Um disco verdadeiramente espetacular. A Música Aquática de Telemann, mais a muito irreverente Suíte Alster são para ouvir e se divertir, ouvir e se divertir, ouvir e se divertir. Acho que, de todas as suítes orquestrais de Telemann, a Alster é minha preferida. O New London Consort é um excelente conjunto, fazendo inteira justiça a esta grande música.
“Hamburger Ebb und Fluth” (A Maré de Hamburgo), conhecida como “Wassermusik” (1723), é uma Suíte Orquestral (ouverture) composta para as celebrações do centenário do Collegium musicum e do Almirantado de Hamburgo em 1723. Telemann, então diretor musical da cidade, criou uma obra que retrata musicalmente a vida marítima do grande porto hanseático. Telemann era conhecido por seu humor e criatividade. Em “Wassermusik”, ele não apenas descreve o mar, mas também personagens mitológicos e humanos em interação com a água, criando um panorama sonoro quase teatral.
A “Suíte Alster” (Overture “Alster-Echo”) é uma das obras mais encantadoras e humorísticas de Telemann, perfeito exemplo de seu espírito inventivo e sua capacidade de “pintar” cenas com música. O Rio Alster, que corta Hamburgo, era (e ainda é) um local de lazer, passeios de barco e vida social. Telemann, sempre atento ao cotidiano da cidade, compôs esta suíte por volta de 1720-1730 como uma obra programática leve e cômica, retratando sons e cenários às margens do rio. A obra é construída em torno do efeito de eco, representando as colinas e margens do Alster respondendo aos sons. Telemann brinca com repetições inesperadas, frases truncadas e respostas “tolas” da orquestra. A suíte tem uma sequência de danças e peças com nomes que sugerem cenas específicas (alguns títulos em francês, outros em alemão). Em meio a danças cortesãs (como a sarabanda), surgem imitações de animais e sons triviais, criando um contraste deliberadamente cômico entre a corte e o campo.
Em suma, se a Wassermusik é uma epopeia marítima, a Alster é uma comédia pastoral em forma musical, perfeita para mostrar que o Barroco também sabia rir de si mesmo, e como! 🐸🎻
G. P. Telemann (1681-1767): Water Music / Alster Overture (New London Consort, Philip Pickett)
1. Wassermusik Overture in C, Ouverture
2. Wassermusik Overture in C, Sarabande
3. Wassermusik Overture in C, Bour e
4. Wassermusik Overture in C, Loure
5. Wassermusik Overture in C, Gavotte
6. Wassermusik Overture in C, Harlequinade
7. Wassermusik Overture in C, Der St rmende Aeolus
8. Wassermusik Overture in C, Menuet
9. Wassermusik Overture in C, Gigue
10. Wassermusik Overture in C, Canarie
11. Die Relinge Concerto in A, The Frogs
12. Die Relinge Concerto in A, The Frogs, Adagio
13. Die Relinge Concerto in A, The Frogs, Menuet
14. Alster Overture in F, Alster Overture
15. Alster Overture in F, Die canonierende Pallas
16. Alster Overture in F, Das Alster Echo
17. Alster Overture in F, Die Hamburgischen Glockenspiele
18. Alster Overture in F, Der Schwanen Gesang
19. Alster Overture in F, Der Alster Sch ffer Dorff Music
20. Alster Overture in F, Die concertirenden Fr sche (und) Kr hen
21. Alster Overture in F, Der ruhende Pan
22. Alster Overture in F, Der Sch ffen und Nymphen eilfertiger Abzug
New London Consort
Philip Pickett

PQP


Excelente CD dedicado à música de Telemann, um contemporâneo de Bach que, na época em que viviam, era muito mais popular e considerado maior. Claro que era mesmo um monstro, mas não era Bach, nem de longe. Ele compôs em todas as formas e estilos existentes em sua época. Sua música tem um caráter inconfundível, sendo clara, agradável e fluida. Gosto bastante. Telemann deixou mais de 3.000 obras, incluindo cantatas, oratórios, concertos e música de câmara, na qual era um craque. Ele aprendeu música quase sozinho, contra a vontade da família, que queria que fosse advogado. Família é uma merda, né?
IM-PER-DÍ-VEL !!!
Nocturnes
Prélude À L’Après-midi D’un Faune
Os CDs da gravadora brasileira Imagem eram espécimes muito curiosos. Qual é a relação entre o belíssimo Concerto para Piano de Khachaturian e uma das maiores obras já compostas, o Quinteto para Clarinete de Brahms? (Vocês sabiam que a autobiografia de Erico Verissimo, Solo de Clarineta, tem este nome em homenagem ao quinteto de Brahms? Pois é, vivendo e aprendendo…)

Uma manhã luminosa que enfatiza bem seu caráter gracioso e eloquente. Estas gravações foram lançadas na década de 70 em LPs pela PHILIPS e nenhuma foi relançada em CD, até as séries de relançamentos (PHILIPS DUO) dos anos 90. Haitink inclusive gravou novamente essas obras para lançamento exclusivo em CD, mas o brilho destas primeiras incursões é, para mim, insuperável.



IM-PER-DÍ-VEL !!!
FDP Bach teve uma semana complicada, apesar de curta, que se encerrou com seu desligamento da empresa em que trabalhava. Ou seja, sua cabeça estava envolvida em outras coisas, por esse motivo deixou o blog um pouco às moscas. Mas felizmente seu caro irmão PQP voltou de férias, e colocou ordem na casa. Volto com mais barroco, numa bela gravação de Trevor Pinnock e seu English Concert, com suas gravações com instrumentos de época. E o que é mais importante, tocando Telemann, compositor muito caro a este que vos escreve e ao seu irmão PQP, e também ao nosso leitor/ouvinte Pedro, que teceu grandes elogios à ele, quando da última postagem realizada deste compositor. Tratam-se de um Concerto com três trompetes solistas, além de duas Suítes. Portanto, mais barroco com quem entende do assunto.






Boa gravação. O Ghost foi composto em 1808, no mesmo período da Sinfonia No. 5 e da Sinfonia No. 6 colocando-o firmemente no período médio de Beethoven. Por que “Ghost” (Fantasma)? O apelido não foi dado pelo compositor, mas surgiu devido ao caráter único e sobrenatural do segundo movimento (Largo assai ed espressivo). O apelido está intimamente ligado a um projeto de ópera que Beethoven tinha em mente, baseado em “Macbeth”, de Shakespeare. Ele estava esboçando música para a cena em que as três bruxas aparecem para Macbeth. Essa música era sombria, misteriosa e cheia de um suspense fantasmagórico. Beethoven, insatisfeito e abandonando o projeto da ópera, reaproveitou o material musical e o clima dessa cena para compor o segundo movimento deste trio. O aluno, factótum e amigo Carl Czerny, foi quem confirmou essa conexão. Então, quando você ouve o segundo movimento, está essencialmente ouvindo a música que Beethoven imaginou para uma assembleia de bruxas sobrenaturais – daí a sensação de “fantasma”. Uhhhhh… O segundo Trio também é ótimo viram?

Mais um IM-PER-DÍ-VEL !!! 
Gosto de um modo muito particular das obras de Elgar. De sua produção, destacam-se 

Talvez o principal segredo de Manfred Eicher tenha sido o de viabilizar gravações àquele pessoal talentoso que fica atrás no palco. Eberhard Weber é um exemplo disso. Nascido em 1940, Weber fez seu disco de estréia em 1974, com este bom The Colours of Chloë. Músico de jazz e erudito, Weber era músico de apoio de Joe Pass, Stephane Grappelli, Baden Powell e outros quando fez sua proposta a Eicher. Sua vida mudou e ele pode até montar um grupo próprio de jazz, além de ter se tornado um contumaz baixista de outras grandes estrelas da gravadora como Pat Metheny, Gary Burton, Jan Garbarek e Ralph Towner, representantes mais importantes do som ECM. The Colours of Chloë não é nenhuma maravilha, mas acho curiosa e agradável de ouvir a tentativa de Weber de fazer um som jazzístico próximo àquele que faziam alguns grupos de rock em 1974, como Yes, Pink Floyd, Gentle Giant, etc. É estranho, mas, por alguma razão, é um CD irresistível para quem completou 17 anos no distante 1974. É uma música feita de climas e ostinatos, é também melancólica e muito mais organizada do que o bom jazz deve ser. Parece de vanguarda, mas é aquela coisa que, apesar de bonita, não possui rumo e pula de estilo em estilo. Bom, aí está.
João Gilberto: Ao Vivo – Eu Sei Que Vou Te Amar não é apenas um grande álbum ao vivo. É mais uma das provas — todas definitivas — de que a arte de JG não era um produto de estúdio, mas um estado de ser, reproduzível e vivo diante de testemunhas. As 18 faixas são 18 capítulos de uma oração secular à melodia, ao ritmo interior e à beleza contida. Para o fã, é mais uma relíquia. Para o estudioso de música, é um tratado. Para qualquer ouvinte, é a sensação rara de estar na presença de um gênio, onde o silêncio entre as notas e a voz contam mais do que qualquer acorde. Este registro ganha um peso emocional adicional por ser um dos últimos testemunhos públicos de João antes de seu longo retiro da vida pública. Ouvir este disco é, portanto, ouvir o último grande concerto de uma era. É a bossa nova em sua fonte originária, não como uma moda, mas como uma filosofia musical acabada.









IM-PER-DÍ-VEL !!!









Como o final de semana está chegando, FDP Bach resolveu fazer três postagens peso-pesado para seus leitores/ouvintes, que apenas aos sábados e domingos tem tempo disponível para baixar e ouvir com mais atenção a estas pérolas…