoven menino (doze anos!) e dedicadas ao príncipe-eleitor de Colônia (em alemão, Kurfürst) são normalmente ignoradas no cômputo de suas sonatas para piano. Sou da opinião de que elas merecem ser conhecidas, nem que seja para perceber os primeiros lampejos de brilho do garoto que se aventurava ambiciosamente na sonata-forma, e reconhecer as manifestações mais precoces dos cacoetes de Ludwig em sua escrita para o teclado. Jörg Demus – o mais discreto dos integrantes da troika pianística vienense, completada por Friedrich Gulda e Paul Badura-Skoda – traz-nos uma leitura muito bonita, com sua característica precisão elegante, muito embora eu ache que estas sonatinhas exijam o som mais pungente, que eu sei que não é do gosto de todos, do pianoforte. A gravação prossegue com duas sonatinas, a segunda delas completada por Ferdinand Ries (1784-1838), aluno e amigo do compositor, e termina com mais uma fieira de pequenas peças avulsas para piano, incluindo uma écossaise (WoO 23) originalmente escrita para banda marcial, mas que sobrevive tão só num arranjo para piano feito por Carl Czerny (outro pupilo e amigo) e que fica menos estranha aqui que no meio de seus pares, que publicaremos oportunamente.



Quando se trata da Música de Câmera de Beethoven, sempre nos vem à mente os magníficos Quartetos de Cordas, ou as Sonatas para Violino ou então para Violoncelo. Se esquece de outras preciosidades, por algum motivo desconhecido ignorados pelas gravadoras. A não ser que você queira encarar uma Integral de suas obras pela DG, fica difícil o acesso a estas obras.



