Se vivo fosse, Richar Wagner estaria completando hoje, dia 22 de maio, 206 anos. Por isso, estamos começando mais uma epopéia operística.
Mais uma vez eu, FDPBach, e Ammiratore estamos embarcando em uma longa jornada, e trazendo para os senhores três obras que nunca apareceram por aqui, são três óperas wagnerianas pouco conhecidas e encenadas: “Die Feen”, “Das Liebesverbot” e “Rienzi”.
O responsável pela execução é Wolfgang Sawalish, um dos grandes nomes da regência do século XX. E estes registros foram todos realizados ao vivo, em 1983, no Bayerischer Rundfunk Nationaltheater München, com a orquestra e coro locais, e grandes solistas, experientes no repertório wagneriano.
Vamos começar com ‘Die Feen’, traduzindo, ‘As Fadas’. Mais do que apenas experimentos e devaneios juvenis, duzentos anos após o nascimento de Richard Wagner (1813-1883), seus primeiros três trabalhos para o palco ainda não encontraram um lugar fixo no repertório dos grandes teatros. Contudo, ter este fato em comum não podemos desmerecer o enredo de Die Feen, Das Liebesverbot e Rienzi. Para aqueles que gostam de histórias do início da carreira dos grande mestres pode, sim, ser agradável a audição destas primeiras óperas. Elas trazem a coerência inicial que todo grande gênio tem: inicia a carreira com os padrões existentes, experimenta novas fórmulas, apanha da crítica “especializada”, e acaba por desenvolver a sua própria linguagem.
Em vida Wagner nunca viu uma performance completa de “Die Feen” (1833). Ela só foi representada por completo cinco anos após a morte do compositor, em Munique no Königliches Hof-und Nationaltheater no dia 29 de Junho de 1888, e hoje em dia ela é representada geralmente em festivais dentro da Alemanha. Martin Kettle, escrevendo no The Guardian, disse que “nunca será uma obra de repertório, mas é um trabalho unificado com uma faísca de música poderosa e talentosa”. Nada mais romântico, trabalho da juventude, mas é um trabalho pessoal a música desta obra. Muitas passagens já trazem a marca do gênio, são curtos clarões fulgurantes que atravessam a banalidade da partitura e projetam raios que irão iluminar o futuro do jovem Wagner.
O libreto é do próprio Wagner, então um garoto de vinte anos, e tem como base a fabula do veneziano Carlo Gozzi (1720-1806) (La donna serpente). Na década de 1830 na Alemanha havia inúmeras dificuldades para compositores de ópera, a principal era a falta de libretistas de qualidade, provavelmente um dos motivos para que Wagner escrevesse o libreto por conta própria.
A primeira ópera de Wagner segue a tradição da ópera de contos de fadas, em moda no início da primeira metade do século XIX na Alemanha. Ada, metade fada, metade mortal, casa-se com Arindal, rei de Tramond, a quem é dito que não pergunte seu nome. Ele pergunta, no entanto, e seu reino mágico desaparece. Para se juntar a ele, ela deve julgá-lo em uma série de testes em que ele não tem sucesso, deixando-a transformada em pedra por cem anos. Como Orfeu, ele a traz à vida do submundo pelo poder da música e vive com ela depois no país das fadas. Wagner teria dito em suas memórias: “Meu texto para ópera Die Feen foi escrito após uma leitura do trabalho de Gozzi. Então o estilo operístico em voga era precisamente a ópera romântica de Weber. Este fato me estimulou para a imitação do estilo. O que eu escrevi não foi nada mais e nada menos do que eu queria: o texto para uma ópera, com toda a influência no aspecto musical de Beethoven, Weber e Marschner ( que foi injustamente rotulado como sendo apenas um imitador de Weber). No entanto, para mim a história de Gozzi não me seduziu apenas por ser um texto muito adequado para uma ópera, mas porque a idéia principal me atraiu tremendamente. Uma ondina que renuncia a imortalidade por amor de um homem….. Na história de Gozzi a ondina se torna uma serpente; o amante arrependido irá recuperá-la em forma de uma mulher, beijando a serpente. Eu preferi mudar esse final para uma fada transformada em pedra. A minha música se harmonizou no conjunto do trabalho, agora eu vejo claramente que aqui foi plantada uma semente importante de toda a minha evolução. ” Podemos dizer que este é o primeiro sinal de gênio, graças ao poder da música: os temas em que um herói traz sua amada petrificada de volta à vida, motivos de redenção por amor são caro nas óperas de Wagner.
Die Feen costuma ser definida como uma obra de um Richard Wagner imaturo, distante daquele que comporia a Tetralogia do Anel. Tendemos a discordar, mesmo que o rótulo de imaturidade tenha sido assumido pelo próprio compositor, manifestado pelo desleixo que posteriormente dedicou à sua obra. Os elementos seminais dos seus maiores trabalhos já se manifestam na singela partitura de As Fadas, principalmente no tangente à influência que este buscara no escritor e dramaturgo veneziano Carlo Gozzi, que lhe inspirou não apenas no libreto, mas em toda estética dramática e na forte inclinação para a relação entre Mito e Contos de Fadas entrelaçados em um enredo característico da Literatura Fantástica. Depois, há a questão da técnica do leitmotif que Wagner está desenvolvendo lentamente. Existem tendências nessa direção, como na ideia melódica que aparece pela primeira vez na abertura para Die Feen e que então domina a rápida e conclusiva seção de Ada na ária no segundo ato. É natural que artistas sintam reservas em relação às suas primeiras obras, contudo, parece existir outro motivo da aversão de Wagner à sua primeira ópera composta. Se, para tirarmos um instantâneo de Wagner aos 20 anos, olharmos bem detidamente o argumento de seu libreto, explorado até o fim, veremos em Die Feen uma ópera cujo herói não se constrange em abandonar sua pátria para seguir seu amor, e, então, estupefatos esbarramos com o grande paradoxo que posteriormente se formara na mente de um Wagner zeloso de seu nacionalismo. Como poderia ele escrever sobre um herói germânico que larga seu reino para viver em terras estrangeiras? Talvez por isso o mestre tenha ignorado em vida esta obra.
Wolfgang Sawallisch iniciou o trabalho de gravação desta ópera que compartilhamos com os amigos do blog em 1983, quando ele era o maestro e diretor da Ópera Estatal da Baviera, e queria produzir todos os treze trabalhos de Wagner. O que interessou mais Sawallisch foi o equilíbrio dos primeiros trabalhos de Wagner. Porque tornou-se um desafio transmitir para uma audiência no século 20 o gênero da ópera de contos de fadas. O maestro tomou as liberdade de fazer cortes nos recitativos ou em textos falados, onde no contexto da história nada de relevante é contado, querendo dar maior dinâmica à música. Quanto aos papéis centrais da soprano: Linda Esther Gray, ela no papel de Ada, foi realmente bem sucedida. June Anderson estava no começo de uma longa carreira internacional e como Lora demonstrou soberbamente como ela era perfeitamente adequada para papéis de soprano lírico com coloratura. Cheryl Studer (Drolla) também cantou na Opera do Estado da Baviera por várias décadas. O papel de Arindal, John Alexander, já tinha cantado o papel na Ópera de Nova York e foi bom interprete neste papel. Kurt Moll com sua bonita voz da vida ao Rei das Fadas.
Vamos então a uma pequena sinopse do primeiro dos três “pecados da juventude”, de Wagner.
Die Feen Sinopse
Eventos anteriores: Arindal, rei de Tramond, encontra uma bonita corça enquanto caça e a segue a noite. Finalmente, junto com seu criado Gernot, entra no misterioso reino das fadas onde, em vez de achar a corça, encontra a linda fada Ada. Os dois se apaixonam instantaneamente. Arindal se casa com Ada sob a condição de que, por oito anos, ele não pergunte quem ela é. Passam os anos e nascem dois filhos. Pouco antes do vencimento do período estipulado para não fazer perguntas, Arindal não resiste e faz a pergunta proibida: ele é instantaneamente separado de Ada e, junto com seu servo Gernot, é removido do reino das fadas e são jogados em uma área desolada e rochosa. Ada , no entanto, não está preparada para renunciar ao amor de Arindal; por sua causa, ela pretende deixar o reino das fadas e tornar-se uma mortal. O rei das fadas, no entanto, atribui novas provas para que Arindal cumpra e mostre ser digno e merecedor do sacrifício de Ada.
CD1
Obertura Primeiro ato
Farzana e Zemina invocam os espíritos e fadas do reino para tentar separar Ada de Arindal e mantê-la no reino das fadas. Servo de Arindal, Gernot, se encontra com Gunther e Morald na corte de Tramond. Eles partem a procura de Arindal depois que seu pai morreu de tristeza por acreditar que seu filho estivesse para sempre perdido. Seu arqui-inimigo, Harald, trouxe guerra contra a terra e quer casar com Lora, a irmã de Arindal e noiva de Morald. Arindal vagueia à procura de sua amada Ada. Para convencer ele a retornar a Tramond, Gernot conta uma história da bruxa malvada Dilnovaz a fim de apontar para Arindal que Ada não é outra senão uma bruxa malvada e que a separação dela deve consequentemente, ser visto como boa sorte. Quando Morald relata o que aconteceu em Tramond desde o desaparecimento de Arindal, ele irremediavelmente se prepara para voltar a Tramond com seus companheiros. No entanto, antes deles voltarem, Arindal é mais uma vez levado ao reino das fadas. Ada aparece para o deleite de Arindal. Ela exige que ele jure não amaldiçoar o próximo dia, aconteça o que acontecer. Arindal jura.
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Segundo ato
Lora, pressionada pelos inimigos de Tramond, aguarda o retorno de Morald. A felicidade parece perfeita quando Morald finalmente chega com Arindal. Gernot e sua amada Drolla, serva de Lora, celebram o encontro depois de oito anos de separação. Ada, entre o reino das fadas e o mundo humano, fiel ao seu amor, escolhe o caminho para Arindal; ela corre o risco de ser transformada em pedra por cem anos, caso Arindal quebrar seu juramento. De acordo com as condições impostas pelo rei das fadas, Ada agora aparece a Arindal como uma mãe brutal que de repente empurra seus filhos para um abismo ardente, e como uma traidora e inimiga do povo e da terra de Arindal, iniciando em uma guerra devastadora. Arindal, assim provocado, amaldiçoa Ada. Imediatamente, as ações de Ada revelam-se a terem sido uma ilusão, uma prova de fidelidade a palavra dada, porém a magia a transforma em pedra, Arindal fica desesperado.
CD3
Terceiro ato
Morald e Lora governam Tramond desde que Arindal se foi e vagueia inquieto. O mago Groma, um amigo antigo dos governantes de Tramond, pede a Arindal que liberte Ada. Farzana e Zemina apoiam-no na crença de que a tentativa de Arindal de libertar Ada será o seu fim. A voz de Groma, que deu a Arindal um escudo, espada e lira, lidera sua luta contra os espíritos da terra e os homens desonestos. Finalmente, Ada está livre da petrificação pelo som da lira. Ada e Arindal vivem felizes para sempre; no entanto, o reino das fadas não renuncia a Ada, mas eleva Arindal à imortalidade.
CD 1
01. Ouverture
02. Feengarten Introduktion (Chor der Feen)
03. Rezitativ (Farzana, Zemina) – Chor der Geister und Feen
04. Wilde Ein.de mit Felsen Szene und Rezitativ (Gunther, Morald, Gernot) – Gerno
05. Arie (Arindal)
06. Rezitativ (Gernot, Arindal)
07. Romanze (Gernot)
08. Quartet (Arindal, Gunther, Gernot, Morald) Finale I
09. Rezitativ (Arindal)
10. Feengarten mit gl.nzendem Palast Cavatina (Ada)
11. Rezitativ und Duet (Ada, Arindal)
12. Szene (Ensemble und Chor)
CD 2
01. Introduktion (Chor der Krieger und des Volkes, Lora)
02. Arie (Lora) – Szene (Bote, Lora, Chor)
03. Chor und Terzett (Lora, Arindal, Morald)
04. Rezitativ (Gernot, Gunther) – Duett (Drolla, Gernot)
05. Rezitativ (Ada, Farzana, Zemina)
06. Szene und Arie (Ada)
07. Finale II (Chor des Volkes und der Krieger, Lora, Drolla, Arindal, Gunther)
CD 3
01. Introduktion (Chor, Morald, Lora, Drolla, Gunther, Gernot)
02. Szene und Arie (Arindal)
03. Szene (Stimmen Adas und Gromas; Farzana, Zemina)
04. Terzett (Arindal, Farzana, Zemina)
05. Szene (Chor der Erdgeister, Arindal, Farzana, Zemina, Gromas Stimme, Chor von
06. Schlussszene (Feenk.nig, Arinda, Chor der Feen und Geister)
Rei das fadas – Kurt Moll
Ada, uma fada – Linda Esther Gray
Farzana (fada) – Kari Lovaas
Zemina (fada) – Krisztina Laki
Arindal, rei de Tramond – John Alexander
Lora, sua irmã – June Anderson
Morald, seu amante e amigo de Arindal – Roland Hermann
Gernot, caçador e amigo de Arindal – Jan-Hendrik
Drolla, serva de Lora – Cheryl Studer
Gunther, cortesão – Norbert Orth
Harald, comandante de Arindal – Karl Helm
Um mensageiro – Fried Lenz rico
A voz do mago Groma – Roland Bracht
Coro do Bayerischer Rundfunk
Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks
Regente: Wolfgang Sawallisch
Olá Senhora Fada, sou o Richard à sua disposição !
Seguindo com a postagem desta super caixa da Deutsche Grammophon encontramos agora as gravações que a dupla Abbado / Pollini realizou dos Concertos para Piano de Brahms. São três CDs pois o sexto CD traz a gravação lá de 1977. Como a proposta da caixa é reunir todas as gravações que a dupla realizou juntos, nada mais justo que trazer aquela reunião. Só muda a orquestra, a recente nos tempos de Abbado a frente da Filarmônica de Berlim, a velha, frente a Filarmônica de Viena.
Nem preciso falar da qualidade. Temos aqui dois dos maiores músicos do novo e do velho século. A diferença entre as gravações obviamente é a idade e a maturidade que os músicos adquiriram no decorrer daqueles vinte anos. Como diria nosso querido e saudoso Carlinus, espero que tenham uma boa apreciação.
CD 4
01 – Piano Concerto No. 1 in D minor, Op. 15 I. Maestoso
02 – Piano Concerto No. 1 in D minor, Op. 15 II. Adagio
03 – Piano Concerto No. 1 in D minor, Op. 15 III. Rondo Allegro non tropo
01 – Piano Concerto No. 2 in B flat, Op. 83 I. Allegro non troppo (1995)
02 – Piano Concerto No. 2 in B flat, Op. 83 II. Allegro appassionato
03 – Piano Concerto No. 2 in B flat, Op. 83 III. Andante
04 – Piano Concerto No. 2 in B flat, Op. 83 IV. Allegretto grazioso
Maurizio Pollini – Piano
Berliner Philharmoniker
Claudio Abbado – Conductor
01 – Piano Concerto No. 2 in B flat, Op. 83 I. Allegro non troppo (1977)
02 – Piano Concerto No. 2 in B flat, Op. 83 II. Allegro appassionato
03 – Piano Concerto No. 2 in B flat, Op. 83 III. Andante
04 – Piano Concerto No. 2 in B flat, Op. 83 IV. Allegretto grazioso
Maurizio Pollini – Piano
Wiener Philharmoniker
Claudio Abbado – Conductor
O maior e mais belo Concerto para Violino está em muito boas mãos aqui, com Itzhak Perlman perfeito na sua execução, inclusive a considero esta gravação superior àquela realizada lá nos anos 70 com Giulini (trata-se de uma opinião pessoal, é claro, mas há quem concorde comigo). Claro que entrou nessa fórmula a maturidade profissional e musical deste incrível músico adquirida no correr dos anos. O violino de Perlman flui com uma incrível naturalidade, sem maiores problemas ou obstáculos. Outra escolha interessante de Perlman é a da cadenza, aqui escrita pelo famoso violinista Joseph Joachim, amigo pessoal do compositor e primeiro intérprete da obra.
Daniel Baremboim faz sua parte com a competência de sempre, desta vez tendo a poderosa Filarmônica de Berlim sob seu controle.
Além de mostrar todo o seu virtuosismo e técnica no Concerto, Perlman nos brinda com a execução de algumas Danças Húngaras, acompanhado por outro grande nome, Vladimir Ashkenazy, bem conhecido daqui do PQPBach.
Só tem gente grande aqui, queridos. Espero que apreciem. Eu gostei muito desta gravação.
01 – Violin Concerto in D Op. 77 – I. Allegro Non Troppo
02 – Violin Concerto in D Op. 77 – II. Adagio
03 – Violin Concerto in D Op. 77 – III. Allegro Giocoso, Ma Non Troppo Vivace
Itzhak Perlman – Violin
Berliner Philharmoniker
Daniel Baremboim – Conductor
04 – Sonatensatz In C Minor – Scherzo
05 – Hungarian Dances – No. 1 In G Minor
06 – Hungarian Dances – No. 2 In D Minor
07 – Hungarian Dances – No. 7 In A Major
08 – Hungarian Dances – No. 9 In E Minor
E finalmente a Deutsche Grammophon reuniu em uma caixa todas as gravações da dupla Maurizio Pollini / Claudio Abbado e Martha Argerich / Claudio Abbado. Assim não ficamos com tantos CDs dispersos. Está tudo ali juntinho, bonitinho. Quer ouvir Beethoven? Está ali, quer ouvir Brahms? CDs tais e tais … uma belezura, não acham? A amizade destes três é de décadas. E esta amizade se refletia em suas interpretações. Incrível a sincronia e entendimento entre eles.
Mas vamos começar com o Pollini. Serão oito CDs. Os três primeiros CDs trazem os Concertos de Beethoven, quando a dupla retorna a estas obras, vinte anos depois da primeira vez, ainda nos anos 70, postagem esta lá dos primórdios do PQPBach.
CD 1
01 – Piano Concerto No. 1 I. Allegro con brio
02 – Piano Concerto No. 1 II. Largo
03 – Piano Concerto No. 1 III. Rondo, Allegro
04 – Piano Concerto No. 2 I. Allegro con brio
05 – Piano Concerto No. 2 II. Adagio
06 – Piano Concerto No. 2 III. Rondo, Molto Allegro
01 – Piano Concerto No. 3 I. Allegro con brio
02 – Piano Concerto No. 3 II. Largo
03 – Piano Concerto No. 3 III. Rondo, Allegro
04 – Piano Concerto No. 4 I. Allegro moderato
05 – Piano Concerto No. 4 II. Andante con moto
06 – Piano Concerto No. 4 III. Rondo, Vivace
Gabriele Lechner
Gretchen Eder –
Elisabeth Mach
Jorge Pita
Andreas Esders
Gerhard Eder
Maurizio Pollini
Wiener Philharmoniker
Konzertvereinigung Wiener Staatsopernchor
Claudio Abbado
Esse belo registro do monumental Oratório ‘Messiah’, de Haendel foi realizado em Munique, em 2014, bem recente, portanto. Temos aqui toda uma nova geração de cantores e um jovem maestro, cumprindo muito bem a função de tocar esta obra única, a principal composição deste gênio chamado Haendel.
A destacar o contratenor Lawrence Zazzo, acho que é a primeira vez que ouço esta obra com um Contratenor no papel principal.
Em anexo aos arquivos de áudio segue o booklet, bem completo e explicativo.
CD 1
GEORGE FRIDERIC HANDEL (1685-1759) – Der Messiah
Part One
01 No. 1 Symphony. Grave
02 No. 2 Comfort ye, my people (Accompagnato – tenor / Tenor)
03 No. 3 Ev‘ry valley shall be exalted (Aria – tenor / Tenor)
04 No. 4 And the glory of the Lord (chorus / Chor)
No. 5 Thus saith the Lord (Accompagnato – bass baritone / Bassbariton)
06 No. 6 But who may abide the day of his coming (Aria – countertenor / Countertenor)
07 No. 7 And he shall purify the sons of Levi (chorus / Chor)
08 No. 8 Behold, a virgin shall conceive (Recitative – countertenor / Countertenor)
09 No. 9 O thou that tellest good tidings to Zion (Aria – countertenor – chorus / Countertenor – Chor)
10 No. 10 For behold, darkness shall cover the earth (Accompagnato – bass baritone / Bassbariton)
11 No. 11 The people that walked in darkness have seen a great light (Aria – bass baritone / Bassbariton)
12 No. 12 For unto us a child is born (chorus / Chor)
13 No. 13 Pifa. Larghetto (Pastoral Symphony / Hirtenmusik)
14 No. 14a There were shepherds abiding in the field (Recitative – soprano / Sopran)
15 No. 14b And lo, the angel of the Lord came upon them (Accompagnato – soprano / Sopran)
16 No. 15 And the angel said unto them (Recitative – soprano / Sopran)
17 No. 16 And suddenly there was with the angel (Accompagnato – soprano / Sopran)
18 No. 17 Glory to God in the highest (chorus / Chor)
19 No. 18 Rejoice greatly, o daughter of Zion (Aria – soprano / Sopran)
20 No. 19 Then shall the eyes of the blind be open`d (Recitative – countertenor / Countertenor)
21 No. 20 He shall feed his flock (Aria – countertenor – soprano / Countertenor – Sopran)
Parte Two
22 No. 21 His yoke is easy (chorus / Chor)
23 No. 22 Behold the Lamb of God (chorus / Chor)
24 No. 23 He was despised and rejected of men (Aria – countertenor / Countertenor)
25 No. 24 Surely, he hath borne our griefs and carried our sorrows (chorus / Chor)
26 No. 25 And with his stripes we are healed (chorus / Chor)
27 No. 26 All we like sheep (chorus / Chor)
CD 2
01 No. 27 All they that see him (Accompagnato – tenor / Tenor)
02 No. 28 He trusted in God (chorus / Chor)
03 No. 29 Thy rebuke hath broken his heart(Accompagnato – tenor / Tenor)
04 No. 30 Behold, and see if there be any sorrow (Arioso – tenor / Tenor)
05 No. 31 He was cut off (Accompagnato – tenor / Tenor)
06 No. 32 But thou didst not leave his soul in hell (Aria – tenor / Tenor)
07 No. 33 Lift up your heads (chorus / Chor)
08 No. 34 Unto which of the angels said he at any time (Recitative – tenor / Tenor)
09 No. 35 Let all the angels of God worship him (chorus / Chor)
10 No. 36 Thou art gone up on high (Aria – countertenor / Countertenor)
11 No. 37 The Lord gave the word (chorus / Chor)
12 No. 38 How beautiful are the feet (Aria – soprano / Sopran)
13 No. 39 Their sound is gone out into all lands (chorus / Chor)
14 No. 40 Why do the nations so furiously rage together (Aria – bass baritone / Bassbariton)
15 No. 41 Let us break their bonds asunder (chorus / Chor)
16 No. 42 He that dwelleth in heaven (Recitative – tenor / Tenor)
17 No. 43 Thou shalt break them with a rod of iron (Aria – tenor / Tenor)
18 No. 44 Hallelujah! (chorus / Chor)
Part Three
19 No. 45 I know that my Redeemer liveth (Aria – soprano / Sopran)
20 No. 46 Since by man came death (chorus / Chor)
21 No. 47 Behold, I tell you a mystery (Accompagnato – bass baritone / Bassbariton)
22 No. 48 The trumpet shall sound (Aria – bass baritone / Bassbariton)
23 No. 49 Then shall be brought to pass (Recitative – countertenor / Countertenor)
24 No. 50 O death, where is thy sting? (Duet – countertenor – tenor / Countertenor – Tenor)
25 No. 51 But thanks be to God (chorus / Chor)
26 No. 52 If God be for us (Aria – soprano / Sopran)
27 No. 53 Worthy is the Lamb that was slain (chorus / Chor)
28 No. 54 Amen (chorus / Chor)
Julia Doyle – Soprano
Lawrence Zazzo – Countertenor
Steve Davislim – Tenor
Neal Davies – Bass Baritone
Chor des Bayerischen Rundfunks
B’Rock – Belgian Baroque Orchestra Ghent
Peter Dijkstra – Conductor
“Tive a sorte de crescer com a música de Bach ao meu redor e, assim, as Suítes para Violoncelo tornaram-se parte de minha dieta habitual de ouvinte como as “outras” peças solo de Bach “não escritas para o violino”. Eu secretamente cobicei essas obras bem cedo, até porque eu encontrei muitas performances de violoncelo já estabelecidas – que no entanto celebraram os músicos – a serem executadas em um estilo e ritmo que reduziam o caráter de dança a algo quase incidental. Então, mais tarde, na faculdade de música, ouvi uma suíte tocado em um violoncelo barroco e a música de repente fez sentido para mim, e veio à vida com a ajuda da leveza e do balanço do arco barroco tocando nas cordas do intestino. Foi realmente uma revelação. Desde então, passei um bom tempo treinando violoncelistas, tanto modernos como barrocos, e me vi tocando para demonstrar vários pontos. Aos poucos, pude sentir essas peças unindo as partitas e as sonatas do violino como outro tipo de “pão diário”; Eu comecei a me pegar tocando alguns dos movimentos que eu particularmente amava enquanto me aquecia, e percebendo que era realmente possível tocá-los no violino, e encontrar um vocabulário expressivo especial no tom mais alto. Como alguém poderia justificá-lo, especialmente com trabalhos que encheram o catálogo de gravações com algumas das mais icônicas e adoradas performances de cordas de todos os tempos, os Casals, Fourniers, Torteliers ou Starkers? Mas o que eu estava fazendo também parecia muito de acordo com o hábito de Bach de reciclar suas próprias composições para diferentes instrumentos e diferentes usos. Os exemplos são infinitos, mas penso imediatamente nos concertos que aparecem como sinfonias em cantatas, ou concertos para violinos transformados em concertos de cravo. Quanto mais eu reflito, menos eu sinto a necessidade de ser defensiva porque Bach fez coisas muito mais escandalosas! Pense no Prelúdio da Partita E maior para violino transformado em um movimento de uma Cantata Orquestral completa com trompetes e tambores …
Tocar essas seis suítes no violino é, obviamente, uma proposta bem diferente. Com seu corpo ressonante menor, o violino fala mais rapidamente e o imediatismo do som permite que ele seja mais flexível, volúvel e ágil do que o violoncelo mais circunspecto e gravitacional. As danças, portanto, são especialmente idiomáticas para o violino, quando tocadas um pouco mais rápido do que você pode estar acostumado no violoncelo. No início, senti falta da ressonância nos movimentos mais lentos – por exemplo, nos Sarabandes – mas depois comecei a apreciar a investida nas cordas do intestino para captar a maior ressonância possível com os acordes dessas danças lentas. Descobrir os prelúdios do violino talvez fosse a mais pura das alegrias. Parecia um luxo ter a chance de reconstituí-los para o violino. O primeiro prelúdio tem a mesma reconhecibilidade do primeiro prelúdio do Cravo Bem Temperado (Livro Um), com um fluxo irresistivelmente acessível; o segundo é mais misterioso com sua narração cromática; o terceiro começa brilhante e arejado e se torna complexo e complicado em arpejos estendidos antes que um final de retórica nos faça chegar a um destino esperado; o quarto é virtuoso e atlético; a quinta com sua afinação scordatura é escura e pungente, até mesmo chocante. Finalmente, o sexto é a consumação e afirmação da crença: totalmente radiante e benéfico para a vida. Eu toco as primeiras cinco suítes em um quinto e uma oitava acima do tom original. A Sexta Suite é um caso completamente diferente, como está escrito para violoncelo de 5 cordas, sendo a corda de cima uma E. Uma tentativa de tocá-la em uma viola de corda ou violino terminou com a decisão de retornar ao meu próprio violino, com a ajuda de uma viola C string para as poucas frases baixas na peça. O resto foi deixado para minha equipe inteligente de produção e edição!”
Falou a principal violinista barroca da atualidade (perdão, Amandine Beyer). Uma pequena aula, não acharam? Didática, sem se utilizar de um linguajar por demais técnico, coisa de quem é professor. Confesso que estranhei no início, mas a fluidez de seu violino é tão correta e perfeita, as notas se encaixam tão bem, que realmente parece que estas obras foram realmente escritas originalmente para violino.
Está tudo aí, em arquivo único, sem divisão de CDs. cm direito a booklet com maiores informações e detalhes.
CD 1
CELLO SUITE
NO.1 IN G MAJOR, BWV1007
trans. R.Podger (D major)
Faço esta postagem meio que a toque de caixa, a pedido de nosso querido Ammiratore, que me perguntou hoje de tarde se eu tinha este CD. Sim, meu caro, o tenho. Ei-lo aí.
Para aqueles que não o conhecem, Claudio Arrau foi um extraordinário pianista chileno, que gravou muito, sua discografia é imensa, o selo DECCA recém lançou a integral de suas gravações e o número é incrível: 80 CDs. Como seus contemporâneos Horowitz e Rubinstein, Arrau também teve uma vida longeva, 88 anos. Atravessou o século, por assim dizer. E sempre tocando e gravando nos palcos de todo o mundo, uma vida toda dedicada a música. Dedicou-se bastante ao repertório romântico, e Chopin era realmente sua grande paixão. Esta gravação das Valsas que ora vos trago é uma das melhores já realizadas. Vale cada minuto de sua audição. Detalhe: esta gravação do antigo selo Philips foi realizada em 1979, quando o músico já estava com 76 anos de idade.
Espero que apreciem, gosto muito desta versão.
1. Waltz No.1 in E flat, Op.18 -“Grande valse brillante”
2. Waltz No.2 in A flat, Op.34 No.1 – “Valse brillante”
3. Waltz No.3 in A minor, Op.34 No.2 6:26
4. Waltz No.4 In F Major, Op.34 No.3 “Grande Valse Brilliante”
5. Waltz No.5 in A flat, Op.42 – “Grande valse”
6. Waltz No.6 in D flat, Op.64 No.1 -“Minute”
7. Waltz No.7 in C sharp minor, Op.64 No.2
8. Waltz No.8 in A flat, Op.64 No.3
9. Waltz No.9 in A flat, Op.69 No.1 -“Farewell”
10. Waltz No.10 in B minor, Op.69 No.2
11. Waltz No.11 in G flat, Op.70 No.1
12. Waltz No.12 in F minor/A flat, Op.70 No.2
13. Waltz No.13 in D flat, Op.70 No.3
14. Waltz No.14 in E minor, Op.posth.
15. Waltz No.16 in A flat, Op.posth.
16. Waltz No.15 in E, Op.posth.
17. Waltz No.19 in A minor, Op.posth.
18. Waltz No.18 in E flat, Op.posth.
19. Waltz No.17 in E flat, Op.posth.
Em sua nova incursão na música de Debussy, o maestro finlandês Esa-Pekka Salonen esbanja talento e criatividade em um repertório muito bem conhecido por ele. Em minha opinião, temos aqui uma das grandes gravações da obra do francês já gravadas, no mesmo nível de Martinon, Monteux, ou Munch.
A competência deste excelente maestro já nos é conhecida, ele é figurinha carimbada aqui no PQPBach. Além de ser um dos principais regentes da atualidade, com sua agenda sempre cheia, também é um compositor de mão cheia.
01. Images pour orchestre, L. 122 I. Gigues
02. Images pour orchestre, L. 122 IIa. Ibéria. Par les rues et par les chemins
03. Images pour orchestre, L. 122 IIb. Ibéria. Les parfums de la nuit
04. Images pour orchestre, L. 122 IIc. Ibéria. Le matin d’un jour de fête
05. Images pour orchestre, L. 122 III. Rondes de printemps
06. Prélude à l’après-midi d’un faune, L. 86
07. La mer, L. 109 I. De l’aube à midi sur la mer
08. La mer, L. 109 II. Jeux de vagues
09. La mer, L. 109 III. Dialogue du vent et de la mer
Los Angeles Philharmonic Orchestra
Esa-Pekka Salonen – Conductor
Hoje trago para os senhores duas obras primas do genial Mendelssohn, que nos são apresentadas neste CD da Harmonia Mundi: o nosso amado Concerto para Violino e a Sinfonia nº 5, intitulada ‘Reforma’ dois petardos do repertório romântico, sem dúvida.
Isabelle Faust nos apresenta uma versão diferente do Concerto, sem aqueles arroubos sentimentais, digamos que sua leitura seja mais intimista, mais pessoal, ela não cede ao Romantismo exacerbado de algumas passagens. E conta para isso com a cumplicidade de Heras-Cassado, jovem maestro que vem se destacando nos últimos anos. Faust já é uma violinista experiente, com diversos álbuns gravados, inclusive recém postei sua excepcional nova incursão na obra de Bach. E aqui novamente demonstra que não teme se arriscar em testar outras perspectivas e possibilidades desta obra.
Elogiosa também a atuação de Heras-Casado ao escolher uma Orquestra de pequeno porte, mas de grande qualidade, e mais especializada no repertório barroco, a Freiburger Baroque Orchestra. Os que estão acostumados com a sonoridade de uma Filarmônica de Berlim, de Viena, do Concertgebow de Amsterdan, vão estranhar. Mas lembremos de que nos tempos em que Mendelssohn andava sobre esse nosso planeta não existiam estas grandes orquestras, mas pequenos conjuntos musicais como este de Freiburg.
Espero que apreciem.
Felix Mendelssohn-Bartholdy – Violin Concerto op.64, The Hebrides – Concert Ouverture op.26 B minor, Symphony no.5 “Reformation” op.107 – Faust, Heras-Casado, FBO
1 Violin Concerto op.64 E minor
I. Allegro molto appassionato
2 II. Andante – Allegretto non troppo
3 III. Allegro molto vivace
4 The Hebrides – Concert Ouverture op.26 B minor / h-Moll / si mineur
Symphony no.5 “Reformation” op.107* D minor
5 I. Andante – Allegro con fuoco
6 II. Allegro vivace
7 III. Andante
8 IV. Choral “Ein feste Burg ist unser Gott”
Andante con moto – Allegro vivace – Allegro maestoso
Nosso querido colega Ammiratore, autor do texto abaixo, considera ‘A Flauta Mágica’ a mais importante criação cultural da humanidade. Não sei se eu iria tão longe, poderia afirmar sem sombra de dúvida, que a considero a obra mais importante de Mozart (putz, e o ‘Don Giovanni’?) a que mais amo, que mais ouvi em minha vida, sem sombra de dúvidas. Ou teria sido o Concerto nº 23?
Independente de sua posição neste ‘ranking’ gostaria de deixar registrado novamente que amo profundamente esta obra. Considero-a perfeita, mesmo que com suas imperfeições e defeitos. E ler este texto do Ammiratore me ajudou a entender certas passagens obscuras em seu libreto.
Esta gravação que vos trago é um dos melhores registros fonográficos já realizados desta obra. O grande feito do grande maestro alemão Karl Böhm foi o de reunir os dois maiores cantores daquele momento, Fritz Wunderlich como Tamino e Dietrich Fischer-Dieskau como Papageno, um dos, ou melhor, o melhor personagem da ópera.
Ao contrário das postagens do Anel dos Nibelungos, quando Ammiratore tinha a versão de Karajan a disposição para analisar, aqui ele se utilizou de outra versão, pois não tinha esta que vos trago. Ate agora, pois nosso amigo encontrou em sua imensa discoteca a tal da gravação em vinil. Nem lembrava que tinha. Imagina o acervo do rapaz…
Provavelmente esta será uma das mais longas postagens que já fizemos aqui no PQPBach. Amirattore fez um impecável trabalho de pesquisa e de análise.
Então vamos ao que viemos.
“Não resta dúvida de que A Flauta Mágica foi a obra mais pessoal de Mozart (1756-1791), pelo menos no campo da música dramática; aquela composta com toda a liberdade. Não é de se estranhar, então, que o produto desse esforço tenha sido não só a maior ópera alemã de todos os tempos (a opinião, entre outros, é de ninguém menos que Wagner), mas também uma obra básica, vertebral, da cultura ocidental, aquela que com certeza levaríamos entre as 10 obras para uma ilha deserta. A primeira apresentação aconteceu em Viena em 30 de setembro de 1791. Mozart morreria três meses depois. Desta vez, dando tratos à bola achei interessantíssimo postar, para conhecimento dos amigos do PQP, o capítulo da biografia de Mozart referente à Flauta Mágica, feita pelo jornalista uruguaio Lincoln Maiztegui Casas (Mozart por trás da máscara, Planeta, 2006). Maiztegui Casas nos traz uma narrativa ímpar sobre o gênio, aliando seu texto jornalístico à acurada pesquisa histórica de um apaixonado por Mozart, recomendo a leitura do livro. Dei uma resumida, mas mesmo assim o texto ficou extenso, acredito que vocês vão adorar a leitura.
No curso de uma vida errante, como era a dos artistas teatrais de sua época um tal de Emanuel Schikaneder (1751-1812) instalara-se em Viena, onde, em 1788, fundara um teatro popular situado no bairro do Wieden, na periferia da cidade, chamado Freihaus Theater.
Schikaneder Theatre
Mozart tinha muitos contatos com integrantes da companhia, para a qual chegou a escrever várias obras incidentais. Uma série de coincidências levou Schikaneder e Mozart a decidir compor, em colaboração, uma ópera (ou melhor, um singspiel) de características muito especiais. Wolfgang estava em plena febre criativa, amava compor para o teatro acima de todas as coisas. Schikaneder estava passando por uma excelente situação econômica e profissional, pois seu teatro popular fazia muito sucesso.
Era vox populi na época que o imperador pretendia fechar as três lojas maçônicas da capital. A repressão contra as atividades da sociedade secreta era cada vez mais acirrada; as lojas deviam apresentar uma lista de seus associados e comunicar todas as suas atividades a polícia, e com isso seu caráter secreto ficava desvirtuado. Muitas pessoas deixaram de comparecer às reuniões e cerimônias, e, mesmo sem um decreto oficial de dissolução, as organizações maçônicas estavam desaparecendo. Nessas circunstâncias, dois exímios intelectuais maçons (Mozart e Schikaneder) decidiram jogar uma cartada comprometedora: compor e representar uma ópera maçônica. Uma obra na qual não só se proclamassem os ideais e a concepção de mundo dos maçons, mas que também registrasse grande parte de seu cerimonial e de suas idéias fraternas. Em que momento decidiram empreender essa tarefa não se sabe mas, em maio de 1791, Mozart já estava trabalhando nela, e a partir de junho essa atividade ocupava o centro de sua atenção e esforços. A obra devia ser, por um lado, explícita na exaltação dos princípios de fraternidade universal dos maçons, e, por outro, cifrada, de modo que escapasse, tanto quanto possível, dos problemas com a censura. Assim surgiu a genial ideia de criar uma peça para crianças, um conto de fadas que encobrisse o verdadeiro objetivo. A empresa era arriscada naquele momento.
Embora seus principais desvelos se voltassem para A Flauta Mágica, Wolfgang no auge de sua criatividade, continuava produzindo obras-primas em outros campos acho que vale a pena relacionar algumas das mais preciosas pérolas deste último período de composições; em abril havia composto o Quinteto de cordas No 10, K. 614, acho que uma de suas obras de câmara de mais radiante formosura, e em maio compôs seu Adágio e Rondó para harmônica de cristal, flauta, oboé, viola e violoncelo, K. 617. A harmônica de cristal é um curioso instrumento formado por taças de cristal que, ao ter as bordas friccionadas com os dedos, emitem um som musical perfeitamente identificável. Uma jovem cega chamada Marianne Kirchgasser (1769-1808) era uma excelente executante desse instrumento, e para ela Mozart escreveu esses dois movimentos, serenamente diáfanos e com um timbre estranho e dominador. E também de junho uma das mais belas obras religiosas de Mozart, que voltou, assim, ao gênero depois de um longo silêncio de oito anos; o Ave, verum corpus, um moteto em ré maior para quatro vozes, K. 618, no qual o compositor mostra uma religiosidade austera, mas profundamente emotiva, com uma expressão direta e simples. A Pequena cantata alemã para piano e soprano, K. 619, é de julho, e tem a beleza inefável de tudo o que Wolfgang criou nessa etapa de sua breve existência. Mozart atingiu, nesse tempo, uma altura compositiva que jamais, nem antes nem depois, se repetiu no mundo. Ao mesmo tempo que escrevia uma ópera longa e de grande elaboração musical, ao mesmo tempo que cuidava dos aspectos práticos de sua vida e de sua família, foi capaz de criar uma porção de obras-primas imortais, que outros compositores de primeira linha teriam trocado com prazer pela obra de toda sua vida. Se sempre teve uma enorme facilidade para escrever, se seus manuscritos raras vezes têm rasuras ou correções, essa parece ter sido a época da total superação de qualquer dificuldade técnica. Aquela última e radiante febre criativa traduzia-se em uma permanente tensão, em uma certa eletricidade que o levava a escrever ou tocar nas circunstâncias mais imprevisíveis.
Vixi, voltemos a ópera, escrever sobre Mozart é bom demais !!! O ensaio geral de Die Zauberflute foi realizado no dia 29 de setembro no teatro de Schikaneder, e no dia 30 aconteceu a estréia. Mozart estava consideravelmente nervoso, e parece que, ao terminar o primeiro ato, pensou seriamente em ir embora, temendo um fracasso. O público que assistia àquela histórica première não era em absoluto o que costumava ir as óperas de Mozart; tratava-se de gente do bairro do Wieden, bons vizinhos que esperavam ver um espetáculo divertido. Muitos deles, sem dúvida, não sabiam nem quem era Mozart. Para esses espectadores, o compositor apresentava uma de suas obras musicalmente mais elaboradas, de difícil assimilação até mesmo para os gostos mais exigentes, cheia de códigos maçônicos ocultos, transcendente e ambiciosa. Era natural sentir-se nervoso diante do possível resultado; não se podia descartar uma catástrofe. Por outro lado, também não estava nada claro que atitude o governo imperial tomaria, e especificamente a polícia, diante de uma peça que significava uma declarada glorificação da maçonaria e das idéias do iluminismo, que já havia mais de dois anos que tinham deixado de ser bem-vistas entre os círculos do poder; em 1791, a Revolução Francesa radicalizava-se e ameaçava todas as cabeças coroadas e todos os privilegiados da velha Europa, e os ventos que sopravam não eram exatamente de tolerância; Mozart e Schikaneder tinham boas razões para pensar que podiam acabar a noite em uma prisão. A orquestra, de cerca de quarenta músicos, era dirigida pelo próprio Mozart do cravo, com Sussmayr (seu discípulo, aquele que finalizou o Réquiem) virando as páginas.
Um libreto cuidadosamente impresso e cheio de símbolos maçônicos havia sido vendido ao público (o que podia, sem dúvida, ser considerado propaganda subversiva). Schikaneder interpretava o papel de Papageno o tenor, Benedikt Schak era Tamino, a irmã mais velha de Constanze (Mozart), interpretou a Rainha da Noite (que magnífica soprano dramática di coloratura deve ter sido!) e “Nanette” Gottlieb (crusch de Mozart) foi Pamina. A obra, em rigor um singspiel, era anunciada como “uma grande ópera em dois atos de Emmanuele Schikaneder”, e só depois do elenco, em letra pequena, dizia que a música “é de Herr Wolfgang Amadé Mozart, Kapellmeister e atual compositor da Câmara Imperial e Real”. O público, que lotava a sala, manteve inicialmente uma atitude circunspecta. No intervalo, um aterrorizado Mozart queria ir embora, diante do que pressentia como um fracasso; mas a obra continuou e, no segundo ato, o público foi “entrando” no clima da ópera, começou a aplaudir com entusiasmo e tudo terminou em um clima de apoteose.
Apesar disso, o compositor, com os olhos cheios de lágrimas, escondeu-se, pois não queria sair para os cumprimentos; foram Sussmayr e Schikaneder que o pegaram, cada um por um braço, e levaram-no para o palco, onde recebeu a última ovação de sua vida.
É fácil compreender as razões pelas quais Mozart se mostrou, essa noite, tão impressionado e hipersensível, ele que tão pouca importância havia dado à relativa frieza com que Don Giovanni fora recebida em Viena; A flauta mágica era sua obra mais pessoal, a mais intimamente querida, sua grande proclamação filosófico-musical. Nela havia posto seu coração e seu cérebro, a experiência de toda sua vida de músico-herói, que deixara pelo caminho, embora a um preço altíssimo, a libré de criado. Um fracasso teria significado, mesmo diante desse público de bairro (e, talvez, principalmente por isso mesmo), algo muito similar ao fracasso de toda sua vida, de todas as suas idéias, de toda sua genialidade.
Mas não havia perigo. A flauta mágica era, e continua sendo, muito bonita, muito divertida, perfeita, muito genial para correr o risco de um fracasso diante de qualquer público do mundo de qualquer época. Com essa obra ímpar, Mozart atingiu seu auge, e há muitos que pensam que A flauta mágica é a obra mais importante de toda a arte ocidental. Restam muito poucas críticas da época, dado o teatro marginal em que estreou e viveu seu primeiro período de popularidade; mas sabemos que só durante o mês de outubro foi representada 24 vezes com o teatro cheio, e que quando Mozart morreu, em 5 de dezembro, o sucesso continuava e a obra prosseguia em cartaz. Os resultados econômicos também foram brilhantes.
A Flauta Mágica repete, de alguma maneira, o milagre de Don Giovanni; se nesta o compositor conseguiu uma perfeita mistura entre os elementos farsescos e o significado trágico da história, naquela conseguiu fazer que a mensagem maçônica e revolucionária, mascarada em um clima feérico, em uma história fantástica que podia agradar – agradou e agrada – todos os públicos, inclusive as crianças, surgisse em todo seu esplendor. Não era preciso perceber as complexas chaves maçônicas para assumir o canto à fraternidade universal que a percorre de cima a baixo: os números, código da maçonaria, eram o 3 e suas diversas combinações: 6, 18, 33 etc. A flauta mágica tem como tom básico o mi bemol maior, que tem três bemóis na armação de clave; a abertura começa com três grandes acordes maçônicos; é composta por 33 cenas; há três damas, há três gênios, há três templos (da Sabedoria, da Razão e da Natureza); há dezoito sacerdotes; o maravilhoso coral O Isis und Osiris, que esses sacerdotes cantam, tem dezoito compassos; Sarastro aparece pela primeira vez na cena dezoito; Papagena, ainda disfarçada de anciã, responde à pergunta de Papageno dizendo que tem dezoito anos (a persistência no número 18 indica que o ritual iniciático que toda a obra representa foi inspirado na ordem Rosacruz, grau 18 na escala maçônica). Na cena trinta, a Rainha da Noite e seus sequazes caem derrotados, e o grau 30 era o da Vingança. Poderia continuar encontrando códigos até o infinito. Mas a mensagem de fraternidade universal, de confiança racional no triunfo da Luz sobre a Escuridão (o grande símbolo maçônico; diz-se que Goethe morreu pedindo “luz, mais luz”), é muito mais explícito que todos esses códigos esotéricos; está distribuído ao longo de todo o libreto, e não dá possibilidade a dupla interpretação. Os três gênios ou adolescentes dirigem-se a Tamino dizendo-lhe: “este é o caminho que o levará a seu destino. Mas você deve se esforçar com virilidade e seguir este conselho: seja constante, paciente e discreto. Seja um Homem”. No final do primeiro ato, o coro de sacerdotes e povo canta: “Quando a Virtude e a Justiça cobrirem com sua glória o grande caminho da vida, a Terra será um paraíso e os mortais se igualarão aos deuses”. No começo do segundo ato, quando Sarastro explicita aos sacerdotes as virtudes de Tamino, próximo iniciado, um deles lhe diz, em tom de elogio: “além disso, é um príncipe”, e Sarastro responde: “É muito mais que isso; é um Homem”. Em sua entrada, procurando por Pamina, os três adolescentes cantam, à luz do alvorecer: “Logo resplandecerá o sol anunciando a manhã em sua brilhante corrida; logo desaparecerá a superstição e vencerá o homem dotado de sabedoria. Oh, nobre paz, desça sobre nós e encha o coração dos homens! Assim, a Terra será um reino celestial no qual os homens serão grandes como deuses”. Na maravilhosa cena final, incrivelmente solene, Sarastro proclama: “Os raios do sol afugentam a Noite, e o poder dos hipócritas fica destruído”. E o coro geral: “Salve os Iniciados, que venceram a Noite! A coragem finalmente triunfou e obteve, como recompensa, toda a Beleza e toda a Sabedoria com seu eterno diadema”. Igualdade essencial entre os homens, que não admite outros privilégios que os derivados das virtudes; fraternidade e amizade como essência da vida feliz; coragem, raciocínio e discrição diante das adversidades; desejo de paz e justiça; vitória da Luz sobre as Trevas; essas são as grandes idéias que atravessam A Flauta Mágica.
Essas virtudes proclamadas, que continham na época uma forte mensagem revolucionária, são milagrosamente destacadas pela música mais nobre, inspirada, solene e bela que se possa conceber. Para tecer esse canto à fraternidade universal, Schikaneder e Mozart valeram-se de um conto de fadas, ao estilo de Thamos, rei do Egito, e o resultado é indiscutivelmente ambas as coisas, oratório solene e conto de fadas, graças à genialidade incomparável do músico. Esse é o verdadeiro valor de A Flauta Mágica e o que a transforma na mais bela, transcendente e subversiva peça de toda a arte musical do Ocidente.
A obra causou, na época de sua estréia, uma considerável comoção, mas as primeiras críticas, as de Viena, foram bastante negativas. A crônica do Musicalische Wochenblatt de 30 de setembro de 1791 diz que “A Flauta Mágica, com música de nosso Kapellmeister Mozart, foi representada com grandes gastos e luxos de cenografia e vestuário, mas não obteve a aclamação que se esperava devido a seu péssimo libreto”.O conde Karl Zizendorf comentou, displicentemente “a música e os cenários são bonitos, mas o resto é uma bobagem incrível”. Quando a obra saiu de Viena, as opiniões começaram a mudar radicalmente. A mãe de Goethe, que a viu nesse mesmo ano em Frankfurt, comentava que “todos os trabalhadores e jardineiros vão vê-la, e até a intrépida gente do bairro de Sachsenhausen, cujos filhos fazem os papéis de leões e macacos, comparece em massa; ninguém suportaria reconhecer que não a viu”. E o próprio Wolfgang Goethe: “É preciso mais sabedoria para reconhecer o valor deste libreto que para negá-lo [. . .] É suficiente que as pessoas simples se satisfaçam com a diversão do espetáculo; aos iniciados não escapará o alto significado da obra.
A posteridade não foi menos generosa: “Há algo similar a glória do amanhecer nos tons da ópera de Mozart; chega a nós como a brisa da manhã que dissipa as sombras e invoca o Sol. (Friedrich von Schiller)
Essa “A Flauta Mágica” excede de forma tão incomensurável todas as exigências [. . .] que por isso permaneceu, solitária, como uma obra universal, não atribuível a época alguma especifica. O eterno e o temporário encontram-se aqui para todas as idades e pessoas. (Richard Wagner)
“Pamina ainda vive?” A música transforma a simples pergunta do texto na mais grandiosa de todas as perguntas: “o Amor ainda vive?”. A resposta chega, estremecedora, mas cheia de esperança: “Pamina ainda vive”. O Amor existe. O Amor é real no mundo dos homens. (Ingmar Bergman)
E o grande Igor Stravinsky: “A grande conquista dessa ópera está justamente na unidade de sentimentos que atravessa toda a música, desde os solenes coros até o dueto proto-Broadway – exceto na qualidade da música -, que fala da futura prole de Papageno e Papagena. [. . .] A cena de Pamina e Sarastro é absolutamente wagneriana, exceto pelo fato de Mozart se deter no momento em que Wagner teria começado a se exceder.
Foi seu último legado aos homens, seu chamado supremo aos ideais do humanismo. A última obra de Mozart não foi “La Clemenza di Tito” nem o “Réquiem”, mas a sublime “A Flauta Mágica”. (A. Einstein).
ATO I:
O Princepe Tamino é atacado por uma serpente
Uma planície selvagem. O garboso príncipe Tamino entra correndo, perseguido por uma enorme serpente. Assustado e exausto, ele desmaia, e quando o monstro está para atacá-lo, surgem as três Damas da Rainha da Noite e matam a serpente com suas lanças.
Tamino cai inconsciente e as três damas vencem a serpente
Acham o jovem muito bonito, e cada uma delas quer ficar só, esperando que ele acorde, enquanto as outras duas vão avisar a rainha. Como não chegam a um acordo, resolvem ir as três juntas. Tamino desperta, sem entender como a serpente jaz morta a seu lado.
Tamino desperta e encontra Papageno
Chega Papageno, o alegre passarinheiro da rainha, cujo corpo é coberto por uma penugem parecida com a dos pássaros que captura e leva para embelezar o palácio, recebendo em troca vinho e comida. Papageno é todo simplicidade, e vive sonhando em encontrar a esposa ideal. Quando Tamino lhe diz que é um príncipe, filho de um soberano poderoso que reina sobre muitas terras, Papageno, fica muito espantado, pois não sabia que existiam outros países além do seu. Tamino então lhe agradece por ter matado a serpente, e Papageno, orgulhoso por passar por herói, não conta a verdade.
As damas reaparecem e castigam Papageno e mostram o retrato de Pamina a Tamino
As Três Damas retornam, e castigam Papageno , dando-lhe água e pedras em vez de vinho e bolos, e colocando-lhe um cadeado na boca para impedi-lo de falar mais mentiras. A seguir, mostram a Tamino o retrato da linda Pamina, a filha da Rainha da Noite. O príncipe se apaixona imediatamente.
A Rainha da Noite conta a Tamino que Pamina sua filha foi sequestrada por Sarastro
Nesse instante, a rainha faz sua entrada triunfal. Ela conta a Tamino que Pamina foi aprisionada pelo malvado sacerdote Sarastro. Antes de desaparecer, a rainha promete ao príncipe que se ele salvar sua filha, Pamina se casará com ele.
Papageno é perdoado e as Damas dão a Tamino uma faluta e a Papageno uma campainha mágica
As Três Damas removem o cadeado da boca de Papageno, ordenando-lhe acompanhar Tamino em sua missão de resgate. Tamino recebe das mãos das damas uma flauta dourada, e Papageno um carrilhão dotado de muitos sininhos. Ambos instrumentos são mágicos, e os protegerão na jornada. Seus guias serão três meninos.
Papageno encontra Pamina sendo guardada por Monostatos e conta que Tamino esta a sua procura
A cena muda para uma sala ricamente mobiliada, onde três escravos comentam que Pamina ludibriou Monostatos, o servo mouro de Sarastro, e conseguiu fugir. Ouve-se a voz de Monostatos, pedindo umas correntes para prender Pamina, que ele a caba de recapturar. Os escravos saem, e o mouro, que insiste em conquistar o amor da princesa, a traz para dentro. Nesse instante surge Papageno, que encara Monostatos. Cada um deles fica tão apavorado com o aspecto do outro que ambos fogem correndo. Mas Papageno volta, e diz a Pamina porque veio até ali, explicando os detalhes da missão de Tamino, enamorado por ela desde que viu seu retrato.
Tamino eh conduzido por três criancas ao palácio de Sarastro
Tamino é conduzido até a entrada dos Templos da Razão, Sabedoria e Natureza pelos três meninos, que lhe recomendam manter firmeza e paciência.
Tamino se encontra em frente a um templo com três portas a sabedoria a da razão e da natureza um sacerdote diz que Sarastro não é mau
Tamino tenta entrar nos Templos da Razão e da Natureza, mas vozes internas ordenam que ele se afaste. Ao bater à porta do Templo da Sabedoria, surge o Orador do Templo, que conta ao jovem príncipe como a Rainha da Noite o enganou. Sarastro não é nenhum demônio malvado, mas o venerando soberano do Templo da Sabedoria. O Orador, impedido por um juramento, nada mais pode explicar e vai embora. Misteriosas vozes enformam a Tamino que Pamina está a salvo, e que logo ele terá a oportunidade de adquirir sabedoria.
Algumas vozes dizem a Tamino que a princesa esta viva, toca a flauta e os animais saem da floresta para o ouvir
Na esperança que Pamina e Papageno o ouçam, Tamino toca a flauta mágica. Animais de todas as espécies, enfeitiçados pelo som da flauta, saem de suas tocas para ouvir a música. Quando Tamino para de tocar, os animais vão embora.
Pamina e Papageno ouvem a flauta e vão ao palácio, são perseguidos e Papageno toca a campainha fazendo os perseguidores dançar sem parar
À distância, Papageno responde, tocando sua flauta de Pã. Tamino, sai para procurar Papageno, mas vai na direção contrária. Pamina e Papageno entram e são presos por Monostatos e seus sequazes, que vieram em seu encalço. Subitamente, Papageno lembra-se de seu carrilhão mágico e põe-se a tocá-lo. O efeito é surpreendente: o mouro e seus asseclas, enfeitiçados, não conseguem parar de dançar.
Sarastro chega em um carro guiado por leões
Em solene desfile, entram agora os sacerdotes, precedendo o carro de Sarastro, puxado por seis leões. Pamina, aterrorizada, implora o perdão do sacerdote por ter tentado escapar, explicando não mais suportar as investidas de Monostatos.
Sarastro diz a Tamino e Papageno que se quiserem levar Pamina devem se submeter a provas
Tamino volta à cena, encontrando Pamina pela primeira vez. Caem nos braços um do outro, docemente apaixonados, enquanto Monostatos espuma de raiva. Sarastro manda castigar o mouro com 77 chibatadas nas solas dos pés, e depois abençoa o jovem casal.
Sarastro e os Sacerdotes decidem submeter Pamino e Papageno a algumas provas
A seguir, manda levar Papageno e Tamino para o interior do Templo da Sabedoria. Ambos devem ser preparados para as provas de purificação. O coro dos seguidores de Sarastro entoa um hino final que fala dos elevados ideais que transformarão a terra num paraíso.
ATO II:
Tamino promete vencer as provas por amor a Pamina e Papageno por uma esposa
Um bosque sagrado. Os sacerdotes entram em austera procissão, e Sarastro lhes informa que Tamino deseja fazer parte da irmandade. Foram os deuses, explica ele, a determinar que Tamino deveria procurar Pamina, e por isso mandou raptar a princesa, subtraindo-a à guarda da mãe. Dois sacerdotes são escolhidos para instruir Tamino e Papageno sobre o ritual que os espera. Em seguida, todos elevam uma oração aos deuses Isis e Osíris. Cai a noite sobre o pátio do templo, para onde os Dois Sacerdotes trazem Tamino e Papageno, que morre de medo do escuro. Os sacerdotes perguntam aos dois se estão preparados para enfrentar as provas de iniciação. A resposta é afirmativa, embora Papageno não pareça tão convincente quanto Tamino. Eles aceitam então um voto de silêncio, que Papageno custará a manter. Após a saída dos sacerdotes, surgem as Três Damas, instruídas para fazer com que os dois companheiros voltem a obedecer a Rainha da Noite; vozes do Templo, entretanto, ameaçam as Damas com o fogo do inferno, e elas fogem muito assustadas sem nada conseguir. Num jardim, Pamina dorme. Monostatos, ao vê-la, executa uma dança lúbrica ao seu redor, enquanto afirma que ninguém o ama por causa da cor de sua pele.
Aparece a Rainha da Noite e Monostatos foge e ela manda Pamina matar Sarastro
Quando vai tentar beijar Pamina, ouve-se um trovão e surge a Rainha da Noite, furiosa, e ordena rispidamente ao mouro que se afaste. Pamina acorda, sua mãe diz que foi traída e dá à filha um punhal, instruindo-a a matar Sarastro e trazer para ela o ornato do Círculo Solar das Sete Dobras que o Grão-Sacerdote usa no peito. Quando a Rainha desaparece, Pamina diz a si própria que não pode matar Sarastro. Num salto, Monostatos arranca o punhal de Pamina e tenta chantageá-la: se ela não aceitar seu amor, o mouro a denunciará como assassina. A chegada de Sarastro põe o mouro a correr. Pamina pede piedade para sua mãe e o Sacerdote a acalma, dizendo que dentro das sagradas paredes do Templo não existe lugar para a vingança.
Aparece uma velha que diz a Papageno que tem 18 anos ele nao entende nada
Na cena seguinte, os Dois Sacerdotes conduzem Papageno e Tamino para um recinto do Templo. Ignorando os votos de silêncio, apesar dos sinais reprovadores de Tamino, Papageno fala em voz alta o tempo todo. Quando ele pede algo para beber, entra uma mulher muito velha, trazendo-lhe um copo de água. Na animada conversa que se segue, a velhota diz que tem apenas dezoito anos e que é a namorada que Papageno sempre procurou. Antes que ela possa dizer seu nome, ouve-se um trovão e a velha foge. Surgem os três meninos, trazendo a flauta e o carrilhão mágicos, e, para grande alegria de Papageno, uma mesa coberta de iguarias e bebidas.
Aparece Pamina que escutou a flauta mas Tamino nao pode falar com ela então ela crê que ele não a quer mais
Enquanto o passarinheiro mergulha na comida, Tamino toca a flauta, atraindo Pamina, feliz por reencontrar seu amado. Mas Tamino, mantendo o voto de silêncio, não lhe dirige a palavra, e a moça parte agoniada, acreditando que ele não mais a ama. O trombone soa três vezes. É o sinal que as provas de Papageno e Tamino vão começar.
Os sacerdotes preparam um ritual de fogo e água
Na cripta da pirâmide, os sacerdotes agradecem a Isis e a Osíris por considerar Tamino digno de sua fraternidade. Antes do início das provas de Tamino, Sarastro traz a triste Pamina para despedir-se dele, e todos partem em seguida. Papageno agora é testado, sendo cercado pelo fogo. Após observar sua reação, o Orador do Templo lhe diz que infelizmente, ele não foi aceito entre os iniciados. Aliviado, Papageno comenta que do que mais ele gostaria agora seria um bom copo de vinho. Após ter seu desejo atendido, ele volta a sonhar com uma boa e afetuosa esposinha. É quando aparece novamente a velhota.
Papageno nao passa na prova do silencio mas pode se casar com a velha ele aceita
Papageno deve escolher entre tornar-se seu noivo ou passar o resto da vida na prisão a pão e água. Sem opção, Papageno concorda em casar-se com ela, e a velha se tranforma, num passede mágica, numa lindíssima jovem chamada…Papagena !
Então a Velha se transforma na bela Papagena
Mas a alegria de Papageno dura pouco. Os sacerdotes a expulsam, pois o passarinheiro ainda não está pronto para ela. Num pequeno jardim, enquanto esperam o amanhecer, os três meninos se deparam com Pamina desesperada, preparando para suicidar-se com o punhal que a mãe lhe dera.
Pamina e digna de fazera prova do fogo junto com Tamino
Reconfortando-a, os meninos fazem-na desistir desse ato impensado, assegurando-lhe que Tamino a ama profundamente. Enquanto isso, Tamino, descalço, espera que dois guardas de armadura o preparem para as provas de purificação do fogo e da água.
Com a ajuda da flauta mágica os dois vencem a prova da água
Ouve-se a voz de Pamina: ela vem acompanhá-lo nas provas. O voto de silêncio pode ser agora rompido, e os dois manifestam seu amor. Abraçado a Tamina, o príncipe toca a flauta mágica para afastar a angústia e o sofrimento, e os dois, lado a lado, galhardamente, superam ambas as provas.
Papageno encontra sua amada e cantam o adoravel pa-pa-pa-pa-pageno…
Nesse meio tempo, o pobre Papageno anseia por sua Papagena. Vendo desaparecer sua última chance de felicidade, pensa em enforcar-se. Mas os três meninos, vigilantes, sugerem que ele use seu mágico carrilhão para atrair sua amada. O estratagema funciona, e finalmente, Papageno poderá ser feliz ao lado da esposa pela qual esperou a vida toda.
Monostatos se une a Rainha da Noite para atacar o Templo mas são vencidos pelos raios
A Rainha da Noite, acompanhada das Três Damas e de Monostatos, preparam-se para tentar um último ataque contra o Templo, mas intensos raios e trovões os derrotam definitivamente. O sábio e bondoso Sarastro saúda a vitória da luz contra as trevas.
Todos juntos cantam a beleza da sabedoria no reino da luz, o bem venceu o mal.
O Bem venceu o Mal, e a ópera termina com um coro de sacerdotes agradecendo aos deuses.
As figuras foram extraídas do site: http://playmopera.com/operas/mozart/flauta/
Karl Böhm – A Flauta Mágica
Esta continua a ser a minha versão favorita da derradeira obra de ópera de Mozart. Entre muitas gravações “clássicas” de Die Zauberflöte, a realizada por Karl Böhm é a mais clássica de todas. Com a medida e a inspiração da condução, assim como seu excelente elenco, esta ainda é uma das gravações mais significativas do Singspiel de Mozart, apesar de ter sido gravado há mais de cinquenta anos. O ouvinte fica sempre surpreso e profundamente tocado pelo milagre de renovação que se produz em cada audição de A Flauta Mágica.
Karl
Sem dúvida a permanência e a eficácia desse milagre de A Flauta Mágica encontram suas fontes em toda a diversidade musical da obra, em toda a sua beleza melódica, em sua cor harmônica, em suas características rítmicas, mas sobretudo na verdade tão espontaneamente convincente com que Mozart, com surpreendente economia de meios, e numa extrema simplicidade de composição, teve o poder de exprimir a realidade da vida. Frequentemente, quando se fala de Mozart e de A Flauta Mágica, Karl Böhm é referência com reverência isso revela o quanto esse regente se aprofundou no espírito da música de Mozart. Quando Karl Bohm está regendo uma obra de Mozart afirmava-se que seria como “a auto-revelação do próprio Mozart”. Não há dúvida de que Böhm tem exercido decisiva influência no estilo mozartiano por suas interpretações de clareza cristalina, requintadas altamente dinâmicas. E certamente estará na trilha certa quem traçar a evolução desse estilo mozartiano universalmente aceito ponto por ponto na própria evolução artística do regente. Karl Böhm teve uma amizade artística e humana verdadeira com Richard Strauss. Böhm manteve infindáveis palestras com Strauss sobre música, não somente sobre as obras de Strauss, mas também sobre Mozart. Então o assunto destes ilustres mozartianos frequentemente vinha à tona direcionando o dom verdadeiramente único e individual do jovem Böhm: o excelente instinto que possui para o tempo e coloratura exatos. Sua eloquência rítmica, sempre sensível na resposta e intenção do autor, constrói a estrutura básica sobre a qual é possível expor as linhas vocais, não raro muito sutis, dentro do quadro geral tonal de A Flauta Mágica.
Fritz Wunderlich
A voz marcante na gravação que compartilhamos é Fritz Wunderlich como Tamino, performance incrível, beirando a perfeição ; Fischer-Dieskau interpreta um Papageno maravilhoso, e é provavelmente o melhor papel operístico que ele representou, sua voz era suave e jovial nesta gravação original de 1964! Eu gosto muito do calor e a ressonância do baixo Frantz Crass como Sarastro. Evelyn Lear e Roberta Peters como Pamina e a Rainha da Noite, respectivamente estão brilhantes. Lear tem uma voz madura, mas as notas são cremosas e ela parece genuinamente dentro da personagem. O mesmo vale para Roberta Peters, que é leve, muito excitante com fogo real, na grande área da Rainha da Noite ela é muito firme e clara nas notas altas, lindo de ouvir.
Fischer-Dieskau
A atrevida e charmosa Papagena de Lisa Otto completa um belo trio. Sopranos de Mozart de qualidade real abundaram nos anos 50 e 60 e as três estão no topo das divas. São grandes vozes; apenas ouça o quarteto “Wir wandeln” e flutue para o céu. Mas não existe apenas uma interpretação definitiva, acho que cada geração de artistas merece um vislumbre desta obra-prima de um ou dois ângulos, no futuro irão ser descobertos novos talentos e detalhes novos surgirão, de novo e de novo.”Que felicidade há nesta música. É como um mergulho em água pura!” (Karl Böhm).
É questão de opinião, evidentemente; mas formam uma legião os que pensam que A Flauta Mágica é a obra de arte mais sublime que o espírito do Homem soube criar nesta parte do mundo. Mozart levou à perfeição todas as formas musicais que existiam em seu tempo. Nenhum outro compositor, na história da música, conseguiu, como ele, trabalhar com tanta inventividade todos os gêneros então existentes, da ópera à música de câmara. Genialidade em estado puro, foi capaz de transformar um libreto com uma história simples, como a de A Flauta Mágica, em uma das mais sublimes criações humanas.
Lá em cima no início do texto dissemos que A Flauta Mágica foi a obra mais pessoal de Mozart, diz a lenda que num instante particular, Mozart, na sua própria simplicidade, nas últimas horas de sua vida confessou que Papageno tinha sido sua figura preferida e teria expresso o desejo, em seu leito de morte, de ouvir ainda os versos de Papageno em A Flauta Mágica: “Der Vogelfanger bin ich já” (SOU eu o apanhador de pássaros).
Apreciem sem moderação esta versão que ora compartilhamos.
Wolfgang Amadeus Mozart – Die Zauberflöte
CD 1: Mozart: Die Zauberflöte, K. 620
Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)
Die Zauberflöte, K. 620
1. Overture 7:17
Berliner Philharmoniker, Karl Böhm
Act 1
2. Zu Hilfe! Zu Hilfe! (Tamino, Die drei Damen) 6:45
Hildegard Hillebrecht, Cvetka Ahlin, Sieglinde Wagner, Fritz Wunderlich, Berliner Philharmoniker, Karl Böhm
3. Dialog “Wo bin ich?” (Tamino) 0:21
Fritz Wunderlich
4. Der Vogelfänger bin ich ja (Papageno) 2:35
Dietrich Fischer-Dieskau, Berliner Philharmoniker, Karl Böhm
5. Dialog “He da!” (Tamino, Papageno, Die drei Damen) 3:13
Fritz Wunderlich, Dietrich Fischer-Dieskau, Hildegard Hillebrecht, Cvetka Ahlin, Sieglinde Wagner
6. Dies Bildnis ist bezaubernd schön (Tamino) 4:36
Fritz Wunderlich, Berliner Philharmoniker, Karl Böhm
7. Dialog “Rüste dich mit Mut und Standhaftigkeit” (Die drei Damen, Tamino) 0:45
Hildegard Hillebrecht, Cvetka Ahlin, Sieglinde Wagner, Fritz Wunderlich
8. “O zittre nicht, mein lieber Sohn” 5:22
Roberta Peters, Berliner Philharmoniker, Karl Böhm
9. Ist’s denn Wirklichkeit, was ich sah? (Tamino) 0:04
Fritz Wunderlich
10. Hm! hm! hm! hm! (Papageno, Tamino, Die drei Damen) 6:27
Dietrich Fischer-Dieskau, Fritz Wunderlich, Hildegard Hillebrecht, Cvetka Ahlin, Sieglinde Wagner, Berliner Philharmoniker, Karl Böhm
11. Du feines Täubchen, nur herein (Monostatos, Pamina, Papageno) 1:47
Friedrich Lenz, Evelyn Lear, Dietrich Fischer-Dieskau, Berliner Philharmoniker, Karl Böhm
12. Dialog “Bin ich nicht ein Narr” 1:22
Dietrich Fischer-Dieskau, Evelyn Lear
13. Bei Männern, welche Liebe fühlen (Pamina, Papageno) 3:19
Evelyn Lear, Dietrich Fischer-Dieskau, Berliner Philharmoniker, Karl Böhm
14. “Zum Ziele führt dich diese Bahn” 10:25
Rosl Schwaiger, Antonia Fahberg, Raili Kostia, Fritz Wunderlich, Hubert Hilten, Martin Vantin, Manfred Röhrl, Hans Hotter, Berliner Philharmoniker, Karl Böhm, RIAS Kammerchor, Günther Arndt
15. “Wie stark ist nicht dein Zauberton” 3:19
Fritz Wunderlich, Dietrich Fischer-Dieskau, Berliner Philharmoniker, Karl Böhm
16. Schnelle Füße, rascher Mut (Pamina, Papageno, Monostatos, Chor) 3:11
Evelyn Lear, Dietrich Fischer-Dieskau, Friedrich Lenz, Berliner Philharmoniker, RIAS Kammerchor, Karl Böhm
17. Es lebe Sarastro! Sarastro lebe! (Chor, Pamina, Sarastro, Papageno, Monostatos, Tamino) 9:04
Dietrich Fischer-Dieskau, Evelyn Lear, Franz Crass, Friedrich Lenz, Fritz Wunderlich, Berliner Philharmoniker, RIAS Kammerchor, Karl Böhm
CD 2: Mozart: Die Zauberflöte, K. 620
Act 2
1. Marsch der Priester 1:24
Berliner Philharmoniker, Karl Böhm
2. Dialog “Ihr eingeweihten Diener der Götter Osiris…” 2:20
Franz Crass, Hubert Hilten, Martin Vantin, Manfred Röhrl
3. O Isis und Osiris (Sarastro, Chor) 2:56
Franz Crass, Berliner Philharmoniker, Karl Böhm, RIAS Kammerchor
4. Dialog “Eine schreckliche Nacht” 1:57
Fritz Wunderlich, Dietrich Fischer-Dieskau, Hubert Hilten, Martin Vantin
5. Bewahret euch vor Weibertücken (Erster Prister, Zweiter Priester) 0:55
Manfred Röhrl, Martin Vantin, Berliner Philharmoniker, Karl Böhm
6. Dialog “He, Lichter her!” (Papageno, Tamino) 0:13
Fritz Wunderlich, Dietrich Fischer-Dieskau
7. “Wie? Wie? Wie? Ihr an diesem Schreckensort?” 3:38
Hildegard Hillebrecht, Cvetka Ahlin, Sieglinde Wagner, Fritz Wunderlich, Dietrich Fischer-Dieskau, Berliner Philharmoniker, Karl Böhm
8. Tamino! Dein standhaft männliches Betragen.. 0:27
Hubert Hilten, Martin Vantin, Dietrich Fischer-Dieskau
9. Alles fühlt der Liebe Freuden (Monostatos) 1:19
Friedrich Lenz, Berliner Philharmoniker, Karl Böhm
10. Mutter! 0:22
Evelyn Lear, Roberta Peters, Friedrich Lenz
11. Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen (Königin der Nacht) 2:56
Roberta Peters, Berliner Philharmoniker, Karl Böhm
12. Dialog “Morden soll ich?” (Pamina, Monostatos, Sarastro) 0:48
Evelyn Lear, Friedrich Lenz, Franz Crass
13. In diesen heil’gen Hallen (Sarastro) 4:04
Franz Crass, Berliner Philharmoniker, Karl Böhm
14. Dialog “Hier seid ihr beide euch allein überlassen” (Sprecher, 2. Prister, Papageno, Tamino, Weib) 1:46
Hubert Hilten, Fritz Wunderlich, Dietrich Fischer-Dieskau
15. “Seid uns zum zweiten Mal willkommen” 1:48
Rosl Schwaiger, Antonia Fahberg, Raili Kostia, Berliner Philharmoniker, Karl Böhm
16. Dialog “Tamino, wollen wir nicht speisen?” 1:08
Evelyn Lear, Fritz Wunderlich, Dietrich Fischer-Dieskau
17. Ach, ich fühl’s, es ist verschwunden (Pamina) 4:30
Evelyn Lear, Berliner Philharmoniker, Karl Böhm
18. O Isis und Osiris (Chor) 3:08
RIAS Kammerchor, Berliner Philharmoniker, Karl Böhm
19. Tamino, deine Haltung war bisher männlich 0:32
Evelyn Lear, Fritz Wunderlich, Franz Crass
20. Soll ich dich, Teurer, nicht mehr sehn? (Pamira, Sarastro, Tamino) 3:01
Evelyn Lear, Fritz Wunderlich, Franz Crass, Berliner Philharmoniker, Karl Böhm
21. Tamino! Tamino! 1:10
Dietrich Fischer-Dieskau, Hubert Hilten
22. Ein Mädchen oder Weibchen (Papageno) 3:55
Dietrich Fischer-Dieskau, Berliner Philharmoniker, Karl Böhm
23. Dialog “Da bin ich schon, mein Engel” (Weib, Papageno, Sprecher) 1:00
Hubert Hilten, Lisa Otto, Dietrich Fischer-Dieskau
24. Bald prangt, den Morgen zu verkünden (Die drei Knaben, Pamina) 6:23
Rosl Schwaiger, Antonia Fahberg, Evelyn Lear, Raili Kostia, Berliner Philharmoniker, Karl Böhm
25. “Der, welcher wandelt diese Straße voll Beschwerden” 5:25
Evelyn Lear, James King, Fritz Wunderlich, Martti Talvela, Berliner Philharmoniker, Karl Böhm
26. Tamino mein, o welch ein Glück (Tamino, Pamina, die Geharnischten) 7:03
Evelyn Lear, Fritz Wunderlich, RIAS Kammerchor, Berliner Philharmoniker, Karl Böhm
27. “Papagena! Papagena!” 8:10
Rosl Schwaiger, Antonia Fahberg, Lisa Otto, Raili Kostia, Dietrich Fischer-Dieskau, Berliner Philharmoniker, Karl Böhm
28. Nur stille, stille, stille, stille! 2:16
Roberta Peters, Hildegard Hillebrecht, Cvetka Ahlin, Sieglinde Wagner, Friedrich Lenz, Berliner Philharmoniker, Karl Böhm
9. Die Strahlen der Sonne vertreiben die Nacht (Sarastro, Chor) 3:15
Franz Crass, RIAS Kammerchor, Berliner Philharmoniker, Karl Böhm
Tamino: Fritz Wunderlich Königin der Nacht: Roberta Peters Pamina: Evelyn Lear Papageno: Dietrich Fischer-Dieskau Papagena: Lisa Otto Sprecher: Hans Hotter Erste Dame: Hildegard Hillebrecht Zweite Dame: Cvetka Ablin Dritte Dame: Sieglinde Wagner Monostatos: Friedrich Lenz Erster Priester: Hubert Hilten Zweiter Priester: Martin Vantin Dritter Priester: Mandred Röhrl Erster Knabe: Rosl Schwaiger Zweiter Knabe: Cvetka Ablin Dritter Knabe: Sieglinde Wagner Erster Geharnischter: James King Zweiter Geharnischter: Martti Talvela
RIAS Kammerchor
Berliner Philharmoniker
Karl Böhm, conductor
Jan Lisiecki é um pianista canadense, filho de pais poloneses e é um dos grandes nomes do piano de sua geração. Tem um dom único, é daqueles jovens músicos que já ganharam diversos prêmios, e de quem ainda iremos ouvir falar muito.
Os dois Concertos para Piano de Mendelssohn estão em muito boas mãos, podem ter certeza. Apesar da idade, ele toca com muita maturidade, e tem um pleno domínio do instrumento. E eu poderia dizer o mesmo de outras gravações suas, que inclusive já postei por aqui. Eis alguns comentários da crítica especializada:
“Jan Lisiecki. Remember the name.”- The Financial Times.
“A gift too rare to be squandered”- Gramophone Magazine
“Pristine, lyrical and intelligent”- The New York Times
“Perhaps the most ‘complete’ pianist of his age”
Então, senhores,preciso dizer que esta sua gravação de Mendelssohn é IM-PER-DÍ-VEL ???
Concerto for Piano and Orchestra No. 1 in G minor op. 25
1 1. Molto allegro con fuoco
2 2. Andante
3 3. Presto – Molto allegro e vivace
17 Variations sérieuses in D minor op. 54 d-Moll
4 Tema. Andante sostenuto
5 Variation 1
6 Variation 2. Un poco più animato
7 Variation 3. Più animato
8 Variation 4. Sempre staccato e leggiero
9 Variation 5. Agitato. Legato ed espressivo
10 Variation 6. A tempo
11 Variation 7. Con fuoco
12 Variation 8. Allegro vivace
13 Variation 9
14 Variation 10. Moderato
15 Variation 11. Cantabile
16 Variation 12. Tempo del tema
17 Variation 13. Sempre assai leggiero. Sempre assai marcato
18 Variation 14. Adagio
19 Variation 15. Poco a poco più agitato
20 Variation 16. Allegro vivace
21 Variation 17
Concerto for Piano and Orchestra No. 2 in D minor op. 40
22 1. Allegro appassionato
23 2. Adagio. Molto sostenuto – attacca
24 3. Finale. Presto scherzando
Rondo capriccioso in E major op. 14 E-Dur
25 Andante
26 Presto leggiero
27 Song Without Words in G minor “Venetian Gondola Song” op. 19b/6
Jan Lisiecki piano
Orpheus Chamber Orchestra (1–3 & 22–24)
Este Concerto para Violoncelo de Schumann provavelmente é o mais belo já composto para este instrumento. É o apogeu do romantismo, e o jovem Gautier Capucon está muito bem acompanhado aqui, sendo acompanhado por Bernard Haitink e a Chamber Orchestra of Europe. E nas obras de Câmara ele é acompanhado por sua ‘madrinha’ Martha Argerich. Só tem fera aqui, queridos.
Lembro de ter ouvido este concerto pela primeira vez com Pierre Fournier, e foi um LP que ouvi muito, até riscar. Sempre terei por essa gravação um carinho muito especial. Mas o tempo passa e a nova geração vem com tudo, mostrando um talento incrível, com novas possibilidades de interpretação graças ao desenvolvimento da técnica.
Eis mais um belo CD para ser apreciado em uma chuvosa tarde de domingo, sentado em uma boa poltrona, e se possível, degustando um bom vinho.
01. Cello Concerto in A Minor, Op. 129 I. Nicht zu schnell (Live)
02. Cello Concerto in A Minor, Op. 129 II. Langsam (Live)
03. Cello Concerto in A Minor, Op. 129 III. Sehr lebhaft (Live)
04. Adagio and Allegro in A-Flat Major, Op. 70 I. Langsam, mit innigem Ausdruck (Live)
05. Adagio and Allegro in A-Flat Major, Op. 70 II. Allegro, rasch und feurig (Live)
06.Phantasiestücke, Op. 73 I. Zart und mit Ausdruck (Live)
07. Phantasiestücke, Op. 73 II. Lebhaft, leicht (Live)
08. Phantasiestücke, Op. 73 III. Rasch und mit Feuer (Live)
09. 5 Stücke im Volkston, Op. 102 I. Mit Humor – Vanitas vanitatum (Live)
10. 5 Stücke im Volkston, Op. 102 II. Langsam (Live)
11. 5 Stücke im Volkston, Op. 102 III. Nicht schnell, mit viel Ton zu spielen (Live)
12. 5 Stücke im Volkston, Op. 102 IV. Nicht zu rasch (Live)
13. 5 Stücke im Volkston, Op. 102 V. Stark und markiert (Live)
14. Phantasiestücke, Op. 88 I. Romanze. Nicht schnell, mit innigem Ausdruck (Live)
15. Phantasiestücke, Op. 88 II. Humoreske. Lebhaft (Live)
16. Phantasiestücke, Op. 88 III. Duett. Langsam und mit Ausdruck (Live)
17. Phantasiestücke, Op. 88 IV. Finale. Im Marsch-Tempo (Live)
Gautier Capucon – Cello
Martha Argerich – Piano
Chamber Orchestra of Europe
Bernard Haitink – Conductor
Todos conhecem ‘Carmina Burana’, principalmente o Coral ‘Fortuna Imperatrix Mundi‘, que abre e fecha a obra. O que poucos sabem é que esta Cantata faz parte de uma trilogia, denominada ‘Trionfi’, da qual ainda fazem parte ‘Catulli Carmina ” e ‘Trionfo di Afrodite”.
É com esta trilogia que abro esta coleção, denominada ‘Magie und Rythmus’, que traz a obra de Carl Orff, este incrível, amado e odiado compositor alemão do século XX.
E para quem hoje está com seus cinquenta e poucos anos de idade, e era frequentador assíduo de Cineclubes em suas cidades, devem lembrar do maldito “Saló, ou os 120 Dias de Sodoma”, filme do cineasta italiano Pier Paolo Pasolini, em que são utilizadas algumas partes da ‘Carmina Burana’. Eram cenas de forte impacto, que faziam com que a sala de cinema muitas vezes se esvaziasse, pois muita gente não aguentava a violência das imagens. Lembro que quando fui assistir, apenas umas 20 pessoas ficaram até o final, eu e um amigo, inclusive, e a sessão havia começado com a sala cheia, com uns 150 espectadores, alguns inclusive sentados no chão, pois não haviam mais lugares disponíveis. Muitos saíram indignados, xingando Pasolini dos mais diversos impropérios, sendo ‘maluco’ o mais leve deles. Era um filme para chocar, e Pasolini foi muito ‘feliz’ na escolha da trilha sonora. Não sei nem fui atrás de maiores detalhes, mas a impressão que o filme me passou foi a de que ele editou o filme no ritmo da música, mesmo que esta houvesse sido composta há mais de quarenta e cinco anos.
Mas Pasolini à parte, o destaque aqui é a música de Carl Orff. Esta coleção tem 10 cds, e creio que tem toda a produção do compositor. Eugen Jochum é o responsável pela maior parte das gravações, realizadas em sua grande maioria ainda nos anos 50, com exceção do último CD, já gravado nos anos 90.
Então vamos ao que viemos.
CD 1 –
01 – Fortuna Imperatrix Mundi – O Fortuna
02 – Fortuna Imperatrix Mundi – Fortune plango vulnera
03 – Primo Vere – Veris leta facies
04 – Primo Vere – Omnia Sol temperat
05 – Primo Vere – Ecce gratum
06 – Uf dem anger – Tanz
07 – Uf dem anger – Floret silva
08 – Uf dem anger – Chramer, gip die varwe mir
09 – Uf dem anger – Reie
10 – Uf dem anger – Swaz hie gat umbe
11 – Uf dem anger – Chume, chum, geselle min!
12 – Uf dem anger – Were diu werlt alle min
13 – In Taberna – Estuans interius
14 – In Taberna – Olim lacus colueram
15 – In Taberna – Ego sum abbas
16 – In Taberna – In taberna quando sumus
17 – Cour D’Amours – Amor volat undique
18 – Cour D’Amours – Dies, nox et omnia
19 – Cour D’Amours – Stetit puella
20 – Cour D’Amours – Circa mea pectora
21 – Cour D’Amours – Si puer cum puellula
22 – Cour D’Amours – Veni, veni, venias
23 – Cour D’Amours – In trutina
24 – Cour D’Amours – Tempus est iocundum
25 – Cour D’Amours – Dulcissime
26 – Blanziflor et Helena – Ave formosissima
27 – Fortuna Imperatrix Mundi – O Fortuna (2)
Elfride Tröschel – Soprano
Paul Kuen – Tenor
Hans Braun – Baritone
Chor Und Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunk Eugen Jochum – Conductor
01 – Chor – Chorus- Eis aiona! (Ewig, ewig! – For ever!)
02 – Actus I (Ich hasse und ich liebe – I hate and I love)
03 – Actus II (Jucundum, mea vita, mihi proponis amorem)
04 – Actus III Odi et amo (Ich hasse und ich liebe – I hate and I love)
05 – Exodium Chor – Chorus- Eis aiona! (Ewig, ewig! – For ever!)
Annelies Kupper – Soprano
Richard Holm – Tenor
Chor Und Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunk
Eugen Jochum – Conductor
01 – Canto amebo di vergine e giovani a Vespero in attesa della sposa
02 – Corteo nuziale ed arrivo della sposa e dello sposo
03 – Sposa e sposo
04 – Invocazione dell` lmeneo
05 – Ludi e canti nuziali davanti al talamo
06 – Canto dei novelli sposi dal talamo
07 – Apparizione di Afrodite
Annelies Kupper – Soprano
Elizabeth Lindermeier – Soprano
Elizabeth Wiese-Lange – Soprano
Richard Holm – Tenor
Ratko Delorko – Tenor
Kurt Böehme – Bass
Chor Und Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunk Eugen Jochum – Conductor
Friedrich Gulda não foi apenas um pianista clássico, o cara também era um baita músico de Jazz, e já trouxemos suas incursões nessa área em outras postagens. Gulda era também um cara inquieto. Brigou algumas vezes com establishment, se afastou dos palcos e das grandes orquestras, e foi tocar Jazz.
Nikolaus Harnoncourt também foi um cara inquieto. Inquieto com a forma com que se tocava a música barroca, criou uma nova escola de interpretação para este estilo, junto com os irmãos Kujiken e com Gustav Leonhardt e eles nos mostraram que Bach também poderia ser tocado de outra forma, com instrumentos semelhantes aos que eram usados na época em que foram compostos, e nas mesmas formas de se tocar da época também. Ele era um descendente direto dos Habsburgs, família nobre européia que administrou o continente por séculos. Ou seja, o cara ainda tinha sangue azul.
Juntem dois músicos deste porte, e acrescente-se a essa fórmula a melhor orquestra sinfônica dos últimos cinquenta anos, os holandeses do Concertgebouw de Amsterdam. O resultado? Bem, veja bem … vejo estes registros mais como um encontro de amigos rebeldes, que ainda tentam fugir ao establishment.
De qualquer forma, é Mozart, senhores. Interpretado por dois dos maiores músicos do Século XX. E isso não é pouca coisa.
1 Mozart – Piano Concerto No.26 in D major K537, ‘Coronation’ – I Allegro
2 Mozart – Piano Concerto No.26 in D major K537, ‘Coronation’ – II Larghetto
3 Mozart – Piano Concerto No.26 in D major K537, ‘Coronation’ – III Allegretto
4 Mozart – Piano Concerto No.23 in A major K488 – I Allegro
5 Piano Concerto No.23 in A major K488 – II Adagio
6 Mozart – Piano Concerto No.23 in A major K488 – III Allegro assai
Friedrich Gulda – Piano
Royal Concertgebow Orchestra
Nikolaus Harnoncourt – Conductor
Hoje trago mais um CD desta incrível flautista israelense, Sharon Bezaly. E hoje o negócio é peso pesado, pois ela encara dois petardos, o Concerto para Flauta de Khachaturian, originalmente composto para violino, e transcrito para flauta por Jean Pierre Rampal, que também contribuiu com a cadenza que Bezaly toca aqui, um Concerto para Flauta do compositor finlandês Ratavaara. Diga-se de passagem que o Concerto original para violino foi dedicado e estreado por David Oistrakh, ou seja, o cara só frequentava altos círculos.
Esse concerto de Khachaturian é de um grau de dificuldade insano. Sharon Bezaly fez sua estréia nos palcos foi aos 13 anos de idade com a regência de Zubin Mehta. Diversos compositores já lhe dedicaram obras, como Kalevi Aho e Sofia Gubaldulina.
A outra curiosidade nesta gravação do selo BIS é ela ser acompanhada pela nossa Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, dirigida pelo maestro mexicano Enrique Diemecke.
A segunda obra deste CD é de autoria do compositor finlandês Einojuhani Rautavaara, que assim se descreve, em entrevista concedida em 1999:
“‘I was born in 1928 – fortunately in Finland. Fortunately, because this is a country with dramatic destinies, situated between east and west, between Tundra and Europe, between the Lutheran and Orthodox faiths. It is full of symbols, of ancient metaphors, revered archetypes.’
Neste incrível Concerto o solista precisa se revezar entre quatro tipos de flauta. Maiores detalhes vocês podem encontrar no booklet se segue em anexo ao arquivo compactado.
Espero que apreciem. Já conhecia o Concerto de Khachaturian, tanto a versão para Violino quanto para Flauta, e a obra de Rautavaara é uma agradável surpresa, que permite que Sharon Bezaly demonstre todo o seu talento.
KHACHATURIAN, Aram (1903–78)
Concerto for Flute and Orchestra (Sikorski) (transcribed and provided with a cadenza by Jean-Pierre Rampal)
I. Allegro con fermezza
II. Andante sostenuto
III. Allegro vivace
RAUTAVAARA, Einojuhani (b.1928)
Flute Concerto, Op.69, ‘Dances with the Winds’ (Original version for four flutes)
I. Andantino
II. Vivace
III. Andante moderato
IV. Allegro
Revised version for three flutes
I. Andantino
II. Vivace
III. Andante moderato
IV. Allegro TT:
Sharon Bezaly flute
[1–3] São Paulo Symphony Orchestra (OSESP)
Enrique Diemecke conductor
[4–11] Lahti Symphony Orchestra (Sinfonia Lahti)
Dima Slobodeniouk conductor
Sharon Bezaly é um dos grandes nomes da flauta na atualidade. É jovem (ou ao menos aparenta, já que nasceu em 1972), ou seja, tem muito a contribuir ainda, muito versátil, e encara com tranquilidade petardos como este Concerto de Nielsen que temos neste CD, e o de Kachaturian, que pretendo trazer amanhã, ou depois de amanhã. Destaque especial para o arranjo que Kalevi Aho fez em 2008 do “Vôo do Besouro” de Korsákov e lhe dedicou e que fecha este CD.
Aqui nesta gravação ela é acompanhada pelo experiente maestro Neeme Järvi, que conduz a Residentie Orkest den Haag.
P.S. O booklet com maiores informações está anexo ao arquivo compactado.
NIELSEN, Carl (1865–1931) Concerto for Flute and Orchestra, FS119 (1926)
I. Allegro moderato
II. Allegretto, un poco – Adagio ma non troppo – Allegretto – Poco Adagio – Tempo di Marcia
GRIFFES, Charles Tomlinson (1884–1920) Poem for Flute and Orchestra(1918)
Andantino
REINECKE, Carl (1824–1910) Concerto for Flute and Orchestra in D major Op.283 (1908)
I. Allegro molto moderato 7’02
II. Lento e mesto 4’44
III. Finale. Moderato 6’08
CHAMINADE, Cécile (1857–1944) Concertino for Flute and Orchestra (Enoch & Cie) Op.107 (1902)
Moderato
TCHAIKOVSKY, Pyotr Ilyich (1840–93) adapted by Ernest Sauter
Largo and Allegro for two flutes and strings (1863–64) Version for solo flute and strings (Verlag Walter Wollenweber)
POULENC, Francis (1899–1963) orch. Lennox Berkeley Flute Sonata (1956–57) (Chester Music) 11’27
I. Allegro malinconico 4’22
II. Cantilena. Assez lent 3’32
III. Presto giocoso 3’21
RIMSKY-KORSAKOV, Nikolai (1844–1908) arr. Kalevi Aho 2008 –dedicated to Sharon Bezaly The Flight of the Bumblebee (1899–1900) (Fennica Gehrman)
Presto
Sharon Bezaly flute
Residentie Orkest Den Haag
Neeme Järvi conductor
Este CD vai em homenagem à todos aqueles românticos babões, como este que vos escreve, que sempre se emocionam com as obras do polonês Chopin, mesmo que já as tenham ouvido dezenas, quiçá, centenas de vezes.
Daniil Trifonov é um dos grandes nomes do piano da atualidade, sem dúvida nenhuma. E esta sua parceria com o também pianista, regente e compositor Mikhail Pletnev, e claro, russo como ele, é uma grande prova disso. Os fãs destes concertos vão notar que existe uma diferença na parte orquestral, e aí é que entra Pletnev, que reescreveu essa parte. Li em certa ocasião que aí residia um dos grandes problemas destes concertos: a parte orquestral, que não seria a praia de Chopin. Alguns excessos desnecessários, diziam os críticos. Pletnev realmente deu um trato, digamos assim, enxugou estas partes. Volto a repetir, os fãs dos concertos e ouvintes destas obras há décadas, como este que vos escreve, irão entender do que estou falando. Aliás, antes de ouvir com mais atenção esta gravação, ouvi a histórica gravação de Samson François, lá do final dos anos 50, com a regência de Louis Fremaux, uma de minhas leituras favoritas. E Samson François foi um dos maiores intérpretes de Chopin do século XX.
Mas vamos ouvir o que Trifonov tem a dizer:
“Chopin revolutionized the expressive horizons of the piano. From very early in his musical output, Chopin’s lyrical grace, thematic sincerity, harmonic adventure and luminous virtuosity embodied all the qualities the Romantics, like Schumann, found irresistible.”
O texto do booklet continua a análise:
“In the context of these diverse works composed or inspired by Chopin, a new light is cast on his two piano concertos, written in close succession when he was turning 20. The F minor “Second” Concerto was in fact composed and premiered first, although it was published after the E minor “First” Concerto. Yet irrespective of sequence, the two works can be understood together as a singular experiment in a genre to which Chopin never returned. They reflect the young composer’s creative consciousness paying homage to his musical predecessors while searching for new expressive means. As Trifonov explains: “The concertos are more massive in terms of length and instrumentation than anything else Chopin ever wrote. He knew and admired the piano concertos of Mozart and Beethoven, yet his interest in the form was not in the Classical balance between soloist and orchestra, but in the concerto as a lyrical epic form, like a Delacroix painting, providing a huge tableau for his musical expression.”
The experiment was only partly successful. While the E minor Concerto is more bravura and the F minor more introversion, they are both full of candid sentiment, drama and pianistic innovation, their central movements evoking bel canto melodies of heartbreaking intimacy. But the proportions are challenging. Chopin eschews the Classical convention of discrete cadenzas, instead subsuming all elements of thematic variation and technical development in a continuous soloistic narrative. His typically delicate, improvisational style and compact elegance can get lost in the sprawling dimensions of the works, the authenticity of whose orchestrations have always been a matter of debate. In both concertos, the piano plays almost uninterruptedly from the solo introduction in the first movement exposition through to the final bars. Yet, as the soloist winds and twists and explores melodic nuances, the original orchestral accompaniment provides punctuation and amplitude but little affinity with this flow of ideas. It was the desire to restore these two works to more chamberlike proportions commensurate with the detail of the solo material and to allow for more faithful interaction between soloist and orchestra that motivated Mikhail Pletnev to create new orchestrations for the two Chopin concertos. The piano parts are unaltered, but Pletnev’s streamlined instrumentation, in Trifonov’s words, “liberates the soloist. The new orchestral transparency allows the pianist greater spontaneity and sensitive engagement with the other voices.” Himself a brilliant pianist-composer, Pletnev’s intimate knowledge of the scores as both performer and orchestrator make him an ideal partner in Trifonov’s Chopinist evocations. The Mahler Chamber Orchestra, a dynamic ensemble of soloists steeped in the responsiveness demanded by opera and chamber music, realizes Pletnev’s refreshed balances of voice and colour. Pletnev’s contribution to the musical constellation is not only material, but also spiritual. As Trifonov explains: “My mentor and teacher, Sergei Babayan, studied with Mikhail Pletnev in Moscow in the 1980s. That makes him a little bit like my musical forefather.” The family portrait is completed on this album by a rendition of Chopin’s rarely heard and devilishly difficult Rondo op. posth. 73, performed by Trifonov and Babayan together. This autobiographical element closes the circle of thematic motives in Trifonov’s project revolving around Chopin. “Chopin is one of the world’s most beloved composers – the poetry of his music goes straight to the heart and requires no justification”, Trifonov contends. “But in a sense, the genius of Chopin becomes even more clear in the context of those who influenced him and those who have been inspired by him.” The programme affords an opportunity to hear his familiar music afresh, transfigured within a tapestry of historical, musicological, personal and expressive “evocations”, as well as a glimpse of the young man to whose “genius, steady striving, and imagination” Schumann bowed his head.”
Espero que apreciem. Eu gostei muito deste CD.
CD 1
FRÉDÉRIC CHOPIN (1810–1849)
Concerto for Piano and Orchestra No. 2 in F minor op. 21 f-Moll | en fa mineur
1 1. Maestoso
2 2. Larghetto
3 3. Allegro vivace
Daniil Trifonov piano
Mahler Chamber Orchestra
Mikhail Pletnev
Variations on “Là ci darem la mano” from the opera Don Giovanni by W. A. Mozart in B flat major op. 2 B-Dur | en si bémol majeur
4 Introduction. Largo – Poco più mosso
5 Tema. Allegretto
6 Var. 1. Brillante
7 Var. 2. Veloce, ma accuratamente
8 Var. 3. Sempre sostenuto
9 Var. 4. Con bravura
10 Var. 5. Adagio
ROBERT SCHUMANN (1810–1856)
12 Chopin. Agitato 1:30 No. 12 from Carnaval op. 9
EDVARD GRIEG (1843–1907)
13 Study “Hommage à Chopin” op. 73 no. 5. Allegro agitato
SAMUEL BARBER (1910–1981)
14 Nocturne op. 33. Moderato
PYOTR ILYICH TCHAIKOVSKY (1840–1893)
15 Un poco di Chopin op. 72 no. 15. Tempo di Mazurka
1 Rondo for Two Pianos in C major op. posth. 73 n ut majeur
Daniil Trifonov, Sergei Babayan pianos
Concerto for Piano and Orchestra No. 1 in E minor op. 11 e-Moll
2 1. Allegro maestoso
3 2. Romance. Larghetto
4 3. Rondo. Vivace
Daniil Trifonov piano
Mahler Chamber Orchestra
Mikhail Pletnev
FREDERIC MOMPOU (1893–1987) Variations on a Theme by Chopin
5 Theme. Andantino
6 Var. 1. Tranquillo e molto amabile
7 Var. 2. Gracioso
8 Var. 3. Lento (Para la mano izquierda / For the left hand)
9 Var. 4. Espressivo
10 Var. 5. Tempo di Mazurka
11 Var. 6. Recitativo
12 Var. 7. Allegro leggiero
13 Var. 8. Andante dolce e espressivo
14 Var. 9. Valse
15 Var. 10. Évocation. Cantabile molto espressivo
16 Var. 11. Lento dolce e legato
17 Var. 12. Galope y Epílogo 3:19
FRÉDÉRIC CHOPIN
18 Impromptu No. 4 in C sharp minor 5:36 “Fantaisie-Impromptu” op. 66
Vamos continuar nossa saga de apresentar os grandes músicos do passado, e trazer um russo que olha, o cara não era fraco não… já contei aqui uma pequena anedota: quando Emil Gilels veio se apresentar nos Estados Unidos pela primeira vez foi muito elogiado. Seu comentário então foi : ‘se vocês acham que eu toco muito deveriam ouvir meu amigo, Sviatoslav Richter. Esse é o cara !!’
Essa coleção da DECCA se intitula “Richter The Master”, e tem diversos volumes. Aleatóriamente, escolhi este aqui, também dedicado a Beethoven. Uma informação importante: estas gravações aqui são bem mais recentes que aquelas que eu trouxe anteriormente dos Arturs… são quarenta anos que as separam, pois estas aqui foram registradas ao vivo com o grande pianista russo já adentrado nos setenta e tantos anos, ali em 1986. É também sabido que a memória já o vinha traindo, por isso se utilizava das partituras em suas apresentações. Mas isso não tira o mérito. Identificamos aqui um músico em seu apogeu, dono e conhecedor de seus talentos, e profundo conhecedor daquilo que está tocando. Eu contei que é tudo ao vivo? Com direito a tosses, ranger de cadeiras, etc? É mais emocionante assim, né?
CD 1
01. Sonata No. 18 in E Flat, Op. 31 No. 3 – 1. Allegro
02. Sonata No. 18 in E Flat, Op. 31 No. 3 – 2. Scherzo. Allegretto vivace
03. Sonata No. 18 in E Flat, Op. 31 No. 3 – 3. Menuetto. Moderato e grazioso
04. Sonata No. 18 in E Flat, Op. 31 No. 3 – 4. Presto con fuoco
05. Rondo in C, Op. 51 No. 1
06. Rondo in G, Op. 51 No. 2
07. Sonata No. 28 in A, Op. 101 – 1. Etwas lebhaft und mit der innigsten Empfindu
08. Sonata No. 28 in A, Op. 101 – 2. Lebhaft, marschmassig. Vivace alla marcia
09. Sonata No. 28 in A, Op. 101 – 3. Langsam und sehnsuchtsvoll. Adagio ma non tr
10. Sonata No. 28 in A, Op. 101 – 4. Geschwind, doch nicht zu sehr, und mit Entsc
01. Piano Trio No. 7 in B flat, Op. 97 ‘Archduke’ – 1. Allegro moderato
02. Piano Trio No. 7 in B flat, Op. 97 ‘Archduke’ – 2. Scherzo. Allegro
03. Piano Trio No. 7 in B flat, Op. 97 ‘Archduke’ – 3. Andante cantabile, ma pero
04. Piano Trio No. 7 in B flat, Op. 97 ‘Archduke’ – 4. Allegro moderato
Sviatoslav Richter – Piano
Members of Borodin Quartet:
Mikhail Kopelmann – Piano
Valentin Berlinsky – Cello
05. Quintet in E flat, Op. 16 – 1. Grave – Allegro ma non troppo
06. Quintet in E flat, Op. 16 – 2. Andante cantabile
07. Quintet in E flat, Op. 16 – 3. Rondo. Allegro, ma non troppo
Members of the Quintette Moragués
David Walter – Oboe
Pascal Moragués – Clarinet
Pierre Moragués – Horn
Patrick Vilaire – Basson
Como sei que os senhores gostaram daqueles históricos registros do Artur Schnabel tocando Beethoven, resolvi fuçar no baú e encontrei esta outra preciosidade, e também trazendo dois gigantes do século XX, o outro Arthur, mas desta vez o Rubinstein, sendo dirigido por ninguém menos que Arturo Toscanini, o mítico maestro italiano. Esta gravação tem uma história interessante, que tentarei resumir abaixo.
O próprio Rubinstein sempre declarou que tinha um grande desejo de ser dirigido por Toscanini, porém suas agendas sempre eram incompatíveis. A ocasião apareceu quando ele foi convidado a tocar este Concerto de nº3 com o italiano, porém havia um problema: Ele tinha um recital de Chopin para apresentar no Carnegie Hall de noite. Mas conseguiram a façanha: ensaiaram o Concerto na parte da manhã, gravaram de tarde e duas horas após o término desta apresentação, ele foi para o Carnegie Hall cumprir seu contrato, com um repertório dedicado a Chopin. É ou não é coisa de gente grande? Ah, era sabido que Toscanini não gostava de tocar com músicos solistas, então o tal do ensaio foi bem complicado, pois o maestro não quis parar para corrigir detalhes, ou falhas. Eles tinham concepções diferentes relacionadas à obra, mas no momento da gravação, a genialidade de ambos tornou possível a presente gravação. O próprio Rubinstein a considera um dos melhores momentos de sua carreira discográfica.
Rubinstein, Toscanini, NBC Symphony Orchestra … fala sério, vocês nem vão levar muito em consideração que este registro foi realizado em 1944, né? Isso aconteceu há apenas setenta e cinco anos …
Ah, comparada com a gravação do outro Artur, o Schnabel, o trabalho dos engenheiros da RCA Victor, ou Sony nos dias de hoje, não foi lá grandes coisas, pois estão presentes aqueles típicos chiados das gravações antigas. Mas em se tratando de quem está tocando, isso soa como mero detalhe.
Preciso dizer que temos aqui um registro absolutamente IM-PER-DÍ-VEL ?
01. Concerto for Piano and Orchestra No. 3 in C minor, Opus 37_ I. Allegro con brio
02. Concerto for Piano and Orchestra No. 3 in C minor, Opus 37_ II. Largo
03. Concerto for Piano and Orchestra No. 3 in C minor, Opus 37_ III. Rondo. Allegro
04. Sonata for Piano No. 18 in E-flat major, Opus 31, No. 3_ I. Allegro
05. Sonata for Piano No. 18 in E-flat major, Opus 31, No. 3_ II. Scherzo_ Allegretto vivace
06. Sonata for Piano No. 18 in E-flat major, Opus 31, No. 3_ III. Menuetto_ Moderato e grazioso
07. Sonata for Piano No. 18 in E-flat major, Opus 31, No. 3_ IV. Presto con fuoco
08. Sonata for Piano No. 23 in F minor, Opus 57 ‘Appassionata’_ I. Allegro assai
09. Sonata for Piano No. 23 in F minor, Opus 57 ‘Appassionata’_ II. Andante con moto
10. Sonata for Piano No. 23 in F minor, Opus 57 ‘Appassionata’_ III. Allegro non troppo
Arthur Rubinstein – Piano
NBC Symphony Orchestra
Arturo Toscanini – Conductor
Graças a tecnologia temos acesso a estes históricos registros de Artur Schnabel, para muitos críticos o maior pianista da primeira metade do século XX e um dos maiores intérpretes de Beethoven de todos os tempos. Esta caixa de onde tirei estes registros destas sonatas ainda tem Mozart, Schubert e Brahms.
São gravações realizadas entre 1933 e 1935, e os os engenheiros de som fizeram um belo trabalho aqui, conseguido retirar aqueles ruídos característicos destas gravações antigas. Ou seja, temos aqui registros com mais de 80 anos de idade, olhem que beleza. E viva a tecnologia.
E com relação a interpretação? Bem, em se tratando de Beethoven, diria que Schnabel ajudou a pavimentar a estrada por onde vieram outros gigantes do século XX, como Rubinstein, Richter, Gilels, Kempff, para citar apenas alguns. Posso não concordar com algumas escolhas, e isso seria normal, afinal nossos ouvidos estão acostumados a outras possibilidades criadas pelos nomes acima citados, mas não seria maluco a ponto de dizer que são ultrapassadas, e que deveriam ficar cobertas pelas areias do tempo.
Se os senhores gostarem, trago o restante do material. Vale e muito a pena ouvir.
01. Klaviersonate Nr.14 in cis-moll op.27 Nr.2 ‘Mondschein’ I. Adagio sostenuto
02. Klaviersonate Nr.14 in cis-moll op.27 Nr.2 ‘Mondschein’ II. Allegretto & Trio
03. Klaviersonate Nr.14 in cis-moll op.27 Nr.2 ‘Mondschein’ III. Presto Agitato
04. Klaviersonate Nr.15 in D-Dur op.28 ”Pastorale’ I. Allegro
05. Klaviersonate Nr.15 in D-Dur op.28 ”Pastorale’ I. Andante
06. Klaviersonate Nr.15 in D-Dur op.28 ”Pastorale’ I. Scherzo (Allegro vivace)
07. Klaviersonate Nr.15 in D-Dur op.28 ”Pastorale’ IV. Rondo (Allegro ma non tro
08. Klaviersonate Nr.16 in G-Dur op.31 Nr.1, I. Allegro vivace
09. Klaviersonate Nr.16 in G-Dur op.31 Nr.1, II. Adagio grazioso
10. Klaviersonate Nr.16 in G-Dur op.31 Nr.1, III. Rondo (Allegretto)
Em 2003, o violinista Richard Schmoucler apostou na criação de um conjunto intermediário entre o academismo clássico e a música de Klezmer e Gipsy: o Octeto de Sirba. Ele uniu forças com cinco de seus amigos músicos da Orquestra de Paris e da Orquestra Nacional de França, bem como um pianista, um tradicional percussionista e com Cyrille Lehn, que se tornou o arranjador inseparável do conjunto. Seu fundador originalmente não tinha a vontade de transmitir, mas propunha programas musicais relacionados às suas memórias de infância e reuniões familiares durante as quais a música iídiche e cigana criava laços de amor e alegria no ritmo de danças e melodias.
Seu patrimônio oral e intangível de música popular do leste europeu que seus pais e avós o transmitiram seria a fonte de inspiração de Richard Schmoucler ao longo de seus processos de concepção musical para o Octeto de Sirba. Para os músicos, é um encontro entre o Oral e
Tradição escrita, uma mistura de música clássica e mundial, que define o conjunto em um universo sem precedentes: o da música clássica do mundo. Esta formação prestigiosa e virtuosa encontrou o seu público e encontrou sucesso muito rapidamente graças a uma grande energia contagiante. Um primeiro álbum, A ‘Yiddishe Mame’, foi lançado em 2005 pela Naïve Classique. Sirba então cruzou o caminho da cantora Isabelle Georges. Eles criaram um programa que une seus respectivos playgrounds musicais, entre repertórios musicais tradicionais e americanos. O álbum ‘Du Shtetl à New York’, lançado na Naïve Classics em 2009, originou-se deste encontro. Sua cumplicidade persistiu para uma criação orquestral e um terceiro álbum em 2010: ‘Yiddish Rhapsody’. Esta comissão mútua do Octeto de Sirba e da Orquestra de Pau / Pays de Béarn sob a batuta de Fayçal Karoui conheceu outras orquestras francesas e estrangeiras desde a sua origem e apresentações no Théâtre des Champs-Elysées em Paris, no Musikverein e no Japão.
Richard Schmoucler dedica-se incansavelmente ao repertório do Leste Europeu e escolheu honrar as músicas das danças tradicionais em um novo álbum intitulado ‘Tantz!’. Foi lançado pela primeira vez em 2015 no Dolce Volta, e reeditado pela Deutsche Grammophon em 2017. Em 2015, a amizade entre o Sirba Octet e a Orquestra de Pau / Pays de Béarn levou-os a criar um novo programa: Sirba Orchestra! o coração das melodias russas, romenas e moldavas e as tradições Ashkenazi. Sirba Octet convidou Nicolas Kedroff e seu instrumento mágico da Rússia, a balalaica, para sublimar alguns números.
Um caminho sem fronteiras com múltiplos tons, festivo, melancólico ou apaixonado. Um cabaré russo que celebra canções de amor – Otchi Tchornye (Olhos escuros), Ja Vstretil vas (eu conheci você) ou Kalinka – e seu indispensáveis romances agradáveis como Cocher ralentis tes chevaux ou Katioucha – uma jovem apaixonada por um soldado que estava de serviço para defender sua terra natal … Numerosas histórias de vida e emoções se acumulando ao redor da peça orquestral central de Yidish Gayen zay em shvartze Reien, uma canção do gueto tanto iluminante e profundamente em movimento. Atraídos das canções folclóricas judaicas que fizeram as Barry Sisters, Sirba Octet reinterpreta Zug e Meir Noch Amool (Tell Me One More Time) e, assim, estabelece uma ponte musical em uma sensação de Jazz do Yiddish 50. O Octeto de Sirba, a orquestra e a balalaica respondem sucessivamente e naturalmente deslizam para o repertório de cabaret russo cigano – notavelmente com a famosa canção Valenki (Felt Boots), escrita por ciganos nômades – e danças tradicionais romenas ou moldavas – Tata vine pastele ( Papai, a Páscoa está chegando!) E a Suite de Moldavie, uma mistura de Doinas, canções que se originaram entre pastores.
Esse rico programa feito de contos, um projeto musical surpreendente para três solistas, ganhou vida com Sirba Octet e graças ao talento da Orquestra Filarmônica Royal de Liège, dirigido por Christian Arming e Nicolas Kedroff … antes da próxima jornada musical da Orquestra Sirba com outros conjuntos sinfônicos.
1 – Katioucha Otchi Tchornye
2 – Valenki
3 – Cocher, ralentis tes chevaux
4 – Tata, vine pastele
5 – Kalinka
6 – Farges mikh nit Zug es Meir Noch Amool
7 – Le temps du muguet
8 – Ya Vstretil Vas
9 – Gayen zay in shvartze Reien
10 – Hora Moldoveneasca Theme des Lautarii De la Cluj la Chisinau
11 – Azol Tanzmen
12 – Dos Broitele A Vaible a Tsnien
13 – Suite de Moldavie Jelea din Bosanci (doïna) Hora din Granicesti Sirba Lui Nutu
Richard Schmoucler Violon
Laurent Manaud-Pallas Violon
David Gaillard Alto
Claude Giron Violoncelle
Bernard Cazauran Contrebasse
Philippe Berrod Clarinette
Christophe Henry Piano
Iurie Morar Cymbalum
Nicolas Kedroff Invité spécial / Special guest / Ehrengast Balalaïka / Balalaika / Balalaika
Orchestre Philharmonique Royal de Liège
Christian Arming
“Spectrum – uma grande variedade. Este é o termo que melhor descreve a intenção do meu CD de estréia. Assim como minha vida musical com músico de orquestra e músico de câmara, solista e professor inclui uma variedade de diferentes facetas, a música para essa gravação foi deliberadamente escolhida para refletir a vasta gama de literatura de clarinete e riqueza de expressão que é possível neste maravilhoso instrumento. Em latim, no entanto, “espectro” também significa algo como “concepção” ou “imagem na alma” – também se pode falar de inspiração. Um espírito imanente que guia tanto compositores como intérpretes e que, à sua maneira, dá vida a todas as obras deste CD, conectando-as como um fio comum.”
Assim o jovem clarinetista Christoph Schneider apresenta seu CD de estréia. O jovem virtuose escolheu um belo e variado repertório para mostrar seus talentos, incluindo ai uma obra de sua própria autoria. Vale a audição exatamente pelo excepcional músico que Schneider é, o que pode ser observado já na primeira obra, uma peça de Carl Maria von Weber, compositor que escreveu diversas peças para o instrumento, inclusive dois concertos.
Carl Maria von Weber (1786–1826)
Grand Duo concertant op. 48 Es-Dur für Klarinette und Klavier (1815/16)
01 Allegro con fuoco
02 Andante con moto
03 Rondo. Allegro
Alban Berg (1885–1935) Vier Stücke op. 5 für Klarinette und Klavier (1913)
04 Mäßig
05 Sehr langsam
06 Sehr rasch
07 Langsam
Ludwig van Beethoven (1770–1827) Sonate F-Dur op. 24 für Violine und Klavier (1800/01)
Fassung für Klarinette und Klavier von Christoph Schneider
08 Allegro
09 Adagio molto espressivo
10 Scherzo. Allegro molto
11 Rondo. Allegro ma non troppo
Christoph Schneider (*1989)
12 Konstrukt I – Thema und Variationen für Klarinette solo (2015)
Claude Debussy (1862–1918)
13 Première Rhapsodie für Klarinette und Klavier (1909/10)
Christoph Schneider, Klarinette
Yuliya Balabicheva, Klavier
O selo alemão CPO faz um extraordinário trabalho ao resgatar compositores desconhecidos, que não foram muito reconhecidos em vida. Confesso que não conhecia Carl Reinecke até conhecer este belíssimo CD com composições suas para Flauta. Nasceu em 1824 e morreu em 1910, mas não teve muito reconhecimento em vida, e olha que sua obra é muito extensa, registrando aproximadamente 288 obras catalogadas. No booklet em PDF que acompanha o arquivo compactado há uma pequena biografia do compositor. Vale a leitura, para os senhores melhor entenderem o contexto de sua obra.
Neste CD temos um Concerto, uma Balada, uma sonata e uma sonatina, todas as obras tendo a Flauta como instrumento principal. A solista é Tatjana Ruhland, uma ilustre desconhecida até então para este que vos escreve, o que não significa absolutamente nada, mas sente-se uma grande afinidade, intimidade, e principalmente, delicadeza em seu timbre. Lembramos que são peças românticas, que exigem uma grande sensibilidade e emotividade por parte dos músicos envolvidos.
Resumindo, eis um belo CD, que faz trazer uma grande paz de espírito àquelas almas mais conturbadas pelo estresse de seu dia a dia. Dependendo da reação dos senhores, posso trazer outros CDs deste compositor.
P.S. Uma curiosidade: a Balada para Flauta e Orquestra, op. 288, foi a última obra registrada de Reinecke.
01. Flute Concerto in D Major, Op. 283 I. Allegro molto moderato
02. Flute Concerto in D Major, Op. 283 II. Lento e mesto
03. Flute Concerto in D Major, Op. 283 III. Finale. Moderato
04. Ballade in D Minor, Op. 288 I. Adagio
05. Ballade in D Minor, Op. 288 II. Allegro
06. Ballade in D Minor, Op. 288 III. Tempo I
07. Flute Sonata, Op. 167 Undine I. Allegro
08. Flute Sonata, Op. 167 Undine II. Intermezzo. Allegretto vivace-Più lento, quasi andante
09. Flute Sonata, Op. 167 Undine III. Andante tranquillo-Molto vivace
10. Flute Sonata, Op. 167 Undine IV. Finale. Allegro molto agitato ed appassionato, quasi presto
11. Flute Sonatina, Op. 108 I. Allegro moderato
12. Flute Sonatina, Op. 108 II. Andante con moto
13. Flute Sonatina, Op. 108 III. Allegretto grazioso
Dia destes um outro cd da Alison Balsom, dedicado a Bach, teve seu link atualizado, tratava-se de uma postagem lá do começo da década. Hoje trago para os senhores mais um belíssimo CD desta mesma Alison Balsom, onde novamente ela demonstra todo o seu talento. E aqui temos obras especificamente de Haendel e Purcell.
Os arranjos foram feitos pelo maestro inglês Trevor Pinnock, um dos grandes especialistas em Barroco dos últimos quarenta anos, e por ela mesma, o que reforça o que comentou PQPBach em postagem anterior, a moça além de uma excepcional instrumentista, é uma musicóloga de mão cheia. Para melhorar o que já está bom demais, ela é acompanhada pelo excelente conjunto The English Concert, conjunto criado e dirigido por Pinnock já há muito tempo.
Creio que esta seja uma bela trilha sonora para iniciar a semana, que promete ser bem agitada e difícil.
Haendel & Purcell – Sound of Trumpet – Alison Balsom, Trevor Pinnock, The English Concert
01. Handel – Arr Pinnock- Amidigi di Gaula, HWV 11, Act 3- Sento la goia
02. Purcell – Arr Balsom- King Arthur Suite, Z. 628, Act 1- Overture
03. Purcell – Arr Balsom- King Arthur Suite, Z. 628, Act 1- Come if you dare
04. Purcell – Arr Balsom- King Arthur Suite, Z. 628, Act 5- Symphony
05. Purcell – Arr Balsom- King Arthur Suite, Z. 628, Act 2- Shepherd, Shepherd, Leave Decoying
06. Purcell – Arr Balsom- King Arthur Suite, Z. 628, Act 5- Round thy shores
07. Purcell – Arr Balsom- King Arthur Suite, Z. 628, Act 5- Trumpet Tune
08. Purcell – Arr Balsom- King Arthur Suite, Z. 628, Act 5- Fairest isle
09. Handel – Arr Balsom- Atalanta, HWV 35- Overture
10. Handel – Arr Balsom- Birthday Ode for Queen Anne, HWV 74- ”Eternal Source of Light Divine” (countertenor)
11. Purcell – Arr Balsom- The Fairy Queen, Z. 629 – Suite of Musicks and Dances, Act 4- Symphony
12. Purcell – Arr Balsom- The Fairy Queen, Z. 629 – Suite of Musicks and Dances- Rondo (Second Musick)
13. Purcell – Arr Balsom- The Fairy Queen, Z. 629 – Suite of Musicks and Dances, Act 1- Jig
14. Purcell – Arr Balsom- The Fairy Queen, Z. 629 – Suite of Musicks and Dances, Act 5- Prelude
15. Purcell – Arr Balsom- The Fairy Queen, Z. 629 – Suite of Musicks and Dances, Act 5- Chaconne and Chorus
16. Purcell – Arr Balsom- Come Ye Sons of Art, Z. 323- Sound the trumpet (countertenor)
17. Handel – Arr Pinnock- Water Music, Suite in D Major, HWV 349- I. Overture
18. Handel – Arr Pinnock- Water Music, Suite in D Major, HWV 349- II. Gigue (Allegro)
19. Handel – Arr Pinnock- Water Music, Suite in D Major, HWV 349- III. Minuet (Aria)
20. Handel – Arr Pinnock- Water Music, Suite in D Major, HWV 349- IV. Bourrée
21. Handel – Arr Pinnock- Water Music, Suite in D Major, HWV 349- V. March No. 2 (Partenope, HWV 27)
22. Purcell – Arr Balsom- The Fairy Queen, Z. 629, Act 5- ”The plaint”
23. Handel – Arr Pinnock & Balsom- Oboe Concerto No. 1 in B-Flat Major- I. Adagio
24. Handel – Arr Pinnock & Balsom- Oboe Concerto No. 1 in B-Flat Major- II. Allegro
25. Handel – Arr Pinnock & Balsom- Oboe Concerto No. 1 in B-Flat Major- III. Siciliana (Largo)
26. Handel – Arr Pinnock & Balsom- Oboe Concerto No. 1 in B-Flat Major- IV. Vivace
Alison Balsom – Trumpet
The English Concert
Trevor Pinnock – Conductor
Com esta postagem volto ao final dos anos 70, quando tive acesso a um LP duplo, presente de meu irmão, que trazia as Sinfonias de nº 8 e 9, de Beethoven. Aquela capa preta com amarelo com aquele expressivo senhor de cabelos brancos agitando os braços se tornaria um paradigma. Este velho LP esteve comigo boa parte de minha vida, mas infelizmente não o tenho mais, o tempo se encarregou de danificá-lo, a capa se deteriorou assim como aquele plástico que envolvia os LPs. Devo tê-lo vendido em algum momento de minhas diversas fases de grana curta, desempregado.
Não estou trazendo com esta postagem a sinfonia nº 8, em seu lugar temos a Abertura Coriolano. Mas a principal obra daquele velho LP duplo está ali, a maior das obras musicais já compostas e criadas pelo ser humano, a Nona Sinfonia de Beethoven. E a mesma gravação: Karajan e sua Filarmônica de Berlim, o Wiener Singverein, a Gundula Janowitz, Walter Berry, nomes que aprendi a reverenciar desde então, lembrando que eu era um jovem adolescente que entendia e conhecia pouco da vida, morando em uma pequena cidade do interior, com uma única rádio que tocava música sertaneja e os últimos sucessos da parada. Mas não posso deixar de agradecer ao seu dono a transmissão de um programa de música clássica nos domingos de noite. Ali ouvi pela primeira vez ‘Va Pensiero’, de Verdi, obra que abria e fechava o programa.
Não lembro se foi ali que ouvi a Nona Sinfonia pela primeira vez, provavelmente não. Mas foi aquele programa de rádio que me mostrou a imensidão que se abria à minha frente. E foi o velho LP com capa preta e amarela da Deutsche Grammophon que me permitiu explorar aquele mundo até então desconhecido para mim. E ouvindo novamente esta gravação depois de tantos anos, entendo o impacto que ela me causou. Não é brincadeira o que o velho Kaiser fez, usando todo o poder e recursos que tinha à sua disposição. Os tímpanos , os violoncelos e contrabaixos, os primeiros e segundo violinos, as violas, os trompetes e trompas, clarinetes, flautas, tudo está tão coeso, tão perfeito, tão compacto, que não temo em dizer que trata-se de meu disco favorito, aquele que me é realmente indispensável, que jamais deixará de estar comigo, até o meu último momento, no último suspiro de minha vida.
P.S. Lembro de que em certa ocasião fiquei sozinho em casa, meus pais provavelmente estavam trabalhando, e coloquei o velho LP no velho toca discos, e deixei no último volume. Foi uma sensação única … depois disso nunca mais tive a oportunidade de fazer isso. Alguns meses depois deste momento único me mudei da cidade, indo estudar na cidade grande. Mas aí é outra história …
1. Obertura ‘Coriolano’
Berliner Philharmoniker
Herbert von Karajan – Conductor
Symphony No. 9 in D Minor, Op. 125 “Choral”
2.1. Allegro ma non troppo, un poco maestoso 15:27
2.2. Molto vivace 11:03
2.3. Adagio molto e cantabile 16:30
2.4. Presto – 6:23
2.55. Presto – “O Freunde nicht diese Töne” – 17:35
Gundula Janowitz
Hilde Rössel-Majdan
Waldemar Kmentt
Walter Berry
Wiener Singverein
Berliner Philharmoniker
Herbert von Karajan – Conductor