Beethoven (1770-1827): Concertos para Piano Nos. 3 e 4 – Jacob Bogaart – Netherlands Radio Chamber Orchestra – Ernest Bour ֎

Beethoven (1770-1827): Concertos para Piano Nos. 3 e 4 – Jacob Bogaart – Netherlands Radio Chamber Orchestra – Ernest Bour ֎

BTHVN

Concertos para Piano Nos. 3 & 4

Jacob Bogaart

Netherlands Radio Chamber Orchestra

Ernest Bour

 

Promessas são importantes, mas há que saber a hora de quebrá-las.  Eu havia prometido a mim mesmo não postar tão cedo alguma música de Beethoven, depois daquele tsunami de postagens comemorativas. É claro que isso não incluiu não ouvir música de Beethoven. E tenho ouvido alguns bons discos, segundo meu gosto pessoal, pelo menos. Houve um disco com dois quartetos de cordas e uma coleção com as seis ou sete últimas sonatas para piano que realmente quase me fizeram quebrar o jejum. Os arquivos até já foram para a nuvem, mas as postagens ainda estão a caminho.

Jacob Bogaart esperando seu expresso no PQP Bach Café de Saquarema…

Foi então que avistei este disco no alto da pilha de CDs que o Comitê de Distribuição de Material Musical aqui do PQP Bach me designou e a adrenalina fluiu forte em minhas veias e artérias, talvez… Os primeiros acordes do Concerto No. 3 confirmaram a impressão e a decisão da postagem se confirmou. Sob a batuta do Ernest Bour a Orquestra de Câmara da Radio Holandesa inicia de maneira contagiante, arrebatadora. As proporções sonoras fazem os dois concertos mais próximos dos grandes concertos de Mozart e, especialmente no caso do Terceiro, gostei mais ainda por isso.

O disco foi gravado em 1985, mas certamente NÃO é jurássico! Os intérpretes não são estelares, mas são absolutamente credenciados e basta ouvir um pouco do disco para crer.

Ernest Bour já nos ofereceu seus préstimos aqui recentemente, regendo concertos para piano de Mozart, acompanhando o fabuloso Rudolf Firkušný. O solista Jacob Bogaart eu não conhecia, mas passarei a ficar atento às suas gravações. Você poderá saber um pouco mais de seus interesses musicais e de sua (ótima) formação acessando a sua página, clicando aqui.

Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Concerto para Piano No. 3 em dó menor, Op. 37

  1. Allegro con brio
  2. Largo
  3. Allegro

Piano Concerto No. 4 in G major, Op. 58

  1. Allegro moderato
  2. Andante con moto
  3. Vivace

Jacob Bogaart, piano

Netherlands Radio Chamber Orchestra

Ernest Bour

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MP3 | 320 KBPS | 158 MB

Ernest Bour e Jacob Bogaart

Veja o resumo de uma crítica: Ernest Bour, conductor par excellence of 20th century music […] Bour’s Beethoven sounds transparent, dynamic and light.‘Totally cleansed of caked – on romantic grease’.

Together with pianist Jacob Bogaart the Urtext was studied as well as the manuscripts […] and nearly everything that had been written about Beethoven…

All together a challenging quest that resulted in the synthesis of modern piano practice and that of nearly two centuries ago.

Aproveite!

René Denon

Bravo!

Gibbons / Sweelinck / Bach / Brahms / Berg: For Glenn Gould (Stewart Goodyear) ֍

Gibbons / Sweelinck / Bach / Brahms / Berg: For Glenn Gould (Stewart Goodyear) ֍

For Glenn Gould

Gibbons · Sweelinck

Bach

Brahms · Berg

Stewart Goodyear, piano

Stewart Goodyear nasceu e cresceu em Toronto, filho de pais que vieram de outros países – algo bem canadense. Como vocês sabem, Toronto, no Canadá, é também a cidade natal de Glenn Gould. Além da cidade natal, Stewart e Glenn têm em comum o fato de serem extraordinários pianistas. Apesar de Glenn Gould já ter morrido há tempo, acho adequado manter o verbo no presente.

De Gould já sabemos muitas coisas (e caso você ainda não saiba, está esperando o que?), incluindo o fato que suas lendárias interpretações, especialmente das obras de Bach, mas também de Beethoven e particularmente de Mozart, costumam despertar paixões ou desafetos. Impossível é ficar em cima do muro.

Quanto a Stewart Goodyear, ele é um pianista capaz de feitos memoráveis, tais como interpretar todas as Sonatas para Piano de Beethoven em um só dia, e não apenas uma vez na vida.

Glenn pensando no seu próximo disco…

No disco desta postagem, Stewart presta uma homenagem ao outro pianista canadense revisitando algumas peças típicas de seu repertório. O programa do disco pode fazê-lo erguer uma sobrancelha num primeiro contato, mas não deixe isso atrapalhar o que poderá trazer uma boa hora de música. Coloque o arquivo no player e aproveite o passeio.

Eu adorei a transição da Partita de Bach para os dois intermezzi de Brahms, o que me fez buscar o disco do Glenn interpretando Brahms, de tirar o folego.

A Sonata de Berg também surge assim como um desafio, um sabor contrastante na seleção e a interpretação assegura que ela merece ser mais vezes ouvida. Bem, adivinhe com qual peça o Stewart ‘Bom-Ano’ termina o programa? Ganha um doce se acertar sem colar…

Esparrame-se em sua poltrona favorita e aprecie sem moderação!

Orlando Gibbons (1583 – 1625)

  1. Lord Salisbury’s Pavan and Galliard, para teclado, MB18/19

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562 – 1621)

  1. Fantasia em ré maior

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

  1. Sinfonia No. 7 em mi menor, BWV 793
  2. Sinfonia No. 8 em fá maior, BWV 794
  3. Sinfonia No. 14 em si bemol maior, BWV 800
  4. Sinfonia No. 11 em sol menor, BWV 797
  5. Sinfonia No. 4 em ré menor, BWV 790

Partita No. 5 em sol maior, BWV 829:

  1. Praeambulum
  2. Allemande
  3. Courante
  4. Sarabande
  5. Tempo di Minuetto
  6. Passepied
  7. Gigue

Johannes Brahms (1833 – 1897)

  1. Intermezzo, Op. 118, No. 2 em lá maior
  2. Intermezzo, Op. 117, No. 3 em dó sustenido menor

Alban Berg (1885 – 1935)

  1. Sonata para Piano, Op. 1

Johann Sebastian Bach 91685 – 1750)

  1. Aria, da “Goldberg Variations” BWV 988

Stweart Goodyear, piano

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MP3 | 320 KBPS | 164 MB

Para entender melhor o programa, veja a primeira pergunta feita ao Stewart numa entrevista que poderá ser lida na íntegra aqui.

GGF: 1) Can you tell us how this program originated, and how it’s connected to Glenn Gould?

SG: This program consists of repertoire Glenn Gould performed in his historic debuts at the Phillips Collection in Washington DC, and the Ladies Morning Music Club in Montreal. Many of the works programmed were very close to Gould, and both programs showcased some of his most favourite composers.

Aproveite!

René Denon

Stewart esperando uma porção de pastéis de camarão no famoso Caneco Gelado do Mário…

Fauré / Debussy / Ravel / Poulenc / Stravinsky: Música Francesa para Duo de Piano – Paul Lewis · Steven Osborne ֍

Fauré / Debussy / Ravel / Poulenc / Stravinsky: Música Francesa para Duo de Piano – Paul Lewis · Steven Osborne ֍

Fauré · Debussy

Ravel · Poulenc

Stravinsky

Paul Lewis · Steven Osborne

 

Buscar inspiração no mundo do ‘Era uma vez…’ – no universo infantil – é um recurso usado por compositores do mundo todo. Isto também aconteceu com os compositores franceses da virada do século XIX para o século XX, como podemos ver nas duas suítes para piano a quatro mãos que abrem e fecham o programa deste maravilhoso disco.

Eu, que aprecio bastante estes dois ótimos pianistas, Paul Lewis e Steven Osborne, e como gosto muito deste repertório, tratei logo de ouvir e de postar este disco assim que me dei com ele. Inclusive, passei-o à frente de outros projetos. Afinal, nada como uma boa novidade para animar a gente.

Gabriel Fauré teve em 1892 um caso com Emma Bardac, cuja filha de tão pequenina tinha o apelido Dolly. Foi para ela que Fauré compôs cinco das seis peças desta Suíte Dolly, ao longo de alguns anos, acrescentando a primeira delas, a Berceuse, que já estava na gaveta esperando uma boa oportunidade. Essa música de salão é muito bela e agradável, mas demanda bastante trabalho dos intérpretes. Veja como o último movimento, Le pas espagnol, é de tirar o fôlego.

A peça a seguir é uma curta mas intensa Sonata para Piano, a quatro mãos, escrita por Poulenc ainda aos 19 anos e sob boa influência de Satie. O livreto fala em pureza, equilíbrio e reserva. Eu penso em intensidade e ritmos marcados.

Após esta breve sonata entramos em um universo sonoro diferente, com as Seis Epígrafes Antigas, de Debussy. Estas peças são arranjos feitos em 1914, para piano duo, de um material composto originalmente para duas flautas, duas harpas e celesta, por volta de 1900, para acompanhar um espetáculo de mímica e declamação de poemas – Les chansons de Bilittis. Claude fez estes arranjos com um olho no mercado para música para piano a quatro mão e outro na despensa, que já andava meio vazia.

Depois disso, a adorável Petit Suíte, também de Debussy, mas esta peça composta em 1888, 1889. Música de salão no melhor sentido da palavra – um pouco de superficialidade, nada de longos movimentos, ritmos simples e melodias memoráveis. Depois de ouvir ‘Em bateau’ uma só vez você reconhecerá a peça cada vez que voltar a ouvi-la. Claude estreou a suíte ao lado de Jacques Durand, que seria seu editor. Pois no último movimento, Claude ficou tão animado que deixou o pobre Durand arfando.

Na sequência Três Peças de Stravinsky, que era russo, mas estava emprestado na França, em 1914, às voltas com o espetacular insucesso da Sagração. A composição destas peças certamente foram uma boa maneira de retomar o fôlego assim como os seus poderes criativos.

E para completar este lindo disco, a Suíte Ma mère l’oye, de Maurice Ravel. Falar o que? Perfeição! Já ouvi muitas gravações desta suíte e gosto praticamente de todas (I’m easy to please), mas esta, senhores, está maravilhosa. Vejam lá o quão feérico é este jardim!

Gabriel Fauré (1845 – 1924)

Suíte Dolly, Op. 56

  1. Berceuse
  2. Mi-a-ou
  3. Le jardin de Dolly
  4. Kitty-valse
  5. Tendresse
  6. Le pas espagnol

Francis Poulenc (1899 – 1963)

Sonata para piano a quatro mãos

  1. Prélude
  2. Rustique
  3. Final

Claude Debussy (1862 – 1918)

6 Epigraphes antiques

  1. Pour invoquer Pan, dieu du vent d’été
  2. Pour un tombeau sans nom
  3. Pour que la nuit soit propice
  4. Pour la danseuse aux crotales
  5. Pour l’égyptienne
  6. Pour remercier la pluie au matin

Petite Suite

  1. En bateau
  2. Cortège
  3. Menuet
  4. Ballet

Igor Stravinsky (1882 – 1971)

Três Peças Fáceis para Piano Duo

  1. March
  2. Waltz
  3. Polka

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Ma mère l’oye

  1. Pavane de la belle au bois dormant
  2. Petit poucet
  3. Laideronnette, impératrice des pagodes
  4. Les entretiens de la belle et de la bête
  5. Le jardin féerique

Steven Osborne & Paul Lewis, piano

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Steven & Paul

Fresh-faced charm pervades this astutely curated disc…Far from a marriage of convenience, Lewis and Osborne are long-standing duo partners, complementing each other perfectly in lightly-worn… 

— BBC Music

This offers not only the perfect escape from our current locked-down state but also the most sublime example of peerless pianism.

Gramophone Magazine, April 2021 – Recording of the Month

Aproveite!

René Denon

Se você gostou desta postagem, pode também visitar esta aqui:

Música Francesa para Piano a Quatro Mãos – Marylène Dosse e Annie Petit

Mahler (1860 – 1911): Lieder – Christa Ludwig & Gerald Moore ֍

Mahler (1860 – 1911): Lieder – Christa Ludwig & Gerald Moore ֍

Gustav Mahler

Lieder

Christa Ludwig

Gerald Moore

 

Este é um disco para especialistas e, portanto, se você não tem atração por essas específicas canções, siga seu caminho para as postagens mais próximas. Mas, se você, assim como eu, já provou e gostou dos Lieder, especialmente do período romântico tardio, prepare-se para algo bem especial. O álbum reúne quatro grandes nomes nesse assunto e a lista vem hoje encabeçada por Christa Ludwig, a cantora que faleceu recentemente (em 24 de abril de 2021) e a quem aqui justamente prestamos uma homenagem.

Gerald Moore

Ela vai assim juntar-se aos outros três nomes da minha lista e que já lá se foram para o Himmlisches Paradies. São eles o compositor Gustav Mahler, o pianista Gerald Moore e Walter Legge, o produtor mais poderoso e influente naqueles dias de novembro de 1957.

Walter Legge tinha uma paixão por música e em especial por Lieder. Era casado com Elisabeth Schwarkopf e a lista dos cantores que trabalhavam em cooperação com ele era estelar. Incluía Hans Hotter, Dietrich Fischer Dieskau. Se considerarmos as gravações de óperas, além deles temos Maria Callas, Tito Gobbi, Nicolai Gedda e inúmeros outros.

Christa Ludwig transitou em todas estas áreas com maravilhosa competência. Aqui ela mostra sua arte nas canções acompanhadas ao piano por um dos acompanhantes de piano que estabeleceu padrões altíssimos para esta função e tornou-se uma referência. Ela voltaria a gravá-las acompanhada por orquestras e grandes regentes, como Otto Klemperer e Lenny Bernstein. Mas aqui temos a oportunidade de ouvi-la em um momento muito especial de sua carreira.

Walter Legge

As 15 canções do programa incluem canções com letras de Rückert, algumas da coleção Des Knaben Wunderhorn e algumas canções de juventude do compositor. Não deixe de ouvir as minhas preferidas Ich atmet’ einen linden Duft, Liebst du um Schönheit, Wer hat dies Liedlein erdacht?, Des Antonius von Padua Fischpredigt e Rheinlegendchen.

Gustav Mahler (1860 – 1911)

Ruckert Lieder

  1. Ich atmet’ einen linden Duft
  2. Ich bin der Welt abhanden gekommen
  3. Um Mitternacht
  4. Liebst du um Schönheit

Des Knaben Wunderhorn

  1. Der Schildwache Nachtlied
  2. Wer hat dies Liedlein erdacht?
  3. Das irdische Leben
  4. Des Antonius von Padua Fischpredigt
  5. Rheinlegendchen
  6. Wo die schönen Trompeten blasen
  7. Lob des hohen Verstandes

Vierzehn Lieder und Gesänge aus der Jugendzeit

  1. Frühlingsmorgen (Leander)
  2. Hans und Grethe (Volkslied)

Knaben Wunderhorn

  1. Um schlimme Kinder artig zu machen
  2. Ich ging mit Lust

Christa Ludwig, mezzo-soprano

Gerald Moore, piano

Produção de Walter Legge

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MP3 | 320 KBPS | 133 MB

Christa Ludwig habitually named three conductors from whom she had learned everything she needed to know about music: Karl Böhm for precision, Herbert von Karajan for beauty of sound and legato, and Leonard Bernstein for the expressive quality and joy of music. [The Guardian]

Aproveite!

René Denon

Manuel Bandeira (1886 – 1968): Poemas escolhidos pelo autor ֎

Manuel Bandeira (1886 – 1968): Poemas escolhidos pelo autor ֎

 

Manuel Bandeira 

Poemas Escolhidos

 

 

 

Quando a Indesejada das gentes chegar

(Não sei se dura ou caroável),

Talvez eu tenha medo.

Talvez sorria, ou diga:

                    – Alô, iniludível!

O meu dia foi bom, pode a noite descer.

(A noite com seus sortilégios.)

Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,

A mesa posta,

Com cada coisa em seu lugar.

O nome deste poema é Consoada e o poeta é Manuel Bandeira, que nasceu em 19 de abril de 1886, no Recife. Em 1903 estava estudando para tornar-se engenheiro ou arquiteto na Escola Politécnica de São Paulo, mas teve que abandonar seus estudos. Em suas próprias palavras:

“Quando caí doente em 1904, fiquei certo de morrer dentro de pouco tempo: a tuberculose era ainda o ‘mal que não perdoa’. Mas fui vivendo[…]. Continuei esperando a morte a qualquer momento, vivendo sempre como que provisoriamente.”

A poesia de Manuel Bandeira tem muito presente este tema, mas tem muitas outras coisas também. Eu possivelmente sou uma das pessoas menos preparadas para escrever uma postagem sobre o poeta, mas me obrigo a fazer isto por duas razões. Primeiro por querer dividir com mais pessoas os poemas lidos pelo poeta e, depois, pelo fato de que Bandeira é o poeta ao qual mais frequentemente recorro. Pois que a poesia é fundamental.

As minhas primeiras leituras de suas obras foram feitas na Escola Elementar (ah, a escola é tão importante nas nossas vidas…), mas gostei tanto que passei a ser um leitor desobrigado, que lê pelo prazer da leitura e pelo que ganhamos ao fazer isso…

Vários livros com seus poemas passaram por minhas mãos, alguns se perderam para outras necessitadas mãos, mas alguns restaram. Um em particular me é caro, uma antologia que acabei mandando encadernar com uma capa mais robusta, pois que tem o autógrafo do poeta. É verdade, a dedicatória é para outrem, mas só de imaginar que a mão do poeta, segurando uma caneta, esteve por um breve momento sobre aquela página, muito me alegra…

Espero que você goste de ouvir a voz marcante de alguém que nasceu no século XIX, viveu seus mais dias na primeira metade do século passado dando vida a alguns de seus mais significativos poemas. Você há de perceber que a mensagem dos poemas continua sendo muito, muito significativa. Especialmente nestes nossos tristes dias!

Manuel Bandeira (1886 – 1968)

01. Noite Morta
02. Berimbau
03. O Cacto
04. Pneumotórax
05. Evocação do Recife
06. Profundamente
07. Namorados
08. Vou-me embora para Pasárgada
09. O Último Poema
10. Estrêla da Manhã
11. Momento num Café
12. Rondó dos Cavalinhos
13. O Martelo
14. Água-Forte
15. Canção do Vento e da Minha Vida
16. Última Canção do Beco
17. Belo Belo (Tenho tudo o que quero…)
18. Piscina
19. Tema e Voltas
20. O Rio
21. Arte de Amar
22. Boi Morto
23. Satélite
24. Noturno do Morro do Encanto
25. Consoada
26. Poema só para Jaime Ovalle
27. A Ninfa
28. Mascarada
29. Maísa
30. Azulão

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Aproveite!

René Denon

Vou-me embora para Pasárgada

Lá sou amigo do rei

A Obra Completa de Béla Bartók (1881–1945): Allegro Barbaro e outras peças para piano – Zoltán Kocsis ֍ #BRTK140

A Obra Completa de Béla Bartók (1881–1945): Allegro Barbaro e outras peças para piano – Zoltán Kocsis ֍ #BRTK140

Bartók

Allegro Barbaro

Peças para Piano

Zoltán Kocsis

 

Entre 1951 e 1953 nasceram na Hungria três grandes pianistas – Deszö Ránki em 1951, András Schiff em 1953. Mas talvez o mais exuberante dos três tenha sido o que nasceu em 1952 – Zoltán Kocsis. Ele foi além de pianista, com um repertório imenso, um ótimo regente e tinha também boa mão para composição.

Como pianista tocava de Bach até os compositores de seus dias. Eu gosto muito das suas gravações para a Philips das peças de Debussy. É claro que ele também gravou as obras de Bartók para esta gravadora e  você encontrará algumas delas disponíveis no seu distribuidor PQP Bach mais próximo. Há inclusive quem diga que o blog passará uns dias com o apelido de PQP Bartók!

No entanto, o disco que apresento nesta postagem é algo mais antigo. Faz um belo par com o disco gravado por András Schiff e que foi postado pelo Playel aqui no PQP Bach. O disco de András Schiff é de 1980 (um ano antes do centenário de Bartók) enquanto o disco de Zoltán foi gravado cinco anos antes, em 1975. Há até uma coincidência de parte do repertório que fará a festa dos que gostam de comparar as interpretações.

As peças deste disco foram compostas entre 1911 e 1927. Por exemplo, a Sonata (razoavelmente curta) é de 1926.

Béla verificando uns arquivos baixados do PQP Bach…

Minha peça favorita no disco é o Allegro Barbaro, de 1911. É uma destas peças, como a Toccata op. 7 de Schumann ou a Toccata op. 11 de Prokofiev, que mexe com a gente. Parece ter um motor propulsor gerando a música… Intensa, marcante, serve como um cartão de visitas do compositor. Como é curtinha (até mais curta do que as outras peças mencionadas), ouça algumas vezes nesta linda interpretação do Zoltán Kocsis…

A transição para as demais peças é para ser saboreada com prazer. A Suíte e a Sonata não estão no disco do Schiff e fogem um pouco do padrão ‘música folclórica’, mas continuam com seus ritmos marcantes. As Velhas Canções para Dançar, algumas das 15 Canções Caipiras Húngaras, que estão na íntegra no disco do Schiff, fecham este disco do Zoltán (disco curtíssimo para os padrões atuais) com chave de ouro!

Impossível conseguir um corte de cabelo decente nestes dias de pandemia, não é, Béla?

Béla Bartók (1881 – 1945)

Allegro Barbaro

  1. Allegro

Três Rondós sobre Melodias Folclóricas

  1. Andante
  2. Vivacissimo
  3. Allegro molto

Três Melodias Folclóricas Húngaras

  1. Andante tranquilo rubato
  2. Allegro non troppo um poco rubato
  3. Maestoso

Suíte, op. 14

  1. Allegretto
  2. Scherzo
  3. Allegro molto
  4. Sostenuto

Sonata para Piano

  1. Allegro moderato
  2. Sostenuto e pesante
  3. Allegro molto

Danças Folclóricas Romenas

  1. Jocul cu bâtǎ (O Jogo da Vara)
  2. Brâul (O Cinto)
  3. Pe loc
  4. Buciumeana
  5. “Poarga” româneascá (Portão Romeno)
  6. Mǎnuntelul (O Bando)

Velhas Canções para Dançar de “15 Canções Caipiras Húngaras”

  1. Allegro
  2. Allegretto
  3. Allegretto
  4. L’istesso tempo
  5. Assai moderato
  6. Allegretto
  7. Poco più vivo
  8. Allegro
  9. Allegro

Zoltán Kocsis, piano

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Zoltán e Sviatoslav adorando as instalações do PQP Bach em Budapeste…

É claro que eu não sei um fiapo de romeno, mas o Google tradutor me ajudou a divertidamente descobrir algumas coisas por trás dos nomes das Danças Folclóricas Romenas.

Aproveite!

René Denon

Minha sobrinha achou que eu estava falando ‘deste’ Bartók aqui…

Beethoven (1770-1827) · ∾ · Sinfonias Nos. 7, 8 & 9 · ∾ · Britten Sinfonia & Thomas Adès ֍

Beethoven (1770-1827) · ∾ · Sinfonias Nos. 7, 8 & 9 · ∾ · Britten Sinfonia & Thomas Adès ֍

A apresentação das Sinfonias de Beethoven como um ciclo é um fenômeno que certamente se deve às gravadoras. Algo semelhante se deu com as Sonatas para Piano. Pioneiro nesta empreitada e que certamente estabeleceu um espetacular parâmetro de comparação foi a iniciativa de Walter Legge que gravou para a EMI, entre 1951 e 1955, com a Philharmonia Orchestra regida pelo ainda não tão poderoso Herbert von Karajan, todas as sinfonias. Este ciclo ainda aparece nas listas dos mais-mais. Note que os ciclos de Sinfonias regidas por Furtwängler, por exemplo, foram obtidos reunindo gravações feitas em momentos diferentes.

Apesar das enormes dificuldades apresentadas pela tarefa, a moda pegou e todos os grandes regentes a levaram a cabo. Alguns, até mesmo mais vezes do que talvez fosse aconselhável.

Para ter uma ideia de quantas vezes isso se repetiu, veja uma lista de 2017, por ordem alfabética dos regentes, nesta página aqui.

Além dos grandes nomes de orquestras e regentes, nós consumidores precisamos escolher entre as diferentes abordagens. Qual é o seu estilo de interpretação favorito? Toscanini ou Furtwängler? Talvez Klemperer ou Bruno Walter? Karajan-63 ou Karajan-84? Possivelmente nenhum dos anteriores. Talvez o menos glamoroso, mas eficientíssimo Günter Wand? Há quem diga: Mackerras! Há para todos os gostos.

A primeira gravação que me fez pensar em uma abordagem diferente daquela oferecida pelas grandes orquestras foi da Sinfonia Pastoral com o jovem Michael Tilson Thomas regendo a English Chamber Orchestra. As outras sinfonias vieram posteriormente. Além dessas, havia algumas sinfonias gravadas pela Marlboro Festival Orchestra, regida pelo venerando Pablo Casals. Mas, o bloco das orquestras historicamente informadas estava a caminho e chegaram pelo disco do Roger Norrington regendo a London Classical Palyers com as Sinfonias 2 e 8, que levou um prêmio da Gramaphone em 1987. Daí por diante o cenário não seria mais o mesmo.

Atualmente estas ondas e modismos ganharam uma boa perspectiva e podemos escolher aquela gravação que traz as características que mais nos agradam, nos diferentes estilos e abordagens. Basta considerar como exemplos os ciclos gravados por Nikolaus Harnoncourt regendo a Chamber Orchestra of Europe ou David Zinman regendo a Tonhalle Orchestra Zurich.

É também importante considerar a opinião de que o ciclo ideal pode ser aquele coletado de gravações por diferentes orquestras e regentes para as diferentes sinfonias. Veja o que diz o Norman Lebrecht numa publicação sobre este tema e que você poderá ler aqui: ‘Boxed sets, I’ve always understood, are for Christmas. Beethoven is for the other 364 days of the year’.

Mesmo assim, vamos postar aqui as três últimas sinfonias que restam para completar o ciclo gravado por Thomas Adès regendo a Britten Sinfonia. O desafio é grande, mas acho que o conjunto é excelente. Minha maior expectativa era a Nona Sinfonia. Bom, se você gosta de Beethoven apresentado com intensidade, clareza e tempos justos, vai gostar muito destas gravações. Ouça e depois, me conte!

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Sinfonia No. 7 em lá maior, Op. 92

  1. Vivace
  2. Allegretto
  3. Presto meno assai
  4. Allegro con brio

Sinfonia No. 8 em fá maior, Op. 93

  1. Allegro vivace con brio
  2. Allegretto scherzando
  3. Tempo di Menuetto
  4. Allegro vivace

Sinfonia No. 9 em ré menor, Op. 125 ‘Choral’

  1. Allegro ma non troppo, un poco maestoso
  2. Allegro vivace
  3. Adagio molto e cantabile
  4. Allegro assai

Gerald Barry (b. 1952)

  1. The Eternal Recurrence

Jennifer France, soprano

Christianne Stotijn, mezzo-soprano

Ed Lyon, tenor

Matthew Rose, baixo

Britten Sinfonia Voices – Royal Holloway Choir

Britten Sinfonia

Thomas Adès

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Lascou!

O artigo de Benjamin Poore, que pode ser lido na íntegra aqui, diz:

Bacchic ebullience in Beethoven from Thomas Adès at the Barbican

Adès’ reading of this symphony was precise and propulsive. So far, so Nietzschean – but I have some misgivings. When Wilhelm Fürtwangler reclaimed the symphony at Bayreuth in 1951, he spotlighted its moments of faltering doubt and vulnerability: in places it is is unsure of its own ability to summon joy and brotherhood into the world; sometimes it turns its back on human community altogether. The self-assurance of Adès performance seemed to cast aside the uncertainties and frailties of this music, perhaps occluding its deeper significance.  

Fragilidades? Veja lá…

Aproveite!

RD

Postagens anteriores:

#BTHVN250 Beethoven (1770-1827): Sinfonias 1, 2 & 3 · ∾ · G. Barry (1952): Beethoven / Concerto para Piano (Adès / Britten Sinfonia) ֍

#BTHVN250 Beethoven (1770-1827) · ∾ · Sinfonias Nos. 4, 5 & 6 · ∾ · Britten Sinfonia & Thomas Adès ֍

A Obra Completa de Béla Bartók (1881 – 1945): Concertos para Piano Nos. 1 e 2 – Maurizio Pollini – CSO – Claudio Abbado ֍ #BRTK140

A Obra Completa de Béla Bartók (1881 – 1945): Concertos para Piano Nos. 1 e 2 – Maurizio Pollini – CSO – Claudio Abbado ֍ #BRTK140

Béla Bartók

Concertos para Piano Nos. 1 e 2

Maurizio Pollini

Chicago Symphony Orchestra

Claudio Abbado

 

Em janeiro faz muito, muito frio em Chicago. Apesar do frio, eu estava muito animado para ouvir Günter Wand reger a CSO interpretando a Primeira Sinfonia de Brahms. O concerto foi memorável e eu trouxe como souvenir um CD comprado na Symphony Store – o disco desta postagem – Bartók, Pollini, CSO e Abbado!

A música não poderia ser mais diferente e eu estava começando a explorar um repertório, digamos assim, mais ousado. Eu já tinha ótimas indicações sobre o disco: a melhor gravação dos Concertos para Piano de Bartók, dizia meu modernoso amigo, que considerava o Terceiro Concerto menos interessante.

Furtwängler e sua batuta…

Realmente, o disco é primoroso – uma referência. Poderia acrescentar que o Primeiro Concerto foi composto em 1926 e teve o compositor como solista na estreia em um festival em Frankfurt, onde a regência ficou a cargo de Wilhelm Furtwängler. O pessoal achou que aquilo era música de outro planeta – percussiva, dissonante, intensa e uma orquestração exuberante. Os críticos americanos falaram em unmitigate ugliness e estavam certos. Música não precisa ser ‘bonita’ e a peça é maravilhosa exatamente por ser tudo isso.

Bartók e Hans Rosbaud

O Segundo Concerto é de 1930-31 e também foi estreado pelo compositor em Frankfurt, agora com Hans Rosbaud regendo a Orquestra da Rádio de Frankfurt. O próprio Bartók disse que este outro concerto tem um material temático mais agradável e uma orquestração mais fácil.

No livreto da última edição que comprei há notas interessantíssimas escritas por Ingo Harden que nos informa que Bartók estava sem compor por uns três anos devido as suas muitas turnês como pianista, mas também devido às tendências observadas no cenário musical daqueles dias. Havia uma polarização entre o serialismo proposto por Schoenberg e a tendência neoclássica trazida por Stravinsky. Bartók apresentou uma terceira via, pois que seus concertos seguem os modelos já estabelecidos, mas com uma força, uma linguagem totalmente inovadora e que a interpretação de Pollini – CSO & Abbado revelam em seu estado mais puro.

Este disco não poderia faltar neste momento que trazemos aos nossos leitores um panorama mais completo da obra do compositor, mas ele já foi apresentado no blog anteriormente. Foi postado em 18 de março de 2010 pelo Carlinus e posteriormente pelo FDP Bach como parte de uma coleção das gravações de Pollini-Abbado. Assim, esta postagem se caracteriza como mais uma PQP-Originals.

Veja aqui o texto da postagem mais antiga:

‘Este CD, que desde que me veio à mão eu não cesso de ouvi-lo, é um imperativo categórico: precisa ser postado. Sei que o PQP vai admirar. Afinal, temos Bartok e Pollini. É música arrebatadora, com certeza. Digo apenas que é um registro para ouvir com atenção, de joelhos. É o álbum que mais ouvir esta semana. Cada vez que o ouço, acho um detalhe novo, um ângulo que exige atenção. Fico perplexo diante de time tão poderoso. Simplesmente, Pollini e Abbado a reger um dos compositores que mais admiro, Bartok – um gigante da música do século XX. É ouvir e se deleitar. Estou “ensaboando” as palavras. É assim que se procede quando não achamos termos precisos para descrever aquilo que é magnífico. Bom deleite!’

Béla Bartók (1881 – 1945)

Concerto para Piano e Orquestra No. 1

  1. Allegro moderato – Allegro
  2. Andante – Allegro – ataca:
  3. Allegro molto

Concerto para Piano e Orquestra No. 2

  1. Allegro
  2. Adagio – Presto – Adagio
  3. Allegro molto – Presto

Igor Stravinsky (1882 – 1971)

Três Movimentos de ‘Petrushka’, para piano solo

  1. Danse russe. Allegro giusto
  2. Chez Pétrouchka
  3. La semaine grasse. Com moto – Allegretto – Tempo giusto – Agitato

Maurizio Pollini, piano

Chicago Symphony Orchestra

Claudio Abbado

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FLAC | 275 MB

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MP3 | 320 KBPS | 151 MB

Os arquivos musicais desta postagem são de uma reedição do álbum e traz também os Três Movimentos de Petrushka, de Igor Stravinsky. Esta gravação faz parte de um disco lançado pela Deutsche Grammophon com peças de diversos compositores e é um monumento em si mesmo. Acho que as peças de Stravinsky funcionam muito bem como encores após os dois concertos do Bartók. Você poderá ouvir muitas vezes, todos nós compreenderemos.

Aproveite!

RD

‘Roberto’ Abbado e ‘Erasmo’ Pollini

Mozart (1756-1791): Concertos para Piano Nos. 25 e 18 – Rudolf Firkušný – Southwest German RSO – Ernest Bour ֎

Mozart (1756-1791): Concertos para Piano Nos. 25 e 18 – Rudolf Firkušný – Southwest German RSO – Ernest Bour ֎

Mozart

Concertos para Piano Nos. 25 & 18

Rudolf Firkušný

Há um crítico de música que se encaminhou para esta carreira com um único propósito – mostrar falsa a afirmação feita com empáfia pelo arrogante professor de Apreciação Musical:

Mozart é perfeito!

‘I bristled and set out to prove the man wrong!’

Ele escreveu em um de seus artigos: ‘Uma profunda resistência a Mozart não aprecia um bom augúrio para alguém que pretendia iniciar uma carreira que tivesse qualquer coisa a ver com música clássica!’ Se fosse Shostakovich, Hindemith ou Schoenberg, talvez fosse ainda possível, mas Mozart, pensei…

Realmente, pode parecer um pouco chocante ouvir alguém com interesse em música dita clássica uma afirmação como – não suporto Mozart!

Mesmo tendo mais de …. anos, continuo a me espantar quando ouço alguém afirmar com ênfase, e em alguns casos, até disfarçado prazer, que ‘não suporta a música de tal ou tal compositor’. Espanta-me afirmações assim peremptórias – detesto Rachmaninov! Tal radicalidade me parece tão improvável quanto o reverso – Ora, todo o mundo adora Rachamaninov!

Certa vez, um colega da universidade levou-me a fita cassete com a Sinfonia do Novo Mundo, que eu gostava tanto, para devolvê-la no outro dia e dizer, com um muxoxo: É bonitinha, mas meio cansativa, com tantas repetições dos temas. Ela acabou ficando um pouco chatinha… Disse assim e deixou-me, com a fita na mão. Que amigo urso! A Sinfonia nunca mais me foi a mesma. Amigos, cuidado com a má palavra descuidadamente lançada…

Estou mencionando tudo isto por razão de ser o tema da postagem Concertos para Piano de Mozart. Para mim eles são, senão provas, pelo menos evidências da quase perfeição de Mozart. Quem me garante isso é alguém que tem até mais experiência do que eu, não é, Miles?

Não sei que pensava o tal professor daquele que depois se fez crítico, mas definitivamente há Mozart e há Mozart. Dia destes a tentativa de audição de algumas sinfonias juvenis do nosso herói redundou em completo fracasso. Não passei da primeira. E olha que eram regidas pelo recomendado Jeffrey Tate!

Assim, começo a perceber que quando imagino perfeição e Mozart, certamente há que se fazer opções. Cada um de nós deve ter seu repertório de perfeições mozartianas. Até o próprio James Oestreich reconhece certos lampejos, rasgos de perfeição: ‘Minha resistência ao compositor gradualmente se erodiu em face de descobertas como ‘Le Nozze di Figaro’, especialmente as arrepiantes harmonias do final do ato II, a Gran-Partita para sopros, especialmente o primeiro Adagio que é de outro mundo’… E ele segue enumerando mais algumas obras, incluindo o Concerto para Clarinete.

Ernest Bour

Ele volta a resmungar sobre certas outras coisas, mas acabei por considerar que o Andante do Concerto para Piano No. 18 facilmente estaria na minha lista das perfeições do Wolferl! Especialmente quando interpretado pelo pianista Rudolf Firkušný, acompanhado pela Orquestra da Radio Alemã, regida pelo Ernest Bour. Este disco é da mesma safra do que foi postado anteriormente aqui.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Concerto para Piano No. 25 em dó maior, K. 503

  1. Allegro maestoso
  2. Andante
  3. Allegretto

Concerto para Piano No. 18 em si bemol maior, K. 456

  1. Allegro vivace
  2. Andante
  3. Allegro vivace

Rudolf Firkušný, piano

Southwest German Radio Symphony Orchestra

Ernest Bour

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FLAC | 256 MB

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MP3 | 320 KBPS | 130 MB

Rudolf e o coqueiro de Piratininga…

Esta postagem só foi possível graças a colaboração de dois caros amigos parceiros aqui do blog… A eles, meu obrigado!

Aproveite!

René Denon

Não deixe de visitar:

Mozart (1756-1791): Concertos para Piano Nos. 9 e 24 & Quarteto com Piano K. 478 – Rudolf Firkušný ֎

 

J. S. Bach (1685-1750): Paixão segundo São Mateus – McCreesh ֍

J. S. Bach (1685-1750): Paixão segundo São Mateus – McCreesh ֍

Bach

Paixão Segundo São Mateus

Gabrieli Consort & Players

Paul McCreesh

 

A Dor dos Outros

Um dos muitos livros que não terminei de ler, mas que muito me impressionou e me fez pensar (afinal, para que servem os livros, se não para isso?) é ‘Sobre fotografia’ da inquieta e inteligentíssima Susan Sontag. Ela fala entre outras coisas da banalização da imagem da dor devido à superexposição: As fotos de Don McCullin dos biafrenses magérrimos no início da década de 1970 produziram menos impacto, para alguns, do que as fotos de Werner Bischof das vítimas indianas da fome no início da década de 1950, porque estas imagens tornaram-se banais, e as fotos das famílias tuaregues que morriam de fome na África subsaariana, publicadas em revistas de todo o mundo em 1973, devem ter parecido, a muitos, uma reprise insuportável de uma exibição de atrocidades já familiar.

O tema da insensibilização diante a superexposição dos horrores é muito próprio para o momento atual. Há um ano, horrorizei-me com as cenas de veículos militares levando caixões de vítimas do Covid em Bergamo. Mal sabia do que ainda estava por vir. Mais inquietante ainda: o que está ainda por vir? A insensibilidade diante da dor do outro é o tema que tenho considerado neste período que antecede a Sexta-Feira Santa e o Domingo de Páscoa. Como temos sido expostos ao crescente número de vítimas desta pandemia, resultado de tantos desencontros, desacertos e erros crassos, estamos sujeitos a este processo de insensibilização, que nos torna mais duros, menos simpáticos à dor do próximo. Preciso dizer também que este processo nos torna mais vulneráveis, menos cuidadosos?

Quanto mais será necessário para nos horrorizar? Enquanto escrevo o ‘número’ aproxima-se célere da barreira de 300 000. Possivelmente, esta barreira já foi pulverizada.

Foto do Portal de Notícias G1

Hoje vi a foto do corpo um homem velho, magérrimo, deitado no chão da enfermaria onde recebera a última tentativa de ajuda. Ao seu lado, sentada estava a enfermeira, vencida, cansada. A posição do homem lembra imagens de um crucificado. Impossível, mesmo com o risco de pecar, não relacionar as imagens. Vamos permitir que esta imagem passe, sem nos escandalizar? E o que faremos, como seremos daqui para frente?

O que nos pode dizer hoje, especialmente nestes dias conturbados, o sacrifício que é narrado e comentado nesta música tão perfeita? Confesso, aproximei-me com temeridade da audição desta obra. Tenho evitado estas obras mais sérias, mas a ocasião me obriga. Veja, pense, sinta… e ouça.

Matthias Grünewald

Escolhi uma gravação muito diferente, mesmo se considerarmos as gravações historicamente informadas, ela é diferente. Acho que o momento nos pede para sairmos de nossa ‘zona de conforto’. Neste sentido, McCreesh vai mexer com sua percepção da obra.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Paixão segundo São Mateus BWV 244

Gabrieli Consort & Players

Coro I:

Deborah York, soprano

Magdalena Kožená, mezzo-soprano

Mark Padmore, tenor

Peter Harvey, baixo

Coro II:

Julia Gooding, soprano

Susan Bickly, mezzo-soprano

James Gilchrist, tenor

Stephan Loges, baixo

Ulla Munch, soprano in ripieno

Paul McCreesh

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FLAC | 663 MB

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MP3 | 320 KBPS | 371 MB

Paul McCreesh

Aproveite, se puder…

Cuide-se!

René Denon

Aaron Copland (1900-1990) & Gerald Finzi (1901-1956): Concertos para Clarinete – Sarah Williamson ֎

Copland – Finzi

Concertos para Clarinete

Sarah Williamson

Orchestra of the Swan

David Curtis

É bem possível que a menção ‘Concerto para Clarinete’ remeta ao concerto escrito por Mozart para seu amigo Anton Stadler, mas há mais música para clarinete e orquestra além dele. Este lindo disco mostra isto, de sobra.

Dois concertos de dois compositores que nasceram muito próximos no tempo, mas separados por um oceano.

Em 1947 o clarinetista de jazz, Benny Goodman, pediu a Aaron Copland que lhe compusesse um concerto, se possível, puxado para o jazz… Copland foi muito feliz em sua composição do concerto, que abre o disco com um belíssimo primeiro movimento.

O clima muda de América para uma pastoril Inglaterra – a segunda peça do disco é um Romance, para orquestra de cordas, uma peça de uns sete minutos, muito inglesa, composta por Gerald Finzi. Na sequência, o seu Concerto para Clarinete. Este concerto também teve um padrinho, o clarinetista Frederick Thurston, que foi o solista na primeira apresentação, sob a regência do próprio Gerald Finzi. Eu não consigo ouvir só uma vez o último movimento deste concerto, um belíssimo Rondo – Allegro giocoso – música verdadeiramente deliciosa de se ouvir.

Para completar o programa, uma das peças mais conhecidas de Aaron Copland – a Suíte do Balé Appalachian Spring, na qual continua brilhando o clarinete. Eu mal consigo me conter a espera do hino dos Shakers, o Simple Gifts. Como não gostar?

Aaron Copland (1900 – 1990)

Concerto para clarinete

  1. Very Slow
  2. Cadenza & III. Rather fast

Gerald Finzi (1901 – 1956)

Romance para orquestra de Cordas

  1. Romance

Concerto para clarinete

  1. Allegro vigoroso
  2. Adagio ma senza rigore
  3. Rondo. Allegro giocoso

Aaron Copland (1900 – 1990)

Appalachian Spring

  1. Very slow
  2. Fast
  3. Moderato
  4. Fast & V. Still faster
  5. As at first (slowly)
  6. Calm and flowing (Simple Gifts)
  7. Moderato: Coda

Sarah Williamson, clarinete

Orchestra of the Swan

David Curtis

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FLAC | 327 MB

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MP3 | 320 KBPS | 189 MB

A clarinetista, na época da gravação do disco (2009) estava no início de sua carreira como solista e a gravação faz parte de uma série que dá exatamente oportunidade a talentos em início de carreira. O colunista do The Guardian, Andrew Clements, esperava mais da orquestra, e eu entendo. Mas, considerando a beleza da música acho que vale a pena ouvir, a menos que você seja por demais exigente…

Eu gostei muito e aqui está, um sopro de beleza em meio a tanto desalento.

Aproveite!

René Denon

PS: Para você que também mal consegue esperar pela melodia dos Shakers – Simple Gifts – não deixe de ouvir a faixa 10 deste aqui:

.: interlúdio :. The Gift ∞ Música para o dia de Natal ∞

Se você gostou especialmente da música de Gerald Finzi, talvez queira ouvir este disco:

Butterworth (1885-1916) / Parry (1848-1918) / Bridge (1879-1941) – Música para Orquestra de Câmara – English String Orchestra – William Boughton

J. S. Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo – The Amsterdam Baroque Orchestra & Ton Koopman ֎ #BRANDENBURGAÇO

J. S. Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo – The Amsterdam Baroque Orchestra & Ton Koopman ֎ #BRANDENBURGAÇO

Bach

Concertos de Brandenburgo

The Amsterdam Baroque Orchestra

Ton Koopman

 

A gravação dos Brandenburgos oferecida pela The Amsterdam Baroque Orquestra regida pelo multitalentoso (organista, cravista, regente…) Ton Koopman é uma excelente opção ao lado da gravação feita por Pinnock (AP), especialmente para quem prefere expressivos contrastes menos precisamente marcados.

Mais ou menos assim começa o verbete no The Penguin Guide to Compact Disc, editado por Ivan March e pals, em 1996. Incríveis 25 anos se passaram e o álbum continua gracioso como sempre. O utilíssimo comentário, que atribui três estrelinhas à gravação, acrescenta o fato de que no Terceiro Concerto, a título de movimento lento, Koopman nos oferece a Toccata em sol maior, BWV 916, fazendo uma ponte entre os dois movimentos rápidos.

Esta postagem é uma revalidação (pelo menos dos Concertos de Brandenburgo) de outra, que foi ao ar em 21 de março de 2012, postada pelo Carlinus – justamente para comemorar o níver do João Sebastião Ribeiro. Aqui temos a revalidação com links novos para as versões flac e mp3 na nossa série PQP-Originals.

Veja o texto da postagem original:

Em homenagem ao dia natalício de Johann Sebastian Bach!!! Os Concertos de Brandenburgo são uma das páginas mais famosas e importantes da música barroca, além do que é uma das obras mais populares do vasto material de Johann Sebastian Bach. Estes concertos foram compostos no período que vai de 1718 a 1721 e ficaram esquecidos após o ano de 1734. Somente no século XIX é que voltaram a ser explorados e tocados. São uma das obras mais belas de todos os tempos. Vale a pena ouvir e se entusiasmar. Existe uma outra gravação aqui no blog com o inglês Trevor Pinnock, alguém que é especialista no repertório barroco e, principalmente, em Bach. Dessa vez, apresento o holandês Ton Koopman, outro especialista em Bach. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Concertos de Brandenburgo

CD 1

Concerto No.1 em fá maior, Bwv 1046

  1. [Allegro]
  2. Adagio
  3. Allegro
  4. Minuet -Trio 1 – Minuet 2 – Polonaise – Minuet 3 – Trio 2 – Minuet 4
Monica Hugget, violino piccolo
Ku Ebbinge · Michel Henry Dombrecht, oboés
Michel Garcin Marrou · Jos Konings, trompas

Concerto No. 2 em fá maior, BWV 1047

  1. [Allegro]
  2. Andante
  3. Allegro assai
Ricardo Kanji, flauta doce
Alison Bury, violino
Ku Ebbinge, oboé
Crispian Steele Perkins, trompete

Concerto No.3 em sol maior, Bwv 1048

  1. [Allegro]
  2. Adagio
  3. Allegro
Monica Hugget · Alison Bury · Graham Cracknell, violinos
Jan Schlap · Trevor Jones · Nicola Cleminson, violas
Jaap Ter Linden · Richte Van Der Meer · Wouter Möller, violoncelos

CD 2

Concerto No.4 em sol maior, Bwv 1049

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Presto
Monica Hugget, violino
Ricardo Kanji · Reine-Marie Verhagen, flautas doces

Concerto No. 5 em ré maior, BWV 1050

  1. Allegro
  2. Affetuoso
  3. Allegro
Wilbert Hazelzet, flauta
Roy Goodman, violino
Ton Koopman, cravo

Concerto No. 6 em si bemol maior, BWV 1051

  1. [Allegro]
  2. Adagio ma non tanto
  3. Allegro
Jan Schlapp · Trevor Jones, violas
Christopher Coin · Sarah Cunningham, violas da gamba
Jaap Ter Linden, violoncelo

The Amsterdam Baroque Orchestra

Ton Koopman

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FLAC | 534 MB

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MP3 | 320 KBPS | 253 MB

A The Amsterdam Baroque Orquestra recebeu um reforço considerável de uma constelação de solistas ingleses. Veja os nomes listados…

Ton ensaiando a Orquestra PQP Bach no PQP Bach Hall de Nictheroy

Aproveite!
René Denon

J. S. Bach (1685 – 1750): Concertos de Brandenburgo – Hanover Band & Anthony Halstead ֎ #BRANDENBURGAÇO

J. S. Bach (1685 – 1750): Concertos de Brandenburgo – Hanover Band & Anthony Halstead ֎ #BRANDENBURGAÇO

Bach

Concertos de Brandenburgo

Hanover Band

Anthony Halstead

 

Em 1977 duas sondas espaciais, Voyager I e II, foram lançadas no espaço pela NASA com o objetivo de explorar os planetas do sistema solar e usando a força gravitacional dos bitelões serem lançadas no espaço interestelar. Coisa de filme de ficção científica. Clicando aqui você poderá descobrir onde elas estão neste momento.

Uma das missões destas viajantes estelares é levar a quem interessar possa, mensagens do planeta Terra. Nestes terríveis dias em que estamos vivendo, particularmente aqui no Brasil, não creio que algum tipo de vida ‘inteligente’ venha nos pagar uma visitinha, tomar um café. Mas eles terão a oportunidade de ver algumas imagens de como é a vida na Terra ou pelo menos como era em 1977. Isto porque as naves levam um disco com informações do tipo imagens, sons e até músicas e recados dados pelas pessoas que prepararam e lançaram as naves e, portanto, leva a perspectiva deles do que há na Terra. Como tudo foi supervisionado pelo Carl Sagan, podemos esperar, pelo menos boas e bem fundadas intenções.

No topo da lista das músicas gravadas no tal disco de ouro está o primeiro movimento do Concerto de Brandenburgo No. 2, interpretado pelo que na época era o melhor intérprete de Bach – Karl Richter regendo sua Orquestra Bach de Munique.

Christian Ludwig Markgraf von Brandenburg

Como o tempo voa, fosse hoje possivelmente a mensagem não estaria em um disco, mas em um pen drive e poderia levar todos os seis concertos reunidos por Bach para encher os olhos do Margrave de Brandenburgo para que este lhe oferecesse um emprego. Certamente a disputa para ser o escolhido como o melhor intérprete dos Brandenburgos seria muito acirrada. Instrumentos de época, um instrumento apenas para cada parte, escolha do tom e essas coisas dariam panos para mangas.

Halstead

O fato é que neste 24 de março de 2021 a famosa dedicatória lisonjeira escrita por Bach para o Margrave completa 300 anos e como nós aqui do PQP Bach não perdemos a oportunidade de postar as coisas que gostamos, aqui vai mais uma ótima gravação destes seis lindíssimos concertos. A Hanover Band é uma das muitas pioneiras orquestras inglesas que se especializou em interpretar música antiga (barroca, clássica) usando instrumentos e práticas de época. Na verdade, se você observar os nomes dos instrumentistas verá que eles se repetem em várias outras orquestras similares. Mas aqui eles estão, nesta gravação, sob a regência e liderança de Anthony Halstead, que toca cravo em essencialmente todos os concertos, mas toca trompa no primeiro deles.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Concertos de Brandenburgo

CD 1

Concerto No.1 em fá maior, Bwv 1046

  1. [Allegro]
  2. Adagio
  3. Allegro
  4. Minuet -Trio 1 – Minuet 2 – Polonaise – Minuet 3 – Trio 2 – Minuet 4 7

Concerto No.3 em sol maior, Bwv 1048

  1. [Allegro]
  2. Adagio
  3. Allegro

Concerto No.4 em sol maior, Bwv 1049

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Presto

CD 2

Concerto No. 5 em ré maior, BWV 1050

  1. Allegro
  2. Affetuoso
  3. Allegro

Concerto No. 2 em fá maior, BWV 1047

  1. [Allegro]
  2. Andante
  3. Allegro assai

Concerto No. 6 em si bemol maior, BWV 1051

  1. [Allegro]
  2. Adagio ma non tanto
  3. Allegro

Hanover Band

Anthony Halstead

(Os nomes dos músicos em cada um dos concertos se encontram no encarte, junto com os arquivos musicais)

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FLAC | 477 MB

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MP3 | 320 KBPS | 300 MB

“The spacecraft will be encountered and the record played only if there are advanced spacefaring civilizations in interstellar space.”

– Carl Sagan

The Hanover Band’s gutsy playing stripped decades of varnish from the score with sound that was full-blooded…”

THE TIMES, EDINBURGH FESTIVAL

Aproveite!

René Denon

PS: Outra gravação porreta dos concertos do Margrave você encontrará aqui:

J. S. Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo – Concerto Italiano & Rinaldo Alessandrini

Bach (1685-1750): Variações Goldberg, BWV 988 – Maggie Cole, cravo ֎

Bach (1685-1750): Variações Goldberg, BWV 988 – Maggie Cole, cravo ֎

 

Bach

Variações Goldberg

Maggie Cole, cravo

 

 

Depois de tanto tempo sentado diante de suas anotações cheias de diagramas e fórmulas, o homem começou a pestanejar, entrando em um estado de torpor. A luz tremula vinda das chamas da lareira ajudava a fazer com que as fórmulas e esquemas começassem lentamente a se mover, primeiro no papel, depois pairando sobre a atulhada mesa de trabalho, girando numa estranha dança.

Havia já bastante tempo que ele buscava uma representação para a descoberta que satisfizesse os axiomas da teoria, mas era um terrível quebra-cabeça que sempre terminava com alguma peça sobrando ou faltando. Tantas vezes percorrera aquelas sendas e caminhos em seus pensamentos que só mesmo com muita persistência continuava tentando descobrir a solução do desafio.

August Kekulé

Foi então que entre as fórmulas que lhe dançavam diante dos olhos percebeu algo de novo, uma cobra que se enrolava, se enroscava e finalmente, abocanhava o próprio rabo. Ele acordou subitamente e num estalo fechou a questão. A cobra engolindo seu próprio rabo é um símbolo que lhe indicou a solução para o problema que tanto lhe desafiara – uma estrutura cíclica – um anel acomodando os seis átomos de carbono, cada um com quatro ligações, e mais seis átomos de hidrogênio com uma ligação cada – a molécula de benzeno! Quem contou esta história foi o próprio cientista, o químico Friedrich August Kekulé, que em 1865, aos 36 anos resolveu com um insight o problema de encontrar o modelo da estrutura da molécula de benzeno, inspirado no famoso símbolo da cobra engolindo o próprio rabo – ouroboros – que lhe ocorrera em um sonho.

A sensação de fazer uma descoberta como esta é inebriante e é uma das razões pelas quais muitas pessoas dedicam seu tempo e energia e talentos buscando ampliar o que já conhecemos. Mesmo modestas, pequenas descobertas ou até a resolução de um pequeno problema já indica como isto pode ser atraente e fascinante.

Eu lembrei desta história, de uma estrutura circular, quando estava a caça de uma boa gravação das Variações Goldberg, parte da minha busca de gravações das obras para teclado de João Sebastião Ribeiro interpretadas ao cravo. Eu sempre me esforço para poder ouvir a obra toda, o ciclo que se fecha na repetição da ária, ouroboros!

Maggie Cole

Dois critérios são importantes para minhas escolhas nestas postagens com música interpretada ao cravo. A qualidade do som e o andamento usado pelo intérprete, itens essenciais, na minha opinião. Meus candidatos para a postagem envolviam, além da escolhida Maggie Cole, Kenneth Gilbert no selo harmonia mundi e Pierre Hantaï, na primeira de suas gravações, no selo Opus 111. Hantaï é o queridinho de vários de nossos blogueiros e não é por pouca coisa, o cara é um bamba. Portanto, sua gravação já foi postada aqui. Assim, fiquei ouvindo Maggie, depois Kenneth, Kenneth de novo, depois Maggie, que acabou ganhando por pequeniníssimos detalhes. A gravação dela tem as repetições, por exemplo. O disco tem uma capa muito bonita e o selo Virgin Classics deixou saudades. De qualquer forma, para os dias com menos tempo para música, Kenneth Gilbert will fill the bill, nicely!

A música, bem, o que dizer? Que é uma das mais lindas que o grande João compôs? Que o Quodlieb e a Pérola Negra são as coisas mais lindas que você já ouviu? Que quando a ária é tocada pela primeira vez e ao seu final, ao passar para a primeira das variações, meu coração se enche de alegria? Bom, a tudo isto acrescento que quando a ária retorna, fechando o ciclo, sinto grande satisfação e tenho que me conter para não recomeçar tudo de novo.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Variações Goldberg

Maggie Cole, cravo

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FLAC | 514 MB

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MP3 | 320 KBPS | 180 MB

“A graceful, vital musician with an elegant technique and a razor-sharp feeling for phrasing and accent.”

New York Times

“Maggie Cole’s spirited, poetic and disciplined playing illuminates each and every one of Bach’s Goldberg Variations on her Virgin Classics recording.”

Gramophone

“Cole’s recording of the Goldberg Variations is a wonderful surprise musically and acoustically. She glides across the keyboard with great grace, and in the technically demanding passages, Bach’s intricate music is displayed to awesome effect.”

Billboard

Está esperando o que?

Aproveite!

René Denon

Maggie Cole nos jardins do Palacete PQP Bach no Cosme Velho, explicando como consegue aquelas perfeitas cruzadas de mãos para o atônito comitê do PQP Bach local…

Cécile Chaminade (1857-1944) – Jean Françaix (1912-1997) – Claude Debussy (1862-1918) – Lili Boulanger (1893-1918): Trios com Piano – Atos Trio ֎

Cécile Chaminade (1857-1944) – Jean Françaix (1912-1997) – Claude Debussy (1862-1918) – Lili Boulanger (1893-1918): Trios com Piano – Atos Trio ֎

Trios com Piano

/thefrenchalbum/

/atostrio/

Atos Trio

 

Todos acudiram à porta do escritório do eminente matemático francês Lagrange na recém-criada École Polytechnique ao ouvirem os brados do sábio, surpreso com mais uma lista de problemas resolvidos perfeitamente pelo supostamente medíocre aluno Monsieur LeBlanc.

Naqueles dias, no finalzinho do século XVIII, o material de estudo e as listas de problemas ficavam à disposição dos alunos, que retornavam suas observações e soluções para serem avaliadas. Monsieur LeBlanc já era contado como alguém que não prosseguiria nos estudos, quando suas tarefas passaram a exibir soluções brilhantes, engenhosas e criativas. A criatividade e a imaginação são características apreciadas tanto nas artes como nas ciências.

Finalmente, Lagrange exigiu um encontro com o estudante e para sua surpresa, deparou-se com uma jovem – Mademoiselle Sophie Germain. Naqueles dias, as moças eram impedidas de estudar ciências como a Matemática. Havia inclusive uma literatura específica para elas, para que aprendessem apenas o necessário para as suas receitas e manejo de contas nos armarinhos.

Para a sorte de Germain e de todos, pois seu exemplo certamente ajudou a quebrar, ou pelo menos a trincar um paradigma, o sábio Lagrange não se importava nem um pouco com o fato de ela ser mulher e continuou a orientá-la e incentivá-la.

Lembrei-me desta história ao ouvir este adorável disco com peças para Trio com Piano de quatro compositores franceses, dois deles mulheres. É verdade que estas compositoras viveram basicamente um século depois de Sophie Germain, mas as mudanças na cultura e na sociedade são muito lentas. Assim como Sophie, elas enfrentaram resistência para realizar suas aspirações artísticas, mas tiveram a sorte de encontrar quem reconhecesse seus talentos e as ajudassem a prosseguir.

Cécile Cheminade, compositora da primeira peça do disco, impressionou Bizet ainda muito jovem e foi estudar no Conservatório de Paris. Foi compositora e pianista. Este trio foi composto quando ela tinha 30 anos. Ela foi a primeira compositora a ser agraciada com a legion d’honneur em 1913.

A mudança da primeira peça, que tem seus toques românticos e um lindo e melodioso movimento Lento, para o relativamente recente Trio de Jean Françaix é muito estimulante. Composto em 1986, esta peça alegre, com tons jazzísticos, não parece ter sido composta por um senhor nos seus 74 anos.

Como um contraponto a isto, em seguida temos o Trio de Claude Debussy, que foi composto quando ele tinha ainda 18 anos e servia como pianista em residência da família da milionária russa Nadeschda von Meck, em Fiesole, perto de Florença.

A última peça do disco é da compositora Lili Boulanger, irmã mais nova da importante compositora e professora de composição, Nadia Boulanger. Lili teve seus talentos musicais assim como seu ouvido perfeito descobertos por Gabriel Fauré e foi a primeira mulher a ganhar o Prix de Rome. Lamentavelmente, ela morreu ainda bem jovem.

Interpretando este lindo e colorido disco temos um ótimo conjunto alemão, formado por Annette Hehn, violino, Stefan Heinemeyer, violoncelo e ao piano Thomas Hoppe.

A nnette   T(h)o mas  e  S tefan   formam o Atos Trio!

Cécile Chaminade (1857 – 1944)

Trio com Piano No. 2 em lá menor, Op. 34 (1886)

  1. Allegro moderato
  2. Lento
  3. Allegro enérgico

Jean René Désiré Françaix (1912 – 1997)

Trio com Piano (1986)

  1. 5/8 = 52
  2. Scherzando
  3. Andante
  4. Allegrissimo

Claude Debussy (1862 – 1918)

Trio com Piano em sol maior (1880)

  1. Andante con motto alegro
  2. Scherzo
  3. Andante expressivo
  4. Finale appassionato

Marie-Juliette ‘Lili’ Boulanger (1893 – 1918)

D’um matin de printemps

  1. Trio com Piano

Atos Trio

Annette von Hehn, violino

Thomas Hoppe, piano

Stefan Heinemeyer, violoncelo

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MP3 | 320 KBPS | 166 MB

Eu achei muito próprio que o nome da matemática fosse Sophie e o da compositora Cécile!

Aproveite!

René Denon

O Atos Trio chegando para dar uma palhinha em uma conhecida livraria de Porto Alegre…

Debussy / Poulenc / Ravel / Françaix: Concertos para Piano de Compositores Franceses – Florian Uhlig, piano ֎

Debussy / Poulenc / Ravel / Françaix: Concertos para Piano de Compositores Franceses – Florian Uhlig, piano ֎

Debussy • Poulenc

Ravel • Françaix

Florian Uhlig, piano

Deutsche Radio Philharmonie

Saarbrücken Kaiserlautern

Pablo González

 

O carro com rodas largas e cheio de adesivos passou quase raspando junto ao guardrail e seguiu rosnando noite adentro – uma cena de filme de Steve McQueen… Esta é a imagem que me surge quando é mencionado a cidade de Le Mans – fundada por gauleses e cercada por romanos. Além das 24 Horas de Le Mans, a cidade tem uma bela catedral e um conservatório de música. O diretor era um Monsieur Françaix, casado com uma soprano. Como a semente não cai longe da árvore, Jean Françaix seguiu também na música, não antes de ser incentivado por ninguém menos do que Maurice Ravel, que elogiou sobretudo a curiosidade do garoto.

Nadia e Jean

Jean Françaix estudou piano com Isidor Philipp e composição com Nadia Boulanger no Conservatório de Paris. Seu Concertino para Piano é a pequena joia deste disco e foi seu primeiro sucesso. A estreia teve o compositor como solista acompanhado pela grande Berliner Philharmoniker. É uma lindeza de música, típica de Jean Françaix, cuja música foi caracterizada como gentil, urbana, fresca e envolvente em um outro libreto.

Este é um dos ‘concertos’ deste disco que tem selo alemão, repertório francês, orquestra e solista alemães e regente espanhol! São quatro compositores, cada um com uma peça. Os Concertos de Ravel e de Poulenc são bem conhecidos e excelentes. Um pouco diferente dos concertos outros, os franceses são mais leves, menos heroicos e com coloridos orquestrais múltiplos e intensos.

Catedral de Le Mans

A peça de Debussy é uma Fantasia para Piano e Orquestra com três movimentos, mas concebida como uma estrutura cíclica. Claude, que foi ótimo compositor de música orquestral e música para piano, deixou apenas esta peça com ‘cara’ de concerto. A obra é 1889-90 e fora enviada para a Académie des Beaux-Arts como parte das obrigações do ganhador do Prix de Rome. Ela teve sua estreia programada para um concerto da Société Nationale de Musique sob a regência de Vincent d’Indy. Como o programa era extenso, Vincent decidiu apresentar apenas um dos movimentos. O temperamental Claude arrebatou as partes orquestrais da obra e saiu batendo as portas. É claro que posteriormente escreveu uma carta ao Vincent desculpando-se, mas assim a peça ficou na gaveta por toda a vida do compositor.

Claude Debussy (1862 – 1918)

Fantasia para Piano e Orquestra

  1. I. Andante ma non troppo
  2. II. Lento e molto espressivo & III. Allegro molto

Jean Françaix (1912 – 1997)

Concertino para Piano e Orquestra em fá maior

  1. Presto leggiero
  2. Lent
  3. Allegretto
  4. Rondeau: Allegretto vivo

 

Francis Poulenc (1899 – 1963)

Concerto para Piano e Orquestra

  1. Allegretto
  2. Andante con moto
  3. Rondo a la francaise (Presto Giocoso)

Maurice Ravel (1875 – 1935)

Concerto para Piano e Orquestra em sol maior

  1. Allegramente
  2. Adagio assai
  3. Presto

Florian Uhlig (piano)

Deutsche Radio Philharmonie Saarbrücken Kaiserslautern

Pablo González

Gravação: 9 de fevereiro de 2012

Local da Gravação: SWR Studio Kaiserslautern, Emmerich-Smola-Saal, Alemanha

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MP3 | 320 KBPS | 173 MB

Florian extasiado com o luxo do Salão Turquesa da sede de campo da PQP Bach Corp. em Vitória

Eu tenho ouvido o disco com frequência, adoro este tipo de música. Assim, reunindo todas estas peças, montei esta postagem que, espero, você goste. Se ouvir o Concertino (que seja) uma vez, já me darei por satisfeito. Mas olha lá que o Concerto de Poulenc é também supimpa e tem também o do Ravel… Bom, deixo com você.

Aproveite!

René Denon

BBC Music Magazine – August 2013

Debussy’s unjustly-dismissed Fantasie and Francaix’s pithy Concertino are the highlights of this programme, superbly interpreted by Florian Uhlig.

Gramophone – August 2013

What an enticing programme this is…Uhlig proves a compelling advocate and the winds of the accompanying orchestra seem to gain in confidence as the work progresses…The über-compact Françaix Concertino is perhaps the highlight here, Uhlig and the orchestra vibrantly capturing the work’s myriad moods, culminating in a rip-roaring finale.

Olivier Messiaen (1908-1992): Quatuor pour la fin du temps – The Fibonacci Sequence – (5 de 5) ֍

Olivier Messiaen (1908-1992): Quatuor pour la fin du temps – The Fibonacci Sequence – (5 de 5) ֍

 

The Fibonacci Sequence

Quatuor pour la fin du temps

| Messiaen |

 

O mestre Leonardo não deixou de notar os muitos apetrechos de falcoaria jogados próximos da grande cadeira onde se assentava o ainda jovem imperador, cercado pelos sábios que o acompanhavam e faziam parte de seu entourage. A diferença de idade entre eles, de quase 24 anos, não atrapalhou a conversa que tiveram sobre as suas próprias formações – o quanto aprenderam com os sábios tanto do oriente quanto do ocidente.

Fibonacci, aos 55 anos, era o mais importante matemático daquela época e o livro que escrevera em 1202, Liber abaci, havia sido dedicado a Michael Scotus, o astrólogo do Imperador do Sacro Império Romano, Frederico II. Além de Michael, estavam por lá Theodorus Physicus, um filósofo, e Domenicus Hispanus, que havia sugerido o encontro ao imperador, naquela estada da corte em Pisa, em 1225. Alguns problemas foram propostos ao grande matemático por Johannes Palermo, outro sábio presente. Três destes problemas foram posteriormente incluídos com suas cuidadosas resoluções no livro Flos (Flores), escrito por Fibonacci e enviado ao imperador. Os problemas foram cuidadosamente escolhidos da literatura árabe. Um deles consistia em resolver a equação

que fora tirada de um livro de Omar Khayyam. Note que não se usava coeficientes negativos. E a equação fora proposta literalmente, uma vez que a simbologia que usamos hoje seria desenvolvida bem depois dos dias de Fibonacci. A resposta para este problema foi encontrada por aproximação e Fibonacci usou a representação sexagesimal para escrevê-la. Sua resposta foi 1.22.7.42.33.4.40 (elegante, não?) que significa

1.3688081075 em decimais, correta a resposta até a nona casa decimal. As soluções por radicais das equações de terceiro grau só seriam descobertas posteriormente por Tartaglia e Cardano, mas isto é outra história!

Em qual língua eles falaram e sobre o que realmente falaram só podemos conjecturar. Frederico falava nove línguas, latim, árabe e grego entre elas. Era versado em poesia e deixou um tratado sobre falcoaria. Se você se dispor a descobrir um pouco de seus feitos, ficará surpreso. Certamente eles tinham muitos temas para conversar.

Decidi terminar esta série de postagens sobre Fibonacci mencionando seu encontro com Frederico II para chamar um pouco a atenção para este interessantíssimo personagem e lembrar a importância do papel das figuras que conseguiram aproximar culturas diferentes.

Frederico II trocando umas ideias com al-Kamil

Frederico II enrolou o que pode, mas finalmente embarcou com seus exércitos rumo a Jerusalém, para cumprir sua promessa de realizar alguma Cruzada. No lugar de grandes batalhas, Frederico estabeleceu conversas diplomáticas com al Kamil, o Sultão do Egito, e conseguiu a retomada de Jerusalém, sem derramamento de sangue. Durante estes movimentos pela Terra Santa, houve intensa troca de desafios matemáticos entre os sábios do imperador e os sábios locais…

Quanto a Fibonacci, a última notícia que temos é de um decreto editado pela República de Pisa no ano de 1240, no qual um salário foi estabelecido ao

… sério e sábio Mestre Leonardo Bigollo

como reconhecimento de suas contribuições para o desenvolvimento dos conhecimentos matemáticos e de matemática financeira.

Assim nos despedimos também do grande Leonardo de Pisa ou Leonardo Bigollo, vulgo Fibonacci, cuja sequência 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, … inspirou este grupo de artistas ingleses que na busca das harmonias musicais tem nos oferecido alguns discos muito interessantes.

Este é o último disco da série de postagens, mas certamente não o último do conjunto, traz uma única peça musical que também tem uma grande história. O Quatuor pour la fin du temps (Quarteto para o Fim dos Tempos) foi escrito por Messiaen em 1940-41 quando ele era prisioneiro de guerra dos alemães em um campo na Silésia. A obra foi inspirada por uma passagem do Livro das Revelações, que fala de um anjo anunciando o fim dos tempos. Entre os prisioneiros havia um clarinetista, Henri Akoka, para o qual Messiaen iniciou a obra escrevendo um solo, chamado Abîme des oiseaux. Posteriormente um violinista, Jean Le Boulerie e um violoncelista, Étienne Pasquier, se uniram a eles e o projeto cresceu. A obra foi composta num período em que eles enfrentavam condições dificílimas e Messiaen recebeu alguma ajuda de um guarda do campo, chamado Karl Albert Brull. A estreia da peça se deu frente aos prisioneiros do campo, em 15 de janeiro de 1941 (80 anos daqui a três dias). Alguns meses depois Messiaen foi libertado devido a intervenção de Marcel Dupré. A combinação de instrumentos não era original, mas não é muito comum. Certamente não é Vivaldi nem Tchaikovsky, mas espero que esta obra composta em um momento de turbulência, de alguma forma, sirva de exemplo para nós, lembrando que mesmo os mais difíceis tempos passam, mesmo deixando suas marcas e cicatrizes.

Olivier Messiaen (1908 – 1992)

Quatuor pour la fin du temps
  1. Liturgie de cristal
  2. Vocalise, pour l’Ange qui annonce la fin du Temps
  3. Abîme des oiseaux
  4. Intermède
  5. Louange à l’Éternité de Jésus
  6. Danse de la fureur, pour les sept trompettes
  7. Fouillis d’arcs-en-ciel, pour l’Ange qui annonce la fin du Temps
  8. Louange à l’Immortalité de Jésus

The Fibonacci Sequence

Jack Liebeck, violino
Julian Farrell, clarinete
Benjamin Hughes, violoncelo
Kathron Sturrock, piano

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FLAC | 216 MB

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MP3 | 320 KBPS | 117 MB

“…dazzlingly good chamber ensemble…exuberantly expressive, intimate style… gorgeously idiomatic playing” The Times

Aproveite!

René Denon

Messiaen e o pessoal no ensaio para a estreia

Franz Schubert (1797 – 1828): Octeto – The Fibonacci Sequence – (4 de 5) ֍

Franz Schubert (1797 – 1828): Octeto – The Fibonacci Sequence – (4 de 5) ֍

The Fibonacci Sequence

Octeto

| Schubert |

 

Como era o mundo no qual viveu Fibonacci? O que sabemos sobre ele? Temos algumas informações deixadas nos seus próprios escritos e sendo assim, precisamos fazer um certo exercício para preencher as lacunas, chegando a algumas plausíveis possibilidades.

Na resenha de um livro sobre as Cruzadas, de Christopher Tyerman, lemos que ‘os tempos de Fibonacci eram os tempos das Cruzadas, do estabelecimento e rápido crescimento das universidades na Europa e tempos de fortes conflitos entre o Imperador do Sacro Império Romano, Frederico II (1194 – 1250), e o papado. As repúblicas de Pisa, Veneza, Gênova e Amalfi (cujas bandeiras hoje reunidas formam a bandeira da Marinha Italiana) viviam uma intensa rivalidade por todo o redor do Mediterrâneo, incluindo o Bizâncio e os países mulçumanos’.

O noroeste da África, o Magreb (poente, em árabe), onde fica o porto de Bugia, e grande parte da Península Ibérica, estava sob o domínio do Califado Almôada, que estabelecera um Império Berbere Muçulmano. O fim da vida de Fibonacci quase coincide com a retomada da Península Ibérica dos Muçulmanos, mas uma cultura tão rica que ali se estabelecera por tanto tempo não se extingue, mas perdura. Muitas e positivas foram suas influências.

Fibonacci não ficou apenas em Bugia, mas viajou por muitos centros culturais, sempre aprendendo e aprofundando seus conhecimentos de Matemática. Em Constantinopla estudou nos livros de um dos grandes matemáticos árabes, chamado Muhammad ibn Musa as-Khwarizmi. Um deles era chamado Kitab al-Mukhtasar fi Hissab al Jabr wa-I-Mugabala. Adivinhem de onde veem as palavras algoritmo e Álgebra! E olhe que nem vou falar de medicina, isso deixo para o Avicenna! Neste site aqui você poderá encontrar um resumo dos principais matemáticos árabes daqueles tempos passados.

Algumas perguntas que me propus no início destas postagens continuam abertas e algumas acabei respondendo por aproximação. Aliá, isto foi uma boa prática do Leonardo. Por exemplo, sabia Fibonacci falar árabe? Acredito que ele entendia e certamente deveria ser capaz de ler textos de Matemática. Seus escritos, como os textos científicos daqueles dias, foram escritos em latim (Liber abaci, Practica Geometriae, Liber Quadratorum), que fazia assim o papel do inglês hoje na comunidade científica.

Quais rotas e caminhos usou Fibonacci? Essa é difícil e não achei, pelo menos nos sites, muita informação. No entanto, encontrei um interessante site com informações sobre as diferentes rotas usadas pelos mercadores em torno do Mediterrâneo naqueles dias e foi assim que conjecturei a viagem de Leonardo de Pisa até Bugia.

Outra dúvida é: qual foi o papel de Guglielmo Bonacci naquela comunidade de mercadores de Pisa? Como disse, grande parte do entorno do Mediterrâneo estava sob o domínio do Califado Almôada. Em 1133 uma delegação de dignitários almôadas visitou Pisa e foi estabelecido um acordo mercantil. Pisa tinha representações comerciais tanto em Bugia quanto em Túnis. O pai de Fibonacci atuava em Bugia como publicus scriba, como ele próprio mencionou em seus escritos. Assim, teria toda a família se mudado para Bugia ou para lá foram apenas os dois? Os mercadores possuíam seus próprios funduqs (hotéis ou hospedarias). Como teria vivido lá o nosso herói? E mais uma: quais eram as mercadorias exportadas para a Europa. Um mapa que encontrei e agora não sei mais onde, fala em mel, cereais, frutas. Assim, podemos usar a imaginação e tentar preencher com mais detalhes esse rico período da vida de Leonardo de Pisa, o Fibonacci, em que ele viveu na África e de lá levou grandes e importantes conhecimentos que influenciaram enormemente o desenvolvimento tecnológico e científico que se deu a seguir.

E para acompanhar toda esta lenga-lenga, ótima música de Schubert, um dos meus compositores preferidos.

O Octeto é uma linda peça de Música de Câmara, que foi encomendada a Schubert pelo clarinetista Ferdinand Troyer. Ele era empregado do Arquiduque Rodolpho, amigo de Beethoven, compositor do Septeto Op. 20, que serviu de modelo para a peça de Schubert. A primeira audição foi na casa do Arquiduque, onde certamente a maioria das pessoas conhecia o Septeto. Tenho certeza que adoraram a peça de Schubert que consegue profundidade e maestria sem deixar de ser leve e graciosa. Tanto é que continua a ser largamente apreciada.

Franz Schubert (1797 – 1828)

Octeto em fá maior para clarinete, fagote, trompa, dois violinos, viola, violoncelo e contrabaixo, D. 803
  1. Adagio – Allegro
  2. Adagio
  3. Scherzo: Allegro vivace
  4. Andante
  5. Menuetto: Allegretto
  6. Andante molto – Allegro

The Fibonacci Sequence

Jack Liebeck, violino
Helen Peterson, violino
Yuko Inoue, viola
Benjamin Hughes, violoncelo
Duncan McTier, contrabaixo
Julian Farrell, clarinete
Richard Skinner, fagote
Stephen Stirling, trompa

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MP3 | 320 KBPS | 148 MB

‘dazzingly good chamber ensemble’    The Times

‘…no praise can be too high for the Fibonacci Sequence’s polished and dashingly committed performances…’    Gramophone

Aproveite!

René Denon

Música de Câmara com Oboé – (Diversos Compositores) – The Fibonacci Sequence – (3 de 5) ֍

Música de Câmara com Oboé – (Diversos Compositores) – The Fibonacci Sequence – (3 de 5) ֍

The Fibonacci Sequence

Oboé

Mozart | Poulenc | Françaix

Alwyn | Elgar | Crusell

 

Um lindo número – no limite da harmonia!

Pegue sua carteira e tome seu cartão de crédito. Calma, não pediremos qualquer número, não se preocupe, isto será apenas uma pequena experiência matemática. Usando uma régua, meça em milímetros as dimensões de seu cartão. Pronto? Fazendo a experiência aqui obtive 86mm de largura por 54mm de altura. A proporção 86/54 é ‘quase’ harmoniosa. O pessoal que lida com finanças sabe das coisas, mas melhor teria sido 89/55, a relação entre dois números subsequentes da Sequência de Fibonacci.

Há uma relação entre a Sequência de Fibonacci e a Razão Áurea ou o Número de Ouro, representado geralmente pela letra grega Φ (phi). Em matematiquês,

Ou seja, Φ é o limite dos quocientes dos números subsequentes da Sequência de Fibonacci.

Lembrando, F1 = 1, F2  = 1 e Fn+1 = Fn + Fn-1. Assim, F1 = 1, F2 = 1, F3 = 2, F4 = 3, F5 = 5, F6 = 8, F7 = 13, F8 = 21, F9 = 34, e assim por diante.

Na prática, isto quer dizer que os quocientes  Fn+1/Fn são mais e mais próximos de Φ. Aqui, para falar em ‘proximidade’, lembramos que a distância entre dois números é o valor absoluto da diferença entre eles. Por exemplo, usando a calculadora do celular obtemos 89/55 = 1,61818181… e 1595/987 = 1,6180344478… O valor exato de Φ é

Antes que o papo se torne ainda mais técnico, vamos dizer que esta constante aparece com frequência em fenômenos da natureza e especialmente nas artes clássicas, remontando aos gregos. As proporções do Panteão, por exemplo, seguem esses padrões. Você poderá explorar mais este tema começando por aqui.

E agora, a música da postagem. Em 1781 Mozart estava numa feliz viagem até Munique, onde estava ocupado com a composição da ópera Idomeneo e a orquestra que se preparava para apresentá-la contava com o melhor oboísta daqueles dias, um dos primeiros virtuoses do instrumento, Friedrich Romm. Mozart escreveu o Quarteto com Oboé inspirado por este artista. ‘… ninguém é capaz de produzir um som tão bonito, redondo, gentil e puro…’

Já o Adagio K. 580a foi composto em 1789, na mesma época da composição do Quinteto com Clarinete e de Cosi fan tutte. Mozart completou a parte do solo do corne inglês, mas deixou outras partes incompletas. Esta é a gravação da partitura completada por Lowicki.

O Trio com Oboé de Poulenc é figurinha carimbada em minhas postagens, adoro esta peça. Temos em seguida uma obra de Jean Françaix, que foi aluno de Nadia Boulanger e compôs muito, até os últimos dias de vida. A julgar pela belezura desta peça aqui, sua obra bem merece ser explorada.

Para completar, temos uma Suíte escrita por Alwyn para o casal de virtuoses Léon e Sidonie Goossens, ele tocava oboé e ela harpa.

O Salut d’Amour, também para oboé e harpa foi composto por Elgar como um presente para sua amada, que havia composto um poema para o agradar…

O Divertimento para Oboé é uma obra de Bernhard Crusell, que é mais conhecido por suas composições para clarinete. Ele foi o principal clarinetista da Royal Court Orchestra de Estocolmo por muitos e muitos anos. Suas obras são típicas do período de transição do clássico para o romantismo.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Quarteto para oboé, violino, viola e piano em fá maior, K370
  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Rondeau

Francis Poulenc (1899 – 1963)

Trio para oboé, fagote e piano
  1. Presto
  2. Andante
  3. Rondo

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Adagio para trompa inglesa, violino, viola e violoncelo, KV 580a (Arr. de Lowicky)
  1. Adagio

Jean Françaix (1912 – 1997)

Quatuor à vents para flauta, oboé, clarinete e fagote
  1. Allegro
  2. Andante
  3. Allegro molto
  4. Allegro vivo

William Alwyn (1905 – 1985)

Suite para oboé e harpa
  1. Minuet
  2. Valse Miniature
  3. Jig

Edward Elgar (1857 – 1934)

Salut d’Amour para oboé e harpa (Arr. O’Neal)

Bernhard Crusell (1775 – 1838)

Divertimento
  1. Allegro
  2. Andante poco adagio
  3. Allegro
  4. Allegro vivace

The Fibonacci Sequence

Jack Liebeck, violino
Zoe Beyers, violino
Yuko Inoue, viola
Andrew Fuller, violoncelo
Ileana Ruhemann, flauta
Christopher O’Neal, oboé
Julian Farrell, clarinete
Richard Skinner, fagote
Kathron Sturrock, piano

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Aproveite a harmoniosa música!

René Denon

Música de Câmara com Clarinete – (Diversos Compositores) – The Fibonacci Sequence – (2 de 5) ֍

Música de Câmara com Clarinete – (Diversos Compositores) – The Fibonacci Sequence – (2 de 5) ֍

The Fibonacci Sequence

Clarinete

Brahms | Mendelssohn |

Baermann | Glinka | Milhaud

 

Um par de coelhos foi colocado em um pátio cercado por muros. Supondo que a cada mês, a partir do segundo mês de vida, cada casal de coelhos gera um novo casal de coelhos, quantos casais de coelhos povoarão o pátio ao fim de um ano?

Este problema aparece no capítulo 12 do Liber abaci, o livro escrito por Fibonacci em Pisa, após seu retorno da Argélia, onde viveu por um período e aprendeu o sistema numérico Hindu-Arábico entre muitas outras coisas que explica no livro.

O problema certamente era conhecido antes de Fibonacci colocá-lo no livro e faz parte de uma tradição entre os matemáticos que remonta aos tempos do Egito dos antigos faraós e dos povos mesopotâmicos – assírios, babilônios, que consiste em ensinar matemática através de bons e mesmo de rotineiros problemas. E o problema dos coelhos, enunciado por Fibonacci, é ótimo.

É claro, os detratores dos matemáticos vão logo atacar com comentários do tipo – o par de coelhos era formado por dois machos e nunca se reproduziram. Poderão reclamar dizendo que as condições como ‘nasce um par a cada mês’ e tal, sempre um macho e uma fêmea são inverossímeis. E eventuais problemas genéticos? Houve até uma ameaça de formação de um comitê que clamava – liberdade para os coelhos de Fibonacci…

Ora, os matemáticos nem ouvirão tais críticas e provocações, pois sabem que a historiazinha por trás do problema é apenas para torná-lo bonitinho. Se você realmente quer resolver o problema, concentre-se em entender as condições descritas e coloque a caraminhola para funcionar. Envolver-se com um problema, embebedar-se da vontade de resolvê-lo, mesmo que disponha de poucas ferramentas e que o problema pareça, à priori, inexpugnável, é a tarefa dos matemáticos. Esse élan, essa disposição é o que motiva os matemáticos e é o que impulsiona os avanços na Matemática. A curiosidade, dizem, matou o gato, mas no caso da Matemática, é o que lhe dá a vida. Ninguém é mais feliz do que um matemático realmente engajado na busca da solução de algum problema, mesmo que ele ou ela não admita.

A passagem dos meses serve para indicar os novos passos no desenvolvimento do processo descrito. Ao fim de cada mês, cada casal de coelhos amadurecido dará à luz a um novo casal. Assim, o problema será o de contar, ao fim de cada mês, quantos casais de coelhos povoam o pátio, levando em conta as condições do mês anterior. Pode-se agir como quiser, fazendo anotações, desenhando diagramas ou criando uma fórmula que esclareça a situação, levando em conta todas as hipóteses do enunciado.

Veja que diagramas e fórmulas são típicos objetos matemáticos, mas que demoraram séculos ou mesmo milênios para serem desenvolvidos e incorporados ao uso comum das pessoas. Mesmo o uso de um sistema numérico que emprestou agilidade e precisão aos cálculos só foi introduzido na cultura ocidental no século XIII e sofreu alguma resistência. Mas, chega de delongas e vamos ao problema.

Temos então as condições estabelecidas no problema: ao fim de cada mês, cada casal amadurecido dará à luz a um novo casal, que amadurecera ao fim do seu segundo mês de vida.

Portanto, começamos com um casal que amadurece ao fim do primeiro mês e dá à luz a um novo casal ao final do segundo mês. No fim do terceiro mês, o primeiro casal dá à luz a um novo casal e o segundo casal atinge a maturidade. Temos assim 1, 1, 2 e 3. Para o próximo mês, nascerão mais dois casais, pois um mês antes tínhamos dois casais de coelhos adultos e o terceiro casal chega à idade adulta. Resulta então em 3+2 = 5 casais de coelhos, dos quais 3 na idade adulta. Já dá para perceber o que acontecerá no fim do próximo mês: 5 + 3 = 8 casais, dos quais, 5 em idade adulta.

Esta sequência de números, criada a partir das condições estabelecidas no problema é chamada de Sequência de Fibonacci.

1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, …

Cada novo termo da sequência é o resultado da soma dos dois termos anteriores. Em matematiquês:

F(n+1) = F(n)+F(n-1)  e  F(1) = 1, F(2) = 1.

Há uma verdadeira enxurrada de informações sobre a Sequência de Fibonacci e suas manifestações na natureza. Assim, não vamos entrar nesta parte, mas se você teve sua curiosidade despertada, basta deixar o seu lado matemático revelar-se mais um pouco. E aí, quantos pares de coelhos no fim do ano?

Ah, a música! Algumas palavras sobre o programa do disco que tem um clarinete como destaque. Funcionando um pouco como âncora neste programa, temos o Trio com Clarinete de Brahms, que abre os trabalhos de maneira ótima. Em seguida uma peça de Mendelssohn, Konzertstück, uma peça de concerto. Esta composição é fruto da amizade entre o jovem Mendelssohn, Heinrich Baermann, o melhor clarinetista daquela época, e seu filho Carl. Eles se conheceram em Berlim em 1832 e as habilidades do instrumentista inspiraram o compositor, a maneira que ocorrera antes com Mozart e Stadler, assim como Brahms e Mühfeld. Após a peça de Mendelssohn, vem um adagio para clarinete e quinteto de cordas escrito pelo próprio Heinrich Baermann, que também tinha alguma habilidade como compositor.

Prosseguindo, no programa, temos um Trio com Clarinete escrito por Mikhail Glinka, que era russo e compositor nacionalista. Ficou famoso por suas óperas ‘A Vida pelo Czar’ e ‘Russlan e Ludmila’. Esta peça foi escrita quando Glinka estava na Itália, morrendo de saudades de casa e pela inscrição deixada na peça: ‘Eu só tenho conhecido o amor pelas misérias que ele causa’, curtindo uma decepção amorosa.

Completando o disco, à francesa, uma suíte de Milhaud, escrita sob inspiração da música de Michel Corrette. A música foi escrita inicialmente para uma produção em francês de Romeu e Julieta, de Shakespeare.

Johannes Brahms (1833 – 1897)

Trio para clarinete, violoncelo e piano em lá menor, Op. 114
  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Andante grazioso
  4. Allegro (ii)

Felix Mendelssohn (1809 – 1847)

Peça de Concerto No. 2 em ré menor, para clarinete, corno de basseto e piano, Op. 114
  1. Presto
  2. Andante
  3. Allegro grazioso

Heinrich Baermann (1784 – 1847)

Adagio em ré bemol maior para clarinete, dois violinos, viola, violoncelo e contrabaixo
  1. Adagio

Mikhail Glinka (1804 – 1857)

Trio Pathétique, para clarinete, fagote e piano
  1. Allegro moderato
  2. Scherzo: vivacissimo
  3. Largo
  4. Allegro con spirito

Darius Milhaud (1892 – 1976)

Suite d’après Corrette, para oboé, clarinete e fagote
  1. Entrée et Rondeau
  2. Tambourin
  3. Musette
  4. Sérénade
  5. Fanfare
  6. Rondeau
  7. Menuets
  8. Le Coucou

The Fibonacci Sequence

Kenneth Sillitoe, violino
Helen Paterson, violino
Louise Williams, viola
Benjamin Hughes, violoncelo
Stephen Williams, contrabaixo
Christopher O’Neal, oboé
Nicholas Bucknall, corno de basseto
Richard Skinner, fagote
Kathron Sturrock, piano

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Em nossa próxima postagem falaremos do Número de Ouro!

Aproveite

René Denon

Música de Câmara com Fagote – (Diversos Compositores) – The Fibonacci Sequence – (1 de 5) ֍

Música de Câmara com Fagote – (Diversos Compositores) – The Fibonacci Sequence – (1 de 5) ֍

The Fibonacci Sequence

Fagote

Weber | Sauguet | Ibert |

Jacob | Mozart

 

O rapazinho entrou sorrateiro pela porta e sentou-se discretamente no fundo da sala a tempo de ouvir as primeiras frases da aula do grande mestre: “Estas são as nove figuras usadas pelos hindus…”  Ele desenhou então no quadro nossos conhecidos

9  8  7  6  5  4  3  2  1

e prosseguiu: “…com estas nove figuras e o zefir podemos escrever qualquer número, como vocês aprenderão aqui”.

Bugia, hoje chamada Bejaïa

Leonardo sentiu que a viagem desde a sua cidade natal, cruzando o mar e chegando àquele estranho e novo mundo onde seu pai estava, começava a valer a pena.

Tudo era diferente – a língua, a religião, os costumes. Até os cheiros e sabores e mesmo a luz do dia lhe diziam que vivia agora em outro universo. Mas o que ele aprendeu naqueles anos que passou ali valeria por uma vida inteira.

Cagliari

Leonardo viera de Pisa e o navio que o trouxera ao porto de Bugia, na Cabília, Argélia, passara por Bonifácio, no estreito entre a Córsega e a Sardenha, onde também passou por Cagliari. Depois costeou a África desde Túnis até chegar a Bugia, que hoje é conhecida por Béjaïa.

Assim como as suas rivais repúblicas – Veneza, Gênova e Amalfi -, Pisa tinha grandes interesses comerciais em toda aquela área. O pai do nosso herói chamava-se Guglielmo Bonacci e era escrivão da aduana, junto aos representantes dos mercadores de sua terra natal. Pisa tinha representantes diplomáticos tanto em Bugia quanto em Túnis e mantinham seus próprios funduqs e magazines. Guglielmo sabia dos pendores matemáticos de seu filho e o chamara para estudar com os mestres daquela cidade tanto seus métodos de cálculo quanto suas soluções para diversos problemas envolvendo contabilidade e finanças, pois que Mestre Guglielmo era um homem prático.

Leonardo viveu nesta região de algo como 1185 até 1220. Ele não ficou apenas em Bejaïa, mas também visitou o Egito, a Síria, Grécia, Sicília e a região de Provença, sempre aprendendo. Com os conhecimentos que adquiriu mais seus próprios grandes talentos, tornou-se o maior matemático de sua época e contribuiu enormemente para o renascimento científico que a Europa viveria proximamente.

Na sua volta para Pisa, escreveu um livro que foi divulgado em 1202 (naquela época só havia cópias feitas à mão), o Liber abaci, no qual explica o sistema numérico Hindu-Arábico, que era praticamente desconhecido na Europa, assim como usá-lo nos cálculos, mostrando as enormes virtudes deste sistema posicional.

Se você acha pouco, tente efetuar a multiplicação dos números MMDXCIV e MMMCCCLXXIII.

Ao longo das quatro outras postagens desta série contaremos mais algumas coisas sobre Fibonacci, que tem seu nome associado a uma famosa sequência de números e que dá nome ao conjunto que toca a música – The Fibonacci Sequence.

Nejjarine Museum, um funduq restaurado

O conjunto The Fibonacci Sequence foi fundado pelo pianista Kathron Sturrock e fará 30 anos em 2024. É formado por renomados músicos e famoso por apresentar uma programação variada e imaginativa. A escolha do nome do conjunto foi motivada pelo fato dos números da tal sequência aparecerem, surgirem como mágica nas mais diversas situações, como na natureza, no número de ramos das árvores, nas pétalas das flores, nas espirais e de muitas outras formas. Além disso, há uma relação entre a razão dos seus números subsequentes e o número conhecido como a Proporção Áurea ou Número de Ouro, que para muitos determina as mais harmoniosas proporções nas artes e música.

Esta sequência será tema da próxima conversa, que estará disponível no seu distribuidor PQP Bach mais próximo em breve.

Os discos desta série são divididos em dois grupos temáticos. Os três primeiros trazem música de câmara com um instrumento de sopro (madeira) em destaque. Começamos com o fagote. Os dois últimos são dedicados cada um a um único compositor. Você não perde por esperar.

Neste disco temos música de cinco diferentes compositores. Dois são franceses, um é inglês, mais um alemão e um conhecido austríaco.

Carl Maria von Weber surgiu para a música com a ópera Der Freischutz e foi um precursor do romantismo. Neste sentido foi inovador, mas em suas outras composições foi mais convencional. Isso não quer dizer que suas outras obras não sejam interessantes e ele compôs com especial qualidade para clarinete.

Compositor menos conhecido, Henri Sauguet adorava música desde cedo e teve ajuda inicialmente de Canteloube e Millhaud. Estudou com Max Jacob, Satie e Koechlin. Compôs balés, sinfonias e muita música de câmara.

Assim como Sauguet, Jacques Ibert compôs balés, sinfonias e muita música de câmara, especialmente para formações com instrumentos de sopro. Estudou com Fauré e de 1946 até 1960 foi o diretor do Conservatório de Paris.

Do outro lado do Canal da Mancha, temos uma peça de Gordon Jacob que foi prolífico compositor e deixou também livros sobre composição e orquestração.

Para encerrar o disco, temos um compositor austríaco que dispensa apresentações.

Carl Maria von Weber (1786 – 1826)

Andante e Rondo ‘Ungarese’ para fagote, violino, viola e violoncelo (arr. Mordechai Rechtman)
  1. Andante
  2. Rondo

Henri Sauguet (1901 – 1989)

Barcarolle para fagote e harpa
  1. Barcarolle

Jacques Ibert (1890 – 1962)

Cinco peças para Trio com oboé, clarinete e fagote
  1. Allegro vivo
  2. Andantino
  3. Allegro assai
  4. Andante
  5. Allegro quasi marziale

Gordon Jacob (1895 – 1984)

Suíte para fagote, dois violinos, viola e violoncelo
  1. Prelude
  2. Caprice
  3. Elegy
  4. Rondo

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Quinteto em mi bemol maior para oboé, clarinete, trompa, fagote e piano, K. 452
  1. Largo – Allegro moderato
  2. Larghetto
  3. Allegretto

The Fibonacci Sequence

Richard Skinner, fagote
Kathron Sturrock, piano
Yuko Inoue, viola
Charles Sewart, violino
Ursula Gough, violino
Andrew Fuller, violoncelo
Christopher O’Neal, oboé
Julian Farrell, clarinete
Stephen Stirling, trompa
Gillian Tingay, harpa

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Some beautiful sonorities coming up now from the Fibonacci Sequence, one of the UK’s most prominent chamber ensembles who were founded back in 1994 by pianist, Kathron Sturrock.[…] Certainly this combination allows the bassoon to sing out and display its virtuosity.

Sarah Walker, BBC Radio 3, Classical Collection

Henri Sauguet

Aproveite!

René Denon

Anton Bruckner (1824 – 1896) – Sinfonia No. 2 em dó menor – Saarbrücken Radio Symphony Orchestra & Stanislaw Skrowaczewski ֎

Anton Bruckner (1824 – 1896) – Sinfonia No. 2 em dó menor – Saarbrücken Radio Symphony Orchestra & Stanislaw Skrowaczewski ֎

BRUCKNER

Sinfonia No. 2

Stanislaw Skrowaczewski

 

A gravação desta sinfonia com Marek Janowski regendo a Orchestre de la Suisse Romande toma 54 minutos enquanto a gravação da mesma obra, feita por Georg Tintner, regendo a Ireland National Symphony Orchestra, ocupa um CD de 71 minutos. É claro, estas discrepâncias de tempo se devem não apenas ao andamento imprimido pelos maestros, mas especialmente à escolha da versão disponível da obra.

Este site aqui menciona cinco possibilidades! As edições mais conhecidas são as feitas por Haas (1938) e Nowark (1965), mas agora há uma ‘critical edition’ preparada por William Carragan para a Bruckner Society, que oferece uma edição originalíssima do que seria a versão concebida por Bruckner em 1872.

Retrato do artista quando jovem…

Isto significa que as versões posteriores deveriam ser descartadas? Os cortes e as mudanças que Bruckner impôs à partitura em suas revisões teriam sido feitas apenas para agradar a seus ‘conselheiros’, na esperança de ter a sinfonia apresentada por alguma orquestra? Certamente nenhuma destas perguntas terá uma resposta curta e definitiva, mas Anton era um grande revisionista e trabalhou em suas obras toda a vida, compondo novas sinfonias e revisando as já ‘terminadas’. Não creio que, apesar da imagem de simplório e influenciável, ele fosse mudar as suas obras apenas para ‘agradar’ e acatar sugestões.

Mas, o que nos interessa é a música e eu prefiro a versão mais curta de suas primeiras sinfonias. Como parte do projeto de expansão da paleta musical de início do ano, tenho ouvido algumas gravações das Sinfonias Nos. 2 e 3, do Anton. Como há uma recente postagem da Terceira, feita pelo PQP Bach e que você poderá ouvir clicando aqui, decidi oferecer nesta postagem a Segunda, na gravação da Saarbrücken Radio-Symphony Orchestra, sob a regência do veteraníssimo Stanislaw Skrowaczewski, uma ótima Baby-Bruckner-Sinfonia! Veja que beleza de Scherzo eles fazem.

Anton Bruckner (1824 – 1896)

Sinfonia No. 2 em dó menor

  1. Moderato
  2. Andante
  3. Scherzo: Massig schnell
  4. Finale: Ziemlich schnell

Saarbrücken Radio Symphony Orchestra

Stanislaw Skrowaczewski

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Skrowaczewski teve uma longa vida e atuou até quase seus últimos dias. Entre as suas muitas gravações se distinguem as das Sinfonias de Bruckner, de Beethoven e Brahms. Você poderá descobrir muitas informações sobre ele visitando este site aqui.

Em suas horas vagas, Anton era modelo para bustos de imperadores romanos…

Aqui está o resumo da ópera: The Second Symphony […] is a substantial work of an hour’s duration, and in this performance Skrowaczewski achieves intensity as well as a truly symphonic sweep of momentum.

Aproveite!

René Denon

Bach (1685-1750): Peças para Alaúde – Sean Shibe, violão ֎

Bach (1685-1750): Peças para Alaúde – Sean Shibe, violão ֎

Bach

Peças para Alaúde

BWV 996, 997 & 998

Sean Shibe, violão

 

Os vizinhos gostaram muito da música que emanou da casa do Cantor da Igreja de Santo Tomás naquela noite. Houve boas risadas e a conversa animada até bem mais tarde foi confirmada pelas garrafas de vinho que sobraram vazias no outro dia.

Todos já estavam acostumados com eventuais saraus na casa do João Sebastião Ribeiro, mas naquela noite, no ano de 1739, a visita do amigo Sílvio Leopoldo Branco, alaudista da corte de Dresden, acompanhado de um de seus alunos, de sobrenome Kropffgans, animou bem a festa, como se lembrou depois João Elias, primo do grande João Sebastião.

E tocaram muitas suítes, algumas delas até no estilo do conhecido saxão que se mudara para Londres, e outras mais curtas, no estilo das sonatas para igreja. E maravilhosos prelúdios seguidos de fugas não faltaram.

A visita encheu João Sebastião de alegria e depois o instigou a revisar umas de suas suítes compostas nos idos 1720 e algumas de antes ainda – para o alaúde, que ele gostava e volta e meia empregava em suas composições, mesmo as mais sérias. Chegou inclusive a compor algumas peças novas, de tanto que gostou de ouvir o ótimo Sílvio Leopoldo. A vista já andava cansada, mas a cabeça continuava ótima para compor. Algumas cópias das novas obras ficaram a cargo de seu aluno, João Tobias Krebs, o de apelido ‘Caranguejo’, que fora mesmo um achado.

E foi assim, por essas e outros maravilhosos encontros e visitas, as quais certamente resultaram em tardes e noites animadas, que nos chegaram algumas obras que continuam a encantar até mesmo os mais duros de coração.

Ouça este ótimo disquinho de uns 46 minutos pelos quais o jovem violonista Sean Shibe desfila habilidade, musicalidade e técnica impecáveis. Shibe merece cada um dos muitos prêmios que tem angariado. Aproveite que o disco é curto e ouça duas vezes a peça que gostar mais. Depois me conte!

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Suíte para Alaúde No. 1 em mi menor, BWV996
  1. Praeludio
  2. Allemande
  3. Courante
  4. Sarabande
  5. Bourrée
  6. Gigue
Suíte para Alaúde No. 2 em dó menor, BWV997
  1. Preludio
  2. Fuga
  3. Sarabande
  4. Gigue
  5. Double
Prelúdio, Fuga e Allegro para Alaúde em mi bemol maior, BWV998
  1. Prelude
  2. Fuga & Allegro

Sean Shibe, arranjos e violão

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Gramophone, June 2020

Shibe applies the musical and interpretative qualities that characterise its predecessors – energy, reflection, eclecticism, integration and emotional candour – to remind us that Bach might have been singular but he contained multitudes…Has the Prelude, Fugue and Allegro [of BWV997] ever sounded so contemporary in its nostalgic sweetness and, in the final movement, sheer unabashed joy?

The Guardian, 7th June 2020

Shibe reminds us of the sheer intelligence and eloquence of his musicianship. Pliancy, shape, nimble attention to ornaments, clarity in the lines of counterpoint: all make this essential listening.

The Times, 29th May 2020

This astonishing and adventurous guitarist…plays with such depth of tone, colour and intricacies of touch that it is as though he’s at a harpsichord, not strumming or plucking fretted strings…Shibe’s music-making is masterful, beautiful and convincing in every way…Above all, Shibe awes us with the exquisite tone balance across the whole range.

Sean Shibe às margens do Guaíba, nem acreditando na história de um certo mágico radinho de pilhas …

Bach (1685-1750): Suítes Inglesas, BWV 806 – 811 – Gustav Leonhardt, cravo ֎

Bach (1685-1750): Suítes Inglesas, BWV 806 – 811 – Gustav Leonhardt, cravo ֎

Bach

Suítes Inglesas

Gustav Leonhardt

 

 

Da cozinha vem o reconfortante cheiro do arroz sendo refogado ao som do martelinho amaciando os bifes… Ah, trabalhar em casa pode ser uma fonte de pequenos prazeres. Bem, o distante ruído de alguém aparando a grama não chega a incomodar, mas faz um contraponto de alerta, lembrando-me que nem tudo é sossego. Mas, a hora do almoço sempre reserva um intervalo de paz.

Gustav Leonhardt

Da vitrola vem o som do cravo neste disco espetacular. Ao se dar conta, você está batendo o pé, acompanhando o ritmo, muito bom, do começo ao fim. E o som é ótimo. Eu confesso não ser um fanático pelo som do cravo. Talvez seja trauma por ter conhecido o som deste  instrumento pelos velhos LPs da Wanda Landowska, mas assim que vejo ‘cravo’ na capa do disco, fico logo com um pé atrás. Mas em mais uma tentativa de quebrar essas rabugices, decidi revisitar as principais obras de João Sebastião interpretadas ao cravo. Comecei por estas Suítes Inglesas, na interpretação do Gustavo Coração de Leão e me dei muito bem. São gravações antológicas e figuram em muitas listas de mais-mais das obras de Bach. Elas foram objeto de uma postagem feita pelo PQP Bach em priscas eras. Dizem as lendas que naqueles dias os arquivos eram upados pela madrugada, quando o fluxo na internet permitia uma maior velocidade ao processo. Aqui está o texto original que foi ao ar em 21 de julho de 2010.

Confesso a vocês não ser um apaixonado pelas Suítes Inglesas de Bach. Meu pai, ao dar o nome a elas, foi presciente. Ele sabia do deserto de almas compositoras que sobreviria na Inglaterra entre os nomes de Henry Purcell e Benjamin Britten. Foram quase 300 anos de música de terceira linha. Então, reservou para os britânicos suas melodias mais previsíveis. Não obstante minha opinião, conheço pessoas que roubariam e matariam por elas, principalmente quando tocadas por Gustav Leonhardt, um verdadeiro viagra musical, capaz de erguer até um Cou… perin. Erguer Bach é muito mais fácil, não?

Assim, esta postagem conta para a série das PQP Originals!

Os ingleses, felizes com as suas suítes!

Apesar das provocações perpetradas aos ingleses pelo nosso blogueiro-mor, Bach não tinha qualquer intenção de oferecer algum conjunto de suítes aos ingleses, assim como não escreveu suítes para os franceses. Tampouco escreveu algum concerto especificamente para os italianos. Apesar do nome bem estabelecido, não foi João Sebastião quem assim alcunhou estas peças. As possibilidades mais plausíveis para este nome – Suítes Inglesas – são para as diferenciar do outro conjunto conhecido por Suítes Francesas ou ainda o fato de o primeiro biógrafo de Bach, Johann Nicolaus Forkel, ter afirmado que as suítes foram ‘fait pour les Anglois’. O certo é que o nome Suítes Inglesas aparece no final do século XVIII em uma de suas cópias que pertencia a Johann Christian Bach, o Bach de Londres.

João Sebastião as chamou ‘Suites avec leurs Préludes’ e isto precisamente as diferencia das chamadas Suítes Francesas. As suítes das duas séries são formadas basicamente por quatro danças – allemande, courante, sarabande e gigue -, sendo que algumas outras danças de estilo francês são inseridas entre a sarabanda e a gigue. Mas no caso das Suítes Inglesas, a sequência recebe um prelúdio. Vamos a um exemplo comparativo. Veja os nomes dos movimentos de duas Suítes:

Suíte Inglesa No. 4                                       Suíte Francesa No. 5

Prélude

Allemande                                                       Allemande

Courante                                                         Courante

Sarabande                                                       Sarabande

Minueto I – Minueto II – Minueto I         Gavotte – Bourrée – Loure

Gigue                                                               Gigue

Agora que você já sabe isto tudo, aproveite estas lindíssimas peças na interpretação de um dos melhores músicos de que temos notícia. Leonhardt além de cravista e regente, teve papel fundamental na formação de muitos outros excelentes músicos. Seu legado é inestimável.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

CD1

Suíte Inglesa No. 1 em lá maior, BWV 806

  1. Prélude
  2. Allemande
  3. Courante I – Courante II avec deux Doubles
  4. Sarabande
  5. Bourrée I – Bourrée II – Bourrée I
  6. Gigue

Suíte Inglesa No. 2 em lá menor, BWV 807

  1. Prélude
  2. Allemande
  3. Courante
  4. Sarabande – Les agréments de la même Sarabande
  5. Bourrée I altenativement – Bourrée II – Bourrée I
  6. Gigue

Suíte Inglesa No. 3 em sol menor, BWV 808

  1. Prélude
  2. Allemande
  3. Courante
  4. Sarabande – Les agréments de la même Sarabande
  5. Gavotte I alternativement – Gavotte II ou la Musette – Gavote I
  6. Gigue

CD2

Suíte Inglesa No. 4 em fá maior, BWV 809

  1. Prélude (vitement)
  2. Allemande
  3. Courante
  4. Sarabande
  5. Menuet I – Menuet II – Menuet I
  6. Gigue

Suíte Inglesa No. 5 em mi menor, BWV 810

  1. Prélude
  2. Allemande
  3. Courante
  4. Sarabande
  5. Passepied I em Rondeau – Passepied II – Passepied I
  6. Gigue

Suíte Inglesa No. 6 em ré menor, BWV 811

  1. Prélude
  2. Allemande
  3. Courante
  4. Sarabande – Double
  5. Gavotte I – Gavotte II – Gavotte I
  6. Gigue

Gustav Leonhardt, cravo

Produção de Gerd Berg

Gravado na Holanda em 1984

O cravo usado nesta gravação foi construído por Nicholas Lefebvre em 1755 e foi restaurado por Martin Skrowonneck em 1984. Vale a pena uma visita a uma página que fala do trabalho de Skrowonneck. Caso você esteja interessado, basta clicar aqui.

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The Penguin Guide to Recorded Classical Music, editado por Ivan March e CIA, diz: Leonhardt’s playing here has a flair and vitality that one does not always associate with him.

Ah, esqueci de contar, a sobremesa aqui foi uma tasca de goiabada!

Aproveite!

RD

PQP Bach-Quiz!

Nesta foto, Gus está:

a) Rindo a bandeiras despregadas

b) Rindo

c) Sorrindo

d) Tentando entender a piada

e) Todas as alternativas anteriores…

Chopin (1810-1849): Baladas e Impromptus – Anna Vinnitskaya ֎

Chopin (1810-1849): Baladas e Impromptus – Anna Vinnitskaya ֎

Chopin

Baladas e Impromptus

Anna Vinnitskaya

 

 

Frederico amava Maria, mas a mãe dela se opôs ao casamento devido à má saúde dele. Desolado, mas apesar disto, Frederico amou então Aurora, mesmo dizendo inicialmente que ela era antipática! O amor deles era por demais singular, pois Aurora não era uma mulher típica de seu tempo. Se bem que Frederico estava longe de ser um simples mortal. Com idas e vindas, o amor de Frederico e Aurora perdurou por uns dez anos e teve, digamos assim, seus momentos. No período em que estiveram juntos, eles frequentavam os salões da aristocracia parisiense. Ele ganhou a admiração e o apoio de um banqueiro, que o apresentou aos aristocratas, que se tornaram seus alunos de piano, resolvendo seus problemas financeiros. Conta-se que após as aulas, eles deixavam discretamente l’argent sobre um certo móvel, enquanto Frederico virava-se para outro lado, para não avistar o ato…

Os amigos do casal eram compositores, escritores e outros artistas. Eles passaram um período em um paraíso idílico, mas a má saúde dele e as peculiaridades do casal despertaram a desconfiança dos tacanhos habitantes do local. Refugiaram-se em um convento, mas a saúde dele piorou ao ponto de fazê-los retornar ao continente. Apesar de tudo este período foi produtivo, ele compôs e ela escreveu. Depois, cada um seguiu seu caminho, mas a relação deles é lembrada até hoje, de tão singular que foi.

Os personagens desta novela são Frederic Chopin e Amandine-Aurore-Lucile Dupin, Aurore Dudevant de um certo casamento, mas literariamente conhecida por George Sand. Maria era Maria Wodzinska, da família Wodzinski, que eram amigos da família Chopin, da Polônia. O banqueiro era James Rothschild e os amigos artistas incluíam Schumann, Mendelssohn, Cherubini, Rossini, Liszt, Berlioz, Delacroix, Heine, Alfred de Vigny. Eu lembrei disto tudo depois de ouvir este maravilhoso disco da postagem.

Ser blogueiro estagiário aqui no PQP Bach Coorporation tem muitas vantagens. Uma delas é ter acesso a eventuais pré-lançamentos!! Este disco será oficialmente lançado em 19 de fevereiro. Anna Vinnitskaya é uma pianista espetacular, com excelente formação e muitos talentos. O disco é formado de duas partes. A primeira tem as quatro Baladas de Chopin. Se você quer mostrar a alguém o que é romantismo, em estado bruto, faça com que ouça a Balada No. 1. Todas as Baladas são exemplos de consumado romantismo e a linda Anna nos brinda com interpretações arrebatadoras, mas a primeira delas é especial. Portanto, se você tem algum tipo de intolerância a essa coisa, fique longe. Mas, espero que como é o meu caso, goste de, vez por outra, ser arrebatado nestas ondas de emoção. Bom, calma, aqui o bom gosto prevalece e a técnica da moça é impecável.

A outra metade do programa muda para os salões aristocráticos, num ambiente mais íntimo, onde Chopin, cercado de connoisseurs e nobres exibia todo seu talento. Os Impromptus são peças deliciosas e servem de ótimo exemplo para música de salão, mas no melhor sentido das palavras.

Frederic Chopin (1810 – 1849)

Baladas

  1. em sol menor, op. 23
  2. em fá maior, op. 38
  3. em lá bemol maior, op. 47
  4. fá menor, op. 52

Impromptus

  1. em lá bemol maior, op. 29
  2. em fá sustenido maior, op. 36
  3. em sol bemol maior, op. 51
  4. em dó sustenido menor, op. 66 – ‘Fantasie-Impromptu’

Anna Vinnitskaya, piano

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Como gostei muito, não resisti e preparei logo a postagem!

Aproveite!

René Denon

Uma crítica sobre outro disco da Anna, mas que pode se aplicar também a este da postagem: BBC Music Magazine

Russian-born pianist Anna Vinnitskaya is clearly a name to reckon with. […]

There’s little doubt that she has the measure of each work, demonstrating not only formidable technical control but also a truly remarkable range of tonal colouring. […] Yet there’s no denying the sheer beauty and richness of her sound, the central movement presented in a particularly haunting manner.