José Palomino (Espanha, 1755 – 1810) David Perez (Nápoles, 1711 – Lisboa, 1778) António Leal Moreira (Portugal, 1758 – 1819) Gaetano Maria Schiassi (Bologna, 1698 – Lisboa, 1754)
Comentário do nosso amigo Ammiratore sobre este post: Oi Avicenna, acabei de ouvir e realmente existem muitas pérolas neste oceano que é o Barroco. Linda postagem. Os músicos dão vida às obras, magníficas as solistas, os violinos exatos e o cravo “bem temperado”. Parabéns.
Amazonas Baroque Ensamble é um grupo de músicos que compõe a Orquestra Barroca do Amazonas, dentre outros agrupamentos. São provenientes de países diferentes, com ampla formação e experiência profissional e se dedicam ao repertório inédito ou pouco conhecido do ambiente luso-brasileiro do século XVIII e sua área de influência cultural.
Tal repertório aqui presente foi obtido em atividades científicas apoiadas pela FAPEAM (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas) desenvolvidas no Laboratório de Musicologia e História Cultural da Universidade do Estado do Amazonas, ou através de musicólogos associados, pelo que agradecemos.
O grupo tem se apresentado em diversas cidades de Portugal, Espanha, Itália e Brasil, participando ainda de festivais diverso, quer no campo instrumental ou na música sacra e na ópera, dentre o que destaca-se a première moderna no Brasil de Guerras do Alecrim e Manderona (1737), de Antonio José da Silva (1705-1739) e Antonio Teixeira (1707-1774), em 2010. O grupo tem colaborado com artistas diversos, no intuito de valorizar o repertório que aborda e os intérpretes que a ele se dedicam.
Amazonas Baroque Ensamble David Perez (Nápoles, 1711 – Lisboa, 1778) 01. Concerto per il flauto traverso e stromenti – I. Allegro 02. Concerto per il flauto traverso e stromenti – II. Grave 03. Concerto per il flauto traverso e stromenti – III. Allegro con brio 04. L’incerto mio pensiero 05. O almen qualor si perde José Palomino (Espanha, 1755-1810) 06. Concerto o sia Quintetto per il clavicembalo – I. Allegro 07. Concerto o sia Quintetto per il clavicembalo – II. Andante – Allegro poco David Perez (Nápoles, 1711 – Lisboa, 1778) 08. Io so qual pena sia Gaetano Maria Schiassi (Bologna, 1698 – Lisboa, 1754) 09. Concerto in D a 5 – I. Allegro 10. Concerto in D a 5 – II. Andante 11. Concerto in D a 5 – III. Allegro António Leal Moreira (Portugal, 1758 – 1819) 12. Misera me / Ah cangiar non può d’affetto
Cantores • Mirian Abad – soprano • Thelvana Freitas – mezzo-soprano • Fabiano Cardoso – tenor • Roberto Paulo Silva – barítono Instrumentistas • Gustavo Medina, Tiago Soares, Juliana Lima Verde, Andreza Viana – violino 1 • Manoella Costa, Silvia Raquel Lima, Raúl Gustavo Falcón – violino 2 • Gabriel Lima, Elcione Santos – viola • Edoardo Sbaffi – violoncelo • Diego Soares – contrabaixo • Benjamin Prestes arquialaúde e guitarra barroca • Mario Trilha/ Vanessa Monteiro – cravo e órgão • Márcio Páscoa – flauta e direção musical; Arley Raiol – flauta
Dei Due Mondi – 2012 Amazonas Baroque Ensemble Márcio Páscoa, dir.
Este é um daqueles CDs que demonstram o que os preconceituosos não admitem: que o jazz e a música erudita caminham lado a lado. Carla Bley escreveu uma série de peças onde faz uma paródia erudito-jazzística misturando os muitos sotaques. Seu Fancy Chamber Music faz um curioso diálogo com os CDs de Keith Jarrett que postamos semanas atrás. Se ali Jarrett sentia-se totalmente à vontade interpretando Bach e Handel, aqui Bley brinca fazendo paródias de… Mozart, por exemplo. Pegue Monk, Stravinsky, Mozart, Ellington, Satie, Gershwin e Schubert em uma panela bem grande e você obterá algo próximo da Carla Bley deste disco, obterá lago tão revolucionário quanto a Bley dos anos setenta — só que aqui tudo é calmo.
Abaixo, uma canção que não está no CD, mas que demonstra o humor de Bley ao lado do maridão e fundamental baixista Steve Swallow. Atenção à letra, por favor!
Carla Bley: Fancy Chamber Music
1. Wolfgang Tango
2. Romantic Notion, No. 4
3. End of Vienna
4. Tigers in Training
5. Romantic Notion, No. 6
6. Jon Benet
Carla Bley piano
Steve Morris violin
Andrew Byrt viola
Emma Black cello
Steve Swallow bass
Alison Hayhurst flute
Sara Lee clarinet, glockenspiel
Chris Wells percussion
Os russos compreendem e interpretam melhor os russos. Esta série de Quartetos de Cordas de Shostakovich pelo Quarteto Borodin talvez seja o grande acontecimento do mercado fonográfico de 2018. É a terceira incursão do Borodin na gravação de todos os quartetos. Explico: o quarteto foi se transformando ao longo dos anos e não sobra mais ninguém da clássica formação inicial, que recebeu instruções do próprio Shostakovich.
Com mais de 7 horas, o conjunto inclui os Quartetos de Cordas de 1 a 15 de Shostakovich, além de uma seleção de obras menos conhecidas de Shostakovich, incluindo a gravação de estreia de um movimento não finalizado. O pianista Alexei Lubimov e o trompetista Sergei Nakariakov se juntam ao Quarteto Borodin para as gravações da música do filme Podrugi (‘Girlfriends’), enquanto outro pianista, Alexei Volodin, completa o time para extraordinário Quinteto para Piano.
Nenhum quarteto fez o repertório russo melhor do que o Quarteto Borodin original — o próprio Shostakovich supervisionou pessoalmente o estudo do conjunto de cada um de seus quartetos e isto veio até a geração atual.
E as obras? Minha nossa, que música!
Abaixo, alguns humildes comentários sobre obras escolhidas e que estão presentes no conjunto da Decca:
Quinteto para piano, Op. 57 (1940)
A música perfeita. Irresistível quinteto escrito em cinco movimentos intensamente contrastantes. Seu estilo é clássico. O prelúdio inicial estabelece três estilos distintos que voltarão a ser explorados adiante: um dramático, outro neo-clássico e o terceiro lírico. Todos os temas que serão ouvidos nos movimentos seguintes apresentam-se no prelúdio em forma embrionária. Segue-se uma rigorosa fuga puxada pelo primeiro violino e demais cordas até chegar ao piano. Sua melodia belíssima e lírica que é seguida por um scherzo frenético. É um choque ouvir chegar o intermezzo que traz de volta a seriedade à música. Apesar do título, este intermezzo é o momento mais sombrio do quinteto. O Finale, cujo início parece uma improvisação pura do pianista, fará uma recapitulação condensada do prelúdio inicial.
O Quinteto para piano recebeu vários prêmios que não vale a pena referir aqui, mas o mais importante para Shostakovich foi a admiração que Béla Bartók dedicou a ele.
Quarteto de Cordas Nº 2, Op. 68 (1944)
Este trabalho em quatro movimentos foi escrito em menos de três semanas. A abertura é uma melodia de inspiração folclórica, tipicamente russa. O grande destaque é o originalíssimo segundo movimento, Recitativo e Romance: Adagio. O primeiro violino canta (ou fala) seu recitativo enquanto o trio restante o acompanha como se estivessem numa ópera ou música sacra barroca. O Romance parece música árabe, mas não suficientemente fundamentalista a ponto que a Al Qaeda comemore. Segue-se uma pequena valsa no mesmo estilo. O quarto movimento é um Tema com variações que fecha brilhantemente o quarteto.
É curioso que neste quarteto, talvez por ter sido composto rapidamente, há uma musicalidade simples, leve e nada forçada. Talvez nem seja uma grande obra como os Quartetos Nros. 8 e 12, mas é dos que mais ouço. Afinal, esta é uma lista pessoal e as excentricidades valem, por que não?
Quarteto de Cordas Nº 6, Op. 101 (1956)
Talvez apenas aficionados possam gostar deste esquisito quarteto. Ele tem quatro movimentos, dos quais três são decepcionantes ou descuidados. O intrigante nesta música é o extraordinário terceiro movimento Lento, uma passacaglia barroca que é anunciada solitariamente pelo violoncelo. É de se pensar na insistência que alguns grandes compositores, em seus anos maduros, adotam formas bachianas. Os últimos quartetos e sonatas para piano de Beethoven incluem fugas, Brahms compôs motetos no final de sua vida e Shostakovich não se livrou desta tendência de voltar ao passado comum de todos. Enfim, este quarteto vale por seu terceiro movimento e, com certa boa vontade, pelo Lento – Allegretto final.
Quarteto de Cordas Nº 7, Op. 108 (1960)
Mais um quarteto de Shostakovich com um lindíssimo movimento lento, desta vez baseado no monólogo de Boris Godunov (ópera de Mussorgski baseada em Puchkin), e mais um finale construído em forma de fuga, utilizando temas do primeiro movimento. Uma pequena e curiosa jóia de onze minutos.
Quarteto de Cordas Nº 8, Op. 110 (1960)
Na minha opinião, o melhor quarteto de cordas de Shostakovich. Não surpreende que tenha recebido versões orquestrais. Trata-se de uma obra bastante longa para os padrões shostakovichianos de quarteto; tem cinco movimentos, com a duração total ficando entre os 20 minutos (na versão para quarteto de cordas) e 26 (na versão orquestral). O quarteto abre com um comovente Largo de intenso lirismo, o qual é seguido por um agitado Allegro molto, de inspiração folclórica e que fica muito mais seco na versão para quarteto. O terceiro movimento (Allegretto) é uma surpreendente valsinha sinistra a qual é respondida por outra valsa, muito mais lenta e com um acompanhamento curiosamente desmaiado. O quarteto é finalizado por dois belos temas ; o primeiro sendo pontuado por agressivamente por um motivo curto de três notas e o segundo formado por mais uma fuga a quatro vozes utilizando temas dos movimentos anteriores.
Os quartetos de números 9, 10 e 11 são semelhantes em estrutura e espírito. São os três muito bons e têm em comum o fato de manterem por todo o tempo a alternância entre movimentos rápidos e lentos, sendo tais contrastes ampliados pelo fato de o nono e o décimo primeiro serem compostos por movimentos executados sem interrupções. O décimo ainda separa os primeiros movimentos, porém o Alegretto final surge de dentro de um Adágio. A postura de fazer com que surjam movimentos antagônicos um de dentro do outro é uma particularidade que torna estes quartetos ainda mais interessantes, sendo que o décimo primeiro é um inusitado quarteto de 17 minutos com sete movimentos; isto é, Shostakovich brinca com a apresentação de temas que fazem surgir de si outros muito diversos em estilo, como se o compositor estivesse sofrendo de uma incontrolável superfetação (*). É, no mínimo, desafiador ao ouvinte. Melodicamente são muito ricos, e exploram com insistência incomum os ostinati, os quais são sempre no máximo belíssimos e no mínimo curiosos. Merecem inteiramente o lugar que modernamente obtiveram no repertório dos quartetos de cordas. É curioso como é fácil confundi-los. Estou ouvindo-os enquanto escrevo e noto quando o CD passa de um para outro, pois têm personalidades muito próprias, mas nunca sei se o que estou ouvindo é o nono ou o décimo. Certamente é uma limitação minha! Já no décimo primeiro, o paroxismo da criação de melodias chega a tal ponto, seus ostinati são tão alucinados, que é mais fácil reconhecê-lo.
Aliás, o décimo primeiro apresenta aqueles finais tranquilos que constituíram-se uma das assinaturas do Shostakovich final. Esqueçam o gran finale. Sem fazer grande pesquisa, sei que os finais quietos, na grandiosos, podem ser encontrados na 13ª, 14ª e 15ª sinfonias, neste quarteto e no sensacional Concerto para Violoncelo que será comentado a seguir.
(*) Palavra pouco utilizada, não? Significa a concepção que ocorre quando, no mesmo útero, já há um feto em desenvolvimento.
Quarteto Nº 13, Op. 138 (1970)
Um pouco menos funéreo que a Sinfonia Nº 14, este quarteto foi escrito nos intervalos do tratamento ortopédico que conseguiu devolver-lhe do parte do movimento das mãos e antes do segundo ataque cardíaco. O décimo-terceiro quarteto é um longo e triste adágio de cerca de vinte minutos. O quarteto foi dedicado ao violista Vadim Borisovsky, do Quarteto Beethoven, e a viola não somente abre o quarteto como é seu instrumento principal. Trata-se de um belo quarteto cuja tranquilidade só é quebrada por um pequeno scherzando estranhamente aparentado do bebop (sim, isso mesmo).
Dmitri Shostakovich (1906-1975): Os Quartetos de Cordas Completos
Quando falei em apenas quatro compositoras antes do século XX (neste post), um comentarista lembrou de mais uma: Anna Bon. Então lembrei que minha mulher tinha adquirido um CD de Bon em Vicenza. O disco é excelente e é ele que vos posto neste primeiro sábado de 2013. Boa música, sem dúvida.
Anna Bon (di Venezia) teria nascido na Rússia por volta de 1740. Pouco se sabe dela. Seus pais Ruvinetti Girolamo e Rosa Bon eram ligados ao mundo da música, ele por ser libretista e ela cantora.
De volta à península, muito pequena, com quatro anos, foi para o Ospedale della Pietà em Veneza, logo após Vivaldi ter deixado sua marca na instituição.
Mais tarde, ela se mudou com seus pais para a Alemanha, mais exatamente para o futuro santuário de Wagner, Bayreuth. De lá, eles foram para a casa Esterházy, onde com toda a probabilidade trabalharam com Haydn.
Casada com um cantor, Mongeri, Anna Bon foi morar na Hildburghausen, onde seu rastro é perdido. É sabido que, em 1767, estava viva. Como dizem os espanhóis, “mulher casada, perna quebrada”. E seu talento foi-se pelo ralo.
Anna Bon (1739 ou 40-depois de 1767):
Seis Sonatas para Flauta Transversa e Baixo Contínuo
1. Sonata Prima: I. Adagio 5:36
2. Sonata Prima: II. Allegro 3:39
3. Sonata Prima: III. Presto 2:05
4. Sonata Seconda: I. Largo 4:44
5. Sonata Seconda: II. Allegro 3:16
6. Sonata Seconda: III. Allegro 3:10
7. Sonata Terza: I. Andantino 4:32
8. Sonata Terza: II. Allegro 3:32
9. Sonata Terza: III. Minuetto 2:27
10. Sonata Quarta: I. Allegro moderato 5:06
11. Sonata Quarta: II. Andante 2:28
12. Sonata Quarta: Allegro assai 3:03
13. Sonata Quinta: I. Allegretto 3:15
14. Sonata Quinta: II. Andante Staccato 2:45
15. Sonata Quinta: III. Allegro 2:59
16. Sonata Sesta: I. Adagio 6:22
17. Sonata Sesta: II. Allegro 3:32
18. Sonata Sesta: III. Minuetto con Varizioni 7:23
Giovanni Battista Columbro, flauta transversa
Nereo Dani, viola da gamba
Marco Vincenzi, cravo
David Oistrakh empunha novamente seu Stradivarius e nos traz três petardos do repertório do violino do século XX. Nem preciso dizer que vale cada minuto da audição deste CD. Oistrakh era um especialista nestes concertos, tendo realizado gravações históricas e imperdíveis dos mesmos.
Sergei Prokofiev (1891-1953) – Violin Concertos nº 1 & 2, Igor Stravinsky (1882-1971) – Violin Concerto in D Major – David Oistrakh, Berliner-Sinfonie Orchester, Kurt Sanderling
1. Prokofieff Violinkonzert Nr. 1. I. Andantino
2. II. Scherzo. Vivacissimo
3. III. Moderato
4. Violinkonzert Nr. 2. I. Allegro moderato
5. II. Andante assai
6. III. Allegro, ben marcato
7. Strawinsky Konzert in D-dur. I. Toccata
8. II. Aria 1
9. III. Aria 2
10. IV. Capriccio
David Oistrakh – Violin
Berliner Sinfonie-Orchester
Kurt Sanderling – Conductor
Elgar é Elgar, quem não conhece suas fortes e melodiosas marchas que grudam na cabeça da gente? An Orkney Wedding, With Sunrise, de Davies, é uma música convencional, até chatinha, mas o final com gaita de foles é muito bonito. Three Screaming Popes, de Turnage, é muito legal, modernoso e bom. A Brittania de MacMillan tem muito humor. E Britten é o melhor compositor inglês desde Purcell. O saldo do disco é bastante positivo. A orquestra de Atlanta é uma amiga batuta.
Elgar / Davies / Turnage / MacMillan / Britten: Britannia
1 – Sir Edward Elgar “Pomp And Circumstance” March No. 4 4:33
2 – Sir Peter Maxwell Davies* An Orkney Wedding, With Sunrise 13:15
3 – Mark-Anthony Turnage Three Screaming Popes 15:54
4 – James MacMillan Britannia 12:30
–Benjamin Britten Sinfonia Da Requiem
5 – Lacrymosa 8:09
6 – Dies Irae 4:58
7 – Requiem Aeternam 6:05
8 – Sir Edward Elgar “Pomp And Circumstance” March No. 1 5:40
Este Cd é uma grata surpresa, quando podemos ouvir o grande David Oistrakh regendo a Décima Sinfonia de Shostakovich. Claro que não foi a primeira incursão do violinista frente à orquestra, lembro de suas gravações dos concertos de Mozart e de Bach. Maiores informações sobre a Sinfonia sugiro procurarem postagens anteriores da obra, está tudo lá.
Dmitri Shostakovich (1905-1975): Sinfonia nº 10 – David Oistrakh, Berliner-Sinfonie Orchester
1. Dmitri Shostakovich – Symphonie No.10 en mi mineur Op.93 – 1. Moderato
2. Dmitri Shostakovich – Symphonie No.10 en mi mineur Op.93 – 2. Allegro
3. Dmitri Shostakovich – Symphonie No.10 en mi mineur Op.93 – 3. Allegretto
4. Dmitri Shostakovich – Symphonie No.10 en mi mineur Op.93 – 4. Andante – Allegro
Berliner Sinfonier-Orchester
David Oistrakh – Conductor
Tudo aqui parece Messiaen. Um Messiaen piorado, mas mesmo assim bom. Nikolai Borisovich Obukhov nasceu em 22 de abril de 1892 na Aldeia de Ol’shanka, província de Kursk, no Império Russo. Ele foi ativo principalmente na França, onde mudou de nome para Obouhow e outras variantes, como Obukhow, Obouhov e Obouhoff. Era um russo modernista e místico, uma figura de vanguarda que tomou como ponto de partida a música tardia de Scriabin. O compositor fugiu da Rússia junto com sua família após a Revolução de Outubro, estabelecendo-se em Paris. Sua música é notável apenas seu misticismo religioso e notação incomum. Ele usa uma linguagem cromática idiossincrática de 12 tons. Também utilizou instrumentos musicais eletrônicos muito primitivos em comparação com aqueles usados por Stockhausen, por exemplo. Uma curiosidade.
Nicolas Obouhow (1892-1954): Peças para Piano
01 Prélude n° 1
02-07 Six Prières
08-13 Six Tableaux Psychologiques :
Désirée – Les Ombres – L’Ange noir – L’Ambre sacrée – Inconnu – Esprits
14-16 Trois Icônes :
N°1. Contemplation – N° 2. Douleur – N° 3. Repos
17 Eternel
18 Création de l’Or
19 La Source Vive (C’est la Paix)
20 Reflet Sinistre
21 Hostie
22-31 Dix Tableaux Psychologiques :
Etrangeté – Effort désespéré – Mystère – Emanation – Damnation – Embaumé – Caresses envenimées – Légèreté – Délire – Lourdes chaînes
32- 33 Deux invocations
34 La Parabole du Seigneur
35-40 Révélations :
Le Glas d’au-delà – La Mort – Néant – Immortel – Détresse de Satan – Vérité
41 Les Astrales Parlent
42-45 Conversions :
Crime – Remords – Larmes de sang – Inspiration sublime
Baita gravação de 1966, com duas lendas do século XX, Igor Oistrakh, filho David Oistrakh, o maior dos violinistas russos, e o regente alemão Kurt Sanderling. O repertório não poderia ser diferente: Shostakovich.
Já nos foi apresentada diversas vezes aqui no PQPBach a relação entre Oistrakh e Shostakovich, por isso não irei tecer maiores comentários sobre o assunto. Nosso guru, PQPBach, já esclareceu. Mas vou me arriscar a trazer alguns dados biográficos sobre o maestro Kurt Sanderling, que creio que apareceu pouco por aqui. Vamos lá.
Nasceu em 1912 na então Prússia Oriental, região hoje pertencente a Polônia. Por sua descendência não ariana, perdeu sua cidadania alemã em 1935, e conseguiu visto na União Soviética, assim como outros alemães judeus. Já vinha estudando regência em Berlim, e em pouco tempo conseguiu se tornar Condutor Chefe da Orquestra da Radio de Moscou e posteriormente da poderosa Filarmônica de Leningrado. Retornou á Alemanhã em 1960 onde tornou-se regente da Sinfônica de Berlim e da Staatskapelle Dresden. Foi além disso, maestro assistente de um dos maiores maestros do periodo soviético, Yevgeny Mravinsky. Ainda nos anos 40 tornou-se grande amigo de Shostakovich. Veio a falecer em 2011, um dia antes de completar 99 anos.
Esta gravação que ora vos trago foi realizada em 10 de março de 1966, quando este que vos escreve recém tinha completado um ano de idade. Igor Oistrakh, filho de David Oistrakh, faz uma interpretação vigorosa do Primeiro Concerto para Violino de Shostakovich. Filho de peixe, peixinho é, como diz o ditado. Nem preciso dizer que trata-se de gravação histórica, lançada pelo selo Harmonia Mundi lá em 2002, mas que apenas recentemente chegou-me em mãos.
Completa o CD a magnífica Quinta Sinfonia do mesmo Shostakovich. Em outras palavras, material histórico, absolutamente imperdível.
Não sei o porque, mas esta me pareceu a trilha sonora ideal para este sombrio e chuvoso dia de eleições.
Shostakovich: Violinkonzert Nr. 1 In E-Moll Op. 99 & Sinfonie Nr. 5 In D-Moll Op. 47
1. Violin Concerto No.1 in A minor, op.99 (I. Oistrakh on Violin, 66.10.3) – I. Nocturne Moderato
2. Violin Concerto No.1 in A minor, op.99 (I. Oistrakh on Violin, 66.10.3) – II. Scherzo Allegro
3. Violin Concerto No.1 in A minor, op.99 (I. Oistrakh on Violin, 66.10.3) – III. Passacaglia Andante
4. Violin Concerto No.1 in A minor, op.99 (I. Oistrakh on Violin, 66.10.3) – IV. Burlesque Allegro con brio
5. Symphony No.5 in D minor, op.47 (66.10.3) – I. Moderato – Allgro con troppo – Largamente – Moderato
6. Symphony No.5 in D minor, op.47 (66.10.3) – II. Allegretto
7. Symphony No.5 in D minor, op.47 (66.10.3) – III. Largo
8. Symphony No.5 in D minor, op.47 (66.10.3) – IV. Allegro non troppo
Igor Oistrakh – Violin
Berliner Sinfonie-Orchester
Kurt Sanderling – Conductor
01. Symphony No. 5 in D Minor, Op. 47: I. Moderato – Allegro non troppo
02. Symphony No. 5 in D Minor, Op. 47: II. Allegro
03. Symphony No. 5 in D Minor, Op. 47: III. Largo
04. Symphony No. 5 in D Minor, Op. 47: IV. Allegro non troppo
Aqui está um CD em que uma excelente cantora de ópera faz duo com um pianista de jazz. A mezzo-soprano norte-americana Kate Lindsey e o pianista Baptiste Trotignon formam uma bonita parceria frutífera num programa centrado na música de Kurt Weill escrita nos dois lados do Atlântico. Os arranjos são de Trotignon. A assimilação de Lindsey do estilo parece quase sem esforço, e só ocasionalmente ela dá a impressão de que tem algo a provar. A primeira peça, Nanna’s Lied, tem sua voz mudando do sotaque de Weimar para a postura de um cantor de lieder e vice-versa. Das deliciosas profundidades graves de Denn Wie Man Sich Bettet, So Liegt Man da ópera Ascensão e Queda de Mahagonny à doçura da Broadway de Buddy on the Nightshift é um choque, mas a maioria das transições é mais suave, com Trotignon ligando imaginativamente até alguns mini-medley. O disco também recebe algumas preciosidades de outros imigrantes austríacos como Korngold — So Gehst Du Wieder Auf é um destaque assim como Hymne, de Alma Mahler, que libera a voz clássica de Lindsey.
Weill / Alma Mahler / Korngold / Zemlinsky: Thousands of Miles
1 Nanna’s Lied
Composed By – Kurt Weill
3:24
2 Pirate Jenny (From The Threepenny Opera)
Composed By – Kurt Weill
4:23
3 Barbara Song (From The Threepenny Opera)
Composed By – Kurt Weill
4 Trouble Man (From Lost In The Stars)
Composed By – Kurt Weill
3:35
5 Hymne
Composed By – Alma Mahler*
5:19
6 Je Ne T’Aime Pas
Composed By – Kurt Weill
4:42
7 Thousands of Miles (From Lost In The Stars)
Composed By – Kurt Weill
4:41
8 Big Mole (From Lost In The Stars)
Composed By – Kurt Weill
9 Don’t Look Now
Composed By – Kurt Weill
3:01
10 Schneeglöckchen
Composed By – Erich W. Korngold*
2:51
11 Die Stille Stadt
Composed By – Alma Mahler*
3:05
12 Mond, So Gehst Du Wieder Auf
Composed By – Erich W. Korngold*
4:10
13 Lonely House – We’ll Go Away Together (From Street Scene)
Composed By – Kurt Weill
5:43
14 Der Abscheidsbrief
Composed By – Kurt Weill
3:18
15 Denn Wie Man Sich Bettet, So Liegt Man (From Rise And Fall Of The City Of Mahagonny)
Composed By – Kurt Weill
4:33
16 Buddy On The Nightshift
Composed By – Kurt Weill
3:40
17 Berlin Im Licht
Composed By – Kurt Weill
18 Und Hat Der Tag All Seine Qual
Composed By – Alexander Von Zemlinsky
4:18
19 Selige Stunde
Composed By – Alexander Von Zemlinsky
2:15
Mezzo-soprano Vocals – Kate Lindsey
Piano, Arranged By – Baptiste Trotignon
O repertório barroco sempre desempenhou um papel importante na carreira estelar de Natalie Dessay. Ela começou a cantar em 1999, depois de conhecer Emmanuelle Haïm durante os ensaios de Alcina na Ópera de Paris – Palais Garnier.
.
Este CD duplo contém um retrato completo de Natalie Dessay cantando música barroca, incluindo repertório sagrado (Bach cantatas, Magnificat, Handel: Dixit Dominus) e ópera (Handel: Giulio Cesare ou Rameau: Les Indes Galantes) – principalmente sob a batuta de Emmanuelle Haïm, com quem formou uma ‘dupla’ barroca por mais de uma década.
.
Como escreve Emmanuelle Haïm no livreto: “Tocamos Bach, Monteverdi, Handel e Rameau no palco e nas gravações. Natalie é uma intérprete maravilhosa desta música, como sempre é, graciosa e com uma inspiração única ”. Emmanuelle Haïm conduz o Concert d’Astrée.
.
.
Natalie Dessay Baroque – 2015
Le Concert D`Astré, dir. Emmanuelle Haïm Les Arts Florissants, dir. William Christie
. . Por gentileza, quando tiver problemas para descompactar arquivos com mais de 256 caracteres, para Windows, tente o 7-ZIP, em https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ e p
ara Mac, tente o Keka, em http://www.kekaosx.com/pt/, para descompactar, ambos gratuitos.
When you have trouble unzipping files longer than 256 characters, for Windows, please try 7-ZIP, at https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ and for Mac, try Keka, at http://www.kekaosx.com/, to unzip, both at no cost.
Choram os caminhos de Sião é um hino composto por Handel para o funeral da rainha Caroline. Foi apresentado pela primeira vez, é claro, no funeral da Rainha na Abadia de Westminster, isso em 17 de dezembro de 1737. Depois, Handel retrabalhou o hino e o usou na abertura de seu oratório Israel no Egito, de 1739. O tema da Sinfonia foi utilizado por Mozart em seu Réquiem. Mas a música não é lá essas coisas. A Rainha Caroline foi a consorte de George II. Tinha sido amiga e patronesse de Handel por mais de trinta anos. Musicista amadora, Caroline se interessava por questões artísticas e intelectuais e sua morte foi muito pranteada. Handel recebeu um bom dinheiro pela composição escrita em apenas uma semana sobre textos dos livros bíblicos de Lamentações e Jó.
G. F. Handel (1685-1759): The Ways of Zion Do Mourn (Funeral Anthem for Queen Caroline), for chorus & orchestra, HWV 264
1 Sinfonia 2:02
2 The ways of Zion do mourn 6:31
3 How are the mighty fall’n! 2:31
4 She put on righteousness 2:45
5 When the ear heard her 3:20
6 How are the mighty fall’n! 0:54
7 She deliver’d the poor 5:45
8 How are the mighty fall’n! 0:54
9 The righteous shall be had 4:02
10 Their bodies buried in peace 5:05
11 The people will tell 2:04
12 Thet shall recieve a glorious kingdom 3:51
13 The merciful goodness of the Lord 3:44
Soprano – Norma Burrowes
Tenor – Martyn Hill
Countertenor – Charles Brett
Bass – Stephen Varcoe
Theorbo – Michael Lewin
Organ – Malcolm Hicks
The Monteverdi Choir
The Monteverdi Orchestra
John Eliot Gardiner
Les Arts Florissants, dir. William Christie dir. William Christie
Castor & Pollux é uma ópera de Jean-Philippe Rameau, apresentada pela primeira vez em 24 de outubro de 1737 pela Académie Royale de Musique em seu teatro no Palais Royal em Paris. O libretista era Pierre-Joseph-Justin Bernard, com grande reputação como poeta de salão. Esta foi a terceira ópera de Rameau e sua segunda na forma da tragédia em música. Rameau fez cortes substanciais, alterações e acrescentou novo material para a ópera para o seu renascimento em 1754. Especialistas ainda disputam qual das duas versões é superior. Seja qual for o caso, Castor et Pollux sempre foi considerado como um dos melhores trabalhos de Rameau.
Palhinha: ouça: Disc 1, Scène III. “Tristes apprêts, pâles flambeaux” (Télaïre), com Agnès Mellon.
Rameau – Castor & Pollux – 1993 Les Arts Florissants, dir. William Christie
Por gentileza, quando tiver problemas para descompactar arquivos com mais de 256 caracteres, para Windows, tente o 7-ZIP, em https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ e para Mac, tente o Keka, em http://www.kekaosx.com/pt/, para descompactar, ambos gratuitos.
. When you have trouble unzipping files longer than 256 characters, for Windows, please try 7-ZIP, at https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ and for Mac, try Keka, at http://www.kekaosx.com/, to unzip, both at no cost.
‘A Suite in the style of Lachner’, who published seven (1861–81), composed in Russia and Italy. Inscribed cryptically to *** – Tchaikovsky’s patroness in absentia Nadezhda von Meck – it dates from the period of The Maid of Orleans and the premieres of Eugene Onegin and the Liturgy of St John Chrysostom. Nikolai Rubinstein directed the first performance in Moscow, 8/20 December 1879. ‘On Saturday, the Suite was played with great success,’ reported Tchaikovsky’s publisher, Pyotr Jurgenson. ‘The [fugal] first movement did not arouse any particular enthusiasm on the part of the audience. The second [B flat major – written last, in August 1879] was liked. The Andante pleased very much, and the March [A major – which Tchaikovsky had wanted to discard on grounds of ‘doubtful merit’] drew applause which wouldn’t stop until it was repeated. The Scherzo [B flat major] was very well received. But by the time the Gavotte was played, interest flagged and the one thought in the mind of the audience was to leave as soon as possible. Rubinstein complained of the tremendous difficulties presented to the orchestra.’
‘Rooted primarily in the decorative world of the ballet divertissement [incidental scores, too, The Snow Maiden for instance] not concerned with major expressive issues’ (David Brown), the D minor Suite is finer than many commentators would lead us to believe, particularly in the hands of a committed champion like Gauk (or, later, Svetlanov). Typically, its orchestration, including triangle and glockenspiel, transforms simple ideas and cadences into an atmospheric carnival of costumes and ‘lighting’ angles.
Orchestral Suite No.2 in C Op.53 ‘Suite caractéristique’ (1883)
Dedicated to Tchaikovsky’s sister-in-law, Praskovya (who lived until 1956), this was first heard under Erdmannsdörfer in Moscow, 4/16 February 1884. Tchaikovsky himself directed the Petersburg premiere, 5/17 March 1887. To von Meck he generalised the genre: ‘for some time [the suite form has] been particularly attractive to me because of the freedom it affords the composer not to be inhibited by any
traditions, by conventional met hods and established rules’ (16/28 April 1884). Of the four examples he put together, the first three glow in vibrant images, eternal phrases (did Tchaikovsky ever write a bad tune?), and intricately detailed orchestral glamour/surprise.
Orbiting the note E (pivotally linking the keys of the five moments), No.2, as Tchaikovsky himself realised, impresses chiefly for its third and fourth movements, both originally longer: ‘I am almost certain that the Scherzo (with the accordions [four of the diatonic button variety: an extraordinary folk timbre]) and the Andante (Child’s Dreams) will please’ (to his younger brother Modest, 26 September/8 October 1883). Writing of the E major Scherzo, a thrilling chase, cinematically prescient, Brown suggests it ‘crosses into the musical territory of the Russian supernatural’. Of the A minor Andante, that it ‘contains both the most conventional and the most original music in the whole suite […] Even within the enchanted music of Sleeping Beauty, which it clearly presages, there is rarely quite the same disquieting sense of shapes indefinable and forces unknown.’ The ‘Little Russian’ finale, ‘Wild Dance in the style of Dargomizhsky’, pays homage to Dargomizshky’s Kazatchok fantasia (which Tchaikovsky had arranged for piano around 1868.
Orchestral Suite No.3 in G Op.55
Besides his symphonies and symphonic poems Tchaikovsky wrote four orchestral suites. They show, more than the works mentioned above, the extent to which the dance rhythm is the basis for his orchestral music. In all the four movements of the Third Suite (1884) this basis is always refined, but never obscured by a strong need for charm and elegance. Although the four movements have titles intended to clarify their own character, the mood on the surface in one movement is an undercurrent in another. The ‘Elegy’ is full of major-key moments and the ‘Valse romantique’ is, like a Schubertian waltz, always two coins of the same medal. In the Scherzo the dance rhythm always competes with the desire for refinement. No wonder Stravinsky admired Tchaikovsky’s art of orchestration. The finale was not meant as ballet music, but Tchaikovsky’s intention to let the music glitter and scintillate makes the listener wonder why this music is not more often heard.
Emanuel Overbeeke
Suite No.4 in G Op.61 ‘Mozartiana’ (1887)
‘Mozart I love as a musical Christ […] Mozart was a being so angelical and childlike in his purity, his music is so full of unattainably divine beauty, that if there is someone you can mention in the same breath as Christ, then it is he. […] Mozart is the highest, the culminating point which beauty has reached in the sphere of music […] In Mozart I love everything because we love everything in a person whom we truly love’ (Diary, 20 September/2 October 1886). The ‘Mozartiana’ suite adapts four short Mozart originals (according to Tchaikovsky ‘minutely enhanced and harmonically modified’), using a comparatively modest orchestra but including cymbals, glockenspiel and harp. ‘For around an hour each day I’m occupied with orchestrating piano pieces by Mozart, which by the end of the summer I should have turned into a suite of novel character (the old given contemporary treatment)’ (24 June/6 July 1887). Tchaikovsky directed the first performance in Moscow, at a Russian Musical Society concert on 14/26 November 1887.
I. Gigue: Gigue K574 (Leipzig, 16 May 1789), G major. II. Menuetto: Minuet K355 (Vienna, ?1786–87), D major. Trio section by Maximilian Stadler (1748–1833). III. Pregheira: Ave verum corpus K618 (Baden, 1746 June 1791), from Liszt’s organ transcription (Evocation à la Chapelle Sixtine, c. 1862), B flat major. IV. Thème et variations: Unser dummer Pöbel meint, after Gluck (1714–87) K455 (Vienna, 25 August 1784), G major.
Ates Orga, 2010
CD 10
01. Orchestral Suite No. 1 in D minor, Op.43 – I. Introduzione e Fuga
02. Orchestral Suite No. 1 in D minor, Op.43 – II. Divertimento
03. Orchestral Suite No. 1 in D minor, Op.43 – III. Intermezzo
04. Orchestral Suite No. 1 in D minor, Op.43 – IV. Marche Miniature
05. Orchestral Suite No. 1 in D minor, Op.43 – V. Scherzo
06. Orchestral Suite No. 1 in D minor, Op.43 – VI. Gavotte
07. Orchestral Suite No. 2 in C major, ‘Suite Caractéristique’, Op.53 – I. Jeu de sons
08. Orchestral Suite No. 2 in C major, ‘Suite Caractéristique’, Op.53 – II. Valse
09. Orchestral Suite No. 2 in C major, ‘Suite Caractéristique’, Op.53 – III. Scherzo burlesque
10. Orchestral Suite No. 2 in C major, ‘Suite Caractéristique’, Op.53 – IV. Rêves d’enfant
11. Orchestral Suite No. 2 in C major, ‘Suite Caractéristique’, Op.53 – V. Danse baroque
01. Orchestral Suite No. 3 in G major, Op.55 – I. Élégie. Andante molto cantabile
02. Orchestral Suite No. 3 in G major, Op.55 – II. Valse mélancolique. Allegro moderato
03. Orchestral Suite No. 3 in G major, Op.55 – III. Scherzo. Molto vivace
04. Orchestral Suite No. 3 in G major, Op.55 – IV. Tema con Variazioni. Andante con moto
05. Orchestral Suite No. 4 in G major, ‘Mozartiana’ – I. Gigue. Allegro (Gigue, K.574)
06. Orchestral Suite No. 4 in G major, ‘Mozartiana’ – II. Menuet. Moderato (Minuet, K.355)
07. Orchestral Suite No. 4 in G major, ‘Mozartiana’ – III. Preghiera. Andante non tanto (Ave verum corpus, K.618)
08. Orchestral Suite No. 4 in G major, ‘Mozartiana’ – IV. Thème et Variations. Allegro giusto (Unser dummer Pöbel meint, K.455)
Após um episódio de coma e quase morte em 2008, o lírico pianista Fred Hersch manteve o status de pianista de jazz de primeira linha. A série de álbuns pós-doença, Whirl (2010), Alone At The Vanguard (2011), Floating (2014), Solo (2015) e Sunday Night At the Vanguard (2016), todos pela Palmetto Records, revelam clareza artística, ao lado de uma abordagem emotiva mais profunda, em comparação com sua produção excelente, mas talvez mais cerebral, de antes de sua luta contra sérios problemas de saúde.
{Open Book}, o décimo primeiro álbum de piano solo de Hersch, é excelente. Só ouvir Whisper not e Zingaro já basta para considerá-lo um disco de exceção.
Fred Hersch: {Open Book}
1 The Orb
Written-By – Fred Hersch
6:26
2 Whisper Not
Written-By – Benny Golson
6:27
3 Zingaro
Written-By – A. C. Jobim
7:58
4 Through The Forest
Written-By – Fred Hersch
19:54
5 Plainsong
Written-By – Fred Hersch
4:51
6 Eronel
Written-By – Sadik Hakim, Thelonious Monk
5:40
7 And So It Goes
Written-By – Billy Joel
5:57
De todos os cds que já ouvi com as sonatas para piano de Mozart provavelmente este aqui pode facilmente ser classificado o melhor gravado nesta década. Marc-Andre Hamelin está impecável, nos oferecendo um Mozart cheio de vida e de emoção.
Eis o texto de apresentação deste CD duplo tirado do próprio site da Hyperion:
“Eight of Mozart’s divinely inspired Piano Sonatas here receive performances of mercurial inspiration from consummate-musician cum virtuoso-wizard Marc-André Hamelin. His four Haydn albums have enthralled—this new Mozart will not disappoint. Two Rondos, a Fantasia, and a decidedly quirky Gigue complete a delight of a double album.”
Para se ouvir com calma, concentração, e silêncio.
CD 1
01 Mozart Piano Sonata in D major, K576 – 1 Allegro
02 Mozart Piano Sonata in D major, K576 – 2 Adagio
03 Mozart Piano Sonata in D major, K576 – 3 Allegretto
04 Mozart Piano Sonata in G major, K283 – 1 Allegro
05 Mozart Piano Sonata in G major, K283 – 2 Andante
06 Mozart Piano Sonata in G major, K283 – 3 Presto
07 Mozart Piano Sonata in F major, K332 – 1 Allegro
08 Mozart Piano Sonata in F major, K332 – 2 Adagio
09 Mozart Piano Sonata in F major, K332 – 3 Allegro assai
10 Mozart Piano Sonata in B flat major, K570 – 1 Allegro
11 Mozart Piano Sonata in B flat major, K570 – 2 Adagio
12 Mozart Piano Sonata in B flat major, K570 – 3 Allegretto
13 Mozart Rondo in D major, K485
14 Mozart Gigue in G major, K574
CD 2
15 Mozart Piano Sonata in C major, K330 – 1 Allegro moderato
16 Mozart Piano Sonata in C major, K330 – 2 Andante cantabile
17 Mozart Piano Sonata in C major, K330 – 3 Allegretto
18 Mozart Piano Sonata in B flat major, K333 – 1 Allegro
19 Mozart Piano Sonata in B flat major, K333 – 2 Andante cantabile
20 Mozart Piano Sonata in B flat major, K333 – 3 Allegretto grazioso
21 Mozart Piano Sonata in C major, K545 – 1 Allegro
22 Mozart Piano Sonata in C major, K545 – 2 Andante
23 Mozart Piano Sonata in C major, K545 – 3 Rondo
24 Mozart Piano Sonata in E flat major, K282 – 1 Adagio
25 Mozart Piano Sonata in E flat major, K282 – 2 Menuetto I & II
26 Mozart Piano Sonata in E flat major, K282 – 3 Allegro
27 Mozart Rondo in A minor, K511
28 Mozart Fantasia in D minor, K397
As obras do mais recente álbum de Viktoria Mullova são dedicadas à música para violino de Arvo Pärt. As composições derivam dos estudos de Pärt sobre a música da igreja medieval e são produtos que ele descreve como de estilo “tintinnabuli”, desenvolvido pelo compositor nos anos 70. “Descobri que é suficiente quando uma única nota é tocada de maneira bonita. Essa nota, ou uma batida silenciosa ou um momento de silêncio, me conforta. Eu trabalho com poucos elementos — com uma voz, duas vozes”. Tais peças se tornaram icônicas no repertório contemporâneo. Este álbum foi gravado na presença do compositor, como demonstra a capa. E é EXTRAORDINÁRIO.
Arvo Pärt (1935): Darf ich… / Fratres / Passacaglia / Tabula rasa / Spiegel im Spiegel
1. Darf ich… 02:52
2. Fratres 10:26
3. Passacaglia 04:42
4. Tabula rasa: I. Ludus 10:57
5. Tabula rasa: II. Silentium 20:35
6. Spiegel im Spiegel 09:25
Viktoria Mullova (violin)
Estonian National Symphony Orchestra
Paavo Järvi (conductor)
Assim como Hummel, Luis Spohr é outro compositor contemporâneo de Mozart, Haydn e Beethoven e que é injustamente esquecido nos dias atuais, apesar do esforço de algumas gravadoras de lançar cds com suas obras. Além disso, e assim como Hummel, que postei recentemente, Spohr era um também um virtuose, mas do violino, e rivalizava em sucesso com ninguém menos que Paganini. Além de ser um ás nos palcos, também produziu uma barbaridade, com dezoito concertos para violino, quatro para clarinete, entre muitos outros. O homem era uma máquina de compor.
Estou trazendo aqui dois concertos para violino, magnificamente interpretados por Ulf Hoelscher, músico até então desconhecido por mim. Mas o selo CPO por si só já é sinônimo de qualidade. Trarei outras obras deste compositor por este selo. Espero que gostem.
Na minha opinião, esta é a melhor versão da Sinfonia Romântica de Bruckner. E creio a obra, ao lado da 5ª, 7ª e 9ª, seja um dos mais importantes trabalhos do compositor austríaco. Bernard Haitink é um mestre. Tive a sorte de vê-lo regendo e o homem é mesmo um monstro. É impossível de um músico não entrar no momento correto, tal a clareza de seus gestos aos 87 anos de idade, quando finalmente o vi trabalhando ao vivo. Este ano, ele caiu nas escadas do Concertgebouw e teve que cancelar alguns concertos. Mas já voltou. O que ele faz aqui é uma versão que se tornou há décadas referência do melhor Bruckner. É um disco para se ouvir de joelhos.
Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 4 “Romântica”
1 Bewegt, Nicht Zu Schnell
2 Andante, Quasi Allegretto
3 Scherzo (Bewegt) – Trio (Nicht Zu Schnell. Keinesfalls Schleppend)
4 Finale (Bewegt, Doch Nicht Zu Schnell)
Accentus Akademie für Alte Musik Berlin dir. Laurence Equilbey
No caminho de volta de sua segunda estada na Inglaterra, no final de agosto de 1795, Haydn parou em Passau, antiga cidade episcopal da Baviera, que fica na confluência do Rio Danúbio com o Rio Inn. Na noite de sua chegada, assistiu à apresentação de uma de suas obras, as Sete Últimas Palavras. Mas ele nunca tinha ouvido daquela maneira sua composição antes: foi apresentada como uma cantata para vozes e orquestra, no arranjo de Passau Hotkammerrat e Kapellmeister Joseph Friebert (1723-99).
Haydn havia escrito as Sete Últimas Palavras em 1786 como um trabalho puramente orquestral. A solicitação original tinha vindo da Espanha, de um cânone de Cádiz, para ser mais preciso, que pedira ao sinfonista mais célebre da Europa que escrevesse música meditativa para os exercícios espirituais Passiontide na capela de Santa Cueva. Os movimentos individuais deviam servir, por assim dizer, como comentários sobre as palavras bíblicas lidas no púlpito. Para este fim, Haydn, portanto, forneceu uma sucessão de movimentos quase exclusivamente lentos. Mais tarde, ele escreveu: “A tarefa de escrever sete adágios sucessivos, cada um deles durando cerca de dez minutos, sem cansar o ouvinte, não era de maneira alguma fácil”. Esta foi a origem de uma das mais extraordinárias composições instrumentais de todo o século XVIII, que rapidamente se tornou uma das obras mais conhecidas de Haydn.
Edições impressas apareceram já em 1787/8 nos mais importantes centros musicais, Londres, Paris e Viena, e cópias manuscritas circularam pela Europa. Haydn também comercializou as Sete Últimas Palavras em seu próprio arranjo para quarteto de cordas, e em uma versão de teclado que ele mesmo não fez, mas ainda assim aprovou. A única maneira de retrabalhar a peça, que obviamente não lhe ocorreu – embora o assunto tenha se prestado tão claramente a ela – foi como uma obra vocal.
Mas sua estada em Passau mudou tudo o que Haydn tinha gostado na apresentação daquela noite de agosto de 1795. No entanto, seu veredicto sobre o arranjo de Friebert em si era: “Acho que eu poderia ter manipulado melhor as partes vocais”. Ele pediu a Friebert que lhe desse uma cópia de sua versão, e assim que ele voltou a Viena, ele começou a transformar as Sete Últimas Palavras em música vocal.
No início, o arranjo de Passau serviu-lhe como modelo. À medida que seu trabalho avançava, porém, ele se afastava cada vez mais dele. Para fazer seu arranjo, Haydn teve uma partitura copiada das partes impressas da versão original, na qual ele inseriu as partes vocais recém-compostas. No entanto, a escrita orquestral não permaneceu intocada: ele modificou algumas notas e marcações dinâmicas, e enriqueceu a instrumentação com pares de clarinetes e trombones, enquanto apagava duas das quatro partes originais das trompas.
Haydn inseriu em cada uma das sonatas uma das sete frases finais de Cristo na Cruz: (I) “Pater, dimitte illis, quia nesciunt, quid faciunt”, (II) ‘Hodie mecum eris in Paradio’, (III) ‘Mulier, ecce filius tuus’, (IV) Deus meus, Deus meus, utquid dereliquisti me, (V) ‘Site’, (VI) ‘Consummatum est’, (VII) “Em manus Tuas, Domine, commendo spiritum meum.
Existem duas adições particularmente proeminentes em comparação com a versão orquestral. Primeiro de tudo, Haydn prefaciava a maioria dos movimentos com introduções curtas em quatro partes em um estilo a cappella conscientemente arcaico, no qual a sentença de Cristo que dá à peça seu título é declamada à maneira de uma “epígrafe”. Além disso, entre a quarta e a quinta “palavras” ele inseriu um novo movimento instrumental, uma segunda Introdução em Lá menor, que agora separa claramente o trabalho em duas partes. Este movimento extraordinário, marcado apenas por instrumentos de sopro, surpreende o ouvinte pela sua severidade e acidez. Não foi por acaso que os contemporâneos a consideraram “entre as obras mais talentosas que Haydn já produziu”.
Nesse movimento, ele exige que a sonoridade seja reforçada por um contrafagote – pela primeira vez em sua produção. Haydn assumiu a maior parte do texto cantado do arranjo de Friebert. Provavelmente se deve ao próprio Passau Kapellmeister, que foi inspirado por modelos poéticos altamente emocionais como Geistliche Oden undbeder de Christian Rirchtegott Gellert (odes espirituais e canções) e Der Tod Jesu de Karl Wilhelm Ramler (A morte de Jesus) para escrever textos devocionais nos quais cada uma das “palavras” de Cristo da cruz é enfaticamente enfatizada.
No entanto, Haydn pediu ao barão Gottfried van Swieten, o influente patrono da música e diretor da Biblioteca Imperial (agora o Osterreichische Nationalbibliothek), para revisar o texto. Ao fazê-lo, van Swieten assumiu e ampliou os ecos óbvios de Ramler, chegando a emprestar todo o texto do movimento de fechamento, “terremoto”, diretamente de seu Der Tod Jesu. Van Swieten também organizou o primeiro desempenho da nova versão. Esta foi conduzida por Haydn em 26 de março de 1796 no Palais Schwarzenberg em Viena, em um dos concertos da Gesellschaft der Assoclierten Cavaliers, uma associação de nobres amantes da música cujo espírito de movimento era o próprio barão. Foi nesse mesmo cenário que, pouco mais de dois anos depois, o oratório de Haydn, The Creation, teve sua estréia. Naquela época, o arranjo oratorio das Sete Últimas Palavras já havia se estabelecido como um favorito firme no Passiontide em Viena. (ex-catálogo & internet)
Haydn: Les Sept Dernières Paroles du Christ en Croix – 2006 Accentus Akademie für Alte Musik Berlin 01. Introduzione: Maestoso Ed Adagio 02. Nr. 1 Largo: Vater, Vergib Ihnen, Denn Sie Wissen Nicht, Was Sie Tun 03. Nr. 1 Largo: Vater, Vergib Ihnen, Denn Sie Wissen Nicht, Was Sie Tun 04. Nr. 2 Grave E Cantabile: Furwahr, Ich Sag’ Es Dir: Heute Wirst Du Bei Mir Im Paradiese Sein 05. Nr. 2 Grave E Cantabile: Furwahr, Ich Sag’ Es Dir: Heute Wirst Du Bei Mir Im Paradiese Sein 06. Nr. 3 Grave: Frau, Hier Siehe Deinen Sohn, Und Du, Siehe Deine Mutter! 07. Nr. 3 Grave: Frau, Hier Siehe Deinen Sohn, Und Du, Siehe Deine Mutter! 08. Nr. 4 Largo: Mein Gott, Mein Gott, Warum Hast Du Mich Verlassen? 09. Nr. 4 Largo: Mein Gott, Mein Gott, Warum Hast Du Mich Verlassen? 10. Introduzione: Largo E Cantabile 11. Nr. 5 Adagio: Jesus Refut: Ach, Mich Durstet! 12. Nr. 6 Lento: Es Ist Vollbracht 13. Nr. 6 Lento: Es Ist Vollbracht 14. Nr. 7 Largo: Vater, In Deine Hande Empfehle Ich Meinen Geist 15. Nr. 7 Largo: Vater, In Deine Hande Empfehle Ich Meinen Geist 16. Il Terremoto (Das Erdbeben): Presto E Con Tutta La Forza – Er Ist Nicht Mehr
Haydn: Les Sept Dernières Paroles du Christ en Croix – 2006 Sandrine Piau (soprano); Ruth Sandhoff (mezzo-soprano); Robert Getchell (ténor), Harry van der Kamp (basse) Accentus Akademie für Alte Musik Berlin dir. Laurence Equilbey
Por gentileza, quando tiver problemas para descompactar arquivos com mais de 256 caracteres, para Windows, tente o 7-ZIP, em https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ e para Mac, tente o Keka, em http://www.kekaosx.com/pt/, para descompactar, ambos gratuitos.
. When you have trouble unzipping files longer than 256 characters, for Windows, please try 7-ZIP, at https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ and for Mac, try Keka, at http://www.kekaosx.com/, to unzip, both at no cost.
Vamos continuar nosso pacotaço de Louis Spohr? Mais dois concertos, booklet em anexo ao arquivo com todas as informações biográficas que os senhores precisam.
Divirtam-se.
01. Violin Concerto in A major, WoO 12 I. Adagio Allegro
02. Violin Concerto in A major, WoO 12 II. Adagio
03. Violin Concerto in A major, WoO 12 III. Rondo
04. Violin Concerto No. 3, Op. 7 I. Adagio-Allegro
05. Violin Concerto No. 3, Op. 7 II. Siciliano, Andante
06. Violin Concerto No. 3, Op. 7 III. Rondo, Alla Polacca
07. Violin Concerto No. 6, Op. 28 I. Allegro
08. Violin Concerto No. 6, Op. 28 II. Recitativo. Andante-Allegro molto Allegro
09. Violin Concerto No. 6, Op. 28 III. Alla spagnuola. Tempo di Polacca
Ulf Hoelscher – Violin
Runddfunk-Sinfonieorchester Berlin
Christian Fröhlich – Conductor
Ravel e com um de seus principais intérpretes, Charles Munch. Já fazia tempo que eu queria renovar o link do “Daphnis et Chloé”, mas sempre acontecia alguma coisa que impedia. Vamos ver se agora sai. Charles Munch gravou “Daphnis et Chloé” de Ravel com a Boston Symphony e até hoje ninguém conseguiu superá-lo. É para se ouvir de joelhos, e agradecer aos céus eternamente por nos ter proporcionado momento tão especial na Terra. Imperdível é pouco. Uma das maiores gravações da história da indústria fonográfica, com certeza.
Até conhecê-la, eu me satisfazia com a gravação que o Abbado fez nos anos 70 com a Sinfônica de Londres, ou a gravação do Dutoit com a Orquestra de Montreal. Ambas são excelentes. Mas a delicadeza com que Munch explora as sutilezas da obra é o grande diferencial.
Comparem a primeira faixa, “Invocation to the Nymphs” desta versão com a versão mais light do Dutoit. Munch não joga leve não, mas por incrível que possa parecer, em momento algum sua mão é pesada. A suavidade das passagens que precisam ser suaves, as nuances das cordas, o empenho dos sopros, não há como não se transportar no tempo e se imaginar nos campos gregos, vendo os faunos e as ninfas descansando ao sol, na beira de rios, o soprar de uma leve brisa… insuperável, em minha opinião.
Sobre Daphnis e Chloé, a Wikipedia diz:
“Daphnis et Chloé é um balé, em um ato, com música de Maurice Ravel e baseado em um romance pastoral do século II. Em 1909 foi encomendado a Ravel por Sergei Diaguilev para os seus “Ballets Russes”. Com coreografia de Mikhail Fokine, levou três anos para ser criado. É definida por Ravel como uma “Sinfonia Coreográfica”. É uma obra da corrente musical impressionista.
Índice
A criação
Durante a primeira temporada dos Ballets Russes em Paris, no ano de 1909, o seu diretor, Sergei Diaguilev, tomou conhecimento de algumas músicas de Maurice Ravel. Impressionado com o seu talento, encomendou a partitura de um balé, “Daphnis et Chloé”, baseado em um romance pastoral do poeta grego Longus, que viveu no século II. Recomendou a Ravel que trabalhasse junto a Mikhail Fokine que seria o responsável pela coreografia do bailado. Ravel com seu estilo de trabalho meticuloso e bem cuidado, levou três anos para concluir a obra. Durante este tempo, algumas desavenças entre ele e Fokine aconteceram, principalmente no que dizia respeito ao cenário. Porém, conseguiram entrar em um acordo e os ensaios iniciaram. Nos ensaios também aconteceram alguns problemas, já que a partitura foi considerada difícil de ser dançada pelo corpo de baile.
A estreia
A estréia se deu em Paris, no Théâtre du Châtelet, no dia 8 de junho de 1912, com Nijinsky e Karsavina nos papéis principais (Daphnis e Chloé, respectivamente). O Regente foi Pierre Monteux. O cenografia e os costumes ficaram a cargo de Léon Baskt. A corografia era de Mikhail Fokine.
A sinopse do balé
A primeira cena é passada em um bosque sagrado, dedicado ao deus Pan. Vê-se a figura de Pan e as suas ninfas alojadas em suas cavernas. Daphinis e Chloé, juntos com donzelas e pastores, entram em cena para fazer a oferta das oferendas às ninfas. Uma dança geral é iniciada e os rapazes e as moças ficam separados. Daphnis é cercado pelas moças, enquanto Chloé é cercada pelos rapazes. Um deles, o jovem Dorcon, tenta beijar Chloé. Irado, Daphnis tenta expulsá-lo, mas é contido. Uma disputa então é proposta: quem dentre os dois melhor dançar fará jus a um beijo de Chloé. O primeiro a dançar é Dorcon. Sua dança é grotesca e primitiva. Em seguida, é a vez de Daphnis. Com movimentos e gestos graciosos, ele é o preferido da multidão. Ele é declarado vencedor e recebe o seu prêmio: um beijo da sua amada. Chloé sai de cena, deixando Daphnis em êxtase. Uma jovem de nome Lyceion então se aproveita para atrair Daphnis com sua dança. De repente, sons de combate são ouvidos. Um bando de piratas entra em cena, perseguindo as donzelas. Chloé é raptada e Daphnis sem poder fazer alguma coisa cai, sem sentidos. As ninfas de Pan surgem e tentam reanimá-lo, sem sucesso. Então, recorrem ao deus Pan. Surge outro cenário, retratando o esconderijo dos piratas. Chloé é levada a presença do chefe dos piratas, Bryaxis. Ela é forçada a dançar para ele. Sem ter como fugir, ela se prepara para iniciar a dança, quando o cenário se enche de luzes misteriosas. Sátiros surgem de todas as partes e cercam os piratas. Surge, então, a figura assustadora do deus Pan, fazendo com que os piratas fujam de pavor. Retorna-se ao primeiro cenário. Daphnis e Chloé estão juntos novamente. Em comemoração ao momento vivido, eles encenam uma mímica em que são evocados Pan e Syrinx. Em seguida, todos juntos executam uma grande dança em comemoração às núpcias, encerrando a peça.
A obra
A peça possui um só ato, dividido em três partes. Cada parte é relativa a um cenário. O tempo de duração da encenação é de uma hora. Uma grande orquestra é requerida, com um coro, que canta sem texto. Para a execução sem bailado, Ravel criou uma suíte orquestral dividida em duas partes, sendo a segunda a mais popular e sempre executada nas salas de concertos ao redor do mundo.”
Eu já falei que esta gravação é espetacular?
Maurice Ravel (1875-1937) – Daphnis Et Chloe (complete)
01 – Invocation To The Nymphs
02 – Entrance Of Daphnis And Chloe
03 – Dance Of The Young Girls Around Daphnis
04 – Dorcon’s Advance To Chloe
05 – Daphnis Reasserts His Love For Chloe
06 – Dorcon’s Grotesque Dance
07 – The Gracious Dance Of Daphnis
08 – The Triumph Of Daphnis And The Ecstatic Union With Chloe
09 – Entrance Of The Tempress Lyceion And Dance Of Veils
10 – The Invasion Of The Pirates
11 – Invocation To Pan By The Nymphs And The Prayer Of Daphnis
12 – Interlude
13 – The Orgiastic Dance Of The Pirates
14 – Bryaxis Orders Chloe To Be Brought Forward And To Dance
15 – Chloe’s Dance Of Supplication
16 – Creatures Of Pan Appear And Frighten The Pirates
17 – Sunrise, Daphins Prostrate At The Grotto Of The Nymphs
18 – Daphnis And Chloe Are Reunited
19 – Lammon Tells How Pan Saved Chloe
20 – Pan (Daphnis) Fashions A Flute From Some Reeds
21 – Abandoning Their Roles
22 – Girls Dressed As Bacchantes Enter With Tambourines
23 – Young Men Invade The Scene
Trago hoje o segundo CD com a integral dos Concertos para Violino de Louis Spohr. Como comentei em postagem anterior, Spohr foi contemporâneo dos grandes compositores do início do século XIX, sendo amigo pessoal de vários deles, incluindo aí o próprio Ludwig, o Beethoven.
Espero que apreciem. O booklet com importantes informações sobre a vida e a obra de Spohr está anexado ao arquivo.
01. Violin Concerto No. 2, Op. 2 I. Allegro moderato
02. Violin Concerto No. 2, Op. 2 II. Adagio
03. Violin Concerto No. 2, Op. 2 III. Alla Polacca
04. Violin Concerto No. 5, Op. 17 I. Allegro moderato
05. Violin Concerto No. 5, Op. 17 II. Adagio ma non troppo
06. Violin Concerto No. 5, Op. 17 III. Rondo Allegretto
Ulf Hoelscher – Violin
Rundfunk-Sinfonieorchester Berlin
Christian Fröhlich – Conductor
Louis Spohr viveu em uma época de transição, foi contemporâneo de Beethoven, Mozart, Haydn, Schubert, Schumann, Mendelssohn, e a lista continua. Todos o admiravam, e além disso foi um dos maiores violinistas de seu tempo, rivalizando com Paganini. E também lecionou durante toda a sua vida, formando dezenas, quiçá centenas de novos músicos. Ele já apareceu aqui no PQPBach algumas vezes. Sendo contemporâneo de todos estes mestres acima relacionados, deve até ter sido meio difícil de se destacar, talvez por isso seguiu a carreira de professor, mas volto a destacar que era muito admirado por todos, seja como compositor, enquanto solista ou professor.
O excelente selo alemão CPO contratou o violinista Ulf Hoelscher para gravar seus concertos para violino. São obras curiosas, destacando sempre mais a parte técnica, que oferecem diversas armadilhas para os solistas.
Neste primeiro CD que ora vos trago temos três concertos, os de nº 14, 15 e o de nº 1. Espero que apreciem, pois serão ao todo sete cds, somando quinze concertos, e algumas peças avulsas.
P.S. Segue anexo ao arquivo excelente booklet que traz maiores informações sobre o compositor e seu tempo. Vale conferir.
Normalmente negligenciadas pelos pianistas, esta coletânea de peças de Beethoven passa ao largo das sonatas. São Variações, Minuetos, Bagatelas e outras obras de menor porte que são quase desconhecidas do grande público, mas que revelam, se não o gênio de Beethoven, uma enorme elegância. O pianista, maestro e compositor russo Mikhail Pletnev dá-lhes tratamento de luxo. O melhor do deste CD duplo são as Bagatelas.
Bagatelas são composições breves. O termo significa o mesmo que em português: coisas descartadas ou sem importância. Só que aqui as coisas sem importância ganham outro significado: a de peças não sujeitas a um plano formal estabelecido.
O CD é bastante bom e agradável. Pletnev é efetivamente um mestre.
Ludwig van Beethoven (1770-1827): Variações, Bagatelas, Peças para Piano
9 Variations on a March by Dressler WoO 63
1) Thema. Maestoso – Var. I – IX [7:22]
Rondo in C major WoO 48
2 Allegretto [2:09]
Rondo in A major WoO 49
3) Allegretto [2:42]
6 Variations on a Swiss Song in F major WoO 64
4) Thema. Andante con moto – Var. I – VI [2:57] 24 Variations on Righini’s Arietta “Venni amore” WoO 65
5) Thema. Allegretto [0:47]
6) Var. I [0:43]
7) Var. II [0:43]
8) Var. III [0:37]
9) Var. IV [0:42]
10) Var. V [0:38]
11) Var. VI [0:38]
12) Var. VII [0:41]
13) Var. VIII [0:56]
14) Var. IX [0:44]
15) Var. X [0:41]
16) Var. XI [0:47]
17) Var. XII [1:05]
18) Var. XIII [0:41]
19) Var. XIV. Allegretto – Adagio [1:29]
20) Var. XV [0:34]
21) Var. XVI [0:41]
22) Var. XVII [0:53]
23) Var. XVIII [0:49]
24) Var. XIX [0:38]
25) Var. XX. Scherzando [0:41]
26) Var. XXI [0:45]
27) Var. XXII [0:41]
28) Var. XXIII. Adagio sostenuto [3:46]
29) Var. XXIV. Allegro – Allegro stringendo – Presto assai [2:12] 12 Variationen über das menuett a la vigano aus “Le Nozze Disturbate” von J. Haibel, WoO68
30) Thema. Allegretto – Var.I-XI – Var.XII.Allegro-Adagio [11:25] 6 Piano Variations in G, WoO 70 on “Nel cor più non mi sento”
31) Thema. (Andantino) – Var. I – VI [4:13] 6 Minuets WoO 10
32) No. 1 in C major [1:52]
33) No. 2 in G major [2:07]
34) No. 3 in E flat major [2:00]
35) No. 4 in B flat major [1:59]
36) No. 5 in D major [2:04]
37) No. 6 in C major [1:51] Rondo in C, Op.51, No.1
38) Moderato e grazioso [5:11] Rondo in G, Op.51, No.2
39) Andante cantabile e grazioso [7:43]
CD 2: 7 Bagatelles, Op.33
1) 1. Andante grazioso, quasi Allegretto [3:27]
2) 2. Scherzo (Allegro) [3:16]
3) 3. Allegretto [2:11]
4) 4. Andante [3:19]
5) 5. Allegro, ma non troppo [2:48]
6) 6. Allegretto quasi Andante [3:36]
7) 7. Presto [2:08] 6 Piano Variations in F, Op.34
8) Thema (Adagio) [1:38]
9) Variation I [1:25]
10) Variation II (Allegro ma non troppo) [1:05]
11) Variation III (Allegretto) [1:00]
12) Variation IV (Tempo di menuetto) [1:06]
13) Variation V: Marcia (Allegretto) [2:48]
14) Variation VI – Coda (Allegretto) [3:52] Andante favori in F, WoO 57
15) Andante grazioso con moto [10:39] Polonaise in C, Op.89
16) Alla polacca, vivace [5:50] 11 Bagatelles, Op.119
17) 1. Allegretto [3:02]
18) 2. Andante con moto [0:57]
19) 3. à l’Allemande [1:46]
20) 4. Andante cantabile [1:42]
21) 5. Risoluto [1:06]
22) 6. Andante – Allegretto leggiermente [2:02]
23) 7. Allegro ma non troppo [1:14]
24) 8. Moderato cantabile [2:06]
25) 9. Vivace moderato [0:45]
26) 10. Allegramente [0:18]
27) 11. Andante, ma non troppo [2:04] Bagatelle in C minor WoO 52
28) Presto [3:56] Bagatelle in C major WoO 56
29) Allegretto [1:44]