As maravilhas escondidas nas Cantatas de Bach são (muito) numerosas. A gente olha para cada canto e encontra uma ária ou coral encantador, perfeito. Nem me apaixonei tanto pela Cantata BWV 98, mas aí vem a 180 e a gente fica pasmo com sua beleza. E então tudo fica lindo. A interpretação de La Petite Bande, de seu mentor Sigiswald Kuijken e dos cantores merece todos os elogios. Um belo CD.
J. S. Bach (1685-1750): Cantatas BWV 98, 180, 56, 55
21st Sunday After Trinity “Was Gott tut das ist Wohlgetan” BWV 98
1 Chorale: Was Gott tut das ist wohlgetan 3:34
2 Recitative: Ach Gott! Wenn wirst Du mich 1:05
3 Aria: Hört, ihr Augen auf zu weinen 3:40
4 Recitative: Gott hat ein Herz 1:02
5 Aria: Menen Jesum lass ich nicht 3:57
20th Sunday After Trinity “Schmücke Dich o liebe Seele” BWV 180
6 Chorale: Schmücke Dich o liebe Seele 6:11
7 Aria: Ermuntre dich dein Heiland klopft 6:16
8 Recitative and Chorale: Wie teuer sind des heilgen Mahles 2:32
9 Recitative: Mein Herz fühlt sich in Furcht und Freuden 1:32
10 Aria: Lebens Sonne, Licht der Sinnen 4:04
11 Recitative: Herr, lass an mir dein treues Lieben 1:03
12 Chorale: Jesu, wahres Brot des Lebens 1:35
19th Sunday After Trinity “Ich will den Kreuzstab gerne tragen” BWV 56
13 Aria: Ich will den Kreuzstab gerne tragen 7:06
14 Recitative: Mein Wandel auf der Welt 2:13
15 Aria: Endlich, endlich wird mein Joch 7:09
16 Recitative: Ich stehe fertig und bereit 1:33
17 Chorale: Komm o Tod du Schlafes Bruder 1:43
22th Sunday After Trinity “Ich armer Mensch ich Sündenknecht” BWV 55
18 Aria: Ich armer Mensch ich Sündenknecht 5:44
19 Recitative: Ich habe wider Gott gehandelt 1:31
20 Aria: Erbarme dich! 4:44
21 Recitative: Erbarme dich, jedoch nun töst ich mich 1:17
22 Chorale: Bin ich gleich von dir gewichen 1:06
Alto Vocals – Petra Noskaiová
Bass Vocals, Baritone Vocals – Dominik Wörner
Soprano Vocals – Sophie Karthäuser
Tenor Vocals – Christoph Genz
Ensemble – La Petite Bande
Conductor – Sigiswald Kuijken
Johannes Ciconia (Liège, 1335 ou 1370 – Pádua, entre 10 e 12 de junho de 1412) foi um compositor e teórico musical flamengo da Idade Média tardia que trabalhou durante a maior parte de sua vida adulta na Itália, particularmente na corte papal e na catedral de Pádua. A grande disparidade entre as possíveis datas de seu nascimento deve-se ao fato de que seu pai tinha o mesmo nome, e, assim, a biografia de ambos tem sido confundida. Porém todas as suas obras conhecidas são posteriores a 1390. Este disco é formado por típicas canções da Idade Média, extremamente valorizadas pelo Little Consort. A música de Ciconia mostra um cruzamento de várias influências, algumas do norte da Itália e outras da França. Algumas de suas peças já indicam um caminho para os padrões de melodia típicos da Renascença. Deixou baladas, madrigais, motetos e movimentos de missas. Também escreveu tratados sobre a arte da composição.
Johannes Ciconia (1335 ou 1370-1412): Johannes Ciconia e sua época
1 Una panthera, madrigal for 3 voices 6:34
2 Ben che da vui donna, for 2 voices 2:56
3 Per Quella Strada Lactea for 2 voices 5:05
4 Lucida Pecorella for 2 voices 2:50
5 Gli Atti Col Dançar Frances for 3 voices 3:57
6 Lamento di Tristano, estampie 3:48
7 Che Nel Servir Anticho for 3 voices 4:23
8 Sus une fontayne, for 3 voices 7:47
9 Quod Jactatur for 3 voices 2:30
10 En Remirant 9:33
11 Hélas, je voy mon cuer, for 4 voices 7:04
Baita disco. Todas obras FUNDAMENTAIS do século XX, retiradas da fase neoclássica de Strava. Pulcinella é uma obra-prima, mas o Octeto, o Ragtime e Renard não ficam muito atrás. Abaixo, copio dois textos sobre Pulcinella publicados aqui.
A Suite Pulcinella, com sua elegância e originalidade, é o coroamento da fase em que Stravinsky permaneceu retirado em seu refúgio na Suíça, quando dedicou-se particularmente à criação de uma grande e inspirada série de obras de câmara. Isto se deu um ano antes de sua mudança para Paris. Terminada a 20 de abril de 1920 e estreada com enorme sucesso a 15 de maio do mesmo ano, Pulcinella nasceu não só da encomenda de Sergei Diaghilev para o seu balé russo, mas foi também a realização, para Stravinsky, de um antigo sonho de trabalhar com Picasso, com quem há muito se identificava esteticamente. Já de seus encontros com o genial pintor espanhol nos idos de 1917, em Roma e Nápoles (onde Stravinsky estivera para reger Pássaro de Fogo e Fogos de Artifício com o balé russo), nascera o acordo entre os dois de trabalharem juntos no resgate de antigas aquarelas italianas para o palco das “commedia dell”arte” renascentistas. A encomenda de Diaghilev vinha de encontro a uma fase em que Stravinsky se ocupava intensamente com música antiga. Diaghilev sabia disso e não perdeu a oportunidade de se aproveitar destas condições favoráveis ao descobrir, em Nápoles e Londres, a música de Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736), que o encantou e seduziu. A ela juntou o texto escolhido de um compêndio composto por várias comédias do folclore napolitano, manuscrito datado de 1700 e encontrado em Nápoles, do qual foram excluídos os nomes dos autores. O texto chamava-se Os Quatro Pulcinellas Iguais e contava a história de Pulcinella, um rapaz aventureiro, amado por todas as moças do lugar e odiado pelos noivos destas. Então três destes enciumados rapazes se fantasiaram de Pulcinella e se apresentaram às suas noivas como tal, aproveitando-se da situação para atacar e se ver livre do que eles achavam ser o verdadeiro Pulcinella. Só que aquele que eles deixam estirado no chão como morto, pensando com isto terem se livrado de seu rival, não era outro senão um sósia que Pulcinella colocara em seu lugar ao perceber toda a trama. Pulcinella, então, fantasia-se de mágico, faz uma cena como que ressuscitando o morto e acaba casando os três noivos com três das noivas, tomando para si próprio a Pimpinella como mulher, a quem ele queria. Para o balé de oito cenas, Stravinsky escreveu 15 números musicais, que contaram não só com a sua genialidade, mas também com a de Picasso – que se encarregou dos cenários e dos costumes, a de Massine, responsável pela coreografia, e a de Diaghilev, dirigindo o balé russo. A Suite Pulcinella é uma forma concertante, portanto reduzida, do balé, a qual teve sua revisão definitiva em 1949.
Outro comentário
Em 1919, Diaghilev, o diretor dos Ballets Russes de Paris, concebe um novo projeto: Pulcinella (Polichinelo), um espetáculo com personagens da Commedia Dell”Arte. O cenário e os figurinos acabaram sendo realizados por Picasso e a música por Stravinsky, baseada em temas atribuídos a Pergolesi (1710-1736). A música de Stravinsky até então era marcada pela inspiração na arte popular russa, em obras como Pribaoutki, Sagração da Primavera e Petruchka, as duas últimas também em colaboração com Diaghilev. Pulcinella tem um valor simbólico na trajetória do compositor, caracterizando o momento em que ele passa a olhar para o passado. Ouvimos aqui uma recriação de obras caídas no esquecimento, de compositores do século XVIII, entre eles Giovanni Baptista Pergolesi, Alessandro Parisotti, Domenico Gallo, Carlo Ignazio Monza e Unico Wilhelm van Wassenaer. As melodias e harmonias originais são mantidas intactas, assim como a duração e a estrutura das peças. Stravinsky opera basicamente com o timbre, procurando novas cores harmônicas e redistribuindo o material original numa orquestração “caleidoscópica”. Em seu livro Stravinsky, Boucourechliev define este processo: “Neoclássica, Pulcinella não o é: trata-se de uma obra propriamente clássica, inteiramente composta, ou antes, recomposta a partir de músicas existentes”. Para Stravinsky, esta peça marca uma descoberta do passado que o nortearia dali por diante. A partir daí, ele faria novas recriações, baseando-se em obras de Gesualdo, Bach e Tchaikovsky, por exemplo. Mas Pulcinella tem também um significado no contexto da música do século XX. Ao mesmo tempo em que ouvimos um grande criador, uma sutilíssima invenção timbrística, ouvimos também a substituição do presente pelo passado na criação. Um crítico diria: “Em todas essas composições planeja o artesanato mais perfeito, unido ao mais inatual dos anacronismos. (…) A rigor, os retornos sucessivos de Stravinsky não significam outra coisa que a incapacidade de escrever música nova, criando seu próprio estilo”. Hoje, após tantos anos, podemos ver que as tentativas de outros compositores de escrever “música nova”, mesmo de altíssima qualidade, também não resolveram o beco sem saída da música erudita no século XX. Este trágico século deixou uma marca profunda também nesta arte. Será necessário compor hoje música do passado para criar algo de belo?
Pulcinella (1965 Revised Edition) – Ballet In One Act. (For Small Orchestra With Three Solo Voices. After Giambattista Pergolesi and others)
1 Overture. Allegro Moderato 2:02
2 Serenata. Larghetto 2:43
3 Scherzino. Allegro 5:48
4 Ancora Poco Meno 2:04
5 Allegro Assai 1:53
6 Allegro (Alla Breve) 2:11
7 Andante 4:00
8 Presto 1:33
9 Allegro – Alla Breve 1:17
10 Tarantella 1:12
11 Andantino 2:53
12 Allegro 0:52
13 Gavotta Con Due Variazioni. Allegro Moderato 3:47
14 Vivo 1:26
15 Tempo Di Minuetto. Molto Moderato 2:33
16 Allegro Assai 1:57
Bass Vocals – John Tomlinson (2)
Soprano Vocals – Yvonne Kenny
Tenor Vocals – John Aler
17 Ragtime For Eleven Instruments (1918) 4:23
Renard The Fox – A Burlesque Tale In Song And Dance
18 Marche 0:59
19 Allegro 0:57
20 Meno Mosso 3:27
21 (Salto Mortale) 0:40
22 Con Brio 2:03
23 Meno Mosso 2:27
24 (Salto Mortale) 0:44
25 Moderato 0:55
26 Scherzando 1:00
27 Poco Meno Mosso 1:04
28 Vivo 1:16
29 Marche 0:26
Baritone Vocals – David Wilson-Johnson
Bass Vocals – John Tomlinson (2)
Tenor Vocals [1st Tenor] – John Aler
Tenor Vocals [2nd Tenor] – Nigel Robson
Octet For Wind Instruments (Revised 1952 Version) (13:66)
30 Sinfonia. Lento – Allegro Moderato 3:39
31 Tema Con Variazioni. Andantino 7:09
32 Finale (Tempo Giusto) 3:18
O barroco é enorme, inacabável. Sempre tem mais um compositor, mais uma obra. Acho que nas bibliotecas da Europa há anões que invadem à noite os setores de manuscritos, escrevendo mais e novas composições barrocas geniais.
Carolus Hacquart foi um compositor e músico flamengo. Ele se tornou um dos mais importantes compositores do século XVII em seu país e possivelmente também trabalhou na Inglaterra. Como seus pintores, os flamengos da época foram mais seculares do que sacros, mas civis do que religiosos. Em outras palavras, foram mais felizes. Uma pena que a maior parte de sua obra foi perdida.
Carolus Hacquart (1640-1701): Canções e Sonata
1 Sonata quinta a tre (Harmonia parnassia)
2 Miser es (Cantonies sacrae, I)
3 Sonata Nona a quattro (Harmonia parnassia)
4 Sonata ottava a quattro (Harmonia parnassia)
5 Domine quae est fiducia tua (Cantonies sacrae, III)
6 Sonata prima a tre (Harmonia parnassia)
7 Nunc loquar, Domine (Cantonies sacrae, VII)
8 Sonata sesta a tre (Harmonia parnassia)
Stephan Van Dyck
Céline Scheen
Dirk Snellings
Ensemble Clematis
City Noir foi uma encomenda conjunta da Los Angeles Philharmonic Association, da London Symphony Orchestra, da Cité de la Musique, mais The Zaterdag Matinee e Toronto Symphony Orchestra. Adams deve ter gostado, é claro. Segundo o compositor, a principal inspiração para a peça é o trabalho do historiador Kevin Starr sobre a Califórnia urbana no final dos anos 1940 e início dos anos 1950. Adams caracteriza o trabalho como “música sinfônica flexionada pelo jazz”, citando o francês Darius Milhaud como criador dessa tendência. A peça, em 3 movimentos, apresenta solos para saxofone alto, trompete, trombone, trompa, viola e contrabaixo. O resultado é muito bom, cheio de um charme indefinível que mistura coisas que poderiam estar em filmes dos anos 40 e 50 e outras bem mais modernas. O crítico Richard Morrison citou a grande energia e as referências a um gênero cinematográfico particular — o filme noir. “A inquietude, o prazer sarcástico da angústia urbana familiar às histórias de Hammett e Chandler escoam por City Noir como uma mancha escura”. A obra é inundada de saudades de um passado mais elegante em que o jazz estava na ordem do dia. A manipulação de Adams de suas memórias musicais é ao mesmo tempo afetuosa e deslumbrante. Ela pode parecer passadista, mas sabe exatamente para onde está indo.
John Adams (1947): City Noir
1 The City and its Double
2 The Song is for You
3 Boulevard Night
Perdoem minha ignorância. Eu não sabia que o grande cravista e regente Pierre Hantaï tinha um irmão e muito menos se ele se chamava Marc, Henri, Antoine ou Argemiro (ou Argemirrô). Mas o caso é que Pierre (1964) tem um irmão flautista que se chama Marc (1960) e ambos são virtuoses em seus instrumentos. E eles fazem misérias neste maravilhoso disquinho que cura temporariamente minha hipobachemia. Aqui, a Partita para flauta solo tem sentido em cada frase musical, além de ritmo preciso e articulação muito refinada. O mesmíssimo acontece nas Sonatas. Como seu irmão Pierre Hantaï — que gravou a MELHOR VERSÃO DAS GOLDBERG — Marc parece ter dado uma outra dimensão à música de Bach — talvez a dimensão real que meu pai tenha pensado. Tenho certeza de que este é o melhor álbum para este repertório. E isso inclui todas as versões de Barthold Kuijken, tá?
J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para Flauta e Cravo, Partita para Flauta, BWV 1013
01. Flute Sonata in E Major, BWV 1035: I. Adagio
02. Flute Sonata in E Major, BWV 1035: II. Allegro
03. Flute Sonata in E Major, BWV 1035:III. Siciliana
04. Flute Sonata in E Major, BWV 1035: IV. Allegro assai
05. Flute Sonata in B Minor, BWV 1030: I. Andante
06. Flute Sonata in B Minor, BWV 1030: II. Largo e dolce
07. Flute Sonata in B Minor, BWV 1030: III. Presto
08. Flute Sonata in E Minor, BWV 1034: I. Adagio ma non tanto
09. Flute Sonata in E Minor, BWV 1034: II. Allegro
10. Flute Sonata in E Minor, BWV 1034: III. Andante
11. Flute Sonata in E Minor, BWV 1034: IV. Allegro assai
12. Partita in A Minor, BWV 1013: I. Allemande
13. Partita in A Minor, BWV 1013: II. Corrente
14. Partita in A Minor, BWV 1013: III. Sarabande
15. Partita in A Minor, BWV 1013: IV. Bourée anglaise
16. Flute Sonata in A Major, BWV 1032: I. Allegro
17. Flute Sonata in A Major, BWV 1032: II. Largo e dolce
18. Flute Sonata in A Major, BWV 1032: III. Vivace
Uma boa versão das 5 Sonatas e outras obras para Violoncelo e Piano de Beethoven. Não é coisa pra levantar poeira, mas pode entrar no barracão. De levantar poeira são as versões de Meneses e Pressler e a de Yo-Yo Ma e Emanuel Ax, na minha opinião, apesar da excelente interpretação dos Brendel pai e filho para a Sonata Nº 1 , por exemplo. Beethoven foi o primeiro grande compositor de Sonatas para Violoncelo, e permaneceu o único até que Brahms escreveu duas obras-primas. Depois Martinu, Grieg, Rachmaninov, Shostakovich, Kodály, Barber, Britten, etc. escreveram as suas. É um meio difícil, porque as notas baixas do violoncelo tendem a ficar encobertas pelo baixo do piano, e o equilíbrio entre os dois instrumentos é sempre complicado.
Ludwig van Beethoven (1770-1827): Obras Completas para Violoncelo e Piano
Sonata No.2 In G Minor, Op.5 No.2
1-1 Adagio Sostenuto Ed Espressivo 5:35
1-2 Allegro Molto, Piu Tosto Presto 10:18
1-3 Rondo: Allegro 9:01
Sonata No.4 In C Major, Op.102 No1
1-4 Andante – Allegro Vivace 8:31
1-5 Adagio – Tempo D’andante – Allegro Vivace 8:03
Sonate No.3 In A Major, Op.69
1-6 Allegro Ma Non Tanto 12:38
1-7 Scherzo: Allegro Molto 5:29
1-8 Adagio Cantabile – Allegro Vivace 8:39
12 Variations On “ein Mädchen Oder Weibchen” From Die Zauberflôte, Op.66
1-9 Theme: Allegretto 0:33
1-10 Variation I 0:35
1-11 Variation II 0:36
1-12 VariationIII 0:32
1-13 Variation IV 0:42
1-14 Variation V 0:34
1-15 Variation VI 0:31
1-16 Variation VII 0:44
1-17 Variation VIII 0:32
1-18 Variation IX 0:40
1-19 Variation X: Adagio 1:16
1-20 Variation XI: Poco Adagio, Quasi Andante 0:49
1-21 Variation XII: Allegro 2:07
12 Variations On “see The Conqu’ring Hero Comes” From Judas Maccabaeus, Woo 45
2-1 Theme: Allegretto 0:45
2-2 Variation I 0:37
2-3 Variation II 0:42
2-4 Variation III 0:45
2-5 Variation IV 0:47
2-6 Variation V 0:54
2-7 Variation VI 0:46
2-8 Variation VII 0:40
2-9 Variation VIII 0:46
2-10 Variation IX 0:54
2-11 Variation X: Allegro 0:41
2-12 Variation XI: Adagio 3:15
2-13 Variation XII: Allegro 1:02
Sonata No.5 In D Major, Op.102 No.2
2-14 Allegro Con Brio 6:42
2-15 Adagio Con Molto Sentimento D’affetto 9:15
2-16 Allegro Fugato 4:34
Sonate No.1 In F Major, Op.5 No.1
2:17 Adagio Sostenuto – Allegro 18:21
2-18 Rondo: Allegro Vivace 6:58
7 Variations On “bei Männern, Welche Liebe Fühlen” From Die Zauberflöte, Woo 46
2-19 Theme: Andante 0:48
2-20 Variation I 0:42
2-21 Variation II 0:46
2-22 Variation III 1:04
2-23 Variation IV 1:24
2-24 Variation V: Si Prenda Il Tempo Un Poco Piu Vivace 0:44
2-25 Variation VI: Adagio 2:27
2-26 Variation VII: Allegro, Ma Non Troppo 2:15
Marianne Faithfull (1946) foi uma das mulheres mais lindas, fotografadas e admiradas do Reino Unido durante os anos 60. Cantora e modelo, todos achavam-na uma gracinha ao lado do namorado Mick Jagger. Tolinhos, a doce moça das fotos era um furacão. Foi ela quem apresentou as drogas aos Rolling Stones todos, enquanto levava até sua cama metade dos músicos mais importantes da Inglaterra. Porém, como todo mundo, ela envelheceu e hoje é uma bela senhora inglesa que passou por diversas clínicas de reabilitação. Mas o que nos interessa aqui é que, desde aquela época, ela volta e meia lança um (grande) disco. Talvez nenhum tenha sido melhor do que este Strange Weather de 1987. É uma seleção de músicas inéditas e antigas de grandes autores, que vão desde Tom Waits, Bob Dylan e Jagger-Richards até compositores dos anos 40 como Jerome Kern — que obra-prima é Yesterdays! –, dos anos 30 como Kid Prince Moore e dos 20 como a dupla Dubin-Warren. Se fosse você, jamais deixaria de ouvir esta maravilhosa coleção de canções arranjadas por Bill Frisell e Michael Gibbs, interpretadas pela voz surrada de Faithfull.
Marianne Faithfull: Strange Weather
1 Stranger Intro
Written-By – Anonymous
0:30
2 Boulevard Of Broken Dreams
Violin – Michael Levine
Written-By – Al Dubin, Harry Warren (2)
3:04
3 I Ain’t Goin’ Down To The Well No More
Written-By – Alan Lomax, Huddie Ledbetter, John Lomax*
1:07
4 Yesterdays
Flute – Chris Hunter
Written-By – Jerome Kern, Otto Harbach
5:18
5 Sign Of Judgement
Written-By – Kid Prince Moore
2:53
7 Love Life And Money
Piano – Mac Rebennack
Written-By – Henry Glover, Julius Dixon
4:05
8 I’ll Keep It With Mine
Acoustic Guitar – Bill Frisell
Written-By – Bob Dylan
3:46
9 Hello Stranger
Arranged By [Horns] – Michael Gibbs
Electric Piano – Mac Rebennack
Guitar – Fernando Saunders
Saxophone [Alto] – Chris Hunter, Steve Slagle
Written-By – Doc Pomus, Mac Rebennack
2:30
10 Penthouse Serenade (When We’re Alone)
Written-By – Val Burton, Will Jason
2:34
11 As Tears Go By
Accordion – William Schimmel
Written-By – Andrew Oldham*, Keith Richards, Mick Jagger
3:42
12 A Stranger On Earth
Trumpet – Lew Soloff
Written-By – Rick Ward (2), Sid Feller
3:56
Arranged By – Bill Frisell
Arranged By [Strings & Horns] – Michael Gibbs
Arranged By [Strings] – Michael Gibbs
Bass – Fernando Saunders
Drums – J.T. Lewis
Guitar – Bill Frisell, Robert Quine
Piano – Sharon Freeman
Vocals – Marianne Faithfull
Recebi este CD pelos Correios, presente do pequepiano WMR. Agradeço.
Um belo disco de música antiga. O que me fascina numa gravação de obras quase 500 anos? Bem, primeiramente a eufonia. O conjunto tem que criar sons bonitos e agradáveis, coisa que o Huelgas-Ensemble alcança tranquilamente, auxiliado pelos engenheiros de som da Harmonia Mundi. Depois — como dizia meu grande amigo Herbert Caro –, um grupo tem que ser “compreensivo”, dando lugar e acento às vozes que entram na teia contrapontística. A peça é muito boa e polifônica, parecida com a música de Gabrieli. A gravação cristalina permite-nos ouvir tudo o que está acontecendo e eu ficaria surpreso se alguém ouvir isso pela primeira vez sem sorrir. Padovano não é um dos compositores mais conhecidos de sua época, portanto, este bem-vindo lançamento nos deixa conhecê-lo melhor. O belga Paul Van Nevel nos prestou um serviço resgatando as duas versões da Missa de Padovano para 24 vozes de sua obscuridade.
Annibale Padovano (1527-1575): Messe à 24 Voix
Messe À 24 Voix – Version I (Choir, 2 Cornets & Trombone)
1 Kyrie – Christe – Kyrie 3:58
2 Gloria 5:47
3 Credo 8:16
4 Sanctus – Benedictus 2:37
5 Agnus Dei – Dona Nobis Pacem 6:28
Messe À 24 Voix – Version II (3 Vocal Parts & 21 Instrumental Parts)
6 Kyrie – Christe – Kyrie 3:53
7 Gloria 5:32
8 Credo 7:54
9 Sanctus – Benedictus 2:51
10 Agnus Dei – Dona Nobis Pacem 6:20
Esta gravação dispensa apresentações, correto? É um super hiper ultra clássico da discografia mundial. Claro que a gravação envelheceu. Envelheceu muito. Nos anos 70, os violinistas serravam seus instrumentos logo que ouviam o nome Beethoven. Hoje, ninguém faria isso. Mas o repertório, o que dizer? Resolvi postar porque o Doni reclamou da ausência de Perlmans e eu estou passando por um estranho e inédito período de consideração e bondade… Agora, o motivo que levou a Tolstói dar o nome de Sonata à Kreutzer àquela terrível (e ótima) novela.. Ah, isso ninguém compreende.
Agora, vou dizer uma coisa procês. Respeito a Kreutzer, mas gosto mais da Primavera.
#prontofalei
L. van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violino e Piano, “Kreutzer” e “Primavera”
1. Sonata for Violin and Piano No.9 in A, Op.47 – “Kreutzer” – 1. Adagio sostenuto – Presto 11:49
2. Sonata for Violin and Piano No.9 in A, Op.47 – “Kreutzer” – 2. Andante con variazioni 16:29
3. Sonata for Violin and Piano No.9 in A, Op.47 – “Kreutzer” – 3. Finale (Presto) 8:49
4. Sonata for Violin and Piano No.5 in F, Op.24 – “Spring” – 1. Allegro 9:51
5. Sonata for Violin and Piano No.5 in F, Op.24 – “Spring” – 2. Adagio molto espressivo 6:27
6. Sonata for Violin and Piano No.5 in F, Op.24 – “Spring” – 3. Scherzo (Allegro molto) 1:14
7. Sonata for Violin and Piano No.5 in F, Op.24 – “Spring” – 4. Rondo (Allegro ma non troppo) 6:48
O sensacional Petrouchka é um balé burlesco cuja música foi composta por Igor Stravinsky e coreografado por Michel Fokine. Foi escrito entre 1910 e 11 e revisado em 1947. Petrouchka foi montado pela primeira vez pela companhia russa de balé de Serguei Diaguilev em Paris, em 13 de junho de 1911. Vaslav Nijinski encarnou Petrouchka. A história é sobre um fantoche tradicional russo, feito da palha e com um saco de serragem como corpo que acaba por tomar vida e ter a capacidade amar, uma história que se assemelha um pouco a de Pinocchio. Petrouchka conta a história de amor de inveja de três bonecos. Os três ganham vida graças ao Charlatão. Petrouchka ama a Bailarina, mas ela o rejeita. A Bailarina prefere o Mouro. Petrouchka fica furioso e desafia o Mouro. No duelo, o Mouro acaba matando Petrouchka, cujo fantasma se levanta sobre o teatro de bonecos quando a noite cai. Ele desafia o Charlatão, que acaba o matando pela segunda vez. Stravinsky é tão genial que a coisa funciona fantasticamente mesmo sem o balé. Basta ouvir. É uma obra muito popular em zonas mais civilizadas do planeta.
Já Orpheus é de outra fase de Strava. Trata-se de um balé neoclássico escrito em colaboração com o coreógrafo George Balanchine em Hollywood em 1947. A música é chatinha, ainda mais depois de ouvir Petrouchka…
Salonen e a Philharmonia são os campeões neste repertório.
Igor Stravinsky (1882-1971): Petrouchka / Orpheus
1. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – The Shrove-tide Fair
2. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – Russian Dance
3. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – Petrushka
4. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – The Blackamoor
5. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – Waltz
6. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – The Shrove-tide Fair (towards evening)
7. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – Wet-Nurses’ Dance
8. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – Peasant with Bear
9. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – Gypsies and a Rake Vendor
10. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – Dance of the Coachmen
11. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – Masqueraders
12. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – The Scuffle (Blackamoor and Petrushka)
13. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – Death of Petrushka
14. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – Police and the Juggler
15. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – Apparition of Petrushka’s Double
16. Orpheus – Ballet in Three Scenes – Orpheus
17. Orpheus – Ballet in Three Scenes – Air de danse
18. Orpheus – Ballet in Three Scenes – Dance of the Angle of Death
19. Orpheus – Ballet in Three Scenes – Interlude
20. Orpheus – Ballet in Three Scenes – Dance of the Furies
21. Orpheus – Ballet in Three Scenes – Air de danse
22. Orpheus – Ballet in Three Scenes – Interlude
23. Orpheus – Ballet in Three Scenes – Air de danse
24. Orpheus – Ballet in Three Scenes – Pas d’action
25. Orpheus – Ballet in Three Scenes – Pas de deux
26. Orpheus – Ballet in Three Scenes – Interlude
27. Orpheus – Ballet in Three Scenes – Pas d’action
28. Orpheus – Ballet in Three Scenes – Orpheus’ Apothesis
Pois é, senhores, Elgar sim. Tenho raiva deste compositor por tratar sua genialidade com pouco rigor. Se ele tivesse enxugado um pouco mais suas obras, ele chegaria ao primeiro escalão. Mas os momentos geniais de “The Dream of Gerontius” valem o esforço de ouvir passagens pouco inspiradas.
Pois, indiscutivelmente, CDF tem razão. Dá vontade de retirar alguns trechos deste Gerontius a fim de melhorar o oratório. Por um Gerontius só de melhores lances!
O Sonho de Gerontius, Op. 38, é um trabalho para vozes e orquestra em duas partes composto por Edward Elgar em 1900, sobre poema de John Henry Newman. Ele narra a jornada da alma de um homem piedoso de seu leito de morte até seu julgamento diante de Deus, se estabelecendo no Purgatório. Elgar desaprovou o uso do termo “oratório”, mas a gente acha que é e pronto. O trabalho foi composto para o Birmingham Music Festival de 1900; a primeira apresentação ocorreu em 3 de outubro de 1900, na prefeitura de Birmingham. Foi detestado na estreia, mas hoje é muito executado na Inglaterra e na Alemanha. Na primeira década após sua estreia, o catolicismo de Newman impediu que Gerontius entrasse nas catedrais anglicanas, só que agora tudo bem.
The Dream of Gerontius, oratorio for soloists, chorus & orchestra, Op. 38
CD1
1 Part 1. Prelude 10:36
2 Part 1. Jesu, Maria – I am near to death 3:09
3 Part 1. Kyrie eleison… Holy Mary, pray for him 2:12
4 Part 1. Rouse thee, my fainting soul 4:14
5 Part 1. Sanctus fortis, Sanctus Deus 4:55
6 Part 1. I can no more 5:36
7 Part 1. Proficisere, anima Christiana 6:35
CD2
1 Part 2. Introduction 1:41
2 Part 2. I went to sleep 4:14
3 Part 2. My work is done 2:08
4 Part 2. It is a member of that family 5:55
5 Part 2. But hark!… Low-born clods of brute earth 1:39
6 Part 2. Dispossessed, aside thrust 4:18
7 Part 2. I see not those false spirits 1:44
8 Part 2. There was a mortal… Praise to the Holiest 5:15
9 Part 2. But hark! a grand mysterious harmony 1:20
10 Part 2. Praise to the Holiest 7:49
11 Part 2. Thy judgment now is near 2:05
12 Part 2. Jesu! by that shuddering dread 6:09
13 Part 2. Praise to His Name!… Take me away 5:47
14 Part 2. Softly and gently 6:50
Alice Coote, soprano
Paul Groves, tenor
Bryn Terfel, baritone
Hallé Choir
Hallé Young Choir
Hallé Orchestra
Mark Elder
Um registro espetacular de uma obra que não é para amadores, longe disso. O trabalho de Kožená, Skelton e Rattle são nada menos do que espantosos. Santa Magdalena Kožená faz picadinho de nosso coração na Despedida, último e esplêndido movimento da obra. Incrivelmente, trata-se de uma gravação feita ao vivo.
A Canção da Terra (Das Lied von der Erde) consiste num ciclo de seis canções baseadas em antigos poemas chineses, adaptados para o alemão por Hans Bethge. Mahler trabalhou nesta sua obra durante os últimos verões da sua vida. Conseguiu concluí-la em 1911, pouco antes de morrer. Porém, não chegou a ouvir a sua estreia, apesar de a ter interpretado inúmeras vezes ao piano, auxiliado pelo seu amigo e aluno Bruno Walter – que viria a estreá-la em Munique, em Novembro de 1912, um ano e meio após a morte do compositor.
Os poemas que integram o ciclo são toda uma filosofia da existência humana. O primeiro, Das Trinklied vom Jammer der Erde (“A Canção-brinde à Miséria da Terra”) é uma canção que confronta a eternidade da Terra e o caráter efêmero do homem no planeta. O segundo, Der Einsame im Herbst (“O Solitário no Outono”), descreve a Terra envolta numa névoa outonal, como alegoria de desencanto amoroso. O terceiro poema, Von der Jugend (“Da Juventude”), recria imagens da juventude: o ruído de “jovens lindamente vestidos” dentro de “um pavilhão de verde e branca porcelana”. O quarto, Von der Schönheit (“Da Beleza”), retrata uma paisagem campestre, onde a beleza, especialmente a humana, é ressaltada pela luz da natureza e, ao final, um par de jovens trocam calorosos olhares. O quinto, Der Trunkene im Frühling (“O Bêbado na Primavera”) relaciona a vida a um mero sonho e assim o personagem entrega-se ao simples prazer de beber. O sexto, Der Abschied (“A Despedida”), reúne um dos tons mais sombrios e melancólicos desta obra, combinando dois poemas que aludem à nostalgia da amizade e à decisão de partir, num estado de serenidade própria das filosofias budistas e zen.
Mais próximo de Beethoven do que Wagner, Das Lied von der Erde não foi catalogada como sinfonia devido a uma superstição que pesa sobre os compositores: todos têm medo de ultrapassar o número nove. Mas A Canção da Terra é nitidamente uma sinfonia vocal, que culmina a linha sinfônica mahleriana — melancólica e pessimista. E belíssima!
Gustav Mahler (1860-1911): A Canção da Terra
01. Das Lied von der Erde: I. Das Trinklied vom Jammer der Erde
02. Das Lied von der Erde: II. Der Einsame im Herbst
03. Das Lied von der Erde: III. Von der Jugend
04. Das Lied von der Erde: IV. Von der Schönheit
05. Das Lied von der Erde: V. Der Trunkene im Frühling
06. Das Lied von der Erde: VI. Der Abschied
Magdalena Kožená, mezzo-soprano
Stuart Skelton, tenor
Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks
Sir Simon Rattle
Agradecemos ao finíssimo pequepiano C. P., que nos mandou este álbum completo ao ver que tínhamos feito uma postagem parcial do mesmo há mais ou menos um mês.
Eu é que agradeço, PQP. O PQP Bach têm contribuído demais para que eu amplie o meu conhecimento musical e aproveite melhor as criações dos mestres. Sempre que puder, estou à disposição.
Vocês, pequepianos, são os melhores, sem dúvida!
Bem, o CD1 é sensacional . Já o segundo é mais elétrico e tenho um problema com eletricidade. As ideias são boas, há humor e criatividade como no CD1, mas sou um cara complicado.
A Vienna Art Orchestra (VAO) foi um grupo europeu de jazz sediado em Viena, na Áustria. Organizado em diferentes momentos, tanto como uma big band ou em combinações menores, foi considerado como um dos principais conjuntos de jazz europeus e embaixador cultural oficial da República da Áustria. Extinguiu-se em 2010. A VAO foi fundada em Viena em 1977 pelo pianista suíço Mathias Ruegg. Ele modificou o formação tradicional das bigs bands, com a adição de novos instrumentos. De resto, a VAO é composta quase só por austríacos. A orquestra deu concertos nos EUA, Europa e África. Participou de muitos festivais, com grande sucesso. Ela teve como convidados John Surman, George Lewis, Karin Krog, Art Farmer e toda a torcida do Flamengo.
Vienna Art Orchestra: Art and Fun
Live
1-1 Art & Fun 4:26
1-2 L’Art Du Son 7:20
1-3 Art Of Sin 5:59
1-4 Art Is Gone 4:49
1-5 Art Is Smart 5:40
1-6 Art With Heart 8:15
1-7 Art To Dance 3:26
1-8 Art In Trance 4:08
1-9 Art To Lunch 7:12
1-10 Art With Punch 6:47
1-11 Art Got Drunk 4:14
1-12 L’Art Goes Funk 4:35
1-13 Fun & Art 7:21
Remixed
2-1 Artful Noise 4:12
2-2 Son Of Sun 4:20
2-3 Time To Sin 5:07
2-4 Gone Movies 4:44
2-5 Smart Shades 1:57
2-6 Heartbeat 5:02
2-7 Trance Versus Dance 5:39
2-8 Out For Lunch? 5:11
2-9 Dark Water Punch 5:45
2-10 Drunk With Consuela 4:30
2-11 Funkloch 6:32
2-12 Funny Accent 4:17
2-13 Marquis De Satie 6:16
Vienna Art Orchestra
CD1
Recorded at Porgy and Bess, Vienna, August 2001
Mixed at Studio Powerplay, Zurich, January 2002
CD2
All remixes of CD1 at Sonic Spell Lounge/Berlin, November-December 2001
Um disco nada sutil, um disco de guerra e luta, mas bom demais.
As partituras “bárbaras”.
A esplêndida cantata Alexander Nevsky foi composta por Prokofiev para o filme homônimo de Sergei Eisenstein. São duas obras grandiosas, o filme e a música. Esta foi uma curiosa parceria entre o compositor e o cineasta. Prokofiev ia todas as noites à casa do diretor assistir às tomadas e/ou corrigia mais um trecho. Coisa de gênios.
A sinopse do filme é a seguinte: Em 1242, a Rússia sofria constantes invasões pelos cavaleiros mongóis, o príncipe-pescador Alexander Nevsky (Nicolay Cherkassov) soube da invasão pelos teutônicos ao país. O povo se mobiliza e o escolhe seu comandante. Apesar da maioria das vitórias serem teutônicas, quando estes dominavam a cidade Pskov, são batidos por Nevsky na Batalha do Gelo. Paralelamente a este cenário em 1938, a Rússia estava na eminência de ser atacada por Hitler, situação que espelha o ocorrido em 1242. Ironicamente, o filme foi tirado de circulação quando da assinatura do pacto Germânico-soviético em 1938.
E aqui temos mais: é um filme acerca de um príncipe russo do séc. XIII e do sucesso das suas batalhas contra as hordas invasoras de alemãs. Este monumental épico marca um dramático afastamento de Eisenstein em relação aos seus princípios de montagem e de tipagem. “Alexander Nevsky” foi um passo atrás deliberado, na direcção do teatro mais antiquado ou, pior ainda, no sentido das produções operáticas de que Eisenstein tinha sido um forte opositor na década de 20. Todavia, o filme demonstra as qualidades de Eisenstein em muitas sequências, como a famosa cena de batalha sobre o lago gelado. Também significativas foram as suas tentativas para atingir a síntese entre os elementos plásticos do filme e a música, contando com uma memorável banda-sonora de Serguei Prokofiev reflectindo, provavelmente, “a admiração prolongada de Eisenstein pelos desenhos animados de Walt Disney”.
O filme foi um sucesso monstruoso na URSS e no estrangeiro, parcialmente devido ao sentimento anti-alemão que se desenvolvia na altura e Eisenstein conseguiu assegurar uma posição de charneira no campo do cinema soviético, numa altura em que muitos dos seus colegas eram perseguidos e presos. A 1 de Fevereiro de 1939 foi premiado com a Ordem de Lenine por “Alexander Nevsky” e pouco depois envolveu-se nu novo projecto, “O grande canal de Fergana”, esperando criar um épico de uma escala semelhante à do seu projecto abortado no México. Contudo, após um intensivo processo de pré-produção, o trabalho no projecto foi cancelado logo a seguir à assinatura do pacto de não-agressão entre a URSS e a Alemanha nazi e “Alexander Nevsky” foi, por seu lado, arquivado de uma forma muito discreta.
A Suíte Cita é mais conhecida dos roqueiros por ter sido utilizada pelo baterista Carl Palmer no álbum Works I – The Enemy God And The Dance Of The Spirits Of Darkness -, do grupo Emerson, Lake and Palmer.
Segundo a Wikipedia, os bárbaros citas formavam uma malha de tribos nômades de pastores equestres e invasores. Sua localização era principalmente o atual Irã e a Turquia. Eles invadiram muitas áreas nas estepes da Eurásia, incluindo áreas nos atuais Cazaquistão, Azerbaijão, sul da Ucrânia e da Rússia. Governados por um pequeno número de elites proximamente aliadas, tinham renome devido a seus arqueiros, e muitos ganhavam a vida como mercenários. Os guerreiros citas tinham duas paixões: seu arco assimétrico que podia atirar a até 500 metros de distância e uma espada reta de dois gumes, cuja lâmina possuía setenta centímetros de comprimento. Ao lutar, montavam cavalos velozes e eram ferozes combatentes.
Tal ímpeto guerreiro deu a Prokofiev a oportunidade para compor uma das orquestrações e melodias mais “bárbaras” de sua carreira. É importante salientar que os hunos – inclusive Átila – tinham provável origem cita.
Serguei Prokofiev (1891-1953): Alexander Nevsky / Suíte Cita
Scythian Suite, for orchestra, Op. 20
Composed by Sergey Prokofiev
Performed by Scottish National Orchestra
Conducted by Neeme Jarvi
1. Scythian Suite Op. 20 from Ala et Lolly: The Adoration Of Veless And Ala
2. Scythian Suite Op. 20 from Ala et Lolly: The Enemy God And The Dance Of The Spirits Of Darkness
3. Scythian Suite Op. 20 from Ala et Lolly: Night
4. Scythian Suite Op. 20 from Ala et Lolly: The Glorious Departure Of Lolly And The Sun’s Procession
The Steel Step Suite, Op. 41
Royal Scottish National Orchestra
Conducted by Neeme Jarvi
5. I. Entry of the People 2:21
6. II. The Officials 4:43
7. III. The Sailor and the Factory-worker 3:13
8. IV. The Factory 3:03
Alexander Nevsky, cantata for mezzo-soprano, chorus & orchestra, Op. 78
Composed by Sergey Prokofiev
Performed by Scottish National Orchestra, Scottish National Chorus (Edwin Paling, leader) with Linda Finnie (mezzo-soprano)
Conducted by Neeme Jarvi
9. Alexander Nevsky Op. 78, Cantata For Mezzo-Soprano, Chorus And Orchestra: Russia Under The Mongol Yoke
10. Alexander Nevsky Op. 78, Cantata For Mezzo-Soprano, Chorus And Orchestra: Song About Alexander Nevsky
11. Alexander Nevsky Op. 78, Cantata For Mezzo-Soprano, Chorus And Orchestra: The Crusaders In Pskov
12. Alexander Nevsky Op. 78, Cantata For Mezzo-Soprano, Chorus And Orchestra: Arise, Ye Russian People
13. Alexander Nevsky Op. 78, Cantata For Mezzo-Soprano, Chorus And Orchestra: The Battle On Ice
14. Alexander Nevsky Op. 78, Cantata For Mezzo-Soprano, Chorus And Orchestra: The Field Of The Dead
15. Alexander Nevsky Op. 78, Cantata For Mezzo-Soprano, Chorus And Orchestra: Alexander’s Entry Into Pskov
Não cheguei a enlouquecer com este CD, mas ele é bem competente, até porque o Concerto Melante é um grupo de primeira.
Se, por volta de 1720-1730, alguém fizesse uma sondagem com a elite intelectual e a comunidade musical germânica sobre quem eram os maiores compositores vivos, é provável que o nome mais citado fosse o de Georg Philipp Telemann. Em 1728, Johann Christoph Gottsched apontava Telemann, Handel e Bach como os três mestres musicais nascidos em solo alemão. Telemann e J. S. Bach cruzaram-se em Eisenach, cerca de 1708, e conheciam bem o trabalho um do outro. O primeiro gozava de maior prestígio na época. Ironicamente, a dimensão que a História atribuiu postumamente a Bach contribuiu para que o nome de Telemann tenha sido relegado para segundo plano. Para o ilustrar, basta lembrar que o lugar de Kantor de Leipzig só foi confiado a J. S. Bach, em 1723, depois de lhe ter sido primeiro oferecido a Telemann. Ele recusou o trabalho para se radicar em Hamburgo recebendo um salário três vezes superior. Era um músico dotado de uma extraordinária capacidade de trabalho. O seu catálogo compõe-se de milhares de obras. Escreveu cerca de trinta óperas, dezenas de paixões, muitas mais cantatas e uma enorme gama de obras instrumentais, entre aberturas, suítes, concertos e música de câmara.
Georg Philipp Telemann (1681-1767): Spirituosa (Concertos)
Quintet (Sinfonia Spirituosa) In D Major TWV 44:1
1 I. Sinfonia 2:44
2 II. Largo 3:07
3 III. Vivace 2:54
Sonata In A Major, TWV 42:A1044
4 I. Cantabile 1:58
5 II. Vivace 1:00
6 III. Andante 1:54
7 IV. [No Indication] 1:54
Sonata In A Minor, TWV 42:a5
8 I. Affettuoso 2:07
9 II. Allegro 2:27
10 III. Grave 1:56
11 IV. Vivace 1:21
Trio Sonata In G Major, TWV 42:G7
12 I. Vivace 3:28
13 II. Adagio 2:30
14 III. Allegro 3:23
Trio Sonata In B Minor, TWV 42:h5
15 I. Tendrement 1:59
16 II. Allegrement 3:42
17 III. Chandon 2:33
18 IV. Allegrement 2:48
Trio Sonata In D Major, TWV 42:D11
19 I. Allegro 1:51
20 II. Adagio 1:49
21 III. Vivace 1:26
Sonate In A, TWV 44:35
22 I. Affettuoso 2:00
23 II. Allegro/Affettuoso 2:54
24 III. Allegro 1:53
Sonata In E Minor, TWV 42:e12
25 I. Adagio 1:36
26 II. Allegro 2:28
27 III. Adagio 1:27
28 IV. Presto 1:21
Sonata In A Major, TWV 40:200
29 I. Affettuoso 1:32
30 II. Allegro 3:06
31 III. Vivace 2:40
Concerto Melante:
Cello [Baroque Cello / Barockcello] – Kristin Von Der Goltz
Harpsichord [Cembalo] – Raphael Alpermann
Management [Concerto Melante] – Raimar Orlovsky
Theorbo [Theorbe] – Björn Colell
Trumpet [Natural Trumpet / Naturtrompete] – Reinhold Friedrich (tracks: 1 to 3)
Viola [Baroque Viola / Barockviola] – Ulrich Knörzer, Walter Küssner
Viola da Gamba [Gambe] – Hille Perl (tracks: 4 to 7)
Violin [Baroque Violin / Barockvioline] – Bernhard Forck, Raimar Orlovsky
Violone, Viola da Gamba – Ulrich Wolff
Um excelente disco gravado por quem conhece profundamente Nielsen. Esta interpretação da Espansiva é realmente uma joia. O primeiro movimento, que parece ser tão difícil de ser entendido por algumas orquestras não escandinavas, aqui aparece com o brilho da alegria requerida pelo compositor. Das gravações que ouvi, apenas Bernstein acertou em cheio, mas Lenny sempre acertava. Oramo dá um show com a a orquestra de Estocolmo. Nielsen, segundo violino numa orquestra dinamarquesa, era capaz de grandes alegrias, como mostra a foto abaixo. E Oramo responde de forma… expansiva.
Carl Nielsen (1865-1931): Symphonies Nos. 1 & 3
Symphony No. 1 in G mino Op. 7
01. I. Allegro orgoglioso
02. II. Andante
03. III. Allegro comodo – Andante sostenuto – Tempo I
04. IV. Finale. Allegro con fuoco
Symphony No. 3, ‘Sinfonia espansiva’ Op. 27
05. I. Allegro espansivo
06. II. Andante pastorale
07. III. Allegretto un poco
08. IV. Finale. Allegro
Royal Stockholm Philharmonic Orchestra
Sakari Oramo
Procurei este CD em razão do lied Der Hirt auf dem Felsen (The shepherd on the rock), que amo. Estranho que ela, uma canção para soprano, clarinete e piano, tenha ficado ao final de um CD onde a estrela é um baixo. O soprano só aparece no final do disco, nas duas últimas canções. Aliás, a estranheza é total. Schwanengesang é um ciclo de canções de Schubert que está completo neste CD que, além disso, traz algumas peças extras. Só que tudo… Está cantado em inglês… A tradução é de Jeremy Sams. E, bem, fica esquisito demais para quem conhece as obras.
O Schwanengesang (Canto do Cisne) de Schubert, embora não seja bem um ciclo, é uma extensão lógica de Die schöne Müllerin (A Bela Moleira) e Winterreise (Viagem de Inverno). Tudo é romantismo. Aqui novamente estão os riachos e os pássaros, os pretendentes abandonados fugindo das cidades, o amante olhando para a casa da amada. Perda e saudade estão por toda parte. Mas se Die schöne Müllerin é sobre esperança — encontrar alguém para amar — e Winterreise é sobre o desespero — deixar alguém que se ama –, Schwanengesang é sobre a renúncia. A amada não está conosco e envia-se mensagens por rios e pássaros. O amado distante ou ausente está em quase todas as canções, e não há um movimento para o encontro como nos ciclos anteriores. Talvez isto demonstre onde estavam os pensamentos de Schubert. Ele sabia que ia morrer e que ia morrer sozinho.
Franz Schubert (1797-1828): Schwanengesang (Swansong) — Canções de Schubert
Swansong D957 Part 1[29’23]
1 Love message Beautiful mill-stream so wild and so free[2’59]
2 The warrior’s foreboding In twos and threes beside the Fire[5’30]
3 Longing for spring Tenderly whispering leaves in the trees[3’47]
4 Serenade Softly flowing softly through the moonlight[3’48]
5 My home Waters that race[3’28]
6 Far away Cursed is my destiny[5’20]
7 Leave-taking Farewell you wonderful ramshackle town[4’31]
Swansong D957 Part 2[19’19]
8 Atlas I live my life like Atlas[2’20]
9 Her picture I stood before her portrait[3’01]
10 The fisher maiden You lovely fisher maiden[2’11]
11 The town Just there on the horizon[3’08]
12 By the sea The final rays of the setting sun[4’30]
13 Doppelgänger Dark is the night[4’09]
14 Pigeon post, D965a: I have a pigeon who works for me[3’54]
15 On the river, D943: There is no more time for kissing[8’59]
Sophie Bevan (soprano), Alec Frank-Gemmill (horn), Christopher Glynn (piano)
16 The shepherd on the rock, D965: When to the highest hill I go[11’07]
Sophie Bevan (soprano), Julian Bliss (clarinet), Christopher Glynn (piano)
Um bom e velho vinil. Um LP procês pequepianos! Telemann é aquele cara que estava produzindo muito na época mais confusa da história da música: a saída do barroco para o rococó e o clássico. Telemann não foi um barroco tardio como J. S. Bach, ele foi um dos elos para com o que veio logo depois. (Curiosamente, Bach foi todo o futuro). Este disco bem demonstra o rolo. Não é mais barroco, ainda não é clássico, longe disso. Mas é divertido pacas. Les Solistes de Cologne também são um grupo pioneiro. Fazem uma música mais ou menos autêntica lá nos anos 60, apesar de honesta. Divirtam-se.
Georg Philipp Telemann (1681-1767): Concertos @ Suíte “La Putain
Concerto En Ré Majeur Pour Trompette Deux Hautbois, Cordes Et Clavecin
A1 Allegro
A2 Adagio
A3 Aria Andante
A4 Adagio
A5 Vivace
Concerto Pour Hautbois, Cordes Et Clavecin
A6 Allegro
A7 Largo E Piano
A8 Vivace
Concerto En Ré Majeur Pour Trompette Cordes Et Clavecin
B1 Adagio
B2 Allegro
B3 Grave
B4 Allegro
Suite “La Putain” Pour Cordes Et Clavecin
B5 Ouverture
B6 Mascarade
B7 Loure
B8 Menuet
B9 Rondeau Sarabande
B10 Marche
B11 Gasconnade
B12 Menuet Et Trio
B13 Bourrée
B14 Hornpipe
Klaus Nolte, clavecin
Gunter Passin, hautbois
Helmut Schneidewind, trompette
Les Solistes de Cologne
dir. Helmut Muller-Bruhl
15/11/2018, 23h59, fim do dia em que nosso blog PQP Bach completou 12 anos.
Sem contar essa, hoje tivemos treze (13) esplêndidas postagens. Confiram abaixo.
Vão se divertindo, ouvindo tudo. Voltamos dia 19.
Há exatos doze anos atrás eu e PQP Bach participávamos de uma ‘comunidade’ no antigo Orkut sobre música clássica. Ali discutíamos sobre o tema e disponibilizávamos CDs. Muita gente boa participava, gente com notável conhecimento sobre o assunto e ótimos acervos discográficos. Os tempos eram outros, a qualidade da Internet era sofrível. Eram os tempos do Rapidshare, servidor de armazenamento de arquivos suíço, que pagávamos em Euro. Se não me engano, a velocidade de internet que eu tinha em casa era de no máximo 1 Mb/s, então imaginem os senhores o trabalho que eu tinha para conseguir baixar arquivos e para encaminhá-los para o servidor.
Um belo dia PQPBach entrou em contato comigo perguntando se eu teria interesse de participar de um blog especializado em música clássica, jazz e blues. Imediatamente aceitei, nem imaginando que estaria comentando sobre esta época da minha vida doze anos depois.
Muita água passou por debaixo da ponte desde então. Estava desempregado na época, um ou outro emprego sofrível, depois fiz concurso público e em um primeiro momento dei aula para o ensino fundamental e em outro momento assumi como servidor público, função que exerço até hoje e onde provavelmente irei me aposentar.
As primeiras postagens pareciam meio ingênuas, pois não sabíamos qual o formato e estilo de texto a adotar, a ideia era postarmos aquilo que estávamos ouvindo naquele momento, mas logo extrapolamos e começamos com os grandes projetos, começando com nosso Mestre Avicenna trazendo seu magnífico acervo de Musica Colonial Brasileira, nos apresentando um incrível material praticamente inédito. Lembro que o primeiro grande projeto era relativo ao maior dos compositores brasileiros, cujo nome não posso nem citar, e logo fomos impedidos de continuar, pois ficamos sujeitos a sofrer medidas judiciais por parte de seus familiares.
Muitos vieram aqui postar. O projeto iniciou com o próprio PQP Bach, eu, FDP Bach, mais Clara Schumann, que logo abandonou o barco, alegando motivos pessoais. Creio que logo vieram Avicenna, CDF, CVL, Ranulfus, Carlinus, Clara Schumann, Bisnaga, Wellbach, Ammiratore, Pleyel, Vassily Genrikhovich, Luke, Gabriel, Strava, Bluedog, etc.
Enfim, passados doze anos, ainda continuamos na batalha para disponibilizar boa música para os senhores. Já pedi para sair várias vezes, mas isso aqui é como um vício. Um vício bom, claro. Se pudesse, me dedicaria exclusivamente ao PQP Bach, mas tenho de pagar minhas contas…
Dito isso, vamos em frente.
FDP
The Fab Four: Bach, Beethoven, Mozart e Haydn comemorando os 12 anos do PQP Bach
A indumentária da versão de Nijínsky: vestuário pesado e pés para dentro
Estava quente em Paris na noite de dia 29 de maio de 1913. Durante o dia, os termômetros chegaram aos 30 graus, temperatura anormal para a primavera parisiense. Ao final da tarde, uma multidão acotovelava-se na frente do Théâtre des Champs-Élysées, onde o Balé Russo de Serguei Diághilev faria uma apresentação de gala. O público era heterogêneo, conforme descreveu Jean Cocteau:
Uma plateia da alta sociedade, elegante, de vestidos decotados, pérolas, penas na cabeça, plumas de avestruz, ternos escuros, cartolas […] ao lado, os intelectuais estetas faziam de tudo para demonstrar seu ódio a estes “elegantes”, que sentariam nos camarotes […] havia ali mil nuances de esnobismo, superesnobismo e contraesnobismo.
Todos sabiam que o empresário Diághilev gostava de escândalos. Afinal, eram lucrativos. Em comunicado à imprensa, ele dissera que preparara um novo frisson que, sem dúvida, inspiraria acalorados debates. Falava sério. O programa daquela noite começava com o inofensivo As Sílfides, drama com melodias de Chopin arranjadas para orquestra por Stravinsky. Era um antigo número do Balé Russo. Após os aplausos, as luzes se apagaram e um fagote começou a emitir notas agudas, entoando uma melodia que depois foi abraçada e continuada por outros instrumentos de sopro. E, quando entrou a segunda parte, a música enlouqueceu totalmente, ao menos para os ouvidos da plateia de 100 anos atrás.
Igor Stravinsky (1882-1971) em 1946 | Foto: Arnold Newman
O ritmo. Havia uma pulsação constante, mas os acentos eram inteiramente aleatórios, imprevisíveis, dentro e fora do compasso. Quando se deve bater o pezinho?
um dois três quatro cinco seis sete oito
um dois três quatro cinco seis sete oito
um dois três quatro cinco seis sete oito
um dois três quatro cinco seis sete oito
Quando ouviu aquilo pela primeira vez, até Diághilev ficou assustado. “Vai continuar assim por muito tempo?”, ele perguntou ao autor da obra, Igor Stravinsky. “Até o fim, meu caro”. A coreografia de Nijínsky trocava o gestual clássico e os dançarinos nas pontas do pés por mulheres dançando com os pés para dentro e outras esquisitices. Vendo hoje, parece mais uma brincadeira. Os dançarinos tremem, sacodem-se, sapateiam, dão saltos e giram pelo palco como numa dança de roda primitiva, eslava. Por trás, uma paisagem com colinas e árvores de cores brilhantes que, com a dança e a música, tornam-se pagãs.
O vídeo a seguir é de uma apresentação da Sagração da Primavera no Teatro Marinsky de São Petersburgo, com a coreografia de Nijinsky remontada por Millicent Hodson e a regência de Valery Gergiev:
Na época, os mais ricos e conservadores acomodavam-se nos camarotes. Mas não que demonstrassem alguma finesse. Quando o ritmo acelerou, começaram a vir de lá urros de desaprovação. Em resposta, os raivosos intelectuais da plateia berravam mandando-os calar a boca; afinal apenas desejavam silêncio para fruir o balé. Era a uma representação da luta de classes: “Calem a boca, suas putas do seizième!”, gritavam em provocação às damas da alta sociedade do décimo sexto arrondissement. Se havia um sacrifício no palco, havia uma guerra na plateia. A escritora Gertrude Stein esteve lá: “Após a curta introdução, não se podia mais ouvir o som da música. Minha atenção estava fixada em um homem que, no camarote ao lado, ameaçava outro com sua bengala. Por fim, usando a bengala, acabou esmagando a cartola do que discordava”.
O filme Coco Chanel & Igor Stravinsky (2010), de Jan Kounen, mostra um pouco da confusão da estreia da Sagração da Primavera:
Depois desta estreia, o espetáculo foi repetido e logo os ouvintes parisienses descobriram que a linguagem da Sagração não estava tão distante de sua sensibilidade: tratava-se de canções folclóricas de melodias simples com acordes nada incomuns mas usados de forma diferente, ritmo mutante e irresistível. Logo, as vaias foram substituídas por aplausos e, nas apresentações seguintes, Stravinsky e Nijinsky voltaram ao palco três ou quatro vezes para receberem ovações. No ano seguinte, foi marcada uma apresentação em concerto. Os jornais falaram em “aplausos efusivos” e “adoração febril”. Era a vitória de uma postura anti-romântica. Leonard Bernstein fala em início do modernismo. Outros, estão provavelmente corretos ao citar que a Sagração fugira finalmente da semântica germânica e dera espaço para o surgimento dos nacionalismos musicais, os quais tiveram seus rebentos em todo o mundo, incluindo a música de Villa-Lobos no Brasil.
Nijinsky dançando L’après-midi d’un faune
O enredo da Sagração não era nada convencional: numa Rússia primitiva, uma virgem é escolhida e deve dançar até morrer num ritual de sacrifício à primavera que se inicia. A invenção foi do próprio Stravinsky. Nenhum povo pagão, com exceção dos astecas, exigia o sacrifício de jovens. Ou seja, aquilo nunca ocorrera na Rússia. Para o palco, Diághilev queria uma atuação ousada. No ano anterior, Nijinsky já havia causado grande escândalo em Paris com a coreografia de L’après-midi d’un faune, baseado na obra de Debussy. Ou seja: o empresário sabia bem o que estava fazendo. Diághilev já tinha contratado Stravinsky para fazer a música de outros dois balés: O Pássaro de Fogo (1910) e Petrushka (1911). O trabalho seguinte seria uma certa Primavera Sagrada. Vendo-se agora (primeiro vídeo, acima), a coreografia mais parece um provocativo e quase infantil simulacro de dança, inteiramente diferente das dramáticas montagens posteriores, como a de Pina Bausch (último vídeo, abaixo).
Romântico, o regente da estreia, Pierre Monteux, disse nunca ter gostado da Sagração da Primavera
Stravinsky terminou a composição em março de 1913. Pierre Monteux, que depois se tornaria uma grande estrela da música erudita, detestara a música, mas foi o regente que conduziu a orquestra na estreia da obra. Aliás, a citada estreia em concerto também foi sob sua direção, prova de que os conceitos podem mudar rapidamente. Ou não. Anos depois, ele confessou que nunca tinha gostado daquela música, mas que foi convencido por Diághilev a regê-la. “É uma obra-prima, Monteux! Ela vai revolucionar a música e o fará famoso, pois é você quem vai conduzi-la”, dizia o homem que desconfiava dos ritmos da Sagração. Os músicos da orquestra não pensavam diferente do regente: achavam que aquilo era uma loucura absoluta. O fagotista do solo inicial estava especialmente contrariado pelo tratamento “ridículo” que a partitura lhe impunha.
Stravinsky em 1913, ano da estreia da obra
No ocidente, a Sagração tornou-se imediatamente obra fundamental e exemplar. As plateias mais afeitas ao moderno ficaram encantadas não somente com sua fúria, mas com a precisão e clareza. Aqueles que desejavam sepultar de vez o romantismo elogiavam o predomínio dos metais e madeiras e a redução da presença das cordas. Principalmente dos violinos, os tradicionais cantores de melodias ardentes. Porém, na Rússia revolucionária, a Sagração foi considerada um modismo barulhento e a fama de Stravinsky no exterior – comparada à hostilidade russa – foi decisiva no rompimento de laços do compositor com a terra natal.
A comprovação da universalidade da Sagração não veio somente dos compositores e amantes da música erudita: os músicos de jazz gostaram demais daquele compositor que falava numa língua parecida com a deles. Para dar um exemplo curioso, Charlie “Bird” Parker incorporou a primeiras notas da Sagração à Salt peanuts e, certa vez, enquanto se apresentava, avistou Stravinsky numa das mesas do Birdland de Nova Iorque. Imediatamente, incluiu um tema do Pássaro de Fogo em seu solo sobre um tema de sua autoria, Koko, o que acabou fazendo com que o compositor cuspisse seu uísque de volta no copo, tão grande o susto.
Os jazzistas entenderam rapidamente o trabalho de Stravinsky na Sagração
Passados 100 anos, a Sagração é ouvida como uma peculiar e clássica peça do repertório. Ela pode ser ouvida e vista em concertos — a Ospa vai tocá-la em outubro — e em balés no mundo inteiro. Talvez a mais extraordinária versão em balé seja a célebre coreografia criada pela alemã Pina Bausch, cujo vídeo completo disponibilizamos abaixo:
Considerando que a Sagração da Primavera combina com modernidade, vamos atravessar o ritmo e, para finalizar, inserir três frases informais de uma brasileiríssima opinião deixada no Facebook pelo melômano Isaías Malta que, na última quarta-feira, dia dos 100 anos da estreia, dialogava conosco sobre a obra:
Música que despedaça o nosso senso de ritmo, aliás, sacoleja um ritmo próprio, primal, que é a anarquização do ritmo. Diz-se que Schoenberg dissolveu a melodia e Stravinsky desconstruiu o ritmo. Se tudo isso é verdade, também é verdade que Tom Jobim, juntando os cacos, adoçou o que foi quebrado e gingou o despedaçado.
Igor Stravinsky, por Picasso
Salonen Conducts Stravinsky
The Rite of Spring:
1 Part I, The Adoration of the Earth – Introduction 3:23
2 Part I, The Adoration of the Earth – The Auguries of Spring 2:47
3 Part I, The Adoration of the Earth – Game of Abduction 1:15
4 Part I, The Adoration of the Earth – Spring Round Dances 3:47
5 Part I, The Adoration of the Earth – Games of the Rival Tribes 1:40
6 Part I, The Adoration of the Earth – Procession of the Oldest-and-Wisest 0:36
7 Part I, The Adoration of the Earth – The Oldest-and-Wisest 0:16
8 Part I, The Adoration of the Earth – Dance of the Earth 1:10
9 Part II, The Sacrifice – Introduction 4:14
10 Part II, The Sacrifice – Mystical Circles of the Young Girls 2:58
11 Part II, The Sacrifice – Glorification of the Chosen One 1:29
12 Part II, The Sacrifice – Evocation of the Ancestors 0:40
13 Part II, The Sacrifice – Ritual Action of the Ancestors 3:28
14 Part II, The Sacrifice – Sacrificial Dance – The Chosen Victim 4:20
Symphony in Three Movements:
15 I. 9:11
16 II. Andante 5:38
17 Interlude 0:22
18 III. Con moto 5:48
Em janeiro de 2017, eu e minha mulher assistimos a um belo concerto de música de percussão na Royal Academy of Music em Londres. É muito legal ver um grupo de percussão no palco. Eles se mexem muito, mudam de instrumentos, são obrigados a fazerem o diabo. Este álbum duplo não é tão interessante quanto aquele concerto cheio de obras de Steve Reich, mas é muito bom. Eu gosto das radicais alterações da sonoridade e das surpresas que ocorrem a cada faixa. As obras de Manoury, Ohana (com citações a Sonata para Dois Pianos e Percussão de Bartók), Kabelac e Xenakis — nossa!, viajei muito ouvindo esse Xenakis, é sensacional — são muito boas. De resto, os batedores de panela venceram e o futuro está fechado para a arte.
Taïra / Manoury / Mâche / Dufourt / Varese / Ohana / Kabelac / Xenakis: Música para Percussão
1.01 –Yoshihisa Taïra Hiérophonie V 17:16
1.02 –Philippe Manoury Premier Quatuor 1:22
1.03 –Philippe Manoury Duo De Marimbas 6:28
1.04 –Philippe Manoury Sextuor De Sixens 3:23
1.05 –Philippe Manoury Solo De Vibraphone 8:04
1.06 –Philippe Manoury Deuxième Quatuor 2:31
1.07 –Philippe Manoury Sextuor De Sixens 6:43
1.08 –François-Bernard Mâche Khnoum 16:31
1.09 –Hugues Dufourt Sombre Journée 10:51
2.01 –Edgar Varese* Ionisation
Transcription By – Georges Van Gucht
6:18
Que repertório, senhores! Os dois Trios para Piano de Shostakovich são maravilhosos, sendo um totalmente diferente do outro. O Quinteto para Piano nem se fala, é obra constante em recitais no mundo inteiro. A Sonata para Violino e Piano é dificílima e árida, mas se entrega belamente quando a ouvimos pela terceira vez… A Sonata para Violoncelo e Piano é muito boa e o que dizer da última obra de Shosta, a Sonata para Viola e Piano, seu tristíssimo canto de morte, escrito numa cama de hospital?
O DSCH-Shostakovich Ensemble não tem este nome por acaso. São impecáveis especialistas em Shosta com perfeito senso de estilo. A gente ouve e tem certeza de que aquilo está como o autor desejaria. Um CD duplo obrigatório!
O DSCH-Shostakovich Ensemble foi criado pelo pianista Filipe Pinto-Ribeiro em 2006, ano do centenário do nascimento do compositor. Trata-se de um projeto português, sediado em Lisboa. O grupo tem formação variável, sendo uma plataforma de encontro e interação de músicos de excelência, mestres nos seus instrumentos.
Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral da Música para Piano e Cordas
1 Piano Trio No. 1, Op. 8 “Poème”
DSCH-Shostakovich Ensemble
Piano Quintet, Op. 57
2 I. Prelude. Lento – Poco più mosso – Lento 4:01
3 II. Fugue. Adagio 8:49
4 III. Scherzo. Allegretto 3:21
5 IV. Intermezzo. Lento 5:47
6 V. Finale. Allegretto 7:12
Sonata for Violin and Piano, Op. 134
7 I. Andante 9:48
8 II. Allegretto 6:40
9 III. Largo 12:27
10 Moderato for Cello and Piano 3:03
Sonata for Cello and Piano, Op. 40
1 I. Allegro non troppo 11:24
2 II. Allegro 3:08
3 III. Largo 7:58
4 IV. Allegro 4:10
Piano Trio No. 2, Op. 67
5 I. Andante – Moderato – Poco più mosso 7:16
6 II. Allegro non troppo 3:00
7 III. Largo 5:04
8 IV. Allegretto – Adagio 9:56
Sonata for Viola and Piano, Op. 147
9 I. Moderato 9:02
10 II. Allegretto 7:02
11 III. Adagio 10:38
DSCH-Shostakovich Ensemble
Filipe Pinto-Ribeiro
Corey Cerovsek
Cerys Jones
Adrian Brendel
Isabel Charisius
Muita gente boa diz que a música moderna é pura paródia de formas mais antigas. Acho isso absurdo, mas a afirmativa cabe para este sensacional disco com obras do argentino — que viveu grande parte de sua vida na Alemanha — Mauricio Kagel. Rrrrrrr…: 8 Stücke für Orgel (Rrrrrr… 8 peças para Órgão) são obras de um Bach enlouquecido, uma recriação da forma antiga utilizada pelo mestre. É claro que é preciso imaginação para fazê-lo bem feito, o que Kagel tem de sobra. Aliás, tem também um dos mais caros parentes da imaginação, o humor. Humor que aparece claramente em 10 Marchas para perder uma batalha, para banda militar (sopros e percussão). Eu dei muita risada ouvindo as duas obras, que não chegam a ser cômicas, mas engraçadas e estimulantes para a imaginação de quem as ouve.
Mauricio Kagel (1931-2008): Rrrrrrr… (8 Orgelstücke) & 10 Märsche um den Sieg zu verfehlen
1. Râga
2. Rauschpfeife
3. Repercussa
4. Ragtime
5. Rondeña
6. Ripieno
7. Rosalie
8. Rossignol Enrhumés
9-18. 10 Märsche Um Den Sieg Zu Verfehlen
Performer [Military Band] – Adam Bauer, Hans Gelhaar, James Townsey, Manos Tsangaris, Martin Schulz, Michael Riessler, Paul Peukker, Wolfgang Sorge
Conductor – Mauricio Kagel
Organ – Gerd Zacher (tracks: 1 to 8)
Seis cantatas de porte médio do mestre. Nenhuma chega a ser impressionante, mas lá sempre está Bach e a interpretação da Nova Orquestra de Colônia é realmente muito boa. As Cantatas constituem o grosso da produção de Bach, mas apenas nas últimas décadas sua importância vem sendo reconhecida. Esquecidas quase por completo no século XIX, até meados do século XX somente um pequeno número delas havia sido estudado em detalhe, situação que vem mudando diante do rápido crescimento dos estudos bachianos. A maior parte delas é sacra, compostas em Weimar e principalmente Leipzig, mas ele cultivou o gênero ao longo de quase toda a sua carreira. Muitas foram perdidas por descuido de seu filho mais velho, Wilhelm. De acordo com o obituário de Carl Philipp ele compôs cinco ciclos completos para o ano eclesiástico, fora as cantatas profanas, o que representaria mais de 350 obras, mas ainda sobrevivem 194 composições neste gênero, somando um total de mais de 1.200 movimentos individuais. As de sua fase inicial são compostas segundo o modelo alemão do século XVII, sem recitativos ou árias da capo, elementos de origem operística italiana que só aparecem em suas obras maduras. Mais tarde se consolidou um formato italianizado, com uma abertura mais elaborada com coro, seguida de uma alternância de cinco ou seis árias da capo e recitativos para voz solo, encerrando com uma harmonização coral simples homofônica a quatro vozes, quando a congregação possivelmente se unia ao coro, mas mesmo aqui são encontradas muitas outras soluções técnicas e formais, incluindo fugas, cânones, variações sobre um ostinato, formas concertantes, influência da abertura francesa e do antigo moteto, além de se valerem de uma ampla gama de forças instrumentais.
J. S. Bach (1685-1750): Cantatas BWV 20, 93, 3, 10, 116 e 124
O Ewigkeit, du Donnerwort, BWV 20 23:53
1
I. O Ewigkeit, du Donnerwort (Chor)
3:58
2
II. Kein Unglück ist in aller Welt zu finden (Rezitativ)
0:49
3
III. Ewigkeit, du machst mir bange (Arie)
2:37
4
IV. Gesetzt, es dau’rte der Verdammten Qual (Rezitativ)
1:28
5
V. Gott ist gerecht in seinen Werken (Arie)
3:54
6
VI. O Mensch, errette deine Seele (Arie)
1:42
7
VII. Solang ein Gott im Himmel lebt (Choral)
1:26
8
VIII. Wacht auf, wacht auf, verlornen Schafe (Arie)
2:42
9
IX. Verlass, o Mensch, die Wollust dieser Welt (Rezitativ)
1:08
10
X. O Menschenkind (Duett)
2:32
11
XI. O Ewigkeit, du Donnerwort (Choral)
1:37
Wer nur den lieben Gott lässt walten, BWV 93 20:18
12
I. Wer nur den lieben Gott läßt walten (Chor)
5:35
13
II. Was helfen uns die schweren Sorgen? (Rezitativ)
2:02
14
III. Man halte nur ein wenig stille (Arie)
2:18
15
IV. Er kennt die rechten Freudesstunden (Duett)
3:16
16
V. Denk nicht in deiner Drangsalhitze (Rezitativ)
2:38
17
VI. Ich will auf den Herren schaun (Arie)
3:02
18
VII. Sing, bet und geh auf Gottes Wegen (Choral)
1:27
Ach Gott, wie manches Herzeleid, BWV 3 20:52
19
I. Ach Gott, wie manches Herzeleid (Chor)
4:06
20
II. Wie schwerlich lässt sich Fleisch und Blut (Rezitativ)
2:26
21
III. Empfind ich Höllenangst und Pein (Arie)
5:08
22
IV. Es mag mir Leib und Geist verschmachten (Rezitativ)
1:07
23
V. Wenn Sorgen auf mich dringen (Duett)
7:18
24
VI. Erhalt mein Herz im Glauben rein (Choral)
0:47
Meine Seel erhebt den Herren, BWV 10 17:58
1
I. Meine Seel erhebt den Herren (Chor)
3:13
2
II. Herr, der du stark und mächtig bist (Arie)
5:35
3
III. Des Höchsten Güt und Treu (Rezitativ)
1:13
4
IV. Gewaltige stößt Gott vom Stuhl (Arie)
2:34
5
V. Er denket der Barmherzigkeit (Duett & Choral)
2:12
6
VI. Was Gott den Vätern alter Zeiten (Rezitativ)
1:47
7
VII. Lob und Preis sei Gott dem Vater (Choral)
1:24
Du Friedefürst, Herr Jesu Christ, BWV 116 14:15
8
I. Du Friedefürst, Herr Jesu Christ (Chor)
3:51
9
II. Ach, unaussprechlich ist die Not (Arie)
2:44
10
III. Gedenke doch, o Jesu (Rezitativ)
Christoph Spering, Das Neue Orchester & Benedikt Kristjánsson
0:53
11
IV. Ach, wir bekennen unsre Schuld (Terzett)
4:34
12
V. Ach, lass uns durch die scharfen Ruten (Rezitativ)
0:55
13
VI. Erleucht auch unser Sinn und Herz (Choral)
1:18
Meinen Jesum lass ich nicht, BWV 124 12:38
14
I. Meinen Jesum lass ich nicht (Chor)
3:34
15
II. Solange sich ein Tropfen Blut (Rezitativ)
0:38
16
III. Und wenn der harte Todesschlag (Arie)
2:18
17
IV. Doch ach welch schweres Ungemach (Rezitativ)
1:04
18
V. Entziehe dich eilends, mein Herze, der Welt (Duett)
3:50
19
VI. Jesum lass ich nicht von mir (Choral)
1:14
Das Neue Orchester & Chorus Musicus Köln
Christoph Spering