Franz Joseph Haydn (1732-1809): Sinfonias Completas 1-12, Adam Fischer

Franz Joseph Haydn (1732-1809): Sinfonias Completas 1-12, Adam Fischer

Vamos começar mais uma incrível e inédita série no novo PQPBach, que agora está hospedado em outro domínio: as 104 sinfonias do mestre austríaco Franz Joseph Haydn (1732 — 1809) que foi um dos expoentes máximos do período clássico na história da música. Tendo vivido entre o finzinho do período Barroco até o início do Romantismo. Nasceu em 31 de março de 1732, na aldeia de Rohrau, na fronteira entre a Áustria e a Hungria, um entre 12 irmãos. Foi reverenciado por toda a Europa, amado por Mozart e Beethoven, poucos compositores desenvolveram um crescimento profissional tão notável quanto Haydn, despretensiosamente pretendemos mostrar nesta série a sua evolução através das suas belíssimas sinfonias. Nas primeiras sinfonias (1-21), vemos experimentos sinfônicos do material que era contemporâneo. Nas sinfonias 22-80, vemos um novo desenvolvimento, a criação de um estilo próprio. Quando Haydn escreveu as Sinfonias de Paris na década de 1780, ele já mostrava uma grande maturidade. E quando escreveu as Sinfonias de Londres na década de 1790, ele finalmente aperfeiçoara a sinfonia como uma forma. Não era mais um estilo que introduzia a ópera barroca ou uma série de interlúdios instrumentais, mas agora era uma importante forma musical, que Beethoven continuaria a aperfeiçoar no início do século XIX. Para quem ainda não teve a oportunidade de ouvir as 104 sinfonias de Haydn na sequência, esta série vai deixar claro a gostosa evolução do Mestre em belíssimas composições, aliás uma mais bela que a outra. Vale muuuito a pena. A música de Haydn nunca envelhece e é sempre uma delícia! Os textos serão baseados nos encartes dos 33 CDs assinados pelo maestro Adam Fischer, são anotações muito informativas, a cereja do bolo (em tradução livre deste que vos escreve).

Catedral St. Stephan Vienna

Haydn não foi exceção à sua época: de família modesta, passou por dificuldades na juventude. Em 1749, aos 17 anos, ele trabalhava no coral da Escola da Catedral de St. Stephan, em Viena, quando sua voz de adolescente começou a mudar ele acabou por ser demitido, sua voz parecia que não estava correspondendo em qualidade e seu mestre de coro tentou convencê-lo a seguir uma carreira como “castrato”. Não rolou, e o jovem Franz decidido a seguir carreira de músico partiu e começou a se virar, no início ensinava cravo (com pouca recompensa financeira) durante o dia, enquanto à noite tocava em festas de serenata (um passatempo popular durante o verão vienense) e se entregava à sua vontade quase fanática de compor. Escreveu em suas memórias: “…eu tive que passar oito anos inteiros, dando lições para as crianças, muitos músicos talentosos ganham seu pão dessa maneira, quase miserável, sofrem com a falta de tempo para estudar e se aperfeiçoar. Essa foi a minha primeira experiência e eu nunca teria feito tanto progresso se não tivesse perseguido meu zelo pela composição e estudo durante a noite.”

Diz a tradição que Haydn era o “pai” do quarteto de cordas e da sinfonia. Enquanto o primeiro certamente alcançou sua forma definitiva em suas mãos, no caso da sinfonia, Haydn estava trabalhando em com um modelo já existente, o modelo vienense, ainda que relativamente embrionário da primeira metade do século XVIII, era uma combinação de vários gêneros instrumentais, entre eles o concerto grosso barroco, a “sonata da igreja” e a abertura de ópera italiana (ou “Sinfonia avanti”). Foi na ópera a fonte da qual a sinfonia ganhou seu nome e a forma de três movimentos, rápida – lenta – rápida.

Propriedade em Lukavec do Conde Morzin

Lentamente, e de forma consistente, Haydn foi ficando conhecido pela aristocracia e por volta de 1757, ele foi contratado como mestre de música da família do barão von Furnberg, em cuja casa de verão perto de Melk, no Danúbio, Haydn compôs seus primeiros quartetos de cordas para as festas dos membros da casa do barão. O mais importante, porém, para que ele pudesse compor sinfonias, foi a recomendação do seu patrão para que ele pudesse ser nomeado Kapellmeister e Kammercompositeur no castelo de Lukavec do Conde Morzin na Boêmia. O conde tinha uma orquestra de sopro, para a qual Haydn compunha suítes para apresentações ao ar livre, e também uma pequena orquestra de cordas. Haydn enxergou uma oportunidade: porque não juntar as duas orquestras? Foi para essa orquestra ampliada, por volta de 1759, que ele compôs suas primeiras sinfonias – certamente da primeira a quinta.

Como acontece com quase todos os compositores desta época a numeração convencional das primeiras obras são bastante confusas, em termos de cronologia, geralmente dá pouca indicação da época real em que foram compostas. As primeiras sinfonias seguem a tradição de sua cidade natal, Viena. Suas cinco primeiras sinfonias mostram-no experimentando uma variedade de formas. As de números 1, 2 e 4 seguem o padrão de três movimentos, derivado da abertura italiana, enquanto a quinta tem o modelo da “sonata de igreja” (primeiro movimento lento). A terceira sinfonia já é um trabalho de quatro movimentos completo com minueto.

Prince Paul Anton [Pál Antal] (1711–1762)
Porém, o primeiro emprego permanente do jovem músico durou pouco: o conde Morzin teve dificuldades financeiras e dissolveu a orquestra. Por sorte, o príncipe Paul Anton Esterhazy, um grande admirador da música, assistiu a um dos concertos no castelo de verão de Morzin, no qual Haydn provavelmente conduziu sua sinfonia nº 1. O príncipe ficou impressionado com a qualidade da música do jovem compositor e ao saber que o conde estava falido ofereceu a Haydn o cargo de Kapellmeister na sua corte de Eisenstadt, no Burgenland, ao sul de Viena. E assim, com o contrato assinado em 1º de maio de 1761, Haydn então com 29 anos de idade, iniciou um dos mais notáveis e longevos casos de patrocínio musical já registrados na história, um período que durou quase trinta anos.

Desde o início, Haydn pode de forma livre moldar a orquestra com um corpo de músicos completo (cordas, sopros e percussão) sendo a orquestra mais original da época, instigando a criatividade experimental do jovem mestre austríaco. Com recursos disponíveis e com liberdade como chefe de orquestra, praticamente isolado do mundo sem ninguém para o azucrinar ou fazer o jovem a duvidar de sua própria capacidade inventiva, se tornou um compositor original. Pode experimentar, observar as nuances orquestrais o que funcionou ou o que ficou fora do esperado, e assim, poderia melhorar, expandir, cortar, correr riscos. O príncipe gostava dos concertos no estilo italiano, sobretudo de Vivaldi e Corelli, solicitando ao seu novo compositor a seguir por este estilo mais para o barroco, porém em vez de concertos, Haydn escolheu a forma sinfônica, embora dominada por elementos do concerto barroco e do concerto italiano. As três sinfonias resultantes dos seus primeiros esforços na corte foram as sinfonias 6, 7 e 8. Foi a chance de mostrar a nova orquestra e, em particular sem esquecer dos violinos carregados de influência italiana. O movimento lento da sinfonia número 7 introduz duas flautas pela primeira vez na sinfonia. A sinfonia número 9, de 1762, pode muito bem ter suas origens na abertura de óperas, uma vez que não possui final convencional, terminando com um minueto. Sempre experimentando, Haydn mostra sua originalidade aqui alterando novamente a estrutura orquestral, expande para dois oboés, duas trompas, adiciona um par de flautas e fagote solo além de dobrar os instrumentos de cordas. Já na sinfonia número 10 Haydn mostra um grau de desenvolvimento do gênero no papel mais independente dado aos instrumentos de sopro. A sinfonia número 12, de 1763, é um de seus trabalhos sinfônicos mais curtos, embora Haydn evite o padrão de movimento característico de seus primeiros trabalhos, é uma sinfonia alegre e seu final é inebriante.

Adam Fischer e a Orquestra, posando entre as colunas de sustentação do PQPBach Hall

Divirtam-se com estas doze primeiras sinfonias do mestre Franz Joseph Haydn, a apresentação da Orquestra Austro-Húngara Haydn é sensacional, lindamente sintonizada pela leveza das obras. Em suma, não se poderia pedir uma orquestra melhor para empreender esse imenso projeto que durou 14 anos para ser realizado. O ótimo maestro Adam Fischer usa instrumentos modernos combinados com um estilo de tocar de época, achei a combinação muito bonita de ouvir. Esta coleção que ora vamos compartilhar com os amigos do blog é impressionante e merece ser ouvida por todos os que amam a música de Josef Haydn. As performances são excelentes, as gravações impecáveis. Originalmente gravado entre 1987 e 2001 no “Haydnsaal of the Esterházy Palace” na Hungria (no mesmo salão em que Haydn executava seus concertos como “Kapellmeister”), os músicos escolhidos a dedo para a formação da “Austro-Hungarian Haydn Orchestra” para as gravações são os músicos da “Vienna Philharmonic”, “Vienna Symphony” e “Hungarian State Symphony Orchestras” o resultado é sublieme!

Haydnsaal of the Esterházy Palace

Interpretações transparentes, presumivelmente da maneira com a qual Haydn esperava que sua música fosse tocada – sem uma pitada de romantismo ou exageros modernos. Fischer e sua orquestra tem momentos em que o entusiasmo é muito perceptíve, um imenso trabalho! São gravações lindas. Eu experimentei e gostei muito de ouvir todas as sinfonias em sucessão, é diversão garantida do começo ao fim, a música de Haydn é muito leve, feliz e alegre, que é a marca infalível desse mestre de que tanto gostamos!

Disc: 1 (Recorded June 1990)
1. Symphony No. 1 (1759) in D major, H. 1/1: Presto
2. Symphony No. 1 (1759) in D major, H. 1/1: Andante
3. Symphony No. 1 (1759) in D major, H. 1/1: Presto
4. Symphony No. 2 (1764) in C major, H. 1/2: Allegro
5. Symphony No. 2 (1764) in C major, H. 1/2: Andante
6. Symphony No. 2 (1764) in C major, H. 1/2: Finale, presto
7. Symphony No. 3 (1762) in G major, H. 1/3: Allegro
8. Symphony No. 3 (1762) in G major, H. 1/3: Andante moderato
9. Symphony No. 3 (1762) in G major, H. 1/3: Menuet & Trio
10. Symphony No. 3 (1762) in G major, H. 1/3: Finale, alla breve, allegro
11. Symphony No. 4 (1762) in D major, H. 1/4: Presto
12. Symphony No. 4 (1762) in D major, H. 1/4: Andante
13. Symphony No. 4 (1762) in D major, H. 1/4: Finale, tempo di menuetto
14. Symphony No. 5 (1762) in A major, H. 1/5: Adagio, ma non troppo
15. Symphony No. 5 (1762) in A major, H. 1/5: Allegro
16. Symphony No. 5 (1762) in A major, H. 1/5: Minuet & trio
17. Symphony No. 5 (1762) in A major, H. 1/5: Finale, presto

Disc: 2 (Recorded April 1989)
1. Symphony No. 6 (1761) in D major (‘Le Matin’), H. 1/6: Adagio-allegro
2. Symphony No. 6 (1761) in D major (‘Le Matin’), H. 1/6: Adagio-andante-adagio
3. Symphony No. 6 (1761) in D major (‘Le Matin’), H. 1/6: Menuet & trio
4. Symphony No. 6 (1761) in D major (‘Le Matin’), H. 1/6: Finale, allegro
5. Symphony No. 7 (1761) in C major (‘Le midi’), H. 1/7: Adagio-allegro
6. Symphony No. 7 (1761) in C major (‘Le midi’), H. 1/7: Recitativo: adagio
7. Symphony No. 7 (1761) in C major (‘Le midi’), H. 1/7: Menuetto & trio
8. Symphony No. 7 (1761) in C major (‘Le midi’), H. 1/7: Finale, allegro
9. Symphony No. 8 (1761) in G major (‘Le soir’), H. 1/8: Allegro molto
10. Symphony No. 8 (1761) in G major (‘Le soir’), H. 1/8: Andante
11. Symphony No. 8 (1761) in G major (‘Le soir’), H. 1/8: Menuetto & trio
12. Symphony No. 8 (1761) in G major (‘Le soir’), H. 1/8: La Tempesta, presto

Disc: 3 (Recorded June 1990)
1. Symphony No. 9 (1762) in C major, H. 1/9: Allegro molto
2. Symphony No. 9 (1762) in C major, H. 1/9: Andante
3. Symphony No. 9 (1762) in C major, H. 1/9: Finale-menuetto & trio
4. Symphony No. 10 (1766) in D major, H. 1/10: Allegro
5. Symphony No. 10 (1766) in D major, H. 1/10: Andante
6. Symphony No. 10 (1766) in D major, H. 1/10: Finale, presto
7. Symphony No. 11 (1769) in E flat major, H. 1/11: Adagio cantabile
8. Symphony No. 11 (1769) in E flat major, H. 1/11: Allegro
9. Symphony No. 11 (1769) in E flat major, H. 1/11: Minuet & trio
10. Symphony No. 11 (1769) in E flat major, H. 1/11: Finale, presto
11. Symphony No. 12 (1763) in E major, H. 1/12: Allegro
12. Symphony No. 12 (1763) in E major, H. 1/12: Adagio
13. Symphony No. 12 (1763) in E major, H. 1/12: Finale, presto

Rainer Küchl, violin
Wolfgang Herzer, cello
Gerhard Turetschek, oboe
Michael Werba, bassoon
Austro-Hungarian Haydn Orchestra
Conductor: Adam Fischer

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Huuuumm… acho que esta nota é melhor….!

Ammiratore

Anton Webern (1883-1945): Obra Completa – Disco 6/6

Anton Webern (1883-1945): Obra Completa – Disco 6/6

Eis aqui o sexto e último disco da séria Webern´s Complete Works. Devo confessar que minha relação com a música de Webern ainda continua conflituosa. As micro-estruturas que lembram tanto a arte chinesa e japonesa, arte que despreza o excesso e valoriza os detalhes, as delicadezas tão contrárias a minha personalidade de homem ocidental. Pior ainda para um homem da América Latina, acostumado a gritaria e choradeira, a soltar pum alto em pleno jogo do Náutico com um cachorro-quente na mão, e marcas de Ketchup no canto da boca… No entanto há certa agressividade na música de Webern realmente apaixonante. Ouçam as Three Little Pieces for Cello and Piano op. 11 para entender o que estou falando. A obra toda não dura nem 3 minutos, mas a estrutura, dependendo como você “observe”, pode ter infinitas possibilidades. O disco termina com as famosas Variações para Piano op.27, cujo tema (minúsculo) e suas permutações, seguindo com absoluto rigor o procedimento dodecafônico, é a obra mais representativa (popular?!) do mundo weberniano.

Anton Webern (1883-1945): Obra Completa – Disco (6/6)

1 – 2. 2 Pieces for Cello and Piano
3. Movement for Piano
4. Sonatensatz (Rondo) für Klavier (c.1906)
5 – 8. Four Pieces, Op.7 – for violin and piano
9 – 11. Three Little Pieces for Cello and Piano, op.11 (1914)
12. Cello Sonata (1914) – Sehr bewegt
13. Kinderstuck Krystian
14. Piano Piece (1925)
15 – 17. Piano Variations, Op.27

Performed by Gianluca Cascioli, Gidon Kremer, Clemens Hagen, and Krystian Zimerman

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Webern cuidando de sua obra a fim de que ela cresça

CDF Bach

Anton Webern (1883-1945): Obra Completa – Disco 5/6

Anton Webern (1883-1945): Obra Completa – Disco 5/6

Talvez seja esse o melhor disco da série ou, o mais representativo de Webern. Todas as obras neste disco foram escritas para trio ou quarteto de cordas. E neste gênero tão precioso para o ouvinte concentrado, Webern é um mestre supremo. Não há em nenhuma dessas peças, mesmo aquelas quando Webern foi profundamente influenciado por Schoenberg, um momento pouco inspirado. A interpretação afiadíssima do Emerson String Quartet também ajuda muito e ainda não foi superada.

Anton Webern (1883-1945): Obra Completa – Disco (5/6)

1. Slow Movement for String Quartet 1905
2 – 6. 5 Movements for String Quartet, Op.5
7. String Quartet (1905)
8 – 13. 6 Bagatelles for String Quartet, Op.9
14. Rondo for String Quartet (c.1906)
15. Movement for String Trio op.post.
16 – 18. Three Pieces for String Quartet (1913)
19 – 20. String Trio op.20 – 1.
21 – 23. String Quartet, Op.28

Performed by Emerson String Quartet

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O compositor Webern comanda um apedrejamento (Monty Python feelings)

CDF Bach

Anton Webern (1883-1945): Obra Completa – Disco 4/6

Anton Webern (1883-1945): Obra Completa – Disco 4/6

Foi numa noite bem silenciosa que me apaixonei por este disco com canções para voz e piano de Webern, o quarto volume da série Complete Works. As três primeiras canções (1899-1903) que abrem o disco são surpreendentemente singelas, sem aquele romantismo extravagante e pessimista de Wagner. Para serem curtidas à noite em completa solidão. Logo em seguida temos 8 Early Lieder, escritas ainda por um jovem compositor, mas repletas de um lirismo apaixonante e não tão distantes do que ele iria fazer no futuro. Suas famosas características – economia, abusos de contraponto, pianíssimos quase inaudíveis, ousadias harmônicas – já estão presentes aqui. Já nas canções sobre os poemas de Stefan George, op.3 e op.4, podemos sentir a grande influência do mestre Schoenberg. Há ainda as canções do maduro e original Webern, as op.23 e op.25. Já totalmente dentro do mundo microscópico do compositor. Difíceis, mas instigantes.

Anton Webern (1883-1945): Obra Completa – Disco (4/6)

1 – 3.Three Poems (1899-1903)
4 – 11. 8 Early Lieder (1901-1904)
12 – 14. 3 Lieder
15 – 19. 5 Lieder on poems by Richard Dehmel (1906-1908)
20 – 24. 5 Lieder from “Der siebente Ring” by Stefan George op.3
25 – 29. 5 Lieder on poems by Stefan George op.4
30 – 33. 4 Lieder on poems by Stefan George (1908-1909)
34 – 37. 4 Lieder op.12
38 – 40. 3 Songs from “Viae inviae” by Hildegard Jone op.23
41 – 43. 3 Lieder on poems by Hildegard Jone op.25

Performed by Eric Schneider and Christiane Oelze.

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Anton Webern no Adult Entertainment Center for Composers do PQP Bach Resort de Viena

CDF Bach

Anton Webern (1883-1945): Obra Completa – Disco 3/6

Anton Webern (1883-1945): Obra Completa – Disco 3/6

Conversava com alguns amigos sobre grandes mestres das canções. E inevitavelmente os nomes foram surgindo: Tom, Chico, Djavan…, Schubert, Schumann, Brahms; mas quando falei sobre canções de Webern, o silêncio foi total. Boa parte das obras de Webern foi dedicada a este gênero musical tão comum nos dois mundos da música (popular e clássica). O alemão passou mais de dez anos só escrevendo canções, isso no seu mais importante período de amadurecimento musical, adotando com grande vigor as ideias dodecafônicas de seu mestre, Schoenberg. Talvez por isso, suas canções estão entre as mais difíceis obras do mestre, e mesmo entre aqueles de estômago forte, poucos se arriscam nessa música tão anti-melódica e árida.

A sensação que tenho é a do trovador dedilhando seu alaúde, cantando aquelas lindas canções de Dowland no pé da janela de sua amada. E de repente, da janela, sai uma mulher similar àquelas de um filme expressionista alemão, cantando canções místicas de sentimento denso e frio. Tão broxante que o trovador assustado se esquece para que veio. Mas não vai embora, uma força mantêm o rapaz no mesmo lugar. Para quem duvida, ouça o disco de Dowland postado pela Clara Schumann e, na seqüência, este terceiro disco de Webern da caixa Complete Works.

Mas não só de canções vive um grande mestre, há importantes obras instrumentais nesse disco, como as Five pieces for Orchestra op.10, aqui Webern utiliza praticamente todos os truques orquestrais existentes na época (trabalha com volume, dinâmica, intervalos, mudanças de ritmos) uma verdadeira aula de composição, e tudo isso em apenas 5 minutos. Um poeta sem rodeios que vai direto ao ponto (como a musa da janela). Outra importante obra é seu Quartet for violin, clarinet, tenor saxophone, and piano, Op. 22 (1928 -1930), música que mistura efeitos timbrísticos praticamente de uma nota a outra. A concentração do músico deve ser absurda. O mesmo acontece com o Concerto for 9 instruments, Op. 24 (1931-1934), obra-prima dedicada ao seu querido mestre, Schoenberg.

Destaco também o belíssimo e desconhecido Piano Quintet (1907), obra que abre este disco. Peça com um único movimento (Moderato), muito influenciada por Brahms, escrita pouco antes da Passacaglia op.1. É para aquele que pensa que está em terreno seguro só por saber que vai ouvir música tonal. Triste engano. A obra é forte e carrega um caráter sombrio angustiante (final arrebatador). Com certeza, mereceria ser o opus 1.

Anton Webern (1883-1945): Obra Completa – Disco (3/6)

1. Piano Quintet op.post. – Moderato
2. “Entflieht auf leichten Kähnen” op.2
3 – 4. 2 Songs op.8 for voice and eight instruments
5 – 9. 5 Pieces for Orchestra, Op.10
10 – 13. 4 Songs op.13 for voice and orchestra
14 – 19. 6 Songs op.14 for voice, clarinet, bass clarient,violin a.cello
20 – 24. 5 Sacred Songs op.15 for voice, flute, clarinet, bass clarinet, trumpet, harp, violin and viola
25 – 29. 5 Canons op.16 for high soprano, clarinet and bass clarinet
30 – 32. 3 Traditional Rhymes op.17 for voice, violin, viola, clarinet and bass clarinet
33 – 35. 3 Songs op.18 for voice, E clarinet and guitar
36 – 37. 2 Songs op.19 for mixed choir accompanied by celesta, guitar, violin, clarinet and bass clarinet
38 – 39. Quartet op.22 for violin, clarinet, tenor saxophone and piano
40 – 42. Concerto op.24 for flute, oboe, clarinet, horn, trumpet, trom- bone, violin, viola and piano

Performed by Berlin Philharmonic Orchestra
Conducted by Pierre Boulez

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As meninas do Great PQP Bach Home Chorus assediaram sem sucesso o compositor Webern

CDF Bach

Anton Webern (1883-1945): Obra Completa – Disco 2/6

Anton Webern (1883-1945): Obra Completa – Disco 2/6

Apesar da música de Webern ser, quase sempre, de curta duração, a tentativa de memorizá-la é dificílima, pois sua música é absurdamente compacta, muita coisa acontece naqueles poucos segundos. Quando ouvi este segundo disco da série Webern´s Complete Works fiz uma tremenda confusão, pois acreditava que ouvia as famosas 5 Pieces For Orchestra, op.10 (1911). Na verdade eu estava ouvindo as 5 Pieces For Orchestra (1913), opus póstumo, enfim uma obra não publicada por Webern e desencavada em 1965 por um musicólogo. Essa peça, aparentemente, não está concluída, movimentos com poucos compassos (14 compassos na quarta peça, por exemplo) e que finalizam de forma brusca. Mas como isso era algo comum na música de Webern fica difícil dizer se a obra está completa ou não. No entanto, já ouvimos um Webern extremamente maduro e conciso. A segunda obra deste disco, 3 Songs for soprano and orchestra (1913), foi escrita na mesma época, e também não recebeu a assinatura final de Webern (sem opus). Canções com poemas do próprio Webern e Stefan George.

Após longo período escrevendo apenas canções, Webern nos apresenta uma composição instrumental, cujo gênero já parecia esgotado, falo da Symphonie op.21 (1926). Obra em dois movimentos e de beleza matemática mais próxima de Bach que de Haydn. No segundo movimento, com 7 variações e uma coda, Webern faz uso de palíndromos, ou seja, uma música perfeitamente simétrica que tanto pode ser lida de trás pra frente ou de frente pra trás. Exemplos de palíndromos são muitos, cito alguns exemplos que pesquei por aí:

“Socorram-me em Marrocos”
“Eva, asse essa ave.”
“Até cubanos metem só na buceta.”

Enfim, Webern tinha uma forte ligação com as estruturas simétricas que eram muito comuns na música renascentista e barroca. Engraçado que um músico tão moderno fosse quase arcaico nas suas concepções. Prova disso são suas duas cantatas com textos que misturam cristianismo com panteísmo, todos escritos por sua amiga Hildegard Jone. A celebrada Kantate n.2 op.31 (1944) foi sua última obra como também a mais longa de sua carreira (15 minutos, mais ou menos), escrita para soprano, baixo, coro, uma gama enorme de instrumentos de sopro, celesta e cordas.

Um disco excepcional. Ainda inclui as complexas Variations for Orquestra op.30, música que mereceria uma audição com partitura. Estou convencido que a música de Webern nunca será totalmente percebida apenas com o ouvido. Essa mistura quase impossível entre música cerebral e do coração, tão perfeitamente ajustada na música de Bach, ainda é impenetrável para o grande público e mesmo para os ouvintes mais concentrados. Ainda me questiono se Webern conseguiu alcançar tão difícil combinação.

Anton Webern (1883-1945): Obra Completa – Disco (2/6)

1. 5 Pieces for Orchestra (1913) – 1. Bewegt
2. 5 Pieces for Orchestra (1913) – 2. Langsam (sostenuto)
3. 5 Pieces for Orchestra (1913) – 3. Sehr bewegte Viertel
4. 5 Pieces for Orchestra (1913) – 4. Langsame Viertel
5. 5 Pieces for Orchestra (1913) – 5. (Alla breve)
6. Three Orchestral Songs for Voice and Orchestra (1913/14) – 1. Leise Düfte (Poem by Webern) 7. Three Orchestral Songs for Voice and Orchestra (1913/14) – 2. Kunfttag III. “Nun wird es wieder Lenz” (Poem by Stefan George)
8. Three Orchestral Songs for Voice and Orchestra (1913/14) – 3. O sanftes Glühn der Berge (Poem by Anton Webern)
9. Symphony, Op.21 – 1. Ruhig schreitend
10. Symphony, Op.21 – 2. Variationen
11. Das Augenlicht (The Light of the Eye) op.26
12. I. Kantate op.29 for soprano, mixed chorus and orchestra – 1. Getragen – Lebhaft. “Zündender Lichtblitz des Lebens” (Chorus)
13. I. Kantate op.29 for soprano, mixed chorus and orchestra – 2. Leicht bewegt “Kleiner Flügel Ahornsamen” (Soprano)
14. I. Kantate op.29 for soprano, mixed chorus and orchestra – 3. Ruhig “Tönen die seligen Saiten” (Chorus & Soprano)
15. Variations for Orchestra op.30
16. II. Kantate op.31 for soprano solo, bass solo, mixed chorus and orchestra – 1. Sehr lebhaft – Ruhig “Schweigt auch die Welt” (Basso)
17. II. Kantate op.31 for soprano solo, bass solo, mixed chorus and orchestra – 2. Sehr verhalten “Sehr tief verhalten innerst Leben” (Basso)
18. II. Kantate op.31 for soprano solo, bass solo, mixed chorus and orchestra – 3. Sehr bewegt “Schöpfen aus Brunnen des Himmels” (Chorus & Soprano)
19. II. Kantate op.31 for soprano solo, bass solo, mixed chorus and orchestra – 4. Sehr lebhaft “Leichte Bürde der Bäume” (Soprano)
20. II. Kantate op.31 for soprano solo, bass solo, mixed chorus and orchestra – 5. Sehr mässig “Feindselig ist das Wort” (Chorus & Soprano)
21. II. Kantate op.31 for soprano solo, bass solo, mixed chorus and orchestra – 6. Sehr fliessend “Gelockert aus dem Schosse” (Chorus)

Performed by Berlin Philharmonic Orchestra
Conducted by Pierre Boulez

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Cansado das complexidades da Segunda Escola de Viena, Webern atirou-se na grama do PQP Bach Musicians Resort de Viena.

CDF Bach

Anton Webern (1883-1945): Obra Completa – Disco 1/6

Anton Webern (1883-1945): Obra Completa – Disco 1/6

Anton Webern é o nome que sempre aparece quando o assunto é música moderna. Sua importância é indiscutível. Ele junto com Schoenberg e Alban Berg foram os criadores da música dodecafônica ou serial. Mas apesar do laço forte entre os três, é possível perceber características peculiares e caminhos distintos entre eles. Cada um deixou uma marca pessoal em suas obras. Nem por isso Webern é tão apreciado ou admirado como seus dois colegas. Poucos ouvem Webern, e muitos desses ouvem por obrigação.

Com o tempo e a boa vontade Webern começa a ser ouvido e executado nas salas de concertos. Mas realmente o ouvinte deve ser prevenido que não é tarefa fácil apreciar a música desse compositor. Ela é compacta e cortante como uma navalha. Onde, muitas vezes, perder um detalhe é perder o movimento inteiro de uma obra. Por isso apresento as obras completas de Anton Webern para que vocês mesmos avaliem esse compositor. Como virei torcedor de sua música, trago aqui seu mais competente advogado: Pierre Boulez.

Esta é a segunda integral realizada por Boulez. Alguns preferem a primeira versão (3 cds da Sony), acham mais empolgante (eu tenho essa versão, e não viveria sem ela). Mas essa segunda versão é tão boa quanto a primeira, e tem a vantagem de possuir uma qualidade de gravação melhor, além disso, essa integral tem as obras de juventude (aquelas sem opus). Desta maneira, a integral passa a ter 6 cds que pretendo postar aqui de maneira vagarosa para que os ouvintes julguem com cuidado.

O primeiro disco começa com a obra mais empolgante de Webern, a Passacaglia para orquestra op.1 (1908). Talvez a obra mais executada e gravada do mestre junto com Piano Variations op.27. Por incrível que pareça uma das melhores versões dessa obra é a de Karajan com a Filarmônica de Berlim. Mas esta versão de Boulez, também com a Filarmônica de Berlim, é genial pela transparência. Todos sabemos que Boulez é mestre em apresentar todos os detalhes de uma obra, mesmo que muitas vezes isso sacrifique a espontaneidade. Mas no caso de Webern, essa maneira de Boulez é perfeita. Como veremos, Webern escreveu muitas obras antes de sua Passacaglia. Obras de juventude, pouco originais. Como é o caso da última obra deste cd – Im Sommerwind (1904). Obra orquestral fortemente influenciada por Richard Strauss. O interessante é que essa simpática peça, desprezada pelo próprio Webern, tem sido regularmente executada.

A outra importante peça deste disco e que, podemos dizer, a primeira grande obra que caracteriza a forma econômica e concisa de Webern são as 5 movimentos para quarteto de cordas op.5 de 1909. A versão deste primeiro cd é o arranjo feito pelo próprio compositor em 1929 para orquestra de cordas. Mesmo assim não perdemos a nitidez dos timbres e texturas experimentadas por Webern na versão para quarteto de cordas.

Ainda em 1909 Webern escreveu outra obra de grande importância – as 6 peças para orquestra op.6. Claro que aqui a grande influência vem das 5 peças orquestrais de Schoenberg, pelas quais Webern tinha grande admiração. Mas não se enganem, Webern já tinha voz própria mesmo com seus 26 anos de idade. Às vezes penso que Schoenberg foi muito mais um parceiro que mestre dos dois outros compositores da Segunda Escola de Viena, acho que esse papel cabe mais a Mahler. Tanto a op.5 como a op.6 merecem silêncio absoluto e total concentração do ouvinte.

Esse primeiro disco é mesmo muito cativante. É impossível passar por ele e desprezar o que virá pela frente. Além das obras chaves e de juventude, temos um grande exemplo do poder de imaginação de Webern – a transcrição da fuga a 6 vozes da Oferenda Musical de Bach. Aqui Bach não é mais um compositor barroco. Sua música abstrata e complexa é levada pelas mãos de Webern para o modernismo. É, sem dúvida, a transcrição mais celebrada junto com os quadros de exposição de Ravel.

Para fechar o disco algumas transcrições da Danças Alemãs de Schubert feitas por Webern em 1931. Mas aqui o compositor não coloca cores diversas da leveza e simplicidade das peças originais.

Anton Webern (1883-1945): Obra Completa – Disco (1/6)

1. Passacaglia for Orchestra op.1
2 – 6. 5 Movements for String Quartet, Op.5
7 – 12. Six pieces for orchestra, Op.6 – Original version (1909)
13. Musical Offering, BWV 1079 – Transcription: Anton Webern – Fuga (Ricercata) a 6 voci Berliner Philharmoniker
14 – 15. Six German Dances, D820 – orch. Anton Webern – No. 1 – 3
16. Im Sommerwind

Performed by Berlin Philharmonic Orchestra
Conducted by Pierre Boulez

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Anton Webern (Viena, 3 de dezembro de 1883 — Mittersill, Salzburgo, 15 de setembro de 1945)

CDF Bach

Călin Ioachimescu (1949): Around the sound

Călin Ioachimescu (1949): Around the sound

Voltando à música romena, apresento mais um compositor do qual sou fã de carteirinha: Călin Ioachimescu. Ele nasceu em 1949 em Bucareste e estudou com Ştefan Niculescu. É mais um nome importante da chamada música espectral romena (que rotula um balaio de gatos impressionante). Com muito esforço, consegui acumular umas quinze peças suas, a maioria para saxofone, já que, salvo pelo trabalho árduo do Kientzy de divulgação da música romena, não se encontra muito facilmente muita coisa. Na verdade mesmo as informações sobre sua vida e sua obra são para lá de exíguas. De qualquer forma, Ioachimescu tem uma obra bastante pequena, não ultrapassando 40 composições (de acordo com uma lista de obras de 2007, disponível aqui). Nessas, ele se dedica prioritariamente a pesquisas eletroacústicas, sem descuidar, no entanto, da música puramente acústica.

O compositor diz estar interessado na construção de uma nova consonância. De fato, suas obras são muito envolventes, de um colorido todo peculiar. Sinto que quase sempre há um quase-padrão (que não tem nada a ver com a questão da consonância), em que os inícios quase-doces, de uma delicadeza ao mesmo tempo um tanto quanto megalomaníacas, vão se direcionando cada vez mais a um quase-escuro, quase-áspero (desculpem o excesso dessas construções em quase, mas os adjetivos sem eles seriam não mais que belos simulacros). Das peças apresentadas neste cd, destaco as três primeiras. O Concerto para sax acaba num clímax delicioso, com ar meio folclórico, que vai curiosamente se dissolvendo. Oratio II é um verdadeiro transe, cujo uso da fita magnética parece brincar com um clichê típico de música de meditação (obviamente, propiciando tudo menos relaxamento), e Les Éclat de l’Abîme impessiona na versatilidade que dá para o conjunto sax-fita magnética (sobretudo o fantástico início).

Boa audição.

P.S. de PQP Bach: Que baita CD. IM-PER-DÍ-VEL !!!

Călin Ioachimescu (1949): Around the sound

01 – Concerto for saxophone and orchestra (1994)
Daniel Kientzy, sax
Romanian National Radio Orchestra
Horia Andreescu, conductor

02 – Oratio II (1991), for winds, percussion, tape and live electronic system
Omnia Ensemble
Marin Soare, conductor

03 – Les éclats de l’Abîme (1995), for contrabass saxophone and tape
Daniel Kientzy, sax

04 – Palindrome 7 (1992), for clarinet, bassoon, violin, cello, guitar, piano-synt
Archaeus Ensemble
Liviu Danceanu, conductor

05 – Tempo 80 (1979), for orchestra
Romanian National Radio Orchestra
Ludovics Bàcs, conductor

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Pelo que vi no Google Images, Călin Ioachimescu não sabe sorrir

itadakimasu

Aurora Luminosa: Música Brasileira no Alvorecer do Século XX – Antonio Carlos Gomes (1836-1986), Leopoldo Miguez (1850-1902), Alexandre Levy (1864-1892) e Alberto Nepomuceno (1864-1920) [link atualizado 2017]

Aurora Luminosa: Música Brasileira no Alvorecer do Século XX – Antonio Carlos Gomes (1836-1986), Leopoldo Miguez (1850-1902), Alexandre Levy (1864-1892) e Alberto Nepomuceno (1864-1920)  [link atualizado 2017]

Reapresentamos aqui este belíssimo projeto: a Aurora Luminosa, que desfila quatro dos maiores nomes do romantismo/nacionalismo brasileiro: Carlos Gomes, o maior compositor de óperas do continente americano; Leopoldo Miguez, autor Hino à Proclamação da República; Alexandre Levy, de obra muito pequena (faleceu precocemente, aos 28 anos…) mas de grande caráter nacionalista; e Alberto Nepomuceno, o cara que todo compositor do início do modernismo brasileiro queria ser…

Para ajudar, temos uma das melhores orquestras do país, a Sinfônica Nacional, comandada pela batuta sensível de Ligia Amadio. Já tive a oportunidade de vê-la regendo em São Paulo: há muito amor, sentimento e candura em sua condução, o que é perfeito para músicas do romantismo.

As peças são fenomenais! Ouça, ouça!
Abaixo, o texto original do colega Strava, com o excerto do texto do encarte do CD.

Este projeto foi realizado pela Orquestra Sinfônica Nacional da Universidade Federal Fluminense em conjunto com o Ministério da Educação para comemorar os 45 anos da OSN-UFF e com o intuito de divulgar a música sinfônica brasileira gratuitamente na Internet através do Portal Domínio Público.

Obras

Werther – Alexandre Levy
Repleta de Lirísmo, Werther é inspirada na obra de Goethe – Os sofrimentos do jovem Werther, de 1774, um dos pontos de partida para o estabelecimento da imagem trágica do herói romântico, que, ironicamente, seria encarnada pelo próprio Levy em 1892, quando morreu prematura e misteriosamente, aos 28 anos de idade.

Alvorada – Carlos Gomes
Lo schiavo possui intenções claras de exaltar o movimento abolicionista brasileiro. Dedicada à Princesa Isabel, estreou no Imperial Teatro D. Pedro II, no Rio de Janeiro em 2 de Setembro de 1889. Hoje, pode causar certa estranheza serem  índios os escravos retratados nessa ópera e não negros africanos; o fato é que Carlos Gomes optou pela etnia indígena para não desgostar ainda mais D. Pedro II que, sabia ele, aceitara a abolição da escravatura muito a contragosto. Da partitura de Lo schiavo fazem parte oito das mais belas páginas orquestrais de Carlos Gomes: é a Alvorada, que retrata o nascer de um novo dia na floresta tropical, quando se ouvem a brisa nas folhagens, toques de corneta de uma frota portuguesa ao longe, voos de pássaros, gorjeios de uma sabiá  e ecos de um imponente hino marcial, tudo estruturado em harmonia ímpar. A riqueza de suas nuances melódicas tem impressionado ouvintes de todas as épocas, em qualquer parte do Brasil ou do mundo.

Avè libertas – Leopoldo Miguez
O poema sinfônico Avè libertas, composto em 1890 para comemorar o primeiro ano da Proclamação da República e dedicado ao Marechal Deodoro, segue a fórmula romântica de exaltação nacionalista, inspirada na Europa e mantendo o espírito libertário da época, o mesmo que marca o refrão do Hino à Proclamação da República, cuja música é de sua autoria.

Série Brasileira – Alberto Nepomuceno
Estreada, na versão integral para orquestra, em 1897, a Série Brasileira é um marco na música nacionalista brasileira, utilizando temas que evocam canções e melodias bastante populares, hoje incorporados à memória coletiva nacional. Sua qualidade composicional é indiscutível, e o “Batuque” (a Quarta da série) ganhou destaque internacional: foi muitas vezes executado isoladamente por orquestras do mundo todo.

Fonte: Os textos sobre as obras foram retirados do encarte do cd – Pesquisa textual – Robson Leitão.

Uma ótima audição!

Lígia Amadio em Alvorada

.oOo.

Aurora Luminosa – Música Brasileira no Alvorecer do Século XX

Alexandre Levy (São Paulo, SP, 1864 — São Paulo, SP, 1892)
01. Werther

Antônio Carlos Gomes (Campinas, SP, 1836 – Belém, PA, 1896)
02. Alvorada, da ópera Lo Schiavo

Leopoldo Miguez (Niterói, RJ, 1850 – Rio de Janeiro, RJ, 1902)
03. Avè Libertas

04 Alberto Nepomuceno (Fortaleza, CE, 1864 – Rio de Janeiro, RJ, 1920)
Movimentos:
– Alvorada na serra
– Intermédio
– A sesta na rede
– Batuque

Orquestra Sinfônica Nacional – UFF
Lígia Amadio, regente
Rio de Janeiro, 2006

BAIXE AQUI / DOWNLOAD HERE

Em tempo: todas as obras estão disponíveis no http://www.dominiopublico.gov.br

Lígia Amadio em Werther

Marcelo Stravinsky

Restaurado – Ennio Morricone (1928-2020): A Missão / The Mission – trilha sonora (1986)

Postado originalmente em 6.10.2016

O filme de Roland Joffé A Missão explora um momento fascinante e polêmico da história da América do Sul: as missões jesuíticas entre os guaranis, cuja rede formou uma espécie de Estado autônomo por 158 anos – o qual, entre outras coisas, exportava violinos para a Europa.

Alguns, como o cineasta Silvio Back, tendem a ver as Missões (que deram nome à província argentina de Misiones) apenas como uma forma especialmente refinada da opressão dos ameríndios pelos colonizadores europeus. Outros, como o padre e historiador suíço Clóvis Lugon, as veem como o que houve de mais próximo da realização da Utopia.

Neste filme de 1986 Roland Joffé se alinhou com Lugon não porque quisesse tomar partido em uma polêmica sobre fatos acontecidos de dois a três séculos antes: seu filme é sobretudo um libelo em favor da prática política da Teologia da Libertação latino-americana no final do século XX –

… o que pode gerar uma polêmica adicional na qual não pretendo entrar: o que me interessa aqui é que A Missão é cinema do grande – e a marcante trilha de Ennio Morricone é um dos fatores que contribuem para isso.

Com, vocês, portanto, a trilha de A Missão:

01 On Earth As It Is In Heaven 3:50
02 Falls 1:55
03 Gabriel’s Oboe 2:14
04 Ave Maria Guarani 2:51
05 Brothers 1:32
06 Carlotta 1:21
07 Vita Nostra 1:54
08 Climb 1:37
09 Remorse 2:46
10 Penance 4:03
11 The Mission 2:49
12 River 1:59
13 Gabriel’s Oboe 2:40
14 Te Deum Guarani 0:48
15 Refusal 3:30
16 Asuncion 1:27
17 Alone 4:25
18 Guarani 3:56
19 The Sword 2:00
20 Miserere 1:00

.  .  .  .  .  .  .  BAIXE AQUI – download here

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Ranulfus

[restaurado por Vassily em 10/7/2020]

Ennio Morricone (1928-2020): Era uma Vez no Oeste (Once Upon a Time in The West)

Ennio Morricone (1928-2020): Era uma Vez no Oeste (Once Upon a Time in The West)

Ennio Morricone nasceu em Roma a 10 de novembro de 1928 falecendo na data de hoje. Nós, do PQPBach, vamos prestar as devidas homenagens a este grande compositor contemporâneo. Ele foi um compositor, arranjador e maestro italiano que escreveu músicas em diversos estilos. Morricone compôs mais de 400 partituras para cinema e televisão, além de mais de 100 obras clássicas.

Sua trilha sonora para The Good, the Bad and the Ugly (1966) é considerada uma das trilhas sonoras mais influentes da história e foi introduzida no Grammy Hall of Fame. Sua filmografia inclui mais de 70 filmes premiados, todos os filmes de Sergio Leone desde A Fistful of Dollars, e do o filme de Giuseppe Tornatore Cinema Paradiso, além de The Mission, The Untouchables, Mission to MarsThe Hateful Eight, o qual ganhou um Oscar.

Começou a carreira tocando trompete em bandas de jazz na década de 1940, tornou-se arranjador de estúdio para a RCA Victor e, em 1955, começou a escrever trilhas para cinema e teatro. Ao longo de sua carreira, compôs músicas para artistas como Paul Anka, Mina, Milva, Zucchero e Andrea Bocelli. De 1960 a 1975, Morricone ganhou fama internacional por compor músicas para Westerns e — com uma estimativa de 10 milhões de cópias vendidas — “Era uma vez no Oeste” é uma das partituras mais vendidas em todo o mundo. A música de Morricone foi reutilizada em séries de televisão, incluindo The Simpsons e The Sopranos, e em muitos filmes, incluindo Inglourious Basterds e Django Unchained. Sua aclamada trilha sonora de The Mission (1986) foi certificada em ouro nos Estados Unidos. O álbum Yo-Yo Ma Plays Ennio Morricone ficou 105 semanas nos álbuns clássicos da Billboard e o mestre Aviccena já postou AQUI. (Wikipedia)

Jill

Era uma Vez no Oeste é uma p…. trilha sonora composta em 1968, dirigido por Sergio Leone, lançado em 1972. Alguma música de filme refletiu mais perfeitamente o conceito de “inimigo” do que o impressionante e ameaçador tema de “Man With A Harmonica” ? Enquanto o vingativo e solitário personagem de Charles Bronson persegue o assassino Frank na obra-prima de Sergio Leone em 1968, o trabalho explosivo e poderoso do compositor transmite a emoção solene de alguém prestes a distribuir justiça sangrenta – e o medo assustador de um vilão cujo passado violento está finalmente encontrando vingança. É, em suma, a personificação sonora de um acerto de contas.

L’Uomo Dell Armonica

A trilha sonora apresenta temas que se relacionam com cada um dos personagens principais do filme (cada um com sua própria música tema), bem como com o espírito do oeste americano. O belo tema principal de Morricone para Once Upon a Time in The West, que toca pela primeira vez quando Jill, interpretada pela bela Claudia Cardinale, chega sozinha à estação de trem, os vocais operísticos assombrosos de Edda Dell’Orso, acompanhados de sinos e cordas, são tristes e comoventes. Eles evocam uma sensação de perda e desejo sem limites. Mas então a orquestra constrói um floreio triunfante quando a câmera se eleva para nos mostrar a agitação crescente da atividade e a ascensão da civilização, contra o deslumbrante cenário expansivo do Velho Oeste. O casamento da música e do visual reflete o espírito pioneiro da paisagem instável e a esperança de Jill por uma vida melhor, mas também a brutalidade e o desespero que a “civilização” está trazendo consigo. A ferrovia que se aproxima literalmente envia a morte para a fronteira, na forma do implacável executor de Henry Fonda, Frank, que mata o novo marido de Jill e sua família em uma tentativa de garantir sua terra. Contra essa dicotomia, a música é indescritivelmente emocionante. Imortal trilha !

Chayenne

Quanto à peça de gaita do personagem de Bronson é um contrapeso visceral e empolgante para o crescente tema principal. Este tema vem quase sempre acompanhado de derramamento de sangue iminente ou – pelo menos – a ameaça dele. Integrando de maneira inteligente a interpretação do próprio personagem na trilha sonora, ele confunde as linhas entre o som da realidade do filme e o nosso. E não vamos esquecer o maravilhoso tema do Chayenne, bandido engenhoso interpretado por Jason Robards. Como os outros temas, ele captura uma gama de emoções; quando ele é apresentado pela primeira vez, há um elemento de mistério e perigo para se adequar à sua entrada ambígua, mas também resume habilmente a brincadeira e o charme desonesto do personagem. Quase todos os personagens principais do filme são trágicos de alguma forma, e a pontuação de Morricone reflete isso.

Era o desejo de Leone ter a música disponível e tocada durante as filmagens. Leone mandou Morricone compor a trilha antes do início das filmagens e tocaria a música de fundo para os atores no set. E tocou a música durante as filmagens para inspirar seu elenco – que inspiração esses atores devem ter recebido.

Franck

Uma partitura que inspirou um filme. O filme é sem dúvida o maior dos “westerns spaghetti” de Sergio Leone: profundo, emocional e tematicamente rico, além de ser atmosférico, cativante de visão e, acima de tudo, majestoso da música. É o ponto culminante da imersão de Leone na violência e maravilha do oeste americano e da imaginação musical de Morricone desse cenário.

Descanse mestre, obrigado pelas suas lindas músicas !

Ennio Morricone (1928-2020): Era uma Vez no Oeste (Once Upon a Time in The West)

Once Upon A Time In The West – 01 – CEra Una Volta Il West
Once Upon A Time In The West – 02 – L-Uomo (Ennio Morricone)
Once Upon A Time In The West – 03 – Il Grande Massacro
Once Upon A Time In The West – 04 – Arrivo Alla Stazione
Once Upon A Time In The West – 05 – LOrchestraccia
Once Upon A Time In The West – 06 – L-America Di Jill
Once Upon A Time In The West – 07 – Armonica (by Ennio Morricone)
Once Upon A Time In The West – 08 – La Posada N1
Once Upon A Time In The West – 09 – Un Letto Troppo Grande
Once Upon A Time In The West – 10 – Jill
Once Upon A Time In The West – 11 – Frank
Once Upon A Time In The West – 12 – Cheyenne
Once Upon A Time In The West – 13 – La Posada N2
Once Upon A Time In The West – 14 – La Posada N3
Once Upon A Time In The West – 15 – Epilogo
Once Upon A Time In The West – 16 – Sul Tetto Del Treno
Once Upon A Time In The West – 17 – LUomo Dell Armonica
Once Upon A Time In The West – 18 – In Una Stanza Con Paca Luce
Once Upon A Time In The West – 19 – L-Attentato
Once Upon A Time In The West – 20 – Ritorno Al Treno
Once Upon A Time In The West – 22 – Come Una Sentenza
Once Upon A Time In The West – 23 – Duello Finale
Once Upon A Time In The West – 24 – L-Ultimo Rantolo
Once Upon A Time In The West – 25 – Nascita Di Una Citta-
Once Upon A Time In The West – 26 – Addio A Chayenne
Once Upon A Time In The West – 27 – Finale

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Ennio Morricone (1928-2020)

Ammiratore

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Violin sonatas – Viktoria Mullova – Kristian Bezuidenhout #BTHVN250

Fiz esta postagem lá em 2012, incrível, já se passaram oito anos. Muita água rolou embaixo da ponte de lá para cá, mas uma coisa continua igual: o altíssimo nível de interpretação destes dois incríveis músicos, principalmente Viktoria Mullova. Os comentaristas / clientes da amazon são quase que unânimes em considerarem esta sua leitura da Sonata a Kreutzer como uma das melhores já realizadas. E tenho quase certeza de que os senhores irão concordar. Pena que essa gravação não se transformou em um projeto de gravar a integral destas sonatas … mas estamos falando de Mullova, e como comentei abaixo, a qualidade acima da quantidade.

Viktoria Mullova, para variar, dá um show neste baita CD onde interpreta duas sonatas para violino do gênio de Bonn, a sonata n°3 do op. 12, e a obra máxima para esta formação, a divina “Sonata a Keutzer”. Como parceiro tem o excelente “pianofortista” Kristian Bezuidenhout. Tenho este CD já há algum tempo, porém reconheço que também faz tempo que não dou atenção a ele, pois estava meio inacessível em um HD externo, que fica guardado em um armário. De vez em quando pego ele, para procurar alguma coisa diferente para postar.
Como salientei diversas vezes nos últimos tempos, estou trabalhando como um condenado, e este foi meu primeiro domingo livre em mais de um mês, portanto desconheço o que significa a expressão “descansar no final de semana”. Se não tenho respondido á solicitações de reupagens, respondo agora: não, infelizmente não há condições mínimas de reupar arquivos deletados pelos Megauploads e rapidshares. É material que está em hds externos, partições de hds de computadores que foram descartados e do qual não foram feitos backups, e o que é pior, material que foi gravado em cds e dvds que simplesmente não são mais lidos. Trata-se da famosa “redundância cíclica de dados”. O computador trava mas não consegue ler os dados gravados naquela mídia.
Voltando à Mullova, que é o que interessa aqui, tenho a dizer o seguinte: baixem e ouçam… é Beethoven, porra!!! Interpretado por uma das maiores violinistas de sua geração. Não tenho informações se ela chegou a encarar gravar todas as sonatas para violino e piano de Beethoven, assim como o fez Anne-Sophie Mutter, há algum tempo atrás, ou outros tantos violinistas de renome. Mullova prefere a qualidade à quantidade. Grava pouco, porém é difícil dizer que um CD dela não é tão bom quanto outro.
Deleitem-se.

01 Violin Sonata no.3 in E flat op.1
02 II. Adagio con spirito
03 III. Rondo Allegro molto
04 Violin Sonata no.9 in A op.47 ‘Kreutzer’
05 II. Andante con variazioni
06 III. Presto

Viktoria Mullova – Violin
Kristian Bezuidenhout – Fortepiano

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FDPBach

.: interlúdio :. Alex North (1910-1991): Spartacus (1960)

.: interlúdio :. Alex North (1910-1991): Spartacus (1960)

O talentoso compositor americano Alex North (1910 – 1991) trabalhou em obras de Jazz, músicas da Broadway e trilhas de filmes onde integrou sua técnica modernista à estrutura típica de leitmotiv da música cinematográfica, rica em temas. Nomeado para quinze Oscars, não levou nenhuma estatueta. Porém foi o primeiro compositor a receber o Oscar Honorário. Embora North seja mais conhecido por seu trabalho em Hollywood, ele passou anos em Nova York escrevendo músicas para o palco, suas obras clássicas incluem duas sinfonias e uma rapsódia para piano, trompete obbligato e orquestra.

Começou a trabalhar em Hollywood na década de 1950. North foi um dos vários compositores que trouxe a influência da música contemporânea para o cinema, em parte marcada por um aumento no uso de dissonância e ritmos complexos. Mas há também uma qualidade lírica em grande parte de seu trabalho, que pode estar relacionada à influência de Aaron Copland, com quem ele estudou.

Uma ótima trilha sonora para um ótimo filme é o que trazemos hoje aos amigos do blog. A foto da capa é do LP que comprei na década de 80 em uma das lojas mais conceituadas de Sampa. Confesso que comprei o álbum principalmente por causa do ‘tema do amor’ faixa 05 CD1, que continua sendo um destaque, mas o álbum inteiro é excelente para ouvi-lo mais de uma vez, confirmando o quão bem ele fez ao ser parte integrante do filme – como de fato a música cinematográfica deveria fazer. Há dinamismo e profundidade nos temas.

Este conjunto com 3 CDs de “Spartacus” (1960) é essencial para os amantes de filmes! É um dos raros produtos que cobre toda a música do filme do início ao fim. A percussão estrondosa do tema do título principal (CD1 faixa2), o tema do amor de Spartacus, a canção de Antoninus (CD1 faixa 19) ou ainda uma dança posterior que precede a batalha final (CD2 faixa 06) e a música triste, mas esperançosa, do final que ressalta a morte de Spartacus na cruz e o sentimento de triunfo de Varinia enquanto ela segura seu filho recém-nascido enquanto proclamando sua liberdade antes de sua partida final (CD2 faixa 17), são sem dúvida os destaques musicais desta gravação.

A música de “Spartacus” é um complemento digno da coleção de qualquer amante de trilhas sonoras e este simples admirador acha altamente recomendável. Não deve ser comparado especialmente a trilha de “Ben-Hur”, que é como comparar banana com laranja. A música de Alex North é perfeita para Spartacus, evocando não apenas as paixões dos personagens, mas também um sentimento pelo final do primeiro século da nossa era.

Embora a qualidade do som na minha opinião não seja tão boa nesta cópia, parece que o som stereo foi gravado diretamente no CD sem remasterização, vale a pena. Se você é um fã da trilha sonora como eu, é uma adição decente à sua biblioteca.

O Filme
Spartacus (Kirk Douglas), um homem que nasceu escravo, labuta para o Império Romano enquanto sonha com o fim da escravidão. Apesar de não ter muito com o que sonhar, pois foi condenado morte por morder um guarda em uma mina na Líbia. Só que seu destino é mudado por um lanista (negociante e treinador de gladiadores), que o compra para ser treinado nas artes de combate e se tornar um gladiador. Até que um dia, dois poderosos patrícios chegam de Roma com suas esposas, que pedem para serem entretidas com dois combates até morte e Spartacus é escolhido para enfrentar um gladiador negro, que vence a luta mas se recusa a matar seu opositor, atirando seu tridente contra a tribuna onde estavam os romanos. Este nobre gesto custa a vida do gladiador negro e enfurece Spartacus de tal maneira que ele acaba liderando uma revolta de escravos, que atinge metade da Itália do século primeiro. Inicialmente as legiões romanas subestimaram seus adversários e foram todas massacradas, por homens que não queriam nada de Roma, além de sua própria liberdade. Até que, quando o Senado Romano toma consciência da gravidade da situação, decide reagir com todo o seu poderio militar.

Kirk (1916-2020)

O filme venceu o Oscar nas categorias de melhor ator coadjuvante (Peter Ustinov), melhor direção de arte, melhor fotografia e melhor figurino e ainda foi indicado nas categorias de melhor edição e melhor trilha sonora. Diretor: Stanley Kubrick. Elenco: Kirk Douglas, Laurence Olivier, Jean Simmons, Tony Curtis e Peter Ustinov.

 

Os CDs 1 e 2 fazem parte da sequência lógica das cenas do filme. O CD 3 é um bônus.

Recomendo, incondicionalmente, a todos os amantes da música. Divirtam-se !

Spartacus by Alex North
CD1
01 – OVERTURE
02 – MAIN TITLE
03 – THE MINES
04 – SLAVE SHIP
05 – I’M NOT AN ANIMAL
06 – TRAINING – MARCELLUS PAINT – DIFFERENT CELL
07 – DID THEY HURT YOU
08 – CRASSUS ARRIVES
09 – THE ROMANS
10 – CHOOSING THE GLADIATORS
11 – CRASSUS MEETS VARINIA
12 – GLADIATORS FIGHT TO THE DEATH – DRABBAS DEATH
13 – MARCELLUS SOUP – REVOLT – ROME
14 – CRASSUS VILLA
15 – LOOTING – DESERTED SCHOOL
16 – ARMY OF GLADIATORS – REUNION WITH VARINIA
17 – OYSTERS AND SNAILS
18 – VESUVIUS CAMP – VOLUNTEERS – GRACHUS DRUNKEN MARCH
19 – ANTONINUS SONG – BLUE SHADOWS AND PURPLE HILLS
20 – GLABRUS SIGHTED – BURNING CAMP
21 – FINALE – ACT ONE

CD2
01 – INTERMISSION MUSIC
02 – CROSSING THE ALPS – DEAD BABY – BY THE POOL
03 – METAPONTUM
04 – BATH HOUSE
05 – THE SEA
06 – CELEBRATION
07 – THE PEOPLE ASSEMBLE
08 – THE TWO ARMIES MARCH
09 – NIGHT BEFORE THE BATTLE
10 – THE BATTLE
11 – FIELD OF BODIES – VARINIA’S BABY
12 – I AM SPARTACUS – CRASSUS FINDS VARINIA IN THE FIELD
13 – SLAVE LINE – MASS CRUCIFIXION
14 – NIGHT CRUCIFIXIONS
15 – CRASSUS AND VARINIA
16 – FEAR OF DEATH – CRASSUS SLAP – ANTONINUS DEATH
17 – GOODBYE MY LIFE, MY LOVE
18 – EXIT MUSIC

Music Composed and Conducted by Alex North
Orchestra from the Universal Studios

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Alex North dando uma palhinha no piano do PQPBach exatamente às 13:02.

.: interlúdio :. Miklós Rózsa (1907-1995): Ben-Hur (1959)

.: interlúdio :. Miklós Rózsa (1907-1995): Ben-Hur (1959)

Nascido em Budapeste o compositor Miklós Rózsa (1907-1995) foi um ponto de referência para muitos compositores, mais lembrado pelas composições em filmes épicos e religiosos do que pelas composições iniciais de sua carreira, obras neoclássicas, além de balés e sinfonias. Seu trabalho de concerto foi promovido por artistas como o violinista Jascha Heifetz.

O mestre húngaro começou a trabalhar em filmes no final da década de 30. Em 1949 foi contratado pelos estúdios da MGM e participou da fase das grandes produções épicas. A obra que ora trago aos amigos do blog é a sensacional composição do incrível clássico “Ben-Hur” (1959) um marco memorável na carreira de Miklós e que ainda lhe renderia um Oscar da Academia. Eu sempre gostei muito do filme “Ben Hur” e algumas das músicas nele contida são incríveis, um verdadeiro “poema sinfônico”. Rózsa teve o extraordinário luxo de dispor quase um ano inteiro para escrever a trilha sonora do filme de três horas e meia. Esta trilha influenciou outros filmes épicos por mais de quinze anos. A sequência das faixas dos dois CDs é a mesma sequência que as músicas apareceram no filme e nos permite ouvir e imaginar as cenas, um exemplo bem marcante é a faixa 14 do CD1 ”The Rowing of the Galley Slaves” onde Ben-Hur está condenado nas galés, a tensão entre os condenados do navio de guerra vai crescendo a medida que a música vai acelerando ao ritmo da batalha. O resultado é uma trilha sonora totalmente envolvente, a faixa 02 do CD 1 “Overture” explode como um trovão melodioso do passado, e a faixa 06 do CD 1 “Title Music” soa como se a orquestra estivesse cercando o ouvinte. A música se mantém excepcionalmente envolvente, proporcionando assim cerca de duas horas de audição.

O filme

O filme lançado em 1959 tem como diretor o William Wyler e o elenco com figuras carimbadas como Charlton Heston, Jack Hawkins, Haya Harareet. Teve doze indicações ao Oscar e acabou levando onze estatuetas para casa, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator além da composição de Miklós.

O enredo se passa em Jerusalém, no início do século I, vive Judah Ben-Hur (Charlton Heston), um rico mercador judeu. Mas, com o retorno de Messala (Stephen Boyd), um amigo da juventude que agora é o chefe das legiões romanas na cidade, há entre os dois um desentendimento devido a visões políticas divergentes e faz com que Messala condene Ben-Hur a viver como escravo em uma galera romana, mesmo sabendo da inocência do ex-amigo. Mas o destino vai dar a Ben-Hur uma oportunidade de vingança que ninguém poderia imaginar. Ao voltar sua família fora destruída então ele jura vingança contra Messala, porém, seu caminho é cruzado por um misterioso homem de Nazaré. Tal encontro faz Judah se questionar se vale a pena viver com ódio. Uma das cenas mais icônicas, a corrida de bigas, é lembrada como um dos momentos mais marcantes da história do cinema. Foram necessários três meses de filmagens e um total de 15 mil figurantes para realizar a cena. De fato, Ben-Hur é uma verdadeira obra prima da sétima arte, um grandioso clássico.

Miklós Rózsa conduziu uma pesquisa sobre a música grega e romana do século primeiro para dar à partitura um som autêntico enquanto moderno. O próprio Rózsa dirigiu a MGM Symphony Orchestra de 100 peças durante as 12 sessões de gravação, que se estenderam por 72 horas. Considerada a melhor obra de sua carreira. Um dos maiores compositores de trilhas de todos os tempos, permaneceu profundamente influente em meados da década de 1970, particularmente nas trilhas épicas e atrevidas do jovem John Williams.

O som da gravação é excelente, assim como a execução da orquestra. Excelente música para um dos melhores filmes de todos os tempos ! Esta trilha sonora composta é impactante e emocionante, um verdadeiro espetáculo. Divirtam-se !

Ben-Hur by Miklós Rózsa

CD1
01 – Miklos Rozsa – Prologue
02 – Miklos Rozsa – Overture
03 – Miklos Rozsa – Prelude
04 – Miklos Rozsa – Star of Bethlehem
05 – Miklos Rozsa – Adoration of the Magi
06 – Miklos Rozsa – Title Music
07 – Miklos Rozsa – Roman March
08 – Miklos Rozsa – Friendship
09 – Miklos Rozsa – The House of Hur
10 – Miklos Rozsa – Love Theme
11 – Miklos Rozsa – Gratus’ Entry into Jerusalem
12 – Miklos Rozsa – Messala’s Revenge
13 – Miklos Rozsa – The Burning Desert
14 – Miklos Rozsa – The Rowing of the Galley Slaves
15 – Miklos Rozsa – Naval Battle

CD2
01 – Miklos Rozsa – Victor Parade
02 – Miklos Rozsa – Fertility Dance
03 – Miklos Rozsa – Arrius Party
04 – Miklos Rozsa – Farewell to Rome
05 – Miklos Rozsa – Return to Judea
06 – Miklos Rozsa – Memories
07 – Miklos Rozsa – The Mother’s Love
08 – Miklos Rozsa – Intermission Entr’acte Music
09 – Miklos Rozsa – Bread and Circus March
10 – Miklos Rozsa – Parade of the Charioteers
11 – Miklos Rozsa – Death of Messala
12 – Miklos Rozsa – Sermon on the Mount
13 – Miklos Rozsa – Valley of the Dead
14 – Miklos Rozsa – The Lepers search for the Christ
15 – Miklos Rozsa – Procession to Calvary
16 – Miklos Rozsa – Golgotha
17 – Miklos Rozsa – Christ Theme
18 – Miklos Rozsa – The Miracle and Finale

Miklós Rózsa e Carlo Savina – Regentes
The National Philharmonic Orchestra and Chorus

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Miklós Rózsa no pier a espera do SS PQPBach

Ammiratore

.: interlúdio :. Elmer Bernstein (1922-2004): The Ten Commandments (1956)

.: interlúdio :. Elmer Bernstein (1922-2004): The Ten Commandments (1956)

Elmer Bernstein (1922 – 2004) nasceu nos Estados Unidos, nasceu para Hollywood, nasceu para musicar a sétima arte. Tendo feito cerca de incríveis 150 trilhas sonoras originais, além de quase 80 produções televisivas, Musicais da Broadway, trabalhou também na década de 80 no famoso videoclipe da música “Thriller”, de Michael Jackson. O cara era f…., ao longo de sua carreira Bernstein emplacou um Oscar dos 14 que concorrera no total.

Em sua juventude tocou algumas de suas improvisações para o compositor Aaron Copland, que empolgado com o garoto o aceitou como aluno de composição. Bernstein também atuou como pianista de concertos entre 1939 e 1950 e escreveu numerosas composições clássicas, incluindo três suítes de orquestra, dois ciclos de canções, várias composições para viola e piano e para piano solo, quarteto de cordas e um concerto para guitarra. Na Segunda guerra mundial Elmer foi convocado para a Força Aérea do Exército dos Estados Unidos, onde escreveu músicas para a Rádio das Forças Armadas.

Na década de 50 um executivo de música de estúdio apresentou-o a Cecil B. De Mille, que estava gravando “Os Dez Mandamentos” e que precisava de música com som de época. O compositor Victor Young – que originalmente fora contratado para escrever a música dramática – desistiu por motivos de saúde, e DeMille substituiu o compositor doente pelo jovem promissor. Elmer Bernstein se lembra de seu primeiro encontro com Cecil B. DeMille e sua grande chance em “Os Dez Mandamentos”: “‘Senhor. Bernstein “, disse DeMille em grande voz,” você acha que pode fazer pela música egípcia antiga o que Puccini fez pela música japonesa em “Madame Butterfly?” Ele trabalhou na composição por um ano e meio. Criando uma das maiores trilhas já feitas para o cinema. Se os amigos do blog se interessarem pela brilhante carreira do Elmer segue o link de sua página (https://elmerbernstein.com), vale a pena conhecer as grandes obras deste mestre do século XX.

Ao contrário da suposição popular, ele não era parente do célebre compositor e maestro Leonard Bernstein, mas os dois homens eram amigos.No mundo da música profissional, eles se distinguiram pelo uso dos apelidos Bernstein West (Elmer) e Bernstein East (Leonard). Eles também pronunciaram seus sobrenomes de maneira diferente. Elmer pronunciou seu “BERN-steen”, e Leonard usou “BERN-stine”.

Hoje tenho a alegria de poder compartilhar com os amigos do blog uma das maiores páginas musicais já escritas para o cinema: “The Ten Commandments” do compositor Elmer Bernstein. Eu amo essa composição. Adorei quando criança, adorei quando tocava o LP (aliás a foto da capa é do LP que comprei na década de 80 em uma das lojas mais conceituadas de Sampa) e continuo adorando agora aos cinquenta. Espero que outros possam apreciar o trabalho do Bernstein. Na minha opinião de admirador, essa composição conta a história de Moisés tão bem quanto Charleton Heston e o resto do elenco. Acredito que sem esta ótima composição o filme não seria o mesmo. John Williams utilizou a faixa 19 como base para o final do Star Wars Episode IV. Poderoso, épico e clássico ouçam a magistral página que é a faixa 23! Todo o CD é soberbo !

O filme
Considerado como o maior épico bíblico já feito, “Os Dez Mandamentos”, de Cecil B. DeMille, é uma obra-prima. O elenco é incrível e apresenta Charlton Heston, Yul Brynner, Anne Baxter e Edward G. Robinson em performances inesquecíveis. Heston, em particular, apresenta uma performance icônica; como se ele tivesse nascido para brincar de Moisés. Os cenários e figurinos são especialmente ambiciosos e são feitos em uma escala notável. Além disso, DeMille traz uma perspectiva interessante ao material e o enquadra como uma luta entre liberdade e tirania. Os Dez Mandamentos é uma peça extraordinária de cinema e um clássico amado. “Então, deixe que seja escrito, que seja feito”. Baseado nas Escrituras Sagradas, com diálogos adicionais de várias outras mãos, “Os Dez Mandamentos” foi o último filme dirigido por Cecil B. DeMille. A história relata a vida de Moisés, desde o momento em que ele foi descoberto nos juncos quando criança pela filha do faraó, a sua longa e difícil luta para libertar os hebreus da escravidão pelas mãos dos egípcios. Moises (Charlton Heston) começa seguro como o filho adotivo de Faraó (e um gênio em projetar pirâmides, dando conselhos no local de construção), mas quando descobre sua verdadeira herança hebraica, ele tenta: tornar a vida mais fácil para o seu povo. Banido por seu meio-irmão ciumento Ramsés (Yul Brynner), Moisés retorna totalmente barbado à corte do Faraó, avisando que recebeu uma mensagem de Deus e que os egípcios devem libertar os hebreus imediatamente. Somente depois que as pragas mortais dizimaram o Egito, Ramsés cedeu. Quando os hebreus alcançam o Mar Vermelho, eles descobrem que Ramsés voltou à sua palavra e planeja matá-los todos. Mas Moisés resgata seu povo com um pouco de domínio divino, separando os mares. Mais tarde, Moisés é novamente confrontado por Deus no Monte. Sinai, que lhe entrega os Dez Mandamentos.

Os Dez Mandamentos de DeMille pode não ser o entretenimento mais sutil e sofisticado já inventado, mas conta sua história com uma clareza e vitalidade que poucos estudiosos da Bíblia jamais foram capazes de fazer. Com um tempo de execução de quase quatro horas, o último longa-metragem de Cecil B. De Mille não é chato nem por um minuto. O que faz esse filme funcionar – algo que os filmes religiosos recentemente perderam completamente o fio – é que não é um sermão. É atraente, apesar de suas alianças religiosas.

Mesmo para quem não conhece, ainda, o filme muitos temas são familiares. Uma das minhas composições preferidas do século XX. Uma composição refinada e tremenda. Divirtam-se com mais este tesouro da música!

The Ten Commandments by Elmer Bernstein
Ten Commandments -01- Overture
Ten Commandments -02- Main title
Ten Commandments -03- Murder Firstborn, Moses conqueror&cour
Ten Commandments -04- Foods from the Gods
Ten Commandments -05- Treasure City, Erecting monolith
Ten Commandments -06- A city of sethi’s glory
Ten Commandments -07- Hard bondaje
Ten Commandments -08- Nefretiris’ barge
Ten Commandments -09- You are the reedemeri, Lilia begs
Ten Commandments -10- Into blistering wilderness of Shur
Ten Commandments -11- Well of Midiam, Stranger in wise, Stro
Ten Commandments -12- Moses questions Sephora about
Ten Commandments -13- Moses and Sephora to be his wife
Ten Commandments -14- Royal falcon is flown sun, Lilia
Ten Commandments -15- Plague of blood
Ten Commandments -16- Green cloud descends
Ten Commandments -17- Death of Pharaohs son
Ten Commandments -18- I set you free
Ten Commandments -19- A new Day, Exodus
Ten Commandments -20- Ride of the chariots
Ten Commandments -21- And the sea covered him
Ten Commandments -22- His God, Is God, Mount Sinai
Ten Commandments -23- Commandments. Golden Calf
Ten Commandments -24- Wrath of God, Law is restored
Ten Commandments -25- Exit music

Composed & Conducted by Elmer Bernstein
Paramount Pictures Studio Orchestra

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Elmer ensaiando com os egípcios no hall do Grande Salão PQPBach

Ammiratore

Franz Liszt (1811-1886): Transcrições e peças com o tema B-A-C-H – Leslie John Howard, piano

Este maravilhoso CD que ora compartilho com os amigos do blog traz as transcrições que Liszt fez de algumas das mais sublimes peças de órgão de Bach. Estas transcrições são distintas de suas ‘paráfrases’ (algumas já postadas por AQUI), pois tentam transferir a obra o mais fielmente possível de sua originalidade para o piano. As paráfrases de Liszt são como uma fantasia em constante desenvolvimento, combinação e metamorfose de temas, no caso das paráfrases de ópera, era bem comum o mestre húngaro evocar o virtuosismo. Por outro lado, nas transcrições de Bach, Liszt foi reverente e respeitoso a escrita do mestre alemão adequando a necessidade de incorporar as partes dos pedais à música para piano a duas mãos. Liszt não mostrou nenhuma inclinação para inventar notas e novas sonoridades, manteve-se fiel a escrita. No caso de seus cuidadosos arranjos de sete dos maiores trabalhos de órgão de Bach, deve-se mencionar que Liszt estava na vanguarda do renascimento do estudo sério da reprodução de órgãos polifônicos e do estudo independente da pedaleira, a fim de restaurar o negligenciado Bach para o público. Liszt também publicou uma edição da música de órgão de Bach, na qual ele também adicionou outras duas peças de Bach que transcreveu para o  órgão.

“A la Chapelle Sixtine” é um trabalho muito incomum, inspirado por Liszt ouvindo dois motivos muito diferentes na Capela Sistina: o famoso “Miserere mei Deus” de Gregorio Allegri (1582-1652) e o último trabalho de Mozart desse tipo – o “Ave verum corpus” K618, de 1791. A história da obra de Allegri composta para o coro papal na época de Urbano VIII, conta que a obra não teve permissão para ser publicada e não circulou por séculos. Mozart, de catorze anos, copiou a peça da memória e a levou para o mundo. Embora a peça original seja famosa por seu coro, Liszt concentra-se nas maravilhosas harmonias de seu início e as usa para gerar uma passacaglia cujas variações atingem um clímax tempestuoso antes que a peça de Mozart seja revelada da maneira mais simples. Uma obra linda !

Agora, as obras de órgão de Bach, que apareceram inúmeras vezes aqui no PQP, nos são muito familiares, originalmente datadas da época em que Bach trabalhou em Weimar e Leipzig. Nas suas transcrições, Liszt dobra cuidadosamente a parte do pedal em oitavas, sempre que possível e apropriado, quase nunca alterando a partitura original, além de algumas transposições de oitavas necessárias para permitir que as mãos alcancem todas as vozes.

Ampliar ainda mais a música de J.S.Bach pode parecer um desafio impossível, pois já é perfeito e bonito… mas ao ouvir essas transcrições extraordinárias de F. Liszt, essa impossibilidade se torna uma possibilidade …! Liszt entendeu tão bem o espírito integrando seu gênio, sua ciência e sua técnica, que o que ouvimos há sempre o eco de Bach e incrivelmente soa novamente como um órgão ! Acho todas as transcrições bárbaras, para este simples admirador algumas das obras mais belas que já ouvi na vida são especialmente o “Preludes & Fugues, S 462” (Bach BWV 543, faixa 02 e 03)) e a majestosa “Fantasia & Fugue S 463” (Bach BWV 542, faixa 14 e 15). Reverência total aos dois mestres !!!!!

Leslie Howard in action

Para incrementar mais ainda o post temos o incrível pianista nascido na Austrália, Leslie John Howard (1948). Este artista pesquisou, estudou e gravou tudo o que Liszt escreveu. Estima-se que foram cerca de 14.000 peças para piano! Liszt era f…. e o Leslie que gravou tudo, outro f….dão. Foi um conjunto de caixas contendo 99 discos lançado pela Hyperion Records em 2011 em homenagem ao 200º aniversário do nascimento de Liszt. Ao longo do tempo iremos postando algumas destas preciosidades. O próprio Howard disse que nem todas as obras ele executou “de cabeça”, temos alguns CDs que a interpretação soa pouco fria, mas “katzu”, o cara fez uma pesquisa única, conseguiu reunir as peças que sobreviveram até o nosso século e gravou para nosso deleite incluindo todas as 17 obras para piano e orquestra, merece respeito.

O projeto da Hyperion / Howard foi realizado durante 14 anos, abrange também muitos manuscritos não publicados de Liszt e alguns trabalhos inéditos. O último disco foi gravado em dezembro de 1998 e lançado em outubro de 1999, no aniversário de F. Liszt. Desde a conclusão do projeto, houve dois volumes suplementares, à medida que outros manuscritos de F. Liszt apareceram. Este projeto aclamado pela crítica mereceu a entrada de Leslie Howard no “Guinness Book of World Records”, seis “Grands Prix du Disque”, a “Medalha de Santo Estêvão”, o prêmio “Pro Cultura Hungarica” e um troféu de bronze da mão de Liszt presenteada pelo presidente húngaro.

Este CD é sem dúvida um dos mais bem-sucedidos da série de 99 Cds de Liszt (sim ouvi todos com calma e repetições por quase um ano, amo Liszt) … não apenas pelo seu conteúdo, mas também pela qualidade de sua interpretação …..as críticas e reservas que às vezes se pode emitir à interpretação do Leslie Howard (superficialidade, falta de preparação, impressão de que está lendo a partitura…etc.) está bem longe neste conjunto. Um exemplo é a majestosa “Fantasia & Fugue S 463” (Bach BWV 542), que é sem dúvida uma das obras-primas de Bach, liberdade, modernidade incrível … transcrita por Liszt, respeitando a partitura original, destaca a complexidade contrapontística e a escrita de órgãos (2 mãos + 2 pés …!) ainda permanece legível e claro reduzido a “apenas” 10 dedos ! Não posso esquecer de mencionar de novo a transcrição “A la Chapelle Sixtine”, “Andante” da sexta de Beethoven, as duas versões do  “Praeludium und Fuge uber das Motiv B-a-c-h” são razões mais que suficientes para baixar este CD. São transcrições ótimas, dramáticas e teatrais do mestre  F. Liszt, e Howard toca o seu máximo e com um bom som gravado.

Pessoal, um dos mais belos CDs de piano que tenho. Divirtam-se !

FRANZ LISZT (1811-1886) – Transcrições

01 – A La Chapelle Sixtine,S461-Miserere D’Allegri et Ave veru (1862)
02 – 6 Preludes & Fugues,S462 =From Bach=BWV 543 Prelude in Am (1842-1850)
03 – 6 Preludes & Fugues,S462 =From Bach=BWV 543 Fugue in Am
04 – 6 Preludes & Fugues,S462 =From Bach=BWV 545 Prelude in C
05 – 6 Preludes & Fugues,S462 =From Bach=BWV 545 Fugue in C
06 – 6 Preludes & Fugues,S462 =From Bach=BWV 546 Prelude in Cm
07 – 6 Preludes & Fugues,S462 =From Bach=BWV 546 Fugue in Cm
08 – 6 Preludes & Fugues,S462 =From Bach=BWV 547 Prelude in C
09 – 6 Preludes & Fugues,S462 =From Bach=BWV 547 Fugue in C
10 – 6 Preludes & Fugues,S462 =From Bach=BWV 548 Prelude in Em
11 – 6 Preludes & Fugues,S462 =From Bach=BWV 548 Fugue in Em
12 – 6 Preludes & Fugues,S462 =From Bach=BWV 544 Prelude in Bm
13 – 6 Preludes & Fugues,S462 =From Bach=BWV 544 Fugue in Bm
14 – Fantasia & Fugue in Gm,S463 =From Bach=BWV 542 Fantasia (1872)
15 – Fantasia & Fugue in Gm,S463 =From Bach=BWV 542 Fugue (1872)
16 – Symphony No.6,S464-6-Szene am Bach-Andante molto moto
17 – Orgel-Fantasie und Fuge in Gm[Bach],S463i-Fantasy[1st ver
18 – Orgel-Fantasie und Fuge in Gm[Bach],S463i-Fugue[1st ver]
19 – Praeludium und Fuge uber das Motiv B-a-c-h,S529i[1st ver]
20 – Fantasie und Fuge,S529-On the Theme of B-A-C-H
21 – Variationen Uber Das Motiv Von Bach,S180

LESLIE HOWARD piano
Gravações de março a outubro de 1990

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Leslie Howard, dando aquele sorriso para as objetivas do PQPBach !

Ammiratore

Andrew Lloyd Webber (1948): Jesus Christ Superstar (uma Paixão contemporânea?)

Andrew Lloyd Webber (1948): Jesus Christ Superstar (uma Paixão contemporânea?)

Jesus Christ Superstar 1974 - capaHoje, 14.03.2014, estreia em São Paulo a segunda montagem brasileira desta chamada ‘rock opera’ – passados 45 anos de sua composição, 43 da estreia mundial, 42 da primeira montagem brasileira, e 40 da gravação apresentada aqui, regida por André Previn, como trilha de filme dirigido por Norman Jewison.

Achei um bom momento para revalidar o link desta postagem feita originalmente em 21.04.2011 – acrescentando um vídeo sobre a atual montagem brasileira (cujo protagonista – segredo aqui entre nós! – é parente de um membro da nossa equipe). SEGUE O TEXTO ORIGINAL DA POSTAGEM:

.  .  .  .  .  .  .  .  .  .  .  .  .  .  .  .  .
Eu devia ter 17 anos e viajei a São Paulo especialmente para ouver a São Mateus no Teatro São Pedro (tudo em família…)

Ainda não tinha o menor preparo para avaliar a regência do Eleazar de Carvalho – só lembro que achei atroz a pronúncia do alemão do evangelista estadunidense que ele havia trazido. E que na volta do intervalo meu vizinho de cadeira, um senhor português pelo menos 40 anos mais velho, puxou papo e, me tratando de “o senhor”, acabou perguntando se eu já havia visto Jesus Christ Superstar, que havia entrado há pouco nos cinemas, quatro anos depois de estrear no palcos de Londres rotulada como ópera em rock.

Devo ter feito uma espécie de cara de nojo, pois meu vizinho se apressou em dizer que também tinha ido ver com muita resistência, mas havia sido conquistado e saído do cinema encantado. O resultado foi que, de volta a Curitiba, fui quase que envergonhadamente ao Cine Condor – e saí também eu debaixo de uma espécie de sortilégio que me levou ao cinema mais quatro vezes em duas semanas.

Achei tão bom assim? Não, o ponto não era “ser bom” – o que também não quer dizer que achei ruim! Acho que primeiro de tudo foi uma experiência estética – musical e cênica – diferente de tudo o que eu já tinha ouvisto. Segundo, era uma maneira totalmente diferente – uma maneira minha contemporânea – de se relacionar com o material mítico cristão, de que quase cada minuto da minha formação havia sido impregnada.

É evidente que hoje percebo que o material temático é bastante limitado para 1 h 36 min de música – o que pode ser visto tanto como insuficiência quanto como virtude -, e que ao lado de trechos onde a linguagem blues-rock soa forte e autêntica há alguns de um “popismo” quase constrangedor… Seja como for, confesso que, no mínimo pelo papel que desempenhou em minha própria descoberta do mundo, não consigo deixar de ter estima pela obra.

E aqui me apresso a esclarecer que não empreguei o adjetivo “contemporâneo”, no título da postagem, como sinônimo de “experimental” com referência à linguagem musical – sentido em que Paixão segundo São Lucas de Penderecki, do ano anterior, seria muito mais legitimamente “uma Paixão contemporânea”.

No entanto Penderecki coloca em uma nova linguagem musical apenas palavras e sentimentos ortodoxamente católicos, que poderiam ter sido sentidos de modo idêntico mil anos antes, enquanto que o libreto de Tim Rice tenta se aproximar do material mítico cristão de uma forma questionadora, embora não sem uma tentativa de compreensão compassiva – ou seja: de uma forma tensa, complexa, de certa forma comparável à que Saramago apresentará depois no seu Evangelho segundo Jesus Cristo – e é nisso que eu vejo sua contemporaneidade – no meu ver ainda não esgotada neste 42.º ano da obra.

Pra terminar quero contar por quê não escolhi a gravação da versão de palco original de Londres, feita em 1970, e sim esta regida por André Previn, que é a trilha do filme de Norman Jewison lançado em 1974: foi sobretudo pra não abrir mão do timbre e da força interpretativa inesquecíveis com que Carl Anderson abre a obra, em seu papel de Judas –

… o que na época gerou polêmicas de todos os lados: conservadores atacavam a obra como demoníaca por apresentar um Judas tão atraente e razoável, militantes a taxavam de racista por atribuir o papel de Judas a um negro (mesmo não sendo o único no elenco). E confesso a vocês que o fato de incomodar pra todos os lados tende a ser visto por mim como uma virtude artística em si.

Mas agora é com vocês, aí vai!

Cena do filme de Norman Jewison


Andrew Lloyd Webber (1948): JESUS CHRIST SUPERSTAR (1969)
Versão regida por André Previn em 1973-74
para a versão filmada por Norman Jewison

(mais informações no arquivo)
DISC 1:
01. Overture
02. Heaven On Their Minds
03. What’s The Buzz
04. Strange Thing Mystifying
05. Then We Are Decided
06. Everything’s Alright
07. This Jesus Must Die
08. Hosanna
09. Simon Zealotes
10. Poor Jerusalem
11. Pilate’s Dream
12. The Temple
13. I Don’t Know How To Love Him
14. Damned For All Time / Blood Money

DISC 2:
01. The Last Supper
02. Gethsemane (I Only Wanted To Say)
03. The Arrest
04. Peter’s Denial
05. Pilate And Christ
06. King Herod’s Song
07. Could We Start Again, Please?
08. Judas’ Death
09. Trial Before Pilate
10. Superstar
11. The Crucifixion
12. John Nineteen: Forty-One

. . . . . . . BAIXE AQUI – download here

Link alternativo: BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

ENQUANTO BAIXA, ASSISTA O MAKING-OF DA ATUAL MONTAGEM BRASILEIRA. Contém observações sobre a música que me surpreenderam!

Ranulfus
Publicado originalmente em 21.04.2011

Franz Liszt (1811-1886): Coleção Claudio Arrau parte 2 de 2

Nesta segunda parte das interpretações que Claudio Arrau (1903-1991) faz das peças de Liszt (1811-1886) ouvimos o grande pianista usando e abusando da sua excelente técnica, perspicaz penetrante, domínio interpretativo e tom brilhante. Na minha opinião, obviamente esta técnica significa a capacidade de produzir sons pianísticos expressivos, sensíveis ao contexto e não apenas pressões rápidas dos tons certos (ai vira uma máquina de escrever!).

 

CD4 (1973-1978)
Esta é a gravação que mais gosto da Sonata de Liszt. O som da gravação é excelente e a apresentação do Cláudio Arrau não é exagerada ou bombada – pelo contrário, muito poética. Claro que há Horowitz, Zimmermann, Bolet, Argerich, Richter, Guilels, Brendel e outros gigantes, mas Arrau está sublime. Este álbum parece reunir uma espécie de quintessência das composições mais bonitas ou das mais profundas ou virtuosas (principalmente nos estudos de concerto e em certas passagens da sonata). Aqui domina os temas poderosos e a evolução do discurso, a narração da história, contada com o timbre do piano que Claudio Arrau domina tão bem. Ele toca cada nota audivelmente, nenhuma é deixada sumir debaixo da onda sonora dos “glissandi” (gosto muito do Horowitz mas ele peca nesse ponto). Acho que a emoção da música se manifesta de maneira mais reveladora e espetacular nesse tipo de versão do que nas performances abertamente ousadas. Sua visão nas três peças da “Harmonies poetiques et religieuses “ é ampla, percebe todos os pequenos detalhes que podem contribuir para a impressão geral de uma magnífica obra para piano, que é ao mesmo tempo revelada como uma das obras supremas da arte musical da era romântica. Tem uma historinha legal a respeito da Sonata: num recital de Liszt, na Corte de Weimar, em meio a apresentação da dita Sonata o compositor J. Brahms deu uma cochilada bonita, com direito a ronco e baba. Quando acordou teve que justificar polidamente que estava exausto de viajar (uma testemunha ocular relatou, num extenso fórum a respeito do tema no PQPBach Convention Center, que ele namorou demais a Clara e foi ao recital logo em seguida. Convenhamos: ai ninguém aguenta, da soninho mesmo). O resultado foi que Liszt teria ficado magoado com o belo e talentoso Johannes e nunca mais quis saber do compositor.

01 – Liszt – Sonate Klavier h-moll 1. Lento assai
02 – Liszt – Sonate Klavier h-moll 2. Grandioso
03 – Liszt – Sonate Klavier h-moll 3. Andante sostenuto
04 – Liszt – Sonate Klavier h-moll 4. Allegro energico
05 – Liszt – Harmonies poetiques et religieuses Nr.3 5. Moderato
06 – Liszt – Harmonies poetiques et religieuses Nr.3 6. Andante
07 – Liszt – Harmonies poetiques et religieuses Nr.3 7. Quasi Preludio
08 – Liszt – Estude S144 R5 Trois etudes de concert1. Il lamento
09 – Liszt – Estude S144 R5 Trois etudes de concert2. La leggierezza
10 – Liszt – Estude S144 R5 Trois etudes de concert3. Un sospiro

Piano: Claudio Arrau

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CD5 (1969)
Este quinto CD contém trechos de “Années de pèlerinage” e dois Estudos de Concerto são peças que tem seu brilho próprio. Ao longo da elaboração dos três livros do ciclo “Années de pèlerinage” Liszt teve muita influência. Ele estudou diversos estilos de música ao longo dos anos das viagens. O problema com Liszt é que ele foi em muitas direções melódicas. Há Liszt, o virtuoso, Liszt, o compositor germânico, Liszt, o húngaro, e Liszt, o compositor francês, e de alguma forma, nesses três livros, temos um pouco de tudo isso. Além disso, é incrivelmente romântico, no sentido de que tudo é influenciado pela poesia, pelo que ele estava lendo. Os três livros retratam as descobertas musicais enquanto ele viajava pela Suíça e Itália. Arrau neste CD interpreta de forma lógica, orgânica e, acima de tudo, com bastante emoção. Absolutamente recomendado.

01 – Liszt – Sonetto 104 del Petrarca
02 – Liszt – Ballade Nr.2 h-moll
03 – Liszt – Sonetto 123 de Petrarca
04 – Liszt – Vallee d’Obermann
05 – Liszt – Valse oubliee Nr.1 Fis-dur
06 – Liszt – Les jeux d’eaux р la villa d’Este
07 – Liszt – Konzert-Studie Nr.1 Waldesrauschen – Murmures de la foret
08 – Liszt – Konzert-Studie Nr.2 Gnomenreigen – Ronde des lutins

Piano: Claudio Arrau

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CD6 (1976-1979)
Sobre o Concerto número um de Liszt, Béla Bartók descreveu-a como “a primeira realização perfeita da forma de sonata cíclica, com temas comuns sendo tratados com base no princípio da variação”. Os principais temas do primeiro concerto são do garoto Liszt de dezenove anos (1830) ele foi revisando até a versão estreada em Weimar em 1855, com o compositor ao piano e Hector Berlioz na regência. Liszt fez ainda mais alterações antes da publicação em 1856. Esta gravação que Arrau fez dos concertos para piano datam do final de 1979 – no início das gravações digitais da Philips. Os três Estudos de concerto foram gravados antes dos dois concertos para piano, no final de 1976. A interpretação de Claudio Arrau dessas obras de Liszt é poderosa, nos leva para outra dimensão, rica em nuances delicadas, nunca com a mão pesada. A qualidade do som deste CD é excelente. A música de Arrau é algo a ser valorizado tentaremos fazê-lo com mais frequência aqui no blog.

01 Piano Concerto No.1 – Allegro Maestroso
02 Piano Concerto No.1 – Quasi Adagio
03 Piano Concerto No.1 – Allegretto
04 Piano Concerto No.1 – Allegro Marziale Animato
05 Piano Concerto No.2 – Adagio Sostenuto Assai
06 Piano Concerto No.2 – Allegro Moderato
07 Piano Concerto No.2 – Allegro Deciso
08 Piano Concerto No.2 – Allegro Animato
09 Etude De Concert – Il Lamento
10 Etude De Concert – La Leggierezza
11 Etude De Concert – Un Sospiro

Piano: Claudio Arrau
London Symphony Orchestra
Regente: Sir Colin Davis

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Claudio Arrau: Tela sob caneta preta – Studios Pixel-PQPBach – PQPlândia

Arvo Pärt (1935): Symphony No. 4 “Los Angeles”

Arvo Pärt (1935): Symphony No. 4 “Los Angeles”

  • Repost de 27 de Março de 2016

Trinta e sete anos foi o intervalo entre a composição da terceira sinfonia de Arvo Pärt e a quarta. Aqui temos o famoso tintinnabuli de Arvo Pärt em seu ápice: a forma orquestral.

Se vocês ouviram bem a Terceira Sinfonia, puderam notar que certos elementos hoje tão presentes na música de Pärt já eram perceptíveis lá, durante sua fase de transição. Mas é aqui que aquele sabor tão inconfundível do tintinnabuli de hoje fica claro.

Recomendo que os senhores prestem atenção em cada detalhe desta música. Pensem nela como a pele de uma mulher a quem fazemos um carinho deliciosamente delicado, cada movimento, cada pausa, cada cabelo tocado é um estímulo a mais. Da mesma forma, aqui cada corda, cada madeira, triângulo, marimba, sino que é tocado é um novo estímulo. É a percussão que mais chama nossa atenção. É como se a orquestra de cordas fizesse o papel objetivo da música. O tom, melodia, harmonia, etc. Enquanto que os instrumentos de percussão trouxessem o aspecto subjetivo, introspectivo, e, quem sabe, talvez até espiritual desta sinfonia.

Se o ouvinte chegar a ela esperando a “bagunça” das duas primeiras sinfonias ou a “grandeza sentimental” da terceira não encontrará isso tão facilmente aqui. Ao invés de Los Angeles eu teria a chamado de Delicata.

Arvo Pärt (1935): Symphony No. 4 “Los Angeles”

Symphony No. 4 “Los Angeles” (35:09)
1 Con Sublimità 12:04
2 Affannoso 14:12
3 Deciso 8:45
Orchestra – Los Angeles Philharmonic*
Conductor – Esa-Pekka Salonen

4 Fragments From Kanon Pokajanen (14:50)
Choir – Estonian Philharmonic Chamber Choir
Conductor – Tõnu Kaljuste

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Eai baixinho, dando um rolê de bike?
Eai baixinho, dando um rolê de bike?

Luke

Franz Liszt (1811-1886): Coleção Claudio Arrau parte 1 de 2

Este maravilhoso conjunto de seis discos que ora compartilho com os amigos do blog em dois posts contém as gravações de obras de Liszt (1811-1886) que Claudio Arrau (1903-1991) fez para a Philips no século passado quando beirava os setenta anos. Pianista chileno considerado por muitos como um dos artistas mais renomados do século XX. O Liszt de Arrau eu acho especial por várias razões. Por um lado, ele atende às formidáveis demandas de virtuosidade pianística da música pelo meio de sua formidável técnica. E, ao contrário de muitos pianistas – especialistas em Liszt que brincam criando novas texturas, adicionando mais oitavas e compondo novas cadências – Arrau considera fielmente a composição e resiste a qualquer tentação de acelerar ou diminuir a velocidade do efeito e de criar notas novas. Isso não significa que Arrau trata Liszt friamente – longe disso.

Prof.MartinKrause (Berlin-1914) “Esta criança há de ser a minha obra prima”

Entre os anos de 1912 a 1918 foi aluno de Martin Krause (1853-1918), que fora aluno de Liszt. No início de sua carreira Arrau executou muitas das obras do húngaro, porém por influência (muito boa por sinal) de seu professor ele aprendeu a não se tornar um especialista na música de nenhum compositor específico adotando todos os grandes compositores por igual. Consequentemente, o repertório do jovem Arrau era muito grande; no entanto, à medida que envelhecia, concentrou-se em menos compositores, passando do universal para o específico, aplicando insights quase proféticos em certas partituras, especialmente as de Beethoven , Chopin e Liszt.

Arrau começou a gravar sua série Liszt para a Philips aos setenta anos, não necessariamente uma idade auspiciosa para assumir um projeto tecnicamente desafiador, mas a energia e a imaginação que ele trouxe para essa música foram notáveis. Certamente, Arrau, o poeta-filósofo, estava no comando, e são os aspectos míticos / heróicos e espirituais da música de Liszt que são mais evidentes em suas gravações. Até exemplos tão óbvios como os Estudos Transcendentais se revelam sob as mãos de Arrau como música primeiro, e exercícios técnicos em segundo, não porque são atenuados, o que não são, mas porque o pianista analisa e extrai o núcleo musical. De fato, existem milagres técnicos em todo o lugar, mesmo que muitos ouvintes não estejam necessariamente cientes deles (apenas ouça as magníficas paráfrases de Verdi, sobretudo a belíssima “Réminiscences De Simone Boccanegra”).

Apesar de adorar as interpretações do Cláudio Arrau, sou resolutamente contrário à ideia de que qualquer performance, ao vivo ou gravada, possa ter o rótulo de “o melhor” de qualquer trabalho. A natureza humana é falível demais, as vezes cometemos injustiças dizendo que gravações medíocres dos velhos tempos são “o melhor”. Na arte, a idiossincrasia (maneira pessoal à influência de agentes exteriores) é quase parte de toda a experiência. No entanto, existem padrões – padrões de excelência, e é isso que Arrau oferece neste CD. Se você discordar, faz parte. Todos temos os nossos “eleitos”.

Altamente recomendado. O melhor de Cláudio Arrau no melhor de Liszt.

CD1 (1983)
Este disco gravado pela Philips no início dos anos 80 inicia com a peça “Apres une lecture du Dante” S. 161 é a sétima do ciclo dos “Anos de peregrinação” (2º ano Itália). Este ciclo foi composto entre 1838-1861. Inspirado na leitura do poema épico de Dante Alighieri , a Divina Comédia, a peça é dividida em duas partes. A primeira, um tema cromático em ré menor, típica tonalidade que nos leva ao lamento das almas no inferno. A segunda é um coral em Fá maior que representa a alegria dos que estão no céu. O excelente Cláudio Arrau nos presenteia com uma interpretação virtuosa como a peça requer, porém segura e sem exageros.

Frédéric Chopin escreveu 19 canções para voz e piano, definidas em textos poloneses, entre 1827 e 1847. Todos os textos das canções de Chopin eram poemas originais de seus contemporâneos poloneses estas canções foram catalogadas para publicação por Julian Fontana como Op. 74. Entre 1847 e 1860 Liszt escolheu seis peças do Op. 74 e as transcreveu para piano solo, sob o título “Six Chants polonais” S.480, são peças muito delicadas e que se encontram no repertório de todos os grandes pianistas. A interpretação do Arrau para a segunda peça “Frühling – Printemps” é magnífica.
O CD encerra com “Funérailles “ esta interpretação do maduro Arrau eu acho, na minha simples condição de “admirador”, uma das mais belas leituras, simplesmente emocionante. Ele é um dos raros pianistas que entenderam que esta música é essencialmente declamatória.

A grande força deste disco reside em uma presença singular do Cláudio Arrau, uma claridade fascinante e uma extraordinária capacidade de investir em uma forma musical que visa a transcendência. Considero como um dos CD’s lendários do pianista. Deve estar presentes para todos os que gostam das músicas do imenso compositor húngaro.

(01) [Claudio Arrau] Liszt – Années de pèlerinage II- 7. Apres une lecture du Dante
(02) [Claudio Arrau] Liszt – 6 Chants polonais de Frédéric Chopin- 1. Des Mädchens Wunsch – Soui
(03) [Claudio Arrau] Liszt – 6 Chants polonais de Frédéric Chopin- 2. Frühling – Printemps
(04) [Claudio Arrau] Liszt – 6 Chants polonais de Frédéric Chopin- 3. Das Ringlein – Le petit au
(05) [Claudio Arrau] Liszt – 6 Chants polonais de Frédéric Chopin- 4. Bacchanal – Bacchanale
(06) [Claudio Arrau] Liszt – 6 Chants polonais de Frédéric Chopin- 5. Meine Freundin – Ma mignoe
(07) [Claudio Arrau] Liszt – 6 Chants polonais de Frédéric Chopin- 6. Die Heimkehr – Le fiancé
(08) [Claudio Arrau] Liszt – Harmonies poétiques et religieuses- 7. Funérailles

Piano: Claudio Arrau

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CD2 (1977)
O Arrau dos Estudos Transcendentais dos anos setenta é considerado como uma das maiores interpretações já gravadas destas obras. Sou fã de Arrau. Adoro seu ciclo de Beethoven, as Valsas de Chopin (postagem do fdpbach), este CD em particular traz Liszt no seu melhor. Quem gosta destas peças pode até discordar por querer um ritmo mais vertiginoso, mas Arrau, ao adotar um ritmo mais lento, acho que dignifica as doze peças. Seja o misticismo da “Vision”; o heroísmo da “Eroica” ou do “Wilde Jagd”; seja a variante de Liszt para Tristão e Isolda no belíssimo “Harmonies du Soir” e o esquecimento que envolve tudo em “Chasse Neige”, Arrau é magistral. O poder e poesia são dele. Ouça o seu rubato em “Ricordanza”, é impecável. A braveza que é evidente em “Mazeppa” é o subproduto da genialidade. Eu prefiro Liszt tocado com base mais na interpretação poética do que apenas tocando as notas rapidamente, esta é a gravação perfeita. Os “Estudos Transcendentais” que são conhecidos por sua dificuldade notória, são cheios de paixão, emoção e romantismo e devem ser tocados com todos esses princípios em mente. Arrau que, como dito acima, foi aluno de um aluno de Liszt aprendeu e aplicou todos esses princípios a cada peça de maneira apropriada. Muitos pianistas simplesmente tocam esses estudos simplesmente para mostrar suas técnicas bombadas-marombadas e esquecem de reconhecê-los por sua musicalidade.

01 – 1. Prelude (Presto)
02 – 2. Molto vivace
03 – 3. Paysage (Poco adagio)
04 – 4. Mazeppa (Allegro)
05 – 5. Feux follets (Allegretto)
06 – 6. Vision (Lento)
07 – 7. Eroica (Allegro)
08 – 8. Wilde Jagd (Presto furioso)
09 – 9. Ricordanza (Andantino)
10 – 10. Allegro agitato molto
11 – 11. Harmonies du soir (Andantino)
12 – 12. Chasse neige (Andante con moto)

Piano: Claudio Arrau

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CD3 (1972)
Incrível este CD que mostra um “cadinho” do que Liszt fazia para divulgar as óperas em recitais pianísticos. Como na época não havia rádio, CD, mp3 e muito menos mídia no celular, era difícil e caro as montagens de óperas, grandes concertos, então os compositores talentosos faziam um “resumão” (paráfrases) das óperas ou sinfonias ao piano e podiam levar ao público em pequenas salas de concerto estas obras de montagem mais complexa. Liszt sabia exatamente o que selecionar para obter seu efeito ideal, um exemplo ótimo é o final de “Il trovatore”, ele oferece um somatório deslumbrante de temas. Todas as paráfrases são de imensa beleza, mas a “Réminiscences De Simone Boccanegra” chega a perfeição na delicada interpretação do Claudio. Em resumo este recital chega a ser arrepiante. Acima de tudo, Arrau nos dá toda a sua riqueza de expressão, além de um senso épico de grandeza operística, e seu modo profundamente especulativo como em “Aida”. Certamente este CD está entre as suas melhores interpretações (para este simples mortal que escreve estas mal traçadas linhas).

(01) [Claudio Arrau] Liszt-Verdi- Rigoletto (Concert Paraphrase), S 434
(02) [Claudio Arrau] Liszt-Verdi- Ernani (Concert Paraphrase), S 432
(03) [Claudio Arrau] Liszt-Verdi- Miserere Du Trovatore, S 433
(04) [Claudio Arrau] Liszt-Verdi- Salve Maria De Jérusalem, S 431
(05) [Claudio Arrau] Liszt-Verdi- Aida – Danza Sacra E Duetto Finale, S 436
(06) [Claudio Arrau] Liszt-Verdi- Don Carlos – Coro Di Festa E Marcia Funebre, S 435
(07) [Claudio Arrau] Liszt-Verdi- Réminiscences De Simone Boccanegra, S 438

Piano: Claudio Arrau

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Claudio Arrau: Tela sob carvão – Studios Pixel- PQPBach em PQPlândia

Postagem restaurada – Ludwig Van Beethoven (1770-1827): Symphonies – Klemperer (2/6)

PUBLICADO ORIGINALMENTE POR FDP BACH EM 20/10/2012, RESTAURADO POR VASSILY EM 24/3/2020 e 6/5/2022

Continuo com a integral das Sinfonias de Beethoven com Otto Klemperer. Problemas com o uploaded.to e a falta de confiança em qualquer outro servidor de armazenamento me fizeram voltar para o rapidshare.
E aqui o negócio se torna mais sério. Temos a mítica Sinfonia n°3, também conhecida como “Eroica”. Dia destes PQPBach postou uma versão com o Fricsay, e a considerava a mais perfeita que já ouvira. Sugiro então que se faça a comparação entre estes dois gigantes da regência. Talvez Fricsay tenha certa vantagem pelo fato de ter atingido tal maturidade musical tão precocemente, lembrando que ele morreu com 46 anos de idade, ou seja, era mais jovem quando a gravou, enquanto que Klemperer já estava com 85 anos de idade quando encarou o desafio de gravar esta integral. Claro que esta não foi sua única gravação, na verdade, existem dez registros fonográficos que ele realizou desta sinfonia. Algumas em estúdio, outras ao vivo, em broadcasting. O próprio Karajan considera as interpretações da “Eroica” pelo Klemperer a base de suas próprias interpretações.
Alguns podem achar que o bom velhinho desacelerou um pouco na Marcia Funebre (16:53), mas no conjunto a leitura que Klemperer faz desta sinfonia, que é a divisora de águas das sinfonias é, em minha modesta opinião, perfeita. Claro que a orquestra ajuda, mas podemos sentir o pulso do regente alemão controlando cada nuance, cada detalhe da música. Para se ouvir sem medo, e várias vezes. De preferência, sentados em suas melhores poltronas, apreciando um bom vinho.

P.S. – Aos 62 primeiros downloaders deste arquivo peço desculpas, mas troquei os links e disponibilizei as sinfonias de n°2 e 5. O link com a 3ª Sinfonia já está corrigido.

 

01. Symphonie Nr. 3 Es-dur op. 55 – I. Allegro con brio
02. II. Marcia funebre Adagio assai
03. III. Scherzo und Trio Allegro vivace
04. IV. Finale Allegro molto – Poco andante – Presto
05. Grosse Fuge B-dur op. 133

Philharmonia Orchestra
Otto Klemperer

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FDPBach

Postagem restaurada – Ludwig Van Beethoven (1770-1827): Symphonies – Klemperer (1/6)

PUBLICADO ORIGINALMENTE POR FDP BACH EM 19/10/2012, RESTAURADO POR VASSILY EM 23/3/2020

LINK CORRIGIDO !

Alguém dia destes pediu a Sinfonia Pastoral com o Klemperer, e pensei então, por que apenas a Sinfonia Pastoral e não todas elas com o bom velhinho Otto Klemperer, no apogeu de seus 85 anos de idade? São gravações de primeiríssima linha com um dos grandes nomes da regência do século XX. Coisa de gente grande, para baixar e guardar, para ouvir com carinho sempre que se tiver vontade.

Ludwig Van Beethoven (1770-1827): Symphonies – CD 1 de 6 – Otto Klemperer, Philharmonia Orchestra

01. Symphony n° 1 in C Major, op. 21. Adagio molto – Allegro con brio
02. 2. Andante cantabile con moto
03. 3. Menuetto and Trio. Allegro molto e vivace
04. 4. Adagio – Allegro molto e vivace
05. Symphony n°6 in F Major, op. 68 ´Pastoral´ 1. Allegro ma non troppo
06. 2. Andante molto mosso
07. 3. Allegro – In tempo d’allegro – Tempo I –
08. 4. Allegro –
09. 5. Allegretto

Philharmonia Orchestra of London
Otto Klemperer – Conductor

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
FDPBach

Witold Lutoslawski (1913-1994): Sinfonias 1 e 2, Concerto for Orchestra, Jeux Venitiens, Livre pour Orchestre, Mi-Parti, etc

Na série de postagens com as grandes sinfonias do Século XX, trago hoje uma postagem original de CDF Bach em 2010. Não tenho notícias sobre o paradeiro deste irmão de PQP e FDP, quem souber dele, favor nos avisar nos comentários. O Lutoslawski da 1ª Sinfonia, do Concerto para Orquestra e da Música Fúnebre deve muito à linguagem de Bartók. Cito o que escreveu Itadakimasu em outra postagem dos primórdios deste site, quando muitos de nós tínhamos internet discada:
Verdade que é o primeiro Lutosławski, ligado claramente à música de Bartók (de fato, mesmo depois, ele continuaria umbilicalmente ligado, mas de formas mais sinuosas, complexas, ambíguas; aqui, não, tudo é direto e cristalino, ainda que esteja longe, muito longe, de ser a obra que Bartók não escreveu), mas seja o compositor teoricamente visto como conservador (e tenho muitas ressalvas a essa percepção), seja o vanguardista de pouco depois, Lutosławski é grande, fantástico em sua capacidade de manejar a massa sonora, na compactação e na fluência de suas peças, na sua capacidade de construir climas. Pessoalmente, gosto mais desta 1ª Sinfonia do que de qualquer peça puramente orquestral de Bartók (salvo, talvez, pelo início do Mandarim Miraculoso).

O Lutoslawski  da 2ª Sinfonia e do Livre pour Orchestre escreve de modo mais complexo, menos ligado à música folclórica, mas sempre buscando criar uma conexão íntima com o ouvinte, ainda que isso não vá acontecer com 100% das pessoas. Sem problemas: nem toda mensagem jogada em uma garrafa vai ser lida, nem todo poço furado encontra água. Como escreveu Lutoslawski, seu objetivo ao compor era “encontrar pessoas que no fundo de suas almas sintam o mesmo que eu sinto… Essas são as pessoas mais próximas de mim, ainda que eu não as conheça pessoalmente. Considero a atividade criativa como um tipo de pescaria de almas, e a melhor cura para a solidão, esta forma tão humana de sofrimento.” Fiquem com a postagem original de CDF Bach, que foi uma dessa almas pescadas.

Não há nada mais complexo e difícil que ouvir. Quando paramos de falar (um grande passo, aliás), não necessariamente paramos para ouvir. A mente continua sua tagarelice até entrar em uníssono com o interlocutor. Para os mais incontidos, frases rápidas são exclamadas para ressaltar as idéias do outro (que na verdade são também do ouvinte). No fim, tudo continua como começou. O prazer que sentimos na concordância desfaz qualquer possibilidade de aprendermos algo diferente.

A música, no entanto, nos faz aprender um bocado sobre essas deficiências. Ouvindo a música de Haydn, por exemplo, consigo ver minhas limitações, principalmente quando o mestre me prega aquelas surpresas: tudo levando a um caminho e, pronto! Dou de cara com um caminho inusitado e nunca imaginado por mim. No futebol, a experiência foi a mesma. Lembro de ter sido um jogador razoável na minha infância, mas ficava puto da vida com os dribles que um fedelho me dava. Ouvir, assim como viver, é confrontar nossas fraquezas. E quem está disposto a isso com frequência?

Outro compositor que mostra muito como é limitada minha imaginação é o polonês Witold Lutoslawski. Sua linguagem não é fácil, mas tem uma unidade e coerência que ajuda o ouvinte a seguir adiante. No fim tenho a sensação de que ganhei muito com meu silêncio.

Witold Lutoslawski (1913 – 1994): Concerto for Orchestra
/ Jeux Venitiens / Livre pour Orchestre / Mi-Parti

CD 1
1. Symphonic Variations
2. Symphony No. 1 – I:- Allegro guisto
3. Symphony No. 1 – II: Poco adagio
4. Symphony No. 1 – III: Allegro misterioso
5. Symphony No. 1 – IV: Allegro vivace
6. Musique funèbre.mp3
7. Symphony No. 2 – I: Hésitant
8. Symphony No. 2 – II: Direct

CD 2
1. Concerto for Orchestra: I. Intrada (Allegro Maestoso)
2. Concerto for Orchestra: II. Capriccio, Notturno E Arioso (Vivace)
3. Concerto for Orchestra: III. Passacaglia, Toccata E Corale (Andante Con Moto – Allegro Giusto)
4. Jeux Vénitiens
5. Livre Pour Orchestre
6. Mi-parti

CD 3
1. Preludia i fuga 1 Preludes Nos 1-7
2. Preludia i fuga 2 Fugue
3. Trois Poèmes d’Henri Michaux I: Pensées
4. Trois Poèmes d’Henri Michaux II: Le grand combat
5. Trois Poèmes d’Henri Michaux III: Repos dans le malheur
6. Paroles tissées
7. Trzy postludia No. 1

Performed By Polish Radio NSO
Witold Lutoslawski

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dsdsd
Lutoslawski: imaginativo e original

CDF / Pleyel

Marlui Miranda (1949): IHU: Todos os Sons (1995) [a descoberta musical do Brasil no século XX]

Marlui Miranda (1949): IHU: Todos os Sons (1995) [a descoberta musical do Brasil no século XX]

Em agosto de 2009 o colega Marcelo Stravinsky postou aqui o CD “IHU 2”, ou “Kewere”, a missa com coro e orquestra, baseado em cantos e em textos indígenas, que Marlui Miranda lançou em 1997.

Há algumas semanas o Monge Ranulfus teve a oportunidade de apreciar ao vivo uma realização dessa missa com a própria Marlui e o coro e orquestra da Camerata Antiqua de Curitiba. Isso trouxe novamente à tona seu entusiasmo, jamais arrefecido, pelo trabalho de pesquisa e de criação dessa cearense. Quer lhe parecer que tal trabalho é o primeiro que se defronta com o material musical ameríndio não como matéria prima para uma criação musical ocidental, mas, ao contrário, coloca as técnicas ocidentais de épocas e estilos os mais diversos a serviço da própria expressão ameríndia – como quem apenas lhe realçasse os traços e evidenciasse possibilidades, sem jamais afastá-lo de sua natureza-de-alma mais própria.

Tratar-se-ia, portanto, de um ato de imensa significação histórica, pois nunca antes, em 500 anos, o olhar, ouvido e alma europeus teriam alcançado um nível de respeito e abertura tão elevados diante da expressão indígena – resultando não em mais um produto ocidental feito com matéria-prima expropriada, e sim, pelo contrário, em um sutilíssimo ato de penitência pelos imensos crimes de lesa-humanidade com que a expansão europeia se efetivou.

Enfim: brotou desse momento a vontade de compartilhar aqui o primeiro disco da série Ihu, dois anos anterior à missa, o qual não recorre ao coro e orquestra “eruditos” mas também alcança um nível extraordinário de realização musical (veja-se pelas entusiásticas resenhas deixadas no site da Amazon que foram incluídas na postagem em arquivo de texto).

E, para lhe fazer companhia, por que não repostar também a missa? Tenho tanta certeza de que o Strava não se oporá que deixei para pedir licença aqui, em pleno ar…

Uma última coisa: Marlui Miranda disse uma vez que pretendia realizar uma série de seis discos com material indígena, cada um explorando um diferente campo de linguagem. Não sei que dificuldades terá encontrado, pois parece parou nestes dois. Ainda assim que ninguém se atreveria a dizer que a realização foi pouca, não é mesmo?

Marlui Miranda (1949)
Ihu : Todos os Sons (1995)

1. Tchori Tchori (Índios Jaboti de Rondônia)
2. Pamé Daworo (Índios Jaboti de Rondônia)
3. Tche Nane (Índios Jaboti de Rondônia)
4. Ñaumu (Índios Yanomami de Roraima)
5. Awina – Ijain Je E’ (Índios Pakaa Nova de Rondônia)
6. Araruna (Índios Parakanã do Pará)
7. Mena Barsáa (Índios Tukano do Amazonas)
8. Bep (Índios Kayapó do Pará)
9. Festa Da Flauta (Índios Nambikwara do Guaporé – MT)
10. Yny Maj Hyrynh (Índios Karitiana de Rondônia / José Pereira Karitiana)
11. Hirigo (Índios Tupari de Rondônia)
12. Wine Merewá (Índios Suruí de Rondônia)
13. Mekô Merewá (Índios Suruí de Rondônia)
14. Ju Parana (Índios Juruna do Mato Grosso do Norte)
15. Kworo Kango (Índios Kayapó do Pará)
16. Mito (narração) – Mitumji Iarén (Índios Suyá do Mato Grosso do Norte)
17. Quinze Variações de Hai Nai Hai (Índios Nambikwara do Guaporé – MT)

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Marlui Miranda: pesquisa de tradições musicais dos povos da Amazônia

Ranulfus

Sergei Prokofiev (1891 – 1953): Sinfonias Nº 1 “Clássica” e 5

De todas as sinfonias que conheço, a 5ª de Prokofiev tem um dos adagios mais bonitos e profundos, mais ainda na interpretação lenta e cuidadosa de Celibidache e Filarmônica de Munique. Procurem no Youtube a entrevista “Celibidache on his Philosophy of Music”, em que ele explica seus conceitos sobre o andamento, que deve permitir ao ouvinte perceber todos os elementos da partitura. Quanto mais complexidade, mais o andamento deve ser lento, diz ele. Deixo vocês com o texto de nosso patriarca P.Q.P., de 2007, quando o Youtube engatinhava e o Orkut reinava.

Alguma limitação me faz confundir as sinfonias de Prokofiev. Boto para tocar a quinta, esperando ouvir a sétima; ambas são excelentes, mas chego a pensar no Sr. Alzheimer quando as confundo.

A Clássica é uma Sinfonia de Haydn composta por Prokofiev. É merecidamente famosa, irresistivelmente melodiosa e está no repertório de qualquer boa orquestra. A Quinta é bem mais séria e diz a lenda que foi bem recebida pelo regime soviético. É estranho, pois mesmo com a habitual grandiosidade das interpretações de Celibidache – ouçam aqui! – , ela permanece emitindo para mim enorme quantidade de bom humor e um heroísmo não todo destituído de ironia. Gosto muito dela.

P.Q.P. Bach.

Sergei Prokofiev (1891 – 1953) – Sinfonias Nº 1 “Clássica” e 5
1. Symphonie N°1 En Ré Majeur “Classique”, Opus 25 : Allegro
2. Symphonie N°1 En Ré Majeur “Classique”, Opus 25 : Larghetto
3. Symphonie N°1 En Ré Majeur “Classique”, Opus 25 : Gavotta
4. Symphonie N°1 En Ré Majeur “Classique”, Opus 25 : Finale, Molto Vivace
5. Applaudissements

6. Symphonie N°5 En Si Bémol Majeur, Opus 100 : Andante
7. Symphonie N°5 En Si Bémol Majeur, Opus 100 : Allegro Marcato
8. Symphonie N°5 En Si Bémol Majeur, Opus 100 : Adagio
9. Symphonie N°5 En Si Bémol Majeur, Opus 100 : Allegro Giocoso
10. Applaudissements

Munich Philharmonic Orchestra – Sergiu Celibidache

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Prokofiev pensando em ritmo de relógio