O BWV, diferentemente do catálogo Koechel das obras de Mozart, não é um catálogo cronológico. Como o Bach 2000 foi organizado por ordem de BWV é óbvio que há partes mais frias e partes mais quentes. Digo que a coisa só está esquentando — a próxima obra já é a Missa em Si Menor, depois vêm o Magnificat e as Paixões — e que estes CDs já são bem difíceis de segurar nas mãos por longo tempo…
Enjoy!
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Bach 2000 – Caixa 5, CD 9
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BWV0214 Cantata 1 Coro “Tönet ihr Pauken- Erschallet,Trompeten”
BWV0214 Cantata 2 Recitativo (tenor) “Heut ist der Tag”
BWV0214 Cantata 3 Aria (soprano) “Blast die wohlgegriffnen Flöten”
BWV0214 Cantata 4 Recitativo (soprano) “Mein knallendes Metall”
BWV0214 Cantata 5 Aria (alto) “Fromme Musen”
BWV0214 Cantata 6 Recitativo (alto) “Unsre Königin im Lande”
BWV0214 Cantata 7 Aria (bass) “Kron und Preis gekrönter Damen”
BWV0214 Cantata 8 Recitativo (bass) “So dringe in das weite Erdenrund”
BWV0214 Cantata 9 Coro “Blühet,ihr Linden in Sachsen”
BWV0215 Cantata 1 Coro (coro1,2) “Preise dein Glücke,gesegnetes Sachsen”
BWV0215 Cantata 2 Recitativo (tenor) “Wie können wir,großmächtigster August”
BWV0215 Cantata 3 Aria (tenor) “Freilich trotzt Augustus’ Name”
BWV0215 Cantata 4 Recitativo (bass) “Was hat dich sonst,Sarmatien,bewogen”
BWV0215 Cantata 5 Aria (bass) “Rase nur,verwegner Schwarm”
BWV0215 Cantata 6 Recitativo (soprano) “Ja,ja- Gott ist uns noch mit seiner Hülfe nah”
BWV0215 Cantata 7 Aria (soprano) “Durch die von Eifer entflammeten Waffen”
BWV0215 Cantata 8 Recitativo (soprano,tenor,bass) “Laß doch,o teurer Landesvater,zu”
BWV0215 Cantata 9 Coro “Stifter der Reiche,Beherrscher der Kronen”
A nona sinfonia de Beethoven. Primeira sinfonia que utilizou coro em sua composição. Ao longo da história, utilizada com fins políticos tanto por socialistas, conservadores e liberais. Aclamada como o hino nacional da União Europeia em 1972. Foi escolhida, por Carl Sagan e outros cientistas, dentre todas as obras musicais da humanidade para integrar o disco de ouro que juntamente com milhares de outras informações sobre a humanidade, foi acoplada à sonda Voyager, que hoje já está fora de nosso sistema solar. Foi a partir do tamanho necessário para gravar uma interpretação completa sua (60-75 minutos em média), que foi definido o diâmetro atual de um CD. Já foi postada dezenas de vezes aqui no blog. O que há mais para dizer sobre esta sinfonia que vocês não saibam?
Gosto bastante dessa interpretação de Karl Böhm. Ele sabe diminuir a velocidade na hora certa e ser rápido e conciso quando é necessário. Embora em algumas partes ele possa ser lento até demais.
Divirtam-se.
Beethoven: Symphonie No. 9
Ludwig van Beethoven (1770-1827):
Symphony No. 9 in D minor Op. 125 “Choral”
01 I. Allegro ma non troppo, un poco majestoso
02 II. Molto vivace
03 III. Adagio molto e cantabile
04 IV. Presto
05 V. ‘O Freunde, nicht diese Töne’ – Allegro assai
Konzertvereinigung Wiener Staatsopernchor
Wiener Philharmoniker
Karl Böhm, conductor
Jessye Norman, soprano
Brigitte Fassbaender, mezzo-soprano
Plácido Domingo, tenor
Walter Berry, bass
Excelente gravação de Concertos para Violino de Vivaldi. Aqui, Vivaldi comprova o que todos sabem: o fato de que era capz de compor música boa e feliz. A alegre aparência dos seus trabalhos estão entre as razões da vasta popularidade da sua música. Esta popularidade rapidamente o tornou famoso em países como a França, na época muito fechada em seus valores nacionais, e na Alemanha. Johann Sebastian Bach foi influenciado por Vivaldi, tendo transcrito alguns de seus concertos para o cravo e para o órgão, bem como alguns para orquestra, incluindo o famoso Concerto para Quatro Violinos e Violoncelo, Cordas e Baixo Contínuo (RV580). Contudo, nem todos os músicos demonstraram o mesmo entusiasmo: Igor Stravinsky afirmou em tom provocativo que Vivaldi não teria escrito centenas de concertos — escreveu 477 deles — mas um único, repetido centenas de vezes. Não sou um admirador hiper entusiasmado de Vivaldi, mas discordo do Igor.
Antonio Vivaldi (1678-1741): 6 Concerti per violino
Concerto in re maggiore per violino, archi e continuo op. 8
“Il cimento dell’armonia e dell’inventione”
n.11 – FI n.30 – RV 210
1. Allegro (5:18)
2. Largo (3:01)
3. Allegro (4:53)
Concerto in mi minore per violino, archi e continuo
“Il favorito” – FI n. 208 – RV 277
4. Allegro (4:45)
5. Andante (4:21)
6. Allegro (4:48)
Concerto in mi maggiore per violino, archi e continuo
“L’amoroso” – FI n. 127 – RV 271
7. Allegro (4:11)
8. Cantabile (2:16)
9. Allegro (3:44)
Concerto in la minore per 2 violini, archi e continuo op.3
“L’estro armonico” – n.8 – FI n. 177 – RV 522
10. Allegro (3:53)
11. Larghetto e spiritoso (4:13)
12. Allegro (3:36)
Concerto in do maggiore per violino, archi in 2 cori e continuo
“Per la Ss. Assontione di Maria Vergine” – FI n.13 – RV 581
13. Adagio e staccato – Allegro (5:24)
14. Largo (3:02)
15. Allegro (4:26)
Concerto in fa miaggiore per violino, archi e continuo
“Per la solennità di S.Lorenzo – FI n.20 – RV 286
16. Largo molto e spiccato (5:57)
17. Allegro (3:05)
18. Allegro non molto (5:09)
Se você tiver que escolher um post de Cantatas para baixar, deve escolher este. Grandes Cantatas estas PROFANAS, a maioria sob a regência de Ton Koopman. Aqui estão a do Café e todas as outras. Um notável grupo de obras de Bach!
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Bach 2000 – Caixa 5, CD 5
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BWV0205 Cantata 01 Coro “Zerreißet,zersprenget,zertrümmert die Gruft”
BWV0205 Cantata 02 Recitativo (bass) “Ja- Ja- Die Stunden sind nunmehro nah”
BWV0205 Cantata 03 Aria (bass) “Wie will ich lustig lachen”
BWV0205 Cantata 04 Recitativo (tenor) “Gefürcht’ter Aeolus”
BWV0205 Cantata 05 Aria (tenor) “Frische Schatten,meine Freude”
BWV0205 Cantata 06 Recitativo (bass) “Beinahe wirst du mich bewegen”
BWV0205 Cantata 07 Aria (alto) “Können nicht die roten Wangen”
BWV0205 Cantata 08 Recitativo (soprano,alto) “So willst du,grimmger Aeolus”
BWV0205 Cantata 09 Aria (soprano) “Angenehmer Zephyrus”
BWV0205 Cantata 10 Recitativo (soprano,bass) “Mein Aeolus,ach”
BWV0205 Cantata 11 Aria (bass) “Zurücke,zurücke,geflügelten Winde”
BWV0205 Cantata 12 Recitativo (soprano,alto,tenor) “Was Lust- Was Freude”
BWV0205 Cantata 13 Aria (Duetto) (alto,tenor) “Zweig und Äste”
BWV0205 Cantata 14 Recitativo (soprano) “Ja,ja- ich lad euch selbst zu dieser Feier ein”
BWV0205 Cantata 15 Coro “Vivat August”
BWV0211 Cantata (Coffee Cantata) 01 Recitativo (tenor) “Schweigt stille,plaudert nicht”
BWV0211 Cantata (Coffee Cantata) 02 Aria (bass) “Hat man nicht mit seinen Kindern”
BWV0211 Cantata (Coffee Cantata) 03 Recitativo (soprano,bass) “Du böses Kind,du loses Mädgen”
BWV0211 Cantata (Coffee Cantata) 04 Aria (soprano) “Ei,wie schmeckt der Coffee süße”
BWV0211 Cantata (Coffee Cantata) 05 Recitativo (soprano,bass) “Wenn du mir nicht den Coffee läßt”
BWV0211 Cantata (Coffee Cantata) 06 Aria (bass) “Mädgen,die von harten Sinnen”
BWV0211 Cantata (Coffee Cantata) 07 Recitativo (soprano,bass) “Nun folge,was dein Vater spricht”
BWV0211 Cantata (Coffee Cantata) 08 Aria (soprano) “Heute noch”
BWV0211 Cantata (Coffee Cantata) 09 Recitativo (tenor) “Nun geht und sucht der alte Schlendrian”
BWV0211 Cantata (Coffee Cantata) 10 Coro (soprano,tenor,bass) “Die Katze läßt das Mausen nicht”
Quero discutir com vocês um pouco sobre música modal. Para entender melhor boa parte das obras de Pärt que postei até agora e as que virão no futuro, é bom ter uma noção do que se está escutando.
Imaginem algo circular, que não tem um fim, mas apenas uma progressão estável e contínua, variando muito pouco em sua forma e sempre retornando para os mesmos pontos. Essa ideia de circularidade não é apenas a ideia de história que tinham, por exemplo, os gregos antigos, ou os povos ameríndios do século XVI, é uma ideia que predominou na construção musical que veio do oriente e que se fixou por séculos no ocidente, o chamado cantochão (mais conhecido como canto gregoriano). A música ocidental como a conhecemos, a qual chamamos tonal, só veio a nascer com a Ars Nova no século XIII. Ao contrário da música modal, que anda em círculos, a música tonal possui uma construção teleológica, ou seja, com um telos, ou um fim. A música tonal poderíamos dizer, é como uma montanha russa, cheia de altos e baixos, enquanto a música modal, permanence constante e linear.
Um bom exemplo do que quero dizer é o segundo movimento de Tabula Rasa, Silentum, onde a música permanece constante e parece estar num ciclo infinito. Semelhantemente, quando forem ouvir a Kanon Pokajanen, entre um Ode e outro pode lhes parecer estar na mesma música, e durante vários momentos ao longo do álbum alguns modos se repetem. Se pensarmos bem, é até contraditório que o cristianismo, religião que delimita um fim pra história, possa conter em sua cultura algo de cíclico, sem fim. Mas a musica modal ocidental é resultado do contato com o oriente, cuja visão da história é, em algumas culturas, cíclica. Por isso que, um compositor, que em pleno final do século XX recupera a imemorável tradição musical medieval sacra, veio a surgir justamente no leste europeu, sob o cristianismo ortodoxo, que, querendo ou não, ainda conserva certas influências do oriente medieval.
Este é um álbum para se ouvir no momento mais espiritual e calmo possível. Um dia nublado, silencioso, uma enorme paz no espírito e aquele sentimento de que ouvir qualquer coisa dramática demais não vai cair bem. Desligue a TV (como brincou o próprio Pärt sobre como essa música deveria ser ouvida), o celular, e sinta a beleza e o imenso poder de uma fé.
Arvo Pärt (1935): Kanon Pokajanen for soloists & mixed choir
CD1
Kanon Pokajanen
01 Ode I
02 Ode III
03 Ode IV
04 Ode V
05 Ode VI
CD2
01 Kondakion
02 Ikos
03 Ode VII
04 Ode VIII
05 Ode IX
06 Prayer After the Canon
Estonian Philharmonic Chamber Choir
Tõnu Kaljuste, conductor
Ave Moor, alto
Kaia Urb, soprano
Tiit Kogerman, tenor
Este vinil foi digitalizado pelo extraordinário blog holandês 33 toeren klassiek ao qual agradecemos muitíssimo. Conheci este vinil na antiga coleção The Bach Guild com o The Griller String Quartet e William Primrose na viola (gravação de 1956). A gravação que ora apresentamos é com o célebre Budapest String Quartet e Walter Trampler na viola. E é da mesma forma excelente. O Budapest é sensacional, mesmo em registro mono, de 1945, da Columbia Masterworks!
Este belíssimo par de quintetos — que inspiraram Schubert a escrever o seu, também notável — foram escritos em abril e maio de 1787, com Mozart no auge. No século XIX, os críticos, certamente por influência de Schumann, tinham este dois quintetos como o ponto mais alto da música de câmara. Podia ser. Arthur Rubinstein disse que queria ouvi-los quando estivesse morrendo. Talvez eles tenham perdido parte da fama, mas este é um disco para você ouvir ad infinitum. O Adagio ma non troppo, seguido pelo Adagio – Allegro do K. 516, por exemplo, é uma das maiores músicas que já ouvi, mas tudo, tudo, tudo aqui é de chorar de tão lindo.
W. A. Mozart (1756-1791): Quintetos de Cordas K. 515 e 516
Budapest String Quartet
(Violins – Alexander Schneider, Joseph Roisman
Viola – Boris Kroyt
Cello – Mischa Schneider)
Walter Trampler, viola
Tempo total: 1:03:36
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Bach 2000 – Caixa 5, CD 1
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BWV 134a – Die Zeit, die Tag und Jahre macht, serenata (secular cantata) for 2 voices, chorus & orchestra, (BC G5)
Performed by Amsterdam Baroque Orchestra
with Michael Chance, Paul Agnew
Conducted by Ton Koopman
1. Recitativo(alto, tenor): Die Zeit, die tag und Jahre macht
2. Aria(tenor): Auf, Sterbliche, lasset ein Jauchzen ertönen
3. Recitativo(alto, tenor): So bald, als dir die Sternen hold
4. Aria Duetto(alto, tenor): Es treiten, es siegen/prangen die kunftigen/voringen Zeiten
5. Recitativo (alto, tenor: Bedenke nur, beglucktes Land
6. Aria (alto): Der Zeiten Herr hat viel vergnugte Stunden
7. Recitativo alto, tenor): Hilf, Hochster, hilf, dass mich die Menschen preisen
8. Coro: Ergotzet auf Erden, erfreuet von oben
BWV 173a – Durchlauchtster Leopold, serenata for 2 voices (soprano, bass), flute, bassoon, strings & continuo, (BC G9)
Composed by Johann Sebastian Bach
Performed by Amsterdam Baroque Orchestra
with Lisa Larsson, Klaus Mertens
Conducted by Ton Koopman
9. Recitativo: Durchlauchtster Leopold
10. Aria: Güldner Sonnen frohe Stunden
11. Aria: Leopolds Vortrefflichkeiten
12. Aria: Unter seinem Purpursaum
13. Recitativo: Durchlauchtigster, den Anhalt Vater nennt
14. Aria: So schau dies holden Tages Licht
15. Aria: Dein Name gleich der Sonnen geh
16. Nimm auch, großer Fürst, uns auf
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Bach 2000 – Caixa 5, CD 3
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BWV0202 Cantata 1 Aria (soprano) “Weichet nur,betrübte Schatten”
BWV0202 Cantata 2 Recitativo (soprano) “Die Welt wird wieder neu”
BWV0202 Cantata 3 Aria (soprano) “Phoebus eilt”
BWV0202 Cantata 4 Recitativo (soprano) “Drum sucht auch Amor sein Vergnügen”
BWV0202 Cantata 5 Aria (soprano) “Wenn die Frühlingslüfte streichen”
BWV0202 Cantata 6 Recitativo (soprano) “Und dieses ist das Glücke”
BWV0202 Cantata 7 Aria (soprano) “Sich üben im Lieben”
BWV0202 Cantata 8 Recitativo (soprano) “So sei das Band der keuschen Liebe”
BWV0202 Cantata 9 Gavotte (soprano) “Sehet in Zufriedenheit”
BWV0203 Cantata 1 Aria (bass) “Amore traditore”
BWV0203 Cantata 2 Recitativo (bass) “Voglio provar”
BWV0203 Cantata 3 Aria (bass) “Chi in amore ha nemica la sorte”
BWV0209 Cantata 1 Sinfonia
BWV0209 Cantata 2 Recitativo (soprano) “Non sa che sia dolore”
BWV0209 Cantata 3 Aria (soprano) “Parti pur e con dolore”
BWV0209 Cantata 4 Recitativo (soprano) “Tuo saver al tempo e l’età contrasta”
BWV0209 Cantata 5 Aria (soprano) “Ricetti gramezza e pavento”
Estreamos aqui hoje o compositor escocês James MacMillan. Católico que é, grande parte de suas obras são sacras, mas também adora compor pra orquestra. Seu primeiro concerto para percussão, chamado “Veni, Veni, Emmanuel” ganhou o mundo e parece ser a obra mais executada do compositor.
Cheguei a assistir a estreia do segundo concerto para percussão na Sala São Paulo, que ao contrário de seu antecessor, não tem um nome. Impressionado, e acreditando que poderia encontrar coisas mais picantes — graças a toda propaganda que a Osesp fazia de MacMillan e de seu primeiro concerto para percussão — resolvi procurar mais coisas e encontrei este álbum.
Certamente o segundo concerto para percussão é melhor. Em Veni, Veni, Emmanuel MacMillan parece não saber o que está fazendo, apenas sabe que está fazendo barulho e para empolgar um pouco, coloca um dança entre um movimento e outro do concerto, além de repetir o tema principal de várias formas diferentes até o final do concerto. Mesmo assim, parece faltar o sal necessário para que possamos sentir o gosto da música. Talvez ao vivo seja melhor.
Em “…as others see us…” o compositor tenta criar “pinturas musicais” de alguns personagens históricos britânicos, como Henry VIII, George Byron, T. S. Elliot e Dorothy Hodgkin. Faz tudo isso a partir de um mesmo tema escocês. Não acho que a brincadeira dê muito certo.
As três principais obras do álbum fazem um uso extensivo da percussão e a incrível Evelyn Glennie as executa muito bem, embora em “…as others see us…” e Three Dawn Rituals, Glennie não possa fazer milagres com a falta de criatividade de MacMillan.
As musicas de MacMillan parecem ser mais experimentações infantis do que resultado de conflitos internos que o compositor supera por meio da composição. Olhem Pärt, Schnittke ou Boulez por exemplo. Cada um desses compositores, divididos entre o conhecimento tradicional de composição que aprenderam e a época em que viviam, usaram de sua música para superar essa contradição. Uns demoraram mais, outros menos, mas todos os três, e alguns outros da mesma época, superaram suas contradições. Podemos sentir isso claramente na música desses compositores.
Em MacMillan não sentimos nada disso. A música dele, dependendo da obra, parece mesclar serialismo, colagem de outras obras, dissonâncias, adagios, e nada disso parece satisfazer a música ou o ouvinte. Ele não parece estar querendo buscar resolver nada no sentido ideal — ou material no resultado de sua própria música — mas fazer apenas umas brincadeiras em meio à qualquer plano de fundo musical que lhe venha à mente.
Evelyn Glennie. Provavelmente a melhor percussionista do mundo, e certamente a melhor artista deste álbum.
…As Others See Us…
10 “…As Others See Us…” : Henry VIII (1491-1547)
11 “…As Others See Us…” : John Wilmot (1647-1680)
12 “…As Others See Us…” : John Churchill (1650-1722)
13 “…As Others See Us…” : George Gordon (1788-1824) and William Wordsworth (1770-1850)
14 “…As Others See Us…” : Thomas Stearns Eliot (1888-1965)
15 “…As Others See Us…” : Dorothy Mary Hodgkin (b. 1910)
Three Dawn Rituals
16 Larghetto
17 Allegro moderato
18 Andante
19 Untold
Members Of The Scottish Chamber Orchestra
James MacMillan, conductor
Armida al campo d’Egitto (RV 699) é uma ópera em três atos do compositor veneziano Antonio Vivaldi (1678-1741) com libreto de Giovanni Palazzi. A obra estreou no carnaval de 1718 no Teatro San Moisè em Veneza. No mesmo local, ela foi reencenada em abril do mesmo ano e novamente em fevereiro de 1719 com Anna Girò (Anna Giraud) no papel título. Essa contralto de origem francesa manteve um relacionamento próximo com Vivaldi. (Entendo…) Ela e a irmã, Paolina, moraram durante muitos anos na mesma casa que o compositor. Apesar das suspeitas, ele sempre afirmou que ambas não passavam de suas amigas e o ajudavam nos afazeres domésticos. Em 1720 deu-se outra montagem em Vicenza com o título Gli inganni per vendetta (RV 720/699c). Por fim, a obra foi reencenada no Teatro Sant’Angelo em 1738 com diversas modificações na partitura e a inclusão de árias de Leonardo Leo (1694-1744). O libreto foi dedicado a Augusto Brandofer. A abertura de Armida foi reutilizada por Vivaldi para a ópera Ercole sul Termodonte (RV 710), apresentada em Roma em 1723.
A Armida de Antonio Vivaldi faz parte de uma série de mais de cinquenta óperas cujo argumento deriva da história de Rinaldo e Armida, personagens do poema épico de Torquato Tasso (1544-1595), Gerusalemme Liberata, de 1580. Dentre os autores que musicaram os versos de Tasso utilizando diferentes libretistas destacam-se Jean-Baptiste Lully, Georg Friedrich Händel, Christoph Willibald Glück e Joseph Haydn.
A trama se desenrola em Gaza e coloca em cena a doce Erminia e a feiticeira Armida, a qual fascinou diversos compositores e libretistas pelo seu poder de sedução sobre todos os homens, exceto sobre aquele que ela realmente ama. Mas, como regra, as óperas similares centram foco no amor de Armida pelo cruzado Rinaldo (ou Renaud). O libreto de Pallazzi, utilizado na obra de Vivaldi, ao contrário, narra a história da heroína vingativa, Armida, em busca de apoio junto ao rei do Egito, cujas tropas, estacionadas em Gaza, preparam-se para atacar a retaguarda do exército cristão que está cercando Jerusalém. Esse enredo foi inspirado no Canto XVII do poema de Tasso.
A obra sobreviveu incompleta e o segundo ato, perdido, foi reconstruído por Rinaldo Alessandrini e Delame Frederick para uma montagem moderna, realizada em Viena em 2009. Essa também é a fonte da gravação feita pela Naïve no âmbito da coleção Vivaldi Edition.
Antonio Vivaldi (1678-1741): Armida al campo d’Egitto (Tesori del Piemonte, Vol. 44)
Disc: 1
1. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Sinfonia. Allegro
2. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Sinfonia. (Andante)
3. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Sinfonia. Allegro molto
4. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 1. Scene 1. Recitativo
5. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 1. Scene 1. Coro. Viva del Mondo il Lume
6. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 1. Scene 2. Recitativo
7. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 1. Scene 2. Duo. Questo ferro, e questo core
8. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 1. Scene 3. Recitativo
9. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 1. Scene 3. Aria. A detti amabili
10. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 1. Scene 4. Recitativo
11. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 1. Scene 4. Aria. Ardo sì per il mio bene
12. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 1. Scene 5. Recitativo
13. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 1. Scene 5. Aria. Il mio fedele amor
14. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 1. Scene 6. Recitativo
15. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 1. Scene 7. Recitativo
16. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 1. Scene 7. Aria. Pensa che quel bel seno
17. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 1. Scene 8. Recitativo
18. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 1. Scene 8. Aria. Nasce da tuoi diletti
19. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 1. Scene 9. Recitativo
20. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 1. Scene 9. Aria. D’un bel volto arde alle face
21. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 1. Scene 10. Recitativo
22. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 1. Scene 10. Aria. So, che combatte ancor
23. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 1. Scene 11. Recitativo
24. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 1. Scene 11. Aria. Sento brillarmi in sen
25. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 1. Scene 12. Recitativo
26. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 1. Scene 12. Aria. Cerca pur con men rossore
27. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 1. Scene 13. Recitativo
28. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 1. Scene 13. Aria. Armata di furore
Disc: 2
1. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 1. Recitativo
2. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 1. Coro. Di dolci nettare
3. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 1. Recitativo
4. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 1. Coro. Dall’alta sede
5. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 1. Recitativo
6. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 1. Coro. Ite felici
7. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 1. Recitativo
8. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 1. Coro. Al solo folgore
9. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 2. Recitativo
10. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 2. Aria. Lascia di sospirar
11. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 4. Recitativo
12. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 4. Duetto. Farfalletta alla sua face
13. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 4. Recitativo
14. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 5. Recitativo
15. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 5. Aria. Tra l’oscuro di nembi e procelle
16. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 6. Recitativo
17. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 6. Aria. Lasciar d’amar non so
18. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 7. Recitativo accompagnato
19. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 7. Aria. Augelletti garruletti
20. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 8. Aria. Segui pur, chi t’innamora
21. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 9. Recitativo
22. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 9. Aria. Quando in seno alla tua bella
23. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 10. Recitativo
24. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 10. Aria. Languire costante
25. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 11. Recitativo
26. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 11. Aria. Tal’or il gelsomin piange nel prato
27. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 12. Recitativo
28. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 13. Recitativo
29. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 14. Aria. Innocente esser vorresti
30. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 15. Recitativo
31. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 16. Recitativo
32. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 2. Scene 16. Aria. Chi alla colpa fa tragitto
Disc: 3
1. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 3. Scene 1. Recitativo
2. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 3. Scene 1. Aria. Tù mi togli alle ritorte
3. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 3. Scene 2. Recitativo
4. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 3. Scene 3. Recitativo
5. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 3. Scene 3. Aria. Nò, bel labbro, men sdegnoso
6. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 3. Scene 4. Recitativo
7. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 3. Scene 4. Aria. Quel torrente, ch’alza l’onde
8. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 3. Scene 5. Recitativo
9. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 3. Scene 5. Aria. Agitata de’ venti dall’onde
10. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 3. Scene 6. Recitativo
11. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 3. Scene 6. Aria. Se correndo in seno al Mare
12. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 3. Scene 7. Recitativo
13. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 3. Scene 8. Recitativo
14. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 3. Scene 8. Aria. Tender lacci tù volesti
15. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 3. Scene 9. Recitativo
16. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 3. Scene 10. Recitativo
17. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 3. Scene 10. Aria. Se penar dovessi amando
18. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 3. Scene 11. Recitativo
19. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 3. Scena ultima. Recitativo
20. Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D: Act 3. Scena ultima. Coro. A pugnar, a ferir, a svenar
Furio Zanasi
Marina Comparato
Romina Basso
Martín Oro
Sara Mingardo
Monica Bacelli
Raffaella Milanesi
Concerto Italiano
Rinaldo Alessandrini
A grande Cantata desta coleção é a BWV 198. Harnoncourt vai bem nela, porém, se compararmos sua versão com a de Gardiner, ele toma uma goleada já no primeiro tempo.
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Bach 2000 – Caixa 4, CD 13
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BWV0194 Cantata 01 part 1 Coro “Höchsterwünschtes Freudenfest”
BWV0194 Cantata 02 part 1 Recitativo (bass) “Unendlich großer Gott”
BWV0194 Cantata 03 part 1 Aria (bass) “Was des Höchsten Glanz erfüllt”
BWV0194 Cantata 04 part 1 Recitativo (soprano) “Wie könnte dir,du höchstes Angesicht”
BWV0194 Cantata 05 part 1 Aria (soprano) “Hilf,Gott,daß es uns gelingt”
BWV0194 Cantata 06 part 1 Choral (coro) “Heilger Geist ins Himmels Throne”
BWV0194 Cantata 07 part 2 Recitativo (tenor) “Ihr Heiligen,erfreuet euch”
BWV0194 Cantata 08 part 2 Aria (tenor) “Des Höchsten Gegenwart allein”
BWV0194 Cantata 09 part 2 Recitativo (Duetto) (soprano,bass) “Kann wohl ein Mensch”
BWV0194 Cantata 10 part 2 Aria (Duetto) (soprano,bass) “O wie wohl ist uns geschehn”
BWV0194 Cantata 11 part 2 Recitativo (bass) “Wohlan demnach,du heilige Gemeine”
BWV0194 Cantata 12 part 2 Choral (coro) “Sprich Ja zu meinen Taten”
Dou uma pausa na polinização de música contemporânea para trazer este álbum que traz os belíssimos trios para piano de Brahms, Schubert e o primeiro de Mendelssohn, interpretados por esse trio de peso: Isaac Stern no violino, Leonard Rose no violoncelo e Eugene Istomin no piano.
Adquiri esse álbum só pelo Trio No. 2 do Schubert, cujo segundo movimento compõe a trilha sonora do belíssimo Barry Lyndon, filme dirigido por Stanley Kubrick. Mas acabei que me deliciei com todos eles, principalmente o primeiro de Brahms e o primeiro de Mendelssohn. Não cheguei a ouvir muitas interpretações desses trios, até porque essa interpretação sempre conseguiu satisfazer minha alma, mas acho que cinco estrelas na Amazon não é pouca coisa. É o tipo de coisa que o PQP ou o FDP categorizariam como imperdível.
Isaac Stern Collection Vol. 1: Piano Trios
CD1
Johannes Brahms (1833-1897):
Piano Trio No. 1 in B major Op. 8
01 I. Allegro con brio
02 II. Scherzo: Allegro molto – Trio: Meno allegro
03 III. Adagio
04 IV. Allegro
Piano Trio No. 2 in C major Op. 87
05 I. Allegro
06 II. Adante con moto
07 III. Scherzo: Presto – Poco meno presto
08 IV. Finale: Allegro giocoso
CD2
Piano Trio No. 3 in c minor Op. 101
01 I. Allegro enérgico
02 II. Presto non assai
03 III. Andante graziozo
04 IV. Allegro molto
Franz Schubert (1797-1828):
Piano Trio in E-flat major No. 2 D. 929
05 I. Allegro
06 II. Andante con moto
07 III. Scherzo – Allegro moderato
08 IV. Allegro moderato
CD3
Piano Trio in B-flat major No. 1 D. 898
01 I – Allegro moderato
02 II – Andante un poco mosso
03 III – Scherzo: allegro
04 IV – Rondo: Allegro vivace
Felix Mendelssohn-Bartholdy (1809-1847):
Piano Trio in D minor Op. 49
05 I – Molto allegro agitato
06 II – Andante con moto tranquillo
07 III – Scherzo: Legiero e vivace
08 IV – Finale: Allegro assai appassionato
Isaac Stern, violin
Leonard Rose, cello
Eugene Istomin, piano
Creio que esta gravação ou é pirata ou veio de um DVD. A qualidade de som é boa, mas a plateia do Hollywood Bowl no dia 3 de outubro de 2009 estava insuportável. Há aplausos entre os movimentos e, bem, havia tanta ignorância no ar que a plateia resolveu bater palmas e assobiar mesmo naquela paradinha do Finale, tanta era a vontade de participar. A coisa não estava nada europeia no referido dia. Mas é divertido ouvir a concepção de Dudamel para uma das obras mais sobejamente conhecidas do repertório clássico. Imagino os sorrisos constrangidos de Dudamel e agora entendo melhor a pergunta que os jornais californianos costumam fazer sem obter resposta: “Where the hell is Dudamel?”. Olha, acho que ele está fugindo de Los Angeles escondido em Caracas ou Gotemburgo. Porque só fugindo mesmo.
Symphony No. 9 in D Minor, Op. 125 “Choral”
1 I. Allegro ma non troppo, un poco maestoso
2 II. Scherzo. Molto vivace – Presto
3 III. Adagio molto e cantabile
4 IV. Finale, Part. 1
5 IV. Finale, Part. 2
Los Angeles Philharmonic
Gustavo Dudamel
(Hollywood Bowl on October 3, 2009)
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Bach 2000 – Caixa 4, CD 11
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BWV0186 Cantata 01 part 1 Coro “Ärgre dich,o Seele,nicht”
BWV0186 Cantata 02 part 1 Recitativo (bass) “Die Knechtsgestalt,die Not,der Mangel”
BWV0186 Cantata 03 part 1 Aria (bass) “Bist du,der mir helfen soll”
BWV0186 Cantata 04 part 1 Recitativo (tenor) “Ach,daß ein Christ so sehr”
BWV0186 Cantata 05 part 1 Aria (tenor) “Mein Heiland läßt sich merken”
BWV0186 Cantata 06 part 1 Choral (coro) “Ob sichs anließ,als wollt er nicht”
BWV0186 Cantata 07 part 2 Recitativo (bass) “Es ist die Welt die große Wüstenei”
BWV0186 Cantata 08 part 2 Aria (soprano) “Die Armen will der Herr umarmen”
BWV0186 Cantata 09 part 2 Recitativo (alto) “Nun mag die Welt mit ihrer Lust vergehen”
BWV0186 Cantata 10 part 2 Aria (Duetto) (soprano,alto) “Laß,Seele,kein Leiden”
BWV0186 Cantata 11 part 2 Choral (coro) “Die Hoffnung wart’ der rechten Zeit”
BWV0187 Cantata 1 part 1 Coro “Es wartet alles auf dich”
BWV0187 Cantata 2 part 1 Recitativo (bass) “Was Kreaturen hält das große Rund der Welt”
BWV0187 Cantata 3 part 1 Aria (alto) “Du Herr,du krönst allein das Jahr”
BWV0187 Cantata 4 part 2 Aria (bass) “Darum sollt ihr nicht sorgen”
BWV0187 Cantata 5 part 2 Aria (soprano) “Gott versorget alles Leben”
BWV0187 Cantata 6 part 2 Recitativo (soprano) “Halt ich nur fest an ihm mit kindlichem Vertrauen”
BWV0187 Cantata 7 part 2 Choral (coro) “Gott hat die Erde zugericht”
O post de hoje é digno de duas rapsódias húngaras de Liszt. Temos aqui, CINCO compositores húngaros diferentes em dois álbuns, e, talvez tão extraordinário quanto isso, todos com obras para viola! Sério, só tá faltando o Gyorgy Lukács pra completar o bacanal… Brincadeira, Lukács apesar de húngaro, era filósofo, não músico. E antes que venham polemizar, já digo: Eötvös e Serly, nasceram em regiões que antes faziam parte da Hungria, embora hoje sejam regiões de outros países. E além disso, ambos são de família húngara, assim como também é György Kurtág, outro que nasceu na Romênia mas é húngaro.
Mas vamos falar da viola. Eu a adoro. Por ser um instrumento meio “hipster” na orquestra, diferentemente do violino ou piano, muito pouco foi feito por ela pelos compositores clássicos e românticos. Foram os modernos e os compositores contemporâneos que, abraçando esse instrumento “marginalizado” e tão satirizado, fizeram obras grandiosas. Só para citar dois bons exemplos de obras deliciosas para viola, o concerto para viola de Schnittke, e a sonata para viola de Shostakovich.
Existe uma afinidade eletiva aqui entre compositores húngaros cujo estilo é de vanguarda e o uso de um instrumento antes secundário, a viola. E não é ao acaso que todos eles sejam do século XX, época de grandes transformações sociais que vão influenciar diretamente a produção cultural. Os dois álbuns parecem saber disso, pela seleção de obras que fazem.
Em ambos os álbuns temos o Concerto para Viola de Bartók, que já foi postado muitas vezes aqui no blog, e o qual eu devo admitir não ter digerido muito bem, mas não pelo estilo de Bartók (o qual eu adoro), mas pelo próprio ethos húngaro que eu ainda não consegui absorver tão bem quanto acredito já ter absorvido o ethos russo e alemão, por exemplo. A interpretação dos concertos fica a cargo que ninguém menos que Lawrence Power e, respirem fundo, Kim Kashkashian. Não há do que reclamar aqui amiguinhos. Dois interpretes maravilhosos.
O álbum com Power começa com o Concerto para Viola de Miklós Rózsa, compositor muito conhecido pelas composições para Hollywood, que chegam a quase cem segundo a wikipedia. Assim como Bártok, também mesclou elementos da música húngara em suas composições e podemos sentir o ethos húngaro em sua música de forma semelhante a como sentimos na música de Bártok. Pelo menos é o que se pode dizer ouvindo o concerto para viola dele. Por causa disso, poderíamos dizer que ele também era um modernista. Seu concerto me lembra um pouco o primeiro concerto para violino de Shostakovich, principalmente o quarto movimento “Allegro con spirito”.
Tibor Serly, é mais conhecido por ter sido o responsável por terminar o Concerto para Viola de Bartók. E em sua época era mais conhecido como violinista, mas também era compositor e sua obra mais conhecida é a Rapsódia para viola e orquestra, que compõe o álbum com Power.
Do álbum com Kim, além de Bartók temos Péter Eötvös, que é regente e compositor. No álbum ele rege sua própria obra, um concerto para viola a que ele chama de Replica. Sua música parece uma mistura de Shostakovich e Schnittke, e diferentemente de Bártok, Serly ou Rozsa, não faz uma música essencialmente húngara. Sua música parece usar do serialismo integral, o que resulta numa música que não remete a nada específico. E, geralmente, tendo a dizer que quando isso acontece é sintoma do vazio no coração do homem pós-moderno. Ok, talvez eu tenha ido longe, mas acho que essa minha impressão dialoga muito com a ideia que ele tenta passar na obra de um “adeus de pessoas que estão indo à lugar nenhum”, segundo o libreto.
O álbum termina com a obra do indecifrável György Kurtág. Não consegui entender muito bem qual a “ideia por trás da matéria” de sua música. Fui descobrir um pouco dele e sei que ele gosta de fazer citações nas obras. Citações essas que vão desde Bach até Webern. Na obra aqui em questão, segundo o libreto, parece que tem Brahms, Haydn e Bartók. Não captei nenhum.
Viola Concertos by Rosza, Serly & Bartok
Miklós Rózsa (1907-1995):
Viola Concerto Op. 37
01 1. Moderato assai
02 Allegro giocoso
03 Adagio –
04 Allegro con spirito
Bela Bartók (1881-1945)
Viola Concerto (completed in 1949 by Tibor Serly), Sz 120, BB 128
05 I. Moderato –
06 II. Adagio religioso –
07 III. Allegro vivace
Tibor Serly (1901-1978)
08 Rhapsody for viola & orchestra
Bergen Philharmonic
Andrew Litton, conductor
Lawrence Power, viola
Hoje vou quebrar um pouquinho minha tradição de postar compositores modernos e contemporâneos, e vou postar um álbum de um compositor romântico.
Romântico? Na verdade, nem tanto. Dvorák, compositor tcheco, tinha um ideal nacionalista e modernista em sua música que antecipa bastante o movimento modernista que seria acompanhado por outros grandes compositores europeus como Jean Sibelius e Edvard Grieg. A sua Sinfonia No. 9, conhecida como “Do Novo Mundo” é uma obra extremamente reconhecida do repertório da música erudita. Percebi que o blog estava precisando que ela fosse repostada.
Embora num primeiro momento o nome possa remeter à uma ideia de novo mundo utópico ou imaginário, o drama de novo mundo foi muito real. Veio a partir do choque que Dvorák teve em sua estadia nos Estados Unidos. E junto à sinfonia, Dvorák escreveu também, no “novo mundo”, o famoso concerto para violoncelo.
A interpretação aqui é polêmica. Embora os performers sejam ótimos, a Orquestra da Academia de Santa Cecília conduzida por Antonio Pappano e o solista do concerto para violoncelo sendo Mario Brunello, por ser ao vivo, temos muitos “sons de marcenaria” como diria PQP. Eu não me importo, mas alguns comentaristas da Amazon foram cruéis em seu julgamento.
Antonín Dvořák (1841-1904)
CD1
Symphony No. 9 in E minor Op. 95 “From the New World”
01 Adagio – Allegro molto
02 Largo
03 Scherzo: Molto vivace – Poco sostenuto
04 Allegro con fuoco
Accademia di Santa Cecilia Orchestra
Antonio Pappano, conductor
CD2
Cello Concerto in B minor Op. 104
01 Allegro
02 Adagio, ma non troppo
03 Finale: Allegro moderato – Andante – Allegro vivo
Accademia di Santa Cecilia Orchestra
Antonio Pappano, conductor
Mario Brunello, cello
Provavelmente, este CD servirá tanto aos habituais degustadores da música erudita, como àqueles que recém dão seus primeiros passos dentro deste espaço às vezes pantanoso. A interpretação com instrumentos originais garante boa dose de fruição aos conhecedores de um dos repertórios mais belos que existem. Só que, puxa, eu, aos 57 anos, quase não aguento mais ouvir estes concertos. Ouvi demais! Mas eles fazem e sempre farão parte de quaisquer discotecas básicas. Daqui é que se parte para voos mais longos. A L’ Arte dell’Arco é um tremendo conjunto, daqueles que valorizam cada nota.
Antonio Vivaldi (1678-1741): Concertos para Bandolim e Alaúde
Concerto for 2 Mandolins in G Major, RV 532
1 I. Allegro 03:54
2 II. Andante 04:21
3 III. Allegro 03:32
Mandolin Concerto in C Major, RV 425
4 I. Allegro 02:38
5 II. Largo 03:18
6 III. Allegro 02:12
Trio Sonata in G Minor, RV 85
7 I. Andante molto 04:02
8 II. Larghetto 03:01
9 III. Allegro 01:51
Chamber Concerto in D Major, RV 93
10 I. Allegro 03:29
11 II. Largo 04:11
12 III. Allegro 02:11
Trio Sonata in C Major, RV 82
13 I. Allegro non molto 04:06
14 II. Larghetto lento 03:03
15 III. Allegro 01:58
Concerto for Viola d’amore and Lute in D Minor, RV 540
16 I. Allegro 05:21
17 II. Largo 03:01
18 III. Allegro 03:32
Harpsichord Concerto in A Major, RV 780
19 I. Allegro 03:43
20 II. Andante 02:10
21 III. Allegro 03:10
L’ Arte dell’Arco Ensemble
Federico Guglielmo Conductor
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Bach 2000 – Caixa 4, CD 4
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BWV0163 Cantata 1 Aria (tenor) “Nur jedem das Seine”
BWV0163 Cantata 2 Recitativo (bass) “Du bist,mein Gott”
BWV0163 Cantata 3 Aria (bass) “Laß mein Herz die Münze sein”
BWV0163 Cantata 4 Recitativo (soprano,alto) “Ich wollte dir,o Gott”
BWV0163 Cantata 5 Aria (Duetto) (soprano,alto) “Nimm mich mir und gib mich dir”
BWV0163 Cantata 6 Choral (coro) “Führ auch mein Herz und Sinn”
BWV0164 Cantata 1 Aria (tenor) “Ihr,die ihr euch von Christo nennet”
BWV0164 Cantata 2 Recitativo (bass) “Wir hören zwar,was selbst die Liebe spricht”
BWV0164 Cantata 3 Aria (alto) “Nur durch Lieb und durch Erbarmen”
BWV0164 Cantata 4 Recitativo (tenor) “Ach,schmelze doch durch deinen Liebesstrahl”
BWV0164 Cantata 5 Aria (Duetto) (soprano,bass) “Händen,die sich nicht verschließen”
BWV0164 Cantata 6 Choral (coro) “Ertöt uns durch dein Güte”
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Bach 2000 – Caixa 4, CD 6
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BWV0170 Cantata 1 Aria (alto) “Vergnügte Ruh,beliebte Seelenlust”
BWV0170 Cantata 2 Recitativo (alto) “Die Welt,das Sündenhaus,bricht nur in Höllenlieder aus”
BWV0170 Cantata 3 Aria (alto) “Wie jammern mich doch die verkehrten Herzen”
BWV0170 Cantata 4 Recitativo (alto) “Wer sollte sich demnach wohl hier zu leben wünschen”
BWV0170 Cantata 5 Aria (alto) “Mir ekelt mehr zu leben”
BWV0171 Cantata 1 Coro “Gott,wie dein Name,so ist auch dein Ruhm”
BWV0171 Cantata 2 Aria (tenor) “Herr,so weit die Wolken gehen”
BWV0171 Cantata 3 Recitativo (alto) “Du süßer Jesus-Name du”
BWV0171 Cantata 4 Aria (soprano) “Jesus soll mein erstes Wort”
BWV0171 Cantata 5 Recitativo (bass) “Und da du,Herr,gesagt”
BWV0171 Cantata 6 Choral (coro) “Laß uns das Jahr vollbringen”
Eu sou um fissurado por concertos para piano. Meus primeiros amores neste gênero vêm dos concertos para piano de Mozart, os quais do 17 ao 26 eu ouvi várias vezes, tendo apadrinhado o 20 e o 24 como meus favoritos, justamente por sua carga mais emotiva e levemente melancólica. Também amo os concertos para piano de Chopin, com sua forte carga expressiva, ao mesmo tempo que delicada e profunda. Assim como também amo os de Liszt, que é um romântico diametralmente oposto à Chopin em seu estilo, embora seus concertos sejam igualmente apaixonantes. Já na música moderna e contemporânea, as coisas mudam bastante em relação aos concertos para piano.
Diferentemente de compositores que dentro de uma tradição seguem estilos diferentes (por exemplo Chopin e Liszt) ou de compositores que dentro de uma tradição usam uma forma de composição específica como meio de prática acadêmica de sua técnica musical (como Mozart fazia com seus concertos para piano), na música moderna, a partir do início do século XX, os compositores se viram perdidos num mundo onde já não existia mais certezas nem uma tradição paradigmática, como foi antes o romantismo, o clássico e o barroco. Por isso, alguns acabam abandonando até mesmo as formas tradicionais de composição (sinfonia, sonata, concerto, etc.), embora os elementos constitutivos de sua música em si não sejam tão radicais, como, por exemplo, fez Debussy ou Satie. Outros continuam usando as velhas formas de composição mas acabam criando ou mesclando estilos que, a não ser pelo próprio arranjo dessas formas (orquestra, quarteto de cordas, etc.), pouco lembram as formas em que se inserem, como por exemplo fez Bartók e Shostakovich. Schnittke se situa entre as duas tendências; a maioria de suas obras é feita sob um molde tradicional (sinfonia, concerto, sonata, etc.), mas ele viola um pouco as regras fazendo algumas mudanças, como é o caso de seu concerto para piano.
Escrito em 1979, seu concerto para piano e cordas não parece ter a intenção de ser um concerto para piano como qualquer outro, já que é feito em um único movimento e que mescla, segundo Christopher Culver, “variação, sonata e forma cíclica (o que geralmente se chama de modalismo)”. É o poliestilismo de Schnitte em um de seus melhores exemplos de genialidade. Com poucas “radicalidades” que os ouvidos menos treinados podem não gostar, e com uma aura espiritual e meditativa em seu início, esse concerto é uma ótima introdução ao estilo de Schnittke, para você leitor que nunca ousou se aventurar nas obras deste compositor. Só o motivo inicial já é apaixonante, justamente por sua simplicidade.
Além do concerto, temos também o Réquiem.
Muitos compositores ao longo da história compuseram em cima deste tema tão latente na história do pensamento humano: a morte. Por mais ateu que alguém seja, é difícil não se emocionar com a dramaticidade que alguns compositores ao longo da história da música auferiram às suas homenagens aos mortos e à morte. Essencialmente, o réquiem é um texto liturgo cristão, logo, algumas características são fixas, como seus movimentos. Agnus Dei, Lacrimosa, Tuba Mirum, são todos trechos desta tradicional cerimônia. O meu trecho favorito é o Dies Irae. E quero fazer uma comparação entre meios diferentes de se musicar esse trecho. Vamos ouvir, por exemplo, o Dies Irae do Réquiem de Mozart:
Mozart, compositor clássico, faz um Dies Irae pouco expressivo mas bastante conciso. É uma música “redonda”, com temas que se intercalam e que não se desenvolvem muito.
Vejamos agora o Dies Irae do Réquiem de Verdi:
Verdi, compositor romântico, já é muito mais radical. Usando recursos “operísticos”, ele dá muito mais expressividade pra música, embora toda a sacralidade da obra possa ir pro brejo com tamanha expressividade.
Vejamos agora, Schnittke:
O arranjo volta a ser pequeno, embora alguns elementos ali (a guitarra e o baixo elétricos, por exemplo) sejam elementos totalmente “profanos”, tanto na liturgia cristã quanto na “liturgia” erudita (risos). A expressividade operística dá lugar à uma expressividade sombria e violenta, que eu diria ser muito condizente com nossos tempos.
Comparações deste tipo são boas para entendermos a diferença da passagem de uma época pra outra. Do clássico ao romantismo muita coisa mudou, mas do romatismo ao poliestilismo de Schnittke aconteceu uma mudança brutal, não só no arranjo orquestral e forma expressiva como também, e principalmente, na estrutura da música, que não explicarei em maiores detalhes aqui para não me alongar.
Num futuro não tão distante trarei as 10 sinfonias de Schnittke, que são uma boa forma de se aprofundar mais no estilo do compositor.
Bom deleite a vocês.
Alfred Schnittke (1934-1998): Concerto for piano andStrings & Requiem
01 Concerto for Piano and Strings
Requiem Op. 101
02 Requiem
03 Kyrie
04 Dies Irae
05 Tuba Mirum
06 Rex Tremendae Majestatis
07 Recordare
08 Lacrimosa
09 Domine Jesu
10 Hostias
11 Sanctus
12 Benedictus
13 Agnus Dei
14 Credo
15 Requiem
Russian State Symphonic Capella
Russian State Symphony Orchestra
Valery Polyansky, conductor
Igor Khudolei, piano
Dentre meus inúmeros defeitos está o de não ser um grande apreciador de Vivaldi. Porém, há tanta gente que o ama que reconheço tranquilamente: o problema deve ser meu. Este CD ganhou todos os prêmios que se possa imaginar. Levou o Diapason d’Or e vários Grand Prix. É bom mesmo. A voz do contratenor Gérard Lesne era efetivamente notável em 1992, ano desta gravação. O CD traz muita gente que se “tornaria genial” anos depois. Bruno Cocset gravaria a melhor versão das suítes para violoncelo de Bach e Marc Minkowski dispensa apresentação. Nada acontece por acaso. E nos refugiemos na beleza porque aguentar a República Teocrática do Brasil não vai ser fácil.
Antonio Vivaldi (1678-1741): Música Sacra 1-4: Vestro principi divino (Motet RV 633) 5-13: Stabat Mater (RV 621) 14-16: Filiae maestae Jerusalem (Introduzione Al Miserere RV 638) 17-25: Nisi Dominus (Psaume 126)
Gérard Lesne (contralto) Ensemble Il Seminario musicale Bernadette Charbonnier
Myriam Gevers
Jacques Maillard
Marc Minkowski
Bruno Cocset
Pascal Monteilhet
Richard Myron
Jean-Charles Ablitzer
“Diapason d’Or” de Diapason-Harmonie n°355
“10” de Répertoire n° 21-2
“un événement exceptionnel” de Télérama n°2084
“Recommandé” par Classica n°18
“Grand Prix de l’Académie Charles Cros”
Gabriel Pierné (1863-1937) foi um dos mais festejados compositores de sua geração, contemporânea de Debussy, Roussel, Fauré e Ravel. Entretanto, suas atividades como maestro e professor acabaram por colocá-lo, de certa forma injustamente, num panteão dos grandes intérpretes (estreou diversas obras de seus colegas mais famosos) e não dos grandes compositores. Sobrou a peça de repertório “Marcha dos Soldadinhos de Chumbo” (que constava naquela coleção de LPs com gatinhos na capa) como sua máxima expressão de criatividade.
Este erro parece ter sido aos poucos corrigido mas em tempos muito recentes: este disco é de 2011, uma raridade numa época em que a gravação clássica já era praticamente um artigo de museu. Mas, parafraseando nosso guru pqp, este disco é IMPERDíVEL.
O Concerto de Pierné é, no mínimo, surpreendente pela extrema fluidez melódica, verve rítmica e originalidade temática. Mas basta uma audição para comprovar: nos sentimos impelidos a escutar de novo, e de novo, e de novo, tal é sua qualidade. Mais surpresas: um concerto que não tem movimento lento, são todos rápidos e titânicos, de grandiosidade e polidez que só um francês poderia escrever. Poucas vezes piano e orquestra tiveram diálogo tão franco e direto. Coisa fina.
Ramuntcho é uma obra igualmente surpreendente, escrita para acompanhar o drama homônimo de Pierre Loti, e demonstra, na orquestração brilhante e ritmos folclóricos bascos, uma maestria de escrita digna dos melhores momentos da música francesa. Uma verdadeira revelação.
E de quebra, a tal Marcha dos Soldadinhos de Chumbo, obra realmente simples mas encantadora, e o Divertimento sobre um tema Pastoral, que completam esta breve, mas importantíssima apresentação (ou re-apresentação) de Pierné. Uma pérola oculta no mar de gravações deste século.
Gabriel Pierné (1863-1937)
Marche des Petits Soldats de Plomb
Piano Concerto in C minor op.12
Divertissements sur un Thème Pastoral
Ramuntcho Suites nos.1 & 2
Jean-Efflam Bavouzet, piano
BBC Philharmonic Orchestra
Juanjo Mena
Anne-Sophie Mutter, muito amada pelos editores e leitores deste blog, interpreta aqui Dutilleux, Bártok e Stravinsky. Eu não tenho nem um pouco da intimidade que o PQP ou o FDP têm com ela, mas digo sem medo que neste álbum o vigor de seu toque é arrepiante.
Pelo menos é o que eu posso dizer ao ouvir o concerto para violino do Stravinsky, que deste álbum, é minha peça favorita. Stravinsky foi um bicho muito esquisito. Começou sua carreira de forma ascendente, com uma obra atrás da outra gerando sucesso e polêmicas, tudo isso a partir de um estilo próprio que condizia com a quebra das tradições e convenções na música que ocorria numa época em que a Europa era sacudida pela guerra e por revoluções. Mas esse estilo não durou muito, em sua fase seguinte, o neoclassicismo (que foi só uma das três fases de estilo de composição ao longo da longa vida de Stravinsky), o compositor resolveu voltar às velhas formas de composição. Um desses trabalhos é o concerto contido aqui, muito embora tudo que Stravinsky faça, seja num estilo de vanguarda, seja num estilo neoclássico, é perceptivelmente ímpar. Eu adoro isso nele.
Temos também o belo concerto para violino de Bártok e Sur le même accord abrindo o CD, obra que Dutilleux dedicou à própria Mutter (Já viram que muitos grandes homens perdem a cabeça por essa pessoa).
Anne-Sophie Mutter plays Dutilleux, Bartók, Stravinsky
Henri Dutilleux (1916-2013)
01 Sur le même accord
Orchestre National de France
Kurt Masur, conductor
Béla Bartók (1881-1945)
Violin Concerto No.2, BB 117, Sz.112
02 1. Allegro non troppo
03 2. Andante tranquillo – Allegro scherzando – Tempo 1
04 3. Allegro molto
Boston Symphony Orchestra
Seiji Ozawa, conductor
Ígor Stravinski (1882-1971)
Violin Concerto in D major
05 1. Toccata
06 2. Aria 1
07 3. Aria 2
08 4. Capriccio
Um especialíssimo trio de CDs! Incluem a Cantata 140 e a 147, não tão boa, pero célebre. E assim fechamos a terceira caixinha.
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Bach 2000 – Caixa 3, CD 13
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BWV0138 Cantata 1 Coro-Recitativo (alto) “Warum betrübst du dich,mein Herz”
BWV0138 Cantata 2 Recitativo (bass) “Ich bin veracht'”
BWV0138 Cantata 3 Coro-Recitativo (soprano,alto) “Er kann und will dich lassen nicht”
BWV0138 Cantata 4 Recitativo (tenor) “Ach süßer Trost”
BWV0138 Cantata 5 Aria (bass) “Auf Gott steht meine Zuversicht”
BWV0138 Cantata 6 Recitativo (alto) “Ei nun- so will ich auch recht sanfte ruhn”
BWV0138 Cantata 7 Choral (coro) “Weil du mein Gott und Vater bist”
BWV0139 Cantata 1 Coro “Wohl dem,der sich auf seinen Gott”
BWV0139 Cantata 2 Aria (tenor) “Gott ist mein Freund”
BWV0139 Cantata 3 Recitativo (alto) “Der Heiland sendet ja die Seinen”
BWV0139 Cantata 4 Aria (bass) “Das Unglück schlägt auf allen Seiten”
BWV0139 Cantata 5 Recitativo (soprano) “Ja,trag ich gleich den größten Feind in mir”
BWV0139 Cantata 6 Choral (coro) “Dahero trotz der Höllen Heer”
BWV0140 Cantata 1 Coro “Wachet auf,ruft uns die Stimme”
BWV0140 Cantata 2 Recitativo (tenor) “Er kommt,der Bräutgam kommt”
BWV0140 Cantata 3 Aria (Duetto) (soprano,bass) “Wann kömmst du,mein Heil”
BWV0140 Cantata 4 Choral (tenor) “Zion hört die Wächter singen”
BWV0140 Cantata 5 Recitativo (bass) “So geh herein zu mir”
BWV0140 Cantata 6 Aria (Duetto) (soprano,bass) “Mein Freund ist mein- Und ich bin sein”
BWV0140 Cantata 7 Choral (coro) “Gloria sei dir gesungen”
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Bach 2000 – Caixa 3, CD 14
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BWV0143 Cantata 1 Coro “Lobe den Herrn,meine Seele”
BWV0143 Cantata 2 Choral (soprano) “Du Friedefürst,Herr Jesu Christ”
BWV0143 Cantata 3 Recitativo (tenor) “Wohl dem,des Hilfe der Gott Jakobs ist”
BWV0143 Cantata 4 Aria (tenor) “Tausendfaches Unglück,Schrecken”
BWV0143 Cantata 5 Aria (bass) “Der Herr ist König ewiglich”
BWV0143 Cantata 6 Aria (tenor) “Jesu,Retter deiner Herde”
BWV0143 Cantata 7 Coro “Halleluja”
BWV0144 Cantata 1 Coro “Nimm,was dein ist,und gehe hin”
BWV0144 Cantata 2 Aria (alto) “Murre nicht,lieber Christ”
BWV0144 Cantata 3 Choral (coro) “Was Gott tut,das ist wohlgetan”
BWV0144 Cantata 4 Recitativo (tenor) “Wo die Genügsamkeit regiert”
BWV0144 Cantata 5 Aria (soprano) “Genügsamkeit ist ein Schatz in diesem Leben”
BWV0144 Cantata 6 Choral (coro) “Was mein Gott will,das g’scheh allzeit”
BWV0145 Cantata 1 Aria (Duetto) (soprano,tenor) “Ich lebe,mein Herze,zu deinem Ergötzen”
BWV0145 Cantata 2 Recitativo (tenor) “Nun fordre,Moses,wie du willt”
BWV0145 Cantata 3 Aria (bass) “Merke,mein Herze,beständig nur dies”
BWV0145 Cantata 4 Recitativo (soprano) “Mein Jesus lebt”
BWV0145 Cantata 5 Choral (coro) “Drum wir auch billig fröhlich sein”
BWV0146 Cantata 1 Sinfonia
BWV0146 Cantata 2 Coro “Wir müssen durch viel Trübsal in das Reich Gottes eingehen”
BWV0146 Cantata 3 Aria (alto) “Ich will nach dem Himmel zu”
BWV0146 Cantata 4 Recitativo (soprano) “Ach- wer doch schon im Himmel wär”
BWV0146 Cantata 5 Aria (soprano) “Ich säe meine Zähren”
BWV0146 Cantata 6 Recitativo (tenor) “Ich bin bereit”
BWV0146 Cantata 7 Duetto (tenor,bass) “Wie will ich mich freuen,wie will ich mich laben”
BWV0146 Cantata 8 Choral (coro) “Denn wer selig dahin fähret”
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Bach 2000 – Caixa 3, CD 15
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BWV0147 Cantata 01 part 1 Chor “Herz und Mund und Tat und Leben”
BWV0147 Cantata 02 part 1 Recitativo (tenor) “Gebenedeiter Mund”
BWV0147 Cantata 03 part 1 Aria (alto) “Schäme dich,o Seele,nicht”
BWV0147 Cantata 04 part 1 Recitativo (bass) “Verstockung kann Gewaltige verblenden”
BWV0147 Cantata 05 part 1 Aria (soprano) “Bereite dir,Jesu,noch itzo die Bahn”
BWV0147 Cantata 06 part 1 Choral (coro) “Wohl mir,daß ich Jesum habe”
BWV0147 Cantata 07 part 2 Aria (tenor) “Hilf,Jesu,hilf,daß ich auch”
BWV0147 Cantata 08 part 2 Recitativo (alto) “Der höchsten Allmacht Wunderhand”
BWV0147 Cantata 09 part 2 Aria (bass) “Ich will von Jesu Wundern singen”
BWV0147 Cantata 10 part 2 Choral (coro) “Jesus bleibet meine Freude”
BWV0148 Cantata 1 Concerto “Bringet dem Herrn Ehre seines Namens”
BWV0148 Cantata 2 Aria (tenor) “Ich eile,die Lehren des Lebens zu hören”
BWV0148 Cantata 3 Recitativo (alto) “So wie der Hirsch nach frischem Wasser schreit”
BWV0148 Cantata 4 Aria (alto) “Mund und Herze steht dir offen”
BWV0148 Cantata 5 Recitativo (tenor) “Bleib auch,mein Gott,in mir”
BWV0148 Cantata 6 Choral (coro) “Amen zu aller Stund”
Como devem ter percebido ao longo de todo esse tempo em que venho postando obras de Pärt, boa parte de sua produção musical é profundamente religiosa. A Berliner Messe que vem completa neste álbum, na ótima interpretação de Paul Hillier, nos lembra o cantochão tradicional (sobre o qual discuti aqui), mas com aquele toque de tintinnabuli que tanto nos agrada.
A beleza deste álbum está na sutileza e na beleza de sua religiosidade, portanto tentar escutá-lo buscando qualquer outra tendência “modernosa” que Pärt geralmente tem, por exemplo, em suas obras orquestrais ou camerísticas, não vai satisfazer o ouvinte afoito.
Além da Missa, reparem na beleza do Ode IX da Kanon Pokajanen. Trarei ela completa em breve, só aguardo o espírito necessário para escutá-la inteira de uma só vez. Infelizmente não estará na interpretação de Hillier, que neste álbum, conseguiu fazer um trabalho excelente (como lhe é de costume quando o assunto é Arvo Pärt).
Arvo Pärt (1935): I Am The True Vine
01 Bogoróditse dyévo (Hail Mary), for chorus
02 I Am the True Vine, for chorus
03 Ode IX: Nýnje k wam pribjegáju
04 The Woman with the Alabaster Box, for chorus
05 Tribute to Caesar, for chorus
Berliner Messe
06 Kyrie
07 Gloria
08 Erster Alleluiavers
09 Zweiter Alleluiavers
10 Veni Sancte Spiritus
11 Credo
12 Sanctus
13 Agnus Dei
Theatre of Voices
The Pro Arte Singers
Paul Hillier, conductor