Johann Sebastian Bach (1685-1750): As Seis Partitas (versão de João Carlos Martins)

Confesso minha decepção. Adorava, amava e fantasiava com estas Partitas — as obras para teclado que mais gosto de Bach ao lado das Goldberg, do Concerto Italiano e dos Cravos Bem Temperados — tocadas pelo João Carlos Martins. Eu as tenho em vinil, mas por pura preguiça sempre as “tocava” dentro de minha cabeça mesmo. Talvez por ouvir tantas outras versões, não mantive intacta a interpretação de Martins na minha jukebox privada, antes deixei-a mais viva e melhor. Era a gravação ideal. Ledo engano. Agora, hoje, voltando à realidade, ouvi uma boa gravação, consistente e nada mais. Digo tudo isso sem o menor revanchismo contra o amigo de Paulo Maluf cuja prisão um dia foi decretada por crimes contra a ordem tributária.

Ah, na Sarabanda da Suíte Nº 6 há um problema qualquer, em um minuto passa. Tenho também desconfianças sobre a ordem dos movimentos desta mesma suíte, mas não revisei. Mesmo assim, vale tranquilamente o download.

Sobre estas Partitas, repito: dentre os pianistas, ainda fico com Tatiana Nikolayeva e Angela Hewitt. Melhor ainda é ouvir Trevor Pinnock ao cravo. A versão presente aqui no PQP Bach e da qual devemos fugir é a de Scott Ross, que é realmente péssima.

As Seis Partitas para Cravo – Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

No.1 BWV 825 in B flat Major
01 – Praeludium
02 – Allemande
03 – Corrente
04 – Sarabande
05 – Menuet I & II
07 – Gigue

No.2 BWV 826 in C minor
01 – Sinfonia
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Rondeaux
06 – Capriccio

No.3 BWV 827 in A minor
01 – Fantasia
02 – Allemande
03 – Corrente
04 – Sarabande
05 – Burlesca
06 – Scherzo
07 – Gigue

No.4 BWV 828 in D Major
01 – Ouverture
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Aria
05 – Sarabande
06 – Menuet
07 – Gigue

No.5 BWV 829 in G Major
01 – Praeambulum
02 – Allemande
03 – Corrente
04 – Sarabande
05 – Tempo di Minuetto
06 – Passepied
07 – Gigue

No.6 BWV 830 in E minor
01 – Toccata
02 – Allemande
03 – Corrente
04 – Air
05 – Sarabande
06 – Tempo di Gavotta
07 – Gigue

Piano: João Carlos Martins

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PQP

12 comments / Add your comment below

  1. Eu vi uma entrevista na qual ele tratava desse episódio lamentável. Parece que tudo foi no final das contas um equívoco difícil de desenlear, e o pianista disse que sua vida, após isso, se tornou quase um exercício constante para se redimir de tudo isso. Eu gostei muito da interpretação dele para O Cravo Bem Temperado, não posso conceber que um artista dessa importância possa ser associado a algo tão aviltante. Isso deve mesmo mortificá-lo.

  2. Costumo separar o artista do homem. O que posso dizer é que o homem estava muito mal acompanhado. Mas não vou detestar o artista pela parceria e amizade com Maluf.

  3. Dúvido muito que o João carlos Martins tenha em verdade, se enxafurdado nessa lama, um homem que visa sabidamente não apenas os interesses pessoais, mas também a inclusão social de dezenas de jovens; somente pelo modo como uma pessoa se expressa, se percebe a qual cepa ela pertence, acredito no maestro, ainda que culpado!

  4. Vou baixar porque é uma interpretação muito rara e já foi muito pedida aquí no blog. E era minha versão favorita nos meus tempos de estudante de piano.

    Mas você tem razão sobre a nossa “jukebox” interior, que com o passar do tempo acaba lapidando e idealizando obras que ouvimos (e vimos, no caso de filmes) há muito tempo atrás. Existe uma possibilidade muito grande de ocorrer um desapontamento após uma nova avaliação.

  5. Vou baixar porque é uma interpretação muito rara(2)

    coisas a parte… sinceramente, uma pessoa dizer que acredita em alguém, ainda q fosse culpado, não é a toa a politicagem do nosso país dentre outras coisas, não é a toa retirarem e desabrigarem dezenas de familias pra se construir uma coisa por causa de uma copa pra agradar alguns e se fica tudo bem porque? por causa da ideia da maioria que: ah, é a copa! mas é assim,devido a visão erronea de muitos, infelizmente. Como alguém disse certa vez: Este país não é um país sério!

  6. M-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a interpretação! Ouço-as em vinil desde a década de 80 e até hoje não me recuperei da interpretação perfeita da fuga a duas vozes (Partita em dó menor).

    Não consigo ouvir outra interpretação. Gravação impecável, afinação excelente de um piano para Bach e mãos de João Carlos Martins para Bach (como ele mesmo disse, em outras palavras) e interpretação humana. Referência!

    Ele toca a edição revista por Mugellini (mas não o obedece – a começar por ignorar alguns ornamentos e indicações, mas isso não vem ao caso -). A sequência da Partita 6 está correta, apenas ele não repete a segunda parte da Alemanda, Corrente, Sarabanda e Tempo de Gavotta.

    Bom, em relação ao caso pau-brasil, acompanhei atentamente na época e dispenso comentários. Ele é um humano tanto quanto nós, sujeito a erros, acertos e defeitos. Eu o vejo como músico, nada mais. Sua vida particular jamais me importa…

  7. Se alguém quiser tudo o que o J C Martins gravou de J S Bach em piano solo, mp3, 320 kbps, tem aqui. Eliminem os espaços do link:

    ht tp s : / / ra pidsh are . com /files /2039809470 / JCM_Bach_ rapidshare . txt

  8. Caro owner do PQP Bach. Eu gostaria de lhe passar pessoalmente os links do que postei acima, tudo o que o J C Martins gravou de J S Bach em piano solo, em mp3. Tudo? Tudo mesmo. Suítes inglesas, francesas, WTC I, WTC II, variaçoes Goldberg, Partitas, livro de Anna Magdalena Bach, prelúdios e fughetas, toccatas, concerto italiano, peças avulsas. Como nao tenho como entrar em contato com vc, nao encontrei um email de contato no blog, deixo os links de modo que fiz na postagem anterior. Os Cds disso estao realmente sumindo do mercado, sao difíceis de achar. Alguns só se encontram como último exemplar e venda só na forma “usados”. Grato pela atenção.

  9. A primeira Goldberg que conheci foi com ele. Rs Um disco da capa cinzenta, com carinhas de Bach, parecendo um mistura da capa dos Reis do ieieié com Andy Wahrol. Também guardo na memória cada movimento do que ouvi há séculos. Nesta gravação das Goldberg lembro de alguns bons momentos, outros passavam tão rápido que nem parecia que algo foi tocado, uma debandada de burricos, como no Carnaval dos Animais de Saint Saens. rs No afã de conhecer, tudo pra mim era bom. Creio que esta é uma rara gravação hoje em dia, talvez nem exista em CD.

  10. Tou com vc: Angela Hewitt é fantástica interpretando as partitas. Também está no meu pedestal. No entanto, além de que gostaria de ouvir a sua crítica à versão que Schiff fez para a ECM, não posso deixar de aconselhar uma versão das partitas que acho muito boa. Aproveito para aconselhar tb o pianista, porque julgo que é realmente muito bom em quase tudo o que faz. Até hoje creio que a versão que ele fez das valsas de Chopin é fantástica, para além da versão das French Suites de Bach. Talvez a versão que ele fez das partitas seja menos colorida e contrastante que a de Hewitt, mas é cheia de vitalidade e encanto. Não sei se é “macho Bach”, como afirma a revista Music Web International, mas é muito bom. Estou a falar de Vladimir Feltsman e aqui fica o excerto da revista:
    “This is macho Bach: low-fat, temperamental, sometimes impatient, always energetic, never dreamy-eyed. He eschews mannerisms yet honors the nuances…These are very good performances benefiting from very good recording quality. They will suit the tastes of those who prefer their Bach without a too-obvious Romantic overlay.”

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