A Suite Pulcinella, com sua elegância e originalidade, é o coroamento da fase em que Stravinsky permaneceu retirado em seu refúgio na Suíça, quando dedicou-se particularmente à criação de uma grande e inspirada série de obras de câmara. Isto se deu um ano antes de sua mudança para Paris. Terminada a 20 de abril de 1920 e estreada com enorme sucesso a 15 de maio do mesmo ano, Pulcinella nasceu não só da encomenda de Sergei Diaghilev para o seu balé russo, mas foi também a realização, para Stravinsky, de um antigo sonho de trabalhar com Picasso, com quem há muito se identificava esteticamente. Já de seus encontros com o genial pintor espanhol nos idos de 1917, em Roma e Nápoles (onde Stravinsky estivera para reger Pássaro de Fogo e Fogos de Artifício com o balé russo), nascera o acordo entre os dois de trabalharem juntos no resgate de antigas aquarelas italianas para o palco das “commedia dell”arte” renascentistas. A encomenda de Diaghilev vinha de encontro a uma fase em que Stravinsky se ocupava intensamente com música antiga. Diaghilev sabia disso e não perdeu a oportunidade de se aproveitar destas condições favoráveis ao descobrir, em Nápoles e Londres, a música de Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736), que o encantou e seduziu. A ela juntou o texto escolhido de um compêndio composto por várias comédias do folclore napolitano, manuscrito datado de 1700 e encontrado em Nápoles, do qual foram excluídos os nomes dos autores. O texto chamava-se Os Quatro Pulcinellas Iguais e contava a história de Pulcinella, um rapaz aventureiro, amado por todas as moças do lugar e odiado pelos noivos destas. Então três destes enciumados rapazes se fantasiaram de Pulcinella e se apresentaram às suas noivas como tal, aproveitando-se da situação para atacar e se ver livre do que eles achavam ser o verdadeiro Pulcinella. Só que aquele que eles deixam estirado no chão como morto, pensando com isto terem se livrado de seu rival, não era outro senão um sósia que Pulcinella colocara em seu lugar ao perceber toda a trama. Pulcinella, então, fantasia-se de mágico, faz uma cena como que ressuscitando o morto e acaba casando os três noivos com três das noivas, tomando para si próprio a Pimpinella como mulher, a quem ele queria. Para o balé de oito cenas, Stravinsky escreveu 15 números musicais, que contaram não só com a sua genialidade, mas também com a de Picasso – que se encarregou dos cenários e dos costumes, a de Massine, responsável pela coreografia, e a de Diaghilev, dirigindo o balé russo. A Suite Pulcinella é uma forma concertante, portanto reduzida, do balé, a qual teve sua revisão definitiva em 1949. A fonte pode ser encontrada AQUI. Aparecem ainda as Suítes números 1 e 2. É ouvir e se deleitar com essa maravilha.
Igor Stravinsky (1882-1971) – Pulcinella – Ballet avec chante en un acte, Suite No. 1 e Suite No. 2
Pulcinella – Ballet avec chante en un acte*
01. Overture
02. Mentre l’erbetta pasce l’agnella
03. Contento forse vivere
04. Con queste paroline
05. Sento dire no’nce pace
06. Una te falan zemprece
07. Se tu m’ami
08. Gavotta
09. Variation 1
10. Variation 2
11. Pupillette fiammette
Suite No. 1
12. Andante
13. Napolitana
14. Española
15. Balalaïka
Tchaikovsky é um compositor surpreendente. Quando achamos que já ouvimos todos os seus top hits e isso nos basta, eis que ele vem com ares novos, mostrando que na verdade o buraco é mais embaixo. Não duvide, Tchaikovsky é um compositor de primeiríssima grandeza, coisa fina.
Ele compôs 4 suites para orquestra (pensou em Bach?), destinadas principalmente à dança, mas sem um roteiro determinado, o que talvez tenham feito delas obras pouco visitadas, se comparadas com as suites de seus ballets com libreto. Eu mesmo cheguei a escutá-las, esporadica e espaçadamente, em alguns programas da Rádio Cultura de SP. Sempre me chamaram a atenção, mas a indústria fonográfica não lhes deu muito crédito. Eis que a internet fez aflorar estas pérolas: requintadíssimas no quesito orquestração, irresistíveis com seus ritmos russos, e uma verve melódica espantosa – aliás, que talento tinha esse cara para compor melodias! E, pasmem, a Suite no.1 começa com nada mais nada menos que uma Fuga, e das cabeludas. É realmente de se espantar: Tchaikovsky? Fuga? preciso ouvir isso!
Claro, não tem o mesmo apelo dramático que seus ballets ou sinfonias, são, neste quesito, bem mais modestas, mas… que música! A suite no.4 é uma homenagem, à sua maneira, do compositor que ele mais gostava, Mozart, e é de uma espontaneidade contagiante. Resumo: Imperdível.
Piotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893)
CD1
Orchestral Suite no.1 in D major op.43
Orchestral Suite no.2 in C major op.53
CD2
Orchestral Suite no.3 in G major op.55
Orchestral Suite no.4 in G major op.61 “Mozartiana”
Detroit Symphony Orchestra
Neeme Järvi
CHANDOS, 1998
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Em janeiro deste ano de 2017, tive a felicidade de ver este trio em ação no Wigmore Hall interpretando o Notturno e os Trios Op. 99 e 100 de Schubert. Foi uma noite inesquecível. Quando começou o recital, eu e minha mulher — que é violinista de primeira linha — tomamos um susto. Quem eram aqueles caras tão perfeitos, integrados, cantantes, seguros e sem estrelismo, que valorizam cada nota? Bem, eram Lucy Gould (violino), Alice Neary (cello) e Benjamin Frith (piano). Comprei um CD deles no intervalo e soube que Lucy Gould era apenas a spalla da Chamber Orchestra of Europe e que seus dois companheiros eram no mesmo calibre. Seu trio já tem 25 anos. Minha mulher disse que foi o melhor Schubert que já ouviu na vida e o mesmo digo eu. No final, fui pedir autógrafos dos músicos no meu CD com os Trios de Mendessohn, este CD que lhes mostro. Devo ter dito coisas muito boas, porque ganhei as assinaturas de todos e, de Lucy — que toca num Guarnierius — , mais um CD com o Trio Arquiduque.
Felix Mendelssohn (1809-1847): The Piano Trios; Works for Cello & Piano
Piano Trio No. 1 in D minor, Op. 49
1 Molto allegro agitato 9:16
2 Andante con moto tranquillo 6:19
3 Scherzo 3:41
4 Finale 8:34
5 Variations Concertantes for Cello & Piano in D major, Op. 17 9:10
Piano Trio No. 2 in C minor, Op. 66
6 Allegro energico e con fuoco 10:46
7 Andante espressivo 6:39
8 Scherzo 3:33
9 Finale 7:34
10 Albumblatt for Piano in E minor, Op. 117 2:01
11 Song Without Words for Cello & Piano in D minor, Op. 109 4:53
Este disco de 1990 é uma joia. E é também um CD de grandes artistas celebrando a talentosa violinista Anne-Sophie Mutter. Temos o imenso Paul Sacher regendo o Concerto de Stravinsky e Witold Lutoslawski conduzindo sua própria música. Garanto-lhes que você não poderá obter performances melhores desta música em CD. Ao menos por enquanto. O conhecido Concerto de Stravinsky é a peça mais conhecida e fácil de compreender neste CD. Mutter é absurdamente brilhante neste concerto. Os Lutoslawski são mais difíceis mas nada agressivos. Eu os colocaria em algum lugar na transição entre a música erudita conservadora do século 20 conservadora e os casos mais intrincados. De qualquer maneira, o prazer de ouvir Mutter é algo.
Igor Stravinsky (1882-1971) / Witold Lutoslawski (1913-1994): Violin Concerto / Chain 2 & Partita
Igor Stravinsky (1882 – 1971)
Concerto en rPartie for violin and Orchestra
1) 1. Toccata [5:51]
2) 2. Aria I [4:09]
3) 3. Aria II [5:13]
4) 4. Capriccio [5:49]
Anne-Sophie Mutter
Philharmonia Orchestra
Paul Sacher
Witold Lutoslawski (1913 – 1994)
Partita (for Violin and Orchestra)
5) 1. Allegro giusto [4:14]
6) 2. Ad libitum [1:12]
7) 3. Largo [6:22]
8) 4. Ad libitum [0:47]
9) 5. Presto [3:51]
Anne-Sophie Mutter
Phillip Moll
BBC Symphony Orchestra
Witold Lutoslawski
Chain 2 Dialogue for Violin and Orchestra
10) 1. Ad libitum [3:48]
11) 2. A battuta [4:58]
12) 3. Ad libitum [4:58]
13) 4. A battuta – Ad libitum – A battuta [4:27]
Anne-Sophie Mutter
BBC Symphony Orchestra
Witold Lutoslawski
Este é um CDs mais baixados do PQP Bach em todos os tempos. E merece. Tenho pouco a dizer. É um dos melhores discos de jazz que já ouvi. Mesmo. The Lost Chords Find Paolo Fresu é uma obra-prima desta tremenda compositora, pianista, arranjadora, band leader e dona do espetacular grupo The Lost Chords. Notável a elegância e sofisticação de lady Bley, aqui aos 71 anos, idade que tinha quando do lançamento do disco. Aqui, Carla Bley deixa inteiramente de lado seu humor anárquico e, tendo convidado o extraordinário trompetista italiano Paolo Fresu — uma das maiores revelações do jazz atual — , expõe inesperado e melancólico lirismo.
Se um dia eu chegasse à conclusão que não teria mais tempo ou disposição para seguir no PQP, este álbum seria uma bela despedida; mas ainda não penso nisso, pois acho que ainda devo auxiliar os melhores acordes perdidos a encontrar os mais compreensivos ouvidos.
(Os antigos ouvintes dos Beatles reconhecerão I want you (She`s so heavy) na faixa 4. Descubram lá!)
Carla Bley: The Lost Chords Find Paolo Fresu
1. One Banana 8:29
2. Two Banana 6:37
3. Three Banana 3:50
4. Four 4:51
5. Five Banana 7:51
6. One Banana More 1:23
7. Liver Of Life 7:13
8. Death Of Superman / Dream Sequence#1 – Flying 7:50
9. Ad Infinitum 7:42
Paolo Fresu: trumpet, flugelhorn
Andy Sheppard: soprano and tenor saxophones
Carla Bley: piano
Steve Swallow: bass
Billy Drummond: drums.
Confesso minha decepção. Adorava, amava e fantasiava com estas Partitas — as obras para teclado que mais gosto de Bach ao lado das Goldberg, do Concerto Italiano e dos Cravos Bem Temperados — tocadas pelo João Carlos Martins. Eu as tenho em vinil, mas por pura preguiça sempre as “tocava” dentro de minha cabeça mesmo. Talvez por ouvir tantas outras versões, não mantive intacta a interpretação de Martins na minha jukebox privada, antes deixei-a mais viva e melhor. Era a gravação ideal. Ledo engano. Agora, hoje, voltando à realidade, ouvi uma boa gravação, consistente e nada mais. Digo tudo isso sem o menor revanchismo contra o amigo de Paulo Maluf cuja prisão um dia foi decretada por crimes contra a ordem tributária.
Ah, na Sarabanda da Suíte Nº 6 há um problema qualquer, em um minuto passa. Tenho também desconfianças sobre a ordem dos movimentos desta mesma suíte, mas não revisei. Mesmo assim, vale tranquilamente o download.
Sobre estas Partitas, repito: dentre os pianistas, ainda fico com Tatiana Nikolayeva e Angela Hewitt. Melhor ainda é ouvir Trevor Pinnock ao cravo. A versão presente aqui no PQP Bach e da qual devemos fugir é a de Scott Ross, que é realmente péssima.
As Seis Partitas para Cravo – Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)
No.1 BWV 825 in B flat Major
01 – Praeludium
02 – Allemande
03 – Corrente
04 – Sarabande
05 – Menuet I & II
07 – Gigue
No.2 BWV 826 in C minor
01 – Sinfonia
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Rondeaux
06 – Capriccio
No.3 BWV 827 in A minor
01 – Fantasia
02 – Allemande
03 – Corrente
04 – Sarabande
05 – Burlesca
06 – Scherzo
07 – Gigue
No.4 BWV 828 in D Major
01 – Ouverture
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Aria
05 – Sarabande
06 – Menuet
07 – Gigue
No.5 BWV 829 in G Major
01 – Praeambulum
02 – Allemande
03 – Corrente
04 – Sarabande
05 – Tempo di Minuetto
06 – Passepied
07 – Gigue
No.6 BWV 830 in E minor
01 – Toccata
02 – Allemande
03 – Corrente
04 – Air
05 – Sarabande
06 – Tempo di Gavotta
07 – Gigue
Estes concertos são considerados, ao lado dos de Paganini, os carros-chefe do repertório virtuoso dos violinistas. Com efeito, são concertos dificílimos. Mas para quem não é violinista, ou não tem uma predileção especial pelo violino, são bem chatos. Tem lá seus bons momentos, mas foram escritos por um violinista e não por um compositor, então o virtuosismo se sobressai ao material musical. Nada contra. Apenas acho chato, lhe falta a fluência melódica que faz de seus concorrentes (Paganini mesmo) mais interessantes.
Mas esta gravação em especial me fez gostar mais destes concertos que de costume, não sei se pela sonoridade de Shaham ou pelos tempos de Lawrence Foster, mas eles me chamaram mais a atenção, e considero isto, neste caso específico, digno de nota. E, realmente, foi uma gravação elogiadíssima na ocasião de seu lançamento. Deve ser por isso.
Aproveitem!
Henryk Wieniawski (1835-1880)
Violin Concerto no.1 in F-sharp minor op.14
Violin Concerto no.2 in D minor op.22
Légende in G minor, op.17
Pablo de Sarasate (1844-1908)
Zingaresca, op.20
Gil Shaham, violin
London Symphony Orchestra
Lawrence Foster
Deutsche Grammophon, 1991
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Este álbum reúne dois CDs de música moderna para violoncelo solo interpretados por Emmanuelle Bertrand. No passado recente, ambos foram lançados em separado. O primeiro disco é a estreia de Bertrand na Harmonia Mundi. Ele apresenta obras de Dutilleux, Crumb, Henze, Ligeti e Bacri. O segundo, lançado sob o título Le violoncelle parle (o violoncelo fala), inclui suítes para violoncelo solo de Britten e Cassadó e a monumental Sonata de Kodaly para violoncelo solo. Nas mãos de Bertrand, o violoncelo realmente “fala” e nos leva direto ao coração de uma linguagem ainda não compreendida por todos. “Não gostam agora? Gostarão mais tarde”, diria Beethoven. Muitas das peças foram dedicadas a Bertrand, mas damos destaque especial para Itinérance, onde a violoncelista canta — sim, com a voz. É óbvio que o compositor Pascal Amoyel sabia da bela voz da violoncelista.
Emmanuelle Bertrand – Le violoncelle au XXe siècle
Disc 1
Henri Dutilleux [1916-2013]
Trois strophes sur le nom de SACHER (1976-82)
1 I. Un poco indeciso / A tempo 4’02
2 II. Andante sostenuto 3’21
3 III. Vivace – Calmo – A tempo 3’14
Hans Werner Henze [1926-2012]
Sérénade (1949)
4 I. Adagio rubato 0’58
5 II. Poco allegretto 0’50
6 III. Pastorale 0’42
7 IV. Andante con moto. Rubato 0’59
8 V. Vivace 0’42
9 VI. Tango 1’16
10 VII. Allegro marciale 0’42
11 VIII. Allegretto 0’44
12 IX. Menuett 1’04
George Crumb [1929]
Sonate (1955)
13 I. Fantasia. Andante espressivo e con molto rubato 4’16
14 II. Tema pastorale con variazioni. Tema : Grazioso e dlicato Var. I : Un poco più animato. Var. II : Allegro possibile e sempre pizzicato. Var. III : Poco adagio e molto espressivo 5’01
15 III. Toccata. Largo e drammatico. Allegro vivace 2’31
György Ligeti [1923-2006]
Sonate (1948-53)
16 I. Dialogo. Adagio, rubato, cantabile 5’18
17 II. Capriccio. Presto con slancio – Sostenuto – Presto 5’10
Nicolas Bacri [1961]
Suite n°4 op.50 (1994-96)
dédiée à Emmanuelle Bertrand
18 I. Preludio. Adagio 4’35
19 II. Sonata gioconda. Presto volante, etc. 2’43
20 III. Intermezzo improvvisato. Adagio lamentoso 4’02
21 IV. Sonata seria. Andante maestoso 4’56
Disc 2
Benjamin Britten [1913-1976]
Suite for solo violoncello no.3 op.87 (1971) in C minor / ut mineur / e-moll
1 I. Introduzione. Lento 2’15
2 II. Marcia. Allegro 1’44
3 III. Canto. Con moto 1’20
4 IV. Barcarola. Lento 1’19
5 V. Dialogo. Allegretto 1’27
6 VI. Fuga. Andante espressivo 2’48
7 VII. Recitativo. Fantastico 1’27
8 VIII. Moto perpetuo. Presto 0’55
9 IX. Passacaglia. Lento solenne 8’32
Gaspar Cassadó [1897-1966]
Suite for solo violoncello (1926)
10 I. Preludio-Fantasia. Andante 6’06
11 II. Sardana (Danza). Allegro giusto 4’09
12 III. Intermezzo e danza finale. Lento ma non troppo 5’23
Pascal Amoyel [1971]
13 Itinérance (2003). Lento. Prégnant, du fond des âges 10’35
Zoltán Kodály [1882-1967]
Sonata for solo violoncello op.8 (1915)
14 I. Allegro maestoso ma appassionato 9’13
15 II. Adagio 12’50
16 III. Allegro molto vivace 11’46
Nicolas Bacri [1961]
17. Suite No. 4 pour violoncelle seul, Op. 50: V. Postludio – Adagio (2:36)
Emmanuelle Bertrand, violoncelo e também voz em Itinérance
O Scherzo fantastique, op. 3, foi composto em 1908 e é o segundo trabalho orquestral de Igor Stravinsky. Foi precedido por sua única Sinfonia composta na Rússia,
Apollon Musagète (Apolo, líder das Musas) é um bailado em duas cenas de Igor Stravinsky, encomendado por Elizabeth Sprague Coolidge e composto entre 1927 e 1928. Na década de 1950 o título da obra foi abreviado para Apollo.
L’Oiseau de feu (em português: O Pássaro de Fogo) é um ballet de Igor Stravinsky de 1910 baseado nos contos populares russos sobre um pássaro mágico brilhante que é tanto uma bênção como uma perdição para o seu captor.
O homem era um gênio e tem uma obra imensa e incontornável, Chailly e o Concertgebouw estão esplêndidos, mas achei estranha a colocação das obras dentro do CD. Meus ouvidos e os de vocês notarão que Apollon é uma obra muito mais recente com as cordas do período neoclássico de Strava. Então a gente vai de 1908 para 1947 e volta a 1910. Tudo bem. Vale muito a audição.
2 Apollon Musagète (1947 Version) – 1. Birth Of Apollo 4:39
3 Apollon Musagète (1947 Version) – 2. Variation Of Apolllo (Apollo And The Muses) 3:10
4 Apollon Musagète (1947 Version) – 3. Pas D’action (Apollo And The 3 Muses) 4:32
5 Apollon Musagète (1947 Version) – 4. Variation Of Calliope (The Alexandrine) 1:26
6 Apollon Musagète (1947 Version) – 5. Variation Of Polyhymnia 1:18
7 Apollon Musagète (1947 Version) – 6. Variation Of Terpsichore 1:34
8 Apollon Musagète (1947 Version) – 7. Variation Of Apollo 2:18
9 Apollon Musagète (1947 Version) – 8. Pas De Deux (Apollo And Terpsichore) 3:55
10 Apollon Musagète (1947 Version) – 9. Coda 3:23
11 Apollon Musagète (1947 Version) – 10. Apotheosis 3:35
12 The Firebird (L’oiseau De Feu) – Suite (1945) – Introduction 3:01
13 The Firebird (L’oiseau De Feu) – Suite (1945) – Prelude & Dance Of The Firebird – Variations 1:26
14 The Firebird (L’oiseau De Feu) – Suite (1945) – Pantomime I 0:22
15 The Firebird (L’oiseau De Feu) – Suite (1945) – Pas De Deux 4:22
16 The Firebird (L’oiseau De Feu) – Suite (1945) – Pantomime II 0:21
17 The Firebird (L’oiseau De Feu) – Suite (1945) – Scherzo: Dance Of The Princesses 2:30
18 The Firebird (L’oiseau De Feu) – Suite (1945) – Pantomime III 1:10
19 The Firebird (L’oiseau De Feu) – Suite (1945) – Rondo 4:27
20 The Firebird (L’oiseau De Feu) – Suite (1945) – Infernal Dance 4:23
21 The Firebird (L’oiseau De Feu) – Suite (1945) – Lullaby 3:23
22 The Firebird (L’oiseau De Feu) – Suite (1945) – Final Hymn 3:13
Royal Concertgebouw Orchestra of Amsterdam
Riccardo Chailly
Duas obras-primas da música de câmara francesa, aqui com algum sotaque russo. O Trio Nº 1 de Franck é esplêndido, denso, brahmsiano, lindo, ímpar. E o que dizer do Trio de Ravel, uma das maiores músicas do repertório de câmara de todos os tempos? A gravação é ao vivo. A química entre os três músicos (S. Richter, Kagan, Gutman) era especial e têm uma guardam uma “sensação de concerto” que é bastante emocionante. São típicas das performances tardias de Richter: há salpicos de notas erradas e momentos defeituosos, mas a maneira pela qual a música é reinventada é única.
César Franck (1822-1890) – Trio em Fá sustenido menor, Op. 1 No. 1 01. I. Andante con Moto
02. II. Alegro Molto 03. III. Finale Alegro Maestoso
Maurice Ravel (1875-1937) – Trio em Lá menor
04. I. Moderee
05. II. Pantoum Assez vif
06. III. Passacaille tres large
07. IV. Anime
Sviatoslav Richter, piano
Oleg Kagan, violino
Natalia Gutman, cello
Esta compilação foi lançada em 1997 simultaneamente pelos selos DECCA e PHILIPS, já que a esta altura do campeonato as gravadoras começavam a abrir o bico e acabaram se fundindo (e se fudindo) em uma única, a Universal Music. E assim, o mesmo disco foi lançado de várias formas, já num prenúncio de desespero que viria a se concretizar no cenário dos anos 2000. Era o início do declínio da indústria da música clássica, segundo Norman Lebrecht.
Mas, de qualquer forma, agradecemos o fato de que todo o gigantesco acervo de meio século de gravações espetaculares foi digitalizado, podendo assim se manter acessível quando o negócio em si não se sustenta mais. E aí, gravações como esta, da década de 70 e 80, se mantém vívidas e disponíveis.
Albinoni já foi tratado aqui várias vezes por postagens magníficas, e, se o seu famoso Adagio (que inclusive consta no final deste disco, talvez para torná-lo mais vendável) é um grande embuste, pelo menos serviu para colocá-lo no cenário musical com algum respeito. E, realmente, estes concertos são bem diferentes do tal Adagio, e nos delicia com seu barroco autêntico.
A audição destes concertos, contudo, é muito curiosa: eles tem uma sonoridade que lembra muito a formação típica de Vivaldi, em alguns momentos parece Vivaldi, mas não tem os irresistíveis temas de Vivaldi, salvo algumas exceções. É como se estivéssemos ouvindo um Vivaldi sem a inspiração temática. Tirem suas conclusões.
E, nem preciso dizer, interpretação da melhor qualidade, Dream Team.
Boa audição.
Tommaso Albinoni
CD1
Concerto a 5 in B flat, Op.9, No.1 for Violin, Strings, and Continuo
Concerto a 5 in D minor, Op.9, No.2 for Oboe, Strings, and Continuo
Concerto a 5 in F, Op.9, No.3 for 2 Oboes, Strings, and Continuo
Concerto a 5 in A ,Op.9, No.4 for Violin, Strings, and Continuo
Concerto a 5 in C, Op.9, No.5 for Oboe, Strings, and Continuo
Concerto a 5 in G, Op.9, No.6 for 2 Oboes, Strings, and Continuo
CD2
Concerto a 5 in D, Op.9, No.7 for Violin, Strings, and Continuo
Concerto a 5 in G minor, Op.9, No.8 for Oboe, Strings, and Continuo
Concerto a 5 in C, Op.9, No.9 for 2 Oboes, Strings, and Continuo
Concerto a 5 in F, Op.9, No.10 for Violin, Strings, and Continuo
Concerto a 5 in B flat, Op.9, No.11 for Oboe, Strings, and Continuo
Concerto a 5 in D, Op.9, No.12 for 2 Oboes, Strings,and Continuo
Adagio for Strings and Organ in G minor
Félix Ayo, violino
Heinz Holliger, oboe
Maurice Bourgue, oboe
I Musici
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Este álbum duplo que me caiu nas mãos é algo bastante original. In Memory Of… Classics for Funerals é uma série de highlights lentos, tristes e pouco barulhentos. A respeitada gravadora Chandos resolver perder o pudor e chamou a coletânea de Clássicos para Funerais, ou seja, se algum familiar seu morrer e você quiser colocar uma música culta e digna em honra a seu morto, aí está! Lembrem do PQP quando ouvirem a trilha no velório, por favor. É o mínimo.
A primeira faixa do disco, a Marcha Fúnebre de Chopin é tocada com orquestra e isso me incomodou. Depois, o nível da coisa sobe muito e o morto pode seguir de forma decorosa para o vazio. Há belas lembranças de obras que não relaciono com a morte — como se fizéssemos alguma coisa neste mundo que não tivesse relação com a morte! –, mas que agora, sei lá, talvez passe a relacionar. Apesar de ser uma incrível colcha de retalhos, misturando, épocas e gêneros, gostei de ouvir o disco de mais de 150 minutos.
Boa morte a todos! Coloquem música no lugar do padre! Basta de recaídas religiosas na hora da morte! É de péssimo gosto!
In Memory Of… Classics for Funerals (Sugestões de Repertório para seu Velório)
1.Frédéric Chopin Piano Sonata No. 2 in B flat minor, Op. 35, CT. 202 : Funeral March 7:05
2.Giuseppe Verdi Requiem Mass, for soloists, chorus & orchestra (Manzoni Requiem) : Agnus Dei 5:23
3.Johann Sebastian Bach Komm, süsser Tod, for voice & continuo (Schemelli Gesangbuch No. 868), BWV 478 (BC F227) 5:07
4.Gabriel Fauré Requiem, for 2 solo voices, chorus, organ & orchestra, Op. 48 : Pie Jesu 3:24
5.Edward Elgar Enigma Variations, for orchestra, Op. 36 : Nimrod 3:31
6.George Frederick Handel Messiah, oratorio, HWV 56 : I know that my redeemer liveth 6:01
7.Johann Sebastian Bach Concerto for 2 violins, strings & continuo in D minor (“Double”), BWV 1043 : Largo 6:56
8.Gabriel Fauré Pavane, for orchestra & chorus ad lib in F sharp minor, Op. 50 6:24
9.Sergey Rachmaninov Vocalise, transcription for orchestra, Op. 34/14 4:29
10.Henry Purcell Dido and Aeneas, opera, Z. 626 : When I am laid in earth 3:26
11.Jules Massenet Thaïs, opera in 3 acts : Méditation 4:51
12.Maurice Ravel Pavane pour une infante défunte, for piano (or orchestra) 6:25
13.Percy Grainger Irish Tune from County Derry (Londonderry Air), folk song for string orchestra with 2 horns ad lib. (BFMS 15) 4:22
14.Samuel Barber Adagio for strings (or string quartet; arr. from 2nd mvt. of String Quartet), Op. 11 8:25
15.Wolfgang Amadeus Mozart Requiem for soloists, chorus, and orchestra, K. 626 : Introitus 5:20
16.Jules Massenet La Vierge, sacred legend in 4 acts : Le dernier sommeil de la Vierge 3:31
17.César Franck Panis angelicus for tenor, organ, harp, cello & bass 3:47
18.Gustav Mahler Adagietto, for orchestra (from the Symphony No. 5) 10:51
19.George Frederick Handel Saul, oratorio, HWV 53 : Dead March 5:20
20.Johann Sebastian Bach St. John Passion (Johannespassion), BWV 245 (BC D2) : Ruht wohl, ihr heiligen Gebeine 6:56
21.Arvo Pärt Cantus in Memory of Benjamin Britten, for string orchestra & bell 6:18
22.Gabriel Fauré Requiem, for 2 solo voices, chorus, organ & orchestra, Op. 48 : Agnus Dei 5:49
23.William Walton Henry V, film score : Touch her soft lips and part 1:37
24.Edvard Grieg Peer Gynt Suite for orchestra (or piano or piano, 4 hands) No. 1, Op. 46 : Death of Åse 4:11
25.Johann Sebastian Bach Cantata No. 147, “Herz und Mund und Tat und Leben,” BWV 147 (BC A174) : Jesu, Joy of Man’s Desiring 3:02
26.Edward Elgar Sursum Corda, elévation for brass, organ, strings & 2 timpani in B flat major, Op. 11 7:11
27.Ludwig van Beethoven Symphony No. 3 in E flat major (“Eroica”), Op. 55 : Marcia funebre 15:05
A relação com os artistas envolvidos:
Disc: 1
1. Funeral March From Op.35 – BBC Philharmonic
2. Agnus Dei – Richard Hickox
3. Komm Susse Tod – BBC Philharmonic
4. Pie Jesu – Libby Crabtree
5. ‘Nimrod’ – Alexander Gibson
6. ‘I Know That My Redeemer Liveth’ – Joan Rodgers
7. Largo – Simon Standage
8. Pavane – BBC Philharmonic
9. Vocalise – Detroit Symphony Orchestra
10. ‘When I Am Laid In Earth’ – Emma Kirby
11. ‘Meditation’ – Yuri Torchinsky
12. Pavane Pour Une Infante Defunte – Louis Lortie
13. Irish Tune – BBC Philharmonic
14. Adagio For Strings, Op.11 – Neeme Jarvi
Disc: 2
1. Introitus – Choir Of Saint John’s College
2. ‘Le Dernier Sommeil De La Vierge – BBC Philharmonic
3. Panis Angelicus – BBC Philharmonic
4. Adagietto – Neeme Jarvi
5. ‘Dead March’ – BBC Philharmonic
6. ‘Ruht Wohl, Ihr Heiligen Gebeine’ – Harry Christophers
7. Cantus-In Memory Of Benjamin Britten – Neeme Jarvi
8. Agnus Dei – City Of Birmingham Symphony Chorus
9. ‘Touch Her Soft Lips And Part’ – Richard Hickox
10. ‘Death Of Ase’ – Vernon Handley
11. ‘Jesu, Joy Of Man’s Desiring’ – Michael Austin
12. Sursum Corda, Op.11 – Bournemouth Sinfonietta
13. Marcia Funebre – Walter Weller
Muita gente fala na longa hibernação da música inglesa. Ela teria começado com a morte de Purcell e seu sono apenas teria acabado quando do aparecimento de Britten. Dizer isso é um pouco exagerado, mas é o que se diz por aí. Boyce foi um londrino cuja música foi muito pouco executada após sua morte e que hoje experimenta um tímido renascimento. De certa forma, o cadáver pôs a mão para fora do caixão. Boyce escreveu muito. Há oito sinfonias e muitíssima música sacra. Solomon: A Serenata é boa música, ultra influenciada pela sombra gigantesca de Handel, mas sem a magia deste. É uma boa diversão. os cantores e instrumentistas são fantásticos. Roy Goodman e The Parley of Instruments estão (são) esplêndidos.
William Boyce (1711-1779): Solomon: A Serenata
1. A Seranata: Part 1: Ouverture (Largo – Allegro – Larghetto)
2. A Seranata: Part 1: Chorus – Behold, Jerusalem, behold thy king
3. A Seranata: Part 1: Recitative – From the mountains, lo! he comes (She)
4. A Seranata: Part 1: Air – Tell me, lovely shepherd (She)
5. A Seranata: Part 1: Air – Fairest of the virgin throng (He)
6. A Seranata: Part 1: Recitative – As the rich apple, on whose boughs (She)
7. A Seranata: Part 1: Air – Beneath his ample shade I lay (She)
8. A Seranata: Part 1: Recitative – Who quits the lily’s fleecy white (He)
9. A Seranata: Part 1: Air – Balmy sweetness, ever flowing (He)
10. A Seranata: Part 1: Recitative – Let not my prince his slave despise; Air – Ah Simple Me! My own, more dear (She)
11. A Seranata: Part 1: Air – Fair and comely is my love (He)
12. A Seranata: Part 1: Recitative – Forbear, O charming swain, forbear! (She)
13. A Seranata: Part 1: Air – Fill with cooling juice the bowl! (She)
14. A Seranata: Part 2: Sinfonia
15. A Seranata: Part 2: Recitative – The cheerful spring begins today; Air – Arise, my fair, and come away (He and She)
16. A Seranata: Part 2: Duet – Together let us range the fields (He and She)
17. A Seranata: Part 2: Recitative – How lovely art thou to the sight (He)
18. A Seranata: Part 2: Air – Let me love, thy bole ascending (He)
19. A Seranata: Part 2: Recitative – O, that a sister’s specious name (She)
20. A Seranata: Part 2: Air – Soft, I adjure you, by the fawns (She)
21. A Seranata: Part 2: Recitative – My fair’s a garden of delight (He)
22. A Seranata: Part 2: Air and Chorus – Soflty rise, O southern breeze! (He)
23. A Seranata: Part 3: AriosoArise, my fair, the doors unfold (He and She)
24. A Seranata: Part 3: Recitative – Obedient to thy voice I hie (She)
25. A Seranata: Part 3: Air – Ye blooming virgins, as ye rove (She)
26. A Seranata: Part 3: Chorus Of Virgins – Who is thy love, O charming maid!
27. A Seranata: Part 3: Air – On his face the vernal rose (She)
28. A Seranata: Part 3: Arioso – This, O ye virgins (She)
29. A Seranata: Part 3: Recitative – Sweet nymph, whom ruddier charms addorn (He)
30. A Seranata: Part 3: Recitative – O take me! stamp me on thy breast! (She)
31. A Seranata: Part 3: Duet and ChorusThou – Thou soft invader of the soul! – In vain we trace the globe (He and She)
Bronwen Mills
Howard Crook
The Parley of Instruments
Roy Goodman
O uzbeque Behzod Abduraimov (1990) interpreta magnífica, fantasticamente dois dos mais populares concertos para piano russos: o terceiro de Prokofiev e o primeiro de Tchaikovsky. A coisa é e-mo-cio-nan-te. O Concerto Nº 3 de Prokofiev foi a peça com a qual Behzod Abduraimov entrou em cena em uma performance vitoriosa no Concurso Internacional de Piano em Londres. A interpretação é eletrizante e de absurdo controle técnico. Junto a Prokofiev está o primeiro concerto de Tchaikovsky. Para mim, a coisa perde um pouco de graça, mas é impossível não curvar-se a Abduraimov e ao maestro eslovaco Juarj Valcuha, principal regente na Orquestra da RAI Turim. Entre os concertos temos uma rara e virtuosística transcrição para piano do Pas de Quatre (Dança dos Quatro Cisnes) de O Lago dos Cisnes.
Prokofiev: Piano Concerto No. 3 / Tchaikovsky: Piano Concerto No. 1 (Behzod Abduraimov)
Prokofiev – Piano Concerto No. 3 in C, Op. 26
1. I Andante – Allegro
2. II Tema con variazione
3. III Allegro ma non troppo
Tchaikovsky – Swan Lake, Op.20, TH. 12: Dance Of The Four Swans
4. Dance of the Four Swans, Pas de Quatre from Swan Lake
Tchaikovsky – Piano Concerto No. 1 In B Flat Minor, Op. 23
5. I Allegro non troppo e molto maestoso – Allegro con spirito
6. II Andantino semplice – Prestissimo – Tempo I
7. III Allegro con fuoco
Behzod Abduraimov (piano)
Orchestra Sinfonica Nazionale della RAI
Juarj Valcuha (conductor)
Charlie Haden é o baixista Charlie Haden, um dos maiores nomes do jazz de todos os tempos, infelizmente falecido em julho de 2014. Gonzalo Rubalcaba é um esplêndido pianista cubano. Juntos, eles gravaram este Tokyo Adagio, uma calma e quente flanada sobre alguns temas próprios e outros velhos conhecidos nossos. O resultado é uma conversa suave entre dois amigos — um talentoso pianista de coração romântico, e um baixista que teve a generosidade e empatia para ajudá-lo a cantar. O que eles criam é pura poesia. Rubalcaba nunca é menos que impressionante aqui. Depois da audição você volta a ficar grato por este registro ter acontecido e por ter havido como Charlie Haden andando em nosso planeta.
Charlie Haden & Gonzalo Rubalcaba – Tokyo Adagio
1. En La Orilla Del Mundo (The Edge Of The World) (9:04)
2. My Love And I (11:54)
3. When Will The Blues Leave (8:29)
4. Sandino (5:47)
5. Solamente Una Vez (You Belong To My Heart) (9:11)
6. Transparence (7:18)
Claro que a versão de Steven Isserlis é boa, mas o problema é que lhe falta aquela dose de transcendência difícil de se caracterizar e que nos é passada através de pequenos detalhes de fraseado e acentuação. Com uma interpretação menos profunda e concentrada do que a de, por exemplo, Queyras e Cocset, Isserlis toca todas as notas, mas sua versão ainda parece estar aquém da maturação. Porém, posso estar errado, talvez muito errado. Então, digo para os pequepianos ouvirem esta gravação das Suítes de Bach a fim de formarem suas próprias opiniões.
J. S. Bach (1685-1750): As Suítes para Violoncelo (Isserlis)
Disc: 1
1. Prelude (Suite #1 in G major)
2. Allemande
3. Courante
4. Sarabande
5. Menuet I – Menuet II
6. Gigue
7. Prelude (Suite # 2 in D minor)
8. Allemande
9. Courante
10. Sarabande
11. Menuet I – Menuet II
12. Gigue
13. Prelude (Suite # 3 in C major)
14. Allemande
15. Courante
16. Sarabande
17. Bouree I – Bouree II
18. Gigue
19. Prelude (Suite # 4 in E flat major)
20. Allemande
21. Courante
22. Sarabande
23. Bourree I – Bourree II
24. Gigue
Disc: 2
1. Prelude (Suite # 5 in C minor)
2. Allemande
3. Courante
4. Sarabande
5. Gavotte I – Gavotte II
6. Gigue
7. Prelude (Suite # 6 in D major)
8. Allemande
9. Courante
10. Sarabande
11. Gavotte I – Gavotte II
12. Gigue
13. The Song of the Birds (Catalan folksong- arranged by Sally Beamish)
14. Prelude from Suite # 1 (from Anna Magdalena manuscript)
15. Prelude from Suite # 1 (from the John Peter Kellner manuscript)
16. Prelude from Suite # 1 (from the collection of Johann Christoph)
Em 2012, The Bad Plus convidou o saxofonista Joshua Redman para se juntar a eles por uma semana de performances no Blue Note em Nova York. Foi um estrondoso sucesso. Filas e mais filas de pessoas entusiasmadas que obrigaram o grupo a se reunir outras vezes no local e fora dele. Foram feitos uns para os outros. Mas apenas em 2014 entraram nos estúdio da Nonesuch para gravar seu álbum de “estreia”. Sete das nove faixas são composições inéditas. Apenas Dirty Blonde e Silence Is the Question, são novos arranjos de favoritos do Bad Plus. Redman disse que “tocar o Bad Plus me permitiu explorar uma parte da minha música e minha herança musical que eu nunca tinha acessado com qualquer outro grupo. A aventura com é como estar num liquidificador. O trio me empurra para as margens e me atrai para o núcleo”.
The Bad Plus Joshua Redman
01 – As This Moment Slips Away
02 – Beauty Has It Hard
03 – County Seat
04 – The Mending
05 – Dirty Blonde
06 – Faith Through Error
07 – Lack The Faith But Not The Wine
08 – Friend Or Foe
09 – Silence Is The Question
Reid Anderson – bass Ethan Iverson – piano David King – drums Joshua Redman – tenor saxophone
Quando eu era criança em Porto Alegre, Roberto Szidon era nosso orgulho. Na área da cultura, era dos poucos porto-alegrenses famosos em âmbito mundial. E ele era bom mesmo. Andou por longo tempo sumido na Alemanha e morreu em 2011, aos 70 anos, quando pretendia voltar a dar recitais na cidade. Meu pai tinha todos os seus discos e, pianista amador, tentava imitá-lo no instrumento.
Foi um grande artista . Especialista não apenas em Villa-Lobos como no repertório romântico. Era artista da DG.
1. Scherzo No.1 in B minor, Op.20 10:49
2. Scherzo No.2 in B flat minor, Op.31 10:54
3. Scherzo No.3 in C sharp minor, Op.39 8:23
4. Scherzo No.4 in E, Op.54 11:26
5. Impromptu No.1 in A flat, Op.29 4:21
6. Impromptu No.2 in F sharp, Op.36 6:25
7. Impromptu No.3 in G flat, Op.51 5:23
8. Impromptu No.4 in C sharp minor, Op.66 “Fantaisie-Impromptu” 5:07
Se você cruzar na rua com Barbara Hannigan, faça de tudo para conhecê-la. É um raro soprano que une enorme musicalidade, bela voz, profunda inteligência e beleza física. Por que não é tão famosa? Ora, é que ela especializou-se em música moderna. É dela a melhor Lulu (Alban Berg) de todos os tempos. Ligeti — que não era nada tolo — admirou-a e escreveu para ela. E este CD é algo inacreditável.
Hans Abrahamsen
Let me tell you, de Hans Abrahamsen, para soprano e orquestra, é baseado na novela de mesmo nome, de autoria de Paul Griffiths, e foi estreado em 20 de dezembro de 2013 pela Filarmônica de Berlim, com a solista soprano Barbara Hannigan — a quem o trabalho é dedicado. Franz Welser-Möst regeu a Orquestra de Cleveland na estreia estadunidense em janeiro de 2016. Abrahamsen ganhou o Prêmio Grawemeyer de US$ 100.000 por este trabalho. Sim estamos no terreno do reconhecimento. Isto é uma obra-prima!
Mas voltamos a Barbara. Aclamado mundialmente como um soprano de enorme força expressiva, tem uma estranha e cristalina beleza cristalina, uma intensidade frágil e deslumbrante. Ela é soberba, uma campeã da música nova. A profunda e etérea magia da música de Abrahamsen é tratada brilhantemente. O comando de Andris Nelsons é suave e a orquestra bávara é perfeita. Ouçam porque vale a pena.
Hannigan em Lulu. Além de cantar tudo o que canta, ela costuma também aparecer como maestrina.
Hans Abrahamsen (1963): Let Me Tell You
1 Part 1: Let me tell you how it was 3:51
2 Let Me Tell You, Pt. 1: Part 1: O but memory is not one but many 2:51
3 Part 1: There was a time, I remember 6:00
4 Let Me Tell You, Pt. 2: Part 2: Let me tell you how it is 2:03
5 Let Me Tell You, Pt. 2: Part 2: Now I do not mind 6:14
6 Part 3: I know you are there 1:01
7 Part 3: I will go out now 10:43
Barbara Hannigan
Bavarian Radio Symphony Orchestra
Andris Nelsons
Mais um bom disco dedicado a transcrições. A novidade é que as transcrições aqui apresentadas são de papai. Sim, ele adaptou alguns de seus concertos para violino e cravo e algumas coisas de sua cantatas para gáudio de uns instrumentistas de sopro aê. É um bom CD, consistente e bem interpretado, vale sua audição, porém desta vez permitam-me ficar com os originais, está bem?
Bach: Concertos “redescobertos” para instrumentos de sopro
1. Concerto For 2 Oboes, Bassoon And B.C. (After BWV 42 & BWV 249)a/I. Ohne Bezeichnung 6:16
2. Concerto For 2 Oboes, Bassoon And B.C. (After BWV 42 & BWV 249)a/II. Adagio 5:52
3. Concerto For 2 Oboes, Bassoon And B.C. (After BWV 42 & BWV 249)a/III. Ohne Bezeichnung 3:43
4. Concerto For 2 Oboes, Bassoon And B.C. (After BWV 42 & BWV 249)a/IV. Adagio (Alternative Version Of Movement II) 6:06
5. Concerto For Bassoon, Strings, Oboe D’amore Di Ripieno And B.C. (After BWV 169, BWV 49 & BWV 1053)/I. Ohne Bezeichnung 8:05
6. Concerto For Bassoon, Strings, Oboe D’amore Di Ripieno And B.C. (After BWV 169, BWV 49 & BWV 1053)/II. Siciliano 5:50
7. Concerto For Bassoon, Strings, Oboe D’amore Di Ripieno And B.C. (After BWV 169, BWV 49 & BWV 1053)/III. Allegro 6:18
8. Concerto For Oboe, Strings And B.C. (After BWV 1056 & BWV 156)/I. Ohne Bezeichnung 3:22
9. Concerto For Oboe, Strings And B.C. (After BWV 1056 & BWV 156)/II. Adagio 2:38
10. Concerto For Oboe, Strings And B.C. (After BWV 1056 & BWV 156)/III. Presto 3:23
11. Instrumental Piece (Instrumentalsatz) For Violin, Oboe And B.C., BWV 1040
— GRAMOPHONE RECOMMENDS CD OF THE MONTH
— BBC RADIO 3 CD REVIEW DISC OF THE WEEK
— BOSTON GLOBE TOP CLASSICAL ALBUMS OF 2009
Não preciso dizer mais nada além de que é um excelente disco que traz de volta a russa Ibragimova agora com o pianista Tiberghien. Uma joia raríssima. Música eslava de primeira linha, tocada por quem a compreende.
Igragimova e Tiberghien trabalhando duro
Karol Szymanowski (1882-1937): Complete Works For Violin & Piano
Svetlanov tem a mão mais pesada do que Mehta, Haitink e Bernstein. Sua versão não chega a ser um grande modelo de referência, mas convence. OK.
A Quarta Sinfonia em sol maior de 1899-1900 pode ser considerada um epílogo para as três primeiras sinfonias. É a sinfonia mais intimista e delicada de Mahler, com orquestra reduzida e sem grandiosidades. É também a mais curta da série. E das mais belas. Não se pode falar em ingenuidade em relação a uma composição tão sutil, mas a atmosfera é certamente infantil, de modo sumamente apropriado. Não admira que seja a mais popular e acessível sinfonia de Mahler, e é a primeira em que ele se conservou fiel aos quatro movimentos do modelo clássico. Pensou em chamá-la de Humoresque. Os movimentos estão tematicamente interligados à maneira usual de Mahler. “Eu queria realmente escrever um humoresque sinfônico que acabou se convertendo numa sinfonia completa, enquanto que antes, quando quis escrever a Segunda e Terceira sinfonias, acabei escrevendo cada uma delas com o tamanho de três.”
Sua composição demorou muito tempo para os padrões de Mahler: o quarto movimento Das Leben Himmlische (Vida Celestial) foi tomado do Des Knaben Wunderhorn, ciclo de lieder escrito em 1892. Este movimento deveria ser parte, inicialmente, da Terceira Sinfonia. Como esta já estava imensa, Mahler então decidiu colocá-lo no final da sua Quarta Sinfonia e escreveu seus três primeiros movimentos…
Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia nº 4
1. Bedächtig. Nicht eilen – Recht gemächlich
2. In gemächlicher Bewegung. Ohne Hast
3. Ruhevoll (Poco adagio)
4. Sehr behaglich: “Wir genießen die himmlischen Freuden”
Comprei este CD lá na loja da Margarida (a saudosa Sala dos Clássicos Eruditos – Rua dos Andradas, 1444 conj. 26 / Galeria Chaves, Porto Alegre – RS) em 1994. Não conhecia o cravista e, como sempre, ele entrou na minha fila de CDs para serem ouvidos (a fila na verdade é uma montanha). Fui ouvi-lo uns quatro meses depois e não entendi nada. Meus ouvidos diziam que era a melhor versão que já tinha ouvido. Não havia a Internet e procurei referências em publicações como a Diapason e a Gramophone. Por pura sincronicidade, era a revista dos melhores CDs de 1994. Na categoria Baroque Non-Vocal, o CD vencedor era Bach, Goldberg Variations, Pierre Hantaï (Opus 111). Dei os parabéns a meus ouvidos e fui ler: o crítico da revista — normalmente cuidadoso — dizia apenas isso: é a melhor versão até hoje gravada. Um dia será superada por outra, claro, mas ninguém até hoje alcançou tamanha perfeição e compreensão da obra.
Será mesmo?
J. S. Bach (1685-1750): Variações Goldberg (com Pierre Hantaï)
1. Goldberg Variations, BWV 988: Aria 4:40
2. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 1 a 1 Clav. 2:17
3. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 2 a 1 Clav. 1:50
4. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 3 Canone All’unisono 2:02
5. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 4 a 1 Clav. 1:08
6. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 5 a 1 Ovvero 2 Clav 1:41
7. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 6 Canone Alla Seconda 1:54
8. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 7 a 1 Ovvero 2 Clav. 1:51
9. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 8 a 2 Clav. 2:22
10. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 9 Canone Alla Terza a 1 Clav. 2:37
11. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 10 Fughetta a 1 Clav. 1:38
12. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 11 a 2 Clav. 2:28
13. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 12 Canone Alla Quarta In Moto Contrario 3:19
14. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 13 a 2 Clav. 5:37
15. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 14 a 2 Clav. 2:08
16. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 15 Canone a la Quinta In Moto Contrario a 1 Clav., Andante 2:59
17. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 16 Ouverture a 1 Clav. 2:55
18. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 17 a 2 Clav. 1:50
19. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 18 Canone Alla Sesta a 1 Clav. 1:30
20. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 19 a 1 Clav. 1:39
21. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 20 a 2 Clav. 1:58
22. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 21 Canone Alla Settima 3:23
23. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 22 Alla Breve a 1 Clav. 1:33
24. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 23 a 2 Clav. 2:20
25. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 24 Canone All’Ottava a 1 Clav. 3:16
26. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 25 a 2 Clav. 4:09
27. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 26 a 2 Clav. 1:53
28. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 27 Canone Alla Nona 1:50
29. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 28 a 2 Clav. 2:25
30. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 29 a 1 Ovvero 2 Clav. 2:06
31. Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 30 Quodlibet a 1 Clav. 2:16
32. Goldberg Variations, BWV 988: Aria Da Capo e Fine
Só para irritar o Conde Keyserling: Charles Auguste Emile Carolus-Duran “Sleeping Man” (1861)
Eu nunca tive insônia. Talvez, em razão de alguma dor ou febre, não tenha dormido repousadamente apenas uns dez dias em minha vida. Não é exagero. Quando me deprimo, durmo mais ainda e acordar é ruim, péssimo. O sono é meu refúgio natural. Mas há pessoas que reclamam (muito) da insônia. Saul Bellow escreveu que ela o teria deixado culto, mas que preferiria ser inculto e ter dormido todas as noites — discordo do grande Bellow, acho que ele deveria ter ficado sempre acordado, escrevendo, vivendo e escrevendo para nós. Também poucos viram Marlene Dietrich na posição horizontal, adormecida. Kafka era outro, qualquer barulho impedia seu descanso, devia pensar no pai e passava suas noites acordado, amanhecendo daquele jeito… Groucho Marx, imaginem, era insone, assim como Alexandre Dumas e Mark Twain. Marilyn Monroe sofria muito e Van Gogh acabou daquele jeito não por ser daltônico, característica que apenas gerainteligência e genitália avantajadas.
O Conde Keyserling sofria de insônia e desejava tornar suas noites mais agradáveis. Ele encomendou a Bach, Johann Sebastian Bach, algumas peças que o divertissem durante a noite. Como sempre, Bach fez seu melhor. Pensando que o Conde se apaziguaria com uma obra tranquila e de base harmônica invariável, escreveu uma longa peça formada de uma ária inicial, seguida de trinta variações e finalizada pela repetição da ária. Quod erat demonstrandum. A recuperação do Conde foi espantosa, tanto que ele chamava a obra de “minhas variações” e, depois de pagar o combinado a Bach, deu-lhe um presente adicional: um cálice de ouro contendo mais cem luíses, também de ouro. Era algo que só receberia um príncipe candidato à mão de uma filha encalhada.
O Conde tinha a seu serviço um menino de quinze anos chamado Johann Gottlieb Goldberg. Goldberg era o melhor aluno de Bach. Foi descrito como “um rapaz esquisito, melancólico e obstinado” que, ao tocar, “escolhia de propósito as peças mais difíceis”. Perfeito! Goldberg era enorme e suas mãos tinham grande abertura. O menino era uma lenda como intérprete e o esperto Conde logo o contratou para acompanhá-lo não somente em sua residência em Dresden como em suas viagens a São Petersburgo, Varsóvia e Postdam. (Esqueci de dizer que o Conde Keyserling era diplomata). Bach, sabendo o intérprete que teria, não facilitou em nada. As Variações Goldberg, apesar de nada agitadas, são, para gáudio do homenageado, dificílimas. Nelas, as dificuldades técnicas e a erudição estão curiosamente associadas ao lúdico, mas podemos inverter de várias formas a frase. Dará no mesmo.
O nome da obra — Variações Goldberg, BWV 988 — é estranho, pois pela primeira vez o homenageado não é quem encomendou a obra, mas seu primeiro intérprete.
O princípio de quase toda obra de variações consiste em apresentar um tema e variá-lo. (Lembram que Elgar fez uma obra de variações sem apresentar o tema, chamando-a de Variações Enigma?). Assim, o ouvinte tem a impressão de estar ouvindo sempre algo que lhe é familiar e, ao mesmo tempo, novo. A escolha de Bach por esta forma mostrou-se adequada às pretensões do Conde. E a realização não poderia ser melhor, é uma das maiores obras disponibilizadas pela e para a humanidade pelo mais equipado dos seres humanos que habitou este planeta, J. S. Bach. O jogo criado pelo compositor irradia livre imaginação e enorme tranquilidade. A Teoria Geral das Belas-Artes, espécie de Bíblia artística goethiana de 1794, diz o seguinte sobre as Goldberg: “em cada variação, o elemento conhecido está associado, quase sem exceção, a um canto belo e fluido”. E está correto. Só esqueceu de dizer que tudo isso tinha propósito terapêutico.
É muito provável que o enfermo Conde concordasse com a Theorie para descrever seu prazer de ouvir aquela música, mas diria mais. Seus efeitos fizeram que Goldberg a tocasse centenas de vezes para ele. O cálice repleto de ouro significava gratidão pela diversão emocional e intelectual. Dormimos por estarmos calmos e felizes, talvez.
Não posso distribuir cálices de ouro por aí, mas talvez devesse dar alguma coisa a Pierre Hantaï, o maior intérprete da obra. (Por favor, neste momento não me venham com Gould; afinal, o som do cravo é fundamental e só aceito fazer a final contra o grande Gustav Leonhardt. Gould ficou lá pelas quartas-de-final).