Após milhares de solicitações, resolvi satisfazer nossos leitores, visto que esta gravação do Réquiem Alemão é meio que unânime.
Sem mais para o momento …
1. 1. Chor: “Selig sind, die da Leid tragen”
2. 2. Chor: “Denn alles Fleisch, es ist wie Gras”
3. 3. Solo (Bariton) und Chor: “Herr, lehre doch mich”
4. 4. Chor: “Wie lieblich sind deine Wohnungen, Herr Zebaoth!”
5. 5. Solo (Sopran) und Chor: “Ihr habt nun Traurigkeit”
6. 6. Solo (Bariton) und Chor: “Denn wir haben hie keine bleibende Statt”
7. 7. Chor: “Selig sind die Toten, die in dem Herrn sterben”
Gundula Janowitz – Soprano
Tom Krause – Bariton
Konzertvereinigung Wiener Staatsopernchor
Wiener Philharmoniker
Bernard Haitink
Confesso que tenho um duplo sentimento em relação ao Réquiem de Brahms: (1) primeiro de felicidade, por se tratar de uma das peças mais belas que existem. A profundidade da abordagem. A linguagem tocante. O clima de contrição. A viagem aos sentimentos mais atemporais e eternos. Impossível não pensar em outro mundo, em outra realidade; na finitude da vida. Nos momentos fugidios da existência. No ir e vir de cada manhã. No fato de estarmos aqui e, de repente, como num passe de mágica, como se fôssemos apagados por uma borracha, deixarmos a vida. Ou como numa das passagens da obra, extraída da carta do apóstolo Pedro, apontando a efemeridade da vida: “Porque toda carne é como a erva e toda a glória do homem é como as flores do campo. A erva seca, e a flor cai”. Segundo os historiadores, Brahms teria sido impulsionado a escrever o seu Réquiem após a morte da mãe, em 1865. O senso estético de uma espiritualidade profunda e densa em mais de uma hora de coros e vozes; massas corais, que duelam com seres angélicos, barítonos e sopranos exaltados. Uma sensação sufocante e terrífica, impingindo uma experiência dúbia de tormento e paz, numa reflexão dura e aziaga sobre a morte, deixam-me num estado de tensão. Mas talvez aí resida toda a sua energia, toda a sua beleza, toda a sua grandeza. Esta é, com certeza, uma das mais monumentais peças já compostas em todos os tempos. Essa gravação com Otto Klemperer, um dos grandes nomes da regência do século XX, estava comigo já há uns três anos. Ouço-a pela primeira vez e a qualidade é inegável. Não deixe de se contristar e meditar sobre a vida. A beleza tem esse poder. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!
Johannes Brahms (1833-1897): Um Réquiem Alemão, Op. 45 (Klemperer)
01. Selig Sind, Die Da Leid Tragen
02. Denn Alles Fleisch, Es Ist Wie Gras
03. Herr, Lehre Doch Mich
04. Wie Lieblich Sind Deine Wohnugen
05. Ihr Habt Nun Traurigkeit
06. Denn Wir Haben Hie Keine Bleibende Stat
07. Selig Sind Die Toten
Dietrich Fischer-Dieskau, barítono
Elisabeth Schwarzkopf, soprano
Philharmonia Orchestra et Choeurs
Otto Klemperer, regente
Já deveria ter postado esta gravação do Requiem de Brahms com Philippe Herreweghe antes do Natal, mas com a correria do dia a dia acabei esquecendo. O que é uma pena, pois privei-os até agora de uma das melhores gravações já realizadas dessa obra. E não sou só eu quem o declara. Fiz uma longa pesquisa para identificar uma das que poderiam ser consideradas como melhores, e esta estava meio que em primeiro lugar no ranking, ao menos em uns quatro ou cinco sites e revistas especializadas que fucei.
Herreweghe é um dos melhores regentes de corais da atualidade. Basta ouvir suas gravações para chegarmos a esta conclusão. E aqui neste Brahms ele mostra que sua especialidade não se restringe ao barroco. Não, ele domina com maestria o espetacular ‘Collegium Vocale Gent’ também em uma obra prima do Romantismo. Ouçam o Segundo Movimento para entenderem o que digo.
Destaque também para a cuidadosa edição do booklet, com textos em inglês, francês e alemão.
01. 1. Selig sing, die da Leid tragen
02. 2. Denn alles Fleisch, es ist wie Gras
03. 3. Ferr, lehre doch mich, da. ein Ende mit mir haben mu
04. 4. Wie lieblich sind deine Wohnungen, Herr Zebaoth
05. 5. Ihr habt mur Traurigkeit
06. 6. Denn wie haben hie keine bleibende Statt
07. 7. Selig sind die Toten, die in dem Herren sterben
Christiane Oelze – Soprano
Gerald Finley – Bariton
La Chappele Royale
Collegium Vocale Gent
Orchestre des Champs-Elysées
Philippe Herreweghe – Conductor
Helmuth Rilling é um tremendo maestro. Nasceu em 1933 e ainda está vivo. Ele é o fundador do Gänchinger Kantorei (1954) e do Bach-Collegium Stuttgart (1965). Para lhes dar uma ideia de sua importância, basta dizer que foi o primeiro a gravar como regente único a integral das Cantatas de Bach, 57 CDs que tenho aqui a meu lado e que moram no meu ventrículo esquerdo. Já viram que ele entende de música sacra, não? Então é óbvio que sua interpretação do Um Réquiem Alemão deve ser ouvida a priori com respeito. E sua gravação é linda, camarística, com um coral magnífico, bachiano, sublime, um verdadeiro êxtase. Ouçam logo, tá?
Johannes Brahms (1833-1897): Um Réquiem Alemão (Rilling)
01.- Selig sind, die da Leid tragen
02.- Denn alles Fleicsh es ist wie Gras
03.- Herr, lehre doch mich
04.- Wie lieblich sing deine Wohnungen
05.- Ihr habt nunu Traurigkeit
06.- Denn wir haben hie keine bleibende Statt
07.- Selig sing die Toten
Réquiem é um tipo de missa especial celebrada pelas igrejas cristãs em homenagem aos mortos.
A Igreja Católica é a principal doutrina a fazer as chamadas “missas de réquiem”, no entanto também pode ser utilizado este termo para nomear cerimônias semelhantes do Anglicanismo e da Igreja Ortodoxa.
O termo “réquiem” se originou a partir do latim requiem, que deriva de requies, que significa “descanso” ou “repouso”.
Nas missas fúnebres (celebradas durante os funerais) típicas da Igreja Católica, réquiem é a primeira palavra a ser dita durante o ritual dedicado ao repouso da alma do falecido: Requiem aeternam dona eis, Domine(“Senhor, concede-lhes o eterno descanso”, na tradução para o português).
Este também é o nome dado para o gênero de composições musicais criadas especificamente para as cerimônias fúnebres ou para homenagear os mortos.
Uma das melodias mais conhecidas deste gênero foi criada por Wolfgang Amadeus Mozart, em 1791, e ficou conhecida como “O Réquiem em Ré Menor”.
Uma missa de réquiem pode tanto ser feita no momento do funeral como também em datas que marcam a morte de alguém, como as “missas de sétimo dia”, por exemplo. (https://www.significados.com.br/requiem/)
Réquiem: vol 22
Requiem K. 626
Wolfgang Amadeus Mozart (Austria, 1756-1791)
Herreweghe, Philippe (Dir)
La Chapelle Royale
Collegium Vocale
Orchestre des Champs Élysées
Gravado em 1996
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Réquiem: vol 23
Ein Deutsches Requiem op. 45
Johannes Brahms (Germany, 1833-1897)
Herreweghe, Philippe (Dir)
La Chapelle Royale
Collegium Vocale
Orchestre des Champs Élysées
Gravado em 1996
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Réquiem: vol 24-A
Requiem op. 48 [version 1893]
Fauré, Gabriel Urbain (França, 1845 – 1924)
Herreweghe, Philippe (Dir)
Ensemble Musique Oblique
Les Petitts Chanteurs de Saint-Louis
chef de choer Olivier Schneebeli
Gravado em 1988
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Réquiem: vol 24-B
Requiem op. 9
Duruflé, Maurice (França, 1902 – 1986)
The Choir of Magdalen College, Oxford.
Dir. Bill Ives
Gravado em 2005
(…) o notável, perfeito Um Réquiem Alemão, de Johannes Brahms, aquele mesmo que é chamado pelos tolos de O Réquiem Ateu, como se falar pouco em deus o tornasse ateu. (Ateu sou eu, Brahms não era, infelizmente). (…)
(…) Afinal, este Réquiem existe por um só motivo: a morte da mãe do compositor em fevereiro de 1865. O Réquiem de Brahms, escrito entre 1865 e 1868, tem várias curiosidades: é composto de sete movimentos, que juntos resultam em algo entre 65 a 75 minutos, tornando-o a mais longa composição de Brahms. Há mais: Um Réquiem Alemão é música sacra, mas não litúrgica e, ao contrário de uma tradição musical de séculos, não é cantado em latim e sim em língua alemã, de onde vem seu título Ein deutsches Requiem ou Um Réquiem Alemão. (…)
(…) Sabem vocês que a primeira referência ao Réquiem está em uma carta de 1865 que Brahms escreveu para Clara Schumann, viúva de Robert e sua provável amante? Escreveu que pretendia desenvolver uma peça a ser “uma espécie de Réquiem alemão”. Depois, Brahms teria dito ao diretor de música na Catedral de Bremen, que teria de bom grado chamado o trabalho de Um Réquiem Humano. Mais adiante, vocês verão que este sujeito de Bremen era um cagão (…)
(…) Embora as Missas de Réquiem na liturgia católica comecem com orações pelos mortos, o de Brahms centra-se na vida, começando com o texto “Bem-aventurados são aqueles que suportam a dor, porque serão consolados”. O tema do conforto aos que ficam repete-se em todos os movimentos seguintes, exceto o final (…)
(…) Em seu Réquiem, Brahms omitiu propositalmente qualquer dogma cristão. Até pelo fato da ideia de deus ser vista sempre como fonte de consolo, a simpatia pelo humano persiste por todo o tempo, o que não significa dizer que o Réquiem seja ateu, apesar de sua contenção religiosa, longe daquele hábito de rasgar-se musicalmente pelo criador. De qualquer forma, a enigmática escolha dos textos fica para os musicólogos decifrarem. Quando o diretor da catedral de Bremen expressou sua preocupação com isso, Brahms recusou-se a adicionar o movimento que lhe fora sugerido: “A morte redentora do Senhor, etc.” (João 3 : 16). E, por incrivel que pareça, em Bremen, o citado diretor obrou finalizar o Réquiem por uma ária do Messias de Handel, — ??? — “I know that my redeemer liveth”. Tudo para satisfazer o clero. Um total abuso. (…)
(…) Meus pensamentos giravam sobre como o Réquiem fora inicialmente detestado. Wagner mandou bala contra ele, mas temos que lhe dar o mérito da coerência e Wagner: ele erra sempre e sempre com farta documentação. Na verdade, estava apenas puto com o título “Alemão”. Nada mais “Alemão” do que ele, o que Brahmas estava pensando? A reavaliação do Réquiem veio através de Schoenberg e seu brilhante ensaio Brahms the progressive. Então, a história da percepção a Brahms descreveu um círculo completo: a partir da década de 1860, seu trabalho passou a ser visto como “moderno” e “difícil”. As depreciações do inimigo Wagner o tornaram “clássico” e “‘acadêmico” em 1880. E, em meados do século XX, o homem voltou a ser moderno e denso. Agora, é eterno. (…)
Johannes Brahms (1833-1897): Um Réquiem Alemão (Ein Deutsches Requiem)
1. Ein Deutsches Requiem (A German Requiem) Op. 45: I. Selig Sind, Die Da Leid Tragen (Ziemlich Langsam) 9:57
2. Ein Deutsches Requiem (A German Requiem) Op. 45: II. Denn Alles Fleisch Es Ist Wie Gras (Langsam, Marschmässig) 14:14
3. Ein Deutsches Requiem (A German Requiem) Op. 45: III. Herr, Lehre Doch Mich (Andante Moderato) 9:13
4. Ein Deutsches Requiem (A German Requiem) Op. 45: IV. Wie Lieblich Sind Deine Wohnungen (Mässig Bewegt) 4:54
5. Ein Deutsches Requiem (A German Requiem) Op. 45: V. Ihr Habt Nun Traurigkeit (Langsam) 7:34
6. Ein Deutsches Requiem (A German Requiem) Op. 45: VI. Denn Wir Haben Hie Keine Bleibende Statt (Andante) 10:43
7. Ein Deutsches Requiem (A German Requiem) Op. 45: VII. Selig Sind Die Toten (Feierlich) 10:30
Dorothea Röschmann, soprano
Thomas Quasthoff, barítono
Rundfunkchor Berlin
Simon Halsey
Berliner Philharmoniker
Sir Simon Rattle
Link restaurado, com direito a versão em .flac e booklet do CD. IM-PER-DÍ-VEL !!!
Os nossos ídolos estão morrendo. O último da lista é Nikolaus Harnoncourt, o grande maestro austríaco, que foi um dos maiores especialistas em repertório barroco.
Quando se fala em interpretações historicamente informadas, foi ele o precursor. Sem ele, músicos do calibre de John Eliot Gardiner, Christopher Hogwood, entre tantos outros, talvez tivessem enveredado por outros caminhos da regência.
Faço uma modesta, porém sincera, homenagem a esta grande figura. Esta gravação do Réquiem Alemão de Brahms foi realizada em 2007, com sua querida Filarmônica de Viena e seu tradicional “Arnold Schoenberg Chor”, com o qual realizou diversos trabalhos. Acho que neste momento de luto, nada mais adequado que a obra prima de Brahms para homenagear este que foi um dos grandes nomes da regência dos Séculos XX e XXI.
P.S. A vida tem destas ironias… Nesta data, 27 de novembro, há exato um ano atrás, meu irmão mais velho veio a falecer, devido a complicações decorrentes de um transplante de rim. Era uma pessoa muito culta e instruída, falava três ou quatro idiomas, foi oficial da Marinha, viveu nos Estados Unidos durante o período do ‘flower power’ hippie, no final dos anos 60, conheceu vários lugares do mundo, incluindo África, Índia, Austrália… Comecei o texto desta postagem dizendo que nossos ídolos estão todos morrendo, em alusão ao falecimento de Nikolaus Harnoncourt, e posso dizer que meu primeiro ídolo e herói, este meu irmão, também está nesta lista de referências, com certeza. São estas pessoas que nos inspiram, que nos ajudam a fazermos nossas escolhas.
Então dedico esta postagem a este meu irmão, Mauricio. Nem imaginas como fazes falta, mano… Sei que quando chegar a minha hora, vamos nos reencontrar, e continuar nossas discussões e conversas sobre cinema, música e literatura, temas que ele adorava mais que tudo.
Johannes Brahms (1833-1897) – Ein Deutches Requiem – Harnoncourt, Wiener Philharmoniker, Arnold Schoenberg Chor
01 – I. Selig sind, die da Leid tragen (Ziemlich langsam und mit Ausdruck)
02 – II. Denn alles Fleisch, es ist wie Gras (Langsam, marschmäßig)
03 – III. Herr, lehre doch mich (Andante moderato)
04 – IV. Wie lieblich sind deine Wohnungen (Mäßig bewegt)
05 – V. Ihr habt nun Traurigkeit (Langsam)
06 – VI. Denn wir haben hier keine bleibende Statt (Andante)
07 – VII. Selig sind die Toten (Feierlich)
Genia Kühmeier – Soprano
Thomas Hampson – Baritone
Arnold Schoenberg Chor
Wiener Philharmoniker
Nikolaus Harnoncourt – Conductor
Para ouvir e chorar, de tão lindo e dilacerante que é.
Às vezes eu sinto que é bom fazer uma postagem arrasa-quarteirão, enfiar goela adentro de vocês uma baita música e, bem, encarem esta postagem como tal. Um Réquiem Alemão de Brahms já foi postado no PQP, mas em duas gravações que, numa boa, não são tudo aquilo. O que posso fazer se Herreweghe e Gardiner ficam abaixo de Abbado e a Filarmônica de Berlim? Nada, né? É curiosa a relação que a Filarmônica de Berlim tem com o Réquiem. Karajan o gravou 4 vezes, sempre superando-se e, em 1993, Abbado tratou de fazer o mesmo… Questão de costume, talvez.
Dois acontecimentos fizeram Brahms compor o seu Réquiem: o falecimento, em 1856, do amigo e mentor Robert Schumann — então ele compôs o primeiro movimento — e a morte de sua mãe em fevereiro do ano de 1865 — quando completou a obra, estreada em 1868. O Réquiem tem uma letra estranha, pois fala pouco em Deus, mas há nele um indiscutível e profundo sentimento religioso. Sim, sou ateu, porém saibam que é uma tremenda bobagem chamá-lo de Réquiem Ateu. Cito isto porque tal absurdo foi bastante divulgado durante uma época. Basta ler o texto e ouvir a música para que notemos o tamanho da besteira.
Conheci o Réquiem quando adolescente, ao mesmo tempo que ouvia pelas primeiras vezes a Sinfonia Nº 1. Mal sabia que aquele grande compositor “sinfônico” seria amado por mim principalmente por sua música de câmara.
Em seu blog, o colega Milton Ribeiro referiu-se uma vez ao Um Réquiem Alemão.
Johannes Brahms (1833-1897): Um Réquiem Alemão (Abbado, BPO)
1 I. Selig Sind, Die Da Lied Tragen (Chor). Ziemlich Langsam Und Mit Ausdruck 10:26
2 II. Denn Alles Fleisch, Es Ist Wie Gras (Chor). Langsam Marschmäßig – Un Poco Sostenuto (Aber Des Herrn Wort) – Allegro Non Troppo (Die Erlöseten Des Herrn) 15:04
3 III. Herr, Lehre Doch Mich (Bariton Und Chor). Andante Moderato 10:29
4 IV. Wie Lieblich Sind Deine Wohnungen (Chor). Mäßig Bewegt 5:56
5 V. Ihr Habt Nun Traurigkeit (Sopran Und Chor). Langsam 7:38
6 VI. Denn Wir Haben Hie Keine Bleibende Statt (Bariton Und Chor). Andante – Vivace (Denn Es Wird Die Posaune Schallen) – Allegro (Herr, Du Bist Würdig) 12:23
7 VII. Selig Sind Die Toten, Die In Dem Herrn Sterben (Chor). Feierlich 11:41
Baritone Vocals – Andreas Schmidt
Choir – Eric-Ericson-Kammerchor*, Schwedische Rundfunkchor*
Chorus Master – Gustaf Sjökvist
Conductor – Claudio Abbado
Orchestra – Berliner Philharmoniker
Soprano Vocals – Cheryl Studer
Todo mês a revista francesa Classica faz uma escuta às cegas de uma obra: ouvem várias gravações sem saber quem está tocando e elegem a melhor. É engraçado pois muitas vezes eles espinafram e desmoralizam músicos consagrados. Vejamos o que os franceses disseram sobre gravações da famosa sonata para piano e violino de César Franck…
Kaja Danczowska e Krystian Zimerman (1996), Gidon Kremer e Oleg Maisenberg (1980) adotam a mesma abordagem: flexibilidade nos fraseados e sensualidade na bela linha vocal.
Martha Argerich, “sempre espirituosa e fogosa” ofusca, em duas gravações diferentes, seus parceiros Itzhak Perlman e Dora Schwarzberg. Esta última “copia Brahms” e é “totalmente sufocada” por Martha”. Sobre Perlman com Vladimir Ashkenazy, os franceses dizem: “belas passagens, apesar de um violino muito sentimental”, “violino canta bem, mas muito monocromático”.
“Confundir César Franck com Brahms ou Schumann é, infelizmente, muito comum na interpretação da Sonata em Lá maior.” Este é o caso de Joshua Bell e Jean-Yves Thibaudet (1989) ou Sarah Chang e Lars Vogt (EMI, 2003). Quanto à gravação de Anne-Sophie Mutter, o conselho é: “fujam” pois ela “dominou um pálido e muito tímido Lambert Orkis”.
Sobre a dupla Oïstrakh/Richter: “a intensidade dramática, o calor expressivo, a generosidade, que emergem deste duo são surpreendentes”, “o diálogo entre os dois é constante, eles atravessam um turbilhão de sentimentos” mas o final é mais discutível: “óbvia falta de simplicidade”, “parece um Beethoven piorado”. O bronze fica com eles.
A medalha de prata vai para Arthur Grumiaux e Georgy Sebök, em gravação de 1978. “Os dois artistas, respeitando o texto, criam uma atmosfera serena de mistério, ternura modéstia: uma atmosfera de música de câmara francesa”, “clareza e naturalidade”, “uma bela versão em que falta um pouco mais de veemência”
O topo do pódio fica com Christian Ferras e Pierre Barbizet nesta gravação de 1965 que aparece no CD de hoje. No allegretto “tudo é pensado, refletido e se torna claro”, “violino e piano cantam naturalmente, sem nunca tentar qualquer hegemonia”. O Allegro final é “igualmente perfeito”, com “uma multidão de climas que são perfeitamente executados: tanto o caráter popular do primeiro tema como o lado um pouco religioso do motivo central”, “muita elegância e inteligência nos fraseados”.
Esses dois CDs trazem ainda as três sonatas para violino e piano de Brahms, em gravações que FDP Bach anos atrás disse que estão entre suas favoritas, e os três Romances de Robert Schumann, originalmente compostos para oboé e piano, mas que Clara Schumann, aparentemente, foi a primeira a tocar com um violinista. Temos ainda a sonata em lá menor de Schumann, romântica e obsessiva, da época e que a saúde mental do compositor já se encontrava em estado delicado. No 3º movimento, convivendo com todos esses sentimentos, há também uma forte influência do contraponto de Bach, que o casal Schumann estudou profundamente.
Last but not least, a sonata do belga Guillaume Lekeu, também absolutamente romântica e melancólica. Tendo morrido na França aos 24 anos de febre tifóide, esse compositor deixou poucas obras, dentre as quais a mais conhecida é essa sonata que encarna perfeitamente o romantismo tardio.
Todo esse repertório é muito bem executado pela dupla francesa. Existem outros violinistas com som mais brilhante, mas pouquíssimos conseguiram tirar do violino sonoridades tão melancólicas, atormentadas e ao mesmo tempo elegantes.
CD 1:
César Franck – Sonate pour piano et violon
1. Allegretto moderato – 6:00
2. Allegro – 7:54
3. Recitativo – Fantasia – 6:45
4. Allegretto poco mosso – 5:40
Guillaume Lekeu – Sonate pour piano et violon
5. I Très modéré – 10:52
6. II Très lent – 8:55
7. III Très animé – 8:57
Johannes Brahms – Sonate pour violon et piano n° 2
8. I Allegro amabile – 7:51
9. II Andante tranquillo… – 6:23
10. III Allegretto grazioso – 5:08
CD 2:
Johannes Brahms – Sonate pour violon et piano n° 1
1. Vivace ma non troppo – 9:47
2. Adagio – 7:52
3. Allegro molto moderato – 8:35
Johannes Brahms – Sonate pour violon et piano n° 3
4. I Allegro – 7:44
5. II Adagio – 4:24
6. III Un poco presto e con sentimento – 3:07
7. IV Presto agitato – 5:58
Robert Schumann – Sonate pour violon et piano n° 1, op. 105
8. I Mit Leidenschaftlichem Ausdruck – 7:06
9. II Allegretto – 3:42
10. III Lebhaft – 5:02
Robert Schumann – 3 Romances pour violon et piano, op. 94
11. I Nicht schnell (Moderato) – 2:28
12. II Einfach, innig (Semplice, affettuoso) – 3:19
The Lord’s Prayer Mormon Tabernacle Choir The Philadelphia Orchestra Dir. Eugene Ormandy 1957
Esta é uma gravação de 1957, digitalizada de uma fita mini K-7 que comprei em 1970, portanto sejam generosos ao avaliar a qualidade do som.
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Palhinha: ouça 02. Come, come ye saints
01. The Lord’s Prayer (from the “Oratorio from the Book of Mormon”
02. Come, come ye saints
03. Blessed are they that mourn (Brahms, from “A German Requiem”)
04. O, my Father
05. How great the wisdom and the love
06. Messe solennelle en l’honneur de Sainte-Cécile: Holy, Holy, Holy (Gounod)
07. 148th Psalm
08. David’s lamentation (II Samuel 18:33)
09. Londonderry air
10. Battle hymn of the Republic
11. Messiah, HWV 56: Halellujah (Händel)
12. Messiah, HWV 56: For unto us a child is born (Isaiah 9:6-7) (Händel)
The Lord’s Prayer – 1957
Mormon Tabernacle Choir & The Philadelphia Orchestra
Dir. Eugene Ormandy
Só tem obra prima nestes três CDs que ora vos trago das obras de câmara de Brahms. Começando pelos dois quartetos op. 51, e terminando com o Quinteto op. 34 e com o Quarteto de Cordas op. 88, trata-se de música de altissimo nível, e magnificamente interpretadas. Reconheço que para algumas destas obras minha escolha de intérpretes seria outra, mas pensemos no coletivo. A Deutsche Grammophon sabe bem o que está fazendo quando seleciona o que vai ser apresentado nestes cds, são mais de 100 anos de experiência no mercado fonográfico.
Então vamos ao que viemos.
CD 7
01. String Quartet no.1 in C minor,op.51 no.1 Allegro
02. Romanze. Poco adagio
03. Allegretto molto moderato e commodo
04. Allegro
05. String Quartet no.2 in A minor,op.51 no.2 Allegro non troppo
06. Andante moderato
07. Quasi Minuetto, moderato – Allegretto vivace – Tempo di Minuetto
08. Finale. Allegro non assai
Emerson String Quartet
CD 8
01. String Quartet no.3 in B minor,op.67 Vivace
02. Andante
03. Agitato (Allegretto non troppo)
04. Poco Allegretto con variazioni – Doppio Movimento
Emerson String Quartet
05. Trio for piano,Violin and Horn in E flat major,op,40 Andante
06. Scherzo. Allegro
07. Adagio mesto
08. Finale. Allegro con brio
Norbert Hauptmann – French Horn
Thomas Brandis – Violin
Tamás Vásáry – Piano
CD 9
01. Quintet for piano,2 Violins, Viola and violoncello in F minor,op,34 Allegro non troppo – Poco sostenuto – Tempo I
02. Andante un poco adagio
03. Scherzo. Allegro
04. Finale. Poco sostenuto – Allegro non troppo – Tempo I – Presto non troppo
Emerson String Quartet
Leon Fleischer – Piano
05. String Quartet no.1 in F major,op,88 Allegro non troppo, ma con brio
06. Grave ed appassionato – Allegretto vivace – Tempo I – Presto – Tempo I
07. Allegro energico
Provavelmente meu primeiro contato com a obra de câmera de Brahms foi através destes Trios, com o magnífico Beaux Arts Trio. Nem preciso dizer que foi paixão a primeira vista, ou audição. Posteriormente tive acesso a essa coleção que ora posto, então pude conhecer mais a fundo a obra de Brahms que reconheço não ser fácil de assimilar num primeiro momento. São necessárias várias horas de dedicação exclusiva, para assimilar toda a riqueza harmônica e melódica dessas obras. Ouçam com atenção o Trio op. 101, e confiram se não estou falando a verdade.
CD 4
01. Trio for piano,Violin and Violoncello no.1 in B minor,op.8 Allegro con brio
02. Scherzo Allegro molto
03. Adagio
04. Finale Allegro
05. Trio for piano,Violin and Violoncello no.2 in C minor,op.87 Allegro
06. Andante con moto
07. Scherzo. Presto
08. Allegro giocoso
Augustin Dumay – Violin
Jian Wang Cello
Maria João Pires – Piano
CD 5
01. Trio for piano,Violin and Violoncello no.3 in C minor,op.101 Allegro energico
02. Presto non assai
03. Andante grazioso
04. Allegro molto
Thomas Brandis – Violin
Ottomar Borwitzky – Cello
Tamás Vásáry -Piano
05. Quartet for Piano,Violin,Viola and Violoncello no.2 in A minor,op.26 Allegro non troppo
06. Poco adagio
07. Scherzo. Poco allegro
08. Finale. Allegro
Thomas Brandis – Violin
Tamás Vásáry – Piano
Wolfram Christ – Viola
Ottomar Borwitzky – Cello
CD 6
01. Quartet for Piano,Violin,Viola and Violoncello no.1 in G minor,op.25 Allegro
02. Intermezzo. Allegro ma non troppo
03. Andante con moto
04. Rondo alla Zingarese. Presto – Meno presto – Molto presto
05. Quartet for Piano,Violin,Viola and Violoncello no.3 in G minor,op.60 Allegro non troppo
06. Scherzo. Allegro
07. Andante
08. Finale. Allegro commodo
Performer: Tamás Vásáry – Piano
Ottomar Borwitzky – Cello
Wolfram Christ – Viola
Thomas Brandis Violin
Dias atrás, aqui mesmo no PQPBach, trouxe para os senhores uma versão século XXI das Estações de Vivaldi, “recomposta” pelo compositor alemão Max Richter, na interpretação brilhante de Daniel Hope. Hoje trago as próprias Quatro Estações com o mesmo Daniel Hope, que para variar dá outro show de competência, técnica e virtuosismo, acompanhado da Zürcher Kammerorchester. Rameau, Tchaikovsky, Bach, Schumann entre outros, também estão presentes neste CD.
Eis uma bela trilha sonora para esperar a Primavera, que chega daqui em 30 dias.
01. Vivaldi- Concerto In E Major ”La primavera”, Op. 8, No. 1, RV 269-1. Allegro
02. Vivaldi- Concerto In E Major ”La primavera”, Op. 8, No. 1, RV 269-2. Largo
03. Vivaldi- Concerto In E Major ”La primavera”, Op. 8, No. 1, RV 269-3. Allegro
04. Vivaldi- Concerto In G Minor ”L’estate”, Op. 8, No. 2, RV 315-1. Allegro non molto
05. Vivaldi- Concerto In G Minor ”L’estate”, Op. 8, No. 2, RV 315-2. Adagio
06. Vivaldi- Concerto In G Minor ”L’estate”, Op. 8, No. 2, RV 315-3. Presto
07. Vivaldi- Concerto In F Major ”L’autunno”, Op. 8, No. 3, RV 293-1. Allegro
08. Vivaldi- Concerto In F Major ”L’autunno”, Op. 8, No. 3, RV 293-2. Adagio molto
09. Vivaldi- Concerto In F Major ”L’autunno”, Op. 8, No. 3, RV 293-3. Allegro
10. Vivaldi- Concerto In F Minor ”L’inverno”, Op. 8, No. 4, RV 297-1. Allegro non molto
11. Vivaldi- Concerto In F Minor ”L’inverno”, Op. 8, No. 4, RV 297-2. Largo
12. Vivaldi- Concerto In F Minor ”L’inverno”, Op. 8, No. 4, RV 297-3. Allegro
13. Frahm- Ambre (Arr. By Christian Badzura)
14. Rameau- Les Indes galantes, RCT 44 – Entrée IV-Danse des sauvages
15. Richter- Recomposed By Max Richter- Vivaldi, The Four Seasons-Spring 1
16. Aphex Twin- Avril 14th (Arr. By Christian Badzura)
17. Traditional- Amazing Grace (Arr. By Daniel Hope And Dom Bouffard)
18. Tchaikovsky- The Seasons, Op.37b-June (Arr. By Daniel Hope And Jacques Ammon)
19. Schumann- Dichterliebe, Op.48-12. Am leuchtenden Sommermorgen (Arr. By Daniel Hope)
20. Chilly Gonzales- Les doutes d’août
21. Weill- Knickerbocker Holiday-September Song (Arr. By Paul Bateman)
22. Molter- Concerto Pastorale In G Major-Aria II- Lento e sempre piano
23. J.S. Bach- Cantata, BWV 115 ”Mache dich, mein Geist, bereit”-Aria ”Bete aber auch dabei”
24. Chilly Gonzales- Wintermezzo
25. Brahms- Fünf Lieder für eine Stimme, Op. 49-Guten Abend, gut Nacht (Arr. By Daniel Hope)
Se existe uma tradição aqui no PQPBach é evitar deixar esta coleção da Deutsche Grammophon sem link. Explico: Brahms é um dos compositores mais amados e queridos deste que escreve e tenho certeza de que assim também se sentem os demais membros do blog. E nesta gravação temos 11 cds de puro deleite, com a excepcional produção de música de câmera do mestre alemão, interpretada por grandes músicos, sem exceção. Desde Pinchas Zukerman, que abre esta coleção ao lado de Daniel Baremboim, até grandes grupos do passado, como o Amadeus Quartet.
Quando jovem, lá pelos meus vinte e poucos anos, ganhei uma caixa com nem sei quantos LPs, que tinha exatamente esta proposta, ou seja, apresentar a obra de câmera de Brahms. Desconheço se a gravadora Deutsche Grammophon fez o mesmo com outros compositores de mesmo quilate, como Beethoven ou Mozart. Mas enfim, deixem-me contar o resto da história: esta caixa me foi dada de presente por um grande amigo. A encontramos a venda em uma Loja de Discos ali nos arredores da Estação da Luz, em São Paulo. Havia uma espécie de saldão, tudo muito barato, no preço de hoje talvez menos de um real por disco. Fiquei em polvorosa, mas era um duro, o salário mal dava para pagar as contas de final de mês. Meu amigo resolveu então comprar a tal da caixa e me dar de presente. Fiquei absolutamente envolvido por aqueles discos pelos próximos meses. Ouvi-os de cabo a rabo, como diz o outro. Devorei os sextetos, os quartetos, os quintetos, os trios, as sonatas para violino … e claro que também decorava os nomes dos intérpretes: Os quartetos eram interpretados pelo Quarteto Amadeus, as Sonatas para violino eram com o Christian Ferras, Pierre Fournier era o cellista, Karl Leister o clarinetista, enfim, os grandes nomes do passado.
Bem, ainda tenho a caixa. Os senhores podem ver a capa dela na foto abaixo. Está muito bem conservada, mas ela tem um sério problema, que acometeu praticamente todas aqueles últimos discos em vinil daquela época, lembrando que estava iniciando o advento do CD, então a qualidade da prensagem era sofrível. Baixa, com ruídos, feita com desatenção, ou nem era desatenção e sim falta de interesse por parte da gravadora, ou pela distribuidora dela na época, a extinta Polygram. Nosso mentor PQPBach também a tem e reclama pelo mesmo motivo.
Nesta ‘modernização’ que a mesma Deutsche Grammophon fez há alguns anos atrás, atualizou os intérpretes para inseri-la numa coleção intitulada “Brahms Edition”. E é essa a caixa que ora vos trago.
Então nestes três primeiro cds, de onze, vos trago as Sonatas para Violino e Piano, nas mãos de Pinchas Zukerman e Daniel Baremboim, as Sonatas para Violoncelo, com Rostropovich e Serkin, e as belíssimas sonatas para clarinete, com outro ídolo do PQPBach, Karl Leister, um dos maiores clarinetistas da história.
Então comecemos mais uma saga.
CD 1
01 – Sonata for Piano and Violin no.1 in G major,op.78 1.Vivace ma non troppo
02 – Adagto
03 – Allcgro molto moderato
04 – Sonata for Piano and Violin no.2 in A major,op.100 Allegro amadtle
05 – Andante tranquillo
06 – Allegretto grazioso
07 – Sonata for Piano and Violin no.3 in D major,op.108 Allegro
08 – Adagio
09 – Un poco presto e con sentimento
10 – Presto agitato
11 – F.A.E._Sonata,WoO post.2 for Piano and Violin
Daniel Baremboim – Piano
Pinchas Zukerman – Violino
CD 2
01 – Sonata for Piano and Violoncello no.1 in E minor,op.38 Allegro non troppo
02 – Allegretto quasi Menuetto
03 – Allegro
04 – Sonata for Piano and Violoncello no.2 in F minor,op.99 Allegro vivace
05 – Adagio affettuoso
06 – Allegro passionato
07 – Allegro molto
Mistslav Rostropovich – Cello
Rudolf Serkin – Piano
CD 3
01. Sonata for Clarinet and piano no.1 in F minor,op.120 no.1 Allegro apassionato
02. Andante un poco adagio
03. Allegretto grazioso
04. Vivace
05. Sonata for Clarinet and piano no.2 in E minor,op.120 no.2 Allegro amabile
06. Allegro appassionato
07. Andante con moto
Karl Leister – Clarinete
Jorg Demus – Piano
08. Trio for piano,Clarinet and Violoncello in A minor,op.114 Allegro
09. Adagio
10. Andante grazioso
11. Allegro
Karl Leister – Clarinete
Tamás Vasary – Piano
Ottomar Borwitzky – Cello
Sei, há Beethoven, Mozart, Bruckner, Mahler e Shostakovich, mas, em minha humilde opinião, esta sinfonia é a melhor que conheço. Brahms era visto como o sucessor de Beethoven e estava muito preocupado em ser digno da tradição sinfônica do mestre. Tão preocupado estava que preparou sua primeira sinfonia ao longo de mais de 20 anos. Sua composição iniciou-se em 1854 e sua finalização só ocorreu em 1876.
O maestro Hans von Bülow apelidou-a de “A Décima de Beethoven”, o que é apenas uma frase de efeito. Não pretendo desconsiderar que há uma citação da Nona de Beethoven no último movimento, porém os fatos obrigam-me a encarar isto como uma demonstração de gratidão a seu antecessor, ao qual tanto devia – ou, corrigindo, ao qual tanto devemos… Depois de anos e anos como ouvinte, afirmo tranquilamente que, até mais do Beethoven, o que há aqui é Schumann, principalmente na forma inteligente como foram desenvolvidos os elos entre os movimentos que parecem brotar logicamente um do outro. No mais, a Primeira de Brahms é uma derivação autêntica, exclusiva e original do estilo empregado por Brahms em sua música de câmara. Ademais, Brahms – que estreou sua sinfonia quarenta e nove anos após a morte de Beethoven – aborda o gênero de forma diversa, dando, por exemplo, extremo cuidado à orquestração e chegando a verdadeiros achados no segundo movimento e na introdução ao tema do último tema: aquele esplêndido solo de trompa, seguido da flauta e do arrepiante trio de trombones. Tais cuidados orquestrais evidentemente não revelam um compositor maior que Beethoven, apenas revelam que o tempo tinha passado, que Brahms já tivera contato com as orquestrações de Rimsky-Korsakov, Berlioz, Wagner, Liszt (os dois últimos eram seus inimigos), que Mahler tinha 16 anos de idade e que a Sinfonia Titã estaria pronta dali a 12 anos…
Seria idiotice dizer que tenho certeza de que tudo o que ouço nesta sinfonia está realmente lá? É que em minha opinião, Brahms resolveu apresentar nela todas as suas armas como compositor. A solidez da intrincada estrutura do primeiro movimento (Un poco sostenuto – Allegro) vem diretamente de alguns outros notáveis “primeiros movimentos” de sua música de câmara. Sua complicada estrutura rítmica e aparente rispidez causa certo desconforto a ouvintes mais acostumados a gentilezas. Sua estrutura não é nada beethoveniana, os temas são mostrados logo de cara, sem as lentas introduções de nosso homem de Bonn e nada de motivos curtos e afirmativos. Afinal, estamos ouvindo nosso homem de Hamburgo! Se o primeiro movimento demonstra toda a maestria do compositor ao lidar com diversas vozes e linhas rítmicas, o próximo é um arrebatador andante (Andante sostenuto) que parece pretender mostrar “vejam bem: além daquilo que ouviram, eu também faço melodias sublimes”. A melodia levada pelo primeiro violino ao final do andante é belíssima e inesquecível. O terceiro movimento (Un poco Allegretto e grazioso) nos diz que “além daquilo que ouviram, eu também faço scherzi divertidíssimos, viram?”. Claro que não chegamos à alegria demonstrada nos scherzi de Bruckner, porém, para um sujeito contido como foi Brahms, a terceira parte da sinfonia chega a ser uma galinhagem.
O último movimento é um capítulo à parte. É a música perfeita. Há a já citada introdução de trompas e trombones, mas há principalmente um dos mais belos temas já compostos. Meus livros estão dentro de caixas esperando por uma mudança e não posso conferir o que direi a seguir: no livro Doutor Fausto, de Thomas Mann, o personagem principal Adrian Leverkühn vende sua alma ao demônio em troca da glória e da imortalidade como compositor. Feito o negócio – no mais belo capítulo já escrito: o diálogo entre Adrian e o Demônio, que deverá estar figurando como papel de parede no lavabo de minha nova casa -, Adrian vai compor e… bem, ele acaba escrevendo uma peça muito parecida com o tema a que me refiro e a abandona. Seria este um sinal de Mann, indicando que seu personagem partiria do ponto mais alto existente para a construção de uma obra estupefaciente? Creio que sim, creio que sim. Mas, sabem?, não vou gastar meu latim descrevendo o tema que aparece aos 5 minutos do último movimento da sinfonia para ser transformado e retorcido até seu final.
Afinal, ele está aqui. A sinfonia completa está. Há versões melhores do que esta, mas o registro de Haitink é ótimo. Abbado — com uma abordagem de rispidez muito mais prussiana do que Karajan, em minha opinião por demais respeitoso – , Bernstein — que a aborda com o mais desbragado romantismo — são os campeões, em minha opinião. Os registros de Böhm e de, surpresa!, Riccardo Muti também não são nada desprezíveis.
Não é música para diletantes leigos como eu. Como a ouço há anos, posso avaliar como deve ser difícil equilibrar a rigidez formal e a imaginação melódica de uma sinfonia de orquestração complexa e que – inteiramente dentro da tradição de contrastes das sinfonias – parece pretender abarcar o mundo, mostrando-se ora imponente, ora delicada; ora jocosa, ora séria.
Johannes Brahms (1833-1897): Sinfonia Nº 1 e Abertura Trágica
1. Symphony No. 1 in C minor, Op. 68: I. Un poco sostenuto – Allegro 13:42
2. Symphony No. 1 in C minor, Op. 68: II. Andante sostenuto 8:38
3. Symphony No. 1 in C minor, Op. 68: III. Un poco allegretto e grazioso 4:43
4. Symphony No. 1 in C minor, Op. 68: IV. Adagio – Allegro non troppo ma con brio 17:17
Estes dias o compadre Vassily deixou todo mundo boquiaberto ao comentar que um dia recebeu um email do pianista Murray Perahia, querendo informações sobre o grande Antônio Guedes Barbosa, que Vassily está concedendo a graça de ressuscitar para nossos ouvidos aqui no blog.
Pois bem: desde aquele dia não parei de pensar que a única postagem que o Monge Ranulfus fez envolvendo Murray Perahia estava fora do ar há muito tempo – e que, uma vez a tenham conhecido, xs senhorxs hão de convir que isso foi um grave pecado de sua parte!
Assim, o monge resolveu aproveitar o domingo para se penitenciar, mesmo se um tanto pela metade, pois no momento pode apenas revalidar o link, e não acrescentar à postagem um texto decente – o mesmo que, coincidentemente, aconteceu há mais de cinco anos, quando da postagem original. Mas pra não dizer que não falei das obras, vamos lá: duas ou três palavras:
Tanto as Variações do 3º quanto a Sonata do 4º Grande B existem também em versões com orquestra (no caso de Bartók, na forma do Concerto para 2 pianos e orquestra, de 1940), mas foram compostas originalmente na forma para dois pianos que se ouve aqui.
As variações de Brahms são tradicionalmente ditas “sobre um tema de Haydn”, mas não é preciso ouvir mais que um compasso para perceber que essa atribuição deve ser questionada, como de fato tem sido. O tema também é referido como “Hino de Santo Antônio”, e com ele as variações – as quais foram estreadas pelo próprio Brahms e por Clara Schumann (quem mais?) numa audição privada em Bonn, em 1873.
E agora, Brahms & Bartók por Solti & Perahia ficam com vocês!
Béla Bartók: Sonata para 2 pianos & percussão (1937)
01 I Assai lento 12:50
02 II Lento ma non troppo 06:27
03 III Allegro non troppo 06:37
Johannes Brahms: Variações sobre um tema de Joseph Haydn
(‘Chorale Sankt Antoni’) para 2 pianos, op.56b (1873)
04 Thema: Chorale St. Antoni: Andante
05 Var.1 Andante con motto
06 Var.2 Vivace
07 Var.3 Con motto
08 Var.4 Andante
09 Var.5 Poco presto
10 Var.6 Vivace
11 Var.7 Grazioso
12 Var.8 Poco presto
13 Finale: Andante
Murray Perahia e Sir Georg Solti, pianos David Corkhill e Evelyn Glennie, percussão
Gravado na Inglaterra em 1987
O Japão costuma idolatrar os virtuosos do piano, porém se um pianista ou músico cancela um concerto no último momento, as consequências são implacáveis. Certa vez, o famoso Arturo Benedetti Michelangeli recusou-se a tocar por algum motivo. Em resposta, confiscaram seu piano pessoal e o mundo musical nipônico declarou-o persona non grata pelo resto da vida. Martha Argerich, hoje com 75 anos, décadas atrás também suspendeu um concerto em Tóquio, o último de sua primeira turnê do Japão, que estava sendo apoteótica. O imperador estaria presente, mas Martha brigara com seu namorado da época, o regente Charles Dutoit, e pegou um avião para o Alaska sem avisar ninguém. Jamais seria perdoada, só que… No ano seguinte, voltou ao Japão pagando sua passagem e deu 14 concertos sem receber nada. O mesmo organizador que tinha sido lesado por ela recebeu a renda de todos os 14 concertos, só que… Ela fez com que um pianista angolano — um dos muitos jovens que Martha auxiliou — sentasse a seu lado para virar as páginas da partitura. O angolano usava uma túnica sem mangas e a exposição da pele masculina no Japão é considerada quase tão obscena como o cancelamento de um concerto, mas ninguém disse nada porque Martha Argerich é algo sobre-humano para os japoneses.
Martha Argerich já tocou com lombalgia, com infecção dentária, em cadeira de rodas, de minissaia (pois perderam sua mala no aeroporto), com grama no cabelo (fizeram-na tocar numa floresta), mas só os concertos que ela suspendeu ficaram famosos. Declara que o que a sufoca desde os oito anos de idade são algumas das características da vida no mundo da música clássica: “Eu não quero ser uma máquina de tocar piano. Vivo sozinha, toco sozinha, ensaio sozinha, como sozinha, durmo sozinha. É muito pouco para mim”. Daniel Barenboim, que a adora, disse: “Martha fez todo o possível para destruir sua carreira, mas não conseguiu”. O primeiro concerto foi cancelado aos dezessete anos, “só para saber como eu me sentiria.” Aos vinte anos, com uma carreira brilhante pela frente, ela passou três anos sem se aproximar de um piano, assistindo TV em um pequeno apartamento em Nova York. Quando o dinheiro acabava, trabalhava como secretária. Afinal, para algo devia servir ter os dedos tão rápidos. A poucas quadras dali, vivia Vladimir Horowitz. Ela tinha a intenção de ir falar com ele para dizer: “Ajude-me a voltar a tocar piano”. Nunca se atreveu a uma visita. Melhor, pois Horowitz estava há dez anos sem tocar em público, submetia-se a sessões regulares de eletrochoque e só aceitava gravar discos em sua própria casa. Mas Argerich, como sabemos, voltou a tocar. Após sua consagração no Concurso Chopin em Varsóvia, em 1965, ela foi ao estúdio de Abbey Road gravar um álbum, porque todos os seus amigos estavam em Londres. Deixaram-na sozinha com um piano no estúdio. Ela pediu uma jarra de café, olhou hesitante para o teclado e executou três vezes o repertório que tinha escolhido. Abandonou a jarra de café vazia e nem ouviu o que tinha gravado. E passou a morar em uma espécie de pensão musical chamada Clube de Londres.
Quem morava lá? Barenboim, Jacqueline Du Pré, Nelson Freire, Fou-Tsong, Kovacevic, todos com apenas um único telefone na entrada do prédio cheio de vazamentos, pianos, sofás comidos pelas traças e cinzeiros. Todos em total liberdade e camaradagem. Havia gente que estava na casa para tocar algum instrumento e os que estavam lá para ouvir e conviver. Para quase todos, aquela comunidade era uma espécie de interlúdio feliz, mas ela entendeu que queria viver assim para sempre. Alugou um orfanato do século XIX, em Genebra — cuja porta não tem chave — povoou-a de pianos, gatos e sofás e recebeu todos os jovens pianistas em crise que a procuraram. Ela os adotava até a recuperação. O(a) adotado(a) tocava piano, participava de jogos de adivinhação, dançava e cozinhava para as filhas de Martha quando ela saía em turnê. Ela tem três filhas de três homens diferentes, apesar de a vida em comunidade lhe dar um ar respeitoso de mulher casada.
Há um belo documentário filmado por sua filha mais nova. É a história íntima da mãe e das filhas. Em uma cena, todas estão sentadas na grama pintando as unhas dos pés. As filhas decidem pintar cada dedo da mãe de uma cor diferente. A agitada Annie, segunda filha (do citado Dutoit), diz que sua lembrança mais viva da infância é a de ficar deitada debaixo do piano, olhando os pés descalços de sua mãe até dormir. “Isto é minha mãe, mais do que seus cabelos, cigarros e gestos: onde já se viram pés tão grandes e tão femininos ao mesmo tempo?”. Stephanie, a mais jovem — diretora do documentário e filha do referido Stephen Bishop Kovacevich –, conta sobre a primeira vez que acompanhou sua mãe num concerto e sobre sua imensa provação: “Tudo era muito solene, muito dramático, eu não gostei, me senti estranha”. Ouviu todo o concerto angustiada nos bastidores até que sua mãe voltou: “Eu estava exausta e ela dez anos mais jovem.” Lyda, a mais velha e a única que já é mãe — é também violoncelista profissional –, fala de quando a mãe foi operada de um feio melanoma em 1999. Depois de três horas e meia na sala de cirurgia, ela estava feliz e radiante em contraste com o esgotamento dos cirurgiões. Eles se recusaram a fazer uma cirurgia convencional para abrir a caixa torácica de Martha, pois “uma pianista precisa de todos os músculos do seu corpo para tocar”.
Até hoje Martha Argerich avisa seus companheiros de palco para não lhe beijarem a mão ou tocarem seu cabelo. Ela não gosta. Já não vive em Genebra, mas em Bruxelas, numa casa também está cheia de pessoas, gatos e pianos. Como Tchékhov, que construiu uma casa para sua família e amigos e um quarto afastado para escrever, ela tem um pequeno apartamento em Paris onde apenas cabem um piano, uma cama, uma televisão e uma imagem de Liszt presa com fita adesiva na parede. Seu próximo projeto é uma pensão para artistas aposentados, como a que fundou Verdi em Milão para cantores que ficaram sem voz. De todas as suas formidáveis frases — “Quando os pianos não me querem, não os toco de jeito nenhum”, “Eu acho que eu nunca me senti exatamente mulher, só consigo me ver como a menina de cinco anos e o menino de quatorze que me habitam”, “Chopin é ciumento, exclusivo, faz com que você toque mal qualquer outro compositor”, “Como me saí hoje? Como um cavalo selvagem ou como um carrossel de cavalinhos?” — a minha favorita é “Sou um pouco infantil. Se fosse inteiramente infantil não diria”.
.oOo.
Milton Ribeiro escreve:
(1) Há uns dez anos, fui pedir um autógrafo a Martha Argerich após um concerto. Como já tenho certa experiência, não levei um CD, mas um disco de vinil para que a assinatura saísse maior. A foto da capa era bonita pacas. Ela pegou o disco com a mão direita e tapou a boca com a esquerda, fazendo cara de admiração. Olhou para mim e disse:
— Como eu era bonita! Agora sou tão feia, tão horrível, uma bruxa velha.
Comecei a responder que não era nada disso e ela fez um gesto mandando eu me calar:
— Não minta, por favor.
(2) Em janeiro deste ano, vi Martha Argerich tocar o Concerto Nº 3 de Prokofiev no Southbank Center, em Londres, com a Orquestra Filarmônica de São Petersburgo sob a regência de seu velho amigo Yuri Temirkanov. Foi um arraso. Não é somente uma das músicas que mais amo como é uma espécie de “Concerto de Martha”. Ninguém toca aquilo como ela, com aquela miraculosa exatidão e sensibilidade. Após a introdução, quando ela começou a tocar… Olha, não lembro de outra oportunidade em que eu chorei num concerto. Não houve escândalo, ninguém viu, mas aconteceu.
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Brahms / Lutoslawski / Prokofiev / Rachmaninov / Tchaikovsky: Music for Two Pianos
Piotr Tchaikovsky (1840-1893) · The Nutcracker – Suite
1. I. Ouverture miniature:- The Nutcracker, Suite from the Ballet (transcribed for two pianos by Nicolas Economu)
2. Marche:- The Nutcracker, Suite from the Ballet (transcribed for two pianos by Nicolas Economu), II. Danses caractérisque
3. Danse de la Fée Dragée:- The Nutcracker, Suite from the Ballet (transcribed for two pianos by Nicolas Economu), II. Danses caractérisque
4. Danse russe Trepak:- The Nutcracker, Suite from the Ballet (transcribed for two pianos by Nicolas Economu), II. Danses caractérisque
5. Danse Arabe:- The Nutcracker, Suite from the Ballet (transcribed for two pianos by Nicolas Economu), II. Danses caractérisque
6. Danse Chinoise:- The Nutcracker, Suite from the Ballet (transcribed for two pianos by Nicolas Economu), II. Danses caractérisque
7. Danse Mirlitons:- The Nutcracker, Suite from the Ballet (transcribed for two pianos by Nicolas Economu), II. Danses caractérisque
8. III. Danse des Fleurs:- The Nutcracker, Suite from the Ballet (transcribed for two pianos by Nicolas Economu)
Sergei Rachmaninov (1873-1943) · Suite No.2 for two pianos
9. I. Introduction (Alla marcia):- Suite No. 2 in C Op. 17
10. II. Valse (Presto):- Suite No. 2 in C Op. 17
11. III. Romance (Andantino):- Suite No. 2 in C Op. 17
12. IV. Tarentelle (Presto):- Suite No. 2 in C Op. 17
Disc: 2 Johannes Brahms (1833-1897) · Sonata in F minor for two pianos, Op. 34b
1. Allegro non troppo:- Sonata in F minor for 2 pianos Op.34b
2. Andante, un poco adagio:- Sonata in F minor for 2 pianos Op.34b
3. Scherzo (Allegro):- Sonata in F minor for 2 pianos Op.34b
4. Finale (Poco sostenuto – Allegro non troppo – Presto non troppo):- Sonata in F minor for 2 pianos Op.34b
Johannes Brahms (1833-1897) · St Antoni Variations
5. Theme – ‘St Anthony Choral’. Andante:- Variations on a theme by Haydn for 2 Pianos Op.56b
6. Variation I. Andante con moto:- Variations on a theme by Haydn for 2 Pianos Op.56b
7. Variation II. Vivace:- Variations on a theme by Haydn for 2 Pianos Op.56b
8. Variation III. Con moto:- Variations on a theme by Haydn for 2 Pianos Op.56b
9. Variation IV. Andante:- Variations on a theme by Haydn for 2 Pianos Op.56b
10. Variation V. Poco presto:- Variations on a theme by Haydn for 2 Pianos Op.56b
11. Variation VI. Vivace:- Variations on a theme by Haydn for 2 Pianos Op.56b
12. Variation VII. Grazioso:- Variations on a theme by Haydn for 2 Pianos Op.56b
13. Variation VIII. Poco presto:- Variations on a theme by Haydn for 2 Pianos Op.56b
14. Finale. Andante:- Variations on a theme by Haydn for 2 Pianos Op.56b
Sergei Prokofiev (1891-1953) . Symphony No.1 in D Major, Op.25 “Classical” (for two pianos):
15 I. Allegro 4:11
16 II. Larghetto 3:55
17 III. Gavotte. Non troppo Allegro 1:31
18 Finale. Molto vivace 4:20
Witold Lutosławski (1913-1994)
19 Variations on a Theme by Paganini for two pianos 5:34
Brahms levou relativamente um longo tempo para compor suas obras orquestrais: apenas na sua fase madura é que o gênero foi explorado em peças de fôlego. Sua primeira obra-prima sinfônica foi o Concerto para Piano Nº 1, que tem um caráter quase de sinfonia. As duas Serenatas, op. 11 e 16, são bem mais leves, mas são igualmente grandes trabalhos. Foram as Variações sobre um Tema de Haydn em sua versão orquestral que impulsionaram Brahms no gênero e abriram terreno para sua Primeira Sinfonia. Solene e dramática, esta sinfonia tem alguma afinidade com similares de Beethoven, principalmente com a Terceira e Quinta. Já a Segunda Sinfonia é mais mozartiana e pastoral — chega a lembrar a Sexta de Beethoven — com sua orquestração leve e brilhante. A Terceira, com dois movimentos lentos, um célebre terceiro movimento e um finale sombrio, que retoma as ideias do início, é a mais pessoal e enigmática. A Quarta Sinfonia é a mais conhecida delas juntamente com a Primeira. É merecido. Sua orquestração compacta e a monumental chacona do finale nos fazem lembrar papai Bach. Andris Nelsons vai bem, muito bem. Como sempre, aliás.
Johannes Brahms (1833-1896): As Sinfonias Completas
CD 01
01. Symphony No. 1 in C Minor, Op. 68_ I. Un poco sostenuto-Allegro
02. Symphony No. 1 in C Minor, Op. 68_ II. Andante sostenuto
03. Symphony No. 1 in C Minor, Op. 68_ III. Un poco allegretto e grazioso
04. Symphony No. 1 in C Minor, Op. 68_ IV. Adagio-Più Andante-Allegro non troppo ma con brio-Più Allegro
CD 02
01. Symphony No. 2 in D Major, Op. 73_ I. Allegro non troppo
02. Symphony No. 2 in D Major, Op. 73_ II. Adagio non troppo
03. Symphony No. 2 in D Major, Op. 73_ III. Allegretto grazioso (quasi andantino)
04. Symphony No. 2 in D Major, Op. 73_ IV. Allegro con spirito
05. Symphony No. 3 in F Major, Op. 90_ I. Allegro con brio
06. Symphony No. 3 in F Major, Op. 90_ II. Andante
07. Symphony No. 3 in F Major, Op. 90_ III. Poco Allegretto
08. Symphony No. 3 in F Major, Op. 90_ IV. Allegro-Un poco sostenuto
CD 03
01. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98_ I. Allegro non troppo
02. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98_ II. Andante moderato
03. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98_ III. Allegro giocoso
04. Symphony No. 4 in E Minor, Op. 98_ IV. Allegro energico e passionato
É um enorme privilégio ouvir um disco desses. Ao vivo, um concerto espetacular no Concertgebouw de Amsterdam reunindo meu maestro preferido Bernard Haitink e os extraordinários violinista e pianista Frank Peter Zimmermann e Emanuel Ax tocando o Concerto para Violino e o Nº 1 para Piano e Orquestra de Brahms. De quebra, Ax faz-se acompanhar por membros da orquestra para interpretar o Quarteto Op. 47 de Schumann. O que dizer mais? Que desempenhos! O quase nonagenário Haitink está cada vez melhor. Espero que siga assim até onde der. O cara está em estado de graça! Tudo que toca vira ouro. Os concertos recebem aqui uma das melhores interpretações que já ouvi. Confiram aí porque agora tenho que ouvir tudinovo.
Johannes Brahms (1833-1896): Concerto para Violino Op. 77 / Concerto para Piano Nº 1 Op. 15 & Robert Schumann (1810-1856): Quarteto para Piano Op. 47
CD 01
01. Brahms — Violin Concerto in D Major, Op. 77_ I. Allegro non troppo
02. Brahms — Violin Concerto in D Major, Op. 77_ II. Adagio
03. Brahms — Violin Concerto in D Major, Op. 77_ III. Allegro giocoso, ma non troppo vivace
CD 02
01. R. Schumann — Piano Quartet in E-Flat Major, Op. 47_ I. Sostenuto assai-Allegro ma non troppo
02. R. Schumann — Piano Quartet in E-Flat Major, Op. 47_ II. Scherzo_ Molto vivace
03. R. Schumann — Piano Quartet in E-Flat Major, Op. 47_ III. Andante cantabile
04. R. Schumann — Piano Quartet in E-Flat Major, Op. 47_ IV. Finale_ Vivace
05. Brahms — Piano Concerto No. 1 in D Minor, Op. 15_ I. Maestoso
06. Brahms — Piano Concerto No. 1 in D Minor, Op. 15_ II. Adagio
07. Brahms — Piano Concerto No. 1 in D Minor, Op. 15_ III. Rondo_ Allegro non troppo
Frank Peter Zimmermann, violino
Emanuel Ax, piano
Emanuel Ax & RCO Chamber Soloists
Royal Concertgebouw Orchestra
Bernard Haitink
Brahms, em sua furiosa autoexigência, não costumava errar. Publicar porcaria não era com ele, isso desde o início de sua carreira. Claro, que em suas Sonatas Completas, todas escritas na juventude, havia uma grandiloquência que ele não manteve, mas, pô, que belos exemplos de pianística romântica temos aqui! Muito influenciadas por Schumann, elas têm a característica de serem longas e muito difíceis, especialmente a terceira, uma das peças da minha mais absoluta preferência. Ela é uma das maiores sonatas pós-Beethoven já compostas. Em tamanho e qualidade. Eu também gosto da #1 e #2. Adoro o movimento final da sonata #1. A #2 é mais fácil que a #3, mas não pense que é muito mais. Digamos que fique no nível das Variações sobre um Tema de Paganini. Ou seja… E o Andante da terceira, que coisa linda! Curiosamente, estas Sonatas são negligenciadas. Talvez por suas enormes proporções. Mas é uma injustiça do cão.
O trabalho de François-Frédéric Guy é estupendo, cheio de técnica, senso de estilo romântico e compreensão.
Johannes Brahms (1833-1897): Complete Piano Sonatas
Disc 1:
1 Piano Sonata No. 2 in F-Sharp Minor, Op. 2: I. Allegro non troppo (Ma energico) 6:06
2 Piano Sonata No. 2 in F-Sharp Minor, Op. 2: II. Andante con espressione 5:24
3 Piano Sonata No. 2 in F-Sharp Minor, Op. 2: III. Scherzo (Allegro) 3:57
4 Piano Sonata No. 2 in F-Sharp Minor, Op. 2: IV. Finale (Sostenuto – Allegro non troppo e rubato) 11:44
5 Piano Sonata No. 1 in C Major, Op. 1: I. Allegro 11:37
6 Piano Sonata No. 1 in C Major, Op. 1: II. Andante 5:47
7 Piano Sonata No. 1 in C Major, Op. 1: III. Scherzo (Allegro molto e con fuoco) 5:58
8 Piano Sonata No. 1 in C Major, Op. 1: IV. Finale (Allegro con fuoco) 7:10
Disc 2
1 Piano Sonata No. 3 in F Minor, Op. 5: I. Allegro maestoso 10:34
2 Piano Sonata No. 3 in F Minor, Op. 5: II. Andante (Andante espressivo) 11:31
3 Piano Sonata No. 3 in F Minor, Op. 5: III. Scherzo (Allegro energico) 4:39
4 Piano Sonata No. 3 in F Minor, Op. 5: IV. Intermezzo (Andante molto) 3:32
5 Piano Sonata No. 3 in F Minor, Op. 5: V. Finale (Allegro moderato ma rubato) 7:40
Gostaria de compartilhar um pouco da minha relação com o PQP Bach.
Conheci o blog em 2009 e desde lá tenho sido um frequentador constante.
O trabalho de vocês é maravilhoso.
Conheci o blog através de um amigo. Inclusive tem uma historia curiosa com esse cara (o nome dele é José). O Zé é um cara legal, piadista. Aliás ele nunca perde a piada. Um dia comentei com ele que Bach era um pródigo consumidor de cerveja (que até fazia a sua em casa), o Zé então responde “Será que ele gostava de Brahms?”.
Eu gosto de Bach, cerveja e Brahms. Não necessariamente nessa ordem. Enfim, achei a piadinha engraçada, mas Bach provavelmente gostaria de Brahms se tivesse a oportunidade de ouvi-lo, acho que o Pai entenderia o romanticismo de Brahms completamente.
Bom, tudo isso pra agradecer verdadeiramente pelo Quinteto postado recentemente.
Tenho me identificado muitíssimo com o Op. 34 nos últimos meses. Tenho a impressão de que esse quinteto é como uma sala ampla e rica, cada dia tenho a oportunidade de apreciar um aspecto dela, e nessa sala as cordas e o piano preenchem os espaços de maneira bela, visceral muitas vezes, emotiva, triste, eufórica, alegre, de forma rica acima de tudo.
Incrível como essa obra se mantém moderna depois de mais de século.
Tenho a gravação do Kodály, que é minha preferida. Comprei esse CD em uma barraquinha de discos que havia no Instituto de Artes da Unicamp, isso há mais de 10 anos atrás. E só agora posso dizer que realmente desfrutei (ou apreciei por completo) a dimensão dessa obra.
Ficaria muito feliz de poder compartilha-lá contigo. Se tiver interesse me avise que posso mandar o arquivo de alguma forma. Ou talvez você até já tenha a gravação (não recordo de tê-la visto pelo blog.
Abraços desde Cambridge na Inglaterra.
PS: Existe uma grande comunidade gaúcha em Cambridge. Tenho vários amigos brasileiros provenientes do Sul. Cambridge nunca viu tanto churrasco desde que aqui chegamos, o assado não para nem durante o inverno (fato que os europeus acham extremamente peculiar, já que eles não estão acostumados ao “BBQ” que não seja no verão).
Como veem, este é um maravilhoso presente que nos foi enviado por um pequepiano. Agradecemos muitíssimo e esperamos que muita gente faça o mesmo!
Não é apenas em razão de Ingmar Bergman e de seu Fanny e Alexander, mas amo profundamente o Quinteto Op. 44 de Schumann, para mim uma das obras mais belas já escritas e com um centro dramático absolutamente perfeito, seu segundo movimento. Peço desculpas a meu amigo, mas sempre achei que o Op. 34 de Brahms é uma obra que está na segunda linha da música de câmara do imenso Brahms, ao lado de alguns quartetos de cordas. Devo estar errado. Ou talvez meu pai o ouvisse demais em casa durante minha infância e acabei enchendo. Mas gosto do início do movimento final (Poco sostenuto e Allegro non troppo) e de outras coisas “bem Brahms” jogadas no Quinteto. O Quarteto Kodály, que existe em várias formações desde 1966, sempre mantendo-se no Olimpo, é uma das preferências absolutas deste comentarista que consegue reconhecer seu som em poucos compassos.
Schumann & Brahms: Quintetos para Piano
Schumann: Piano Quintet in E flat major, Op. 44
1 I. Allegro brillante 9:06
2 II. In modo d’una marcia. Un poco largamente 8:06
3 III. Scherzo: Molto vivace – Trio I – Trio II – L’istesso tempo 4:44
4 IV. Allegro, ma non troppo 7:05
Brahms: Piano Quintet in F minor, Op. 34
5 I. Allegro non troppo 11:03
6 II. Andante, un poco adagio 8:19
7 III. Scherzo: Allegro – Trio 7:17
8 IV. Finale: Poco sostenuto – Allegro non Troppo – Presto, non troppo 10:34
Não chego a ser um apaixonado pelo Quinteto para Piano em fá maior, Op. 34, dedicado a Sua Alteza Real, a princesa Anne de Hesse-Darmstadt. Como quinteto para piano, está escrito para piano e quarteto de cordas (dois violinos, viola e violoncelo). Desde minha juventude, acho que há algo problemático em seu desbragado romantismo, não obstante o convincente melodismo do mesmo. A mim, parece Schumann. Este Quinteto conheceu várias formas e feitios até chegar à versão definitiva em 1865. Começou, entre 1861 e 1862, por ser um quinteto de cordas (que teve uma recepção fria), passou depois para uma obra para dois pianos (com uma estreia desastrosa), e só a partir do verão de 1864 é que o compositor pegou de novo na partitura e a transformou numa obra para piano e quarteto de cordas. Houve uma primeira audição privada com a presença da a princesa Anna de Hesse (1843-1865) e a estreia pública, finalmente com sucesso, teve lugar no dia 22 de Julho de 1866.
Johannes Brahms (1833-1897): Quinteto para Piano Op.34 (Maurizio Pollini, Quartetto Italiano)
1. Allegro Non Troppo
2. Andante, Un Poco Adagio
3. Scherzo (Allegro)
4. Finale (Poco Sostenuto – Allegro Non Troppo)
A violoncelista não é um Lynn Harrel e nem o pianista é um Ashkenazy, também não são Rostropovich e Serkin (nas Sonatas de Brahms, lembram?), nem Rostropovich e Britten (na Arpeggione), mas vá lá, porque o repertório é absolutamente esplêndido. Estas são Sonatas que estão no centro do repertório camarístico do violoncelo. Trazem extraordinária beleza, romantismo, lirismo, danças, agressividade, tudo. As duas Sonatas de Brahms são extraordinárias em seus temas e estruturas. Já a Arpeggione é o Schubert que canta, canta e canta. A violoncelista Chiesa parece saiu-se melhor no Schubert, mais italiano, mas não decepciona no Brahms, não.
Brahms / Schubert: Sonatas para Violoncelo
Johannes Brahms
Sonata for Cello and Piano No.1 in E minor, Op.38
1. I – Allegro non troppo
2. II – Allegretto quasi Menuetto
3. III – Allegro
Sonata for Cello and Piano No.2 in F, Op.99
4. I. Allegro vivace
5. II. Adagio affettuoso
6. III. Allegro passionato
7. IV. Allegro molto
Franz Schubert
Sonata for Arpeggione and Piano in A minor, D.821
5. I. Allegro moderato 11:42
6. II. Adagio – 4:10
7. III. Allegretto 8:45
Grigory Sokolov (1950) é um artista excepcional, uma lenda. Ele é considerado um dos maiores pianistas vivos e é adorado pelo publico em concertos sempre esgotados. Seu álbum de estreia na Deutsche Grammophon foi um enorme sucesso e é ainda o disco mais vendido pelo selo em 2016. Sokolov retorna com mais uma excelente gravação ao vivo — realizadas durante concertos em Varsóvia e Salzburgo — como gosta de fazer. Eu também as prefiro aos registros 100% corretos — e às vezes engessados — dos estúdios de gravação. O repertório é absolutamente fantástico. Vamos dos melodiosos Impromptus de Schubert, fazendo um descanso nas três peças para piano do mesmo compositor e para depois adentrar a mais lenta Sonata Hammerklavier que conheço. São 53 minutos! Depois vamos para a leveza de Rameau e finalizamos com a densidade de Brahms. E, curiosamente, tudo combina direitinho. Um CD que está no mais sublime grau de poesia e intimidade.
Schubert / Beethoven / Rameau / Brahms: Impromptus / Hammerklavier e outras peças
CD1: Franz Schubert – Impromtus D 899
1. No.1
2. No.2
3. No.3
4. No.4
Franz Schubert – Three Piano Pieces D 946
5. No.1
6. No.2
7. No.3
CD2: Ludwig van Beethoven – Piano Sonata No.29, Op.106 ‘Hammerklavier’
01. I. Allegro
02. II. Scherzo. Assai vivace
03. III. Adagio sostenuto
04. IV. Largo – Allegro risoluto
Jean-Philippe Rameau
05. Premier livre de pieces de clavecin / Suite In D Minor-Major (1724) – 2. Les tendres plaintes (Live)
06. Premier livre de pieces de clavecin / Suite In D Minor-Major (1724) – 17. Les tourbillons (Live)
07. Premier livre de pieces de clavecin / Suite In D Minor-Major (1724) – 18. Les cyclopes (Live)
08. Premier livre de pieces de clavecin / Suite In D Minor-Major (1724) – 15. La follette (Live)
09. Nouvelles suites de pièces de clavecin / Suite In G Major – 6. Les sauvages (Live)
Duas obras primas do repertório romântico violinístico tocados por um dos maiores violinistas do século XX, David Oistrakh. São duas gravações históricas, realizadas nos anos 50, ainda em Mono, mas que precisam ser conhecidas, para ainda mais admirarmos o gigante do violino que foi Oistrakh. Sou suspeito quando se trata deste músico pois já declarei inúmeras vezes que o considero o maior de todos, mas em feroz disputa com Jascha Heifetz, mas não quero entrar no mérito desta discussão. Gosto é gosto, e não se discute.
Os senhores poderão julgar.
01. Brahms Violin Concerto in D major op. 77 – 1. Allegro non troppo
02. Brahms Violin Concerto in D major op. 77 – 2. Adagio
03. Brahms Violin Concerto in D major op. 77 – 3. Allegro giocoso, ma non troppo…
04. Tchaikovsky Violin Concerto in D major op. 35 – 1. Allegro moderato
05. Tchaikovsky Violin Concerto in D major op. 35 – 2. Canzonetta. Andante
06. Tchaikovsky Violin Concerto in D major op. 35 – 3. Finale. Allegro vivacissimo
David Oistrakh – Violin
Staatskapelle Dresden
Franz Konwitschny – Conductor