Ah, o Romantismo !!! Nestas Sonatas para Violino e Piano temos talvez o ápice deste movimento musical tão importante. Alina Ibragimova e seu eterno e fiel escudeiro, Cédric Thibergien, em mais um CD lançado pelo selo Hyperion, nos brindam com uma belíssima e cúmplice parceria (mais uma). Aqui ouvimos um Schumann quase visceral, como algo expulso das entranhas e exposto à luz do sol. Talvez Ibragimova se contenha por vezes, mas acho que entendeu perfeitamente o que se exige na interpretação destas obras, infelizmente tão pouco executadas. Talvez a versão que mais me empolgou foi a da dupla Argerich / Kremer, lá anos 80, uma gravação da DG que muito me marcou. Já foi postada por aqui, talvez o link ainda esteja ativo.
Reza a lenda que Schumann não gostou do resultado final desta sua Sonata, por isso mergulhou mais a fundo na Segunda Sonata. Mas para nossa sorte não destruiu a partitura, e a publicou, apesar dos pesares. Assim a Hyperion Records apresenta esse CD, recém saído dos fornos:
The partnership of Alina Ibragimova and Cédric Tiberghien needs no introduction to Hyperion collectors, having been responsible over the last sixteen years for authoritative readings of much of the major repertoire for violin and piano. February’s Record of the Month is their latest collaboration, bringing compelling accounts of the three Schumann Violin Sonatas—passionate, intense works inspired by the calibre of musicians with whom Schumann associated in the early 1850s. But however distinguished those early performances by Joseph Joachim and Clara Schumann may have been, it’s difficult to imagine they could have surpassed these: this is a duo which can always be relied upon to produce rather special results.
Uma análise mais detalhada pode ser encontrada aqui.
Assim começamos o ano de 2025, espero que venham mais preciosidades como essa. Alina Ibragimova sempre foge do convencional, e não teme se arriscar, sua discografia é uma prova disso. E espero que continue assim. Personalidade e cumplicidade, isso é o distingue essa dupla.
Violin Sonata No 1 in A minor Op 105
1 Mit leidenschaftlichem Ausdruck
2 Allegretto
3 Lebhaft
Violin Sonata No 2 in D minor Op 121
4 Ziemlich langsam – Lebhaft
5 Sehr lebhaft
6 Leise, einfach
7 Bewegt
Violin Sonata No 3 in A minor WoO27
8 Ziemlich langsam – [Lebhaft]
9 Intermezzo: Bewegt, doch nicht zu schnell
10 Scherzo: Lebhaft
11 Finale: Markiertes, ziemlich lebhaftes Tempo
Alina Ibragimova – Violino
Cédric Thibergien – Piano








Desejando a todos um excelente Domingo de Páscoa, FDP Bach traz mais uma primorosa gravação de da música sacra de Vivaldi com Victorio Negri. É música para se meditar, para se refletir, mesmo sendo um agnóstico, enfim, para ficar em paz consigo mesmo.
Caro PQP, creio que ninguém tenha reclamado do seu recente barroquismo simplesmente porque todos adoram o barroco. Por isso, voltarei ao barroco, e novamente com Vivaldi. Além disso, temos o aniversário de nosso pai, no próximo dia 21, portanto, mais um festival barroco. Esse cd que estou postando faz parte de uma caixa da Philips intitulada “Vivaldi – Sacred Choral Music”, e vem bem ao encontro com a Semana Santa. Pretendo postar alguns volumes da série até o domingo de Páscoa.
Muito bem, depois de um pequeno período de férias, no qual deixei o PQPBach matar saudades dos senhores, e vice-versa, estou trazendo os três últimos cds desta ótima coleção das sonatas para piano de Beethoven. E aqui só tem petardo, começando com a “Waldstein”, passando pela “Appassionata”, e “Hammerklavier”, entre outras obras primas do repertório. São obras consolidadas, definitivas. Não precisam de apresentação, verdadeiros tour-de-force para os intérpretes. E Brautigam é um senhor pianista,com certeza um dos grandes nomes do instrumento neste novo século, e todas suas recentes gravações são de primeira linha, sem dúvidas.


Envolvido com outras questões, como os 200 anos de nascimento de Wagner, e, principalmente, com os problemas que estou tendo com minha operadora de telefonia, esqueci que um dos compositores favoritos do blog, Johannes Brahms, completaria hoje 180 anos de idade. Sim, o bom e velho Johannes está de aniversário.


O conjunto Collegium Aureum foi fundado em 1962 na Alemanha, e sua especialidade é a música barroca tocada em instrumentos e informação de época. Vou trazer nas próximas postagens, algumas pérolas que este extraordinário conjunto gravou em seus cinquenta e três anos de existência. Nesta primeira postagem, temos dois concertos duplos de C.P.E. Bach, o filho mais talentoso do nosso mentor Johann Sebastian. A formação é um tanto quanto exótica, mas serve para melhor compreendermos o processo de transição entre e o barroco e o classicismo, e a ascensão do pianoforte enquanto instrumento solista. E só tem fera nessas gravações, gente que respira música barroca já há décadas, como Gustav Leonhardt, Alan Curtis e Jos van Immerseel.
Retorno às postagens de música sacra com um ousado projeto de Andrew Parrott e seu Taverner Consort and Players. Ousado pelo fato de Parrott só ter escolhido vozes femininas para seu coral, além das solistas.

Mais uma postagem com Järvi regendo Strauss. Desta vez, o que temos é o belo Don Quixote, minha obra favorita do compositor. Já ouvi esta obra com Antonio Meneses, Yo-Yo Ma, Fournier, Rostropovich, todas interpretações excelentes, mas resolvi mudar um pouco e trazer uma versão pouco conhecida, mas que tem suas qualidades. Estou bem satisfeito com os números do download destas obras de Strauss com o Järvi. Outra hora trago uma outra gravação. Uma curiosidade: neste CD temos a primeira gravação do “Romanze for Cello & Orchestra”, ou seja, até então, uma obra inédita.
Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Violino, Op. 61 (Perlman / Giulini)
Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Violino, Op. 61 / Benjamin Britten (1913-1976): Concerto para Violino, Op. 15 (Jansen / Järvi)
Essa Sinfonia, na verdade sua 2ª Sinfonia, me era desconhecida até ter acesso a este CD, e fiquei surpreso com sua beleza. Richard Strauss escreveu esta sinfonia quando tinha pouco mais de 20 anos, e ela já traz alguns elementos que mostram as influências wagnerianas e brahmsianas. Esta sinfonia impressionou gente do porte de Hans von Bülow, que contratou o jovem Richard para ser seu assistente e deu-lhe a incumbência de reger a própria sinfonia em sua estréia. Maiores detalhes sobre a obra podem ser lidos no encarte que acompanha esta edição.

Existem algumas gravações que ficam na nossa cabeça para sempre. Já cansamos de dar exemplos aqui no blog, mas creio que o Concierto de Aranjuez seja a obra que mais cedo compreendi, e seu Adágio do segundo movimento a mais bela melodia que ouvi em minha vida. E creio que também seja para muita gente. Seu lirismo melancólico nos comove, e as mais variadas imagens nos vem à mente. Para uns, pode significar a dor da perda de um ente querido, para outros, a lembrança de uma paixão antiga, ou não correspondida. Para mim, lembra minha infância, quando, pela primeira vez, tive acesso ao velho LP com a foto de um jovem John Williams, ao lado do já velhinho Eugene Ormandy. Esta gravação ganha em qualidade por dois motivos principais, em minha concepção: de todas as gravações que Williams já fez deste concerto, esta é a melhor (conheço 3). E além disso, Ormandy sempre foi um eterno apaixonado. Você sente uma emoção pulsante, extraída das cordas da sua Orquestra da Filadélfia, ele extrai da melodia toda a paixão nela contida. Um grande maestro, com uma orquestra moldada ao seu gosto. E um grande violonista, que se estabelecia como um grande mestre.

Ainda dentro das comemorações dos 200 anos de nascimento de Mendelssohn, estarei postando várias outras obras dele, como prometido há alguns dias atrás. Vou começar com seus Quartetos de Cordas, até agora meio que esquecidos no blog. A interpretação desta integral estará a cargo do Melos Quartet em gravação 5 estrelas. Vou postar os três volumes de uma só vez, para dar-lhes a satisfação de poderem acompanhar a evolução de Mendelssohn como compositor.

Mais um Vivaldi, e mais uma gravação absolutamente imperdível, com a soprano Sandrine Piau deixando-nos totalmente arrepiados com sua interpretação de “In Furore” e “Laude Pueri”, dois motetos extremamente originais do padre ruivo. Nunca deixo de me emocionar com sua força de interpretação, e com a beleza das obras, e acompanhados pela ótima “Academia Bizantina”, dirigida pelo jovem Ottavio Dantone. Já declarei minha obsessão em possuir toda esta coleção da Naive, que pretende lançar todas as obras de Vivaldi. As capas são lindíssimas, e a produção impecável. Inclusive, alguns outros CDs da série já foram postados aqui, e outros ainda o serão. Quem viver, verá. Além de trazer a maravilhosa Sandrine Piau (aliás, não é ela quem está na foto da capa, como eu erroneamente imaginava até algum tempo atrás), o CD nos traz também três concertos do padre ruivo, belissimamente interpretados pela Accademia Bizantina.



