Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 10 / Modest Mussorgsky (1839-1881): Canções e Danças da Morte (Philadelphia Orch, Jansons)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 10 / Modest Mussorgsky (1839-1881): Canções e Danças da Morte (Philadelphia Orch, Jansons)

IM-PER-DÍVEL !!!

A Sinfonia Nº 10, Op. 93, de Dmitri Shostakovich é uma das obras mais pessoais, enigmáticas e poderosas do compositor. Ela foi concluída após a morte de Stalin (março de 1953), que havia perseguido Shostakovich e outros artistas. É vista como uma reação emocional a esse período de terror e à esperança de liberação artística. Shostakovich declarou que a obra representa — referindo-se ao segundo movimento — “Stalin e os anos stalinistas”, embora seu significado vá muito além. A sinfonia tem quatro movimentos. Inicia por um Moderato, um movimento lento, vasto e sombrio, que constrói uma tensão quase insuportável. Representa a opressão e a solidão do indivíduo sob o regime totalitário. Depois temos o tal Allegro, um scherzo brutal, frenético e violento. É frequentemente interpretado como um retrato musical de Stalin — mecânico, implacável e esmagador. Um dos movimentos mais agressivos já escritos por Shostakovich. Segue-se um Allegretto – Largo que finalmente e pela primeira vez introduz o motivo musical DSCH, as notas correspondentes às iniciais do seu nome em alemão: D. SCHostakovich). É como uma assinatura musical, afirmando sua identidade artística após anos de silêncio forçado. O clima é pesado, melancólico e introspectivo. Finaliza com um Andante – Allegro que começa de forma sombria, mas evolui para uma conclusão triunfante. O motivo DSCH retorna com força, simbolizando, talvez, a vitória pessoal do compositor. Bem, mas por que esta sinfonia é tão importante? Ora, porque captura a essência do terror stalinista e o alívio pós-morte do psicopata. Também, pela primeira vez, Shostakovich “assina” uma obra de forma clara com o motivo DSCH, o qual é repetido inúmeras vezes, insistentemente MESMO. É uma obra magistral e emocionalmente devastadora. A estreia (dezembro de 1953) foi controvertida. Autoridades soviéticas acharam a obra “pessimista”, enquanto que outros a viram como um grito de liberdade. Tornou-se um símbolo da resistência artística. Não é apenas música, mas um ato de coragem política e pessoal, onde Shostakovich transforma sua angústia em arte universal. Uma obra obrigatória para entender o século XX. Só mesmo um tolo como Osvaldo Colarusso, no pasquim curitibano de extrema direita Gazeta do Povo, teve a pachorra de chamar Shosta de “covarde e egoísta”. Ele talvez quisesse que Shosta enfrentasse seus algozes de frente e morresse cedo como um herói olaviano? Não vou colocar o link aqui para não ajudar na audiência do jornal, que é um lixo. Ah, voltando ao CD: a regência de Mariss Jansons e a orquestra de Filadélfia dispensam elogios.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 10 / Modest Mussorgsky (1839-1881): Canções e Danças da Morte (Philadelphia Orch, Jansons)

Symphony No. 10, Op. 93
Composed By – Dmitri Shostakovich
1 I. Moderato 21:49
2 II. Allegro 4:19
3 III. Allegretto 12:03
4 IV. Andante – 4:24
5 __ Allegro 8:35

Songs And Dances Of Death
Composed By – Modest Mussorgsky
Orchestrated By – Dmitri Shostakovich
Text By – Count Arseni Golenishchev-Kutuzov
6 I. Cradle Song 4:40
7 II. Serenade 5:02
8 III. Trepak 4:44
9 IV. The Field-Marshall 5:44

Bass Vocals – Robert Lloyd (4) (tracks: 6-9)
Conductor – Mariss Jansons
Orchestra – The Philadelphia Orchestra

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Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 2 e 5 (Éder Quartet)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 2 e 5 (Éder Quartet)

Um baita disco. Dois Quartetos alegres e sarcásticos… O Quarteto Nº 2 foi composto logo após a Segunda Guerra Mundial, no mesmo período da Nona Sinfonia. É uma obra de transição: o otimismo oficial do pós-guerra se choca com a desilusão pessoal de Shostakovich. Ainda não havia a repressão aberta de 1948 (com o Decreto Jdanov), mas o clima já era de cautela. É uma “sinfonia de guerra” em miniatura, mas dizendo muito: é feliz, mas parece focar mais no custo humano do que na vitória. O terceiro movimento é um scherzo grotesco, típico do estilo de Shostakovich. Já o Nº 5 foi escrito durante o auge do Decreto Jdanov, que acusou Shostakovich de “formalismo burguês”. Sua música mais pública (sinfonias, concertos) era censurada, então ele canalizou sua voz mais autêntica para a música de câmara. É uma obra estruturalmente perfeita e, como sempre, carregada de subtexto emocional. Tratou-se de uma válvula de escape artística; nele, Shostakovich fala sem as restrições da música sinfônica oficial. Podemos dizer que o Nº 3 é um documento histórico emocional da experiência traumática do século XX. É Shostakovich como cronista da guerra e da memória. E o Nº 5 seria um testemunho da resistência artística.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 2 e 5 (Éder Quartet)

String Quartet No. 3 In F, Op. 73
1 Allegretto 6:52
2 Moderato Con Moto 4:59
3 Allegro Non Troppo 4:08
4 Adagio 5:26
5 Moderato 9:02

String Quartet No. 5 In B Flat, Op. 92
6 Allegro Non Troppo 10:11
7 Andante 9:20
8 Moderato – Allegretto 10:08

Éder Quartet:
Cello – György Éder
Viola – Sándor Papp
Violin – György Selmeczi, Péter Szüts*

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Shostakovich sendo pai.

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Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral dos Quartetos de Cordas (Emerson String Quartet)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral dos Quartetos de Cordas (Emerson String Quartet)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Há muitos anos acredito que os 15 quartetos de Shostakovich rivalizam com suas 15 sinfonias em qualidade. Sinto-me instado a ouvi-los sempre com a mesma ou maior atenção que dou às sinfonias. São certamente obras mais íntimas, mas quem disse que o intimismo deva ser menos considerado que os grandes painéis?

Esta é a quinta série completa que conheço. Tenho as dos quartetos Fitzwilliam, Borodin, Shostakovich e Éder (Naxos) e, olha, somando e pesando as qualidades de todos, acho que ficou com o Emerson, apesar do fundamental 8º Quarteto não ser tão DEVASTADOR quanto eu gostaria. Mas a musicalidade do grupo e seu grande senso de estilo dão-lhe o título provisório de campeões. Abaixo, algumas anotações que fiz ao longo dos anos. Não comento todos os quartetos. Minha escolha não significa que goste mais dos que comentei e menos dos outros, é puramente casual.

Quarteto de Cordas Nº 2, Op. 68 (1944)

Este trabalho em quatro movimentos foi escrito em menos de três semanas. A abertura é uma melodia de inspiração folclórica, tipicamente russa. O grande destaque é o originalíssimo segundo movimento, Recitativo e Romance: Adagio. O primeiro violino canta (ou fala) seu recitativo enquanto o trio restante o acompanha como se estivessem numa ópera ou música sacra barroca. O Romance parece música árabe, mas não suficientemente fundamentalista a ponto que a Al Qaeda comemore. Segue-se uma pequena valsa no mesmo estilo. O quarto movimento é um Tema com variações que fecha brilhantemente o quarteto.

É curioso que neste quarteto, talvez por ter sido composto rapidamente, há uma musicalidade simples, leve e nada forçada. Talvez nem seja uma grande obra como os Quartetos Nros. 8 e 12, mas é dos que mais ouço. Afinal, esta é uma lista pessoal e as excentricidades valem, por que não?

Quarteto de Cordas Nº 6, Op. 101 (1956)

Talvez apenas aficionados possam gostar deste esquisito quarteto. Ele tem quatro movimentos, dos quais três são decepcionantes ou descuidados. O intrigante nesta música é o extraordinário terceiro movimento Lento, uma passacaglia barroca que é anunciada solitariamente pelo violoncelo. É de se pensar na insistência que alguns grandes compositores, em seus anos maduros, adotam formas bachianas. Os últimos quartetos e sonatas para piano de Beethoven incluem fugas, Brahms compôs motetos no final de sua vida e Shostakovich não se livrou desta tendência de voltar ao passado comum de todos. Enfim, este quarteto vale por seu terceiro movimento e, com certa boa vontade, pelo Lento – Allegretto final.

Quarteto de Cordas Nº 7, Op. 108 (1960)

Mais um quarteto de Shostakovich com um lindíssimo movimento lento, desta vez baseado no monólogo de Boris Godunov (ópera de Mussorgski baseada em Puchkin), e mais um finale construído em forma de fuga, utilizando temas do primeiro movimento. Uma pequena e curiosa jóia de onze minutos.

Quarteto de Cordas Nº 8, Op. 110 e Sinfonia de Câmara, Op. 110a – Arranjo de Rudolf Barshai (1960)

Na minha opinião, o melhor quarteto de cordas de Shostakovich. Não surpreende que tenha recebido versões orquestrais. Trata-se de uma obra bastante longa para os padrões shostakovichianos de quarteto; tem cinco movimentos, com a duração total ficando entre os 20 minutos (na versão para quarteto de cordas) e 26 (na versão orquestral). O quarteto abre com um comovente Largo de intenso lirismo, o qual é seguido por um agitado Allegro molto, de inspiração folclórica e que fica muito mais seco na versão para quarteto. O terceiro movimento (Allegretto) é uma surpreendente valsinha sinistra a qual é respondida por outra valsa, muito mais lenta e com um acompanhamento curiosamente desmaiado. O quarteto é finalizado por dois belos temas ; o primeiro sendo pontuado por agressivamente por um motivo curto de três notas e o segundo formado por mais uma fuga a quatro vozes utilizando temas dos movimentos anteriores.

Quarteto Nº 9, Op. 117 (1964),
Quarteto Nº 10, Op. 118 (1964) e
Quarteto Nº 11, Op. 122 (1966)

Os quartetos de números 9, 10 e 11 são semelhantes em estrutura e espírito. São os três muito bons e têm em comum o fato de manterem por todo o tempo a alternância entre movimentos rápidos e lentos, sendo tais contrastes ampliados pelo fato de o nono e o décimo primeiro serem compostos por movimentos executados sem interrupções. O décimo ainda separa os primeiros movimentos, porém o Alegretto final surge de dentro de um Adágio. A postura de fazer com que surjam movimentos antagônicos um de dentro do outro é uma particularidade que torna estes quartetos ainda mais interessantes, sendo que o décimo primeiro é um inusitado quarteto de 17 minutos com sete movimentos; isto é, Shostakovich brinca com a apresentação de temas que fazem surgir de si outros muito diversos em estilo, como se o compositor estivesse sofrendo de uma incontrolável superfetação (*). É, no mínimo, desafiador ao ouvinte. Melodicamente são muito ricos, e exploram com insistência incomum os ostinatos, os quais são sempre no máximo belíssimos e no mínimo curiosos. Merecem inteiramente o lugar que modernamente obtiveram no repertório dos quartetos de cordas. É curioso como é fácil confundi-los. Estou ouvindo-os enquanto escrevo e noto quando o CD passa de um para outro, pois têm personalidades muito próprias, mas nunca sei se o que estou ouvindo é o nono ou o décimo. Certamente é uma limitação minha! Já no décimo primeiro, o paroxismo da criação de melodias chega a tal ponto, seus ostinatos são tão alucinados, que é mais fácil reconhecê-lo.

Aliás, o décimo primeiro apresenta aqueles finais tranquilos que constituíram-se uma das assinaturas do Shostakovich final. Esqueçam o gran finale. Sem fazer grande pesquisa, sei que os finais quietos, nada grandiosos, podem ser encontrados na 13ª, 14ª e 15ª sinfonias, neste quarteto e no sensacional Concerto para Violoncelo.

(*) Palavra pouco utilizada, não? Significa a concepção que ocorre quando, no mesmo útero, já há um feto em desenvolvimento.

Quarteto Nº 13, Op. 138 (1970)

Um pouco menos funéreo que a Sinfonia Nº 14, este quarteto foi escrito nos intervalos do tratamento ortopédico que conseguiu devolver-lhe do parte do movimento das mãos e antes do segundo ataque cardíaco. O décimo-terceiro quarteto é um longo e triste adágio de cerca de vinte minutos. O quarteto foi dedicado ao violista Vadim Borisovsky, do Quarteto Beethoven, e a viola não somente abre o quarteto como é seu instrumento principal. Trata-se de um belo quarteto cuja tranquilidade só é quebrada por um pequeno scherzando estranhamente aparentado do bebop (sim, isso mesmo).

Quarteto de Cordas Nº 14, Op. 142 (1972-73)

Este é quase um quarteto para violoncelo solo e trio de cordas, tal é a proeminência dada àquele instrumento. É um quarteto inspiradíssimo, escrito em três movimentos (Allegretto – Adagio – Allegretto), e que tem seu centro dramático em um dilacerante adagio de 9 minutos. Não consigo imaginar uma audição deste quarteto sem a audição em seqüência do Nº 15. Eles, que costumam aparecer juntos, seja em vinil ou em CD, formam, em minha imaginação, uma só música.

Quarteto de Cordas Nº 15, Op. 144 (1974)

Este trabalho, assim como a Sonata para Viola, são tidas como obras-primas e seriam os dois principais “réquiens privados” de Shostakovich. Concordo.

O que dizer de um obra escrita em seis movimentos, em que quatro deles são adagio e os outros dois são adagio molto, sendo que, destes dois últimos, um é uma marcha funeral e outro um epílogo…? Ora, no mínimo que é lenta. Porém, como estamos falando do Shostakovich final, estamos falando de uma obra que tem como fundo a morte. Há três movimentos realmente notáveis nesta música: a Serenata: Adagio, a Marcha Fúnebre – Adagio Molto e o musicalmente espetacular Epílogo – Adagio Molto. O Epílogo recebeu vários arranjos sinfônicos e costuma aparecer — separadamente ou não do resto do quarteto — em gravações orquestrais.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral dos Quartetos de Cordas (Emerson String Quartet)

CD 1:
String Quartet No.1 in C major, Op.49
1. 1. Moderato [3:56]
2. 2. Moderato [3:59]
3. 3. Allegro molto [2:23]
4. 4. Allegro [3:44]
String Quartet No.2 in A major, Op.68
5. 1. Overture (Moderato con moto) [7:58]
6. 2. Recitative & Romance (Adagio) [9:05]
7. 3. Valse (Allegro) [5:29]
8. 4. Theme & Variations [10:44]
String Quartet No.3 in F major, Op.73
9. 1. Allegretto [6:52]
10. 2. Moderato con moto [4:22]
11. 3. Allegro non troppo [3:50]
12. 4. Adagio [4:44]
13. 5. Moderato [8:19]

CD 2:
String Quartet No.4 in D major, Op.83
1. 1. Allegretto [3:51]
2. 2. Andantino [6:23]
3. 3. Allegretto [4:35]
4. 4. Allegretto [9:31]
String Quartet No.5 in B flat major, Op.92
5. 1. Allegro non troppo [11:19]
6. 2. Andante [8:29]
7. 3. Moderato [10:22]
String Quartet No.6 in G major op.101
8. 1. Allegretto [6:44]
9. 2. Moderato con moto [4:59]
10. 3. Lento – attacca: [3:58]
11. 4. Lento – Allegretto – Andante – Lento [6:33]

CD 3:
String Quartet No.7 in F sharp minor, Op.108
1. 1. Allegretto [3:42]
2. 2. Lento [2:49]
3. 3. Allegro [5:06]
String Quartet No.8 in C minor, Op.110
4. 1. Largo [4:34]
5. 2. Allegro molto [2:38]
6. 3. Allegretto [4:05]
7. 4. Largo [4:46]
8. 5. Largo [3:34]
String Quartet No.9 in E flat major, Op.117
9. 1. Moderato con moto [4:24]
10. 2. Adagio [3:47]
11. 3. Allegretto [4:02]
12. 4. Adagio [3:00]
13. 5. Allegro [9:29]
String Quartet No.10 in A flat major, Op.118
14. 1. Andante con moto [4:13]
15. 2. Allegretto furioso [3:58]
16. 3. Adagio [4:49]
17. 4. Allegretto – Andante [8:41]

CD 4:

1. Adagio (Elegy) for String Quartet [4:35]
2. Allegretto (Polka) for String Quartet [2:47]
String Quartet No.11 in F minor, Op.122
3. 1. Introduction: Andantino [2:12]
4. 2. Scherzo: Allegretto [2:42]
5. 3. Recitative: Adagio [1:08]
6. 4. Etude: Allegro [1:15]
7. 5. Humoresque: Allegro [1:02]
8. 6. Elegy: Adagio [4:12]
9. 7. Finale: Moderato [3:39]
String Quartet No.12 in D flat major, Op.133
10. 1. Moderato – Allegretto [6:29]
11. 2. Allegretto – Adagio – Moderato – Allegretto [19:24]
12. String Quartet No.13 in B flat minor, Op.138 [19:09]

CD 5:
String Quartet No.14 in F sharp major Op.142
1. 1. Allegretto [8:14]
2. 2. Adagio [8:52]
3. 3. Allegretto [7:59]
String Quartet No.15 in E flat minor, Op.144
4. 1. Elegy [12:37]
5. 2. Serenade [5:47]
6. 3. Intermezzo [1:38]
7. 4. Nocturne [4:30]
8. 5. Funeral March [4:36]
9. 6. Epilogue [6:18]

Emerson String Quartet

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Shostakovich: no topo dos compositores

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Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 14 e 15 (Éder Quartet)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 14 e 15 (Éder Quartet)

O Quarteto Nº 14 é particularmente fascinante porque Shostakovich estava experimentando uma estrutura incomum de movimentos encadeados dentro de uma linguagem musical moderna. É um espécime muito curioso. E bonito. E aquele movimento final com o tema judeu… Lembrem que ele usou temas klezmer em outras obras também, como no Trio para Piano nº 2. Sabiam que isso era uma forma de protesto silencioso contra o anti-semitismo soviético? Já o Quarteto Nº 15 é outra história completamente diferente – seis adágios consecutivos! Isso é beeeem radical. É impressionante como Shostakovich conseguiu criar tanta variedade dentro de um único andamento. São obras de um gênio, digamos, crepuscular. Ele sofria de uma doença cardíaca, também de outra enfermidade degenerativa, havia sobrevivido aos expurgos stalinistas, à Segunda Guerra Mundial e a décadas de opressão soviética. Essas obras são uma meditação sobre a mortalidade, o sofrimento e a resignação.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 14 e 15 (Éder Quartet)

String Quartet No. 14 in F-Sharp Major, Op. 142
1 I. Allegretto 08:48
2 II. Adagio – 08:59
3 III. Allegretto 08:22

String Quartet No. 15 in E-Flat Minor, Op. 144
4 I. Elegy: Adagio – 12:50
5 II. Serenade: Adagio – 05:42
6 III. Intermezzo: Adagio – 01:29
7 IV. Nocturne: Adagio – 04:47
8 V. Funeral March: Adagio molto – 04:44
9 VI. Epilogue: Adagio – Adagio molto 06:14

Éder Quartet

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O final da vida de Shostakovich foi fucking foda.

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Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 2 e 12 (Éder Quartet)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 2 e 12 (Éder Quartet)

O Éder dispensa apresentações. Já postamos vários quartetos com os caras e eles são espetaculares. Vamos às obras?

Os Quartetos Nº 2 e 12 de Shostakovich parecem nascer em extremos opostos — mas ambos revelam o compositor em momentos de rara intensidade. O Quarteto Nº 2 (1944) é uma ferida aberta. Escrito em plena guerra, mistura um lirismo tenso com explosões de desespero. Seu grande arco narrativo — sim, narrativo: da simplicidade inicial ao final devastado — soa como se Shostakovich tentasse organizar o caos do mundo apenas para perceber que a dor sempre retorna mais profunda. Já o Quarteto Nº 12 (1968) abre outra porta: mais austero, mais introspectivo, com harmonias que parecem deslizar para regiões sombrias e abstratas. Aqui, Shostakovich escreve como quem conversa consigo mesmo — um diálogo carregado de verdade. Se o primeiro é um grito, o segundo é um murmúrio. Se um olha o mundo em chamas, o outro olha para dentro. Juntos, mostram duas faces do mesmo artista — sempre dividido entre coragem e medo, entre resistência e esgotamento, entre a necessidade de falar e o risco de ser ouvido (ou censurado).

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 2 e 12 (Éder Quartet)

String Quartet No. 2 In A Major, Op. 68
1 Overture: Moderato Con Moto 8:18
2 Recitativo And Romance: Adagio 8:58
3 Valse: Allegro 5:43
4 Theme With Variations: Adagio – Moderato Con Moto 11:02

String Quartet No. 12 In D Flat Major, Op. 133
5 Moderato – Allegretto 6:37
6 Allegretto 19:43

Éder Quartet:
Cello – György Éder
Viola – Sándor Papp
Violin – György Selmeczi, Péter Szüts

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Porque às vezes só resta abraçar o sofá.

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Shostakovich Edition (CDs 25, 26 e 27 de 27)

Shostakovich Edition (CDs 25, 26 e 27 de 27)

IM-PER-DÍ-VEL !!! SÉRIE IM-PER-DÍ-VEL !!! E MAIS UMA SÉRIE FINALIZADA !!!

CD 25

Os quartetos de números 9, 10 e 11 são semelhantes em estrutura e espírito. São os três muito bons e têm em comum o fato de manter por todo o tempo a alternância entre movimentos rápidos e lentos, sendo tais contrastes ampliados pelo fato de o nono e o décimo primeiro serem compostos por movimentos executados sem interrupções. O décimo ainda separa os primeiros movimentos, porém o Alegretto final surge de dentro de um o Adágio. A postura de fazer com que surjam movimentos antagônicos um de dentro do outro é uma particularidade que torna estes quartetos ainda mais interessantes, sendo que o décimo primeiro é um quarteto de 17 minutos com sete movimentos; isto é, Shostakovich brinca com a apresentação de temas que fazem surgir de si outros muito diversos em estilo, como se o compositor estivesse sofrendo de uma incontrolável superfetação (*). É, no mínimo, desafiador ao ouvinte. Melodicamente, são muito ricos, e exploram com insistência incomum os ostinatos, os quais são sempre belíssimos e curiosos. Merecem inteiramente o lugar que modernamente obtiveram no repertório dos quartetos de cordas. É curioso como é fácil confundi-los. Estou ouvindo-os enquanto escrevo e noto quando o CD passa de um para outro, pois têm personalidades muito próprias, mas nunca sei se o que estou ouvindo é o nono ou o décimo. Pode ser uma limitação minha! Já no décimo primeiro, o paroxismo da criação de melodias chega a tal ponto, seus ostinatos são tão alucinados, que é mais fácil reconhecê-lo.

Aliás, o décimo primeiro apresenta aqueles finais tranquilos que constituíram-se uma das assinaturas do Shostakovich final. Esqueçam o gran finale. Sem fazer grande pesquisa, sei que eles podem ser encontrados na 13ª, 14ª e 15ª sinfonias, neste quarteto e no sensacional Concerto para Violoncelo que será comentado a seguir.

(*) Palavra pouco utilizada, não? Significa a concepção que ocorre quando, no mesmo útero, já há um feto em desenvolvimento.

String Quartet No. 5 in B flat major Op. 92 (1952)
1. Allegro non troppo  10:44
2. Andante  10:41
3. Moderato  10:25

String Quartet No. 11 in F minor Op. 122 (1966)
4. Introduction (andantino)  2:15
5. Scherzo (allegretto)  2:57
6. Recitativo (adagio)  1:18
7. Etude (allegro)  1:19
8. Humoresque (allegro)  1:08
9. Elegy (adagio)  4:15
10. Conclusion (moderato)  3:41

String Quartet No. 12 in D flat major Op. 133 (1968)
11. Moderato  6:41
12. Allegretto  20:29

Total:  76:15

Rubio Quartet
Dirk van de Velde, violin I
Dirk van den Hauwe, violin II
Marc Sonnaert, viola
Peter Devos, cello

CD 26

Talvez apenas aficionados possam gostar do esquisito Quarteto Nº 6. Ele tem quatro movimentos, dos quais três são decepcionantes ou descuidados. O intrigante nesta música é o extraordinário terceiro movimento Lento, uma passacaglia barroca que é anunciada solitariamente pelo violoncelo. É de se pensar na insistência que alguns grandes compositores, em seus anos maduros, adotam formas bachianas. Os últimos quartetos e sonatas para piano de Beethoven incluem fugas, Brahms compôs motetos no final de sua vida e Shostakovich não se livrou desta tendência de voltar ao passado comum de todos. Enfim, este quarteto vale por seu terceiro movimento e, com certa boa vontade, pelo Lento – Allegretto final.

String Quartet No. 4 in D major Op. 83 (1949)
1. Allegretto  4:27
2. Andantino  6:35
3. Allegretto  4:07
4. Allegretto  10:28

String Quartet No. 6 in G major Op. 101 (1956)
5. Allegretto  6:42
6. Moderato con motto  4:56
7. Lento  5:57
8. Lento-allegretto  7:44

String Quartet No. 10 in A flat major Op. 118 (1964)
9. Andante  4:32
10. Allegretto furioso  4:16
11. Adagio  6:13
12. Allegretto  9:08

Total:  75:18

Rubio Quartet
Dirk van de Velde, violin I
Dirk van den Hauwe, violin II
Marc Sonnaert, viola
Peter Devos, cello

CD 27

Quarteto de Cordas Nº 14, Op. 142 (1972-73)

Este é quase um quarteto para violoncelo solo e trio de cordas, tal é a proeminência dada àquele instrumento. É um quarteto inspiradíssimo, escrito em três movimentos (Allegretto – Adagio – Allegretto), e que tem seu centro dramático num dilacerante adagio de 9 minutos. Não consigo imaginar uma audição deste quarteto sem a audição em sequência do Nº 15. Eles, que costumam aparecer juntos, seja em vinil ou em CD, formam, em minha imaginação, uma obra só.

Quarteto de Cordas Nº 15, Op. 144 (1974)

Este trabalho, assim como a sonata a seguir, são tidas como obras-primas e seriam os dois principais “réquiens privados” de Shostakovich. Concordo com esta opinião.

O que dizer de um obra escrita em seis movimentos, em que quatro deles são adagio e os outros dois deles são adagio molto, sendo que, destes dois últimos, um é uma marcha funeral e outro um epílogo…? Ora, no mínimo que é lenta. Porém, como estamos falando do Shostakovich final, estamos falando de uma obra que tem como fundo a morte. Há três movimentos realmente notáveis nesta música: a Serenata: Adagio, a Marcha Fúnebre – Adagio Molto e o musicalmente espetacular Epílogo – Adagio Molto. O Epílogo recebeu vários arranjos sinfônicos e costuma aparecer – separadamente ou não do resto do quarteto – em gravações orquestrais.

String Quartet No.1 in C major Op. 49 (1935)
1. Modearto  3:57
2. Moderato  4:43
3. Allegro molto  2:12
4. Allegro  3:03

String Quartet No.14 in f sharp major Op.142 (1973)
5. Allegretto  8:22
6. Adagio  10:57
7. Allegretto  8:44

String Quartet No.15 in E flat minor Op. 144 (1974)
8. Elegy (adagio)  12:23
9. Serenade (adagio)  5:15
10. Intermezzo (adagio)  1:49
11. Nocturne (adagio)  4:54
12. Funeral March (adagio molto)  4:38
13. Epilogue (adagio)  6:40

Total:  78:00

Rubio Quartet
Dirk van de Velde, violin I
Dirk van de Hauwe, violin II
Marc Sonnaert, viola
Peter Devos, cello

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Shostakovich felicita seu filho Maxim após a apresentação do “Concertino” para dois pianos, op. 94, na Sala Maly da Filarmônica de Leningrado, em 15 de janeiro de 1955.

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Dvořák: Quarteto Americano / Borodin: Quarteto Nº 2 / Shostakovich: Quarteto Nº 8 (Janáček Quartet, Borodin Quartet)

Dvořák: Quarteto Americano / Borodin: Quarteto Nº 2 / Shostakovich: Quarteto Nº 8 (Janáček Quartet, Borodin Quartet)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O Quarteto Americano é uma ótima composição. Gosto dele. Mas o destaque deste CD chama-se Alexandr Borodin e seu esplêndido Quarteto Nº 2. Aqui, o compositor acertou em cheio, escrevendo música sublime de ponta a ponta. Idem para o Shosta que fecha o disco. o nº 8 é o mais famoso de seus quartetos e é muito do caraglio. Repertório de primeira, boas interpretações, você vai querer mais o quê? Uma cerveja artesanal, um chocolatinho, um harém feminino ou masculino (não temos problemas com gênero), o rebaixamento do Grêmio, a prisão dos Bolsonaro, mais Tarcísio, Zema, Castro, Ciro, Nikolas, o quê?

Dvořák: Quarteto Americano / Borodin: Quarteto Nº 2 / Shostakovich: Quarteto Nº 8 (Janáček Quartet, Borodin Quartet)

Dvořák | String Quartet op.96 »American«
1. String Quartet No. 12 in F major (‘American’), B. 179 (Op. 96): 1. Allegro ma non troppo
2. String Quartet No. 12 in F major (‘American’), B. 179 (Op. 96): 2. Lento
3. String Quartet No. 12 in F major (‘American’), B. 179 (Op. 96): 3. Molto vivace
4. String Quartet No. 12 in F major (‘American’), B. 179 (Op. 96): 4. Finale: Vivace ma non troppo

Borodin | String Quartet No.2
5. String Quartet No. 2 in D major: 1. Allegro moderato
6. String Quartet No. 2 in D major: 2. Scherzo: Allegro
7. String Quartet No. 2 in D major: 3. Notturno: Andante
8. String Quartet No. 2 in D major: 4. Finale: Andante – Vivace

Shostakovich | String Quartet No.8 op.110
9. String Quartet No. 8 in C minor, Op. 110: 1. Largo
10. String Quartet No. 8 in C minor, Op. 110: 2. Allegro molto
11. String Quartet No. 8 in C minor, Op. 110: 3. Allegretto
12. String Quartet No. 8 in C minor, Op. 110: 4. Largo
13. String Quartet No. 8 in C minor, Op. 110: 5. Largo

Janáček Quartet (Dvořák)
Borodin Quartet (Borodin, Shosta)

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Alexandr Borodin

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Shostakovich Edition (CDs 4, 5 e 6 de 27)

Shostakovich Edition (CDs 4, 5 e 6 de 27)

IM-PER-DÍ-VEL!!!

CD 4

Sinfonia Nº 7, Op. 60, Leningrado (1941)

De história riquíssima, a Sinfonia Nº 7 – dedicada à resistência da cidade de Leningrado cercada pelos nazistas – deve sua celebridade a uma transmissão de rádio feita para a cidade devastada e sitiada. Ela auxiliou as autoridades soviéticas a elevar o moral em Leningrado e no país. Várias outras performances foram programadas com intenções patrióticas na União Soviética e na Europa. Não é melhor sinfonia de Shostakovich, nem perto. A notável Sinfonia Nº 11, tão superior à sétima, é tão mais eficiente como musica programática de conteúdo histórico, que torna falso qualquer grande elogio à Sétima. De qualquer maneira, é esplêndido o primeiro movimento que descreve a marcha nazista. Também é importante salientar o equívoco do grande público que vê resistência e patriotismo numa obra sobre a devastação e a morte. Mas, como diria Lênin, o que fazer?

Symphony No. 7 In C Major Op. 60 “Leningrad”
CD4-1 War, Allegretto 26:20
CD4-2 Memories, Moderato (Poco Allegretto) 10:24
CD4-3 My Native Field, Adagio 18:16
CD4-4 Victory, Allegro Non Troppo 16:34

CD 5

Sinfonia Nº 8, Op. 65 (1943)

Esta enormidade musical é também muito admirada, mas é música que, apesar de não ser nada má, perderá para suas irmãs gêmeas compostas depois, dentro do mesmo espírito. Gosto muito da beleza austera do quarto movimento em 12 variações – uma passacaglia – e também dos dois primeiros, com destaque para o divertido diálogo entre o piccolo, o clarinete e o fagote do scherzo. O terceiro movimento, de efeito fácil e heróico, é divertido, mas tem aquela melodia entoada pelo trompete que… Sei lá, acho estranho uma sinfonia com dois Scherzi.

Symphony No. 8 In C Minor Op. 65
CD5-1 Adagio 27:27
CD5-2 Allegretto 6:42
CD5-3 Allegro Non Troppo 6:28
CD5-4 Largo 9:38
CD5-5 Allegretto 13:45

CD 6

Sinfonia Nº 9, Op. 70 (1945)

Desde Schubert, com sua Sinfonia Nº 9 “A Grande”, passando pela Nona de Beethoven e pelas nonas de Bruckner e Mahler, que espera-se muito das sinfonias Nº 9. Há até uma maldição que fala que o compositor morre após a nona, o que, casualmente ou não, ocorreu com todos os citados menos Shostakovitch. Esta sinfonia – por ser a “Nona” – foi muito aguardada e, bem, digamos que não seria Shostakovitch se ele não tivesse feito algo inesperado.

Leonard Bernstein ria desta partitura, cujas muitas citações formam um todo no mínimo sarcástico. O compositor declarou que faria uma música que expressaria “a luta contra a barbárie e grandeza dos combatentes soviéticos”, mas os severos críticos soviéticos, adeptos do realismo socialista, foram mais exatos e apontaram que a obra seria debochada, irônica e de influência stravinskiana. Bingo! Na verdade é uma das composições mais agradáveis que conheço. O material temático pode ser bizarro e bem humorado (primeiro e terceiro movimentos), mas é também terno e melancólico (segundo e largo introdutório do quarto), terminando por explodir numa engraçadíssima coda. Barshai dá um andamento bastante lento e original à coda. Stálin assistiria e assistiu à estreia de uma Nona grandiosa…

Apesar dos cinco movimentos, é uma sinfonia curta, muito parecida em espírito com a primeira sinfonia “Clássica” de Prokofiev e com a Sinfonia “Renana” de Schumann, também em cinco movimentos.

Sinfonia Nº 10, Op. 93 (1953)

Este monumento da arte contemporânea mistura música absoluta, intensidade trágica, humor, ódio mortal, tranquilidade bucólica e paródia. Tem, ademais, uma história bastante particular.

Em março de 1953, quando da morte de Stalin, Shostakovich estava proibido de estrear novas obras e a execução das já publicadas estava sob censura, necessitando autorizações especiais para serem apresentadas. Tais autorizações eram, normalmente, negadas. Foi o período em que Shostakovich dedicou-se à música de câmara e a maior prova disto é a distância de oito anos que separa a nona sinfonia desta décima. Esta sinfonia, provavelmente escrita durante o período de censura, além de seus méritos musicais indiscutíveis, é considerada uma vingança contra Stalin. Primeiramente, ela parece inteiramente desligada de quaisquer dogmas estabelecidos pelo realismo socialista da época. Para afastar-se ainda mais, seu segundo movimento – um estranho no ninho, em completo contraste com o restante da obra – contém exatamente as ousadias sinfônicas que deixaram Shostakovich mal com o regime stalinista. Não são poucos os comentaristas consideram ser este movimento uma descrição musical de Stálin: breve, é absolutamente violento e brutal, enfurecido mesmo, e sua oposição ao restante da obra faz-nos pensar em alguma segunda intenção do compositor. (Chego a pensar que, se este movimento fosse apresentado aos jogadores de Parreira, antes do jogo contra a França, trucidaríamos Zidane com ou sem cabeçadas e Roberto Carlos lembraria de qualquer coisa, menos de suas meias…) Para completar o estranhamento, o movimento seguinte é pastoral e tranqüilo, contendo o maior enigma musical do mestre: a orquestra pára, dando espaço para a trompa executar o famoso tema baseado nas notas DSCH (ré, mi bemol, dó e si, em notação alemã) que é assinatura musical de Dmitri SCHostakovich, em grafia alemã. Para identificá-la, ouça o tema executado a capela pela trompa. Ele é repetido quatro vezes. Ouvindo a sinfonia, chega-nos sempre a certeza de que Shostakovich está dizendo insistentemente: Stalin está morto, Shostakovich, não. O mais notável da décima é o tratamento magistral em torno de temas que se transfiguram constantemente.

Symphony No. 9 In E Flat Major Op. 70
CD6-1 Allegro 5:16
CD6-2 Moderato 5:42
CD6-3 Presto 2:54
CD6-4 Largo 3:00
CD6-5 Allegretto 6:51

Symphony No. 10 In E Minor Op. 93
CD6-6 Moderato 23:14
CD6-7 Allegro 4:31
CD6-8 Allegretto 12:08
CD6-9 Andante 12:19

Arranged By – Rudolf Barshai (tracks: 12-1 to 13-13)
Bass Vocals – Sergei Aleksashkin (tracks: 10-1 to 10-5), Vladimir Vaneev (tracks: 10-1, 10-3, 10-6 to 10-9, 10-11)
Cello – Alexander Ivashkin (tracks: 19-1 to 19-7), Godfried Hoogeveen (tracks: 20-1 to 20-5), Nathaniel Rosen (tracks: 20-6 to 20-9), Peter Devos (tracks: 23-1 to 27-13), Timora Rosler (tracks: 22-1 to 22-8)
Choir – The Choral Academy Moscow* (tracks: 10-1 to 10-5), Rundfunkchor* (tracks: 1-1 to 1-6)
Conductor – Yevgeny Mravinsky* (tracks: 18-1 to 18-3), Gennadi Rozhdestvensky (tracks: 18-4 to 18-5), Paavo Berglund (tracks: 17-1 to 17-10), Rudolf Barshai (tracks: 1-1 to 13-13), Theodore Kuchar (tracks: 14-1 to 16-20), Valery Polyansky (tracks: 19-1 to 19-7)
Orchestra – Bournemouth Symphony Orchestra (tracks: 17-1 to 17-10), Leningrad Philharmonic Orchestra (tracks: 18-1 to 18-3), Moscow Philharmonic Orchestra (tracks: 18-4 to 18-5), National Symphony Orchestra Of Ukraine (tracks: 14-1 to 16-20), Orchestra Sinfonica Di Milano Giuseppe Verdi (tracks: 12-1 to 13-13), Moscow Symphony Orchestra* (tracks: 19-1 to 19-7), WDR Sinfonieorchester* (tracks: 1-1 to 11-4)
Piano – Colin Stone (tracks: 22-5 to 22-8), Cristina Ortiz (tracks: 17-1 to 17-10), Edward Auer (tracks: 20-1 to 2-09), Klára Würtz (tracks: 22-1 to 11-4), Ronald Brautigam (tracks: 21-1 to 21-6)
Soprano Vocals – Alla Simoni (tracks: 10-2 to 10-6, 10-10)
Viola – Marc Sonnaert (tracks: 23-1 to 27-13), Marcus Thompson (3) (tracks: 20-1 to 20-5)
Violin – Christiaan Bor (tracks: 20-1 to 2-09), David Oistrakh* (tracks: 18-1 to 18-5), Dirk Van De Velde (2) (tracks: 23-1 to 27-13), Dirk Van Den Hauwe (tracks: 23-1 to 27-13), Paul Rosenthal (tracks: 20-1 to 20-5)
Violin, Viola – Isabelle van Keulen (tracks: 21-1 to 21-6)

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Shostakovich
Shostakovich

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Dmitri Shostakovich (1906-1975) / Alfred Schnittke (1934-1998): Quintetos para Piano (Vermeer Quartet, Boris Berman)

Dmitri Shostakovich (1906-1975) / Alfred Schnittke (1934-1998): Quintetos para Piano (Vermeer Quartet, Boris Berman)

Shostakovich e Schnittke são dois compositores russos do século XX que são frequentemente comparados e apresentados juntos, pois ambos documentaram de forma poderosa a turbulência e a luta do período soviético. Embora tenham estilos diferentes, a influência de Shostakovich é clara na obra de Schnittke, que foi um estudioso e admirador de seu trabalho e chegou a compor em memória dele, como em seu “Praeludium in memoriam Dmitri Shostakovich”. Schnittke via Shostakovich como uma figura central do século XX, comparando sua capacidade de absorver influências ao seu próprio trabalho, assim como a Stravinsky. Schnittke também compôs peças para homenagear Shostakovich, demonstrando admiração e um senso de “genealogia artística”. O Quinteto para Piano em Sol menor, Op. 57, de Dmitri Shostakovich, é uma das obras de câmara mais importantes do século XX. Composta em 1940, ela revela o compositor no ápice de sua maturidade criativa, equilibrando emotividade, estrutura clássica e ironia sutil. Shostakovich escreveu o quinteto após o trauma do Grande Expurgo de Stalin (1936–1938), mas antes da Segunda Guerra Mundial. Foi uma encomenda do Quarteto Beethoven (um dos maiores grupos instrumentais da URSS), e o próprio Shostakovich o estreou ao piano. Diferente de suas obras “polêmicas” (como a ópera Lady Macbeth), aqui ele adota um estilo mais acessível, sem abrir mão de sua voz. O quinteto equilibra como poucas obras o clássico e o moderno. A escrita é clara, transparente, quase mozartiana em certos momentos; mas por baixo dessa superfície vive a tensão emocional típica de Shostakovich. Ele parece dizer: “Posso sorrir, mas meu sorriso conhece a sombra.” Porque consegue ser profundamente humana: alterna rigor e lirismo, inteligência e emoção, luz e sombra. É música que acolhe, mas também inquieta. Música que não grita, mas que permanece. É, talvez, o momento em que 0 compositor mais se aproxima da ideia de consolação — sem ilusões, mas com coragem. Se o Quinteto de Shostakovich é um drama humano sob o regime soviético, o de Alfred Schnittke (1934-1998) é como entrar em um universo paralelo onde Bach, Schoenberg e um circo grotesco se encontram em um beco escuro. Prepare-se para uma viagem sonora alucinante. Sério! Composto em 1972-1976, o Quinteto para Piano e Cordas de Schnittke é um manifesto de seu estilo “poliestilístico” – uma colagem de referências que vai do barroco ao serialismo, passando por tangos distorcidos e citações sombrias. Schnittke escreveu a obra após um ataque cardíaco (aos 40 anos!), o que explica sua atmosfera de morte. O Quinteto de Schnittke rompe com toda a tradição sem perder a referência a ela (um paradoxo típico de Schnittke). Não é uma obra para relaxar. É para ser vivida – como um terremoto que rearruma sua percepção de música. Se Shostakovich é o desespero com dignidade, Schnittke é o desespero com alucinações.

Dmitri Shostakovich (1906-1975) / Alfred Schnittke (1934-1998): Quintetos para Piano (Vermeer Quartet, Boris Berman)

Shostakovich, Dmitry
Piano Quintet in G Minor, Op. 57
1 Prelude 04:21
2 Fugue 09:14
3 Scherzo 03:22
4 Intermezzo 06:48
5 Finale 07:16

Schnittke, Alfred
Piano Quintet
6 Moderato 05:41
7 In Tempo di Valse 05:05
8 Andante 05:55
9 Lento 04:35
10 Moderato pastorale 04:08

Vermeer Quartet
Boris Berman

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Chega de fotos de Shostakovich! Este é Alfred Schnittke.

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In Memoriam Arthur Moreira Lima – Coleção Meu Piano/Três Séculos de Música para Piano – Parte 9 de 11: Volumes 24, 28, 38 e 40 (Clássicos Favoritos V, VI, IX & X)

Para honrar a memória e celebrar o legado extraordinário de Arthur Moreira Lima, um dos maiores brasileiros de todos os tempos, publicaremos a integral da coleção Meu Piano/Três Séculos de Música para Piano – seu testamento musical – de 16 de julho, seu 85° aniversário, até 30 de outubro de 2025, primeiro aniversário de seu falecimento. Esta é a nona das onze partes de nossa eulogia ao gigante.


Partes:   I   |   II   |   III   |   IV   |   V   |   VI   |   VII   |   VIII  |   IX   |   X   |   XI

Arthurzinho das massas estava em todas nos anos 80.

O embrião de tal onipresença foi sua participação no Circuito Universitário, iniciativa que desde o começo da década anterior levava grandes nomes da MPB para campi, teatros, ginásios e quaisquer outros espaços em que eles coubessem. Sempre destemido, Arthur foi o primeiro músico de concerto a embarcar  numa turnê do Circuito – e, convenhamos, o único capaz de aceitar um convite desses. Partiu de São Paulo, onde então morava, e prosseguiu de Kombi para Campinas e outras dez cidades do interior do estado. A experiência foi-lhe como um Caminho de Damasco: habitué de tantas paragens mundo afora, conhecedor de cada parada ao longo da Trans-Siberiana, Arthur enfim começava a descobrir seu país e a acolhida que as massas nos ginásios davam àquele pianista de raríssima figura, com cabeleira roqueira, calças de brim e a inseparável jaqueta de couro de alce.

Ó lá ela, a guerreira.

Não que tenha deixado a casaca de lado, como atesta, entre outros, o projeto Bach-Chopin que realizou com  João Carlos Martins. Tampouco deixou de ter preocupações fonográficas: farto da miríade de percalços para que seus discos fossem distribuídos pelas gravadoras e decidido decerto a cultivar mais uma úlcera, fundou o selo L’Art, tendo como sócio Lauro Henrique Alves Pinto, um dos “Filhos da Pauta”. Inda assim, preferia os mocassins e os pés na estrada. Xodó das multidões, para as quais era quase sinônimo de piano brasileiro, desfrutava uma liberdade incomum de escolher onde, como e com quem aparecer: mais que arroz de festa, o rei do rolê aleatório.

Até no gibi.

Se não, vejamos: depois de quase tocar com Elomar no formigueiro humano de Serra Pelada – com direito a transporte em avião da FAB, piano incluso -, acabou na não menor muvuca do Festival de Águas Claras, o “Woodstock” brasileiro, onde dividiu palco com Luiz Gonzaga (“esse cabra é tão bom que toca até Luiz Gonzaga”, foi o veredito do próprio) numa noite encerrada por João Gilberto. Às línguas de trapo que o acusavam de buscar as massas por estar em decadência técnica, respondia dando um tempo às turbas para, numa visita à Polônia, tocar (e gravar) Rachmaninoff desse jeito:

Sossegou? Claro que não: deixou São Paulo e mudou-se para o Rio, o qual voltou a chamar de morada depois de vinte anos. Foi fagocitado quase que de imediato pela boemia e requisitado em cada cantina, restaurante ou boteco onde, entre biritas, se cultivasse a boa prosa. Na confraria conhecida como “Clube do Rio”, aproximou-se de Millôr Fernandes, que prontamente reconheceu o potencial da avis rara e lhe escreveu um show, que também dirigiu – e assim, não mais que de repente, nascia “De Repente”.

Alternando textos de Millôr com bitacos de Arthur e grande música dos dois lados do muro da infâmia entre o dito “erudito” do assim chamado “popular”, o show foi um triunfo. Não demoraria para que o showman chegasse às telinhas, a convite de Adolpho Bloch, fundador da Rede Manchete. Conhecera-o em Moscou, nos seus tempos de Conservatório, mas estreitaram o convívio no Rio, frequentando o mesmo barbeiro, praticando o idioma russo e divertindo-se a falar, sem que ninguém mais compreendesse, bandalheiras impublicáveis.  Conquistado por aquele tipo maravilhoso que parecia pronto para TV, Bloch ofereceu-lhe carta branca para criar um programa semanal. Arthur pediu alto e levou: recebeu duas orquestras, dirigidas por Paulo Moura, que também lhe fazia os arranjos, e a crème de la crème  da música brasileira no rol de convidados. Nascia Um Toque de Classe, carregado daqueles momentos que, ao imaginá-los na TV aberta, fazem-me questionar em que sentido, enfim, roda a fita da civilização:

Arthur, que nunca foi muito afeito ao canto, ficou especialmente impressionado com a voz de Ney Matogrosso, que buscava novos rumos para sua carreira depois do frisson que causou com suas performances no extinto conjunto Secos & Molhados:

Ney, inacreditavelmente, ainda não se convencera de que era cantor. Arthur sugeriu que deixasse de lado a maquiagem e figurinos estrambólicos que até então tinham marcado sua carreira e que, de cara lavada, apostasse em sua rara voz. Não demorou até que o belíssimo contralto de Ney, tratado como afinado instrumento, estivesse a dividir o palco com outros quatro virtuoses.

Assim, na luxuosa companhia de Arthur, Paulo Moura (saxofone), Chacal (percussão) e Raphael Rabello (violão de sete cordas), Ney inaugurou uma nova fase em sua carreira com o show O Pescador de Pérolas. De lambujem, aproximou-se de Rabello, há já muitos anos um dos maiores violonistas do mundo, com quem mais adiante gravaria À Flor da Pele, que, em minha desimportante opinião, é um dos álbuns mais sensacionais que Pindorama deu ao mundo. O Pescador de Pérolas também virou disco, ainda que se lamente que o som do piano de Arthur, aparentemente, tenha sido captado do fundo duma lata de azeite:

Lambuzado de mel pelas massas e com saudades, talvez, de ferroadas, Arthur resolveu atirar-se no vespeiro: instigado por seu guru Darcy Ribeiro, aceitou a nomeação para alguns cargos públicos no Governo do Rio. Sob sua direção, o Theatro Municipal e a Sala Cecília Meireles receberam em seus palcos muita gente que seus habitués não deixariam nem entrar pela porta dos fundos, como a Velha Guarda da Portela. Divertindo-se com o previsível reproche de quem via violados seus espaços exclusivos e sacrossantos. Arthur ligou aquele famoso botão e prosseguiu: tocou em favelas (uma imagem de “Rocinha in Concert”está no cabeçalho dessa postagem) e chamou a Orquestra de Câmara de Moscou para tocar com ele em teatros, ao ar livre e em presídios. Quem o chamava de decadente – nem sempre por méritos artísticos – acabava por ter que deglutir cenas como as do Projeto Aquarius, em que o suposto ex-pianista e a Sinfônica Brasileira tocavam para Fla-Flus de gente:

Sim, 200 mil

Para refrescar-se das saraivadas de tomates, o Rei do Rolê Aleatório foi harmonizar seu piano com uma das vozes mais distintas do Brasil, o barítono de Nelson Gonçalves. Com alguns milhares de canções no repertório, escolher o que iria para o álbum foi por si só uma empreitada. O mais difícil, com sobras, era a incompatibilidade de relógios biológicos: Nelson acordava na hora em que Arthur ia dormir. Ainda assim, com cantor no fuso horário de Bagdá e pianista no de Honolulu, a parceria deu liga e rendeu um dos melhores álbuns de suas imensas discografias, O Boêmio e o Pianista:


Miacabo com Arthur e sua cara de “acordei agora”

Durante a extensa turnê com Nelson por mais de trinta cidades brasileiras, Arthur encantou-se com a tranquilidade e o clima ameno de Florianópolis e resolveu, enfim, lançar nela sua âncora. Trouxe seus pianos para perto do mar e até deve ter contemplado a ideia de sossegar. O sucesso da coleção “Meu Piano”, que vendeu um milhão de CDs a preços módicos em bancas de revistas, mostrou-lhe que o público não queria seu sossego. Pelo contrário: ainda havia muito mais gente a conquistar, nos vastos horizontes brasileiros, a ser buscada em seus últimos recantos, mesmo nas grotas que nunca tinham visto um piano. Assim, o rei das harmonizações improváveis juntou um Steinway com uma caçamba de Scania e partiu, como orgulhoso Camelô da Música (o termo é dele), para a mais épica jornada jamais empreendida por um artista brasileiro.


ARTHUR MOREIRA LIMA – MEU PIANO/TRÊS SÉCULOS DE MÚSICA PARA PIANO
Coleção publicada pela Editora Caras entre 1998-99, em 41 volumes
Idealizada por Arthur Moreira Lima
Direção artística de Arthur Moreira Lima e Rosana Martins Moreira Lima


Volume 24: CLÁSSICOS FAVORITOS V

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Do Pequeno Caderno para Anna Magdalena Bach:

Christian PETZOLD (1677–1733)
1 – No. 2: Minueto em Sol maior, BWV Anh. 114

Johann Sebastian BACH
2 – No. 20: Minueto em Ré menor, BWV Anh. 132

Anton DIABELLI (1781-1858)

Das Sonatinas para piano, Op. 168:
3 – Moderato cantabile
4 – Andantino

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Das Duas Sonatinas para piano, WoO Anh. 5
5 – Sonatina em Sol maior

Robert Alexander SCHUMANN (1810-1856)

Do Álbum para Jovens, Op. 68
6 – O Camponês Alegre
7 – O Cavaleiro Selvagem
8 – Siciliana
9 – Um Pequeno Romance
10 – São Nicolau

Béla Viktor János BARTÓK (1881-1945)

Seis Danças Populares Romenas, Sz. 56
11 – Do Bastão
12 -Do Lenço
13 – Sem Sair Do Lugar
14 – Da Trompa
15 – Polka Romena
16 – Finale: Presto

Heitor VILLA-LOBOS (1887-1959)

Do Guia Prático para Piano, Primeiro Álbum:
,17 – Acordei de Madrugada
18 -A Maré Encheu
19 – A Roseira
20 -Manquinha
21 – Na Corda Da Viola

[as obras de Villa-Lobos não estão disponíveis pelos motivos aqui listados]

Pyotr Ilyich TCHAIKOVSKY (1840-1893)

Das Doze Peças para piano, Op. 40:
22 – No. 2: Chanson triste

Enrique GRANADOS Campiña (1867-1916)

Das Doze Danças Espanholas:
23 – No. 5, “Andaluza”

Edvard Hagerup GRIEG (1843-1907)

Das Peças Líricas, Op. 43:
24 – No. 6: “À Primavera”

Achille Claude DEBUSSY (1862-1918)

Dos Prelúdios, Primeiro Livro:
25 – No. 8: La fille aux cheveux de lin

Dmitry Dmitryievich SHOSTAKOVICH (1906-1975)

Das Danças das Bonecas, Op. 91:
26 – No. 1: Valsa Lírica
27 – No. 4: Polka
28 – No. 5: Valsa-Scherzo

Scott JOPLIN (1868-1917)
29 – The Entertainer

Arthur Moreira Lima, piano

Gravação: St. Philip’s Church, Londres, Reino Unido, 1998-99
Engenharia de som: Peter Nicholls
Piano: Steinway & Sons, Hamburgo
Produção, edição e masterização: Rosana Martins Moreira Lima, na Cia. de Áudio, São Paulo, 1999.

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Volume 28: CLÁSSICOS FAVORITOS VI

Antônio CARLOS GOMES (1836-1896)
Transcrição de Nicolò Celega (1846-1906)

Da ópera Il Guarany:
1 – Protofonia

Carl Maria Friedrich Ernst von WEBER (1786-1826)

2 – Convite à Dança, Op. 65

Franz Peter SCHUBERT (1979-1828)

Dos Quatro Improvisos para piano, D. 899:
3 – No. 4 em Lá bemol maior

Jakob Ludwig Felix MENDELSSOHN Bartholdy (1809-1847)
4 – Rondo Capriccioso, Op. 14

Johannes BRAHMS (1833-1897)

Das Valsas para piano, Op. 39:
5 – No. 1 em Si maior
6 – No. 2 em Mi maior
7 – No. 3 em Sol sustenido menor
8 – No. 6 em Dó sustenido maior
9 – No. 15 em Lá bemol maior

George GERSHWIN (1898-1937)

10 – Rhapsody in Blue

Gravação: St. Philip’s Church, Londres, Reino Unido, 1999
Engenharia de som: Peter Nicholls
Piano: Steinway & Sons, Hamburgo
Produção, edição e masterização: Rosana Martins Moreira Lima, na Cia. de Áudio, São Paulo, 1999.

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Volume 38: CLÁSSICOS FAVORITOS IX – TRANSCRIÇÕES CÉLEBRES

Ferenc LISZT (1811-1886)

Dos Doze Lieder de Franz Schubert, S. 558:
1 – No. 9: Ständchen

2 – Miserere du Trovatore de Giuseppe Verdi, S. 433

Do Wagner-Liszt Album:
3 – Isoldes Liebestod

4 – Liebeslied, S. 566 (baseada em Widmung, Op. 25 no. 1 de Robert Schumann)

De Années de Pèlerinage – Deuxième Année: Italie, S. 161:
5 – No. 5: Sonetto 104 del Petrarca

Johannes BRAHMS
Transcrição de Percy Grainger (1882-1961)

Das Cinco Canções, Op. 49:
6 – No. 4: Wiegenlied

Aleksandr Porfirevich BORODIN (1833-1887)
Transcrição de Felix Blumenfeld (1863-1931)

De Príncipe Igor, ópera em quatro atos:
7 – Dança Polovetsiana no. 17

George GERSHWIN
Transcrição de Percy Grainger
8 – The Man I Love

Oscar Lorenzo FERNÁNDEZ (1897-1948)
Transcrição de João de Souza Lima (1898-1982)

Da Suíte Reisado do Pastoreio:
9 – No. 3: Batuque

Arthur Moreira Lima, piano

Gravação: All Saints Church, Tooting, Londres, Reino Unido, 1999
Engenharia de som: Peter Nicholls
Piano: Steinway & Sons, Hamburgo
Produção, edição e masterização: Rosana Martins Moreira Lima, na Cia. de Áudio, São Paulo, 1999

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Volume 40: CLÁSSICOS FAVORITOS X

Charles-François GOUNOD (1818-1893)

1 – Ave Maria (Meditação sobre o Primeiro Prelúdio para piano de Johann Sebastian Bach)

Johann Sebastian BACH

Da Fantasia e Fuga em Dó menor, BVW 906:
2 – Fantasia

Franz SCHUBERT

Três Valsas:
3 – Op. 9 nº 1
4 – Op. 9 nº 2
5 –  Op. 77 nº 10

Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)

Dos Doze Estudos para piano, Op. 10:
6 – No. 3 em Mi maior

Ferenc LISZT

Dos Três Estudos de Concerto, S. 144:
7 – No. 3: Un Sospiro

Johannes BRAHMS

Dos Três Intermezzi para piano, Op. 117:
8 – No. 2 em Si bemol menor

Leopold Mordkhelovich GODOWSKY (1870-1938)

9 – Alt-Wien

Isaac Manuel Francisco ALBÉNIZ y Pascual (1860-1909)

De Chants d’Espagne, Op. 232:
10 – No. 1: Prélude (Asturias)

Joseph Maurice RAVEL (1875-1937)

11 – Pavane pour une infante défunte

Manuel de FALLA y Matheu (1876-1946)
Transcrição do compositor

Do balé El Sombrero de Tres Picos:
12 – Danza del Molinero

Gabriel Urbain FAURÉ (1845-1924)
Transcrição de Percy Grainger

Das Três Melodias, Op. 7:
13 – No. 1: Après un Rêve

Ludomir RÓŻYCKI (1883-1953)
Transcrição de Grigory Ginzburg (1904-1961)

14 – Valsa da Opereta Casanova

Antônio CARLOS GOMES

15 – Quem Sabe?

Arthur Moreira Lima, piano

Gravação: All Saints Church, Tooting, e Rosslyn Hill Chapel, Londres, Reino Unido, 1999
Engenharia de som: Peter Nicholls
Piano: Steinway & Sons, Hamburgo
Produção, edição e masterização: Rosana Martins Moreira Lima, na Cia. de Áudio, São Paulo, 1999

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9ª parte da entrevista do pianista Arthur Moreira Lima a Alexandre Dias, em que ele abordou os seguintes tópicos, sobre sua carreira na década de 1990: concertos que tocou no morro da Mangueira e na Rocinha; período em que foi diretor da Sala Cecília Meireles; período em que foi subsecretário de cultura do estado do RJ, encarregado do interior; sua colaboração com o cantor Nelson Gonçalves; o recital que realizou juntamente com Ana Botafogo; seu disco dedicado ao compositor Brasílio Itiberê; a grande coleção de 41 CDs “Meu piano”, lançada pela Caras em 1998; a caixa de 6 CDs “MPB – Piano collection”, dedicada a Dorival Caymmi, Chico Buarque, Tom Jobim, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Roberto Carlos; disco dedicado a Astor Piazzolla, com arranjos de Laércio de Freitas

Em homenagem a Fluminense Moreira Lima, seguimos com o álbum de figurinhas dos campeões da Copa Rio de 1952. Eis o ponta-esquerda Joaquim Albino, o Quincas (1931-2000).

Vassily

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 10 (RLPO, Vasily Petrenko)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 10 (RLPO, Vasily Petrenko)

IM-PER-DÍ-VEL !!! Uma estupenda gravação da décima de Shosta.

Consultem este link que avalia as melhores gravações da décima e que chega à conclusão de que…

Este monumento da arte contemporânea mistura música absoluta, intensidade trágica, humor, ódio mortal, tranquilidade bucólica e paródia. Tem, ademais, uma história bastante particular.

Em março de 1953, quando da morte de Stalin, Shostakovich estava proibido de estrear novas obras e a execução das já publicadas estava sob censura, necessitando autorizações especiais para serem apresentadas. Tais autorizações eram, normalmente, negadas. Foi o período em que Shostakovich dedicou-se à música de câmara e a maior prova disto é a distância de oito anos que separa a nona sinfonia desta décima. Esta sinfonia, provavelmente escrita durante o período de censura, além de seus méritos musicais indiscutíveis, é considerada uma vingança contra Stálin. Primeiramente, ela parece inteiramente desligada de quaisquer dogmas estabelecidos pelo realismo socialista da época. Para afastar-se ainda mais, seu segundo movimento – um estranho no ninho, em completo contraste com o restante da obra – contém exatamente as ousadias sinfônicas que deixaram Shostakovich mal com o regime stalinista. Não são poucos os comentaristas consideram ser este movimento uma descrição musical de Stálin: breve, absolutamente violento e brutal, enfurecido mesmo. Sua oposição ao restante da obra faz-nos pensar em alguma segunda intenção do compositor. Para completar o estranhamento, o movimento seguinte é pastoral e tranquilo, contendo o maior enigma musical do mestre: a orquestra para, dando espaço para a trompa executar o famoso tema baseado nas notas DSCH (ré, mi bemol, dó e si, em notação alemã) que é assinatura musical de Dmitri SCHostakovich, em grafia alemã. Para identificá-la, ouça o tema executado a capela pela trompa. Ele é repetido quatro vezes. Ouvindo a sinfonia, chega-nos sempre a certeza de que Shostakovich está dizendo insistentemente: Stalin está morto, Shostakovich, não. O mais notável da décima é o tratamento magistral em torno de temas que se transfiguram constantemente.

PQP Bach adverte: não ouça o segundo movimento previamente irritado. Você e sua companhia poderão se machucar.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 10

1. Symphony No. 10 in E minor, Op. 93 : I. Moderato 22:45
2. Symphony No. 10 in E minor, Op. 93 : II. Allegro 4:05
3. Symphony No. 10 in E minor, Op. 93 : III. Allegretto 12:11
4. Symphony No. 10 in E minor, Op. 93 : IV. Andante – Allegro 12:56

Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
Vasily Petrenko

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Shosta lendo as novidades
Shosta lendo as novidades

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Os 24 Prelúdios e Fugas Op. 87 (Scherbakov)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Os 24 Prelúdios e Fugas Op. 87 (Scherbakov)

PUBLICADO ORIGINALMENTE POR PQP BACH EM 28/5/2007,  RESTAURADO POR RANULFUS EM 4/7/2015 E POR VASSILY EM 12/12/2019 (E NOVAMENTE POR PQP BACH EM 19/08/2025). Uma loucura.

Publicação original: 28.05.2007

Nota de Ranulfus: Esta postagem do nosso grão-mestre PQP foi a primeira de seis postagens dos Prelúdios e Fugas do Shosta que apareceram aqui — e precisamente a que me conquistou. Depois o próprio PQP publicou a de Nikolayeva, tida como a referência nesta obra, em áudio (2009) e em vídeo (2010), a de Keith Jarrett (de que ele gostou e eu não gostei) em 2012, a de Melnikov em 2013. Além disso, o Carlinus publicou a de Ashkenazy em 2010. Pois mal: devido aos acidentes a que o compartilhamento tem estado sujeito, nenhuma delas chegou a 2015 no ar — o que foi trágico, pois avalio esta obra como um clássico maior, ainda insuficientemente conhecido, mas digno de ficar para sempre – e desde já!

Então está aqui de novo a versão de Scherbakov — e quem sabe os colegas se animem a revalidar também alguma(s) das outras!

Um Shostakovich atrás do gato.

Texto de Anderson Paiva (fragmento). Em 1950, comemorava-se o bicentenário da morte de Johann Sebastian Bach, em Leipzig. O festival foi o palco da Competição Internacional Bach de Piano, que requeria a execução de qualquer um dos 48 Prelúdios e Fugas do Cravo Bem-Temperado. Entre os jurados, estava Dmitri Shostakovich.

A vencedora do concurso foi Tatiana Nikolayeva, que tocou não apenas um dos prelúdios e fugas do Cravo Bem-Temperado, conforme requeria a competição, mas executou todos os 48 Prelúdios e Fugas. Ela ganhou a medalha de ouro.

Dmitri Shostakovich, que entregou o prêmio à vencedora de 26 anos (na condição de presidente do júri), ficou impressionado com a interpretação da jovem pianista.

A última atração do evento foi o Concerto em Ré Menor para Três (cravos) Pianos, de J. S. Bach, tendo Maria Youdina, Pavel Serebriakov e Tatiana Nikolayeva como solistas. Incrivelmente, após Youdina machucar o dedo, Shostakovich, sem nenhuma preparação, e de última hora, tomou o seu lugar ao piano.

O mestre russo havia sido convidado para participar do festival de Leipzig em uma época que sua música silenciara na União Soviética, após o Decreto de Zhdanov (1948). Mas em meio ao silêncio, ele prosseguia compondo. E após retornar de Leipzig, contagiado pelo espírito de Bach – num primeiro momento, pretendia escrever apenas exercícios de técnica polifônica –, resolveu compor os seus próprios Prelúdios e Fugas. A partir daí, nasceria uma das maiores obras para piano do século XX: os 24 Prelúdios e Fugas Op. 87.

O trabalho é um verdadeiro monumento à arte de J. S. Bach. Shostakovich admirava-o grandemente, e a música do mestre de Leipzig é um dos pilares de sua obra. Aos 44 anos, e a exemplo de compositores como Mozart, Beethoven e Brahms, que em sua fase outonal voltaram-se para o passado em uma justa reverência ao mestre barroco, aqui Shostakovich aprofunda-se no estudo do contraponto e faz música polifônica da mais alta qualidade.

Por que vinte e quatro? São 24 os Prelúdios e Fugas do CBT I, e são 24 os Prelúdios e Fugas do CBT II, de J. S. Bach – que integram os 48 prelúdios e fugas do Cravo Bem-Temperado. Vinte e quatro são os Prelúdios de Chopin, e são vinte e quatro os Caprichos de Paganini. O número 24 não é por acaso – ele corresponde aos vinte e quatro tons da música ocidental: doze maiores e doze menores.

Na Idade Média e em todo o Renascentismo, não havia música tonal. A música era modal. Predominavam os modos antigos (modos gregos), que eram sete. A partir do sistema tonal, que se consolidou no barroco, passaram a existir somente dois modos: o modo maior e o modo menor. Antes, haviam os complicados sistemas de afinação (temperamento), a fim de fazer os “ajustes das comas”. A coma é a nona parte de um tom inteiro, e é considerado o menor intervalo perceptível ao ouvido humano. Os físicos e músicos divergiam sobre o semitom diatônico e o semitom cromático. Para os músicos, o semitom cromático (de dó para dó sustenido) possuía 5 comas, e o diatônico (de dó sustenido para ré) possuía 4. Os físicos afirmavam o contrário. Durante muito tempo persistiu esse dilema, e os diferentes sistemas de afinação. O cravo precisava ser afinado (temperado) constantemente, de acordo com o modo da música que se estava a tocar. Até que surgiu a idéia de afinar o cravo em doze semitons iguais, com um sistema de afinação fixa, de modo que o intervalo entre cada semitom ficasse ajustado em 4 comas e meia (diferença imperceptível ao ouvido humano), quando o teórico Andreas Werckmeister publicou um documento com essa teoria, em 1691. Desse modo, qualquer peça poderia ser transposta para qualquer tonalidade sem precisar fazer constantes “reajustes” de afinação.

Essa idéia foi recebida com polêmica, mas Johann Sebastian Bach foi um dos primeiros a reconhecer a importância da inovação. Em 1722, publicou sua coleção de 24 Prelúdios e Fugas, para cada uma das doze tonalidades maiores e menores, e a chamou “Cravo Bem-Temperado, ou Prelúdios e Fugas em todos os Tons e Semitons”, provando que era possível tocar e transpor uma música para qualquer tonalidade, com o sistema temperado, sem precisar alterar a afinação. Em 1744, vinte e dois anos depois, publicaria o segundo volume (agora chamado Cravo Bem-Temperado, Livro II). Portanto, cada um dos volumes do CBT foram escritos em épocas distintas de sua vida, e é notável o fato de que a primeira parte foi escrita no mesmo ano em que Jean-Philippe Rameau publicou o seu Tratado de Harmonia (1722), com o mesmo objetivo. Ambos trabalhos foram decisivos para a consolidação do sistema tonal, que revolucionou a Harmonia e as técnicas de composição. O Cravo Bem-Temperado é considerado a “bíblia do pianista”, e permaneceu reconhecido mesmo após a morte de Bach, quando todas as suas outras obras foram esquecidas, de modo que o sistema tonal que prevaleceu até a época de Schöenberg, e que ainda é uma vital referência em nossos dias, é o legado de Johann Sebastian Bach.

A combinação entre o Prelúdio e a Fuga (considerada, mais do que uma forma musical, uma técnica de composição) é um casamento perfeito entre duas “formas” distintas, duas forças, dois opostos. A fuga é provavelmente a técnica de composição mais complexa da música ocidental. Ápice da música polifônica, e com regras que submetem o tratamento dos elementos musicais a padrões extremamente rígidos, reúne arte e ciência.

O Prelúdio é uma “forma” musical de caráter extremamente livre, como a Fantasia e o Noturno, e também de caráter improvisatório, como a Toccata e o Impromptu. Remonta à era da Renascença, desde as composições para alaúde, passando a ser utilizado como introdução das suítes francesas no século XVII. O “prato de entrada”, com a função de Abertura, como as antigas Sinfonias barrocas, e de curta duração, com passagens de difícil execução, sempre fazendo improvisar o virtuose (como a Toccata), com o objetivo de chamar a atenção da platéia, antes da execução da “peça principal”. Johann Pachelbel foi um dos primeiros a combinar Prelúdios e Fugas, e a partir de J. S. Bach, o Prelúdio adquiriu grande importância, sendo utilizado depois mesmo individualmente, por compositores como Beethoven, Chopin, Debussy, Rachmaninoff, Hindemith, Ginastera, etc.

A Fuga é utilizada desde o período medieval, e é uma técnica de composição polifônica que segue o princípio de imitação, como o Canon, porém muito mais complexa do que esse. Toda fuga começa com uma voz sem acompanhamento expondo o tema, que é o sujeito. A seguir, entra a segunda voz repetindo o sujeito na dominante (uma quinta acima ou uma quarta abaixo da tônica), enquanto a primeira voz prossegue, agora dando início a um segundo tema contrastante, que é o contra-sujeito. Os temas devem ser independentes, (como melodias distintas que se combinam), e a distinção entre as vozes, clara. Mas devem “afinar” entre si – e esse é o ponto de desafio que alia a estética da arte à engenharia da ciência. Os temas se contrapõem na direção da música polifônica, que é considerada “horizontal”, ao contrário da música homofônica, em que as partes são dependentes e simultâneas, considerada “vertical”. O contraponto é muito complexo, restrito a muitas regras de consonância e direcionamento de vozes, e, da sua complexidade, a fuga é a expressão máxima. Após todas as vozes exporem o sujeito (a fuga pode ser a duas, três, quatro ou a cinco vozes, etc.) e o contra-sujeito, segue-se um complexo desenvolvimento de temas e
motivos que culminam no ponto alto e de tensão da fuga: o stretto. É onde as vozes se aproximam, cada vez mais – e as vezes ocorrem entradas paralelas –, produzindo a impressão de que uma voz está perseguindo a outra, daí o nome fuga.

Palestrina e outros compositores utilizaram a fuga no Renascentismo. Teve o seu ápice no Barroco, sendo usada por compositores como Sweelinck, Froberger, Corelli, Pachelbel, Buxtehude e Händel. Mas foi através de Bach, com o Cravo Bem-Temperado e A Arte da Fuga, que essa magistral arte e ciência do contraponto atingiu o seu ponto culminante. Depois ela cairia em parcial esquecimento, mas sendo aproveitada por compositores como Haydn, Mozart e Beethoven, no Classicismo; Mendelssohn, Brahms, Schumman, Rmski-Korsakov, Saint-Saëns, Berlioz, Richard Strauss, Rachmaninoff e Glazunov, no Romantismo; e, no século XX, por Max Reger, Kaikhosru Sorabji, Bártok, Weinberger, Barber, Stravinsky, Hindemith, Charles Ives e Dmitri Shostakovich.

Ah! Quão belos e magistrais são os 24 Prelúdios e Fugas Op. 87 de Shostakovich! Elaborados, profundos, sinceros, é arte que desabrocha, ora sutil, ora retumbante, do mais íntimo e abissal silêncio. É música que, uma vez expandida, repreendida e calada, retorna a si, ao íntimo do compositor, e tácita e reflexiva, espera a sua hora, para irromper como um monumento, colosso perpétuo para as gerações futuras que ouvirão, ao seu tempo, os pensamentos calados e as palavras não ditas. Shostakovich, de mão dadas a Bach, como um furacão transcende o momento, atravessa o tempo, e chega como brisa aos nossos ouvidos. Quando ela foi executada pelo pianista soviético Svyatoslav Richter, um crítico que estava presente disse: “Pedras preciosas derramaram-se dos dedos de Richter, refletindo todas as cores do arco-íris”. Essa obra, Shostakovich iniciou após retornar do festival de Leipzig, trabalhando rapidamente, levando apenas três dias em média para escrever cada peça. O trabalho completo foi escrito entre 10 de outubro de 1950 e 25 de fevereiro de 1951. Após concluir a obra, Shostakovich dedicou-a a Tatiana Nikolayeva, a pianista que o inspirou, e que brilhou vencendo a competição do festival do bicentenário de Bach em Leipzig, executando os prelúdios e fugas do Cravo Bem-Temperado. Assim que ele completou o ciclo, ele a chamou ao seu apartamento em Moscou para lhe mostrar o seu trabalho. Shostakovich tocou a obra na União dos Compositores Soviéticos, em maio de 1951, e Nikolayeva estreou-a em Leningrado, à 23 de dezembro de 1952.

Mas os 24 Prelúdios e Fugas não foram bem recebidos pelos críticos soviéticos, a princípio, especialmente na União dos Compositores. Desagradaram-lhes a dissonância de algumas fugas, e eles também a reprovaram por a considerarem “ocidental” e “arcaica”. E essa obra, hoje acessível, permanece ainda, por muitos, desconhecida.

Tatiana Petrovna Nikolayeva, pianista russa, como Shostakovich, e também compositora, foi uma das maiores pianistas soviéticas do século XX. Nasceu em 1924 e começou a aprender piano aos três anos de idade. Depois entrou para o Conservatório de Moscou e estudou com Alexander Goldenweiser e Yevgeny Golubev. Após vencer a Competição Internacional Bach de Piano de Leipzig, acumulou um imenso repertório, abrangendo Beethoven, Bártok e diversos compositores. Foi uma das grandes intérpretes de Bach. Enquanto muitos pianistas escolhiam tocar em instrumentos de época, Nikolayeva preferia tocar Bach no moderno piano Steinway, sempre com grande sucesso. Suas composições incluem um concerto para piano em si maior, executado e gravado em 1951 e publicado em 1958, um trio para piano, flauta e viola, gravado pela BIS Records, prelúdios para piano e um quarteto de cordas. A partir de 1950, ela passaria a ser uma das grandes amizades de Dmitri Shostakovich.

Após Nikolayeva gravar os 24 Prelúdios e Fugas Op. 87, surgiram outras grandes gravações. Vladimir Ashkenazy, pela Decca, Keith Jarret, pela ECM, Konstantin Scherbakov, pela Naxos, e Boris Petrushansky, pela Dynamic, estão entre os poucos discos que disputam no mercado. Keith Jarret, mais conhecido como músico de jazz, afirmou o seu nome na música clássica pela ECM, com o seu toque de impecável técnica. Vladimir, Scherbakov e Petrushansky fizeram gravações notáveis, cada um com a sua interpretação única. E o próprio Shostakovich também gravou os seus 24 Prelúdios e Fugas, pela EMI. Dessas gravações, a que possuo, até o momento, é somente a de Sherbakov, a qual considero uma pérola musical.

Mas é Tatiana Nikolayeva a maior intérprete dessa obra cheia de nuanças, e quem desvenda com toque de perfeição o universo musical de Shostakovich. Ela gravou a obra por três vezes: duas pela BGM-Melodya, em 1962 e 1987, e a terceira pela Hyperion, em 1990. Todas as gravações supracitadas (exceto a primeira de Nikolayeva pela Melodya) encontram-se na internet.

Essa obra completa dura mais de duas horas. Os pianistas costumam executá-la em duas apresentações, tocando metade do ciclo em cada uma.

A ordem dos prelúdios e fugas não é aleatória, nem escolhida por um critério extra-musical qualquer. Partindo de dó maior, percorre um ciclo de progressões harmônicas. Os prelúdios e fugas de Bach, no paralelo maior/menor, seguem a ordem da escala cromática ascendente (dó maior, dó menor, dó sustenido maior, dó sustenido menor, etc.). Mas Shostakovich, a exemplo dos 24 Prelúdios de Chopin, com a relação do par maior/menor, segue o ciclo das quintas (dó maior, lá menor, sol maior, mi menor, ré maior, si menor, etc.). E se a obra é construída em torno das 24 tonalidades, quer dizer que a música é tonal. Sim, Shostakovich faz música tonal em plena era do atonalismo, mas com incursões atonais, abuso de dissonâncias e domínio da técnica com diferentes assimilações que sustentam o seu estilo singular e “poliestilista”. Nos Prelúdios e Fugas de Shostakovich há citações de Bach. Mas a substância dessa obra é a expressão musical única e interior do próprio compositor, Shostakovich, que com grande capacidade eclética e assimilativa, e sendo, ao mesmo tempo, profundamente original, percorre os mais diversos climas e variações de humor, com modulações ora bruscas e desconcertantes, ora tênues e elegantes. Serena, como na fuga n.º. 1 ou na fuga n.º. 13, brincalhona, como na fuga n.º. 3 ou no prelúdio n.º 21, a música de Shostakovich permeia os mais distintos aspectos da expressão musical. Estranhas são as fugas n.º 8 e n.º 19, misteriosas; cômica é a fuga n.º 11, ousada é a fuga n.º 6, luminosa é a fuga n.º 7. Os prelúdios de Shostakovich às vezes combinam-se perfeitamente com as fugas, e eles se atraem; e às vezes se contrastam. As fugas magnificamente elaboradas são emolduradas pelos belos prelúdios que, no entanto, não devem ser considerados obras menores. Cada peça, além de ser parte essencial de um todo, é também uma pequena obra-prima à parte, de modo que o conjunto de 24 Prelúdios e Fugas Op. 87 formam, na verdade, uma coleção de 48 obras agrupadas em torno de um trabalho monumental e único.

Dmitri Shostakovich
24 Preludes and Fugues, Op. 87
Konstantin Scherbakov, piano

CD 1

  1. Prelude No. 1 in C major: Moderato 02:50
  2. Fugue No. 1 in C major: Moderato 04:02
  3. Prelude No. 2 in A minor: Allegro 00:52
  4. Fugue No. 2 in A minor: Allegretto 01:33
  5. Prelude No. 3 in G major: Moderato non troppo 01:51
  6. Fugue No. 3 in G major: Allegro molto 01:56
  7. Prelude No. 4 in E minor: Andante 01:57
  8. Fugue No. 4 in E minor: Adagio 05:35
  9. Prelude No. 5 in D major: Allegretto 01:44
  10. Fugue No. 5 in D major: Allegretto 02:01
  11. Prelude No. 6 in B minor: Allegretto 01:42
  12. Fugue No. 6 in B minor: Allegro poco moderato 04:00
  13. Prelude No. 7 in A major: Allegro poco moderato 01:24
  14. Fugue No. 7 in A major: Allegretto 02:47
  15. Prelude No. 8 in F sharp minor: Allegretto 01:18
  16. Fugue No. 8 in F sharp minor: Andante 07:10
  17. Prelude No. 9 in E major: Moderato non troppo 02:36
  18. Fugue No. 9 in E major: Allegro 01:36
  19. Prelude No. 10 in C sharp minor: Allegro 01:52
  20. Fugue No. 10 in C sharp minor: Moderato 05:43
  21. Prelude No. 11 in B major: Allegro 01:22
  22. Fugue No. 11 in B major: Allegro 02:10
  23. Prelude No. 12 in G sharp minor: Andante 03:13
  24. Fugue No. 12 in G sharp minor: Allegro 03:28

CD 2

  1. Prelude No. 13 in F sharp major: Moderato con moto 01:56
  2. Fugue No. 13 in F sharp major: Adagio 04:55
  3. Prelude No. 14 in E flat minor: Adagio 03:33
  4. Fugue No. 14 in E flat minor: Allegro non troppo 02:17
  5. Prelude No. 15 in D flat major: Moderato non troppo 03:03
  6. Fugue No. 15 in D flat major: Allegretto 01:54
  7. Prelude No. 16 in B flat minor: Allegro molto 02:37
  8. Fugue No. 16 in B flat major: Andante 06:46
  9. Prelude No. 17 in A flat major: Allegretto 01:57
  10. Fugue No. 17 in A flat major: Allegretto 03:51
  11. Prelude No. 18 in F minor: Moderato 02:21
  12. Fugue No. 18 in F minor: Moderato con moto 02:54
  13. Prelude No. 19 in E flat major: Allegretto 02:13
  14. Fugue No. 19 in E flat major: Moderato con moto 02:34
  15. Prelude No. 20 in C minor: Adagio 03:47
  16. Fugue No. 20 in C minor: Moderato 05:08
  17. Prelude No. 21 in B flat major: Allegro 01:16
  18. Fugue No. 21 in B flat major: Allegro non troppo 02:59
  19. Prelude No. 22 in G minor: Moderato non troppo 02:08
  20. Fugue No. 22 in G minor: Moderato 03:15
  21. Prelude No. 23 in F major: Adagio 02:52
  22. Fugue No. 23 in F major: Moderato con moto 03:14
  23. Prelude No. 24 in D minor: Andante 03:44
  24. Fugue No. 24 in D minor: Moderato 07:23

Total Playing Time: 02:23:19

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PQP, 28.05.2007. Revalidado por Ranulfus, 2015, por Vassily, 2019, por PQP, 2025.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): The Two Piano Trios, Op. 8 & Op. 67 / Cello Sonata Op. 40 (Guarneri Trio Prague)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): The Two Piano Trios, Op. 8 & Op. 67 / Cello Sonata Op. 40 (Guarneri Trio Prague)

O Trio para Piano Nº 1, Op. 8, é uma das primeiras composições de câmara de Dmitri Shostakovich. Foi tocado privadamente no início de 1924, mas só foi publicado na década de 1980. Vinte anos depois, o compositor escreveu o mais conhecido Trio para Piano nº 2, Op. 67. Originalmente intitulada Poème, o Trio Nº 1 foi composto em 1923, quando o compositor tinha dezesseis anos e estava no Conservatório de Leningrado há três. Quando a partitura estava sendo preparada para publicação, seis décadas depois, os últimos 22 compassos da parte para piano haviam sido perdidos, tendo sido completados pelo aluno de Shostakovich, Boris Tishchenko. Depois vem o Trio nº 2, uma obra bastante sombria. Escrita em 1942, ela reflete tanto os horrores da guerra quanto a morte de alguns amigos próximos. O Trio Guarneri responde com aguda sensibilidade às oscilações de humor da música, às vezes assustadoramente soturna, opressiva e ameaçadora. A execução do finale é profundamente comovente, oscilando entre a paixão feroz e a desolação absoluta. A Sonata para Violoncelo, Op. 40, foi composta em 1934, no período em que Shostakovitch apaixonara-se por uma jovem estudante, o que ocasionou um efêmero divórcio de sua esposa Nina. O compositor dedicou esta sonata ao violoncelista Victor Lubatski e ambos a estrearam em Moscou, no dia 25 de dezembro de 1934. O primeiro movimento (Allegro non troppo) é escrito em forma sonata. O primeiro tema, bastante extenso, é apresentado pelo violoncelo, acompanhado por arpeggios do piano e depois desenvolvido por este até seu clímax; o segundo tema, muito mais delicado, é, contrariamente, apresentado pelo piano e imitado pelo violoncelo. Durante o desenvolvimento o primeiro tema ganha motivos rítmicos, mas logo o afetuoso segundo tema reaparece. Tudo parece em ordem, encaminhando-se para o final do movimento, mas Shostakovitch nos surpreende ao inserir alguns acordes em staccato do piano, acompanhados por notas sustentadas pelo violoncelo, o que faz com que a música torne-se quase estática. É uma estranha preparação para o que se ouvirá no segundo movimento (Allegro) o qual é um scherzo típico de Shostakovitch. Trata-se de um frenético ostinato que é interrompido por um tema apresentado pelo piano que, apesar de mais tranquilo, é também muito pouco contemplativo. O terceiro movimento (Largo) faz-lhe intenso contraste, pois é uma melodia tranquila e vocal, acompanhada pelo piano de forma introspectiva, dissonante e um tanto fúnebre. O Allegro final é um rondó bastante irônico no qual o tema principal é apresentado três vezes, ligados, a cada intervalo, por estranhas e vertiginosas cadenzas.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): The Two Piano Trios, Op. 8 & Op. 67 / Cello Sonata Op. 40 (Guarneri Trio Prague)

1 Piano Trio No. 1, In C Minor, Op. 8 12:21

Piano Trio No. 2, In E Minor, Op. 67 (25:18)
2 I. Andante – Moderato – Più Mosso 6:53
3 II. Allegro Con Brio 3:06
4 III. Largo 5:20
5 IV. Allegretto – Pesante – Adagio 9:51

Sonata In D Minor, Op. 40, For Violoncello And Piano (26:15)
6 I. Allegro Non Troppo – Largo – Poco Con Moto 11:36
7 II. Allegro 3:04
8 III. Largo 7:06
9 IV Allegro – Risoluto 4:16

Cello – Marek Jerie
Ensemble – Guarneri Trio Prague
Piano – Ivan Klánský
Violin – Čeněk Pavlík

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Trio Guarneri de Praga finalizando uma obra e aguardando seu aplauso. Sim, falei contigo mesmo, meu!

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos Nº 1 e 2 para Violoncelo e Orquestra (Ma, Nelsons, BSO)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos Nº 1 e 2 para Violoncelo e Orquestra (Ma, Nelsons, BSO)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Por alguma razão, o Concerto Nº 2 para Violoncelo e Orquestra de Shostakovich não é tão ouvido — eu o amo apaixonadamente desde que ouvi a gravação Rostropovich-Ozawa-BSO –, mas o Nº 1 estabeleceu-se firmemente no repertório básico das principais salas de concerto. Yo-Yo Ma já tinha gravado o Nº 1 com a Orquestra de Filadélfia e Eugene Ormandy. Agora ele grava pela primeira vez o Nº 2. Yo-Yo Ma toca com uma intensidade e eloquência que puxa o ouvinte para o CD e, como convém a alguém que é aclamado como um dos maiores violoncelistas de todos os tempos, dá uma demonstração de competência e musicalidade. Nelsons tem grande afinidade com Shostakovich e a dupla com Ma funciona admiravelmente. Uma joia!

Concerto Nº 1 para Violoncelo e Orquestra, Op. 107 (1959)

Shostakovich e o Rostropovich eram grandes amigos tendo, muitas vezes, viajado juntos fazendo recitais que incluíam entre outras obras, a Sonata para violoncelo e piano, opus 40, já comentada nesta série. Desde que se conheceram, o compositor avisara a Rostropovich que ele não deveria pedir-lhe um concerto diretamente, que o concerto sairia ao natural. Saíram dois. Quando Shostakovich enviou a partitura do primeiro, dedicada ao amigo, este compareceu quatro dias depois na casa do compositor com a partitura decorada. (Bem diferente foi o caso do segundo concerto, que foi composto praticamente a quatro mãos. Shostakovich escrevia uma parte, e ia testá-la na casa de Rostropovich; lá, mostrava-lhe as alternativas, os rascunhos ao violoncelista, que sugeria alterações e melhorias. Amizade.) Estilisticamente, este concerto deve muito à Sinfonia Concertante de Prokofiev – também dedicada a Rostropovich – e muito admirada pelos dois amigos. É curioso notar como os eslavos têm tradição em música grandiosa para o violoncelo. Dvorak tem um notável concerto, Tchaikovsky escreveu as Variações sobre um tema rococó, Kodaly tem a sua espetacular Sonata para Cello Solo e Kabalevski também tem um belo concerto dedicado a Rostropovich. O de Shostakovich é um dos de um dos maiores concertos para violoncelo de todo o repertório erudito e minha preferência vai para a imensa Cadenza de cinco minutos (3º movimento) e para o brilhante colorido orquestral do Allegro com moto final.

Concerto para Violoncelo e Orquestra Nº 2, Op. 126 (1966)

Uma obra-prima, novo produto da estreita colaboração entre Shostakovich e Rostropovich, a quem o concerto é dedicado. A tradição do discurso musical está aqui rompida, dando lugar a convenções próprias que são “aprendidas” pelo ouvinte no transcorrer da música. Não há nada de confessional ou declamatório neste concerto. Há arrebatadores efeitos sonoros que são logo propositadamente abandonados. A intenção é a de ser música absoluta e lúdica, mostrando-nos temas que se repetem e separam momentos convencionalmente sublimes ou decididamente burlescos. Nada mais burlesco do que a breve cadenza em que o violoncelo é interrompido pelo bombo, nada mais tradicional do que o tema que se repete por todo o terceiro movimento e que explode numa dança selvagem, acabando com o violoncelo num tema engraçadíssimo — como se fosse um baixo acústico — , para depois sustentar interminavelmente uma nota enquanto a percussão faz algo que nós, brasileiros, poderíamos chamar de batucada. Esta dança faz parte de uma longa preparação para um gran finale que novamente não chega a acontecer. Um concerto espantoso, original, capaz de fazer qualquer melômano feliz ao ver sua grande catedral clássica virada de ponta cabeça e, ainda assim, bonita.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos Nº 1 e 2 para Violoncelo e Orquestra (Ma, Nelsons, BSO)

Cello Concerto No.1, Op.107
01 I. Allegretto 06:36
02 II. Moderato 12:14
03 III. Cadenza 05:36
04 IV. Finale. Allegro con moto 04:48

Cello Concerto No.2, Op.126
05 I. Largo 13:21
06 II. Scherzo. Allegretto 04:44
07 III. Finale. Allegretto 16:10

Yo-Yo Ma
Boston Symphony Orchestra
Andris Nelsons

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Ma e Nelsons em ação total.

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Os 2 Concertos para Violino (Kaler, Wit)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Os 2 Concertos para Violino (Kaler, Wit)

Achei por bem postar este maravilhoso CD, porquanto desde o momento em que pude ouvi-lo, fiquei absurdamente satisfeito. Traz os dois concertos para violino de um dos meus compositores favoritos – Shostakovich. A música de Shosta sempre foi geradora de um intenso mistério em mim. Existe um profundo senso trágico, de lamento, de dor velada, de angústia represada, talvez fruto de suas emoções incontidas; de seu silêncio aflito. Quiçá eu possua um pouco do compositor soviético em mim. Shosta seria quem foi em qualquer lugar do universo. Li isso uma vez num texto escrito pelo Milton Ribeiro. Verifiquei que ele foi muito feliz nessa assertiva. De fato, em se tratando de Shostakovich, o regime soviético serviu apenas como um aspecto contingente em seu âmago como ser histórico. O compositor se portaria como essa figura introvertida, silenciosa e de alma vulcânica, mesmo em outro país. Gosto muito dessas gravações da Naxos. A Naxos possui um charme curioso. Sinto-me compelido a postar tudo o que consigo dela. Um bom deleite!

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Os 2 Concertos para Violino (Kaler, Wit)

Violin Concerto No. 1 in A minor, Op. 99
01. I. Nocturne
02. II. Scherzo
03. III. Passacaglia
04. IV. Burlesque

Violin Concerto No. 2 in C sharp minor, Op. 129
05. I. Moderato
06. II. Adagio
07. III. Adagio – Allegro

Polish National Radio Symphony Orchestra (Katowice)
Antonio Wit, regente
Ilya Kaler, violino

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Kaler é um Mestre (a letra maiúscula não foi casual)

Carlinus

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 7, Op. 60, “Leningrado” (Slovák)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 7, Op. 60, “Leningrado” (Slovák)

Esta Sinfonia está longe de ser minha obra preferida de Shosta, mas é bastante apreciada por aí, talvez por seu simbolismo e posição histórica. É uma obra politicamente carregada, composta em meio ao cerco de Leningrado pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Foi composta em 1941, logo após a invasão alemã da União Soviética e estreada em Leningrado em 1942, com a cidade ainda sitiada. A partitura foi levada em microfilme até a cidade. A orquestra local estava tão fragilizada pela fome que músicos do exército tiveram que ser convocados para completar os naipes. É uma sinfonia em quatro movimentos, grandiosa, com mais de uma hora de duração. O movimento mais célebre é o primeiro, com sua célebre “marcha da invasão”. Oficialmente, foi saudada como símbolo da resistência soviética ao nazismo. Mas muitos ouvintes e críticos — principalmente no Ocidente — perceberam que a sinfonia poderia ser uma crítica dupla, tanto ao terror de Hitler quanto ao de Stálin. É uma sinfonia de guerra, mas também de luto e ambiguidade moral.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 7, Op. 60, “Leningrado” (Slovák)

Symphony No. 7 in C Major, Op. 60, “Leningrad”
1 I. Allegretto 26:08
2 II. Moderato (Poco allegretto) 10:15
3 III. Adagio 19:20
4 IV. Allegro non troppo 16:42

Slovak Radio Symphony Orchestra
Ladislav Slovák

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Shosta tentou se alistar, mas foi recusado. Trabalhou como bombeiro (foto).

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): A Execução de Stepan Razin y otras cositas (Schwarz)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): A Execução de Stepan Razin y otras cositas (Schwarz)

Este CD vale por Stepan Razin e pelo Cinco Fragmentos orquestrais preparatórios para a Sinfonia Nº 4. Outubro é uma música escrita para comemorar os 50 anos da revolução socialista e é um horror, data de uma época em que o relacionamento entre Shostakovich e o regime soviético ia muito mal.

A Execução de Stepan Razin, Op. 119 (1964), assim como a Sinfonia Nº 13, foi baseada em poemas de Ievtushenko. Trata-se de uma obra coral-sinfônica poderosa e pouco conhecida fora da Rússia, mas essencial para entender o compositor em sua fase mais sombria e politicamente carregada. Stepan Razin foi um líder cossaco do século XVII que liderou uma rebelião camponesa contra o czar e foi executado brutalmente. Tornou-se símbolo da resistência popular na cultura russa. Shostakovich usou texto do mesmo poeta de Babi Yar, mas aqui o foco é a violência do Estado e o sacrifício dos rebeldes. Composta durante o governo de Brejnev, a obra ecoa críticas indiretas à repressão stalinista (que Shostakovich sofreu). O baixo representa Razin (voz grave e heroica), enquanto o coro é o “povo” — alternando entre gritos de revolta e lamento. A orquestra cria cenas vívidas: cavalos galopando (trompetes), golpes de machado (tímpanos), o rio Volga (cordas graves). O clímax é aterrorizante: a execução é retratada com acordes dissonantes e um silêncio súbito; depois, o coro sussurra “E o rio flui…”, simbolizando que a luta continua. Há trechos que lembram músicas folclóricas e marchas militares, mas distorcidas — uma crítica à propaganda soviética que glorificava “heróis” enquanto perseguia dissidentes. Stepan foi banida de gravações por anos, pois autoridades viram na figura de Razin um paralelo com rebeldes modernos, claro.

Nos anos 1960, jovens russos viram Razin como um “Che Guevara” medieval. A obra ressurgiu em protestos contra autoritarismo, como, por exemplo, as manifestações na Bielorrússia em 2020. A curiosidade é que Shostakovich disse que compôs o final — onde a cabeça decepada de Razin rola pelo chão — inspirado em pesadelos.

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – A Execução de Stepan Razin y otras cositas (Schwarz)

1. The Execution Of Stepan Razin, Symphonic Poem For Baritone Soloist, Mixed Chorus And Orchestra Op.119 (28:37)
Conductor Gerard Schwarz
Performer Charles Austin (Bass Baritone)
Ensemble Seattle Symphony Orchestra

2. October, Op.131 (13:10)
Conductor Gerard Schwarz
Ensemble Seattle Symphony Orchestra

Cinco Fragmentos, Op. 42 (10:35)
3. Moderato
4. Andante
5. Largo
6. Moderato
7. Allegretto
Conductor Gerard Schwarz
Ensemble Seattle Symphony Orchestra

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Em imagem de Sergei Kirillov, Stepan Razin

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 13, Op. 113, Babi Yar (Slóvak)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 13, Op. 113, Babi Yar (Slóvak)

Já falei 30 vezes sobre esta obra-prima de inigualável carga humana, então vamos falar lá de sua gênese. A seguir, vocês lerão algo pra lá de INUSITADO. Preparem-se.

A autoimolação de Valéri Kosolápov ao publicar Babi Yar

Por Vadim Málev, em 10 de junho de 2020
Texto de Milton Ribeiro a partir de tradução oral de Elena Romanov

Hoje é o dia dos 110 anos do nascimento de Valéri Kosolápov. Mas quem é esse Valéri Kosolápov? Por que deveria escrever sobre ele e você deveria ler? Valéri Kosolápov tornou-se um grande homem em uma noite e, se não fosse assim, talvez não conhecêssemos o poema de Yevgeny Yevtushenko (Ievguêni Ievtuchenko) Babi Yar. Kosolápov era então editor do Jornal de Literatura (Literatúrnii Jurnál), o qual publicou corajosamente o poema em 19 de setembro de 1961. Foi um feito civil real.

Afinal, o próprio Yevtushenko admitiu que esses versos eram mais fáceis de escrever do que de publicar naquela época. Tudo se deve ao fato de o jovem poeta ter conhecido o escritor Anatoly Kuznetsov, autor do romance Babi Yar, que contou verbalmente a Yevtushenko sobre a tragédia acontecida naquela assim chamada ravina (ou barranco). Por consequência, Yevtushenko pediu a Kuznetsov que o levasse até o local e ele ficou chocado com o que viu.

“Eu sabia que não havia monumento lá, mas esperava ver algum tipo de placa in memorian ou ao menos algo que mostrasse que o local era de alguma forma respeitado. E de repente me vi num aterro sanitário comum, que era como imenso sanduíche podre. E era ali que dezenas de milhares de pessoas inocentes — principalmente crianças, idosos e mulheres — estavam enterradas. Diante de nossos olhos, no momento em que estava lá com Kuznetsov, caminhões chegaram e despejaram seu conteúdo fedorento bem no local onde essas vítimas estavam. Jogaram mais e mais pilhas de lixo sobre os corpos”, disse Yevtushenko.

Ele questionou Kuznetsov sobre porque parecia haver uma vil conspiração de silêncio sobre os fatos ocorridos em Babi Yar? Kuznetsov respondeu que 70% das pessoas que participaram dessas atrocidades foram policiais ucranianos que colaboraram com os nazistas. Os alemães lhes ofereceram o pior e mais sujo dos trabalhos, o de matar judeus inocentes.

Yevtushenko ficou estupefato. Ou, como disse, ficou tão “envergonhado” com o que viu que naquela noite compôs seu poema. De manhã, foi visitado por alguns poetas liderados por Korotich e leu alguns novos poemas para eles, incluindo Babi Yar… Claro que um dedo-duro ligou para as autoridades de Kiev e estas tentaram cancelar a leitura pública que Yevtushenko faria à noite. Mas ele não desistiu, ameaçou com escândalo e, no dia seguinte ao que fora escrito, Babi Yar foi ouvido publicamente pela primeira vez.

Yevtushenko lê seus poemas. Nos anos sessenta, os poetas podiam reunir milhares de pessoas…

Passemos a palavra a Yevtushenko: “Depois da leitura, houve um momento de silêncio que me pareceu interminável. Uma velhinha saiu da plateia mancando, apoiando-se em uma bengala, e encaminhou-se lentamente até o palco onde eu me encontrava. Ela disse que estivera em Babi Yar, que fora uma das poucas sobreviventes que conseguiu rastejar entre os cadáveres para se salvar. Ela fez uma reverência para mim e beijou minha mão. Nunca antes alguém beijara minha mão”.

Então Yevtushenko foi ao Jornal de Literatura. Seu editor era Valéri Kosolápov, que substituiu o célebre Aleksandr Tvardovsky no posto. Kosolápov era conhecido como uma pessoa muito decente e liberal, naturalmente dentro de certos limites. Tinha ficha no Partido, claro, caso contrário, nunca acabaria na cadeira de editor-chefe. Kosolápov leu Babi Yar e imediatamente disse que os versos eram muito fortes e necessários.

— O que vamos fazer com eles? — pensou Kosolápov em voz alta.

— Como assim? — Yevtushenko respondeu, fingindo que não tinha entendido — Vamos publicar!

Yevtushenko sabia muito bem que, quando alguém dizia “versos fortes”, logo depois vinha “mas, eu não posso publicar isso”. Mas Kosolápov olhou para Yevtushenko com tristeza e até com alguma ternura. Como se esta não fosse sua decisão.

— Sim.

Depois pensou mais um pouco e disse:

— Bem, você vai ter que esperar, sente-se no corredor. Eu tenho que chamar minha esposa.

Yevtushenko ficou surpreso e o editor continuou:

— Por que devo chamar minha esposa? Porque esta deve ser uma decisão de família.

— Por que de família?

— Bem, eles vão me demitir do meu cargo quando o poema for publicado e eu tenho que consultá-la. Aguarde, por favor. Enquanto isso, já vamos mandando o poema para a tipografia.

Kosolápov sabia com certeza que seria demitido. E isso não significava simplesmente a perda de um emprego. Isso significava perda de status, perda de privilégios, de tapinhas nas costas de poderosos, de jantares, de viagens a resorts de prestígio …

Yevtushenko ficou preocupado. Sentou no corredor e esperou. A espera foi longa e insuportável. O poema se espalhou instantaneamente pela redação e pela gráfica. Operários da gráfica se aproximaram dele, deram-lhe parabéns, apertaram suas mãos. Um velho tipógrafo veio. “Ele me trouxe um pouco de vodka, um pepino salgado e um pedaço de pão”, contou o poeta. E este velho disse: — “Espere, espere, eles imprimirão, você verá.”

E então chegou a esposa de Kosolápov e se trancou com o marido em seu escritório por quase uma hora. Ela era uma mulher grande. Na Guerra, ela fora uma enfermeira que carregara muitos corpos nos ombros. Essa rocha saiu da reunião, aproximando-se de Yevtushenko: “Eu não diria que ela estava chorando, mas seus olhos estavam úmidos. Ela olhou para mim com atenção e sorriu. E disse: ‘Não se preocupe, Jenia, decidimos ser demitidos’.”

Olha, é simplesmente lindo: “Decidimos ser demitidos”. Foi quase um ato heroico. Somente uma mulher que foi para a front sob balas podia não ter medo.

Na manhã seguinte, chegou um grupo do Comitê Central, aos berros: “Quem deixou passar, quem aprovou isto?”. Mas já era tarde demais — o jornal estava à venda em todos os quiosques. E vendia muito.

“Durante a semana, recebi dez mil cartas, telegramas e radiogramas. O poema se espalhou como um raio. Foi transmitido por telefone a fim de ser publicado em locais mais distantes. Eles ligavam, liam, gravavam. Me ligaram de Kamchatka. Perguntei como tinham lido lá, porque o jornal ainda não tinha chegado. “Não chegou, mas pessoas nos leram pelo telefone, nós anotamos”, contou Yevtushenko.

Claro que as autoridades não gostaram e trataram de se vingar. Artigos aos montes foram escritos contra Yevtushenko. Kosolápov foi demitido.

O que salvou Yevtushenko foi a reação mundial. Em uma semana, o poema foi traduzido para 72 idiomas e publicado nas primeiras páginas de todos os principais jornais, incluindo os norte-americanos. Em pouco tempo, Yevtushenko recebeu outras 10 mil cartas agora de diferentes partes do mundo. E, é claro, não apenas judeus escreveram cartas de agradecimento, o poema fisgou muita gente. Mas houve muitas ações hostis contra o poeta. A palavra “judeu” foi riscada em seu carro e, pior, ele foi ameaçado e criticado em várias oportunidades.

“Vieram até meu edifício uns universitários enormes, do tamanho de jogadores da basquete. Eles se comprometeram a me proteger voluntariamente, embora não houvesse casos de agressão física. Mas poderia acontecer. Eles passavam a noite nas escadarias do meu prédio. Minha mãe os viu. As pessoas realmente me apoiaram ”, lembrou Yevtushenko.

— E, o milagre mais importante, Dmitri Shostakovich me telefonou. Minha esposa e eu não acreditamos, pensamos que era mais um gênero de intimidação ou que estavam aplicando um trote em nós. Mas Shostakovich apenas me perguntou se eu daria permissão para escrever música sobre meu poema.

Esta história tem um belo final. Kosolápov aceitou tão dignamente sua demissão que o pessoal do Partido ficou assustado. Eles decidiram que se ele estava tão calmo era porque tinha proteção de alguém muito importante e superior… Depois de algum tempo, ele foi chamado para ser editor-chefe da revista Novy Mir. “E apenas a consciência o protegia”, resumiu Yevtushenko. “Era um Verdadeiro Homem.”

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 13, Op. 113, Babi Yar (Slóvak)

1 I. Babi Yar 14:54
2 II. Yumor (Humor) 07:39
3 III. V Magazine (At the Store) 12:22
4 IV. Strachi (Fears) 12:13
5 V. Kariera (Career) 11:35

Baixo: Mikuláš, Peter
Orquestra: Slovak Radio Symphony Orchestra
Coro de baixos: Slovak Philharmonic Chorus
Regente: Slovák, Ladislav

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Dmitri Shostakovich e Yevgeny Yevtushenko no palco, logo após a estreia da Sinfonia Babi Yar.

PQP

Francis Poulenc (1899-1963): Complete Chamber Music Vol. 2 (Tharaud e outros)

Francis Poulenc (1899-1963): Complete Chamber Music Vol. 2 (Tharaud e outros)

Esse disco é muito bom, e seu destaque é a Sonata para Clarinete e Piano, certo? A Sonata para Clarinete e Piano de Francis Poulenc, escrita em 1962, é uma das últimas obras do compositor e um dos pilares do repertório de câmara para clarinete. Foi composta em memória de Arthur Honegger, colega de Poulenc no grupo Les Six. Estava destinada a ser estreada por Benny Goodman (sim, o lendário clarinetista de jazz) com Poulenc ao piano, mas o compositor morreu antes da estreia. A primeira apresentação foi feita por Goodman e Leonard Bernstein. É mole? Poulenc combina clareza, humor, lirismo e melancolia. Sua escrita para clarinete aproveita a expressividade do instrumento, seu calor, sua agilidade e seu senso de humor. Apesar de ser uma homenagem, né? fúnebre, a sonata nunca se afunda em tragédia. Ela é elegante na dor, contida, como um suspiro que prefere o pudor.

Francis Poulenc (1899-1963): Complete Chamber Music Vol. 2 (Tharaud e outros)

Sonata For Violin And Piano (18:26)
1 Allegro Con Fuoco 6:34
2 Intermezzo: Très Lent Et Calme 5:45
3 Presto Tragico 6:01
4 Bagatelle In D Minor For Violin And Piano 2:17

Sonata For Clarinet In B Flat And Piano (13:24)
5 Allegro Tristamente: Allegretto – Très Calme – Tempo Allegretto 5:14
6 Romanza: Très Calme 4:55
7 Allegro Con Fuoco: Très Animé 3:11

Sonata For Piano And Cello (21:51)
8 Allegro – Tempo Di Marcia: Sans Traîner 5:41
9 Cavatine: Très Calme 6:21
10 Ballabile: Très Animé Et Gai 3:18
11 Finale: Largo, Très Librement – Presto Subito 6:22

Cello – Françoise Groben (tracks: 8 to 11)
Clarinet – Ronald Van Spaendonck (tracks: 5 to 7)
Piano – Alexandre Tharaud
Violin – Graf Mourja* (tracks: 1 to 4)

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Alexandre Tharaud testando um dos pianos da Arapiraca Royal Chamber Music Hall.

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 5, Op. 47 (Concertgebouw, Haitink)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 5, Op. 47 (Concertgebouw, Haitink)

Eu, PQP Bach, perdi os links de minhas postagens desde agosto de 2016. Claro que esta versão já foi postada, mas é boa que vamos de novo. A Sinfonia Nº 5, Op. 47, de Dmitri Shostakovich, é uma das obras mais emblemáticas do século XX — ao mesmo tempo uma obra-prima musical e um documento histórico codificado. Composta em 1937, durante o auge do terror stalinista, a obra foi oficialmente anunciada como “a resposta criativa de um artista a críticas justas” — uma referência às severas críticas que o compositor havia sofrido por parte do regime, especialmente após sua ópera Lady Macbeth de Mtsensk ter sido condenada como “formalista” no jornal Pravda. Mas a Sinfonia nº 5 é tudo menos submissa. A Quinta é como uma máscara — por fora, conformidade e heroísmo soviético, por dentro, crítica sutil, melancolia e coragem.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 5, Op. 47 (Concertgebouw, Haitink)
I Moderato 17:59
II Allegretto 5:23
III Largo 15:36
IV Allegro Non Troppo 10:32

Concertgebouw Orchestra
Bernard Haitink

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Um Shosta adulto rindo? Coisa rara!

PQP

Prokofiev & Shostakovich: Concertos para Violino Nº 1 (Vengerov / Rostropovich)

Prokofiev & Shostakovich: Concertos para Violino Nº 1 (Vengerov / Rostropovich)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este CD recebeu todos os prêmios possíveis de se ganhar em 1994. Mereceu, é sensacional, esplêndido, até hoje imbatível, creio. Rostropovich estendeu a mão para o menino Vengerov, na época com 20 anos, para que ele subisse nos ombros de gigantes como Kogan e Oistrakh e conseguisse superá-los. Aqui, Rostrô atua como regente. Não há nada mais ou menos nesta gravação — solista, orquestra e regente estão impecáveis. Se o destaque é o tenso Concerto de Shostakovich, Prokofiev não lhe fica atrás. Creio que Rostrô deve ter orientado Vengerov a fazer a mais dilacerante das cadenzas na Passacaglia de Shosta, uma especialidade de Oistrakh. Nela o violino acaba abandonado pela orquestra, realizando um belíssimo e longo solo que dá entrada ao movimento final. Este CD é um dos que devem ser levados para a ilha deserta ou, no mínimo, deve ser guardado no nosso ventrículo esquerdo, que é onde o coração bate mais forte.

Prokofiev: Concerto para Violino Nº 1 / Shostakovich: Concerto para Violino Nº 1 (Vengerov / Rostropovich)

1. Prokofiev: Violin Concerto No. 1 In D Major, Op. 19: Andantino
2. Prokofiev: Violin Concerto No. 1 In D Major, Op. 19: Scherzo: Vivacissimo
3. Prokofiev: Violin Concerto No. 1 In D Major, Op. 19: Moderato

4. Shostakovich: Violin Concerto No.1 In A Minor: Nocturne: Moderato
5. Shostakovich: Violin Concerto No.1 in A minor: Scherzo: Allegro
6. Shostakovich: Violin Concerto No.1 in A minor: Passacaglia: Andante
7. Shostakovich: Violin Concerto No.1 in A minor: Burlesque: Allegro con brio

Performed by London Symphony Orchestra
with Maxim Vengerov, violin
Conducted by Mstislav Rostropovich

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Prok e Shosta: os autores dos grandes concertos deste excepcional CD.

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 8, 1 e 9 (Éder Quartet)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 8, 1 e 9 (Éder Quartet)

Mais um CD com os Quartetos de Shostakovich com o Éder. O Quarteto Nº 1, Op. 49, de 1938 tem um tom surpreendentemente leve e neoclássico. Foi composto quando Shosta tinha 32 anos. Ele traz movimentos curtos, melodias líricas, livre da angústia das obras posteriores. O Quarteto Nº 8, Op. 110, de 1960 é o mais famoso da série. Foi composto em 3 dias durante uma crise de depressão suicida, em Dresden. É autobiográfico. Shosta usa as iniciais D-S-C-H como tema recorrente — sua “assinatura musical”. É pura tragédia pura, com movimentos repletos de citações de suas sinfonias (como a Nº 5) e do canto judaico “Vítimas do Fascismo”. Sim, parte dos judeus mudaram e hoje são agentes do que há de pior… O Quarteto Nº 9, Op. 117 (1964) teve sua primeira versão em 1961. O estilo aqui é abstrato e experimental, com dissonâncias e um final ambíguo. Rapidamente: Nº 1, juventude e clareza; Nº 8, obra-prima da dor, densa e pessoal; Nº 9: reinvenção pós-trauma, enigmático.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 8, 1 e 9 (Éder Quartet)

String Quartet No. 8 in C Minor, Op. 110
1 I. Largo 04:41
2 II. Allegro molto 02:42
3 III. Allegretto 04:08
4 IV. Largo 05:05
5 V. Largo 03:42

String Quartet No. 1 in C Major, Op. 49
6 I. Moderato 04:16
7 II. Moderato 04:37
8 III. Allegro molto 02:25
9 IV. Allegro 03:24

String Quartet No. 9 in E-Flat Major, Op. 117
10 I. Moderato con moto 04:26
11 II. Adagio 03:58
12 III. Allegretto 03:54
13 IV. Adagio 03:36
14 V. Allegro 10:03

Éder Quartet

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Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 1 e Concerto para Piano Nº 1 (Rudy, Antonsen, Jansons)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 1 e Concerto para Piano Nº 1 (Rudy, Antonsen, Jansons)

A Sinfonia Nº 1, Op. 10, de Dmitri Shostakovich, é uma obra revolucionária — composta quando ele tinha apenas 19 anos (1924–1925) e estreada em 1926 pela Orquestra Filarmônica de Leningrado. Mesmo sendo uma peça de juventude, já revela seu gênio dramático, a ironia mordaz e a maestria orquestral. Shostakovich compôs a sinfonia como trabalho de formatura no Conservatório de Leningrado, sob pressão financeira (sua família passava dificuldades após a Revolução Russa). A URSS dos anos 1920 vivia um período de relativa liberdade artística (antes do stalinismo), o que permitiu a ousadia da obra. A estreia foi um sucesso estrondoso, projetando Shosta como o maior talento da nova música soviética. A obra escapa dos clichês da época: não é heroica, mas cheia de ambiguidades. Prepara o terreno para suas sinfonias posteriores, onde a tensão entre conformismo e subversão se tornaria vital. Já o Concerto para Piano, Trompete e Orquestra de Cordas, Op. 35 (1933) é uma das obras mais irreverentes e brilhantes do compositor, misturando ironia, virtuosismo e uma pitada de escândalo. Foi composto durante um raro período de “folga” artística antes do Grande Expurgo stalinista. Shostakovich estava envolvido com música para cinema e teatro, daí o tom cinematográfico — de cinema mudo no final do Concerto! — e satírico da obra. A obra foi chamada de “frívola” e “burguesa” — um prenúncio dos ataques que sofreria em 1936. Shostakovich adorava música de cabaré, e isso transparece nos ritmos sincopados e no trompete malcomportado…

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 1 e Concerto para Piano Nº 1 (Rudy, Antonsen, Jansons)

Symphony No. 1 In F Minor, Op. 10
1 I: Allegretto – Allegro Non Troppo 8:20
2 II: Allegro 4:56
3 III: Lento – 9:08
4 IV: Allegro Molto – Lento – Allegro Molto 9:32

Concerto For Piano, Trumpet And Strings In C Minor, Op. 35
Piano – Mikhail Rudy*
Trumpet – Ole Edvard Antonsen
5 I: Allegro Moderato – Allegro Vivace – Moderato – 5:58
6 II: Lento – 8:30
7 III: Moderato – 1:41
8 IV: Allegro Con Brio – Presto – Allegretto Poco Moderato – Allegro Con Brio 6:45

Conductor – Mariss Jansons
Orchestra – Berliner Philharmoniker

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Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 4, 6 e 7 (Éder Quartet)

Shostakovich utilizou os quartetos de cordas para expressar o que não podia em sinfonias (mais vigiadas pelo regime). Do Nº 8 em diante, eles se tornam cartas cifradas sobre morte, culpa e resistência. Mas falemos rapidamente sobre as obras deste CD. Porém, vejam bem, o Quarteto Nº 4, Op. 83, de 1949, foi censurado! Escrito durante o zhdanovismo, apenas foi estreado em 1953, após Stalin morrer. O Quarteto Nº 6, Op. 101, é de 1956 e o contexto já é o do “Degelo” de Khrushchev. Shostakovich respirava alívio. Destaque para o movimento Lento. Já o Quarteto Nº 7, Op. 108, de 1960, é breve e intenso, uma obra-prima. É dedicado à memória de sua primeira esposa e cheio de um luto contido. Nina Varzar (Varzar-Shostakovich) era uma física brilhante, foi o porto seguro de Shostakovich durante os anos de perseguição stalinista. Sua morte mergulhou Shostakovich em uma depressão profunda. O Éder Quartet — cujo nome é dedicado ao ex-ponta-esquerda o Atlético-MG e da Seleção Brasileira — é impecável. PQP Bach também é fake news e tio do Whats.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 4, 6 e 7 (Éder Quartet)

String Quartet No. 4 in D Major, Op. 83
1 I. Allegretto 03:17
2 II. Andantino 07:14
3 III. Allegretto 03:44
4 IV. Allegretto 08:24

String Quartet No. 6 in G Major, Op. 101
5 I. Allegretto 06:47
6 II. Moderato con moto 05:16
7 III. Lento 05:20
8 IV. Lento – Allegretto 07:46

String Quartet No. 7 in F-Sharp Minor, Op. 108
9 I. Allegretto 03:38
10 II. Lento 03:24
11 III. Allegro 05:32

Éder Quartet

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Shostakovich ao ouvir a última da família Bolsonaro

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¡Que viva la Reina! – Martha Argerich, 84 anos [Rendez-vous with Martha Argerich, vol. 3]

Mais um outono para a Rainha, e desta feita ela nos presenteia com gravações novas – tão novas, claro, quanto podem ser as de alguém tão avessa aos estúdios e afeita a dividir a ribalta com jovens colegas e os parceiros de sempre. Estas que ora lhes apresento foram feitas algumas semanas depois do seu octagésimo aniversário, em junho de 2021, no festival que Martha vem consolidando em Hamburgo e no qual desfruta do privilégio de selecionar a pinça o tradicional petit comité que tem garantido muito de sua longeva alegria em pisar palcos.

No que tange a Sua Majestade, o melhor que ela nos oferece nesses volumes são a leitura da sonata Op. 30 no. 3 de Beethoven, com Renaud Capuçon – seu mais frequente e afiado parceiro ao arco, nos últimos anos -, um ebuliente Segundo Concerto de Ludwig, e o belíssimo Trio de Mendelssohn, ao lado de Mischa Maisky e da über-diva Anne-Sophie Mutter. A família Margulis – Jura, Alissa e Natalia – traz um azeitadíssimo Trio “Fantasma” e um mui tocante “Canto dos Pássaros”, joia folclórica catalã posta em pauta por Pau Casals. O variado cardápio também inclui as “Canções e Danças da Morte” de Mussorgsky, com o ótimo baixo Michael Volle, e uma Sonata para dois pianos e percussão de Bartók para a qual a Rainha, que tanto a tocou com nosso Nelson Freire, convidou seu outro Nelson favorito, o compatriota Goerner. O melhor retrogosto, entretanto, não foi o que veio de dedos hermanos, e sim das diminutas mãos de Maria João em Schubert – que maravilhosos, os dois improvisos! – e da última apresentação pública de Nicholas Angelich, um brahmsiano que sempre honrou o grande hamburguense e fez da Segunda Sonata para viola e piano seu canto de cisne.

ooOoo

Uma breve nota: a partir de hoje, mudarei a maneira de compartilhar música com os leitores-ouvintes. Cansei de ver a pedra rolar tantas vezes morro abaixo. Não farei mais comentários. Que venham os tomates.

Disco 1

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Sete Variações para violoncelo e piano sobre “Bei Männern, welche Liebe fühlen”, da ópera “Die Zauberflöte” de Wolfgang Amadeus Mozart, WoO 46
1 – Thema. Andante
2 – Variation I
3 – Variation II
4 – Variation III
5 – Variation IV
6 – Variation V: Si prenda il tempo un poco più vivace
7 – Variation VI. Adagio
8 – Variation VII. Allegro ma non troppo

Mischa Maisky, violoncelo
Martha Argerich,
piano

Das Três Sonatas para violino e piano, Op. 30:
Sonata no. 3 em Sol maior
9 – Allegro assai
10 – Tempo di Minuetto, ma molto moderato e grazioso
11 – Allegro vivace

Renaud Capuçon,
violino
Martha Argerich,
piano

Dos Dois Trios para piano, violino e violoncelo, Op. 70:
No. 1 em Ré maior, “Fantasma”
12 – Allegro vivace e con brio
13 – Largo assai ed espressivo
14 – Presto

Alissa Margulis, violino
Natalia Margulis, violoncelo
Jura Margulis, piano


Disco 2

Ludwig van BEETHOVEN

Concerto para piano e orquestra no. 2 em Si bemol maior, Op. 19
1 – Allegro con brio
2 – Adagio
3 – Rondo. Molto allegro

Martha Argerich, piano
Symphoniker Hamburg
Sylvain Cambreling
, regência

Jakob Ludwig Felix MENDELSSOHN-Bartholdy (1809-1847)

Trio para piano, violino e violoncelo no. 1 em Ré menor, Op. 49
4 – Molto allegro agitato
5 – Andante con moto tranquillo
6 – Scherzo: Leggiero e vivace
7 – Finale: Allegro assai appassionato

Anne-Sophie Mutter, violino
Mischa Maisky
, violoncelo
Martha Argerich
, piano

Johannes BRAHMS (1833-1897)

Das Duas Sonatas para clarinete e piano, Op. 120 (transcritas para viola e piano pelo compositor):
Sonata no. 2 em Mi bemol maior
8 – Allegro amabile
9 – Allegro appassionato
10 – Andante con moto – Allegro – Più tranquillo

Gérard Caussé, viola
Nicholas Angelich,
piano


Disco 3

Franz Peter SCHUBERT (1797-1828)

Dos Improvisos para piano, D. 935 (Op. Posth. 142):
No. 2 em Lá bemol maior
1 – Allegretto
No. 3 em Si bemol maior, “Rosamunde”
2 – Andante

Sonata para piano em Lá maior, D. 664
3 – Allegro moderato
4 – Andante
5 – Allegro

Maria João Pires, piano

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

Sonata para piano a quatro mãos em Dó maior, K. 521
6 – Allegro
7 – Andante
8 – Allegretto

Martha Argerich e Maria João Pires, piano


Disco 4

Pau CASALS i Defilló (1876-1973)

1 – El Cant dels Ocells, para violino, violoncelo e piano

Alissa Margulis, violino
Natalia Margulis,
violoncelo
Jura Margulis,
piano

Manuel de FALLA y Matheu (1876-1946)

Suite Popular Espanhola, para violino e piano
2 – El Paño Moruno
3 – Nana
4 – Canción
5 – Polo
6 – Asturiana
7 – Jota

Tedi Papavrami, violino
Maki Okada, piano

César-Auguste-Jean-Guillaume-Hubert FRANCK (1822-1890)

Quinteto em Fá menor para dois violinos, viola, violoncelo e piano
8 – Molto moderato quasi lento – Allegro
9 – Lento, con molto sentimento
10 – Allegro non troppo ma con fuoco

Akiko Suwanai e Tedi Papavrami, violinos
Lyda Chen, viola
Alexander Kniazev, violoncelo
Evgeni Bozhanov, piano


Disco 5

Astor Pantaleón PIAZZOLLA (1921-1992)

1 – Le Grand Tango

Gidon Kremer, violino
Georgijs Osokins, piano

Leonard BERNSTEIN (1918-1990)

Danças Sinfônicas de West Side Story, para dois pianos
2 – Prologue
3 – Somewhere
4 – Scherzo
5 – Mambo
6 – Cha-cha
7 – Meeting Scen
8 – Cool Fugue
9 – Rumble Track
10 – Finale

Anton Gerzenberg e Daniel Gerzenberg, pianos

Astor PIAZZOLLA

[Las] Estaciones Porteñas,para violino, violoncelo e piano
11 – Invierno Porteño
12 – Verano Porteño
13 – Otoño Porteño
14 – Primavera Porteña

Tedi Papavrami, violino
Eugene Lifschitz, violoncelo
Alexander Gurning, piano


Disco 6

Modest Petrovich MUSSORGSKY (1839-1881)

“Canções e Danças da Morte”
1 – Kolybel’naya [“Acalanto”]
2 – Serenada [Serenata]
3 – Trepak
4 – Polkovodets [“O Marechal de Campo”]

Michael Volle, baixo-barítono
Daniel Gerzenberg, piano

Béla Viktor János BARTÓK (1881-1945)

Sonata para dois pianos e percussão, Sz 110
5 – Assai lento
6 – Lento, ma non troppo
7 – Allegro non troppo

Martha Argerich e Nelson Goerner, pianos
Alexej Gerassimez e Lukas Böhm, percussão

Arno Harutyuni BABAJANYAN (1921-1983)

Trio em Fá sustenido menor para violino, violoncelo e piano
8 – Largo – Allegro espressivo – Maestoso
9 – Andante
10 – Allegro vivace

Michael Guttman, violino
Jing Zhao, violoncelo
Elena Lisitsian, piano

Disco 7

Dmitri Dmitriyevich SHOSTAKOVICH (1906-1975)

Sonata em Ré menor para violoncelo e piano, Op. 40
1 – Allegro non troppo
2 – Allegro
3 – Largo
4 – Allegro

Mischa Maisky, violoncelo
Martha Argerich, piano

Sergei Sergeiyevich PROKOFIEV (1891-1953)

Sonata em Ré maior para flauta e piano, Op. 94
5 – Moderato
6 – Presto – poco meno mosso
7 – Andante
8 – Allegro con brio – poco meno mosso

Susanne Barner, flauta
Martha Argerich, piano

Dmitri SHOSTAKOVICH

9 – Concertino em Lá menor para dois pianos, Op. 94

Martha Argerich e Lilya Zilberstein, pianos

Mieczysław WEINBERG (1919-1996)

Doze Miniaturas para flauta e piano, Op. 29
10 – Improvisação
11 – Arietta
12 – Burlesque
13 – Capriccio
14 – Noturno
15 – Valsa
16 – Ode
17 – Duo
18 – Étude
19  – Intermezzo
20 – Pastorale

Susanne Barner, flauta
Akane Sakai, piano

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