Esqueça a capa brega, pois o conteúdo é sofisticadíssimo. Gostei muito desta gravação do Quarteto Brodsky, principalmente na abordagem menos histérica que o habitual ao Quinteto para Piano, Op. 34. Talvez por estarem acostumados a Bartók e Shostakovich — eles também têm gravações como Paul McCartney, Elvis Costello e Björk –, o Brodsky teve a capacidade de retirar o Brahms, falo mais especificamente do Quinteto, da área do romantismo descabelado, trazendo-o para o local onde ele deve estar, aquele onde Schoenberg o colocou. Afinal foi o velho Arnold quem disse que Brahms, o classicista, o acadêmico, era na verdade um grande inovador no domínio da linguagem musical, um grande progressista (progressive). Os elogios também vão para a interpretação madura Quarteto de Cordas Nº 1. Tudo de bom aqui.
Johannes Brahms (1833-1897): Quarteto de Cordas Nº 1 e Quinteto para Piano
01. String Quartet in C minor, Op.51 No.1 – I. Allegro
02. String Quartet in C minor, Op.51 No.1 – II. Romanze. Poco adagio
03. String Quartet in C minor, Op.51 No.1 – III. Allegretto molto moderato e comodo
04. String Quartet in C minor, Op.51 No.1 – IV. Allegro
05. Piano Quintet in F minor, Op.34 – I. Allegro non troppo
06. Piano Quintet in F minor, Op.34 – II. Andante, un poco Adagio
07. Piano Quintet in F minor, Op.34 – III. Scherzo. Allegro – Trio
08. Piano Quintet in F minor, Op.34 – IV. Finale. Poco sostenuto – Allegro non troppo
Penderecki tem carreira longuíssima e variada. Começou como um moderno ultra radical e depois fez até música tonal e melodiosa. É um enorme talento que começou como Pollock e depois fez retratos e paisagens. Ou seja, suas primeiras obras eram enquadradas na chamada música de vanguarda. Tempos depois, contudo, Penderecki passou a escrever obras com uma estética mais conservadora, retornando ao sistema tonal, eventualmente utilizando alguns elementos atonais. Sua música se enquadra no período denominado classicismo pós-moderno. É um dos poucos compositores contemporâneos que trânsito entre o grande público. De uma forma bastante rarefeita, este disco demonstra tal evolução. É um grande compositor e, se você não conhece, deveria. Este disco é uma joia que serve bem de porta de entrada para um compositor fascinante.
Krzysztof Penderecki (1933): Peças para Violino e Piano
01. Violin Sonata No. 1 – I. Allegro
02. Violin Sonata No. 1 – II. Andante
03. Violin Sonata No. 1 – III. Allegro vivace
04. 3 Miniatures for Violin and Piano – No. 1. Allegro
05. 3 Miniatures for Violin and Piano – No. 2. Andante cantabile
06. 3 Miniatures for Violin and Piano – No. 3. Allegro ma non troppo
07. Cadenza (arr. C. Edinger for solo violin)
08. Violin Sonata No. 2 – I. Larghetto
09. Violin Sonata No. 2 – II. Allegretto scherzando
10. Violin Sonata No. 2 – III. Notturno
11. Violin Sonata No. 2 – IV. Allegro
12. Violin Sonata No. 2 – V. Andante
Beata Bilinska, piano
Patrycja Piekutowska, violino
Baiba Skride (1981) é uma violinista letã, vencedora do Concurso de violino da rainha Elisabeth em 2001. Este CD oferece uma mistura muito particular, mas absolutamente coerente, onde ela usa em seu favor a atmosfera de concerto. O CD foi gravado ao vivo em Munique, capturando uma Skride explosiva. As águas escuras do primeiro movimento do Concerto de Shostakovich recebe uma sequência fulminante, enquanto os suspiros entristecidos da “Passacaglia” se dissolvem em um solo frio. Pois é. Não chega a ser tudo aquilo. Porém, ambos os movimentos rápidos de Shosta estão ótimos. Os lentos nem tanto. Monumental e maciço, como um totem musical, o concerto de Janáček é igualmente intenso, oferecendo melodias folclóricas ingênuas, movimentos nervosos, quase mínimos, assim como erupções ardentes. Bom disco!
Dmitri Shostakovich / Leoš Janáček: Concertos para Violino
1. Dmitri Shostakovich – Violin Concerto Nr. 1 A-moll, Op. 77: I. Nocturne. Moderato (13:10)
2. Dmitri Shostakovich – Violin Concerto Nr. 1 A-moll, Op. 77: II. Scherzo. Allegro (6:41)
3. Dmitri Shostakovich – Violin Concerto Nr. 1 A-moll, Op. 77: III. Passacaglia. Andante — Cadenza (14:50)
4. Dmitri Shostakovich – Violin Concerto Nr. 1 A-moll, Op. 77: IV. Burlesque. Allegro con brio (6:15)
5. Leoš Janáček – Violin Concerto “Wanderung einer Seele” (11:41)
Munich Philharmonic Orchestra
Mikko Franck
(Shostakovich)
O violoncelista suíço Thomas Demenga retorna às Suítes Solo de Bach. “Para mim, Bach é o maior gênio musical que já viveu. Sua música é pura, sublime. Possui algo divino e cada músico tem uma vida para descobrir novas maneiras de interpretá-la”. Demenga gravou anteriormente as suítes de cello para ECM entre 1986 e 2002, justapondo-as com a participação em álbuns que são marcos na história inicial da ECM New Series. Este novo CD duplo, no entanto, é dedicado inteiramente a Bach e às 6 Suítes para Violoncelo Solo. Sua gravação é muito boa, sem chegar ao nível de um Cocset, de Gastinel, Queyras ou Bylsma. Esta nova gravação foi realizada no Hans Huber Saal em Basel.
J.S. Bach (1685-1750): Suites para Violoncelo Solo
1. Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007: I. Prélude (02:17)
2. Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007: II. Allemande (04:06)
3. Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007: III. Courante (02:23)
4. Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007: IV. Sarabande (02:26)
5. Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007: V. Menuet 1 – VI. Menuet 2 (03:18)
6. Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007: VII. Gigue (01:38)
7. Cello Suite No. 2 in D Minor, BWV 1008: I. Prélude (03:55)
8. Cello Suite No. 2 in D Minor, BWV 1008: II. Allemande (03:42)
9. Cello Suite No. 2 in D Minor, BWV 1008: III. Courante (01:58)
10. Cello Suite No. 2 in D Minor, BWV 1008: IV. Sarabande (03:49)
11. Cello Suite No. 2 in D Minor, BWV 1008: V. Menuet 1 – VI. Menuet 2 (03:00)
12. Cello Suite No. 2 in D Minor, BWV 1008: VII. Gigue (02:44)
13. Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009: I. Prélude (03:07)
14. Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009: II. Allemande (03:48)
15. Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009: III. Courante (02:55)
16. Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009: IV. Sarabande (03:29)
17. Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009: V. Bourrée 1 – VI. Bourrée 2 (03:35)
18. Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009: VII. Gigue (03:13)
19. Cello Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 1010: I. Prélude (03:50)
20. Cello Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 1010: II. Allemande (04:10)
21. Cello Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 1010: III. Courante (03:17)
22. Cello Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 1010: IV. Sarabande (03:07)
23. Cello Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 1010: V. Bourrée 1 – VI. Bourrée 2 (04:25)
24. Cello Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 1010: VII. Gigue (02:58)
25. Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011: I. Prélude (05:37)
26. Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011: II. Allemande (04:39)
27. Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011: III. Courante (02:11)
28. Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011: IV. Sarabande (03:13)
29. Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011: V. Gavotte 1 – VI. Gavotte 2 (04:45)
30. Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011: VII. Gigue (02:32)
31. Cello Suite No. 6 in D Major, BWV 1012: I. Prélude (04:34)
32. Cello Suite No. 6 in D Major, BWV 1012: II. Allemande (08:12)
33. Cello Suite No. 6 in D Major, BWV 1012: III. Courante (03:31)
34. Cello Suite No. 6 in D Major, BWV 1012: IV. Sarabande (04:52)
35. Cello Suite No. 6 in D Major, BWV 1012: V. Gavotte 1 – VI. Gavotte 2 (03:09)
36. Cello Suite No. 6 in D Major, BWV 1012: VII. Gigue (04:14)
10min32. Este é o menor disco já postado aqui, mas vale a pena. Explico: é um disco de vinil de apenas um lado produzido em 1973. Acontece que a associação de amigos da Concertgebouw Orchestra tinha o costume — talvez tenha ainda — de presentear anualmente seus sócios. Um agradecimento aos doadores e aos associados que estivessem em dia com suas mensalidades. Os méritos do trabalho são grandes. Este é o primeiro registro gravado do primeiro movimento de um quarteto de piano inacabado, composto em 1876 por Gustav Mahler. Ele foi admitido no conservatório em 1875 e ganhou um prêmio por ele. A estreia da peça ocorreu em 1876 no Conservatório de Viena com o próprio Mahler no piano. Aqui, temos uma visão das habilidades de composição de um jovem Gustav Mahler. A Sra. Anna Mahler deu permissão ao Concertgebouw para gravar este trabalho juvenil e, em 1972, o disco foi gravado e, em 1973, enviado aos doadores da Concertgebouw Orchestra. O quarteto é formado por membros da orquestra. Mas vocês jamais ouviriam isso não fosse o notável blog holandês 33 toeren klassiek, ao qual somos gratos.
Gustav Mahler (1860-1911): Quarteto para Piano (1876)
1º Movimento: Nicht zu schnell, mit Leidenschaft (1876) 10:32
Ina Overkamp, piano
Nobuyuki Shioda, violino
Klaas Boon, viola
Saskia Boon, violoncelo
Pouca coisa deu certo aqui… A pianista Ott nasceu em Munique, na Alemanha, em 1988. Sua mãe é japonesa e estudou piano em Tóquio. Seu pai era um engenheiro civil alemão. Ela gravou esse álbum parcialmente ao vivo (Tchaikovsky) em sua cidade natal, com a soberba Orquestra Filarmônica de Munique sob a batuta de Thomas Hengelbrock, conhecido como um intérprete moderno com ideias fortes. Tão fortes quanto estranhas, na minha opinião. Os dois concertos são trabalhos que acompanharam Alice desde a juventude. Ela tocou o de Liszt pela primeira vez quando tinha 14 anos e o de Tchaikovsky aos 17. Eu acho que estas peças devem ser tocadas com absoluta paixão e é o que falta nesta gravação. O tempo no primeiro movimento do Tchai, por exemplo, é muito lento, o que tira seu efeito dramático, tão necessário neste concerto. Mais: há pouca conexão entre a orquestra e a solista. Um não responde ao outro. A orquestra deixa de ser suporte e passa a ser um devaneio meio perdido. No Tchai, fique com Gilels / Reiner, Richter / Mravinsky ou Rudy / Jansons. No Liszt, com Arrau / Ormandy, Richter / Kondrashin, ou Hough / Litton para citar uns poucos. Esqueça esta gravação.
Tchaikovsky / Liszt: First Piano Concertos
Tchaikovsky
Piano Concerto No.1 In B Flat Minor, Op.23
1. Allegro Non Troppo E Molto Maestoso – Allegro Con Spirito 20:57
2. Andantino Semplice – Prestissimo – Tempo I 7:00
3. Allegro Con Fuoco 7:01
Liszt:
Piano Concerto No.1 In E Flat, S.124
4 Allegro Maestoso 5:53
5 Quasi Adagio – Allegretto Vivace – Allegro Animato 9:30
6 Allegro Marziale Animato – Presto 4:22
Alice Sara Ott, piano
Munich Philharmonic Orchestra
Thomas Hengelbrock
Fazer o quê? Durante uma época da minha vida, eu pensava que não gostava de Chopin. Na verdade, apenas não o entendo. Minha mulher acha o mesmo de Bartók, que eu adoro. Ela o acha sem lógica… Já eu penso isso de Chopin e Rachmaninov. Desta forma, melhor deixar para o FDP postá-lo. Também não amo a Sonata de Franck, aqui transcrita para o violoncelo. O conteúdo de Maisky é o romantismo. Ele toca para ser mais e mais romântico. Na minha opinião, é o romantismo pelo romantismo, sem conteúdo. Mas sei que a maioria gosta do romantismo, para mim descabelado, dos compositores e do violoncelista citado e não vou deixar de postar este CD. Mas sou fã da Sonata de Debussy. Os dois músicos com grande liberdade, apesar de Maisky tentar tornar Debby um romanticão. É uma Sonata que enfatiza a diversidade de timbres e efeitos. Este CD é a gravação de um concerto ao vivo feito pela dupla em Kyoto, no Japão, no ano 2000. Embriaguem-se! E só me chamem para o Debussy e olhe lá porque esse Mischa… Vá ser chato assim no inferno!
Chopin / Franck / Debussy: Sonatas para Violoncelo
1. Applause (0:21)
2. Chopin – Cello Sonata in g – 1 (15:03)
3. Chopin – Cello Sonata in g – 2 (5:03)
4. Chopin – Cello Sonata in g – 3 (3:55)
5. Chopin – Cello Sonata in g – 4 (6:07)
6. Franck – Violin (Cello) Sonata in A – 1 (6:27)
7. Franck – Violin (Cello) Sonata in A – 2 (8:12)
8. Franck – Violin (Cello) Sonata in A – 3 (7:21)
9. Franck – Violin (Cello) Sonata in A – 4 (6:02)
10. Debussy – Cello Sonata in d – 1 (4:54)
11. Debussy – Cello Sonata in d – 2 (3:38)
12. Debussy – Cello Sonata in d – 3 (3:45)
Um disco de alta qualidade artística. Às excelentes composições de Telemann, temos uma bela resposta de Simon Standage e de seu Collegium Musicum 90. As Sonatas Corellisantes e os Duos Canônicos estão dentre as mais sublimes obras do compositor. É claro que Telemann conhecia Corelli e todo o panorama musical de sua época. E ele não brinca ao chamar suas Sonatas de corellisantes… Telemann foi o principal compositor da Alemanha em seu tempo — naquele tempo, Bach era mais respeitado pelos outros músicos. Telemann compôs em todas as formas existentes em sua época. Em qualquer estilo, sua música tem um caráter inconfundível, sendo sempre clara e fluída. Apesar de ser quatro anos mais velho do que seus contemporâneos Bach e Handel, utilizou formas musicais já quase fora do barroco, podendo ser considerado um precursor do clássico.
Georg Philipp Telemann (1681-1767): Sonates Corellisantes / Canonic Duos
Sonate Corellisante No. 1 In F Major (7:43)
1 I Largo 2:38
2 II Presto 1:17
3 III Dolce 1:55
4 IV Grave 0:39
5 V Allegro 1:10
Sonate Corellisante No. 2 In A Major (8:33)
6 I Largo 1:51
7 II Allemanda. Presto 2:17
8 III Sarabanda. Grave 2:11
9 IV Corrente. Vivace 2:12
Canonic Duo No. 1 In G Major (4:20)
10 I Vivace 1:31
11 II Adagio 1:25
12 III Allegro 1:24
Sonate Corellisante No. 3 In B Minor (8:26)
13 I Grave 1:53
14 II Vivace 1:26
15 III Adagio E Staccato 0:41
16 IV Allegro Assai 1:13
17 V Soave 1:30
18 VI Presto 1:40
Canonic Duo No. 2 In G Minor (3:33)
19 I Presto 1:16
20 II Largo 1:09
21 III Vivace 1:07
Sonate Corellisante No. 4 In E Major (9:07)
22 I Andante 1:44
23 II Allemanda. Allegro 3:06
24 III Largo 1:19
25 IV Giga. Allegro 2:56
Canonic Duo No. 3 In D Major (4:43)
26 I. Spirituoso 1:33
27 II Larghetto 1:26
28 III Allegro Assai 1:42
Sonate Corellisante No. 5 In G Minor (8:08)
29 I Grave 2:36
30 II Vivace 1:58
31 III Presto 1:25
32 IV Grave 0:34
33 V Vivace 1:31
Canonic Duo No. 4 In D Minor (5:04)
34 I Vivace Ma Moderato 1:46
35 II Piacevole, Non Largo 2:07
36 III Presto 1:08
Sonate Correlisante No. 6 In D Major (10:07)
37 I Pastorale. Moderato 2:34
38 II Corrente. Vivace 3:05
39 III Gavotta. Allegro 1:54
40 IV Grave 0:48
41 V Vivace 1:45
Cello – Jane Coe
Violin – Micaela Comberti
Harpsichord – Nicholas Parle
Directed By, Violin – Simon Standage
Orchestra – Collegium Musicum 90
Wieniawski foi um tremendo violinista polonês. Podia tocar tudo com sua técnica diabólica. Foi famosíssimo, especialmente na Rússia. Excursionou a vida inteira, cruzou o mundo sempre encantando plateias. Foi quem tornou a Chaconne de Bach conhecida. Era um romântico, tanto que escreveu Legénde para conquistar sua amada junto à família da moça. Foi professor de violino em São Petersburgo. Foi um gordo cardíaco que sofria terrivelmente com as excursões para concertos e morreu aos 44 anos. Sua arte o matou. Foi um violinista-compositor de respeito. Gil Shaham dá uma boa visão da arte de Wieniawski para os pequepianos.
Henryk Wieniawski (1835-1880) / Pablo de Sarasate (1844-1908): Concertos Nº 1 e 2 / Zigeunerweisen, Op. 20
Um baita CD, maravilhosamente bem interpretado. Apollo e Dafne é uma cantata secular de Georg Friedrich Händel, composta entre 1709 e 1710. Händel iniciou sua composição em Veneza e a terminou em Hanover. É uma das mais ambiciosas cantatas do autor. Seu libreto narra a história mítica do amor entre Apolo e Dafne. Meu pai tinha esta obra em vinil, cantada por Fischer-Dieskau… Onde andará? Mas Silete Venti também é algo extraordinário. Então, ouça porque vale a pena.
Georg Friedrich Händel (1685-1759): Apollo e Dafne & Silete Venti
Silete Venti (Motet For Soprano & Orchestra, Hwv 242)
1 Symphonia: Silete venti 5:51
2 Aria: Dulcis Amor, Jesu Care 6:46
3 Accompagnato: O Fortunata Anima 0:37
4 Date Serta, Date Flores 9:13
5 Presto: Alleluia 3:05
Apollo e Dafne (Cantata For Soprano, Baritone, & Orchestra, Hwv 122)
6 Recitativo: La Terra E Liberata! 0:46
7 Aria: Pende Il Ben Dell’ Universo Da Quest’ Arco Salutar 3:48
8 Recitativo: Ch’ Il Superbetto Amore Delle Saette Mie Ceda A la Forza (Apollo) 0:32
9 Aria: Spezza L’arco E Getta L’armi (Apollo) 2:58
10 Aria: Felicissima Quest’alma, Ch’ama Sol la Liberta (Dafne) 6:31
11 Recitativo: Che Voce! Che Belta! (Apollo E Dafne) 1:00
12 Aria: Ardi, Adori, E Preghi In Vano (Dafne) 3:27
13 Recitativo: Che Crudel! (Apollo E Dafne) 0:14
14 Duetto: Una Guerra Ho Dentro Il Seno (Dafne Ed Apollo) 1:54
15 Recitativo: Placati Al Fin, O Cara (Apollo) 0:21
16 Aria: Come Rosa In Su la Spina (Apollo) 3:21
17 Recitativo: Ah! Ch’un Dio Non Dovrebbe (Dafne) 0:21
18 Aria: Come In Ciel Benigna Stella (Dafne) 3:46
19 Recitativo: Odi la Mia Ragion! (Apollo E Dafne) 0:24
20 Duetto: Deh! Lascia Addolcire (Apollo E Dafne) 2:36
21 Recitativo: Sempre T’adorero! (Apollo E Dafne) 0:22
22 Scena: Mie Piante Correte (Apollo) 3:16
23 Aria: Cara Pianta, Co’miei Pianti (Apollo) 6:49
Baritone Vocals – Russell Braun
Soprano Vocals – Karina Gauvin
Orchestra – Les Violons du Roy
Conductor – Bernard Labadie
Esta é a primeira colaboração (2008) de Magdalena Kožená com a sensacional Venice Baroque Orchestra de Andrea Marcon, um grupo superlativo. É um álbum imprescindível aos fans de Händel, Handel ou Haendel, como queiram. Aqui, Kožená retorna ao local onde sempre é feliz: o canto barroco dramático. Assim como no álbum Lamento, anterior a este, Kožená combina árias conhecidas e desconhecidas para criar uma antologia pessoal de momentos dramáticos de amor, ódio, esperança e desespero. O programa inclui arias de Rinaldo, Giulio Cesare, Alcina e Joshua, entre outros. Os personagens e a escrita apaixonada são veículos perfeitos para o talento lírico único de Kožená. O que ela consegue é realmente muito bonito, vai direto ao coração.
A lenda de que Antonio Salieri era péssimo compositor e que tinha um caráter pra lá de invejoso ainda persiste. É uma inverdade. Claro que ele não merece o Olimpo, mas as lendas a respeito do seu relacionamento com Wolfgang Amadeus Mozart, com quem conviveu em Viena, foram criadas pela peça de teatro de Peter Shaffer, adaptada para o cinema, sob direção de Milos Forman, com o título Amadeus. O filme, vencedor de oito Óscares, em 1984, retrata um Salieri invejoso do gênio de Mozart, ao mesmo tempo admirador e que possui um bom talento musical. Tal imagem é resultante da liberdade ficcional dos realizadores, não correspondendo à figura histórica do compositor. Mas grudou. Este disco é muito agradável e cumpridor. Podem baixar sem medo de estarem traindo Mozart.
Antonio Salieri (1750-1825):
Concerto Pour Pianoforte et Orchestre /
Concerto Pour Flute, Hautbois et Orchestre /
La Tempesta di Mare
Concerto For Fortepiano In B Flat Major (23:59), de Antonio Salieri
1.1 Allegro Moderato 11:02
1.2 Adagio 5:45
1.3 Tempo Di Minuetto 7:06
Concerto For Flute And Oboe In C Major (18:41), de Antonio Salieri
2.1 Allegro Spirituoso 6:54
2.2 Largo 6:54
2.3 Allegretto 4:42
Sinfonia La Tempesta Di Mare In B Flat Major (10:23), de Francesco Salieri
3.1 Allegro 4:13
3.2 Andante 3:42
3.3 Allegro Assai 2:20
Flute – Clementine Hoogendoorn* (tracks: 4 to 6)
Fortepiano – Paul Badura-Skoda (tracks: 1 to 3)
Oboe – Pietro Borgonovo (tracks: 4 to 6)
Conductor – Claudio Scimone
Orchestra – I Solisti Veneti
Sem dúvida, Messiaen foi um dos maiores compositores do século XX. Seu Quarteto para o Fim dos Tempos, a imensa obra para órgão, o Catálogo dos Pássaros, tudo é incontornável. E também a Sinfonia Turangalîla. Ela foi escrita no período entre os anos de 1946 e 1948, por encomenda de Serge Koussevitzky para a Boston Symphony Orchestra, e estreada pela mesma em 1949, sob direção de Leonard Bernstein. É uma das várias peças de Messiaen que utiliza Ondas Martenot. Também tem um solo sensacional para piano. Messiaen afirmou que o título da peça provém de duas palavras de sânscrito, turanga e lîla, que em conjunto significam algo como “canção de amor e hino de alegria, tempo, movimento, ritmo, vida e morte”.
É a mais colossal e a mais longa (dez movimentos) de todas as sinfonias francesas, da qual diz seu autor: “É um canto de amor e um hino à alegria. É ainda um vasto contraponto de ritmos. Ela usa, particularmente, dois procedimentos rítmicos que foram inovações quando de sua criação: os ritmos não retroativos e as personagens rítmicas.” Na altura da composição, Messiaen estava fascinado pelo mito de Tristão e Isolda, e a Sinfonia Turangalîla forma o trabalho nuclear na sua trilogia de composições relativas a temas de amor e morte, a primeira das quais é o ciclo de canções Harawi (poème d’amour et de mort) e a terceira Cinq rechants para coro sem acompanhamento instrumental.
A Turangalîla tem partitura para 12 madeiras, 4 trompas, 5 trompetes, 3 trombones, 1 tuba, piano solo, Ondas Martenot solo, glockenspiel, celesta, vibrafone e outras percussões (total de 10 percussionistas) e instrumentos de corda.
“Bem, a minha referência em Turangalîla sempre foi a gravação de Myung-Whun-Chung a frente da orquestra da ópera da Bastilha com simplesmente ninguém menos do que Yvonne Loriod ao piano e Jeanne Loriod nas Ondas Martenot.
O pessoal é a cara do Messiaen! Para encerrar , no booklet , ninguém menos do que o próprio Messiaen subscreve, dizendo que a gravação para ele é a definitiva”.
Turangalîla-Symphonie Pour Piano Principal Et Grand Orchestre (78:32)
1 I. Introduction: Modéré, Un Peu Vif 6:25
2 II. Chant D’Amour 1: Modéré, Lourd 8:14
3 III. Turangalîla 1: Presque Lent, Rêveur 5:26
4 IV. Chant D’Amour 2: Bien Modéré 11:03
5 V. Joie Du Sang Des Étoiles: Vif, Passionné, Avec Joie 6:42
6 VI. Jardin Du Sommeil D’Amour: Très Modéré, Très Tendre 12:39
7 VII. Turangalîla 2: Un Peu Vif – Bien Modéré 4:11
8 VIII. Développement De L’Amour: Bien Modéré 11:41
9 IX. Turangalîla 3: Bien Modéré 4:27
10 X. Final: Modéré, Presque Vif, Avec Une Grande Joie 7:44
Yvonne Loriod, piano
Jeanne Loriod, ondes martenot
Orchestre de la Bastille
Myung-Whun Chung
Handel escreveu muitíssimas óperas e, como ela não são tudo isso para serem ouvidas completas, há inúmeros bons discos de highlights. Este é excelente. Boas cantoras, boa orquestra e direção. Ouvi com extremo interesse e prazer. As árias e duetos deste CD foram cuidadosamente selecionadas de dez óperas menos conhecidas de Handel. Alessandrini explica: “Tivemos o cuidado de evitar os títulos mais conhecidos e manter o contraste de um número para outro. E mantivemos os recitativos, de modo a colocar os personagens no contexto dramático da ópera e definir o humor dominante de cada ária”. Valeu a pena.
Gosto muito dessas obras de Grieg para orquestra de cordas. É claro que uma versão norueguesa tem mais valor, tanto que o disco está com 5 estrelas em várias publicações. A qualidade do som é de primeira linha, e os músicos (Barratt-Due e Oslo Camerata) são extraordinários. Grieg era um nacionalista dos bons e promoveu a música norueguesa através de concertos e aulas. Como curiosidade, ele tem uma relação de parentesco com Glenn Gould. Grieg é um tio afastado do pianista canadense. O parentesco vem por parte de mãe.
Edvard Grieg (1843-1907): Música para Orquestra de Cordas
Holberg Suite, Op. 40 (From Holberg’s Time: Suite in the Olden Style)
1. I. Prelude: Allegro vivace 00:02:35
2. II. Sarabande: Andante 00:03:24
3. III. Gavotte: Allegretto – Musette: Poco più mosso 00:03:15
4. IV. Air: Andante religioso 00:05:28
5. V. Rigaudon: Allegro con brio – Poco meno mosso 00:03:53
O basco Juan Crisóstomo de Arriaga não chegou a completar 20 anos. Morreu alguns dias antes de fazê-lo. Era chamado de o “Mozart Basco” ou “Mozart Espanhol” em razão de sua precocidade. Sua música não é lá tão esplêndida assim. Estilisticamente, está entre a tradição clássica de Haydn e Mozart e o romantismo de Rossini e Schubert. Como sempre, Savall e suas orquestras dão um show de competência. O moço era violinista, como pode-se notar em alguns solos, principalmente na Abertura-Nonetto. Imaginem que sua ópera Os Escravos Felizes (?) foi escrita e produzida quando Arriaga tinha apenas 14 anos!
Juan Crisóstomo de Arriaga (1806-1826): L’Oeuvre Orchestrale
Symphonie à Grand Orchestre En Ré:
1. Adagio-Allegro Vivace-Presto
2. Sym in D: Andante
3. Sym in D: Minuetto: Allegro-Trio
4. Sym in D: Allegro Con Moto
5 Los Esclavos Felices, Ouverture Pastorale
6 Ouverture Opus 1 “Nonetto”
La Capella Reial de Catalunya
Le Concert des Nations
Jordi Savall
A Pequena Missa Solene de Rossini é, em minha opinião, uma das melhores músicas já compostas. Aqui, recebe tratamento especialíssimo de Marcus Creed num dos 29 históricos CDs que foram escolhidos para comemorar os 50 anos da notável gravadora Harmonia Mundi. É para se ouvir de joelhos. Não por Deus, mas pela religião da música mesmo. Escrita para um agrupamento inacreditavelmente pequeno de coro, solistas, 2 pianos e harmônica, a Missa parece destinada ao riso. Mas isto só até a música começar. A abertura, utilizada com notável sensibilidade por Pedro Almodóvar em seu filme A Má Educação (cena das crianças fazendo ginástica na escola, lembram?), é linda e tem a propriedade de instalar-se em nossa cabeça de uma forma difícil de controlar…
Meu amigo Milton Ribeiro escreveu uma pequena história protagonizada por esta música. Durante o conto, ele explica, de forma sucinta, as circunstâncias de sua composição.
Todos os Pecados Perdoados
Dedicado a Fernando Monteiro
Eu estava estudando na Itália, mas o tema de maior interesse, aquele sobre o qual me debruçava com verdadeira afeição, era Antonella, minha pequena e saltitante romana. Um dia, tivemos uma discussão acerca de algumas grosserias que, segundo ela, eu cometera, e ela rompeu nossa ligação.
Dias depois, telefonei-lhe e convidei-a para assistirmos à Pequena Missa Solene de Rossini, que seria apresentada na Parrocchia dell’Assunzione, no Tuscolano. Depois de alguma hesitação e surpresa – ela não esperava uma ligação minha, ainda mais sem referências a nosso impasse -, ela aceitou. Antonella amava a música de tal forma que eu não tinha como saber se a aceitação do convite significava um perdão ou a mera impossibilidade de recusar a Missa de Rossini.
Caminhamos lado a lado, sem nos tocarmos. Tive todo o cuidado em ser verbalmente o mais gentil com ela, já que as circunstâncias não permitiam nada além. Quando a Missa começou, ela se riu. Disse em meu ouvido que achara engraçada a pobre instrumentação que Rossini utilizara. Passaram-se alguns minutos e notei que Antonella estava muito emocionada. Abracei-a e ela apoiou sua cabeça em meu peito. Enquanto lhe acariciava o rosto, sentia suas lágrimas molhando meus dedos. Soube que estava perdoado.
Rossini começou a escrever música muito jovem. Era prolífico e compunha, em média, duas óperas por ano. Então, aos 37 anos – enfadado do freqüente contato com cantores temperamentais e diretores de teatro ainda piores -, parou de trabalhar seriamente com música, tornando-a um divertimento pessoal. Riquíssimo e célebre, dedicou-se ao lazer e a um irônico e gentil convívio com todos, itens nos quais era mestre. Costumava promover freqüentes festas em sua casa. Ali, bebia-se champanhe, vinho, comia-se esplendidamente e ouvia-se música. Às vezes, Rossini apresentava ao piano peças de um certo compositor anônimo… O compositor ressurgiu surpreendentemente aos setenta e poucos anos publicando duas extraordinárias peças sacras – o Stabat Mater e a Petite Messe Solennelle (Pequena Missa Solene) -, além de peças para piano. Tais obras foram agrupadas sob o título genérico de Péchés de vieillesse.
Fomos a meu apartamento, onde nos amamos e dormimos como fazem os casais. Quando acordei, não vi Antonella. Havia somente um bilhete em italiano sobre meu criado-mudo. Meu amigo, fomos engolfados por um dos “pecados da velhice” de Rossini. O que aconteceu não tem relação nenhuma com nossa situação. Não me procure mais. Antonella.
Nunca mais vi minha pequena Antonella. Porém, ontem, recebi de um amigo uma gravação da Missa de Rossini. Comecei a ouvi-la, mas logo certo pudor fez-me interromper a audição. Deixei todos dormirem para religar o aparelho de som. Então, enquanto minha mulher dormia, ouvi toda a gloriosa Missa, imóvel, sentado no escuro, sentindo a presença de minha adorável Antonella e de uma possibilidade perdida.
Gioacchino Rossini – Pequena Missa Solene
1. Kyrie I. Kyrie 2:27
2. Kyrie II. Christe 1:49
3. Kyrie III. Kyrie 2:22
4. Gloria I. Gloria in excelsis Deo 0:37
5. Gloria II. Laudamus te 1:46
6. Gloria III. Gratias 4:45
7. Gloria IV. Domine Deus 5:37
8. Gloria V. Qui tollis 6:21
9. Gloria VI. Quoniam 7:32
10. Gloria VII. Cum Sancto Spiritu 5:33
11. Credo I. Credo in unum Deum 4:14
12. Credo II. Crucifixus 3:18
13. Credo III. Et resurrexit 4:51
14. Credo IV. Et vitam venturi 4:05
15. Prélude religieux (pendant l’Offertoire) 7:38
16. Ritournelle 0:33
17. Sanctus 3:53
18. O salutaris 5:27
19. Agnus Dei 7:25
Artist(s): Krassimira Stoyanova, Birgit Remmert, Steve Davislim, Hanno Müller-Brachmann,
RIAS Kammerchor
Marcus Creed
Um Réquiem (do latim requiem, acusativo de requies, “descanso”) ou Missa de Réquiem, também conhecida como “Missa para os mortos” (do latim: Missa pro defunctis) ou “Missa dos mortos” (do latim: Missa defunctorum), é uma Missa da Igreja Católica oferecida para o repouso da alma ou alma de uma ou mais pessoas falecidas, usando uma forma particular do Missal Romano. É frequentemente, mas não necessariamente, celebrada no contexto de um funeral. O termo também é usado para cerimônias semelhantes além da Igreja Católica Romana, especialmente no ramo anglo-católico do Anglicanismo e em certas igrejas luteranas. Um serviço similar, com uma forma de ritual e textos totalmente diferente, existe também na Igreja Ortodoxa e Igrejas Católicas orientais, bem como na Igreja Metodista.
Talvez seja fácil lembrar dos principais Réquiens da música erudita: Brahms, Mozart, Verdi, Fauré, Britten, talvez Saint-Säens. São obras de tal qualidade que já conheci gente devota de cada uma delas. Conheci um velho médico que disse ouvir o Réquiem de Verdi todos os dias… Todos os dias… Verdade ou não, esta gravação de Maazel talvez fizesse sua alegria, apesar de menos “operática” (como disse um comentarista da Amazon) e dramática que o habitual. Eu gostei muito.
Giuseppe Verdi (1813-1901): Réquiem (Maazel)
CD 1
01 – Messa da Requiem, I. Requiem & Kyrie
02 – Messa da Requiem, II. Sequentia- Dies irae – Dies irae
03 – Messa da Requiem, II. Sequentia- Dies irae – Tuba mirum
04 – Messa da Requiem, II. Sequentia- Dies irae – Liber scriptus
05 – Messa da Requiem, II. Sequentia- Dies irae – Quid sum miser
06 – Messa da Requiem, II. Sequentia- Dies irae – Rex tremendae
07 – Messa da Requiem, II. Sequentia- Dies irae – Recordare
08 – Messa da Requiem, II. Sequentia- Dies irae – Ingemisco
09 – Messa da Requiem, II. Sequentia- Dies irae – Confutatis
10 – Messa da Requiem, II. Sequentia- Dies irae – Lacrymosa
CD2
01 – Messa da Requiem, III. Offertorio – Domine Jesu Christe
02 – Messa da Requiem, III. Offertorio – Hostias
03 – Messa da Requiem, IV. Sanctus
04 – Messa da Requiem, V. Agnus Dei
05 – Messa da Requiem, VI. Lux aeterna
06 – Messa da Requiem, VII. Libera me – Libera me
07 – Messa da Requiem, VII. Libera me – Dies irae
08 – Messa da Requiem, VII. Libera me – Libera me
Hummel não foi genial. Foi um bom compositor que seria mais famoso se não tivesse nascido na época de Haydn, Mozart, Beethoven e outros. Escreveu um belo Concerto para Trompete e Orquestra que está consolidado no repertório de nossa época. Este disco mostra com boa dose de exatidão quem ele foi: um brilhante concertista. Tem que ser bom pianista para interpretar estes concertos que, no entanto, carecem de transcendência. Amigo de Beethoven e aluno de Mozart, Hummel merece ser conhecido, mas não creio que será alvo de grandes paixões.
Johann Nepomuk Hummel (1778-1837): Piano Concertos / Theme and Variations
1 Piano Concerto in F Major, Op. posth. 1: I. Allegro moderato 13:46
2 Piano Concerto in F Major, Op. posth. 1: II. Larghetto 6:31
3 Piano Concerto in F Major, Op. posth. 1: III. Finale: Allegro con brio 8:05
4 Theme and Variations in F Major, Op. 97: Theme 1:10
5 Theme and Variations in F Major, Op. 97: Variation 1 1:09
6 Theme and Variations in F Major, Op. 97: Variation 2 1:09
7 Theme and Variations in F Major, Op. 97: Variation 3: Sostenuto ed espressivo 2:31
8 Theme and Variations in F Major, Op. 97: Variation 4 1:03
9 Theme and Variations in F Major, Op. 97: Variation 5 1:04
10 Theme and Variations in F Major, Op. 97: Variation 6: Poco larghetto con espressione 3:47
11 Theme and Variations in F Major, Op. 97: Variation 7: Allegretto – Cadenza – Tempo I 4:09
12 Piano Concerto in A Major, WoO 24, S4: I. Allegro 9:43
13 Piano Concerto in A Major, WoO 24, S4: II. Romanze: Adagio 6:34
14 Piano Concerto in A Major, WoO 24, S4: III. Rondo 6:58
London Mozart Players
Howard Shelley, piano e regência
Mais uma espetacular gravação barroca das Sonatas e Partitas para Violino Solo de Bach. Tão boa quanto as melhores como as de Amandine Beyer (campeã), John Holloway e Christine Busch. Trata-se de excelente performance historicamente informada que vai para a frente de minha fila. Muita imaginação, excelente qualidade de som, tudo aqui é soberbo. O período das interpretações duras com instrumentos originais vai longe e só um desinformado pode querer ouvir as velhas gravações de Menuhin, Szeryng ou Grumiaux. Vocês sabem que eu ouvi muitos registros dessas peças. Achei o som de Podger é muito especial e sua interpretação sublime, hipnotizante. Tudo é quente e convincente. Resumindo, qualquer amante de Bach deve ter esses CD’s em sua coleção.
“Quanto maior o intervalo, maior será o ar entre as notas”.
No clipe abaixo, Rachel Podger orienta Violetta Barrena na leitura do Chaconne da Partita Nº 2 de Bach para violino, trabalhando a articulação de acordo com tratados barrocos sobre interpretação. Gravado no Three Choirs Festival, Hereford. A masterclass completa de 159 minutos está disponível para compra.
Johann Sebastian Bach (1685-1750): Sonatas & Partitas Completas pata Violino Solo
1. Sonata for solo violin No. 1 in G minor, BWV 1001: Adagio
2. Sonata for solo violin No. 1 in G minor, BWV 1001: Fuga
3. Sonata for solo violin No. 1 in G minor, BWV 1001: Siciliano
4. Sonata for solo violin No. 1 in G minor, BWV 1001: Presto
5. Partita for solo violin No. 1 in B minor, BWV 1002: Allemanda
6. Partita for solo violin No. 1 in B minor, BWV 1002: Double
7. Partita for solo violin No. 1 in B minor, BWV 1002: Corrente
8. Partita for solo violin No. 1 in B minor, BWV 1002: Double
9. Partita for solo violin No. 1 in B minor, BWV 1002: Sarabande
10. Partita for solo violin No. 1 in B minor, BWV 1002: Double
11. Partita for solo violin No. 1 in B minor, BWV 1002: Tempo di Bourrée
12. Partita for solo violin No. 1 in B minor, BWV 1002: Double
13. Partita for solo violin No. 2 in D minor, BWV 1004: Allemanda
14. Partita for solo violin No. 2 in D minor, BWV 1004: Corrente
15. Partita for solo violin No. 2 in D minor, BWV 1004: Sarabanda
16. Partita for solo violin No. 2 in D minor, BWV 1004: Giga
17. Partita for solo violin No. 2 in D minor, BWV 1004: Ciaccona
1. Partita for solo violin No. 3 in E major, BWV 1006: Preludio
2. Partita for solo violin No. 3 in E major, BWV 1006: Loure
3. Partita for solo violin No. 3 in E major, BWV 1006: Gavotte en Rondeau
4. Partita for solo violin No. 3 in E major, BWV 1006: Menuet 1, 2
5. Partita for solo violin No. 3 in E major, BWV 1006: Giga
6. Sonata for solo violin No. 2 in A minor, BWV 1003: Grave
7. Sonata for solo violin No. 2 in A minor, BWV 1003: Fuga
8. Sonata for solo violin No. 2 in A minor, BWV 1003: Andante
9. Sonata for solo violin No. 2 in A minor, BWV 1003: Allegro
10. Sonata for solo violin No. 3 in C major, BWV 1005: Adagio
11. Sonata for solo violin No. 3 in C major, BWV 1005: Fuga
12. Sonata for solo violin No. 3 in C major, BWV 1005: Largo
13. Sonata for solo violin No. 3 in C major, BWV 1005: Allegro Assai
Este CD é finalizado com uma palestra explicativa de Leonard Bernstein sobre a música de Ives e sua posição dentro da cultura norte-americana e mundial. Só isso já vale o CD. Abaixo, copio um belo texto de Eduardo Prjadko (roubado quase completo da excelente Obvious) sobre o mesmo assunto.
Ivesfoi um compositor anônimo em sua época. Era dono de uma empresa de seguros em Nova York e teve uma vida abastada, mas nas horas vagas era compositor. Quando jovem teve uma vida musical bastante intensa, patrocinada pelo pai, que também era músico. Aprendeu a tocar piano, órgão, e mesmo muito novo, já fazia composições. Sua formação musical foi a tradicional europeia, no entanto Ivesestava na América. Neste mesmo ambiente se desenvolvia o Jazze todo tipo de experimentação.
Como Ivesnão tinha muito tempo para compor e também era bastante detalhista, suas obras levavam muitos anos para ficarem prontas. Uma de suas obras mais importantes, Three Places in New England, que consiste em três movimentos, levou cerca de 25 anos desde os primeiros esboços até os últimos retoques. Desta obra em específico, datam os primeiros esboços de 1903. Nesta mesma época Schoenberg terminava de compor Pelleas und Melisande, uma obra pra lá de tonal e tradicional.
O mais importante a se dizer da Three Places in New England está no segundo movimento, chamado Putnam’s Camp, Redding, Connecticut. Os primeiros cinco segundos já deixam o ouvinte de cabelos em pé, com uma entrada forte e densa, bastante incomum. Dalí para frente não é difícil identificar vários momentos em que a música se torna caótica e difícil de entender. A ideia de Ives foi justamente demonstrar isto: o ambiente caótico dos sons das ruas, onde se ouve uma banda de sopro passar numa esquina ao mesmo tempo que se ouve uma marcha na outra. Não se pode dizer que é uma obra completamente atonal, mas com certeza não tinha muito compromisso com o tonalismo.
Existem bibliografias que dizem que o próprio pai de Ives fazia experimentações na música, o que explicaria as obras muito à frente de seu tempo, mas não vou me aprofundar neste assunto. O fato é que a liberdade que a América proporcionava, sem as amarras de uma tradição secular, dava à Ives – e à quem mais quisesse – um ambiente onde era possível criar obras completamente fora do comum.
Outra obra bastante interessante é a The Unanswered Question. Nela, Ives criou uma melodia que se repete mas não é finalizada adequadamente. É como se você fizesse uma pergunta e não obtivesse a resposta (assim como propõe o nome da obra: A Questão não Respondida, em português). O trompete faz sempre a mesma “pergunta”, enquanto que um quarteto de sopro tenta responder de maneira adequada, mas sempre falhando. À medida que a música evolui, o quarteto de sopro se torna cada vez mais dissonante e mais difícil de entender. Se esta obra tivesse sido apresentada em público naquela época, Ives teria sido alvo de piadas.
Apesar de Ives ter sido um compositor anônimo, era bastante convicto de seus ideais. Acreditava no homem comum, que trabalha para sustentar seu lar. Era um verdadeiro praticante do American Way of Life, onde se pode chegar com uma mão na frente e outra atrás e trabalhar duro para se tornar bem sucedido. Entre suas convicções também estavam a de que a música na América devia ser mais audaciosa, mais máscula. Numa ocasião em que um compositor, amigo de Ives, fora vaiado ao apresentar sua obra, Ives não mediu esforços para xingar os detratores de maricas, dizendo para usarem seus ouvidos como homens.
É possível imaginar que um dos motivos que levaram Ives a não se lançar como compositor, foi justamente por não se sentir confortável com a música que era praticada e com a maneira como a música era tratada. Dizia que a música americana foi prostituída; não gostava da ideia de ser obrigado a agradar ao público. A música devia ser feita para engrandecer o homem. O anonimato e suas fortes convicções foram importantes para seu desenvolvimento como compositor. Ives não precisou explicar e justificar seus métodos à público nenhum; apenas compunha como achava que deveria compor, sem se importar com o que pensariam. Já, compositores famosos estavam o tempo todo sub o julgo de seus admiradores e inimigos. Schoenberg passou boa parte de sua carreira tendo de explicar seus métodos, e na maior parte deste do tempo, não conseguiu.
Somente muitos anos depois de sua morte, a música de Ives foi descoberta e revivida. Deve ter sido espantoso para os historiadores descobrir que muito antes de Schoenberg iniciar seus trabalhos com o atonalismo, Ives já se aventurava com muita desenvoltura em obras extremamente dissonantes para a época. Charles Ives acabou se tornando um tipo de herói americano. Em 1974, o centenário de Ives, sua música foi oficialmente declarada como a primeira música genuína norte americana.
Longe de ser uma simples aventura sem sentido, a música de Ives tem uma consistência e uma audácia espantosas. Vale lembrar que até hoje, ainda existe quem torça o nariz para o atonalismo ou qualquer tipo de arte transcendental. Isto nos mostra a genialidade deste compositor, que ultrapassou os limites da música tonal muito antes de seus companheiros de época. A liberdade e a motivação para fazer algo novo, transformaram Charles Ives num ícone Norte Americano e um artista mundialmente reconhecido.
Charles Ives (1874-1954) – Sinfonia No. 2 e Sinfonia No. 3, S. 3 (K.1A3) – The Camp Meeting
Sinfonia No. 2
01. I. Allegro moderato
02. II. Allegro
03. III. Adagio cantabile
04. IV. Lento maestoso
05. V. Allegro molto vivace
Sinfonia No. 3, S. 3 (K.1A3) – The Camp Meeting
06. I. ‘Old Folks Gatherin’_ Andante maestoso
07. II. ‘Children’s Day’_ Allegro
08. III. ‘Communion’_ Largo
Leonard Berstein Discusses Charles Ives
09. Leonard Berstein Discusses Charles Ives
Terceiro álbum de uma das combinações de som mais curiosas da música atual: a do saxofonista norueguês Jan Garbarek mais o principal grupo vocal da Grã-Bretanha, The Hilliard Ensemble. O primeiro álbum, Officium, vendeu cerca de 1 milhão de cópias, e foi um dos 20 álbuns clássicos / jazz mais vendidos da primeira década deste século. O saxofone de Garbarek faz uma “quinta voz livre”. O Hilliard é especialista em música sacra barroca e pré-barroca. Com Garbarek, o conjunto não perde seu estilo, mas ganha em alcance musical e emocional. Neste CD, eles vão mais a Oriente. O foco central é a música da Armênia com base em adaptações de Komitas Vardapet, baseando-se tanto na música sacra medieval quanto na tradição do Cáucaso. O Hilliard estudou essas peças durante visitas à Armênia e suas características encoraja alguns voos apaixonados de Garbarek. Também estão incluídas Most Holy Mother Of God de Arvo Pärt em uma leitura a cappella, cantos bizantinos, duas peças de Jan Garbarek, incluindo uma nova versão de We are the stars, além do Alleluia, Nativitas de Perotin. Sou indiferente ao disco, mas tem gente que fica louca por ele.
Jan Garbarek / The Hilliard Ensemble: Officium Novum
01 – Ov zarmanali [Komitas] 04:11
02 – Svjete tihij [Byzantine chant] 04:14
03 – Allting finns [Jan Garbarek] 04:18
04 – Litany 13:06
05 – Surb, surb [Komitas] 06:40
06 – Most Holy Mother of God [Arvo Pärt] 04:34
07 – Tres morillas m’enamoran [Spanish anonymous] 03:32
08 – Sirt im sasani [Komitas] 04:06
09 – Hays hark nviranats ukhti [Komitas] 06:25
10 – Alleluia. Nativitas [Pérotin] 05:20
11 – We are the stars [Jan Garbarek] 04:09
12 – Nur ein Weniges noch [Giorgos Seferis] 00:19 Read By – Bruno Ganz 0:19
Jan Garbarek (sax soprano e tenor)
The Hilliard Ensemble (David James, contra-tenor, Rogers Covey-Crump, tenor, Steven Harrold, tenor, Gordon Jones, barítono)
Sou um fã de Maria João Pires, mas esta gravação não lhe acrescenta nada. É um registro old fashioned, de 1974, que envelheceu mal pra caralho. São concertos para cravo de Bach, tocados com piano e orquestra mais ou menos grande, utilizando instrumentos modernos. A abordagem também é romântica, então, paradoxalmente, esta tentativa de modernizar Bach soa muito antiquada. OK, nossa época pode reinterpretar obras do passado, só que com o mar de gravações historicamente informadas disponíveis hoje, o século XXI pede outro gênero de ousadia. Depois disso, Pires se tornaria uma gênia em Beethoven, Schumann, Schubert, Brahms, Mozart, Chopin…, deixando Bach para outros
Johann Sebastian Bach (1685-1750): Concertos para Piano, BWV 1052, 1055, 1056
01. Piano Concerto No. 1 in D minor BWV 1052 – I. Allegro
02. II. Adagio
03. III. Allegro
04. Piano Concerto No. 4 in A major BWV 1055 – I. Allegro
05. II. Larghetto
06. III. Allegro ma non tanto
07. Piano Concerto No. 5 in F minor BWV 1056 – I. Allegro
08. II. Largo
09. III. Presto
Maria João Pires, piano
Gulbenkian Orchestra
Michel Corboz
Então tá, né? O pessoal quer pesos pesados e super-postagens? Sem problemas, vamos dançar conforme a música! :¬))
Em resposta, pego o CD da coleção Originals da DG e mando um balaço procêis. Ouçam esta versão de A Canção da Terra gravada por Eugen Jochum (1922-1987) e o Concertgebouw de Amsterdam em 1963. É algo de ajoelhar-se e pedir que não acabe nunca mais. Ah, não esqueçam de conferir em detalhe a “Despedida” (Der Abschied) da versão de Jochum. O incrível é que Jochum NÃO era um mahleriano contumaz, mas sua intimidade com a música vocal e com as Missas de Bruckner foram fundamentais aqui. Outro fato notável é que o registro data de um tempo que Mahler estava sendo redescoberto e não era a unanimidade que é hoje. Ele ainda era chamado de “desigual”, de compositor dado a arroubos e se dizia que era assim porque escrevia sinfonias difíceis e cheias de sonoridades estranhas para que ele mesmo — grande maestro que era — regesse. Nada disso, nada disso mesmo…
Bem, se você gosta de Mahler, tem que ouvir isto. Cumpra-se!
Gustav Mahler (1860-1911): A Canção da Terra
Symphony for alto, tenor and large orchestra
1. Das Trinklied vom Jammer der Erde
2. Der Einsame im Herbst
3. Von der Jugend
4. Von der Schonheit
5. Der Trunkene im Fruhling
6. Der Abschied
Nan Merriman
Ernst Haefliger
Concertgebouw Orchestra
Eugen Jochum
Pigmaleão, na mitologia grega, foi um rei da ilha de Chipre que, segundo Ovídio, poeta romano contemporâneo de Augusto, também era escultor e se apaixonou por uma estátua que esculpira ao tentar reproduzir a mulher ideal. Ele havia decidido viver em celibato na ilha por não concordar com a atitude libertina das mulheres dali, conhecidas como cortesãs. O mito de Pigmaleão, como outros, traduz um elemento do comportamento humano: a capacidade de determinar seus próprios rumos, concretizando planos e previsões particulares ou coletivas. A lenda de Pigmalião tem atraído vários artistas. O nome da estátua, depois que ela vira mulher, Galathea, não é encontrado nos textos antigos, mas aparece em representações artísticas modernas do mito. Uma versão moderna da lenda é a peça de George Bernard Shaw, Pigmalião, ou My Fair Lady, em que, em vez de uma estátua transformada em mulher, temos uma mulher do povo transformada em mulher da alta sociedade. A peça é também um musical e um filme.
O “ato de balé” de Rameau, Pygmalion, foi o primeiro trabalho do compositor a ter essa designação. O termo denota uma ópera de um ato com os números individuais de solo, duetos e coros, intercalados com episódios de dança que, geralmente, são mais representativos do que o traçado pela trama… A “ópera” foi apresentada 30 vezes em 1748 e foi revivida com aclamação arrebatadora três anos depois.
O conjunto de Christophe Rousset dispensa comentários. É um especialista neste repertório.
Jean-Philippe Rameau (1683-1764): Pygmalion & Les Fêtes de Polymnie
01. Pygmalion, acte de ballet, RCT 52: Ouverture
02. Pygmalion, acte de ballet, RCT 52, Scène 1: Air «Fatal Amour, cruel vainqueur» (Pygmalion)
03. Pygmalion, acte de ballet, RCT 52, Scène 2: Récit «Pygmalion, est-il possible» (Pygmalion, Céphis)
04. Pygmalion, acte de ballet, RCT 52, Scène 3: Récit «Que d’appas ! Que d’attraits !» (Pygmalion, la Statue)
05. Pygmalion, acte de ballet, RCT 52, Scène 3: Récit «D’où naissent ces accords ?»
06. Pygmalion, acte de ballet, RCT 52, Scène 3: Récit «Quel prodige ? Quel dieu ?»
07. Pygmalion, acte de ballet, RCT 52, Scène 3: Air «De mes maux à jamais»
08. Pygmalion, acte de ballet, RCT 52, Scène 4: Récit «Du pouvoir de l’Amour» (L’Amour, Pygmalion & la Statue)
09. Pygmalion, acte de ballet, RCT 52, Scène 4: «Jeux et ris qui suivez mes traces» ariette vive et gracieuse
10. Pygmalion, acte de ballet, RCT 52, Scène 4: Les différents caractères de la danse
11. Pygmalion, acte de ballet, RCT 52, Scène 4: Sarabande pour la Statue
12. Pygmalion, acte de ballet, RCT 52, Scène 4: Récit «Le peuple en ces lieux s’avance»
13. Pygmalion, acte de ballet, RCT 52, Scène 5: “Air gay pour l’entrée du peuple qui vient admirer la Statue” (Pygmalion, la Statue & chœurs)
14. Pygmalion, acte de ballet, RCT 52, Scène 5: Gavottes
15. Pygmalion, acte de ballet, RCT 52, Scène 5: «L’Amour triomphe» (ariette)
16. Pygmalion, acte de ballet, RCT 52, Scène 5: Pantomime niaise et un peu lente
17. Pygmalion, acte de ballet, RCT 52, Scène 5: Pantomime très vive
18. Pygmalion, acte de ballet, RCT 52, Scène 5: «Règne, Amour» (ariette)
19. Pygmalion, acte de ballet, RCT 52, Scène 5: Air gracieux
20. Pygmalion, acte de ballet, RCT 52, Scène 5: Contredanse
21. Les Fêtes de Polymnie, suite d’orchestre, RCT 39: I. Ouverture
22. Les Fêtes de Polymnie, suite d’orchestre, RCT 39: II. Air grave et fier
23. Les Fêtes de Polymnie, suite d’orchestre, RCT 39: III. Mouvement de Chaconne
24. Les Fêtes de Polymnie, suite d’orchestre, RCT 39: IV. Air grave et majestueux
25. Les Fêtes de Polymnie, suite d’orchestre, RCT 39: V. Premier et second Menuets
26. Les Fêtes de Polymnie, suite d’orchestre, RCT 39: VI. Premier et second Passepieds
27. Les Fêtes de Polymnie, suite d’orchestre, RCT 39: VII. Entrée des Peuples
28. Les Fêtes De Polymnie, Suite D’Orchestre, Rct 39: VIII. Gigue
29. Les Fêtes de Polymnie, suite d’orchestre, RCT 39: IX. Air vif
30. Les Fêtes de Polymnie, suite d’orchestre, RCT 39: X. Air fort gai
PERSONNEL
Les Talens Lyriques
Christophe Rousset, conductor