Béla Bartók (1881-1945): Os 3 Concertos para Piano (Kocsis, Lehel, Dezső, Ferencsik) #BRTK140 Vol. 15 de 29

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IM-PER-DÍ-VEL !!!

Os textos abaixo foram retirados do site da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais e são de autoria do grande Paulo Sérgio Malheiros dos Santos.

Aos dezoito anos, Bartók começou a estudar metodicamente as manifestações musicais populares de seu país. Estendeu suas pesquisas pelo Leste europeu, chegando ao Norte da África e à Turquia. Seu método de trabalho implicava uma ética – o respeito pelas diferentes etnias e a superioridade do humanismo sobre o nacionalismo. O compositor recolheu, classificou e analisou milhares de canções, em busca de procedimentos musicais comuns às diversas culturas camponesas. Assimilou a surpreendente riqueza rítmica do folclore (em seus compassos inusitados) e libertou-se da hegemonia do sistema tonal pelo uso sistemático de modos e escalas seculares.

Paralelamente às pesquisas de etnomusicologia, Bartók elaborou uma síntese original de certos aspectos do cânone da música ocidental. Reconhecia-se tributário, sobretudo, da influência de três grandes compositores: Debussy, Beethoven e Bach. Ao recuperar e incorporar elementos primitivistas à melhor tradição erudita europeia, Bartók contribuiu decisivamente para a renovação da linguagem musical contemporânea, tornando-se, incontestavelmente, um dos compositores mais inovadores e influentes do século XX.

Além da obra pianística, a produção de Béla Bartók (incontestavelmente um dos compositores mais originais, inovadores e influentes do século XX) abrange variados gêneros, incluindo obras orquestrais, música para teatro (ópera, balé e pantomima), importantes combinações de câmara, música vocal e coral. Sua arte atingiu um ponto culminante nos seis Quartetos de Cordas, associados em linha direta aos quartetos da última fase de Beethoven e que fazem de Bartók o principal mestre moderno dessa modalidade camerística.

Grande pianista, Béla Bartók atuou sob a direção de célebres regentes, convidado por orquestras europeias e americanas. Fez seu primeiro recital aos dez anos, quando ainda estudava com sua mãe, competente professora de piano. Depois, aperfeiçoou-se com Istvan Thoman, aluno de Liszt. Durante trinta anos, Bartók lecionou piano no Conservatório de Budapeste, consolidando a fama de excelente pedagogo. Dos três concertos que escreveu para o instrumento, estreou os dois primeiros, sendo o nº 1 sob a regência do célebre Wilhelm Furtwängler. Com o grande êxito do Segundo Concerto, despediu-se do público alemão. O Concerto nº 3, escrito no exílio norte-americano, foi sua obra derradeira.

O Concerto Nº 1:

No Concerto nº 1 triunfam os aspectos percussivos do pianismo de Bartók: sonoridades violentas, agregações de ásperos blocos substituindo os acordes tradicionais e um mecanicismo insistente. No todo, trata-se de uma resposta bastante pessoal – e ainda hoje muito impactante – aos apelos neoclássicos e construtivistas de sua época.

No primeiro movimento, Allegro moderato, o uso do ostinato torna-se fonte de enorme energia propulsora. Em vários momentos o piano se inclui entre os demais instrumentos de percussão, formando com eles um todo bem distinto.

No Andante central, em forma A-B-A, as cordas se calam. Trata-se de uma meditação sóbria e profunda. O piano, de início, dialoga com a percussão. Na seção B central, o solista repete um desenho obstinado que serve de fundo ao crescendo dos sopros, libertos em extraordinária politonalidade. Sem transição, grotescos glissandos dos trombones introduzem o terceiro movimento.

Allegro molto final apresenta seu primeiro tema sobre um ostinato das cordas. As outras ideias se relacionam com o material temático do primeiro movimento. Os motivos são breves, descontínuos e episódicos. Repleta de élan rítmico, a atmosfera é viva e animada.

O Concerto Nº 2:

O êxito do Concerto para piano nº 2 em Frankfurt, no dia 23 de janeiro de 1933, marcou a última apresentação pública de Béla Bartók na Alemanha. O compositor estava no auge de sua carreira pianística – a obra fora elaborada nos intervalos de uma longa turnê europeia e terminada na Suíça. Dos três concertos que escreveu para piano, Béla Bartók pôde estrear os dois primeiros. O último, escrito no exílio americano, simultaneamente ao Concerto para viola, foi sua obra derradeira (os compassos finais foram orquestrados por Tibor Serly, seu discípulo predileto).

Como Bach, Béla Bartók conscientemente cultivou conceitos matemáticos para atingir o equilíbrio entre a expressividade musical e a realização formal. Esse rigor bachiano domina, por exemplo, o tratamento temático do primeiro Allegro do Concerto para piano nº 2. Sua arquitetura divide-se nas seções clássicas – exposição, desenvolvimento, recapitulação e coda. Os temas da exposição são de caráter principalmente rítmico (stravinskyanos), o primeiro deles abrindo a partitura com a energia dos trompetes sobre o piano. Na recapitulação, todos esses temas aparecem invertidos e, na coda, o tema inicial será utilizado em movimento retrógrado. A estrutura do Concerto apresenta uma admirável simetria entre suas três partes. O Segundo Movimento é um dos mais belos de toda a obra orquestral de Bartók. A inclusão de um Presto central articula esse “noturno” em uma divisão também ternária (Adagio-Presto-Adagio). Emoldurado pelos dois adágios e pelos movimentos extremos, o Presto serve, assim, de núcleo para todo o Concerto que resulta em uma construção espelhada (rápido – lento/rápido/lento – rápido).

O Terceiro movimento possui uma agressiva aceleração (do Allegro molto ao Presto) e o piano liberta-se de qualquer vestígio romântico, executando traços de bravura e vigor inusitados.

A escrita orquestral do Concerto visa, sobretudo, a variedade das cores. O colorido diferenciado é nitidamente desenhado pela alternância dos naipes – no primeiro movimento dominam os instrumentos de sopro e a percussão, enquanto as cordas se calam. No segundo, os sopros só aparecem na seção central. O terceiro movimento é o único em que toda a orquestra é valorizada.

Obra da plena maturidade de Béla Bartók, o Concerto para piano nº 2 apresenta algumas das características mais marcantes de sua linguagem: a simetria formal matematicamente calculada, a animação dançante de matriz folclórica, o contraste dinâmico dos ritmos alternados e da irregularidade métrica, a indefinição tonal e o intenso lirismo.

O Concerto Nº 3: 

Durante três décadas, Bartók lecionou piano no Conservatório de Budapeste, consolidando a fama de excelente pedagogo. Dedicou a seu instrumento predileto obras didáticas de inegável valor artístico e um repertório fundamental para a música moderna.

Dedicado à esposa de Bartók, Ditta Pásztory, o Concerto nº 3 mantém um clima basicamente cantabile, notável pela flexibilidade e transparência melódica. A orquestração é fluida, leve. A linguagem emotiva e misteriosa tem algo de mágico, quase místico. O piano não é tratado de maneira percussiva, como na técnica predominantemente contrapontística do Primeiro Concerto; nem com a verve rítmica do Segundo.

No Allegretto inicial, em forma sonata, os violinos e as violas preparam a entrada do piano, que expõe o cantante primeiro tema, acentuadamente magiar. O segundo tema, com caráter scherzando, liga-se ao precedente por uma passagem das madeiras. O curto desenvolvimento utiliza, sobretudo, elementos do primeiro tema. O refinamento extraordinário da partitura culmina na sutileza dos compassos finais, destinados à flauta e ao piano.

Adagio religioso central tem forma ternária (A-B-A), com os diferentes períodos ligados pelas cordas. Estas iniciam a introdução – motivo pentatônico, tratado polifonicamente. O Coral (parte A), de grande simplicidade e serenidade atemporal, é enunciado pelo piano. O episódio central (parte B) mantém o clima reflexivo, apesar do virtuosismo dos arabescos pianísticos. O colorido orquestral se enriquece pelos trinados nas cordas e pelas breves interferências dos metais. O retorno do Coral (parte A) faz-se apenas nas madeiras, em torno das quais o piano tece delicadas figurações.

Na transição para o Allegro vivace final, após introdução de caráter húngaro, os tímpanos preparam a entrada de um fugato iniciado pelo piano. O movimento tem forma de rondó, com os trechos melódicos alternando-se com danças de ritmos sincopados. Esses elementos constituintes apresentam-se entrecortados de fugati. No final, o tema do rondó aparece nos violinos e uma figuração virtuosística do piano colore a conclusão.

Béla Bartók (1881-1945): Os 3 Concertos para Piano (Kocsis, Lehel, Dezső, Ferencsik) #BRTK140 Vol. 15 de 29

1 Piano concerto No. 1 in A major, Sz. 83, BB 91: I. Allegro
piano:
Zoltán Kocsis (pianist)
orchestra:
Budapest Symphony Orchestra (a.k.a. Budapest Symphony)
conductor:
György Lehel (conductor)
recording of:
Piano Concerto no. 1, Sz. 83, BB 91: I. Allegro moderato
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1926)
part of:
Piano Concerto no. 1, Sz. 83, BB 91
8:46

2 Piano concerto No. 1 in A major, Sz. 83, BB 91: II. Andante
piano:
Zoltán Kocsis (pianist)
orchestra:
Budapest Symphony Orchestra (a.k.a. Budapest Symphony)
conductor:
György Lehel (conductor)
recording of:
Piano Concerto no. 1, Sz. 83, BB 91: II. Andante
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1926)
part of:
Piano Concerto no. 1, Sz. 83, BB 91
6:50

3 Piano concerto No. 1 in A major, Sz. 83, BB 91: III. Allegro
piano:
Zoltán Kocsis (pianist)
orchestra:
Budapest Symphony Orchestra (a.k.a. Budapest Symphony)
conductor:
György Lehel (conductor)
recording of:
Piano Concerto no. 1, Sz. 83, BB 91: III. Allegro molto
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1926)
part of:
Piano Concerto no. 1, Sz. 83, BB 91
6:51

4 Piano concerto No. 2 in G major, Sz. 95, BB 101: I. Allegro
piano:
Zoltán Kocsis (pianist)
orchestra:
Budapest Symphony Orchestra (a.k.a. Budapest Symphony)
conductor:
György Lehel (conductor)
recording of:
Piano Concerto no. 2 in G major, Sz. 95, BB 101: I. Allegro
composer:
Béla Bartók (composer) (from 1930 until 1931)
part of:
Piano Concerto no. 2 in G major, Sz. 95, BB 101
9:46

5 Piano concerto No. 2 in G major, Sz. 95, BB 101: II. Adagio – presto – adagio
piano:
Zoltán Kocsis (pianist)
orchestra:
Budapest Symphony Orchestra (a.k.a. Budapest Symphony)
conductor:
György Lehel (conductor)
recording of:
Piano Concerto no. 2 in G major, Sz. 95, BB 101: II. Adagio – Più adagio – Presto
composer:
Béla Bartók (composer) (from 1930 until 1931)
part of:
Piano Concerto no. 2 in G major, Sz. 95, BB 101
12:51

6 Piano concerto No. 2 in G major, Sz. 95, BB 101: III. Allegro molto
piano:
Zoltán Kocsis (pianist)
orchestra:
Budapest Symphony Orchestra (a.k.a. Budapest Symphony)
conductor:
György Lehel (conductor)
recording of:
Piano Concerto no. 2 in G major, Sz. 95, BB 101: III. Allegro molto
composer:
Béla Bartók (composer) (from 1930 until 1931)
part of:
Piano Concerto no. 2 in G major, Sz. 95, BB 101
6:25

7 Piano concerto No. 3 in E major, Sz. 119, BB 127 (Tibor Serly completion): I. Allegretto
piano:
Ránki Dezső
orchestra:
Hungarian State Orchestra (Hungarian National Philharmonic Orchestra)
conductor:
János Ferencsik (conductor)
recording of:
Piano Concerto no. 3 in E major, Sz. 119, BB 127: I. Allegretto
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1945)
part of:
Piano Concerto no. 3 in E major, Sz. 119, BB 127
7:14

8 Piano concerto No. 3 in E major, Sz. 119, BB 127 (Tibor Serly completion): II. Adagio reglioso – poco piu mosso – tempo I
piano:
Ránki Dezső
orchestra:
Hungarian State Orchestra (Hungarian National Philharmonic Orchestra)
conductor:
János Ferencsik (conductor)
recording of:
Piano Concerto no. 3 in E major, Sz. 119, BB 127: II. Adagio religioso
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1945)
part of:
Piano Concerto no. 3 in E major, Sz. 119, BB 127
9:36

9 Piano concerto No. 3 in E major, Sz. 119, BB 127 (Tibor Serly completion): III. Allegro vivace
piano:
Ránki Dezső
orchestra:
Hungarian State Orchestra (Hungarian National Philharmonic Orchestra)
conductor:
János Ferencsik (conductor)
recording of:
Piano Concerto no. 3 in E major, Sz. 119, BB 127: III. Allegro vivace
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1945)
part of:
Piano Concerto no. 3 in E major, Sz. 119, BB 127
6:25

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Concerto de despedida de Béla Bartók em Budapeste, dirigido por János Ferencsik. É uma loucura. Logo depois ele emigraria para os EUA a fim de fugir do nazismo.

PQP

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