Brahms + Pollini + Abbado + Filarmônica de Berlim, querem mais? Difícil. O Concerto para Piano Nº 2 de Brahms é, talvez, a mais monumental síntese entre o piano e a orquestra em todo o romantismo. Escrito em quatro movimentos — e não três como de costume —, ele não se esquiva da herança sinfônica: caindo em lugar comum, digo que o piano dialoga com a orquestra de igual para igual, sem jamais cair no virtuosismo oco. O primeiro movimento é uma paulada bem forte, onde o piano constrói acordes maciços e melodias que parecem pesar sobre os ombros do mundo. O segundo movimento, um scherzo feroz e cortante, revela um Brahms nervoso, dramático, poucas vezes tão agressivo. No terceiro, porém, tudo se aquieta: é um Andante de beleza melancólica, com um violoncelo solista que canta uma canção de amor serena e contida, como uma memória que se despede sem pressa. E o finale, saltitante e “húngaro”, encerra a obra com uma alegria cuidadosa, que não esquece as sombras anteriores mas escolhe dançar sobre elas. Ouvindo esse concerto, percebe-se que Brahms não escreveu uma peça de concerto no sentido usual — ele escreveu uma sinfonia com piano obbligato, uma sinfonia privada que exige do solista não apenas dedos, mas uma alma inteira.
Johannes Brahms (1833-1897): Concerto para Piano Nº 2 (Pollini, Abbado)
Konzert Für Klavier Und Orchester Nr. 2 B-dur Op. 83
1. Allegro Non Troppo
2. Allegro Appassionato
3. Andante
4. Allegretto Grazioso
Maurizio Pollini, piano
Berliner Philharmoniker
Claudo Abbado

PQP
Belíssimo! Muito obrigado pela oportunidade de ouvir essa gravação.
Hermoso aporte y mejor concierto por la dupla Pollini & Abbado. Pero es por la Wiener Ph. y no por la Berliner. ¡Saludos cordiales desde Santiago del Estero, República Argentina!!!