Béla Bartók (1881-1945) – O Castelo do Barba Azul

Hoje é o aniversário de Béla Bartók. Não poderia deixar passar em branco a data de nascimento de meu segundo compositor preferido. O Castelo do Barba Azul é única ópera de Bartók. É uma versão moderna da lenda européia sobre o cruel príncipe Barba Azul e suas esposas desaparecidas. Aqui, trata-se de uma metáfora para a impossibilidade de amor entre homens e mulheres. A crítica portuguesa Marta Neves publicou um esclarecedor artigo sobre uma apresentação da ópera ocorrida naquele país. Transcrevo-a aqui:

Ópera de Béla Bartók abre hoje o ciclo “Novas Músicas”

Sete portas escondem os mais recônditos e obscuros segredos do Duque Barba Azul. A sua quarta mulher, Judite, chega ao seu castelo e pretende desvendar esses mistérios. Para isso terá que abrir cada uma das portas, dando início a um drama psicológico fascinante, com encenação de João Henriques e cenografia de Pedro Cabrita Reis .

“O Castelo do Duque Barba Azul”, do húngaro Béla Bartók (ver texto ao lado) – considerada a mais impressionante ópera escrita no início do século XX -, dá hoje início, às 21 horas, ao ciclo “Novas Músicas”, na Casa da Música (CM), no Porto. O bilhete para a ópera em um acto – protagonizada pela meio-soprano Sally Burgess e pelo barítono Andrea Silvestrelli, acompanhados pela Orquestra Nacional do Porto -, e legendada em português, custa 15 euros.

João Henriques – que se sente perante “uma obra lírica sinfónica por excelência” – confessou que este trabalho foi um “grande desafio”. Sobretudo porque o jovem encenador teve de contar com “uma condicionante muito especial”, que foi a instalação de Pedro Cabrita Reis, colocada por cima do palco da Sala Suggia.

Nesta “versão semi-cénica”, João Henriques confessou que o seu “dispositivo foi muito inspirado no painel de Pedro Cabrita Reis”. E, por sua vez, o artista plástico foi encontrar estímulo à própria ópera de Béla Bartók.

O resultado “da viagem desta quarta mulher ao inconsciente do Barba Azul” é uma combinação perfeita de estímulo aos sentidos, onde toda a geometria cénica, criada a partir de sete portas que se vão abrindo, comunica com a policromia do painel.

O segredo das sete portas

Na narrativa, este encontro é notório quando Judite, acabada de chegar ao castelo de Barba Azul, fica intrigada com sete portas fechadas à chave. Dominada pela curiosidade sobre o segredo que esconde cada uma das áreas, exige que o marido lhe dê as chaves.

A partir do momento que Judite começa por abrir a primeira porta, onde encontra a câmara da tortura, o jogo de luzes vai projectando para o espaço aberto de cada porta as cores sequenciais do painel de Pedro Cabrita Reis. Por esta altura, o vermelho garrido vai desenhando na atmosfera “as paredes do castelo manchadas de sangue”.

Depois de descoberta a armadura do Duque, com “milhares de armas bárbaras e horripilantes”, Judite vê-se perante o brilho amarelo do tesouro do Duque, repleto de “moedas douradas, preciosos diamantes, esmeraldas, rubis e mantos de veludo”.

Balada sobre a vida interior

O suspense sobre o que está por detrás de cada porta sobrepõe-se à rotina da acção. No entanto, só depois da revelação de um jardim”, do reino que está por detrás da quinta porta, e de um lago feito de lágrimas, é que a narrativa intensa e profunda explode de forma angustiante.

Béla Balázs, autor do libreto que deu origem à ópera de Béla Bartók proferiu esta curiosa afirmação “A minha balada é sobre a vida interior. O castelo do Barba Azul não é um castelo de pedras. O castelo é a sua alma. É solitário, escuro e secreto: o castelo de portas fechadas”.

Ao interesse exclusivo de Balázs no drama psicológico, o encenador João Henriques acrescentou a sua visão pessoal à ópera. “Para mim, o Duque Barba Azul passou por todo o tipo de experiências nas suas múltiplas vivências”. E acrescentou “Por isso, é que as três mulheres (meras figurantes) são uma criança, uma mulher normal e um homem”.

Fechando o círculo que envolve o drama, a orquestração – sob direcção de Christoph König – confere a cada momento em que se desvenda cada mistério um significado específico com tratamento harmónico correspondente. A cada porta aberta, uma reacção ao que se vê reflectido por detrás dela.

Observação importante: nesta gravação da Naxos, os locais que o Barba Azul e Judith ocupam na imagem estereofônica do CD são correspondentes a seus movimentos entre as sete portas. Som nas caixas!

Béla Bartók – A Kekszakallu herceg vara (Bluebeard’s Castle), BB 62

1. Megerkeztunk (We have arrived) (Bluebeard, Judith) 00:03:59
2. Ez a Kekszekallu vara! (This is Bluebeard’s castle!) (Judith, Bluebeard) 00:05:25
3. Nagy csukott ajtokat latok (I see large closed doors) (Judith, Bluebeard) 00:05:23
4. Jaj! (1. Ajto) (Oh! (Door 1)) (Judith, Bluebeard) 00:04:13
5. Mit latsz? (2. Ajto) (What do you see? (Door 2)) (Bluebeard, Judith) 00:04:23
6. O be sok kincs! (3. Ajto) (Oh, how much treasure! (Door 3)) (Judith, Bluebeard) 00:02:23
7. Oh! Viragok! (4. Ajto) (Oh, flowers! (Door 4)) (Judith, Bluebeard) 00:04:39
8. Nezd, hogy derul mar a varam (5. Ajto) (See how my castle brightens (Door 5)) (Bluebeard, Judith) 00:06:14
9. Csendes feher tavat latok (6. Ajto) (I see a silent white lake (Door 6)) (Judith, Bluebeard) 00:04:42
10. Az utolsot nem nyitom ki (I won’t open the last one) (Bluebeard, Judith) 00:04:05
11. Tudom, tudom, Kekszakallu (I know, I know, Bluebeard) (Judith, Bluebeard) 00:03:32
12. Lasd a regi asszonyokat (7. Ajto) (Look at the women of the past (Door 7)) (Bluebeard, Judith) 00:08:46

Gustav Belacek, bass
Andrea Melath, mezzo-soprano
Bournemouth Symphony Orchestra
Marin Alsop, Conductor

Total Playing Time: 00:57:44

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Béla Bartók (1881-1945) – O Mandarim Miraculoso / Dois Retratos / Concerto para Viola e Orquestra

Um pedido desses tem de ser logo atendido, né? O Mandarim Miraculoso, de um de meus compositores preferidos, uma grande música que tenho interpretada por um de “meus” regentes mais compreensivos e perfeitos…

A propósito, existe música inteligente e música burra?

– Não. Existe música cerebral e música emocional. Às vezes, alguns compositores conseguem juntar as duas coisas.

J.S. Bach, Beethoven, Bartók, Brahms e Mahler acertam quase sempre; os outros, mais raramente.

P.Q.P. Bach.

1. The Miraculous Mandarin op.19: Beginning
2. The Miraculous Mandarin op.19: The curtain rises
3. The Miraculous Mandarin op.19: First seduction game: the shabby old rake
4. The Miraculous Mandarin op.19: Second seduction game
5. The Miraculous Mandarin op.19: The shy youth appears at the door
6. The Miraculous Mandarin op.19: Third seduction game
7. The Miraculous Mandarin op.19: The Mandarin enters-Encounter with the girl
8. The Miraculous Mandarin op.19: The girl’s dance
9. The Miraculous Mandarin op.19: She flees from him; he chases her wildly
10. The Miraculous Mandarin op.19: The Mandarin stumbles, but catches the girl; they fight. The…
11. The Miraculous Mandarin op.19: Suddenly the Mandarin’s head Appears. The Tramps drag him out,…
12. The Miraculous Mandarin op.19: They drag the Mandarin to the centre of the room and hang him on a…
13. The Miraculous Mandarin op.19: The tramps take him down. He falls to the floor and at once leaps…
14. The Miraculous Mandarin op.19: His longing stilled, the Mandarin’s wounds begin to bleed; he…

Orquestra Sinfônica de Londres
Claudio Abbado

15. Two Portraits op.5: 1. One Ideal: Andante
16. Two Portraits op.5: 2. One Grotesque: Presto

Orquestra Sinfônica de Londres
Claudio Abbado

17. Viola Concerto Sz120: I. Moderato
18. Viola Concerto Sz120: II. Adagio religioso
19. Viola Concerto Sz120: III. Allegro vivace

Daniel Benyamini, Viola
Orquestra de Paris
Daniel Barenboim

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Béla Bartók (1881-1945) – Concerto para Violino Nº 2 e Rapsódias Nº 1 e 2

Hoje, gostaria de compartilhar com vocês um CD que comprei na semana passada e que – puxa! – vale indiscutivelmente a pena. Trata-se de mais uma abordagem de Pierre Boulez à obra de Béla Bartók, desta vez com o violinista Gil Shaham e a Orquestra Sinfônica de Chicago. Tudo de primeira linha. É uma novidade apenas para mim, já que é um lançamento de 1999 da DG. Acho que você deveria adquiri-lo também.

Como escreve Shaham no encarte do CD a música ali gravada “é poderosa e sensível, séria e bem humorada, revolucionária e clássica. Tudo ao ‘nth degree’ (não me arrisco a traduzir… enésima potência?). Apesar de Boulez, o grande trabalho é realmente de Shaham. Sua cadenza no primeiro movimento do Concerto é absolutamente arrebatadora. Posso esquecer inteiramente as outras gravações que tenho, todas por violinistas mulheres orientais. Nada contra elas, mas Shaham dá um tal baile na concorrência que é melhor esquecê-las para sempre.
O concerto de Bartók, mas também as duas rapsódias, são tão boas que nem vou me arriscar… Mas talvez vocês queiram ver e ouvir Shaham interpretar os primeiros dez minutos deste espetacular Concerto no YouTube – com outra orquestra e regente. Também no YouTube e na mesma tela referida, podemos encontrar a continuação do concerto.

Enjoy e aproveite! :))

P.Q.P. Bach

1. Concerto Pour Violon N°2, Sz112 : Allegro Non Troppo
2. Concerto Pour Violon N°2, Sz112 : Andante Tranquillo
3. Concerto Pour Violon N°2, Sz112 : Allegro Molto

4. Rhapsodie Pour Violon & Orchestre N°1, Sz87 : Moderato
5. Rhapsodie Pour Violon & Orchestre N°1, Sz87 : Allegretto Moderato

6. Rhapsodie Pour Violon & Orchestre N°2, Sz90 : Moderato
7. Rhapsodie Pour Violon & Orchestre N°2, Sz90 : Allegro Moderato

Composé par Béla Bartók
Joué par Chicago Symphony Orchestra
avec Gil Shaham
Dirigé par Pierre Boulez

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Béla Bartók (1881-1945) – Concerto para Orquestra

Royal Stockholm Philharmonic Orchestra
Reg.: Andrew Davis

1. Concerto Pour Orchestre, Sz116 : Introduzione
2. Concerto Pour Orchestre, Sz116 : Giuoco Delle Coppie
3. Concerto Pour Orchestre, Sz116 : Elegia
4. Concerto Pour Orchestre, Sz116 : Intermezzo, Interrotto
5. Concerto Pour Orchestre, Sz116 : Finale

O LINK FOI PARA O ESPAÇO, MAS HÁ OUTRA GRAVAÇÃO DISPONÍVEL NO BLOG.

REVALIDADO – Béla Bartók (1881-1945) – Os Seis Quartetos de Cordas (Emerson)

Disc 1

1 String Quartet No. 1, Op. 7: 1. Lento – attacca
2 String Quartet No. 1, Op. 7: 2. Poco e poco accelerande all’ Allegretto – Introduzione. Allegro 0 attacca
3 String Quartet No. 1, Op. 7: 3. Allegro vivace

4 String Quartet No. 3: 1. Prima Parte: Moderato – attacca
5 String Quartet No. 3: 2. Seconda parte: Allegro – attacca: Ricapitulazione della prima parte; Moderato
6 String Quartet No. 3: 3. Coda: Allegro molto

7 String Quartet No. 5: 1. Alllegro
8 String Quartet No. 5: 2. Adagio molto
9 String Quartet No. 5: 3. Scherzo: Alla bulgarese
10 String Quartet No. 5: 4. Andante
11 String Quartet No. 5: 5. Finale: Allegro vivace

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Disc 2
1 String Quartet No. 2, Op. 17: 1. Moderato
2 String Quartet No. 2, Op. 17: 2. Allegro molto capriccioso
3 String Quartet No. 2, Op. 17: 3. Lento

4 String Quartet No. 4: 1. Allegro
5 String Quartet, No. 4: 2. Prestissimo, con sordino
6 String Quartet, No. 4: 3. Non troppo lento
7 String Quartet, No. 4: 4. Allegretto pizzicato
8 String Quartet, No. 4: 5. Allegro molto

9 STRING QUARTET NO. 6: 1. Mesto-piu mosso, pensante – Vivace
10 STRING QUARTET NO. 6: 2. Mesto – Marcia
11 STRING QUARTET NO. 6: 3. Mesto – Burletta
12 STRING QUARTET NO. 6: 4. Mesto

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Emerson String Quartet

Total Running Time: 2:29:05

[revalidado por Vassily em 20/1/2021]