#BTHVN250 – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonatas para piano (A. Rubinstein)

Este CD foi enviado pela Lais Vogel, co-gestora e fundadora da Fundação Maurizio Pollini. E, como estamos falando em amigos, coloco a seguir trecho de um e-mail enviado pelo escritor Fernando Monteiro.

Rubinstein executava acima de tudo Chopin com uma espécie de boêmia nas noites ciganas de elegância e tristeza muito longe dos estúdios de 400 mil canais da modernidade eletrônica up-to-date onde se ouve pulsarem as móleculas mais inquietas da madeira dos pianos. Sua elegância era como a de Fred Astaire — que era, também, um pouco “descuidado” até certo ponto… Havia uma espécie de porção de humilde pó humano — demasiadamente humano — nos dedos do velho Arthur perdido na recordação das noites das baronesas se protegendo da chuva sob as palmeiras imperiais do mundo austro-húngaro, se é que você me entende e não encara a música mais ou menos como um colecionador de selos de lupa, na mão gelada.

Depois disso, não devo escrever mais nada.

Beethoven – Sonatas para piano

01 Piano Sonata No. 8 in C minor (‘Pathétique’) Op. 13- Grave – Allegro di molto e con brio.mp3
02 Piano Sonata No. 8 in C minor (‘Pathétique’) Op. 13- Andante cantabile.mp3
03 Piano Sonata No. 8 in C minor (‘Pathétique’) Op. 13- Rondo, Allegro.mp3
04 Piano Sonata No. 14 in C sharp minor (‘Moonlight’), Op. 27-2- Adagio sostenuto.mp3
05 Piano Sonata No. 14 in C sharp minor (‘Moonlight’), Op. 27-2- Allegretto.mp3
06 Piano Sonata No. 14 in C sharp minor (‘Moonlight’), Op. 27-2- Presto agitato.mp3
07 Piano Sonata No. 23 in F minor (‘Appassionata’) Op. 57- Allegro assai.mp3
08 Piano Sonata No. 23 in F minor (‘Appassionata’) Op. 57- Andante con moto.mp3
09 Piano Sonata No. 23 in F minor (‘Appassionata’) Op. 57- Allegro ma non troppo.mp3
10 Piano Sonata No. 26 in E flat major (‘Les Adieux’) Op. 81a- Adagio – Allegro.mp3
11 Piano Sonata No. 26 in E flat major (‘Les Adieux’) Op. 81a- Andante espressivo.mp3
12 Piano Sonata No. 26 in E flat major (‘Les Adieux’) Op. 81a- Vivacissimamente.mp3

Arthur Rubinstein, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Arthur Rubinstein

PQP

20 comments / Add your comment below

  1. Bela postagem, obrigado ! A Appassionata está excelente, embora eu tenha algumas restrições sobre a Waldstein de Rubinstein.

    Sugestão interesseira: para comparação, que tal postar a Appassionata com Pollini e Brendel (e reativarar interessantes discussões sobre esses grandes interpretes)?

    Abraço, Eduardo

  2. Errata : no CD que eu tenho, aparece a Waldstein (que não está aqui) e não a Les Adieaux, que está nesta postagem… Esta eu ainda preciso ouvir! Eduardo

  3. Uau! Fundadora!? Pensei que eu era uma mera colaboradora!

    Mas falando nesse CD, no seu livreto diz-se que essa gravação é da época em que Rubinstein havia lapidado a sua técnica.

    Sim… O velho arthur não era bobo, e não iria enfrentar uma “apassionata” em estudio senão depois de ter se preparado muito bem.

    Ele estava recebendo muitas criticas nos EUA por interpretar de maneira demasiadamente pessoal! Declarou que sempre se preocupava com o “espirito” da música, sem se deter muito nos aspectos técnicos, formais…

    Claro que o seu toque suave, que deixa tudo bonito, ajudava.

    Entretanto, quando ele se aventurava em uma obra do nível da “apassionata”, sempre havia muitos erros tecnicos, o que provocava a avalanche dos criticos.

    Então, ele resolveu por refinar a técnica. Dedicou – segundo ele proprio – muitas horas diariamente para melhorar a sua habilidade virtuosistica e de tempo.

    O resultado é esta gravação. Mesmo sem bater tão forte e intenso, a apassionata do Rubinstein é linda do começo ao fim…

    Mas, como Polliniana, claro, eu gostaria mais do que tudo de comparar a versão da Apassionata do velho arthur com a do italiano.

    Procuro e não encontro disponível PQP!!

    Será que alguem tem? Pollini dedicou apenas 4 décadas de preparação para a gravação da apassionata que está sendo também muito elogiada (vide comentários na amazon).

  4. O Rubinstein tem uma gravação do Concerto Imperador que é a minha favorita. Com relação à apassionata, posso postar a versão do Brendel, não tenho a do Pollini. Não sei se o mano pqp a possui. Sugiro também a versão do Kempff, que também me proponho postar.

  5. Escrevi um comentário no post das “English suites” interpretadas por Gould.

    Eu já fiz o download duas vezes e as duas achei que falta o track 23 do CD 1. É um erro do arquivo? Você pode correge-lo?

    Obrigado pela atenção, espero a sua resposta

    j. p.

  6. Juan Pablo, acho que esta postagem foi de FDP.

    Eduardo? Aqui tudo correto.

    Estranho, essas reclamações sobre faixas com problemas tinham cessado e agora aparecem duas… Um saco.

  7. Desculpe minha insistência, mais sou novo neste seu blog (maravilhoso, por certo: eu quisera ter já todos os arquivos!)

    Então eu devo deixar numa postagem de FDP minha pergunta?

    j. p.

  8. Rubinstein e Horowitz não enfrentaram o ciclo completo das Sonatas do Grande Mestre.Acho que teriamos uma visão mais completa da leitura da obra Beethoveniana por eles.Esse negócio de pinçar aqui e acolá….huuummm….
    Os judeus americanos estão muito longe da grande escola européia.Chega até ser covardia compará-los a Schnabel,Kempff e Brendel em Beethoven,Schubert…melhor ficar com eles em Chopin,Grieg,Schumann…aquela turminha que conhecemos…eheheh…Pollini é melhor guardar para o Séc XX.

  9. Caros amigos.
    Conheço Fernando Monteiro há muito anos. Conheço e reconheço seu alto valor.
    Interessantes os comentários de Fernando Monteiro.
    É pena que não se saiba porque ele usou a expressão “colecionador de selos com uma lupa na mão” escrevendo sobre o que,possivelmente, tenha sido dito sobre a interpretação de Rubinstein.
    Pessoalmente eu tenho todo o respeito pelos puristas.
    Confesso não conhecer a edição original do Messias de Haendel.
    No entanto, do que eu me lembro de meus tempos escolares, penso que Haendel refez sua orquestração mais de uma vez e Mozart, se não estou equivocado, igualmente a refez.
    O que eu acho estranho, em tudo isto, é que os “puristas”
    não defendam que Mozart, Haydn ou Beethoven (por exemplo) sejam tocados apenas em Cravos ou, no máximo, em Piano-Forte ou (no caso de Beethoven e dai para frente em todos os românticos) naqueles instrumentos de museu ou naqueles pobres pianos de armário nos quais Liszt aparece vestido de sacerdote. Naquelas “Academias” dos “birdermeier” do tempo de Liszt, ouviam-se horrores que tinhma seis ou sete horas de duração.
    Mas isto não me interessa, de fato.
    Na realidade, na música, não me interessa muito quem escreveu o que, em que data o fez, se naquela data tal ou qual instrumento já existia, se o compositor tinha dificuldades financeiras e, coitadinho, apenas tinha um coral de 18 pessoas.
    O que me interessa, de fato, é que (por exemplo) Berlioz escreveu um Te DEUM magnífico (como aliás é quase toda a sua obra) o qual simplesmente foi ignorado por mais de um século por necessitar de duas Orquestras Sinfônicas, um Organista, (e um òrgão, é claro), um Tenor, um Coral Completo Masculino, um Coral Completo Feminino e um Coral Completo Infantil, além de, com toda a ceteza, um espaço físico que coubesse tudo isto sem que o conjunto se transfromasse em pura cacofonia.
    O que me interssa é que Berlioz escreveu a obra, por volta de 1849.
    Escreveu para ser executado quando possível… …ou nunca! Mas escreveu.
    E o que ele ecreveu é fantasticamente genial.
    Repito.
    Um Te Deum para ser executado quando possível… ou nunca!
    Mas escreveu-o.
    Está lá como obra sua. …e foi preciso aparecer um Abbado,mais de um Século depois, para fazer o quase impossível!
    Impossível este que hoje está postado até no You Tube para quem quiser ouvir(antes de Abbado, parece, devem ter existido umas 3 outras gravações, mas todas depois de 1980, ou por ai)
    Então?
    Ficamos com Haendel, que por um questão finaceira deixou de fazer uma obra a sua altura (mesmo se fosse obrigado a reduzi-la para sua primeira apresentação?)
    Ficamos com Berlioz (que não devia compor assim tão rápido quanto Haendel)mas que preferiu fazer o que sua concepção estética lhe ditava, mesmo, sabendo que não a ouviria em vida?
    Visão comercial de um (em detrimento da música) e visão estética de outro que “necessitava criar aquela obra de gênio incomparável”, não importanto se seria ou não executada durante sua vida?
    Bem… …eu fico com Berlioz.
    Como fico com Glenn Gould quando toca as Variações Goldberg em um magnífico piano que lhe permite nuances com as quais J S Bach jamais sonhou.
    Aliás, pode até ter sonhado mas jamais ouviu (salvo se o fez em sua imaginação auditiva fabulosamente rica).
    Contudo, tal sonho jamais poderia ser obtido daquela relíquia na qual Goldberg tocou.
    Alguém me diz,de fato, com firmeza e convicção, que os “cravos” construídos em nossos dias (e nos quais os saudosistas dizem que estão fazendo a verdadeira música daquela época) têm a mesma concepção, estrutura e sonoridade daquele cravinhos que aparecem nos retratos de Mozart e antecessores?
    Não, meus amigos.
    São outros “cravos”, com outros recursos sonoros.
    Para mim tudo tem um limite.
    Hoje em dia, não vou usar um Ford Bigode a não ser por pedantismo de colecionador.
    Se eu puder usar um Mercedes é claro que o usarei.
    Estou errado?
    Berlioz está, errado?
    Ou Haendel está errado em haver escrito uma pobre Aleluia, ao invés de escrevê-la: HHHAAALLLEEELLUUUIIIAAAAAAA!!!!! e a apresentado, enquanto tinha problemas finaceiros, como uma aleluia bem modesta… …isto é: como uma pequena amostra do que havia, de fato, concebido?
    Estou imaginando esta paupérrima aleluia (confesso não conhecer a partitura original) no meio daquela obra colossal que é o Messias.
    De qualquer forma, mesmo podendo estar equivocado sobre Haendel, que escrevia depressa demais e para manter a rapidez diminuia o número de músicos participantes, avalio que Berlioz fez o que é admirável em qualquer músico: nunca poderia ouvir a sua obra mas escreveu-a para todo o sempre. Duvido que alguém já tenha ouvido o seu Te Deum, salvo na gravação de Abaddo, nas tres ou quatro que a atencederam ou que tenham sido os músicos que dela participaram.
    É uma obra fantástica.
    Nem pode ser escrita rápido demais porque tem muitos músicos e muita música.
    Quase nunca poderá ser ouvida “ao vivo” e… …mesmo assim… …foi composta sendo que Berlioz a via (sem tê-la jamais ouvido) com um carinho muito especial, pois, sabia o valor que tinha e que nem era para ele, tampouco para seus contemporâneos, nem para mais de um século depois. Mas… …ela está lá… …completa… …visível e sonora… …em DVD… …no… You Tube!!!!
    Um abraço amigo.
    Edson
    Edson

  10. Desculpem: “Academias” dos “biedermeir” e…

    Também acrescentar nas necessidades fundamentais de execussão do Te Deum, de Berlioz:

    “…e além de tudo isto, um “SENHOR REGENTE”, capaz, não apenas de estudar tudo o que aquela complexa maravilha contém, de se colocar à frente daquele volume enorme de pessoas imbuídas da emoção plural e sonora pela qual eram có-responsáveis, mas, sobretudo, de dominar-se, dominar os músicos e dominar a construção sonora da soberba Obra Prima que veio à luz e ganhou vida. (Graças também, a uma equipe impecável de engenheiros de som e de captação de imegens, quase sempre esquecidos nas contracapas.
    Isto é fantático.
    Agora, reflitamos!
    Sucesso de vendas do trabalho de Abbado-Berlioz- Músicos Executantes e Engenreiros de Som?
    Duvido.
    É necessário profunda maturidade para ouvir maravilhas como esta.
    Em nosso dias, ninguém financia isto e se o faz sabe que apenas lucrará o Prazer Pessoal de ter, vagamente, a paternidade de um verdadeiro Shakespeare Musical.
    É! Eu esqueci, sem querer, que na Europa e, um pouquinho, no Estados Unidos, isto pode ocorrer.
    Mas… …no mundo todo a música está em plena decadência e com a chegada da TV e da Internet está se tornando cada vez mais imagem vulgar e menos música… …de qualidade…
    Ei!!!
    Desculpem!!!
    Em geral não sou assim tão pessimista assim.
    Com o tempo, isto entrará nos eixos.
    Um abração a todos.
    Edson

  11. “Os judeus americanos estão muito longe da grande escola européia.Chega até ser covardia compará-los a Schnabel,Kempff e Brendel (…)”.

    Só pra lembrar, não exatamente corrigir, mas: Schnabel era judeu. : P

    É que achei a condição da comparação muito boba.

    Sobre a Appassionata, deixo a indicação pra interpretação do Gilels e do Richter – ambas bem diferentes mas maravilhosas.

  12. Valeu a revalidação, PQP! E acho muito legal também manter os comentários antigos, são uma diversão a mais. Gostaria de saber se há algum veredicto quanto a meu pedido de postagem de algumas coisas em flac (ou algo assim), que eu detalhei em ‘sobre o autor’.

  13. Curioso e interessante ler os comentários desta super postagem tantos anos depois. Perdemos contato com a Laís, com o Eduardo, com o Leonardo, com o Edson M. B. Mello, cujos comentários muito enriqueciam o antigo PQPBach.
    Vivelo, sendo curto e grosso, para mim, fdpbach, é impossível postar qualquer coisa que seja em .flac, devido aos problemas técnicos constantes que enfrento com minha internet, e sobre o qual vivo comentando por aqui. Os arquivos em flac ficam muito grandes, e demandam tempo para subi-los, e consequentemente em baixá-los.

  14. Valeu, FDP! Entendo seus motivos, e creio que também seja esse o problema para o PQP e talvez para outros também. Mas será que isso é problema para o Avicenna (que posta umas coisas impossíveis de se obter comercialmente, com a colaboração do Paulo Castagna – Brasil colonial, principalmente)? Só peço que quem tiver condições de postar em flac, faça isso pelo menos com esse material não comercial e raro. Talvez o Avicenna também não possa, realmente não sei, mas eu optei por perguntar primeiro ao dono do blog (ou donos, não sei) antes de perguntar a ele. De qualquer forma, vou continuar feliz baixando tudo o que voces todos oferecerem, visitando o blog todos os dias como sempre faço.

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