Seguindo nesta minha fase compulsiva, vamos a mais um Bartók. O húngaro não é para diletantes, então observem ao lado o nome do regente. Abbado interpreta maravilhosamente tanto o Mandarim quanto a Sinfonietta de Janáček, que tantos admiradores possui aqui no blog. Esta versão do Mandarim é a melhor que já ouvi até hoje. A história é a seguinte:
O ballet-pantomima O Mandarim Miraculoso narra uma curiosa história. Sons precipitados e tumultuados de rua apresentam três vagabundos que coagindo uma jovem mulher a fazer o papel de prostituta a fim de atrair homens a seu quarto para que eles pudessem roubá-los. (O chamado sedutor é soado três vezes pelo clarinete.) Primeiro, a jovem atrai a atenção de um senhor de idade. Mas seu interesse por ela é subitamente interrompido quando os três cúmplices o escorraçam porque ele não tem dinheiro. O chamado sedutor soa de novo, desta vez alcançando um jovem tímido. A jovem se sente atraída por ele e os dois dançam. Mas quando descobrem que ele também tem pouco dinheiro, é igualmente posto para fora.
O terceiro chamado traz à cena o macabro Mandarim. Os olhos traem-lhe os desejos. A jovem começa a dançar para ele- uma valsa que lentamente começa a se delinear – excitando-o ainda mais. No clímax da dança ela se lança a seus joelhos. Apaixonadamente, ele a abraça. A jovem, aterrorizada, foge dele quando um forte toque de trombone anuncia frenética perseguição em ostinado. O Mandarim a persegue e, quando alcança a mulher, os três delinqüentes saltam de seu esconderijo e tentam asfixiá-lo sob uma pilha de almofadas. Mas o mandarim consegue se reerguer e com os olhos fixos ainda mais apaixonadamente sobre a jovem. Os homens o atravessam com uma espada enferrujada, mas o Mandarim não sangra. Enforcam-no num candelabro mas ele não morre. Finalmente, sua cabeça é decepada e a jovem, chorando toma-o nos braços. Só então começam a ferir as feridas do Mandarim e ele consegue morrer.
Béla Bartók (1881-1945): O Mandarim Miraculoso e Dois Retratos /
Leoš Janáček (1854-1928): Sinfonietta
1. The Miraculous Mandarin op.19: Beginning
2. The Miraculous Mandarin op.19: The curtain rises
3. The Miraculous Mandarin op.19: First seduction game: the shabby old rake
4. The Miraculous Mandarin op.19: Second seduction game
5. The Miraculous Mandarin op.19: The shy youth appears at the door
6. The Miraculous Mandarin op.19: Third seduction game
7. The Miraculous Mandarin op.19: The Mandarin enters-Encounter with the girl
8. The Miraculous Mandarin op.19: The girl’s dance
9. The Miraculous Mandarin op.19: She flees from him; he chases her wildly
10. The Miraculous Mandarin op.19: The Mandarin stumbles, but catches the girl; they fight. The…
11. The Miraculous Mandarin op.19: Suddenly the Mandarin’s head Appears. The Tramps drag him out,…
12. The Miraculous Mandarin op.19: They drag the Mandarin to the centre of the room and hang him on a…
13. The Miraculous Mandarin op.19: The tramps take him down. He falls to the floor and at once leaps…
14. The Miraculous Mandarin op.19: His longing stilled, the Manadrin’s wounds begin to bleed; he…
London Symphony Orchestra
Ambrosian Singers
Claudio Abbado
15. Two Portraits op.5: 1. One Ideal: Andante – Shlomo Mintz/LSO/Abbado
16. Two Portraits op.5: 2. One Grotesque: Presto – Shlomo Mintz/LSO/Abbado
London Symphony Orchestra
Shlomo Mintz
Claudio Abbado
17. Sinfonietta: 1. Allegretto-Allegro-Maestoso – Berlin PO/Abbado
18. Sinfonietta: 2. Andante-Allegretto – Berlin PO/Abbado
19. Sinfonietta: 3. Moderato – Berlin PO/Abbado
20. Sinfonietta: 4. Allegretto – Berlin PO/Abbado
21. Sinfonietta: 5. Andante con moto – Berlin PO/Abbado
Os italianos e o violino, o violino e os italianos. Castello e Fontana foram compositores do barroco inicial italiano. Sabe-se pouco sobre Castello. Suas datas de nascimento e morte são aproximações. Pensa-se que ele possa ter morrido durante a grande praga de 1630, pois não publicou nenhuma música nova após esta data. Já Fontana morreu certamente em Padova durante a mesma praga. John Holloway é um mestre do barroco e interpreta essas obras com o habitual senso de estilo. As obras são solos de violino bem acompanhados pelo cravo e, às vezes, também pelo fagote. Mas é um disco de violino, violino e mais violino. Vale a pena conferir.
Dario Castello (1621-1658) & Giovanni Battista Fontana (1571-1630): Sonate Concertate in Stil Moderno
1 Castello: Sonate concertate in stil moderno à 2 e 3 voci, Libro primo – Sonata Settima 5:13
2 Castello: Sonate concertate in stil moderno per sonar nel organo overo spineta o clavicembalo con diversi instrumenti à 1, 2, 3 e 4 voci, Libro secondo – Sonata Prima 4:40
3 Castello: Sonate concertate in stil moderno à 2 e 3 voci, Libro primo – Sonata Ottava 4:54
4 Fontana: Sonate à 1. 2. 3. per il violino, o cornetto, fagotto, chitarone, violoncino o simile altro istromento – Sonata Seconda 6:12
5 Fontana: Sonate à 1. 2. 3. per il violino, o cornetto, fagotto, chitarone, violoncino o simile altro istromento – Sonata Nona 5:56
6 Fontana: Sonate à 1. 2. 3. per il violino, o cornetto, fagotto, chitarone, violoncino o simile altro istromento – Sonata Terza 4:35
7 Fontana: Sonate à 1. 2. 3. per il violino, o cornetto, fagotto, chitarone, violoncino o simile altro istromento – Sonata Decima 6:12
8 Fontana: Sonate à 1. 2. 3. per il violino, o cornetto, fagotto, chitarone, violoncino o simile altro istromento – Sonata Quinta 5:09
9 Fontana: Sonate à 1. 2. 3. per il violino, o cornetto, fagotto, chitarone, violoncino o simile altro istromento – Sonata Duodecima 5:30
10 Fontana: Sonate à 1. 2. 3. per il violino, o cornetto, fagotto, chitarone, violoncino o simile altro istromento – Sonata Sesta 6:06
11 Castello: Sonate concertate in stil moderno per sonar nel organo overo spineta o clavicembalo con diversi instrumenti à 1, 2, 3 e 4 voci, Libro secondo – Sonata Settima 6:13
12 Castello: Sonate concertate in stil moderno per sonar nel organo overo spineta o clavicembalo con diversi instrumenti à 1, 2, 3 e 4 voci, Libro secondo – Sonata Seconda 4:49
13 Castello: Sonate concertate in stil moderno per sonar nel organo overo spineta o clavicembalo con diversi instrumenti à 1, 2, 3 e 4 voci, Libro secondo – Sonata Ottava 4:46
John Holloway, violino
Lars Ulrik Mortensen, cravo
Jane Gower, fagote
Nestes dias em que as comportas da música erudita foram abertas e jorra música por todos os lados é preciso se disciplinar. Tenho música para ouvir pelos próximos 20 anos. E acredito que esta não seja apenas a minha condição. Há outros com este mesmo “problema”. Geralmente posto aquilo que ouço. Isso me disciplina a ouvir aquilo que está em minhas mãos. Se assim não proceder, o prejuízo torna-se imenso. Foi assim que eu procedi para postar este CD com o compositor tcheco Leoš Janáček, patrício de Dvorak. A música de Janáček está repleta de um forte tom folclórico. Janáček pertence a uma geração de compositores que procuraram um maior realismo e uma maior conexão com a vida cotidiana, combinada com uma utilização mais abrangente de recursos musicais. Neste magnífico CD temos a Sinfonieta para Orquestra e Prelúdios de suas principais óperas. A Sinfonieta em particular foi feita em homenagem às Forças Armadas da Checoslováquia. Após ouvir uma banda de metais, Janáček encontrou uma tema motivador para compor a peça. Segundo Janáček, a obra enfatizava “o homem livre contemporâneo, a beleza, alegria, determinação e força para lutar pela vitória”. Uma boa apreciação desse importante material!
Leoš Janáček (1854-1928) – Sinfonietta for Orchestra e Preludes to Operas
Sinfonietta for Orchestra
01. I. Allegretto-Allegro-Maestoso
02. II. Andante-Allegretto-Maestoso
03. III. Moderato-con moto-Tempo primo-Prestissimo-Moderato
04. IV. Allegretto
05. V. Andante con moto-Maestoso-Allegretto-Allegro-Maestoso-Adagio
Prelude to The Makropulos Affair
06. Prelude to The Makropulos Affair
Prelude to Katya Kabanova
07. Prelude to Katya Kabanova
Prelude to The House of the Dead
08. Prelude to The House of the Dead
Prelude to Jealousy (Jenufa)
09. Prelude to Jealousy (Jenufa)
Música composta por François Couturier tendo por inspiração os filmes de Andrei Tarkovsky, seus atores favoritos e a forma como ele jogava com cor e som. Couturier é louco por Tarkovsky. Bem, eu também sou louco por Tarkovsky. O compositor reuniu um grupo pouco ortodoxo de músicos para o projeto. Anja Lechner, mais conhecida nos círculos clássicos, já demonstrou em Chants, Hymns and Dances (ECM, 2004) do que é capaz. O acordeonista Jean-Louis Matinier trabalha com Couturier no trio de Anouar Brahem. O saxofonista soprano Jean-Louis Marché é o novo nome aqui, embora tenha trabalhado com Couturier e Matinier no passado. A química do grupo inequivocamente funciona.
François Couturier (1950): Nostalghia – Song For Tarkovsky
1 Le Sacrifice 8:59
2 Crépusculaire 13:20
3 Nostalghia 8:27
4 Solaris I
Composed By – Lechner*, Couturier*, Larché*
3:19
5 Miroir 3:21
6 Solaris II
Composed By – Lechner*, Couturier*, Larché*
2:47
7 Andreï 7:05
8 Ivan
Composed By – Couturier*, Larché*
6:14
9 Stalker 7:01
10 Le Temps Scellé 5:02
11 Toliu 8:24
12 L’Éternel Retour 3:46
Accordion – Jean-Louis Matinier
Piano – François Couturier
Soprano Saxophone – Jean-Marc Larché
Violoncello – Anja Lechner
As obras deste disco foram tardias. Fauré estava na casa dos 70 anos e estava já surdo. Mas não via sentido em viver sem compor, então, mesmo que não pudesse ouvir o resultado, seguia escrevendo. As Sonatas são mais ou menos, o Trio é melhor. Cada uma das peças tem três movimentos, cada por volta de 19 minutos. Nas sonatas para violoncelo, Poltera e Stott, excelentes instrumentistas, parecem concordar que o impulso melódico é levado pelo violoncelo, às vezes perturbado ou acentuado pelo piano. O violoncelo fala de tristeza e consolo, mas o efeito geral é sereno. A primeira sonata, escrita antes do final da Primeira Guerra Mundial, é um pouco mais agitada do que a segunda. O Trio é mais interessante — o terceiro instrumento, o violino, bem tocado por Priya Mitchell, aprofunda a textura e complica a escrita para torná-la mais interessante. O movimento lento é uma beleza e o final tem um verdadeiro “Vivo”. O disco também inclui uma bela performance do último Noturno de Fauré para piano solo.
Gabriel Fauré (1845-1924): Sonatas para Violoncelo e Trio para Piano
1. Cello Sonata No. 1, Op. 109, I. Allegro
2. Cello Sonata No. 1, Op. 109, II. Andante
3. Cello Sonata No. 1, Op. 109, III. Finale. Allegro Commodo
4. Cello Sonata No. 2, Op. 117, I. Allegro
5. Cello Sonata No. 2, Op. 117, II. Andante
6. Cello Sonata No. 2, Op. 117, III. Allegro Vivo
7. Nocturne N° 13 En Si Mineur, Op. 119
8. Piano Trio, Op. 120, I. Allegro Ma Non Troppo
9. Piano Trio, Op. 120, II. Andantino
10. Piano Trio, Op. 120, III. Allegro Vivo
Kathryn Stott: piano
Christian Poltéra: cello
Priya Mitchell: violin
Um disco absolutamente notável. Tigran Mansurian criou seu Réquiem dedicado à memória das vítimas do genocídio armênio que ocorreu na Turquia de 1915 a 1917. Concilia o som e a sensibilidade das tradições do seu país com o texto do Réquiem latino numa composição contemporânea profundamente comovedora e iluminada. O trabalho é um marco para Mansurian, amplamente reconhecido como o maior compositor da Armênia. O Los Angeles Times descreveu sua música como aquela “em que a dor cultural profunda é acalmada através de uma beleza estranhamente tranquila, avassaladora.”
Só de ver o título A Canção da Terra ou Das Lied von der Erde eu já fico feliz, mas alguma coisa não deu certo neste CD. A primeira surpresa é que o notável tenor Jonas Kaufmann canta todas as seis partes. Ora, esta obra é considerada uma espécie Sinfonia para tenor e contralto (ou mezzo ou barítono) e tradicionalmente duas vozes cantam os seis movimentos. As performances com um barítono ao invés de um mezzo ou contralto como segundo solista parecem ter se tornado mais comuns na última década, seguindo o exemplo criado há meio século por Dietrich Fischer-Dieskau (com James King, tenor), Thomas Hampson (com Peter Seiffert, tenor) e Christian Gerhaher (com Klaus Florian Vogt, tenor). As gravações citadas demonstraram quão eficaz uma segunda voz masculina pode ser nesta peça. Mas, embora a voz de Kaufmann seja regularmente descrita como tendo qualidades de barítono, ele não é um barítono, e há momentos em que parece estar lutando para reunir o suficiente peso para suportar a linha vocal. Foi uma experiência… que talvez não devesse ser registrada em disco, considerando-se que Kaufmann costuma ser espetacular.
Gustav Mahler (1860-1911): A Canção da Terra
1 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: I. Das Trinklied vom Jammer der Erde 8:06
2 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: II. Der Einsame im Herbst 9:57
3 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: III. Von der Jugend 3:08
4 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: IV. Von der Schönheit 6:56
5 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: V. Der Trunkene im Frühling 4:25
6 Mahler: Das Lied von der Erde: Mahler: Das Lied von der Erde: VI. Der Abschied 28:33
Jonas Kaufmann, tenor
Wiener Philharmoniker
Jonathan Nott
Belíssimo disco deste compositor recém retirado do limbo. Heinichen merece estar na segunda linha dos grandes compositores barrocos. Sua música está desfrutando de um rápido ressurgimento, com muitos de seus concertos e missas recebendo recitais e gravações. Seus Dresden Concerti, gravado pela Musica Antiqua Köln, já são um clássico da discografia erudita. Heinichen estudou Direito na Universidade de Leipzig, mas acabou mesmo dedicando-se à música, tanto que depois passou sete anos estudando em Veneza. Seu estilo, aliás, é muito italiano. Após Veneza, trabalhou em Dresden como Kapellmeister do Eleitor da Saxônia. Grande Heinichen!
Johann David Heinichen (1683-1729): Concertos & Sonatas
1. Concerto a 4 in G major, for oboe, bassoon, cello & harpsichord: Andante
2. Concerto a 4 in G major, for oboe, bassoon, cello & harpsichord: Vivace
3. Concerto a 4 in G major, for oboe, bassoon, cello & harpsichord: Adagio
4. Concerto a 4 in G major, for oboe, bassoon, cello & harpsichord: Allegro
5. Sonata for oboe, viola da gamba & continuo in C minor: Affetuoso
6. Sonata for oboe, viola da gamba & continuo in C minor: Allegro
7. Sonata for oboe, viola da gamba & continuo in C minor: Adagio
8. Sonata for oboe, viola da gamba & continuo in C minor: Vivace
9. Sonata a 2, for oboe & bassoon in C minor: Grave
10. Sonata a 2, for oboe & bassoon in C minor: Allegro
11. Sonata a 2, for oboe & bassoon in C minor: Larghetto e cantabile
12. Sonata a 2, for oboe & bassoon in C minor: Allegro
13. Concerto a 4 in D major, for violin, viola da gamba & basso continuo: Andante
14. Concerto a 4 in D major, for violin, viola da gamba & basso continuo: Vivace
15. Concerto a 4 in D major, for violin, viola da gamba & basso continuo: Adagio
16. Concerto a 4 in D major, for violin, viola da gamba & basso continuo: Allegro
17. Sonata a 3, for oboe, violin & basso continuo in C minor: Vivace
18. Sonata a 3, for oboe, violin & basso continuo in C minor: Largo
19. Sonata a 3, for oboe, violin & basso continuo in C minor: Presto
20. Sonata a 2, for oboe & basso continuo in G minor: Largo
21. Sonata a 2, for oboe & basso continuo in G minor: Allegro
22. Sonata a 2, for oboe & basso continuo in G minor: Lamentabile et appogiato
23. Sonata a 2, for oboe & basso continuo in G minor: Allegro
24. Sonata a 3, for violin, oboe & bassoon in B major: Andante
25. Sonata a 3, for violin, oboe & bassoon in B major: Allegro
26. Sonata a 3, for violin, oboe & bassoon in B major: Larghetto
27. Sonata a 3, for violin, oboe & bassoon in B major: Vivace
Bom CD, nada de excepcional. Culpa mais de Vivaldi do que de Wispelwey e turma. Tento explicar: o repertório de Concertos para Violoncelo do Padre Rosso não é lá essas coisas. Tal opinião não inclui as notáveis 6 Sonatas para Violoncelo, claro. Já o Florilegium — chefiado pela grande Rachel Podger — e o violoncelista são sensacionais. Então, fica aquela coisa dos executantes tentarem melhorar desesperadamente uma música apenas razoável. Virou um disco de gatinhos, concertos completos entremeados de melhores lances. Porém, quem gosta demais do barroco ouvirá este CD com deleite. Recomendo com reservas.
Antonio Vivaldi (1678-1741): Concertos para Violoncelo
01 Larghetto in d minor, from F Major violin concerto RV 295
02 Concerto in a minor, Allegro, from RV 421
03 Concerto in a minor, Siciliano, from RV 415 (orig. G Major)
04 Concerto in a minor, Allegro, from RV 421
05 Largo in F Major, from violin concerto RV 190 (orig. C Major)
06 Concerto in F Major, Allegro, from RV 410
07 Concerto in F Major, Largo, from RV 407 (orig g minor)
08 Concerto in F Major, Allegro molto, from RV 411
09 Adagio in C Major, from concerto for strings RV 109
10 Allegro Vivace in D Major, from RV 404 (3rd movement)
11 Largo in D Major, from violin concerto RV 226
12 Concerto in b minor RV 424; I. Allegro non molto
13 Concerto in b minor RV 424; II. Largo
14 Concerto in b minor RV 424; III. Allegro
15 Largo in C Major, from violin concerto RV 383 (orig. B flat Major)
16 Concerto for Cello in G major, RV 413; I. Allegro
17 Concerto for Cello in G major, RV 413; II. Largo
18 Concerto for Cello in G major, RV 413; III. Allegro
19 Largo in G Major, from violin concerto RV 341 (orig, A Major) (violoncello picollo)
20 Concerto in a minor RV 422 (single strings); I. Allegro non troppo
21 Concerto in a minor RV 422 (single strings); II. Largo
22 Concerto in a minor RV 422 (single strings); III. Allegro
23 Alla Breve in G Major, from violoncello concerto RV 415 ( 3rd Movement) (violoncello picollo)
As famosas Children`s Songs, de Chick Corea, foram originalmente lançadas em 1984, no vinil cuja capa colocamos ao lado. Corea diz que Béla Bartók foi uma de suas maiores influências e, pô, está na cara. Suas Canções Infantis são breves e tranquilas. São também líricas e de estrutura nem tão simples assim (imagina se a 11ª pode ser chamada de simples?!). Elas são uma espécie de versão de Corea para os Mikrokosmos de Bartók. Ele apredeu piano com eles. As 153 pequenas peças de Bartók foram escritas como um crescente desafio para jovens estudantes de piano. Já as 20 de Corea são miniaturas altamente melódicas que refletem um certo ar brincalhão — em alguns casos, naïve. É aquele tipo de música enganadora: parece simples, mas sofre terrivelmente na mão de pianistas fracos. Não é o caso do grande virtuose Chick Corea.
Este monumento da arte contemporânea mistura música absoluta, intensidade trágica, humor, ódio mortal, tranquilidade bucólica e paródia. Tem, ademais, uma história bastante particular.
Em março de 1953, quando da morte de Stalin, Shostakovich estava proibido de estrear novas obras e a execução das já publicadas estava sob censura, necessitando de autorizações especiais para serem apresentadas. Tais autorizações eram, normalmente, negadas. Foi o período em que Shostakovich dedicou-se à música de câmara e a maior prova disto é a distância de oito anos que separa a nona sinfonia desta décima. Esta sinfonia, provavelmente escrita durante o período de censura, além de seus méritos musicais indiscutíveis, é considerada uma vingança contra Stalin. Primeiramente, ela parece inteiramente desligada de quaisquer dogmas estabelecidos pelo realismo socialista da época. Para afastar-se ainda mais, seu segundo movimento – um estranho no ninho, em completo contraste com o restante da obra – contém exatamente as ousadias sinfônicas que deixaram Shostakovich mal com o regime stalinista. Não são poucos os comentaristas consideram ser este movimento uma descrição musical de Stálin: breve, é absolutamente violento e brutal, enfurecido mesmo, e sua oposição ao restante da obra faz-nos pensar em alguma segunda intenção do compositor. Para completar o estranhamento, o movimento seguinte é pastora, contendo um enigma musical do mestre: a orquestra para, dando espaço para a trompa executar o famoso tema baseado nas notas DSCH (ré, mi bemol, dó e si, em notação alemã) que é assinatura musical de Dmitri SCHostakovich, em grafia alemã. Para identificá-la, ouça o tema executado trompa em solo. Ele é repetido quatro vezes. Ouvindo a sinfonia, chega-nos sempre a certeza de que Shostakovich está dizendo insistentemente: Stalin está morto, Shostakovich, não. O subtítulo deste disco — Under Stalin`s Shadow — é totalmente justificado. O mais notável da décima é o tratamento magistral em torno de temas que se transfiguram constantemente.
A gravação de Andris Nelsons é bastante boa, mas nada como um russo para colocar tudo no lugar certinho.
Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 10 / Passacaglia de Lady Macbeth
Viktoria Mullova é um das preferências absolutas deste filho de Bach. A sonoridade e a classe desta moscovita é uma coisa de louco.
A peça de Bartók é uma peça de Bartók, isto, é, é esplêndida e o mantém entre os 3 maiores Bs da música erudita, os quais permanecem como os maiores mesmo quando se usa todas as outras letras do alfabeto. Quem são os três? Ora, Bach, Brahms, Beethoven e Bartók.
A peça de Janáček é igualmente sensacional. Música bem eslava, sanguínea e cheia de surpresas e belas melodias, combinando perfeitamente com Bartók.
Depois a gente brocha. Debussy… Debussy… Debbie…, o que dizer? Claude, apesar do tremendo esforço que fez para movimentar-se no primeiro movimento, é um gordo. Portanto, é meio estático. Para piorar, é também extático. Bem, hoje faz um lindo dia e dizem que é o Dia do Beijo, o que significa que eu deveria ir para a rua ver o que consigo. (Mas, olha, foi das melhores coisas que já ouvi do gordo Debbie).
Prokofiev! Ah, Serguei é outro papo. Já de cara ele mostra quão fodão é naquele tranquilo Andante assai e no furioso Allegro brusco que o segue. Sem dúvida, é um cara que valoriza o contraste… Nós também detestamos o total flat, a gente gosta tanto dos mares piscininha quanto das descidas vertiginosas; afinal, os acidentes geográficos é o que faz a beleza da paisagem, né? As duas Sonatas de Prokofiev são notáveis.
Stravinsky… Sei que meus pares aqui no blog são admiradores do anão russo e adoro provocar, só que não dá, o cara é bão demais, raramente erra. Será que o gordo Debbie escreveu alguma coisa chamada “Divertimento”? Ele se divertia com o quê?
Bartók: Sonata for Solo Violin / Janáček: Violin Sonata / Debussy: Violin Sonata / Prokofiev: Violin Sonata Nros 1 e 2 / Stravinsky: Divertimento
CD 1
1. Bartok Sonata for Solo Violin – I. Tempo di ciaccona
2. Bartok Sonata for Solo Violin – II. Fuga. Risoluto, non troppo vivo
3. Bartok Sonata for Solo Violin – III. Melodia. Adagio
4. Bartok Sonata for Solo Violin – IV. Presto agitato
5. Janacek Violin Sonata – I. Con moto
6. Janacek Violin Sonata – II. Ballada. Con moto
7. Janacek Violin Sonata – III. Allegretto
8. Janacek Violin Sonata – IV. Adagio
9. Debussy Violin Sonata – I. Allegro vivo
10. Debussy Violin Sonata – II. Intermede. Fantasque et leger
11. Debussy Violin Sonata – III. Finale. Tres animé
CD 2
1. Prokofiev Violin Sonata No.1 in F minor, Op.80 – I. Andante assai
2. Prokofiev Violin Sonata No.1 in F minor, Op.80 – II. Allegro brusco
3. Prokofiev Violin Sonata No.1 in F minor, Op.80 – III. Andante
4. Prokofiev Violin Sonata No.1 in F minor, Op.80 – IV. Allegrissimo
5. Prokofiev Violin Sonata No.2 in D major, Op.94a – I. Moderato
6. Prokofiev Violin Sonata No.2 in D major, Op.94a – II. Scherzo. Presto
7. Prokofiev Violin Sonata No.2 in D major, Op.94a – III. Andante
8. Prokofiev Violin Sonata No.2 in D major, Op.94a – IV. Allegro con brio
9. Stravinsky Divertimento – I. Sinfonia
10. Stravinsky Divertimento – II. Danses suisses
11. Stravinsky Divertimento – III. Scherzo
12. Stravinsky Divertimento – IV. Pas de deux. Adagio – Variations – Coda
Viktoria Mullova: violin
Piotr Anderszewski: piano
Bruno Canino: piano
Recording:
June 1987, Utrecht (Bartók)
April 1989, London (Prokofiev No.2, Stravinsky)
July 1994, Forde Abbey, Chard, England (Janácek, Debussy, Prokofiev No.1)
Tive a sorte de, há dois anos, ver o Hagen Quartett no Southbank Center de Londres. Foi um grande concerto dedicado a Brahms e Bartók. Eles são excelentes mesmo. Aqui, eles dão um show em três quartetos de Shostakovich. E mais não escrevo porque estou atrasado. Só garanto: baita CD!
Dmitri Shostakovich (1906-1975): String Quartets Nos. 4, 11 & 14
Sem dúvida, um dos dez discos que levaria para a ilha deserta. Uma coisa espantosa! Se o Melos Quartett já era maravilhoso sozinho, imaginem-no acrescido de um Rostropovich em plena forma, no ano de 1977. E o repertório? O que há que não seja perfeito no Quinteto com duplo violoncelo de Schubert?
Em um jantar muito pouco sério na última terça-feira com um grupo de velhos amigos, um deles disse que jamais, de modo algum, alguém que tenha sofrido uma recente desilusão amorosa deveria ouvir o Adágio deste Quinteto. Cortaria os pulsos. Wittgenstein, que conhecia bem esta música, certa vez se referiu a um “tipo fantástico e único de grandeza” que ela representa. Aqui, a linguagem não faltou ao autor do Tractatus Logico-Philosophicus. O trabalho de Schubert data dos últimos meses de sua curta vida, quando o compositor estava criando enorme música a um ritmo inacreditável. Bem, como já disse, esta versão do grande Quinteto para cordas D. 956 é extraordinária. Excelente som, excelente conjunto e uma profundidade sem precedentes. A revista Gramophone garante: “Provavelmente, a melhor versão. O Melos Quartet Stuttgart era um dos melhores conjuntos de câmara de sua época e o envolvimento do mítico Rostropovich no segundo violoncelo teve um resultado que as palavras não acompanham. Um CD que deve ser conhecido. O segundo movimento (Adágio) é simplesmente mágico”.
Franz Schubert (1797-1828): Quinteto de Cordas, D. 956
[01] I. Allegro ma non troppo
[02] II. Adagio
[03] III. Scherzo: Presto – Trio: Andante sostenuto
[04] IV. Allegretto
A Missa Brevis é, literalmente, uma missa breve, curta. As quatro de Bach são compostas de seis movimentos — o formato usual é de cinco. Com pequenas variações uma para outra, são eles Kyrie, Gloria, Domine Deus, Qui tollis, Quoniam e Cum sancto Spiritu. O grupo inglês, chefiado pelo The Purcell Quartet, dá um banho de bola neste repertório pouco divulgado. Destaque máximo para Nancy Argenta e Michael Chance.
Altíssima concentração de musicalidade, por assim dizer. O Fretwork é aquele típico consort of viols que toca desde a música veneziana do século XVI e que pode dar uma chegadinha a Bach e, talvez ir adiante. Soube que já tocaram Shostakovich! Sua abordagem às Goldberg é maravilhosa. Além disso, o CD é tem um som exuberante e a interpretação / arranjo para sexteto de violas faz inteira justiça à composição. Encantado, aprovei mais esta versão da obra que, provavelmente, mais postamos no PQP Bach desde a abertura do blog. O arranjo foi escrito por Richard Boothby e quem estiver em Cambridge no próximo dia 26 de maio poderá vê-los na nova versão de quarteto com A Arte da Fuga, de Bach. Favor enviar passagens e ingressos para minha residência.
Os ingleses do Fretwork
J. S. Bach: Variações Goldberg transcritas pelo e para o Fretwork (conjunto de violas da gamba)
Disc 1:
1. Goldberg Variations, BWV 988: Aria 4:56
2. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 1. 2:38
3. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 2. 1:31
4. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 3. Canone all’Unisono 2:24
5. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 4. 1:19
6. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 5. 1:55
7. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 6. Canone alla Seconda 1:34
8. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 7. Al tempo di Giga 1:57
9. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 8. 2:00
10. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 9. Canone alla Terza 2:12
11. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 10. Fughetta 1:32
12. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 11. 2:40
13. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 12. Canone alla Quarta 2:52
14. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 13. 6:31
15. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 14. 2:30
16. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 15. Canone alla Quinta: Andante 4:52
Disc 2:
1. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 16. Ouverture 3:01
2. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 17. 2:50
3. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 18. Canone alla Sesta 1:29
4. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 19. 1:06
5. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 20. 2:53
6. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 21. Canone alla Settima 3:39
7. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 22. Alla breve 1:35
8. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 23. 2:14
9. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 24. Canone all’Ottava 2:46
10. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 25. Adagio 7:40
11. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 26. 2:23
12. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 27. Canone alla Nona 2:22
13. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 28. 2:36
14. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 29. 2:41
15. Goldberg Variations, BWV 988: Var. 30. Quodlibet 1:55
16. Goldberg Variations, BWV 988: Aria 5:22
Um bom disco de jazz. Melodioso, tranquilo, educado. PQP Bach prefere coisas mais viscerais, mas o CD de Enrico Pieranunzi (piano), Marc Johnson (baixo acústico) e Gabriele Mirabassi (clarinete) agradou por sua simplicidade e calma. Foi bom ouvi-lo no calor insuportável de Porto Alegre durante o último fim-de-semana. Ajudou a manter a cabeça no lugar. Indicado para quem está em férias. Os clarinetistas costumam babar por Mirabassi, atenção!
Racconti Mediterranei
1. The Kingdom (Where Nobody Dies) 6:58
2. Les amants 4:34
3. Canto nascosto 3:47
4. Il canto delle differenze 5:48
5. Una piccola chiave dorata 4:40
6. O toi dèsir 5:45
7. Lighea 6:10
8. Coralie 5:39
9. Un’alba dipinta sui muri 4:16
10. Stefi’s Song 4:56
11. Canzone di Nausicaa 7:34
Enrico Pieranunzi, piano
Marc Johnson, contra-baixo
Gabriele Mirabassi, clarinete
Após o equívoco da Sinfonia Nº 12 – lembrem que até Beethoven escreveu uma medonha Vitória de Wellington, curiosamente estreada na mesma noite da sublime 7ª Sinfonia, mas este é outro assunto… -, Shostakovich inauguraria sua última fase como compositor começando pela Sinfonia Nº 13, Babi Yar. Iniciava-se aqui a produção de uma sequência de obras-primas que só terminaria com sua morte, em 1975. Esta sinfonia tem seus pés firmemente apoiados na história da União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial. É uma sinfonia cantada, quase uma cantata em seu formato, que conta com a nada desprezível colaboração do grande poeta russo Evgeny Evtuchenko (conforme alguns, como a Ed. Brasilinense, porém pode-se encontrar a grafia Ievtuchenko, Yevtuchenko ou Yevtushenko, enfim!).
O que é, afinal, Babi Yar? Babi Yar é o nome de uma pequena localidade situada perto de Kiev, na atual Ucrânia, cuja tradução poderia ser Barranco das Vovós. Ali, em 29 e 30 de setembro de 1941, teve lugar o assassinato de 34 mil judeus pelos nazistas. Eles foram mortos com tiros na cabeça e a participação comprovada de colaboradores ucranianos no massacre permanece até hoje tema de doloroso debate público naquele país. Nos dois anos seguintes, o número de mortos em Babi Yar subiu para 200 mil, em sua maioria judeus. Perto do fim da guerra, os nazistas ordenaram que os corpos fossem desenterrados e queimados, mas não conseguiram destruir todos os indícios. Ievtuchenko criticou a maneira que o governo soviético tratara o local. O monumento em homenagem aos mortos referia-se às vítimas como ucranianas e russas, o que também eram, apesar de se saber que o fato determinante de suas mortes era o de serem judeus. O motivo? Ora, Babi Yar deveria parecer mais uma prova do heroísmo e sofrimento do povo soviético e não de uma fatia dele, logo dele, que seria uma sociedade sem classes nem religiões… O jovem poeta Ievtushenko considerou isso uma hipocrisia e escreveu o poema em homenagem aos judeus mortos. O que parece ser uma crítica de importância relativa para nós, era digna de censura, na época. O poema — o qual tem extraordinários méritos literários — foi publicado na revista Literatournaia Gazetta e causou problemas a seu autor e depois, também a Shostakovich, ao qual foram pedidas alterações que nunca foram feitas na sinfonia. No Ocidente, Babi Yar foi considerado prova da violência antissemita na União Soviética, mas o próprio Ievtuchenko declara candidamente em sua Autobiografia Precoce (Ed. Brasiliense, 1987) que a tentativa de censura ao poema não teve nada a ver com este gênero de discussão e que, das trinta mil cartas que recebeu falando em Babi Yar, menos de trinta provinham de antissemitas…
O massacre de Babi Yar é tão lembrado que não serviu apenas a Ievtuchenko e a Shostakovich, tornando-se também tema de filmes e documentários recentes, assim como do romance Babi Yar de Anatoly Kuznetsov. Não é assunto morto, ainda.
O tratamento que Shostakovich dá ao poema é fortemente catalisador. Como se fosse uma cantata em cinco movimentos, os versos de Ievtuchenko são levados por um baixo solista, acompanhado de coral masculino (formado apenas por baixos) e orquestra. É música de impressionante gravidade e luto; a belíssima linha melódica ora assemelha-se a um serviço religioso, ora aum dos grandes modelos de Shostakovich, Mussorgski; mesmo assim, fiel a seu estilo, Shostakovich encontra espaço para o sarcasmo.
Tranquila crueldade: soldados alemães examinam as roupas dos mortos em Babi Yar.
“Babi Yar” é como ficou conhecida a sinfonia para coro masculino, baixo e orquestra. A partir do texto de dura indignação de Ievgueni Evtuchenko e apesar dos problemas que ele geraria na União Soviética pós-stalinista, Shostakovich construiu um painel de extraordinária força em torno de mazelas típicas de seu tempo: o medo e a opressão, o conformismo e o carreirismo, o massacre cotidiano num Estado policial e a possibilidade de superação através do humor e da intransigência.
Em linguagem quase descritiva, combinando a severidade da orquestra com a impostação épica das vozes, “Babi Yar” tem um poder de evocação cinematográfico: raramente se ouviu música tão plástica. O realismo e a imagens dos poemas são admiravelmente apoiados pelo estilo alternadamente sombrio e agressivo da música de Shostakovich. Não obstante o grande efetivo orquestral e a tensão dos clímaxes, as texturas são rarefeitas e o coro, declamando ou murmurando, canta quase sempre em uníssono ou em oitavas — mais um elemento dessa estrutura preparada para expressar a desolação e o nervosismo.
O primeiro movimento alterna estrofes que exploram o horror e a culpa de Babi Yar com relatos de dois outros episódios — o de Anne Frank e o de um menino massacrado em Bielostok. No segundo movimento, ritmado de forma tipicamente shostakovichiana, o tom enfático das vozes falam da resistência que o “Humor” jamais deixará de oferecer à tirania. “Na loja”, o Adagio que se segue, descreve quase fisicamente as filas das humilhadas donas-de-casa numa linha sinuosa à espera de um pouco de comida. Quando chegam ao balcão, o poema diz: “Elas nos honram e nos julgam”, enquanto percussão e castanholas simulam panelas e garrafas se entrechocando. É em clima que estupefação que o movimento se encerra: “Nada está fora de seu alcance”.
A linha sinuosa torna-se reta ao prosseguir sem interrupção para o episódio seguinte, um ameaçador ‘sostenuto’ das cordas graves sob solo da tuba: é o “Medo”, componente constante da vida soviética. Contrapondo-se às sombras que até aqui dominam a sinfonia, Shostakovich a conclui com uma satírica reflexão sobre o que é seguir uma “Carreira”. Em ritmo de valsa lenta, ficamos sabendo que a verdadeira carreira não é a dos que se submetem, mas a de Galileu, Shakespeare ou Pasteur, Newton ou Tolstói: “Seguirei minha carreira de tal forma que não a esteja seguindo”, conclui o baixo, com o eco do sino que abrira pesadamente a sinfonia, agora aliviado pela celesta.
Shostakovich (esquerda), com o poeta Evgeni Ievtuchenko (direita) e o regente Kirill Kondrashin na estreia da 13ª Sinfonia.
A história da primeira execução de Babi Yar foi terrível. Houve protestos e ameaças por parte das autoridades soviéticas. Se até 1962, Shostakovich dava preferência a estrear suas obras sinfônicas com Evgeny Mravinsky (1903-1988), Babi Yar causou um surdo rompimento na parceria entre ambos. O lendário regente da Sinfônica de Leningrado amedrontou-se (teve razões para tanto) e desistiu da obra pouco antes de começarem os ensaios. Porém, como na União Soviética e a Rússia os talentos brotam por todo lado, Mravinsky foi substituído por Kirill Kondrashin (1914-1981) que teve uma performance inacreditável e cujo registro em disco é das coisas mais espetaculares que se possa ouvir.
P.S.- Por uma dessas coisas inexplicáveis, encontrei o disco soviético com o registro da estreia num sebo de Porto Alegre em 1975. Comprei, claro.
Obs.: A descrição da música foi adaptada de um texto que Clovis Marques escreveu para um concerto no Municipal do Rio de Janeiro.
Este vinil foi digitalizado pelo extraordinário blog holandês 33 toeren klassiek, ao qual agradecemos muitíssimo. Trata-se de um blog que divulga apenas raridades lançadas em vinil há décadas. Nada de obviedades, só os bons cantinhos do repertório que ficaram esquecidos pelas gravadoras. Telemann morreu há 250 anos atrás e merece ser lembrado neste ano. A orquestra de câmara Deutsche Bachsolisten foi fundada em 1960 pelo oboísta Helmut Winschermann. Neste belo LP ouvimos quatro composições deste compositor prolífico, que era mais famoso em seu tempo do que Johann Sebastian Bach.
G.P. Telemann (1681-1767): Sinfonia, Abertura e Concertos
1 Sinfonia in F voor blokfluit, viola da gamba, orkest en b.c. 9:19
alla breve – andante – vivace
2 Ouverture in C voor 3 hobo’s, strijkers en b.c. 18:41
ouverture – harlequinade – espagniole – bourée en trompette – someille –
rondeau – menuett 1+2 – gigue
3 Concert voor 3 hobo’s, 3 violen en b.c. in Bes 8:27
allegro – largo – allegro
4 Tripelconcert voor fluit, hobo d’amore, viola d’amore. strijkers
en b.c. in E 16:56
andante – allegro – siciliane – vivace
Helmut Schneidewind: trompet
Willi Walther, Josef Feck, Lothar Zinke: trombones
Günther Höller: blokfluit
Hans Jürgen Möhring: dwarsfluit
Helmut Winschermann: hobo d’amore
Günther Lemmen: Viola d’amore
Heinrich Haferland: Viola da gamba
Deutsche Bachsolisten
Helmut Winschermann, dirigent (1, 2 en 3)
Carl Gorvin, dirigent (4)
Assim fazem todas. As feministas amantes do Politicamente Correto — algumas o amam — matariam Mozart e da Ponte em razão deste título… Mas aqui somos mais razoáveis, somos feministas que desprezam as Mênades de nossos dias.
Bem, esse CD triplo vocês devem ouvir de joelhos, OK? Considerada uma obra um pouquinho por demais erótica do libretista Lorenzo da Ponte, a história obteve a rejeição de Salieri e a aceitação de Mozart. O espírito da ópera rivaliza com as comédias agridoces de Shakespeare. Na regência, René Jacobs traz-nos interpretação MA-RA-VI-LHO-SA e muito bem humorada, com instrumentos de época.
Così fan tutte, ossia La scuola degli amanti (“Assim fazem todas, ou A escola dos amantes”, em italiano) é a antepenúltima ópera de Mozart. Sua estréia ocorreu no Burgtheater no dia 26 de Janeiro de 1790 (tá de níver amanhã!). Così Fan Tutte é a terceira e última ópera de Mozart cujo libreto foi escrito por da Ponte (as outras duas colaborações haviam sido As bodas de Fígaro e Don Giovanni). A composição de ópera foi sugerida pelo imperador austríaco José II.
W. A. Mozart (1756-1791): Così fan tutte
Disc 1
1 Overture See All 4
2 Terzetto
3 Recitativo
4 Terzetto
5 Da soldati d’onore / Terzetto
6 Duetto
7 Recitativo
8 Quintetto
9 Recitativo
10 Coro
11 Abbraciami, idol mio / Quintetto
12 Faccia che al campo giunga / Terzettino
13 Recitativo
14 Recitativo
15 Aria
16 Recitativo
17 Aria
18 Recitativo
19 Sestetto
20 O ciel! Mirate
21 Aria
22 Recitativo
Disc 2
1 Aria
2 Cosa serve? / Aria
3 Recitativo
4 Finale, Atto Primo
5 Eccovi Il Medico
6 Dove Son?
7 Dammi un bacio
8 Atto Secondo, Recitativo
9 Aria
10 Recitativo
11 Duetto
12 Duetto con coro
13 Quartetto
14 Recitativo
15 Duetto
16 Recitativo
17 Aria
18 Ei parte … senti … ah no!
Disc 3
1 Rondo See All 7
2 Recitativo
3 Abbi di me pieta, dammi consiglio / Aria
4 Recitativo
5 Cavatina
6 Aria
7 Recitativo
8 Duetto
9 Recitativo
10 Tutti accusan le donne / Recitativo
11 Finale, Atto Secondo
12 Coro
13 E nel tuo, nel mio bicchiero / Miei Signori, tutto e fatto
14 Coro
15 Sani E Salvi Gli Amplessi Amorosi
16 Giusto ciel!
17 Tutti
Veronique Gens, Fiordiligi
Bernarda Fink, Dorabella
Werner Gura, Ferrando
Marcel Boone, Guglielmo
Pietro Spagnolo, Don Alfonso
Graciela Oddone, Despina
Um violoncelo solitário é a porta de entrada para a alma de muitos compositores. Bach e Britten são os mais famosos. Ernest Bloch escreveu suas três suítes solo de violoncelo na década de 1950, perto do final de sua vida, e elas são fugazes e estranhas, como se tratasse de lembranças problemáticas. A notável Natalie Clein completa seu programa com duas outras peças do pós-guerra: a Ciaccona, Intermezzo e Adagio (1945) de Dallapiccola, peça bem perturbada e forte, e a Sonata em dois movimentos de Ligeti (1948-53), que contém uma das melodias mais desprotegidamente bonitas que conheço. Com razão, Clein toca cheia de convicção e não recua em alternar ataques destemidos e passagens sublimes, tranquilas e assustadoras. Este disco é 2017 e a violoncelista recém completou 40 anos. Uma menina! Parabéns, Natalie!
Bloch, Ligeti & Dallapiccola: Suites for solo cello
Suite for solo cello No 1 [10’11] Ernest Bloch (1880-1959)
1 Prelude[2’35]
2 Allegro[1’56]
3 Canzona[3’00]
4 Allegro[2’40]
Suite for solo cello No 2 [18’12] Ernest Bloch (1880-1959)
5 Prelude[2’52]
6 Allegro[5’20]
7 Andante tranquillo[5’04]
8 Allegro[4’56]
Suite for solo cello No 3 [11’15] Ernest Bloch (1880-1959)
9 Allegro deciso[1’24]
10 Andante[2’35]
11 Allegro[2’34]
12 Andante[2’30]
13 Allegro giocoso[2’12]
Ciaccona, Intermezzo e Adagio [16’18] Luigi Dallapiccola (1904-1975)
14 Ciaccona: Con larghezza[8’00]
15 Intermezzo: Allegro, con espressione drastica[2’44]
16 Adagio[5’34]
Sonata for solo cello [8’33] György Ligeti (1923-2006)
17 Dialogo: Adagio, rubato, cantabile[3’57]
18 Capriccio: Presto con slancio[4’36]
Aurelia Shimkus nasceu em Riga, na Letônia, em 1997. É jovem demais e meio mão pesada e sem sutileza para sair interpretando Bach por aí. Tem bom desempenho na porrada lisztiana que abre o CD, mas depois deixa transparecer certas ânsias heavy metal, principalmente, na linda e delicadíssima Ich ruf’ zu dir, Herr Jesu Christ, onde trata de enfiar a mão em momentos em que esta ficaria melhor no bolso. Também detestei a transcrição de Busoni para a Toccata and Fugue. E não seria natural que a pianista enfrentasse a maior peça de Bach transcrita para o piano por Busoni? Por que ela fugiu disso aqui? Ah, Aurelia…
J. S. Bach (1685-1750): B-A-C-H: Ich ruf zu Dir
1 Fantasia and Fugue on the Theme B-A-C-H, S529/R22 12:43, de Liszt
2 Capriccio sopra la lontananza del fratello dilettissmo in B-Flat Major, BWV 992 10:37
3 10 Chorale Preludes, BV B 27: Ich ruf’ zu dir, Herr Jesu Christ, BWV 639 (arr. F. Busoni for piano) 3:57
4 10 Chorale Preludes, BV B 27: Komm, Gott Schopfer, BWV 667 (arr. F. Busoni for piano) 1:58
5 10 Chorale Preludes, BV B 27: Durch Adams Fall ist ganz verderbt, BWV 705 (arr. F. Busoni for piano) 7:04
6 Toccata and Fugue in D Minor, BWV 565 (arr. F. Busoni for piano) 9:05
7 Die Kunst der Fuge, BWV 1080: Fuga a 3 Soggetti (Contrapunctus XIV) 8:39
Certamente, este não é um CD regular, desses que você encontra na loja e compra. É um pirata da mais alta qualidade. É o registro de um concerto ao vivo no qual o grande Ton Koopman rege um repertório extraordinariamente bem bolado. O som — excelente, se considerarmos a situação — deve ter sido capturado através da Rádio Estatal Finlandesa, uma das mais ouvidas por PQP Bach em seu micro. Uma joia. Ao lado de obras de Bach, Koopman programou a Sinfonia Nº 5 de Mendelssohn, composta para as comemorações dos 300 anos da Reforma Protestante (1832).
Assim como Bach fazia em suas Cantatas, a Sinfonia de Mendelssohn está cheia de citações a hinos luteranos. Por exemplo, no primeiro movimento, a introdução lenta e solene, que alterna metais e cordas em pianíssimo, apresenta o Amen de Dresden, tema retirado da liturgia luterana do século XVIII da região da Saxônia. É contrastado por um vigoroso Allegro con fuoco e ao final é reapresentado o Amen de Dresden, que termina em grande agitação com um acorde menor se transformando em maior. E o último movimento é uma fantasia sobre o coral de Lutero Ein’ feste Burg ist unser Gott, o chamado Hino da Reforma, utilizado por Bach em sua maior Cantata, a BWV 80.
Minha opinião diverge cordialmente da de meu colega Carlinus: esta é a maior e mais importante Sinfonia de Mendelssohn e não a preferida dele, a de Nº 4, “Italiana”. Mas não vamos brigar por isso, de modo algum. É questão de gosto. Também não brigaremos sobre a competência de Ton Koopman, notável cravista, organista e regente.
J.S.Bach (1685-1750): Sinfonia da Cantata BVW 42, Concerto para 2 violinos, Concerto de Brandenburgo Nº 1 / Felix Mendelssohn (1809-1847): Sinfonia Nº 5 “Reforma”
Johann Sebastian Bach (1685-1750) 1. Sinfonia from Cantata BWV 42
2. Concerto in D Minor for Two Violins, BWV 1060
Allegro
Adagio
Allegro
3. Brandenburg concerto No. 1 in F major, BWV 1046
(Without tempo indication)
Adagio
Allegro
Menuetto – Trio I – Polacca – Trio II
Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847) 4. Sinfonia No. 5 em Ré maior, Op. 107 – “Da Reforma”
Andante – Allegro com fuoco
Allegro vivace
Andante
Andante com moto – Allegro vivace – Allegro maestoso
Finnish Radio Symphony Orchestra
Ton Koopman, regente
Taija Kilpiö, violino
Emma Vähälä, violino
Uma coleção de Concertos para Violoncelo de compositores do século XVIII. Não é uma coisa de louco. Vogler grava três concertos inéditos em gravações e os faz acompanhar do famoso Concerto Nº 3 de CPE Bach. O desempenho de Vogler — esta é a primeira versão que eu ouvi do concerto do mano CPE em violoncelo moderno — tem pouco do drama de outras gravações, mas canta com alma no Largo e dança atleticamente através dos movimentos rápidos. Os “novos” trabalhos são bons, com destaque para o Concerto de Friedrich Hartmann Graf, colocado estrategicamente em segundo lugar no CD.
C.P.E. Bach, Graf, M. Haydn, Hasse: Concertos para Violoncelo
Concerto for Cello no 3 in A major, Wq 172/H 439 by Carl Philipp Emmanuel Bach
1. Concerto for cello, strings & continuo (‘No. 3’) in A major, H. 439, Wq. 172: Allegro
2. Concerto for cello, strings & continuo (‘No. 3’) in A major, H. 439, Wq. 172: Largo mesto
3. Concerto for cello, strings & continuo (‘No. 3’) in A major, H. 439, Wq. 172: Allegro assai
Concerto for Cello and Orchestra in D by Friedrich Hartmann Graf
4. Cello Concerto in D major : Allegro
5. Cello Concerto in D major : Romance. Andante
6. Cello Concerto in D major : Rondo. Allegro
Concerto for Cello in D major by Johann Adolf Hasse
7. Cello Concerto in D major: Andante moderato – Fuga
8. Cello Concerto in D major: Largo
9. Cello Concerto in D major: Allegro
Concerto for Cello and Orchestra in B flat by Michael Haydn
10. Cello Concerto in B flat major, MH deeest (spurious): Moderato
11. Cello Concerto in B flat major, MH deeest (spurious): Romanze. Andante un poco agitato
12. Cello Concerto in B flat major, MH deeest (spurious): Finale. Rondo
Jan Vogler, Cello
Reinhard Goebel
Munich Chamber Orchestra
Andor Foldes (1913-1992) foi um daqueles húngaros notáveis do início do século passado. Fricsay, Reiner, Dorati, Solti, Ormandy, Kodály, Bartók, Anda, Cziffra… Quem mais, dentro os pequenos países, teve uma geração como essa? E ela seguiu com brilho na segunda metade do século XX. Aqui, direto dos tesouros da Deutsche Grammophon, temos Foldes esmerilhando algumas Sonatas de Beethoven. Raramente pude ouvir gravações melhores, principalmente das primeiras Sonatas. Foldes esteve sempre muito próximo à música de seu contemporâneo Béla Bartók, então achei que ia gostar mais das Sonatas mais modernas de Beethoven. Mas não, admirei as primeiras. É que depois de ouvir Pollini nas últimas Sonatas não tem mais jeito. Mas Foldes foi um monstro!
Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano
CD 1
1 Piano Sonata No.8 in C minor, Op.13 -“Pathétique”: 1. Grave – Allegro di molto e con brio
2 Piano Sonata No.8 in C minor, Op.13 -“Pathétique”: 2. Adagio cantabile
3 Piano Sonata No.8 in C minor, Op.13 -“Pathétique”: 3. Rondo (Allegro)
4 Piano Sonata No.15 In D, Op.28 -“Pastorale”: 1. Allegro
5 Piano Sonata No.15 In D, Op.28 -“Pastorale”: 2. Andante
6 Piano Sonata No.15 In D, Op.28 -“Pastorale”: 3. Scherzo. Allegro vivace
7 Piano Sonata No.15 In D, Op.28 -“Pastorale”: 4. Rondo. Allegro ma non troppo
8 Piano Sonata No.17 In D Minor, Op.31 No.2 -“Tempest”: 1. Largo – Allegro
9 Piano Sonata No.17 In D Minor, Op.31 No.2 -“Tempest”: 2. Adagio
10 Piano Sonata No.17 In D Minor, Op.31 No.2 -“Tempest”: 3. Allegretto
11 Piano Sonata No.21 in C, Op.53 -“Waldstein”: 1. Allegro con brio
12 Piano Sonata No.21 in C, Op.53 -“Waldstein”: 2. Introduzione (Adagio molto)
13 Piano Sonata No.21 in C, Op.53 -“Waldstein”: 3. Rondo (Allegretto moderato – Prestissimo)
CD2
1 Piano Sonata No.23 in F minor, Op.57 -“Appassionata”: 1. Allegro assai
2 Piano Sonata No.23 in F minor, Op.57 -“Appassionata”: 2. Andante con moto
3 Piano Sonata No.23 in F minor, Op.57 -“Appassionata”: 3. Allegro ma non troppo
4 Piano Sonata No.26 In E Flat, Op.81a -“Les adieux”: 1. Das Lebewohl (Adagio – Allegro)
5 Piano Sonata No.26 In E Flat, Op.81a -“Les adieux”: 2. Abwesenheit (Andante espressivo)
6 Piano Sonata No.26 In E Flat, Op.81a -“Les adieux”: 3. Das Wiedersehen (Vivacissimamente)
7 Piano Sonata No.28 in A, Op.101: 1. Etwas lebhaft und mit der innigsten Empfindung (Allegretto ma non troppo)
8 Piano Sonata No.28 in A, Op.101: 2. Lebhaft, marschmäßig (Vivace alla marcia)
9 Piano Sonata No.28 in A, Op.101: 3. Langsam und sehnsuchtsvoll (Adagio ma non troppo, con affetto)
10 Piano Sonata No.28 in A, Op.101: 4. Geschwind, doch nicht zu sehr und mit Entschlossen- heit (Allegro)
11 Piano Sonata No.30 in E, Op.109: 1. Vivace, ma non troppo – Adagio espressivo – Tempo I
12 Piano Sonata No.30 in E, Op.109: 2. Prestissimo
13 Piano Sonata No.30 in E, Op.109: 3. Gesangvoll, mit innigster Empfindung (Andante molto cantabile ed espressivo)