.: interlúdio :. Wynton Marsalis: Thick in the south

.: interlúdio :. Wynton Marsalis: Thick in the south

Um bom CD que vale pale segunda faixa, Elveen, homenagem ao baterista Elvin Jones, que está no grupo nesta faixa e na 5ª. De resto, adoro Marsalis, mas ouvi este disco sem real entusiasmo apesar do incrível apuro técnico e musicalidade do quinteto. As harmonias são lindas, mas nenhum dos temas é particularmente memorável e, embora os solos individuais sejam bons, não acontece muita coisa. No geral, é uma homenagem bastante estranha ao blues. Na verdade, o principal significado deste conjunto é que, aqui o grande trompetista reuniu pela primeira vez o núcleo do seu quinteto. Musicalmente esta trilogia pode ser contornada. ouça as gravações mais recentes de Marsalis. Não obstante, este é um álbum relaxante. Wynton Marsalis é um músico, compositor, líder de banda, aclamado educador e um dos principais defensores da cultura americana. Ele é o primeiro artista de jazz a tocar e compor em todo o espectro do gênero, desde as raízes de Nova Orleans até o bebop e o jazz moderno. Ao criar e executar uma ampla gama de músicas para quartetos e big bands, de conjuntos de música de câmara a orquestras sinfônicas, de sapateado a balé, Wynton expandiu o vocabulário do jazz e criou um corpo vital de trabalho que o coloca entre os mais importantes músicos de nosso tempo.

.: interlúdio :. Wynton Marsalis: Thick in the south

1 Harriet Tubman 7:39
2 Elveen 12:12
3 Thick In The South 10:14
4 So This Is Jazz, Huh 12:25
5 L.C. On The Cut 13:29

Bass – Bob Hurst
Drums – Elvin Jones (tracks: 2, 5), Jeff Watts
Piano – Marcus Roberts
Tenor Saxophone – Joe Henderson
Trumpet – Wynton Marsalis

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Wynton, um gênio.

PQP

.: interlúdio :. Jack DeJohnette – Special Edition (1979)

.: interlúdio :. Jack DeJohnette – Special Edition (1979)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um disco maravilhoso de um baterista. Lembro que emprestei o vinil para um baterista amigo meu e ele devolveu o disco cheio de partituras e anotações sobre os tempos. Claro que ele comprou o disco após enlouquecer desta maneira. Me contou que começou ouviu o disco às 22h e terminou às 7 da manhã. Ah, lembrei: ele ficou com o meu disco. me devolveu um novo porque disse que meu tinha sido muito usado. Bem, o álbum Special Edition, de Jack DeJohnette, marca um momento decisivo na trajetória do baterista como líder. Lançado no início dos anos 1980, o disco apresenta um quarteto poderoso — com David Murray, Arthur Blythe e Peter Warren — que se move com liberdade entre o pós-bop, o free jazz e estruturas mais abertas. Desde as primeiras faixas, percebe-se que não se trata apenas de um grupo de apoio, mas de um organismo coletivo vibrante, em que cada músico contribui com forte identidade, criando uma música tensa, expansiva e profundamente comunicativa. O que distingue Special Edition é justamente essa combinação entre energia bruta e senso de forma. A bateria de DeJohnette não é apenas rítmica, mas arquitetônica — ela conduz, comenta e reorganiza constantemente o fluxo musical. Os sopros alternam momentos de lirismo com explosões quase selvagens, enquanto o conjunto mantém uma coesão impressionante, mesmo nos trechos mais livres. O resultado é um álbum que soa ao mesmo tempo cerebral e visceral, afirmando-se como um dos registros mais marcantes do jazz contemporâneo daquele período — um encontro de forças criativas em estado de alerta permanente. Ouça ou, se for burro, morra!

Jack DeJohnette – Special Edition (1979)

1. One For Eric (DeJohnette)
2. Zoot Suite (DeJohnette)
3. Central Park West (Coltrane)
4. India (Coltrane)
5. Journey To The Twin Planet (DeJohnette)

David Murray – Clarinet (Bass), Sax (Tenor)
Arthur Blythe – Sax (Alto)
Jack DeJohnette – Drums, Synthesizer, Guitar, Piano, Melodica, Main Performer, Producer, Keyboards, Mellophonium
Peter Warren – Bass, Cello

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Jack DeJohnette em 1979. Autor de um dos melhores discos de jazz de todos os tempos.
Jack DeJohnette em 1979. Autor de um dos melhores discos de jazz de todos os tempos.

PQP

.: interlúdio .: Omar Sosa & Yilian Cañizares – Aguas (2018, MDC)

Dois músicos cubanos fazendo um tipo de música que às vezes cai pro lado do jazz, depois parece meio música de hall de hotel mas mais à frente traz momentos mais tortos que não cairiam tão bem no suposto hall onde os supostos turistas não querem nada que saia do controle.
Yilian Canizares alterna entre seu lado violinista e seu lado cantora. É nessa alternância que surgem as surpresas mais interessantes do álbum. Desnecessário explicar o motivo pelo qual certos momentos de influência africana soam familiares para ouvidos brasileiros, aliás o título de um disco mais recente de Yilian é Habana-Bahia.
Omar já tinha aparecido no blog (aqui), Tilian faz sua estreia hoje e, salvo engano, não tem histórico de muitas visitas ao Brasil. É uma pena: sua música é bastante compreensível para os nossos ouvidos e ao mesmo tempo foge dos lugares comuns de gêneros como o latin jazz, a salsa e a bossa nova.

Omar Sosa, Yilian Cañizares:
1 Duo de Aguas 3:12
2 Dos Bendiciones 4:01
3 De La Habana y Otras Nostalgias 4:28
4 Milonga 7:17
5 O Le Le 5:03
6 Sanzara 5:38
7 Sonrisas de Ninos 3:58
8 Oshun 3:51
9 Se Van Los Mios 5:31
10 La Respiracion 4:37
11 D2 de Africa 7:15

Recording: Cavalicco, Italia, 2017
Omar Sosa: Piano, Fender Rhodes, Keyboards, Programming & Samples, Backing Vocals
Yilian Cañizares: Violin, Vocals, Programming & Samples

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Yilian Cañizares

Pleyel

.: interlúdio :. Alice Coltrane (1937-2007) – Journey in Satchidananda (1970)

Nascida em 1937, Alice Coltrane foi uma pianista de jazz que fez seu nome – antes de ter esse sobrenome – a partir de 1960 como improvisadora em Paris e Detroit. Quando tocava em Nova York com o vibrafonista Terry Gibbs em 1962, ela conheceu John Coltrane. No ano seguinte, Alice saiu abruptamente da banda de Terry Gibbs, dizendo a ele que ia se casar com Coltrane. John e Alice tiveram três filhos juntos. Em toda a década de 60, a música de John Coltrane tomava progressivamente uma dimensão espiritual. Ele dizia que, após esse acordar espiritual, “não dá mais para esquecê-lo. Torna-se parte de tudo que você faz.”

John Coltrane morreu de câncer de fígado em 1967. Por algum tempo, Alice dormiu mal, teve visões, emagreceu. Nas profundezas de sua dor, Alice tornou-se discípula de Swami Satchidananda, guru indiano especialista em Hatha Yoga. Seus conselhos e orientação espiritual acalmaram seu espírito, enquanto ela estudava harpa, instrumento que, segundo a lenda, teria sido encomendado por John Coltrane mas ele não teve tempo de vê-la tocando. (informações tiradas daqui)

O tipo de “spiritual jazz” que Alice Coltrane fez na década de 1970 se insere em um movimento que também contou com o inglês John McLaughlin (Mahavishnu Orchestra) e o mexicano/americano Carlos Santana, ambos também muito influenciados por Coltrane. E no álbum Journey in Satchidananda, de 1970, temos músicos do último grupo liderado por Coltrane: Pharoah Sanders no sax e Rashied Ali na bateria e percussão. Além, é claro, de Alice, que tinha substituído o pianista McCoy Tyner no fim de 1965. Na última faixa, gravada ao vivo, Charlie Haden aparece no baixo, mas a estrela desse momento final do álbum é o diálogo entre a harpa e o oud (instrumento da família do alaúde, comum no mundo islâmico), pontuado por aparições do sax.

O título do álbum dá boas pistas: é uma jornada. Alice Coltrane nos leva a um território inexplorado no jazz, com base em múltiplas culturas e diversos instrumentos, mas sobretudo com base na emoção.

Alice Coltrane (1937-2007) – Journey in Satchidananda (1970)

1. Journey in Satchidananda – 6:39
2. Shiva-Loka – 6:37
3. Stopover Bombay – 2:54
4. Something About John Coltrane – 9:44
5. Isis and Osiris – 11:49
All compositions by Alice Coltrane

Tracks 1-4
Alice Coltrane – piano, harp
Pharoah Sanders – soprano saxophone, percussion
Cecil McBee – double bass
Rashied Ali – drums
Tulsi – tanpura
Majid Shabazz – bells, tambourine
Recorded at the Coltrane home studio, Dix Hills, New York, on November 8, 1970

Track 5
Alice Coltrane – harp
Pharoah Sanders – soprano saxophone, percussion
Rashied Ali – drums
Charlie Haden – bass
Vishnu Wood – oud
Recorded live at The Village Gate, New York City, on July 4, 1970

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Alice Coltrane tocando harpa

Pleyel (postagem original de 2022)

 

.: interlúdio :. Charles Mingus & Eric Dolphy: The Complete Bremen Concert

.: interlúdio :. Charles Mingus & Eric Dolphy: The Complete Bremen Concert

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Há pouco mais de 50 anos, Charles Mingus, Eric Dolphy e o sexteto de Mingus davam esta inacreditável comprovação de musicalidade e talento para uma plateia de Bremen. Dois meses depois, Dolphy morreria da forma mais estúpida possível: na tarde de 18 de Junho de 1964, ele caiu nas ruas de Berlim e foi levado a um hospital. Os enfermeiros não sabiam que ele era diabético e pensaram que ele (como acontecia com muitos jazzistas) estava sob overdose. Deixaram-no, então, num leito até que passasse o efeito das “drogas”. E Dolphy morreu após o coma diabético. Aos 36 anos. Bastava-lhe uma injeção. São coisas que acontecem muito com negros.

O som do CD não é uma maravilha, mas é muito mais do que o suficiente para se notar que estamos entre gênios. Mingus era um sujeito duríssimo com sua banda. Certa vez acertou um direto no queixo de seu fiel trombonista Jimmy Knepper porque ele não acertava uma nota. Com Dolphy, a comunicação parecia ser telepática. Mingus dizia que não precisava conversar muito com Dolphy, que eles se entendiam silenciosamente antes de partir para outras dimensões. Verdade, partiam mesmo.

Charles Mingus & Eric Dolphy: The Complete Bremen Concert

CD1
01 – A.T.F.W. [Art Tatum-Fats Waller]
02 – Sophisticated Lady
03 – So long Eric
04 – Parkeriana

CD2
01 – Meditations On Integration
02 – Fables Of Faubus

Charles Mingus, bass
Eric Dolphy, alto sax / flute / bass clarinet
Johnny Coles, trumpet
Clifford Jordan, tenor sax
Jacki Byard, piano
Dannie Richmond, drums

in April 16, 1964

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Charles Mingus e Eric Dolphy: muita genialidade em pouco espaço
Charles Mingus e Eric Dolphy: muita genialidade em pouco espaço físico

PQP

.: interlúdio :. Charlie Mingus: Mingus Ah Um

.: interlúdio :. Charlie Mingus: Mingus Ah Um

IM-PER-DÍ-VEL !!!

(Escrito em 2019). Este CD é um clássico que completa 60 anos em maio deste ano. Houve edição especial e shows da Mingus Big Band e outros. Charlie Mingus (1922-1979) pode ser definido como um compositor erudito que gosta de jazz. Por incrível que pareça, li esta definição numa dessas comunidades de jazz do Orkut. Ela é exata. Este CD abre com a pauleira de Better Git It In Your Soul e a calma Goodbye Pork Pie Hat (homenagem a Lester Young) e depois temos a ironia de Fables of Faubus — dedicada ao governador racista do Arkansas –, Open Letter To Duke, mais uma das dezenas de homenagens que Mingus fez a Duke Ellington, Bird Calls (para Charlie Parker), etc., mas o que interessa é a qualidade de todas as composições e a incrível forma da banda de Mingus. Este é, certamente, um dos dez discos mais importantes da história do jazz. E tenho dito!

Charlie Mingus – Mingus Ah Um – 320 kbps

1. Better Git It In Your Soul 7:20
2. Goodbye Pork Pie Hat 5:42
3. Boogie Stop Shuffle 4:59
4. Self-Portrait In Three Colors 3:07
5. Open Letter To Duke 5:49
6. Bird Calls 6:17
7. Fables Of Faubus 8:12
8. Pussy Cat Dues 9:12
9. Jelly Roll 6:15
10. Pedal Point Blues 6:28
11. GG Train 4:37
12. Girl Of My Dreams 4:07

Charles Mingus — bass, piano (with Parlan on 10)
John Handy — alto sax (1, 6–7, 9–12), clarinet (8), tenor sax (2)
Booker Ervin — tenor sax
Shafi Hadi — tenor sax (1–4, 7–8, 10), alto sax (5–6, 9, 12)
Willie Dennis — trombone (3–5, 12)
Jimmy Knepper — trombone (1, 7–10)
Horace Parlan — piano
Dannie Richmond — drums

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Clássico
Clássico

PQP

.: interlúdio :. André Mehmari: … de árvores e valsas

.: interlúdio :. André Mehmari: … de árvores e valsas

O álbum … de árvores e valsas (2014) de André Mehmari é uma obra fundamental em sua discografia, que revela uma faceta mais íntima, contemplativa e profundamente lírica do multi-instrumentista e compositor. Diferente do projeto colaborativo de “Contínua Amizade”, este é um trabalho essencialmente solo, centrado no piano, e funciona como uma declaração poética e pessoal. O título já evoca um universo nostálgico. O álbum é uma coleção de valsas e peças de caráter lírico, onde Mehmari explora a forma da valsa não apenas como dança, mas como um estado de espírito. Mehmari mostra toda a sua maturidade como pianista. O som é delicado e introspectivo. É possível ouvir ecos do Choro e Valsa Brasileira — a alma de Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth está presente, mas filtrada pela contemporaneidade –, também há ecos de jazz nas improvisações e da música erudita com o impressionismo de Debussy e Ravel, e até da música minimalista, na construção de atmosferas. A qualidade da gravação e a riqueza de detalhes pedem uma escuta atenta. É possível ser profundamente brasileiro e universal, tradicional e inovador.

André Mehmari: … de árvores e valsas

1 Um Anjo Nasce
Acoustic Bass – Neymar Dias
Piano, Flute, Bandolin, Organ, Percussion, Clarinet – André Mehmari
1:30
2 Os Amores Difíceis
Acoustic Bass – Neymar Dias
Piano, Drums, Sampler – André Mehmari
4:19
3 Noturno Espanhol
Piano, Flute, Drums, Bass, Clarinet – André Mehmari
4:51
4 Mairiporã
Acoustic Bass – Zé Alexandre Carvalho
Piano, Guitar, Flute, Violin, Viola, Cello, Bandolin, Electric Guitar, Drums, Synth, Clarinet, Vocals – André Mehmari
5:31
5 Modular Paixões
Piano, Flute, Violin, Viola, Bandolin, Sampler, Clarinet – André Mehmari
Vocals – José Miguel Wisnik
3:49
6 Veredas
Piano, Accordion, Electric Bass, Flute, Rabeca, Viola, Cello, Drums, Synth, Voice, Percussion – André Mehmari
5:08
7 Valsa-Blue
Piano, Electric Bass, Flute, Clarinet, Violin, Electric Guitar, Drums, Whistle – André Mehmari
4:55
8 Vento Bom
Piano, Flute, Guitar, Percussion, Synth, Drums, Bass – André Mehmari
Vocals – Sergio Santos
4:13
9 Passeio
Clarinet – Gabriele Mirabassi
Piano – André Mehmari
3:50
10 O Espelho
Contrabass – Zé Alexandre Carvalho
Drums – Sergio Reze
Piano – André Mehmari
Vocals – Mônica Salmaso
4:15
11 Lullaby Zuzu
Piano, Synth, Electric Bass – André Mehmari
2:35
12 Toada
Baritone Saxophone – Teco Cardoso
Piano, Electric Piano, Electric Bass, Drums, Percussion, Synth, Accordion, Bandolin, Violin, Flute, Clarinet, Vocals – André Mehmari
5:46
13 Ná!
Drums – Sergio Reze
Piano, Electric Bass, Guitar, Flute, Clarinet, Violin, Accordion, Synth – André Mehmari
3:24
14 Eternamente
Synth, Effects – André Mehmari
1:21
15 Aria
Drums, Gong – Sergio Reze
Piano, Synth, Electric Bass, Voice, Handclaps, Percussion – André Mehmari
5:16
16 Um Anjo Nasce
Piano – André Mehmari
1:47
17 Ouro Preto
Piano, Viola, Organ, Clavichord, Electric Bass, Percussion, Synth, Clarinet, Vocals – André Mehmari
2:31

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.: interlúdio :. André Mehmari & Hamilton de Holanda: Contínua Amizade

.: interlúdio :. André Mehmari & Hamilton de Holanda: Contínua Amizade

O álbum Contínua Amizade (2011) de André Mehmari e Hamilton de Holanda é uma joia a música instrumental brasileira contemporânea. É um encontro de metres — são dois dos maiores instrumentistas e compositores da sua geração que uniram em um projeto de diálogo musical. Ambos são conhecidos por sua técnica virtuosística, criatividade e domínio de linguagens que vão do choro e samba ao jazz e à música erudita. Contínua Amizade reflete não apenas a parceria artística, mas a amizade pessoal entre eles, resultando em uma comunicação musical fluida e orgânica. Mehmari traz sua formação erudita e influências jazzísticas, enquanto Hamilton é o grande revolucionário do bandolim, expandindo os limites do bandolim de 10 cordas. Juntos, criam um som que é ao mesmo tempo raiz e vanguarda. O disco é majoritariamente autoral, com composições de ambos, além de algumas releituras significativas.

André Mehmari & Hamilton de Holanda: Contínua Amizade

1 Rosa
2 Notícia
3 Choro Da Contínua Amizade
4 Acontece
5 Di Menor
6 Choro Negro
7 O Sonho
8 Enchendo o latão
9 Vivo Entre Valsas
10 Baião Malandro
11 Love Theme (From Cinema Paradiso)
12 Choro Negro (primeiro ensaio)
13 Notícia (primeiro ensaio)
14 Choro Da Contínua Amizade (primeiro ensaio)

André Mehmari, piano
Hamilton de Holanda, bandolim

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Mehmari e Hamilton

PQP

.: interlúdio:. Charlie Haden & Carla Bley: The Ballad of the Fallen

A maioria das pessoas geralmente associa uma canção de protesto a uma música rock ou folk que usa a letra para abordar temas como guerra, direitos civis, desigualdade, ganância e outros males sociais. Ao consultar listas das melhores canções de protesto, encontramos pouquíssimos assuntos fora dos Estados Unidos e do mundo ocidental, nenhum jazz e certamente nenhuma música instrumental. Parece que quem compila essas listas não está muito familiarizado com Charlie Haden. Ao longo de quatro décadas, Haden gravou vários álbuns com a Liberation Music Orchestra, um conjunto que liderou com Carla Bley, todos focados na opressão e injustiça em diferentes partes do mundo. Curiosamente, todos foram lançados durante governos republicanos nos EUA.

Charlie Haden cresceu no Meio-Oeste americano e, desde cedo, percebeu a injustiça que se manifestava de diversas formas contra negros, pobres e outras minorias. Ao escolher a vida de músico de jazz e participar do movimento free jazz dos anos 60, ele teve uma experiência adulta com o racismo. Ele também estava bem ciente da opressão ao redor do mundo, um tema que o século XX não deixou de abordar. Com a escalada da Guerra do Vietnã no final dos anos 60, ele decidiu formar a Liberation Music Orchestra (LMO), que se tornou uma das expressões políticas mais contundentes do jazz. Considero esse ativismo admirável, não pelo aspecto político da mensagem, mas sim pela profunda compaixão humana que o fundamenta. Charlie Haden disse certa vez: “Sempre fui um idealista e acredito que dentro de cada ser humano que nasce neste planeta existe a capacidade de sentir emoções profundas. Penso que esses sentimentos são sufocados ou suprimidos pelo ambiente, pelo sistema em que vivemos. E acredito firmemente que todo ser humano carrega o universo dentro de si desde o princípio dos tempos.”

Haden não se furtava a expressar suas opiniões, mesmo quando confrontado com perigo real. Em 1971, juntou-se a Ornette Coleman na turnê do Newport Jazz Festival pela Europa, uma caravana que reunia os maiores nomes do jazz da época, incluindo Miles Davis, Duke Ellington, Dexter Gordon, Dizzy Gillespie, Thelonious Monk e outros. A turnê o levou a Lisboa. Na época, Portugal tinha colônias na Guiné-Bissau, Angola e Moçambique e combatia movimentos nacionalistas nessas regiões, usando força militar pesada contra os insurgentes e suprimindo direitos humanos básicos. Durante o concerto, ao apresentar sua composição “Song for Che”, escrita em memória de Che Guevara, Haden dedicou a canção aos movimentos de libertação dos povos negros nessas colônias. Os estudantes portugueses liberais presentes no concerto o aplaudiram de pé durante toda a execução da música de 12 minutos. Como era de se esperar, esse evento não foi bem recebido pelas autoridades portuguesas, que prenderam Haden no dia seguinte no aeroporto. A embaixada americana interveio, mas não antes que ele tivesse que passar um dia em uma cela de prisão.

Em 1982, Charlie Haden gravou o segundo álbum de estúdio da Liberation Music Orchestra, The Ballad of the Fallen. Assim como no primeiro álbum, ele incluiu canções da Guerra Civil Espanhola, mas desta vez, refletindo sobre as atividades do governo Reagan na América do Sul, adicionou canções de El Salvador, Chile e uma canção portuguesa associada ao movimento de resistência do início dos anos 70, que ele conheceu uma década antes. Na contracapa do álbum, ele apresentou uma pintura de um refugiado salvadorenho com a seguinte inscrição: “Não à intervenção dos EUA. Invasor ianque de El Salvador – Nosso único crime é sermos pobres – estamos cansados ​​de tantas balas enviadas por Ronald Reagan”. Muito bem dito. Mais sobre isso em uma excelente entrevista com a lenda do jazz Charlie Haden sobre sua vida, sua música e sua política.

The Ballad of the Fallen é o álbum que mais gosto na discografia do LMO. Há algo de muito melancólico, mas ao mesmo tempo esperançoso, nessas melodias espanholas e sul-americanas, e os arranjos de Carla Bley lhes fazem um grande favor. Claro que ajuda o fato de o conjunto ser formado por alguns dos maiores músicos de free jazz da época: Don Cherry, Michael Mantler, Jim Pepper, Dewey Redman, Gary Valente, Paul Motian e outros. A sintonia rítmica entre Motian e Haden é quase telepática. Por décadas, eles foram uma das melhores duplas rítmicas do jazz, tocando com o quarteto americano de Keith Jarrett e em vários álbuns, como Etudes . Bill Frisell guarda uma ótima lembrança de tocar com os dois: “O primeiro show que fiz com Charlie Haden foi no Seventh Ave. South com a Liberation Music Orchestra. O palco era minúsculo. Não havia espaço suficiente. De alguma forma, consegui me espremer embaixo da bateria, entre Paul Motian e Charlie. O baixo estava a 7,5 cm de uma orelha, os pratos a 7,5 cm da outra. Nunca vou me esquecer disso. Que som! Era o paraíso. Era ESTÉREO!”

Os momentos de improvisação livre ao longo do álbum contrastam com as belas canções e adicionam um lado confrontador de protesto à música. Afinal, as questões em pauta realmente irritam esses músicos. Surpreendentemente, a revista Downbeat elegeu The Ballad of the Fallen como o melhor álbum de jazz do ano em 1984.

A faixa-título de The Ballad of the Fallen é uma canção folclórica de El Salvador. De acordo com as notas do encarte do disco, trata-se de um poema encontrado no corpo de um estudante morto durante um massacre perpetrado pela Guarda Nacional de El Salvador, apoiada pelos Estados Unidos, em uma manifestação na universidade de San Salvador. Segue abaixo:

Não me pergunte quem eu sou,
ou se você me conhecia.
Os sonhos que eu tinha
continuarão a crescer, mesmo que eu não esteja mais aqui.
Eu não estou vivo, mas minha vida continua
naquilo que continua sonhando.
Outros que seguem a luta
farão crescer novas rosas.
Em nome de todas essas coisas,
você encontrará meu nome.

Não se lembre do meu rosto,
pois era o rosto da guerra.
Enquanto eu estava em minha terra,
era necessário esconder meu rosto verdadeiro.
No céu para onde vou,
você verá como era meu verdadeiro rosto.
Poucas pessoas ouviram minha risada,
mas quando você estiver presente na floresta,
encontrará diante de si meu sorriso ignorado.

(Texto traduzido pelo Google, roubado daqui).

.: interlúdio:. Charlie Haden & Carla Bley: The Ballad of the Fallen

1 Els Segadors (The Reapers) 4:11
2 The Ballad Of The Fallen 4:22
3 If You Want To Write Me 3:59
4 Grandola Vila Morena 2:13
5 Introduction To People 3:48
6 The People United Will Never Be Defeated 1:41
7 Silence 5:40
8 Too Late 8:22
9 La Pasionaria 10:25
10 La Santa Espina 7:00

Bass – Charlie Haden
Clarinet, Flute, Alto Saxophone, Soprano Saxophone – Steve Slagle
Drums, Percussion – Paul Motian
Flute, Tenor Saxophone, Soprano Saxophone – Jim Pepper
French Horn – Sharon Freeman
Guitar – Mick Goodrick
Piano, Glockenspiel – Carla Bley
Producer – Manfred Eicher
Tenor Saxophone – Dewey Redman
Trombone – Gary Valente
Trumpet – Michael Mantler
Trumpet [Pocket] – Don Cherry
Tuba – Jack Jeffers

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PQP

The Peasant Girl, com Viktoria Mullova

The Peasant Girl, com Viktoria Mullova

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O que dizer deste surpreendente álbum duplo de Viktoria Mullova? Que ela é doida? Que ela é uma perfeita cigana? Que ela é uma das melhores violinistas de todos os tempos? Que ela não se importa de correr riscos?

Acho que todas as possibilidades acima estão corretas.

Mullova pegou um repertório belíssimo e pouco divulgado para estabelecer com clareza o estrago que a música cigana causou no século XX. Ou seja, dentro de um programa altamente eclético, ela reflete sobre a profunda influência cigana na música clássica e no jazz (SIM!) no século 20. Sob roupagem erudita ou jazzística, a música dos ciganos está em nossas vidas com seu acelerado e marcado pulso. O CD apresenta obras de Bartók e Kodály ao lado de coisas do mundo do jazz, incluindo John Lewis e Django Reinhardt além de faixas da banda Weather Report. A russa Mullova tem fortes ligações pessoais com o campo e os ciganos. Parte de sua família é ucraniana e, quando criança, ela passava temporadas numa pequena aldeia do interior do país, convivendo com camponeses. A música destes CDs nos permite vislumbrar um outro lado desta artista fascinante e de, pelamor, sangue quentíssimo.

(Maiores detalhes sobre as faixas estão no arquivo que vocês, creio, vão baixar).

The Peasant Girl, com Viktoria Mullova

1. For Nedim (For Nadia) 5:36
2. Django 6:44
3. Dark Eyes 6:53
4. Er Nemo Klantz , Bartók Duos 8:20
5. The Peasant 9:35
6. 7 Duos with Improvisations 10:51
7. Yura 4:44

1. Bi Lovengo 3:06
2. The Pursuit of the Woman with the Feathered Hat 5:58
3. Life 4:42
4. Kodaly: Duo for Violin and Cello, Op. 7: I. Allegro serioso 7:39
5. Kodaly: Duo for Violin and Cello, Op. 7: II. Adagio 8:11
6. Kodaly: Duo for Violin and Cello, Op. 7: III. Maestoso e largamente, ma non troppo 8:07

Viktoria Mullova
The Matthew Barley Ensemble

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Russa sangue quente (e bom).
Mullova: russa sangue quente. E bom.

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.: interlúdio :. Paolo Fresu & Omar Sosa (com Jaques Morelenbaum): Alma

.: interlúdio :. Paolo Fresu & Omar Sosa (com Jaques Morelenbaum): Alma

Tentar acompanhar os projetos musicais do pianista cubano Omar Sosa ou do trompetista italiano Paolo Fresu é algo quase atlético. Chamar qualquer um de prolífico é um eufemismo, mas, mais impressionante do que a quantidade de música que eles lançam é a qualidade de sua produção. Amo ambos. Ambos exploram uma fonte de criatividade que escapa à maioria dos artistas. Grande parte dos temas deste CD é bastante discreta, mas sempre de alto em conteúdo emocional. O uso de percussão e da eletrônica em alguns lugares — juntamente com a presença do violoncelista brasileiro Jaques Morelenbaum, dá ao projeto uma sensação de profundidade e variedade, mas essa união de duas almas musicais espiritualmente conectadas teria sido suficiente para fazer a mágica, se esta fosse simplesmente uma gravação nua de piano + trompete. Morelenbaum, Fresu e Sosa criam uma mistura celestial na pacífica faixa-título, que começa em um lugar sereno e chega a um espaço latino firme, enquanto equilibra humores sombrios e imponentes em “Crepuscolo”.

Paolo Fresu & Omar Sosa com Jaques Morelenbaum: Alma

1 S’Inguldu 5:35
2 Inverno Grigio 5:28
3 No Trance 3:36
4 Alma 5:49
5 Angustia 4:34
6 Crepuscolo 3:15
7 Moon On The Sky 5:59
8 Old D Blues 6:36

Medley
9 Niños 4:00
10 Nenia 5:23

11 Under African Skies 7:28
12 Rimanere Grande! 2:58

Cello – Jaques Morelenbaum
Composed By – Omar Sosa (faixas: 2 to 8, 9), Paolo Fresu (faixas: 1, 3, 9, 10, 12), Paul Simon (faixas: 11)
Piano [Acoustic], Sampler, Electric Piano [Fender Rhodes], Synthesizer [Microkorg], Percussion, Vocals, Effects [Multieffects], Producer – Omar Sosa
Trumpet, Flugelhorn, Percussion, Whistle, Effects [Multieffects], Producer – Paolo Fresu

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Omar Sosa e Paolo Fresu

PQP

.: interlúdio :. Eberhard Weber – The Colours of Chloë

.: interlúdio :. Eberhard Weber – The Colours of Chloë

Talvez o principal segredo de Manfred Eicher tenha sido o de viabilizar gravações àquele pessoal talentoso que fica atrás no palco. Eberhard Weber é um exemplo disso. Nascido em 1940, Weber fez seu disco de estréia em 1974, com este bom The Colours of Chloë. Músico de jazz e erudito, Weber era músico de apoio de Joe Pass, Stephane Grappelli, Baden Powell e outros quando fez sua proposta a Eicher. Sua vida mudou e ele pode até montar um grupo próprio de jazz, além de ter se tornado um contumaz baixista de outras grandes estrelas da gravadora como Pat Metheny, Gary Burton, Jan Garbarek e Ralph Towner, representantes mais importantes do som ECM. The Colours of Chloë não é nenhuma maravilha, mas acho curiosa e agradável de ouvir a tentativa de Weber de fazer um som jazzístico próximo àquele que faziam alguns grupos de rock em 1974, como Yes, Pink Floyd, Gentle Giant, etc. É estranho, mas, por alguma razão, é um CD irresistível para quem completou 17 anos no distante 1974. É uma música feita de climas e ostinatos, é também melancólica e muito mais organizada do que o bom jazz deve ser. Parece de vanguarda, mas é aquela coisa que, apesar de bonita, não possui rumo e pula de estilo em estilo. Bom, aí está.

Eberhard Weber – The Colours of Chloë

1. More Colours 6:41
2. The Colours Of Chloë 7:51
3. An Evening With Vincent Van Ritz 5:50
4. No Motion Picture 19:37

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Para mim, Weber sempre será nome de restaurante em praia gaúcha (Tramandaí feelings)
Para mim, Weber sempre será nome de restaurante em praia gaúcha (Tramandaí anos 60 feelings)

PQP

.: interlúdio .: Terry Riley (1935) e Don Cherry (1936-1995): Live in Köln 1975 e dois bônus

Em tempos nebulosos, com ar abafado e horizonte sombrio, faz muito bem um arco-íris no céu. A música de Terry Riley (nasc. Califórnia, 1935) tem trazido muitas cores ao mundo, incluindo seu fantástico LP de música eletrônica A Rainbow in Curved Air (1969) e sua obra-prima In C, que desde os anos 1960 tem sido tocada e gravada por vários grupos dedicados à música contemporânea. Cada performance de In C é bastante diferente das outras, porque a partitura deixa muitas decisões para serem tomadas pelos músicos. Riley foi um dos pioneiros do que hoje chamamos minimalismo, mas também sempre esteve próximo do jazz e do improviso, de forma que é difícil saber se o álbum de hoje é um .:interlúdio:. ou não. E isso pouco importa.

Don Cherry e Terry Riley em 1970 – imagem postada por Riley em seu twitter

O que importa é o diálogo riquíssimo de Riley com Don Cherry (1936-1995), trompetista e multi-instrumentista americano de ascendência indígena e africana, que também cultivou a arte do improviso e ajudou a levá-la por caminhos inesperados. Como Riley, tocou com instrumentistas asiáticos e também teve um grande trio que incluiu o percussionista Naná Vasconcelos, Don Cherry também foi um dos músicos do influente LP Free Jazz (A Collective Improvisation by the Ornette Coleman Double Quartet), álbum de 1961 em que a palavra “free” pode ser entendida como um adjetivo (jazz livre) mas também como um verbo (libertem o jazz!). Nos anos 1970, Don Cherry estava morando na Suécia e fazendo turnês pela Europa, gravando com gente como o compositor Krzysztof Penderecki. E nesse encontro em Köln, Riley e Cherry estavam tocando juntos pela 2ª ou 3ª vez, mas os dois se entendem como se fossem amigos de infância.

Importam também os bônus que seguem mais abaixo, mostrando Terry Riley seu lado mais como compositor do que como instrumentista, mas no fundo tudo se mistura:

“Sunrise and G Song were both pieces that I had worked out in another form. I started with something I knew already when I started writing again; they were pieces I had played myself and had worked out kind of a form for them.” — Terry Riley

Um dos temas gravados na Alemanha em 1975 (Riley toca sozinho neste, sem Don Cherry) se repete na composição de 1980: Sunrise of the Planetary Dream Collector, a primeira peça que Riley compôs para quarteto de cordas, a pedido do Quarteto Kronos. Como In C, ela tem uma série de unidades modais, riffs breves, fragmentos de melodia e padrões rítmicos que os músicos tocam à vontade, adicionando sua própria dinâmica e fraseado, de modo que o quarteto se torna parte do processo criativo tanto quanto o próprio Riley. E é muito boa a interpretação dos holandeses do Nieuw Amsterdams Peil! Eles são partidários da música atual, mas alguns de seus membros também tocam em orquestras sinfônicas e o violoncelista gravou pela Hyperion quintetos de Schubert e Mendelssohn. Dá pra notar que os andamentos e o ataque aos instrumentos é mais suave, menos rock’n’roll do que costuma ser o som do Kronos Quartet.

E o outro bônus é um arranjo para octeto de cellos de Requiem for Adam, composição dos anos 1990, quando Riley já tinha na bagagem várias obras para quarteto de cordas e usa técnicas mais diversas, principalmente glissandos. Menos ligada ao minimalismo, essa obra mostra que Riley tem criatividade demais para se limitar a este ou aquele ‘-ismo’…

Don Cherry

Terry Riley and Don Cherry – Live in Köln 1975
1. Descending Moonshine Dervishes
2. Sunrise of the Planetary Dream Collector
3. Untitled (Descending Moonshine Dervishes part 2)

1975-02-23
Terry Riley – organ, loops
Don Cherry – trumpet, doussn’gouni
Grosser Sendesaal des Westdeutschen Rundfunks
WDR FM Radio, Köln, Germany

LIVE 1975: BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (flac)

LIVE 1975: BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (mp3 320kbps)


Amsterdam – World Minimal Music Festival 2017
1. Sunrise of the Planetary Dream Collector, for string quartet (composed in 1980)
2017-04-06
Muziekgebouw aan het IJ, Amsterdam (Netherlands)

O Muziekgebouw aan het IJ fica bem perto da estação de trens de Amsterdam

Performed by Nieuw Amsterdams Peil:
Heleen Hulst – violin, Josje ter Haar – violin, Pieter van Loenen – violin, Emma Breedveld – viola, Mick Sterling – cello

Live in Groningen 2002
1. Requiem for Adam, for string quartet (composed in 1999, here arr. for cello octet)
2002-10-13
Terry Riley Festival 2002
Kleine Zaal, Oosterpoort, Groningen (Netherlands)
Performed by Cello Octet Conjunto Ibérico

LIVE 2002, 2017: BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (mp3 320kbps)

Terry Riley
Não, não é um sábio chinês, é Terry Riley

Pleyel

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para Flauta e Cravo (Baixo contínuo) (Petri, Jarrett) / Modern Jazz Quartet – Blues on Bach

Com a escusa de PQP, FDP e Clara, este interlúdio é, também, um quase-interlúdio do jazz; desvio um pouco para a seara dos colegas e trago, também, um pouco de clássico. Bach! Interpretado, ou relido, por respeitáveis jazzmen.

Keith Jarrett, pianista que começou nos Jazz Messengers de Art Blakey e tocou com Miles Davis no início dos anos 70, firmou-se por incorporar o clássico, o gospel e o blues ao seu estilo de jazz. Um músico diferenciado, criou sua carreira não apenas tocando em conjuntos, mas também lançando diversos álbuns-solo de piano. (De um de seus shows, puro improviso ao instrumento, vem um dos discos mais reverenciados do jazz, The Köln Concert, que certamente figurará neste blog em algum momento.)

Sua relação com a música clássica sempre acompanhou a trajetória jazzística. Desde 1973, compõe e executa para o estilo. Neste disco de 1992, convidou a virtuose dinamarquesa Michala Petri para interpretar sonatas de Bach. Não se trata de um disco de jazz; aqui ele é, antes, uma inspiração para as execuções.

J.S. Bach (1685-1750): Sonatas para Flauta e Cravo (Baixo contínuo) (Petri, Jarrett)

Sonata for Flute and Harpsichord in B minor, BWV 1030
01 I Andante – 08’18
02 II Largo e dolce – 03’28
03 III Presto – 01’25
04 IV Allegro – 04’14

Sonata for Flute and Harpsichord in E flat major, BWV 1031
05 I Allegro moderato – 03’07
06 II Siciliano – 02’02
07 III Allegro – 04’10

Sonata for Flute and Harpsichord in A major, BWV 1032
08 I Vivace – 04’31
09 II Largo e dolce – 02’50
10 III Allegro – 04’13

Sonata for Flute and Harpsichord in C major, BWV 1033
11 I Andante – Presto – 01’35
12 II Allegro – 02’11
13 III Adagio – 01’40
14 IV Menuetto I & II – 02’49

Sonata for Flute and Basso Continuo in E minor, BWV 1034
15 I Adagio ma non tanto – 02’57
16 II Allegro – 02’22
17 III Andante – 03’08
18 IV Allegro – 04’26

Sonata for Flute and Basso Continuo in E major, BWV 1035
19 I Allegro ma non tanto – 02’19
20 II Allegro – 02’52
21 III Sicilano – 03’32
22 IV Allegro assai – 02’57

Keith Jarrett: cravo
Michala Petri: flauta doce

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1172182694 Blues On Bach
O Modern Jazz Quartet foi um dos grupos mais duradouros e originais do jazz; começaram em 1952, tocando bop, e encerraram as atividades no final dos ’70 como expoentes do third stream – estilo que se pretende um ponto de encontro entre jazz e música clássica. Evidentemente, o rótulo (cunhado por Gunther Schuller) é polêmico; já a música do MJQ, não. Sempre vistos como precursores, usaram o barroco e o blues de combustíveis para firmarem-se como visionários. Neste Blues on Bach, de 1973, o grupo intercala quatro composições originais, inspiradas em Bach, à cinco adaptações de trabalhos clássicos do compositor. Respeitosamente: sem improvisos, e usando o cravo ao invés do piano. Milt Jackson, um dos maiores vibrafonistas da música, destaca-se em passagens brilhantes.

Modern Jazz Quartet – Blues on Bach (320)

Milt Jackson: vibrafone
John Lewis: piano, cravo
Percy Heath: baixo
Connie Kay: bateria

1 Regret? – 2’04
02 Blues in B Flat – 4’56
03 Rise up in the Morning – 3’28
04 Blues in A Minor – 7’53
05 Precious Joy – 3’12
06 Blues in C Minor – 7’58
07 Don’t Stop This Train – 1’45
08 Blues in H (B) – 5’46
09 Tears from the Children – 4’25

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Boa audição!

Blue Dog

.: interlúdio :. Dizzy Gillespie: Verve/Gitanes Jazz in Paris Series: Cognac Blues

.: interlúdio :. Dizzy Gillespie: Verve/Gitanes Jazz in Paris Series: Cognac Blues

Sempre tive pavor de coletâneas – mas com o tempo, aprendi a fazer uma exceção ao jazz. O estilo, generoso como só ele, não apenas permite que se arranque pedaços de álbum sem dor; é capaz de dar novas cores à compilação e seus temas pela mistura diferente criada entre elas. (Claro, ninguém aqui pensa em tirar pedaços de A Love Supreme ou Sketches of Spain; sempre há exceções, óbvio.) Para sair um pouco da linha habitual de John “Dizzy” Gillespie – o velocíssimo bop -, hoje trazemos um componente da série Jazz in Paris, da Verve/Gitanes – mais de 100 títulos lançados com raridades em apresentação suntuosa – mostrando faixas gravadas entre 1952 e 53, na capital francesa.

Paris, which had developed into the jazz center of Europe already in the beginning of the 20th century, offered many of these musicians a safe haven as well as a permanent home (later, Denmark, Sweden and sometimes Germany usurped that role) and jazz thrived because of it. One can even be as bold as to state that without Paris and Europe, jazz might never have been recognized as an art form. It was in Europe that jazz had gained that kind of recognition and, as far as I recall, it was jazz critics such as Leonard Feather (England) and Dan Morgenstern (Austria), who spent their entire lifetimes promoting it as an art form in the United States. daqui

É o lado mais swing e groove de um dos fundadores do bebop (ao lado de Parker); em momentos já afro-jazz, em outros quase cool, gravações parisienses cheias de atmosfera (incluindo alguns chiados, mesmo com remasterização – o que me deixa deveras feliz. Nada pior que uma limpeza asséptica em algo capaz de tirar vida do ruído). Coletânea para desfrutar e agradecer ao gênio; a relação das músicas, logo abaixo, mostra toda uma constelação. E evoca as noites de uma Paris dos anos 50 que jamais conheci, capaz de provocar uma romântica nostalgia enviesada.

Dizzy Gillespie em 1955

Dizzy Gillespie – Verve/Gitanes Jazz in Paris Series: Cognac Blues (320)

Dizzy Gillespie: trumpet, vocal
Don Byas: tenor saxophone
Art Simmons, Arnold Ross, Wade Legge: piano
Jean-Jacques Tilché: guitar
Joe Benjamin, Lou Hackney: double bass
Bill Clark, Al Jones: drums
Humberto Canto Morales: congas

01 Cognac Blues 2’40
02 Cocktails For Two 3’23
03 Moon Nocturne 3’03
04 Sabla Y Blu 3’05
05 Blue And Sentimental 2’42
06 Just One More Chance 3’10
07 They Can’t Take That Away from Me 3’14
08 Break at the Beginning (Taking a Chance on Love) 2’42
09 When It’s Sleepy Time Down South 2’55
10 Lullaby in Rhythm 4’22
11 Just Blues (One More Blues) 2’59
12 Ain’t Misbehavin’ 2’56
13 Summertime 4’16
14 Blue Moon 4’25
15 Mama’s blues (Mrs. Dizzy blues) 4’00
16 Undecided 2’32
17 The Way You Look Tonight 4’12
18 They Can’t Take That Away From Me [alt take] 3’59
19 Taking a Chance on Love [alt tk 1] 3’27
20 Taking a Chance on Love [alt tk 2] 3’36
21 Lullaby in Rhythm [alt take] 4’05

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BlueDog

.: interlúdio :. McCoy Tyner, Jackie McLean, Woody Shaw, Cecil McBee, Jack DeJohnette, Cecil Taylor, Bennie Wallace – One Night With Blue Note, Town Hall, NYC, 1985, Vol 2

Dando prosseguimento às homenagens ao baterista Jack DeJohnette, temos aqui um álbum de belíssima capa, parte de uma série de gravações ao vivo de 1985 para marcar o renascimento do selo Blue Note, que havia sido extinto por uns anos… Lançado tanto em LP como CD (era a fase da transição), com essa bela capa mostrando de certa maneira o quanto é impressionante termos preservados – como em potes de remédio típicos da época em que a Blue Note foi fundada: 1939! – encontros de brilhantes músicos como McCoy Tyner (1938-2020), Jack DeJohnette (1942-2025) e outros menos famosos mas de muito extensa ficha corrida, como Jackie McLean (1931-2006) e Cecil McBee (nasc. 1935).

Jack DeJohnette mostra, nesse registro ao vivo cheio de espontaneidade, seus vários tipos de viradas rítmicas, batendo nos tambores com a força de um baterista de rock’n’roll.

One Night With Blue Note Preserved, Volume 2
1. Sweet And Lovely
2. Appointment in Ghana
3. Passion Dance
4. Blues on the Corner
5. Pontos Cantados
6. Broadside

Tracks 1-4 – McCoy Tyner (piano), Jackie McLean (alto sax), Woody Shaw (trumpet), Cecil McBee, Cecil McBee (bass), Jack DeJohnette (drums)
Track 5 – Cecil Taylor (piano)
Track 6 – Bennie Wallace (tenor sax), Cecil McBee (bass), Jack DeJohnette (drums)

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McCoy Tyner
Jack DeJohnette

Pleyel

.: interlúdio :. Vigleik Storaas, Pale Danielsson, Jack DeJohnette (ao vivo, 2009)

Antes que o ano se encerre, vamos de mais uma homenagem a uma das baixas que tivemos neste ano em que também se foram os tão queridos Hermeto Pascoal, Jards Macalé e Lô Borges. Mas hoje me refiro ao baterista Jack DeJohnette, que ainda estava bastante ativo pouco antes de partir aos 83 anos de idade.

Como resume o site luso Jazz ponto PT, DeJohnette desempenhou um papel fundamental em praticamente todas as fases do jazz desde o início dos anos 1960. O mesmo site afirma – não fui conferir – que DeJohnette é o músico que mais gravou pela gravadora europeia ECM. “Refira-se, em especial, que a colaboração de DeJohnette com a ECM remonta aos primórdios da editora, atuando em duo com Keith Jarrett em Ruta and Daitya, gravado em 1971” (que postei meses atrás, aqui).

Os portugueses comentam, entre outros pontos altos de sua discografia, o Standards Trio, pelo qual meu colega FDP Bach já expressou mais de uma vez sua admiração incondicional (aqui e aqui). Os portugas disseram, sobre esse trio formado nos anos 1980 por Keith Jarrett, Gary Peacock e Jack DeJohnette: “Todos os registos do grupo são excelentes, pelo que destacar um é sempre uma escolha pessoal. Aqui, a cumplicidade é total: tocam com depuração e liberdade, com um gesto simultaneamente leve e jubiloso. O diálogo é sempre novo e emocionalmente intenso.”

Eu trago hoje, porém, um álbum lançado em 2025, gravação de um show de 2009. Aqui, o selo não é ECM e não temos Keith Jarrett. Mas por coincidência o baixista é o mesmo do velho quarteto escandinavo de Jarret (ativo de 1974 a 79). Enfim, coincidência não tão rara nesse mundo do jazz onde os grupos vão se fazendo e refazendo: no caso de DeJohnette seu currículo inclui ainda bandas como a de Miles Davis na fase fusion, a do guitarrista John Abercrombie e o Special Edition, que era liderado pelo baterista e costumava contar com dois ou três saxofonistas que faziam arranjos de sopros junto com a bateria e os teclados. Aliás, uma curiosidade sobre DeJohnette é que ele também estudou piano e costumava tocar teclados acústicos e elétricos nos seus álbuns solo.

Mas aqui o pianista é o norueguês Vigleik Storaas, nascido em 1963, um nome da nova geração. OK, não tão nova assim, mas mais jovem que o falecido baterista e o baixista que – noto agora – deixou este mundo em 2024. Storaas toca um piano limpo, suave, sem momentos percussivos como às vezes faziam outros como K. Jarrett e M. Tyner. Talvez por não estarem tocando há anos na estrada juntos, os músicos às vezes soam mais contidos, mas os três conseguem seus momentos de brilho e os dois veteranos no baixo e na bateria mostram o que os anos lhe ensinaram.

Vocês conhecem aquela piada, né, em que um escorrega fala para o outro: os ânus passam depressa! Esse disco, gravado por Danielsson e DeJohnette quando ambos se aproximavam dos 70 anos, nos apresenta o melhor da maturidade: três instrumentistas seguros de si, com som polido, bem cuidado, elegante, resultado de décadas de apresentações e ensaios.

Storaas, Danielsson, DeJohnette: Live at Trondheim Jazzfestival
Alice in Wonderland (Sammy Fain)
Isotope (Joe Henderson)
Palle’s Headache (Palle Danielsson)
Eiderdown (Steve Swallow)
Lines (Vigleik Storaas)
Falling Grace (Steve Swallow)
Everybody’s Song But My Own (Kenny Wheeler)

Vigleik Storaas – piano
Palle Danielsson – bass
Jack DeJohnette – drums
Recorded 06/06/2009 at Trondheim, Norway / Released 2025

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A felicidade é toda nossa!

Pleyel

.: interlúdio :. Kenny Drew Trio: Season’s Greetings – Kenny Drew (piano), Niels-Henning Ørsted Pedersen (bass) & Ed Thigpen (drums) ֎

.: interlúdio :. Kenny Drew Trio: Season’s Greetings – Kenny Drew (piano), Niels-Henning Ørsted Pedersen (bass) & Ed Thigpen (drums) ֎

Feliz Natal!

Escrevo estas mal traçadas ainda em novembro, mas com dezembro já quase virando a esquina. Contrariando todas as mais acuradas previsões climáticas, nem mesmo o INPE conseguiu prever essa, já há árvores cuneiformes com seus galhos cheios de neve nas mais diversas partes de Niterói. O clima de Jingle Bells está no ar…

Uma das coisas que eu mais gosto nesta época do ano é a motivação para ouvir velhas canções natalinas em suas diferentes formas, sempre com uma nota de saudosismo, mas também uma de esperança. Eu já andei postando alguns álbuns com essa temática, como você poderá desencavar aqui, aqui ou ainda aqui.

Para este ano, seguindo minha nova tendência de ouvir jazz e coisas afins, escolhi o álbum de um pianista estadunidense que se mudou de mala, bagagens e piano para a Europa, ficando o resto da vida na Dinamarca.

The Kenny Drew Trio – Season’s Greetings

  1. Blue Christmas
  2. Jingle Bells
  3. White Christmas
  4. Quiet Cathedral
  5. The Christmas Song
  6. Silent Night
  7. Greensleeves
  8. Away In A Manger
  9. Quiet Cathedral (Solo Piano Version)

Kenny Drew, piano

Niels-Henning Ørsted Pedersen, bass

Ed Thigpen, drums

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MP3 | 320 KBPS | 116 MB

A talented bop-based pianist, Kenny Drew was somewhat underrated due to his decision to permanently move to Copenhagen in 1964. He recorded with Howard McGhee in 1949 and in the 1950s was featured on sessions with a who’s who of jazz, including Charlie Parker, Coleman Hawkins, Lester Young, Milt Jackson, Buddy DeFranco, Dinah Washington, and Buddy Rich. […] He also appeared as a sideman on classic Blue Note albums including John Coltrane Blue Train, Dexter Gordon Dexter Calling, Grant Green Sunday Mornin’, and Jackie McLean Bluesnik. […] Drew recorded many dates for SteepleChase in the 1970s and remained active up until his death.

Aproveite!

René Denon

Kenny Drew

.: interlúdio :. Victor Biglione e Marcos Ariel: Duo #1

.: interlúdio :. Victor Biglione e Marcos Ariel: Duo #1

O CD Victor Biglione e Marcos Ariel, Duo #1 é uma joia da música instrumental brasileira que merece ser celebrado. Lançado em 1994, captura um diálogo íntimo entre violão e piano em arranjos sofisticados. Victor Biglione (violão de 7 cordas) e Marcos Ariel (piano) são mestres em unir musicalidade e leveza, criando um som ao mesmo tempo acessível. Biglione traz harmonias ricas e baixos marcantes enquanto Ariel responde com linhas melódicas fluidas no piano e improvisos cheios de classe. Bom disco para fãs de Ralph Towner e Egberto Gismonti (universalidade acústica), de Tom Jobim (sofisticação harmônica) e Yamandu Costa (raiz e virtuosismo). Para tardes chuvosas, jantares elegantes ou quando a alma pede beleza sem pressa. O disco foi gravado quase ao vivo (poucos overdubs), capturando a cumplicidade rara do duo. Biglione e Ariel já colaboravam há anos em trilhas sonoras e shows – a sintonia é orgânica.

.: interlúdio :. Victor Biglione e Marcos Ariel: Duo #1

1 Viola Enluarada
2 Bala Com Bala
3 Invitation
4 Lua Branca
5 Elegia Aos Pássaros II (Sanhaço)
6 Easy Living
7A Concerto De Aranjuez
7B Canto de Ossanha
8 Inútil Paisagem
9 São Jorge
10 Baleia Azul
11 Poema Brasileiro
12 Chuva Em Ipanema

Victor Biglione, violão
Marcos Ariel, piano

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Jovem, saiba que todos nós envelhecemos.

PQP

.: interlúdio :. Teddy Wilson meets Eiji Kitamura ֎

.: interlúdio :. Teddy Wilson meets Eiji Kitamura ֎

One of America’s piano greats meets one of Japan’s most traditional reedmen — in a setting that would prove to be a real highlight for both musicians at the time!

Esse disco é uma ‘postagem pronta’! Pensei em usar o subtítulo ‘Ocidente se encontra com Oriente’, no estilo ‘West meets East’, mas achei apelativo, sem contar que poderia levantar falsas expectativas. Sem contar que poderiam achar que estou falando de Istambul.

O disco reúne dois expoentes do jazz, em excelente forma, o pianista Teddy Wilson e o clarinetista Eiji Kitamura. É quase um detalhe geográfico que Teddy era estadunidense, Eiji é japonês e o disco foi gravado em Tokyo, no dia 5 de outubro de 1970. Nada surpreendente para o atual panorama globalizado, mas naqueles dias, a situação era outra. Os dois geniais músicos estavam acompanhados por Buffalo Bill Robinson na bateria, Masanaga Harada no baixo e Ichiro Masuda no vibrafone.

O programa é de clássicos do jazz como a magnífica ‘Stars fell on Alabama (last night)’, ‘On the sunny side of the street’, ‘Dream a little dream of me’, ‘Body and Soul’ e mais algumas, num total de 10 faixas para se deleitar.

Teddy Wilson foi um pianista magistral (um de seus álbuns ganhou o título ‘The Impeccable Mr. Wilson’). Há dois álbuns de Lester Young (outro mestre do swing jazz), nos quais o acompanhamento de piano é de Teddy Wilson em um e no outro Oscar Peterson. Vale a pena conferir.

Mas, o instrumento melódico deste disco é o clarinete de Eiji Kitamura, que desde sua primeira aparição no disco, no lado ensolarado da rua, vai te transportar para um clube de jazz em algum lugar como New Orleans, tal a pureza e beleza do som.

Há também o vibrafone de Ichiro Masuda que dá um colorido sonoro bem especial ao disco. O grupo parece ter tocado a metade da vida juntos (bem, a outra metade passaram fazendo outras coisas…), de tão integrados que são.

O disco todo respira uma certa inocência remetendo a um tempo mesmo anterior aos anos 1970, quando foi gravado. Teddy Wilson não mudou seu estilo ao longo de toda a sua carreira e, no caso dele, creio que podemos tomar como um elogio.

  1. On The Sunny Side Of The Street
  2. Time On My Hands
  3. I Can’t Get Started
  4. I’ve Found A New Baby
  5. Stars Fell On Alabama
  6. Whispering
  7. Dream A Little Dream Of Me
  8. Body And Soul
  9. After You’ve Gone
  10. Someday Sweetheart

Bass – Masanaga Harada

Clarinet – Eiji Kitamura

Drums – Buffalo Bill Robinson

Piano – Teddy Wilson

Vibraphone – Ichiro Masuda

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MP3 | 320 KBPS | 88 MB

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Kitamura devoted himself to clarinet playing while still an undergraduate at Keio University in Tokyo. He first came to prominence in the U.S. at the 20th Anniversary Jam Session of the Monterey Jazz Festival in 1977. His following in Japan was built previous to this on his regular television program.

He prefers to interpret traditional swing jazz rather than modern jazz and according to Allmusic is most strongly influenced by Benny Goodman and Woody Herman.

 

Teddy Wilson was one of the swing era’s finest pianists, a follower of Earl Hines’ distinctive “trumpetstyle” piano playing. Wilson forged his own unique approach from Hines’ influence, as well as from the styles of Art Tatum and Fats Waller. He was a truly orchestral pianist who engaged the complete range of his instrument, and he did it all in a slightly restrained, wholly dignified manner at the keyboard.

During his time with Benny Goodman, Wilson made some of his first recordings as a leader. These records featured such greats as Lester Young, Billie Holiday, Lena Horne, and Ella Fitzgerald. Wilson’s arrangements with Holiday in particular constitute some of the singer’s finest work, mostly due to Wilson’s ability to find the right sound to complement Holiday’s voice and singing style.

Aproveitem!

René Denon

.: interlúdio :. Hermeto Pascoal: Eu e Eles

.: interlúdio :. Hermeto Pascoal: Eu e Eles

Eu amo Hermeto. Certa vez, soube que ele se apresentaria em Pelotas (RS) e dei um jeito para que meu chefe me mandasse pra lá na data. Visitei algumas pessoas, fiz contatos, justifiquei minha ida e fui fazer o que precisava realmente fazer. Também jamais perdi um show dele na decadente Porto Alegre, hoje bolsonarista. Eu e Eles é um disco em que o músico transforma o mundo inteiro em parceiro de criação. Cada faixa soa como uma conversa diferente — ora com o jazz, ora com o forró, ora com a pura invenção que só Hermeto dominava. Aqui, ele desmonta fronteiras musicais com alegria e ousadia, misturando sopros, teclas, ruídos e silêncios em um laboratório sonoro que parece, ao mesmo tempo, festa e poesia. É um álbum que celebra a liberdade total: “eu” é Hermeto em sua imaginação sem limite, “eles” somos todos nós, tocados por essa música que brinca, provoca e reinventa o que achávamos que já conhecíamos.

.: interlúdio :. Hermeto Pascoal: Eu e Eles

Chorinho MEC 3:51
Viva Jackson Do Pandeiro 2:22
Caminho Do Sol 1:20
A Sua Benção Brasil 3:39
Fauna Universal 3:33
Vai Um Chimarrão, Tchê (para Borghettinho) 4:14
Miscelânia Vanguardiosa 5:09
Linguagens & Costumes 3:29
Mercosom 4:26
Boiada 3:57
Capelinha & Lembranças 5:36
Parquinho Do Passado, Presente E Futuro 3:01

All instruments played by Hermeto Pascoal.

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PQP

.: interlúdio :. Diana Krall: Live in Paris

Conheci Diana Krall por meio do DVD da qual foram tiradas as faixas deste CD, um registro ao vivo em Paris lá nos inícios do novo século. E foi um choque, lhes garanto. Depois disso virei fã de carteirinha dela.

Minha vida era um tanto quanto conturbada ali nos inícios dos anos 2000. Por motivo de estudo e de trabalho, vivia longe de minha esposa, então minha rotina era trabalho – universidade – casa, e no sábado após o trabalho, embarcava para a cidade onde minha esposa residia, também por motivos de trabalho e também por estar na época cuidando de seus pais, já idosos. Enfim, era uma rotina cansativa, desgastante, mas que ajudou a solidificar a relação. E foi também nesta época que comecei a colecionar mp3. E então foi nesta época que este disco da canadense me caiu em mãos por meio de um amigo, também fã de Jazz, que disse que era para ouvir. De posse então de meu velho discmann da Panasonic, inseri o disco e o ouvi em uma destas viagens. Foi um choque, pois ela reunia o que eu procurava: um talento nato, uma voz de veludo, tocava piano com muita propriedade, e neste disco abordava um repertório pelo qual eu já era apaixonado, o das velhas canções norte americanas, de Irvin Berlin a Cole Porter, passando por Gershwin, Burt Bacharach e concluindo com Billy Joel.

As canções interpretadas com muita qualidade, e com uma banda absolutamente perfeita, liderada pela dupla John Clayton e Jeff Hamilton, baixista e baterista respectivamente, e acompanhada em certos momentos por uma orquestra. Aquilo me pareceu de um nível altíssimo de sofisticação e elegância. Ela era muito discreta, mas podíamos sentir que tocava com alma. Comprei então em seguida o DVD do show, que traz outras canções, e o mais importante, pude vê-la e aos seus músicos, e entender que aquilo que senti ao ouvir era real, e que a discrição e uma certa timidez eram a cereja do bolo daquele disco.

Diana Krall continua sendo muito discreta, ainda mais depois que se casou com o cantor Elvis Costello, suas apresentações se tornaram mais esporádicas, assim como seus discos. Já veio ao Brasil algumas vezes, onde gravou um DVD, encarando ‘Garota de Ipanema’, entre outros clássicos da Bossa Nova, mas isso é assunto para outra postagem.

Considero ‘Look of Love”, “Devil May Care”, “Fly Me to the Moon” e “Just the Way Yoy Are” os grandes momentos do CD, mas ele é muito bem conduzido e produzido. O que ouvimos aqui é gente que leva muito a sério o que faz, e o que talvez seja mais importante, que se respeita muito e a própria música que faz em altíssimo nível, faço questão de salientar novamente. Nada de estrelismos, pelo menos enquanto estão tocando.

Espero que apreciem. Estou ouvindo este CD agora creio que pela milésima vez, e continuo tendo as mesmas sensações, mesmo após vinte e poucos anos. Também colocarei abaixo o link para o Show Completo no Youtube.

1 I Love Being Here With You
2 Let’s Fall In Love
3 ‘Deed I Do
4 The Look Of Love
5 East Of The Sun (And West Of The Moon)
6 I’ve Got You Under My Skin
7 Devil May Care
8 Maybe You’ll Be There
9 ‘S Wonderful
10 Fly Me To The Moon
11 A Case Of You
12 Just The Way You Are

Diana Krall – Piano e Voz
John Clayton – Contrabaixo
Jeff Hamilton – Bateria
Anthony Wilson – Guitarra
Paulinho da Costa – Percussão
Orchestre Symphonique Europeen
Alan Broudband – Condutor

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.: interlúdio .: Charles Mingus – Charles Mingus’s Finest Hour

.: interlúdio .: Charles Mingus – Charles Mingus’s Finest Hour

Difícil de comentar. O CD “Charles Mingus’s Finest Hour” é uma compilação da série Finest Hour da gravadora Verve Records, que selecionaria o que há de “mais essencial” na carreira de artistas lendários. Neste caso, não chegou nem perto de uma boa amostragem. Há coisas maravilhosas e outras que francamente… Não servem nem como uma porta de entrada para conhecer Mingus: é uma mistureca de registros antigos e mais novos. A presença de obras-primas junto a gravações bem comuns baixam o nível de tudo. OK, pode ser ótimo para entender a força musical de Mingus como baixista, compositor e líder de banda, pela larga temporalidade variada das peças selecionadas. Enfim, é uma compilação de diferentes fases de Mingus — que não demonstra a enorme força de seu lirismo, fúria e complexidade.

Charles Mingus – Charles Mingus’s Finest Hour

1 Charles Mingus– Jump Monk
Written-By – Charles Mingus
2:49
2 Lionel Hampton and his Orchestra– Mingus Fingers
Written-By – Charles Mingus
3:06
3 Charles Mingus– Theme For Lester Young (aka Goodbye Pork Pie Hat)
Written-By – Charles Mingus
5:50
4 Charlie Parker and his Orchestra– If I Love Again
Written-By – Ben Oakland, Jack Murray*
2:25
5 Charles Mingus– Bemoanable Baby
Written-By – Charles Mingus
4:23
6 Charles Mingus– Weird Nightmare
Written-By – Charles Mingus
3:37
7 Charles Mingus– Zoo-Baba-Da-Oo-Ee
Written-By – Charles Mingus
2:35
8 Mingus*– Old Portrait
Written-By – Charles Mingus
3:45
9 Charles Mingus– Prayer For Passive Resistance
Written-By – Charles Mingus
3:50
10 Charles Mingus– Consider Me
Written-By – Charles Mingus
3:19
11 Charles Mingus– Freedom
Written-By – Charles Mingus
5:10
12 Quincy Jones and his Orchestra– A Sleepin’ Bee
Written-By – Harold Arlen, Truman Capote
4:39
13 Charles Mingus– Group Dancers
Written-By – Charles Mingus
7:20
14 Charles Mingus– Better Get Hit In Yo’ Soul
Written-By – Charles Mingus
6:28

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PQP

.: interlúdio :. Jan Garbarek: Places (com Jack DeJohnette, Bill Connors, John Taylor) e Mágico (com Egberto Gismonti, Charlie Haden)

Logo após o falecimento do grande Jack DeJohnette, ouvi pela primeira vez um álbum gravado por ele com o saxofonista lá em 1977, com uma sonoridade bem típica do chamado ECM-jazz, nomeado por causa da gravadora que lançou dezenas de álbuns de um estilo que, em termos mais amplos, é jazz europeu, com menos ritmos dançantes do que o jazz americano, e às vezes se aproximando do new age, estilo que na época ainda estava começando a se configurar. A presença da bateria de DeJohnette faz toda a diferença aqui: quando as sonoridades baseadas no sax, no órgão elétrico e na discreta guitarra vão se encaminhando perigosamente próximas do “easy listening”, chega o baterista e adiciona pitadas de swing.

E essa descoberta me fez voltar para um álbum que já admiro há mais tempo, também com Garbarek, também com uma formação de instrumentistas que deixa espaços vazios: se no álbum Places não há baixista, no Mágico (gravado em 1979) não há bateria ou outras percussões, de modo que às vezes é Egberto Gismonti, com seu violão e piano, que está “batendo” os ritmos, porque o baixista Charlie Haden tem preocupações principalmente melódicas.

Em algumas páginas na internet o disco aparece com a autoria de Haden, com a participação de Gismonti e Garbarek. É um equívoco: se o nome do baixista aparece em 1° lugar na capa é muito mais por respeito à sua idade maior (ele já tinha passado dos 40) e seu currículo que incluía álbuns gravados com Ornette Coleman, Keith Jarrett, Alice Coltrane etc. O baixo não tem nenhum solo longo, no máximo trechos de um ou dois compassos em que os dois colegas param e Haden apresenta com beleza suas réplicas, para usar a metáfora comumente usada para o quarteto de cordas como um diálogo civilizado entre quatro indivíduos de igual importância, sem diferença de níveis hierárquicos. Enfim, fica mais do que evidente a ausência de um líder nesse trio.

Recomendo ouvir os dois discos no mesmo dia: eles se complementam de alguma maneira misteriosa. Ou não tão misteriosa assim, afinal os melódicos e lentos solos de sax têm um mesmo caráter mas a cama sonora e a paisagem é diferente. Em um disco o violão cheio de personalidade de Gismonti e o baixo também muito pessoal mas discreto de Haden, no outro os teclados e a bateria formando um tipo de teia sonora completamente diferente mas com conexões com aquele outro mundo do brasileiro nascido no interior do Rio de Janeiro e do norte-americano nascido no Midwest.


Places (1978)
1. Reflections
2. Entering
3. Going Places
4. Passing

Jan Garbarek – Saxophones
Bill Connors – Guitar
John Taylor – Organ, Piano
Jack DeJohnette – Drums
Recorded: December 1977, Oslo, Norway

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Mágico (1980)
1. Bailarina (Geraldo Carneiro, Piry Reis)
2. Mágico (Egberto Gismonti)
3. Silence (Charlie Haden)
4. Spor (Jan Garbarek)
5. Palhaço (Egberto Gismonti)

Charlie Haden – bass
Jan Garbarek – saxophone
Egberto Gismonti – guitar, piano
Recorded: June 1979, Oslo, Norway

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Jack DeJohnette em 1981

Pleyel

.: interlúdio :. Keith Jarrett e seu Quarteto Escandinavo: Sleeper

.: interlúdio :. Keith Jarrett e seu Quarteto Escandinavo: Sleeper

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um tremendo disco. Houve época em que Keith Jarrett tinha dois quartetos, um estadunidense e um escandinavo. Os dois eram fantásticos, mas sempre preferi o escandinavo. Talvez fosse o repertório, talvez fosse a presença do esplêndido saxofonista norueguês Jan Garbarek. Este concerto, gravado em Tóquio no dia de 16 de abril de 1979, traz algumas das melhores coisas do grupo escandinavo: a espetacular Personal Mountains — impossível de ouvir apenas uma vez — , a canção de Innocence, o quase pop de Chant Of The Soil e também New Dance. Um concerto absolutamente anormal.

Keith Jarrett e seu Quarteto Escandinavo: Sleeper

CD1:
1. Personal Mountains
2. Innocence
3. So Tender

CD2:
1. Oasis
2. Chant Of The Soil
3. Prism
4. New Dance

Personnel:

Keith Jarrett: piano, percussion
Jan Garbarek: tenor and soprano saxophones, flute, percussion
Palle Danielsson: double-bass
Jon Christensen: drums, percussion

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A moda em 1979 era bem diferente e pioraria muito nos horrendos anos 80.
A moda em 1979 era bem diferente da de nossos dias. Ela só pioraria nos anos 80…

PQP