Meu pai ouvia muita música em casa e, no final dos anos 60, quando eu tinha uns 12 anos, iniciou-se uma luta: eu queria ouvir Beatles, Rolling Stones, Led Zeppelin, The Who e Mutantes e ele seus sambas e compositores eruditos românticos. Tínhamos poucos pontos de concordância: Chico Buarque, Paulinho da Viola e a bossa nova em geral. Até hoje tenho dificuldades em ouvir Chopin, Rachmaninov, Schumann, Berlioz e outros. Não consigo realmente entender os românticos, à exceção de Brahms e dos tardios.
Naquela época, num fim de tarde que jamais esqueci, eu estava dentro do banheiro, me secando após um banho, quando fui obrigado a sair correndo para a sala, pois estava ouvindo algo absolutamente espetacular, lindo, inteligente, de força rítmica e pensamentos musicais profundos, algo nunca ouvido. Perguntei a meu pai o que era aquilo e ele me disse que era o Concerto Nº 3 de Brandenburgo, da autoria de um sujeito que se localizava como o campeão na mitologia dos compositores e que eu nunca tinha ouvido: Johann Sebastian Bach, o aniversariante de hoje.
Desde aquele dia, Bach se transformou numa espécie de companheiro de vida. Nunca me foi hostil, sempre me trouxe alegria e beleza. Celebrar seu aniversário de 341 anos é, de certo modo, celebrar nossa amizade — um pobre diabo apaixonado por um monumento — e a própria ideia de ordem no mundo — uma ordem que não exclui a emoção, mas a organiza, a eleva e a torna compreensível. Ninguém conseguiu unir com tamanha perfeição o rigor da arquitetura e a liberdade da expressão. Nele, tudo tem sentido, cada linha carrega uma intenção, e no entrelaçamento das diversas vozes surge algo que ultrapassa o humano — não por negar a experiência humana e suas grandezas e fraquezas, mas por levá-la ao seu grau mais alto de transparência e beleza.
Há em Bach uma espécie de confiança radical na inteligência e na lógica. Obras como o Cravo Bem Temperado, a Missa em Si Menor ou a Paixão Segundo Mateus (retirem o “São”, Bach não pôs “Sankt” no título) não são apenas composições: são sistemas vivos, universos autônomos onde emoção, fé e razão existem sem conflito. Seus contrapontos não são exercícios intelectuais estéreis, masturbatórios, mas uma forma de dar voz à complexidade do mundo — como se múltiplas verdades pudessem soar ao mesmo tempo, sem se anularem.
Porém, é claro que o que mais me impressiona é a humanidade dessa grandeza. Bach jamais escreveu para a posteridade, mas para circunstâncias concretas — igrejas, cortes, alunos, ocasiões específicas. Ainda assim, dessa prática cotidiana nasceu uma música transcende qualquer ocasião e que nos fala de perto ainda hoje. Ouvi-lo é perceber que o tempo não diminui certas obras — ao contrário, torna-as mais necessárias. Porque em Bach encontramos uma forma de equilíbrio — uma promessa de que, mesmo no caos, a harmonia é possível.
Bach não precisa de defesa (quem precisa é o Inter) — ele se impõe por si mesmo. Mas hoje é o dia de você ouvir uma de suas Paixões, um de seus prelúdios, uma de suas fugas ou beber uma cerveja — como as que ele produzia. Que a música de Bach continue a nos ensinar que o rigor pode ser apaixonado, que a fé pode ser artesanal (e pessoal, por favor), que o tempo — esse mesmo tempo que hoje nos faz lembrar de sua data de nascimento — pode ser, por alguns instantes, suspenso. Bach foi um presente que recebemos. O mais duradouro, o mais profundo, o mais sublime dos presentes.
As sinfonias que abrem (ou “interrompem”) algumas das Cantatas de J.S. Bach não são “sinfonias” no sentido clássico posterior, mas sim movimentos instrumentais de abertura que funcionam como prelúdios orquestrais. Em geral, Bach utilizava esses movimentos para estabelecer o afeto teológico e musical da cantata, muitas vezes reaproveitando material de seus próprios concertos (como os Concertos de Brandemburgo) ou criando texturas contrapontísticas densas. Essas aberturas, muitas vezes em forma de concerto grosso, revelam não apenas a maestria instrumental do compositor, mas também sua capacidade de fundir o sagrado e o profano: o mesmo material que animava uma dança secular podia, na Cantata, elevar-se como invocação ao divino. Assim, as sinfonias das cantatas são portais sonoros que convidam o ouvinte a adentrar um universo onde a música instrumental e a vocal dialogam em serviço à expressão espiritual. Esta gravação é muito boa e, digamos, atléticas — como lhes é exigido.
J. S. Bach (1685-1750): Sinfonias de Cantatas (Watanabe, Veggetti, Ensemble Cordia)
1 Sinfonia From Cantata BWV188 “Iche Habe Meine Zuversicht” 7:44
2 Sinfonia From Cantata BWV174 “Ich Liebe Den Höchsten von Ganzem Gemüte” 5:32
3 Sinfonia From Cantata BWV169 “Gott Soll Allein Mein Herze Haben” 7:35
4 Sinfonia From Cantata BWV12 “Weinen, Klagen, Sorgen, Zagen” – Adagio Assai 2:44
5 Sinfonia From Cantata BWV49 “Ich Geh Und Suche Mit Verlangen” 6:29
6 Sinfonia From Cantata Bwv146 “Wir Müssen Durch Viel Trübsal” 7:44
7 Sinfonia From Cantata BWV35 “Geist Und Seele Wird Verwirret” – 1st Part 5:24
8 Sinfonia From Cantata BWV35 “Geist Und Seele Wird Verwirrent” – 2nd Part, Presto 3:25
9 Sinfonia From Cantata Bwv156 ““Ich Steh Mit Einem Fuß Im Grabe” – Adagio” 2:30
10 Sinfonia From Cantata BWV52 “Falsche Welt, Dir Trau Ich Nicht” 3:52
Encontrei três belas Cantatas neste vol. 31 da edição de Rilling das Cantatas Completas de Bach. São muitos CDs, mas sem maiores informações sobre solistas. A Hänssler fez uma edição popular da integral. Comprei-a, só depois vi que as informações são pra lá de parcas. Há duas Cantatas excepcionais neste CD, a 158 e a 42. A 67 vale pela originalidade. Eu sempre fico impressionado com Rilling, um grande maestro da época da “Música não historicamente informada”, porém com perfeito senso do estilo barroco. Por que fico impressionado? Porque sempre acho que ele morreu, mas ele está vivinho da silva. Hoje tem 93 anos e ainda está ATIVO. Que siga! (Pois é, ele faleceu no dia 11 de fevereiro). Ouçam a BWV 42 e a 158. São lindas!
J. S. Bach (1685-1750): Cantatas BWV 158, 67 e 42 (Rilling)
The Dialogue Between Bach and God: The Goldberg Variations, Yunchan Lim
Interlude – M. Buja
Yucham Lim, bem mais do que um pianista especialista em Rachmaninov
Há muitos discos bons sendo lançados quase que diariamente e mesmo discos ótimos, com qualidade técnica tanto dos artistas quanto das produções, numa onda enorme, a cada ano, cada mês. Nessa sequência de lançamentos, de vez em quando, surge um disco que além disso tudo nos oferece a oportunidade de ouvir uma grande obra ainda uma vez como se a primeira, nos revelando todo a sua beleza e encantamento. Foi o que me aconteceu ao ouvir este disco – Variações Goldberg, de Bach, com o pianista Yuncham Lim, gravadas ao vivo – que sortudos os presentes nestes concertos.
Eu havia selecionado duas gravações das tais variações para ouvir, esta e mais outra, que não vou citar nominalmente, ambas muito recentes. Gostei do libreto da outra, o arquivo desta oferecia apenas as faixas. Comecei com a outra, estranhei um pouco a lentidão da ária, mas alguns artistas querem fazer um contraste maior com a primeira e espiritada variação, sem contar com as tantas e tantas repetições. Insisti um pouco mais, mas acabei, pelo meio do caminho, decidindo mudar de disco, afinal não temos o dia todo para Goldbergues e a postagem requer um disco digno dos argutos e exigentes PQP Bachianos, frequentadores do blog.
Pois ao colocar o disco da postagem não senti qualquer coisa outra do que alegrias e prazeres. Sorrisos a cada dobra da partitura, o tempo passou a correr diferente, mais etéreo. Lá pela sétima variação (sei, sete é conta de mentiroso, mas você precisa tirar isso a limpo por si mesmo), com seus sons cristalinos, eu estava completamente fisgado. O disco é bom mesmo, é o que diz minha experiência de muitas ótimas gravações. Como posso afirmar isso tão peremptório? Pois ao terminar o disco, queria ouvir tudo de novo. Não deixe de ouvir!
In a new recording by Yunchan Lim, the youngest winner of the Van Cliburn International Piano Competition in 2022, The Goldberg Variations are set out in a beautiful array. Recorded in Carnegie Hall, on the Perelman Stage in the Stern Auditorium, the modern Goldberg is presented in its finest garb.
Aproveite!
René Denon
Yucham aguardando o pessoal do PQP Bach para a entrevista
Simone Dinnerstein chega romanticamente com um variado programa de obras (barrocas) de Bach e transcrições de Busoni (Ich ruf zu dir, Herr Jesu Christ), Kempff (Nun freut euch, lieben Christen gmein) e Myra Hess (Jesus bleibet meine Freude) tocada em um piano moderno que ressoa com toda uma gama de sons com um certo abuso de pedal que embaça e mistura as vozes. Nos Concertos Nº 1 e 5 para teclado (OK…) e orquestra é acompanhada pela Kammerorchester Staatskapelle Berlin de forma muito precisa com uma pulsação hipnótica e uma forte linha de baixo. Mas o melhor é provavelmente a Suíte Inglesa Nº 3 de onde emerge toda a estranha personalidade da pianista. O disco alterna momentos genuinamente inspirados se alternam com execuções, digamos, idiossincráticas. Dinnerstein é uma pianista séria, claro, mas ainda não chega a Perahia, Schiff e Hewitt. A apresentação do CD é linda, com pinturas a óleo da própria pianista e o som é esplêndido.
J. S. Bach (1685-1750): Bach: A Strange Beauty (Dinnerstein)
1 Ich Ruf Zu Dir, Herr Jesu Christ, BWV 639
Arranged By [Arr.] – Busoni*
3:40
Keyboard Concerto No. 5 In F Minor, BWV 1056
2 Allegro 3:17
3 Largo 2:56
4 Presto 2:48
5 Nun Freut Euch, Lieben Christen Gmein, BWV 734
Arranged By [Arr.] – Kempff*
2:26
English Suite No. 3 In G Minor, BWV 808
6 Prélude 2:53
7 Allemande 5:02
8 Courante 1:59
9 Sarabande 4:13
10 Gavotte I/II 2:50
11 Gigue 2:20
Keyboard Concerto No. 1 In D Minor, BWV 1052
12 Allegro 8:00
13 Adagio 7:16
14 Allegro 7:13
15 Jesus Bleibet Meine Freude (Jesu, Joy Of Man’s Desiring), BWV 147
Arranged By [Arr.] – Hess*
3:53
Composed By – Johann Sebastian Bach
Orchestra – Kammerorchester Staatskapelle Berlin*
Piano – Simone Dinnerstein
Fechamos a caixa 6 com duas obras-primas absolutas. Ambas curtas, o Salmo 51, BWV 1083 — uma declaração de amor à música italiana na forma da adaptação de uma obra de Vivaldi, não? — e o Oratório da Páscoa se inscrevem com tranquilidade dentre as maiores composições de Bach. Logo logo o Avicenna ou outro dirá quem são os intérpretes, mas posso lhes garantir com tranquilidade que são de primeira linha. Um dos julgamentos que considero fatais em Bach é a forma — translúcida ou não — com que os gajos interpretam a ária Sanfte soll mein Todeskummer, do Oratório da Páscoa. Essa versão satisfez inteiramente o alto Padrão de Qualidade exigido por PQP Bach. Te mete!
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Bach 2000 – Caixa 6, CD 13
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BWV1083 Psalm 51 01 Versus 1 “Tilge,Höchster,meine Sünden”
BWV1083 Psalm 51 02 Versus 2 “Ist mein Herz”
BWV1083 Psalm 51 03 Versus 3 “Missetaten,die mich drücken”
BWV1083 Psalm 51 04 Versus 4 “Dich erzürnt mein Tun und Lassen”
BWV1083 Psalm 51 05 Versus 5-6 “Wer wird seine Schuld verneinen”
BWV1083 Psalm 51 06 Versus 7 “Sieh,Ich bin in Sünd empfangen”
BWV1083 Psalm 51 07 Versus 8 “Sieh,du willst die Wahrheit haben”
BWV1083 Psalm 51 08 Versus 9 “Wasche mich doch rein von Sünden”
BWV1083 Psalm 51 09 Versus 10 “Laß mich Freud und Wonne spüren”
BWV1083 Psalm 51 10 Versus 11-15 “Schaue nicht auf meine Sünden”
BWV1083 Psalm 51 11 Versus 16 “Öffne Lippen,Mund und Seele”
BWV1083 Psalm 51 12 Versus 17-18 “Denn du willst kein Opfer haben”
BWV1083 Psalm 51 13 Versus 19-20 “Laß dein Zion blühend dauern”
BWV1083 Psalm 51 14 Amen
BWV0245A Himmel, Reisse, Wet, Erbebe
BWV0245B Zerschmettert mich, Ihr felsen und ihr Hügel
BWV0245C Ach windet euch nicht so, geplagte seelen
Essa caixa é imortal, sensacional e o escambau. Passei dias ouvindo; aliás, ainda a estou ouvindo. Bela escolha de solistas, gravações efetivamente muito boas. Não entendi esse negócio de misturar as Suítes Francesas com as Inglesas. Será que eles quiseram demonstrar a notável diferença de estilo entre elas? Nem imagino. O que sei é são gravações de primeira linha as que você irá baixar agora.
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Bach 2000 – Caixa 9, CD 1
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BWV0772 Two-Part Invention 1 in C major
BWV0773 Two-Part Invention 2 in C minor
BWV0774 Two-Part Invention 3 in D major
BWV0775 Two-Part Invention 4 in D minor
BWV0776 Two-Part Invention 5 in E-flat major
BWV0777 Two-Part Invention 6 in E major
BWV0778 Two-Part Invention 7 in E minor
BWV0779 Two-Part Invention 8 in F major
BWV0780 Two-Part Invention 9 in F minor
BWV0781 Two-Part Invention 10 in G major
BWV0782 Two-Part Invention 11 in G minor
BWV0783 Two-Part Invention 12 in A major
BWV0784 Two-Part Invention 13 in A minor
BWV0785 Two-Part Invention 14 in B-flat major
BWV0786 Two-Part Invention 15 in B minor
BWV0787 Three-Part Sinfonia 1 in C major
BWV0788 Three-Part Sinfonia 2 in C minor
BWV0789 Three-Part Sinfonia 3 in D major
BWV0790 Three-Part Sinfonia 4 in D minor
BWV0791 Three-Part Sinfonia 5 in E-flat major
BWV0792 Three-Part Sinfonia 6 in E major
BWV0793 Three-Part Sinfonia 7 in E minor
BWV0794 Three-Part Sinfonia 8 in F major
BWV0795 Three-Part Sinfonia 9 in F minor
BWV0796 Three-Part Sinfonia 10 in G major
BWV0797 Three-Part Sinfonia 11 in G minor
BWV0798 Three-Part Sinfonia 12 in A major
BWV0799 Three-Part Sinfonia 13 in A minor
BWV0800 Three-Part Sinfonia 14 in B-flat major
BWV0801 Three-Part Sinfonia 15 in B minor
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Bach 2000 – Caixa 9, CD 2
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BWV0806 English Suite 1 in A major 1 Prélude
BWV0806 English Suite 1 in A major 2 Allemande
BWV0806 English Suite 1 in A major 3 Courante I and II
BWV0806 English Suite 1 in A major 4 Sarabande
BWV0806 English Suite 1 in A major 5 Bourrée I and II
BWV0806 English Suite 1 in A major 6 Gigue
BWV0812 French Suite 1 in D minor 1 Allemande
BWV0812 French Suite 1 in D minor 2 Courante
BWV0812 French Suite 1 in D minor 3 Sarabande
BWV0812 French Suite 1 in D minor 4 Menuet I
BWV0812 French Suite 1 in D minor 5 Menuet II
BWV0812 French Suite 1 in D minor 6 Gigue
BWV0807 English Suite 2 in A minor 1 Prélude
BWV0807 English Suite 2 in A minor 2 Allemande
BWV0807 English Suite 2 in A minor 3 Courante
BWV0807 English Suite 2 in A minor 4 Sarabande
BWV0807 English Suite 2 in A minor 5 Bourrée I and II
BWV0807 English Suite 2 in A minor 6 Gigue
BWV0813 French Suite 2 in C minor 1 Allemande
BWV0813 French Suite 2 in C minor 2 Courante
BWV0813 French Suite 2 in C minor 3 Sarabande
BWV0813 French Suite 2 in C minor 4 Air
BWV0813 French Suite 2 in C minor 5 Gigue
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Bach 2000 – Caixa 9, CD 3
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BWV0808 English Suite 3 in G minor 1 Prélude
BWV0808 English Suite 3 in G minor 2 Allemande
BWV0808 English Suite 3 in G minor 3 Courante
BWV0808 English Suite 3 in G minor 4 Sarabande
BWV0808 English Suite 3 in G minor 5 Gavotte I and II
BWV0808 English Suite 3 in G minor 6 Gigue
BWV0814 French Suite 3 in B minor 1 Allemande
BWV0814 French Suite 3 in B minor 2 Courante
BWV0814 French Suite 3 in B minor 3 Sarabande
BWV0814 French Suite 3 in B minor 4 Gavotte (Anglaise)
BWV0814 French Suite 3 in B minor 5 Menuet and Trio
BWV0814 French Suite 3 in B minor 6 Gigue
BWV0809 English Suite 4 in F major 1 Prélude
BWV0809 English Suite 4 in F major 2 Allemande
BWV0809 English Suite 4 in F major 3 Courante
BWV0809 English Suite 4 in F major 4 Sarabande
BWV0809 English Suite 4 in F major 5 Menuet I and II
BWV0809 English Suite 4 in F major 6 Gigue
BWV0815 French Suite 4 in E-flat major 1 Allemande
BWV0815 French Suite 4 in E-flat major 2 Courante
BWV0815 French Suite 4 in E-flat major 3 Sarabande
BWV0815 French Suite 4 in E-flat major 4 Gavotte
BWV0815 French Suite 4 in E-flat major 5 Air
BWV0815 French Suite 4 in E-flat major 6 Gigue
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Bach 2000 – Caixa 9, CD 4
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BWV0810 English Suite 5 in E minor 1 Prélude
BWV0810 English Suite 5 in E minor 2 Allemande
BWV0810 English Suite 5 in E minor 3 Courante
BWV0810 English Suite 5 in E minor 4 Sarabande
BWV0810 English Suite 5 in E minor 5 Passepied I en Rondeau and II
BWV0810 English Suite 5 in E minor 6 Gigue
BWV0816 French Suite 5 in G major 1 Allemande
BWV0816 French Suite 5 in G major 2 Courante
BWV0816 French Suite 5 in G major 3 Sarabande
BWV0816 French Suite 5 in G major 4 Gavotte
BWV0816 French Suite 5 in G major 5 Bourrée
BWV0816 French Suite 5 in G major 6 Loure
BWV0816 French Suite 5 in G major 7 Gigue
BWV0811 English Suite 6 in D minor 1 Prélude
BWV0811 English Suite 6 in D minor 2 Allemande
BWV0811 English Suite 6 in D minor 3 Courante
BWV0811 English Suite 6 in D minor 4 Sarabande
BWV0811 English Suite 6 in D minor 5 Gavotte I and II
BWV0811 English Suite 6 in D minor 6 Gigue
BWV0817 French Suite 6 in E major 1 Allemande
BWV0817 French Suite 6 in E major 2 Courante
BWV0817 French Suite 6 in E major 3 Sarabande
BWV0817 French Suite 6 in E major 4 Gavotte
BWV0817 French Suite 6 in E major 5 Polonaise
BWV0817 French Suite 6 in E major 6 Menuet
BWV0817 French Suite 6 in E major 7 Bourrée
BWV0817 French Suite 6 in E major 8 Gigue
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Bach 2000 – Caixa 9, CD 5
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BWV0819 Suite in E-flat major 1 Allemande
BWV0819 Suite in E-flat major 2 Courante
BWV0819 Suite in E-flat major 3 Sarabande
BWV0819 Suite in E-flat major 4 Bourrée
BWV0819 Suite in E-flat major 5 Menuet I and II
BWV0819a Allemande in E-flat major (alternative for the Allemande in Suite
BWV0821 Suite in B-flat Major 1 Praeludium
BWV0821 Suite in B-flat Major 2 Allemande
BWV0821 Suite in B-flat Major 3 Courante
BWV0821 Suite in B-flat Major 4 Sarabande
BWV0821 Suite in B-flat Major 5 Echo
BWV0841 Minuet in G major from Clavier-Büchlein für Wilhelm Friedemann Bach
BWV0842 Minuet in G minor from Clavier-Büchlein für Wilhelm Friedemann Bach
BWV0843 Minuet in G major from Clavier-Büchlein für Wilhelm Friedemann Bach
BWV0814a Trio in B Minor
BWV0844 Scherzo in D minor
BWV0818a Suite in A minor 1 Fort gai
BWV0818a Suite in A minor 2 Allemande
BWV0818a Suite in A minor 3 Courante
BWV0818a Suite in A minor 4 Sarabande
BWV0818a Suite in A minor 5 Menuett
BWV0818a Suite in A minor 6 Gigue
BWV0818 Suite movement 1 Sarabande simple (alternative for the Suite BWV 818a)
BWV0818 Suite movement 2 Sarabande double (alternative for the Suite BWV 818a)
Com este grupo de CDs, fechamos a totalidade das composições para órgão de Bach. Esta parte da obra de papai é muito pouco ouvida, mas guarda notáveis tesouros — e isso não é apenas uma frase. Os maiores deste grupo são os concertos finais lá nos CDs 15 e 16 — transcrições de concertos alheios para diversos instrumentos — , o BWV 768, que abre o CD 11, os Prelúdios e Fugas do CD 15 e várias peças extraordinariamente experimentais perdidas aqui e ali. Divirtam-se.
Ah, importante: a relação de obras está absolutamente correta e conferida. Putz, passei o maior trabalho. Por incrível que pareça, não sei quem é(são) o(s) organista(s). Espero pelo auxílio de vocês, ouvintes-leitores do PQP Bach.
J. S. Bach (1685-1750): Bach 2000 – Caixa 8, CDs 11, 12, 13, 14, 15 e 16
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Bach 2000 – Caixa 8, CD 11
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BWV0768 Partite diverse sopra il Corale “Sei gegrüßet,Jesu gütig” 01 Chorale
BWV0768 Partite diverse sopra il Corale “Sei gegrüßet,Jesu gütig” 02 Variatio 1
BWV0768 Partite diverse sopra il Corale “Sei gegrüßet,Jesu gütig” 03 Variatio 2
BWV0768 Partite diverse sopra il Corale “Sei gegrüßet,Jesu gütig” 04 Variatio 3
BWV0768 Partite diverse sopra il Corale “Sei gegrüßet,Jesu gütig” 05 Variatio 4
BWV0768 Partite diverse sopra il Corale “Sei gegrüßet,Jesu gütig” 06 Variatio 5
BWV0768 Partite diverse sopra il Corale “Sei gegrüßet,Jesu gütig” 07 Variatio 6
BWV0768 Partite diverse sopra il Corale “Sei gegrüßet,Jesu gütig” 08 Variatio 7
BWV0768 Partite diverse sopra il Corale “Sei gegrüßet,Jesu gütig” 09 Variatio 8
BWV0768 Partite diverse sopra il Corale “Sei gegrüßet,Jesu gütig” 10 Variatio 9
BWV0768 Partite diverse sopra il Corale “Sei gegrüßet,Jesu gütig” 11 Variatio 10
BWV0768 Partite diverse sopra il Corale “Sei gegrüßet,Jesu gütig” 12 Variatio 11
BWV0770 Partite diverse sopra il Corale “Ach,was soll ich Sünder machen” Partita 01
BWV0770 Partite diverse sopra il Corale “Ach,was soll ich Sünder machen” Partita 02
BWV0770 Partite diverse sopra il Corale “Ach,was soll ich Sünder machen” Partita 03
BWV0770 Partite diverse sopra il Corale “Ach,was soll ich Sünder machen” Partita 04
BWV0770 Partite diverse sopra il Corale “Ach,was soll ich Sünder machen” Partita 05
BWV0770 Partite diverse sopra il Corale “Ach,was soll ich Sünder machen” Partita 06
BWV0770 Partite diverse sopra il Corale “Ach,was soll ich Sünder machen” Partita 07
BWV0770 Partite diverse sopra il Corale “Ach,was soll ich Sünder machen” Partita 08
BWV0770 Partite diverse sopra il Corale “Ach,was soll ich Sünder machen” Partita 09
BWV0770 Partite diverse sopra il Corale “Ach,was soll ich Sünder machen” Partita 10
BWV0763 Chorale Arrangement “Wie schön leuchtet der Morgenstern”
BWVanhII074 Chorale Partita “Schmücke dich,o liebe Seele”
BWV0766 Partite diverse sopra il Corale “Christ,der du bist der helle Tag” Partita 1
BWV0766 Partite diverse sopra il Corale “Christ,der du bist der helle Tag” Partita 2
BWV0766 Partite diverse sopra il Corale “Christ,der du bist der helle Tag” Partita 3
BWV0766 Partite diverse sopra il Corale “Christ,der du bist der helle Tag” Partita 4
BWV0766 Partite diverse sopra il Corale “Christ,der du bist der helle Tag” Partita 5
BWV0766 Partite diverse sopra il Corale “Christ,der du bist der helle Tag” Partita 6
BWV0766 Partite diverse sopra il Corale “Christ,der du bist der helle Tag” Partita 7
BWV0706 Kirnberger Chorale “Liebster Jesu,wir sind hier”
BWV0691 excerpt from Notenbüchlein for Anna Magdalena Bach (1725) “Wer nur den lieben Gott läßt walten”
BWV0690 Kirnberger Chorale “Wer nur den lieben Gott läßt walten”
BWV0705 Kirnberger Chorale “Durch Adams Fall ist ganz verderbt”
BWV0767 Partite diverse sopra il Corale “O Gott,du frommer Gott” Partita 1
BWV0767 Partite diverse sopra il Corale “O Gott,du frommer Gott” Partita 2
BWV0767 Partite diverse sopra il Corale “O Gott,du frommer Gott” Partita 3
BWV0767 Partite diverse sopra il Corale “O Gott,du frommer Gott” Partita 4
BWV0767 Partite diverse sopra il Corale “O Gott,du frommer Gott” Partita 5
BWV0767 Partite diverse sopra il Corale “O Gott,du frommer Gott” Partita 6
BWV0767 Partite diverse sopra il Corale “O Gott,du frommer Gott” Partita 7
BWV0767 Partite diverse sopra il Corale “O Gott,du frommer Gott” Partita 8
BWV0767 Partite diverse sopra il Corale “O Gott,du frommer Gott” Partita 9
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Bach 2000 – Caixa 8, CD 13
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BWV0737 Chorale Arrangement “Vater unser im Himmelreich”
BWV0719 Chorale Arrangement “Der Tag,der ist so freudenreich”
BWV1090 Neumeister Chorale “Wir Christenleut”
BWV1091 Neumeister Chorale “Das alte Jahr vergangen ist”
BWV1092 Neumeister Chorale “Herr Gott,nun schleuß den Himmel auf”
BWV1093 Neumeister Chorale “Herzliebster Jesu,was hast du verbrochen”
BWV1094 Neumeister Chorale “O Jesu,wie ist dein Gestalt”
BWV1095 Neumeister Chorale “O Lamm Gottes unschuldig”
BWV1096 Neumeister Chorale “Christe,der du bist Tag und Licht-Wir danken dir,Herr Jesu Christ”
BWV1097 Neumeister Chorale “Ehre sei dir,Christe,der du leidest Not”
BWV1098 Neumeister Chorale “Wir glauben all an einen Gott”
BWV1099 Neumeister Chorale “Aus tiefer Not schrei ich zu dir”
BWV1100 Neumeister Chorale “Allein zu dir,Herr Jesu Christ”
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Bach 2000 – Caixa 8, CD 15
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BWV0548 Praeludium et Fuga in E minor 1 Praeludium
BWV0548 Praeludium et Fuga in E minor 2 Fuga
BWV0561 Fantasia et Fuga in A minor 1 Fantasia
BWV0561 Fantasia et Fuga in A minor 2 Fuga
BWV0553 Praeludium et Fuga in C major
BWV0554 Praeludium et Fuga in D minor
BWV0555 Praeludium et Fuga in E minor
BWV0556 Praeludium et Fuga in F major
BWV0557 Praeludium et Fuga in G major
BWV0558 Praeludium et Fuga in G minor
BWV0559 Praeludium et Fuga in A minor
BWV0560 Praeludium et Fuga in B-flat major
BWV0571 Fantasia in G major 1 Allegro
BWV0571 Fantasia in G major 2 Adagio
BWV0571 Fantasia in G major 3 Allegro
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Bach 2000 – Caixa 8, CD 16
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BWV0592 Concerto in G major 1 Allegro
BWV0592 Concerto in G major 2 Grave
BWV0592 Concerto in G major 3 Presto
BWV0563 Fantasia et Imitatio in B minor
BWV0551 Praeludium con Fuga in A minor 1 Praeludium
BWV0551 Praeludium con Fuga in A minor 2 Fuga
BWV0595 Concerto in C major
BWV0574 Fuga in C minor
BWV0576 Fuga in G major
BWV0596 Concerto in D minor 1 Andante – Grave
BWV0596 Concerto in D minor 2 Fuga
BWV0596 Concerto in D minor 3 Largo e spiccato
BWV0596 Concerto in D minor 4 Finale
BWV0579 Fuga in B minor
BWV0536 Praeludium et Fuga in A major 1 Praeludium
BWV0536 Praeludium et Fuga in A major 2 Fuga
BWV1121 Fantasia in C minor
BWV0597 Concerto in E-flat major 1 Andante
BWV0597 Concerto in E-flat major 2 Gigue
BWV0593 Concerto in A minor 1 Allegro moderato
BWV0593 Concerto in A minor 2 Adagio
BWV0593 Concerto in A minor 3 Allegro
Por algum motivo até agora inexplicável, os Motetos de papai ainda não foram postados. Não sei o porque, talvez mano PQP esteja guardando algum trunfo na manga, mas resolvi atender a alguns pedidos insistentes, feitos no correr dos últimos meses, aproveitando uma pequena folga que terei nesta semana. Obras corais extremamente complexas, inexplicavelmente pouco gravadas (talvez mesmo pela sua dificuldade de interpretação), estes motetos são verdadeiras obras primas de papai. Introspectivas, meditativas, elas exigem do ouvinte concentração absoluta, de preferência sem barulhos externos que atrapalhem suas peculiaridades. Herreweghe, bem, Herreweghe é um dos maiores regentes da obra de papai. Até agora não li nenhum comentário negativo de suas gravações. A Chapelle Royale e o Collegium Vocale Gent são seus eternos companheiros, e graças a eles e seus solistas, temos tido acesso a interpretações magníficas, não apenas das obras de papai, mas também de diversos outros compositores barrocos.
Johann Sebastian Bach (1685-1750): Motetos, BWVs 225-230 (Herreweghe)
01 – BWV 226 Der Geist hilft unsrer Schwachheit auf
02 – BWV 228 Fürchte dich nicht
03 – BWV 227 Jesu meine Freude
04 – BWV 229 Komm, Jesu, Komm
05 – BWV 230 Lobet den Herrn, alle Heiden
06 – BWV 225 Singet dem Herrn ein neues Lied
La Chappele Royalle
Collegium Vocale, Gent
Phillipe Herreweghe – Condutor
Antes de qualquer coisa: aquitemos uma gravação de inacreditável qualidade dos Brandenburgo. E aqui, a gravação que eu mais gosto. Aliás, amo também o registro constante no post que você está lendo.
Não há como contestar a notável qualificação técnica do Il Giardino Armonico, mas seus tempi mais rápidos que o habitual e a utilização um pouco arbitrária de dinâmicas (piano, forte, fortissimo, etc.) talvez assuste alguns ouvidos mais cheios de pudores. Não é meu caso. Gosto de surpresas e não tenho uma relação reverente com a música. Não posso ser reverente com algo que me é tão íntimo e me faz tão feliz. Posso admirar minha mulher, mas, digamos, deveria reverenciá-la? Ora, se a arte não puder ser lúdica e alegre, o que pode? É claro que não gostaria de ouvir o Réquiem Alemão em versão heavy metal, mas uma acelerada aqui, uma freada ali, mesmo brusca, qual é o problema? A música é uma coisa viva, não? O mundo não gira apenas pela sensibilidade e senso de estilo, mas também pelo inusitado. Afinal, são os pequenos e suaves abusos que nos fazem felizes…
É uma gravação rápida, às vezes furiosa, e eu duvido que você a rejeite por inteiro, mesmo que seja um futuro ou atual membro da TFP.
As leituras de Giovanni Antonini merecem ser respeitadas e seu Giardino nem se fala. O pessoal que bate papo amigavelmente na capa do CD toca demais. O andamento vivíssimo do terceiro concerto, o destaque dado ao trompete no segundo e às trompas no primeiro, o último movimento do quarto concerto e todo o sexto — com o ingresso de um alaúde no baixo contínuo, o que acentua o timbre grave de um concerto sabidamente sem violinos –, são realizações e serem consideradas..
A gravação do Giardino já foi taxada de sinful, de ser rock n´roll e outros absurdos. Por quê? Os modelos têm de ser fixos, a seriedade absoluta tem de ser nosso algoz até na música? Ora, vá, vá!
J. S. Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo (Il Giardino Armonico, Giovanni Antonini)
Disc: 1
1. Brandenburg Concertos: Concerto No. I In F Major: Allegro
2. Brandenburg Concertos: Concerto No. I In F Major: Adagio
3. Brandenburg Concertos: Concerto No. I In F Major: Allegro
4. Brandenburg Concertos: Concerto No. I In F Major: Menuetto
5. Brandenburg Concertos: Concerto No. II In F Major: Allegro
6. Brandenburg Concertos: Concerto No. II In F Major: Andante
7. Brandenburg Concertos: Concerto No. II In F Major: Allegro Assai
8. Brandenburg Concertos: Concerto No. III In G Major: Allegro
9. Brandenburg Concertos: Concerto No. III In G Major: Adagio
10. Brandenburg Concertos: Concerto No. III In G Major: Allegro
Disc: 2
1. Brandenburg Concertos: Concerto No. IV In G Major: Allegro
2. Brandenburg Concertos: Concerto No. IV In G Major: Adante
3. Brandenburg Concertos: Concerto No. IV In G Major: Presto
4. Brandenburg Concertos: Concerto No. V In D Major: Allegro
5. Brandenburg Concertos: Concerto No. V In D Major: Affettuoso
6. Brandenburg Concertos: Concerto No. V In D Major: Allegro
7. Brandenburg Concertos: Concerto No. VI In B Major: Allegro
8. Brandenburg Concertos: Concerto No. VI In B Major: Adagio ma non tanto
9. Brandenburg Concertos: Concerto No. VI In B Major: Allegro
Johann Sebastian Bach (Eisenach, 21 de março de 1685 — Leipzig, 28 de julho de 1750).
Eu já tinha postado os quatro primeiros CDs desta fantástica coleção, mas agora ela está completa. O Café Zimmermann, liderado pelo violinista argentino Pablo Valetti e que tem sua base na França, é um dos melhores grupos da nova geração de conjuntos barrocos a oferecer interpretações rarefeitas e enérgicas em instrumentos históricos. O nome do grupo refere-se a um café de Leipzig, onde o grupo de Bach, o Collegium Musicum, apresentava-se no século XVIII. A Cantata do Café é uma homenagem ao Zimmermann. Há indícios de quem nem Bach teria sido tão econômico em número de músicos quanto o pequeno efetivo de Valetti. Meu pai teria solicitado uma orquestra de 24 instrumentistas ao Conselho de Leipzig para executar a Suíte Nº 3, por exemplo. Mas, OK, esqueçam. O alto nível de musicalidade e a leitura franca e arejada de Valetti compensam de longe.
Maravilhosa orquestra
Nos CDs abaixo estão todos os Brandemburgo, todas as Suítes orquestrais e mais alguns concertos. Neste momento, não consigo pensar em nada melhor.
O Café Zimmermann recebeu o Diapason d’Or por esta integral dos “Concerts avec plusieurs instruments de Jean-Sébastien Bach vol I-VI “.
J. S. Bach (1685-1750): Concertos e Obras Orquestrais com o Café Zimmermann — 6 CDs miraculosos, irresistíveis e indispensáveis
Disc 1:
1. Concerto pour clavecin en Ré Mineur, BWV 1052: I. Allegro 7:26
2. Concerto pour clavecin en Ré Mineur, BWV 1052: II. Adagio 6:13
3. Concerto pour clavecin en Ré Mineur, BWV 1052: III. Allegro 7:28
4. Concerto pour hautbois d’amour en La Majeur, BWV 1055: I. Allegro 4:13
5. Concerto pour hautbois d’amour en La Majeur, BWV 1055: II. Larghetto 4:28
6. Concerto pour hautbois d’amour en La Majeur, BWV 1055: III. Allegro ma non tanto 4:01
7. Concerto pour violon en Mi Majeur, BWV 1042: I. Allegro 7:20
8. Concerto pour violon en Mi Majeur, BWV 1042: II. Adagio 5:29
9. Concerto pour violon en Mi Majeur, BWV 1042: III. Allegro Assai 2:41
10. Concert Brandebourgeois No. 5 en Ré Majeur, BWV 1050: I. Allegro 9:42
11. Concert Brandebourgeois No. 5 en Ré Majeur, BWV 1050: II. Affettuoso 5:01
12. Concert Brandebourgeois No. 5 en Ré Majeur, BWV 1050: III. Allegro 5:14
Disc 2:
1. Concert Brandebourgeois No. 3 en Sol Majeur, BWV 1048: I. Allegro – Adagio 5:18
2. Concert Brandebourgeois No. 3 en Sol Majeur, BWV 1048: II. Allegro 4:18
3. Concerto pour deux violons & cordes en Ré Mineur, BWV 1043: I. Vivace 3:25
4. Concerto pour deux violons & cordes en Ré Mineur, BWV 1043: II. Largo ma non tanto 5:57
5. Concerto pour deux violons & cordes en Ré Mineur, BWV 1043: III. Allegro 4:10
6. Suite en Ut Majeur, BWV 1066: I. Ouverture 9:02
7. Suite en Ut Majeur, BWV 1066: II. Courante 2:04
8. Suite en Ut Majeur, BWV 1066: III. Gavottes I & II 2:38
9. Suite en Ut Majeur, BWV 1066: IV. Forlane 1:07
10. Suite en Ut Majeur, BWV 1066: V. Menuets I & II 2:53
11. Suite en Ut Majeur, BWV 1066: VI. Bourrées I & II 2:21
12. Suite en Ut Majeur, BWV 1066: VII. Passepieds I & II 3:09
13. Concerto pour hautbois & violon en Ut Mineur, BWV 1060: I. Allegro 4:18
14. Concerto pour hautbois & violon en Ut Mineur, BWV 1060: II. Adagio 4:32
15. Concerto pour hautbois & violon en Ut Mineur, BWV 1060: III. Allegro 3:08
Disc 3:
1. Concert Brandebourgeois No. 4 en Sol Majeur, BWV 1049: I. Allegro 6:09
2. Concert Brandebourgeois No. 4 en Sol Majeur, BWV 1049: II. Andante 3:50
3. Concert Brandebourgeois No. 4 en Sol Majeur, BWV 1049: III. Presto 4:21
4. Concerto pour hautbois d’amour en Ré Majeur, transcription du concerto pour clavecin en Mi Majeur, BWV 1053: I. 7:05
5. Concerto pour hautbois d’amour en Ré Majeur, transcription du concerto pour clavecin en Mi Majeur, BWV 1053: II. Siciliano 4:46
6. Concerto pour hautbois d’amour en Ré Majeur, transcription du concerto pour clavecin en Mi Majeur, BWV 1053: III. Allegro 6:06
7. Concerto pour trois clavecins en Do Majeur, BWV 1064: I. 5:40
8. Concerto pour trois clavecins en Do Majeur, BWV 1064: II. Adagio 5:17
9. Concerto pour trois clavecins en Do Majeur, BWV 1064: III. Allegro 4:28
10. Suite en Si Mineur, BWV 1067: I. Ouverture 10:05
11. Suite en Si Mineur, BWV 1067: II. Rondeau 1:28
12. Suite en Si Mineur, BWV 1067: III. Sarabande 3:15
13. Suite en Si Mineur, BWV 1067: IV. Bourrée I & II 2:04
14. Suite en Si Mineur, BWV 1067: V. Polonaise & Double 3:44
15. Suite en Si Mineur, BWV 1067: VI. Menuet 0:54
16. Suite en Si Mineur, BWV 1067: VII. Badinerie 1:23
Disc 4:
1. Concerto pour violon en La Mineur, BWV 1041: I. 3:29
2. Concerto pour violon en La Mineur, BWV 1041: II. Andante 6:45
3. Concerto pour violon en La Mineur, BWV 1041: III. Allegro assai 3:31
4. Concerto pour 2 clavecins en Ut Majeur, BWV 1061: I. 6:46
5. Concerto pour 2 clavecins en Ut Majeur, BWV 1061: II. Adagio 4:43
6. Concerto pour 2 clavecins en Ut Majeur, BWV 1061: III. Vivace 5:25
7. Concerto pour flûte, violon & clavecin en La Mineur, BWV 1044: I. Allegro 7:56
8. Concerto pour flûte, violon & clavecin en La Mineur, BWV 1044: II. Adagio ma non tanto e dolce 4:55
9. Concerto pour flûte, violon & clavecin en La Mineur, BWV 1044: III. Tempo di Allabreve 6:14
10. Concert Brandebourgeois No. 2 en Fa Majeur, BWV 1047: I. 4:51
11. Concert Brandebourgeois No. 2 en Fa Majeur, BWV 1047: II. Andante 3:36
12. Concert Brandebourgeois No. 2 en Fa Majeur, BWV 1047: III. Allegro assai 2:49
Disc 5:
1. Ouverture No. 3 en Ré Majeur, BWV 1068: I. Ouverture 9:33
2. Ouverture No. 3 en Ré Majeur, BWV 1068: II. Air 3:32
3. Ouverture No. 3 en Ré Majeur, BWV 1068: III. Gavottes I et II 3:54
4. Ouverture No. 3 en Ré Majeur, BWV 1068: IV. Bourrée 1:06
5. Ouverture No. 3 en Ré Majeur, BWV 1068: V. Gigue 2:38
6. Concerto pour clavecin en Fa Mineur, BWV 1056: I. Allegro 3:06
7. Concerto pour clavecin en Fa Mineur, BWV 1056: II. Adagio 2:43
8. Concerto pour clavecin en Fa Mineur, BWV 1056: III. Presto 3:17
9. Concerto Brandebourgeois No. 6 en Si Bémol Majeur, BWV 1051: I. 5:27
10. Concerto Brandebourgeois No. 6 en Si Bémol Majeur, BWV 1051: II. Adagio ma non tanto 4:38
11. Concerto Brandebourgeois No. 6 en Si Bémol Majeur, BWV 1051: III. Allegro 5:45
12. Concerto pour trois clavecins en Ré Mineur, BWV 1063: I. 4:36
13. Concerto pour trois clavecins en Ré Mineur, BWV 1063: II. Alla siciliana 3:39
14. Concerto pour trois clavecins en Ré Mineur, BWV 1063: III. Allegro 4:29
Disc 6:
1. Ouverture No. 4 en Ré Majeur, BWV 1069: I. Ouverture 11:11
2. Ouverture No. 4 en Ré Majeur, BWV 1069: II. Bourrées I & II 2:55
3. Ouverture No. 4 en Ré Majeur, BWV 1069: III. Gavotte 1:45
4. Ouverture No. 4 en Ré Majeur, BWV 1069: IV. Menuets I & II 3:20
5. Ouverture No. 4 en Ré Majeur, BWV 1069: V. Réjouissance 2:36
6. Concerto pour clavecin en La Majeur, BWV 1055: I. Allegro 4:02
7. Concerto pour clavecin en La Majeur, BWV 1055: II. Larghetto 3:48
8. Concerto pour clavecin en La Majeur, BWV 1055: III. Allegro ma non tanto 3:48
9. Concert Brandebourgeois No. 1 en Fa Majeur, BWV 1046: I. 3:52
10. Concert Brandebourgeois No. 1 en Fa Majeur, BWV 1046: II. Adagio 3:34
11. Concert Brandebourgeois No. 1 en Fa Majeur, BWV 1046: III. Allegro 4:02
12. Concert Brandebourgeois No. 1 en Fa Majeur, BWV 1046: IV. Menuet & Polonaise 5:47
13. Concerto pour quatre clavecins en Ré Mineur, BWV 1065: I. Allegro 3:25
14. Concerto pour quatre clavecins en Ré Mineur, BWV 1065: II. Adagio 2:08
15. Concerto pour quatre clavecins en Ré Mineur, BWV 1065: III. Allegro 3:07
Vou-lhes contar uma coisa: na minha opinião, esta é a melhor versão dos Concertos de Brandenburgo que já ouvi. Mas tenho de lhes contar outra coisa: este foi, em 1973 0u 74, o primeiro disco de música erudita que comprei. Tinha 16 ou 17 anos. É claro que os fatos devem estar ligados. Quando comprei aquele belíssimo álbum duplo importado de uma tal Deutsche Harmonia Mundi que me custara os olhos da cara, jamais imaginaria que ele me acompanharia por tanto tempo. E é realmente uma gravação extraordinária. Liderado pelo violinista Franzjosef Maier e tendo a seu serviço o cravista Gustav Leonhardt, o Collegium Aureum e a Harmonia Mundi alemã me mostravam um mundo de sonoridade diferente daquela que meu pai (ou padrasto, sei lá, pois não sou filho de Bach?) ouvia em casa. O segredo estava escrito na capa em letras amarelas: auf Originalinstrumenten, com instrumentos originais. Ainda hoje ouço esta gravação e a tenho como a melhor. Já a submeti a vários músicos, que ficaram entre a surpresa e o encanto. Se estou no mesmo caso da propaganda do primeiro sutiã? (A primeira vez a gente nunca esquece…) Talvez, mas ouçam antes. O registro é de 1969.
Uma curiosidade: Franzjosef Maier foi professor e o principal mentor de Reinhard Goebel, o fundador e líder do Musica Antiqua de Köln.
Recomendo fortemente!!! Para ouvir e comprar!!!
J. S. Bach (1685-1750): Os Concertos de Brandenburgo (Collegium Aureum)
CD1:
1. Brandenburg Concertos: Concerto No. I In F Major: Allegro
2. Brandenburg Concertos: Concerto No. I In F Major: Adagio
3. Brandenburg Concertos: Concerto No. I In F Major: Allegro
4. Brandenburg Concertos: Concerto No. I In F Major: Menuetto
5. Brandenburg Concertos: Concerto No. II In F Major: Allegro
6. Brandenburg Concertos: Concerto No. II In F Major: Andante
7. Brandenburg Concertos: Concerto No. II In F Major: Allegro Assai
8. Brandenburg Concertos: Concerto No. III In G Major: Allegro
9. Brandenburg Concertos: Concerto No. III In G Major: Adagio
10. Brandenburg Concertos: Concerto No. III In G Major: Allegro
11. Brandenburg Concertos: Concerto No. IV In G Major: Allegro
12. Brandenburg Concertos: Concerto No. IV In G Major: Andante
13. Brandenburg Concertos: Concerto No. IV In G Major: Presto
14. Brandenburg Concertos: Concerto No. V In D Major: Allegro
15. Brandenburg Concertos: Concerto No. V In D Major: Affettuoso
16. Brandenburg Concertos: Concerto No. V In D Major: Allegro
17. Brandenburg Concertos: Concerto No. VI In B Major: Allegro
18. Brandenburg Concertos: Concerto No. VI In B Major: Adagio ma non tanto
19. Brandenburg Concertos: Concerto No. VI In B Major: Allegro
Collegium Aureum
Franzjosef Maier (Violino e regência)
Gustav Leonhardt (Solista no Concerto Nº 5 e baixo contínuo nos outros)
As Sonatas para Viola da Gamba e Cravo (BWV 1027-1029), de Johann Sebastian Bach, são três obras-primas do repertório barroco de câmara, compostas provavelmente durante o período em Leipzig (por volta de 1740). Elas representam um diálogo refinado entre dois instrumentos, onde a viola da gamba e o cravo (com a mão esquerda atuando como baixo contínuo e a direita como parceira melódica, palavra de leigo) têm papéis de igual importância. A viola da gamba foi popular nos séculos XVI-XVIII, especialmente na França e na Alemanha. Tem um som mais suave e nasal que o violoncelo, e era associado à aristocracia e à música intimista. Bach escreveu para a gamba em algumas de suas obras (como as Paixões), mas essas sonatas estão entre suas poucas peças que a colocam como solista. Elas surgem num momento de transição, quando o violoncelo começava a substituir (e eliminar) a gamba. O cravo aqui é obbligato, ou seja, é diferente do baixo contínuo simples, muitas vezes improvisado — aqui a parte do cravo é totalmente escrita e essencial para o contraponto, funcionando como um verdadeiro dueto. Tão pensando o quê? PQP é curtura! Ah, a transcrição da Suíte Nº 5 para violoncelo solo é para se ouvir de joelhos. Obrigado, Pandolfo. Aliás, Paolo Pandolfo não é apenas um excelente intérprete da viola da gamba – ele é uma das figuras mais influentes na revitalização moderna do instrumento. Sua abordagem vai muito além da “recriação histórica”: é uma reinvenção cantante, poética e filosófica do som e do papel da gamba.
Johann Sebastian Bach (1685-1750): Sonatas para Viola da Gamba e Cravo (Pandolfo, Alessandrini)
Sonate BWV 1027
en Sol majeur / G major / G-dur
· Adagio (4’34)
· Allegro non tanto (3’36)
· Andante (2’37)
· Allegro moderato (2’56)
Sonate BWV 1028
en Ré majeur / D major / D-dur
· [Adagio] (1’59)
· [Allegro] (3’31)
· Andante (4’32)
· Allegro (3’53)
Sonate BWV 1029
en sol mineur / G minor / g-moll
· Vivace (5’21)
· Adagio (6’24)
· Allegro (3’38)
Suite pour viole de gambe seule
en ré mineur / D minor / d-moll
(transcription de la Suite pour violoncelle n°5 BWV 1011 et de la Suite pour luth BWV 995)
· Prélude (6’09)
· Allemande (6’00)
· Courante (2’24)
· Sarabande (3’48)
· Gavottes I & II (4’11)
· Gigue (2’27)
Paolo Pandolfo, viola da gamba
Rinaldo Alessandrini, cravo
Dizem claramente meus ouvidos que esta talvez seja a melhor das gravações das célebres suítes. No mínimo, o extraordinário trabalho de Queyras fica no mesmo nível de outras grandes gravações. E, por favor, não me falem em Rostropovich e Yo-Yo Ma. É óbvio que são notáveis violoncelistas, mas em outro gênero de repertório. Falta-lhes o senso de estilo que sobra ao francês Queyras. Ouço a custo os Concertos para Violoncelo de Shosta por outro que não seja Rostrô. Mas ele ou Ma com Bach não dá. Bem, nesta espetacular gravação da Harmonia Mundi, Queyras mostra o que se deve acentuar, onde se deve acelerar, o momento de desacelerar, quando brecar, etc. E tudo com o som do caraglio, limpinho, limpinho, de seu cello feito em 1696 por Goffredo Cappa. E, ah, aquela gravação fantástica dos concertos de Haydn com a Freiburger Barockorchester é com ele também… Tá explicado.
IM-PER-DÍ-VEL !!!!
J. S. Bach (1685-1750): As Suítes para Violoncelo (Jean-Guihen Queyras)
CD 1
1. Suite No. 1 in G major, BWV 1007: 1. Prélude
2. Suite No. 1 in G major, BWV 1007: 2. Allemande
3. Suite No. 1 in G major, BWV 1007: 3. Courante
4. Suite No. 1 in G major, BWV 1007: 4. Sarabande
5. Suite No. 1 in G major, BWV 1007: 5. Menuets 1 & 2
6. Suite No. 1 in G major, BWV 1007: 6. Gigue
7. Suite No. 2 in D minor, BWV 1008: 1. Prélude
8. Suite No. 2 in D minor, BWV 1008: 2. Allemande
9. Suite No. 2 in D minor, BWV 1008: 3. Courante
10. Suite No. 2 in D minor, BWV 1008: 4. Sarabande
11. Suite No. 2 in D minor, BWV 1008: 5. Menuets 1 & 2
12. Suite No. 2 in D minor, BWV 1008: 6. Gigue
13. Suite No. 3 in C major, BWV 1009: 1. Prélude
14. Suite No. 3 in C major, BWV 1009: 2. Allemande
15. Suite No. 3 in C major, BWV 1009: 3. Courante
16. Suite No. 3 in C major, BWV 1009: 4. Sarabande
17. Suite No. 3 in C major, BWV 1009: 5. Bourrées 1 & 2
18. Suite No. 3 in C major, BWV 1009: 6. Gigue
CD 2
1. Suite No. 4 in E flat major, BWV 1010: 1. Prélude
2. Suite No. 4 in E flat major, BWV 1010: 2. Allemande
3. Suite No. 4 in E flat major, BWV 1010: 3. Courante
4. Suite No. 4 in E flat major, BWV 1010: 4. Sarabande
5. Suite No. 4 in E flat major, BWV 1010: 5. Bourrées 1 & 2
6. Suite No. 4 in E flat major, BWV 1010: 6. Gigue
7. Suite No. 5 in C minor, BWV 1011: 1. Prélude
8. Suite No. 5 in C minor, BWV 1011: 2. Allemande
9. Suite No. 5 in C minor, BWV 1011: 3. Courante
10. Suite No. 5 in C minor, BWV 1011: 4. Sarabande
11. Suite No. 5 in C minor, BWV 1011: 5. Gavottes 1 & 2
12. Suite No. 5 in C minor, BWV 1011: 6. Gigue
13. Suite No. 6 in D major, BWV 1012: 1. Prélude
14. Suite No. 6 in D major, BWV 1012: 2. Allemande
15. Suite No. 6 in D major, BWV 1012: 3. Courante
16. Suite No. 6 in D major, BWV 1012: 4. Sarabande
17. Suite No. 6 in D major, BWV 1012: 5. Gavottes 1 & 2
18. Suite No. 6 in D major, BWV 1012: 6. Gigue
Nota inicial de Ranulfus: Há um mês o mesmo repertório deste CD (Brandenburgos e Aberturas) voltou à baila executado pelos canadenses da Taffelmusik, em postagem do colega FDP Bach. Ouvi, gostei e recomendo – mas para meu gosto pessoal esta realização de Masaaki Suzuki continua campeã absoluta. Baste dizer que eu sempre havia considerado o 1º Brandenburgo um tanto massudo em comparação com os demais, até chato… mas ao arrancá-lo do salão para o galpão, recuperando a energia e rusticidade das trompas não sem razão chamadas “de caça”, Mr Suzuki conseguiu transformá-lo para mim, de golpe, em uma das peças mais excitantes e queridas do velho Bach!
Daí o meu choque ao descobrir que os links desta postagem estavam vencidos há anos. Inconformado, tomei a postagem de assalto e renovei os links, com ligeira reformulação da apresentação, sem nem pedir licença ao autor da postagem, nosso Grão-Mestre PQP Bach – esperando que ele abrevie em pelo menos dois anos minha condenação às galés pelo fato de preservar a seguir o seu texto original:
É óbvio que as pessoas que mantêm o PQP Bach têm vários parafusos soltos. Em primeiro lugar pela constância e absoluto saco de fazer os ups, em segundo lugar (há vários outros “lugares”) por inventar efemérides onde não há. E a moda do momento é fazer o 200º post de Bach. Nós simplesmente adotamos o desafio do “Raphael – Cello” de chegar JÁ ao post 200 e entramos num alucinado tour de force. Pois agora eu respondo ao Carlinus com o mesmo repertório de seu post de ontem, só que na interpretação de Masaaki Suzuki e do Bach Collegium Japan. Acho que ninguém vai reclamar de novos Concertos de Brandenburgo e Suítes Orquestrais, né? As duas versões que apresentamos hoje são esplêndidas, o que destrói qualquer tentativa de encontrar um registro mais correto, pois ambas são NOTÁVEIS e MUITO DIFERENTES.
Comprovem dando uma ouvida com que fez Suzuki no 2º movimento do 3º Brandenburguês. Sim, cinco minutos onde não há nada (na minha gravação da Orq. de Freiburg este movimento tem 13 segundos !!!).
J. S. Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo e Suítes Orquestrais – Masaaki Suzuki / Bach Collegium Japan
Brandenburg Concerto No. 1 in F major, BWV 1046
1.1. (No tempo indication)
1.2. Adagio
1.3. Allegro
1.4. Menuet – Trio – Menuet – Polonaise – Menuet – Trio – Menuet
Brandenburg Concerto No. 2 in F major, BWV 1047
2.1. (No tempo indication)
2.2. Andante
2.3. Allegro
Brandenburg Concerto No. 3 in G major, BWV 1048 3.1. (No tempo indication)
3.2. Adagio
3.3. Allegro
Brandenburg Concerto No. 4 in G major, BWV 1049 4.1. Allegro
4.2. Andante
4.3. Presto
Brandenburg Concerto No. 5 in D major, BWV 1050 5.1. Allegro
5.2. Affettuoso
5.3. Allegro
Brandenburg Concerto No. 6 in B flat major, BWV 1051 6.1. (No tempo indication)
6.2. Adagio ma non tanto
6.3. Allegro
Orchestral Suite No. 1 in C major, BWV 1066 1.1. Ouverture
1.2. Courante
1.3. Gavotte 1/2
1.4. Forlane
1.5. Menuet 1/2
1.6. Bourrée 1/2
1.7. Passepied 1/2
Orchestral Suite No. 3 in D major, BWV 1068 3.1. Ouverture
3.2. Air
3.3. Gavott 1/2
3.4. Bourrée
3.5. Gigue
Orchestral Suite No. 4 in D major, BWV 1069 4.1. Ouverture
4.2. Bourrée 1/2
4.3. Gavotte
4.4. Menuet 1/2
4.5. Réjouissance
Orchestral Suite No. 2 in B minor, BWV 1067 2.1. Ouverture
2.2. Rondeau
2.3. Sarabande
2.4. Bourrée 1/2
2.5. Polonaise – Double
2.6. Menuet
2.7. Badinerie
Meu pai trabalhava numa fábrica e me ensinou desde pequeno que, na produção em escala industrial, tão importante quanto a qualidade é a padronização dos produtos. O gosto e a aparência de um refrigerante feito no Oiapoque no ano passado e de outro da mesma marca engarrafado ontem no Chuí devem ser idênticos. Vinhos, por outro lado, não são assim: é natural que um vinho de Santa Catarina seja diferente de um produzido no vale do São Francisco e de um terceiro da Serra Gaúcha, sem falar em safras diferentes, etc.
E o que isso tem a ver com o órgão? É que esse instrumento de tradição milenar, assim como os vinhos, vem resistindo às tentativas de padronização. Hoje muita gente reclama que as orquestras estão soando mais parecidas, os pianistas ao redor do mundo estão seguindo a mesma cartilha (será?), mas em relação aos órgãos, como podemos ouvir nessa série de órgãos holandeses, mesmo dentro de um país e do chamado “período barroco”, cada um é diferente. Assim como vinhos, há órgãos mais de acordo com o padrão, mais certinhos, e há outros com personalidade forte, inconfundíveis. Este órgão de Culemborg, na Holanda, me parece o mais peculiar dos quatro. São especialmente belos os registros que imitam instrumentos de sopro: flautas, oboés, trompetes… A fuga de Buxtehude, a Pastorella e o adagio de Bach, os corais de Reger usam muito esses sons de sopros. As obras de Bach também podem ser chamadas de únicas: ele escreveu dezenas de Prelúdios e Fugas, seis Triosonatas, mas só uma Pastorella, peça bucólica que provavelmente era tocada na época do Natal, com inspirações galantes italianas, e apenas uma obra para órgão com a forma da BWV 564, com um sublime movimento lento (adagio) no meio de dois rápidos (tocata e fuga), formato que lembra até os concertos à maneira de Vivaldi.
Dietrich Buxtehude (1673-1707):
01. Praeludium in D major, BuxWV 139
02. Ich ruf zu dir, Herr Jesu Christ, BuxWV 196
03. Fuga in C major, BuxWV 174 J.S. Bach (1685-1750):
04. Pastorella in F major, BWV 590 – Part 1
05. Pastorella in F major, BWV 590 – Part 2
06. Pastorella in F major, BWV 590 – Part 3
07. Pastorella in F major, BWV 590 – Part 4
08. Toccata, Adagio und Fuge in C major, BWV 564 Max Reger (1873-1916):
09. Jesus, meine Zuversicht, Opus 67 No. 20
10. Jesus meine Freude, Opus 67 No. 21
11. Introduktion und Passacaglia in d minor Zoltan Kodaly (1882-1967):
12. Praeludium Piet Kee (1927-):
13. Erschienen ist der herrlich Tag
Como o final de semana está chegando, FDP Bach resolveu fazer três postagens peso-pesado para seus leitores/ouvintes, que apenas aos sábados e domingos tem tempo disponível para baixar e ouvir com mais atenção a estas pérolas…
Começarei com uma gravação antológica, e aproveitando também para fazer uma contraposição à última postagem do nosso colega Blue Dog: algumas das mesmas sonatas para flauta de Bach postadas na versão de Jarrett/Petri nas mãos mágicas de Aurèle Nicolet e Karl Richter, dois dos maiores intérpretes do século XX da obra de nosso pai. Já as tive em vinil, aliás ainda a tenho, e, quando a encontrei em cd nacional, quase tive um infarto de tão emocionado que fiquei…
Bem, vamos ao que interessa…
Johann Sebastian Bach (1685-1750): Sonatas para Flauta, BWV 1020, 1030-1032, Partita para Flauta Solo, BWV 1013 (Nicolet, Richter)
1 – Sonata in B minor BWV 1030 – Andante
2 – Sonata in B minor BWV 1030 – Largo e dolce
3 – Sonata in B minor BWV 1030 – Allegro
4 – Sonata in E flat major BWV 1031 – Allegro moderato
5 – Sonata in E flat major BWV 1031 – Siciliano
6 – Sonata in E flat major BWV 1031 – Allegro
7 – Sonata in A Major BWV 1032 – Vivace
8 – Sonata in A Major BWV 1032 – Largo e dolce
9 – Sonata in A Major BWV 1032 – Allegro
10 – Sonata in G minor BWV 1020 – Allegro
11 – Sonata in G minor BWV 1020 – Adagio
12 – Sonata in G minor BWV 1020 – Allegro
13 – Partita in A minor for flute solo, BWV 1013 – Allemande
14 – Partita in A minor for flute solo, BWV 1013 – Corrente
15 – Partita in A minor for flute solo, BWV 1013 – Sarabande
16 – Partita in A minor for flute solo, BWV 1013 – Bouree anglaise
Com a escusa de PQP, FDP e Clara, este interlúdio é, também, um quase-interlúdio do jazz; desvio um pouco para a seara dos colegas e trago, também, um pouco de clássico. Bach! Interpretado, ou relido, por respeitáveis jazzmen.
Keith Jarrett, pianista que começou nos Jazz Messengers de Art Blakey e tocou com Miles Davis no início dos anos 70, firmou-se por incorporar o clássico, o gospel e o blues ao seu estilo de jazz. Um músico diferenciado, criou sua carreira não apenas tocando em conjuntos, mas também lançando diversos álbuns-solo de piano. (De um de seus shows, puro improviso ao instrumento, vem um dos discos mais reverenciados do jazz, The Köln Concert, que certamente figurará neste blog em algum momento.)
Sua relação com a música clássica sempre acompanhou a trajetória jazzística. Desde 1973, compõe e executa para o estilo. Neste disco de 1992, convidou a virtuose dinamarquesa Michala Petri para interpretar sonatas de Bach. Não se trata de um disco de jazz; aqui ele é, antes, uma inspiração para as execuções.
J.S. Bach (1685-1750): Sonatas para Flauta e Cravo (Baixo contínuo) (Petri, Jarrett)
Sonata for Flute and Harpsichord in B minor, BWV 1030
01 I Andante – 08’18
02 II Largo e dolce – 03’28
03 III Presto – 01’25
04 IV Allegro – 04’14
Sonata for Flute and Harpsichord in E flat major, BWV 1031
05 I Allegro moderato – 03’07
06 II Siciliano – 02’02
07 III Allegro – 04’10
Sonata for Flute and Harpsichord in A major, BWV 1032
08 I Vivace – 04’31
09 II Largo e dolce – 02’50
10 III Allegro – 04’13
Sonata for Flute and Harpsichord in C major, BWV 1033
11 I Andante – Presto – 01’35
12 II Allegro – 02’11
13 III Adagio – 01’40
14 IV Menuetto I & II – 02’49
Sonata for Flute and Basso Continuo in E minor, BWV 1034
15 I Adagio ma non tanto – 02’57
16 II Allegro – 02’22
17 III Andante – 03’08
18 IV Allegro – 04’26
Sonata for Flute and Basso Continuo in E major, BWV 1035
19 I Allegro ma non tanto – 02’19
20 II Allegro – 02’52
21 III Sicilano – 03’32
22 IV Allegro assai – 02’57
O Modern Jazz Quartet foi um dos grupos mais duradouros e originais do jazz; começaram em 1952, tocando bop, e encerraram as atividades no final dos ’70 como expoentes do third stream – estilo que se pretende um ponto de encontro entre jazz e música clássica. Evidentemente, o rótulo (cunhado por Gunther Schuller) é polêmico; já a música do MJQ, não. Sempre vistos como precursores, usaram o barroco e o blues de combustíveis para firmarem-se como visionários. Neste Blues on Bach, de 1973, o grupo intercala quatro composições originais, inspiradas em Bach, à cinco adaptações de trabalhos clássicos do compositor. Respeitosamente: sem improvisos, e usando o cravo ao invés do piano. Milt Jackson, um dos maiores vibrafonistas da música, destaca-se em passagens brilhantes.
Modern Jazz Quartet – Blues on Bach (320)
Milt Jackson: vibrafone
John Lewis: piano, cravo
Percy Heath: baixo
Connie Kay: bateria
1 Regret? – 2’04
02 Blues in B Flat – 4’56
03 Rise up in the Morning – 3’28
04 Blues in A Minor – 7’53
05 Precious Joy – 3’12
06 Blues in C Minor – 7’58
07 Don’t Stop This Train – 1’45
08 Blues in H (B) – 5’46
09 Tears from the Children – 4’25
Este é um LP de 1968 que foi lançado como CD em 1991. O som é o que dá pra ser, mas a música… Olha, ouvi tantas vezes a Oferenda que até enchi, só que depois de ouvir o CD passei dois dias com aquilo na cabeça. O grupo de Jörg Ewald Dähler é muito bom e dá conta de sobras da obra. A Oferenda Musical (1747) é uma das obras mais enigmáticas e sublimes de Bach — um verdadeiro laboratório de invenção. Tudo nasce de um “tema real” dado por Frederico II da Prússia, um motivo sinuoso e difícil que Bach transforma em ricercares, cânones e peças de câmara como quem revela, passo a passo, a geometria secreta da música. O ciclo é uma demonstração quase sobrenatural de contraponto, mas também um gesto poético: Bach pega um tema alheio, severo, e o faz florescer em infinitas possibilidades. É uma obra para ouvir como quem contempla um enigma ou teorema resolvido diante dos olhos — ou, talvez, um enigma que continua a se desdobrar enquanto a música soa.
J. S. Bach (1685-1750): A Oferenda Musical (Dähler)
A1 Ricercare A 3
A2 Canon Perpetuus Super Thema Regium…
A3 Canon A 2
A4 Canon A2 Violini In Unisono
A5 Canon A 2 Per Motum Contrarium
A6 Canon A 2 Per Augmentationem, Contrario Motu
A7 Canon A 2 Per Tonos
A8 Fuga Canonica In Epidiapente
A9 Ricercare A 6
B1 Canon A 2
B2 Canon A 2
B3 Canon A 4
B4 Trio: Largo – Allegro – Andante – Allegro
B5 Canone Perpetuo
Hoje é o primeiro domingo do Ano Novo. Esta postagem não é uma casualidade, porém aviso que, excepcionalmente, devido ao meu desconhecimento sobre estas Cantatas, apelo para a IA do DeepSeek:
As cantatas para o Domingo após o Ano Novo (ou para a Circuncisão de Cristo, festa fixada em 1º de janeiro) são um grupo fascinante, pois Bach aborda a transição entre a celebração do novo ano e a reflexão sobre os desafios do tempo vindouro.
Das que você citou, é importante fazer uma distinção litúrgica precisa, pois Bach reutilizou algumas cantatas em diferentes datas. Vamos a elas:
1. BWV 16 “Herr Gott, dich loben wir” (Senhor Deus, nós Te louvamos)
Data Original: Composta para o Dia de Ano Novo (1º de janeiro de 1726), festa da Circuncisão de Cristo.
Características: É uma cantata coral majestosa. O primeiro movimento é uma adaptação grandiosa do hino alemão “Nun lob, mein Seel, den Herren”, criando um tom de louvor e ação de graças pelo novo ano. O recitativo e ária para baixo alertam para os perigos do novo ano, enquanto a ária de tenor é uma prece por proteção divina.
2. BWV 171 “Gott, wie dein Name, so ist auch dein Ruhm” (Deus, como Teu nome, assim também é Tua fama)
Data Original: Também para o Dia de Ano Novo (1º de janeiro de 1729?).
Características: É uma cantata de paródia, onde Bach reaproveitou música de obras anteriores (neste caso, partes de sua Missa em Sol menor, BWV 235). O texto, baseado no Salmo 48:10, fala sobre a eternidade e a grandeza do nome de Deus. Tem um caráter mais íntimo e contemplativo, com uma bela ária para soprano.
3. BWV 153 “Schau, lieber Gott, wie meine Feind” (Vê, amado Deus, como meus inimigos)
Data Original: Esta é especificamente para o Domingo após o Ano Novo (2 de janeiro de 1724).
Características: Aqui o tom muda radicalmente. Após a festa, a liturgia lembra a Fuga para o Egito. A cantata é uma oração por proteção contra inimigos e falsos acusadores. É uma obra séria e comovente, que começa com um coral em forma de choral-partita e contém uma ária de baixo com oboé d’amore de grande profundidade, suplicando por auxílio divino.
Data Original Complexa: Foi composta para o Domingo após o Ano Novo (5 de janeiro de 1727), mas também reapresentada no Domingo após a Epifania. É um diálogo sagrado entre a Alma (Soprano) e Jesus (Baixo).
Características: É uma das cantatas mais íntimas e belas de Bach. A estrutura alterna árias e recitativos em diálogo, onde a Alma expressa medo e tribulação e Jesus responde com consolo e promessa de companhia (“Ich bin bei dir” – “Estou contigo”). A cantata termina com um coral de confiança.
Síntese Teológico-Musical:
Ano Novo (1º de janeiro):BWV 16 e 171 focam no louvor a Deus pelo novo início e na confiança em Seu nome eterno.
Domingo após o Ano Novo:BWV 153 e 58 abordam a realidade imediata do sofrimento e do perigo no mundo, transformando a celebração em um pedido urgente de proteção e consolo. Elas refletem a rápida transição na liturgia luterana da festa para a vida cotidiana da comunidade.
Portanto, você está correto: essas quatro cantatas formam um conjunto complementar perfeito para os dias em torno do Ano Novo na igreja de Leipzig, mostrando a genialidade de Bach em musicar tanto a alegria solene quanto a vulnerabilidade humana perante o futuro.
Johann Sebastian Bach (1685-1750): Cantatas para o primeiro domingo do Ano Novo, BWV 16, 171, 153, 58 (Rilling)
BWV 16 (Herr Gott, Dich Loben Wir / Lord God, We Give Thee Praise)
Alto Vocals – Gabriele Schreckenbach
Bass Vocals – Philippe Huttenlocher
Bassoon – Kurt Etzold
Cello – Helmut Veihelmann, Martin Ostertag
Choir – Gächinger Kantorei Stuttgart
Concertmaster – Walter Forchert
Conductor – Helmuth Rilling
Double Bass – Thomas Lom
Harpsichord – Hans-Joachim Erhard
Horn – Johannes Ritzkowsky
Oboe – Diethelm Jonas, Hedda Rothweiler
Orchestra – Bach-Collegium Stuttgart*
Tenor Vocals – Peter Schreier
Viola – Adelheid Böckheler
(17:30)
1 Coro (Choral)
2 Recitativo
3 Aria E Coro
4 Recitativo
5 Aria
6 Choral
BWV 171 ( Gott, Wie Dein Name, So Ist Auch Den Ruhm / God, As Thy Name Is, Too, Thy Fame)
Alto Vocals – Julia Hamari
Bass Vocals – Walter Heldwein
Bassoon – Günther Pfitzenmaier
Cello – Stefan Trauer
Choir – Gächinger Kantorei Stuttgart
Conductor – Helmuth Rilling
Double Bass – Claus Zimmermann
Harpsichord – Hans-Joachim Erhard
Oboe – Günther Passin, Hedda Rothweiler
Orchestra – Württembergisches Kammerorchester Heilbronn*
Soprano Vocals – Arleen Augér*
Tenor Vocals – Aldo Baldin
Timpani – Norbert Schmitt
Trumpet – Josef Hausberger, Peter Send
Violin – Georg Egger, Radboud Oomens
(15:30)
7 Coro
8 Aria
9 Recitativo
10 Aria
11 Recitativo
12 Choral
Meu jesuiscristinho, que gravação das Sonatas e Partitas de Bach que faz a francesa Amandine Beyer! Beyer é do time da música com instrumentos originais, mas há uma diferença fundamental sobre a imensa maioria. Ela toca com emoção, verve e ritmo, não é um metrônomo. Cada movimento foi pensado profunda e criativamente, de modo a experimentar novas fluências. E é um registro vibrato-free, quente e claro!!! Talvez esta seja a primeira gravação destas obras onde podemos bater o pezinho e balançar a cabeça. Basta pensar que tudo aqui deriva da música de dança. Chega de funerais! Arte impecável, execução perfeita e belo som.
Esta gravação é considerada uma das interpretações mais originais e impactantes das últimas décadas no universo da música barroca. É marcada por uma fluidez quase vocal. Como disse, ela prioriza a dança. Amandine também foi elogiada pela clareza polifônica (o “diálogo” entre vozes no violino solo é excepcionalmente claro). Ela desconstrói a grandiosidade monumental das Sonatas e Partitas, transformando-as em uma experiência íntima e humana. Não é uma versão “fácil” ou imediatamente cativante, mas que recompensa o ouvinte com camadas de significado e beleza singular. Amandine Beyer enfatiza a voz interior de Bach em vez do virtuosismo exterior. Sua gravação é um marco que dialoga com a história, sem ser museológica. Para muitos, tornou-se uma versão de referência do século XXI. Para quem busca uma interpretação que una intelecto, coração e autenticidade histórica, esta é uma bela escolha.
Como um bônus, ela inclui um trabalho solo fascinante, onde Pisendel homenageia Bach. E mais não digo porque amo Amandine, mas sou casado com outra violinista.
J. S. Bach (1685-1750): Sonatas e Partitas para Violino Solo BWV 1001-1006 / Pisendel (1687-1755): Sonata a Violino Solo senza Basso (Beyer)
CD1 #01 – Partita, BWV 1002: I. Allemanda
CD1 #02 – Partita, BWV 1002: II. Double
CD1 #03 – Partita, BWV 1002: III. Corrente
CD1 #04 – Partita, BWV 1002: IV. Double, Presto
CD1 #05 – Partita, BWV 1002: V. Sarabande
CD1 #06 – Partita, BWV 1002: VI. Double
CD1 #07 – Partita, BWV 1002: VII. Tempo di borea
CD1 #08 – Partita, BWV 1002: VIII. Double
CD1 #09 – Sonata BWV 1003: I. Grave
CD1 #10 – Sonata BWV 1003: II. Fuga
CD1 #11 – Sonata BWV 1003: III. Andante
CD1 #12 – Sonata BWV 1003: IV. Allegro
CD1 #13 – Partita, BWV 1004: I. Allemanda
CD1 #14 – Partita, BWV 1004: II. Corrente
CD1 #15 – Partita, BWV 1004: III. Sarabanda
CD1 #16 – Partita, BWV 1004: IV. Giga
CD1 #17 – Partita, BWV 1004: V. Ciaccona
CD2 #01 – Sonata BWV 1005: I. Adagio
CD2 #02 – Sonata BWV 1005: II. Fuga
CD2 #03 – Sonata BWV 1005: III. Largo
CD2 #04 – Sonata BWV 1005: IV. Allegro assai
CD2 #05 – Sonata BWV 1001: I. Adagio
CD2 #06 – Sonata BWV 1001: II. Fuga, Allegro
CD2 #07 – Sonata BWV 1001: III. Siciliana
CD2 #08 – Sonata BWV 1001: IV. Presto
CD2 #09 – Partita, BWV 1006: I. Preludio
CD2 #10 – Partita, BWV 1006: II. Loure
CD2 #11 – Partita, BWV 1006: III. Gavotte en rondeaux
CD2 #12 – Partita, BWV 1006: IV. Menuet I – Menuet II
CD2 #13 – Partita, BWV 1006: V. Bourée
CD2 #14 – Partita, BWV 1006: VI. Gigue
Johann Georg Pisendel: Sonata a Violino Solo senza Basso
CD2 #15 – Sonata a violino solo senza basso: I.
CD2 #16 – Sonata a violino solo senza basso: II. Allegro
CD2 #17 – Sonata a violino solo senza basso: III. Giga
CD2 #18 – Sonata a violino solo senza basso: IV. Variatione
Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cântico
Salmo 126:2
Feliz Natal!
A Cantata Unser Mund sei voll Lachens teve sua estreia no Serviço Matinal (às 7 da manhã) da Igreja de São Tomás, em Leipzig, no Dia de Natal do ano 1725, há exatos 300 anos! Sua música foi adaptada da Suíte Orquestral No. 4. O festivo primeiro movimento saúda o recém-nascido e a parte rápida da abertura está cheia de bocas sorridentes.
Três anos antes Bach preparara a música para seu primeiro Natal como cantor da Igreja de São Tomás e para tanto compusera uma primeira versão do Magnificat. Dessa composição, ele também ‘emprestou’ um trechinho de música, adaptando o Virga Jesse floruit (de Jessé nasceu a vara, de Jessé nasceu a vara, da vara o Salvador…) para o coro Ehre sei Gott in der Höhe (Louvado seja Deus, nas alturas), o cara era mesmo fera!
Jos feliz com a afinação dos meninos sopranos do PQP Bach Choir
No disco desta natalícia postagem o Magnificat é a versão posterior preparada por Bach em 1733, com nova orquestração e apenas com os trechos cantados em latim. Na primeira versão, identificada por BWV 243a, Bach interpola os textos em latim por ‘interlúdios’, que foram suprimidos na nova versão. Como explica Jos van Veldehoven no livreto do disco: ‘Essas interpolações já eram conhecidas no século XVI. Compositores acrescentaram canções de Natal alemãs e latinas entre os versos do Magnificat, tornando o texto deste último inseparável do Natal’.
A peça adaptada para a cantata, o Virga Jesse floruit é o quarto destes interlúdios, que na cantata tornou-se o coral Ehre sei Gott in der Höhe. Nesta gravação do Magnificat, o regente, que é holandês, usa música de três compositores holandeses (Dirck Janszoon Sweelinck, Jan Baptist Verrijt e Johann Hermann Schein) e um parente de João Sebastião (Johann Michael Bach) para seguir a tradição e usar ‘interlúdios’ na apresentação do Magnificat.
Aproveito a postagem para desejar a todos um feliz Natal e que muito se deliciem ao som dos holandeses… tocando Bach.
Como é Natal, você ganha o presente: The Netherlands Bach Society’s recording of Bach Cantata 110 (“Unser Mund sei voll Lachens”) and the Magnificat, led by Jos van Veldhoven, is universally acclaimed for its vibrant, joyful, and pristine sound, featuring fresh-sounding, first-rate soloists and choir, demonstrating both majesty and intimacy, with critics praising its technical brilliance and authentic spirit, often highlighting the captivating instrumental work and welcome inclusion of 17th-century Dutch motets within the Magnificat.
Mais um excelente disco de música sacra vindo do ateu Herreweghe. Não se enganem, este não é o Oratório de Natal formado por 6 Cantatas, são outras Cantatas Também natalinas. O ponto alto é, sem dúvida, o Magnificat que fecha o CD duplo. É uma interpretação emocionante. Uma combinação matadora de solistas de primeira linha, canto coral incomparável e trabalho impecável da orquestra de instrumentos de época. O disco foi Editor`s Choice da revista Gramophone. Não é para menos.
J. S. Bach (1685-1750): Cantatas de Natal (Herreweghe, Mields, Collegium Vocale Gent)
CD 1
1. Cantata No. 91, ‘Gelobet seist su, Jesu Christ,’ BWV 91 (BC A9): Choral
2. BWV 91 (BC A9): Recitativo: Der Glanz der höchsten Herrlichkeit
3. BWV 91 (BC A9): Aria: Gott, dem der Erden Kreis zu klein
4. BWV 91 (BC A9): Recitativo: O Christenheit!
5. BWV 91 (BC A9): Aria: Die Armut, so Gott auf sich nimmt
6. BWV 91 (BC A9): Choral: Das hat er alles uns getan
7. Cantata No. 121, ‘Christum wir sollen loben schon,’ BWV 121 (BC A13): Choral
8. BWV 121 (BC A13): Aria: O du von Gott erhöhte Kreatur
9. BWV 121 (BC A13): Recitativo: Der Gnade unermeßlichs Wesen
10. BWV 121 (BC A13): Aria: Johannis freudenvolles Springen
11. BWV 121 (BC A13): Recitativo: Doch wie erblickt es dich in deiner Krippen
12. BWV 121 (BC A13): Choral: Lob, Ehr und Dank sei dir gesagt
13. Cantata No. 133, ‘Ich freue mich in dir,’ BWV 133 (BC A16): Choral
14. BWV 133 (BC A16): Aria: Getrost! es faßt ein heileiger Leib
15. BWV 133 (BC A16): Recitativo: Ein Adam mag sich voller Schrecken
16. BWV 133 (BC A16): Aria: Wie lieblich klingt es in den Ohren
17. BWV 133 (BC A16): Recitativo: Wohlan! Des Todes Furcht und Schmerz
18. BWV 133 (BC A16): Choral: Wohlan, so will ich
CD 2
1. Cantata No. 63, ‘Christen, ätzet diesen Tag,’ BWV 63 (BC A8): Choral
2. BWV 63 (BC A8): Recitativo: O selger Tag! O ungermeines Heute
3. BWV 63 (BC A8): Aria: Gott, du hast es wohl gefüget
4. BWV 63 (BC A8): Recitativo: So kehret sich nun heut
5. BWV 63 (BC A8): Aria: Ruft und fleht den Himmel an
6. BWV 63 (BC A8): Recitativo: Verdoppelt euch demnach
7. BWV 63 (BC A8): Choral: Höchster, schau in Gnaden an
8. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Magnificat anima mea
9. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Et exultavit spiritus meus
10. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Vom Himmel
11. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Quia respexit humilitatem
12. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Omnes generationes
13. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Quia fecit mihi magna
14. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Freut euch und jubiliert
15. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Et misericordia
16. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Fecit potentiam
17. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Gloria in excelsis Deo
18. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Deposuit potentes
19. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Esurientes implevit bonis
20. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Virga Jesse floruit
21. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Suscepit Israel
22. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Sicut locutus est
23. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Gloria Patri
Dorothee Blotzky-Mields: soprano
Carolyn Sampson: soprano
Ingeborg Danz: alto
Mark Padmore: tenor
Peter Kooy: bass
Sebastian Noack: bass
Philippe Herreweghe (cond.)
Collegium Vocale Gent
Total playing time: 117:09
Recorded 2001-2002 | Released 2003
Recording:
December 2001, Salle Philharmonique de Liège, Belgium (CD1)
December 2002, Arsenal de Metz, France (CD2)
Uma joia! Belas Cantatas levadas com toda a delicadeza e musicalidade que merecem. Bem, este CD reúne duas cantatas comparativamente tardias de Bach: a dramática e intensa Ich hatte viel Bekümmernis, BWV 21 e a serena e luminosa Am Abend aber desselbigen Sabbats, BWV 42. Juntas, oferecem um contraste sutil entre o desalento existencial e a esperança pacificadora — uma espécie de arco emocional que demonstra a profundidade espiritual e artística de Bach. Herreweghe faz uma abordagem de velocidade contida, equilíbrio entre as vozes, orquestração de câmara e uma sonoridade que respeita a clareza. A interpretação da BWV 21 é especialmente tocante — a dor, a angústia, a súplica ganham corpo com seriedade, sem histrionismos, mas com grande poder expressivo. Na BWV 42, Herreweghe enfatiza a serenidade reflexiva, a doçura da esperança pós–Páscoa. A orquestração e os solistas trazem a paz prometida pelo texto, com suavidade e elegância. O som limpo, com bom uso da instrumentação e a interpretação vocal refinada evita excessos e privilegia a clareza do contraponto, o que torna o discurso de Bach acessível, humano e, por assim dizer, confiável. Este CD é não somente uma gravação de “cantatas quaisquer”, mas como uma pequena obra-prima de Bach sob a comando de Herreweghe.
Johann Sebastian Bach (1685-1750): Cantatas BWV 21 & 42 (Philippe Herreweghe, La Chapelle Royale and Collegium Vocale Gent)
Ich Hatte Viel Bekümmernis BWV 21
1 Sinfonia 2:54
2 Chorus: Ich Hatte Viel Bekümmernis 3:55
3 Aria (S): Seufzer, Tränen 4:16
4 Recitativo (T): Wie Hast Du Dich, Mein Gott 1:36
5 Aria (T): Bäche Von Gesalznen Zähren 6:24
6 Chorus: Was Betrübst Du Dich, Meine Seele 3:29
7 Recitativo (S, B): Ach Jesu, Meine Ruh 1:28
8 Aria. Duetto (S, B): Komm, Mein Jesu 3:55
9 Chorus: Sei Nun Wieder Zufrieden, Meine Seele 4:22
10 Aria (T): Erfreue Dich, Seele 2:57
11 Chorus: Das Lamm, Das Erwürget Ist 3:02
Am Abend Aber Desselbigen Sabbats BWV 42
12 Sinfonia 6:43
13 Recitativo (T): Am Abend Aber Desselbigen Sabbats 0:33
14 Aria (A): Wo Zwei Und Drei Versammlet Sind 10:12
15 Choral. Duetto (S, T): Verzage Nicht, O Häuflein Klein 2:19
16 Recitativo (B): Mann Kann Hiervon Ein Schön Exempel Sehen 0:46
17 Aria (B): Jesus Ist Ein Schild Der Seinen 3:23
18 Choral: Verleih Uns Frieden Gnädiglich 2:09
Alto Vocals – Gérard Lesne
Alto Vocals [Choir] – Betty Van Den Berghe, Martin Van Der Zeijst, Rik Jacobs, Steve Dugardin
Bass Vocals – Peter Harvey (tracks: 1 to 11), Peter Kooy* (tracks: 12 to 18)
Bass Vocals [Choir] – Frits Vanhulle, Jan Depuydt, Paul Van Den Berghe, Pieter Coene, Vincent Bouchot
Bassoon – Kate Van Orden (2)
Bassoon [Continuo] – Kate Van Orden (2)
Cello – Ageet Zweistra, Harmen Jan Schwitters*
Cello [Continuo] – Ageet Zweistra
Choir – Collegium Vocale
Conductor – Philippe Herreweghe
Double Bass – Jonathan Cable
Double Bass [Continuo] – Jonathan Cable
Ensemble – La Chapelle Royale
Oboe – Marcel Ponseele, Michel Henry (tracks: 12 to 18)
Positive Organ – Jan Willem Jansen
Positive Organ [Continuo] – Jan Willem Jansen
Soprano Vocals – Barbara Schlick
Soprano Vocals [Choir] – Anne Mopin, Annelies Coene, Brigitte Verkinderen, Caroline Pelon, Delphine Collot, Dominique Verkinderen, Gundula Anders
Tenor Vocals – Howard Crook
Tenor Vocals [Choir] – Joël Suhubiette, Philippe Van Isacker, Raphaël Boulay, Ulrik Loens
Timbales – Jean Chamboux (tracks: 1 to 11)
Trumpet – Jonathan Impett (tracks: 1 to 11), Léon Petré (tracks: 1 to 11), Stephen Keavy (tracks: 1 to 11)
Viola – Christine Angot (2), Galina Zinchenko
Violin – Adrian Chamorro, Martha Moore (2), Myriam Gevers, Nicolette Moonen, Peter Van Boxelaere, Roy Goodman, Ryo Terakado
Céus, que coisa linda este registro da Missa em Si Menor! A maior obra já escrita por um ser humano ganha aqui uma versão arrasadora de cabo a rabo, de cima a baixo. Nesta gravação destacada pela Gramophone inglesa, o que me deixou abobado foi a profunda compreensão da utilização dos corais. Nunca tinha-os ouvido tão claros. A Missa é uma obra para solistas e coral das mais espetaculares e o desempenho do Dunedin Consort permite um nível de clareza e de expressão que não são normais. Os cinco solistas, os sopranos Susan Hamilton e Cecilia Osmond, o contralto Margot Oitzinger, o tenor Thomas Hobbs e o baixo Matthew Brook, respondem com performances prenhes de musicalidade. Também as texturas orquestrais são perfeitas, transparentes. Uma coisa de louco. É CD para se ouvir muito e demais.
J. S. Bach (1685-1750): Missa em Si Menor, BWV 232 (Butt / Dunedin)
Disc 1
1 Kyrie eleison (Chorus) 9:39
2 Christe eleison (Soprano 1 and 2) 4:33
3 Kyrie eleison (Chorus) 2:45
4 Gloria in excelsis Deo (Chorus) 1:42
5 Et in terra pax (Chorus) 4:23
6 Laudamus te (Soprano 2) 4:08
7 Gratias agimus tibi (Chorus) 3:04
8 Domine Deus (Soprano 1, Tenor) 5:10
9 Qui tollis peccata mundi (Chorus) 2:45
10 Qui sedes ad dextram Patris (Alto) 3:57
11 Quoniam tu solus Sanctus (Bass) 4:09
12 Cum Sancto Spiritu (Chorus) 3:47
Disc 2
1 Credo in unum Deum (Chorus) 1:46
2 Patrem omnipotentem (Chorus) 1:54
3 Et in unum Dominum (Soprano 1, Alto) 4:11
4 Et incarnatus est (Chorus) 2:55
5 Crucifixus (Chorus) 3:02
6 Et resurrexit (Chorus) 4:02
7 Et in Spiritum Sanctum Dominum (Bass) 5:27
8 Confiteor unum baptisma (Chorus) 3:40
9 Et expecto resurrectionem mortuorum (Chorus) 2:07
10 Sanctus (Chorus) 4:58
11 Osanna (Double Chorus) 2:38
12 Benedictus (Tenor) 4:55
13 Osanna – Da capo (Double Chorus) 2:39
14 Agnus Dei (Alto) 4:26
15 Dona nobis pacem (Double Chorus) 3:15
Matthew Brook
Susan Hamilton
Thomas Hobbs
Cecilia Osmond
Margot Oitzinger
Dunedin Consort
Dunedin Players
John Butt