Mais uma inestimável contribuição do musicólogo Prof. Paulo Castagna!
A música mexicana cada dia mais me espanta (favoravelmente) e me encanta!
E hoje apresentamos para vocês dois compositores importantíssimos daquele país fascinante: Francisco Delgado e Ignacio de Jerusalem, que estariam para o México como José Maurício Nunes Garcia e José Joaquim Lobo de Mesquita estão para o Brasil.
Francisco Delgado era, provavelmente, mexicano nato. Foi primeiro-violinista da Capela da Catedral da Cidade do México já na época pós-independência. Dedicou este Te Deum a São Felipe de Jesus, frei franciscano do século XVI martirizado no Japão, que viria a ser o primeiro santo nascido em terras mexicanas (canonizado em 1862). Sua obra possui muitas influências do período que se chamou de “classicismo novo-hispânico”, com muitas características da ópera e da música barroca napolitana, mas já com uma orquestração mais vertical, ou seja, com maior preponderância do tema desenvolvido pelo instrumento/naipe principal. Segundo alguns estudiosos, sua orquestração é bastante refinada e aproxima-se a compositores do classicismo,especialmente de Haydn.
Já a segunda parte do álbum dedica-se a um compositor mais gravado e conhecido: Ignacio de Jerusalem. Este já era napolitano mesmo: nasceu en Lecce, no Reino de Nápoles, e bem sabemos, depois de tantas postagens aqui neste auspicioso blogue, que a música italiana, especialmente napolitana, influenciou sobremaneira as coroas ibéricas, Espanha e Portugal e, por isso, cruzou o Atlântico, dando o tom a muitos compositores locais e outros que de lá vieram para cá. Jerusalem foi mestre de capela da Catedral da Cidade do México e sua música, positivamente comparada muitas vezes com as de Pergolesi, Scalatti e Bocherini, compositores que trabalharam para a corte madrilenha. Ele foi tido em seu tempo como um “milagre musical” e influenciou imensamente toda a cena sonora mexicana, a ponto de traços napolitanos serem encontrados em compositores mais recentes, como é o caso do nosso amigo acima, Francisco Delgado.
Altar-mor da Catedral do México. Vê se não é pra ficar doido num lugar desses!
Mas a beleza dessas obras não seria tão evidente se a interpretação não fosse grande coisa…Mas é! É grande e precisa! Benjamín Echenique e seu Conjunto de Cámara de la Ciudad de México lograram evidenciar todo o colorido e a beleza da música desses dois compositores, numa execução primorosa (o que são os agudos límpidos dessa soprano, meu Deus!). Vale cada segundo da audição!
Ouça! Ouça ! Deleite-se sem dó nem piedade!
Uma noção da beleza que vos aguarda,o Te Deum de Francisco Delgado (faixa 1):
México Barroco
Francisco Delgado (Mexico, ca.1790-1849)
1. Te Deum para el Señor Felipe de Jesús Ignacio de Jerusalem y Stella (Lecce, itália, 1707 – Cidade do México, 1769)
2. Magnificat a dos Voces
3. Gran Misa en Sol Mayor a Ocho Voces, I. Kyrie
4. Gran Misa en Sol Mayor a Ocho Voces, II. Gloria
5. Gran Misa en Sol Mayor a Ocho Voces, III. Credo
6. Gran Misa en Sol Mayor a Ocho Voces, IV. Sanctus
Conjunto de Cámara de la Ciudad de México
Benjamín Juárez Echenique, regente
Ciudad de México, 1996
Não tínhamos o volume 2… Em poucas horas, dois internautas nos enviaram o álbum, um em MP3, e o segundo, em FLAC. Obrigado! Muita competência dos nossos usuários!
Tem no Amazon, aqui. Fonogramas deliciosamente cedidos pelo internauta Camilo Di Giorgi! Que os deuses o levem ao Nirvana!
Impressionante e belíssima essa Missa Mexicana executada pelo Harp Consort! Ainda, com o selo Harmonia Mundi, já era de se esperar que seria algo fenomenal, pois os caras não erram!
Bom, mas do que se trata? Não é exatamente uma missa, mas a Missa Ego Flos Campi, de Juán Gutierrez de Padilla (músico nascido em Málaga, Espanha, que se tornou mestre de capela em Puebla, México), intercalada de várias danças e músicas folclóricas contemporâneas a ela. Pode parecer estranho,mas o propósito deste álbum foi colocar a música de Padilla inserida dentro do contexto e da sonoridade – não só instrumental, mas ambiental, da sonoridade popular – do seu tempo, o século XVII.
No Amazon, um dos usuários fez uma leitura interessante do conjunto:
“Com ‘Missa Mexicana’ Andrew Lawrence-King e The Harp Consort propicia um dos discos mais alegres e instigantes da música antiga. Para um álbum que é ‘crossover’, no melhor sentido da palavra, eles tomam uma missa do século 17 e a justapõe com a música popular que a inspirou. A música é linda, profunda, elegante, sensual e apaixonada. (…) Além das harpas, gambas, violas, etc., que se poderia esperar da música deste período, o Harp Consort insere violões mexicanos, bajons, e até mesmo uma concha e um pau-de-chuva! O ritmo e o canto são soberbos, e Lawrence-King não só dirige o conjunto, mas oferece acompanhamento maravilhoso na harpa e no saltério. (…) O México de 1600 era uma rica mistura de etnias e culturas, e sua música reflete isso. A principal influência é a polifonia renascentista espanhola, mas há também a influência de imigrantes portugueses, nativos mexicanos (maias), e os africanos da Costa do Marfim, Guiné, e imigrantes de Porto Rico. Bem, há um contraste constante entre os mundos sagrado e secular. (…)
A ‘Missa Mexicana’ é faz música da mais alta integridade e não para ser desperdiçada. Além de amantes iniciantes na música clássica, eu recomendaria também este disco para as pessoas que vêm do “outro lado”, isto é, aqueles que podem não ser particularmente apreciadores de música clássica, mas que gostam de sons mais “tradicionais”, mexicanos ou latino-americanos. De qualquer maneira, este é um dos discos mais originais, criativos e divertidos que eu já ouvi em muito tempo, e ele merece ser um bestseller!!”
Entendeu? É do caraglio!!
Ouça! Ouça ! Deleite-se!
Missa Mexicana
01. Villancico: Canten dos jilguerillos
02. Missa Ego flos campi: Kirie
03. Jácaras de la costa
04. Xácara: Los que fueren de buen gusto
05. Missa Ego flos campi: Gloria
06. Corrente Italiana
07. Xácara: A la xácara xacarilla
08. Missa Ego flos campi: Credo
09. Cumbées
10. Negrilla: A siolo flasiquiyo
11. Missa Ego flos campi: Sanctus
12. Marizápalos a lo humano: Marizápalos bajó una tarde
13. Marizápalos a lo divino: Serafin que con dulce harmonía
14. Diferencias sobre marizápalos
15. Missa Ego flos campi: Agnus dei
16. Guaracha: Convidando está la noche
Bom disco para quem gosta do sacro barroco. Nada excepcional, pero cumpridor. A confusão entre os Legrenzi é grande, mas no disco diz que a obra é de Giovanni Maria e não de Giovanni Battista. A Wikipedia só serve para confundir…
Giovanni Maria Legrenzi (1626-1690), compositor e maestro de San Marco, em Veneza, foi elogiado por seus contemporâneos como “verdadeira fonte de música e oráculo vivo de harmonia”. Ele se atrevia a ignorar as leis de composição em favor da graça e do charme. Ele compôs óperas e oratórios, além de obras instrumentais. Dos oito oratórios conhecidos Legrenzi apenas três obras completas foram preservados. La Morte del cor penitente foi provavelmente escrito em 1671 para a igreja de Veneza Santa Maria della Consolazione, onde Legrenzi foi maestro entre os anos de 1670 e 1690. No período da Contra-Reforma, havia um tema recorrente naquelas almas perturbadas: a do caminho espiritual do pecador que, através do arrependimento, poderia e deveria corrigir seus erros perante Deus na tentativa de recuperar a honra perdida. O autor do texto evoca esta viagem em muitas imagens poéticas para as quais Legrenzi compôs uma sucessão de árias, duetos e recitativos.
Giovanni Legrenzi (1626-1690): La Morte Del Cor Penitente
1. La morte del cor penitente: Part I: Sinfonia 1:54
2. La morte del cor penitente: Part I: Lumi dolenti lumi aprite il varco al pianto (Sinner) 2:27
3. La morte del cor penitente: Part I: Sommergete dell’Alma l’orgoglio (Sinner) 1:02
4. La morte del cor penitente: Part I: Care amate pupille versate, stillate (Sinner) 4:03
5. La morte del cor penitente: Part I: E pur non piangi, o core? (Sinner) 2:50
6. La morte del cor penitente: Part I: Pianga si, si, che del fallir passato (Penitence, Sinner) 2:48
7. La morte del cor penitente: Part I: Clementissimo Cielo, ancor si sebra la su pieta verso un indegno? (Sinner, Penitence) 2:57
8. La morte del cor penitente: Part I: Dillo tu, Cor delirante, dillo tu chi t’inganno? (Sinner, Penitence) 2:56
9. La morte del cor penitente: Part I: Deh senti Misero quanto sei fragile (Penitence, Sinner)0:59
10. La morte del cor penitente: Part I: Piacer ti rifiuto t’abborro, ti fuggo (Sinner)0:46
11. La morte del cor penitente: Part I: Su spiriti pentiti pensieri contriti (Penitence) 1:12
12. La morte del cor penitente: Part I: Non si pensi, ch’a languir, ch’a morir (Sinner) 1:14
13. La morte del cor penitente: Part I: No no tempra il furor, al Ciel clemente basta il voto del Cor, pago e del zelo (Hope, Sinner) 2:42
14. La morte del cor penitente: Part I: Se sperar’il Cor non sa (Hope, Sinner) 1:03
15. La morte del cor penitente: Part I: Se la speme, ch’e stella constante (Hope, Sinner) 1:41
16. La morte del cor penitente: Part I: Vogli pur’ altrove il passo dolce speme (Sinner, Hope) 2:14
17. La morte del cor penitente: Part I: Se del duol, e non d’amore (Sinner, Hope) 1:09
18. La morte del cor penitente: Part I: Vanne pur senza amor, e senza speme (Hope, Sinner, Penitence) 1:07
19. La morte del cor penitente: Part I: Se dal duol non resti preso vano Cor, e non t’affretti (Penitence, Sinner) 1:18
20. La morte del cor penitente: Part I: Parta pur la speranza, e resti il duolo (Sinner) 1:26
21. La morte del cor penitente: Part I: Or va, Figlio constante (Penitence, Sinner) 3:59
22. La morte del cor penitente: Part I: Non si pensi ch’a penar s’apra scola nel mio petto (Sinner) 1:13
23. La morte del cor penitente: Part I: Porta ancor nel ferire (Madrigale a 5) 2:07
24. La morte del cor penitente: Part II: Sinfonia 1:02
25. La morte del cor penitente: Part II: Coltello di dolore su traffiggimi il core (Sinner)0:49
26. La morte del cor penitente: Part II: Care pene, dolci affanni siete amabili tiranni (Sinner) 5:03
27. La morte del cor penitente: Part II: Siam qui pronte (Chorus of Retribution, Sinner) 1:31
28. La morte del cor penitente: Part II: Su su si mandino sospiri, e gemiti (1 Punishment, Sin)0:48
29. La morte del cor penitente: Part II: Si si dal dolore l’indegno arrogante (Chorus of Retribution)0:28
30. La morte del cor penitente: Part II: Su su si destino angoscie orribili (1 Punishment, Sinner)0:57
31. La morte del cor penitente: Part II: Non piu s’accendano faci al goder (1 Punishment, Sinner) 1:11
32. La morte del cor penitente: Part II: Si si dal dolore l’indegno arrogante (Chorus of Retribution)0:29
33. La morte del cor penitente: Part II: Gia gia da un’improviso turbine procelloso (Sinner) 1:39
34. La morte del cor penitente: Part II: Venite Alme dolenti, venite a lagrimar (Sinner) 3:34
35. La morte del cor penitente: Part II: Cara morte di dolore che uccidento porgi vita (Sinner) 1:48
36. La morte del cor penitente: Part II: Hor non ti vantar piu Divino Amore (All) 1:45
Mario Cecchetti, tenore
Roberta Invernizzi, soprano
Elisabetta de Mircovich, soprano
Paolo Costa, alto
Marco Beasley, tenore
Sergio Foresti, basso
Ah, Camargo Guarnieri!…
Cara fantástico, cuja obra é de robustez, elaboração e técnica ímpares! Mais centrado, não era um gênio porra-louca como Villa-Lobos, mas nem por isso menos genial.
Sobre Guarnieri falou Aron Copland, que o conheceu pessoalmente quando ele esteve nos Estados Unidos, no começo dos anos 1940:
Camargo Guarnieri, que agora está pelos trinta e cinco anos de idade, é na minha opinião o mais sensacional dos talentos ‘desconhecidos’ da América do Sul. Suas composições já bem numerosas deveriam ser muito mais conhecidas do que o são. Guarnieri é um compositor de verdade. Tem tudo o que é preciso – personalidade própria, uma técnica acabada e imaginação fecunda. Sua inspiração é mais ordenada que a de Villa-Lobos, mas não menos brasileira… O que mais me agrada na sua música é a sua expressão emotiva sadia – é uma exposição sincera do que um homem sente… Sabe como modelar uma forma, como orquestrar bem, como tratar eficientemente o baixo. O que atrai na música de Guarnieri é o seu calor e a imaginação que vibra com uma sensibilidade profundamente brasileira. É, na sua expressão mais apurada, a música de um continente ‘novo’, cheia de sabor e de frescura.
Toda sua obra é densa e bem acabada, e muitas de suas peças para piano, destaques desta postagem (que não leva um álbum junto), estão entre suas mais bem elaboradas.
E como nós fazemos de tudo pra espalhar a bela música por este mundão de meu Deus, o PQPBach tem hoje o orgulho e a satisfação de disponibilizar, por meios próprios (vão ficar lá no PQPShare), SETENTA e SETE partituras de peças para piano solo do nosso compositor.
Agradeçam o mano CVL, colega pequepiano, entusiasta da música nacional, que deixou há uns anos de postar por estes lados, mas que mantém contato constante com a gente e nos passou essas maravilhas.
Baixem, espalhem, compartilhem, passem para seus amigos pianistas!
Temos que conhecer e ouvir mais as obras desse cara!
Camargo Guarnieri (1907-1993)
77 peças para piano solo
01. Dança Selvagem
02. Dansa Negra
03. Estudos para Piano, 01 a 05
04. Estudos para Piano, 06 a 10
05. Estudos para Piano, 11 a 15
06. Improviso II
07. Ponteios para piano – 1º Caderno (ponteios 01 a 10)
08. Ponteios para piano – 1º Caderno (ponteios 11 a 20)
09. Ponteios para piano – 1º Caderno (ponteios 21 a 30)
10. Ponteios para piano – 1º Caderno (ponteios 31 a 40)
11. Ponteios para piano – 1º Caderno (ponteios 41 a 50)
12. Sonata para piano (parte 1)
13. Sonata para piano (parte 2)
14. Sonatina Nº 1 para piano
15. Sonatina Nº 2 para piano
16. Sonatina Nº 3 para piano
17. Sonatina Nº 4 para piano
18. Sonatina Nº 5 para piano
19. Sonatina Nº 6 para piano
20. Sonatina Nº 7 para piano
21. Sonatina Nº 8 para piano
22. Suite Mirim
23. Toccata para piano
O Movimento Armorial foi uma das coisas mais fenomenais que ocorreram no Brasil. Como nasceu em Pernambuco, não teve muita cobertura dos meios de comunicação nacionais, concentrados no eixo Rio-São Paulo,mas não perde em nada em robustez, propostas e inovação que a Tropicália. Ouso dizer que o Armorial foi mais abrangente, pois abraçou a pintura, escultura, gravura, literatura, design e, o que nos interessa mais neste blogue, a música!
Uma definição boa e didática do movimento é a da Lúcia Gaspar, Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco:
“A Arte Armorial Brasileira é aquela que tem como traço comum principal a ligação com o espírito mágico dos “folhetos” do Romanceiro Popular do Nordeste (Literatura de Cordel), com a Música de viola, rabeca ou pífano que acompanha seus “cantares”, e com a Xilogravura que ilustra suas capas, assim como com o espírito e a forma das Artes e espetáculos populares com esse mesmo Romanceiro relacionados.” Ariano Suassuna, Jornal da Semana, Recife, 20 maio 1975. O Movimento Armorial surgiu sob a inspiração e direção de Ariano Suassuna, com a colaboração de um grupo de artistas e escritores da região Nordeste do Brasil e o apoio do Departamento de Extensão Cultural da Pró-Reitoria para Assuntos Comunitários da Universidade Federal de Pernambuco. Teve início no âmbito universitário, mas ganhou apoio oficial da Prefeitura do Recife e da Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco. Foi lançado oficialmente, no Recife, no dia 18 de outubro de 1970, com a realização de um concerto e uma exposição de artes plásticas realizados no Pátio de São Pedro, no centro da cidade. Seu objetivo foi o de valorizar a cultura popular do Nordeste brasileiro, pretendendo realizar uma arte brasileira erudita a partir das raízes populares da cultura do País. Segundo Suassuna, sendo “armorial” o conjunto de insígnias, brasões, estandartes e bandeiras de um povo, a heráldica é uma arte muito mais popular do que qualquer coisa. Desse modo, o nome adotado significou o desejo de ligação com essas heráldicas raízes culturais brasileiras. O Movimento tem interesse pela pintura, música, literatura, cerâmica, dança, escultura, tapeçaria, arquitetura, teatro, gravura e cinema. Uma grande importância é dada aos folhetos do romanceiro popular nordestino, a chamada literatura de cordel, por achar que neles se encontram a fonte de uma arte e uma literatura que expressa as aspirações e o espírito do povo brasileiro, além de reunir três formas de arte: as narrativas de sua poesia, a xilogravura, que ilustra suas capas e a música, através do canto dos seus versos, acompanhada por viola ou rabeca. São também importantes para o Movimento Armorial, os espetáculos populares do Nordeste, encenados ao ar livre, com personagens míticas, cantos, roupagens principescas feitas a partir de farrapos, músicas, animais misteriosos como o boi e o cavalo-marinho do bumba-meu-boi. O mamulengo ou teatro de bonecos nordestino também é uma fonte de inspiração para o Movimento, que procura além da dramaturgia, um modo brasileiro de encenação e representação. Congrega nomes importantes da cultura pernambucana. Além do próprio Ariano Suassuna, Francisco Brennand, Raimundo Carrero, Gilvan Samico, entre outros, além de grupos como o Balé Armorial do Nordeste, a Orquestra Armorial de Câmara, a Orquestra Romançal e o Quinteto Armorial.”
Conheça! Espalhe a notícia!
CEPE – Companhia Editora de Pernambuco (1894-1979)
Partituras Armoriais, com obras de:
01. Antônio José Madureira
02. Benny Wolkoff
03. Henrique Annes
04. Clóvis Pereira
05. Cussy de Almeida
06. Jarbas Maciel
07. José Tavares de Amorim
08. Lourenço da Fonseca Barbosa (Capiba)
09. Waldemar de Almeida
A música Brasileira é imensa, em variedade, riqueza e qualidade, mas como é difícil encontrar as partituras quando resolvemos executar alguma peça nacional, não?
Por isso o P.Q.P.Bach fez essa sexta edição de links de partituras, voltada especificamente para os autores brasileiros, para que você encontre as partes que deseja e, de quebra, descubra outras peças maravilhosas que até então desconhecia.
Mergulhe nos 138 (cento e trinta e oito !!! ) links, nas bibliotecas, nos museus e nos acervos virtuais, deleite-se e deleite aos demais com sua, com nossa música!
Laudate Pueri Dominum Psalmo Para as encommendaçõens dos Innocentes Defuntos Com duas rabecas, duas clarinetas, duas trompas, 4 vozes e baixo Composto em 1821 Pelo Pe. José Mauricio Nunes Garcia, e arranjado sobre alguns motivos da Grande Obra da Creação do Mundo do Inmortal Haydn e offerecido ao Sr. João dos Reis Pereira pelo seo Autor.Capa de partitura do Padre José Maurício Nunes Garcia que consta do acervo do Cabido Metropolitano do Rio de Janeiro
ACERVOS DIGITAIS NACIONAIS
♦ Biblioteca Nacional Digital – aqui – here
O Brasil pode orgulhar-se de possuir uma das maiores bibliotecas do mundo: a Fundação Biblioteca Nacional é a 7ª maior biblioteca nacional do globo. A Fundação vem digitalizando seu acervo e o resultado disto é que até a data desta postagem, já havia 1286 partituras disponíveis para visualização e download. Lindo!
♦ Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações – aqui – here
Não é um site de partituras, em si, mas há muitos trabalhos acadêmicos de análise de obras de compositores brasileiros, com transcrições das partituras de suas músicas (eu mesmo já encontrei uma música de Alberto Nepomuceno que procurava há anos). Todas as teses e dissertações defendidas atualmente pelo sistema de universidades federais e de algumas estaduais está disponível aí. Os textos estão na íntegra, em PDF.
♦ Biblioteca Virtual de Partituras Musicais – aqui – here Esta biblioteca eletrônica é uma das mais antigas e persistentes do gênero em atividade no Brasil. Começou em 1996 hospedado no Departamento de Física da UFMG. Uma reformulação deste portal inicia-se em 2011 para comemorar os 15 anos de atividade contínua. Conta atualmente com obras de 117 compositores, entre nacionais e internacionais.
♦ Thesaurus Musicae Brasiliensis – aqui – here Catálogo de manuscritos musicais presentes no acervo do Maestro Vespasiano Gregório dos Santos. Dedicado aos nossos maravilhosos compositores de música sacra colonial, possui referência bibliográfica.
♦ Musica Brasilis – aqui – here A difusão de partituras é o principal objetivo do Musica Brasilis. A iniciativa começou em 2009, com a edição das 218 peças de Nazareth para piano, pela primeira vez disponibilizadas na íntegra pela web. Ao mesmo tempo, investiu-se na edição de obra de compositores atuantes na corte de D. João, como José Maurício Nunes Garcia, Marcos Portugal e Sigismund Neukomm. A parceria com a Academia Brasileira de Música possibilita que sejam mostradas as primeiras páginas de todas as obras editadas para o Banco de Partituras. Recentemente conseguiu-se a aquisição de edições de obras de Alberto Nepomuceno, Henrique Oswald, Glauco Velasquez e Luciano Gallet. Contam, no começo de 2016,com obras de 145 compositores, de Nunes Garcia a Luiz Gonzaga.
♦ Academia Brasileira de Música – aqui – here Possui grande acervo de partituras de 93 compositores nacionais. É necessário encomendar a cópia e pagar por ela, mas os valores não são altos.
♦ Instituto Moreira Salles – aqui – here
Um dos mais respeitados institutos culturais do Brasil e possuidor de coleções preciosíssimas como as de Pixinguinha, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth e Hekel Tavares, também disponibiliza as partituras para consulta e download.
♦ Portal Sesc de Partituras – aqui – here
Obras de alguns dos mais importantes compositores brasileiros, de diversos períodos e regiões do país. Mais de 2 mil partituras organizadas por título, autor, formação do grupo ou instrumento.
♦ CEPE Partituras – aqui – here
A Companhia Editora de Pernambuco (CEPE) editou e disponibilizou recentemente e de forma gratuita partituras de alguns compositores do Movimento Armorial.
♦ Clavedesul – aqui – here
Site com mais de 47 mil partituras de música brasileira, a maior parte de MPB, mas com algumas coisa de compositores eruditos.
♦ Solano – aqui – here
Mais de 16 mil partituras nacionais e internacionais.
♦ Partituras no formato .enc – aqui – here
Partituras de vários compositores. Entre eles, Padre José Maurício e Villa-Lobos.
ACERVOS DIGITAIS INTERNACIONAIS
♦ ChoralWiki / CPDL, Choral Public Domain Library – aqui – here Um dos melhores sites de partituras de domínio público é o ChoralWiki, sede da Choral Public Domain Library (CPDL). Fundado em dezembro de 1998, o CPDL é um dos maiores portais de partituras musicais gratuitas do mundo. Você pode usar o CPDL para encontrar partituras, textos, traduções e informações sobre compositores. Até o momento desta postagem, possui 16.470 partituras de 2.237 compositores. Nossos brilhantes compositores de música clássica estão presentes no ChoralWiki.
♦ IMSLP, International Music Score Library Project – aqui – here É o maior banco de partituras do mundo! Todo músico deve conhecê-lo. O acervo está disponível em PDF para ser baixado. São 22.109 obras, por 2.648 compositores, com partituras de brasileiros como Nunes Garcia, Lobo de Mesquita, Carlos Gomes e Alberto Nepomuceno.
♦ ScorSer – aqui – here Grande base de dados internacional de partituras.
Alexandre Levy, Carlos Gomes, Glauco Velásquez e Alberto Nepomuceno
AUTORES
Sites oficiais dos compositores, ou dedicados a eles. Em alguns casos, colocamos os arquivos onde se encontra a maior parte de suas obras. Estão organizados por ordem alfabética, pelo nome completo.
♦ Dicionário Cravo Albin de Música Brasileira – aqui – here Criado para ser um dicionário de compositores da MPB, expandiu seu rol de compositores e contempla um número imenso de autores eruditos: para saber mais sobre os compositores do Brasil.
♦ Alberto Nepomuceno – aqui – here Grande parte de sua obra está depositada na Biblioteca Nacional. Nem todas as suas partituras foram digitalizadas, mas pode-se entrar em contato com a BN para ter-se acesso a elas.
♦ André da Silva Gomes – aqui – here A maior parte de suas composições encontra-se no Arquivo Metropolitano Dom Duarte Leopoldo e Silva, da Arquidiocese de São Paulo.
♦ Antonio Carlos Gomes – aqui – here A quase totalidade de seu acervo encontra-se no museu que leva seu nome, em Campinas – SP. Há obras também em Belém e Milão (Itália).
♦ Antonio Carlos Jobim – aqui – here Site oficial do compositor.
♦ Brasílio Itiberê da Cunha – aqui – here Grande parte de sua obra está depositada na Biblioteca Nacional. Nem todas as suas partituras foram digitalizadas, mas pode-se entrar em contato com a BN para ter-se acesso a elas.
♦ Chiquinha Gonzaga – aqui – here Suas partituras foram organizadas pelos pianistas Alexandre Dias e Wanderlei Braga e estão disponíveis para download. São 242 peças.
♦ Cláudio Santoro – aqui – here Site oficial do compositor.
♦ César Guerra-Peixe – aqui – here (a) e também aqui – here (b) (a) Site oficial do compositor.
(b) Parte do acervo autógrafo do compositor que encontra-se na Biblioteca Nacional.
♦ Eduardo Souto – aqui – here Suas partituras foram organizadas pelo pianista Alexandre Dias e estão disponíveis para download. São 242 peças.
♦ Elias Álvares Lobo – aqui – here De seu acervo, grande parte encontra-se no Museu da Música de Itu – SP.
♦ Ernesto Nazareth – aqui – here (a) e também aqui – here (b)(a) Página em homenagem ao compositor, feita pelo Instituto Moreira Salles por ocasião do seu sesquicentenário de nascimento em 2013.
(b) Site oficial do compositor.
♦ Francisco Braga – aqui – here Grande parte de sua obra está depositada na Biblioteca Nacional. Nem todas as suas partituras foram digitalizadas, mas pode-se entrar em contato com a BN para ter-se acesso a elas.
♦ Francisco Mignone – aqui – here (a) e também aqui – here (b) (a) Seu acervo, assim como o de Camargo Guarnieri, foi doado por sua viúva ao IEB-USP (Instituto de Estudos Brasileiros).
(b) Há também uma parte de sua obra na Biblioteca Nacional.
♦ Glauco Velázquez – aqui – here Grande parte de sua obra está depositada na Biblioteca Nacional. Nem todas as suas partituras foram digitalizadas, mas pode-se entrar em contato com a BN para ter-se acesso a elas.
♦ Harry Crowl – aqui – here Site oficial do compositor.
♦ Heitor Villa-Lobos – aqui – here Suas obras estão organizadas e catalogadas no museu que leva seu nome, no Rio de Janeiro.
♦ Henrique Alves de Mesquita – aqui – here Suas partituras foram organizadas pelo pianista Alexandre Dias e estão disponíveis para download. São 127 peças.
♦ Henrique Oswald – aqui – here Site oficial do compositor.
♦ Jacob do Bandolim – aqui – here Site oficial do compositor.
♦ José Maurício Nunes Garcia – aqui – here Site oficial do compositor. Suas obras encontram-se no Arquivo de Cleofe Person Mattos e no Cabido Metropolitano do Rio de Janeiro.
♦ João Baptista Siqueira – aqui – here Sua obra, partituras, gravações e documentos pessoais foram doados à Biblioteca da Escola de Música da UFRJ.
♦ José Carlos Amaral Vieira – aqui – here Site oficial do pianista e compositor.
♦ José Pedro de Sant’Anna Gomes – aqui – here Irmão de Carlos Gomes, suas obras estão arquivadas no Museu Carlos Gomes, em Campinas.
♦ José Siqueira – aqui – here Sua obra, partituras, gravações e documentos pessoais foram doados à Biblioteca da Escola de Música da UFRJ.
♦ Luciano Galet – aqui – here Grande parte de sua obra está depositada na Biblioteca Nacional. Nem todas as suas partituras foram digitalizadas, mas pode-se entrar em contato com a BN para ter-se acesso a elas.
♦ Manoel José Gomes – aqui – here Pai de Carlos Gomes, suas obras estão arquivadas no Museu Carlos Gomes, em Campinas.
♦ Marlos Nobre – aqui – here Site oficial do compositor.
♦ Mozart Camargo Guarnieri – aqui – here Seu acervo foi doado por sua viúva ao IEB-USP (Instituto de Estudos Brasileiros).
O PQPBach também disponibiliza, em seu repositório pessoal (PQPShare), partituras de 77 peças para piano solo do compositor, aqui – here.
♦ Oscar Lorenzo Fernandez – aqui – here Grande parte de sua obra está depositada na Biblioteca Nacional. Nem todas as suas partituras foram digitalizadas, mas pode-se entrar em contato com a BN para ter-se acesso a elas.
♦ Radamés Gnattali – aqui – here Site oficial do compositor.
♦ Zequinha de Abreu – aqui – here Suas partituras foram organizadas pelo pianista Alexandre Dias e estão disponíveis para download. São 120 peças.
Fundação Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro – RJ
MUSEUS / CENTROS DE DOCUMENTAÇÃO / BIBLIOTECAS HISTÓRICAS
Arquivos de particulares, museus dos compositores, acervos históricos com partituras e muito mais.
♦ Acervo de Música da Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro) – aqui – here Em meio aos seus nove milhões de Volumes, a Biblioteca Nacional possui um acervo invejável de partituras e gravações, muitas das quais digitalizadas.
♦ Museu de Música de Mariana – aqui – here Partituras, músicas para baixar (todas já postadas aquí), muito sobre os compositores da época colonial.
♦ Acervo do Cabido Metropolitano do Rio de Janeiro – aqui – here Disponibiliza reproduções fac-similares de mais de 20 mil imagens de Antífonas, Hinos, Matinas, Missas, Novenas e Salmos da autoria de José Maurício Nunes Garcia, Damião Barbosa de Araújo, Francisco Manuel da Silva e Dom Pedro I, além de figuras de considerável ressonância internacional, como o italiano David Perez, o português Marcos Portugal e o austríaco Sigismund Neukomm.
♦ Acervo Cleofe Person Mattos (Rio de Janeiro) – aqui – here O arquivo privado da musicóloga, educadora e regente Cleofe Person de Mattos (1913-2002) compreende os documentos por ela produzidos e acumulados no decorrer de mais de seis décadas, tendo como foco principal as obras do Padre José Maurício Nunes Garcia.
♦ Museu da Inconfidência (Ouro Preto) – aqui – here
♦ Museu da Imagem e do Som de Pernambuco (Recife) – aqui – here
♦ Museu da Imagem e do Som de São Paulo – aqui – here
♦ Museu Imperial (Petrópolis) – aqui – here Possui coleção de partituras de Carlos Gomes e outros compositores brasileiros do sáculo XIX
♦ Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro – aqui – here
♦ Museu Villa-Lobos (Rio de Janeiro) – aqui – here
ARQUIVOS ECLESIÁSTICOS
No período Colonial e um tanto no período Imperial, a música composta no Brasil concentrava-se em obras para eventos religiosos. Além do mais, as partituras de música profana não foram arquivadas e guardadas, como ocorreu com a música sacra. Por isso, é nos arquivos de igrejas e dioceses que porventura se preservaram bons acervos de música nacional antiga. Não custa nada consultar esses locais. Como seria loucura colocar todas as 272 dioceses do Brasil aqui, elencamos os sites de todas as 12 dioceses/arquidioceses criadas no Brasil na Colônia ou no Império.
♦ Arquidiocese de São Salvador da Bahia (1551) – aqui – here
♦ Arquidiocese de Olinda e Recife (1676) – aqui – here
♦ Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (1676) – Acervo do Cabido Metropolitano – aqui – here
♦ Arquivo da Catedral do Rio de Janeiro – aqui – here
♦ Arquidiocese de São Luís do Maranhão (1677) – aqui – here
♦ Arquidiocese de Belém do Pará (1719) – aqui – here
♦ Arquidiocese de Mariana (1745) / Museu de Música de Mariana – aqui – here
♦ Arquidiocese de São Paulo (1745) – Arq. Metropolitano Dom Duarte – aqui – here
Biblioteca Brasiliana, da Universidade de São Paulo (USP)
CURSOS SUP. DE MÚSICA / UNIVERSIDADES / CONSERVATÓRIOS
Acervos físicos de partituras. Organizamos aqui por Estado-Cidade. Se você mora em uma dessas cidades, não custa nada dar uma pesquisada nesses locais, pois esses acervos são, em sua quase totalidade, de acesso público: qualquer pessoa pode consultar. Aproveite!
GO – Goiânia ♦ UFG, Universidade Federal de Goiás – Escola de Música e Artes Cênicas – Base de Dados da Biblioteca
MA – São Luís ♦ UFPA, Universidade Federal do Pará – Centro de Ciências Humanas – Base de Dados da Biblioteca ♦ UEMA, Universidade Estadual do Maranhão – Centro de Educação, Ciências Exatas e Naturais – Base de Dados da Biblioteca
Detalhe dos anjos tocando instrumentos na pintura do forro da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto – MG. Obra de Mestre Manoel da Costa Athayde
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Poucas vezes eu fico triste quando um sujeito muito produtivo morre aos 86 anos. Teve longa vida, fez muito, foi reconhecido, morreu. Foi assim com Eco. Mas lamentei muitíssimo a morte de Nikolaus Harnoncourt (1929 – 2016) no último sábado. Conheci-o de forma contrária à maioria. Primeiro, li seus livros O Discurso dos Sons e O Diálogo Musical, depois fui ouvir seus discos, como por exemplo, a integral de Cantatas de Bach que ele gravou em parceria com Gustav Leonhardt. O incrível é que o músico era ainda maior do que o autor que me ensinara tanta coisa. A leitura de seus livros abriu minha cabeça para muita música que desprezava por limitação ou preconceito. Ele mudou totalmente minha forma de ouvir música, deu sentido a muita coisa que me parecia arbitrária. Suas explicações sobre a grandeza da Bach são absolutamente convincentes e brilhantes.
https://youtu.be/Vr5cKdC3v3E
Antes de se tornar maestro, foi excelente violoncelista. As gravações demonstram. Sua integral das Suítes para Violoncelo Solo de Bach são magníficas. Foi pioneiro na música historicamente informada, mas não era intolerante como alguns que não aceitam que cada época dê sua versão de um autor. Só que ele, Harnoncourt, preferia a recriação rigorosa daquilo que o compositor compôs e fora ouvido pelo próprio. Ele também trouxe à tona um repertório riquíssimo de compositores negligenciados, talvez pela preguiça dos intérpretes. Investiu sobre o classicismo e o romantismo, dirigindo orquestras como a Filarmônica de Berlim e a de Viena, a Ópera de Viena, a Orquestra de Câmara da Europa, o Concertgebouw de Amsterdã, entre muitos outros. Mas sua existência sempre ficará associada à orquestra que fundou em 1953 e com quem mais gravou: o Concentus Musicus Wien.
Alguns engoliam com dificuldade suas interpretações históricas, outros não suportavam suas decisões estilísticas. Mas a abordagem histórica de Harnoncourt às sinfonias de Beethoven abriu os ouvidos e corações do grande público. Sua influência foi sentida em toda a Europa. Na área da música de concerto, foi o mais importante músico dos últimos 50 anos.
Os depoimentos são inequívocos. Todos amavam Harnoncourt no invejoso e complicado mundo musical. Norman Lebrecht diz que poucas vezes conheceu uma pessoa mais benigna. Quando se conheceram, Harnoncourt apontou um pequeno erro no livro de Lebracht The Maestro Myth. Segundo Lebrecht, aquilo foi dito com tal simplicidade e interesse que não parecia vir de um músico. E o maestro respondia a seus próprios triunfos com humildade e indiferença. Apenas encolhia os ombros e sorria. Achava estranho que o chamassem de maestro. Nos ensaios, era muito sério, focado, recusando-se a deixar passar um trecho antes de ficar satisfeito com ele.
Foi um idealista e como concordo com ele! Queria e queria que as pessoas tivessem acesso à música. Não dar acesso à música era um erro completo de educação. E, como brasileiro consciente de nosso IDH rasante, falo simplesmente em dar acesso, em dar contato. Já faria uma enorme diferença na vida de muita gente. Ninguém vai descobrir na primeira audição todo o ódio de Shostakovich por Stalin contido em sua 10ª Sinfonia, mas, tocado de alguma forma, poderia adquirir vivência com uma das formas mais sofisticadas e inteligentes de arte. Dar acesso, simples assim. Como diz Harnoncourt no vídeo abaixo:
Muito obrigado pela de lições, Nikolaus Harnoncourt. Foste um enorme e compreensivo mestre!
.oOo.
Es ist vollbracht significa Está consumado. A regência é de Nikolaus Harnoncourt, a orquestra é o Concentus Musicus Wien, o solista de gamba é Christophe Coin, o coro — que se ergue mais não canta… — é o Tölzer Knabenchor e o menino é o desconhecido, genial e efêmero (refiro-me à voz, claro) Panito Iconomou. Ah, quem me apresentou a gravação foi o Gilberto Agostinho. É inacreditável.
Irmão mais novo de Joseph Haydn, Michael Haydn nasceu na aldeia austríaca de Rohrau, perto da fronteira húngara. O início de sua carreira profissional foi pavimentada pelo irmão mais velho ‘José’, cuja habilidade e timbre vocal lhe haviam rendido uma posição como menino soprano na Catedral de St. Estêvão em Viena – daí a divertida história da fuga do então menino Joseph Haydn ao ouvir rumores de que poderiam transformá-lo em castrato. Segundo testemunhos da época ‘Miguel’ teria sido um estudante mais brilhante do que ‘José’, e quando Joseph cresceu o suficiente para ter problemas com sua voz soprano, foi o canto de Michael que se destacou. Deixando a escola coral, Michael foi nomeado Kapellmeister em Salzburg, onde permaneceu por 43 anos e onde escreveu mais de 360 composições, compreendendo tanto música sacra como instrumental. Na sua permanência em Salzburg, Michael estava familiarizado com a família Mozart, travando longa amizade como Amadeus, em mútua admiração. Em 1768 se casou com a cantora Maria Magdalena Lipp (1745-1827), gerando somente uma filha (Aloisia Josepha, nascida em 31 de janeiro de 1770) mas que morreu pouco antes de seu primeiro aniversário. Embora Lipp fosse por alguma razão detestada pelas mulheres da família Mozart, participou de diversas óperas de Amadeus. Comenta-se ainda que o velho e paternal Leopold Mozart o teria aconselhado a maneirar na manguaça – pois que o mano Haydn seria ‘bom de copo’. Em Salzburg Michael foi professor de Carl Maria von Weber e Anton Diabelli. Michael permaneceu próximo de Joseph toda a sua vida. Joseph considerava a música de seu irmão altamente, a ponto de declarar que as suas obras religiosas eram superiores às suas próprias. Michael Haydn morreu em Salzburg com a idade de 68 anos.
Michael nunca compilou um catálogo temático das suas obras, nem nunca supervisionou a realização de um. O mais antigo catálogo foi compilado em 1808 por Nikolaus Lang por sua “Biographische Skizze” (Esboço Biográfico). Em 1907 Lothar Perger compilou um catálogo de suas obras orquestrais. E em 1915 Anton Maria Klafsky realizou um trabalho semelhante em relação à música vocal sacra de Michael. Em 1982, Charles H. Sherman, que editou dezenas de muitas das suas sinfonias para Doblinger, publicou um catálogo cronológico que algumas gravadoras têm adotado. Mais tarde, em 1991, Sherman juntou forças com T. Donley Thomas publicando um catálogo cronológico mais preciso. Enfim, algumas das obras de Michael Haydn são referidas pelos números Perger, do catálogo temático das suas obras compilado por Lothar Perger em 1907.
As obras corais sacras de Michael são geralmente consideradas como mais importantes, incluindo o Requiem pela a morte do Arcebispo Siegmund em C menor, que influenciou o Requiem de Mozart. Também foi um compositor prolífico de música secular, incluindo quarenta sinfonias e partitas para madeiras; diversos concertos e música de câmara, incluindo um quinteto de cordas em C maior, que seria atribuído ao irmão Joseph. Outro caso de controvérsia de identidade póstuma envolve Michael Haydn, uma sinfonia de Mozart: durante muitos anos a obra que hoje conhecemos como a sua sinfonia nº 26 foi considerada como a sinfonia nº 37 K.444 de Mozart. A confusão gerou-se porque se descobriu um autógrafo que continha o movimento inicial da sinfonia feito pela mão de Mozart. Hoje considera-se que Mozart teria composto um novo movimento lento para o início da sinfonia, por razões ainda desconhecidas, mas sabe-se que o resto da obra é de Michael. A obra, que fora amplamente executada como sinfonia de Mozart, foi tocada consideravelmente menos desde esta descoberta em 1907. Sabe-se que foram grandes amigos e decerto companheiros de caneca. Em ocasiões nas quais um deles adoecia, o outro ajudava na consecução dos trabalhos encomendados.
Vários dos trabalhos de Michael Haydn teriam influenciado Mozart. Em três exemplos: o Te Deum, que teria influenciado Wolfgang em seu K. 141; o final da sinfonia 23 que pode ter sido uma fonte das ideias para o final do Quarteto em G, K. 387; e (em forma de fuga e tema de encerramento), o finale da Sinfonia No. 29 (1784) de Michael, em comparação ao monumental final da Sinfonia 41 – Júpiter; ambas em C maior.
Gostaria de destacar neste disco a faixa 9, o Adagio Cantabile do Quinteto em C maior, P. 108. Que seria atribuído ao mano ‘Zezinho’. Se me fosse permitido atribuir este engenhoso, inebriante, gracioso, expressivo e belo movimento a outro compositor eu o atribuiria a Amadeus; também por sua intensa carga discursiva presente no diálogo dos instrumentos, típica de um exímio operista. Ressalto também que este repertório, enquadrado nos limitadores ideais estéticos do classicismo, é muito difícil de se interpretar, sob o risco de resultar numa música enfadonha; no que um velho amigo melômano chamava de um “rococó insuportável”. Felizmente temos o incomparável L’Archibudelli, cujo compromisso com o repertório que escolhe e cuja excelência são absolutos.
Quinteto em Bb maior, P. 105
I Allegro con brio
II Menuett I. Moderato
III Largo
IV Tema. Allegretto Var. I-VI
V Menuetto II. Allegretto
VI Finale. Presto
VII Marcia. Andante Grazioso.
Quinteto em C maior, P. 108
I Allegro
II Adagio Cantabile
III Menuetto. Allegretto
IV Rondó. Allegro molto
Quinteto em G maior, P. 109
I Allegro brilliante
II Adagio afetuoso
III Menuetto. Allegrinho
IV Presto
Ensemble L’Archibudelli
Cello – Anner Bylsma
Violinos – Vera Beths e Lucy Van Dael
Violas – Guus Jeukendrup e Jürgen Kussmaul
Sempre ouvindo seus fãs, perscrutando seus desejos e mais profundas aspirações, descobrimos que grande parte dos pequepianos acordavam diariamente e iam pressurosos ao blog na expectativa de encontrar nele alguma obra de Herzogenberg. Hoje, atendemos a seus muitos e mudos pedidos. O grande Herzogenberg foi aluno de Brahms e casou-se com Elisabet von Stockhausen, avó do célebre compositor alemão do século XX, fato que não conseguimos confirmar até o fechamento desta edição.
Ele é considerado um epígono de Brahms, mas estas peças não têm nada a ver com o amante de Clara Schumann e sim como uma religiosidade bisonha, quiçá bovina. Não que a música seja ruim, é que ela nos remete ao luteranismo de Bach e não ao de alguém que viveu até 1900. O deus de Herzogenberg era um amigo imaginário muito antigo e suas peças se dobram a esta concepção infantil. Mas dá para ouvir, claro. Eu curti.
Heinrich von Herzogenberg (1843-1900): Organ Works
01. Choral: Ach Gott vom Himmel sieh darein Op.67 5:30
02. Choral: Meinen Jesum lass ich nicht Op.67 2:54
03. Choral: Es ist genug Op.67 1:58
04. Choralfantasie: Nun komm der Heiden Heiland Op.39 12:40
05. Choral: Aus tiefer Not schrei ich zu dir Op.67 4:01
06. Choral: Erschienen ist der herrlich Tag Op.67 1:56
07. Choral: Komm her zu mir, spricht Gottes Sohn Op.67 3:36
08. Choralfantasie: Nun danket alle Gott Op.46 13:39
Lothar Knappe, plays the Oberlinger organ Dominikanerkirche
St. Paulus, Berlin
Este CD é uma coletânea de peças transcritas para uma inusitada dupla de violoncelo e órgão, Se o violoncelista fosse outro que não Rostropovich, daria para cravar que seria uma porcaria, mas o russo toca tanto que a gente vai engolindo gatinho por gatinho (*). Rostrô não é um especialista em barroco e, por exemplo, sua versão das Suítes de Bach é bem insatisfatória. Creio que o repertório deste CD — cheio de barrocos — não o favorece em nada, mas ele dá conta do recado, mesmo que a gente tenha vontade de rir em alguns momentos de abordagem por demais russorromântica. Recomendo usar com moderação.
(*) Lembram aquelas seleções de clássicos dos anos 70 e 80 que tinham gatinhos na capa? Ali, o Aleluia de Handel podia vir antes de Rhapsody in Blue, a qual era seguida da Abertura 1812, por exemplo. Salada semelhante é a deste CD. Aqui só têm gatinhos, óin… O apelido “Disco de Gatinhos” ou “Concerto de Gatinhos” é de autoria do Júlio e da D. Cristina lá da King`s Discos, esplêndida loja que ficava na Galeria Chaves. Eles não gostavam muito daquelas seleções… Nem eu.
Frescobaldi, Marcello, Bach, Handel, D’Hervelois, Rheinberger, Saint-Saëns: Peças para Violoncelo e Órgão
1 –Girolamo Frescobaldi Toccata
Arranged By – Gaspar Cassadó
Composed By – Girolamo Frescobaldi
Organ – Herbert Tachezi 4:44
2 –Alessandro Marcello Adagio, BWV 974
Arranged By – Johann Sebastian Bach
Composed By – Alessandro Marcello
Organ – Herbert Tachezi 5:05
–Johann Sebastian Bach 3 Chorale Preludes
Arranged By – Zoltán Kodály
Composed By – Johann Sebastian Bach
Organ – Herbert Tachezi
3 – I. Ach, Was Ist Doch Unser Leben, BWV 743 5:14
4 – II. Vater Unser Im Himmelreich, BWV 762 4:12
5 – III. Christus, Der Uns Selig Macht, BWV 747 5:12
–
6 –Georg Friedrich Händel Aria
Arranged By – Grigori Pekker
Composed By – Georg Friedrich Händel
Organ – Herbert Tachezi 3:41
7 –Johann Sebastian Bach Toccata, Adagio & Fugue In C Major, BWV 564: Adagio
Arranged By – Alexander Siloti
Composed By – Johann Sebastian Bach
Organ – Herbert Tachezi 4:00
–Louis De Caix D’Hervelois Portraits De Jeunes Filles De La France D’Autrefois / Portraits Of Young Ladies From Old France
Arranged By – Folkmar Längin
Composed By – Louis De Caix D’Hervelois
Harpsichord – Herbert Tachezi
8 – I. La Florentine 4:40
9 – II. La Provençale 2:04
10 – III. La Lionnoise 2:24
11 – IV. La Bavaroise 1:35
12 – V. La Russienne 1:37
13 – VI. La Siciliene 1:55
14 – VII. La Milaneze 2:05
–Joseph Rheinberger* 3 Pieces (arr. From 6 Stucke Für Violine Und Orgel, Op.150)
Composed By – Joseph Rheinberger*
Organ – Herbert Tachezi
15 – I Abendlied 4:13
16 – II Pastorale 3:42
17 – III Elegie 4:07
18 –Camille Saint-Saëns Prière, Op.158
Composed By – Camille Saint-Saëns
Organ – Herbert Tachezi 5:29
Pois estão vamos concluir essa belíssima série, que traz a obra de câmara de Mendelssohn. Alguns artistas são bem conhecidos, outros nem tanto, mas as gravações são muito boas. Vale a audição, e muito.
Disc: 4
1. String Quartet No. 3 in D major, Op.44/1: IV. Presto con brio
2. String Quartet No. 4 in E minor, Op.44/2: I. Allegro assai appassionato
3. String Quartet No. 4 in E minor, Op.44/2: II. Scherzo (Allegro di molto)
4. String Quartet No. 4 in E minor, Op.44/2: III. Andante – Attaca
5. String Quartet No. 4 in E minor, Op.44/2: IV. Presto agitato
6. String Quartet No. 5 in E flat major, Op.44/3: I. Allegro vivace
7. String Quartet No. 5 in E flat major, Op.44/3: II. Allegro assai
8. String Quartet No. 5 in E flat major, Op.44/3: III. Adagio
9. String Quartet No. 5 in E flat major, Op.44/3: IV. Finale (Allegro molto)
Disc: 5
1. String Quartet No. 6 in F minor, Op. 80: I. Allegro assai – Presto
2. String Quartet No. 6 in F minor, Op. 80: II. Allegro assai
3. String Quartet No. 6 in F minor, Op. 80: III. Adagio
4. String Quartet No. 6 in F minor, Op. 80: IV. Finale (Allegro molto)
Cherubini Quartett
5. String Quintet No. 1 in A major, Op. 18: I. Allegro con moto
6. String Quintet No. 1 in A major, Op. 18: II. Intermezzo (Andante sostenuto)
7. String Quintet No. 1 in A major, Op. 18: III. Scherzo (Allegro di molto)
8. String Quintet No. 1 in A major, Op. 18: IV. Allegro vivace
Hausmusic
9. Concert Piece for clarinet, basset horn & piano No. 1 in F major, Op. 113
10. Concert Piece for clarinet, basset horn & piano No. 2 in D minor, Op. 114
Sim, claro que o nome atribuído tradicionalmente à Cantata 106 é Actus Tragicus, não Mysticus. Acontece que, não importa quem botou esse apelido, é uma baita traição às intenções de Bach.
Além disso, em junho de 2010 nosso blog já tem 4 outras versões da 106, então pra que postar mais esta? Ainda mais que o único arquivo que encontramos não é em mp3 de alta qualidade? Bem, acontece que um dia meu amigo Nahum – o mesmo da minha primeira postagem de órgão de Pachelbel – me escreveu dizendo que tem um amor especial por esta versão por ser a menos ‘operística’ que conhece; a menos com intenções de concerto e mais de ato propriamente religioso. Coincidiu que esta foi também a primeira 106 que ouvi, décadas atrás, e tendo a concordar.
Prohaska não é Harnoncourt mas foi um passo importante na direção. Já nos anos 50 começou a usar grupos menores e instrumentos mais autênticos do que, digamos, um Richter – embora tantas vezes tenha continuado exagerando nas lentidões e legatos. Mas como negar, por outro lado, que o gênio da musicologia que é Harnoncourt, na hora da realização às vezes exagera irritantemente no sentido oposto, o da saltitância? Enfim: eu acho que Prohaska merece respeito, vamos ver o que vocês vão achar.
No disco a Cantata 78 vinha primeiro, mas inverti. Dela prefiro mesmo outras gravações, esta me soa pesada e convencional… a não ser pelo segundo movimento, um dueto soprano-contralto que deve estar entre as páginas mais risonhas do pai do PQP, quase bandinha de festa popular… e pelo que andei vendo na net há quase uma seita de curtidores dessa peça justo nesta versão do Prohaska!
Mas a 106 é realmente muito especial entre as cantatas de Bach, a começar por muito da sua grandeza se dever à – digamos – inexperiência: Bach tinha só 22-23 anos quando a compôs, e os jovens costumam ousar mais na invenção de formas pessoais para dizer o que querem. Mais tarde… sabem como é, a exigência de produzir rápido e muito, o leite das crianças… o jeito é recorrer a modelos de estrutura que já deram certo, ainda que preenchendo com conteúdos novos e genais.
E aqui nosso jovem ousou nada menos que… uma representação do momento da morte em primeira pessoa, inserida num rápido porém incisivo ensaio teológico.
Daí ser tão ridículo o apelido ‘tragicus’, pois toda a intenção a obra é afirmar que a morte não é tragédia e sim um encontro amoroso. Logo à frente está o texto completo com tradução interlinear pra vocês mesmo acompanharem e verem se não – mas ‘entrego’ antes alguns detalhes não tão óbvios.
Um, que a música é cheia de figurações do texto, p.ex: a sílaba alongada em ’so laaaaaaaange’ (’por taaaanto tempo’), ou os instrumentos que se calam para deixar soar a palavra stille (silêncio, quietude) – enquanto a instrumentação e tonalidade dita pastoral – fá maior, só flautas doces, violas da gamba e contínuo, sem violinos – visa ambientar esse pequeno estudo da morte num clima de (juro!) música de ninar.
Dois coros de escritura livre emolduram a ‘representação’: o inicial antecedido por uma ’sonatina’ instrumental, o final seguido por uma única cadência dos instrumentos que não é só um eco do amém, mas também uma espécie de conclusão da sonatina inicial, com um tom de brincadeira e ao mesmo tempo afirmação séria da unidade do conjunto.
De entremeio, dois ‘atos’ de solos e coros encadeados que correspondem de certa forma ao Velho e ao Novo Testamento: no primeiro afirma-se a morte como lei inescapável – mas ainda no meio dessa afirmação a alma humana (em forma de voz de soprano) começa a chamar pelo vencedor da morte: ‘vem, Senhor Jesus, vem!’ Tudo vai se calando, ficando só a voz e o pulsar do seu coração. O pulsar para… e a voz conclui a palavra ‘Je-su’ depois, ‘apoiada em nada’: nada menos que a afirmação da sua continuidade independente do corpo, que é precisamente o que a fé espera dessa invocação.
Mas parece que todas as tradições falam de um trajeto entre o momento da morte e o mundo definitivo do além (ver p.ex. no balé ‘300 anos de Zumbi’, de Gilberto Gil, que também já postei aqui): o ‘Novo Testamento’ se abre com a alma (que virou contralto) dizendo ‘estou enviando às tuas mãos o meu espírito, ao que Cristo – agora presente, não só invocado – responde ‘ainda hoje estarás comigo no paraíso’ – e de repente já é todo um grupo de contraltos que vai em frente cantando com uma… serenidade segura: ‘é com paz e alegria que eu viajo para lá’. E aí o coro final é louvor e afirmação de fé – mas sem se aventurar a oferecer nenhuma representação do estado final: afinal, na teologia aceita por Bach, ‘nem um olho viu, nem um ouvido ouviu o que Deus tem preparado para os seus’.
O antropólogo Gilbert Durand fala de três vertentes do imaginário humano; a do meio não importa agora, mas as duas extremas seriam a Heroica, de caráter diurno e derivada do esforço de conquista da posição vertical pela criança, e a Mística, de caráter noturno, derivada da busca da intimidade dos braços e do colo da mãe, anseio de descansar do esforço e riscos da existência separada reintegrando-se com o todo de onde se saiu. Quem sabe assim fique mais claro o porquê da minha traição ao título tradicional!
J.S. Bach: duas cantatas regidas por Felix Prohaska
01-04 Cantata 106, ‘Gottes Zeit ist die allerbeste Zeit’
06-12 Cantata 78, ‘Jesu, der du, meine Seele’
Coro e orquestra “The Bach Guild” (projeto N.York-Viena da Vanguard Records)
Tereza Stich-Randall, soprano – Dagmar Hermann, contralto
Anton Dermota, tenor – Hans Braun, baixo – Anton Heiller, órgão
02 [MOVIMENTO ARTICULANDO 6 ELEMENTOS SUCESSIVOS OU SIMULTÂNEOS]
CORO Gottes Zeit ist die allerbeste Zeit.
A hora de Deus é a melhor de todas. In Ihm leben, weben und sind wir, solange Er will,
N’Ele vivemos, “tecemos” e estamos, enquanto Ele quer, In Ihm sterben wir zur rechten Zeit, wenn Er will.
N’Ele morremos na hora certa: quando Ele quer.
TENOR SOLO Mein Herr! (Ach, Herr!)
Meu Senhor! (Oh Senhor!) Herr, lehre uns bedenken, dass wir sterben müssen,
Senhor, ensina-nos a considerar que temos que morrer, auf dass wir klug werden.
para ganharmos juízo.
BAIXO SOLO Bestelle dein Haus!
Encomenda tua morada! Denn du wirst sterben und nicht lebendig bleiben.
Pois tu irás morrer, e não permanecer em vida.
CORO (FUGATO) Es ist der alte Bund: Mensch, du musst sterben.
Esse é o antigo pacto: ó humano, tu tens que morrer.
SOPRANO SOLO Ja, komm, ja komm, Herr Jesu, komm!
Sim, vem, sim vem Senhor Jesus! Vem!
HINO: INSTRUMENTAL (texto implícito para os ouvintes) Ich hab’ mein’ Sach’ Gott heimgestellt …
Entreguei minha causa a Deus …
IV. [MOVIMENTO ARTICULANDO 3 ELEMENTOS]
CONTRALTO SOLO In deine Hände befehl ich meinen Geist;
A tuas mãos envio o meu espírito; Du hast mich erlöset, Herr, Du getreuer Gott!
Tu me libertaste, ó Senhor, Deus fidedigno que és.
BAIXO SOLO Heute, heute wirst du mit mir im Paradies sein.
Hoje, ainda hoje, comigo no paraíso hás de estar.
HINO: CONTRALTOS EM UNÍSSONO Mit Fried’ und Freud’ ich fahr dahin
Com paz e alegria eu viajo para lá in Gottes Willen.
na vontade de Deus. Getrost ist mir mein Herz und Sinn,
Confortados estão para mim o coração e tino, sanft und stille.
em brandura e quietude. Wie Gott mir verheissen hat:
Como Deus me prometeu: der Tod ist mein Schlaf worden.
a morte se tornou meu sono.
V. CORO Glorie, Lob, Ehr und Herrlichkeit
Glória, louvor, honra e majestade Sei dir, Gott Vater und Sohn bereit,
sejam preparados para Ti, ó Deus ‘Pai e Filho Dem heil’gen Geist mit Namen!
e Espírito Santo’ nomeado. Die göttlich Kraft
O poder divino mach uns sieghaft
nos faça vitoriosos durch Jesum Christum – amen.
através de Jesus Cristo – amém.
Um CD pirata da melhor qualidade, certamente gravado a partir de uma transmissão radiofônica. São obras agitadas da conturbada primeira metade do século XX — e como Liszt coube bem nelas! O Concerto para Mão Esquerda é a comprovação do contato de Ravel com uma época terrível para a Europa. Ele foi composto, quase como um desafio, para o eminente pianista austríaco Paul Wittgenstein, que tinha perdido o braço direito num combate da Primeira Guerra Mundial e cuja carreira parecia terminada. Contudo, Wittgenstein, com enorme coragem, recusou conformar-se com o fato, e escreveu a vários compositores, pedindo-lhes que escrevessem músicas que ele pudesse tocar apenas com a mão esquerda. Ravel achava-se ocupado com a composição de o Concerto para piano em sol maior. Contudo, movido, pelo apelo, e cedendo ao seu amor inato pela experimentação e pelo incomum, Ravel enfrentou a prova técnica. Sem suspender a composição do outro concerto, atirou-se ao trabalho a fim de escrever algo que pudesse atender às necessidades do pianista tão gravemente sacrificado. O resultado foi excelente e muitos pianistas até hoje deixam o braço direito descansar para interpretar a admirável obra.
Mas o restante da gravação também é extraordinária.
A dupla Dutoit e Thibaudet esmerilham neste CD pirata.
Ravel (1875-1937): Concerto para piano e orquestra para mão esquerda e La Valse, Liszt (1811-1886): Totentanz para piano e Orchestra e Rachmaninov (1873-1943): Danças Sinfônicas, Op. 45
Maurice Ravel (1875-1937) – Concerto para piano e orquestra em D (para “mão esquerda”)
01. Lento
02. Allegro
03. Tempo I
Franz Liszt (1811-1886) – Totentanz para piano e Orchestra
04. Totentanz para piano e Orchestra
Sergei Rachmaninov (1873-1943) – Danças Sinfônicas, Op. 45
05. Non allegro
06. Andante con moto (Tempo di valse)
07. Lento assai – Allegro vivace
Maurice Ravel (1875-1937) –La Valse 08. La Valse
Chicago Symphony Orchestra
Charles Dutoit, regente
Jean-Yves Thibaudet, piano
Juntar dois excepcionais músicos do calibre de Egberto Gismont e Charlie Haden só poderia gerar um belíssimo CD, daqueles que nos emocionam e que não cansamos de ouvir.
Essa gravação ao vivo foi realizada em 1989 e o CD só foi lançado em 2001, e devo ter adquirido esse CD lá por 2009, algo assim. Estava guardado no meio de minha bagunça, e ao abrir determinada gaveta, deparei-me com ele. Fazia algum tempo que não o ouvia. E lamento muito não ter prestado mais atenção nele quando o adquiri.
01. Salvador
02. Maracatu
03. First Song
04. Palhaco
05. Silence
06. Em Familia
07. Loro
08. Frevo
09. Don Quixote
Charlie Haden _ Double Bass
Egberto Gismonti – Guitar, Piano
Nesta série de cinco cds que vou trazer nos próximos dias, quem não conhece muito bem pode apreciar o talento e genialidade de Mendelssohn, um dos maiores representantes do romantismo alemão. Poderão ouvir outras coisas que não o indefectivel Concerto para Violino ou alguma de suas sinfonias.
Então neste três primeiros CDs teremos as duas sonatas para Violoncelo e Piano, os trios, o Octeto e os três primeiros quartetos. Os solistas são do primeiro time da EMI, liderados pelo grande violoncelista Paul Tortelier, um dos grandes em seu instrumento no século XX.
CD 1
01. Sonata for Cello and Piano no.1 – 01 Allegro vivace
02. Sonata for Cello and Piano no.1 – 02 Andante
03. Sonata for Cello and Piano no.1 – 03 Allegro assai
04. Sonata for Cello and Piano no.2 – 01 Allegro vivace
05. Sonata for Cello and Piano no.2 – 02 Allegretto scherzando
06. Sonata for Cello and Piano no.2 – 03 Adagio
07. Sonata for Cello and Piano no.2 – 04 Molto allegro e vivace
Paul Tortelier – Piano
Maria de La Pau – Piano
08. Trio for Piano, Violin and Cello no.1 – 01 Molto allegro edagitato
09. Trio for Piano, Violin and Cello no.1 – 02 Andante con moto tranquillo
Andre Previn – Piano
Kyung-Wha Chung – Violin
Paul Tortelier – Cello (Trio nº1)
CD 2
01. Trio for Piano, Violin and Cello no.1 – 03 Scherzo_ Leggiero e vivace
02. Trio for Piano, Violin and Cello no.1 – 04 Finale_ Allegro assai appassionato
Andre Previn – Piano
Kyung-Wha Chung – Violin
Paul Tortelier – Cello (Trio nº1)
03. Trio for Piano, Violin and Cello no.2 – 01 Allegro energico e con fuoco
04. Trio for Piano, Violin and Cello no.2 – 02 Andante espressivo
05. Trio for Piano, Violin and Cello no.2 – 03 Scherzo_ Molto allegro quasi presto
06. Trio for Piano, Violin and Cello no.2 – 04 Finale_ Allegro appassionato
Grieg Trio
Solve Siegerland – Piano
Ellen Margrete Fiesjo – Violin
Vebjorn Anvik – Violoncello
07. Octet for Strings – 01 Allegro moderato, ma con fuoco
08. Octet for Strings – 02 Andante
09. Octet for Strings – 03 Scherzo_ Allegro leggierissimo
10. Octet for Strings – 04 Presto
Membres du Melos Esemble de Londres
CD 3
01. String Quartet no.1 – 01 Adagio sostenuto_ Allegro
02. String Quartet no.1 – 02 Canzonetta
03. String Quartet no.1 – 03 Andante espressivo_ Attaca
04. String Quartet no.1 – 04 Molto allegro e vivace
05. String Quartet no.2 – 01 Adagio_ Allegro vivace
06. String Quartet no.2 – 02 Adagio non lento
07. String Quartet no.2 – 03 Intermezzo
08. String Quartet no.2 – 04 Presto_ Adagio non lento
09. String Quartet no.3 – 01 Molto allegro vivace
10. String Quartet no.3 – 02 Menuetto_ Un poco allegro
11. String Quartet no.3 – 03 Andante espressivo ma con moto
Um grande, excelente, notável álbum! Ravel é um de meus compositores favoritos, e o de muita gente que sabe que sua obra vai muito além do famigerado “Bolero”, e sua produção pianística é uma das mais belas do século XX. E é essa obra que estou trazendo nesta postagem dupla, com o excelente pianista francês Jean-Efflam Bavouzet, gravação que ganhou 5 estrelas da maior parte dos comentaristas e clientes da amazon. Se não me engano, Bavouzet viria se apresentar no Brasil esse ano. Alguém tem alguma informação? Não sei se pelo Mozarteum Brasileiro, Cultura Artística, ou por algum outro destes patrocinadores. Uma curiosidade: Bavouzet nesta gravação utiliza um piano Steinway construído em 1901, ou seja, muito semelhante ao utilizado por Ravel para compor estas obras.
CD 1
1. Gaspard de la nuit, for piano: Ondine
2. Gaspard de la nuit, for piano: Le Gibet
3. Gaspard de la nuit, for piano: Scarbo
4. Jeux d’eau, for piano
5. Sonatine for piano in F sharp minor: Modéré
6. Sonatine for piano in F sharp minor: Mouvement de Menuet
7. Sonatine for piano in F sharp minor: Animé
8. Miroirs, for piano (or orchestra): Noctuelles
9. Miroirs, for piano (or orchestra): Oiseaux tristes
10. Miroirs, for piano (or orchestra): Une barque sur l’océan
11. Miroirs, for piano (or orchestra): Alborada del gracioso
12. Miroirs, for piano (or orchestra): La vallée des cloches
CD 2
1. Le tombeau de Couperin, for piano: Prélude
2. Le tombeau de Couperin, for piano: Fugue
3. Le tombeau de Couperin, for piano: Forlane
4. Le tombeau de Couperin, for piano: Rigaudo
5. Le tombeau de Couperin, for piano: Menuet
6. Le tombeau de Couperin, for piano: Toccata
7. Prélude, for piano
8. Sérénade grotesque, for piano
9. À la manière de. . . , for piano: A la manière de Borodine (Valse)
10. À la manière de. . . , for piano: A la manière de Chabrier (Paraprhase sur un air de Gounod)
11. Menuet antique, for piano (or orchestra)
12. Menuet sur le nom d’Haydn, for piano
13. Valses (8) nobles et sentimentales, for piano (or orchestra): I. Modéré – très franc
14. Valses (8) nobles et sentimentales, for piano (or orchestra): II. Assez lent
15.Valses (8) nobles et sentimentales, for piano (or orchestra): III. Modéré
16. Valses (8) nobles et sentimentales, for piano (or orchestra): IV. Assez animé
17. Valses (8) nobles et sentimentales, for piano (or orchestra): V. Presque lent
18. Valses (8) nobles et sentimentales, for piano (or orchestra): VI. Vif
19. Valses (8) nobles et sentimentales, for piano (or orchestra): VII. Moins vif
20. Valses (8) nobles et sentimentales, for piano (or orchestra): VIII. Epilogue. Lent
21. Pavane pour une infante défunte, for piano (or orchestra)
Um CD que tem a Cantata BWV 95 deve ser sempre ouvido! A ária Ach, Schlage Doch Bald é obrigatória conhecer. Igualmente as árias Ich Bin Vergnügt Mit Meinem Glücke e Ich Esse Mit Freuden Mein Weniges Brot da Cantata BWV 84. O trabalho de Herreweghe com seu Collegium Vocale Gent impressiona como sempre. Difícil imaginar uma abordagem melhor para este grupo de Cantatas.
As cantatas constituem o grosso da produção de Bach, mas apenas nas últimas décadas sua importância vem sendo reconhecida. Esquecidas quase por completo no século XIX, até meados do século XX somente um pequeno número delas havia sido estudado em detalhe, situação que vem mudando diante do rápido crescimento dos estudos bachianos. A maior parte delas é sacra, compostas em Weimar e principalmente Leipzig, mas ele cultivou o gênero ao longo de quase toda a sua carreira. Muitas foram perdidas. De acordo com o obituário do mano Carl Philipp, ele compôs cinco ciclos completos para o ano eclesiástico, fora as cantatas profanas, o que representaria mais de 350 obras. Ainda sobrevivem 194 composições neste gênero, somando um total de mais de 1.200 movimentos individuais. As de sua fase inicial são compostas segundo o modelo alemão do século XVII, sem recitativos ou árias da capo, elementos de origem operística italiana que só aparecem em suas obras maduras. Mais tarde se consolidou um formato italianizado, com uma abertura mais elaborada com coro, seguida de uma alternância de cinco ou seis árias da capo e recitativos para voz solo, encerrando com uma harmonização coral simples homofônica a quatro vozes, quando a congregação possivelmente se unia ao coro, mas mesmo aqui são encontradas muitas outras soluções técnicas e formais, incluindo fugas, cânones, variações sobre um ostinato, formas concertantes, influência da abertura francesa e do antigo moteto, além de se valerem de uma ampla gama de forças instrumentais.
J. S. Bach (1685-1750): Christus, Der Ist Mein Leben — Cantatas BWV 27, 84, 95 & 161
Wer Weiß, Wie Nahe Mir Mein Ende; BWV 27
1 1. Choral + Recitiativo Sopran, Alto, Tenor: Wer Weiß, Wie Nahe Mir Mein Ende 4:03
2 2. Recititativo, Tenor: Mein Leben Hat Kein Ander Ziel 0:55
3 3. Aria, Alto: Willkommen! Will Ich Sagen 3:46
4 4. Rezitativo, Sopran: Ach, Wer Doch Schon Im Himmel Wär! 0:42
5 5. Aria, Bass: Gute Nacht, Du Weltgetümmel! 3:03
6 6. Choral: Welt, Ade! Ich Bin Dein Müde 0:57
Ich Bin Vegnügt Mit Meinem Glücke; BWV 84
7 1. Aria, Soprano: Ich Bin Vergnügt Mit Meinem Glücke 5:29
8 2. Rezitativo, Soprano: Gott Ist Mir Ja Nichts Schuldig 1:22
9 3. Aria, Soprano: Ich Esse Mit Freuden Mein Weniges Brot 4:44
10 4. Rezitativo, Soprano: Im Schweisse Meines Angesicht 0:57
11 5. Choral: Ich Leb Indes In Dir Vergnüget 0:49
Christus, Der Ist Mein Leben; BWV 95
12 1. Choral + Recitativo, Tenor: Christus Der Ist Mein Leben 4:58
13 2. Recitativo, Sopran: Nun, Falsche Welt! 3. Chorale, Sopran: Valet Will Ich Dir Geben 2:56
14 4. Recitativo, Tenor: Ach Könnte Mir Doch Bald So Wohl Geschehen 0:36
15 5. Aria, Tenor: Ach, Schlage Doch Bald, Selge Stunde 6:59
16 6. Recitativo, Bass: Denn Ich Weiß Dies 1:21
17 7.Choral: Weil Du Vom Tod Erstanden Bist 1:04
Komm Du Süße Todesstunde; BWV 161
18 1. Aria, Alto: Komm, Du Süße Todessstunde 4:41
19 2. Recitativo, Tenor: Welt! Deine Lust Ist Last! 1:48
20 3. Aria, Tenor: Mein Verlangen 4:40
21 4. Recitativo, Alto: Der Schluß Ist Schon Gemacht 2:01
22 5. Chor: Wenn Es Meines Gottes Wille 2:56
23 6. Choral: Der Leib Zwar In Der Erden 1:19
Mais motetos da família. Este segundo disco é também levado por belgas, estes mais do sul do país e ligados a Festivais de música do Vale do Meuse. O moteto é um gênero musical polifônico surgido no século XIII, onde, inicialmente, usavam-se textos distintos para cada voz. Dessa característica vem a origem do termo, derivado de mot, palavra, em francês. O moteto se tornará uma das grandes formas da música polifônica, sendo o apogeu de seu uso no contraponto modal do século XVI, apesar de sua importância para a música barroca e da recorrência a ele até por compositores românticos.
Johann Michael Bach
Halt was du hast. Motette für Doppelchor zu 8 Stimmen und Basso continuo
1. Jesu meine Freude / Halt, was du hast
Johann Christoph Bach
Sei getreu bis in den Tod. Motette für 5-stimmigen Chor und Basso continuo
2. Sei getreu bis in den Tod
Johann Christoph Bach
Der Mensch, vom Weibe geboren. Motette für 5-stimmigen Chor und Basso continuo
3. Der Mensch, vom Weibe geboren
Johann Michael Bach
Fürchtet euch nicht. Motette für Chor und Basso continuo
4. Fürchtet euch nicht
Hieronymus Praetorius
Missa super “Angelus ad Pastores”, für Doppelchor zu 8 Stimmen und Basso continuo
5. 1. Kyrie
6. 2. Gloria
7. 3. Credo
8. 4. Sanctus
9. 5. Agnus Dei
Johann Michael Bach
Sei, lieber Tag willkommen. Motette für 6-stimmigen Chor und Basso continuo
10. Sei, lieber Tag willkommen
Johann Michael Bach
Ich weiss, dass mein Erlöser lebt. Motette für 5-stimmigen Chor und Basso continuo
11. Ich weiss, dass mein Erlöser lebt
Johann Michael Bach
Herr, ich warte auf dein Heil. Motette für Doppelchor und Basso continuo
12. Herr, ich warte auf dein Heil
Johann Michael Bach
Herr, wenn ich nur dich habe. Motette für 5-stimmigen Chor und Basso continuo
13. Herr, wenn ich nur dich habe
Johann Michael Bach
Unser Leben währet siebenzig Jahr. Motette für 5-stimmigen Chor und Basso continuo
14. Unser Leben währet siebenzig Jahr
Capella Sancti Michaelis
Ricercar Consort
Erik van Nevel
A Família Bach foi de grande importância na história da música por cerca de duzentos e cinquenta anos, com mais de 50 músicos e vários compositores notáveis. Seu membro mais proeminente e mais notável compositor da história da música foi Johann Sebastian Bach (1685-1750). A dinastia musical começou com o trisavô de Johann Sebastian, Veit Bach (nascido antes de 1545 e morto por volta de 1576), e se extinguiu com seu neto Wilhelm Friedrich Ernst Bach (1759-1845). Neste CD, temos obras sacras de ascendentes de papai. O trabalho de Herreweghe e sua turma de Gent é impecável, como sempre.
Motetos da Família Bach (I)
Johann Bach
1. Sey nun wieder zufrieden
2. Unser Leben ist ein Schatten Johann Michael Bach
3. Das Blut Jesu Christi Johann Christoph Bach
5. Ich lasse dich nicht
6. Der Gerachte
7. Lieber Herr Gott
8. Herr, nun lassest du dienen Diener in Friede fahren
9. Unsers Herzens Freude
Collegium Vocale Gent
Johan Huys, Organ
Philippe Pierlot, Bass Viole
Ricercar Consort
Philippe Herreweghe
Eis uma trilha sonora ideal para um começo de manhã… jazz de primeiríssima qualidade, com músicos excepcionais liderados pelo grande Wes Montgomery. As coisas funcionam tão bem neste cd duplo que a gente fica se perguntando como podem surgir excrecências como o que temos ouvido nos rádios e na televisão ultimamente …???
Trata-se de um disco gravado em família, onde Wes junta-se aos seus irmãos Monk e Buddy, além, é claro, de outros músicos convidados, Para a audição deste CD duplo sugiro que os senhores sentem-se em suas melhores poltronas, abram uma garrafa de um bom vinho, e prestem atenção a cada detalhe e nuance. Nenhum dos irmãos tinham educação musical, aprenderam a tocar de ouvido, como dizemos. E Wes se transformou em um dos maiores guitarristas da história do jazz, inovando a técnica de tocar, sem a utilização de palhetas, e usando o polegar para solar. Leiam o texto do booklet para entenderem o que estou dizendo.
CD 1
01 – Finger Pickin’
02 – Sound Carrier
03 – Lois Ann
04 – Bud’s Beaux Arts
05 – Bock To Bock
06 – All The Things You Are
07 – Billie’s Bounce
08 – Far Wes
09 – Leila
10 – Old Folks
11 – Wes’ Tune
12 – Hymn To Carl
13 – Montgomeryland Funk
14 – Stompin’ At The Savoy
15 – Love For Sale
CD 2
01 – Summertime
02 – Monk’s Shop
03 – Falling In Love With Love
04 – Renie
05 – Ouverture
06 – And This Is My Beloved
07 – Fate
08 – Stranger In Paradise
09 – Baubles, Bangles And Beads
10 – Not Since Nineveh
11 – A Good Git Together
12 – Feed Me
13 – Music In The Air
14 – Pretty Strange
15 – The Shouter
16 – Social Call
17 – Out Of The Past
Wes Montgomery – Guitars
Freddy Hubbard – Trumpet
Wayman Atkinson, Alonso Johnson – Tenor Saxophone
Buddy Montgomery – Vibraphone
Joey Bradley – Piano
Monk Montgomery – Bass
Paul Parker – Drums
Et all … (verificar listagem completa dos músicos no booklet em anexo, riquíssimo em informações)
Não sou muito fã de coletâneas mas até que gostei desta do Pat Metheny, principalmente por trazer músicas de uma fase que gosto muito dele, quando ainda tocava com a trinca Lyle Mays, Steve Rodby e Paul Wertico e outros músicos convidados. Canções como “Last Train Home”, “Have Your Heard”, “Minuano (Six Eight)” se tornaram clássicas para mim, pois em determinado momento de minha vida estive em uma ponte rodoviária semanal, indo e voltando, na estrada o tempo todo, e estas músicas foram minhas companheiras de solidão nestas longas horas. Me afeiçoei a elas de tal forma que posso dizer que foram a trilha sonora de minha vida naqueles dez anos que passei na estrada. Por este motivo, sempre que ouço estas canções parece que estou transitando em uma longa estrada, que leva ao infinito.
Reminiscências a parte, não temo em dizer que sou fã deste músico fenomenal, excepcional guitarrista, arranjador e compositor. E sei que muita gente também gosta, por isso estou trazendo este CD.
01. Last Train Home
02. Have You Heard
03. Minuano (Six Eight)
04. Third Wind
05. Here to Stay
06. As It Is
07. Better Days Ahead
08. Follow Me
09. Stranger in Town
10. Letter from Home
11. The First Circle (live)
12. The Road to You (live)
Pat Metheny Goup
Pat Metheny – Guitar
Lyle Mays – Keyboards
Steve Rodby – Bass
Paul Wertico – Drums
David Blamires – Vocals, Percussions
Mark Ledford – Fluglelhorn, French Horn, Trumpet, Vocals, etc.
Não há nenhuma dúvida de que Frank Sinatra virou uma instituição, não apenas nos Estados Unidos, mas em todo o mundo. Seu nome e voz são reverenciados até hoje, mesmo já passados vários anos de sua morte.
Esta coletânea que ora vos trago mostra um pouco do talento da lenda. Adoro os arranjos, o swing, o estilo único com que canta. Não canso de ouvir este CD e acho que os senhores também irão gostar bastante. E não se inibam se sentirem vontade de sairem dançando pela sala. A boa música tem esse poder sobre nós.
CD 1
01- Come Fly With me
02- The best is yet to come
03- The way you look tonight
04- Luck be a lady
05- Bewitched
06- The good life
07- The girl from Ipanema
08- Fly me to the moon (in other words)
09- Summer wind
10- Strangers in the night
11- Call me irresponsible
12- Somethin stupid with nancy sinatra
13- My kind of town
14- It was a very good year
15- Thats life
16- Moonlight serenade
17 Nothing but the best
18 Drinking again
19- All my tomorrows
20- My way
21- Theme from new york new york_(bonus_track)
22- Body and soul (previously_unissued)
CD 2
201- White christmas
202-Its christmas time again
203-Go tell it on the mountain
204-An old fashioned christmas
205-when angels sang of peace
206-The little drummer boy
207-I heard the bells on christmas day
208- Do you hear what i hear
209- The secret of christmas
210-The twelve days of christmas
211-christmas candles
212-We wish you the merriest
Faço esta postagem ciente de estar navegando por águas desconhecidas. Conheço muito pouco a obra de Henry Purcell apesar de ter bastante coisa dele. Mas também sei que nosso mentor PQPBach é fã confesso dele. Já pensei em postar estes dois cds em outras ocasiões mas desisti.
Acho que trago esta coleção principalmente por causa do King´s Consort, conjunto inglês especializado no barroco e do qual sou fã. E estas gravações aqui são impecáveis, podemos reconhecer nelas que houve uma profunda pesquisa histórica para sua interpretação. E as vozes solistas estão impecáveis, principalmente o contra-tenor James Bowman.
Então neste primeiro momento vou trazer para os senhores o primeiro CD.
1 – 10 – Arise My Muse
2 – 17 – Welcome to All the Pleasures
18 – 28 – Now Does the Glorious Day Appear
The King´s Consort
Robert King – Harpsichord, Organ & Conductor
Este CD é muito bom, primoroso, de um nível difícil de encontrar por aí, mas… Falta sangue e sujeira nos pianos de Los Tangueros. O pessoal não entende que é preciso dar porrada. O que eles fizeram está bonito, mas o mestre Piazzolla, para citar um exemplo candente, tinha uma melhor leitura de si mesmo. O legal seria gravar estes pianistas no meio do mercado de San Telmo com um ouvindo o outro bem mal, errando bastante e com o público fungando e aplaudindo. Não adianta, lugar de cachorro e de tango é na rua. Eu sou um grande admirador do erro ao vivo, do erro por tesão. Isso aqui, apesar de lindo, está perfeito demais. Há que sujar. É minha opinião.
Astor Piazzolla (1921-1992) — Los Tangueros
1. Revirado 3:17
2. Fuga y misterio (Instrumental) 4:34
3. Milonga del Angel 6:18
4. Decarissimo (Instrumental) 2:35
5. Soledad (Instrumental) 8:03
6. La muerte del angel (Instrumental) 3:25
7. Adiós Nonino (Instrumental) 5:49
8. Libertango (Instrumental) 4:12
9. Verano Porteqo (Instrumental) 6:35
10. Michelangelo ’70 (Instrumental) 3:14
11. Buenos Aires Hora cero (Instrumental) 4:09
12. Tangata (Instrumental) 7:40
Um dos maiores barítonos da atualidade, o alemão Thomas Quasthoff. me surpreendeu com este excelente CD, cantando standards do jazz. Nem preciso dizer como esse cd é bom. Começando pela voz de Quasthoff, de uma pureza e limpidez únicas. E o repertório foi escolhido a dedo para se adequar à sua voz. Começando pelo Gershwin inicial, Steve Wonder, Duke Ellington, Charles Chaplin, entre outros.
É daqueles cds para ser ouvir acompanhado de amigos, tomando um bom vinho, numa tarde de domingo chuvosa e fria…
01. There’s A Boat That’s Leavin’ Soon For New York
02. Watch What Happens
03. Secret Love
04. You And I
05. Ac-Cent-Tchu-Ate The Positive
06. I’ve Grown Accustomed To Her Face
07. Can’t We Be Friends
08. Smile
09. They All Laughed
10. My Funny Valentine
11. What Are You Doing The Rest Of Your Life
12. In My Solitude
13. Eins und eins, das macht zwei
Thomas Quasthoff – Baritone
Alan Broadbent, Chuck Loeb, Karl Schloz, Dieter Ilg, Peter Erskine, Axel Schlosser, Ruud Breuls, Fiete Felsch, Andreas Maile, Marcus Bartelt, Günter Bollmann, Uli Plettendorf