Johannes Brahms (1833-1897): Danças Húngaras para piano a quatro mãos (Katia e Marielle Labèque)

Johannes Brahms (1833-1897): Danças Húngaras para piano a quatro mãos (Katia e Marielle Labèque)

POSTAGEM ORIGINAL DE FDP BACH EM 4 /7/2007, LINK REVALIDADO POR VASSILY EM 30/11/2015

Na estreia de uma nova série aqui no PQP Bach, dedicada à música para dois pianistas, revalidamos uma postagem dos primórdios deste blogue, com a clássica gravação das Danças Húngaras de Brahms tocadas pelas irmãs Labèque. Colorida e cheia de verve, é a melhor introdução possível para estas semanas a quatro mãos que preparamos para vocês.

Vassily Genrikhovich

POSTAGEM ORIGINAL DE FDP BACH EM 4/7/2007

FDP Bach resolveu fazer uma postagem um tanto quanto diferente: as Danças Húngaras de Brahms, mas em uma versão pouco conhecida: para piano a quatro mãos. Possuo esse CD já há alguns anos, e nunca me canso de ouvi-lo, devido à consistência de sua interpretação e também à sua dinâmica.

Esta versão para dois pianos é riquíssima em termos de arranjo. E as irmãs Labèque, Katia e Marielle, bem elas são um caso à parte… além de lindíssimas, são grandes intérpretes. Para quem já teve a oportunidade de assisti-las ao vivo, deve ser difícil saber no que se deve prestar atenção: nas pianistas ou na música… Brincadeiras à parte, vamos ao que interessa.

Johannes Brahms (1833-1897): Danças Húngaras para piano a quatro mãos (Katia e Marielle Labèque)

01 – Allegro molto
02 – Allegro non assai
03 – Allegretto
04 – Poco sostenuto
05 – Allegro
06 – Vivace
07 – Allegretto
08 – Presto
09 – Allegro non troppo
10 – Presto
11 – Poco andante
12 – Presto
13 – Andantino grazioso
14 – Un poco andante
15 – Allegretto grazioso
16 – Con moto
17 – Andantino
18 – Vivace
19 – Allegretto
20 – Poco allegretto
21 – Vivace

Katia e Marielle Labèque, piano

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As irmãs Labèque sensualizando o teto.

FDP

.: interlúdio? :. Chico Mello (1957): Do lado da voz (2000)

Nossa homenagem ao saudoso Ranulfus continuará, também, através da republicação de suas preciosas contribuições ao nosso blog – como esta, que veio à luz em 2/6/2016.

Chico Mello - Do Lado da Voz (capa)

Começo por advertir: este é um trabalho feito de sutilezas. Se você colocar como fundo pra ir fazer outra coisa ao longe, é possível que não veja nele interesse nenhum.

Chico Mello e o Monge Ranulfus nasceram no mesmo ano e na mesma cidade. Mais: quando adolescentes, estudaram na mesma classe de Solfejo e Ditado Musical de dona Beatriz Schütz, na Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Na ocasião, os dois mostravam interesse em incluir a MPB dentro do horizonte da formação academicista e eurocêntrica ministrada naquela escola, bem como nos experimentos do então nascente minimalismo.

Mas as semelhanças param por aí: logo Ranulfus percebeu que apenas seus nervos sensores tinham paixão e avidez por música, não os motores: por maior apreciador que fosse, jamais se tornaria um realizador efetivo de música, com aquela naturalidade de quem mija, que é a do verdadeiro artista em qualquer área (imagem com que Monteiro Lobato falou a Érico Veríssimo do ato de escrever). Chico tem essa naturalidade.

A vida levou Ranulfus por outros rumos, nunca mais viu Chico pessoalmente, apenas aqui e ali topou com composições suas – o suficiente para notar que suas construções em linguagens contemporâneas não são meramente cerebrais, e sim sempre vivificadas por esse sopro natural, que desde certa altura do século XX parecia haver se refugiado exclusivamente na música chamada “popular”.

Chico estudou composição com Penalva e Koellreuter, mudou-se pra Berlim, fez carreira artística e docente lá e cá. Em 2010 gravou os 3 CDs Vinte Anos entre Janelas, com uma espécie de sinopse dos seus caminhos de 1987 a 2007. O segundo deles, para dar ideia, se chama Mal-entendidos multiculturais, e contém as seguintes duas peças: Todo canto – para soprano, piano, canto indiano e tabla/pakhawa – e Hui Liu ou la vraie musique para músicos chineses e euroamericanos (!) (Mais sobre esses CDs aqui).

Já neste Ao lado da voz, Chico traz seu experimentalismo sonoro para conversar especificamente com uma das suas próprias fontes: a canção dita popular brasileira. Fá-lo com uma voz totalmente cool, como quem quer deixar claro (suponho) que a linha vocal e as palavras não têm primazia, não são “acompanhadas”, e sim parte igualitária no jogo de construções, desconstruções e reconstruções.

Faz pensar em alguma experiência anterior na nossa música? Acho que mais pelo não que pelo sim: no geral soa mais enxuto, mais parcimonioso que o também sutil mas quase-romântico Wisnik. Passa longe das intenções pop de Arrigo Barnabé. Talvez um pouco mais perto do Itamar Assumpção inicial, desde que expurgado do deboche. Minha impressão, enfim, é que ninguém passou tão perto do mesmo espírito quanto Caetano Veloso em Jóia (mas não em Araçá Azul). Minha impressão!

Uma faixa de amostra? Eu diria que a 3, com fragmentos sampleados de Nélson Gonçalves: acho que em nenhuma outra a vanguarda e a tradição se engalfinham tão profundamente. Já das originais do Chico, acho duro o páreo entre a 5 e a 9 – e já falei demais!

FAIXAS
01 Achado (Chico Mello, Carlos Careqa)
02 Cara da barriga (Chico Mello)
03 Pensando em ti (Herivelto Martins, David Nasser)
04 Mentir (Noel Rosa)
05 Chorando em 2001 (Chico Mello, Carlos Careqa)
06 Já cansei de pedir (Noel Rosa)
07 Carolina (Chico Buarque)
08 Eu te amo (Chico Buarque, Tom Jobim)
09 Valsa dourada (Chico Mello)
10 Rosa (Pixinguinha)
11 Paramá (Chico Mello, Walney Costa)

Chico Mello – vocals, guitars, piano, percussion
Ségio M Albach – clarinets
Uli Bartel – violin
Helinho Brandão – bass
Guilherme Castro – electric bass
Ahmed Chouraqui – percussion
Armando Chu – percussion
José Dias de Moraes Neto – clarinets
Wolfgang Galler – synthesizer, bass, percussion
Michael Hauser – bass
Lothar Henzel – bandoneón
Levent – darabuka
Burkhard Schlothauer – violins, bass
Mix: Chico Mello, Burkhard Schlothauer, Thilo Grahman, Ahmed Chouraqui, Gerhard Grell

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Ranulfus (2/1/2016)
Revalidado por Vassily em 1/9/2025, com muitas saudades do amigo.

Jean-Philippe Rameau (1683-1764) / György Ligeti (1923-2006): Rameau & Ligeti (Krier)

Jean-Philippe Rameau (1683-1764) / György Ligeti (1923-2006): Rameau & Ligeti (Krier)
Version 1.0.0

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Em 2014, lembramos dos 250 anos de morte de Jean-Philippe Rameau. Porém, estranhamente, este disco apresenta também obras de um pioneiro musical do século 20: Ligeti! E a coisa funciona!

Vamos pensar um pouco? Rameau e Ligeti têm aqui uma abordagem semelhante: peças curtas, cheias de intenções e humor. Krier aborda as obras sem muitos rodeios ou reverência. Mas faz sentido combinar a música de um mestre barroco francês com obras de vanguarda escritas nos anos 50 do século passado? Pode-se colocar estes dois compositores — Jean- Philippe Rameau (1683-1764) e György Ligeti (1923-2006) — lado a lado? Será que eles têm algo em comum, e, em caso afirmativo, como podem ser vistos tais traços a partir dos pontos de vista de dois séculos totalmente diferentes?

Na minha opinião, o CD se justifica tanto quanto este aqui.

A Musica Ricercata de Ligeti traz de volta um gênero barroco chamado ricercare, um precursor da fuga. A escolha do título foi uma homenagem a Girolamo Frescobaldi, o pai da ricercare. Como no caso da música barroca, Ligeti coloca em cada peça um conjunto rigoroso de regras e limitações. Tais limitações formais e estruturais tornam-se a base de sua escrita, que exibe uma abordagem totalmente intelectual à composição, sempre submetendo-a a um determinado conceito. Visto por esse ângulo, os dois compositores, Rameau e Ligeti…

Chega! Tudo isso é blá-blá-blá. O que interessa mesmo é o julgamento de nossos ouvidos. Ouça e julgue você mesmo.

Jean-Philippe Rameau (1683-1764) / György Sándor Ligeti (1923-2006): Rameau & Ligeti

RAMEAU – Pièces de clavecin – Suite En Sol

01. No. 1 Les tricotets. Rondeau
02. No. 2 L’indifferente
03. No. 3 Menuet – Deuxième menuet
04. No. 4 La poule
05. No. 5 Les triolets
06. No. 6 Les sauvages
07. No. 7 L’enharmonique
08. No. 8 L’égiptienne

LIGETI – Musica Ricercata (11 Stucke fur Klavier)

09. No. 1 Sostenuto – Misurato – Prestissimo
10. No. 2 Mesto, rigido e cerimoniale
11. No. 3 Allegro con spirito
12. No. 4 Tempo di valse – Poco vivace – “a l’orgue de Barbarie”
13. No. 5 Rubato. Lamentoso
14. No. 6 Allegro molto capriccioso
15. No. 7 Cantabile, molto legato
16. No. 8 Vivace. Energico
17. No. 9 Adagio. Mesto – Allegro maestoso (Béla Bartók in Memoriam)
18. No. 10 Vivace. Capriccioso
19. No. 11 Andante misurato e tranquillo (Omaggio a Girolamo Frescobaldi)

RAMEAU – Pièces de clavecin des Concerts

20. premier concert en ut mineur, CRT 7: No. 2, La livri
21. deuxième concert en sol majeur, CRT 8: No. 3, L’agacante
22. troisième concert an la majeur, CRT 9: No. 2, La timide
23. quatrième concert en si bémol majeur, CRT 10: No. 2, L’indiscrète

24. La Dauphine, RCT 12

Cathy Krier, Piano

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A lindinha Cathy Krier: mistura fina de barroco e contemporâneo
A lindinha Cathy Krier: mistura fina de barroco e contemporâneo

PQP

Gioacchino Rossini (1792-1868): Stabat Mater (Giulini)

Gioacchino Rossini (1792-1868): Stabat Mater (Giulini)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Esta obra-prima tem uma história atribulada. Rossini iniciou a composição em 1831, após sua aposentadoria das óperas, a convite do cônego espanhol Fernández Varela. No entanto, ele completou apenas parte da obra (números 1 e 5 a 9), devido a problemas de saúde, e pediu que Giovanni Tadolini completasse os restantes, entregando a versão “completa” em 1833. Varela morreu em 1837, e a partitura foi vendida a um editor em Paris — o que provocou a indignação de Rossini. Ele recuperou os direitos da obra e reescreveu integralmente o que não era seu, concluindo o Stabat Mater em sua versão definitiva até 1841. A obra mistura elementos litúrgicos e o estilo operístico refinado de Rossini, resultando em vislumbres profundamente emotivos que desafiam o cânone tradicional da música sacra. A versão completa estreou em 7 de janeiro de 1842, em Paris. O público reagiu com entusiasmo imediato — aplausos intermináveis e repetição de trechos. Na Itália, a estreia ocorreu em Bolonha, sob a batuta de Donizetti, com aclamações equivalentes. Rossini ouviu aplausos que se estenderam até sua casa. Críticos do norte da Europa consideraram a obra “excessivamente mundana e sensual” para um tema religioso. Rossini ignorou as críticas, é óbvio. É uma antecipação do Réquiem de Verdi, graças ao seu poder emocional e andamento sombrio. Para finalizar, esta gravação é daquelas coisas que permanecem por anos imbatível.

Gioacchino Rossini (1792-1868): Stabat Mater (Giulini)

1. Introduzione. Andantino Moderato »Stabat Mater Dolorosa« 9:54
2. Aria (Tenore). Allegretto Maestoso »Cujus Animam Gementem« 6:46
3. Duetto (Soprano I/II). Largo »Quis Est Homo« 7:17
4. Aria (Basso). Allegretto Maestoso »Pro Peccatis Suae Gentis« 5:05
5. Coro (A Cappella) E Recitativo (Basso). Andante Mosso »Eja, Mater, Fons Amoris« 4:49
6. Quartetto (Soli). Allegretto Moderato »Sancta Mater, Istud Agas« 8:46
7. Cavatina (Soprano II). Andante Grazioso »Fac, Ut Portem Christi Mortem« 5:08
8. Aria (Soprano I) E Coro. Andante Maestoso »Inflammatus Et Accensus« 5:16
9. Quartetto (Coro A Cappella). Andante »Quando Corpus Morietur« 5:43
10. Finale. Allegro – Andantino Moderato »Amen. In Sempiterna Saecula« 5:53

Bass Vocals – Ruggero Raimondi
Chorus – Philharmonia Chorus
Chorus Master – Heinz Mende
Conductor – Carlo Maria Giulini
Orchestra – Philharmonia Orchestra
Soprano Vocals [Soprano I] – Katia Ricciarelli
Soprano Vocals [Soprano II] – Lucia Valentini Terrani
Tenor Vocals – Dalmacio Gonzalez

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PQP