
Interessante o nome desse CD, “Yesterdays”, assim mesmo, no plural. Acho que coloquialmente alguém fala de repente em ‘ontens’, no sentido de que nossa vida passada na verdade foram outras vidas, outras realidades, outras alternativas, outros rumos oferecidos, que optamos em não seguir.
E é neste sentido que resolvi escrever este texto em homenagem aos 80 anos de um de meus maiores ídolos, o imenso Keith Jarrett, que de certa forma me ajudou a escolher meus caminhos, me orientou a fazer minhas escolhas. Somos o que escolhemos ser, tivemos alternativas se abrindo à nossa frente, e se estou neste quarto de um pequeno apartamento em uma cidade do interior do país, muito se deve a este gigante dos teclados, que me inspirou na juventude a ser o ‘fora do padrão’, por assim dizer, e explico. Em nossos vinte e poucos anos de vida não sabemos de nada, procuramos nosso rumo. Alguns se inspiram em seus pais (muitos de meus amigos filhos de médicos e advogados se tornaram médicos e advogados), outros procuram trilhar outros caminhos, procurar outras possibilidades, em todos os sentidos, inclusive quando se trata de nossas sensibilidades e gostos musicais. Ouço fulano pois todos os meus amigos ouvem, não ouço rock pois não sei o que estão cantando, enfim, foi ignorando estes comentários que fui aos poucos tomando um rumo, que me levou a este imenso mundo do Jazz e da música clássica. Um dia me caiu em mãos o “Nude Ants”, e o resto é história. Ouvi, reouvi, analisei, suspirei, gritei, assim como este pianista que geme, chora, suspira, grita em seus solos. Poucos músicos se envolvem e se entregam tanto quando estão tocando. E então entendi que aquele ali era o meu destino.
Citando uma velha canção do Caetano, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. E foi ouvindo Keith Jarrett e seus fiéis escudeiros, Peacock e DeJohnette, ou mesmo Jarrett em seus discos solos, que entendi o significado desta frase tão forte e intensa.
Mestre Keith Jarrett está completando 80 anos. E que venham mais 80 … sua contribuição para o bem da humanidade está aí, registrado em suas gravações, em seus discos, CDs, plataformas de streaming, e a minha velha edição do “Nude Ants” está guardada ali entre os meus LPs, há mais de quarenta anos. E ali vai ficar, pois sempre volto a ele. É um porto seguro para os momentos de maior angústia e tensão.
01-Strollin’
02-You Took Advantage Of Me
03-Yesterdays
04-Shaw’nuff
05-You’ve Changed
06-Scrapple from the Apple
07-A Sleepin’ Bee
08-Smoke Gets in Your Eyes
09-Stella by Starlight
Keith Jarrett – Piano
Gary Peacock – Double Bass
Jack DeJohnette – Drums


Dando prosseguimento às gravações de Karl Richter com sua Münchener Bach Orchestra, FDP Bach traz mais uma joia de sua coroa: o concerto para Flauta, Harpa e Orquestra de Mozart.


Para manter o clima escandinavo, minha próxima contribuição é de uma gravação estupenda do “Peer Gynt”, de Grieg, nas competentes mãos de Esa-Pekka Sallonen, regendo a Orquestra Filarmônica de Oslo, com seu respectivo coral e com a maravilhosa voz de Barbara Hendricks. Essa gravação se destaca exatamente pelas partes cantadas, que poucos conhecem. Geralmente o que é gravado são as duas suítes, se deixando de lado estas preciosidades vocais. Comprei este CD há muitos anos atrás, e nunca mais tive oportunidade de encontrá-lo em outro local. É uma gravação fora dos catálogos da Sony. Em minha opinião, as partes que se destacam, escolha difícil diante da beleza desta obra, são as conhecidas “Canção de Solveig”, interpretada por Hendricks, e o coral na conhecida passagem “In the Hall of Mountain King”. De qualquer forma, é uma gravação maravilhosa. Espero que seja devidamente apreciada, pois é um registro um tanto quanto raro.

Para esta última postagem das sinfonias haydnianas do período chamado “Sturm & Drang” eu havia preparado um texto já na semana passada, portanto bastava subir o arquivo compactado e postar. Me engana que eu gosto… exatamente às seis horas da tarde deste sábado o servidor do Pensador Selvagem entrou em crise, e nem com reza braba eu conseguia concluir a postagem. Quando voltei, uma hora depois, surpresa, o texto tinha sido apagado por algum fantasma cibernético, e portanto tive de improvisar.










Desejando a todos um excelente Domingo de Páscoa, FDP Bach traz mais uma primorosa gravação de da música sacra de Vivaldi com Victorio Negri. É música para se meditar, para se refletir, mesmo sendo um agnóstico, enfim, para ficar em paz consigo mesmo.
Caro PQP, creio que ninguém tenha reclamado do seu recente barroquismo simplesmente porque todos adoram o barroco. Por isso, voltarei ao barroco, e novamente com Vivaldi. Além disso, temos o aniversário de nosso pai, no próximo dia 21, portanto, mais um festival barroco. Esse cd que estou postando faz parte de uma caixa da Philips intitulada “Vivaldi – Sacred Choral Music”, e vem bem ao encontro com a Semana Santa. Pretendo postar alguns volumes da série até o domingo de Páscoa.
Muito bem, depois de um pequeno período de férias, no qual deixei o PQPBach matar saudades dos senhores, e vice-versa, estou trazendo os três últimos cds desta ótima coleção das sonatas para piano de Beethoven. E aqui só tem petardo, começando com a “Waldstein”, passando pela “Appassionata”, e “Hammerklavier”, entre outras obras primas do repertório. São obras consolidadas, definitivas. Não precisam de apresentação, verdadeiros tour-de-force para os intérpretes. E Brautigam é um senhor pianista,com certeza um dos grandes nomes do instrumento neste novo século, e todas suas recentes gravações são de primeira linha, sem dúvidas.


Envolvido com outras questões, como os 200 anos de nascimento de Wagner, e, principalmente, com os problemas que estou tendo com minha operadora de telefonia, esqueci que um dos compositores favoritos do blog, Johannes Brahms, completaria hoje 180 anos de idade. Sim, o bom e velho Johannes está de aniversário.


O conjunto Collegium Aureum foi fundado em 1962 na Alemanha, e sua especialidade é a música barroca tocada em instrumentos e informação de época. Vou trazer nas próximas postagens, algumas pérolas que este extraordinário conjunto gravou em seus cinquenta e três anos de existência. Nesta primeira postagem, temos dois concertos duplos de C.P.E. Bach, o filho mais talentoso do nosso mentor Johann Sebastian. A formação é um tanto quanto exótica, mas serve para melhor compreendermos o processo de transição entre e o barroco e o classicismo, e a ascensão do pianoforte enquanto instrumento solista. E só tem fera nessas gravações, gente que respira música barroca já há décadas, como Gustav Leonhardt, Alan Curtis e Jos van Immerseel.
Retorno às postagens de música sacra com um ousado projeto de Andrew Parrott e seu Taverner Consort and Players. Ousado pelo fato de Parrott só ter escolhido vozes femininas para seu coral, além das solistas.

Mais uma postagem com Järvi regendo Strauss. Desta vez, o que temos é o belo Don Quixote, minha obra favorita do compositor. Já ouvi esta obra com Antonio Meneses, Yo-Yo Ma, Fournier, Rostropovich, todas interpretações excelentes, mas resolvi mudar um pouco e trazer uma versão pouco conhecida, mas que tem suas qualidades. Estou bem satisfeito com os números do download destas obras de Strauss com o Järvi. Outra hora trago uma outra gravação. Uma curiosidade: neste CD temos a primeira gravação do “Romanze for Cello & Orchestra”, ou seja, até então, uma obra inédita.
Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Violino, Op. 61 (Perlman / Giulini)
Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Violino, Op. 61 / Benjamin Britten (1913-1976): Concerto para Violino, Op. 15 (Jansen / Järvi)