Schubert (1797 – 1828): Sonata para Piano em lá maior, D. 959 – 3 Minuetos – Arcadi Volodos ֍

Schubert (1797 – 1828): Sonata para Piano em lá maior, D. 959 – 3 Minuetos – Arcadi Volodos ֍

Schubert

Sonata para Piano No. 20, D. 959

3 Minuetos

Arcadi Volodos

 

Volodos has everything – imagination, passion and a phenomenal technique – to carry out his ideas on the piano. His limitless virtuosity, combined with a unique sense of rhythm, color and poetry, makes Volodos the narrator of intense stories and infinite worlds!

Eu ouço música o tempo todo. Enquanto dirijo, quando vou caminhar, sempre que posso no trabalho. Por conta disso, tenho diversas formas de ouvir música: do sistema principal no escritório, na sala de casa, desde o computador ou usando até um velho DVD Player…

O telefone está sempre recheado de coisas que quero ouvir, uma verdadeira caixa de desejos guardados. Mesmo que fique preso em algum elevador, o tédio não me alcançaria, pelo menos não tão rapidamente. Assim, nas noites insones, você sabe, no lugar de contar carneirinhos, ouço música. Mas, à noite, especialmente mais tarde na noite, as coisas ganham outras dimensões. Por exemplo, nada de espelhos! Borges que o diga.

Pois estava eu noite destas, tentando ouvir algo interessante pelo headphone, quando meu desastrado dedo confundiu o aplicativo e alcançou um arquivo que estava adormecido na pasta com as músicas e ouvi, assim às cegas, o andantino desta gravação da Sonata em lá maior de Schubert. Meu Deus, o que foi isso? Começa assim, agarrando a gente pelos ouvidos e vai nos enredando até a irrupção do episódio central, uma erupção de som. Fiquei mesmerizado e, bom, ouvi tudo de novo, agora desde o enorme começo.

Volodos não é um pianista convencional e seus discos são sempre muito interessantes, mesmo que sejam, digamos assim, bastante impregnados de sua personalidade. Ou seja, nada de apagar os arquivos com outras gravações da Sonata, nem pensar em passar adiante os CDs do Pollini ou Kempff ou Brendel, só para mencionar alguns. Mas esse disco é realmente muito especial e se você ainda não ficou convencido das maravilhas que Schubert nos deixou, tente este aqui. Assim, sem mais delongas, vá em frente!

Franz Schubert (1757 – 1828)

Sonata para Piano No. 20 em lá maior, D. 959

  1. Allegro
  2. Andantino
  3. Allegro Vivace
  4. Allegretto

3 Minuetos

  1. Minueto em lá maior, D 334
  2. Minueto em mi maior, D 335
  3. Minueto dó sustenido menor, D 600 com Trio em mi maior, D 610

Arcadi Volodos, piano

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MP3 | 320 KBPS | 128 MB

Every time Arcadi Volodos brings out a new record we are in for a treat. This time he tackles Schubert’s sonata D959, a piece he has been perfecting for years and it shows. The playing is wonderfully intimate, the recording quality superb. The second movement (andante) might be one of the best interpretations I have ever heard. The three minuets (D334, D335 D600) are true gems. The only criticism I have is the short duration. Less than an hour but apart from that 5 stars. [Philip Blackmarr]

Volodos, with his devotion to the work and the subtlety of his phrasing, turns my favorite late Schubert sonata into a magical musical experience, eclipsing even Krystian Zimerman’s wonderful recording.

I wouldn’t go that far, but he may have a point!

Aproveite!

René Denon

Robert Schumann (1810 – 1856), Clara Schumann (1819 – 1896), Johannes Brahms (1833 – 1897): Peças para Piano – Benjamin Grosvenor ֎

Schumann & Brahms

Kreisleriana, Op. 16

Variações, Op. 20

Intermezzi, Op. 117

Outras Peças

Benjamin Grosvenor

 

É interessante poder acompanhar o desenvolvimento de um artista, como é o caso do pianista Benjamin Grosvenor, mesmo que seja sob a perspectiva de seus discos.

Ele sempre fica assim quando isso é mencionado…

Nascido em 1992, foi o mais jovem pianista britânico a assinar contrato com o selo DECCA em 2011. Fazia quase 60 anos que o selo não contratava qualquer pianista britânico.

Já postei dois álbuns dele aqui no blog – o primeiro a ser lançado pela DECCA, no qual ele exibe um repertório de pérolas para o piano, compostas por campeões do teclado: Chopin, Liszt e Ravel. O outro, um álbum temático, Dances, onde o pianista nos brinda com uma coleção de peças de vários compositores inspirados por diferentes tipos de danças.

No álbum desta postagem, lançado há bem pouco tempo, temos uma coleção de peças de três compositores que foram muito, muito próximos. Robert e Clara Schumann, que acolheram o jovem Brahms no início de sua carreira como compositor. Havia muita afinidade musical entre eles, assim como grande admiração pelos seus talentos musicais. Com o agravamento das condições de saúde de Robert, Johannes e Clara conviveram com muita proximidade. Certamente havia amor além de amizade entre eles, mas essa relação não foi avante, após a morte de Robert.

Além da admiração de cada um deles pela obra dos outros, a atuação de Clara, que era uma renomada pianista, na divulgação da obra de ambos, foi importante para a divulgação de suas composições. Ela fez muito para estabelecer o reconhecimento das obras de seus dois compositores preferidos.

No programa, obras de Robert Schumann ocupam o maior espaço, começando com uma primorosa interpretação da coleção de peças inspiradas pela novela de E.T.A. Hoffmann, que tem por personagem um violinista maníaco-depressivo chamado Kreisler. Essa obra é bem típica de Schumann, com contrastes entre o impulsivo Florestan e o sonhador Eusebius.

Mais algumas peças de Robert, entre elas um movimento da Sonata No. 3 para piano, umas quasi variazoni, provavelmente para fazer eco às Variações sobre um tema de Robert Schumann, compostas por Clara, que além de pianista foi ótima compositora. Provavelmente sua obra não é maior devido à sua atividade como intérprete, sem esquecer seu casamento com Robert, com oito filhos (!?!), dos quais quatro sobreviveram a ela.

Nos últimos 15 minutos do disco, 3 Intermezzi da coleção de peças publicadas como o Opus 117, já bem no fim da vida de Johannes Brahms, quase quarenta anos após a morte de Robert.

Robert Schumann (1810 – 1856)

[1-8] – Kreisleriana, Op. 16

[9] – Romance em fá sustenido maior, Op. 28 No. 2

[10] – Blumenstück, Op. 19

[11-15] – Piano Sonata No. 3 in F minor, Op. 14: Quasi variazoni

[16] – Abendlied (arr. Grosvenor)

Clara Schumann (1819 – 1896)

[17-24] – Variações sobre um tema de Robert Schumann, Op. 20

Johannes Brahms (1833 – 1897)

[25-27] – Intermezzi (3), Op. 117

Bejamin Grosvenor, piano

Data da gravação: 24/04/2022

Local da gravação: Potton Hall, Suffolk

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FLAC | 249 MB

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MP3 | 320 KBPS | 201 MB

Trecho final da resenha sobre o disco na Gramophone: The engineering brings out all the colour and nuance of the playing. All in all, this is an album that reaffirms Grosvenor’s status as one of the most accomplished pianists around.

Benjamin Grosvenor impressionado com a última aquisição para a coleção de grand pianos para o acervo do PQP Bach…

Outras gravações de Kreisleriana, de Robert Schumann, podem ser encontradas nas postagens indicadas:

Schumann (1810-1856): Peças para Piano – Radu Lupu

R. Schumann (1810–1856): Kreisleriana ; F. Chopin (1810-1849): 2 Noturnos, Scherzo nº 3, Fantasia (Linda Bustani)

Robert Schumann (1810-1856): Einsam – Peças para Piano – Nino Gvetadze ֎

Aproveite!

René Denon

DESAFIO PQP Bach! –> Bruckner (1824 – 1896): Sinfonia No. 8 em dó menor ֍

DESAFIO PQP Bach!   –>  Bruckner (1824  –  1896):   Sinfonia No. 8 em dó menor ֍

 

Desafio PQP Bach!

Bruckner

Sinfonia No. 8

Desafio Revelado:

Sinfonia No. 8

Versão 1890

Bruckner Orchester Linz

Markus Poschner

 

Ouvir Bruckner nos dias de hoje parece ser um contrassenso – suas sinfonias são imensas, se pensarmos que as canções que tocam nos rádios ou nas plataformas de streaming duram de 2 a 3 minutos e um movimento de uma de suas sinfonias pode bem passar de vinte minutos. Apesar de que Anton também está presente nas plataformas de streaming.

O crítico Eduard Hanslick, que detestava a música de Bruckner, chamou sua Sétima Sinfonia de ‘Symphonic boa constrictor’ ou ‘jibóia sinfônica’. E olhe que a Sétima é uma das poderosas e mais tocadas das suas sinfonias.

Eu, no entanto, faço parte da ‘pequena multidão’ que gosta da música de Bruckner e ouço as suas sinfonias (esta mais do que aquela, mas ouço) com razoável assiduidade.

A Oitava de Bruckner tem um lugar bem especial no Panteão das Sinfonias – quatro enormes movimentos que demandam da orquestra, do regente e dos ouvintes, máximo de concentração, dedicação e energia.

Todos nós nessa ‘pequena multidão’ de Bruckner-maníacos temos nossas escolhas especiais de gravações ou de intérpretes e as discussões sobre este ou aquele detalhe podem ser tão longas quanto a própria música. Mas, o que importa é o prazer de ouvir a música em uma boa interpretação.

Gostei muito dessa gravação e decidi apresenta-la na seção Desafio PQP Bach. Para quem ainda não conhece a coluna, a música é apresentada de maneira anônima para que vocês tirem suas conclusões apenas pelo que está gravado, isento de nomes e preconcepções. Se você reconhecer a orquestra e o regente, escreva e leve a glória de ter vencido um Desafio PQP Bach, além do direito a inúmeros free-downloads e da famosa cocada virtual!

Ao vencedor, a cocada!

É claro que as identidades dos músicos serão eventualmente reveladas para que recebam os aplausos e/ou apupos, conforme vocês decidam!

Anton Bruckner (1824 – 1896)

Sinfonia No. 8 em dó menor

  1. Allegro moderato
  2. Allegro moderato
  3. Adagio: Feierlich langsam; doch nicht schleppend
  4. Finale: Feierlich, nicht schnell

Orquestra: Bruckner Orchester Linz

Regente: Markus Poschner

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FLAC | 305 MB

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MP3 | 320 KBPS | 215 MB

Ouvir uma inteira sinfonia de Bruckner nos dias de hoje já é, por si só, um desafio!

Assim que soube desta edição do Desafio PQP Bach, Anton quis logo pagar uma rodada de cerveja para a nossa turma!

Participe e aproveite!

René Denon

PS: O regente Markus Poschner vem dirigindo a Bruckner Orchester Linz na gravação das diversas versões existentes das Sinfonias de Bruckner. Essa é a segunda versão gravada da Sinfonia No. 8. O Projeto deve estar completo para 2024, comemorando os 200 anos de nascimento de Anton. Eu não ouvi todas as gravações, mas gostei muito desta. O visitante Michel Faivre acertou logo (pode ser, ele disse…) e merece nossa cocada virtual… tenho certeza que ele é um grande apreciador da obra de Bruckner. Fiquei também bastante feliz com as outras tentativas (Boulez foi uma opção mencionada) e também por saber que essas postagens de desafio despertam a curiosidade de alguns dos visitantes do blog. Agora, ao vencedor, a cocada…

Bruckner (1824 – 1896): Missa Solemnis em si bemol maior (1854) – RIAS Kammerchor – Akademie für Alte Musik Berlin – Łukasz Borowicz ֎

Bruckner (1824 – 1896): Missa Solemnis em si bemol maior (1854) – RIAS Kammerchor – Akademie für Alte Musik Berlin – Łukasz Borowicz ֎

Bruckner

Missa Solemnis, WAB 29 (1854)

RIAS Kammerchor

AAM Berlin

Łukasz Borowicz

Eu adoro as sinfonias de Bruckner, especialmente a Quarta e a Sétima, com a Oitava e a Nona bem juntinhas… Já as missas e outras obras (corais) eu virtualmente desconheço. Sei da famosa gravação de um conjunto de missas feito por Eugen Jochum, mas realmente nunca cheguei a ouvir. Talvez por ouvir música coral de períodos anteriores a Bruckner e preferir a abordagem mais ‘autêntica’, digamos assim, tenha deixado essas peças para outras ocasiões.

Łukasz Borowicz concentrado no ensaio com a PQP Bach Orchestra & Choir

Logo que vi este disco imaginei que uma dessas tais ocasiões havia chegado. Pois gostei muito de tudo e decidi postá-lo. A orquestra e coro são muito bem conhecidos e o maestro Łukasz Borowicz já apareceu aqui pelo PQP Bach em outras ocasiões, sempre tocando um repertório bem longe do convencional. Um disco com concertos para violino de Grażyna Bacewicz, postado pelo próprio PQP Bach, e um disco com um concerto para piano de Scharwenka, postado pelo saudoso amigo Ammiratore, cujo link se encontrava quebrado e agora está funcional.

É fácil, pelo menos no meu caso, associar à música de Bruckner uma certa grandiosidade, paisagens sonoras imensas, mas essa Missa (Solemnis) foi composta quando ele ainda estava em Linz, pois só viria a mudar-se para Viena em 1864 e suas sinfonias mais conhecidas (da Terceira em diante) ainda estavam por vir. É por isso que a gravação feita com uma orquestra de proporções menores e com práticas e instrumentos de época é tão apropriada.

Na verdade, o livreto nos informa que a gravação busca reconstruir a sequência musical da ocasião festiva na qual a missa foi apresentada pela primeira vez, mas os registros da ocasião não têm os detalhes suficientes. No entanto, as informações do que foi executado em Saint-Florian em 14 de setembro de 1854 permitem fazer a reconstrução que é apresentada neste álbum. Além dos trechos da Missa Solemnis composta por Bruckner, há inserções de pequenos trechos de outros autores, segundo está indicado no rol das faixas do álbum.

Anton Bruckner (1828 – 1896)

Missa solemnis in B-Flat Minor, WAB 29  (1854)

  1. Kyrie
  2. Gloria. Gloria in excelsis Deo
  3. Gloria. Qui tollis peccata mundi
  4. Gloria. Quoniam tu solus sanctus
  5. Gloria. In gloria Dei Patris

Robert Führer (1807 – 1861)

  1. Christus factus est – Graduale em fá menor (1830)

Anton Bruckner

Missa solemnis in B-Flat Minor, WAB 29

  1. Credo. Credo in unum Deum
  2. Credo. Et incarnatus est
  3. Credo. Crucifixus etiam pro nobis
  4. Credo. Et resurrexit tertia die
  5. Credo. Et vitam venturi saeculi

Joseph Eybler (1765 – 1846)

  1. Magna et mirabilia, HV 108 – Offertorium em si bemol maior (1828)

Anton Bruckner

Missa solemnis in B-Flat Minor, WAB 29

  1. Sanctus. Sanctus Dominus Deus Sabaoth
  2. Sanctus. Benedictus
  3. Agnus Dei. Agnus Dei
  4. Agnus Dei. Dona nobis pacem

Johann Baptist Gänsbacher (1778 – 1844)

Te Deum, Op. 45 (1844)

  1. Te Deum laudamus
  2. Te ergo quaesumus
  3. Per singulos dies

Anton Bruckner

  1. Tantum ergo, WAB 44 (reconstructed by B.-G. Cohrs) (1852)
  2. Magnificat, WAB 24 (reconstructed by B.-G. Cohrs) (1852)

Johanna Winkel (soprano)

Sophie Harmsen (mezzo-soprano)

Sebastian Kohlhepp (tenor)

Ludwig Mittelhammer (baritone)

RIAS Kammerchor

Akademie für Alte Musik Berlin

Łukasz Borowicz

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MP3 | 320 KBPS | 169 MB

Akademie für Alt Musik Berlin

Seção ‘The book is on the table’: Anyone familiar with Bruckner, his symphonic architectures reaching for the stars as well as his later Missas from the 1860s, may well be amazed at how deep his Missa Solemnis is still rooted in the solid tradition of Viennese Classicism. In this recording, this rarely heard and recently re-edited and newly published gem is put into the context of the inauguration service of collegiate provost Friedrich Mayr on 14 September 1854 in St. Florian, for which it was written. It is interspersed with the original Proper settings by Robert Führer, Joseph Eybler, and Johann Baptist Gänsbacher.

Łukasz Borowicz

Qualquer pessoa familiarizada com Bruckner, suas arquiteturas sinfônicas alcançando as estrelas, bem como suas Missas posteriores da década de 1860, pode muito bem se surpreender com o quão profundamente sua Missa Solemnis está enraizada na sólida tradição do classicismo vienense. Nesta gravação, esta joia raramente ouvida e recentemente reeditada e publicada é colocada no contexto do serviço de posse do reitor colegiado Friedrich Mayr em 14 de setembro de 1854 em St. Florian, para o qual foi escrita. É intercalado com as configurações originais do Proper de Robert Führer, Joseph Eybler e Johann Baptist Gänsbacher.

RIAS Kammerchor
Anton Bruckner enquanto jovem…

Aproveite!

René Denon

Rachmaninov (1873 – 1943): Études-Tableaux – Nikolai Lugansky, piano ֍

Rachmaninov (1873 – 1943): Études-Tableaux – Nikolai Lugansky, piano ֍

Rachmaninov

Études-Tableaux

Nikolai Lugansky

[2023]

 

Homenagem pelos 150 anos de nascimento de Rachmaninov

Enormous hands

The composer had possibly the largest hands in classical music, which is why some of his pieces are fiendishly difficult for less well-endowed performers. He could span 12 piano keys from the tip of his little finger to the tip of his thumb.

Essa condição de compositor e pianista resultou em muitas obras com piano – quatro concertos, a Rapsódia sobre um tema de Paganini e inúmeras obras para piano solo. Entre estas, várias coleções de peças curtas, como estudos e prelúdios. Aliás, o Prelúdio em dó sustenido menor, Op. 3, 2 foi um dos primeiros grandes sucessos de Rachmaninov.

Nesta postagem comemorativa temos uma gravação recente dos Études-Tableaux (reunidos em duas coleções: Op. 33 e Op. 39). São estudos, mas cada um alude a alguma imagem, cada um tem uma inspiração visual, porém não explicita. Algumas pistas, no entanto, foram deixadas quando Serge Koussevitzky pediu que Rachmaninov selecionasse algumas dessas peças para serem orquestradas por Ottorini Respighi. As peças orquestradas seriam publicadas por Koussevitzky que as estrearia regendo a Boston Symphony Orchestra. Rachmaninov escolheu cinco dos estudos e Respighi os orquestrou, rearranjando a ordem e seguindo fielmente as intenções de Rachmaninov, inclusive mantendo os nomes.

São eles: La foire (A feira), Op. 39 6(7); La mer et les mouettes (O mar e as gaivotas), Op. 39, 2; La chaperon rouge et le loup (Chapeuzinho vermelho e o lobo), Op. 39, 6; Marche funèbre, Op. 39, 7; Marche, Op. 39, 9.

Sergei Rachmaninov (1873 – 1943)

Études-Tableaux, Op. 33

  1. No. 1 in F Minor (Allegro non troppo)
  2. No. 2 in C Major (Allegro)
  3. No. 3 in C Minor (Grave)
  4. No. 4 in D Minor (Moderato)
  5. No. 5 in E-Flat Minor (Non allegro – Presto)
  6. No. 6 in E-Flat Major (Allegro con fuoco)
  7. No. 7 in G Minor (Moderato)
  8. No. 8 in C-Sharp Minor (Grave)

Etudes-Tableaux, Op. 39

  1. No. 1 in C Minor (Allegro agitato)
  2. No. 2 in A Minor (Lento assai)
  3. No. 3 in F-Sharp Minor (Allegro molto)
  4. No. 4 in B Minor (Allegro assai)
  5. No. 5 in E-Flat Minor (Appassionato)
  6. No. 6 in A Minor (Allegro)
  7. No. 7 in C Minor (Lento lugubre)
  8. No. 8 in D Minor (Allegro moderato)
  9. No. 9 in D Major (Allegro moderato. Tempo di marcia)

3 Pieces

  1. No. 1, Fragments
  2. No. 2, Oriental Sketch
  3. No. 3, Prelude in D Minor

Nikolai Lugansky (piano)

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FLAC | 199 MB

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MP3 | 320 KBPS | 170 MB

Nikolai pronto para autografar seu disco

A crítica ao disco feita pela Gramophone observa que essas coleções não foram criadas para serem tocadas como um ciclo e menciona excelentes interpretações de algumas dessas peças dispersas em recitais por grandes pianistas, como Sviatoslav Richter e Mikhail Pletnev entre tantos. No entanto, tê-los reunidos em uma só gravação por um expoente virtuoso como Nikolai Lugansky (esta é a segunda gravação dele destas peças) tem suas vantagens.

Aproveite!

René Denon

Bach (1685 – 1750): Matthäus Passion – Ensemble Pygmalion & Raphaël Pichon ֎

Bach (1685 – 1750): Matthäus Passion – Ensemble Pygmalion & Raphaël Pichon ֎

BACH

Paixão Segundo Mateus

Julian Prégardien

Matrîse de Radio France

Ensemble Pygmalion

Raphaël Pichon – Regente

 

Soli Deo Glori – era isso o que Bach escrevia ao fim de cada uma de suas partituras, fosse a música sacra ou não. Fé e religiosidade permeia toda a sua obra e isso transparece para nós todos, mesmo aqueles entre nós que não professam alguma tipo de crença.

Nesses dias que antecedem a Semana Santa temos uma oportunidade de experimentar algum tipo de exercício de espiritualidade, de nos aproximarmos um pouco deste lado mais misterioso da vida, pois que nem só de pão vive o homem.

Julian Prégardien, o evangelista

Eu gosto desse período e faço isso de algumas formas e ouvir esse tipo de música me leva a isso, a acreditar que podemos ainda nos elevar. Este ano estou um pouco mais animado e sinto tanto no trabalho como em minhas outras realizações algumas boas razões para agradecer ao Bom Deus, mesmo que sempre haja pelo que implorar.

O mistério da Paixão de Cristo é grande, mas a música de Bach nos ajuda a alguns vislumbres. A mensagem hoje é de esperança, pois que depois do sacrifício há a ressurreição. Ainda mais sendo a música assim tão boa, como a da gravação.

O grupo francês Pygmalion e seu jovem regente Raphaël Pichon tem mostrado como ainda há o que dizer sobre estas obras usando o estilo de instrumentos e práticas de época, como mostram seus inúmeros prêmios e excelentes críticas. Tudo é excelente, como no caso de Evangelista Julian Prégardien, filho de outro Prégardien, que cantou em tantas outras memoráveis gravações. Sinal de renovação e que você também tenha a oportunidade de ouvir tantas belezas e refletir sobre o que é menos óbvio na vida.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Paixão Segundo Mateus

Julian Prégardien, Evangelista

Stéphane Degout, baixo (Jesus)

Sabine Devieilhe, soprano

Lucile Richardot, contralto

Reinoud Van Mechelen, tenor

Hana Blažiková, soprano

Maîtrise de Radio France

Ensemble Pygmalion

Raphaël Pichon

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FLAC | 748 MB

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MP3 | 320 KBPS | 413 MB

Raphaël Pichon

The breath of the spiritʼ Bach and Pygmalion: the story of a passion, linking the genius of the Thomaskantor to a reflection on inner drama and constantly renewed vocality. This Matthäus Passion marks a major stage in this fifteen-year companionship and testifies to the culmination of their work on Bach, characterised by its precision and humility. Read through the prism of a tragedy in five acts, at once intimate and theatrical, human and metaphysical, the Passion is revealed here in a new light: as a deeply moving and universal epic. Harmonia Mundi

With its glowing inner vitality and penetrating observations, this is a Passion that makes a very definite statement about what this work can communicate in our times. Gramophone, abril de 2022

Traduzi um pedaço de uma resposta dada por Raphaël Pichon em uma entrevista que consta no libreto: A história da Paixão de Cristo se apresenta até hoje como um drama vivo e um dilema moral de relevância universal, no qual — qualquer que seja nossa espiritualidade ou cultura — todos nós somos confrontados com a nossa própria mortalidade, nossa própria busca por respostas. Todos nós compartilhamos sua humanidade. A imensa genialidade de Bach foi sair completamente da liturgia formal, colocando-nos bem dentro do drama: nos tornamos atores, fazemos parte da ação, a sentimos tanto em nossa sensibilidade quanto fisicamente.  Nós atravessamos um drama que é acima de tudo humano: injustiça, traição, amor, sacrifício, perdão, remorso, compaixão, pena… De maneira sem precedentes, Bach comunica e nos faz sentir a fragilidade e as falhas da humanidade e descreve um mundo cheio de erros, onde amor e fé são as únicas respostas. Na busca de desafiar e consolar a consciência humana, ele nos oferece um genuíno ‘bálsamo para a alma”, unversal e atemporal.

Reflita e aproveite!
René Denon

Carlo Crivelli (c. 1487)

Rachmaninov (1873 – 1943): Peças para Piano – Andrei Gavrilov, piano ֎

Rachmaninov (1873 – 1943): Peças para Piano – Andrei Gavrilov, piano ֎

Rachmaninov

Peças para Piano

Ravel

Gaspard de la nuit

Andrei Gavrilov

 

Sergei Rachmaninov (1873 – 1943)

150 anos de nascimento

Este ano de 2023 é particularmente pródigo em efemérides para o compositor, pianista e regente Sergei Rachmaninov. Em 28 de março são 80 anos desde a sua morte, em 1943. Em 1º. de abril são 150 anos desde o seu nascimento, em 1873.

Eu prefiro celebrar o nascimento de Sergei Rachmaninov fazendo algumas postagens de suas músicas com os intérpretes que eu gosto de ouvir. Começaremos com uma coleção de peças curtas – prelúdios, estudos, coisas assim. Para apresentar essas maravilhas da literatura para piano, escolhi um intérprete espetacular.

Capa do lp com o Gaspard de la nuit

Quais são os critérios para reconhecer um grande artista, digamos, um grande pianista? Precocidade? Demonstrar habilidades desde a mais tenra infância? Bem, Andrei Gavrilov começou a estudar piano com sua mãe (dele, lá) aos dois anos (!?!!).

Ser aceito nas instituições reconhecidas? Pois Gavrilov foi aceito na Escola Central de Música de Moscou aos 6 anos e posteriormente completou seus estudos no Conservatório de Moscou.

Ganhar prêmios importantes? Veja que ele ganhou o Concurso Internacional de Piano Tchaikovsky aos 18 anos! Foi aclamado neste mesmo ano no Festival de Salzburgo, substituindo ninguém menos do que Sviatoslav Richter.

Ter o reconhecimento de seus pares? O enorme, imenso Sviatoslav Richter foi um destes. As gravações das Suítes de Handel feitas por eles – alternadamente – são famosíssimas.

Andrei Gavrilov

Sim, Andrei Gavrilov é um pianista espetacular, mas também um bocado de drama e suspense fazem parte. Em 1979 ele era esperado para gravações em Berlim com o kaiser Karajan, mas não apareceu nem para os ensaios. De volta em Moscou caíra em desgraça, tivera o passaporte cancelado e estava praticamente em prisão domiciliar com agentes vigiando as portas. Essa situação perdurou até 1984, quando a intervenção de Mikhail Gorbachev ocorreu. Finalmente Gavrilov poderia se mover pelo mundo gravando e dando concertos. Gravou ótimos discos para a EMI e, posteriormente, também para o selo amarelo.

Lamentavelmente, em 1993 ele interrompeu sua carreira de apresentações e gravações. Assim como ocorre eventualmente com alguns artistas, a intensidade das atividades pesou demasiadamente. Este disco (a parte do Rachmaninov) foi gravado pela EMI em Moscou, em associação com a gravadora russa Melodia e foi lançado em 1984. As faixas bônus (o adendo Gaspard de la nuit, de Ravel) fez parte originalmente de um álbum de 1978.

Sergei Rachmaninov (1873 – 1943)

  1. Prelúdio em si bemol maior, Op. 23, 2
  2. Prelúdio em fá sustenido menor, Op. 23, 1
  3. Étude-tableau em fá sustenido menor, Op. 39, 3
  4. Prelúdio em mi bemol maior, Op. 23, 6
  5. Prelúdio em sol sustenido menor, Op. 32, 12
  6. Prelúdio em sol menor, Op. 23, 5
  7. Élégie em mi bemol menor, Op. 3, 1
  8. Moment musical em si menor, Op. 16, 3
  9. Moment musical em mi menor, Op. 16, 4
  10. Moment musical em ré bemol maior, Op. 16, 5
  11. Moment musical em dó maior, Op. 16, 6
  12. Étude-tableau, Op. 39, 5

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Gaspard de la nuit
  1. Ondine. Lent
  2. Le Gibet. Très lent
  3. Scarbo. Modéré

Andrei Gavrilov, piano

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FLAC | 239 MB

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MP3 | 320 KBPS | 163 MB

O sorriso de Sergei

Apesar de seu enorme sucesso, inclusive financeiro, Rachmaninov raramente sorria ao ser fotografado. Muito alto e sempre sisudo, foi certa vez chamado por Stravinsky de ‘dois metros de melancolia russa’ ou algo assim. Sempre se perde um pouco na tradução, vocês sabem…

Apesar disso, ele morava em uma mansão em Beverly Hills e era apaixonado por carros e barcos de corrida. Foi o primeiro do bairro a comprar um automóvel.

Aproveite!

René Denon

 

Mozart (1756 – 1791): Concertos para Piano Nos. 21 e 24 – Robert Levin, piano – Academy of Ancient Music & Richard Egarr ֎

Mozart (1756 – 1791): Concertos para Piano Nos. 21 e 24 – Robert Levin, piano – Academy of Ancient Music & Richard Egarr ֎

MOZART

Concertos para Piano Nos. 21 & 24

Robert Levin, piano

Academy of Ancient Music

Richard Egarr

 

SEN-SA-CIO-NAL

Eu ouço Concertos para Piano de Mozart desde sempre, desde o século passado. Comecei com o disco de Maurizio Pollini e depois o de Emil Gilels, ambos acompanhados pela imensa Wiener Plhilharmoniker, regida por Böhm. Depois desses vieram os discos da série do Murray Perahia, especialmente o disco com os Concertos Nos. 19 e 23, que repete o repertório do disco de Maurizio Pollini. Há uma notável gravação dos Concertos Nos. 21 e 25, com o espetacular pianista Stephen (Bishop) Kovacevich, acompanhado pela London Symphony Orchestra regida por Colin Davis. E tantos outros que é impossível mencionar nem a terça parte: Uchida/Tate, Brendel/Marriner, Brendel/Mackerras…

Nestas páginas tenho postado várias gravações, incluindo a integral gravada pela Naxos com o incansável Jenö Jandó, cuja coleção mantenho sempre bem à mão.

Richard Egarr

Confesso ter tido algumas dificuldades com as gravações HIP desses maravilhosos concertos. A gravação pioneira feita por Malcolm Bilson, The English Baroque Soists e John Eliot Gardiner tem capas encantadoras e o início dos concertos revela todos os aspectos que eu considero positivos do movimento dos instrumentos de época, transparência na textura orquestral, maior presença e clareza do som dos instrumentos de sopros, andamentos a tempo justo. Mas, quando aparece o piano, meu coração fica frio. Algo parecido ocorre com as gravações de Melvyn Tan, acompanhado pelo London Classical Players regido por Roger Norrington. A série feita por Jos van Immerseel com a orquestra Anima Eterna renovou minhas esperanças, mas eu continuava relutante, inclusive com as gravações feitas pelo pianista e eminente musicólogo Robert Levin, acompanhados pela Academy of Ancient Music regida então pelo seu titular Christopher Hogwood.

Robert Levin falando com o pessoal do PQP Bach sobre seu projeto

Assim, quando me deparei com esse disco, gravado pelo (quase) mesmo time, perto de vinte anos após a última seção, senti um misto de esperança e resignação. O regente agora é Richard Egarr, no lugar do (late) Hogwood.

Mudaram os músicos no seu literal ímpeto devotado aos costumes de época? Mudaram os engenheiros de som, recolocando o piano na paisagem sonora gravada? Mudei eu mesmo? Provavelmente sim em todas as instâncias!

Eu achei o disco espetacular! Há muito não ouvia um disco com tanto prazer, que não parei mais. Na ida ao tênis, ao acordar, antes de dormir. Tudo isso ocorrendo segundo o relatado, não hesito em tascá-lo aqui. Vejam vocês, as suas impressões, e depois me digam…

Ah, tão enlevado fiquei que me esqueci de mencionar. Dois concertos de peso – aquele que chamávamos ‘Elvira Madigan’ e aquele outro, que o Ludovico amava. Dois adágios que qualquer compositor daria um braço e uma perna para tê-los composto…

Richard Egarr permite uma flexibilidade aos músicos da AAM, dando tempo para que respirem. Robert Levin usa sua autoridade de musicólogo com leveza para ornamentar o solo, dando um que de inovação aos tão famosos concertos e reforçando o tuti, quando não está solando. Maravilha!

AAM adorando conhecer o Jardim de Inverno da sede do PQP Bach co-op em Alegrete

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Concerto para Piano No. 21 em dó maior, K467 ‘Elvira Madigan’

  1. Allegro maestoso
  2. Andante
  3. Allegro vivace assai

Concerto para Piano No. 24 em dó menor, K491

  1. Allegro
  2. Larghetto
  3. Allegretto

Robert Levin, fortepiano

Academy of Ancient Music

Richard Egarr

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Richard visitando a coleção de cravos do PQP Bach…

Seção ‘The Book is on the Table’:

Retrato do artista quando (mais) jovem…

“Academy of Ancient Music (AAM) resumes a celebrated project to record Mozart’s complete Piano Concertos, with this ninth volume released after an extraordinary 20-year wait. Together with renowned scholar-pianist Robert Levin, AAM presents Mozart’s Piano Concertos No. 21 in C Major K467, perhaps one of Mozart’s most well-known Piano Concertos and featured in films The Spy Who Loved Me and Elvira Madigan, and No. 24 in C Minor K491, described by Mozart scholar Alexander Hyatt King as ‘not only the most sublime of the whole series but also one of the greatest pianoforte concertos ever composed’.

This release marks the renewal of a landmark project begun in 1993 on the Decca label to record Mozart’s entire works for keyboard. It will be followed by the four final albums of the series later in 2023 and 2024.”

Não deixe de visitar essa postagem, se tiver tempo…

Mozart (1756-1791): Concertos para Piano Nos. 21 e 24 – Jean-Claude Pennetier – Orchestre Philharmonique de Radio France – Christoph Poppen

Domenico Scarlatti (1685-1757): 17 Sonatas – Wolfram Schmitt-Leonardy, piano ֍

Domenico Scarlatti (1685-1757): 17 Sonatas – Wolfram Schmitt-Leonardy, piano ֍

Domenico Scarlatti

Sonatas

Wolfram Schmitt-Leonardy

 

Como uma personagem de Virginia Wolf, Domenico Scarlatii viveu duas vidas em uma. Até seus quase quarenta anos seguiu o modelo e imposições de seu pai, Alessandro Scarlatti, compositor de óperas napolitano. A música que produziu nesta vida – essencialmente óperas e música litúrgica sacra, não é má (há um disco de John Eliot Gardiner regendo o famoso Monteverdi Choir no qual você pode ouvir um Stabat Mater), mas não chega levantar a plateia. A morte de um Scarlatti permitiu o nascimento (ou o renascimento) do outro. Domenico, ou Domingo, como viria a ser conhecido em sua nova vida, deixou seu cargo como Diretor Musical da Basílica de São Pedro, onde trabalhava para o Cardeal Ottoboni e também servia a Rainha da Suécia, e rumou para o Oeste!

Maria Bárbara, Princesa de Portugal, Rainha de Espanha

Podemos mudar de vida, mas certos hábitos são do tipo ‘die hard’. Domingo Scarlatti foi servir a Casa Real de Portugal e ficou encarregado de dar lições de cravo para a Princesa Maria Bárbara de Bragança. A garota era longe de ser bonita e seria feia caso não fosse princesa, mas era ótima aluna e se tornou Rainha da Espanha. Tudo isso para nossa (e de Domenico) sorte. Pois que o marido dela, Fernando, também apreciava a música.

Como parte da entourage do casal real, Scarlatti teve sua subsistência para lá de garantida – morou em linda casa em Madri e a rainha também lhe socorria quando havia problemas devido aos pecadilhos dos jogos. Ele chegou mesmo a ser Cavaleiro da Ordem de Santiago, que lhe garantia o direito de usar roupas de veludo e seda, assim como anéis, colares e até mesmo um chapéu também de veludo.

Dom Domingo

Este luxo todo foi recompensa pela criatividade que desabrochou neste novo Scarlatti e o fez produzir mais de 500 sonatas – uma novidade após a outra. Incrementadas por sabores e sons de Espanha, elas deram ar da graça em 1738, quando trinta delas foram publicadas e depois republicadas em Londres, com mais doze acrescentadas ao lote.

Schmitt-Leonardy em pose de pianista…

Toda essa obra foi preservada em cópias lindamente manuscritas e encadernadas com capas de couro, a mando da Rainha. Essa verdadeira música de Scarlatti nunca deixou de encantar os apaixonados pela música de teclado, Frederico Chopin sendo um deles, e eu adoro ouvi-las interpretadas ao piano, como é o caso neste álbum mesmo espetacular. Ouça as três primeiras sonatas do disco e terás uma perspectiva do que está pela frente… Uma faixa melhor do que a outra. Se fores ouvir uma só, para alegrar seu dia, ouça a faixa No. 7, que aqui chamamos ‘A Espivetada’. E se estiver sobrando mais um tempinho, e precisares de um bom momento de reflexão, vá para a faixa No. 12, a Sonata Reflexiva!

O pianista Wolfram Schmitt-Leonardy gravou álbuns para o selo Brillant com música de Chopin e Schumann e Brahms, entre outros. Este disco com música de Scarlatti é o primeiro que eu ouço, mas fiquei animado para conhecer mais suas interpretações. Os Prelúdios de Chopin estão já na minha lista de futuras audições…

Domenico Scarlatti (1685 – 1757)

  1. Sonata K. 1 em ré menor
  2. Sonata K. 32 em ré menor
  3. Sonata K. 33 em ré maior
  4. Sonata K. 87 em si menor
  5. Sonata K. 29 em ré maior
  6. Sonata K. 27 em si menor
  7. Sonata K. 427 em sol maior
  8. Sonata K. 132 em dó maior
  9. Sonata K. 98 em mi menor
  10. Sonata K. 135 em mi maior
  11. Sonata K. 162 em mi maior
  12. Sonata K. 208 em lá maior
  13. Sonata K. 39 em lá maior
  14. Sonata K. 322 em lá maior
  15. Sonata K. 455 em sol maior
  16. Sonata K. 95 em dó maior
  17. Sonata K. 466 em fá menor

Wolfram Schmitt-Leonardy, piano

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Wolfram ficou bem mais relaxado depois que você baixou o álbum….

Wolfram Schmitt-Leonardy was born in Saarlouis, Germany, in 1967, and his first important teacher was a student of Walter Gieseking and Edwin Fischer. His quintessentially pianistic approach to Scarlatti exploits all the colouristic possibilities of a modern grand, while articulating the quick sonatas with sparkling deftness of touch.

Sparkling and touching!

Aproveite!

René Denon

Monteverdi (1567-1643): Teatro d’Amore – L’Arpeggiata & Christina Pluhar ֎

Monteverdi (1567-1643): Teatro d’Amore – L’Arpeggiata & Christina Pluhar ֎

Claudio Monteverdi

Teatro d’Amore

Nuria Rial & Philippe Jaroussky

L’Arpeggiata

Christina Pluhar

Antes deste disco eu costumava ver Claudio Monteverdi como uma figura de valor histórico, compositor que desempenhara um papel importante no desenvolvimento da música entre os períodos renascentista e barroco. Sim, tem a coleção ‘Vespro della Beata Vergine’ e eu já havia ouvido o ‘Torna Zéfiro’, que está no disco, mas não havia me dado conta que a música de Claudio Monteverdi têm esta dimensão de atualidade, que identificamos na música que faz parte de nossa vida. Este álbum mostrou-me como sua música é atemporal – acordes, suspiros, e todo o encanto de cantar sobre amar e ser amado. Não deixe de ouvir!

Nuria adorou o fim de semana na Ilha do PQP Bach

A Abertura é cartão de visita e ecoa no início de ‘Vespro della Beata Vergine’. É claro que os músicos que produziram o álbum têm enorme mérito e passarei a buscar outros discos associados a seus nomes. Um destaque para Nuria Rial e Philippe Jaroussky, que tornam mágicos alguns dos momentos aqui, como no dueto ‘Pur ti miro’, da ópera ‘L’Incoronazione de Poppea’. Esta faixa é a campeã em número de bis aqui em casa. Sem contar o efeito da língua italiana, apropriada para falar de ‘amore’:

O mia vita, o mio tesoro,

Io son tua, tuo son io…

Philippe ficou no Castelo do PQP Bach e se divertiu muito!

É verdade que é quase a mesma coisa em português, mas dito assim, pelo menos aqui, faz enorme sucesso!

Ah, os instrumentistas que acompanham os cantores são sensacionais. Sopros, percussão e instrumentos dedilhados, um som envolvente e expressivo.

L’Arpeggiata é um grupo liderado pela harpista Christina Pluhar que tem muita presença e personalidade, mas deve ser também muita aglutinadora, pois todos estão muito bem. O álbum foi produzido na Sala de Concerto Vredenburg, em Utrecht, durante uma edição do Festival Oude Muziek.

L’Arpeggiata

Christina Pluhar diz: “O que há de mais admirável em Monteverdi é a tremenda diversidade de técnicas composicionais que ele domina e combina de forma brilhante. Nesta gravação, gostaríamos de destacar a variedade de suas composições seculares.”

Claudio Monteverdi (1567 – 1643)

  1. L’Orfeo, SV 318 – Toccata (Alessandro Striggio)
  2. Ohimè ch’io cado, SV 316 (PJ)
  3. Pur ti miro, dueto de L’Incoronazione di Poppea (PJ & NR)
  4. Damigella tutta bella, SV 235 (JF, NA, CA, PJ, JvE, NR)
  5. Madrigais, Livro 8: Lamento della ninfa, SV 163: IV. Amor (NA, CA, NR, JvE)
  6. Si dolce è’l tormento (do Libro Nono di Magrigali e Canzonette) (PJ)
  7. L’Orfeo, SV 318, Act 5: Sinfonie & Moresca (Alessandro Striggio)
  8. Madrigais, Livro 7: Interrotte speranze, SV 132 (JvE, CA)
  9. Chiome d’oro, bel thesoro, SV 143 (Arranjo de Christina Pluhar) (NR)
  10. L’Incoronazione di Poppea, SV 308, Act 2: “Oblivion soave” (Arnalta) (PJ)
  11. Hor che’l ciel e la terra (Livro 8), SV 147 (NA, JF, MR, CA, LA, PJ, JvE)
  12. Madrigais, Livro 7: Tempro la cetra, SV 117 (JvE, CA)
  13. Livro 8: Ballo, SV 154b
  14. Madrigais, Livro 7: Con che soavità, SV 139 (NR)
  15. Madrigais, Livro 8: Vago augelletto che cantado vai, SV 156 (NA, JF, ZT, CA, LA, PJ, JvE)
  16. Zefiro torna e di soavi accenti, SV 251 (Arranjo de Christina Pluhar) (PJ, NR)

Nuria Rial, soprano

Philippe Jaroussky, contra-tenor

João Fernandes, baixo

Nicolas Achten, baritono

Cyril Auvity, tenor

Jan van Elsacker, tenor

Michaela Riener, soprano

Lauren Armishaw, soprano

Zsuzsanna Toth, soprano

L’Arpeggiata

Christina Pluhar

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Christina Pluhar

Seção “The book is on the table”:

“As resident ensemble at the Festival Oude Muziek Utrecht in August 2006, L’Arpeggiata presented the programme of this CD in concert and recorded it in the main auditorium of the Vredenburg with its outstanding acoustics.” – Liner notes

The gorgeous singing of the soloists and stylish instrumental performances, though dazzling and gimlet-eyed, are also elegant and respectful without being obsequiously slavish to convention. BBC Music, 2009

Still, as a whole, this CD is joyous and moving. In short, Monteverdi by a magnificent artist, presented in a manner that is either the height of bastardization, or a genuine example of intelligent democratization–you choose!

Improvised cornett parts are much in evidence, but not in the excerpts from Poppea. Jaroussky is not quite gentle enough in Arnalta’s lullaby; but in “Pur ti miro” he and Nuria Rial make the most of the semitone clashes, their lines intertwining sensuously over a beguiling plucked continuo accompaniment. Do give this very lively disc a try.

Não deixe de ouvir este maravilhoso disco! Aproveite! (Eu fiquei pluhado…)

René Denon

Christina e Philippe no recital para o pessoal do PQP Bach

Florence Price (1887-1953): Scenes in Tin Can Alley (Peças para piano) – Josh Tatsuo Cullen, piano – Semana do Dia Internacional da Mulher ֎

Florence Price (1887-1953): Scenes in Tin Can Alley (Peças para piano) – Josh Tatsuo Cullen, piano  – Semana do Dia Internacional da Mulher ֎

 

Florence Beatrice Price

Peças para piano

Josh Tatsuo Cullen

 

 

Homenagem pelo Dia Internacional da Mulher

Em muitos sentidos, Florence Beatrice Price foi uma mulher única. Nascida em uma família multiracial, tornou-se a primeira compositora afro-americana a ter uma sinfonia interpretada por uma grande orquestra americana. Nada menos que a Chicago Symphony Orchestra, sob a regência de Frederick Stock, seu regente principal, em 1933.

Nascida em Little Rock, Arkansas, em uma comunidade racialmente integrada, era filha de um dentista e uma professora de música. Aos 16 anos foi aceita no New England Conservatory, em Boston, e recebeu completa formação musical na mais respeitada instituição deste tipo nos EUA. Retornou a Little Rock após sua formação, até a morte de seus pais. Depois foi para o sul e tornou-se professora da Clark Atlanta University, onde conheceu o advogado Thomas Price, com quem se casaria. As condições de vida no sul, com a segregação racial, tornou a vida muito difícil e eles mudaram-se para Chicago. O casamento não foi feliz e eles divorciaram-se.

Em Chicago havia algumas oportunidades de trabalho, tais como composição de peças instrucionais, especialmente para crianças, com muitas publicações, mas nenhuma posição em alguma instituição de ensino. Outra fonte de renda vinha de tocar música durante os filmes do cinema mudo e compor música para o rádio (usando codinome).

Florence e sua obra foram caindo em esquecimento após sua morte, mas a sua verdadeira dimensão começou a ser vislumbrada em 2009. Um casal de St. Anne, Illinois, se preparava para reformar uma casa abandonada em péssimas condições quando se depararam com pilhas e pilhas de papéis, com o nome Florence Price escrito por todos os lados. Arquivistas da Universidade de Arkansas foram informados e recolheram esse tesouro. A casa havia sido usada por Florence Price para veraneio e depois de sua morte havia sido abandonada e, como muitas de suas contribuições, caído em esquecimento. Não fosse o cuidado do casal, esse esquecimento teria se perpetuado. Entre os papéis foram encontrados uma sinfonia e dois concertos para violino, além de muitas outras coisas. Lentamente agora a obra dessa notável mulher está sendo apresentada a uma maior audiência. Assim, para homenageá-la trazemos um álbum com algumas de suas peças para piano, interpretadas por Josh Tatsuo Cullen. Eu gostei muito da música deste disco e esta é a principal razão de incluí-lo nas postagens comemorativas do Ano Internacional da Mulher. Há um que de ragtime, em algumas das peças, mas há bem mais do que isso. As peças Clouds e Church Spires in Moonlight são bastante especiais. Talvez algum de nossos outros colaboradores consiga trazer outras postagens que ilustrem ainda mais a obra desta notável compositora.

Florence Beatrice Price (1887 – 1953)

  1. Scenes in Tin Can Alley: The Huckster
  2. Scenes in Tin Can Alley: Children at Play
  3. Scenes in Tin Can Alley: Night
  4. Thumbnail Sketches of a Day in the Life of a Washerwoman: Morning
  5. Thumbnail Sketches of a Day in the Life of a Washerwoman: Dreaming at the Washtub
  6. Thumbnail Sketches of a Day in the Life of a Washerwoman: A Gay Moment
  7. Thumbnail Sketches of a Day in the Life of a Washerwoman: Evening Shadows
  8. Clouds
  9. Village Scenes: Church Spires in Moonlight
  10. Village Scenes: A Shaded Lane
  11. Village Scenes: The Park
  12. Preludes: No. I Allegro Moderato
  13. Preludes: No. II Andantino Cantabile
  14. Preludes: No. III Allegro Molto
  15. Preludes: No. IV Wistful. Allegretto con Tenerezza
  16. Preludes: No. V Allegro
  17. Cotton Dance (Presto)
  18. Three Miniature Portraits of Uncle Ned: At Age 17
  19. Three Miniature Portraits of Uncle Ned: At Age 27
  20. Three Miniature Portraits of Uncle Ned: At Age 70

Josh Tatsuo Cullen, piano

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Josh gostou de aparecer aqui no PQP Bach apresentando música de Florence Price

Trechos da resenha de Jed Distler para a revista Gramophone:

There’s no question, however, that Josh Tatsuo Cullen’s taking on the short and charming piano pieces gathered for this release is an act of the utmost sincerity and a true labour of love. He believes in this music and plays it with finesse, flair and conviction.

Cullen infuses the impressionistic Clouds with the same concern for nuance and tonal application that a pianist such as Ivan Moravec brought to Debussy. Conversely, he serves up Cotton Dance like the hard-hitting cakewalk it is.

Mais informações sobre F. Price, aqui.

Aproveite!
René Denon

Diversos Compositores – Antologia de Intérpretes Femininas – Semana do Dia Internacional da Mulher

Diversos Compositores – Antologia de Intérpretes Femininas – Semana do Dia Internacional da Mulher

Ji Su Jung, percussionista

Marin Alsop, regente

Maria João Pires, pianista

Gina Bachauer, pianista

 

Nesta postagem especial preparada para homenagear as mulheres nesta semana do Dia Universal da Mulher, escolhi algumas excelentes intérpretes que representam a enorme e inestimável contribuição delas para a música.

Ji Su Jung

Começamos nosso programa com o Concerto para Marimba, escrito pelo jovem compositor norte-americano Kevin Puts. A solista chama-se Ji Su Jung, que foi a primeira percussionista a ganhar a prestigiosa bolsa Avery Fisher Career Grant. Formada pelo Peabody Institute, da Johns Hopkins University, e pela Yale School of Music, Ji Su Jung é agora uma solista requisitada universalmente e professora do Curtis Institute of Music e do Peabody Institute.

Marin Alsop

Sobre o Concerto, o compositor explicou como surgiu a inspiração: A melodia da abertura do Concerto foi provavelmente inspirada quando ouvi o aquecimento de um pianista no placo do Teatro Eastman enquanto por lá passava a caminho da aula. A tonalidade de mi bemol maior sempre me foi muito próxima devido à sua riqueza e também por aparecer com frequência nas obras de Mozart, em particular em dois de seus concertos para piano, que de certa forma serviram como modelo para a minha peça.

Ji Su Jung é acompanhada pela Baltimore Symphony Orchestra, regida pela maestrina Marin Alsop, que foi uma das primeiras a interpretar as obras de Kevin Puts.

M-J Pires

Como eu gosto muito de ouvir o piano, na sequência teremos uma linda Sonata de Schubert interpretada pela maravilhosa pianista Maria João Pires.

Com uma carreira longa e de excelente qualidade, passou pelas gravadoras Denon e Erato e tem sido uma das estrelas do selo amarelo, Deutsche Grammophon. Esta sonata de Schubert é uma das mais belas e faz parte de um lançamento que reúne algumas obras de Schubert gravadas por Maria João Pires.

Gina Bachauer

Para a última etapa da nossa compilação escolhi uma artista que chamou a atenção exatamente por desempenhar um papel que estava quase exclusivamente dominado por homens, interpretando grandes concertos para piano, como o Concerto em si bemol maior, de Brahms, o Concerto de Grieg, Concerto em mi bemol maior de Liszt e o Concerto em si bemol maior, de Tchaikovsky. Gina Bachauer nasceu em Atenas, de pais estrangeiros, e iniciou sua carreira na Grécia. Estudou em Paris com Alfred Cortot e nos anos 1930 trabalhou na França e na Suíça com Rachmaninov em seus Concertos para Piano. Ela tornou-se uma expoente nestes concertos, especialmente no de No. 3. Suas gravações para o selo Mercury são bastante conhecidas. Aqui podemos ouvir suas interpretações de algumas peças solo de Debussy e atuando como solista de um concerto de Mozart. A orquestra da gravação foi fundada pelo seu regente, Alec Sherman que foi o segundo marido de Gina Bachauer.

Kevin Puts (Nascido em 1972)

Concerto para Marimba (1997, ver. 2021)

  1. Flowing
  2. Broad and deliberate
  3. With energy

Ji Su Jung, marimba

Baltimore Symphony Orchestra

Marin Alsop

Franz Schubert (1757 – 1828)

Sonata para piano em lá maior, D. 664

  1. Allegro moderato
  2. Andante
  3. Allegro

Maria João Pires, piano

Claude Debussy (1862 – 1918)

Pour le piano

  1. Prélude
  2. Sarabande
  3. Toccata

Prelúdios

  1. La cathédrale engloutie
  2. Bruyères
  3. Danseuses de Delphes

Gina Bachauer, piano

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Concerto para piano No. 17 em dó maior, K. 453

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Allegretto

Gina Bachauer, piano

London Orchestra

Alec Sherman

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Maria-João Pires

Viva as mulheres!

Ji Su Jung

Rachmaninov (1873 – 1943) • Scriabin (1872 – 1915) • Ligeti (1923 – 2006) • Prokofiev (1891 – 1953): Yuja Wang – Recital de Berlim (2018) • PQP-Originals ֍

Rachmaninov (1873 – 1943) • Scriabin (1872 – 1915) • Ligeti (1923 – 2006) • Prokofiev (1891 – 1953): Yuja Wang – Recital de Berlim (2018) •  PQP-Originals ֍

Rachmaninov • Scriabin

Ligeti • Prokofiev

Peças para Piano

Yuja Wang

 

 

Sergei Rachmaninov (1873 – 1943)

150 anos de nascimento

&

György Ligeti (1923 – 2006)

100 anos de nascimento

O pessoal do PQP Bach Pâtisserie Gourmet caprichou no bolo do Ligeti!

Mais uma postagem comemorativa, agora com dois homenageados! Para prestar essa homenagem trazemos a reedição de uma postagem feita pelo PQP Bach em 2020 – o Recital de Berlim de Yuja Wang (2018).

Yuja Wang é uma pianista sensacional e coloca aqui toda a sua arte a brilhar em um programa que demanda certa atenção do ouvinte, pois foge do óbvio.

Aqui está o texto da postagem original e o selo da série PQP-Originals:

 

Yuja Wang e Khatia Buniatishvili são livres para se vestirem como quiserem. É justo. Mas boa parte do público as conhece mais através das pernas de uma e dos seios e costas da outra do que por suas qualidades musicais. É injusto. Wang é efetivamente uma tremenda pianista, mas creio que o mesmo não se possa dizer de Buniatishvili, uma instrumentista que aposta apenas na emoção. Para comprovar o que digo, este CD da DG venceu vários prêmios de melhor disco eruditosolo de 2019. Isto é, Wang merece ser ouvida. O Ligeti e o Prokofiev dela são sensacionais. Já Rachmaninov e Scriabin são compositores tão estranhos a meu gosto que não vou falar. A 8ª Sonata de Prokofiev é notavelmente interpretada. Como Sviatoslav Richter, ela consegue integrar o poder e o lirismo que caracterizam os longos movimentos externos. Ao manter o Andante sognando estável, elegante e discreto, os toques expressivos de Wang tornam-se ainda mais significativos. Dos três Estudos de Ligeti, o Vertige é o melhor, e raramente soou tão suave e transparente.

Decidi fortalecer o pacote adicionando ao arquivo musical mais dois Estudos de Ligeti e uma outra Sonata para Piano de Scriabin, que fazem parte de um outro disco de Yuja Wang, chamado Sonatas e Estudos, postado também pelo PQP Bach, em 2016.

Assim temos um pacote com peças bastante representativas dos dois homenageados que certamente lhe abrirão o apetite por mais e umas sonatas para piano de dois conterrâneos e bem conhecidos de Rachmaninov. As Sonatas de Scriabin estão espetaculares e a interpretação da Sonata de Prokofiev foi elogiada pelo PQP Bach!

Sergei Rachmaninov (1873 – 1943)

  1. Prelude Op. 23 No. 5 em sol menor
  2. Etude-Tableaux, Op. 39, No. 1 em dó menor
  3. Étude-Tableaux, Op. 33, No. 3 em dó menor
  4. Prelude Op. 32 No. 10 em si menor

Alexander Scriabin (1872 – 1915)

  1. Sonata para Piano No. 10, Op. 70

György Ligeti (1923 – 2006)

Études Pour Piano

  1. No. 3 “Touches bloquées”
  2. No. 9 “Vertige”
  3. No. 1 “Désordre”
  4. No. 4 “Fanfares” (Faixa Extra)
  5. No. 10 “Der Zauberlehrling” (Faixa Extra)

Alexander Scriabin (1872 – 1915)

Sonata para Piano No. 2 em sol sustenido menor “Sonate-Fantasie”

  1. Andante (Faixa Extra)
  2. Presto (Faixa Extra)

Sergei Prokofiev (1891 – 1953)

Piano Sonata No. 8 in B flat major, Op. 84

  1. Andante dolce
  2. Andante sognando
  3. Vivace

Yuja Wang, piano

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As peças de Rachamaninov são dois famosos Prelúdios, peças com as quais ele ganhou a atenção do mundo musical bem no início da carreira, além de dois Estudos-Tableau. Ou seja, estudos, mas que também contam uma história. Eu sempre tomo como referência algumas das peças de Mussorgsky, que compõem a suíte Quadros de Uma Exposição.

Aproveite!

Luminosa!

As postagens originais:

Chopin · Scriabin · Liszt · Ligeti: Sonatas para Piano e Estudos

Rachmaninov / Scriabin / Ligeti / Prokofiev: The Berlin Recital (Yuja Wang)

PQP Bach Quizz: Qual ator você escolheria para fazer o papel de György Ligeti?

Handel (1685-1759) & Brahms (1833-1897): O Projeto Handel (Peças para Piano) – Seong-Jin Cho ֍

Handel (1685-1759) & Brahms (1833-1897): O Projeto Handel (Peças para Piano) – Seong-Jin Cho ֍

Handel

3 Suítes Grandes

Brahms

Variações Handel

Seong-Jin Cho, piano

 

A ideia não é nova – András Schiff gravou um disco para a TELDEC em 1994 reunindo peças de Handel, Brahms e Reger. Confesso que não lembro da peça de Max Reger, mas certamente me lembro das peças de Handel e Brahms.

Seong-Jin Cho

A reverência de certos compositores para com mestres do passado quase sempre resulta em boa música. Ravel é um desses e Stravinsky, a seu modo, também. Foi com essa perspectiva que abordei esse disco que achei excelente. Três suítes de Handel, incluindo aquela que termina com variações e fuga – O Ferreiro Harmonioso – seguidas das Variações e Fuga sobre um tema de Handel, de Brahms. Como bônus, a título de encores, mais uma peça de Handel e um arranjo do venerando Wilhelm Kempff.

Outro grande pianista que dedicou parte de um álbum a música de Handel é Murray Perahia. O paralelo não termina aqui. Após anos de dedicação à música dos períodos clássico e romântico, Perahia que passava por um período afastado do piano devido à uma lesão, mergulhou na música do período barroco – Handel, Scarlatti e Bach – e em seu retorno à atividade ganhamos alguns ótimos discos. Felizmente Seong-Jin Cho não precisou se machucar para encontrar na música para teclado do período barroco novos estímulos para sua arte.

George Handel (1685–1759)

Suíte No. 2 em fá maior HWV 427

  1. Adagio
  2. Allegro
  3. Adagio
  4. Allegro [Fugue]

Suíte No. 8 em fá menor HWV 433

  1. Prélude
  2. Allegro [Fugue]
  3. Allemande
  4. Courante
  5. Gigue

Suíte No. 5 em mi maior HWV 430

  1. Prélude
  2. Allemande
  3. Courante
  4. Air – Double I–V [Air com 5 Variações “The Harmonious Blacksmith”]

Johannes Brahms (1833–1897)

  1. Variações e Fuga sobre um Tema de Handel em si bemol maior op. 24

George Handel (1685–1759)

  1. Sarabande em si bemol maior HWV 440/3 (3º. Mov. da Suíte No. 7 em si bemol maior)
  2. Menuetto em sol menor (Arr. Wilhelm Kempff) anteriormente tratado como 4º. Mov. da Suíte em si bemol maior, HWV 434

Seong-Jin Cho, piano

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 “For me, Handel’s music comes directly from the heart, so people can easily follow it.”, says Cho. He was also keen to explore the ways in which Handel influenced later composers and so chose to record Brahms’s enormously creative response to music from one of the suites as well. Brahms based his twenty-five variations on the Air from Handel’s Suite No. 3 in B flat major HWV 434, a simple theme on which Handel himself built four short variations. 

Espero que você goste deste álbum tanto quanto eu…

Aproveite!

René Denon

Seong-Jin Cho achando o Salão de Pianos do PQP Bach Co-op um ‘must’…

Handel (1685-1759): Um Jantar com o Sr. Handel – Mr. Handel’s Dinner – La Cetra & Maurice Steger ֎

Handel (1685-1759): Um Jantar com o Sr. Handel – Mr. Handel’s Dinner – La Cetra & Maurice Steger ֎

Handel

Sonatas e Concertos

La Cetra Barockorchester

Maurice Steger

 

Nas décadas de 1720 e 1730 a cidade de Londres passou por enormes transformações. Estava em curso a Revolução Industrial e a cidade crescia e mudava constantemente. Essas mudanças também ocorriam na cultura e nas artes. Neste período ocorreu a publicação do livro Robinson Crusoe de Daniel Defoe, a produção por William Hogarth de uma série de pinturas e gravuras chamada The Rake’s Progress, a apresentação de The Beggar’s Opera de John Gay, com arranjos musicais de Johann Christoph Pepusch.

Dois teatros inaugurados nessa época estão ativos até hoje: Haymarket Theatre e o Covent Garden. Handel compôs e apresentou obras nesses teatros, no fim da década de 1730, quando então compunha oratórios. Na década de 1720 ele reinou absoluto compondo e produzindo ópera séria (italiana). Essas produções eram riquíssimas e reuniam músicos e artistas que tocavam na orquestra e cantavam. Nos intervalos dessas produções Handel reunia convidados – nobres e artistas – para desfrutarem de jantares, que Handel era amante da boa mesa. E a plateia deliciava-se com números musicais tocados nessas ocasiões (e com a sua própria comida e bebida), repletos de ‘citações’ das melodias ‘favoritas’ do compositor. Essa prática, de usar o mesmo material das árias e números das óperas ou oratórios em sonatas ou concertos era uma maneira de se manter na memória do público.

Esse disco é alusivo a essa prática, na qual alguns membros da orquestra ou o próprio compositor tocavam essas melodias handelianas na forma de sonatas ou concertos. E a música seria posteriormente impressa e devidamente vendida… Um concerto para flauta doce contralto que começou a vida como uma sonata para flauta (HWV 369) é transformada em um de seus muitos concertos para órgão, o qual ele mesmo usava para entreter a plateia entre os atos de um de seus oratórios (HWV 293), aqui encontra uma versão entre as duas possibilidades, com Steger improvisando entre o segundo e o terceiro movimento. Música de outros compositores contemporâneos, desde que boa, também poderia ser usada…

Eu sei, um disco com proeminência de flauta doce pode ser uma coisa perigosa, mas não há o que temer aqui, apesar do virtuosismo de todos os envolvidos. Um disco extravagante, bigger than life, como era o saxão mais inglês que já houve.

George Frideric Handel (1685 – 1759)

Concerto para flauta doce em fá maior

  1. Larghetto. Adagio
  2. Allegro
  3. [Improvisation]
  4. Alla Siciliana
  5. Presto

George Frideric Handel (1685 – 1759)

Suíte de Danças

  1. Chaconne. Tanz der spanischen Damen und Cavallier (de Almira, HWV 1)
  2. Bourrée (de Almira, HWV 1)
  3. Sarabanda (de Almira, HWV 1)
  4. Ritornello (de Almira, HWV 1)
  5. Rondeau (de Almira, HWV 1)
  6. Rigaudon (de Almira, HWV 1)
  7. Allegro (do Concerto para Oboé, HWV 287)

Francesco Geminiani (1687 – 1762)

Concerto para flauta em sol maior

  1. Preludio. Adagio
  2. Allegro
  3. Adagio
  4. Vivace
  5. Gavotta. Allegro

Gottfried Finger (1660 – 1730)

A Ground em ré menor para flauta doce

  1. Ground

George Frideric Handel (1685 – 1759)

Sonata em lá menor para flauta doce e contínuo, HWV362, Op. 1 No. 4

  1. Larghetto
  2. Allegro
  3. Adagio
  4. Allegro

George Frideric Handel (1685 – 1759)

Passacaille em sol maior, HWV 399

  1. Passacaille

William Babell (1690 – 1723)

Concerto for descant recorder e cordas em dó maior Op. 3 No. 1

  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Allegro

George Frideric Handel (1685 – 1759)

Trio Sonata, HWV 386a em dó menor, Op. 2 No. 1a

  1. Cantabile
  2. Allegro
  3. Andante
  4. Allegro

George Frideric Handel (1685 – 1759)

Suite em sol maior, HWV 435

  1. Chaconne

La Cetra Barockorchester

Maurice Steger, flauta doce e direção

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Para quem acha que é mole levar a vida na flauta…

London in the 1730s – musical life was flourishing around the figure of Handel. The Saxon composer also served as director; at the height of his fame he surrounded himself with the finest London musicians and was joined by many foreign composers to occupy the long breaks between the acts of his oratorios. Their musical interludes accompanied lavish dinners, during which Mr Handel escaped from the pit to indulge his gourmet tendencies.

This isn’t an album over which the wind is always whistling in your ears, though. For instance, there’s Gottfried Finger’s ground: always a bewitching number but here especially so with its luscious bass-line continuo richness and its luminous timbres. I’m really not sure what Steger can do to top this album. Although, knowing him, I suspect he might

Steger’s latest offering is a funfilled imagining of the sorts of musical interludes that might have accompanied Handel’s interval dinners while his operas ruled the roost on London’s various stages …extreme ensemble virtuosity, and the crackest of crack continuo units, are absolute non-negotiables when Steger’s around and La Cetra deliver on these throughout in joyous spadefuls.  [Gramophone]

Aproveite!
René Denon

Maurice adorando dar um passeio de barco pela Baía da Guanabara…

Haydn (1732-1809) & Cia: Legacy – Concertos para Violoncelo & outras obras – Christian-Pierre La Marca – Le Concert de la Loge & Julien Chauvin ֍

Haydn (1732-1809) & Cia: Legacy – Concertos para Violoncelo & outras obras – Christian-Pierre La Marca – Le Concert de la Loge & Julien Chauvin ֍

Legacy

Christian-Pierre La Marca

Le Concert de la Loge

Julien Chauvin

 

Christian-Pierre La Marca

Eu sempre imagino Papa Haydn já idoso, compositor renomado, mais velho do que Mozart e Beethoven. Mas é fato que houve um jovem Joseph Haydn – cantor de coro que declinou da castrazione para manter a bela voz e que estudou música com outros mestres até tornar-se um mestre ele mesmo. Um destes músicos de uma geração anterior que a dele foi Nicola Porpora, que além de compositor de óperas foi professor de canto. Teve entre seus alunos famosos castrati, como Farinelli e Caffarelli. Haydn trabalhou como factótum (assessor para assuntos gerais) para Porpora enquanto este viveu em Viena e lembrava-se do mestre com um sorriso nos lábios. Aprendeu muito palavras italianas com ele, tais como asino, coglione e birbante. Havia também boas lembranças de cutucões nas costelas…

Foi também coisa da juventude de Haydn a composição de concertos diversos, nos primeiros anos que passou na Petit Versailles, a Corte de Estérhazy, para brindar os bons músicos que serviam a orquestra que estava a sua disposição.

Foi assim que surgiu, nos primeiros anos da década de 1760 o seu primeiro concerto para violoncelo, composto provavelmente para o violoncelista Joseph Weigl, que trabalhava ali. Aliás, o concerto ficou perdido por muito tempo, até ser redescoberto nos arquivos de um museu em Praga, em 1961. O manuscrito estava ao lado de um outro concerto de Joseph Weigl. De qualquer forma, a primeira frase do concerto havia sido registrada por Haydn em um catálogo de obras que ele começara a fazer em Estérhazy.

Julien Chauvin

O segundo concerto é tecnicamente mais difícil e foi escrito em 1783. Este foi atribuído a Anton Kraft, outro violoncelista que atuou em Estérhazy. Anton foi excelente violoncelista e deve ter dado seus pitacos na parte técnica do concerto, coisa que pode ter ajudado a causar a confusão. Kraft foi o violoncelista para quem Beethoven escreveu a parte de violoncelo de seu Concerto Triplo.

Neste ótimo disco os dois concertos são apresentados pelo violoncelista Christian-Pierre La Marca, acompanhado pela orquestra com prática de instrumentos de época, Le Concert de la Loge, regida por Julien Chauvin. O disco traz ainda obras de outros compositores da época, perfazendo um agradável programa musical. Temos uma ária do Nicola Porpora, cantada aqui pelo ótimo contratenor Philippe Jaroussky, um movimento (largo) de um concerto para violoncelo, também de Porpora, uma Sinfonia Concertante, que fora deixada inacabada por Mozart, numa reconstrução feita por Robert Levin. E também uma transcrição para violoncelo da música de balé de Gluck, danse des ombres heureuses, escrita para a ópera Orphée et Eurydice, feita por Christian-Pierre La Marca.

Joseph Haydn (1732 – 1809)

Concerto para violoncelo No. 1 em dó maior, Hob. VIIb:1

Cadenza: Christian-Pierre La Marca

  1. Moderato
  2. Andante
  3. Allegro molto

Nicola Porpora (1686 – 1768)

Concerto para violoncelo em sol maior
  1. Largo

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Reconstrução: Robert Levin

Sinfonia Concertante em lá maior (KV Anhang 104 / 320E)
  1. Fragmento

Christoph Willibald Gluck (1714 – 1787)

Orphée et Euridice
  1. Dança dos Espíritos Abençoados (Transcrição de Christian-Pierre La Marca)

Nicola Porpora (1686 – 1768)

Gli orti esperidi
  1. Ária: Giusto amor tu che m’accendi

Joseph Haydn (1732 – 1809)

Concerto para violoncelo No. 2 em ré maior, Hob. VIIb:2 (Op. 101)

Cadenza: Maurice Gendron

  1. Allegro moderato
  2. Andante
  3. Allegro

Christian-Pierre La Marca, violoncelo

Philippe Jaroussky, contatenor (Gluck)
Julien Chauvin (violino) e Adrien La Marca (viola) (Mozart)

Le Concert de La Loge

Julien Chauvin

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Le Concert de la Loge

Partes da entrevista dada por Christian-Pierre e Julien:

LM: I wanted this program to introduce new ways of listening to Haydn’s concertos. The title of the album Legacy emphasizes more of the aspect of transmition than that of inheritance – the goodwill one generation passes on to the next, the encounters between musicians who hand down a tradition, the development of styles of writing for the instrument.

JC: Haydns’s concertos are often recorded on their own, the fact that they are ‘enveloped’ in other pieces gives them an additional dimension.

I couldn’t agree more!

Aproveite!

René Denon

Beethoven (1770-1827) & Schubert (1797-1828): Sonatas Kreutzer & Arpeggione – Bruno Philippe, violoncelo & Tanguy de Williencourt, piano ֍

Beethoven (1770-1827) & Schubert (1797-1828): Sonatas Kreutzer & Arpeggione – Bruno Philippe, violoncelo & Tanguy de Williencourt, piano ֍

Beethoven

Sonata Kreutzer

Schubert

Sonata Arpeggione

Bruno Philippe, violoncelo

Tanguy de Williencourt, piano

A Sonata Kreutzer poderia ter sido chamada Sonata Bridgetower, não fosse uma linda tarde de concertos seguido de grandes comemorações regadas ao bom vinho do Reno em uma famosa taverna nos arredores de Viena onde os ânimos voláteis se tornam facilmente incendiáveis. Bastou um comentário menos airoso feito (infelizmente) pelo violinista inglês sobre uma certa senhorinha que andava a fazer suspirar o inspirado compositor e pianista agora já cidadão vienense. Uma amizade que nascera de admiração profissional seguida de certas identificações pessoais foi pelos ares, por um comentário leviano de um, mas imperdoável para o outro.

George Bridgetower

A Sonata havia sido composta por Beethoven tendo em mente o violinista virtuose George Bridgetower que visitava Viena nos idos de 1803, ele que crescera ali por perto, na Corte de Esterházy, fora até aluno de Haydn e agora era famoso e se estabelecera em Londres. Nessa visita andava de boas com o Ludovico, tocando seus quartetos e até dando seus pitacos na parte de violino da sonata que juntos tocaram pela primeira vez.

A história é boa e merece ser mais elucidada. George Bridgetower havia sido criança prodígio, filho de mãe alemã e de pai originário de Barbados. O casal se encontrou na Polônia, mas mudou-se posteriormente para a Corte de Esterházy. A combinação de genes era realmente feliz para a música. O filho Joseph tornou-se violoncelista e George aprendeu a tocar o violino desde a mais tenra idade. Aos dez anos já fazia tours pelas cidades europeias e sua ascendências certamente era explorada para atrair ainda maior audiência. Era apresentado como Príncipe Africano e há notícias de ter sido fantasiado com roupas turcas, que na época era algo muito exótico.

Houve até uma dedicação jocosa feita pelo Ludovico: ‘Sonata mulattica composta per il mulato Brischdauer, gran pazzo e compositore mulattico’. A inscrição mostra como os laços entre Ludovico e George eram estreitos.

Cara de Carl num dia que o Ludovico estava ‘de boas’…

De qualquer forma, o nome Sonata Kreutzer pegou, mesmo que o tal violinista Kreutzer nunca tenha encarado a obra, que é realmente espevitada. Mas o que temos neste disco não exatamente aquela peça que pode ser ouvida nas interpretações intensas de Jascha Heifetz ou de Isabelle Faust, mas sim um transcrição feita para violoncelo e piano, pelo arranjador (oficial) de Luduvico, o fiel Carl Czerny. O jovem violoncelista Bruno Philippe tem todas as credenciais de virtuose para encarar a empreitada você já conhece de outra postagem, com as Suítes para Violoncelo de Bach.

Depois desse embate, piano e violoncelo, as peças de Schubert se sobressaem pelo lirismo e beleza encantadora. Arpeggione é o nome de um instrumento – uma guitarra tocada com arco – criação de um lutier vienense, que caiu rapidamente em esquecimento, mas não sem antes inspirar Schubert a compor a Sonata, em 1824. A Sonata renasceu, publicada em 1871 e caiu nas graças de violoncelistas e violistas de bom gosto. Há inúmeras gravações espetaculares disponíveis: Rostropovich/Britten, Maisky/Argerich e entre as gerações mais novas, Queyras/Tharaud, Capuçon/Braley, sem esquecer a prata da casa: Antonio Meneses…

Para completar esse lindo disco os jovens intrépidos intérpretes Bruno Philippe e Tanguy de Williencourt apresentam as transcrições de três Lieder (canções) de Schubert. Duas delas, Nacht und Träume e Der Jüngling und der Tod fazem a transição entre a Kreutzer e a Arpeggione. Fechando o cortejo a transcrição de uma das mais lindas canções da coleção Schwanengesang, Ständchen (Serenata).

Tanguy R Bruno ‘in action’…

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Sonata para violino e piano No. 9 ‘À Kreutzer’, op. 47, em lá maior

transcrição para violoncelo e piano por Carl Czerny (1791 – 1857)
  1. Adagio sostenuto – Presto
  2. Andante con variazioni
  3. Finale – Presto

Franz Schubert (1797 – 1828)

Nacht und Träume, D. 827

  1. transcrição para violoncelo e piano

Der Jüngling und der Tod, D. 545

  1. transcrição para violoncelo e piano

Sonata para arpeggione e piano, D821, em lá menor

  1. Allegro moderato
  2. Adagio
  3. Allegretto

Ständchen, D. 889

  1. transcrição para violocelo e piano

Bruno Philippe, violoncelo

Tanguy de Williencourt, piano

Faixa extra: Ständchen, D. 889

Roderick Williams, barítono

Iain Burnside, piano

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Tanguy e Bruno em foto de modelo de confecções em jeans…

O disco já é ‘velho’, de 2017, e Bruno Philippe já apareceu por aqui em produção mais recente, mas aposto que você não vai reclamar, se ouvir atentamente…

Aproveite!
René Denon

Bach (1685 – 1750): Algumas Partitas; Beethoven (1770 – 1827): Concerto para Piano No. 4 – Claudio Arrau, piano – OSRB & Leonard Bernstein ֎

Bach (1685 – 1750): Algumas Partitas; Beethoven (1770 – 1827): Concerto para Piano No. 4 – Claudio Arrau, piano – OSRB & Leonard Bernstein ֎

Bach: Partitas 

Beethoven: Concerto para Piano No. 4

Claudio Arrau, piano

Orquestra da Rádio Bávara

Leonard Bernstein

Claudio Arrau (1903 – 1991)

(Homenagem pelos 120 Anos de Nascimento)

O olhar que ele me lançou quando cheguei (atrasado) para a entrevista com o pessoal do PQP Bach

Esta postagem é uma homenagem a Claudio Arrau, que nasceu há 120 anos, no dia 7 de fevereiro de 1903. Entre os muitos espetaculares pianistas do século passado, Claudio Arrau destaca-se pela maneira como colocou totalmente à disposição da música toda sua imensa habilidade, todo seu virtuosismo. Era possuidor de uma técnica monumental que nunca usava para exibir-se, uma memória extraordinária, que lhe permitiu apresentar obras completas de grandes mestres em poucos recitais, concentrados em curtos períodos.

Mesmo assim era modesto e preocupava-se constantemente em aprimorar sua arte. Particularmente reveladora é a história contada por Alain Lompech, jornalista e crítico de música francês. Arrau, já com quase 90 anos, visitava Paris e pediu a Lompech que arranjasse um encontro com o pianista Vlado Perlemuter. Arrau deveria gravar a suíte Miroir, de Ravel, e gostaria de tocá-la para Perlemuter e trabalhar um pouco com ele, pois ouvira a sua interpretação dessa obra em Londres e ficara muitíssimo impressionado.

Fantasiado de Mandrake

Claudio Arrau deixou um imenso legado de gravações e para nossa sorte, muitas em excelente qualidade, como as que fez para a Philips. Essa quantidade de opções na verdade tornou minha tarefa de escolher algo representativo, porém não tão óbvio (como as muitas peças de Liszt e Chopin) relativamente difícil.

A minha primeira escolha caiu nos dois primeiros discos de uma coleção lançada pela Philips, chamada ‘The Final Sessions’. Com o advento da tecnologia digital, a gravadora estava fazendo novas gravações com o pianista, escolhendo peças de seu vasto repertório. Essa particular coleção reuniu o que se imagina que foram seus últimos esforços. Nela temos quatro das seis Partitas que Bach escreveu para teclado, mais peças de Beethoven, Schubert e Debussy. Escolhi as peças de Bach por serem as que tenho visto com menos frequência entre as suas gravações disponíveis. Além disso, há notícias de que na década de 1930 ele teria tocado em 12 concertos toda a obra para teclado de Bach.

A cara que ele fez quando tocamos na história do Glenn Gould…

Arrau foi também um intérprete por excelência da obra para piano de Beethoven, com destaque especial para o Concerto para piano No. 4. Há duas gravações em estúdio, para a Philips, de todos os concertos para piano de Beethoven, mas pensando neste momento especial, escolhi uma gravação feita ao vivo, no Deutsches Museum, em Munique, em 1976. Nesta gravação, Arrau foi acompanhado pela Orquestra da Rádio Bávara, regida por Leonard Bernstein. Além do concerto, o disco trás em sua primeira faixa a Abertura Leonora No. 3. Esta gravação já estava comigo há algum tempo, recebida que foi do generoso e sempre solícito Conde Vassily…

Como Claudio Arrau quase se tornou Glenn Gould!

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

CD1

Partita No. 2 em dó menor, BWV826

  1. Sinfonia (Grave adagio – Andante)
  2. Allemande
  3. Courante
  4. Sarabande
  5. Rondeaux
  6. Capriccio

Partita No. 1 em si bemol maior, BWV825

  1. Praeludium
  2. Allemande
  3. Corrente
  4. Sarabande
  5. Menuet I & II
  6. Giga

CD2

Partita No. 5 em sol maior, BWV829

  1. Praeambulum
  2. Allemande
  3. Corrente
  4. Sarabande
  5. Tempo di minuetto
  6. Passepied
  7. Gigue

Partita No. 3 em lá maior, BWV827

  1. Fantasia
  2. Allemande
  3. Corrente
  4. Sarabande
  5. Burlesca
  6. Scherzo
  7. Gigue

Claudio Arrau, piano

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Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Abertura ‘Leonora No. 3’, op. 72a

  1. Abertura

Concerto para Piano No. 4 em sol maior, Op. 58

  1. Allegro moderato – Cadenza: Ludwig van Beethoven
  2. Andante con moto
  3. Rondo (Vivace) – Cadenza: Ludwig van Beethoven

Claudio Arrau, piano

Symphonie-Orchester des Bayerischen Rundfunks

Leonard Bernstein

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Lenny até deixou a barba crescer para a ocasião

 

Mahler (1860-1911): Sinfonia No. 6 – Trágica – musicAeterna & Teodor Currentzis ֎

Mahler (1860-1911): Sinfonia No. 6 – Trágica – musicAeterna & Teodor Currentzis ֎

Gustav Mahler

Sinfonia No. 6 – Trágica

musicAeterna

Teodor Currentzis

 

No dia 20 de maio de 1906 Gustav Mahler estava preocupado quando se pôs a caminho de Essen para a preparação da primeira apresentação de sua Sexta Sinfonia. Ele sabia que, apesar de ter composto uma sinfonia sem coro, sem solos vocais e com quatro (clássicos) movimentos, a convencionalidade parava aí e o trabalho seria difícil. Como a orquestração da Sinfonia era enorme, grande parte do efetivo da Orquestra de Utrecht havia sido requisitada para completar o conjunto necessário para a apresentação, que ocorreria como parte do Festival Anual da Allgemeiner Deutscher Musikverein, que prometia um total de 110 membros na orquestra.

Gustav e Alma, que teria sido representada em um dos temas da sinfonia…

Eterno perfeccionista, Mahler não ficou feliz com os ensaios nem com a apresentação. Segundo relatos de seu ciclo mais íntimo, ficou particularmente desolado com um comentário feito pelo desligado e ‘sincero’ amigo músico Richard Strauss, de que a sinfonia toda, especialmente o último movimento, ficara excessivamente instrumentada. Talvez ele estivesse se referindo ao arsenal percussivo empregado por Mahler, incluindo o martelo de Mahler! Ah, pois depois que você conhecer o martelo de Mahler, poderá esquecer até o martelo de Thor!

Martelo de Mahler

Gustav Mahler, sempre em dúvidas e insatisfeito tanto com suas obras como com suas interpretações teria comentado como era diferente de Strauss que sempre conseguia fazer com que suas próprias obras tivessem com alguma facilidade boas apresentações.

Teodor ensaiando a PQP Bach Orquestra de Pomerode

E não foi diferente com a Sexta, Mahler tinha dúvidas em manter o nome – Trágica – e mesmo com a ordem dos movimentos internos. O Scherzo, que vem em segundo lugar, tem um padrão rítmico parecido com o primeiro (lembrando o Lied Revelge). Mahler já imaginava os críticos e a audiência falando que ele estaria já se repetindo. Assim, talvez fosse melhor que o Adagio viesse em segundo, depois o Scherzo. E o número de marteladas? As tais representariam as pancadas do destino na vida do herói (trágico!) e eram inicialmente 5. Depois 3, e depois… Pois bem, bom quizz para o atento ouvinte é contar o número de marteladas no último movimento da gravação da postagem. Pois é, um desafio para a orquestra musicAeterna, com instrumentos de época (de Mahler), sob a direção de Teodor Currentzis. E para você, uma proposta de ouvir uma grande obra numa interpretação muito especial, mesmo que você já tenha uma gravação que considera ideal.

Alguns segundos antes da martelada

Eu ouvi algumas outras gravações para a preparação da postagem, entre elas as duas do Bernstein, a primeira com a New York Philharmonic (CBS-Sony) e a outra com a Wiener Philharmoniker (DG). Ouvi também as duas deixadas pelo Claudio Abbado, a primeira com a Chicago Symphony Orchestra (DG, capa deslumbrante) e a segunda com a Berliner Philharmoniker (DG, Adagio antes do Scherzo). Ouvi outras, mas vamos para por aqui pois vão achar que estou me exibindo. Posso dizer que a gravação do Currentzis me agradou muito e voltarei a ouvi-la outras vezes.

Gustav Mahler (1860 -1911)

Sinfonia No. 6 em lá menor “Trágica”
  1. Allegro energico, ma non troppo. Heftig, aber markig
  2. Scherzo. Wuchtig
  3. Andante moderato
  4. Finale. Sostenuto – Allegro moderato – Allegro energico

musicAeterna

Teodor Currentzis

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Aqui está a turma da gravação acompanhando o cantor Florian Boesch em uma apresentação do Lied Revelge, para que você compare com o correspondentes movimentos da sinfonia.

Momento ‘the book is on the table…’:  I really enjoyed this performance, a difficult symphony offering clarity and somber beauty.

This is a powerful and compelling performance. Currentziz brings fire and tenderness to this symphony in equal measure.

Aproveite!

René Denon

Thor resolveu soltar o martelo, depois de ouvir a sinfonia de Mahler

Haydn (1732 – 1809): Algumas Sinfonias – (Projeto Haydn 2032) – Il Giardino Armonico ou Kammerorhester Basel & Giovanni Antonini ֎

Haydn (1732 – 1809): Algumas Sinfonias – (Projeto Haydn 2032) – Il Giardino Armonico ou Kammerorhester Basel & Giovanni Antonini ֎

Joseph Haydn

Sinfonias (Algumas)

Il Giardino Armonico

Kammerorchester Basel

Giovanni Antonini

O número 2023 é uma permutação de 2032, ano no qual se completará 3 séculos desde o nascimento de Franz Joseph Haydn. Ora, vocês sabem, o marketing da indústria fonográfica adora estas efemérides. Prepare-se para um tsunami de integrais de trios com piano, quartetos de cordas, sonatas para piano e, é claro, sinfonias. Já vimos algumas destas integrais no passado, como Antal Dorati ou Adam Fischer nas sinfonias, Quatuor Festetics nos quartetos ou Beaux Arts Trio nos trios com piano. Até 2032 veremos várias destas coleções reeditadas e a curiosidade maior é quanto a mídia – streaming, mais certamente. Acho que as gerações dos compradores de LPs, cassetes e CDs estarão se esvaindo até lá, restando apenas alguns highlanders…

No entanto, um projeto que tenho acompanhado com particular interesse atende pelo singelo nome Haydn 2032. A Joseph Haydn Foundation, na Basileia (Basel), está organizando, produzindo e financiando a performance e gravação das 107 sinfonias de Haydn pelo Il Giardino Armonico ou a Kammerorchester Basel, com a direção artística de Giovanni Antonini. Até agora detectei 12 volumes e um 13º chegará em breve.

Talvez devido a (minha) idade e a enorme curiosidade de ouvir música, não consegui ouvir os 12 discos inteiros. Mas não resisti e montei uma playlist com as sinfonias minhas mais conhecidas – todas com apelidos – e gostei tanto que decidi postar. Talvez algum de nossos colaboradores se anime e traga a coleção na integral (que contém também música de alguns contemporâneos do Haydn, para dar uma contextualização) e torne assim esta postagem obsoleta. Mas, até lá, dependendo apenas de minhas energias, aqui vai este pot-pourri.

Joseph Haydn (1732 – 1809)

Sinfonia No. 39 em sol menor – Tempesta di mare
  1. Allegro assai
  2. Andante
  3. Menuet – Trio
  4. Finale (Allegro di molto)
Sinfonia No. 49 em fá menor – La Passione
  1. Adagio
  2. Allegro di molto
  3. Menuet – Trio
  4. Finale (Presto)

Sinfonia No. 22 em mi bemol maior – Der Philosoph
  1. Adagio
  2. Presto
  3. Menuetto & Trio
  4. Finale (Presto)
Sinfonia No. 60 em dó maior – Il distratto
  1. Adagio – Allegro di molto
  2. Andante
  3. Menuetto – Trio
  4. Presto
  5. Adagio – Allegro
  6. Finale (Prestissimo)

Sinfonia No. 26 em ré menor – Lamentatione
  1. Allegro assai con spirito
  2. Adagio
  3. Minuet – Trio
Sinfonia No. 30 em dó maior – Alleluia
  1. Allegro
  2. Andante
  3. Finale

Sinfonia No. 63 em dó maior – La Roxolana
  1. Allegro
  2. La Roxolana – Allegretto piu tosto allegro
  3. Menuet – Trio
  4. Finale
Sinfonia No. 43 em mi bemol maior – Mercury
  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Menuet – Trio
  4. Finale (Allegro)

Sinfonia No. 45 em fá sustenido menor – L’addio
  1. Allegro assai
  2. Adagio
  3. Menuet (Allegretto) – Trio
  4. Finale (Presto)
  5. Adagio

Sinfonia No. 82 em dó maior – L’ours
  1. Vivace
  2. Allegretto
  3. Minuet – Trio
  4. Finale (Vivace assai)

Il Giardino Armonico (Nos. 39, 49, 22, 60, 63, 43 e 45)

Kammerorchester Basel (Nos. 26, 30 e 82)

Giovanni Antonini

Antonini no dressing room do PQP Bach Hall de Alegrete

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É papa fina!

Aproveite!

René Denon

Papa Haydn, para colorir

Adès / J. S. Bach / Barber / Brahms / Couperin / Händel / Ligeti / Rameau / Ravel: Time Traveler’s Suite – Inon Barnatan, piano ֍

Adès / J. S. Bach / Barber / Brahms / Couperin / Händel / Ligeti / Rameau / Ravel: Time Traveler’s Suite – Inon Barnatan, piano ֍

 

Time Traveler’s Suite

Inon Barnatan

 

 

 

Este interessantíssimo disco para piano solo é interpretado pelo estreante aqui no blog (pelo menos como solista) – Inon Barnatan – distingue-se por seu programa não usual.

Sala de gravação do disco…

O título, Time Traveler’s Suite (Suíte do Viajante do Tempo), indica que teremos uma sequência de peças – talvez inspiradas em danças – mas que foram colecionadas ao longo de uma jornada, não linear, no tempo.

Pode parecer estranho, peças de períodos diferentes e compositores diferentes, colocadas uma depois da outra, mas o resultado é surpreendente, gostei de ouvir todo o disco. A viagem começa na geração dos compositores que nasceram em 1685 com uma das Toccatas de Bach, seguida de uma deliciosa Allemande da Quinta Suíte de Handel. A próxima parada da nave-ampulheta de Inon é em Paris, com o ponteiro ainda marcando um passado mais distante. Duas peças dos grandes compositores franceses para teclado – uma Courante de Rameau e de François Couperin a peça chamada Atalanta.

Depois desses mestres do barroco, Barnatan regula seu ponteiro para avançar até o século XX, chegando a uma das composições de Ravel – o Rigaudon da sua suíte Tombeau de Couperin, que ele escreveu durante a Primeira Guerra tanto para reverenciar o seu colega antecessor como para homenagear os amigos cujas vidas foram perdidas na guerra.

Inon avistou de sua escotilha a TARDIS, do Dr. Who…

A viagem segue e a próxima parada é na Londres de nossos dias – composição de Thomas Adès, Blanca Variations, uma espetacular peça para piano de uns seis minutos que é a um tempo inovadora, com sonoridades belíssimas, mas que também tem um olhar voltado para a música do passado. E depois disso, vamos com o pianista até a Hungria da metade do século XX, agora com duas peças de um conjunto composto por György Ligeti, chamado Musica Ricercata. Aqui ouvimos as Décima e Décima Primeira peças, mas em ordem retrógrada. Essa diversidade toda evidencia a técnica e as habilidades ao piano de Inon Barnatan. E como a última peça de Ligeti é compatível com a próxima parada, agora a Fuga composta como último movimento da Sonata para Piano que Samuel Barber compôs para o pedido de Volodya Horowitz, o mais virtuoso dos pianistas.

Para terminar a viagem e o programa, o pianista escolheu a integral das Variações Handel, de Brahms, outro compositor que reverenciava a música do passado.

O disco é recente e a produção é excelente!

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Toccata in E minor, BWV914
  1. Toccata

George Frideric Handel (1685 – 1759)

Suite em mi maior, HWV 430 – ‘The Harmonious Blacksmith’
  1. Allemande

Jean-Philippe Rameau (1683 – 1764)

Suíte em lá menor das “Nouvelles suites de pièces de clavecin (c1729–30)”
  1. Courante

François Couperin (1668 – 1733)

Pièces de clavecin II: Ordre 12ème em mi maior
  1. L’Atalante

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Le Tombeau de Couperin
  1. Rigaudon. Assez vif “Piere & Pascal Gaudin”

Thomas Adès (nascido em 1971)

Blanca Variations
  1. Variações

György Ligeti (1923 – 2006)

Musica Ricercata
  1. 11, Andante misurato e tranquillo “Girolamo Frescobaldi”
  2. 10, Vivace. Capriccioso

Samuel Barber (1910 – 1981)

Sonata para Piano, Op. 26
  1. Fuga. Allegro con spirito

Johannes Brahms (1833 – 1897)

Variações e Fuga sobre um tema de Handel, Op. 24
  1. Variações e Fuga

Inon Barnatan, piano

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Inon Barnatan

On his third PENTATONE album Time Traveler’s Suite, pianist Inon Barnatan redefines our notions of the suite by taking us on a journey through time and space, from Baroque pieces by Bach, Handel, Rameau and Couperin to more recent works by Ravel, Barber, Adès and Ligeti. The program culminates in Brahms’s ingenious Variations and Fugue on a Theme by Handel. Inon Barnatan is one of the most admired pianists of his generation (New York Times). His complete recordings of Beethoven’s piano concertos together with the Academy of St Martin in the Fields and Alan Gilbert were released on PENTATONE in 2019 and 2020.

Barnatan plays with delightful alertness of phrasing and his ornamentation is sublimely executed. Some musical transitions work better than others, and I did wonder whether all of the Baroque works needed to be bunched at the start…Still, I love the concept, and anything that can so effectively and seamlessly bring old and new together is very welcome. BBC Music Magazine

Barnatan is palpably in his element [in the Barber], with a real clarity to his thinking and a whole range of colours and shadings from the most delicate pianissimos to stomping fortissimos…Barnatan is utterly at home in the midst of counterpoint. He’s beautifully recorded too. A winner! Gramophone

Aproveite!

René Denon

Inon chegando para mais uma seção de gravação…

Bizet (1838-1875): Carmen (Highlights) – Jessye Norman – Orchestre National de France & Seiji Ozawa ֍

Bizet (1838-1875): Carmen (Highlights) – Jessye Norman – Orchestre National de France & Seiji Ozawa ֍

Georges Bizet

Carmen (Highlights)

Jessye Norman

Neil Schicoff

Simon Estes

ONF & Seiji Ozawa

Georges Bizet morreu sem ver o sucesso de sua obra prima – Carmen – uma ópera que é um marco na história da música. Apesar de ter sido precoce e ter tido seu talento musical reconhecido ainda criança, Georges Bizet demorou toda sua (curta) vida para conquistar a oportunidade de compor sua grande ópera. Ele deixou também as óperas Le pêcheurs de perle (1863), que tem o exotismo do oriente, e La Jolie fille de Perth (1867), que tem as características da opéra-comique e um libreto para lá de ruim.


Opéra-Comique é um teatro de ópera em Paris que abrigava um tipo de ópera leve, com números musicais bem recortados, com diálogos declamados, oriundas de espetáculos que eram apresentados em feiras. Este gênero operístico recebeu assim este nome. Seus principais compositores foram Gluck, Boieldieu, Auber, Grétry. La fille du regimento, de Gaetano Donizetti é um típico exemplo.


As críticas recebidas nesta última ópera deram um último empurrão e ele se propôs a abandonar este estilo que chamou ‘escola de flonflons, trilos e falsidades’.

Em 1869 casou-se com Geneviève Halévy, filha de Jacques Fromental Halévy, professor e compositor de ópera (compôs La juive). Neste período Bizet também andou ocupado com as coisas do mundo. Nasceu seu filho e ele serviu na Guarda Nacional, durante o cerco de Paris, na guerra com a Prússia.

Em 1872 ele compôs a música incidental para a peça L’Arlesienne e compôs a ópera de um ato, Djamileh, baseada em um conto oriental. A música incidental é ótima e marca sua evolução. A ópera não fez grande sucesso, mas a música é mais do que interessante e lhe valeu um contrato com o Opéra-Comique para uma ópera com libreto à sua escolha. Bizet se encantou com um conto de Prosper Mérimée sobre a Carmencita. Mérimée era ele mesmo um digno personagem de romance. Amores e duelos, viagem à Espanha para escrever sobre obras de museus para o jornal do pai, em Paris. Ele preferiu mais o ambiente fora dos museus e conviveu com as pessoas comuns. Sua história sobre Carmen envolve ciganas, soldados, contrabandistas, um toureiro, muita paixão, ciúmes e uma tragédia.

Bizet arranjou que os libretistas fossem Henri Meilhac e Ludovic Halévy (primo de sua mulher) que deram uma abrandada na história original, criaram Micaela, uma mocinha ingênua, que vem em busca de Don José, e cuja inocência faz contraponto à Carmen. Apesar de tudo, a estreia não foi um sucesso. A audiência esperava mais uma opéra-comique e não estava preparada para tantas novidades. Pessoas comuns, uma mulher empoderada escolhendo quem amaria, muito além dos típicos enredos de então. Além disso, Carmen segue a tradição dos diálogos falados entre os números musicais, mas à medida que a trama se aprofunda, os personagens vão se aproximando mais e mais da tragédia final. Assim, Carmen é precursora do verismo, estilo realístico que estava por surgir, como nas óperas Cavalleria rusticana (Mascagni – 1890), Pagliacci (Leoncavallo – 1892), Andrea Chénier (Giordano 1896) e a sublime Tosca (Puccini – 1890).

Um dia antes de morrer, Bizet assinou um contrato para que sua ópera fosse apresentada em Viena. Essa apresentação tornou Carmen conhecida no mundo todo e reconhecida finalmente também em Paris como uma obra prima.

Carmen é uma cigana que trabalha com suas amigas (Frasquita e Mercedes) em uma fábrica de cigarros. Don José é um cabo da Companhia Dragões de Alcalá e acaba seduzido (oh…) pela cigana. Deixa-a fugir (ela vive se metendo em confusões) e vai preso por isso. Micaela é uma jovem que mora na vila natal de Don José e vem trazer-lhe uma carta de sua mãezinha (dele, Don José).

Ao sair da prisão, Don José vai à taberna de Lillas Pastia atrás de Carmen (esse rapaz realmente não tem juízo). É claro, atrás dela também estão o toureiro (toreador…) e o Tenente da Guarda, um tal de Zuninga. Ia-me esquecendo, na taberna também estão os contrabandistas Dancairo e Remendado, que com as ciganas planejam seus atos ilícitos. Carmen espera atrair Don José para que se junte a eles. Uma desavença (ah, Carmen…) entre Zuninga e Don José o coloca definitivamente no mau caminho. Esse Don José está realmente encrencado.

Mais um ato, agora nas montanhas, ambiente dos contrabandistas, mas todos se encontram novamente – as ciganas (que estão lendo a sorte nas cartas… a sina de Carmen é nada boa), os contrabandistas, Don José. Aparece o toureiro, ciúme atiça Don José, mas tem a turma do ‘deixa disso’ e aparece Micaela, que avisa Don José da eminente morte de sua mãezinha. Este vai embora, mas avisa Carmen que voltará.

No último ato descobrimos que Carmen tornou-se amante de Escamilho, que vai enfim trabalhar… pobres touros. A última cena é o encontro dos ex-amantes, Carmen e Don José, que termina de maneira trágica.

Nesta seleção temos uma ótima impressão de tudo: a abertura é uma prova dos muitos dons de Bizet. Você ouvirá um microcosmo da ópera (1). Em seguida temos a Habanera (2), na qual Carmen faz sua declaração de mulher livre e que o amor é um pássaro rebelde! Mais adiante, ela também afirma que é um menino cigano que nunca conheceu lei… Ao final da ária, Carmen lança uma flor para Don José.

No próximo número, Carmen agora seduz definitivamente (como se precisasse) Don José, falando da taberna de Lillas Pastia (3).

Agora as ciganas cantam e dançam na taberna (4). Depois temos a ária do toureador, Escamilho nos conta tudo sobre a dura e saborosa vida do mata-touros (5).

Temos também um número com várias pessoas cantando (6), as ciganas, os contrabandistas…

Don José também é brindado com uma das mais lindas árias da ópera, a Ária da Flor, na qual ele se mostra desesperadamente apaixonado por Carmen (7). Na sequência (8), Carmen usa essa declaração para conseguir que ele se una aos contrabandistas (tsc, tsc, tsc).

Um momento que gosto em particular é quando a ciganas vêm a sorte nas cartas. A insistência da morte aparecendo para Carmen faz contraponto com a frivolidade das outras sinas: amor e fortuna (9).

Antes do número final, temos uma linda ária de Micaela, a meiga jovenzinha que vem em busca de Don José. Essa personagem foi introduzida na ópera pelos libretistas e não é criação do conto original de Mérimée (10).

A última faixa mostra como Bizet se distanciou do gênero leve e realmente inaugura uma nova maneira de compor óperas. São dez minutos que começa com o famoso tema do toureiro, interrompido por um trágico anúncio do que se seguirá. As vozes são levadas aos seus extremos (11). Você precisa ouvir isso tudo…

Georges Bizet (1838 – 1875)

Carmen (Highlights)

  1. Abertura (Prelude)
  2. “Mais nous ne voyons pas la Carmencita” – “L’amour est un oiseau rebelle” (Habanera) – Carmen
  3. “Près des remparts de Séville…Tais-toi” – Carmen
  4. “Les tringles des sistres tintaient” – Carmen, Mercedes e Frasquita
  5. “Votre toast, je peux vous le rendre” – “Toréador, en garde” – Escamilho
  6. “Nous avons en tête une affaire!” – Vários
  7. “La fleur que tu m’avais jetée” – Don José
  8. “Non, tu ne m’aimes pas!” – Carmen e Don José
  9. “Mêlons! Coupons!” – “En vain, pour éviter les répon- ses amères” – Carmen, Mercedes e Frasquita
  10. “Je dis que rien ne m’épouvante” – Micaela
  11. “C’est toi!” “C’est-moi!” – Carmen e Don José

Jessye Norman (Carmen)
Mirella Freni (Micaëla)
Neil Shicoff (Don José)
Simon Estes (Escamillo)
Ghylaine Raphanel (Frasquita)
Jean Rigby (Mercédès)
Gérard Garino (Le Remendado)
François Le Roux (Le Dancaïre)
Choeurs de Radio France
Orchestre National de France
Seiji Ozawa

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Jessye Norman

Aproveite!

René Denon

PS: Se você quiser aprofundar sua experiência, poderá ouvir a gravação integral acessando essa postagem aqui:

In memoriam Jessye Norman (1945-2019) – Georges Bizet (1838-1875) – “Carmen”, ópera em quatro atos

.: interlúdio :. Billie Holiday (1915-1959): All or nothing at all – Songs for Distingué Lovers & Body and Soul (Produção de Norman Granz – Verve) ֍

.: interlúdio :. Billie Holiday (1915-1959): All or nothing at all – Songs for Distingué Lovers & Body and Soul (Produção de Norman Granz – Verve) ֍

All or nothing at all

Songs for Distingué Lovers

Body and Soul

Billie Holiday, vocals

Harry “Sweets” Edison, trumpet

Bem Webster, tenor sax

 

Jimmy Rowles, piano

Barney Kessel, guitar

Red Mitchell or Joe Mondragon, bass

Alvin Stoller, drums

 

Ela nasceu Eleanora Fagan, em 1915. Tornou-se Billie Holiday, cantora inovadora e precoce. Viveu num período difícil de ser mulher negra americana e teve uma vida cheia de relacionamentos complicados, com pessoas e substâncias. Ganhou de seu amigo e parceiro musical Lester Young o (lindo) apelido Lady Day. É uma das cantoras americanas mais incônicas e ao ouvir sua voz você entenderá a razão. Seu legado é apaixonante.

Suas principais inspirações, segundo ela mesma, foram Louis Armstrong e Bessie Smith, que ela conheceu ouvindo seus discos nos lugares onde viveu, trabalhou e começou a cantar. Ela tentava fazer com sua voz aquilo que ouvia Louis fazer com seus solos de trompete e de Bessie admirava a maneira intensa como ela cantava blues e como usava as suas características vocais.

Billie viveu 44 anos, dos quais muitos foram minados pelos seus problemas pessoais, mas seu legado é enorme. Aos 23 anos já havia gravado ou se apresentado com personalidades do jazz tais como Duke Ellington, Count Basie, Lester Young, Teddy Wilson, Benny Carter, Artie Shaw, entre outros.

Lester ‘Prez’ Young

Seu estilo de cantar se concentrava nas palavras, nas letras das canções, sua dicção e a maneira como apresenta a canção são inesquecíveis. Nesta postagem apresentaremos música que ela gravou em dois períodos (principais) de sua carreira. Por sete anos, iniciando em 1935, gravou lindas canções acompanhadas do pianista Teddy Wilson e seus músicos. Entre essas teremos as típicas I’ll Never Be the Same e Mean to Me, gravações onde poderemos ouvir o saxofone de seu amigo Lester Young, que ganhou dela o apelido de President, Prez… O estilo de Lester Young contrastava enormemente dos saxofonistas famosos daquela época, como Coleman Hawkins, por adotar uma maneira mais relaxada de tocar, mais cool, usando sofisticadas harmonias.

Norman Granz, produtor (Verve)

A partir de 1952 Billie Holiday gravou muitas canções para o selo Clef (posteriormente Verve) do produtor Norman Granz, culminando com uma série de seções em agosto de 1956 e janeiro de 1957.

O contraste entre as gravações feitas com Teddy Wilson e as gravações no selo Verve é grande. Muitos preferem as primeiras, onde a voz de Billie está em boa forma e as canções são dançantes e alegres. Nas gravações posteriores, a voz da cantora já apresentava o desgaste resultante de sua vida difícil. Por outro lado, a qualidade das canções escolhidas é espetacular assim como o acompanhamento musical, sem contar a qualidade sonora. Além disso, as interpretações certamente amadureceram com a cantora que ainda contava com perto dos 40 anos.

Ben Webster, sax tenor nas gravações da Verve

Escolhi três discos (CDs) para a postagem. Um disco de banca, da Coleção da Folha de São Paulo, trazendo 10 canções com produção de Norman Granz, gravadas principalmente em 1952, e 3 canções cujos acompanhamentos são de Teddy Wilson, gravadas na década de 1930.

Os outros dois CDs formam o Volume 7 da Billie Holiday Story na Verve. Esse conjunto reúne 26 canções que foram gravadas nas das seções de 1956 e 1957 e foram lançadas em três LPs – Body and Soul (1957), Songs for Distingué Lovers (1958) e All or Nothing at All (1959).

 

O primeiro CD dá um panorama desses dois períodos e contém algumas pérolas musicais, como Blue Moon, Love for Sale e How Deep is the Ocean? As outras músicas que formam os três LPs lançados entre 1957 e 1959 são verdadeiras joias musicais e formam um conjunto de canções americanas praticamente insuperáveis. Todos os monstros sagrados da música americana as gravaram e vários deles se declararam influenciados pelas interpretações de Billie Holiday. Você encontrará essas músicas associadas a nomes como Frank Sinatra e Ella Fitzgerald, entre outros. Os músicos que a acompanharam nestas gravações eram os melhores e todos se conheciam muito bem. No libreto descobrimos que essas gravações pareciam ser apenas ‘one more for the road’ – apenas uma saideira, até a próxima seção, mas tornaram-se muito especiais. Nestas canções, a cantora deu uma dimensão a mais, devido às suas experiências pessoais e com a música. Como disse Miles Davis: ‘Sometimes you can sing a song words every night for years, and all of a sudden it dawns on you what the song means’ (Você pode cantar as palavras de uma canção por anos a fio, e assim como que de repente, o significado da canção se revela para você). Ele certamente disse com bastante mais poesia…

Se você não conhece a língua inglesa, mas tem alguma curiosidade, vale a pena penetrar em algumas dessas canções. Eu sou fascinado por elas e acho que merecem nossa atenção por si só, mas a interpretação da Billie joga ainda mais beleza sobre elas.

Os compositores e letristas desse conjunto de canções formam um grupo formidável, como os irmãos Gershwin, Irving Berlin, Cole Porter, Kurt Weil e Duke Ellington, alguns dos mais conhecidos. Muitas delas foram escritas para musicais da Broadway e algumas foram cantadas pela primeira vez por Bing Crosby, no palco e nos filmes. As letras são a um tempo imaginativas e cativantes. Uma boa maneira de penetrar na língua inglesa, pelo menos como é falada na terra do Tio Sam.Se você tiver pouco tempo para essa coisa das letras, escolha algumas poucas e faça uma tentativa. As recompensas podem ser enormes. Veja, por exemplo, Let’s Call The Whole Thing Off, de George e Ira Gershwin. A canção é uma enorme brincadeira sobre as diferentes maneiras de pronunciar as palavras, dependendo do sotaque: you say ‘ider’ and I say ‘aider’, you say ‘nither’ and say ‘naither’… Adorable! Essa canção também faz parte do repertório de Ella Fitzgerald e Louis Armstrong, jogando um para o outro…

Outra letra adorável é Comes Love, de Lew Brown. Diante de qualquer eventualidade, mesmo uma dor de dente, você já sabe o que fazer… mas quando é amor, nothing can be done! Nada se pode fazer. Ah, e a música! Solos de guitarra, de sax, intermediados com as letras. Você precisa ouvir muitas vezes.

Há canções que contam uma pequena história, ou narram uma cena, coisa de crônica. Veja, por exemplo, A Foggy Day, ainda dos irmãos Gershwin. Em poucas palavras descobrimos que a americana está em um nublado dia em Londres, se arrastando pelo Museu Britânico, mas o dia se torna ensolarado (metaforicamente, dã…) com a presença de ‘alguém’… E lá está, de novo, a música do pequeno enorme conjunto musical. Outra pequena crônica está em One For My Baby (And One More for the Road). O pobre garçom do bar tem que ouvir mais uma história…

Aqui LD ao lado de Jimmy Rowles, o pianista das gravações para a Verve

Todas as letras dessas canções estão ao alcance de seus dedos, na internet, e se você se der ao trabalho, dobrará ainda mais o prazer de ouvir a maravilhosa Lady Day, acompanhada por Ben Webster, ora por Lester Young ou Oscar Peterson e tantos outros.

Moonlight in Vermont e Stars Fell on Alabama são também inesquecíveis. Na verdade, não se pode deixar qualquer uma de fora.

 

Solitude (Coleção Folha de S.Paulo)

  1. Solitude (Ellington/Mills/De Lange)
  2. Blue Moon (Rodgers/Hart)
  3. East of the Sun (Bowman/Brooks)
  4. These Foolish Things (Link/Marvell/Strachey)
  5. Tenderly (Gross/Lawrence)
  6. Autumn in New York (Vernon Duke)
  7. Love for Sale (Cole Porter)
  8. Stormy Weather (Arlen/Koehler)
  9. Yesterdays (Kern/Harbach)
  10. How Deep Is the Ocean? (Irving Berlin)
  11. I’ll Never Be the Same (Kahn/Malneck/Signorelli)
  12. Mean to Me (Turk/Ahlert)
  13. Miss Brown to You (Rainger/Robin/Whiting)

Billie Holiday, vocals

Faixas 1 a 6: Charlie Shavers (trompete); Flip Phillips (sax tenor); Oscar Peterson (piano); Barney Kessel (guitarra); Ray Brown (baixo); Alvin Stoller (bateria); Norman Granz (1952)

Faixa 7: Oscar Peterson (piano); Norman Granz (1952)

Faixas 8 e 9: Joe Newman (trompete); Paul Quinichette (sax tenor); Oscar Peterson (piano e órgão); Freddie Green (guitarra); Ray Brown (baixo); Gus Johnson (bateria); Norman Granz (1952)

Faixa 10: Charlie Shavers (trompete); Oscar Peterson (piano), Herb Ellis (guitarra); Ray Brown (baixo); Ed Shaughnessy (bateria). Norman Granz (1954)

Faixas 11 a 13: Teddy Wilson (piano); Buck Clayton (trompete, 11 e 12); Roy Eldridge (trompete, 13); Buster Bailey (clarinete, 11 e 12); Benny Goodman (clarinete, 13); Lester Young (sax tenor, 11 e 12); Ben Webster (sax tenor, 13); Freddie Green (guitarra, 11); Allan Reuss (guitarra, 12); John Trueheart (guitarra, 13); Walter Page (baixo, 11); Artie Bernstein (baixo, 12); John Kirby (baixo, 13); Jo Jone (bateria, 11); Cozy Cole (bateria, 12 e 13) – (1937, 11 e 12; 1935, 13)

Lester ‘President’ Young

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MP3 | 320 KBPS | 96 MB

Body and Soul

  1. Body And Soul (John W. Green – Edward Heyman – Robert Sour – Frank Eyton)
  2. They Can’t Take That Away From Me (George e Ira Gershwin)
  3. Darn That Dream (James Van Heusen – Edgar de Lange)
  4. Let’s Call The Whole Thing Off (George e Ira Gershwin)
  5. Comes Love (Lew Brown – Sam H. Stept – Charles Tobias)
  6. Gee, Baby, Ain’t I Good To You (Donald Matthew “Don” Redman – Andy Razaf)
  7. Embraceable You (George e Ira Gershwin)
  8. Moonlight In Vermont (Karl Suessdorf – John Blackburn)

Songs For Distingué Lovers

  1. Day In, Day Out (Rube Bloom – John Herndon “Johnny” Mercer)
  2. A Foggy Day (George e Ira Gershwin)
  3. Stars Fell On Alabama (Frank S. Perkins – Mitchell Parish)
  4. One For My Baby (And One More For The Road) (Harold Arlen – Johnny Mercer)
  5. Just One Of Those Things (Cole Albert Porter)
  6. I Didn’t Know What Time It Was (Richard Rodgers – Lorenz Hart)

All or Nothing at All

  1. Do Nothin’ Till You Hear From Me (Edward Kennedy “Duke” Ellington – Bob Russell)
  2. Cheek To Cheek (Irving Berlin)
  3. Ill Wind (You’re Blowin’Me No Good) (Harold Arlen – Theodore “Ted” Koehler)
  4. Speak Low (Kurt Weill – Ogden Nash)
  5. I Wished On The Moon (Ralph Rainger – Dororthy Parker)
  6. But Not For Me (George e Ira Gershwin)
  7. All Or Nothing At All (Arthur Altman – Jack Lawrence)
  8. We’ll Be Together Again (Carl Fischer – Frankie Lane)
  9. Sophisticated Lady (Duke Ellington – Mitchell Parish – Irving Mills)
  10. April In Paris (Vernon Duke – E. Y. “Yip” Harburg)
  11. Say It Isn’t So (Irving Berlin)
  12. Love Is Here To Stay (George e Ira Gershwin)

Billie Holiday, vocal

Harry Edison, trumpet

Ben Webster, tenor saxophone

Jimmy Rowles, piano

Barney Kessel, guitar

Red Mitchell, double bass

Alvin Stoller, drums

Joe Mondragon, double bass

Larry Bunker, drums

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Billie Holiday, a Lady Day!

Aproveite!

René Denon

Diversos Compositores: Retrospectiva de 2022 do René Denon ֍

Diversos Compositores: Retrospectiva de 2022 do René Denon ֍

Retrospectiva

2022

Mais uma vez a Terra está a completar uma volta em sua órbita celeste e nos aproximamos do fim deste peculiar ano de 2022. Alguns ciclos se completam, outros estão a vir, já anunciados. É um bom momento para, como Janus, olharmos para trás, considerando o que foi feito e desejarmos o que está chegando. Eu estou tentando criar espaço no presente para receber o que o futuro trará.

Passei em revista minha atividade no blog, entre 1 de dezembro de 2021 e 30 de novembro de 2022. Este ano não tive energia para verificar todas as publicações e limitei às que resultaram de meus próprios esforços. Estas postagens refletem meu envolvimento com música, que posso observar, é grande. Algumas delas foram fáceis de preparar, vindas de alguma boa inspiração, outras demandaram mais estudo e dedicação, mas todas me deram bastante prazer, ao longo do caminho. Prazer em ouvir a música, de eventualmente comparar com outras interpretações ou de seguir as direções que ela me apontava. Prazer também em burilar o texto, em catar as ilustrações e depois esperar que elas surgissem, no blog. Esperar os aguardados comentários, estes mais parcos do que eu gostaria. De qualquer forma, os que recebi ao longo deste período me pareceram sinceros e foi gratificante lê-los.

Olhar estas postagens mais uma vez me fez pensar o quanto é importante valorizar o tempo, que ouvir música demanda tempo. Talvez seja por isso que alguns de nós se agarre a um repertório mais restrito, voltando sempre aos mesmos intérpretes. Eu sou por demais curioso para isso, o que me força a constantemente abrir mão desse tipo de segurança, abrindo espaço para as novidades.

Neste período fiz 64 postagens e acabei selecionando uma playlist entre as peças que considerei representativas do total. Caso você tenha o tempo de ouvir, poderá se interessar em visitar a correspondente postagem e descobrir algumas outras novidades.

Três dessas postagens selecionadas são de nosso padroeiro, São Sebastião Ribeiro. Uma gravação estalando de nova das seis sonatas para cravo e violino, com o violinista Andoni Mercero e o cravista Alfonso Sebastián; um disco com cantatas para baixo interpretadas pelo (jovem) David Greco, acompanhado pelo Luthers Bach Ensemble, sob a direção de Tymen Jan Bronda; uma outra gravação (plena de reflexões feitas durante o afastamento social resultado da pandemia) das seis (maravilhosas) suítes para violoncelo pelo jovem e talentoso Bruno Philippe.

Duas postagens refletem essa minha busca por novidades. Assim, na minha playlist de Retrospectiva 2022 há duas peças que conheci este ano e que me impressionaram: num deles, o Concerto para Piano de Sir Michael Tippett, interpretado pelo veterano pianista Howard Shelley, com a Bournemouth Symphony Orchestra, regida pelo (late) Richard Hickox, num disco do selo Chandos, inglês em todas as instâncias; no outro, o Cantus Articus do compositor finlandês Einojuhani Rautavaara. A peça Cantus Articus foi a que me motivou investigar a música de Rautavaara e o disco também traz a sua Sinfonia No. 7 e o Concerto para flautas.

O repertório de música francesa dos séculos 19 e 20 aparece sempre nas minhas postagens e um exemplo é este disco de músicos poloneses (ótimos) tocando lindas peças de câmara com instrumentos de sopros, o Gruppo di Tempera. Veja o discreto charme deste La chaminée du roi René, de Darius Milhaud.

Outro exemplo é o disco Exotisme, sonorités pittoresques, com peças para piano solo ou a quatro mãos, interpretadas pelos ótimos Ludmilla Guilmaut e Jean-Noël Dubois. Uma mescla de música de compositores mais conhecidos com música de compositores que recebem menos exposição e que merecem maior divulgação. Muita alegria, charme e beleza, como num lindo buque de flores.

Cantores também me interessam muito e adorei ter conhecido o trabalho da mezzo-soprano Elisabeth Kulman cantando algumas canções de Mahler, acompanhada por um pequeno conjunto de músicos com o sugestivo nome Amarcord Wien.

Muito trabalho me deu a postagem das 40 árias, que passou incólume pelos nossos leitores. Muito trabalho, uma vez que ópera é um gênero musical que eu conheço pouco, mas muito prazer também em descobrir um pouco o sentido de tão belos momentos musicais. Para esta Retrospectiva 2022 escolhi algumas das árias que considerei mais emblemáticas. Entre elas Casta Diva, da ópera Norma, composta por Bellini, e Vissi d’arte, de Tosca, composta por Puccini.

Uma grata surpresa neste ano foi a descoberta da música para piano de Radamés Gnattali, num disco primoroso. O intérprete Luís Rabello é sobrinho do violonista Raphael Rabello e ótimo pianista.

Para completar essa retrospectiva, não poderia deixar de mencionar mais música barroca. Escolhi algumas sonatas de Scarlatti, parte da postagem de um disco da espetacular pianista Zhu Xiao-Mei e uma postagem dedicada ao Opus 3 de Vivaldi, pelo Concerto Italiano, sob a direção de Rinaldo Alessandrini. Esta coleção tem de especial o fato de que os concertos de Vivaldi estarem entremeados com algumas das suas transcrições feitas por Bach.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Sonata No. 6 em sol maior, BWV1019
  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro
  4. Adagio
  5. Allegro

Andoni Mercero, violino

Alfonso Sebastián, cravo

Cantata BWV 82 ‘Ich habe genug’
  1. Ich habe genug
  2. Ich habe genug! Mein Trost ist nur allein
  3. Schlummert ein, ihr matten Augen
  4. Mein Gott! Wann kömmt das schöne
  5. Ich freue mich auf meinen Tod

David Greco, baixo

Joanna Huszcza, violino

Amy Power, oboé

Luthers Bach Ensemble

Tymem Jan Bronda

Suíte para Violoncelo No. 6 in D major, BWV1012
  1. Prélude
  2. Allemande
  3. Courante
  4. Sarabande
  5. Gavottes I & II
  6. Gigue

Bruno Philippe, violoncelo

Michael Tippett (1905 – 1998)

Concerto para Piano e Orchestra
  1. I Allegro non troppo
  2. II Molto lento e tranquilo
  3. III Vivace

Howard Shelley, piano

Bournemouth Symphony Orchestra

Richard Hickox

Darius Milhaud (1892 – 1962)

Le cheminée du Roi René, Op. 205
  1. Cortege
  2. Aubade
  3. Jongleurs
  4. La Maousinglade
  5. Joutes sur l’arc
  6. Chasse a Valabre
  7. Madrigal – Nocturne

Gruppo di Tempera

Agnieszka Kopacka, piano
Agata Igras-Sawicka, flauta
Sebastian Aleksandrowicz, oboé
Adrian Janda, clarinete
Artur Kasperek, fagote
Tomasz Bińkowski, trompa

Gustav Mahler (1860 – 1911)

  1. Ging heut morger übers Feld – Mahler (Lieder eines fahrenden Gesellen)
  2. Ich atmet’ einen linden Duft – Rückert-Lieder
  3. Blicke mir nicht in die Lieder – Rückert-Lieder
  4. Liebst du um Schönheit – Rückert-Lieder
  5. Adagietto – 4 movimento da Quinta Sinfonia

Elisabeth Kulman, mezzo-soprano

Amarcord Wien:

Tommaso Huber, acordeão

Sebastian Gürtler, violino

Michael Williams, violoncelo

Gerhard Muthspiel, contrabaixo

Einojuhani Rautavaara (1928 – 2016)

Cantus Arcticus, Op. 61 (Concerto para Pássaros e Orquestra)
  1. Suo (Pântano)
  2. Melankolia
  3. Joutsenet muuttavat (Cisnes migrando)

Sinfonia Lahti

Osmo Vänskä

Claude Debussy (1862 – 1918)

Préludes, Livre 1, L. 117
  1. Voiles

Ludmilla Guilmault, piano

Déodat de Séverac (1872 – 1921)

En Vacances, Vol. 1
  1. Où l’on entend une vieille boîte à musique
  2. Valse romantique

Ludmilla Guilmault; Jean-Noël Dubois, piano

Gabriel Fauré (1845 – 1924)

Dolly, Op. 56
  1. Le pas espagnol

Ludmilla Guilmault; Jean-Noël Dubois, piano

40 Best Arias

  1. Bellini- Norma – Casta Diva – Maria Callas
  2. Verdi- Rigoletto – La Donna E Mobile – Richard Leech
  3. Bizet- Carmen – Habanera – ‘L’amour Est Un Oiseau Rebelle – Julia Migenes
  4. Bizet- Carmen – Flower Song – Placido Domingo
  5. Offenbach- Les Contes d’Hoffmann – Barcarolle – Jennifer Larmore & Hei-Kyung Hong
  6. Mozart- Don Giovanni – Dalla Sua Pace – [Don Ottavio] – Hans-Peter Blochwitz
  7. Delibes- Lakme – Flower Duet – [Lakme, Mallika]) – Jennifer Larmore & Hei-Kyung Hong
  8. Verdi- La Traviata – Brindisi- Libiamo Ne’Lieti Calici – Neil Schicoff & Edita Gruberova
  9. Puccini- La Boheme – Che Gelida Manina [Rodolfo]) – Jose Carreras
  10. Puccini- La Boheme – Si. Mi Chiamano Mimi – Barbara Hendricks
  11. Puccini- Tosca – Vissi D’arte’ [Tosca] – Kiri Te Kanawa
  12. Puccini- Tosca – E Lucevan Le Stelle [Cavaradossi] – Placido Domingo
  13. Gluck- Orphee Et Eurydice – J’ai Perdu Mon Eurydice – Susan Graham
  14. Rossini- La Cenerentola – Non Piu Mesta [Angiolina] – Jennifer Larmore

Radamés Gnattali (1906 – 1988)

  1. Rapsódia Brasileira
  2. Poema de Fim de Tarde
  3. Manhosamente
  4. Uma rosa para o Pixinguinha

Luís Rabello, piano

Domenico Scarlatti (1685 – 1757)

  1. Sonata em mi maior, K. 531 (L. 430)
  2. Sonata em si menor, K. 87 (L. 33)
  3. Sonata lá maior, K. 533 (L. 395)
  4. Sonata em ré menor, K. 32 (L. 423)
  5. Sonata em lá maior, K. 39 (L. 391)

Zhu Xiao-Mei, piano

Antonio Vivaldi (1678 – 1741)

Concerto No. 8 for 2 Violins in A Minor, Op. 3, RV 522
  1. Allegro
  2. Larghetto
  3. Allegro

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Concerto for organ after RV 522 in A Minor, BWV 593
  1. [Allegro]
  2. Adagio
  3. Allegro

Antonio Vivaldi (1678 – 1741)

Concerto No. 10 for 4 Violins in B Minor, Op. 3, RV 580
  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Concerto for 4 Harpsichords after RV 580 in A Minor, BWV 1065
  1. [Allegro]
  2. Largo
  3. Allegro

Concerto Italiano

Rinaldo Alessandrini, cravo e regência

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 681 MB

Assim, mantendo ainda viva a memória da música que nos alegrou no ano que passou, voltamos os planos e as expectativas para este ano novo.

Aproveite!

René Denon

Diversos compositores: Forza Azurri! (Música Barroca Italiana) – La Serenissima & Adrian Chandler ֍

Diversos compositores: Forza Azurri! (Música Barroca Italiana) – La Serenissima & Adrian Chandler ֍

Zavateri • G. Sammartini

Dall’Abaco • Vivaldi

Brescianello

Concertos • Suíte

La Serenissima

Adrian Chandler

 

O título deste disco – Forza Azurri! – soa um pouco estranho, uma vez que há uma Copa do Mundo acontecendo (pelo menos nos dias em que escrevo estas mal traçadas linhas) e a seleção da Itália não está participando. Não que já tenha sido eliminada, como a seleção da Alemanha, Holanda, Uruguai e Brasil, mas não chegou a passar da fase de eliminatórias.

Isto pode parecer insignificante para nossos leitores de gerações mais recentes, mas uma Copa do Mundo sem a Squadra Azzurra é um pouco estranha para mim. A Itália é tetra campeã e foi vice em 1970 (!) e 1994, quando Roberto Baggio chutou o último pênalti lá nas alturas.  Talvez o título seja um incentivo visando as próximas competições vindo deste grupo de ótimos músicos (ingleses) – La Serenissima – que sob a liderança de Adrian Chandler toca maravilhosamente o repertório barroco italiano.

Durante o período que chamamos barroco havia uma grande demanda por música nos estilo ‘italiano’, não só nas cidades da Itália, mas também nas outras cidades europeias. Sempre havia emprego nas cortes e igrejas para um compositor ou músicos de origem italiana, especialmente violinistas e violoncelistas. Essa demanda determinou o destino de vários dos compositores representados neste disco.

Giuseppe Sammartini nasceu em Milão, filho do oboísta francês Alexis Saint-Martin e irmão do também compositor e oboísta Giovanni Battista Sammartini. Após sua formação em Milão, Giuseppe mudou-se para Bruxelas e depois para Londres, onde ficou pelo resto de seus dias. Atuou como compositor e músico, inclusive fazendo parte da orquestra das produções de Handel. Neste disco você ouvirá um concerto para flauta composto por ele.

Evaristo Felice Dall’Abaco nasceu em Verona e estudou violino e violoncelo com Torelli. Dall’Abaco foi músico e compositor da corte do eleitor Maximiliano Emmanuel, em Munique. Como este sofreu alguns revezes, Dall’Abaco seguiu com a corte para o exílio na Bélgica e depois para a França. Isso lhe deu a oportunidade de conhecer outros estilos musicais. No programa um dos seus concertos para cordas.

Outro compositor que cruzou os Alpes para viver mais ao norte foi Giuseppe Antonio Brescianello, que também estudou com Torelli. Brescianello teve uma passagem por Munique, mas firmou-se em Stuttgart, na Corte de Württemberg. Sua música está no disco na forma de uma suíte para orquestra de cordas.

A primeira peça do disco, que deve ter sido composta para abrir alguma apresentação teatral, é de Lorenzo Gaetano Zavareti, que nasceu e formou-se em Bolonha (outro aluno de Torelli). Diferente dos outros compositores apresentados, Zavareti permaneceu na Itália, atuando principalmente como violinista.

As outras três peças são de um compositor veneziano que dispensa apresentações, três lindos concertos do padre Antonio Vivaldi.

La Serenissima e Adrian Chandler nas escadarias do Castelo do PQP Bach em Novo Hamburgo

Lorenzo Gaetano Zavateri (1690 – 1764)

Introducione em sol maior para cordas e contínuo, Op. 1
  1. Largo e spicco – Allegro assai – Largo e spicco – Allegro assai – Largo e spicco – Adagio
  2. Allegro

Giuseppe Sammartini (1695 – 1750)

Concerto para flauta doce, cordas e contínuo em fá maior
  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro assai

Evaristo Felice Dall’Abaco (1675 – 1742)

Concerto No. 12 para cordas e contínuo em ré maior, Op. 6
  1. Allegro
  2. Grave
  3. Allegro mà non troppo

Antonio Vivaldi (1678 – 1741)

Concerto para violino, cordas e contínuo em lá maior, RV 353
  1. Allegro
  2. Andante
  3. Allegro
Concerto para flauta doce sopranino, cordas e contínuo em dó maior, RV 433
  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro molto
Concerto para violino, cordas e contínuo em mi menor, RV 281
  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro

Giuseppe Antonio Brescianello (1758 – 1690)

Overture-Suite para cordas e contínuo em ré maior
  1. Ouverture – Fuga
  2. Aria – Allegro
  3. Aria – Presto
  4. Rondeau
  5. Bourée
  6. Aria – Adagio
  7. Ciaccona

Tabea Debus, flauta doce

La Serenissima

Adrian Chandler, violino e direção

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 194 MB

Adrian Chandler visitando os jardins do Castelo do PQP Bach

Há outras gravações do conjunto La Serenissima/Adrian Chandler postadas aqui no blog. Em particular, uma outra que faz menção ao futebol.

Aproveite!

René Denon