Viva a Rainha! – As Idades de Marthinha: a Sexta Década (1991-2000) [Martha Argerich, 80 anos]


1941-1950 | 1951-1960 | 1961-1970 | 1971-1980 | 1981-1990 | 1991-2000 | 2001-2010 | 2011-2020 | 2021-


A década de 90 foi, para Martha, desgraçadamente assombrada pela morte. Além de perder sua mãe, Juanita, e sua melhor amiga, Diane, para o câncer, ela própria viu-se acometida pelo flagelo. Desde o diagnóstico de melanoma, no início da década, até que a declararam curada, no final dela, a Rainha foi submetida a tratamentos dolorosos e duras escolhas. A mais difícil delas deu-se na recidiva, em meados da década, quando o tumor metastatizou para os pulmões e linfonodos. Foi-lhe sugerida uma cirurgia no tórax que poderia salvar a mulher, mas certamente mataria a pianista, cortando vários músculos fundamentais para sua arte. Martha escolheu submeter-se a um tratamento experimental a base de vacinas, que lhe permitiu uma operação menos radical. Deu certo e, num gesto de gratidão ao Instituto de Câncer John Wayne em Santa Mônica, Estados Unidos, onde recebeu o bem-sucedido tratamento, a Rainha voltou a subir sozinha ao palco, depois de quase vinte anos, para dar um recital em prol do Instituto para um Carnegie Hall lotado:

Naturalmente, a luta pela vida repercutiu na carreira de Martha. Sua discografia na década reflete essas imensas dificuldades pessoais – alguns anos passaram completamente em branco, sem gravações – e consolidou as tendências da década anterior: nenhum registro solo, muitas gravações de música de câmara com os velhos parceiros de sempre. Entre as novidades, a exploração de repertório novo e a colaboração estreita com Alexandre Rabinovitch em duos para piano, tocando sob sua regência, e gravando suas composições.


Não me lembro onde, mas tenho impressão de já ter lido que Martha não é muito fã de Rachmaninov. Se isso pode surpreender quem, como eu e o resto do Universo, fica de queixo caído com sua gravação do concerto no. 3 sob Chailly, também parece meio óbvio pela virtual ausência das peças solo de Rach do repertório da Rainha. Em seus recitais em duo, em compensação, Sergei Vasilyevich é figurinha fácil – e tem esse disco todinho dedicado a ele, com a primeira das muitas aparições de Alexandre Rabinovitch na discografia marthinhiana da década de 90, e a primeira das capas da Teldec em que nossa deusa parece estar no meio dum climão com quem era então su guapo.

Sergei Vasilyevich RACHMANINOFF (1873-1943)
Suíte para dois pianos no. 1 em Sol menor, “Fantaisie-Tableaux”, Op. 5
1 – Barcarolle
2 – La Nuit….L’Amour
3 – Les Larmes
4 – Pâques

Suíte para dois pianos no. 2 em Dó maior, Op. 17
5 – Introduction
6 – Valse
7 – Romance
8 – Tarantella

Danças Sinfônicas, para orquestra, Op. 45
Transcrição para piano do próprio compositor
9 – Non allegro
10 – Andante con moto
11 – Lento assai

Alexandre Rabinovitch, piano II

Gravado em Berlim Ocidental, setembro de 1991

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE


As composições de Alexandre Rabinovitch mereceriam uma postagem à parte, mas, enquanto eu os afogo com melífluas torrentes de Martha, deixo-lhes algumas amostras do que o pibe criou. Nascido e educado na União Soviética, aluno de Dmitry Kabalevsky, Rabinovitch destacou-se como pianista, tocando muita música contemporânea enquanto buscava rumo como compositor. Sua dedicação inicial à música serial, banida pelo regime soviético, foi abandonada depois que Alexei Lubimov lhe apresentou a música dos minimalistas dos Estados Unidos. Deixou o país de origem, por completa falta de perspectivas, para encontrar menos perspectivas ainda em Paris, onde Boulez reinava absoluto e deixava pouca coisa crescer a seu redor. Mudanças para Bruxelas e Genebra acabaram por colocá-lo no caminho de Martha Argerich, com quem dividiu palcos e estúdios, cigarros e dentifrícios – e que é o motivo maior para o moço aparecer por aqui. Sua música é muito interessante, sobretudo por nutrir-se de diversas referências, como poderão perceber pela obra que abre o álbum duplo a seguir, e porque seu estilo contrasta com a música “estática” que desinformados como eu muitas vezes esperam de obras minimalistas. A participação da Rainha na coletânea resume-se à gravação ao vivo da Musique Populaire, assim chamada por basear-se em temas de música popular, notória por ser, depois de meio século de vida e quase isso tanto a tocar pianos acústicos, sua primeira num instrumento plugado.

Alexandre RABINOVITCH Barakovsky (1945)

Six États Intermediaires (1998), sinfonia baseada no livro tibetano dos mortos, “Bardo Thödol”
1 – La Vie
2 – Le Rêve
3 – La Transe
4 – Le Moment de la Mort
5 – La Réalité
6 – L’Existence

Beogradska Filharmonija (Filarmônica de Belgrado)
Alexandre Rabinovitch, regência

7 – Musique Populaire (1980), para dois pianos amplificados

Martha Argerich e Alexandre Rabinovitch, pianos

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE 

La Triade (1998), Sinfonia Concertante para violino amplificado e orquestra
1 – Le Deuil
2 – La Transe
3 – Le Silence

Yayoi Toda, violino
Orchestra di Padova e del Veneto
Alexandre Rabinovitch, regência

Trois Invocations (1995), para quarteto de cordas e celesta amplificada
4 – Invocation I
5 – Invocation II
6 – Invocation III

Alexandre Rabinovitch, celesta
Filarmonica Quartet

7 – La Belle Musique no. 4 (1987), para quatro pianos amplificados 

Alexandre Rabinovitch, Alexei Ieriomine, Anton Batagov e Mikhail Adamovitch, pianos

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

“Musique Populaire” gravada em Varsóvia, Polônia, abril de 1992


Num dos raros retornos a Varsóvia sem tocar Chopin, Martha não esqueceu de trazer a tiracolo seu amigo e vizinho inseparável, Mischa Maisky. A dupla ofereceu um programa inteiramente dedicado a Haydn, com o bônus de uma das poucas gravações lançadas da famosa sonatinha de Scarlatti que nossa deusa costuma tocar como bis – e como ninguém mais entre os terráqueos – para o pasmo das plateias mundo afora.

Joseph HAYDN (1732-1809)
Concerto em Ré maior para piano e orquestra, Hob. XVIII:11
1 – Vivace
2 – Un poco adagio
3 – Rondo all’Ungarese: Allegro assai

Orkiestra Kameralna Polskiego Radia Amadeus
Agnieszka Duczmal, regência

Giuseppe Domenico SCARLATTI (1685-1757)
Sonata em Ré menor, K. 141
4 – Allegro

Joseph HAYDN
Concerto para violoncelo e orquestra no. 1 em Dó Maior, Hob. VIIb/1
5 – Moderato
6 – Adagio
7 – Allegro molto

Mischa Maisky, violoncelo
Orkiestra Kameralna Polskiego Radia Amadeus

Agnieszka Duczmal, regência

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
Da Suíte para violoncelo no. 2 em Ré menor, BWV 1008
8 – Sarabande

Da Suíte para violoncelo no. 3 em Dó maior, BWV 1009
9-10 – Bourrée I & II

Da Suíte para violoncelo no. 5 em Dó menor, BWV 1011
11-12 – Sarabande

Mischa Maisky, violoncelo

Gravado ao vivo em Varsóvia, Polônia, abril de 1992

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE


Para alguém que idolatrava Horowitz a ponto de se mudar de mala e cuia para Nova Iorque para tentar tornar-se sua aluna, é curioso que Scriabin, um dos xodós de Volodya, estivesse fora do repertório e da discografia de Martha até o lançamento desse álbum, dedicado integralmente a obras que tangem o mito de Prometeu. Acompanhada por Claudio Abbado e os filarmônicos de Berlim, a Rainha executa a parte de piano obbligato do “Poema do Fogo” de Scriabin, somando-se às forças orquestrais, a um coro e a uma iluminação colorida prescrita pelo compositor e originalmente destinada a um clavier à lumières  inventado por ele. Apesar da baixa qualidade da imagem, vale a pena conferir o vídeo da performance para ter uma ideia aproximada do que tramou Alexander.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Suíte de Die Geschöpfe Des Prometheus, Op. 43
1 – Introduction. Allegro non Troppo
2 – No. 1: Poco adagio – Allegro con brio
3 – No. 9: Adagio – Allegro molto
4 – No. 10: Pastorale. Allegro
5 – No. 14: Allegretto
6 – No. 15: Adagio – Allegro
7 – No. 16: Finale. Allegretto

Franz LISZT (1811-1886)
Prometheus, poema sinfônico, S. 99
8 – Allegro energico ed adagio assai – Allegro molto appassionato

Aleksandr Nikolayevich SKRIABIN (1871-1915)
9 – Promethée, Le Poème du Feu, Op. 60

Martha Argerich, piano
Berliner Singakademie

Luigi NONO (1924-1990)
Suíte de Prometeo, Tragedia dell’Ascolto 
10 – 3 Voci (baseado em texto de Walter Benjamin)
11 – Isola Seconda (baseado em Hyperions Schicksalslied, de Friedrich Hölderlin)

Mathias Schadock e Ulrike Krumbiegel, narradores
Ingrid-Ade Jesemann e Monika Bair-Ivenz, sopranos
Susanne Otto, contralto
Peter Hall, tenor
Michael Hasel, flauta baixo
Manfred Preis, clarinete contrabaixo
Christhard Gössling, eufônio e tuba
Solistenchor Freiburg

Berliner Philharmoniker
Claudio Abbado, regência

Gravado em Berlim, Alemanha, em maio de 1992

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE


Peça final de seu triunfo no Concurso Chopin de 1965, o concerto em Mi menor do Frederico é uma das figurinhas mais fáceis na discografia e nos programas dos concertos de Martha mundo afora: difícil, enfim, é que ela volte a Varsóvia e deixe de tocá-lo. O CD a seguir registra um desses retornos, curiosamente pareado com Rossini e Mendelssohn, sob a batuta de Grzegorz Nowak, que mais tarde se tornaria regente associado da Royal Philharmonic em Londres, e com a Sinfonia Varsovia, orquestra fundada e apadrinhada pelo grande Yehudi Menuhin.

Gioachino Antonio ROSSINI (1792-1868)
L’italiana in Algeri, drama jocoso em dois atos
1 – Sinfonia

Fryderyk Francyszek CHOPIN (1810-1849)
Concerto para piano e orquestra no. 1 em Mi menor, Op. 11
2 – Allegro maestoso
3 – Romance. Larghetto
4 – Rondo. Vivace

Jakob Ludwig Felix MENDELSSOHN Bartholdy (1809-1847)
Sinfonia no. 4 em Lá maior, Op. 90, “Italiana”
5 – Allegro vivace
6 – Andante con moto
7  – Con moto moderato
8 – Presto e finale: Saltarello

Sinfonia Varsovia
Grzegorz Nowak, regência

Gravado ao vivo em Varsóvia, Polônia, dezembro de 1992

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE


O velho amigo Abbado, lá em 1992, devia estar afiadíssimo na difícil arte de persuadir a nada persuadível Martha a aprender novo repertório: depois do primeiro (e policromático) Scriabin da carreira da distinta senhora, Claudio a pôs para tocar seu primeiro Strauss. Vá lá que a Burleske, composta mais ou menos na época em que Richard atingiu a maioridade penal, seja fichinha para suas hábeis mãos, mas ainda sim deve-se notar sua proeza em dotar essa estranha cria concertística, renegada tanto pelo seu dedicatário, Hans von Bülow, quanto por muito tempo pelo próprio compositor, de um interesse que passa ao largo da maioria das gravações da obra.

Richard Georg STRAUSS (1864-1949)
1 – Don Juan, poema sinfônico, Op. 20

Toru Yasunaga, violino

2 – Burleske em Ré menor, para piano e orquestra

Martha Argerich, piano

3 – Till Eulenspiegels Lustige Streiche, poema sinfônico, Op. 28

Da ópera Der Rosenkavalier, Op. 59
4 – Ato III: Trio e Finale

Kathleen Battle e Renée Fleming, sopranos
Frederica von Stade, mezzo-soprano
Andreas Schmidt, barítono

Berliner Philharmoniker
Claudio Abbado, regência

Gravado em Berlim, Alemanha, em 31 de dezembro de 1992

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE


Um xodó tardio na carreira de Martha é o primeiro concerto de Shosta, uma composição ebuliente e hiperativa, bem no estilo do nicotinado compositor e muito afeita a quem toca o terceiro de Prokofiev como ninguém. Sempre que volta à obra, a Rainha parece se divertir ao fazer um racha com o pobre solista de trompete, que invariavelmente passa por maus lençóis ao tentar acompanhar a velocidade lúbrica dos deditos de Marthinha, que, por sua vez, despacha a obra numa lepidez comparável à do próprio Shosta. Aqui, o trompetista sai-se muito bem – Guy Trouvon é feríssima, fruto mui digno da brilhante escola francesa de seu instrumento – e o registro resultante é um marco tanto na carreira de Martha quanto na discografia da obra, só superado pelo embate épico, de décadas depois, entre a deusa portenha do piano e Sergei Nakariakov, que é chamado de “Paganini do trompete” e não sem bons motivos.

Dmitri Dmitriyevich SHOSTAKOVICH (1906-1975)
Concerto em Dó menor para piano, trompete e orquestra de cordas, Op. 35
1 – Allegro moderato – attacca:
2 – Lento – attacca:
3 – Moderato – attacca:
4 – Allegro con brio

Guy Touvron, trompete

Joseph HAYDN
Concerto em Ré maior para piano e orquestra, Hob. XVIII:11
4 – Vivace
5 – Un poco adagio (cadenza: Wanda Landowska)
6 – Rondo all’Ungarese: Allegro assai

Württembergisches Kammerorchester Heilbronn
Jörg Faerber, regência

Gravado em Ludwigsburg, Alemanha, janeiro de 1993

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE


Esta gravação do inseparável duo Marthita/Nelsito traz aquela peça de resistência de seu repertório – a sensacional Sonata para dois pianos e percussão de Béla Viktor János – acrescida de composições de Ravel para dois pianos… e percussão. A atraente contribuição da carinhosamente chamada “cozinha” aos cordofones solistas foi acrescentada por Peter Sadlo (1962-2016), um tremendo percussionista que também participa desse registro de seus arranjos.

Béla Viktor János BARTÓK (1881-1945)
Sonata para dois pianos e percussão, Sz. 110
1 – Assai lento – Allegro molto
2 – Lento, ma non troppo
3 – Allegro non troppo

Joseph Maurice RAVEL (1875-1937)
Ma Mère l’Oye, suíte para piano a quatro mãos, M. 62
Transcrição para dois pianos: Gaston Choisnel (1857-1921)
Arranjo para dois pianos e percussão: Peter Sadlo (1962-2016)
4 – Pavane de la Belle au Bois Dormant: Lent
5 – Petit Poucet: Très modéré
6 – Laideronnette, Impératrice des Pagodes: Mouvement de Marche
7 – Les Entretiens de la Belle et de la Bête: Mouvement de Valse très modéré
8 – Le Jardin Féerique: Lent et Grave

Rapsodie Espagnole, para orquestra, M. 54
Transcrição para dois pianos do próprio compositor
Arranjo para dois pianos e percussão de Peter Sadlo
9 – Prélude à la Nuit. Modéré
10 – Malagueña. Assez vif
11 – Habanera. En demi-teinte et d’un rythme las
12 – Feria. Assez vif

Nelson Freire, piano II
Edgar Guggeis e Peter Sadlo, percussão

Gravado em Nijmegen, Países Baixos, fevereiro de 1993

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE


Se há qualquer um entre vós outros que sonhou em ouvir Martha tocar algo que não fosse piano, eu ora anuncio com júbilo:

– Regozijai!

Em mais um álbum dedicado a obras de Rabinovitch, a Rainha não só toca celesta – tanto acústica quanto amplificada – como divide o palco possivelmente pela primeira vez com uma guitarra elétrica, além dum bocado de marimbas e vibrafones. Sua contribuição pianística e desplugada, a quatro mãos com o próprio compositor, é a Liebliches Lied (“Adorável Canção”), baseada em temas de Brahms e de Schubert (a cuja identificação desafio os atentos leitores-ouvintes).

Alexandre RABINOVITCH
1 – Incantations (1996)
Martha Argerich, piano amplificado e celesta
Daisuke Suzuki, guitarra elétrica
Hidemi Nurase, Mitsuyo Wada, Momoko Kamiya e Naoaki Kobayashi, marimbas e vibrafones
Hibiki String Orchestra
Alexandre Rabinovitch, regência

2 – Schwanengesang an Apollo (1996)
Yayoi Toda, violino
Martha Argerich, celesta amplificada
Alexandre Rabinovitch, piano

3 – La Belle Musique no. 3 (1977)
Budapesti Rádió Szimfonikus Zenekara (Orquestra Sinfônica da Rádio de Budapeste)
György Lehel, regência

4 – Liebliches Lied
Alexandre Rabinovitch e Martha Argerich, piano

Gravado em Berna, Suíça, novembro de 1993 (Liebliches Lied) e em Tóquio, Japão, maio de 1998 (Incantations)

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE


A integral das sonatas de Beethoven com Gidon Kremer foi retomada, duma forma surpreendemente ordeira para a carreira de nossa errática Marthinha, na exata ordem de publicação das obras. As três sonatas do Op. 30, em que os dois instrumentos ensaiam a igualdade de tratamento que receberão na “Kreutzer” e na Op. 96, são claramente conduzidas por ela, e dum jeito que nos faz imaginar, uma vez mais, o que ela teria sido capaz de ter feito se tivesse tocado, além de tão só esta, essa e aquela, algumas das outras vinte e nove sonatas para piano do renano.

Ludwig van BEETHOVEN
Três sonatas para violino e piano, Op. 30

No. 1 em Lá maior
1 – Allegro
2 – Adagio molto espressivo
3 – Allegretto con variazioni

No. 2 em Dó menor
4 – Allegro con brio
5 – Adagio cantabile
6 – Scherzo: Allegro
7 – Finale: Allegro – Presto

No. 3 em Sol maior
8 – Allegro assai
9 – Tempo di minuetto, ma molto moderato e grazioso
10 – Allegro vivace

Gidon Kremer, violino

Gravado em Montreux, Suíça, novembro de 1993

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE


A julgar pela capa, as coisas andavam às mil maravilhas entre a pareja Martha & Alexandre durante a gravação desse álbum. O que nele se escuta corrobora a impressão: Rabinovitch é excelente pianista, muito bom intérprete de Mozart, e certamente ajudou a Rainha a sentir-se à vontade com este compositor que, a despeito da farta dose vienense de sua formação pianística, confessamente nunca foi muito seu chão.

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)
Sonata para dois pianos em Ré maior, K.448 (375a)
1 – Allegro con spirito
2 – Andante
3 – Allegro molto

Andante e variações para piano a quatro mãos em Sol maior, K.501
4 – Andante – Variações I-V

Sonata para piano a quatro mãos em Dó maior, K.521
5 – Allegro
6 – Andante
7 – Allegretto

Sonata para piano a quatro mãos em Ré maior, K.381 (123a)
8 – Allegro
9 – Andante
10 – Allegro molto

Alexandre Rabinovitch, piano

Gravado em Berlim, Alemanha, dezembro de 1993

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE


Martha nunca foi muito de dar alegria aos completistas: só para ficar em Beethoven, levou a público apenas três entre as trinta e duas sonatas para piano, e gravou somente os três primeiros entre os cinco concertos (tocou o “Imperador” apenas duas vezes, e “mal”, e recusou-se a vida toda, e duma maneira quase fóbica, a aprender o concerto no. 4, em função duma epifania que experimentou ao ouvi-lo com Arrau, e arrepiar-se, aos seis anos de idade: “tenho medo do que aconteceria; é muito importante para mim”). Assim, é muito significativo que ela tenha se disposto a gravar, e de fato concluir, a integral das sonatas para violino ao lado do amigo Gidon Kremer. O disco final da série tem, na “Kreutzer”, tudo o que se pode esperar de temperamento argerichiano, embora o ponto alto para mim seja a tão subestimada Op. 96, escrita no limiar do período criativo transcendental do mestre de Bonn, em que o diálogo entre os instrumentos de Martha e Gidon transparece a mesma cumplicidade que suas caras preparadas na capa do álbum.

Ludwig van BEETHOVEN

Sonata para violino e piano em Lá, Op. 47, “Kreutzer”
1 – Adagio sostenuto – Presto
2 – Andante con variazioni
3 – Presto

Sonata para violino e piano em Sol maior, Op. 96
4 – Allegro moderato
5 – Adagio espressivo
6 – Scherzo: Allegro – Trio
7 – Poco allegretto

Gidon Kremer, violino

Gravado em Montreux, Suíça, março de 1994

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE


Falando em completistas, essa soirée schumanniana gravada por Martha e outras estrelas nos Países Baixos traz quase a integral da música de câmara de Robert Alexander para três ou mais instrumentos. No estrelado elenco, destaco Natalia Gutman, professora do Conservatório de Moscou, que, apesar de muito grata a seu professor Rostropovich, teve como maior mentor um pianista, o gigante Sviatoslav Richter, e se dá muito bem no dueto com Martha. Chamo a atenção também para o Op. 46, que nunca tinha ouvido antes, com sua incomum instrumentação para dois pianos, dois violoncelos e trompa (!), e para a maior obra-prima do álbum, o belíssimo quinteto com piano, ao qual Martha empresta decisivamente seu inigualável élan.

Robert Alexander SCHUMANN (1810-1856
Quinteto em Mi bemol maior para piano, dois violinos, viola e violoncelo, Op. 44
1 – Allegro brillante
2 – In modo d’una marcia (un poco largamente – agitato – a tempo)
3 – Scherzo (molto vivace) & trio
4 – Allegro ma non troppo

Dola Schwarzberg e Lucy Hall, violinos
Nobuko Imai, viola
Mischa Maisky, violoncelo

Andante e variações em Si bemol maior para dois pianos, dois violoncelos e trompa, Op.46
5 – Sostenuto – Andante espressivo – Un poco piu animato – Più animato – Più lento – Un poco più lento
6 – Più lento – Animato
7 – Doppio movimento – Tempo primo – Più adagio

Alexander Rabinovitch, piano II
Mischa Maisky e Natalla Gutman, violoncelos
Marie-Luise Neunecker, trompa

Quarteto em Mi bemol maior para violino, viola, violoncelo e piano, Op. 47
8 – Sostenuto assai- Allegro ma non troppo
9 – Scherzo (Molto vivace) & Trio
10 – Andante cantabile
11 – Finale (Vivace)

Dora Schwarzberg, violino
Nobuko Imai, viola
Natalia Gutman, violoncelo
Alexander Rabinovitch, piano

Fantasiestücke para violoncelo e piano, Op. 73
1 – Zart und mit Ausdruck
2 – Lebhaft, leicht
3 – Rasch und mit Feuer

Natalia Gutman, violoncelo

Adagio e Allegro em Lá bemol maior para trompa e piano, Op. 70
4 – Langsam, mit innigem Ausdruck
5 – Rasch und feurig

Marie-Luise Neunecker, trompa
Alexandre Rabinovitch, piano

Märchenbilder para viola e piano, Op. 113
6 – Nicht schnell
7 – Lebhaft
8 – Rasch
9 – Langsam, mit melancholischem Ausdruck

Nobuko Imai, viola

Sonata em Ré maior para violino e piano, Op. 121
10 – Zeimlich langsam – Lebhaft
11 – Sehr lebhaft
12 – Leise, einfach
13 –  Bewegt

Dora Schwarzberg, violino

Gravado ao vivo em Nijmegen, Países Baixos, setembro de 1994

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE


E dessa capa, o que acham vocês?

Martha e Rabinovitch parecem não só num climão meio tenso, como também as últimas pessoas capazes de tocar Mozart em dueto. Felizmente, o álbum é bem melhor que a capa (afirmação quase sempre verdadeira, quando se trata da Teldec): Martha volta ao concerto no. 20, que tocou muitas vezes quando menina e garota, Rabinovitch toca e conduz o de no. 19, e os pombinhos voltam a se reunir no concerto para dois pianos. Seguirão a arrulhar juntos? Resposta no álbum seguinte.

Wolfgang Amadeus MOZART

Concerto para piano e orquestra no. 20 em Ré maior, K. 466
Cadenze: Ludwig van Beethoven
1 –  Allegro
2 – Romance
3 – Allegro assai

Orchestra di Padova e del Veneto
Alexandre Rabinovitch, regência

Concerto para piano e orquestra no. 19 em Fá maior, K. 459
Cadenze do próprio compositor
4 – Allegro
5 – Allegretto
6 – Allegro assai

Orchestra di Padova e del Veneto
Alexandre Rabinovitch, piano e regência

Concerto em Mi bemol maior para dois pianos e orquestra, K. 365
Cadenze do próprio compositor
7 – Allegro
8 – Andante
9 – Rondo. Allegro

Württenbergisches Kammerorchestra Heilbronn
Alexandre Rabinovich, piano I e regência

Gravado em Stuttgart, Alemanha, janeiro de 1995 (K. 365) e em Pádua, Itália, setembro de 1998 (K. 459 e K. 466) 

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE


Sim: os pombinhos seguiram juntos e, a julgar pela capa, os tacapes pararam de voar numa certa casa em Genebra. Uma vez mais Martha arrisca repertório novo, e o que há neste disco é muito curioso. Esperava, admito, um pouco mais do “Aprendiz de Feiticeiro”, certamente por estar acostumado ao original e sua espirituosa orquestração, mas reconheço a competência do arranjo de Rabinovitch e a qualidade da execução, adequadamente temperamental. A grande surpresa, sem dúvidas, é o arranjo da “Sinfonia Doméstica” de Strauss, uma obra que nunca me despertou qualquer interesse na versão original, e que cintila sob os vinte talentosos dedinhos do casal. Se duvidam, ouçam a Wiegenlied (“Canção de Ninar”) e o Adagio e depois me contem se não estão entre as melhores coisas que Martha já tocou em duo!

Paul Abraham DUKAS (1865-1935)
Transcrição para dois pianos de Alexandre Rabinovitch
1 – L’Apprenti Sorcier

Richard STRAUSS
Transcrição para dois pianos de Otto Singer (1863-1931)
Symphonia Domestica, poema sinfônico, Op. 53
2 – Bewegt – Ⅰ. Thema: Sehr lebhaft –  Ⅱ. Thema: Ruhig   – Ⅲ. Thema
3 – Scherzo: Munter
4 – Wiegenlied: Mäßig langsam
5 – Adagio: Langsam
6 – Finale: Sehr lebhaft

Maurice RAVEL
7 – La Valse, poema coreográfico

Alexandre Rabinovitch, piano II

Gravado em Berlim, Alemanha, março de 1995

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE


Os quase três anos que separam este álbum do anterior tiveram, para Martha, o emblema do câncer que lhe voltou, que ela enfrentou, e do qual se curou. É bastante significativo, portanto, que, ao retomar sua discografia, ela tenha incorporado peças novas a seu repertório, escolhido a companhia segura de queridos parceiros de palco e da vida, e tocado ante uma plateia no Japão que ela tanto adora. As duas obras-primas incluídas no álbum – o segundo trio de Shostakovich e seu congênere, dedicado por Tchaikovsky à memória de Nikolai Rubinstein – receberam leituras inesquecíveis. Não tenho qualquer prurido em declarar essa interpretação do trio no. 2 de Shosta a melhor que já ouvi dessa obra, nem em reconhecer que o som ultrarromântico e sentimental de Mischa Maisky aqui se encaixa à perfeição com a melancolia da peça de Tchaikovsky, e que Martha e Kremer lhe somam à altura.

1 – Aplauso

Dmitri SHOSTAKOVICH
Trio para piano, violino e violoncelo no. 2 em Mi menor, Op. 67
2 – Andante – Moderato – Poco più mosso
3 – Allegro con brio
4 – Largo
5 – Allegretto – Adagio

Pyotr TCHAIKOVSKY
Trio em Lá menor para piano, violino e violoncelo, Op. 50
6 – Pezzo Elegiaco: Moderato assai – Allegro giusto – In tempo molto sostenuto – Adagio con duolo e ben sostenuto – Moderato assai – Allegro giusto
7 – Tema con variazioni: Andante con moto
8 – Variazione I
9 – Variazione II: Più mosso
10 -Variazione III: Allegro moderato
11 – Variazione IV: L’istesso tempo (Allegro moderato)
12 – Variazione V: L’istesso tempo
13 – Variazione VI: Tempo di valse
14 – Variazione VII: Allegro moderato
15 – Variazione VIII: Fuga (Allegro moderato)
16 – Variazione IX: Andante flebile, ma non tanto
17 – Variazione X: Tempo di mazurka
18 – Variazione XI: Moderato
19 – Variazione finale e coda: Allegro risoluto e con f
20 – Coda: Andante con moto – Lugubre

Peter KIESEWETTER (1945-2012)
21 – Tango Pathétique

Gidon Kremer, violino
Mischa Maisky, violoncelo

Gravado ao vivo em Tóquio, Japão, maio de 1999

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE


Ao assinar com a EMI, Martha foi prontamente convidada a gravar com outra grande estrela da gravadora, o israelense Itzhak Perlman. A admiração entre ambos, sempre mútua e imensa, teve que esperar até o verão de 1998 para virar parceria nos palcos, durante o Festival de Saratoga Springs, nos Estados Unidos. O repertório não fugiu do habitual: a sonata de Franck, em que a Rainha já acompanhou tantos violinistas, e a “Kreutzer” de Beethoven, para a qual é difícil imaginar pianista melhor. O recital é uma deleite tão grande quanto devem ter sido seus bastidores: Martha é declaradamente viciada em conversar, que é sua droga favorita, e o bonachão Itzhak, com seu vozeirão de barítono, um tremendo contador de histórias.

Ludwig van BEETHOVEN

Sonata para violino e piano em Lá, Op. 47, “Kreutzer”
1 – Adagio sostenuto – Presto
2 – Andante con variazioni
3 – Presto

César-Auguste-Jean-Guillaume-Hubert FRANCK (1822-1890)
Sonata em Lá maior para violino e piano
4 – Allegretto ben moderato
5 – Allegro
6 – Ben moderato: Recitativo-Fantasia
7 – Allegretto poco mosso

Itzhak Perlman, violino

Gravado ao vivo em Saratoga Springs, Estados Unidos, julho de 1998

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE


A participação de Martha no Festival de Saratoga também incluiu uma parceria com sua alma gêmea, Nelson Freire, no Concerto Pathétique de Liszt, uma interessante peça para dois pianos que antecipa, em muitos aspectos, a revolucionária forma cíclica e mesmo algum material temático de sua obra-prima, a Sonata em Si menor. Antes dele, fez uma vigorosa leitura dos Contrastes de Bartók, tocando a parte que coube ao próprio compositor na primeira gravação da obra, acompanhada do excelente clarinetista Michael Collins e pela violinista Chantal Juillet, amiga de Martha e atual esposa de Charles Dutoit, ex-Don Argerich.

Zoltán KODÁLY (1882-1967)
Duo para violino e violoncelo, Op. 7
1 – Allegro serioso, non troppo
2 – Adagio – Andante – Tempo I
3 – Maestoso e largamente, na non troppo lento – Presto

Chantal Juillet, violino
Truls Mørk, violoncelo

Béla BARTÓK
Contrasts, para violino, clarinete e piano, Sz. 111

4 – Verbunkos
5 – Pihenö
6 – Sebes

Chantal Juillet, violino
Michael Collins, clarinete

Franz LISZT
7 – Concerto Pathétique em Mi menor, para dois pianos e orquestra, S. 258

Nelson Freire, piano II

Gravado ao vivo em Saratoga Springs, Estados Unidos, julho de 1998

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE


Se a instabilidade e o temperamento terrível de Martha sempre garantiram emoções fortes durante seus relacionamentos, tudo indica também que nossa Rainha é uma excelente ex-esposa. Prova disso é que que ela continua não só muito amiga de Charles Dutoit, com quem foi casada entre 1969 e 1973, como segue a gravar e tocar com ele (não sem faíscas, claro, algumas repletas de bom humor). Dutoit é ótimo regente e sabe, como talvez nenhum outro, envolver o indomável som de Martha com a orquestra. Seu período à frente da Sinfônica de Montreal foi um dos melhores de sua carreira e certamente o mais brilhante que esse conjunto já viveu, e acabou coroado com essa soberba gravação dos concertos de Chopin, na qual destaco aquele em Fá menor, que Martha tocou tão raras vezes, e que aqui recria com seu estilo inimitável, quase improvisatório, que torna sua leitura do Larghetto tão especial.

Fryderyk CHOPIN

Concerto para piano e orquestra no. 1 em Mi menor, Op. 11

1 – Allegro maestoso
2 – Romance. Larghetto
3 – Rondo. Vivace

Concerto para piano e orquestra no. 2 em Fá menor, Op. 21

4 –  Maestoso
5 – Larghetto
6 – Allegro vivace

Orchestre Symphonique de Montréal
Charles Dutoit, regência

Gravado em Montreal, Canadá, outubro de 1998

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE


Entre os tantos discos que lhes trouxe para celebrar as idades de Marthinha, foi este o mais difícil de conseguir. Lançado somente no Japão, ele celebra a estreia do Festival Argerich na cidade de Beppu, uma estação termal localizada em Kyushu, a mais meridional das grandes ilhas do arquipélago japonês. O parceiro da Rainha no recital de abertura é o velho amigo Ivry Gitlis, e o programa – nenhuma surpresa – traz o tradicional combo Franck-Kreutzer. A surpresa genuína é o quanto Gitlis, um intérprete bastante idiossincrático (para dizer o mínimo) segura sua onda improvisatória na “Kreutzer”: se duvidam, comparem o registro de Beppu com esta outra gravação do duo que vocês me entenderão.

Ludwig van BEETHOVEN

Sonata para violino e piano em Lá maior, Op. 47, “Kreutzer”
1 – Adagio sostenuto – Presto
2 – Andante con variazioni
3 – Presto

César FRANCK
Sonata em Lá maior para violino e piano
4 – Allegretto ben moderato
5 – Allegro
6 – Ben moderato: Recitativo-Fantasia
7 – Allegretto poco mosso

Ivry Gitlis, violino

Gravado em Beppu, Japão, novembro de 1998 (Beethoven) e novembro de 1999 (Franck)

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE


Assim como o Japão, a Polônia é um dos locais a que Martha mais gosta de voltar. Não surpreende, pois, que ela tenha celebrado a notícia de sua cura, em 1999, com uma série de concertos em Varsóvia, cidade donde foi catapultada para a fama mundial mais de três décadas antes. Este CD, gravado ao vivo, registra uma das poucas noites em que Martha ofereceu dois concertos para piano no mesmo programa: antes de encerrar com seu tradicional cavalo de batalha, o primeiro concerto de Chopin, que ela nunca deixa de tocar quando volta à capital polonesa, a Rainha conduz a plateia por uma alucinante travessia do primeiro concerto de Liszt. La re putissima madre, Marthinha.

Wolfgang Amadeus MOZART
Sinfonia no. 35 em Ré maior, K. 385, “Haffner”
1 – Allegro con spirito
2 – Andante
3 – Menuetto
4 – Presto

Franz LISZT
Concerto para piano e orquestra nº 1 em Mi bemol maior, S.124
5 – Allegro maestoso
6 – Quasi adagio
7 – Allegretto vivace – Allegro animato
8 – Allegro marziale animato

Fryderyk CHOPIN
Concerto para piano e orquestra no. 1 em Mi menor, Op. 11
9 – Allegro maestoso
10 – Romance. Larghetto
11 – Rondo. Vivace

Sinfonia Varsovia
Alexandre Rabinovitch, regência

Gravado ao vivo em Varsóvia, Polônia, maio de 1999

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE


A sexta década da discografia de Martha encerrou em território amigo: tocando Schumann com o vizinho Mischa Maisky – que sempre cresce nas parcerias com sua vizinha – e fotografada para a capa pela caçula Stéphanie, responsável pela maior janela que já tivemos ao palácio interior de nossa Rainha. Este álbum bonito, ainda que sem grandes surpresas, é encerrado por uma ótima gravação do concerto de Robert por Maisky e pela Orpheus.

Robert SCHUMANN

Adagio e Allegro em Lá bemol menor para violoncelo e piano, Op. 70
1 – Langsam, mit innigem Ausdruck
2 – Rasch und feurig

Fantasiestücke para violoncelo e piano, Op. 73
3 – Zart und mit Ausdruck
4 – Lebhaft, leicht
5 – Rasch und mit Feuer

Dos Três Romanzen, Op. 94
6 – No. 1: Nicht schnell

Fünf Stücke im Volkston, Op. 102
7 –  “Vanitas Vanitatum”, mit Humor
8 – Langsam
9 – Nicht schnell, mit viel Ton zu spielen
10 – Nicht zu rasch
11 – Stark und Markiert

De Märchenbilder, para viola e piano, Op. 113
Transcrição de Mischa Maisky para violoncelo e piano
12 – No. 1: Nicht schnell

Mischa Maisky, violoncelo

Concerto em Lá menor para violoncelo e orquestra, Op. 129
13 – Nicht zu schnell
14 – Langsam
15 – Sehr lebhaft

Mischa Maisky, violoncelo
Orpheus Chamber Orchestra

Gravado em Bruxelas, Bélgica, dezembro de 1999 (1-12) e em Nova York, Estados Unidos, março de 1997 (13-15)

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE


Dessa década da carreira da Rainha vocês já encontravam as seguintes gravações no PQP Bach:

[Restaurado] Sergei Prokofiev (1891-1953) – Sonatas para Violino e Piano e 5 Melodias

1991


[Restaurado] Aniversário da Rainha: Martha Argerich, 79 anos – Robert Schumann (1810-1856) – Concerto para piano em Lá menor, Op. 54 – Concerto para violino em Ré menor, WoO 23 – Argerich – Kremer – Harnoncourt #SCHMNN210

1992


A Quatro Mãos: Johannes Brahms (1833-1897) – Obras para dois pianos – Martha Argerich e Alexandre Rabinovitch

1993


Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840-1893): Piano Concerto No. 1 / The Nutcracker Suite for two pianos

1994


[Restaurado] Prokofiev (1891-1953): Concertos para piano Nº 1 & 3 / Bartók (1881-1945): Concerto para piano Nº 3

1997


Beethoven (1770-1827): Concertos para Piano No 3 & No 2 – Martha Argerich – Mahler CO – Claudio Abbado

2000


Chopin / Franck / Debussy: Sonatas para Violoncelo

2000



Notre Reine parle le français – et fume beaucoup

Vassily

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Os Seis Concertos de Shostakovich

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Os Seis Concertos de Shostakovich

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um álbum que você precisa ouvir, mas um álbum triplo muito desigual. Cristina Ortiz e Paavo Berglund arrasam. Ivashkin e Poliansky idem. É claro que Oistrakh faz o mesmo com Rozhdestvensky, mas a qualidade do som não é boa, o que nos faz morrer de saudades da dupla que destronou Oistrakh nestes concertos que antes eram dele, a dupla Vengerov-Rostropovich. Curiosamente, Shosta escreveu 2 concertos para piano, 2 para violino e 2 para violoncelo. Os primeiros foram escritos para si mesmo e para seu filho. Os para violino foram dedicados a Oistrakh e os últimos a Rostropovich. Ah, se eu fosse um solista de nível e amigo de Shostakovich, também ia pedir um concerto. OS CONCERTOS SÃO ESPLÊNDIDOS, LINDOS, ESPETACULARES, TUDO !!!

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Os Seis Concertos de Shostakovich

CD 1

Piano Concerto No. 1 Op. 35
01. I. Allegro moderato-allegro vivace-moderato
02. II. Lento
03. III. Moderato
04. IV. Allegro con brio

Piano Concerto No. 2 Op. 102
05. I. Allegro
06. II. Andante
07. III. Allegro

3 Fantasic Dances Op. 5
08. I. Allegretto
09. II. Andantino
10. III. Allegretto

Bournemouth Symphony Orchestra
Paavo Berglund, regente
Cristina Ortiz, piano

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

CD 2

Violin Concerto N°1 in A minor Op.99
01. I. Nocturne
02. II. Scherzo
03. III. Passacaglia-Burlesque

Leningrad Philharmonic Orchestra
Evgeny Mravisnky, regente
David Oistrakh, violino

Violin Concerto N°2 in C sharp minor Op.129
04. I. Moderato
05. II. Adagio, adagio-allegro

Moscow Philharmonic Orchestra
Gennady Rozhdestvesnky, regente
David Oistrakh, violino

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

CD 3

Shostakovich Cello Concerto No. 1 Op. 107
01. I. Allegretto
02. II. Moderato
03. III. Cadenza
04. IV. Allegro con moto

Cello Concerto No. 2 Op. 126
05. I. Largo
06. II. Allegretto
07. III. Allegretto

Moscow Symphony Orchestra
Valery Poliansky, regente
Alexander Ivashkin, cello

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

A baiana Cristina Ortiz é genial. Confiram aí!

PQP Bach

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Os Concertos para Violino (Ibragimova / Jurowski)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Os Concertos para Violino (Ibragimova / Jurowski)

Uma boa gravação de um extraordinário e basilar repertório do século XX. Ibragimova não alcança as transcendências de outros violinistas, como Oistrakh e Vengerov, mas sai-se muito bem na complicada tarefa.

Shostakovich referiu-se ao seu Concerto para Violino Nº 1,  iniciado em 1947, mas não estreado até 1955, como uma sinfonia para violino e orquestra. O que ele quis dizer? Que os quatro movimentos, um a mais que o normal, têm ambição e enorme grandeza. Os humores de cada um não correspondem a nenhuma norma dos concertos. Abrindo com um Noturno lento e dolorosamente melancólico, a obra mergulha na reflexão. É seguido por um Scherzo enlouquecido e sardônico que cai numa sombria e lírica Passacaglia, que nos leva a uma vasta cadência solo. O final é um “burlesco” sombrio, uma perseguição estridente e veloz entre solista e orquestra.

O Concerto para Violino Nº 2 de Shostakovich (1967), é mais curto e tem forma mais regular, girando em torno de um movimento lento prolongado, introvertido e emocional: aqui, o silêncio e concentração são essenciais. Nunca é fácil de ouvir, mas quem espera isso deste compositor?

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Os Concerto para Violino (Ibragimova / Jurowski)

1. Violin Concerto No. 1 in A Minor, Op. 77: I. Nocturne: Moderato (12:36)
2. Violin Concerto No. 1 in A Minor, Op. 77: II. Scherzo: Allegro (06:26)
3. Violin Concerto No. 1 in A Minor, Op. 77: III. Passacaglia: Andante – Cadenza – (15:02)
4. Violin Concerto No. 1 in A Minor, Op. 77: IV. Burlesque: Allegro con brio – Presto (04:56)

5. Violin Concerto No. 2 in C-Sharp Minor, Op. 129: I. Moderato (14:14)
6. Violin Concerto No. 2 in C-Sharp Minor, Op. 129: II. Adagio – (10:01)
7. Violin Concerto No. 2 in C-Sharp Minor, Op. 129: III. Adagio – Allegro (08:10)

Alina Ibragimova
State Academic Symphony Orchestra of Russia “Evgeny Svetlanov”
Vladimir Jurowski

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Deu match perfeito! Alina Ibragimova & Vladimir Jurowski mandando ver com Shostakovich | Foto: Photograph: Vera Zhuravleva

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 13 ‘Babi Yar’ (Karabits)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 13 ‘Babi Yar’ (Karabits)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Sensacional esta recente gravação russa para esta obra-prima de Shostakovich. A história que copio abaixo é a da gênese da Sinfonia Nº 13. É uma tremenda história que envolve profundamente a censura soviética. Depois, houve também dificuldades para estrear a Sinfonia, mas este é um caso conhecido. O Caso Kosolápov — um verdadeiro herói — é muito menos divulgado e, ouso dizer, ainda mais interessante. Boa leitura e boa audição pra todos vocês.

.oOo.

~ A autoimolação de Valéri Kosolápov ao publicar Babi Yar, de Ievguêni Ievtuchenko ~

Por Vadim Málev, em 10 de junho de 2020
Texto de Milton Ribeiro a partir de tradução oral de Elena Romanov

Valéri Kosolápov

Hoje é o dia dos 110 anos do nascimento de Valéri Kosolápov. Mas quem é esse Valéri Kosolápov? Por que deveria escrever sobre ele e você deveria ler? Valéri Kosolápov tornou-se um grande homem em uma noite e, se não fosse assim, talvez não conhecêssemos o poema de Yevgeny Yevtushenko (Ievguêni Ievtuchenko) Babi Yar. Kosolápov era então editor do Jornal de Literatura (Literatúrnii Jurnál), o qual publicou corajosamente o poema em 19 de setembro de 1961. Foi um feito civil real.

Afinal, o próprio Yevtushenko admitiu que esses versos eram mais fáceis de escrever do que de publicar naquela época. Tudo se deve ao fato de o jovem poeta ter conhecido o escritor Anatoly Kuznetsov, autor do romance Babi Yar, que contou verbalmente a Yevtushenko sobre a tragédia acontecida naquela assim chamada ravina (ou barranco). Por consequencia, Yevtushenko pediu a Kuznetsov que o levasse até o local e ele ficou chocado com o que viu.

“Eu sabia que não havia monumento lá, mas esperava ver algum tipo de placa in memorian ou ao menos algo que mostrasse que o local era de alguma forma respeitado. E de repente me vi num aterro sanitário comum, que era como imenso sanduíche podre. E era ali que dezenas de milhares de pessoas inocentes — principalmente crianças, idosos e mulheres — estavam enterradas. Diante de nossos olhos, no momento em que estava lá com Kuznetsov, caminhões chegaram e despejaram seu conteúdo fedorento bem no local onde essas vítimas estavam. Jogaram mais e mais pilhas de lixo sobre os corpos”, disse Yevtushenko.

Ele questionou Kuznetsov sobre porque parecia haver uma vil conspiração de silêncio sobre os fatos ocorridos em Babi Yar? Kuznetsov respondeu que 70% das pessoas que participaram dessas atrocidades foram policiais ucranianos que colaboraram com os nazistas. Os alemães lhes ofereceram o pior e mais sujo dos trabalhos, o de matar judeus inocentes.

Yevtushenko ficou estupefato. Ou, como disse, ficou tão “envergonhado” com o que viu que naquela noite compôs seu poema. De manhã, foi visitado por alguns poetas liderados por Korotich e leu alguns novos poemas para eles, incluindo Babi Yar… Claro que um dedo-duro ligou para as autoridades de Kiev e estas tentaram cancelar a leitura pública que Yevtushenko faria à noite. Mas ele não desistiu, ameaçou com escândalo e, no dia seguinte ao que fora escrito, Babi Yar foi ouvido publicamente pela primeira vez.

Yevtushenko lê seus poemas. Nos anos sessenta, os poetas podiam reunir milhares de pessoas…

Passemos a palavra a Yevtushenko: “Depois da leitura, houve um momento de silêncio que me pareceu interminável. Uma velhinha saiu da plateia mancando, apoiando-se em uma bengala, e encaminhou-se lentamente até o palco onde eu me encontrava. Ela disse que estivera em Babi Yar, que fora uma das poucas sobreviventes que conseguiu rastejar entre os cadáveres para se salvar. Ela fez uma reverência para mim e beijou minha mão. Nunca antes alguém beijara minha mão”.

Então Yevtushenko foi ao Jornal de Literatura. Seu editor era Valéri Kosolápov, que substituiu o célebre Aleksandr Tvardovsky no posto. Kosolápov era conhecido como uma pessoa muito decente e liberal, naturalmente dentro de certos limites. Tinha ficha no Partido, claro, caso contrário, nunca acabaria na cadeira de editor-chefe. Kosolápov leu Babi Yar e imediatamente disse que os versos eram muito fortes e necessários.

— O que vamos fazer com eles? — pensou Kosolápov em voz alta.

— Como assim? — Yevtushenko respondeu, fingindo que não tinha entendido — Vamos publicar!

Yevtushenko sabia muito bem que, quando alguém dizia “versos fortes”, logo depois vinha “mas, eu não posso publicar isso”. Mas Kosolápov olhou para Yevtushenko com tristeza e até com alguma ternura. Como se esta não fosse sua decisão.

— Sim.

Depois pensou mais um pouco e disse:

— Bem, você vai ter que  esperar, sente-se no corredor. Eu tenho que chamar minha esposa.

Yevtushenko ficou surpreso e o editor continuou:

— Por que devo chamar minha esposa? Porque esta deve ser uma decisão de família.

— Por que de família?

— Bem, eles vão me demitir do meu cargo quando o poema for publicado e eu tenho que consultá-la. Aguarde, por favor. Enquanto isso, já vamos mandando o poema para a tipografia.

Kosolápov sabia com certeza que seria demitido. E isso não significava simplesmente a perda de um emprego. Isso significava perda de status, perda de privilégios, de tapinhas nas costas de poderosos, de jantares, de viagens a resorts de prestígio …

Yevtushenko ficou preocupado. Sentou no corredor e esperou. A espera foi longa e insuportável. O poema se espalhou instantaneamente pela redação e pela gráfica. Operários da gráfica se aproximaram dele, deram-lhe parabéns, apertaram suas mãos. Um velho tipógrafo veio. “Ele me trouxe um pouco de vodka, um pepino salgado e um pedaço de pão”, contou o poeta. E este velho disse: — “Espere, espere, eles imprimirão, você verá.”

E então chegou a esposa de Kosolápov e se trancou com o marido em seu escritório por quase uma hora. Ela era uma mulher grande. Na Guerra, ela fora uma enfermeira que carregara muitos corpos nos ombros. Essa rocha saiu da reunião, aproximando-se de Yevtushenko: “Eu não diria que ela estava chorando, mas seus olhos estavam úmidos. Ela olhou para mim com atenção e sorriu. E disse: ‘Não se preocupe, Jenia, decidimos ser demitidos’.”

Olha, é simplesmente lindo: “Decidimos ser demitidos”. Foi quase um ato heroico. Somente uma mulher que foi para a front sob balas podia não ter medo.

Na manhã seguinte, chegou um grupo do Comitê Central, aos berros: “Quem deixou passar, quem aprovou isto?”. Mas já era tarde demais — o jornal estava à venda em todos os quiosques. E vendia muito.

“Durante a semana, recebi dez mil cartas, telegramas e radiogramas. O poema se espalhou como um raio. Foi transmitido por telefone a fim de ser publicado em locais mais distantes. Eles ligavam, liam, gravavam. Me ligaram de Kamchatka. Perguntei como tinham lido lá, porque o jornal ainda não tinha chegado. “Não chegou, mas pessoas nos leram pelo telefone, nós anotamos”, contou Yevtushenko.

Claro que as autoridades não gostaram e trataram de se vingar. Artigos aos montes foram escritos contra Yevtushenko. Kosolápov foi demitido.

Aqui está o jovem Yevtushenko, na época em que escreveu “Babi Yar”

O que salvou Yevtushenko foi a reação mundial. Em uma semana, o poema foi traduzido para 72 idiomas e publicado nas primeiras páginas de todos os principais jornais, incluindo os norte-americanos. Em pouco tempo, Yevtushenko recebeu outras 10 mil cartas agora de diferentes partes do mundo. E, é claro, não apenas judeus escreveram cartas de agradecimento, o poema fisgou muita gente. Mas houve muitas ações hostis contra o poeta. A palavra “judeu” foi riscada em seu carro e, pior, ele foi ameaçado e criticado em várias oportunidades.

“Vieram até meu edifício uns universitários enormes, do tamanho de jogadores da basquete. Eles se comprometeram a me proteger voluntariamente, embora não houvesse casos de agressão física. Mas poderia acontecer. Eles passavam a noite nas escadarias do meu prédio. Minha mãe os viu. As pessoas realmente me apoiaram ”, lembrou Yevtushenko.

— E, o milagre mais importante, Dmitri Shostakovich me telefonou. Minha esposa e eu não acreditamos, pensamos que era mais um gênero de intimidação ou que estavam aplicando um trote em nós. Mas Shostakovich apenas me perguntou se eu daria permissão para escrever música sobre meu poema.

Shostakovich e Yevtushenko na primeira apresentação da 13ª Sinfonia de Shostakovich, em cuja primeira parte foi colocada o poema “Babi Yar”

Esta história tem um belo final. Kosolápov aceitou tão dignamente sua demissão que o pessoal do Partido ficou assustado. Eles decidiram que se ele estava tão calmo era porque tinha proteção de alguém muito importante e superior… Depois de algum tempo, ele foi chamado para ser editor-chefe da revista Novy Mir. “E apenas a consciência o protegia”, resumiu Yevtushenko. “Era um Verdadeiro Homem.”

Valéri Kosolápov
A lápide de Valéri Kosolápov

RIP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 13

1) I. Babi Yar: Adagio 15:18
2) II. Humour: Allegretto 7:30
3) III. In the Store: Adagio 11:45
4) IV. Fears: Largo 11:07
5) V. A Career: Allegretto 12:30

Oleg Tsibulko, baixo
Popov Academy of Choral Arts Choir
Kozhevnikov Choir
The Russian National Orchestra
Kirill Karabits

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Shostakovich esta votando? Assim parece, não? | Wikimedia Commons

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 12 de 12 (Sinfs 9 e 15, Scans, Ashkenazy)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 12 de 12 (Sinfs 9 e 15, Scans, Ashkenazy)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Sinfonia Nº 9, Op. 70 (1945)

Desde Schubert, com sua Sinfonia Nº 9 “A Grande”, passando pela Nona de Beethoven e pelas nonas de Bruckner e Mahler, espera-se muito das sinfonias Nº 9. Há até uma maldição que fala que o compositor morre após a nona, o que, casualmente ou não, ocorreu com todos os citados, menos Shostakovitch. Esta sinfonia — por ser a “Nona” — foi muito aguardada e, bem, digamos que não seria Shostakovitch se ele não tivesse feito algo inesperado. Stálin ficou muito decepcionado com ela.

Leonard Bernstein lia esta partitura dando gargalhadas desta piada músical, cujas muitas citações formam um todo no mínimo sarcástico. O compositor declarou que faria uma música que expressaria “a luta contra a barbárie e a grandeza dos combatentes soviéticos”, mas os severos críticos soviéticos, adeptos do realismo socialista, foram mais exatos e apontaram que a obra seria debochada, irônica e de influência stravinskiana. Bingo! Na verdade é uma das composições mais agradáveis que conheço. O material temático pode ser bizarro e bem humorado (primeiro e terceiro movimentos), mas é também terno e melancólico (segundo e largo introdutório do quarto), terminando por explodir numa engraçadíssima coda.

Apesar dos cinco movimentos, é uma sinfonia curta, muito parecida em espírito com a primeira sinfonia “Clássica” de Prokofiev e com a Sinfonia “Renana” de Schumann, também em cinco movimentos.

Deixando de lado a geopolítica soviética e detendo-se na obra, podemos dizer que esta Nona é uma consciente destilação de experiências e, talvez uma reação, muito cuidadosamente considerada, contra as enormidades musicais oriundas da guerra das duas sinfonias anteriores.

Cá entre nós, é puro divertimento.

Sinfonia Nº 15, Op. 141 (1971)

Sem dúvida, a Sinfonia Nº 15 é uma de minhas preferidas no gênero. É difícil estabelecer um conteúdo programático para ela. Trata-se de uma música muito viva, com colorido orquestral atraente, temas facilmente assimiláveis e nada triviais, clímax e pausas meditativas que empolgam e mantém o ouvinte permanentemente atento. E com os contrastes inesperados característicos de Shostakovich. Parece um roteiro de Shakespeare passado à música, trazendo o trágico ao festivo, empurrando a reflexão para junto da zombaria. Bom, já viram que sou um apaixonado desta sinfonia. O primeiro movimento (Allegretto) é uma curiosidade por manter sempre ativo o motivo da cavalgada da abertura Guilherme Tell, de Rossini, e pela participação incessante da percussão. O segundo movimento (Adagio) é circunspecto. Os metais trazem uma melodia sombria, para depois o violoncelo completá-la com um solo dilacerante, a cujas cores será acrescida, mais adiante, a ressonância do contrabaixo. Um novo Alegretto surge repentinamente do Adagio, retomando o clima do primeiro movimento, mas desta vez somos levados pelos solos do fagote, violino, clarinete e flautim. O movimento final, outro adagio, é enigmático. A simbologia está presente com a apresentação de imediato do Prenúncio da Morte, composto por Wagner para a Tetralogia do Anel. O ouvinte wagneriano fica desconcertado ao escutar de imediato esta música conhecida, parece tratar-se de um equívoco, de um erro de partitura. Ao pesado motivo de Wagner são contrapostos temas executados por setores “mais leves” da orquestra, porém, a todo instante, o sinistro aviso retorna e, mais adiante, os metais refletirão muita angústia… A sinfonia esvai-se em delicados sons de percussão, deixando um ponto de interrogação no ar. É desconcertante. O significado do Prenúncio da Morte é óbvio, porém, o que significam a percussão, a orquestração e as melodias jocosas que o cercam? Uma simples experiência sinfônica? Impossível. O desejo de felicidade de alguém cuja vida se encerra? Ou, voltando a Shakespeare, que a vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, que nada significa (*)? Porém, a significação, a intenção exata de uma obra instrumental é tão importante? Ou seria mais inteligente fazer como fez Shostakovich, levando-nos bem próximo ao irrespondível para lá nos abandonar?

(*) Macbeth, William Shakespeare.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 12 de 12 (Sinfs 9 e 15, Scans, Ashkenazy)

Symphony No. 9 In E Flat Major, Op. 70
12-1 Allegro
12-2 Moderato
12-3 Presto
12-4 Largo
12-5 Allegretto

Symphony No.15, Op.141
12-6 Allegretto
12-7 Adagio – Largo – Adagio – Largo
12-8 Allegretto
12-9 Adagio – Allegretto – Adagio – Allegretto

The Royal Philharmonic Orchestra
Vladimir Ashkenazy

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

LINK PARA O LIBRETO DOS CDS DA COLEÇÃO

Duas raras fotos de Shostakovich feliz:
… ambas em jogos de futebol em que vibrava com seu Zenit.

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 11 de 12 (Sinf 14, Ashkenazy)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 11 de 12 (Sinf 14, Ashkenazy)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

A BELÍSSIMA, sublime e literária Sinfonia Nº 14 — espécie de ciclo de canções — foi dedicada a Britten, que a estreou em 1970 na Inglaterra. É a menos casual das dedicatórias. Seu formato e sonoridade é semelhante à Serenata para Tenor, Trompa e Cordas, Op. 31, e à Les Illuminations para tenor e orquestra de cordas, Op. 18, ambas do compositor inglês. Os dois eram amigos pessoais; conheceram-se em Londres em 1960, e Britten, depois disto, fez várias visitas à URSS. Se o formato musical vem de Britten, o espírito da música é inteiramente de Shostakovich, que se utiliza de poemas de Lorca, Brentano, Apollinaire, Küchelbecker e Rilke, sempre sobre o mesmo assunto: a morte. O ciclo, escrito para soprano, baixo, percussão e cordas, não deixa a margem à consolação, é música de tristeza sem esperança. Cada canção tem personalidade própria, indo do sombrio e elegíaco em V Turme Santé, O Delvig, Delvig! e Smert Poeta, ao macabro na sensacional Malagueña, ao amargo em  Na Cheku, ao grotesco em Otvet Zaporozhskikh Kazakov Konstantinopolskomu Sultanu e à evocação dramática de Loreleya. É uma música que trabalha para a poesia, chegando, por vezes, a casar-se com ela sílaba por sílaba para torná-la mais expressiva. Há uma versão da sinfonia no idioma original de cada poema, mas sempre a ouvi em russo. Então, já que não entendo esta língua, tenho que ouvi-la ao mesmo tempo em que leio uma tradução dos poemas. Posso dizer que a sinfonia torna-se apenas triste se estiver desacompanhada da compreensão dos poemas – pecado que cometi por anos! Ela perde sentido se não temos consciência de seu conteúdo autenticamente fúnebre. Além do mais, os poemas são notáveis. Me entusiasmam especialmente a Malagueña, feita sobre poema de Lorca, Samoubiytsa, Na Cheku e a estranha Conclusão (Zaklyucheniye) de Rilke, que é brevíssima, sardônica e — puxa vida — muito, mas muito final.

No próximo e último post da série, colocarei os scans do libreto que acompanha a coleção original.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 11 de 12 (Sinf 14, Ashkenazy)

Symphony No.14, Op.135 / Russian Text
11-1 De Profundis
11-2 Malagueña
11-3 Loreleya
11-4 Samoubiytsa
11-5 Na Cheku
11-6 Madam, Posmotrite!
11-7 V Turme Santé
11-8 Otvet Zaporozhskikh Kazakov Konstantinopolskomu Sultanu
11-9 O Delvig, Delvig!
11-10 Smert Poeta
11-11 Zaklyucheniye

NHK Symphony Orchestra
Vladimir Ashkenazy

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Shostakovich fumando à espera da partida de um trem

PQP

 

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 10 de 12 (Sinf 13 “Babi Yar”, Ashkenazy)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 10 de 12 (Sinf 13 “Babi Yar”, Ashkenazy)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Aqui, uma história fantástica sobre o nascedouro desta obra-prima.

Após o equívoco da Sinfonia Nº 12 – lembrem que até Beethoven escreveu uma medonha Vitória de Wellington, curiosamente estreada na mesma noite da sublime 7ª Sinfonia, mas este é outro assunto… -, Shostakovich inauguraria sua última fase como compositor com a Sinfonia Nº 13, Babi Yar. Iniciava-se aqui a produção de uma notável sequência de obras-primas que só terminaria com sua morte, em 1975. Esta sinfonia tem seus pés firmemente apoiados na história da União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial. É uma sinfonia cantada, quase uma cantata em seu formato, que conta com texto do grande poeta russo Evgeny Evtuchenko (conforme alguns, como a Ed. Brasiliense, porém pode-se encontrar a grafia Ievtuchenko, Yevtuchenko ou Yevtushenko, enfim!).

O que é, afinal, Babi Yar? Babi Yar é o nome de uma pequena localidade situada perto de Kiev, na atual Ucrânia, cuja tradução poderia ser Barranco das Vovós. Ali, em 1941, teve lugar o assassinato de 34 mil judeus pelos nazistas. Eles foram mortos com tiros na cabeça e a participação comprovada de colaboradores ucranianos no massacre permanece até hoje tema de doloroso debate público naquele país. Nos dois anos seguintes, o número de mortos em Babi Yar subiu para 200 mil, em sua maioria judeus. Perto do fim da guerra, os nazistas ordenaram que os corpos fossem desenterrados e queimados, mas não conseguiram destruir todos os indícios. Ievtuchenko criticou a maneira como o governo soviético tratara o local. Ensinava-se que as vítimas tinham sido ucranianas e russas, o que também eram, apesar de se saber que o fato determinante de suas mortes era o de serem judeus. O motivo? Ora, Babi Yar deveria parecer mais uma prova do heroísmo e sofrimento do povo soviético e não de uma fatia dele. E ainda havia a certeza do colaboracionismo russo no massacre. Com razão, o jovem poeta Ievtushenko considerou isso uma hipocrisia e escreveu o poema em homenagem aos judeus mortos. O poema — o qual tem extraordinários méritos literários — foi publicado na revista Literatournaia Gazetta e causou problemas a seu autor e depois, também a Shostakovich, ao qual foram pedidas alterações que nunca foram feitas na sinfonia.

O massacre de Babi Yar é tão lembrado que não serviu apenas a Ievtuchenko e a Shostakovich, tornando-se também tema de filmes e documentários recentes, assim como do romance Babi Yar de Anatoly Kuznetsov. Não é assunto morto, ainda.

O tratamento que Shostakovich dá ao poema é fortemente catalisador. Como se fosse uma cantata em cinco movimentos, os versos de Ievtuchenko são levados por um baixo solista, acompanhado de coral masculino (formado apenas por baixos) e orquestra. É música de impressionante gravidade e luto. A belíssima linha melódica ora assemelha-se a um serviço religioso, ora a um dos grandes modelos de Shostakovich, Mussorgski. Mesmo assim, fiel a seu estilo, Shostakovich encontra espaço para seu habitual sarcasmo.

Tranquila crueldade: soldados alemães examinam as roupas dos mortos em Babi Yar.

Babi Yar é como ficou conhecida a sinfonia para coro masculino, baixo e orquestra.  A partir do texto de dura indignação de Ievgueni Evtuchenko e apesar dos problemas que ele geraria na União Soviética pós-stalinista, Shostakovich construiu um painel de extraordinária força em torno de mazelas típicas de seu tempo: o medo e a opressão, o conformismo e o carreirismo, o massacre cotidiano num Estado policial e a possibilidade de superação através do humor e da intransigência.

Em linguagem quase descritiva, combinando a severidade da orquestra com a impostação épica das vozes, Babi Yar tem um poder de evocação cinematográfico: raramente se ouviu música tão plástica. O realismo e a imagens dos poemas são admiravelmente apoiados pelo estilo alternadamente sombrio e agressivo da música de Shostakovich. Não obstante o grande efetivo orquestral e a tensão dos clímax, as texturas são rarefeitas e o coro, declamando ou murmurando, canta quase sempre em uníssono ou em oitavas — mais um elemento dessa estrutura preparada para expressar a desolação e o nervosismo.

O primeiro movimento alterna estrofes que exploram o horror e a culpa de Babi Yar com relatos de dois outros episódios — o de Anne Frank e o de um menino massacrado em Bielostok. No segundo movimento, ritmado de forma tipicamente shostakovichiana, o tom enfático das vozes falam da resistência que o “Humor” jamais deixará de oferecer à tirania. “Na loja”, o Adagio que se segue, descreve quase fisicamente as filas das humilhadas donas-de-casa numa linha sinuosa à espera de um pouco de comida. Quando chegam ao balcão, o poema diz: “Elas nos honram e nos julgam”, enquanto percussão e castanholas simulam panelas e garrafas se entrechocando. É em clima que estupefação que o movimento se encerra: “Nada está fora de seu alcance”.

A linha sinuosa torna-se reta ao prosseguir sem interrupção para o episódio seguinte, um ameaçador ‘sostenuto’ das cordas graves sob solo da tuba: é o “Medo”, componente constante da vida soviética. Contrapondo-se às sombras que até aqui dominam a sinfonia, Shostakovich a conclui com uma satírica reflexão sobre o que é seguir uma “Carreira”. Em ritmo de valsa lenta, ficamos sabendo que a verdadeira carreira não é a dos que se submetem, mas a de Galileu, Shakespeare ou Pasteur, Newton ou Tolstói: “Seguirei minha carreira de tal forma que não a esteja seguindo”, conclui o baixo, com o eco do sino que abrira pesadamente a sinfonia, agora aliviado pela celesta.

Shostakovich (esquerda), com o poeta Evgeni Ievtuchenko (direita)e o regente Kiril Kondrashin na estréia da 13ª Sinfonia.

A história da primeira execução de Babi Yar foi terrível. Houve protestos e ameaças por parte das autoridades soviéticas. Se até 1962, Shostakovich dava preferência a estrear suas obras sinfônicas com Evgeny Mravinsky (1903-1988), Babi Yar causou um surdo rompimento na parceria entre ambos. O lendário regente da Sinfônica de Leningrado amedrontou-se (teve razões para tanto) e desistiu da obra pouco antes de começarem os ensaios. Porém, como na União Soviética e a Rússia os talentos brotam por todo lado, Mravinsky foi substituído por Kiril Kondrashin (1914-1981) que teve uma performance inacreditável e cujo registro em disco é das coisas mais espetaculares que se possa ouvir.

P.S.- Por uma dessas coisas inexplicáveis, encontrei o disco soviético com o registro da estreia num sebo de Porto Alegre em 1975. Comprei, claro.

Obs.: A descrição da música foi adaptada de um texto que Clovis Marques escreveu para um concerto no Municipal do Rio de Janeiro.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 10 de 12 (Sinf 13 “Babi Yar”, Ashkenazy)

Symphony No.13, Op.113″Babi Yar”
10-1 Adagio – “Babi Yar”
10-2 Allegretto – “Humour”
10-3 Adagio – “In The Store”
10-4 Largo – “Fears”
10-5 Allegretto – “A Career”

NHK Symphony Orchestra
Vladimir Ashkenazy

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Yevtushenko e Shostakovich no dia da estreia da Sinfonia Babi Yar

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 9 de 12 (Sinf 11 “O Ano de 1905”, Ashkenazy)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 9 de 12 (Sinf 11 “O Ano de 1905”, Ashkenazy)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

A Sinfonia Nº 11 de Shostakovich é música programática da melhor qualidade. No primeiro movimento é mostrada a caminhada dos trabalhadores até o Palácio de Inverno do czar. É uma música tranquila, mas com ameaçadoras percussões e toques de clarins. O segundo é o massacre propriamente dito. O terceiro é o luto. Este movimento é baseado numa canção que Lênin e companheiros cantaram em Zurique ao saber da mortandade. O quarto movimento é o aviso claro de quem seria o vencedor. Mas cabem explicações, não?

No domingo de 9 de janeiro de 1905, após a missa, na cidade de São Petersburgo, manifestantes marcharam pacificamente até o Palácio de Inverno para apresentar uma petição ao czar, mas foram recebidos com tiros e baleados pela Guarda Imperial. A marcha foi organizada pelo padre George Gapon, que colaborou com Sergei Zubatov, da Okhrana, a polícia secreta czarista, para destruir organizações de trabalhadores. Os grupos envolvidos nesse conflito foram a população em geral, partidos políticos e os movimentos revolucionários, que tiveram enorme crescimento após esse domingo sangrento. O fato é considerado o estopim da Revolução Russa de 1905.

Então, naquele domingo, trabalhadores em greve e suas famílias se reuniram em seis pontos da cidade. Eles eram organizados e liderados pelo padre ortodoxo russo George Gapon. Segurando ícones religiosos e cantando hinos e canções patrióticas (particularmente Deus Salve o Czar), uma multidão de mais de três mil pessoas prosseguiu sem interferência da polícia em direção ao Palácio de Inverno, residência oficial do czar. A multidão não sabia que o czar não estava no palácio. Os soldados do exército perto do palácio lançaram tiros de advertência e, em seguida, dispararam diretamente contra a multidão. Gapon foi alvo de tiros perto do Arco do Triunfo de Narva. Cerca de quarenta pessoas ao redor dele foram mortas, no entanto, ele não ficou ferido. Embora o czar não estivesse no Palácio de Inverno ou mesmo na cidade e não tivesse dado a ordem para as tropas abrirem fogo, recebeu toda a culpa pelas mortes, resultando em uma onda de oposição e amargura do povo russo contra o czar e seu regime autocrático.

O número de mortos é incerto, mas as autoridades da época assumiram 930 mortos e 333 feridos. Fontes anti-czaristas afirmaram que os tiros mataram mais de quatro mil pessoas. Estimativas moderadas estipulam uma média de cerca de mil mortos e feridos, tanto pelos tiros quanto pisoteados pela população durante o pânico. Há relatos que no dia até a neve ficou vermelha. O czar Nicolau II descreveu o dia como “doloroso e triste”. Após o incidente, a desordem civil e os saques explodiram por toda a cidade. A marcha de Gapon foi aniquilada e ele rapidamente deixou a Rússia. Ao voltar para a Rússia em abril, Gapon foi assassinado por ordem da Organização de Combate do Partido Social-Revolucionário após ter revelado ao seu amigo Pinhas Rutenberg que estava trabalhando para a Okhrana, a polícia secreta.

Este evento foi classificado pelo embaixador britânico na época como um paradoxal impulso para as atividades revolucionárias na Rússia e contribuiu para a Revolução de 1905. O escritor Leo Tolstoy também escreveu sobre os assassinatos.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 9 de 12 (Sinf 11 “O Ano de 1905”, Ashkenazy)

Symphony No. 11 In G Minor, Op. 103 “A Ano de 1905”

1 I Palace Square: Adagio 14:34
2 II 9 January: Allegro 17:44
3 III In Memoriam: Adagio 9:41
4 IV Tocsin: Allegro Non Troppo 13:24

St Petersburg Philharmonic Orchestra
Vladimir Ashkenazy

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Shosta comentando o jornal com sua filha

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 8 de 12 (Sinf de Câmara Op. 110a, Sinf 10, Ashkenazy)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 8 de 12 (Sinf de Câmara Op. 110a, Sinf 10, Ashkenazy)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Sobre a Sinfonia de Câmara: Na minha opinião, o melhor quarteto de cordas de Shostakovich. Não surpreende que tenha recebido versões orquestrais. Trata-se de uma obra bastante longa para os padrões shostakovichianos de quarteto; tem cinco movimentos, com a duração total ficando entre os 20 minutos (na versão para quarteto de cordas) e 26 (na versão orquestral). O quarteto abre com um comovente Largo de intenso lirismo, o qual é seguido por um agitado Allegro molto, de inspiração folclórica e que fica muito mais seco na versão para quarteto. O terceiro movimento (Allegretto) é uma surpreendente valsinha sinistra a qual é respondida por outra valsa, muito mais lenta e com um acompanhamento curiosamente desmaiado. O quarteto é finalizado por dois belos temas ; o primeiro sendo pontuado por agressivamente por um motivo curto de três notas e o segundo formado por mais uma fuga a quatro vozes utilizando temas dos movimentos anteriores.

Sobre a Sinfonia Nº 10: Este monumento da arte contemporânea mistura música absoluta, intensidade trágica, humor, ódio mortal, tranquilidade bucólica e paródia. Tem, ademais, uma história bastante particular. Em março de 1953, quando da morte de Stalin, Shostakovich estava proibido de estrear novas obras e a execução das já publicadas estava sob censura, necessitando autorizações especiais para serem apresentadas. Tais autorizações eram, normalmente, negadas. Foi o período em que Shostakovich dedicou-se à música de câmara e a maior prova disto é a distância de oito anos que separa a nona sinfonia desta décima. Esta sinfonia, provavelmente escrita durante o período de censura, além de seus méritos musicais indiscutíveis, é considerada uma vingança contra Stálin. Primeiramente, ela parece inteiramente desligada de quaisquer dogmas estabelecidos pelo realismo socialista da época. Para afastar-se ainda mais, seu segundo movimento – um estranho no ninho, em completo contraste com o restante da obra – contém exatamente as ousadias sinfônicas que deixaram Shostakovich mal com o regime stalinista. Não são poucos os comentaristas consideram ser este movimento uma descrição musical de Stálin: breve, é absolutamente violento e brutal, enfurecido mesmo, e sua oposição ao restante da obra faz-nos pensar em alguma segunda intenção do compositor. Para completar o estranhamento, o movimento seguinte é pastoral e tranquilo, contendo o maior enigma musical do mestre: a orquestra para, dando espaço para a trompa executar o famoso tema baseado nas notas DSCH (ré, mi bemol, dó e si, em notação alemã) que é assinatura musical de Dmitri SCHostakovich, em grafia alemã. Para identificá-la, ouça o tema executado a capela pela trompa. Ele é repetido quatro vezes. Ouvindo a sinfonia, chega-nos sempre a certeza de que Shostakovich está dizendo insistentemente: Stalin está morto, Shostakovich, não. O mais notável da décima é o tratamento magistral em torno de temas que se transfiguram constantemente. E PQP Bach adverte: não ouça o segundo movimento previamente irritado. Você e sua companhia poderão se machucar.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 8 de 12 (Sinf de Câmara Op. 110a, Sinf 10, Ashkenazy)

Chamber Symphony, Op.110a
8-1 Largo
8-2 Allegro Molto
8-3 Allegretto
8-4 Largo
8-5 Largo

Symphony No.10 In E Minor, Op.93
8-6 Moderato
8-7 Allegro
8-8 Allegretto
8-9 Andante – Allegro

Royal Philharmonic Orchestra
Vladimir Ashkenazy

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Shostakovich e Irina em um passeio aprazível da mais pura felicidade

PQP

 

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 7 de 12 (Sinf 8, Funeral & Triumphal Prelude, Novorossiisk Chimes, Ashkenazy)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 7 de 12 (Sinf 8, Funeral & Triumphal Prelude, Novorossiisk Chimes, Ashkenazy)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Música (de Anna Akhmátova)

Dedicado a Dmitri Shostakovich

Algo de miraculoso arde nela,
e fronteiras ela molda aos nossos olhos.
É a única que continua a me falar,
depois que todos os outros ficaram com medo de se aproximar.
Depois que o último amigo tiver desviado o olhar,
ela ainda estará comigo no meu túmulo,
como se fosse o canto do primeiro trovão,
ou como se todas as flores tivessem começado a falar.

A Sinfonia Nº 8, Op. 65, de Dmitri Shostakovich, foi escrita no verão de 1943 e apresentada pela primeira vez em 4 de novembro daquele ano pela Orquestra Sinfônica da URSS sob Yevgeny Mravinsky , a quem o trabalho é dedicado. Foi nomeada “Sinfonia de Stalingrado”, mas este nome não pegou. Inexplicavelmente, a sinfonia não aparece nos programas de concerto com muita frequência, pois é uma das melhores partituras de Shosta. Embora alguns tenham argumentado que o trabalho se enquadra na tradição de outras sinfonias de “tragédia-triunfo”, como a 5ª de Beethoven, a 1ª de Brahms , a 8ª Bruckner e a 2ª de Mahler, há consideráveis diferenças. O nível de otimismo presente no final é quase ausente, sendo substituído pelo sarcasmo ou bom humor. O amigo de Shostakovich, Isaak Glikman, chamou essa sinfonia de “sua obra mais trágica”… O trabalho, como muitas de suas sinfonias, quebra algumas das convenções padrão de forma e estrutura sinfônicas. Shostakovich faz referência clara a temas, ritmos e harmonias de suas sinfonias anteriores, principalmente a Sinfonia Nº 5 e a Sinfonia Nº 7. Gosto muito da beleza austera do quarto movimento, uma verdadeira obra-prima em 12 variações – uma passacaglia – e também dos dois primeiros, com destaque para o divertido diálogo entre o piccolo, o clarinete e o fagote do scherzo. E o terceiro movimento é sensacional, muito russo e “mexido”. O finale é o primeiro que Shostakovich faz de forma sussurrante. Uma joia!

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 7 de 12 (Sinf 8, Funeral & Triumphal Prelude, Novorossiisk Chimes, Ashkenazy)

7-1 Funeral & Triumphal Prelude, Op.130 (In Memory Of The Heroes Of The Battle Of Stalingrad)

Symphony No.8 In C Minor, Op.65
7-2 Adagio
7-3 Allegretto
7-4 Allegro Non Troppo
7-5 Largo
7-6 Allegretto

7-7 Novorossiisk Chimes

Royal Philharmonic Orchestra
Vladimir Ashkenazy

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Shostakovich foi um grande admirador do futebol de Paulo Roberto Falcão

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 6 de 12 (Sinf 7, Ashkenazy)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 6 de 12 (Sinf 7, Ashkenazy)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

De história riquíssima, a Sinfonia Nº 7 – dedicada à resistência da cidade de Leningrado cercada pelos nazistas – deve parte de sua celebridade a uma transmissão de rádio feita desde Leningrado para a cidade devastada e sitiada. Aliás, ouçam o pequeno discurso da primeira faixa deste CD. É a gravação original da locução de apresentação da estreia da 7ª no rádio, feita em 9 de agosto de 1942. A sinfonia auxiliou as autoridades soviéticas a elevar o moral em Leningrado durante o cerco nazista e no país. Várias outras performances foram programadas com intenções patrióticas na União Soviética e na Europa. É música de primeira linha, mas é muito mais eficiente como musica programática de conteúdo histórico. O primeiro movimento, que descreve a marcha nazista, é esplêndido. Também é importante salientar o equívoco do grande público que vê resistência e patriotismo numa obra sobre a devastação e a morte. Mas, como diria Lênin, o que fazer?

Mais? Mais! Imaginem uma cidade cercada por alemães há 18 meses, uma orquestra improvisada vestida com suéteres e jaquetas de couro, todos magérrimos pela fome, a rádio transmitindo o concerto, várias cidades soviéticas estreando a obra ao mesmo tempo, Arturo Toscanini — anti-fascista de cabo a rabo — pedindo a partitura nos Estados Unidos (ela foi levada de avião até Teerã, de carro ao Cairo, de avião à Londres, de onde um outro avião da RAF levou a música ao maestro), Shostakovich na capa da Time. Ou seja, a 7ª é importante. Nos EUA, em poucos meses, foi interpretada por Kussevítski, Stokovski, Rodzinski, Mitropoulos, Ormandy, Monteaux, etc. Um espanto.

Numa das maiores homenagens recebidas por uma obra musical, Anna Akhmátova escreveu o seguinte poema ao ser posta à salvo das bombas alemãs pelas autoridades soviéticas:

Todos vocês teriam gostado de me admirar quando,
no ventre do peixe voador,
escapei da perseguição do mal e,
sobre as florestas cheias de inimigos,
voei como se possuída pelo demônio,
como aquela outra que,
no meio da noite,
voou para Brocken.
E atrás de mim,
brilhando com seu segredo,
vinha a que chama a si mesma de Sétima,
correndo para um festim sem precedentes.
Assumindo a forma de um caderno cheio de notas,
ela estava voltando para o éter onde nascera.

Pois é. Mas falemos a sério: não é a maior sinfonia de Shosta, só que é a famosésima.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 6 de 12 (Sinf 7, Ashkenazy)

6-1 Shostakovich Broadcasts From Besieged Leningrad In 1941

Symphony No.7, Op.60 – “Leningrad”
6-2 Allegretto
6-3 Moderato (Poco Allegretto)
6-4 Adagio
6-5 Allegro Non Troppo

St Petersburg Philharmonic Orchestra
Vladimir Ashkenazy

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Shostakovich: bombeiro durante a guerra

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 5 de 12 (Sinf 5, 5 Fragmentos, Ashkenazy)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 5 de 12 (Sinf 5, 5 Fragmentos, Ashkenazy)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Esta é a obra mais popular de Dmitri Shostakovich. Recebeu incontáveis gravações e não é para menos. O público costuma torcer o nariz para obras mais modernas e aqui o compositor retorna no tempo para compor uma grande sinfonia ao estilo do século XIX. Sim, é em ré menor e possui quatro movimentos, tendo bem no meio, um scherzo composto por um Haydn mais parrudo. Mesmo para os aficcionados, é uma obra apetitosa, por transformar a linguagem do compositor em algo mais sonhador do que o habitual. Foi a primeira sinfonia de Shostakovich que ouvi. Meu pai, um romântico, apresentou-me a sinfonia dizendo que era muito melhor que as de Prokofiev, exceção feita à Nº 1, Clássica, que ele amava. Alguns consideram esta obra uma grande paródia; eu a vejo como uma homenagem ao glorioso passado sinfônico do século anterior. A abertura e a coda do último movimento (Allegro non troppo) costuma aparecer, com boa frequência, em programas de rádio que se querem sérios e influentes… Apesar de não ser típica, é absoluta e totalmente a sintaxe, o discurso e o sotaque do compositor. É a música ideal para o primeiro contato com Shostakovich.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 5 de 12 (Sinf 5, Ashkenazy)

Symphony No.5 In D Minor, Op.47
5-1 Moderato
5-2 Allegretto
5-3 Largo
5-4 Allegro Non Troppo

Five Fragments, Op.42
5-5 Moderato
5-6 Andante
5-7 Largo
5-8 Moderato
5-9 Allegretto

Royal Philharmonic Orchestra
Vladimir Ashkenazy

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Shostakovich e um porquinho, vocês estão vendo

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 4 de 12 (Sinf 4, Ashkenazy)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 4 de 12 (Sinf 4, Ashkenazy)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Escrita em 1936, esta é uma sinfonia decididamente mahleriana. Shostakovich estudara Mahler por vários anos e aqui estão ecos monumentais destes estudos. Sim, monumentais. Uma orquestra imensa, uma música com grandes contrastes e um tratamento de câmara em muitos episódios rarefeitos: Mahler. O maior mérito desta sinfonia é seu poderoso primeiro movimento, que é transformação constante de dois temas principais em que o compositor austríaco é trazido para as marchas de outubro, porém, minhas preferências vão para o também mahleriano scherzo central e para o esplêndido último movimento. Ali, Shostakovich realiza uma curiosa mistura entre o tema introdutório da quinta sinfonia de Beethoven e o desenvolve como se fosse a sinfonia “Ressurreição”, Nº 2, de Mahler. Uma alegria para quem gosta de apontar estes diálogos. E o quarto movimento, que começa como o Frère Jacques do 3º movimento da Sinfonia Nº 1 de Mahler? O final é um “sanduíche”. O bizarro tema ritmado central é envolvido por dois scherzi algo agressivos e ainda por uma música de réquiem. As explicações são muitas e aqui o referencial político parece ser mesmo o mais correto para quem, como Shostakovich, considerava que a URSS viera das mortes da revolução de outubro e estava se dirigindo para as mortes da próxima guerra.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 4 de 12 (Sinf 4, Ashkenazy)

4-1 Allegretto Poco Moderato
4-2 Presto
4-3 Moderato Con Moto
4-4 Largo
4-5 Allegro

Royal Philharmonic Orchestra
Vladimir Ashkenazy

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Como todo ser humano inteligente, Shostakovich amava o futebol. Era torcedor do Zenit, de Leningrado, atual São Petersburgo

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 3 de 12 (Sinfs 12 e 3, Ashkenazy)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 3 de 12 (Sinfs 12 e 3, Ashkenazy)

Na minha opinião, a Sinfonia Nº 12 é das piores peças orquestrais de Shostakovich. Consegue ser ao mesmo tempo heroica e musicalmente vazia. E o incrível é que está inserida entre outras duas sinfonias que são obras-primas e também muito políticas.

Dmitri Shostakovich compôs a Sinfonia Nº 12, Op. 112, com o subtítulo O ano de 1917, em 1961, dedicando-o à memória de Vladimir Lênin, como fez com a Sinfonia Nº 2. A 12ª foi estreada pela Orquestra Filarmônica de Leningrado sob a regência de Yevgeny Mravinsky. Esta foi a última sinfonia de Shostakovich que Mravinsky estreou. Os dois romperam quando Mravinsky, amedrontado com o maravilhoso texto de Ievtuchenko e por pressões, recusou-se a estrear a 13ª.

A Sinfonia Nº 3. Op. 20, também conhecida como Ao Primeiro de Maio foi tocada pela primeira vez pela Orquestra Filarmônica de São Petersburgo e pelo Coro Académico Capella, sob a regência de Aleksandr Gauk, em 21 de janeiro de 1930. Tal como a Sinfonia Nº 2, é uma sinfonia coral em quatro movimentos contínuos. Como a 2ª, a 3ª é pequena, durando de 25 a 30 minutos. O final apresenta um texto de Kirsanov relacionado ao Dia do Trabalhador e à Revolução. A interpretação é problemática: numa carta a Boleslav Yavorsky, Shostakovich disse que a obra “expressa o espírito da reconstrução pacífica”. Por outro lado, a maior parte do trabalho que precede o final é elaborado num tom sombrio e incluía originalmente uma parte para metralhadora.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 3 de 12 (Sinfs 12 e 3, Ashkenazy)

Symphony No.12 In D Minor, Op.112 “The Year 1917”
3-1 Revolutionary Petrograd (Moderato – Allegro – Più Mosso – Allegro)
3-2 Razliv (Allegro. L’istesso Tempo – Adagio)
3-3 Aurora (L’istesso Tempo – Allegro)
3-4 Dawn Of Humanity (L’istesso Tempo – Allegretto – Allegro – Moderato)

Symphony No.3, Op.20 – “1st Of May”
3-5 Allegretto – Allegro
3-6 Andante
3-7 Allegro – Largo
3-8 Moderato: V Pervoye Pervoye Maya

The Bach Choir
Royal Philharmonic Orchestra
Vladimir Ashkenazy

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Shostakovich jamais conseguiu acertar os ponteiros com os políticos

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 2 de 12 (Sinf 2, Outubro, A Canção da Floresta, Abertura Festiva, Ashkenazy)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 2 de 12 (Sinf 2, Outubro, A Canção da Floresta, Abertura Festiva, Ashkenazy)

Shostakovich jamais deu seu melhor para as músicas heroicas e de circunstância que o regine solicitava. Atualmente, a peça mais interpretada deste disco é a boa Abertura Festiva que dá início a este CD. As outras são interessantes, apesar de serem muito menores do que aquilo que o compositor escrevia com tesão, por assim dizer. A Sinfonia Nª 2 é apenas passável. Melhor é A Canção da Floresta, que tem bons momentos. Mas, como o foco aqui são as sinfonias, vamos lá.

A Sinfonia Nº. 2, Op. 14, é também conhecida como Para Outubro, e foi escrita para comemorar o décimo aniversário da Revolução de Outubro. Sua primeira performance ocorreu com a Orquestra Filarmônica de Leningrado e o Coral Capella da Academia, sob Nikolai Malko, no dia 5 de novembro de 1927. Shostakovich revisitou posteriormente os eventos da Revolução de Outubro na igualmente desinteressante Sinfonia Nº 12, chamada de O Ano de 1917.

Importante salientar que Shostakovich, em seus anos jovens, provavelmente era um sincero comunista que foi pouco a pouco se decepcionando, se irritando e usando de sarcasmo para com as exigências e a violência de Stálin e de quem veio depois. Porém, depois do sarcasmo e de certa forma peitar o regime, Shosta foi obrigado a dobrar-se e deprimiu-se muito. Sofreu demais, principalmente sob Stálin e após o episódio com Stravinski, que o perdoou. Sofreu demais, de certa forma cansou e é uma pessoa quase ininterpretável hoje. Apesar dos chutes dos biógrafos, ninguém sabe bem qual era o pensamento político de Shostakovich. Já o músico foi brilhante, muito produtivo, alegre, sarcástico e doloridíssimo, muitas vezes tudo ao mesmo tempo.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 2 de 12 (Ashkenazy)

2-1 Festive Overture, Op.96

2-2 October – Symphonic Poem, Op.131

2-3 Symphony No.2 In B Major, Op.14 – “To October”

Song Of The Forests – Oratorio, Op.81
2-4 When The War Was Over
2-5 The Call Rings Through The Land
2-6 Memory Of The Past
2-7 The Pioneers Plant The Forest
2-8 The Young Communists Forge Onwards
2-9 Walk Into The Future
2-10 Glory

Royal Philharmonic Orchestra
Vladimir Ashkenazy

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

A animação de Shostakovich e Britten nesta foto é contagiante.

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 1 de 12 (Sinfs 1 e 6, Ashkenazy)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 1 de 12 (Sinfs 1 e 6, Ashkenazy)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Sinfonia Nº 1, Op. 10 (1924-1925)

Shostakovich começou a escrever esta sinfonia quando tinha dezessete anos. Antes disso, tinha composto alguns scherzi que só interessaram à musicólogos. Sua estreia foi mesmo com esta Nº 1, terminada antes do autor completar vinte anos. Ela tornou aquele estudante de música, mais conhecido por ser pianista-improvisador de três cinemas mudos de Petrogrado, internacionalmente célebre. Tal fama pode ser atribuída por Shostakovich ser o primeiro rebento musical do comunismo, mas ouvindo a sinfonia hoje, não nos decepcionamos de modo algum. É música de um futuro mestre.

Ela começa com um toque de trompete ao qual, se acrescentarmos um crescendo, tornar-se-á um tema de Petrouchka, de Igor Stravinsky. Alguns regentes russos fazem esta introdução exatamente igual à Petroushka. É algo curioso que o jovem Dmitri tenha feito esta homenagem, quando dizia que seus modelos — e isto foi comprovadíssimo logo adiante — eram Mahler, Bach, Beethoven e Mussorgski. Mas há mesmo algo de “boneca triste” no primeiro movimento desta sinfonia. O segundo movimento possui um curioso tema árabe, que é a primeira grande paródia encontrada em sua obra. Um achado.

O movimento lento, muito triste, é daqueles que os anticomunistas mais truculentos considerariam uma comprovação do sofrimento do compositor sob o comunismo e de uma postura fatalista do tipo isto-não-vai-dar-nada-certo, porém acreditamos que a morte de seu pai, ocorrida alguns meses antes e a internação de Dmitri num sanatório da Crimeia (ele contraíra tuberculose) tenha mais a ver. Há um belíssimo solo funéreo de oboé nele.

Sinfonia Nº 6, Op. 54 (1939)

Uma perfeição esta sinfonia cujo dramático, concentrado e lírico primeiro movimento (um enorme Largo) é seguido por dois allegros, sendo o último pra lá de burlesco e circense (Presto). A estrutura estranha e inexplicável tem o efeito, ao menos em mim, de uma compulsão por ouvi-la e reouvi-la. Acho que volto sempre a ela com a finalidade de conferir se o primeiro movimento é mesmo tão perfeito e profundo e para buscar uma explicação para a galinhagem final — isto aqui não é uma tese acadêmica, daí a palavra “galinhagem” ser permitida… Nossa sorte é que existe aquele segundo Allegro central para tornar a passagem menos chocante. Esta belíssima obra talvez faça a alegria de qualquer maníaco-depressivo. É uma trilha sonora perfeita para quem sai das trevas para um humor primaveril em trinta minutos — ou menos. Começa estática e intelectual para terminar num circo. Simplesmente amo esta música! É um pacote completo de desespero, sorrisos e gargalhadas.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 1 de 12 (Ashkenazy)

Symphony No.1, Op.10
1-1 Allegretto – Allegro Non Troppo
1-2 Allegro
1-3 Lento
1-4 Lento – Allegro Molto

Symphony No.6 In B Minor, Op.54
1-5 Largo
1-6 Allegro
1-7 Presto

Royal Philharmonic Orchestra
Vladimir Ashkenazy

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Shostakovich jogando xadrez na sede de lazer do PQP Bach Corp. em Petrogrado

PQP

Martha Argerich & Friends – Live from Lugano Festival – 2008

Fiz uma pausa nas postagens dessa série da nossa amada Martha Argerich em seu Festival de Lugano para dar lugar às comemorações dos 210 anos de nascimento de Robert Schumann. Hoje trago mais um volume, mais três CDs que mostram todo talento e versatilidade desta excepcional artista.

Não preciso dizer o quanto Martha ama Schumann, tanto que temos aqui no primeiro CD a belíssima Sonata nº 2 para Violino e Piano, acompanhando o violinista Renaud Capuçon. Outro momento a destacar é sua parceria com o ex marido pianista Stephen Kovacevich, tocando uma peça de Mozart.

Mas o mais belo, lírico e pungente é o terceiro CD, onde abre tocando seu conterrâneo Piazzolla, em versões matadoras para dois pianos, claro que ele não poderia faltar, assim como Ravel. Martha distribui o repertório desta série entre seus convidados, alguns conhecidos, outros desconhecidos, dando chance e permitindo que sejam conhecidos.

A relação dos músicos envolvidos está no booklet em anexo.

Vamos ao que viemos?

CD 1
01. Variations (5) on an original theme for piano, 4 hands in G major, K. 501
02. Sonata for violin & piano No. 2 in D minor, Op. 121- 1. Ziemlich langsam – Le
03. Sonata for violin & piano No. 2 in D minor, Op. 121- 2. Sehr lebhaft
04. Sonata for violin & piano No. 2 in D minor, Op. 121- 3. Leise, einfach
05. Sonata for violin & piano No. 2 in D minor, Op. 121- 4. Bewegt
06. Piano Quintet in D major, Op. 51- 1. Allegro moderato
07. Piano Quintet in D major, Op. 51- 2. Andante con variazioni
08. Piano Quintet in D major, Op. 51- 3. Scherzo- Allegro vivace
09. Piano Quintet in D major, Op. 51- 4. Allegro moderato
10. Scherzo for 2 pianos, Op. 87

CD 2
01. Piano Trio No. 1 in C minor, Op. 8
02. Suite No. 1 (-Fantaisie-tableaux-) for 2 pianos in G minor, Op. 5- 1. Barcarolle
03. Suite No. 1 (-Fantaisie-tableaux-) for 2 pianos in G minor, Op. 5- 2. La Nuit
04. Suite No. 1 (-Fantaisie-tableaux-) for 2 pianos in G minor, Op. 5- 3. Les Larmes
05. Suite No. 1 (-Fantaisie-tableaux-) for 2 pianos in G minor, Op. 5- 4. Pâques
06. Concertino for piano, 2 violins, viola, clarinet, horn & bassoon, JW 7-11- 1
07. Concertino for piano, 2 violins, viola, clarinet, horn & bassoon, JW 7-11- 2
08. Concertino for piano, 2 violins, viola, clarinet, horn & bassoon, JW 7-11- 3
09. Concertino for piano, 2 violins, viola, clarinet, horn & bassoon, JW 7-11- 4
10. Slavonic Dance No. 1 for piano, 4 hands in C major, B. 78-1 (Op. 46-1)
11. Slavonic Dance No. 12 for piano, 4 hands in D flat major, B. 145-4 (Op. 72-4)
12. Slavonic Dance No. 7 for piano, 4 hands in C minor, B. 78-7 (Op. 46-7)
13. Slavonic Dance No. 10 for piano, 4 hands in E minor, B. 145-2 (Op. 72-2)

CD 3

01. Tres minutos con la realidad, tango
02. Oblivion, tango
03. Libertango, tango
04. Introduction & Allegro for harp, flute, clarinet & string quartet
05. Cuatro estaciónes porteñas (The Four Seasons), tango cycle- 1. Verano porteño
06. Cuatro estaciónes porteñas (The Four Seasons), tango cycle- 2. Otoño porteño
07. Cuatro estaciónes porteñas (The Four Seasons), tango cycle- 3. Invierno porteño
08. Cuatro estaciónes porteñas (The Four Seasons), tango cycle- 4. Primavera porteña
09. Fantasia elvetica (-Swiss Fantasy-), for 2 pianos & orchestra- 1. Maestoso
10. Fantasia elvetica (-Swiss Fantasy-), for 2 pianos & orchestra- 2. Tranquillo
11. Fantasia elvetica (-Swiss Fantasy-), for 2 pianos & orchestra- 3. Tempo di marcia – Andante
12. Fantasia elvetica (-Swiss Fantasy-), for 2 pianos & orchestra- 4. Tempo di polka – Piú vivo – Allegro

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
BOOKLET – BAIXE AQUI

Martha Argerich & Friends – Live from Lugano Festival

610QJHueDfL._SS280

Comecei a postar esta coleção lá em 2016, mas acabei parando. Não tenho muita certeza de que tenho todos os cds desta série, mas trarei o que tenho. Começo então renovando os links que trouxe naquela época. 

Esta coleção de gravações de Martha Argerich é sensacional, e virou meio que uma tradição. A EMI lançou durante aproximadamente dez anos um conjunto de três Cds de cada vez, que trazia as principais performances dos mais diversos músicos em um festival em uma cidadezinha suiça chamada Lugano.

Nestes três cds temos performances realizadas entre os anos de 2002 e 2004. Em minha modesta opinião, o melhor momento é a transcrição para dois pianos da Sinfonia Clássica de Prokofiev. Martha e Yefim Bronfman dão um show de versatilidade, talento e virtuosismo, mas o que mais poderiamos esperar destes dois?

Temos Maxim Vengerov, os irmãos Capuçon, Lilya Zilberstein, entre outros nomes não tão conhecidos.

Então vamos ao que viemos.

Martha Argerich & Friends – Live from Lugano Festival

CD 1
Prokofiev:
01. Symphony No. 1 in D major (‘Classical’), Op. 25 I. Allegro
02. Symphony No. 1 in D major (‘Classical’), Op. 25 II. Larghetto
03. Symphony No. 1 in D major (‘Classical’), Op. 25 III. Gavotte Non troppo all
04. Symphony No. 1 in D major (‘Classical’), Op. 25 IV. Finale Molto vivace

Martha Argerich & Yefim Bronfman – Pianos

Tchaikovsky:
05. Nutcracker, suite from the ballet, Op. 71a I. Ouverture miniature
06. Nutcracker, suite from the ballet, Op. 71a II. Danses caractéristiques. Marcia viva
07. Nutcracker, suite from the ballet, Op. 71a II. Danses caractéristiques. Danse de la fée dragée – Andante non tropo
08. Nutcracker, suite from the ballet, Op. 71a II. Danses caractéristiques. Danse russe: trépak
09. Nutcracker, suite from the ballet, Op. 71a II. Danses caractéristiques. Danse arabe: Allegretto
10. Nutcracker, suite from the ballet, Op. 71a II. Danses caractéristiques. Danse chinoise: Allegro Moderato
11. Nutcracker, suite from the ballet, Op. 71a II. Danses caractéristiques. Dans de mirlitons: Moderato assai
12. Nutcracker, suite from the ballet, Op. 71a III. Valse des fleurs

Martha Argerich & Mirabela Dina – Pianos

Shostakovich:
13. Piano Trio No. 2 in E minor, Op. 67 I. Andante – Moderato
14. Piano Trio No. 2 in E minor, Op. 67 II. Allegro non troppo
15. Piano Trio No. 2 in E minor, Op. 67 III. Largo
16. Piano Trio No. 2 in E minor, Op. 67 IV. Allegretto

Martha Argerich – Piano
Maxim Vengerov – Violin
Gautier Capuçon – Cello

CD 2
Brahms:
01. Sonata for Violin & Piano No. 3 in D minor, Op. 108- I. Allegro
02. Sonata for Violin & Piano No. 3 in D minor, Op. 108- II. Adagio
03. Sonata for Violin & Piano No. 3 in D minor, Op. 108- III. Un poco presto e co
04. Sonata for Violin & Piano No. 3 in D minor, Op. 108- IV. Presto agitato

Lilya Zilberstein – Piano
Maxim Vengerov – Violin

Schubert:
05. Piano Trio in B flat major, D. 898 (Op. 99)- I. Allegro moderato
06. Piano Trio in B flat major, D. 898 (Op. 99)- II. Andante un poco mosso
07. Piano Trio in B flat major, D. 898 (Op. 99)- III. Scherzo- Allegro
08. Piano Trio in B flat major, D. 898 (Op. 99)- IV. Rondo- Allegro vivace

Yefim Bronfman – Piano
Renaud Capuçon – Violin
Gautier Capuçon – Cello

CD 3
Schumann:
01. Piano Quintet in E flat major, Op. 44 I. Allegro brillante
02. Piano Quintet in E flat major, Op. 44 II. In modo d’una marcia – Un poco lar
03. Piano Quintet in E flat major, Op. 44 III. Scherzo Molto vivace
04. Piano Quintet in E flat major, Op. 44 IV. Allegro ma non troppo

Martha Argerich – Piano
Dora Schwarzberg – Violin
Renaud Capuçon – Violin
Nora Romanoff-Schwarzberg – Viola
Mark Dobrinsky – Cello

 

Schumann:
05. Sonata for violin & piano No. 1 in A minor, Op. 105 I. Mit leidenschaftliche
06. Sonata for violin & piano No. 1 in A minor, Op. 105 II. Allegretto
07. Sonata for violin & piano No. 1 in A minor, Op. 105 III. Lebhaft

Martha Argerich – Piano
Géza Hossu-Legocky – Violin

Dvořák:
08. Piano Quartet No. 2 in E flat major, B. 162 (Op. 87) I. Allegro con fuoco
09. Piano Quartet No. 2 in E flat major, B. 162 (Op. 87) II. Lento
10. Piano Quartet No. 2 in E flat major, B. 162 (Op. 87) III. Allegro moderato
11. Piano Quartet No. 2 in E flat major, B. 162 (Op. 87) IV. Allegro ma non troppo

Walter Delahunt – Piano
Renaud Capuçon – Violin
Lida Chen – Viola
Gautier Capuçon – Cello

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FDP

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Symphony nº 4 in C Minor, op. 43 – Valery Gergiev, Kirov Orchestra

Retorno a estas sinfonias, depois de alguns anos afastado delas. Não são obras de fácil digestão, há de se compreender o contexto em que foram compostas. Cada uma delas tem uma história para contar. Sim, eu sei, o nosso querido PQPBach já se encarregou de contar estas histórias em suas várias postagens dedicadas a essas obras.

Não sei, esse período de afastamento, de isolamento social, como está sendo chamado, já esta me deixando confuso. De manhã cedo preciso conferir no celular em que dia da semana estamos. Estou afastado da rotina do trabalho, só que ainda não criei uma rotina para essa permanência prolongada em casa. A música tem sido minha grande companheira nestes últimos dez dias, assim como tem sido durante toda a minha vida. Não me trai nunca.

Vi dia destes na TV uma apresentação recente de Valery Gergiev, frente à Filarmônica de Munique, orquestra da qual ele é o atual titular.  O cabelo está cada vez mais escasso, poucos fios cobrem a calvície. Mas o talento continua o mesmo, com os anos de experiência se acumulando. Comentei com um colega do PQPBach que ele tem um gestual totalmente diferente de um maestro tradicional. A impressão que nos passa é de sua total confiança nos músicos da orquestra, então, nem precisa fazer muito esforço para reger. Claro que as coisas não são assim, a confiança existe e é recíproca, ele é o líder e todos sabem disso. mesmo parecendo tanto quanto negligente, quando observamos sua barba de alguns dias, seus cabelos ou o que sobrou deles, todo desgrenhado … enfim, não aparenta ser o grande artista que é. Mas como dizia a canção, as aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam.

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Symphony nº 4 in C Minor, op. 43 – Valery Gergiev, Kirov Orchestra

01. I a. Allegro poco moderato
02. I b. Presto
03. II. Moderato con moto
04. III a. Largo
05. III b. Allegro
6. III c. (Allegro)

Kirov Orchestra, Mariinsky Theater, St Petersburg
Valery Gergiev – Conductor

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Dimitri Shostakovich (1906-1975) – Sinfonias n°5 e 9 – Gergiev – Kirov Orchestra

Repostagem lá de 2011,  em uma época em que os os recursos tecnológicos eram escassos, e a qualidade da internet era sofrível. Mas mesmo assim, eu e PQPBach, não lembro quem mais fazia parte do grupo na época, talvez o Bisnaga, um jovem arquiteto com muitas idéias na cabeça e um tremendo conhecedor de Maria Callas, o Monge Ranulfus, nosso eterno Avicenna, com certeza … o Gabriel Clarinete, na época calouro em uma Faculdade de Música, hoje em dia maestro, e claro, eram os últimos dias do Mestre Carlinus entre nós, que saiu para seguir em carreira solo, enfim, lutávamos com o que tinhamos. Então fiz esta postagem de um compositor com quem até então não tinha muita familiaridade, Shostakovich. Inclusive ganhei do próprio PQP Bach logo em seguida a biografia do compositor, que li com atenção. 

Enfim, novos links. O tempo passa, o tempo voa … e o velho Shosta continua atualíssimo. 

Minha relação com a música de Shostakovich é meio confusa. Não entendo muito de sua obra, mas talvez a culpa não seja dele, e sim de certos comentários que ouvi no correr dos anos chamando-o de estalinista, etc. De alguma forma, criou-se uma barreira, e deixei a ideologia sobrepor-se à qualidade da obra, e nestes 46 anos de vida só ouvi com atenção duas obras suas: esta sensacional Quinta Sinfonia, cuja gravação de Haitink me acompanhou durante muitos anos e sua 13ª sinfonia, na versão do Kondrashin. As outras, meio que as deixei de lado. Após muitos anos, graças às indicações o do maior conhecedor da obra do russo que conheço, sim ele mesmo, nosso estimado PQPBach, cuja generosidade premiou-me com uma biografia do compositor, e à grande admiração que tenho pelo gigante David Oistrakh, o maior violinista do século XX em minha modesta opinião, cujas gravações dos concertos para violino são uma das maiores realizações da indústria fonográfica, me deixaram impressionado, enfim, graças á estes dois, comecei a dar ao velho Shosta a atenção que merecia. Haitink, Jansons e Kondrashin, tenho ouvido estas três integrais das sinfonias com toda a atenção devida, e vim a descobrir um mundo totalmente novo.

Dia desses vi um excelente documentário sobre o Gergiev. Tenho alguns cds dele, inclusive já postei alguns, e com certeza, ele é o grande regente russo deste início de século XXI, e o maior intérprete do universo russo da atualidade. O documentário falava sobre o período em que ele foi diretor da Filarmônica de Roterdam, e tinha diversos depoimentos dos músicos da orquestra, elogiando-o muito.

A aparência desleixada, os cabelos já escassos, mas ainda revoltos, a barba por fazer, enfim, tudo isso são elementos que fazem parte da personalidade de Valery Gergiev, mas não dizem respeito à sua qualidade artística. Volto a repetir o que se fala sobre ele na imprensa especializada: no repertório russo ele é imbatível. E estas gravações de sinfonias de Shostakovich são uma prova disso. Tenho certeza que os senhores vão concordar.

Dimitri Shostakovich (1906-1975) Sinfonias n° 5 e 9

01. Symphony No. 5 – I. Moderato
02. Symphony No. 5 – II. Allegretto
03. Symphony No. 5 – III. Largo
04. Symphony No. 5 – IV. Allegro non troppo
05. Symphony No. 9 – I. Allegro
06. Symphony No. 9 – II. Moderato
07. Symphony No. 9 – III. Presto
08. Symphony No. 9 – IV. Largo
09. Symphony No. 9 – V. Allegretto – Allegro

Kirov Orchestra
Valery Gergiev – Conductor

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE27
FDPBach

Shostakovich / Kalējs / Escaich / Gubaidulina / Janáček / Ligeti / Garūta: Light & Dark

Para inaugurar o órgão da Elbphilharmonie de Hamburgo (Alemanha), a organista Iveta Apkalna escolheu obras dos últimos cem anos. Não sabemos o motivo, mas a música de concerto contemporânea tem vivido uma certa era de ouro nos três países bálticos –  Letônia, Lituânia e Estônia – terra de Iveta e de outros grandes intérpretes como Gidon Kremer, Paavo Järvi e Andris Nelsons, bem como compositores de destaque como Lepo Sumera (1950-2000), Lūcija Garūta (1902-1977) e Arvo Pärt (1935-).

Algumas das obras escolhidas por Iveta, como as do letão Kalejs e do tcheco Janáček, usam o som do órgão em um contexto religioso. Outras não têm qualquer conotação espiritual, como a obra de Shosta (parte de uma ópera) e os dois estudos de Ligeti, e finalmente, há a obra de Gubaidulina que, apesar de não ter função litúrgica, expressa a espiritualidade da compositora.

A relação de Ligeti com o órgão me lembra um pouco a de Mozart com o clarinete. São um punhado de peças, de duração não tão longa, mas que mostram um compositor no auge de seu talento e com perfeito domínio das potencialidades do instrumento. Daquelas obras que usam todas as teclas ou quase, do grave ao agudo, do pianissimo a sons ensurdecedores, e por isso são incontornáveis para os grandes solistas.

A  compositora russa Sofia Gubaidulina também soube utilizar de forma contrastante os sons mais agudos e os mais graves do rei dos instrumentos. A obra dela, que dá nome ao disco, é cheia de contrastes: claro e escuro, grave e agudo, sutileza e dissonância, profano e sagrado. Como Messiaen, Sofia Gubaidulina não escreveu música litúrgica (por exemplo, uma Missa ou um Réquiem), mas expressa sua religiosidade nos títulos de peças como Rejoice!, Seven Words, In Croce, De Profundis, Et exspecto, Misterio so, etc. Como observou Mike Silverton, essa conexão com a espiritualidade sugere uma resolução convencional que parece estar próxima mas vira a esquina, e assim sucessivamente.

Hoje, podemos comemorar a Páscoa da forma mais religiosa ou da forma mais secular, além de várias possibilidades e sincretismos no meio do caminho. Não era tão fácil assim para Sofia Gubaidulina na URSS, nos anos 1970, quando compôs a obra para órgão tocada por Iveta e também esta outra que já postamos no PQP. O Estado laico é uma conquista que não se deve naturalizar. Espero que este disco traga uma boa Páscoa para os ouvintes-leitores do PQPBach.

  1. Shostakovich: Lady Macbeth of the Mtsensk District, Op. 29: Passacaglia
  2. Aivars Kalējs: Prayer
  3. Escaich: Évocation I
  4. Escaich: Évocation II
  5. Escaich: Évocation III
  6. Gubaidulina: Light and Dark
  7. Janáček: Glagolitic Mass: Varhany sólo (Postludium)
  8. Ligeti: Two Etudes for Organ: I. Harmonies
  9. Ligeti: Two Etudes for Organ: II. Coulée
  10. Garūta: Meditation

Iveta Apkalna – órgão

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

A Elbphilharmonie de Hamburgo: cheirando a nova

Pleyel

C. Franck (1822-1890) & D. Shostakovich (1906-1975): Sonatas para Violino

C. Franck (1822-1890) & D. Shostakovich (1906-1975): Sonatas para Violino

Um disco apenas bom da dupla de irmãos armênios Lusine e Serguey Khachatryan. Este CD apresenta sonatas para violino de Franck e Shostakovich. A Sonata de César Franck foi escrita em 1886 e, como sua sinfonia, tem seus movimentos unidos pelo uso cíclico de um mesmo tema que os conecta. Tornou-se um dos trabalhos de câmara mais populares do repertório para piano e violino. Acho que esta gravação da soneta é bem superior. A Sonata para violino de Dmitri Shostakovich foi escrita em 1969 e é uma obra de extraordinária intensidade. O piano geralmente é um parceiro igual na peça e não acompanha tanto o violino. Toca junto. A melodia serpenteante que abre a peça foi uma das primeiras incursões de Shostakovich no método de Schoenberg e o sentimento inquieto e irônico que ela introduz é mantido por toda a peça. Mas não é das principais peças do russo.

C. Franck (1822-1890) & D. Shostakovich (1906-1975): Sonatas para Violino

Violin Sonata In A Major
Composed By – César Franck
1 Allegro Ben Moderato 6:15
2 Allegro 9:12
3 Recitativo Fantasia, Ben Moderato 7:37
4 Allegro Poco Mosso 6:39

Violin Sonata Opus 134
Composed By – Dmitri Shostakovich
5 Andante 10:08
6 Allegretto 6:08
7 Largo 14:14

Piano – Lusine Khachatryan
Violin – Sergey Khachatryan

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Serguey e Lusine

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quinteto para Piano / Quarteto de Cordas N° 3

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quinteto para Piano / Quarteto de Cordas N° 3

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Mais um grande disco do Belcea Quartet, agora com o excelente pianista Piotr Anderszewski no Quinteto para Piano de Shostakovich.

O Quinteto para piano, Op. 57 (1940)

A música perfeita. Trata-se de um irresistível quinteto escrito em cinco movimentos intensamente contrastantes. O prelúdio inicial estabelece três estilos distintos que voltarão a ser explorados adiante: um dramático, outro neo-clássico e o terceiro lírico. Todos os temas que serão ouvidos nos movimentos seguintes apresentam-se no prelúdio em forma embrionária. Depois vem uma rigorosa fuga puxada pelo primeiro violino e demais cordas até chegar ao piano. Sua melodia belíssima e lírica é seguida por um scherzo frenético. É um choque ouvir chegar o intermezzo que traz de volta a seriedade à música. Apesar do título, este intermezzo é o momento mais sombrio do quinteto. O Finale, cujo início parece uma improvisação pura do pianista, fará uma recapitulação condensada do prelúdio inicial. Este Quinteto para Piano recebeu vários prêmios como o Stálin e outros que não vale a pena referir aqui, mas o mais importante para Shostakovich foi a admiração que Béla Bartók dedicou a ele.

O Quarteto N° 3 foi lançado em Moscou pelo quarteto Beethoven, a quem é dedicado, em dezembro de 1946.  Ele foi escrito por Shosta logo após ver sua Sinfonia Nº 9 censurada. Ele também tem cinco movimentos:

Allegretto
Moderado com moto
Allegro non troppo
Adagio ( attacca )
Moderato

Para a estreia, certamente para que não fosse acusado de “formalismo” ou “elitismo “, Shostakovich renomeou os movimentos à maneira de uma história de guerra. Deixo aqui o título de cada movimento a fim de que os visitadores do blog possam dar gargalhadas relacionando “tema” e música.

O engano de ignorar o futuro cataclismo
Alguns estrondos de inquietação e antecipação
As forças de guerra são desencadeadas
Em memória dos mortos
A eterna pergunta: por que e para quê?

Um arranjo de sinfonia de câmara (Op. 73a) foi feito a partir deste quarteto por Rudolph Barshai.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quinteto para Piano / Quarteto de Cordas N° 3

Piano Quintet In G Minor, Op. 57
Piano – Piotr Anderszewski

1 I. Prelude (Lento) 4:46
2 II. Fugue (Adagio) 11:34
3 III. Scherzo (Allegretto) 3:37
4 IV. Intermezzo (Lento) 7:02
5 V. Finale (Allegretto) 7:40

String Quartet No. 3 In F Major, Op. 73
6 I. Allegretto 7:27
7 II. Moderato Con Moto 5:37
8 III. Allegro Non Troppo 4:12
9 IV. Adagio 6:00
10 V. Moderato 11:12

Ensemble – Belcea Quartet
Cello – Antoine Lederlin
Viola – Krzysztof Chorzelski
Violin – Corina Belcea e Axel Schacher
Piano – Piotr Anderszewski

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

O Belcea e Piotr Anderszewski mandando bala na Sala de Concertos Imanência e Transcendência da sede de inverno da PQP Bach Corp.

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos para Piano – Anna Vinnitskaya, Kremerata Baltica

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos para Piano – Anna Vinnitskaya, Kremerata Baltica

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Esse CD traz excelentes interpretações dos Concertos para Piano de Shostakovich. A jovem pianista russa Anna Vinnitskaya dá um show, acompanhada pela extraordinária Kremerata Baltica. Em outras palavras, trata-se de um baita CD.

Este é o CD de estreia de Vinnitskaya na Alpha. O repertório foi escolhido pela pianista, a qual revela duas facetas da música do compositor justapondo o Concerto N° 1 para Piano Op. 35, uma composição insolente com um caleidoscópio de atmosferas e registros estilísticos (romantismo russo, jazz americano, neoclassicismo) que surpreende constantemente o ouvinte e o mais tradicional N° 2, escrito para o filho Maxim e que irradia o alegria da juventude.

Sem mais,

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos para Piano – Anna Vinnitskaya, Kremerata Baltica

01 Piano Concerto No. 1 in C Minor, Op. 35 I. Allegretto
02 Piano Concerto No. 1 in C Minor, Op. 35 II. Lento
03 Piano Concerto No. 1 in C Minor, Op. 35 III. Moderato
04 Piano Concerto No. 1 in C Minor, Op. 35 IV. Allegro con brio

05 Piano Concerto No. 2 in F Major, Op. 102 I. Allegro
06 Piano Concerto No. 2 in F Major, Op. 102 II. Andante
07 Piano Concerto No. 2 in F Major, Op. 102 III. Allegro

08 Concertino for Two Pianos in A Minor, Op. 94

09 Tarantella for Two Pianos

Anna Vinnitskaya
Kremerata Baltica

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Link alternativo

Anna, em visita à sede social de gala — porque ela merece — da PQP Bach Corp.

FDP (com uma pequena atualização de PQP)

 

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Prelúdios e Fugas para piano, Op. 87 (seleção) – Dmitri Shostakovich, piano

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Prelúdios e Fugas para piano, Op. 87 (seleção) – Dmitri Shostakovich, piano

Sim, prometi a saideira, e quem melhor para oferecê-la que o responsável por tudo o que lhes alcancei nos últimos dias – sim, ele mesmo, o próprio Dmitri Dmitrievich?

Shostakovich legou-nos versões próprias de quase metade de seu Op. 87, gravadas entre vários estúdios e radiodifusões, com qualidade entre sofrível e lamentável. Como já puderam ouvir em outros registros que compartilhamos aqui no PQP, Dmitri Dmitrievich era um pianista muito competente, inda que impaciente, e um prestidigitador propenso a esbarrar em várias notas indesejadas e, ainda assim (pois eu lhes falei que ele era impaciente), considerar o take feito e a gravação aprovada. Noutras palavras, sua preferência como intérprete era a mesma que tenho como ouvinte: a impressão do todo à precisão nota a nota.

Já os leitores-ouvintes que consideram as versões de Tatiana Nikolayeva definitivas e as mais próximas às intenções de Shostakovich – dada sua posição única como inspiradora da obra, sua consultora durante toda a composição, e sua intérprete na estreia, na primeira gravação e ao longo de toda sua carreira de recitalista – estes ficarão surpresos com as ideias que Dmitri tinha ao teclado para seu Op.87.

Dmitri Dmitrievich SHOSTAKOVICH (1906-1975)

VINTE E QUATRO PRELÚDIOS E FUGAS PARA PIANO, OP. 87 (seleção)

Dmitri Shostakovich, piano

01 – Prelúdio e Fuga no. 1 em Dó maior
02 – Prelúdio e Fuga no. 2 em Lá menor
03 – Prelúdio e Fuga no. 3 em Sol maior
04 – Prelúdio e Fuga no. 4 em Mi menor
05 – Prelúdio e Fuga no. 5 em Ré maior
06 – Prelúdio e Fuga no. 6 em Si menor
07 – Prelúdio e Fuga no. 7 em Lá maior
08 – Prelúdio e Fuga no. 8 em Fá sustenido menor
09 – Prelúdio e Fuga no. 12 em Sol sustenido menor
10 – Prelúdio e Fuga no. 13 em Fá sustenido maior
11 – Prelúdio e Fuga no. 14 em Mi bemol menor

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Vassily Genrikhovich

Сигарета/Cigarro № 9231574 de 14551211