.: interlúdio :. Chick Corea: The Continents – Concerto for Jazz Quintet & Chamber Orchestra

.: interlúdio :. Chick Corea: The Continents – Concerto for Jazz Quintet & Chamber Orchestra

Fala Chick Corea: “Fazer música para uma combinação de músicos de orquestra e músicos de jazz tem infinitas possibilidades. A valorização das habilidades que cada um tem pelo outro cria uma atmosfera carregada de alto interesse, comunicação criativa e novas ideias. Este foi o cenário para a composição e gravação de The Continents para mim, um sonho tornado realidade. O processo de fazer a gravação foi mágico. O moral dos músicos e da equipe de gravação estava tão alto que terminamos de gravar os seis movimentos do concerto um dia e meio antes do previsto. Depois de se despedir dos músicos da orquestra, o Quinteto fez uma jam improvisada apenas por diversão. Claro, o gravador estava ligado. Eu então tive a noite seguinte para gravar alguns trechos de solo de piano que achei que se encaixariam nas seções de cadência do concerto. Depois de gravá-los, senti que ainda havia algo incompleto na gravação do The Continents. Então eu decidi tentar chegar ao que era improvisando no piano sozinho. Senti que o material básico estava de alguma forma faltando, algo estava faltando. Naquela última noite, enquanto esperava Bernie arrumar as coisas e ligar o gravador, toquei piano, começando minha exploração para encontrar o que estava faltando. Como você vai ouvir, depois de tocar várias pequenas peças, perguntei a Bernie se ele estava pronto para gravar, ao que Bernie respondeu que estava gravando o tempo todo, mas não queria me interromper. Então continuamos gravando a partir daí até que eu senti que tinha terminado. Depois de ouvir a jam do Quinteto e os solilóquios de piano, agora sinto que a gravação de The Continents está completa (pelo menos por enquanto). A música pode ter suas falhas técnicas, pois a perfeição nunca foi o objetivo, mas estou satisfeito que a música tenha sido feita no espírito e no prazer jazzístico, que foi a intenção inicial da composição depois de ser convidado a escrever um concerto para piano no espírito de Mozart. pelo Wiener Mozartjahr”.

Chick Corea: The Continents – Concerto for Jazz Quintet & Chamber Orchestra

1-1 Africa 8:22
1-2 Europe 20:28
1-3 Australia 6:26
1-4 America 12:32
1-5 Asia 11:09
1-6 Antarctica 12:45
2-1 Lotus Blossom 14:30
2-2 Blue Bossa 6:19
2-3 What’s This? 5:14
2-4 Just Friends 9:15
2-5 Solo Continum 31 1:05
2-6 Solo Continum 42 2:05
2-7 Solo Continum 53 1:15
2-8 Solo Continum 64 2:45
2-9 Solo Continum 75 7:24
2-10 Solo Continum 86 2:52
2-11 Solo Continum 97 1:27
2-12 Solo Continum 108 2:56
2-13 Solo Continum 119 3:10
2-14 Solo Continum 1310 3:46
2-15 Solo Continum 1411 3:29

Bass Guitar – Hans Glawischnig
Clarinet, Flute, Soprano Saxophone, Bass – Tim Garland
Concertmaster – Fred Sherry
Conductor – Steven Mercurio
Drums – Marcus Gilmore
Piano [Solo] – Chick Corea (faixas: 2-5 to 2-15)
Piano, Liner Notes, Producer, Executive-Producer – Chick Corea
Trombone – Steve Davis (7)
Written-By – Strayhorn* (faixas: 2-1), Chick Corea (faixas: 1-1 to 1-6, 2-3, 2-5 to 2-15), Klenner* (faixas: 2-4), Dorham* (faixas: 2-2)

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Um inteligente amante do jazz e da cultura jamais votará em Bolsonaro. Chico Correia está em nossa trincheira, mesmo que in memoriam!

PQP

.: interlúdio :. Tom Waits: Rain Dogs

.: interlúdio :. Tom Waits: Rain Dogs

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Em mim, poucos álbuns tiveram um impacto tão forte na primeira audição como Rain Dogs. Embora essa primeira audição tenha ocorrido há 30 anos, suas canções permanecem poderosas até hoje. Se você nunca ouviu este disco antes, sugiro fortemente que o faça, mesmo que seja apenas uma vez. É um álbum longo — 19 faixas num vinil — primitivo, exótico, inteligente, abrasivo, bonito e estranho. O disco é doce o suficiente para não desanimar todo mundo, mas Waits o manteve dissonante o suficiente para ser interessante também. Seus sons mais distintos são bastante incomuns: a voz rouca característica de Tom Waits, a guitarra de Marc Ribot, os metais distorcidos de alguns dos melhores instrumentistas do jazz do underground de Nova York, a percussão estranha e, talvez o mais bizarro, o toque frequente da marimba – um instrumento quase nunca ouvido na música popular… A variedade de Rain Dogs é inacreditável. O disco contém números de cabaré, músicas country, gospel, polcas, baladas e temas de jazz. Waits é teatral e carnavalesco, mas traz também damas de olhos tristes e uma garota com lágrima tatuada – “uma para cada ano que ele está longe, ela disse”. Waits pode ser extremamente engraçado – eu amo a formação hilária e grotesca de parentes seniores mesquinhos na Cemetery Polka – mas ele também pode controlar seus impulsos e escrever músicas dolorosamente bonitas, como Hang Down Your Head e a obra-prima que é Anywhere I Lay My Head.

Tom Waits: Rain Dogs

1 Singapore 2:46
2 Clap Hands 3:47
3 Cemetery Polka 1:51
4 Jockey Full Of Bourbon 2:45
5 Tango Till They’re Sore 2:49
6 Big Black Mariah 2:44
7 Diamonds & Gold 2:31
8 Hang Down Your Head 2:32
9 Time 3:55
10 Rain Dogs 2:56
11 Midtown (Instrumental) 1:00
12 9th & Hennepin 1:58
13 Gun Street Girl 4:37
14 Union Square 2:24
15 Blind Love 4:18
16 Walking Spanish 3:05
17 Downtown Train 3:53
18 Bride Of Rain Dog (Instrumental) 1:07
19 Anywhere I Lay My Head 2:48

Performer
Tom Waits – vocals (1–10, 12–17, 19), guitar (2, 4, 6, 8–10, 15–17), organ (3, 19), piano (5, 12), harmonium (8, 18), banjo (13)

Musicians
Michael Blair – percussion (1–4, 7, 8, 12, 13, 17), marimba (2, 7, 10, 12), drums (8, 14, 18), congas (4), bowed saw (12), parade drum (19)
Stephen Hodges – drums (1, 2, 4, 6, 10, 11, 15, 16), parade drum (3)
Larry Taylor – double bass (1, 3, 4, 6, 8–10, 15), bass (7, 11, 14, 16)
Marc Ribot – guitar (1–4, 7, 8, 10)
“Hollywood” Paul Litteral – trumpet (1, 11, 19)
Bobby Previte – percussion (2), marimba (2)
William Schimmel – accordion (3, 9, 10)
Bob Funk – trombone (1, 3, 5, 10, 11, 19)
Ralph Carney – baritone saxophone (4, 14), saxophone (11, 18), clarinet (12)
Greg Cohen – double bass (5, 12, 13)
Chris Spedding – guitar (1)
Tony Garnier – double bass (2)
Keith Richards – guitar (6, 14, 15), backing vocals (15)
Robert Musso – banjo (7)
Arno Hecht – tenor saxophone (11, 19)
Crispin Cioe – saxophone (11, 19)
Robert Quine – guitar (15, 17)
Ross Levinson – violin (15)
John Lurie – alto saxophone (16)
G.E. Smith – guitar (17)
Mickey Curry – drums (17)
Tony Levin – bass (17)
Robbie Kilgore – organ (17)

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Tom Waits quando jovem. Também já fui…

PQP

.: interlúdio :. Tom Waits: Swordfishtrombones

.: interlúdio :. Tom Waits: Swordfishtrombones

Em seu último registro para a Elektra, Heartattack and Vine, revelou um Tom Waits com um instinto especial para sons mais estranhos e sujos e uma atração por um material menos comercial, mas mesmo isso não foi suficiente para avisar o que estava por vir em Swordfishtrombones. Swordfishtrombones deu um passo drástico em uma direção totalmente nova, longe do blues mais tradicional e das baladas pop de seus álbuns dos anos 70. Este é o trabalho de um artista totalmente diferente. Waits saiu do music hall e entrou em um submundo surrealista. Ou pelo menos era o que parecia. Este era o som de um homem deixando para trás a segurança das expectativas para uma nova e estranha jornada. A partir da marimba de abertura e trompa de Underground, fica claro que o Tom Waits que cantou Ol’ 55 foi aposentado e substituído por um mais barulhento (e sensacional). Apareceu outro cantor e uma instrumentação excêntrica. Waits ressurgiu totalmente reformado como um artista muito mais estranho e interessante do que sua música até aquele momento poderia ter sugerido. Swordfishtrombones foi o primeiro disco a ter Tom Waits entrando em seu estranho mundo de personagens excêntricos e melodias distorcidas e também é um bom ponto de partida para aqueles que ainda não deram o passo para o espetacular segundo ato do cantor/compositor — trata-se de uma coleção brilhante, peculiar e colorida que abriu as portas para a imaginação bizarra de Waits.

Tom Waits: Swordfishtrombones

1 Underground 1:58
2 Shore Leave
Percussion [Metal Aunglongs] – Francis Thumm
4:12
3 Dave The Butcher 2:15
4 Johnsburg, Illinois 1:30
5 16 Shells From A Thirty-Ought-Six
Trombone – Joe Romano (4)
4:30
6 Town With No Cheer
Bagpipes – Anthony Clark Stewart
Synthesizer – Clark Spangler
4:22
7 In The Neighborhood
Trombone – Bill Reichenbach (2), Dick Hyde
3:04
8 Just Another Sucker On The Vine
Trumpet – Joe Romano (4)
1:42
9 Frank’s Wild Years
Organ [Hammond] – Ronnie Barron
1:50
10 Swordfishtrombone 3:00
11 Down, Down, Down
Guitar – Carlos Guitarlos
Organ – Eric Bikales
2:10
12 Soldier’s Things 3:15
13 Gin Soaked Boy 2:20
14 Trouble’s Braids 1:18
15 Rainbirds

Glass Harmonica – Francis Thumm, Richard Gibbs, Stephen Taylor Arvizu Hodges*
3:05
Arranged By – Francis Thumm (faixas: A1, A4, A7, B8)
Baritone Horn, Trombone – Randy Aldcroft (faixas: A1, A2, A7)
Bass – Greg Cohen (faixas: A4, B3, B5, B8), Larry Taylor (faixas: A1, A2, A5, A7, B2 to B4, B6, B7)
Drums – Stephen Taylor Arvizu Hodges* (faixas: A1, A2, A5, A7, B4, B6, B7)
Featuring – Victor Feldman (faixas: A1 to A3, A5, A7, B3, B4, B7)
Guitar – Fred Tackett (faixas: A1, A2, A5, B6)
Lacquer Cut By – JS*
Mixed By – Biff Dawes
Written-By, Producer, Arranged By – Tom Waits

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Tom Waits visitando a sede campestre da PQP Bach Corp. da cidade de Não me toque.

PQP

.: interlúdio :. Hank Jones & Charlie Haden: Come Sunday

.: interlúdio :. Hank Jones & Charlie Haden: Come Sunday

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um CD maravilhoso! Hank Jones e Charlie Haden improvisando sobre spirituals. O que não consigo conceber é que conheço todos os temas. E nunca estive escondido num porão de nenhuma igreja do sul dos EUA. Gravado pouco antes da morte de Jones, em 2010, aos 91 anos, “Come Sunday” é uma sequência da gravação da dupla “Steal Away”, de 1995, que também explorou o spiritual. Embora Haden tenha explorado órbitas mais avant-garde com Ornette Coleman e sua própria Liberation Music Orchestra, tanto ele quanto Jones tratam essas melodias tradicionais com reverência, permitindo que as canções respirem com seu sentimento original enquanto são coloridas com uma elegância amorosamente inventiva que as leva a algum lugar novo. Há algo no tom do baixista Charlie Haden que soa cheio de história como os ecos de uma capela rural. Cada canção é exuberantemente reproduzida, muitos das quais são ligadas ao movimento dos direitos civis.

Hank Jones & Charlie Haden: Come Sunday

1 Take My Hand, Precious Lord
Written-By – Thomas A. Dorsey
4:28
2 God Rest Ye Merry, Gentlemen
Arranged By – Charlie Haden
Written-By – Traditional
2:32
3 Down By The Riverside
Arranged By – Charlie Haden, Hank Jones
Written-By – Traditional
3:00
4 Going Home
Arranged By – Charlie Haden, Hank Jones
Written-By – Traditional
4:14
5 Blessed Assurance
Written-By – Van Alstyne*, Fanny Crosby, Phoebe P. Knapp*
2:10
6 It Came Upon The Midnight Clear
Written-By – Edmund Hamilton Sears*, Richard Storrs Willis*
3:00
7 Bringing In The Sheaves
Written-By – George A. Minor, Knowles Shaw
2:56
8 Deep River
Arranged By – Charlie Haden
Written-By – Traditional
1:58
9 Give Me That Old Time Religion
Arranged By – Charlie Haden, Hank Jones
Written-By – Traditional
3:01
10 Sweet Hour Of Prayer
Written-By – William B. Bradbury, William W. Walford
2:31
11 The Old Rugged Cross
Written-By – Rev. Geo. Bennard*
3:58
12 Were You There When They Crucified My Lord
Arranged By – Charlie Haden, Hank Jones
Written-By – Traditional
3:11
13 Nearer My God To Thee
Written-By – Sarah Flower Adams
2:18
14 Come Sunday
Written-By – Duke Ellington
3:38

Bass, Producer – Charlie Haden
Piano – Hank Jones

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Estes dois senhores jamais votariam em Bolsonaro.

PQP

.: interlúdio :. Bassekou Kouyaté: Segu Blue (ou: sutis sinais malineses da ancestralidade africana do jazz)

.: interlúdio :. Bassekou Kouyaté: Segu Blue (ou: sutis sinais malineses da ancestralidade africana do jazz)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Cada vez que penso no Máli não consigo deixar de lembrar que a primeira caracterização desse país que uma enciclopédia me ofereceu começava dizendo: “um dos países mais pobres do mundo” – afirmação seguida, naturalmente, de uma série de números que, pela mentalidade ocidental dominante, resumem tudo o que existe de relevante no real.

Por isso vocês hão de imaginar meu espanto quando mais tarde descobri que há não tantos séculos assim esse era o nome de um nos impérios mais extensos e poderosos do mundo. Ao ver fotos de crianças lindas e evidentemente bem nutridas às margens do Rio Níger. Ao saber da imensa diversidade étnica e cultural que a região contém, e que se mostra exuberantemente todos os anos no Festival sur le Niger, na cidade de Segu ou Ségou. Diante da espantosa arquitetura em adobe de Djenné ou de Mopti, e dos 600 mil manuscritos remanescentes da universidade medieval de Tombúktu – etc. etc. E, talvez mais que tudo, diante da sutil e refinada tradição de música instrumental que se expressa, por exemplo, em Toumani Diabaté, de que já fiz uma postagem aqui.

O som que trago hoje parecerá menos “clássico” – quem sabe já por envolver palavra cantada em vozes não impostadas -, e não estranharei se alguém disser que “parece tudo igual”. Caso isso aconteça, pedirei antes de mais nada que o ouvinte lembre de conceitos como “minimalismo” antes de descambar pra palavras como “primarismo”; e em segundo lugar que microscopize um pouco mais sua atenção e seus ouvidos, lembrando que, segundo dizem, não apenas o diabo mas também Deus mora nos detalhes (hora em que cabe invocar o desafio de não lembro qual compositor dos anos 60-70 que o Padre Penalva lançava sempre aos seus alunos: “quando estiver achando uma música monótona, desconfie de si mesmo”).

Bassekou Kouyaté já trabalhou com Toumani Diabaté mas não toca a espécie de harpa que é a kora, toca ngoni, instrumento de cordas com braço. Seu conjunto de ngonis, percussão e voz se chama Ngoni Ba, e conta com a participação vocal da sua mulher Ami Sacko. O CD, premiado como o melhor de “world music” em 2007 pela BBC3, tem “blue” no nome. Um disco de blues?

Não. Ou… quem sabe talvez. Ou talvez de certa forma sim… Querem saber? Ouçam! Mas sugiro que também “ouvejam” o primeiro dos vídeos abaixo: no calor da interpretação ao vivo diante da multidão, parece gritante um caráter de blues – e na quietude “cool” da gravação de estúdio onde é que ele foi parar? É a mesma música… Minha impressão é que o tal caráter não está ausente, mas como que “virado para dentro”; ou em estado latente, potencial.

Algum bluesman que tocou com Bassekou (não lembro qual, desculpem, li faz anos) saiu declarando que havia descoberto a região de origem do blues. Suspeito que seja exagero. Quando falo de “ancestralidade” no título não quero dizer que essa música do Máli seja avó do blues ou do jazz ou algo assim, e sim que têm ancestralidade em comum. Afinal, Bassekou Kouyaté vive hoje, nasceu quando Muddy Waters e Howlin’ Wolf já tinham mais de 50 anos (cada!), e as vias que unem a África ao resto do mundo não são de mão única. Bassekou é um cultor atual da música de raiz de sua terra, mas nesse cultivo não deixa de levar em conta o aroma dos frutos que a mesma árvore produziu quando transplantada a outros continentes. E muito mais que um avô, eu o veria como um primo dos jazzmen e bluesmen desse mundo.

Bom, essa a minha impressão – e agora é com vocês.

Bassekou Kouyate & Ngoni Ba: SEGU BLUE (2007)
01 Tabeli te
02 Bassekou
03 Jonkoloni
04 Juru nani
05 Mbowdi
06 The River Tune
07 Andra’s Song
08 Ngoni fola
09 Banani
10 Bala
11 Segu tonjon
12 Sinsani
13- Lament For Ali Farka
14- Segu Blue (Poyi)

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Ranulfus

.: interlúdio :. Etta James: 2 horas para celebrar 73 anos bem cantados

.: interlúdio :. Etta James: 2 horas para celebrar 73 anos bem cantados

Post de 22 de dezembro de 2012.

É preciso celebrar os 73 anos de vida, encerrados anteontem (em 20/01/2012), de uma das cantoras de mais intensidade expressiva que os meus 50 e tantos me deram o privilégio de conhecer: ETTA JAMES.

Não, a capa acima não é a da coletânea que estou postando aqui. Não sei que amigo me passou um dia uma pasta com essas 35 faixas não numeradas, de modo que a aleatoridade organizou o show pela ordem alfabética dos títulos. Faltaram só 6 minutos para inteirar duas horas de um panorama fascinante, que alterna das canções mais conhecidas, besuntadas daqueles violinos de produtor, até faixas que vibram de uma tensão áspera do que poderia ser chamado “partido alto do blues” – coisa que eu inicialmente nem sabia que ela tinha gravado.

Um leitor me informou que a presente coletânea seria “Etta James Gold”, lançada em 2007 – mas fui checar e há um considerável número de faixas que não coincidem. Além disso, gosto da ordem que o alfabeto conferiu às faixas aqui, de modo que proponho “oficializiar” uma nova coletânea, “ABC de Etta James”.

Uma sugestão adicional para a celebração: o filme Cadillac Records. Já se disse que ele não é historicamente fiel em muitos detalhes, inclusive quanto ao relacionamento entre o produtor da gravadora e a nossa cantora. Mas acho que, uma vez sabendo disso, não faz mal nenhum entregar-se ao prazer de assistir: é um panorama poderoso de uma certa época e de uma certa cena artística também poderosa, a Chicago do cair dos anos 40 ao alvorecer dos 60. E Beyoncé no papel de Etta James surpreende: ganhou de mim um respeito que a produção plastificante atual não me havia facilitado encontrar.

Enfim: senhoras e senhores, aí vai:

[as 35 faixas do panorama informal de Etta James]

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Ranulfus

.: interlúdio :. John Coltrane: Olé Coltrane, Ballads

A música de John Coltrane’s é um grito de revolta contra a frieza do nosso mundo.” (Willie Gschwedner, resenha de um concerto em 27/11/1962)

Aqui, dois álbuns de Coltrane que, apesar de muito diferentes, foram gravados a poucos meses de distância. Ele e seus parceiros deram uma no cravo e outra na ferradura. Em Olé Coltrane temos jazz bastante inovador, em um formato maior do que o seu habitual quarteto, expandido aqui com dois músicos nos sopros: Eric Dolphy (flauta e sax) e Freddie Hubbard (trompete). E igualmente importante: aqui temos dois baixos, um de cada lado da gravação em stereo. Olé, faixa que ocupava todo o lado A do LP, utiliza harmonias que acenam para a música espanhola, como havia feito Miles Davis um ano antes (Sketches of Spain). E com um amplo protagonismo para os dois baixistas (Reggie Workman e Art Davis), que têm tempo para mostrar uma ampla gama de sonoridades, tanto usando os dedos como também com arco. No lado B – ao contrário dos discos pop – a sonoridade é mais familiar, com melodias assobiáveis como a de Aisha, melodia introduzida pelo sax alto de Eric Dolphy, enquanto Coltrane explora camadas mais subterrâneas, aqui no sax tenor (que ele usa no lado B, enquanto no lado A era o sax soprano).

Os baixistas Reggie Workman (foto) e Art Davis tocam escandalosamente bem na faixa-título de Olé

Olé Coltrane (1961)
1. Olé (John Coltrane) – 18:13
2. Dahomey Dance (John Coltrane) – 10:49
3. Aisha (McCoy Tyner) – 7:37

John Coltrane — soprano saxophone on “Olé”; tenor saxophone on “Dahomey Dance” and “Aisha”
Freddie Hubbard — trumpet
Eric Dolphy — flute on “Olé”; alto saxophone on “Dahomey Dance” and “Aisha”
McCoy Tyner — piano
Reggie Workman — bass
Art Davis — bass on “Olé” and “Dahomey Dance”
Elvin Jones — drums
Recorded May 25, 1961, New York City

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Já em Ballads, Coltrane e seu grupo acenaram para um público que apreciava musicais da Broadway e filmes de Hollywood, o que eles já haviam feito em My Favorite Things. Esse álbum me lembra o tipo de jazz que vinha à minha cabeça quando muito jovem, combinando com vinhos tintos ou um pesado whisky sem gelo, em reunião de pessoas de classe média alta com uma bela vista para as montanhas ou para o mar. Não por acaso, todos os standards gravados em Ballads são de compositores brancos (tipo de análise mais comum hoje em dia do que nos anos 1960, quando isso poderia passar batido num álbum de jazz gravado por músicos negros. Hoje não passa mais como detalhe.)

Com o baixo e a bateria aqui bastante “quadradinhos” fazendo o ritmo – ao contrário de Olé Coltrane em que o ritmo é tudo menos previsível – quem brilha nos arranjos é o pianista McCoy Tyner, com sua chance de tocar de forma mais suave, menos percussiva do que na maioria dos álbuns que ele gravou. Quando o sax está fazendo as melodias que podemos facilmente cantarolar (“Too young to go steady…”), o piano vai enchendo os espaços vazios com blue notes e outras intervenções de extremo bom gosto e, como já dito acima, sem chocar os ouvidos mais conservadores. Se a música de John Coltrane e de seus fiéis escudeiros passou por mudanças, jornadas em busca de novos sons e expressões, e é claro que passou por muito disso, também devemos lembrar que o olhar estritamente evolucionista é uma apreensão rasa: assim, entre o John Coltrane de Olé (1961) e o de A Love Supreme (1964), temos o de Ballads.

Ballads (1963)
1. Say It (Over and Over Again)”(Jimmy McHugh) – 4:18
2. You Don’t Know What Love Is (Gene DePaul) – 5:15
3. Too Young to Go Steady (Jimmy McHugh) – 4:23
4. All or Nothing at All (Arthur Altman) – 3:39
5. I Wish I Knew (Harry Warren) – 4:54
6. What’s New? (Bob Haggart) – 3:47
7. It’s Easy to Remember (Richard Rodgers) – 2:49
8. Nancy (With the Laughing Face) (Jimmy Van Heusen) – 3:10

John Coltrane – tenor saxophone
McCoy Tyner – piano
Jimmy Garrison (#1-6, 8), Reggie Workman (#7) – bass
Elvin Jones – drums
Recorded December 21, 1961; September 18 and November 13, 1962

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McCoy Tyner e John Coltrane em 1963

Pleyel

.: interlúdio :. Keith Jarrett – Mysteries / Shades {Remaster 2011}

.: interlúdio :. Keith Jarrett – Mysteries / Shades {Remaster 2011}

Ótimo e quase esquecido material da Impulse Records. São 2 LPs de Keith Jarrett transformados em um CD. A gente esquece deles porque a maioria das pessoas se concentra nas gravações de Jarrett para a ECM. Mysteries é um trabalho sombrio e melancólico de Keith Jarrett – um álbum que se baseia fortemente em seu sentimento de conjunto dos anos Impulse, mas que também parece carregar um pouco da vibração introspectiva que ele estava construindo em algumas de suas gravações solo mais despojadas. O grupo é ótimo aqui – com Dewey Redman, Charlie Haden, Paul Motian e Guilhermo Franco – e as músicas, embora longas e um tanto livres, ainda mostram o ótimo ouvido de Jarrett para uma melodia lírica – levada maravilhosamente sem clichês, e ainda com arestas mais afiadas do que você poderia esperar. Os títulos incluem “Rotation”, “Everything That Lives Laments”, “Flame” e “Mysteries”. Mas eu prefiro mil vezes Shades, que é outra joia perdida do período — uma sessão em quinteto de meados dos anos 70, gravada com o mesmo grupo. Há aqui uma boa sensação de descanso. Shades Of Jazz, Southern Smiles e Diatribe são extraordinárias! Ou seja, quase todo o LP.

Keith Jarrett – Mysteries / Shades {Remaster 2011}

tracklist:

Mysteries
01. Rotation
02. Everything That Lives Laments
03. Flame
04. Mysteries

Shades
05. Shades Of Jazz
06. Southern Smiles
07. Rose Petals
08. Diatribe

Personnel:
Keith Jarrett – piano, Pakistani flute, wood drums, percussion
Dewey Redman – tenor saxophone, maracas, tambourine, Chinese musette
Charlie Haden – bass
Paul Motian – drums, percussion
Guilherme Franco – percussion

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Keith Jarret na primeira metade dos anos 70, decidindo se vai mesmo para a ECM

PQP

.: interlúdio :. Tigran Hamasyan + Areni Agbabian

Não gosto de começar uma resenha de música pelas credenciais do protagonista; parece um apelo à autoridade, um canetaço ineficaz (adianta carteirinha de virtuose se a obra não fala por si?), e um habeas corpus preventivo da resenhista em questão. Mas vejam bem, por favor me permitam notar, que o pequeno Tigran tocou piano em um palco pela primeira vez aos TRÊS ANOS de idade. Não, não sei qual palco, nem de que tamanho, nem se tocou Mozart ou a versão local de Atirei o pau no gato; não especificaram. De toda forma, em 2006 ele conquistou o 1º lugar no prêmio do Thelonious Monk Institute of Jazz, então taí a prova de que aquele talento infantil floresceu e se concretizou. (Se é que prêmio prova alguma coisa. Não, não sei se o instituto de jazz é quente, mas sob o nome do Monk, vale botar fé; ainda que confusamente tenha sido renomeado pra Herbie Hancock Institute of Jazz em 2019. Achei deselegante. Nada contra o Hancock, mas… enfim, essa é outra conversa.)

Hamasyan foi pra escola de jazz aos 9, e continuou os estudos de música na adolescência, quando sua família se mudou para a Califórnia. Mais tarde, retornou à Armênia, e fixou residência em Yerevan. Esse movimento é claro em sua música, que não somente tem influência do jazz west coast americano (e do prog rock), mas também da tradição do folk armênio, incorporando suas escalas e tonalidades. Da mais de dezena de álbuns lançados desde 2006, Shadow Theater, seu segundo para a Verve, é o que mais permanece comigo; em especial pela faixa abaixo, “The Poet”, uma deliciosa e sensível jornada de sofisticado jazz-pop que gruda no ouvido e narra melancolicamente noites tristes e solitárias.

Mas não fica por isso; Tigran demonstra um vocabulário bastante variado, que vai de momentos jazz-trio tradicional e baladas neoclássicas a composições sincopadas que remetem ao zeuhl, como “Alternative Universe”, também nesse álbum. Mas é só dar uma pesquisada no youtube pra perceber que, enquanto bom jazzista, o bicho brilha mesmo é ao vivo — como nessa versão de solos empolgantes da faixa acima, e que bate nos 20 minutos. Outro ponto forte desse álbum é a banda que lhe acompanha, e chama a atenção imediatamente o etéreo canto feminino que divide os vocais.

Não fui só eu que notei; depois de gravar e fazer tournées com Hamasyan, e lançar um disco independente, a sempre antenada ECM foi lá e pescou Areni Agbabian. A americana, que segue a carreira de seu pai, um folclorista armênio, desenvolve sua música calcada na linguagem musical de seus ancestrais, também tomando o piano como instrumento principal, complementando sua voz. O resultado surgiu em Bloom, de 2019; um álbum de canções leves, esparsas, de qualidade quase espectral. “Sereno e surreal na mesma medida“, como bem definiu a AllAboutJazz. Tendo a seu lado um percussionista, que se mantém respeitosamente tímido e, de forma brilhante, se contenta em meramente pontuar e acentuar os devaneios sonoros de Areni, o disco se revela frágil, intimista, e definitivamente belo. Mas não apenas; entre as canções, pequenas vinhetas visitam o avant-garde e trazem experimentações cinemáticas e desconcertantes, demonstrando a curiosidade e as pretensões da jovem artista.

Tigran Hamasyan – Shadow Theater (2013). Aqui.
Areni Agbabian – Bloom (2019). Aqui.

— Blue Dog
bjinos pro Caxo pela dica do Tigran~

.: interlúdio :. Freddie Hubbard — 5 álbuns (1960-1963)

.: interlúdio :. Freddie Hubbard — 5 álbuns (1960-1963)

O nosso companheiro de longa data Carlinus tem sido responsável por várias pérolas musicais em tantos anos de postagens no Ser da Música. Em homenagem ao blog recém-sumido-e-ressuscitado, pedi a ele autorização para repostar essa série de cinco álbuns, uma das descobertas que fiz lá no blog dele. São os primeiros cinco álbuns de Freddie Hubbard (1938-2008), lançados pela gravadora Blue Note. Eu, que conhecia Freddie apenas pelos brilhantes solos de trompete no disco Olé Coltrane (1961), baixei tudo correndo.

Desses cinco, meu preferido é o primeiro álbum, no qual o jovem trompetista já chega com um estilo muito particular, melódico, mais hard bop do que free jazz, para mencionarmos algumas classificações que, de qualquer jeito, sempre estão bem aquém do que o jazz de fato é. Nesse álbum de estreia, como classificar a assobiável Gypsy Blue com seu diálogo entre Freddie e o sax de Tina Brooks? Também dignas de nota são as intervenções de McCoy Tyner. No ano seguinte, Freddie e McCoy se juntariam novamente nos álbuns de John Coltrane Africa/Brass e Olé Coltrane.

Também gosto do último disco, Hub-Tones. Ali, nos temas Prophet Jennings (um jazz rapidinho) e Lament for Booker (um slow blues), o trompete de Freddie toca em sofisticado contraponto com a flauta de James Spaulding. Para um ouvinte carioca é impossível não lembrar dos contrapontos do mestre Pixinguinha (1897-1973). Acompanhando Freddie Hubbard, temos ainda alguns jovens talentos que depois se tornariam famosos, como Wayne Shorter e Herbie Hancock. E também alguns que já eram veteranos na época, como os saxofonistas Jimmy Heath e Hank Mobley.

Freddie Hubbard — 5 original Blue Note albums

Tina Brooks (1932-1974)

Open Sesame (1960)
01. Open Sesame
02. But Beautiful
03. Gypsy Blue
04. All Or Nothing At All
05. One Mint Julip
06. Hub’s Nub
Freddie Hubbard – trumpet
Tina Brooks – tenor saxophone
McCoy Tyner – piano
Sam Jones – bass
Clifford Jarvis – drums

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McCoy Tyner (1938-2020) e John Coltrane em 1963

Goin’ up (1961)
01. Asiatic Raes
02. The Changing Scene
03. Karioka
04. A Peck A Sec.
05. I Wished I Knew
06. Blues For Brenda
Freddie Hubbard – trumpet
Hank Mobley – tenor saxophone
McCoy Tyner – piano
Paul Chambers – bass
Philly Joe Jones – drums

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Jimmy Heath (1926-2020)

Hub Cap (1961)
01. Hub Cap
02. Cry Me Not
03. Luana
04. Osie Mae
05. Plexus
06. Earmon Jr.
Freddie Hubbard – trumpet
Julian Priester – trombone
Jimmy Heath – tenor saxophone
Cedar Walton – piano
Larry Ridley – bass
Philly Joe Jones – drums

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Wayne Shorter (1933-) em 1969

Ready for Freddie (1962)
01. Arietis
02. Weaver Of Dreams
03. Marie Antoinette
04. Birdlike
05. Crisis
Freddie Hubbard – trumpet
Bernard McKinney – euphonium
Wayne Shorter – tenor saxophone
McCoy Tyner – piano
Art Davis – bass
Elvin Jones – drums

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James Spaulding (1937-)

Hub-Tones (1963)
01. You’re My Everything
02. Prophet Jennings
03. Hub-Tones
04. Lament For Booker
05. For Spee’s Sake
Freddie Hubbard – trumpet
James Spaulding – alto saxophone, flute
Herbie Hancock – piano
Reggie Workman – bass
Clifford Jarvis – drums

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Freddie Hubbard: “Jazz isn’t like pop, where you sell millions of records with a hit. Jazz is like classical music. If people like you, they’ll remember you and you’ll last forever.”

Pleyel

.: interlúdio :. Stanley Jordan – Magical Touch, Standards, Volume 1

Antes de iniciar esta postagem, quero pedir licença ao velho cão sarnento, nosso querido bluedog, por estar adentrando em seu território, o do Jazz e do Blues, sua especialidade, e que nos tem proporcionado momentos muito especiais com suas postagens sempre muito bem escritas, e selecionando um repertório ímpar de seu imenso acervo.

Por algum motivo inexplicável, esse imenso guitarrista chamado Stanley Jordan nunca tinha aparecido por aqui. Hoje, ouvindo a clássica canção ‘Sunny’ no rádio, me lembrei da versão de Jordan em seu belíssimo álbum intitulado ‘Standards Volume 1’, inexplicavelmente fora da catálogo do selo Blue Note. Aí fui procurar no PQPBach e, pasmo, descobri que nunca postamos nada dele. Então vamos corrigir esta tremenda falha trazendo seus dois primeiros discos, duas obras primas em minha humilde opinião.

Stanley Jordan nasceu em Chicago, Illinois, em 1959. Aos seis anos de idade começou a aprender a tocar piano e com 0nze, guitarra. Estudou Teoria Musical e Composição na Universidade de Princeton, onde teve a oportunidade de tocar com os lendário músicos de Jazz Benny Carter e Dizzie Gilespie. Em 1985 foi contratado pelo prestigioso selo de Jazz Blue Note, onde gravou seus primeiros discos, incluindo estes dois que ora vos trago.

“Magic Touch” tem um título bem apropriado. Comprei o LP na mesma época em que foi lançado, 1985, e nunca mais deixei de ouvi-lo. Com certeza seria um daqueles discos que eu levaria para uma ilha deserta. A técnica que Jordan desenvolveu para tocar suas guitarras (sim, no plural, por vezes ele toca dois instrumentos ao mesmo tempo) é baseada no ‘tapping’, se utilizando dos dedos da mão esquerda para tocar a linha do baixo e com a mão direita faz a parte do solo. O resultado é uma sonoridade única, em um primeiro momento até podemos imaginar que está tocando com dois ou três acompanhantes ao mesmo tempo. O disco começa com uma versão única e muito especial de ‘Eleanor Rigby’, clássico dos Beatles, canção que todos conhecem. Em seguida, vem ‘Freedie Freeloader’ de Miles Davis em uma roupagem única, (tudo bem, os arranjos de Jordan são todos únicos) com acompanhantes de luxo, como o baterista Peter Erskine e o contrabaixista Charnett Moffett. Aliás, a Blue Note chamou uma legião de grandes músicos para acompanhar o jovem guitarrista, a lista está aí embaixo.

Uma das mais belas composições da História do Jazz no século XX, ‘Round´Midnight’, de Thelonius Monk vem em seguida, para manter aquele clima de inverno, para se ouvir embaixo das cobertas, tomando um bom vinho. Nestes dois primeiros discos Jordan mantém sempre um clima de relaxamento, leve, nunca se excedendo no volume de suas guitarras. Em seguida temos a  delicada e sensível ‘All the Children’ (lembro que esta faixa tocava muito em uma determinada rádio lá na Florianópolis dos anos 80 e 90, não tanto quanto sua versão do ‘Bolero’ de Ravel, que ele gravou alguns anos mais tarde, mas isso é assunto para outra postagem). Nesta em em outras três faixas Jordan revela seu lado compositor, mas o que eu mais destacaria nestes dois primeiros discos é sua incrível capacidade de arranjador, desconstruindo clássicos, como os já citados ‘Eleanor Rigby’, ‘Roun´Midnight’, e nos mostrando novas possibilidades nestas obras já tão gravadas e regravadas.

Uma curiosidade: depois de lançado,  ‘Magic Touch’ ficou nas ‘paradas’ da Billboard, na categoria de Jazz, por 51 semanas. Um recorde.

Creio que o título de seu segundo álbum  ‘Standards, Volume 1’ seja uma brincadeira, e que nem Jordan nem a Blue Note pensavam em lançar um segundo volume. Aqui não tem banda de apoio, apenas o talento de Jordan se consolidando e mostrando um músico já mais maduro, mas ainda com ímpetos da juventude, afinal ele estava no apogeu de seus vinte e sete anos. Sempre digo que sou suspeito para falar desse disco, pois o considero impecável, do começo ao fim. Conheço cada nota tocada, cada respiração do músico e sempre volto a ele, e o velho LP ainda está na minha estante, trinta e seis anos após sua aquisição. Fui muito influenciado por ele, me ajudou muito em determinado momento de minha vida, aquele das paixões não correspondidas, quando estamos procurando o caminho a seguir (eu tinha meros 21 anos quando comprei esse disco).

Já desde a primeira faixa, ‘The Sound of Silence’, que foi imortalizada pela dupla Simon & Garfunkel, podemos identificar os riscos a que Jordan se expõem, não temendo os erros, se perdendo em redundâncias nos seus solos. Enfim, é um disco único no sentido em que ouvimos um músico em pleno processo criativo, estabelecendo parâmetros e critérios de execução, nem sempre conseguindo, mas nunca desistindo. E acho que isso pode ser melhor observado em ‘Georgia on My Mind’, onde a magnífica canção imortalizada na voz de Ray Charles é virada ao avesso e exposta em sua mais delicada expressão. A considero a melhor faixa do disco, apesar de amar o disco inteiro.

Stanley Jordan – Magic Touch (1985)

01. Eleanor Rigby
02. Freddie Freeloader
03. Round Midnight
04. All The Children
05. The Lady In My Life
06. Angel
07. Fundance
08. New Love
09. Return Expedition
10. A Child Is Born

Stanley Jordan – Guitar
Wayne Brathwaite – Electric Bass
Peter Erskine – Drums
Sammy Figueroa – Percussion
Onaje Allan Gumbis – Keyboards
Omar Hakim – Drums
Charnett Moffett – Acoustic Bass
Bugsy Moore – Percussion
Al Di Meola – Cymbals

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Stanley Jordan – Standards Vol. 1 (1986)

01. The Sound of Silence
02. Sunny
03. Georgia on My Mind
04. Send One Your Love
05. Moon River
06. Guitar Man
07. One Less Bell to Answer
08. Because
09. My Favorite Things
10. Silent Night

Stanley Jordan – GuitarS

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.: interlúdio :. Gary Burton & Keith Jarrett / Throb (Burton)

.: interlúdio :. Gary Burton & Keith Jarrett / Throb (Burton)

Eu não ouvia este CD há anos, e minha impressão — neste período em que fiquei longe dele — é a de que ele soava muito datado. A sonoridade geral situa-no claramente nos anos 70. Porém, hoje, muito rapidamente, fiquei impressionado com a sensação de que há algo muito limpo e original no álbum. Há grande exuberância, são músicos tocando coisas que gostam e se divertindo fazendo isso. Há momentos em que tudo beira o pop, e o som do rock da época jamais se afasta. No entanto, a musicalidade, harmonia e improvisação são claramente o produto de músicos de jazz altamente talentosos. Você logo descobrirá que não consegue tirar as pequenas melodias peculiares da sua cabeça. As músicas têm aquela agradável característica de serem ao mesmo tempo bonitas ​​e inesperadas. Não é um disco necessário, mas é mais do que apenas agradável.

Gary Burton & Keith Jarrett (1971)
1 Gary Burton & Keith Jarrett– Grow Your Own 4:51
2 Gary Burton & Keith Jarrett– Moonchild / In Your Quiet Place 7:19
3 Gary Burton & Keith Jarrett– Como En Vietnam 7:02
4 Gary Burton & Keith Jarrett– Fortune Smiles 8:28
5 Gary Burton & Keith Jarrett– The Raven Speaks 8:15

Throb (1969)
6 Gary Burton– Henniger Flats 4:22
Composed By – David Pritchard (2)
7 Gary Burton– Turn Of The Century 5:03
8 Gary Burton– Chickens 2:25
9 Gary Burton– Arise, Her Eyes 3:45
10 Gary Burton– Prime Time 3:59
Composed By – Jerry Hahn
11 Gary Burton– Throb 4:27
12 Gary Burton– Doin The Pig 3:40
13 Gary Burton– Triple Portrait 4:25
14 Gary Burton– Some Echoes 6:54

Bass – Steve Swallow
Composed By – Keith Jarrett (tracks: 1, 2, 4, 5), Michael Gibbs (tracks: 7, 11, 13, 14), Steve Swallow (tracks: 3, 8, 9, 12)
Drums – Bill Goodwin
Guitar – Jerry Hahn (tracks: 6 to 14), Sam Brown (2) (tracks: 1 to 5)
Piano, Electric Piano, Soprano Saxophone – Keith Jarrett (tracks: 1 to 5)
Vibraphone [Vibes] – Gary Burton (tracks: 1 to 5)
Vibraphone [Vibes], Piano – Gary Burton (tracks: 6 to 14)
Violin – Richard Greene (tracks: 6 to 14)

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PQP

.: interlúdio :. Kaori Muraji

.: interlúdio :. Kaori Muraji

Considere o vídeo abaixo:

Seguindo o caminho do interlúdio anterior, continuamos ouvindo violões, por que não. E sobre Kaori, bem; é jovem, linda, e toca de olhos fechados. Que dizer mais? Era daquelas crianças-prodígio, aprendeu a tocar violão com o pai aos três anos, e dali em diante foi conquistando competições e prêmios internacionais — até ser a primeira artista japonesa a assinar um contrato internacional com a Decca.

Credenciais à parte, os ouvidos notam que Kaori leva tudo muito a sério. Tem uma técnica impecável, e suas escolhas nos arranjos não costumam ser bem comportadas. Dos quatro álbuns desde post — talvez 1/5 de sua discografia — , três são de repertório erudito, e se o próprio Joaquín Rodrigo, pouco antes de sua morte, elegeu-a como sua voz no século XXI, a resenha do AMG para “Plays Bach” é bem menos elogiosa. (Este cão, que sabidamente não entende lhufas de música erudita, gostou bastante da segunda parte do cd, em que ela toca sozinha.) O último disco do post é de repertório popular, bem ao estilo balaio de gatos, misturando West Side Story à International Socialista — e se eu prefiro mastigar vidro a ouvir Tears in Heaven outra vez nesta ou em qualquer outra vida, há momentos realmente sublimes, como Jongo, Sunburst e até Merry Christmas Mr. Lawrence (no vídeo abaixo, numa parceria muito bem concatenada com o próprio Saka).

Dito isto, aos álbuns? Blue Dog recomenda a ordem cronológia/de postagem mesmo; Lumières é fabuloso.

P.S.: Atendendo a pedidos, e não tão longe do contexto, participamos que o post de Wes Montgomery para “Full House” foi atualizado com um rip em V0. E no mesmo post foi adicionado um outro álbum — que você também deveria ouvir. Ctrl+clique o link acima pra não esquecer.


Kaori Muraji – Lumières /2005 [V0]
Kaori Muraji: guitar
download / 107MB

01 Gymnopedie No. 1 (Satie)
02 Gymnopedie No. 3 (Satie)
03 La fille aux cheveux de lin (Debussy)
04 Pavane Pour Une Infante Defunte (Ravel)
05 Saudade No. 3 (From Trois Saudades): I Rituel (Dyens)
06 Saudade No. 3 (From Trois Saudades): II Danse (Dyens)
07 Saudade No. 3 (From Trois Saudades): III Fete Et Final (Dyens)
08 2 Barcarolles, Op.60: I Lent, Calme, Dans Une Quietude Expressive (Kleynjans)
09 2 Barcarolles, Op.60: II Allegro (Kleynjans)
10 Fantasie Pour Guitare: I Resolu (De Breville)
11 Fantasie Pour Guitare: II Lent (De Breville)
12 Fantasie Pour Guitare: III Trés Vite (De Breville)
13 Gnossienne No 1 (Satie)
14 Water Color Scalor: I Prelude (Yoshimatsu)
15 Water Color Scalor: II Intermezzo A (Yoshimatsu)
16 Water Color Scalor: III Dance (Yoshimatsu)
17 Water Color Scalor: IV Intermezzo B (Yoshimatsu)
18 Water Color Scalor: V Rondo (Yoshimatsu)
19 Claire de Lune from Suite Bergamasque (Debussy)
20 Summer Knows Theme from “The Summer of ’42” (Legrand)


Kaori Muraji – Viva! Rodrigo /2007 [V0]
Kaori Muraji, guitar; Orquesta Sinfónica de Galícia, reg. Viktor Pablo Pérez. Música de Joaquín Rodrigo
download / 97MB

01 Concierto de Aranjuez – Allegro con spirito
02 Concierto de Aranjuez – Adagio
03 Concierto de Aranjuez – Allegro gentile
04 Sones en la Giralda
05 Concierto para una fiesta – Allegro deciso
06 Concierto para una fiesta – Andante calmo
07 Concierto para una fiesta – Allegro moderato


Kaori Muraji – Plays Bach /2008 [V0]
Kaori Muraji, guitar; Leipzig Bachorchester, reg. Christian Funke
download / 113MB

01 Cembalo Concerto No.2 in E major, BWV 1053 – I. Allegro
02 Cembalo Concerto No.2 in E major, BWV 1053 – II. Siciliano
03 Cembalo Concerto No.2 in E major, BWV 1053 – III. Allegro
04 BWV 1068 Air on the G string
05 Cembalo Concerto No.5 in F minor, BWV 1056 – I. Allegro
06 Cembalo Concerto No.5 in F minor, BWV 1056 – II. Largo
07 Cembalo Concerto No.5 in F minor, BWV 1056 – III. Presto
08 BWV 147 Choral Jesus bleibet meine Freude
09 Partita No.2 in D minor, BWV 1004 – I. Allmanda
10 Partita No.2 in D minor, BWV 1004 – II. Corrente
11 Partita No.2 in D minor, BWV 1004 – III. Sarabanda
12 Partita No.2 in D minor, BWV 1004 – IV. Giga
13 Partita No.2 in D minor, BWV 1004 – V. Ciaconna
14 Menuet, BWV Anh. 114 & 115


Kaori Muraji – Portraits /2009 [320]
Kaori Muraji, guitar
download / 156MB

01 Merry Christmas Mr. Lawrence (Sakamoto)
02 Tango en Skai (Dyens)
03 Tears In Heaven (Clapton)
04 Jongo for guitar(Bellinatti)
05 Energy Flow (Sakamoto)
06 What a Friend We Have in Jesus(Converse)
07 Internationale (De Geyter)
08 Amours Perdues (Kosma)
09 Secret Love (Fain)
10 Porgy and Bess – Summertime (Gershwin)
11 West Side Story – I Feel Pretty (Bernstein)
12 West Side Story – Maria (Bernstein)
13 West Side Story – America (Bernstein)
14 Nocturne No.2 in E flat, Op.9 No.2 (Chopin)
15 Thousands of Prayers (Tanikawa)
16 Träumerei (Schumann)
17 Love Waltz (Neumann)
18 Introduction To Sunburst/Sunburst (York)
19 In My Life (Lennon / McCartney)

Boa audição!
Blue Dog

.:interlúdio:. Gary Burton & Makoto Ozone – Virtuosi

Esta foi uma de minhas primeiras postagens, lá em 2008, há quatorze anos. Outros tempos, outra realidade, outra tecnologia. O link para Download foi colocado no falecido Rapidshare, era o que tinhamos naquele momento. 

Um usuário encontrou essa pequena delícia chamada “Virtuosi” la naqueles primórdios do PQPBach e pediu para atualizar o link. O CD reune o vibrafonista e o pianista Makoto Ozone, músico totalmente desconhecido para mim naquele momento. 

Mas além do CD solicitado trago outro CD desta parceria, que foi lançado em 1995, o CD intitulado ‘Face to Face’, onde a dupla toca alguns clássicos do Jazz, assim como obras do próprio Ozone, Thelonius Monk, Benny Goodman, dentre outros. O texto abaixo é da postagem original. 

Outra preciosidade encontrada em meu velho porta cds, dos tempos em que ainda baixava mp3 via Soulseek. Um belo dia digitei Gary Burton, e no meio de um monte de coisas, também excelentes, encontrei essa jóia da coroa de meus cds de Jazz.

O nome dado ao CD, “Virtuosi”, define bem a proposta: o encontro de dois virtuoses em seus respectivos instrumentos. Gary Burton com seu vibrafone, e o até então desconhecido para mim, Makoto Ozone, pianista. Algus poderão torcer o nariz e comentar com desdém “mais um disco do tão famigerado encontro OcidentexOriente”. Mas lamento informar senhores de nariz torcido, de que não se trata de nada disso. O que se ouve aqui neste cd é música ocidental, com arranjos de obras de Ravel até Brahms. E tocadas com uma precisão e correção que beira as raias do absurdo. Ainda com relação a esta mesma precisão, dá-se a impressão de que eles tocam juntos há incontáveis décadas, mas existe aí uma diferença de gerações, porém o jovem Makoto Ozone não se deixa intimidar frente ao gigante Gary Burton, que traz junto de si toda a tradição de outros mestres do instrumento no jazz, como Lionel Hampton ou Milt Jackson.

Apesar de poder soar estranho num primeiro momento, garanto-lhes que o que os senhores irão ouvir é da mais pura beleza. Como comentei acima, existe uma cumplicidade tremenda entre os músicos, dando a nítida impressão de eles tocam juntos há muito tempo.

Boa audição.

Gary Burton & Makoto Ozone – Face to Face

01 – Kato’s Revenge
02 – Monk’s Dream
03 – For Heaven’s Sake
04 – Bento Box
05 – Blue Monk
06 – O Grande Amor
07 – Laura’s Dream
08 – Opus Half
09 – My Romance
10 – Times Like These
11 – Eiderdown

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Gary Burton & Makoto Ozone – Virtuosi

1 – Le tombeau de Couperin, for piano – Prelude – Composed by Maurice Ravel
2 – Excursions (4), for piano, Op. 20 No. 1 – Composed by Samuel Barber
3 – Prelude for piano No.19 in A minor, Op. 32/8 – Composed by Sergey Rachmaninov
4 – Milonga, for guitar – Composed by Jorge Cardoso
5 – Preludes (3) for piano II – Composed by George Gershwin
6 – Sonata for keyboard in E major, K. 20 (L. 375) “Capriccio” – Composed by Domenico Scarlatti
7 – Three Little Oddities, suite for piano Impromptu – Composed by Zez Confrey
8 – Concerto in F, for piano & orchestra Movement III –  Composed by George Gershwin
9 – Lakmé, opera Medley: Berceuse / Duettino – Composed by Leo Delibes
10 – Capriccio for piano in B minor, Op. 76/2 – Composed by Johannes Brahms
11 – Something Borrowed, Something Blue – Composed by Makoto Ozone

Gary Burton – Vibrafone
Makoto Ozone – Piano

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FDP Bach

Gary Burton & Makoto Ozone tocando na antiga Blue Note Tokio, antes desta ser adquirida pela PQPBach Corps

.: interlúdio :. Alice Coltrane (1937-2007) – Journey in Satchidananda (1970)

Nascida em 1937, Alice Coltrane foi uma pianista de jazz que fez seu nome – antes de ter esse sobrenome – a partir de 1960 como improvisadora em Paris e Detroit. Quando tocava em Nova York com o vibrafonista Terry Gibbs em 1962, ela conheceu John Coltrane. No ano seguinte, Alice saiu abruptamente da banda de Terry Gibbs, dizendo a ele que ia se casar com Coltrane. John e Alice tiveram três filhos juntos. Em toda a década de 60, a música de John Coltrane tomava progressivamente uma dimensão espiritual. Ele dizia que, após esse acordar espiritual, “não dá mais para esquecê-lo. Torna-se parte de tudo que você faz.”

John Coltrane morreu de câncer de fígado em 1967. Por algum tempo, Alice dormiu mal, teve visões, emagreceu. Nas profundezas de sua dor, Alice tornou-se discípula de Swami Satchidananda, guru indiano especialista em Hatha Yoga. Seus conselhos e orientação espiritual acalmaram seu espírito, enquanto ela estudava harpa, instrumento que, segundo a lenda, teria sido encomendado por John Coltrane mas ele não teve tempo de vê-la tocando. (informações tiradas daqui)

O tipo de “spiritual jazz” que Alice Coltrane fez na década de 1970 se insere em um movimento que também contou com o inglês John McLaughlin (Mahavishnu Orchestra) e o mexicano/americano Carlos Santana, ambos também muito influenciados por Coltrane. E no álbum Journey in Satchidananda, de 1970, temos músicos do último grupo liderado por Coltrane: Pharoah Sanders no sax e Rashied Ali na bateria e percussão. Além, é claro, de Alice, que tinha substituído o pianista McCoy Tyner no fim de 1965. Na última faixa, gravada ao vivo, Charlie Haden aparece no baixo, mas a estrela desse momento final do álbum é o diálogo entre a harpa e o oud (instrumento da família do alaúde, comum no mundo islâmico), pontuado por aparições do sax.

O título do álbum dá boas pistas: é uma jornada. Alice Coltrane nos leva a um território inexplorado no jazz, com base em múltiplas culturas e diversos instrumentos, mas sobretudo com base na emoção.

Alice Coltrane (1937-2007) – Journey in Satchidananda (1970)

1. Journey in Satchidananda – 6:39
2. Shiva-Loka – 6:37
3. Stopover Bombay – 2:54
4. Something About John Coltrane – 9:44
5. Isis and Osiris – 11:49
All compositions by Alice Coltrane

Tracks 1-4
Alice Coltrane – piano, harp
Pharoah Sanders – soprano saxophone, percussion
Cecil McBee – double bass
Rashied Ali – drums
Tulsi – tanpura
Majid Shabazz – bells, tambourine
Recorded at the Coltrane home studio, Dix Hills, New York, on November 8, 1970

Track 5
Alice Coltrane – harp
Pharoah Sanders – soprano saxophone, percussion
Rashied Ali – drums
Charlie Haden – bass
Vishnu Wood – oud
Recorded live at The Village Gate, New York City, on July 4, 1970

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE – mp3 320kbps

Alice Coltrane tocando harpa

Pleyel

 

.: interlúdio :. Human Feel: Galore / John Zorn & Masada String Trio: Haborym — The Book Of Angels Vol 16 / Trio of Doom: Trio of Doom

.: interlúdio :. Human Feel: Galore / John Zorn & Masada String Trio: Haborym — The Book Of Angels Vol 16 / Trio of Doom: Trio of Doom

Bem mais Blue do que Dog, este seu Blue Dog foi acometido por uma belíssima crise de tendinite nos últimos tempos. Parcialmente imobilizado, venho mantendo distância do computador; por sorte ainda sobrou a mão esquerda para apertar o botão de play, o que me tem garantido a sanidade. Mas nada temam, que já vou quase novo. Como ainda me recupero, que tal um post papo curto, com alguns dos discos que eu pretendia ter trazido nesse meio tempo?

Human Feel – Galore /2007 [V0]

Comigo, esse foi um daqueles álbuns que a gente pega sem qualquer pretensão, e meia hora depois se pergunta “mas como é que eu não conhecia isso?” Quarteto sem baixo, com dois sax, guitarra e bateria, nesse disco não começa promissor, até que entra a deliciosamente modal Fuss; a hermepascalínica Cat Heaven; a jazz-metálica Improve. Pra além dessas três, que valem o disco, há muita beleza, inclusive cacofônica, pra ser encontrada.
download – 90MB

01 Tap Master
02 After the Fact
03 Fuss
04 Cat Heaven
05 Improve
06 Fuck the Development of You
07 Serenade
08 Apch Ro Ha
09 Allegiance

John Zorn / Masada String Trio – Haborym: The Book Of Angels Vol 16 /2010 [V0]

Quem sabe, já clicou no link; quem não sabe, que se aventure pelos sabores judaicos do jazz. Como de praxe, os arranjos de Zorn são fabulosos, e a mixagem é fantástica.
download – 78MB

01 Turel
02 Tychagara
03 Carniel
04 Bat Qol
05 Gamrial
06 Elimiel
07 Techial
08 Umikol
09 Malkiel
10 Raamiel
11 Gergot

Trio of Doom – Trio of Doom /2007 [V0]

John McLaughlin na guitarra, Jaco Pastorius no bass, e Tony Williams na bateria. Faixas 1 a 5 gravadas em 3 de março de 1979, no Teatro Karl Marx de Havana, Cuba. Faixas 6 a 10 gravadas cinco dias depois, em Nova Iorque. Edição de 2007 da Legacy. Grande abraço.
download – 75MB

01 Drum Improvisation (Williams)
02 Dark Prince (McLaughlin)
03 Continuum (Pastorius)
04 Para Oriente (Williams)
05 Are You the One, Are You the One? (McLaughlin)
06 Dark Prince
07 Continuum
08 Para Oriente [alt take one]
09 Para Oriente [alt take two]
10 Para Oriente

Boa audição!
Blue Dog

.oOo.

PQP acaba de ouvir os 3 CDs e vai meter sua colher torta: o primeiro é bom, o segundo é esplêndido e o terceiro são três craques com o mesmo resultado de Edmundo, Romário e Sávio no ataque do Flamengo. Ou seja, achei fraquíssimo. Mas é apenas a minha opinião, não vá atrás.

.: interlúdio :. John Surman: Brewster’s Rooster (2009)

.: interlúdio :. John Surman: Brewster’s Rooster (2009)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Tal como Jan Garbarek, o reflexivo saxofonista britânico John Surman (1944) determinou sua identidade em meio a sombrios tons menores. Mas não é o que ocorre neste álbum solto e jazzístico, onde é acompanhado por um espetacular Abercrombie e pela renascida poliríta do impressionante Jack DeJohnette. Aqui, Surman está longe de seus projetos semiclássicos com quartetos de cordas ou corais. Surman reaparece com agilidade folclórica em Hilltop Dancer e No Finesse. Também demonstra ferocidade em Kickback, onde ele e DeJohnette parecem trancar-se num quarto para desferirem ofensas um ao outro. E é emocionante. Com colaboradores de longa data, Brewster’s Rooster é um tremendo CD. E fazia tempo que eu não trazia um Surman, não?  E como é bom ouvir seu o som de seus saxofones.

John Surman: Brewster’s Rooster

1. Slanted Sky 6:34 $1.29
2. Hilltop Dancer 7:27
3. No Finesse 6:52 $1.29
4. Kickback 7:25
5. Chelsea Bridge 5:49
6. Haywain 6:18
7. Counter Measures 10:44
8. Brewster’s Rooster 6:37
9. Going For A Burton 6:48

John Surman, saxofones
Jack DeJohnette, percussão
John Abercrombie, guitarra
Drew Gress, baixo

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John Surman: só melhora com os anos
John Surman: só melhora com os anos

PQP

.: interlúdio :. Cannonball & Coltrane

Ainda esses tempos falávamos dos álbuns memoráveis do finalzinho da década de 50. Venho engrossar a lista: gravado em Chicago no dia 3 de fevereiro de 1959, Cannonball & Coltrane é uma sessão do Miles Davis Sextet – sem o líder, claro. Com o chefe longe, Julian Adderley comandou uma bela e descontraída (no feeling, jamais na execução) tarde/noite de perfeito hard bop. Não que tenha deixado Trane em segundo plano; pelo contrário, deu espaços e valorizou, inclusive, suas composições. O trio Kelly / Cobb / Chambers dá o show usual. Talvez quem se sobressaia na cozinha seja este último, que galga incansavelmente o braço de seu baixo durante toda a gravação.

Nos saxofones sincopados em estéreo (Adderley está na esquerda, Trane na direita) de Limehouse Blues, no riff épico e pré-sessentista de Stars Fell On Alabama (belíssimo solo de Coltrane) ou na altíssima velocidade de Grand Central, nota-se um disco tão polido, tão bem executado, que se entende porque o bop estava sumindo do cenário. O que fazer depois de um disco como esse, por exemplo? Qualquer coisa, menos hard bop. Se nada é definitivo, esse álbum é, ao menos, verbete de enciclopédia. Aproveitem a remasterização cristalina – mixagem sutil e inteligente para todos os instrumentos soarem como que captados na semana passada.

Cannonball & Coltrane (320)

Cannonball Adderley: alto sax
John Coltrane: tenor sax
Wynton Kelly: piano
Jimmy Cobb: drums
Paul Chambers: bass
produzido por Jack Tracy para a Mercury

01 Limehouse Blues (Braham, Furber) 4’39
02 Stars Fell on Alabama (Parish, Perkins) 6’15
03 Wabash (Adderley) 5’44
04 Grand Central (Coltrane) 4’33
05 You’re a Weaver of Dreams (Young, Elliott) 5’31
06 The Sleeper (Coltrane) 7’15

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Boa audição!

.: interlúdio :. Oliver Nelson Orchestra: Afro/American Sketches

.: interlúdio :. Oliver Nelson Orchestra: Afro/American Sketches

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Não se enganem. Oliver Nelson foi um gênio. Daqueles. Gênio para ser colocado ao lado de Mingus, Miles, Ellington, Monk. Tudo o que ouvi dele é de primeira linha e este Afro/American Sketches, de 1962, não foge à regra. Oliver Nelson fundiu o ritmo da África e da América Negra com o talento organizacional da Europa. O trabalho muitas é espetacular apresenta a orquestra perfeitamente eufônica mas às vezes gritando e colidindo para depois dar declarações comoventes de amor ou convergindo em um cenário de blues. Nelson combinou o suporte rítmico afro-latino de Ray Barretto com a bateria de jazz de Ed Shaughnessy, também contribuiu com seus próprios solos de sax alto e tenor e conduziu a orquestra. “Finalmente percebi a importância da minha herança africana e negra”, escreve Nelson no encarte, “e através dessa iluminação consegui compor 40 minutos de música original que é uma verdadeira extensão da minha alma”. As composições e arranjos de Nelson espelham as várias etapas da vida negra, desde a pátria ancestral africana até os séculos de escravidão, terror e horror diários, passando pela emancipação, a chamada reconstrução, a migração do século XX para norte, leste e oeste que foi recebida com racismo continuado, aos direitos civis e movimentos nacionalistas negros de meados do século 20 — a dança da liberdade. Oliver Nelson (1932-1975) morreu muito jovem, mas conseguiu deixar uma marca na história. Esta é sua primeira gravação como líder/arranjador de uma big band. Excelente produção e arranjos, eletrizante e vibrante, com verdadeira musicalidade destacada por toda parte. Um trabalho monumental, realmente IMPERDÍVEL!

.: interlúdio :. Oliver Nelson Orchestra: Afro/American Sketches

1 Message
2 Jungleaire
3 Emancipation Blues
4 There’s A Yearning
5 Going Up North
6 Disillusioned
7 Freedom Dance

Written-By, Arranged By, Conductor – Oliver Nelson
Alto Saxophone, Flute – Jerry Dodgion (faixas: A1, A3, B1, B3, B4)
Baritone Saxophone, Clarinet – Arthur “Babe” Clark* (faixas: A3, B3, B4)
Bass – Art Davis
Cello – Charles McCracken (faixas: A1, A3, B1, B3, B4), Peter Makis (faixas: A1, A3, B1, B3, B4)
Congas, Bongos – Ray Barretto
Drums – Ed Shaughnessy
French Horn – Jim Buffington (faixas: A1, B1), Julius Watkins (faixas: A1, B1), Ray Alonge (faixas: A1, B1)
Piano – Patti Bown (faixas: A3, B3, B4)
Tenor Saxophone, Alto Saxophone
Tenor Saxophone, Flute – Eric Dixon (faixas: A2, A3, B2 to B4)
Tenor Saxophone, Flute, Clarinet – Bob Ashton* (faixas: A1, A3, B1, B3, B4)
Trombone – Billy Byers (faixas: A2, B2), Britt Woodman (faixas: A1, A3, B1, B3, B4), Melba Liston (faixas: A2, B2), Paul Faulise (faixas: A1, A3, B1, B3, B4), Urbie Green (faixas: A1, A3, B1, B3, B4)
Trumpet – Clyde Reasinger (faixas: A2, B2), Ernie Royal, Jerry Kail, Joe Newman, Joe Wilder (faixas: A1, A3, B1, B3, B4)
Tuba – Don Butterfield

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Oliver Nelson: um altíssimo grau de musicalidade

PQP

.: interlúdio :. Miles Davis: Miles Ahead

.: interlúdio :. Miles Davis: Miles Ahead

OMG! Por que esta capa? Tal como eu e nós, Miles Davis ficou insatisfeito com a capa original do álbum, que apresentava uma fotografia de uma jovem branca e uma criança a bordo de um veleiro. Ele manifestou seu descontentamento ao executivo da Columbia, George Avakian, perguntando: “Why’d you put that white bitch on there?”. Avakian afirmou mais tarde que a pergunta foi feita em tom de brincadeira. Só que… Nos lançamentos posteriores do disco, a foto da capa original foi substituída por uma fotografia de Miles Davis.

Miles Ahead foi lançado em 1957 pela Columbia Records. Foi o primeiro disco em parceria com o arranjador Gil Evans, parceria que se repetiria em trabalhos futuros de Davis, como Birth of the Cool, Porgy and Bess (álbum de Miles Davis) e Sketches of Spain. É considerado um dos mais importantes e famosos discos da carreira de Miles. Gil Evans sugeriu que o álbum fosse gravado como uma suíte única, evitando cortes e pausas, fazendo interrupções apenas no limite de tempo de cada lado do álbum, ou seja: no fim do lado A. Miles foi o único solitário solista do álbum.

Este álbum é muito significativo para o processo que se iniciou — a colaboração entre Gil Evans e Miles Davis que produziria Porgy and Bess e Sketches of Spain, dois dos melhores álbuns de Davis. Dito isto, este álbum é um milagre em si, o resultado de uma grande aposta por parte da Columbia Records, que juntou Evans e Davis, os quais que não trabalhavam juntos desde a gravação do disco admirado pela crítica, mas comercialmente malsucedido Birth of the Cool. A Columbia também permitiu que Evans montar uma banda de 19 músicos para as gravações, numa época em que big bands estavam fora de moda e também em uma época em que as gravações só poderiam ser lançadas dois anos depois em razão das obrigações contratuais de Davis com a Prestige. Havia o medo de que Davis se perdesse em um elenco de músicos de apoio que incluía uma enorme seção de metais. Isso não ocorreu, claro. Os arranjos de Evans são adequados ao formato. Ele e Davis formaram uma parceria profunda e próxima, onde ideias foram trocadas, alimentadas e desenvolvidas muito antes de serem expressas em estúdio.

Miles Davis: Miles Ahead

1 “Springsville” (John Carisi) – 3:27
2 “The Maids of Cadiz” (Léo Delibes) – 3:53
3 “The Duke” (Dave Brubeck) – 3:35
4 “My Ship” (Kurt Weill) – 4:28
5 “Miles Ahead” (Davis, Evans) – 3:29
6 “Blues for Pablo” (Evans) – 5:18
7 “New Rhumba” (Ahmad Jamal) – 4:37
8 Medley Pt. 1: “The Meaning of the Blues” (Bobby Troup, Leah Worth) – 2:48
9 Medley Pt. 2: “Lament” (J. J. Johnson) – 2:14
10 “I Don’t Wanna Be Kissed (By Anyone but You)” (Jack Elliot/Harold Spina) – 3:05

Alto Saxophone – Lee Konitz
Arranged By, Conductor – Gil Evans
Bass – Paul Chambers (3)
Bass Clarinet – Danny Bank
Bass Trombone – Tom, Mitchell* (faixas: A3, A3)
Drums – Art Taylor, Sr.*
Flute, Clarinet – Eddie Caine (faixas: B3 to B5), Romeo Penque, Sid Cooper (faixas: A1 to A5, B1, B2)
Horn – Jimmy Buffington* (faixas: A1, B1, B2), Tony Miranda (faixas: A2 to A5, B3 to B5), Willie Ruff
Piano – Wynton C. Kelly* (faixas: B3 to B5)
Trombone – Frank Rehak, Jimmy Cleveland, Joe Bennett*
Trumpet – Bernie Glow, Ernest Royal*, John Carisi, Louis R. Mucci, James T. Jordan*
Trumpet, Flugelhorn – Miles Davis

Recorded on May 6, 10, 23 and 27, 1957 at the Columbia 30th Street Studios, New York City.
Columbia Jazz Masterpieces Stereo

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Nada de white bitches: Miles Davis por Tom Palumbo, 1955 (Wikimedia Commons)

PQP

.: interlúdio :. Ray Anthony – The Young Man With The Horn (1951)

Há muito sem postar em nossa diletíssima página, o compadre mestre PQP Bach me veio admoestar sobre tão grave falta para com nossos fãs e para com os companheiros de Távola. Respondi que reconhecia tal demérito e me esforçaria para produzir algo que me absolvesse de tal pecado. Pontuei que, como de costume, escreveria no ímpeto das vagas etílicas, à La Prima, como costumo fazer, e que o processo de concentração etílica já estaria em curso. Estava de fato, todavia, Cronos já me corrói e as coisas não são mais como antes. Nada é como antes, sobretudo num planeta no qual um inglês raquítico de peruca inventou uma tal Lei da Gravidade pela qual tudo vem abaixo. Salvo na índia, onde qualquer oboezinho põe à riste qualquer coisa que se enrole e jaza inerte. Talvez isto explique a explosão populacional da índia. Quem dera Newton tivesse sido brasileiro, assim não teria sido atingido por uma maçã, mas por uma jaca ou um coco. Morreria e não teríamos o vexame dessa lei infeliz pela qual tudo decai ou fica a meio mastro que nem em tempos de luto nacional.

Por esses dias alguém postou no Facebook uma antiga fábula na qual um jumento ou algo assim adentrava num palácio. A moral da fábula reside em que, o jumento não se torna rei por entrar num palácio, mas o palácio vira estábulo. Eis uma perfeita parábola acerca do nosso atual momento histórico. Mas não é da nossa atual desdita que quero falar. É do processo de exaltação e diminuição dos elementos. Nada a ver também com a supracitada menção a coisas que descem ou sobem na Índia. Quero me referir a superlativações tantas vezes impingidas aos artistas: Este ou aquele é o maior do mundo! Coisa típica de dois polos: ou mesa de bar, onde se enche a cara e alardeia-se a superioridade de coisas como Romero Brito sobre Rembrandt ou, na mídia, onde Zé Pelintra do sovaco acústico seria o sumo do suprassumo – ao que multidões acorrem a engolir essa potoca. No decurso do tema do que se aumenta ou diminui, quem se lembra de uma simpática película de ficção científica chamada “O incrível homem que encolheu”? Talvez alguns lembrem.

Meu pai me falava desse filme e tive a felicidade de ver em sua companhia na TV, quando na TV ainda se passavam coisas minimamente aproveitáveis, ao menos como um saudável exercício de imaginação. Ah, “O Fugitivo” com David Jensen!; “Police Woman” com Angie Dickinson; “O Imortal” (desse só lembro eu); O homem de Seis Milhões de Dólares!”, com Lee Majors! Depois teve também “A Mulher Biônica”, “O Menino Biônico”, “O Cachorro Biônico” e o “Homem de SETE Milhões de Dólares!” que era mais forte, porém um Bad Boy e por isso apanhava no final. Inventaram até uma coisa chamada Políticos Biônicos, que felizmente jamais tive a oportunidade de compreender o que seria. Mesmo na Sessão da Tarde tínhamos clássicos que nos educavam. A partir dos anos 80 veio uma enxurrada de caça níqueis sobre adolescentes punheteiros e foi o fim.

Voltando ao “O incrível homem que encolheu”, filme no qual o protagonista, durante uma pescaria num lago ou algo assim, atravessa uma misteriosa névoa que o faz diminuir de tamanho inexoravelmente até o infinitesimal do átomo – até hoje continua diminuindo! A trilha sonora deste filme de 1957, está no nome do trompetista e band leader Ray Anthony, que tenho certeza, hoje em dia é tão lembrado quanto a série O Imortal – que só eu lembro. E que seria considerado mais tarde o último dos grandes band leaders.

Também por esses dias foi aniversário centenário de Ray Anthony – “Raymond Antonini (Bentleyville, 20 de janeiro de 1922)”. Toinho, como seria chamado no Brasil se daqui fosse, começou a estudar o trompete com seu pai, Dom Guerrino, desde a infância. Ray tocou durante breve período com a famosíssima orquestra de Glenn Miller (que não sumiu toda, como alguns ainda pensam. Foi somente o Glenn quem desapareceu no Canal da Mancha – tal e qual Saint-Exupéry. Segundo Ruy Castro, indo ver uma amante em Paris – excelente causa para se bater as botas!) Ray se alistou na Marinha e após a guerra montou sua Ray Anthony Orchestra, gravaria grandes sucessos em seu tempo. Nos anos 50 Ray entrou para o mundo da TV, casando-se com a na época considerada gostosíssima Mamie Elena Van Doren – o que certamente em nada teria a ver com a embocadura de Ray, que inicia uma carreira de ator e lidera um programa de TV. Em 61 Ray abandona – ou é abandonado – pela TV e pela beldade, porém retoma a carreira musical e o sucesso com o tema Peter Gun, do formidável Henry Mancini. Ray é um dos poucos músicos a terem uma estrelinha na Calçada da Fama em Roliúde, e também apareceu em diversos episódios de uma coisa chamada The Girls Next Door.

Nada de grande parte desses dados biográficos, no entanto, pesa essencialmente no que interessa: Ray e sua música. Voltando à questão das superlativações acima citadas, Ray não é um trompetista do calibre criativo dos grandes jazzistas, como Miles ou Chet, longe disso. Comparações seriam infelizes ou indevidas. Existem músicos e músicos e cada qual investe ou deveria investir naquilo que melhor pode fazer. Ray não é citado como virtuoso ou maior  referência, como alguns outros, mas seu som marcou época e são raros os instrumentistas que conseguem marcar época com seu timbre. O trompete de Ray se enquadra em seu tempo pelo brilho e feeling, pelo espetacular e expressivo, ressaltando a beleza das melodias – a exemplo do belo e misterioso tema Harlem Nocturno, que figura na presente gravação, e que dizer da estelar Stardust de Hoagy Charmichael! Nos evoca um tempo de beleza e glamour, de chapéus de tarja larga, brumas e fumaça, atmosfera ‘noir’; lindos sobretudos – impossíveis em grande parte do nosso contexto, todavia, sonhar é permitido e beleza é beleza.

Ray é (ou foi) um líder de orquestra que produzia música deliciosa. Num tempo em que a música era feita por gente abalizada, que tinha na música a razão de viver e que dedicara toda existência à sua arte. Muito diferente dos tempos que viriam, nos quais qualquer matusquela com os cabelos em pé e uma raquete com cravelhas era empurrado goela abaixo do público como o rei do pedaço. Ray fez música num tempo em que os bifes eram medidos em quatro dedos ou cinco de altura com paquímetros de precisão e em que, após estes, podíamos fumar nossos charutos sem o opróbio de ser escorraçados para ‘um lugar ao sol’ – no batente dos fumantes dos Shoppings, como cães miseráveis. Seu som é luxuriante, brilhante, nitidamente reflexos das influências de Louis e de Harry James. Música bonita, arranjos contagiantes, excelentes músicos. Um tempo que passou e que sua orquestra e seu trompete nos fazem, se não recordar, vislumbrar o quanto perdemos.

Postagem dedicada ao meu pai, Uéliton Mendes, que sabia o que era bom.

Ray Anthony – The Young Man With The Horn (1951)

1 The Man With The Horn
2 For Dancers Only
3 Tenderly
4 Mr. Anthony’s Boogie
5 Harlem Nocturne
6 I Wonder What’s Became Of Sally
7 Mr Anthony’s Blues
8 Stardust

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Ray & Marilyn – Good Times!

Wellbach

.: interlúdio :. John Zorn: At The Gates Of Paradise

.: interlúdio :. John Zorn: At The Gates Of Paradise

A música de John Zorn é incomparavelmente heterogênea. É impossível definir um único fator unificador. Ele compõe e participa de vários grupos. Então… (odeio quando dizem isso…), com seu selo Tzadik, Zorn construiu um pequeno mas milagroso império de gravações de qualidade, tanto em seu próprio nome quanto em álbuns sob a direção de outros artistas. Este é dele. Zorn é grande em temas construídos em torno dos conceitos ou escritos que o inspiraram. Baseado nos escritos do poeta William Blake e nos antigos escritos gnósticos de Nag Hammad, Zorn construiu uma série de composições que são hipnóticas e oníricas, possuindo uma serenidade encontrada nos mais doces romances.

.: interlúdio :. John Zorn: At The Gates Of Paradise

1 The Eternals 5:54
2 Song Of Innocence 6:43
3 A Dream Of Nine Nights 8:31
4 Light Forms 3:21
5 The Æons 5:50
6 Liber XV 6:25
7 Dance Of Albion 6:34
8 Song Of Experience 4:58

John Medeski – piano, organ
Kenny Wollesen – vibes
Trevor Dunn – bass
Joey Baron – drums

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PQP

.: interlúdio :. John Zorn: The Satyr’s Play / Cerberus

.: interlúdio :. John Zorn: The Satyr’s Play / Cerberus

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um CD que demonstra a arte superior de John Zorn. É jazz? É música erudita? Não interessa e interessa sim, pois na verdade gostaria de saber o que Zorn pensa disso, a que gênero este disco pertence, na opinião dele. The Satyr’s Play / Cerberus é um álbum composto por John Zorn que foi gravado na cidade de Nova York em janeiro e abril de 2010 e lançado pelo selo Tzadik em abril de 2011. Zorn assinou e numerou as 666 cópias do CD e produziu 66 cópias de uma versão em livro de edição limitada que foram individualizadas e encadernadas à mão em pele preta de cabra. O CD foi chamado de “Um intrigante projeto de Zorn, altamente recomendado para os amantes de sua música”. Ou seja, um álbum feito para mim… Satyr é uma obra de nuances muito sutis e de sexualidade à flor da pele. É uma música mais timbrística do que um repositório de melodias. Há que curtir os sons produzidos pelos incríveis percussionistas Cyro Baptista e Kenny Wollesen, que foram regidos por Zorn. Baptista é brasileiro. Em contraste, Cerberus é um trio extravagante e dinâmico para metais. Uma peça demoníaca para três virtuosos incontestáveis ​​(trompete, trombone e tuba) como os deste disco. A peça salta estilos, humores e gêneros à moda Zorn. Enfim, este disco traz obras de câmara radicais, temperamentais e coloridas. Aproveitem este e outros discos de Zorn; afinal, por décadas ele tem combinado elementos do jazz, de eruditos e do metal em uma série de projetos inovadores que valem a pena serem conhecidos.

The Satyr’s Play (Visions Of Dionysus) (26:33)

1 Ode I 3:48
2 Ode II 3:39
3 Ode III 2:54
4 Ode IV 3:50
5 Ode V 2:35
6 Ode VI 4:33
7 Ode VII 3:36
8 Ode VIII 1:3
Cyro Baptista, Kenny Wollesen – percussion / John Zorn, direction

9 Cerberus
Bass Trombone – David Taylor
Trumpet – Peter Evans
Tuba – Marcus Rojas

Composed By, Arranged By, Conductor – John Zorn

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John Zorn (1953) tocando na entrada da pinacoteca da PQP Bach Modern Art Demonstration de Nova Iorque.

PQP

.: interlúdio :. Miles Davis: Kind of Blue

.: interlúdio :. Miles Davis: Kind of Blue

FDP escreveu em 26 de maio de 2008:

Já foram vários os pedidos para que este álbum fosse postado, mas sempre fomos protelando. Hoje, conversando com um amigo (que me lembrou do dia 25), resolvi encarar.

O que podemos falar sobre “Kind of Blue”, considerado pela crítica especializada o melhor álbum de jazz já gravado, aquele que encabeça a maior parte das listas de Top 10 desde seu lançamento em 1959, o maior sucesso de vendas da carreira de Miles, aquele que segundo reza a lenda a Columbia, e posteriormente a Sony, jamais deixaram de prensar, seja em LP, seja em CD, um disco por muitos considerados perfeito, difícil de se encontrar um momento que possa ser considerado mais fraco? Sem palavras… Coltrane, Cannonball Aderley, Bill Evans, Paul Chambers, Winton Kelly e Jimmy Cobb.. poucas formações foram tão fantásticas quanto esta..

E BlueDog respondeu na mesma data:

Kind of Blue em tópicos rápidos:
• Gravado em 22 de março (lado A, as três primeiras faixas) e 09 de abril de 1959 (lado B)
• Lançado em 17 de agosto daquele mesmo ano
• O álbum mais vendido da história do jazz
• E um dos mais importantes e influenciais de toda a música
• Nasceu do esgotamento do bebop diante da criatividade de Miles
• E do seu encontro com um livro chamado Lydian Chromatic Concept of Tonal Organization
• Kind of Blue, em termos de composição, foi precedido pela faixa Milestones, do disco homônimo de 58
• Marca o surgimento do jazz modal – baseado em escalas, ao invés de acordes
• E disso, um retorno à melodia, ao invés do duo técnica + velocidade do bebop
• É um disco que flui fácil nos ouvidos à primeira audição; na segunda, se percebe a enorme complexidade dos temas
• Gênio? disse Bill Evans: “Miles conceived these settings (as escalas) only hours before the recording dates.

“So What” consists of a mode based on two scales: sixteen measures of the first, followed by eight measures of the second, and then eight again of the first. “Freddie Freeloader” is a standard twelve bar blues form. “Blue in Green” consists of a ten-measure cycle following a short four-measure introduction. “All Blues” is a twelve bar blues form in 6/8 time. “Flamenco Sketches” consists of five scales, each to be played “as long as the soloist wishes until he has completed the series”.

• Evidentemente, a banda também não sabia quase nada sobre o que gravaria ao chegar no estúdio
• Wynton Kelly, que havia substituído Bill Evans há pouco no grupo de Davis, toca apenas “Freddie Freeloader”
• E Cannonball Adderley não participa de “Blue in Green”
• Sobre a obra, definiu Chick Corea: “It’s one thing to just play a tune, or play a program of music, but it’s another thing to practically create a new language of music, which is what Kind of Blue did.”

Este cão, que não sabe contar – e muito menos entende de teoria musical – apenas esmigalha informação disponível, e lembranças, para os leitores. Assim como não esquece da melhor crônica que já leu sobre Kind of Blue, escrita no blog de Rafael Galvão – e compartilha. Inadvertidamente, a copio abaixo. É também resenha do livro de Ashley Kahn sobre Kind of Blue. Leiam logo, antes que ele descubra. 

Kind of Blue
Oct 5th, 2007 por Rafael Galvão

Há algo de desgraçado no jazz. Algo que faz com que ninguém o ouça impunemente, que condena aquele que o conhece a nunca mais conseguir voltar atrás, a nunca mais se contentar de verdade com menos que aquilo; algo que eleva, para sempre, os padrões pelos quais se julga a música, qualquer tipo de música, não apenas a popular.

É difícil, para aquele que ouve o trompete de Louis Armstrong, ouvir qualquer outra música com trompete e não exigir que tenha a mesma qualidade, a mesma qualidade dramática, a mesma síncope, o mesmo swing — em última instância, as mesmas notas altas e desesperadas. E isso vale também para o piano, para o trombone, para o saxofone. É no jazz que a banda de música tradicional atinge o ápice, que eleva a arte de tocar esses instrumentos à perfeição.

O jazz é a forma superior de música popular. É o que de melhor fez um século que viu a música erudita se diluir em redundâncias medíocres como as trilhas para cinema ou grandes vazios como a música experimental, e que teve como principal trilha sonora o rock e o pop, galhos menos floridos do mesmo tronco que gerou o jazz.

E Kind of Blue, disco de Miles Davis, é a forma superior de jazz. Nunca mais o jazz atingiria um ponto semelhante, de perfeição quase absoluta. Foi ali, em um disco com a participação de mestres como John Coltrane e Bill Evans, gravado em duas sessões, com o primeiro take sendo o que valia, que o jazz atingiu a perfeição. Kind of Blue é um desses discos fundamentais por uma razão: é perfeito. Das notas iniciais de So What à última nota de All Blues, o que se tem não é a apenas a obra-prima do que chamavam jazz modal; é uma síntese de tudo o que o jazz tinha feito até aquele momento, do dixieland ao bebop: é a música popular elevada ao nível máximo que ela pode alcançar, quase ao nível da música erudita tradicional.

Embora tenham sido Louis Armstrong e Duke Ellington a dar ao jazz o status de arte, foi aquela geração — Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Miles Davis e John Coltrane, pela ordem — que elevou o jazz ao ponto máximo da música ocidental. Uma geração ambiciosa, consistente, que explodia os limites da música e apontava uma infinidade de caminhos ao mesmo tempo em que solidificava, com um talento nunca mais igualado, uma tradição de 50 anos de jazz. Infelizmente, quase na mesma época surgiria Ornette Coleman com uma nova mudança, e a porteira seria aberta para bobagens como free jazz e fusion; mas isso não importa. Ouve Ornette Coleman quem quer e quem gosta. O importante, mesmo, é que há um disco que explica, sem sequer uma palavra, o que é o jazz, que concentra em cinco faixas cinqüenta anos do mais assombroso gênero musical que o século XX criou. E esse disco é Kind of Blue.

A Barracuda, do Freddy Bilyk, lançou no começo deste ano um livro que conta a saga desse disco: “Kind of Blue — A história da obra prima de Miles Davis“, de Ashley Kahn, conta a história desse disco de maneira inteligente e simples. Contextualiza o disco em sua época e nas trajetórias de seus músicos, sem perder tempo com fofocas e explorações sensacionalistas ou simplesmente mundanas de detalhes pouco importantes, como os problemas com drogas que praticamente todos eles enfrentaram.

Kahn mostra o processo de criação das músicas, explicando a razão de cada termo utilizado com clareza e simplicidade notáveis. Detalha cada sessão, e explica cada música de um jeito simples mas completo. Explica por que o disco foi tão importante. E explora o legado de um álbum que foi recebido sem tanta euforia, mas que aos poucos se consolidou como o disco mais importante da história do jazz.

A importância de Miles Davis pode ser medida pelo que ele disse em um jantar na Casa Branca. Naquela ocasião, ele não mentiu. E Kind of Blue foi uma dessas revoluções. Talvez não tão importante, do ponto de vista “revolucionário”, quanto Birth of Cool; mas um disco estupidamente superior.

Por explorar com simplicidade um assunto tão fascinante mas ao mesmo tempo tão complexo, “Kind of Blue” é um daqueles livros indispensáveis para quem gosta de jazz, mas também para músicos que querem saber como pode funcionar uma sessão de gravação. É importante, também, para compositores que buscam densidade em seu processo criativo.

Há alguns anos, a Gabi me convidou para escrever uma coluna sobre jazz no site da Antena 1. A resposta foi a costumeira, uma recusa, mas dessa vez não foi apenas pela falta de tempo crônica: eu sabia que jamais poderia escrever sobre jazz porque isso requer uma erudição que eu, definitivamente, não tenho. Palavras e expressões como diatônica, escala cromática, modalismo não fazem parte do meu vocabulário habitual. E ler “Kind of Blue” me deixou com a certeza de que eu estava certíssimo ao dizer não. Mas, ainda mais que isso, me deu o conforto de saber que um sujeito como Ashley Kahn pode tornar essas palavras difíceis compreensíveis até para mim.

Miles Davis – Kind of Blue

01 – So What
02 – Freddie Freeloader
03 – Blue In Green
04 – All Blues
05 – Flamenco Sketches
06 – Flamenco Sketches (Alternate Take)

Miles Davis – Trompete
Julian “Cannonball” Adderley – Saxofone Alto (exceto “Blue in Green”)
John Coltrane – Saxofone Tenor
Bill Evans – Piano (exceto “Freddie Freeloader”)
Wynton Kelly – Piano ( em “Freddie Freeloader”)
Paul Chambers – Contrabaixo
Jimmy Cobb – Bateria

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Foto de uma das sessões de gravação de Kind of Blue

FDP / BlueDog

.: interlúdio :. John Coltrane: A Love Supreme

.: interlúdio :. John Coltrane: A Love Supreme

IM-PER-DÍ-VEL !!!

A Love Supreme — 50 anos

(Já começo desvirtuando a regra do blog: não indico o nome do compositor no início do título do post. Como fui convidado a ocupar algumas arestas por aqui — e não dividir a casa ao meio, diferencio para facilitar a navegação dos leitores que preferirem a programação normal.)

Fiquei pensando em de que forma começar desde que aceitei participar do PQP Bach. Depois de considerar algumas opções – querendo fazer uma assertiva inicial dessa escolha -, optei pela primeira idéia. Verdade: começar a falar sobre jazz com “A Love Supreme”, de John Coltrane, é arriscar demais cair num clichê. Mas o ouvinte qualificado – e o é certamente o leitor deste blog – jamais qualificaria este disco como qualquer coisa próxima a datado.

“A Love Supreme” foi gravado em uma única sessão direta, executada na ordem em que as músicas aparecem no disco, no dia 9 de dezembro de 1964. Desde lá, tem sido responsável por 33 minutos que frequentemente o definem como uma das maiores gravações de jazz de todos os tempos. Um álbum que qualificou Coltrane como um deus do jazz – uma suíte dividida em quatro partes, dedicada… a Deus.

During the year 1957, I experienced by the grace of God, a spiritual awakening which was to lead me to a richer, fuller, more productive life. At that time, in gratitude, I humbly asked to be given the means and privilege to make others happy through music. [original liner notes]

Em 57 Coltrane havia sido deixado pelas mudanças de direção musical do quinteto de Miles Davis, e estava em péssimo estado, físico e mental, debilitando pelo vício em heroína. 7 anos depois ele estava limpo, havia tocado com Monk, liderado seu próprio quarteto, aceitado as influências das religiões orientais em sua concepção de divino – e pronto para compor sua obra-prima.

A versão aqui apresentada de “A Love Supreme” só não vai agradar aos já veteranos do assunto: é a [última] edição de luxo, que além da gravação original, traz o registro ao vivo da única noite em que a suíte completa foi interpretada. Coltrane, no entanto, teria ficado pouco satisfeito com a qualidade do áudio — o que é fato. Apesar disso é um show que mostra, 6 meses depois do álbum, que o quarteto tomava a firme direção do free jazz.

Além disso, estão incluídos takes alternativos de Resolution e Acknowledgement – estes últimos, objetos de anos e anos de espera de aficcionados por contar com mais dois músicos na formação: o sax tenor de Archie Shepp e Art Davis num segundo baixo. Os takes foram gravados no dia seguinte, 10/12/64.

A Love Supreme (320 kbps)
John Coltrane: tenor saxophone, bandleader
McCoy Tyner: piano
Jimmy Garrison: bass
Elvin Jones: drums
Produzido por Bob Thiele para a Impulse!

DISC ONE | Original Album
A1999 Part 1 – Acknowledgement 999 7:43
A2 Part 2 – Resolution 7:20
B Part 3 – Pursuance 10:42
Part 4 – Psalm 7:05

DISC TWO | Bonus
01 Introduction by André Francis 1:13
02 Part 1 – Acknowledgement (Live Version) 6:12
03 Part 2 – Resolution (Live Version) 11:37
04 Part 3 – Pursuance (Live Version) 21:30
05 Part 4 – Psalm (Live Version) 8:49
06 Part 2 – Resolution (Alternative Take) 7:25
07 Part 2 – Resolution (Breakdown) 2:13
08 Part 1 – Acknowledgement (Alternative Take) 9:09
09 Part 1 – Acknowledgement (Alternative Take) 9:23

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John Coltrane, um clássico aos 50 anos
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