Dia destes nosso editor-chefe postou quatro concertos para piano de Mozart numa evidente relação de amor e ódio – sob a perspectiva da interpretação, é claro – com a solista Alicia de Larrocha e o regente, Georg Solti.
É impressionante como algumas gravações sofrem, com o passar do tempo, o efeito de carregarem os usos e modismos do momento em que foram feitas. Basta lembrar os LPs da Archiv Produktion com suas capas de fundo creme ornadas apenas pelo logotipo da AP, títulos e nomes dos compositores e músicos, com um ar que sugeria uma publicação científica, trazendo música antiga gravada pelos experts da época. Karl Richter um notório exemplo.
É fato que algumas gravações desafiam o tempo, enquanto outras rapidamente esmaecem e fenecem e passam a interessar a apenas uma magra fatia dos alucinados melômanos.
Estes não muito organizados pensamentos me ocorrem numa manhã linda de domingo enquanto me debato entre a necessidade de corrigir algumas avaliações, trocar de imóvel e escolher o almoço. Para afastar de vez todas estas maçantes atribuições, Mozart!
Este disco com dois espetaculares concertos para piano, interpretados pelo articuladíssimo pianista e cronista, Jeremy Denk, além de cair, na minha opinião, naquela categoria dos discos que desafiarão o tempo, vem bem a calhar.
A sua audição, acompanhada da leitura do artigo do Jeremy, que você pode encontrar aqui, muito contribuiu para minha boa disposição em chegar contente ao fim do domingo.
Ele menciona que o melhor de Mozart está nas suas óperas e concertos para piano. Eu não poderia concordar mais…
Um disco com dois concertos, primeiro o Concerto em dó maior, que se lança com ares marciais, lembrando a canção do Fígaro, e o outro, em ré menor, tão conhecido por seus tons mais trágicos. Os concertões são separados, ou melhor, unidos, pelo Rondo em lá menor, que devido ao seu caráter mais melancólico e tristonho funciona como um momento de reflexão para o ouvinte, gerando um intervalo entre eles.
Miles Kending, assessor especial para discos com concertos para piano de Mozart
Eis um disco que deve agradar a antigos ouvintes de Concertos para Piano de Mozart, assim como aqueles que os estão descobrindo agora. Certo, Miles?
Duas sonatas para piano, do período em que Haydn estava a serviço da família Esterházy, e mais duas compostas na época em que ele estava às voltas com as viagens a Londres. Com esta fórmula Paul Lewis nos brindou com um disco maravilhoso, postado aqui.
Lewis gostou do passeio na sede de campo do PQP Bach Club de Pomerode
Pois ele repetiu a dose, com a mesma maestria – outro ótimo disco.
As sonatas para piano de Haydn levam uma numeração dada por H. C. Robbins Landon, musicólogo especializado na obra de Haydn, e uma outra mais antiga, proveniente do catálogo Hobken. Por exemplo, temos a Sonata No. 33 (Landon) em dó menor, Hob. XVI: 20 (Hobken), de 1771, e Sonata No. 53 em mi menor, Hob. XVI: 34, de 1778 ou 1783. As outras duas sonatas do disco são as No. 61 em ré maior, Hob. XVI: 51 e No. 62 em mi bemol maior, Hob. XVI: 52, ambas de 1794. Estas duas últimas, juntas com a No. 60 em dó maior, Hob. XVI: 50, gravada no outro disco de Lewis, foram as últimas sonatas compostas por Haydn, em 1794.
Todas estas sonatas são muito lindas e aparecem também no conjunto de sonatas gravadas por Alfred Brendel em vários discos reunidos em um só volume pela Philips, outra grande referência para quem gosta deste tipo de música.
As sonatas deste disco compostas na década de 1770 são próximas das composições de CPE Bach e as outras, da década de 1790, são típicas do estilo clássico vienense, como também são as primeiras sonatas para piano de Beethoven.
Não se iluda com o relativamente baixo número no catálogo da Sonata Hob, XVI: 20, em dó menor. Ela é favorita de pianistas como Alfred Brendel e András Schiff. A sonata começa moderadamente, com um arco inquisitório que vai se resolvendo com a enorme inventividade de Haydn. Não espere uma demonstração de virtuosismo, mas aprecie a elegância e graciosidade tão plenamente realizadas por Paul Lewis.
A Sonata em dó maior, Hob. XVI: 52 é uma das Top 10 da Gramaphone – uma das escolhidas para as melhores dez sonatas para piano, ever! (Pelo menos até que o editor não decida reescrever o artigo…)
O seu movimento final é ótimo exemplo do bom humor de Haydn.
O início da Sonata em mi menor, Hob. XVI: 34 é maravilhosamente borbulhante, cheia de perguntas seguidas de respostas afirmativas, deliciosa. O adagio é seguido de um brilhante finale, molto vivace, com a mesma verve do primeiro movimento, cheio do famoso bom humor haydniano.
Graciosidade também não falta na última sonata, em dois curtos movimentos, mas cheia de novas atitudes.
Franz Joseph Haydn (1732 – 1809)
Sonata para piano No. 33 em dó menor, Hob.XVI:20
Moderato
Andante con moto
Finale. Allegro
Sonata para piano No. 62 em i bemos maior, Hob.XVI:52
Esse foi olhar que Paul mandou quando perguntamos pelas gaivotas…
In 2018, Paul Lewis embarked on an exploration of one of the richest bodies of work of the Classical era: the keyboard sonatas of Haydn.
For his second volume, the British pianist tackles some of the most remarkable pieces in this vast oeuvre: the exceptionally concise Sonata in D major Hob. XVI:51, for example, which is surprisingly pre-Romantic (Schubert is not far off), or the celebrated Sonata in E flat major Hob. XVI:52, with which Haydn conferred well-nigh symphonic dimensions on the keyboard sonata for the very first time.
Piano do Joe Haydn
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No dicionário vemos a informação de que glosa significa ornamentação: glosa – anotação em texto para explicar o sentido de uma palavra ou esclarecer uma passagem (comentário). Se olharmos no dicionário com especificidade de música, veremos que glosa é um termo usado frequentemente pelos músicos espanhóis do século XVI indicando uma peça musical similar a um conjunto de variações. Pois a partir daí você começa a imaginar o que pode ser um Trattado de Glosas, que estamos para ouvir neste lindíssimo disco, mas que requer mais de seu tempo e de sua atenção para seu devido desfrute.
Diego Ortiz nasceu em Toledo e foi um compositor e mestre virtuose de viola e seu Trattado de Glosas de 1553 teve grande influência nas práticas musicais de sua época. O tratado foi publicado em Roma, mas apareceu também em Espanha. No entanto, nesta época, Diego estava em Nápoles, a serviço de Ferdinando Álvarez Toledo, Duque de Alba, vice-rei de Nápoles.
Neste disco temos as variações publicadas no tratado, as Recercadas, sobre os temas de La Spagna, O felici occhi miei, Doulce memoire, El passamezzo antiguo, La Romanesca e La folia. Estas variações são tocadas por um solista, papel intercalado por Bruno Cocset e Guido Balestracci, e são acompanhados por um conjunto de violas. As variações são, de quando em quando, intercalados por pequenos números musicais de compositores contemporâneos de Ortiz, acrescentando ainda mais beleza ao conjunto.
Um disco para amantes de viola e para aqueles que acreditam que é possível ser transportado no tempo, por um período curto que seja, e depois de volta…
Diego Ortiz (c. 1510 – 1570)
Recercadas del Trattado de Glosas (1533)
Recercada terçera para violone sola
Recercada primera sobre el canto Ilano La Spagna
Recercada segunda sobre el canto Ilano La Spagna
Recercada terçera sobre el canto Ilano La Spagna
Recercada quinta sobre el canto Ilano La Spagna
Recercada quarta sobre el canto Ilano La Spagna
Recercada sesta sobre el canto Ilano La Spagna
Luis Milán (1500 – 1561)
Fantasia XIII por el primer y segundo tono
Fantasia (vihuela)
Diego Ortiz
Recercadas del Trattado de Glosas
Recercada primera sobre el madrigal O felici occhi miei
Recercada terçera sobre el madrigal O felici occhi miei
Recercada segunda sobre el madrigal O felici occhi miei
Recercada quarta sobre el madrigal O felici occhi miei
Antonio de Cabezón (1510 – 1566)
Diferencias sobre la gallarda milanesa (órgão & cravo)
Diferencias
Tomás Luis de Victoria (1548 – 1611)
O magnum mysterium
Moteto
Diego Ortiz
Recercadas del Trattado de Glosas
Recercada quarta para violone sola
Recercada primera sobre la cancion Doulce memoire
Recercada segunda sobre la cancion Doulce memoire
Luis Milán
Fantasia I por el primer tono (vihuela)
Fantasia
Diego Ortiz
Recercadas del Trattado de Glosas
Recercada terçera sobre la cancion Doulce memoire
Recercada quarta sobre la cancion Doulce memoire
Recercada primera para violone sola
Recercada segunda para violone sola
Recercada primera sobre tenore El passamezzo antigua
Recercada segunda sobre tenore El passamezzo moderno
Recercada terçera sobre tenore El passamezzo antiguo
Recercada quarta sobre tenore La folia
Recercada quinta sobre tenore El passamezzo antiguo
Recercada sesta sobre tenore La Romanesca
Recercada settima sobre tenore La Romanesca
Recercada otava sobre tenore La folia
Antonio de Cabezón
Diferencias sobre El Cantodel Caballero (órgão)
Diferencias
Diego Ortiz
Recercada del Trattado de Glosas
Recercada sobre tenore Aria di Ruggiero Quinta pars
Bruno Cocset, solo
Guido Balestracci, solo
Les Basses Réunies
Maude Gratton, órgão
Bertrand Cuiller, cravo
Xavier Diaz-Latorre, viola e guitarra renascentista
Detalhes sobre a atuação dos músicos podem ser encontrados no livreto
Bruno esperando pacientemente que Guido termine o seu solo…
Bruno Cocset and Guido Balestracci take turns playing the solo bass (and sometimes treble) viol parts in these 27 ricercars, effectively elegant fantasies on mostly pre-existing pieces. They bring burnished flair to these varied gems, part of the Spanish master Diego Ortiz’s 1553 treatise on ornamentation. The Sunday Times
Guido, taking his time…
The result is simply flawless, in particular the two soloists Bruno Cocset and Guido Balestracci congenially transpose the elegant diminutions of this music. The exquisite timbres of their fellow campagners are more than just assistance. (…) The whole thing sounds like a discreet but varied and lasting introduction to the courtly sound universe in Southern Europe of that time. Concerto
Envernizar é fácil… o trabalho é tomar conta até secar!
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Pianistas russos e sonatas de Scarlatti vão bem juntos! Emil Gilels, Mikhail Pletnev e Yevgeny Subdin são alguns nomes que não deixam a frase no ar. O personagem pianista desta postagem é armênio de origem e estudou com Georgy Saradjev (aluno de Vladimir Sofronitsky) e posteriormente com Lev Naumov e Pletnev.
Parece coisa de filme, mas em 1991 o relativamente jovem Sergei Babayan se encontrava em Bruxelas, onde morava a já famosíssima Martha Argerich. Sergei buscou o nome dela em uma lista telefônica (não havia celulares como hoje, naqueles dias) é claro sem grandes expectativas. Mas, para sua grande surpresa, lá estava o nome e o número. Daí seguiu um telefonema que resultou em uma grande amizade e alguns projetos em conjunto.
Babayan e a sua rainha…
No entanto, o disco da postagem é solo e Babayan apresenta sonatas de um compositor que foi um virtuose do teclado, mas que nos seus dias tocava cravo. Domenico Scarlatti também teve a sorte de cair nas graças de uma rainha. No seu caso, a rainha da Espanha, Maria Bárbara, de origem portuguesa. Muitas destas sonatas foram escritas por Scarlatti para a rainha e chegaram até nós 555 delas. Isto foi em grande parte pelo zelo da rainha, que instou e certamente financiou o trabalho de cópia destas sonatas, supervisionado pelo compositor, mesmo que não houvesse uma publicação em perspectiva.
Scarlatti e a sua rainha…
Neste disco, Sergei nos brinda com 19 bem escolhidas sonatas desta enorme coleção. Na primeira delas ele mostra como devemos iniciar uma feliz jornada, sem correrias, admirando os detalhes e entrando no clima de que apreciaremos – uma sequência de maravilhosas peças.
Maria Madalena Bárbara Xavier Leonor Teresa Antónia Josefa, rainha portuguesa de Espanha, que muito contribuiu para a música e para a amizade entre os dois países…
Momento ‘The book is on the table’: Then, after hearing how Babayan handles the extraordinarily difficult repeated notes and runs in the toccata-like K. 141 I was sold. Here is a Major Scarlatti Player, and like none I’d ever heard before. Understand, I have Scarlatti recordings by probably thirty different keyboard artists (including all 555 sonatas by the late-lamented harpsichordist, Scott Ross), and I’d never heard one with this combination of technique and what I’d have to call ‘soul’, by which I guess I mean a fervent (and it occurred to me, a Spanish) expressivity. Not Horowitz (almost everyone’s favorite), Weissenberg (my own favorite), Dubravka Tomsic (a recent discovery for me), no one.
My favorable reaction held up to the very end of this lovely CD. I know I’ll be reaching for it again and again.
Não é incomum que em seus primeiros álbuns, jovens pianistas reúnam obras de compositores que geralmente não se encontram assim, tão associados. Para exemplificar o que quero dizer, basta lembrar um dos primeiros discos de Martha Argerich com obras de Chopin, Brahms, Liszt, Ravel e Prokofiev. É claro que não há aqui qualquer intenção de comparar o pianista australiano de Queensland com a musa de nossos queridos colaboradores do blog, mas o disco da postagem da vez reúne obras de Bach, Schubert e Chopin. É claro que todos três foram excelentes intérpretes e compositores de música para teclado, mas não é todo dia que nos deparamos com um disco reunindo uma trinca destas. Não se preocupe, o disco funciona muito bem como um lindo recital.
Abrindo os trabalhos, a Toccata em dó menor, BWV 911, de Bach. Peça que também aparece em um disco todo dedicado a Bach, da Martha Argerich. A Toccata é uma peça de juventude de Bach e tem um certo ar de improvisação que Gillham realiza com muita propriedade.
Durante o Festival Internacional de Perth de 2016, um crítico observou que Jayson Gillham tem um bell-like tone and… sense of expressive lyricism. Pois a escolha da Sonata em lá maior, D. 644, de Schubert, nos dá oportunidade de verificar esse tal senso de lirismo.
Funcionando como uma segunda parte do recital, temos as peças de Chopin. A transição da Sonata de Schubert para o universo de Chopin é bem marcada pelo Prelúdio que anuncia a Sonata No. 3, em si menor, Op. 58.
A crítica que eu li sobre o disco, que você pode acessar aqui, tem algumas reservas, mas é bastante positiva, vista em perspectiva. Eu, que sou fácil de agradar, gostei muito do disco, em particular da produção de gravação, aos cuidados de Andreas Neubronner, que costuma produzir discos de Murray Perahia.
O fotógrafo do PQP Bach teve muito trabalho para reunir os três compositores para esse flash…
Gillham says these particular works are close to his heart… Depois de ouvir o disco, eu diria: You bet!
Bach | Schubert | Chopin presents music of unparalleled beauty, vitality and joy by three masters of keyboard writing. The works highlight different aspects of Jayson’s superb musicianship.
Houve um tempo em que grandes pianistas e violinistas andavam sobre a terra e dominavam o planeta! Inclusive, foi nesta época que os pianos tiveram que ser reforçados, ganharam tonalidades mais escuras e os violinos eram venerados e conhecidos por nomes próprios ou apelidos. Era o período que nós, os estudiosos do que ficou registrado nas fitas magnéticas da época, mastertapes, chamamos de Período Jurássico.
Sempre que surge um registro novo, algo que se encontrava esquecido em alguma prateleira de algum estúdio ou arquivo de rádio, segue um reboliço, um frisson, um alvoroço nesta comunidade de paleantapeólogos…
Firkušný
Pois o que vos trago nesta postagem é uma série de registros deste tempo passado, mas jamais esquecido… O denominador comum é o regente, ele também uma versão de regente-jurássico, que por diversas vezes apareceu em nossas páginas, mas quase sempre em gravações comerciais regendo sinfonias… Aqui ele faz o papel de regente acompanhante, na maioria das obras – Günter Wand a frente de duas orquestras de rádios alemãs.
Explorador de arquivos jurássicos…
Os solistas, como você pode imaginar, são figuras quase míticas, principalmente pianistas, mas um violinista também, a título de diversidade. Esta conversa toda não deve causar qualquer preocupação entre aqueles que, como eu, ao ouvirem falar de grandes nomes e gravações esquecidas já antecipam chiados e pigarros das plateias, sem contar som encaixotado e tenebroso. Não será necessário colocar colete ou chapéu de antropólogo explorador para se enveredar nos arquivos sonoros, pois que o som é sempre para lá de decente.
Magaloff
Temos quatro concertos para piano, quatro ao todo, iniciando no período clássico e culminando em dois enormes cavalos de batalha.
Nikita Magaloff, conhecido por suas gravações de Chopin, aqui faz as honras a um lindo concerto de Haydn, e Rudolf Firkušný, que conhecemos aqui por outras gravações de concertos clássicos, mais uma vez toca um concerto de Mozart. E um em tonalidade menor…
Gilels
Para o grande Emperor foi escalado o lendário pianista Emil Gilels, que deixou pelo menos três registros comerciais deste concerto. Acompanhado pela Orquestra de Cleveland regida por George Szell em uma delas e outra acompanhado pela Philarmonia Orchestra, regida por Leopold Ludwig. Mas há ainda uma gravação, esta sim bem datada, com orquestra regida por Kurt Sanderling.
Bolet
Como para dar um descanso aos seus solistas, Wand rege uma (linda) Serenata de Brahms, que ensaiou bastante antes de escrever sua Primeira Sinfonia.
Avançando com os concertos, temos o mais conhecido dos concertos para piano, se não o mais amado pelos connoisseurs, o Concerto de Tchaikovsky, interpretado pelo virtuose americano de origem cubana, Jorge Bolet. Sparkling!
Outro americano, este violinista de ascendência italiana, Ruggiero Ricci, interpreta um concerto de Camille Saint-Saëns.
Ricci
Para fechar este cortejo, três lindas aberturas de óperas de Mozart…
Estas gravações foram compiladas de uma caixa na qual havia muitas outras coisas, mas o que eu gostei mais está aqui. Tenho certeza de que cada um entre os leitores poderá encontrar aqui um bom trecho de música para se deliciar e apreciar a arte destes grandes intérpretes. As outras coisas da caixa resolvemos deixar para os outros blogs mais especializados…
Joseph Haydn (1732 – 1809)
Concerto para Piano em ré maior, Hob. XVIII/11
Vivace
Un poco Adagio
Rondo all’Ungarese. Allegro assai
Nikita Magaloff, piano
NDR Sinfonieorchester
Günter Wand
Gravação de 2 de dezembro de 1985, Hamburg Musikhalle
Essa foi a cara que o Ruggiero fez quando um de nossos entrevistadores lhe perguntou se ele atuara na série dos Soprano…Rudolf disse que não estava vendo nenhum outro pianista a sua frente
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Richard Tognetti rege a Australian Chamber Orchestra tocando violino. A foto que vi me deixou bem impressionado. Parte dos músicos, como os violinistas, tocam em pé e as partituras estão dispostas em tablets. Que fusão de tecnologias, pois a orquestra pode usar instrumentos de época ou instrumentos modernos, dependendo da situação.
O disco desta postagem reúne três sinfonias do período clássico. Duas de Haydn e uma de Mozart. As Sinfonias No. 49 de Haydn e No. 25 de Mozart foram gravadas em concertos em 2013 e a Sinfonia No. 104, de Haydn, foi gravada também ao vivo cinco anos depois. Apesar de serem típicas obras do classicismo, revelam a incrível evolução do gênero em um curto espaço de tempo, muito por conta da criatividade de Haydn.
Uma ótima La Passione, esta aqui…
A Sinfonia ‘La Passione’ (maravilhosa) é de 1768, quando Mozart tinha 12 anos, e a Sinfonia ‘pequena’ em sol menor, foi escrita por Mozart, um maduro compositor de 17 anos, que saboreava o sucesso de sua ópera séria, Lucio Silla, escrita um ano antes. A Sinfonia ‘La Passione’ é um excelente exemplo das obras produzidas por Haydn em seu período Sturm und Drang.
Já a impressionante Sinfonia ‘London’ veio coroar a série de 12 sinfonias escritas por Haydn para as suas viagens a Londres, a convite do empresário J.P. Salomon, e revela o compositor de 62 anos com completo domínio de sua maestria.
Se você já conhece este repertório, certamente gostará de ouvir a interpretação deste grupo que acompanhou a maravilhosa Angela Hewitt tocando os concertos de Bach. Caso você ainda esteja iniciando sua exploração das sinfonias deste período, certamente terá aqui uma excelente opção. De qualquer forma, um disco na medida certa para o prazer de conhecedores e iniciantes…
Veja o que o pessoal andou falando dos músicos e do disco:
“Richard Tognetti and his group (ACO) produced playing of fabulous alertness and tight ensemble; if there’s a better chamber orchestra in the world today, I haven’t heard it.”
One of the inextinguishable joys of music is hearing another performance of a work you know almost by heart, and hearing something you never heard before. There’s a lot of that in these performances. Want an example? Just listen to the trio section of the third movement of the Mozart “Little G Minor” Symphony. Wow!
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Depois de uma semana ouvindo peças de mais de uma hora de duração, eu queria ouvir algo mais leve e curto, para variar. Foi assim que o nome deste disco me chamou a atenção. Sonatines pour le piano – umas sonatazinhas, para variar. E como o repertório era de compositores franceses, a animação aumentou.
O termo ‘sonatina’ tem sido usado por compositores desde muito tempo, incluindo Bach e Handel. O nome indica que há um certo compromisso com a forma sonata, mas o resultado será mais breve e espera-se uma certa leveza. No caso dos franceses, elegância também.
Daniel Blumenthal é um pianista que atua muitas vezes como acompanhante e como músico de câmara e também tem explorado em suas gravações como solista um repertório menos convencional.
O programa do disco começa e termina com obras de compositores bem conhecidos, mas as outras cinco peças também reservam excelentes momentos.
Erik Satie tinha um peculiar senso de humor e essa Sonatine bureaucratique é um pastiche das obras de Muzio Clementi, composta de forma irreverente em 1917 e prenuncia o neoclassicismo.
Reynaldo Hahn nasceu na Venezuela, mas era francês. Além de compositor, foi regente, crítico e cantor, especialmente famoso por suas canções. Além da Sonatazinha que aparece graciosamente neste disco, aparentemente foi o autor de uma frase bem famosa: À la recherche du temps perdu.
Charles Koechlin já tem frequentado nosso blog com suas elegantes peças de câmara e Georges Auric é um de Les six.
Alexandre Tansman nasceu na Polônia, mas era francês. É um pioneiro do classicismo e famoso por ser um mestre em orquestração.
Albert Roussel começou a vida na marinha, mas tornou-se músico. Foi bastante influenciado por Debussy e Ravel e depois voltou-se para o neoclassicismo.
Para completar o disco a belíssima Sonatine de Maurice Ravel, que mais de uma vez tem aparecido nestas páginas.
A capa do disco, com suas efêmeras e diversas florezinhas é uma beleza e realmente sugere o que você ouvirá… A sonatazinha de Reynaldo Hahn, com seu lindo andantino rubato é muito charmosa e a Sonatine transatlantique, com seus movimentos associados aos ritmos populares também é bem especial.
Mozart era um compositor genial e profissional – podia compor obras primas em qualquer gênero musical vigente em seus dias. Música sacra, instrumental, de concerto, Lieder, sinfonias e óperas. Em minha opinião, seus maiores êxitos foram os concertos para piano e as óperas. Ele compôs óperas sérias, óperas alemãs e cômicas.
As Bodas de Fígaro, de 1786, foi a primeira das três colaborações com o libretista Lorenzo Da Ponte e tem como base uma peça de Beaumarchais. Esta peça estava proibida em Viena, por ridicularizar a nobreza. Dá para ver que a dupla gostava de desafios. Mas o libreto de Da Ponte ameniza as situações e explora exatamente o lado cômico – a buffonerie – da trama. A ópera foi apresentada nove vezes desde a estreia em 1 de maio de 1786 no Burgtheater de Viena, tendo o compositor como regente, desde o piano.
Apesar do pequeno número de apresentações, para os nossos padrões, o Fígaro foi um sucesso, pelo menos de público. Sabemos disso devido ao número de vezes que as partes da ópera tiveram que ser repetidas durante as apresentações. Tantas que o imperador decretou que apenas as árias poderiam ser bisadas. Pois que o Fígaro se destaca não apenas por suas árias, mas também pelos números nos quais grupos de cantores atuam.
Outra evidência de seu sucesso foi a sua tradução para o alemão, aproximando-a do outro gênero no qual Mozart era excelente, o Singspiel.
A postagem deste disco ilustra essa tradução, apresenta uma coletânea de árias além da abertura de Die Hochzeit des Figaro.
A gravação feita no início da década de 1960 é anterior a moda dos grupos que usam instrumentos de época com prática historicamente informada e reúne um elenco especialíssimo, acompanhados de uma das melhores orquestras da época, regida por um experiente regente, apesar de seu perfil bastante discreto. Não tenho certeza, mas presumo que a coleção foi extraída de uma gravação completa. De qualquer forma, essencialmente alguns recitativos não foram incluídos.
A abertura não cita qualquer tema das árias, mas revela a efervescência, o bom humor e os maravilhosos momentos que seguirão.
A seguir, farei uma lista dos números apresentados na gravação com os correspondentes originais em italiano, com eventuais breves comentários.
2 – Fünfe, zehne – Cinque… dieci…
Susana!
3 – Sollt’ einst die Gräfin – Se a caso madama (Fígaro e Susana)
Nestes dois números que seguem a abertura da ópera, a dupla Mozart-Da Ponte deixa claro como homens e mulheres são diferentes (grazie Dio). Fígaro está encantado com as ‘facilidades’ do quarto onde ele e Susana viverão após o casamento. Ele explica o quão perto ela estará do quarto da Condessa, caso ela precise de seus serviços – in due passi. Mas, em sua sagacidade, Susana alerta que, no caso em que o Conde envie Fígaro a uma tarefa distante – tre miglia lontan – ela ficará sozinha e o capiroto poderá colocar o Conde bem à sua porta. Die Teufel, em alemão parece até mais assustador. Assim se apresenta o enredo. O Conde tentando manter seus ‘direitos’ de prima notte, dos quais havia aberto mão, em jogada para a plateia. A revolta dos servos se monta, estabelecendo uma aliança com a Condessa. As mulheres, mesmo na nobreza, precisam lutar por seus direitos. E entre os próprios servos há os que estão prontos para tramar contra seus pares, visando proveitos próprios. Velha esta história.
Walter Berry, o Fígaro
4 – Will der Herr Graf – Se vuol ballare Signor Contino (Fígaro)
Nesta ária, Fígaro mostra sua frustração com o Conde. Na peça anterior, ele o ajudara ganhar o amor de Rosina, que tornar-se-ia Condessa. Conclui que o fará dançar segundo sua música.
5 – Ich weiß nicht – Non so più cosa son, cosa faccio…
Hanny Steffek, o Cherubino
Esta é a primeira de duas árias de Cherubino, um adolescente que se apaixona incessantemente por todas as mulheres a volta – Susana, Condessa… e acaba com Barberina, a filha do jardineiro. Tudo para apimentar ainda mais os jogos de ciúmes e traições.
6 – Nun vergiß leises Fleh’n – Non più andrai, farfallone amoroso
Esta ária de Fígaro, cheia de toques militares, encerra o primeiro ato. Afinal, Cherubino tantas fez que é mandado de castigo a juntar-se ao regimento. Só assim deixará as mulheres e o Conde em paz. É claro que ele não irá e será disfarçado de mulher, para atiçar ainda mais a trama. Mais uma subversão ao Conde.
Maria Stader, a Condessa
7 – Hör mein Fleh’n – Porgi, amor, qualche ristoro
Esta belíssima ária da Condessa, que expressa sua tristeza pela mudança de atitude do Conde. Ele era muito mais dedicado antes do casamento, quando ela era ainda Rosina. Esta parte da história está na ópera escrita posteriormente, por Rossini.
8 – Sagt, holde Frauen – Voi che sapete che cosa è amor
Outra ária de Cherubino, papel destinado a um contralto. Era moda estes travestimentos nas óperas. Outro famoso papel deste tipo é o de Otaviano, no Cavaleiro da Rosa, de Richard Strauss. Richard sabia tudo sobre as óperas de Mozart.
9 – Warum gabst du bis heute – Crudel! Perche finora farmi languir cosi?
Neste delicioso dueto Susana e o Conde travam um diálogo de sedução e negação… tutto embromação!
Fischer-Dieskau, o Conde
10 – Der Prozeß schon gewonnen… Ich soll ein Glück entbehren – Hai gia vinto la causa…
Nesta ária o Conde se gaba de ter descoberta as tramas contra ele. Acredita que poderá manipular tudo e sair vencedor… Veremos!
11 – Und Susanna kommt nicht… Wohin flohen die Wonnestunden – E Susanna non vien… Dove sono i bei momenti
Outra bela ária da Condessa. Serve também para informar dos planos de travestimentos, dela com Susana, que causará enormes confusões…
12 – Wenn die sanften Abendwinde – Canzoneta sul’aria… Che soave zeffiretto
Este é um momento especial da ópera. Um dueto de sopranos – Condessa e Susana. Uma dita para a outra uma cançãozinha que servirá aos planos de engabelar o Conde e desmascará-lo. Em uma postagem da ópera inteira em italiano eu menciono essas coisas.
Ferdinand, espantado com a beleza da Susana
13- Alles ist richtig… Ach, öffnet eure Augen – Tutto è disposto. […] Aprite un po’ quegli’ occhi
Neste recitativo seguido de ária, Figaro acredita ter descoberto a traição de Susana e alerta a todos os homens – Abram os olhos! Cuidado com as mulheres… Apesar da confusão, que será esclarecida, Figaro afirma: fica a dica!
Rita Streich, a Susana
14 – Endlich naht sich die Stunde… O säume länger nicht – Giunse alfin il momento… Deh, vieni, non tardar, oh gioia bella
Aria de Susana, que anseia pelo fim das confusões.
Os cantores são excelentes. Maria Stader e Rita Streich fazem a Condessa e Susana, respectivamente. Hanny Steffek é Cherubino. Os papéis de Fígaro e do Conde têm os ótimos Walter Berry e Dietrich Fischer-Dieskau. Ferdinand Leitner rege a (lendária) Berliner Philharmoniker. Assim, espero que este disco desperte seu maior interesse pela ópera completa e também para os outros trabalhos de Mozart!
Eu costumava considerar o título ’20th Century Piano Sonatas’ como uma alusão a uma música nova, ‘moderna’. Eu mesmo costumava a me considerar uma pessoa do Século 20… Pois bem, o tempo passa, a fila anda, e é melhor rever as nossas considerações.
Eu já me considero alguém do Século 21 com boas lembranças do século passado. Quanto a música, provavelmente seguirei pelo que me resta de Século 21 explorando a música que foi escrita no Século 20 e nos anteriores também…
Alberto pronto para sacar uma foto dos entrevistadores do PQP Bach, quando ele visitou a sede do blog em POA.
Foi mais ou menos assim que me interessei pela série de discos do selo Brilliant – 20TH Century Piano Sonatas. Com um acervo enorme, mesmo que gravado por artistas menos conhecidos, o selo pode levar avante um projeto reunindo várias obras escritas por compositores que viveram a maior parte de suas vidas no Século 20. Já postamos o Volume 3 da série, motivado pela Sonata do Kapustin. Uma coisa puxa outra e hoje vamos de Volume 2, que inicia com uma Sonata de Bartók. Com isso, reforçamos o projeto #BRTK140. Mas as belezuras deste disco são as outras duas sonatas, uma do compositor hermano, Alberto Ginastera, a outra do pianista e compositor (nas poucas horas vagas que lhe restavam…) John Ogdon.
Klára…
A Sonata de Bartók é aqui interpretada pela pianista Klára Würtz que aqui tem comparecido, inclusive com a Integral das Sonatas para Piano de Mozart (muito boa essa aqui, BB, vale o descarrego do blog seguido de presta auditiva…). Sobre a Sonata foi dito que é tonal, mas dissonante, percussiva e cheia de notas repetidas e com clusters, o que lhe dá um certo ar folclórico, coisa do Béla.
Mariangela…
A Sonata No. 1, Op. 22, de Ginastera é aqui interpretada pela pianista italiana Mariangela Vacatello e descrita da seguinte forma: ‘Composta em 1952, a sonata para piano Op. 22 reflete essa integração mais complexa da identidade nacional e do método de composição por meio de uma fusão de vivas figurações rítmicas derivadas de danças, texturas evocativas e formas e idiomas musicais modernos’. Você poderá ler a descrição completa acessando o próprio site aqui.
John Ogdon
Para terminar, a Sonata do gentil gigante John Ogdon, que foi ‘Dedicada ao amigo Stephen Bishop’. Ganha um doce se adivinhar quem seria este tal Estevão. Pois a sonata é de 1961 e convencionalmente estruturada em três movimentos, com o mais longo sendo o segundo deles. A peça tem uma enorme variedade de efeitos pianísticos e texturas assim como uma inventividade melódica que a percorre do começo ao fim. Claro, resultado de uma mente que sabia tudo sobre pianos e sonatas. Aqui o intérprete é o relativamente jovem Tyler Hay.
Tyler…
Espero que este disco desperte a sua curiosidade pelas outras obras desses compositores, assim como pelos outros discos da série.
Béla Bartók (1881–1945)
Sonata para Piano, BB 88, Sz. 80
Allegro moderato
Sostenuto e pesante
Allegro molto
Klára Würtz, piano
–\oOo/–
Alberto Ginastera (1916–83)
Sonata para Piano No. 1, Op. 22
Allegro marcato
Presto misterioso
Adagio molto appassionato
Ruvido ed ostinato
Mariangela Vacatello, piano
–\oOo/–
John Ogdon (1937–89)
Sonata para Piano ‘Dedicada ao amigo Stephen Bishop’
Sobre John Ogdon: He won first prize at the London Liszt Competition in 1961 and consolidated his growing international reputation by winning another first prize at the International Tchaikovsky Competition in Moscow in 1962, jointly with Vladimir Ashkenazy.
Desafio revelado: A pianista é Dubravka Tomšič, nascida na linda cidade de Dubrovnik, na Croácia. O disco é uma dessas pequenas joias escondidas nos balaios de ofertas das lojas de disco ou nas franjas das páginas do tipo ML.
Luar sobre a Lagoa de Piratininga…
Três sonatas para piano que se destacaram por receberem apelidos: Patética, Ao Luar e Waldstein. Além da numeração ou da tonalidade, essas sonatas ganharam tanto a predileção do público que são conhecidas pelo nome. E realmente, se você quiser dar a alguém uma ideia de como a música de Beethoven é magistral, estas três sonatas serão um excelente ponto de partida. No conjunto há aqueles momentos de suspense, de enternecimento, nos quais os lencinhos vão aos olhos, também aqueles eloquentes silêncios e, principalmente, aquelas irrupções tempestuosas de acordes e de emoções que, se não destroem os pianos, podiam arrebentar uma corda ou duas.
Conde Waldstein
Aqueles entre nós que já ouvem música há mais tempo têm suas preferidas versões, suas escolhas já feitas. De qualquer forma, percorrer as prateleiras de CDs buscando aquela versão especial para ouvir no momento ou para mostrar a alguma companhia enquanto se bate um animado papo sobre música é uma boa antecipação do prazer. Se bem que CDs e prateleiras são cringe e o que é in agora é escolher o arquivo certo no aplicativo estiloso.
Eu tinha um amigo que gostava de adivinhações. Ele selecionava uns dois ou três discos (não tínhamos tantos naqueles dias) com música de um mesmo compositor e fazíamos audições às cegas – mais ou menos como se fazem nos cursos de degustação de vinhos – e depois tentávamos adivinhar as peças e os intérpretes. As peças era a parte mais fácil, mas adivinhar o intérprete era mais complicado e em muitos casos tínhamos interessantes surpresas.
Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)
Sonata No. 8 em dó menor, Op. 13 – Pathetique
Grave – Allegro di molto e con brio
Adagio cantabile
Rondo (Allegro)
Sonata No. 14 em dó sustenido menor, Op. 27, 2 – Ao Luar
A surpresa da Dubravka quando lhe contamos do desafio feito aos nossos seguidores…
Assim, proponho essa brincadeira para nossos seguidores, de adivinhar o intérprete destas três lindas sonatas. Se você se divertir ouvindo os arquivos, já ficarei muito feliz. Se adivinhar quem está por trás das teclas, mais ainda. Aquele que enviar uma mensagem fazendo uma tentativa de acertar, terá acesso livre a tantos downloads quanto conseguir e, se além disso, acertar o nome, ganhará uma cocada (virtual)! Não deixe de participar da brincadeira e mantenha contato com o blog para quando houver a grande revelação!
Schumann é um dos compositores de música para piano que eu ouço menos frequentemente, mas não porque não goste de suas peças, muito ao contrário. Ainda não sei bem o porquê disto, talvez seja simples falta de tempo. Tenho particular predileção pelo Carnaval, op. 9, e pelos chamados Estudos Sinfônicos. Assim, logo que vi este disco, com seu interessante repertório, decidi que deveria investir algumas horas nele. Em particular pelas Kreislerianas, ciclo de peças relevantes na obra do compositor. Pois o tempo investido rendeu muitos momentos de prazer, adorei o disco e, portanto, trago aqui para o blog.
Se você é novo neste repertório, note que nas duas obras nas quais se apresentam uma série de peças – Kinderszenen e Kreisleriana – se alternam movimentos mais intimistas, como o celebrado Traumerei, com outros mais extrovertidos. Como num caminho entre um bosque onde se alternam trechos ensolarados com outros sombreados. São os aspectos Eusebius (mais reflexivo) e Florestan (mais apaixonado e impulsivo) da personalidade do compositor. Bem, mais ou menos isso, que eu não sou especialista nestas coisas, se queres saber mais, há muito que ler por aí. De qualquer forma, espero que a ideia ajude a ouvir e gostar do disco.
A pianista Nino Gvetadze nasceu em Tbilisi e teve sua carreira deslanchada entre 2008 e 2010, quando se destacou em importantes concursos para piano. O título do disco – Einsam – reflete um pouco da melancolia de certos momentos do disco, que vale a pena conferir.
Nino ouvindo os bem-te-vis nos jardins da sede do PQP Bach Corp de Piratininga…
Crítica da Gramophone: ‘Filled with robust contrasts and with exquisitely sculpted phrasing throughout, Gvetadze’s sensitivity to Schumann’s vaunted ‘inner voices’ is unsurpassed. […]
Gvetadze’s focus is unerring and, if the expressive content of the music is always front and centre, she also has an uncanny ability to elucidate the overall structure with immense subtlety. If you don’t yet know her playing, great pleasures await.
Dia destes fiz a postagem de um disco com Sonatas para Piano compostas no século 20. O destaque da postagem foi uma sonata do compositor Nikolai Kapustin, de quem até aquela data não havia ouvido qualquer peça. Pois a partir daí, acabei me deparando com várias outras peças dele. Pois chegou a hora de postar um disco só com obras dele.
A escolha do disco foi também motivada pela vontade de apresentar aos seguidores do blog esta linda e excelente pianista coreana, Yoel Eum Son. Ela tem sido medalha de prata em algumas das mais importantes competições de piano – atividade que pode ser injusta e certamente é acirradíssima. Só para ilustrar o que eu quero dizer, Daniil Trifonov, Igor Levit e Nobuyuki Tsujii são nomes que apareceram ao lado do dela nestas tais competições. O que importa mesmo são os resultados posteriores e a carreira dela está certamente bem estabelecida com ótimos discos lançados e recitais muito concorridos.
Por falar nisso, ela tem apresentado nestes recitais músicas de Kapustin, de quem foi amiga. Veja um trechinho de uma crítica de um destes recitais que poderá ser lida na integra aqui. ‘Para fechar a primeira parte do recital, ela tocou uma raridade: as Variações, op. 41, de Nikolai Kapustin, um compositor ucraniano nascido em 1937. Ele compôs as Variações em 1984, uma peça de jazz. Teria Orwell imaginado que esta música pudesse ser escrita atrás da Cortina de Ferro em 1984? Ele poderia imaginar qualquer coisa. Em sua interpretação, Son fez o jazz-equivalente a “rockin’ out”. Havia muita alegria na maneira como ela tocou assim como na música’.
Sobre a música que ouviremos no disco, a apresentação do álbum a seguir antecipa um pouco, mas você precisa ouvir para crer. ‘There are many great contemporary composers of our time but few write music that we can relate to so easily and closely as Nikolai Kapustin. His exquisite use of techniques and musical languages of classical and jazz ensures that his music appeals to a wide range of listeners. To those who love classical music but know little about jazz it does not sound too unfamiliar and vice versa. Indeed, it gives great pleasure to even the most untrained ears of either genre of music.
The Korean pianist Yeol Eum Son has long been a champion of the composer and became friends with him. This album is therefore a personal and affectionate tribute to this unique genius and a wonderful introduction to his music’.
Aproveite!
René Denon
Kapustin testando um dos pianos da sede do PQP Bach de Gorlivka…
Os dez primeiros seguidores que enviarem mensagens contando suas impressões da música de Kasputin ganharão cópias da receita do borsch, tradicional prato da gastronomia ucraniana…
Eu adoro tangerinas! Quando elas aparecem é inverno. Dependendo de onde você vem ou com quem você convive, pode chamá-las mexericas, ponkans, mimosas ou até morgotes, carregando no r antes do g.
Mas estou falando em tangerinas apenas para lembrar que se é inverno aqui, lá em Chicago é verão. E no verão de Chicago há festivais. Uma cidade a beira de um enorme lago, com ótimos espaços abertos que sabe usá-los quando chega o calor, que costuma ser forte e tem muita ‘humidez’, como dizia meu amigo gringo.
Um destes festivais é o Taste of Chicago, de comidas típicas das muitas etnias que a cidade congrega. Um enorme festival de comida de rua para enlouquecer o Sérgião Loroza.
Tem também o Chicago Blues Festival, pois Chicago é cidade do Blues – de grandes artistas e clubes famosos. Entre eles reinou The Queen – Koko Taylor, uma espécie assim de Tim Maia de saias que transpirava musicalidade e arrastava multidões. Ela e sua Blues Machine.
Buddy Guy
Este disco da postagem é uma compilação de gravações que ela fez para a Alligator Records e conta com alguns de seus maiores sucessos. Quem conhece Muddy Waters e sua Mannish Boy não vai estranhar a primeira música do disco – I’m a Woman. Depois, Born Under a Bad Sign vai mexer até com quem nasceu neste século, assim como Hey, Bartender.
Loroza, depois de provar mexican fried ice cream..
Eu que já estive em uns dois shows dela, sei o quanto Let the Good Times Roll e Wang Dang Doodle podem arrastar multidões.
Outra atração do disco são alguns convidados como Buddy Guy – que tem um ótimo clube de Blues em Chicago -, Pinetop Perkins, entre outros, até o famoso B.B. King. Enfim, como diria um arguto crítico amador: um álbum sem uma única faixa ruim…
Koko Taylor – Deluxe Edition
I’m a Woman – (Ellas McDaniel / Koko Taylor)
Beer Bottle Boogie – (Scott)
Born Under a Bad Sign – (William Bell / Booker T. Jones)
Mother Nature – (Milton Campbell)
Hey Bartender – (Floyd Dixon)
I’d Rather Go Blind – (Bill Foster / Ellington Jordan)
Man Size Job – (Koko Taylor)
Let the Good Times Roll – (Fleecie Moore / Sam Theard)
Voodoo Woman – (Koko Taylor)
Wang Dang Doodle – (Willie Dixon)
Stop Watching Your Enemies – (Koko Taylor)
Sure Had a Wonderful Time Last Night – (Louis Jordan)
Uma crítica deixada na página da Amazon: This is truly a great album. Koko’s range of vocals is absolutely amazing. From sweetness on the balads to the raw power on the blues to the groove on the rockers. The ability to mix them all on a single word make her talent unmatched. One minute she sounds as sweet as Etta James the next minute she sounds more raw than Janis joplin. Reminds why the classic rock and blues songs are classic. The musicians with her are great and the recording is clean balanced and well mixed. On a scale of five star this is a ⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐
Se for a Chicago, não deixe de ir a algum Clube de Blues…
É o que tem para hoje! Esta frase costuma ser usada em situações desconfortáveis. Você queria aquele prato tão elogiado pelos amigos ao chegar no restaurante que demorou tanto para conseguir ir e ouve isto do maitre, oferecendo o guisadinho do dia e que você costuma comer em casa…
O disco desta postagem poderia vir acompanhado desta frase – é o que eu tenho para hoje! – mas, não desista da felicidade tão facilmente. Surpresas agradáveis também ocorrem.
O selo – Brilliant – vocês já conhecem e oferece gravações feitas em outras companhias, mas também produz seus próprios discos. Tem a característica de editar integrais, como a das Sonatas para Piano de Mozart, com a Klara Würtz, postada aqui nas nossas páginas. Alô, Bernardo, a Uchida é ótima, mas a Klara oferece uma outra opção que vale a pena ser ouvida.
Pois o selo arranjou uma série de discos com o tema Sonatas para Piano do Século 20, tomando peças de seu enorme acervo. Eu que adoro me aventurar por essas iniciativas um pouco afastadas do mainstream, decidi ouvir um ou outro disco da série.
Mas, a história do disco começa mesmo aqui. Ele estava na playlist de meu telefone, de onde ouço música quando vou caminhar. Pois que na minha última caminhada acabei me demorando um pouco mais e o disco entrou no circuito. Como as sonatas de Prokofiev e Scriabin são mais manjadas, decidi ir logo para a sonata do Kapustin, nome que minha embotada mente quase tomou por Rasputin. Som no headphone e Asics no pé, meio quarteirão depois achei que estava ouvindo um disco de jazz. Logo achei (teorias conspiratórias abundam) que o telefone havia se revoltado com as músicas de sempre e havia me pregado uma peça. Mas não, certifiquei-me no próximo poste, lá estava, Kapustin, Sonata para Piano, interpretada por Sun Hee You. E eu nem sabia o primeiro nome do camarada e nunca houvera falar da ou do pianista. Gostei muito e, como você já sabe, se gostei, acabo postando.
Nikolai! O nome dele é Nikolai Girshevich Kapustin, soube pelo Google assim que cheguei em casa. Nikolai, uma pena, morreu ano passado aos 83 anos. Como você deve ter adivinhado, era russo e teve perfeita formação musical. Graduou-se como pianista tocando o Concerto para Piano No. 2, de Prokofiev. Não é para fracos…
Quando descobriu o jazz recebeu apoio de seu professor, Avrelian Rubakh, e sua música incorporou muitos elementos jazzísticos. Mas ele sempre se considerou um músico no sentido clássico, mesmo atuando como pianista em orquestras russas de jazz. Pelo que entendi, ele afirmava que o que caracteriza o músico de jazz é a improvisação, enquanto toda a sua música era completamente estabelecida previamente, nas partituras, mesmo quando soavam improvisadas. Seja lá como for, o importante é se você gosta ou não. E eu gostei bastante.
Assim, vamos ficando por aqui e deixando o convite para que você também explore mais a música de Kapustin, coisa que eu já tenho feito. Espero em breve trazer mais um e outro disco com músicas dele. Ah, ia esquecendo, a Sun Hee You é uma linda jovem pianista coreana e você poderá saber mais alguma coisa dela visitando a sua página clicando aqui.
Depois de escrever o texto da postagem, fui verificar no vault do PQP Bach o que havia de Kapustin e a única referência está nesta postagem aqui do Blue Dog, cujos links muito provavelmente estão boiando no espaço digital sideral. No entanto, o texto vale a visita.
Aproveite!
René Denon
PS: A Toccatina mencionado pelo Blue Dog não chegou ao disco da Yuja Wang, mas esteve no concerto como um dos encores.
Gosto de imaginar como seria um momento de convívio musical informal na casa do Sr. João Sebastião Ribeiro. Um destes momentos em que se terminou de fazer as cópias das partes da cantata que será apresentada no próximo serviço religioso, tarefa que envolveu o staff do compositor. As partes foram copiadas do original que ele preparou, provavelmente usando trechos de antigas composições… Estas visitas a composições de períodos anteriores certamente trariam boas lembranças ou nem tanto, pois que apesar da alegria que o compositor cultivava, a vida tinha tido seus bons pedaços de bitter and sweet.
As tarefas do dia terminadas, uma boa paz invadindo a casa, uma certa dose de preguiça e alguém apanha o alaúde ou o violão esquecido desde a última visita do Sr. Sílvio Branco e dedilha um tema… Uma filha ou uma nora do Sr. Ribeiro, que tem uma boa voz, entoa aquela ária que tanto encantou os devotos no último serviço. Um entre os filhos ou genros, ou mesmo um agregado, apanha uma rabeca que ficara para ser encordoada e afinada e havia sido usada pelo Sr. Ribeiro enquanto revisara suas composições para violino solo. Até aquele oboé que ficara esquecido da última audição para o novo músico que atuaria na igreja acabou sendo usado.
E todos ficam de boas. Até imagino o Sr. Ribeiro pedindo uma xícara de café ou mesmo uma caneca daquela boa cerveja que a família produz…
Estas imagens me vieram ao ouvir este disco que gostei bastante. A voz da Sumi Jo é linda mesmo. Eu não a havia ouvido muito no período em que estava em moda, seus discos vendendo bastante… Eu sou assim, meio turrão, quando um artista é muito badalado eu o coloco na geladeira…
Aqui temos um disco agradável, recheado de big-hits do Sr. Ribeiro. Uma boa opção para ser ouvido naquela noite em que a TV só apresenta filmes de franquias furiosas e velozes.
Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)
Cantata “Gott ist unsere Zuversicht”, BWV 197 – Aria “Vergnügen und Lust” (Soprano)
Cantata “Herz und Mund und Tat und Leben”, BWV 147 – Jesus bleibet meine Freude
Chorale Prelude “Wachet auf, ruft uns die Stimme”, BWV 645
Cantata “Ich geh’ und suche mit Verlangen”, BWV 49 – Aria “Ich bin herrlich, ich bin schön”
Cantata “Also hat Gott die Welt geliebt”, BWV 68 – Aria “Mein gläubiges Herze”
Ave Maria, (arr. de Gounod) do Prelúdio em dó maior, BWV 846
Cantata “Ich armer Mensch, ich Sündenknecht”, BWV 55 – Aria “Erbarme dich” (Paixão segundo São Mateus)
Cantata “Herz und Mund und Tat und Leben”, BWV 147 – Aria “Bereite dir, Jesu, noch itzo die Bahn”
Chorale Prelude “Nun komm der Heiden Heiland”, BWV 65
Esta é a postagem de número 300 que preparo para o PQP Bach! Para esta festiva oportunidade, pelo menos para mim, escolhi um disco delicioso, com música de Vivaldi. O programa do disco reflete a sua capa, um maravilhoso buque de diversidade. Além disso, optei por escolher um disco que não enfatiza a individualidade, mas celebra a coletividade. É um disco com lindos concertos diversos com seus solos distribuídos pelos membros da orquestra, na medida em que são demandados.
O programa começa mui propriamente com uma abertura de ópera – Ottone – uma sinfonia, passando para um tradicionalíssimo concerto para violino – Amato Bene –, seguindo para concertos com instrumentos de sopros – fagote e oboés. E como o tema do disco é amor, temos o Concerto L’Amoroso, seguido por um concerto de câmara, com destaque para um alaúde. Para fechar a programação, dois concertos com muitos instrumentos, para fazer brilhar de vez a orquestra e os seus membros, numa festa pródiga em amor e alegria, coisas que andam aí um bocado em falta.
Este é o primeiro disco gravado pela Tafelmusik Baroque Orchestra sob a nova direção de Elisa Citterio que também é solista em alguns dos concertos.
Eu ouvi o disco numa preguiçosa manhã de domingo, sentado na varanda, tomando um solzinho nas pernas e lendo os jornais atrasados da semana (aqui recebemos os jornais em papel nas sextas-feiras, sábados e domingos) e fazendo as palavras cruzadas acolhendo as dicas dadas pela minha querida!
Antonio Vivaldi (1678 – 1741)
Ottone in Villa – Abertura
Allegro
Larghetto
Concerto para Violino em dó menor, RV 761 – ‘Amato Bene’
Allegro
Largo
Allegro
Concerto para fagote em ré menor, RV 481
Allegro
Larghetto
Allegro non molto
Concerto para 2 Oboés em dó maior, RV 534
Allegro
Largo
Allegro
Concerto para violino em mi maior, RV271 – ‘L’Amoroso’
Allegro
Cantabile
Allegro
Concerto para alaúde em ré maior, RV 93
Allegro
Largo
Allegro
Concerto para 4 violinos, viola e baixo contínuo, RV553
Allegro
Largo
Allegro
Concerto for 2 violinos, 2 oboés e fagote em ré maior, RV 564a
Allegro
Adagio non molto
Allegro
Elisa Citterio, violino e direção
Cristina Zacharias, violino
Patricia Ahern, violino
Geneviève Gilardeau, violin
Julia Wedman, violino
John Abberger, oboé
Marco Cera, oboé
Dominic Teresi, fagote
Lucas Harris, alaúde
Tafelmusik Baroque Orchestra
Gravado entre 30 de outubro até 2 de novembro de 2018, em Humbercrest United Church, Toronto, Canada
Gravado por TRITONUS Musikproduktion, Stuttgart, Alemanha
Elisa testando a acústica do Salão Rosa do prédio do PQP Bach Corp. em Guapimirim
“In the collective imagination Vivaldi truly represents ‘l’italianità,’ or the Italian character.
Vivaldi’s music speaks unambiguously to people’s hearts.” —Elisa Citterio
The tempos all feel right, faster movements sounding upbeat but never breakneck, and slower movements given space to breathe but not enough to drag. Metrically, meanwhile, it’s precise but also far from rigid-sounding, thanks to sensitively shaped and coloured phrases and inventive ornamentation…where some bands will make a feature of their period instruments’ slightly less couth tonal tendencies, this lot definitely prefer polish.
Gramophone – January 2020
Two Baroque Violins
Depois você me escreva contando como foi que desfrutou desta belezura de disco!
Gostei de tudo neste disco, começando pela capa, colorida e jovial. E como a cada vez que acabo de ouvi-lo quero ouvir de novo, achei que deveria postá-lo.
É uma mistura de inovação e tradição que abrilhanta ainda mais o resultado. Temos dois excelentes concertos para piano de Mozart, mas não ainda aqueles maiorzões que viriam do vinte em diante. Os concertos são interpretados por uma jovem fortepianista russa que merece toda a nossa atenção (há outros surpreendentes discos da moça por aí…), acompanhada pela orquestra Il Gardellino, que foi formada há já mais de trinta anos pelo oboísta Marcel Ponseele e pelo flautista Jan De Winne. O selo Alpha garantia de bom acabamento.
Dito isso, sei que você já vai colocar o mouse em outros ícones, pois que eu também receava os instrumentos de época, mas calma, experimente este aqui. Os fortepianos (um para cada concerto) soam muito bem e audíveis aqui e a interpretação vale ser apreciada. Assim, se você quiser ouvir esta linda música com ouvidos renovados, vá em frente, caso contrário e insista em ser cringe, siga para outras gravações como a combinação Serkin, LSO e Abbado nos mesmos concertos. Nada contra, mas…
Estes dois concertos têm em comum o fato de terem sido compostos por Mozart para duas pianistas que cruzaram seu caminho em diferentes situações. O Concerto No. 9 foi composto para Victorie Jenamy, pianista francesa que passava por Salzburgo e era filha de um famoso coreógrafo. Ela o deve ter tocado pela primeira vez em 4 de outubro de 1777. Eu adoro o movimento lento deste concerto que é um dos mais significativos dos que foram compostos em Salzburgo.
Babette
O Concerto No. 17 foi escrito para uma aluna de Mozart, Maria Anna Barbara Ployer, que o estreou em 13 de junho de 1784 em um concerto no qual esteve presente Giovanni Paisello. Mozart devia confiar muito nos talentos da aluna com quem tocou também a Sonata para dois pianos, K. 448. Deve ter sido uma noite e tanto. A instrumentação do concerto é bem rica para os padrões, com flauta, oboés, fagotes e trompas, além das cordas. Ouça com atenção o início do movimento lento, quando esperamos ouvir a entrada do piano e ouvimos um pequeno trecho de flauta, oboé e fagote…
Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)
Concerto para Piano No. 9 em mi bemol maior, K271 “Jeunehomme”
Olga em sua última visita à sede do PQP Bach de Porto Alegre, tomando uma brisa às margens do Guaíba…
I am happy to say that Pashchenko and colleagues catch both [concertos] beautifully. Pashchenko is full of play and exuberance but never at the expense of the darker undercurrents of the music.
[…]
You can tell by my comparisons, that I feel Pashchenko’s conception of these works is essentially operatic rather than symphonic, which I think is as it should be. Without a sense of the dramatic narrative of these works, something of their magic gets lost and I, for one, believe that, in almost everything he wrote, Mozart was composing operas.
Trechos de uma crítica que você poderá ler na íntegra aqui.
A história de hoje tem um príncipe que morreu jovem, na flor da idade, como se costumava dizer. Ele tinha tudo para passar essencialmente anônimo para a posteridade, mas a sorte o colocou em contato com o genial Johann Sebastian Bach. Em troca, ele colocou Bach em contato com outro tipo de genial compositor, que morava mais ao sul, na bem mais ensolarada e colorida Veneza.
O príncipe Johann Ernst von Sachsen-Weimar era sobrinho do Duque Wilhelm Ernst, patrão de Bach em sua estada em Weinmar entre 1708 e 1717.
Johann Ernst era um talentoso músico e foi aluno de Johann Gottfried Walther, organista de Weinmar e aparentado de Bach. Em 1711, Ernst foi estudar na Universidade de Utrecht, na Holanda, onde ouviu organistas tocando transcrições para órgão de concertos de compositores italianos, cujas publicações eram feitas na Holanda.
Ao retornar a Weinmar, Johann Ernst levou consigo vários destes concertos que a seu pedido foram transcritos para cravo ou para órgão por Walther e por Bach.
Neste disco, um dos que ainda tenho das gravações para órgão feitas por Simon Preston para a Deutsche Grammophon, temos 4,3333… concertos transcritos por Bach para órgão. Há três que eram originalmente de Vivaldi (as indicações dos concertos originais estão logo a seguir, na relação das faixas) e um concerto e um movimento de concerto que foram originalmente compostos pelo jovem e talentoso príncipe. Lamentavelmente, ao fim de 1713 o príncipe adoeceu e morreu perto de um ano depois.
É possível que Bach entrasse em contato com a música de Vivaldi e de outros compositores italianos mesmo que não tivesse conhecido o príncipe, mas gosto de pensar que o mesmo ajudou nisto e maior tributo do que ter suas próprias obras (mesmo que mais modestas do que as do mestre italiano) transcritas por Bach não pode haver.
Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)
Concerto para Órgão em ré menor, BWV 596
(Transcrição do Concerto Op. 3, No. 11 em ré menor, RV 565, de Vivaldi)
[…]
Grave
Fuga
Largo e spiccato
[…]
Concerto para Órgão em lá menor, BWV 593
(Transcrição do Concerto Op. 3, No. 8 em lá menor, RV 522, de Vivaldi)
[…]
Adagio
Allegro
Concerto para Órgão em dó maior, BWV 594
(Transcrição do Concerto ‘Grosso Mogul’, em ré maior, RV 208, de Vivaldi)
[…]
Adagio
Allegro
Concerto em sol maior, BWV 592
(Transcrição do Concerto em sol maior, do Príncipe Johann Ernst)
[…]
Grave
Presto
Concerto em dó maior, BWV 595
(Transcrição do Primeiro Movimento do Concerto em dó maior, do Príncipe Johann Ernst)
Simon antes de testar o Grande Órgão do PQP Bach Concert Hall de Nova Holanda
A crítica deste disco em uma das edições do Penguin Guide é bem ‘inglesa’: It was Prince Johann Ernst who introduce Bach to the Italian string concertos; […] The two Ernst works show a lively and inventive if not original musicianship. The performances are first class and the recording admirably lucid and clear, yet with an attractively resonant ambience.
Órgão da Catedral de Lübeck em foto de 1970
Está esperando o que, ande, aproveite, é primeira classe…
Este disco é uma pérola! Adoro este repertório e tudo aqui está excelente. Imagine que você seja um pianista dono de uma soberba musicalidade, técnica poderosa, tenha uma imaginação vibrante e possua uma profunda paixão… Suponha ainda que disponha de uma gravadora interessada em produzir um álbum com o repertório que você escolheu e que você disponha de um ambiente ideal – familiar e tecnicamente impecável – com condições ideais para as gravações. Tudo para resultar assim em um dico primoroso.
Pois foi o que aconteceu aqui. O pianista Jorge Federico Osorio tem todas as qualificações listadas acima, segundo o livreto e como você poderá confirmar ao ouvir o disco. Ele mora em Chicago onde exerce as carreiras artística e acadêmica – é professor da Roosevelt University’s Chicago College of Performing Arts. A gravadora Cedille Records, de Chicago, tem por objetivo promover os artistas locais, criando assim as condições ideais para a produção do disco que foi gravado no Reva and David Logan Center of Arts da Universidade de Chicago em janeiro de 2020.
O programa consiste em oito prelúdios de Debussy e mais duas peças de outras coleções e são típicas da sonoridade que associamos à música francesa. O livreto diz: A fascinação de Debussy com as sonoridades do piano inspirara a criação de seus prelúdios. Eles podem ser ouvidos como experimentos sonoros: quais são as possibilidades das harmonias cromáticas e escalas não tradicionais?
Osorio fez suas escolhas entre as peças e as coloca na ordem que lhe agrada, o que acrescenta uma dose de surpresa na sequência. Começamos com a belíssima e extrovertida peça chamada Les collines d’Anacapri e passamos para a mais introvertida La terrasse des audiences du clair de lune. Para continuar no clima, Clair de lune, possivelmente a peça mais conhecida de Debussy, o movimento lento da Suíte Bergamasque. Mais beleza com a irrequieta peça Ce qu’a vu le d’Ouest seguida do segundo dos prelúdios, Voiles. Depois, ouvir o prelúdio da Catedral Submersa seguido de Fogos de Artifício é de tirar o fôlego. Osorio sai do universo de Debussy pisando em Fuilles mortes para entrar no clima dos precursores de música francesa para teclado com três lindas peças de Rameau, compostas originalmente para cravo.
Dai em diante, as origens latinas do pianista muito provavelmente entraram em consonância com o fascínio que os compositores franceses tinham com a música de origem espanhola. O clima fica ibérico com a Habanera de Chabrier, La Puerta del Vino e La soirée dans Grenade de Debussy e passa para a Alborada del gracioso de Ravel.
O disco se fecha assim como foi aberto, com uma Pavane. A peça da abertura é de Fauré e para completar, Ravel. Ótima hora e um quarto de excelente música.
What appears to be a hodgepodge of French pieces actually emerges as a carefully crafted program. […] All told, an enjoyable and well-put-together recital.
… he [Osorio] plays with beauty and charm, a delicate touch, and a genuine grace, with expressive, nuanced singing in his piano playing. He is a richly expressive piano virtuoso of international fame, and in my experience has never demonstrated anything but sensitive, immaculate, committed, passionate playing, a most-refined pianist whose best work comes in expressively lyrical passages.
Producer James Ginsburg and Cedille’s ace engineer Bill Maylone recorded the music in the Reva and David Logan Center for the Arts at the University of Chicago in January 2020. The sound is gorgeous: not too sharp or bright; not too dull or soft. It simply sounds like a real piano in a real hall setting, with just the right amount of ambient bloom, room acoustics, and lifelike detail to bring it to life.
Aproveite!
René Denon
Jorge explicando para o pessoal do PQP Bach: Federico, não Frederico, Fe-de-rico…
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Há vida após a morte. A orquestra Concentus musicus Wien – Ensemble für Alte Musik – foi criada por Nikolaus Harnoncourt bem no início de sua carreira de músico dedicado a interpretação de música antiga na forma como era tocada quando foi composta. A orquestra e seu maestro conviveram por mais de 60 anos desde o início desta jornada em busca de autenticidade.
O trabalho deles certamente contribuiu para que tivéssemos uma perspectiva mais realista da música antiga, mas o mais importante para nós, amantes da boa música, é que eles enriqueceram nossas audições com ótimas interpretações vibrantes e intensas.
Apesar do interesse em música ‘antiga’, o lema de Harnoncourt era ‘Arte é sempre nova’ (Art is always new) e esteve sempre presente em suas interpretações e reinterpretações das principais obras do repertório musical.
Pois foi com muita alegria que ouvi este disco com duas lindas sinfonias de compositores vienenses gravadas ao vivo e mostrando que a vida e a orquestra continuam sua vibrante jornada.
O novo diretor musical é o regente Stefan Gottfried e nomes ligados a orquestra, como Erich Höbarth e Andrea Bischof (membros do Quatuor Mosaïques) estão também presentes.
No programa uma sinfonia de Haydn, de seu período de maturidade, e uma sinfonia do jovem e talentosíssimo Schubert. A Sinfonia No. 99 é uma das que foram escritas para serem apresentadas em Londres nos concertos promovidos por Salomon, o empresário que promoveu duas visitas de Haydn a Londres. Esta foi estreada em 10 de fevereiro de 1794 no Hanover Square Rooms e possivelmente por influência de Mozart é a primeira das sinfonias de Haydn onde é usado clarinete na orquestração. Isso mostra que mesmo aos 61 anos, ele estava aberto a inovações.
A Sinfonia No. 5 de Schubert, apesar de ter sido composta quando o compositor ainda estava com 19 anos, mostra todo o seu talento. Apesar de uma orquestração mais modesta, sem uso de clarinete, trompete ou tímpano, talvez considerando as reais chances de ter a obra apresentada por alguma orquestra, esta obra tem uma grande afinidade com a música de Mozart.
Há dias ensaiava uma postagem com alguma obra de Mahler. Eu adoro a música de Mahler, especialmente pelos Lieder, mas confesso que preciso manter um certo distanciamento dessa música de tempos em tempos. É música muito intensa para ser ouvida levianamente. Assim vivo uns períodos de imersão e depois, distanciamento novamente.
Pois minha última imersão se deu esses dias e foi pela Terceira Sinfonia, que quase encerrou o ciclo das Sinfonias do Wunderhorn, aquelas que dividem material musical e usam poemas da coleção chamada Des Knaben Wunderhorn. Ela só não fechou este ciclo pois seu material acabou gerando mais uma sinfonia, a lindíssima Quarta Sinfonia, que usa o Lied ‘Das himmlische Leben’, que era programado para ser o último movimento da Terceira.
Há uma série de maravilhosas gravações desta Terceira Sinfonia e não resisto a mencionar algumas das minhas preferidas. Começo mencionando uma rara gravação comercial feita nos anos 70 pela London Symphony Orchestra regida por Jascha Horenstein e outra também relativamente antiga, regida por um dos primeiros regentes a difundir efetivamente a música de Mahler, Leonard Bernstein, a frente da New York Philharmonic, no selo CBS Masterworks, posteriormente comprado pela Sony. Pelo selo amarelo, há duas gravações muito interessantes feitas pelo saudoso Claudio Abbado, a primeira regendo a Wiener Philharmoniker e a segunda regendo a maravilhosa Berliner Philharmoniker. Esta última orquestra também aparece numa gravação da Philips, agora sob a regência do sempre competente Bernard Haitink. E como as orquestras voltam às obras importantes, a London Symphony Orchestra também aparece numa linda gravação no selo Sony, regida pelo americano Michael Tilson Thomas. Nesta gravação, há um ótimo bônus, com a excelente Janet Baker cantando os Rückert Lieder.
A gravação que eu estava namorando para postar tem a regência de Ivan Fischer, mas foi atropelada pela gravação que aqui apresento e que foi enviada pelo amigo FDP Bach! Dudamel regendo a espetacular Berliner Philharmoniker. Quando botei minhas mãos na mesma, fui logo ouvir o Coro dos Anjos, pois se fazia tarde e a sinfonia é longa. Eu adoro este movimento desde que o ouvi pela primeira vez no famoso LP da Deustche Grammaphon – Mahler para Milhões, com a Orquestra da Rádio Bávara regida por Rafael Kubelik, com o Tölzer Knabenchor.
O que me chamou a atenção especialmente nesta versão foi a qualidade da gravação. Incrível! Imperdível, diriam outros… Depois descobri, esta gravação é parte de um ciclo completo das Sinfonias de Mahler no selo da Berliner Philharmoniker, com todas as gravações feitas ao vivo com a orquestra, com possíveis diferentes regentes.
Sobre a Sinfonia, o que dizer? Que é impressionantemente grande, que foi concebida tendo um plano de progressivo desenvolvimento, do terreno para o etéreo… Os nomes dos movimentos originalmente enfatizavam este planejamento: O despertar de Pan; O que as flores dos campos me dizem; O que os animais da floresta me dizem; O que me dizem os seres humanos; O que me dizem os anjos; O que o Amor me diz. Mas os planos iniciais foram se ajustando na medida que a composição foi avançando. O primeiro movimento foi o último a ser terminado e é imenso. Seu desenvolvimento impressionou o próprio Mahler, que escreveu para seu protegido Bruno Walter dizendo: É terrível, a forma como ele continua a crescer, a se expandir, muito além de tudo o que eu já compus até agora, deixando até minha Segunda Sinfonia se parecer a um bebê. Como já mencionei, o plano original considerava um sétimo movimento com o Lied que acabou no final da sinfonia seguinte e isso deu a esta sinfonia mais uma característica especial que é a de terminar em um adagio, que trata do Amor…
Depois da primeira audição, Mahler subtraiu todos os títulos dos movimentos, apresentando a sinfonia como música absoluta, como se os títulos fossem andaimes que podiam ser retirados uma vez que a obra estava em pé, numa feliz comparação feita pelo Bruno Walter.
Gustavo Dudamel is in charge of the Third Symphony. […] This reading of the Third impresses from the very start. […] Overall, there’s all the necessary colour and swagger in a marvellous account of this opening movement.
Part II of the symphony encompasses the remaining five movements. […} The […} ‘Bimm bamm’ movement is fresh and sprightly; the choirs are well-disciplined. The long finale opens raptly. […] This is one of the peaks of this set. Parte da crítica que pode ser lida na íntegra aqui.
Os nomes Tafelmusik e Jeanne Lamon passaram muitos anos juntos e apareceram em inúmeras capas de excelentes álbuns de música, vários deles marcando presença nas páginas do PQP Bach.
A combinação sempre foi garantia de ótima qualidade e o amor e a dedicação da diretora e violinista à sua orquestra realçava a sua arte que transparece em suas gravações.
Eu gosto particularmente dos concertos para violino de Bach, alguns álbuns de Vivaldi que eventualmente são acompanhados do violoncelista Anner Bylsma.
Outro álbum que tenho ouvido por muitos anos é este da postagem, que traz a festiva música de Handel.
Esta postagem presta uma homenagem a Jeanne Lamon, que morreu dia 20 de junho de 2021, aos 71 anos, vítima de câncer. Jeanne deixa a companheira Christina Mahler, que já foi a Principal Violoncelista da Tafelmusik.
Que este iluminado disco com a sua belíssima música de Handel, fruto da arte e do talento de Jeanne e seus músicos possam servir para nos lembrar que mesmo em circunstâncias tão adversas a arte pode servir de consolo e bálsamo. Penso nos muitos brasileiros que nesses dias têm os diagnósticos ou os tratamentos desta terrível doença adiados ou prejudicados devido aos destrambelhos da pandemia.
George Frideric Handel (1685 – 1759)
Música para os Reais Fogos de Artifício, HWV 351
Ouverture
Bourrée
La Paix
La Réjouissance
Menuet I
Menuet II
Concerto da due cori No. 2, em fá maior, HWV 333
Pomposo – Allegro
A tempo giusto
Largo
Allegro ma non troppo
A tempo ordinario
Concerto da due cori No. 1, em si bemol maior, HWV 332
The Book in on the Table: “This is clear, clean, crisp playing, that is lively, joyful, and, dare I say it, perfect in every way! The recording quality is superb as well. I have purchased many recordings with Jeanne Lamon conducting her group Tafelmusik, and I am starting to think that Lamon can do no wrong when it comes to conducting.” John Doe (no Amazon)
Eu achava que se houvesse um pedacinho da cozinha do céu aqui na terra, esse seria o Bar das Freiras, que fazia o melhor queijo quente com banana do planeta. Ao lado da lanchonete das freirinhas, cuja féria vai toda para a caridade, fica o elevador que era pilotado pela Chica, a ascensorista com o maior sorriso que eu conheci e que morava em Niterói. Isto tudo aconteceu na minha outra vida, antes que eu soubesse que também moraria em Niterói.
Numa daquelas tardes, tive que correr para pegar o elevador: Chica, Chica, péra-aí! A porta já quase fechava e eu estava atrasado para o Seminário de Topologia. Acomodei-me e ataquei de assobio o tema do último movimento do Concerto para Violino que naqueles dias não saia da minha vitrola – fá, fá-fá-fi-fáá… Afinal, havia comprado na famosa Modern Sound aquele cobiçado LP do Heifetz e não ouvia outra coisa. Foi então que ouvi a pergunta vinda do senhor professor: Mendelssohn ou Tchaikovsky? Olhei-o com alguma surpresa, afinal, não imaginava que professores de física se interessassem por música. Deve ser um destes concertos românticos, acrescentou ele. Eu ri e disse que era o tema do último movimento do Concerto de Brahms. Não muito fora da marca, riu ele, faz tempo que não ouço meus discos. Ficamos amigos e falávamos com frequência sobre nossas audições, sempre no vai-e-vem do elevador, cada um para o seu respectivo andar.
Lembrei-me dessas coisas ouvindo este disco da postagem com dois dos grandes concertos românticos para violino: Mendelssohn e Tchaikovsky! Quais outros? Bem, tem o pai de todos, o Concerto de Beethoven, o já mencionado Concerto de Brahms, já são quatro. Eu acrescentaria ‘o’ Concerto de Bruch, de Sibelius (certamente) e, talvez, Glazunov? Na verdade, basta olhar as gravações de Heifetz…
Na gravação deste disco a solista Akiko Suwanai usa o violino Dolphin Stradivarius, um violino feito em 1714 pelo famoso Antonio Stradivari e que também pertenceu ao Jascha Heifetz.
Atualmente a moça toca outro instrumento, mas nesta gravação temos uma feliz coincidência, afinal deve ser o mesmo instrumento ouvido nas gravações de Heifetz. E para acrescentar muita qualidade ao disco, temos a ótima Orquestra Filarmônica Tcheca, regida por Vladimir Ashkenazy, com gravações feitas no excelente Dvořák Hall – Rudolfinum -, em Praga.
Momento ‘Sol Nascente’: メンデルスゾーンとチャイコフスキーのヴァイオリン協奏曲どちらも大好きですが、諏訪内晶子さんの演奏も素敵な魅力を感じました。
Eu amo os concertos para violino de Mendelssohn e Tchaikovsky, mas a performance de Akiko Suwanai também foi fascinante. (Tradutor do Google)
E também: Akiko Suwanai’s Tchaikovsky is one of the most musical renditions of the Tchaikovsky violin concerto. Just listen to around 1:00 of the first track, where she introduces the main theme. It is so beautiful and moving, not like any version I listened to.
Não me canso de ouvir estes concertos para piano… São os dois entre os cinco compostos por Prokofiev que ouço com mais frequência. O juvenil e impetuoso Concerto No. 1 é conciso e brilhante, como se esperava de um autoconfiante estudante que buscava se firmar como compositor e pianista. O outro concerto, o Terceiro, é mais espetacular ainda. Se bem que não é necessário fazer comparações…
Simon Trpčeski
Essas maravilhosas peças andaram em minha vitrola no disco que o FDP Bach repostou dia destes, na interpretação do ótimo Horácio Gutiérrez e como nada é por acaso, pouco depois me dei com este disco. O pianista macedônio Simon Trpčeski nos oferece uma excelente interpretação. Veja o que nos diz uma crítica que apareceu no The Guardian: ‘Nas mãos de ST, os dois concertos de Prokofiev no disco estão maravilhosamente apresentados – articulação impetuosa, ritmos atrevidos, uma habilidade de contornar as curvas com uma arrogância a um só tempo ágil e robusta’.
Vasily Petrenko
A Royal Liverpol Philharmonic Orchestra sob a regência de Vasily Petrenko está em ótima forma, inclusive na faixa entre os dois concertos, a bem-humorada Abertura sobre Temas Hebraicos.
Realmente, a tríplice aliança Trpčeski / RLPO / Petrenko tem colocado ótimos discos no mercado e, assim que obtivermos sinal verde da direção para postar Rachmaninov no blog, além de Prokofiev, voltaremos à carga…
Sergei Prokofiev (1891 – 1953)
Concerto para Piano No. 1 em ré bemol maior, Op. 10
Allegro brioso – Andante assai – Allegro scherzando
Momento ‘The Book is on The Table’: The performances by Trpčeski and the Royal Liverpool Philharmonic Orchestra under Vasily Petrenko are very strong, capturing the exuberance of the Piano Concerto No. 1 and delivering a crowd-pleasing, sparkling Third with no hint of the mordant quality many attach to the work. The Overture on Hebrew Themes, Op. 34bis, is a fine, little-known entr-acte. A crowd-pleasing Prokofiev release.