Post publicado originalmente em 1º de janeiro de 2012
Um bom modo de começar o ano. Sem exageros e já fazendo a desintoxicação pós-festa. Uns russos que tocam muito bem fazem um repertório bastante conhecido dos pequepianos. Um disco consistente para que deve ser baixado e ouvido tranquilamente neste começo de 2012, ano em que o Internacional vencerá mais uma Copa Libertadores da América. Peço sinceras desculpas aos gremistas e corintianos. Sei que o mundo vai acabar este ano e, como parece que o mundo acaba cedo em dezembro, espero não ter que enfrentar o Barcelona. Menos um problema.
Ah, não esqueçam que, se o mundo acabar, o Michel Teló acaba junto.
W. A. Mozart (1756-1791): Concerto para Piano Nº 23 e para Violino Nº 3
Piano Concerto No.23 in A major, K 488
I.Allegro
II.Adagio
III.Allegro assai
Violin Concerto No.3 in G major, K 216
I.Allegro
II.Adagio
III.Rondo
Veronika Reznikovskaya, piano
Mikhail Gantvarg, violin
Solist of St.Petersburg Chamber Ensemble
Artistic director Mikhail Gantvarg
Recorded by Petersburg Recording Studio, 1994
Um absurdo de bom este Hamilton de Holanda. Tudo é bom neste CD ao vivo. As interpretações, as composições — das 8 faixas, 4 são de Hamilton — e, vocês sabem, quando é Milton é bom. Hamilton tem uma longa discografia seja suas próprias composições ou homenagens a alguns de seus ídolos. Ele lançou suas gravações em sua própria gravadora independente, Brasilianos, ou em parceiros mundiais como Universal, ECM, MPS, Adventure Music. Ele entende que a indústria musical precisa de definições de categorias para a música que toca, como por exemplo Jazz, Brazilian Jazz, Brazilian Popular Music; mas para ele a inspiração transcende os rótulos, é algo que cresce livremente sem a necessidade de ser definido. Gosta de se explicar como um explorador musical em busca de beleza e espontaneidade. Dividiu o palco ou gravou com Wynton Marsalis, Chick Corea, The Dave Mathews Band, Paulinho da Costa, Chucho Valdes, Egberto Gismonti, Ivan Lins, Milton Nascimento, Joshua Redman, Hermeto Pascoal, Gilberto Gil, Richard Galliano, John Paul Jones, Bela Fleck, Stefano Bollani entre muitos outros.
.: interlúdio :. Hamilton de Holanda: 01 byte 10 cordas
1 . No Rancho Fundo — Ary Barroso , Lamartine Babo
2 . Ainda Me Recordo — Pixinguinha , Benedito Lacerda
3 . O Sonho — Hamilton de Holanda
4 . 01 Byte 10 Cordas — Hamilton de Holanda
5 . Pedra Sabão — Hamilton de Holanda
6 . Flor Da Vida — Hamilton de Holanda
7 . Disparada — Théo de Barros , Geraldo Vandré
8 . Adiós Nonino — Astor Piazzolla
Hamilton de Holanda, bandolim solo (gravado ao vivo no Rio Design Leblon, Rio de Janeiro (RJ), nos dias 16/12/2004 e 13/01/2005).
Não sei de onde saiu este CD. Não sei de quem ganhei. Não conheço o All your gardening needs, não sei é uma pessoa ou um grupo. É algo super pirata, bastante bom e divertido, que veio num CD vagabundo da MultiLaser. Mas o conteúdo não é nada vagabundo. (Vagabundo é Bolsonaro). São trabalhos bastante ousados sobre canções e falas de Adoniran Barbosa (1910-1982). Um Adoniran elétrico, computadorizado, um pogréssio, enfim. Creio que eu não precise dizer quem foi Adoniran. O brasileiro que veio aqui e desconhece este gênio está convidado a sair deste blog. Imediatamente! O brasileiro que não conhece “Trem das Onze”, “Tiro Ao Álvaro”, “Saudosa Maloca”, “Prova de Carinho” e “Samba do Arnesto” não merece o ar que respira.
Pogréssio: All your gardening needs encontra Adoniran Barbosa
1. Milonga de pampa a sampa
2. Ponte aérea 2099
3. Animado baile jovem no conjunto habitacional Vila Ibiza
4. Por aí
5. `ceridade
6. Apara o casamento
7. Vagabundos / Roubando bolinhas
8. Alfred Hitchcock`s Av. Paulista
9. Carnaval é disco
10. As Chaves
Nada como terminar a semana com uma grande obra-prima numa clássica interpretação que já recebeu três capas diferentes da EMI. Quem não se arrepiar no Kyrie inicial ou não gosta de música ou acabou de deixar de gostar. CD obrigatório, com Leppard em perfeita forma e Kiri nem se fala. Esta nasceu para cantar Mozart. A orquestra é enorme, mas Leppard (1927-2019) era um sujeito que sabia dosar as coisas. Ele não economiza nos tutti, mas aqui eles têm função. A Grande Missa K. 427 é tida como uma de suas maiores obras de Mozart. Ele a compôs em Viena em 1782 e 1783, após seu casamento, quando se mudou de Salzburgo para Viena. É uma missa solene composta para dois solistas soprano , um tenor e um baixo, coro duplo e grande orquestra. Permaneceu inacabada, faltando grandes partes do Credo e do Agnus Dei.
W. A. Mozart (1756-1791): Grande Missa em Dó Menor K. 427 (Cotrubas, Kiri Te Kanawa, New Philharmonia, Leppard)
1 I. Kyrie 8:05
2 II. Gloria: Gloria In Excelsis 2:52
3 II. Gloria: Laudamus Te 4:53
4 II. Gloria: Gratias Agimus Tibi 1:30
5 II. Gloria: Domine Deus 2:52
6 II. Gloria: Qui Tollis Peccata Mundi 6:27
7 II. Gloria: Quoniam Tu Solus Sanctus 4:18
8 II. Gloria: Jesu Christe 0:46
9 II. Gloria: Cum Sancto Spiritu 4:09
10 III. Credo: Credo In Unum Deum 3:59
11 III. Credo: Et Incarnatus Est 8:25
12 IV. Sanctus: Sanctus 2:03
13 IV. Sanctus: Osana 2:16
14 V. Benedictus 6:30
Ilena Cotrubas
Kiri te Kanawa
Werner Krenn
Hans Sotin
John Aldis Choir
New Philharmonia Orchestra
Raymond Leppard
E não é que os dois letões se entendem? Sem medo de serem invadidos pela Rússia, Skride e Nelsons fazem um Shostakovich absolutamente entusiasmante! Sem exageros ou firulas desnecessárias, a dupla mostra-se perfeita junto à ótima BSO. Em uma demonstração de virtuosismo e musicalidade, os dois letões se unem para uma performance eletrizante do Primeiro Concerto para Violino de Shostakovich. Ambos os concertos são executados com ousadia e podemos imaginar um Nelsons curvado pulando e dançando no pódio enquanto a solista e a orquestra unificados seguem suas deixas. A química entre é inegável. A orquestra e o solista funcionam como uma unidade coesa, sem que um sobrepuje o outro. Skride foi capaz de trazer esplendidamente a Passacaglia para o grandioso final de Shostakovich. O final da peça — diabolicamente sincopado e rápido — torna esta peça especialmente difícil de executar. Mais uma vez, Skride e Nelsons lidaram com este desafio sem esforço. No final da peça, eu já estava na ponta da cadeira implorando que a coisa jamais terminasse. Quanto ao Segundo Concerto, nunca gostei muito dele.
Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos para Violino Nº 1 e 2 (Skride, Nelsons)
Violin Concerto No.1 in A minor, Op.99 (formerly Op.77)
01 I. Nocturne. Moderato 14:46
02 II. Scherzo. Allegro 06:59
03 III. Passacaglia. Andante 16:04
04 IV. Burlesque. Allegro con brio – Presto 05:19
Violin Concerto No.2 Op.129
05 I. Moderato 15:54
06 II. Adagio 12:16
07 III. Adagio – Allegro 09:33
Baiba Skride
Boston Symphony Orchestra
Andris Nelsons
Friedrich Gulda disse numa entrevista que queria morrer no dia do aniversário de seu compositor predileto, Mozart. Conseguiu o feito; e aparentemente sem provocá-lo! Morreu em 27 de janeiro de 2000. Mas este não é o maior milagre de Gulda. O pianista não era nada ortodoxo e demonstrava um enorme desprezo pelas autoridades da Academia de Viena e outras. Uma vez foi-lhe oferecido o prêmio “Beethoven Ring”, pelas suas interpretações do compositor, mas o prêmio foi recusado por Gulda. Além disso, ele gravou um disco de jazz com Chick Corea, escreveu um Prelúdio e Fuga em ritmo de jazz que foi interpretado por Emerson, Lake & Palmer, compôs Variações sobre Light My Fire, de The Doors. Também gravou standards do jazz no álbum As You Like It.
Mas nem só de estrepolias é feito o austríaco. Ele foi profe de Martha Argerich e Claudio Abbado e é com seu pupilo que realizou estas gravações seminais dos maiores concertos de Mozart. Eu concordo com a escolha. Quem não gostar dela que reclame nos comentários. Será inútil mas pode ser divertido. Talvez eu me irrite se começarem a citar concertos mais jovens. Aliás, já estou ficando meio puto. Vão se fuder.
W. A. Mozart (1756-1791): Os Maiores Concertos para Piano (mesmo?) (Gulda, Abbado, VP)
1. Concerto No.20 In D Minor, K 466 / Allegro
2. Concerto No.20 In D Minor, K 466 / Romance
3. Concerto No.20 In D Minor, K 466 / Rondo
4. Concerto No.21 In C Major, K.467 / Allegro
5. Concerto No.21 In C Major, K.467 / Andante
6. Concerto No.21 In C Major, K.467 / Allegro Vivace
7. Concerto No.25 In C Flat Major, K.503 / Allegro Maestoso
8. Concerto No.25 In C Flat Major, K.503 / Andante
9. Concerto No.25 In C Flat Major, K.503 / Allegretto
10. Concerto No.27 In B Flat Major, K.595 / Allegro
11. Concerto No.27 In B Flat Major, K.595 / Larghetto
12. Concerto No.27 In B Flat Major, K.595 / Allegro
Friedrich Gulda, Piano
Vienna Philharmonic Orchestra
Claudio Abbado, Conductor
Beyond the Limits (Além dos Limites) é o título deste álbum e qualquer um que imagine CPE Bach como um trabalhador diligente na corte de Frederico, o Grande, vai levar um susto quando descobrir estas suas Sinfonias (de Hamburgo) para cordas. Este é o CPE desimpedido, seguindo o exemplo de seu igualmente inventivo padrinho Telemann. As seis sinfonias, encomendadas em 1773 pelo infatigável Gottfried van Swieten (o da Criação de Haydn) são mini-obras-primas extravagantemente originais, perfeitamente calculadas para emocionar um patrono que era simultaneamente especialista e entusiasta. Há muito de alegria nessas performances de instrumentos de época por Gli Incogniti sob sua diretora-fundadora Amandine Beyer. Os andamentos são rápidos, às vezes sensacionais, e Beyer aproveita ao máximo os contrastes dinâmicos de CPE. O conjunto é ressonante e encorpado – soando como se fosse maior do que os 14 músicos listados – e não há escassez de virtuosismo. Van Swieten supostamente instruiu Bach a escrever desconsiderando as dificuldades que os músicos possam enfrentar e o Gli Incogniti justifica essa confiança – mesmo que o contínuo do cravo seja às vezes quase inaudível sob os tuttis torrenciais e agressivos do grupo. Os movimentos lentos são bem feitos e poéticos. Beyer vai além das seis sinfonias de van Swieten para incluir uma obra anterior, o Wq177. Esta nova gravação de Amandine Beyer pode muito bem se tornar minha favorita deste repertório, embora eu ainda tenha em alta estima pela leitura de Pinnock. Beyer é conhecida por sua execução enérgica, e esta música se encaixa nela como uma luva. Os contrastes de tempo são perfeitamente realizados, e os músicos não têm medo de explorar ao máximo. O que é especialmente importante é que uma versão que faz justiça à imprevisibilidade dessas sinfonias, e aqui Beyer e seus colegas têm sucesso com louvor.
Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788): Beyond The Limits: Complete String Symphonies (Gli Incogniti, Amandine Beyer)
Symphony No. 1 In G Major H.657
1 I. Allegro Di Molto 3:14
2 II. Poco Adagio 3:16
3 III. Presto 3:43
Symphony No.6 In E Major H.662
4 I. Allegro Di Molto 2:08
5 II. Poco Andante 2:50
6 III. Allegro Spirituoso 3:36
Symphony No.5 In B Minor H.661
7 I. Allegretto 3:55
8 II. Larghetto 2:28
9 III. Presto 3:32
Symphony No.4 In A Major H.660
10 I. Allegro Ma Non Troppo 4:14
11 II. Largo Ed Innocentemente 3:07
12 III. Allegro Assai 4:07
Symphony No.3 In C Major H.659
13 I. Allegro Assai 2:23
14 II. Adagio 2:45
15 III. Allegretto 4:53
Sinfonia Wq. 177 (H652)
16 I. Allegro Assai 3:49
17 Ii. Andante Moderato 3:06
18 III. Allegro 3:24
Symphony No.2 In Bb Major H.658
19 I. Allegro Di Molto 3:07
20 II. Poco Adagio 2:56
21 III. Presto 4:29
Conductor – Amandine Beyer
Ensemble – Gli Incogniti
Yuja Wang é uma daquelas raras pianistas — aí incluídos os pianistos — que unem vasto repertório, consistência e pernas. Esqueçamos as pernas, mas jamais da elegância da moça nesta gravação. Sua interpretação de Shostakovich é como se ela não tivesse feito outra coisa na vida senão estudá-lo, o que sabemos não ser verdade. O Concerto Nº 1 aparece enormemente sofisticado em suas mãos e nas de Andris Nelsons, este sim um especialista no russo. No passado, os russos reclamavam muito das interpretações recebidas por seus compositores. Eles achavam que os ocidentais sujavam a sofisticação — que eles efetivamente têm — achando que seus compositores deles eram mais “primitivos” do que os nossos. Isto tem mudado, talvez por medo de uma invasão por parte de Gergiev e Putin. Se bem que o acorde dela (aquele acordão, vocês sabem) no último movimento do Primeiro Concerto é digno de um Oreshnik. Bem, a tremenda alegria e os jogos propostos no Nº 2 estão belamente realizados. Explico: o Nº 2 foi dedicado e estreado pelo filho de Shosta, Maxim, e contém muitas alusões ao rebento. Por exemplo, no centro do movimento final há um exercício para pianistas que Maxim devia praticar em casa.
Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos para Piano Nº 1 e 2 (Wang, Nelsons)
Piano Concerto No.1 for piano, trumpet & strings, Op.35
01 I. Allegro moderato 06:04
02 II. Lento 08:33
03 III. Moderato 01:53
04 IV. Allegro con brio 06:53
Piano Concerto No.2 in F, Op.102
05 I. Allegro 07:03
06 II. Andante 06:07
07 III. Allegro 05:22
Yuja Wang, piano
Thomas Rolfs, trompete
Boston Symphony Orchestra
Andris Nelsons
Sim, um Heifetz, mas não chega a ser uma coisa de louco. Eu não roubaria nem mataria por estas gravações do grande violinista. Gravação jurássica pisando a linha do suportável, não obstante o inigualável talento de Jascha Heifetz. Para quem chegou anteontem de Marte, o lituano Heifetz (1901-1987) foi um dos maiores virtuosos da história do violino, famoso por suas interpretações de Paganini, Beethoven, Brahms, Tchaikovsky, Saint-Saëns, Sibelius e de todos os que passaram por suas mãos. É considerado por muitos o melhor violinista do século XX. Descobri que esta gravação do Concerto de Mozart é dos anos 40 e, bem, era difícil de recuperá-la com um som decente.
W. A. Mozart (1756-1791): Concerto para Violino Nº 5, K. 219 / Sonata para Violino e Piano, K. 378 / Quinteto para Cordas, K. 516 (Heifetz e amigos)
Concerto No. 5 K.219, “Turkish” In A
Allegro Aperto 9:31
Adagio 9:58
Rondeau. Tempo Di Menuetto 6:43
Sonata, K.378 In B Flat
Allegro Moderato 8:14
Andantino Sostenuto E Cantabile 4:27
Rondo Allegro 3:59
Quintet, K.516 In G Minor
Allegro 8:57
Menuetto 4:23
Adagio Ma Non TRoppo 8:16
Adagio: Allegro 8:24
Orchestra – Chamber Orchestra* (tracks: 1–3)
Piano – Brooks Smith (2) (tracks: 4–6)
Viola – Virginia Majewski, William Primrose (tracks: 7–10)
Violin – Jascha Heifetz
Violin [II] – Israel Baker (tracks: 7–10)
Violoncello – Gregor Piatigorsky (tracks: 7–10)
Quando desta postagem original, estávamos completando 6 aninhos. Hoje já temos 18…
Um disco estupendo para os admiradores da música da Renascença. Savall em grande forma. ‘Carlos V’ não busca meramente reconstruir um evento em particular, mas uma vida inteira, a do Imperador Carlos V. Uma ampla gama de peças é apresentada como tendo uma conexão, de uma forma ou de outra, com Carlos V, que teve inúmeras obras dedicadas a ele e que é conhecido por ter aprendido música quando criança. Era um conhecedor de música. Uma figura interessante. Aqueles familiarizados com as gravações de Hesperion XXI sabem o que esperar: “orquestração” colorida, incluindo percussão, e acompanhamento de viola para a música sacra, que geralmente funciona muito bem. As vozes de La Capella Reial de Catalunya sempre valem a pena ouvir.
Alfonso X (El Sabio), Arbeau, Cabezon, Desprez, Encina, Flecha, Isaac, Janequin, Morales, Narvaez, Parabosco, Willaert: A vida musical à época de Carlos V (Savall)
1. Fortuna Desperata: Nasci, Pati, Mori (Isaac) 4:19
2. Dit Le Bourguygnon (Instrumental) (Anónimo (Petrucci)) 1:16
3. Quand Je Bois Du Vin Clairet (Tourdion) (Anónimo) 4:51
4. Amor Con Fortuna (Villancico) (Del Enzina) 2:08
5. Vive Le Roy (Instrumental) (Des Prés) 1:27
6. Todos Los Bienes Del Mundo (Villancico) (Del Enzina) 4:18
7. La Spagna, A 5 (Instrumental) (Des Prés) 3:10
8. Harto De Tanta Porfía (Villancico) (Anónimo (Canc. Palacio)) 7:18
9. Pavana “La Battaglia” (Instrumental) (Janequin / Susato) 2:07
10. Belle Qui Tiens Ma Vie (Chanson) (Arbeau) 3:16
11. Diferencias Sobre “Belle Qui Tiens Ma Vie” (De Cabezón) 3:30
12. Vecchie Letrose (Villanesca Alla Napolitana) (Willaert) 2:33
13. Fanfarria (Anónimo) 1:08
14. Sanctus De La Missa “Mille Regretz”, A 6 (De Morales) 6:10
15. Da Pacem Domine (Ricercare XIV) (Parobosco) 5:01
16. Jubilate Deo Omnis Terra (Motete), A 6 (De Morales) 6:26
17. Mille Regretz (Chanson) (De Prés) 2:17
18. Todos Los Buenos Soldados (La Guera) (Flecha) 1:47
19. Agnus Dei De La Missa “Mille Regretz”, A 6 (De Morales) 7:03
20. Mille Regrets: Canción Del Emperador” (Josquin / De Navráez) 3:02
21. Circumdederunt Me Gemitus Mortis (Motete) (De Morales) 3:09
Minha geração e a anterior foram muito marcadas pelo pianista Glenn Gould (1932-1982). Eu, nascido em 1957, já nos anos 70 queria ouvir as coisas em instrumentos originais –, mas era impossível não considerar a qualidade e as manias de um gênio como Gould. Ele acentuava Bach de um modo diferente, mais inteligente, e sua passagem de 50 anos pelo mundo foi um vendaval. Ele abandonou as apresentações ao vivo em 1964, dedicando-se, desde então, somente às gravações em estúdio, com um estilo de tocar muito peculiar, às vezes excêntrico, mas jamais contornável. Foi discutidíssimo e criava polêmica onde ia ou chegava através de suas interpretações. Era canhoto — o que talvez explique a perfeição implacável de seu ritmo — e tinha uma habilidade talvez só comparável às de Martha Argerich e de Yuja Wang. Mas, contrariamente às citadas, tudo em Gould é conceitual, ele sempre traz novidades, por vezes muito brilhantes e que influenciaram muita gente. Também pode ser irritante. Muitas de suas gravações são tão idiossincráticas que são difíceis de ouvir, a não ser que você seja uma pessoa como eu, que gosta de observar fascinado até onde alguém pode ir. Ele ultrapassava quaisquer limites. Sua gravação das sonatas para piano de Mozart é um exemplo. Ele as gravou por obrigação contratual, mas sua antipatia por Mozart é evidente. Algumas delas ele toca muito suavemente, criando um romantismo que não é de Mozart e que dá vontade de rir, outras ele mutila acelerando tudo como uma caixinha de música alucinada. Tudo muito perfeito, mas feito de maneira voluntariamente ruim. Era sim um gênio atrevido. Mas quando é bom, ele é muito, muito bom. Gould pode ser surpreendente, poético e muito inpirador. Ouça sua gravação do Prelúdio em Dó Sustenido Maior, BWV 872 do Livro II do Cravo Bem Temperado (E sim, é Glenn que você pode ouvir cantando ao fundo!). É isso que torna Glenn Gould um enigma, um contraste inteiro. E muito digno de ser explorado. Como esta gravação estava há muito tempo sem links funcionando e, pior, dividida em dois posts, aqui vai uma revalidação com cara de curadoria, pois sem Gould não dá para ficar.
Johann Sebastian Bach (1685-1750): O Cravo bem temperado, Livros I e II, BWV 846-893 (Gould, piano)
Existe a Música Antiga, o Barroco e há Savall. A abordagem do gambista, violoncelista e regente Jordi Savall à música pré-barroca é tão talentosa e interessada, que parece de um gênero diferente. É um grande mestre que, de forma inesperada e paradoxal, “renova” a música antiga, revelando como ela pode ser, quando interpretada com sensibilidade e senso de estilo. Para completar, Savall promove diálogos interculturais em seus discos e, sem palavras, faz-nos pensar.
Música Antiga com Jordi Savall e o Hesperion XX: Folias & Canarios
1 Folias (Pavana Con Su Glosa) Composed By – Antonio de Cabezón 2:03
2 Fantasia Composed By – Alonso Mudarra 2:45
3 Tiento De Falsas Composed By – Joan Cabanilles* 4:02
4 Jàcaras Composed By – Gaspar Sanz 2:15
5 Canarios Composed By – Gaspar Sanz 2:01
6 Paduana Del Re Composed By – Anonyme* 2:18
7 Saltarello Composed By – Anonyme* 1:10
8 Arpegiatta Composed By – Girolamo Kapsberger* 1:43
9 Gallarda Composed By – Giacomo De Gorzanis* 1:35
10 Canarios Composed By – Girolamo Kapsberger* 2:07
11 Si Ay Perdut Mon Saber Composed By – Jordi Savall, Ponç d’Ortafà* 3:59
12 La Mariagneta Composed By – Anon*, Jordi Savall 1:48
13 Con Que La Lavaré Composed By – Anonyme* 2:19
14 El Pare I La Mare Composed By – Anonyme*, Jordi Savall 3:39
15 Paradetas Composed By – Andrew Lawrence King*, Lucas Ruiz De Ribadayaz* 3:19
16 Clarines Y Trompetas Composed By – Gaspar Sanz 5:29
17 Fantasia Composed By – Joan Cabanilles* 2:33
18 Toccata & Chiaccona Composed By – Alessandro Piccinini 3:44
19 Todo El Mundo En General Composed By – Francisco Correa De Arauxo 3:57
20 Canarios Composed By – Anonyme*, Jordi Savall 2:19
Um portento. Uma coisa de louco estas gravações de Fricsay (1914-1963) com a Filarmônica de Berlim. Se não estou errado é uma gravação de 1958. Aqui não estamos falando de curiosidades, mas de uma orquestra fenomenal regida pelo maior dos regentes, ou quase isso. Esta Sinfonia contém a dedicatória rasgada mais célebre de todos os tempos: a que Beethoven dedicou a Napoleão, pensando-o um libertador, rasgando-a — ou melhor, apagando-a no papel COM UMA FACA — quando percebeu a que sonhos de grandeza vinha o pigmeu corso. É impossível ouvi-la sem a paixão da dedicatória, antes e depois. A Marcha Fúnebre… Quem quer viver na “Marcia Funebre” todas as dores da perda, só há a gravação de Ferenc Fricsay. E aqui está ela. Não há melhor gravação da Eroica. E nem vou falar da Oitava.
Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sinfonia Nº 3, Eroica / Sinfonia Nº 8 (Fricsay)
Sinfonia Nº 3, Op 55
1) Allegro con brio
2) Marcia funebre. Adagio assai
3) Scherzo. Allegro vivace
4) Finale. Allegro molto
Sinfonia Nº 8, Op. 93
5) Allegro vivace e con brio
6) Allegretto scherzando
7) Tempo di Minuetto
8) Allegro vivace
Hoje é o dia dos 100 anos de Pierre Boulez (ver post abaixo). Talvez já tenha escrito aqui que estou ouvindo todos os meus CDs fora de ordem. Todos. São muitos. O de hoje era casualmente com Pierre Boulez regendo a 8ª Sinfonia de Mahler. Além de compositor, Boulez foi um grande maestro.
Esta Sinfonia de Mahler é impressionante? Sim. É grandiosa em todos os sentidos? Sim. É para chorar ouvindo o coral de abertura Veni, Creator Spuritus? Sem dúvida. É das principais obras de Mahler? Imagina se não! É uma sinfonia? Olha, acho que é uma Cantata, não uma sinfonia. E PQP gosta dela? Não. Eu a acho grande e estranha como um dinossauro. Mas a gravação é boa e quem ama a oitava vai babar de gozo ouvindo isto. Tenho certeza, pois o nível aqui é alto.
Após gravar uma gélida segunda Sinfonia, Boulez veio com uma grande surpresa. A Parte 1 é supercarregada de excitação, e a engenharia de DG torna as sonoridades orquestrais e corais estupendas — o impacto visceral das forças gigantescas de Mahler surge como nunca. Eu me pergunto como um homem de 80 anos consegue reunir e fazer funcionar o número de artistas envolvidos na Oitava, mas, como sempre, Boulez domina tudo, mostrando-se um mestre da textura e dos detalhes orquestrais. A Berlin Staatskapelle é ótima e toca com convicção, e o coro está entre os melhores que já ouvi nesta obra. (As forças corais necessárias são imensas). Claro, a Oitava não é um Mahler de primeira linha do começo ao fim, e Boulez serve a partitura com cuidado, pensando no significado expressivo de cada episódio. Talvez tenhamos passado do ponto em que as performances da Oitava soam como uma luta. Conjuntos ao redor do mundo superaram suas dificuldades e a Sinfonia parece um pouco mais domada. Boulez se move através das passagens mais finas da Parte II com sensibilidade excepcional. Confiram.
Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 8 (Pierre Boulez) Part One: Hymnus “Veni creator spiritus”
1) Veni, creator spiritus [1:24]
2) “Imple superna gratia” [3:21]
3) “Infirma nostri corporis” [2:31]
4) Tempo I. (Allegro, etwas hastig) [1:27]
5) “Infirma nostri corporis” [3:18]
6) “Accende lumen sensibus” [4:54]
7 “Veni, Creator…Da gaudiorum praemia” [3:47]
8. “Gloria sit Patri Domino” [3:03] Part Two: Final scene from Goethe’s “Faust”
1) Poco adagio [7:16]
2) Più mosso (Allegro moderato) [4:20]
3) “Waldung, sie schwankt heran” [5:09]
4) “Ewiger Wonnebrand” [1:43]
5) “Wie Felsenabgrund mir zu Füßen” [5:04]
6) “Gerettet ist das edle Glied” – “Hände verschlinget” [1:08]
7) “Jene Rosen, aus den Händen” [2:03]
8. “Uns bleibt ein Erdenrest” [2:02]
9) “Ich spür’ soeben” – “Freudig empfangen wir” [1:19]
10) “Höchste Herrscherin der Welt” [4:28]
11) “Dir, der Unberührbaren” – “Du schwebst zu Höhen” [3:33]
12) “Bei der Liebe” – “Bei dem Bronn” – Bei dem hochgeweihten Orte” [5:26]
13) “Neige, neige, du Ohnegleiche” [1:04]
14) “Er überwächst uns schon” – “Vom edlen Geisterchor umgeben” [3:31]
15) “Komm! hebe dich zu höhern Sphären” – “Blicket auf zum Retterblick” [7:21]
16) “Alles Vergängliche” [6:05]
Robinson / Wall / Queiroz / DeYoung / Schröder / Botha / Müller-Brachmann / Holl
Chor der Deutschen Staatsoper Berlin
Rundfunkchor Berlin
Aurelius Sängerknaben Calw
Staatskapelle Berlin
Pierre Boulez
Esqueci o nome da praga, mas houve um comentarista aqui no PQP, que odiava o grande Bernard Haitink de cabo a rabo. Era inacreditável, tanto mais que Haitink foi aquele tipo correto, gentil, tranquilo, inteligente… E até era bem musical! Chego à conclusão que tínhamos um bolsomínion nos visitando, porque era um ódio gratuito a quem nunca mordeu ninguém. Numa de nossas discussões, citamos o finlandês Klaus Mäkelä, que também foi espinafrado pelo cara logo após ser escolhido como regente titular do Concertgebouw de Amsterdam. Pelo jeito os músicos do Concertgebouw não acertam uma! Depois da frieza de Haitink e do Gatti assediador — foi inocentado –, chamaram mais um farsante pra comandá-los…
Imaginem que Mäkelä ocupa o cargo de Maestro Chefe da Filarmônica de Oslo desde 2020 e Diretor Musical da Orquestra de Paris desde setembro de 2021. Ele assumirá o título de Maestro Chefe da Royal Concertgebouw Orchestra em setembro de 2027 e na mesma temporada começa como Diretor Musical da Orquestra Sinfônica de Chicago. Todos idiotas: noruegueses, franceses, holandeses e estadunidenses. Mais de 400 músicos de algumas das maiores orquestras do mundo totalmente equivocados. Votaram nele. Estou impressionado até hoje. Ainda bem que faz tempo que a figura hostil sumiu.
Pois meus amigos, este trio de Sinfonias de Shostakovich receberam um belo tratamento por parte de Mäkelä — hoje com apenas 29 anos, esta gravação é de agosto de 2024, quando KM tinha 28 — e os filarmônicos de Oslo. Que orquestra e que maestro! Que gravação maravilhosa! Vai ouvir logo, vai, vai!
D. Shostakovich (1906-1975): Sinfonias Nº 4, 5 & 6 (Mäkelä / Oslo Philharmonic)
Symphony No. 4 In C Minor Op. 43
1-1 I. Moderato Poco Moderato – 16:11
1-2 Presto 12:35
1-3 II. Moderato Con Moto 9:03
1-4 III. Largo – 6:51
1-5 Allegro 22:20
Symphony No. 5 In D Minor Op. 47
2-1 I. Moderato – Allegro Non Troppo – Poco Sostenuto – Largamente – Più Mosso – Moderato 15:56
2-2 II. Moderato – Largamente – Poco Più Mosso 5:20
2-3 III. Largo 13:57
2-4 IV. Allegro Non Troppo – Allegro – Più Mosso 11:36
Symphony No. 6 In B Minor Op. 54
2-5 I. Largo 18:53
2-6 II. Allegro 5:43
2-7 III. Presto 6:45
Conductor – Klaus Mäkelä
Orchestra – Oslo Philharmonic
Excelente CD da Zig-Zag Territoires. Destaque para a capa e os cadernos internos, verdadeiras obras de arte desta pequena gravadora francesa. Em registro de 2005, a para mim desconhecida Blandine Rannou dá um show num repertório de difícil abordagem, pois as Toccatas ora parecem improvisações, ora peças de tio Bux, ora movimentos das Suites Francesas. É coisa muito séria e já vi gente graúda se atrapalhando com elas. Têm momentos de profunda indireção e depois arremetem. Mas Mlle. Rannou entendeu-as perfeitamente com elas e nos dá um belo recital. Num repertório onde Glenn Gould sempre será referência, a francesa acrescenta — além do cravo — temperos bem diversos dos apresentados pelo grande canadense.
J. S. Bach (1685-1750) – Toccatas para cravo completas, BWV 910-916 (Blandine Rannou)
1 Toccata for keyboard in F sharp minor, BWV 910
2 Toccata for keyboard in G minor, BWV 915
3 Toccata for keyboard in D major, BWV 912
4 Toccata for keyboard in E minor, BWV 914
5 Toccata for keyboard in C minor, BWV 911
6 Toccata for keyboard in D minor, BWV 913
7 Toccata for keyboard in G major, BWV 916
A divertida suíte Háry János ganha uma versão muito boa por parte dos húngaros deste CD. Háry János é uma curiosa “ópera folclórica húngara”. Trata-se de uma obra falada com canções, à maneira de um Singspiel, em quatro atos com música de Zoltán Kodály e libreto de Béla Paulini e Zsolt Harsányi, baseada num épico cômico de János Garay. Estreou na Royal Opera House de Budapeste em 1926. O título completo da peça é Háry János: suas aventuras de Nagyabony ao Castelo de Viena. A história diz respeito a um veterano hussardo do exército austríaco da primeira metade do século XIX que se senta numa estalagem de aldeia, regalando os ouvintes com contos fantásticos de heroísmo. Suas supostas façanhas incluem conquistar o coração da Imperatriz Maria Luísa, esposa de Napoleão, e depois derrotar sozinho Napoleão e seus exércitos. Apesar de tudo, no final ele desiste de toda a sua riqueza para retornar à cidade de sua amada. Esta é uma suíte orquestral extraída da ópera, claro. O Concerto para Orquetra de Kodály foi composto entre 1939 e 1940, por encomenda da Orquestra Sinfônica de Chicago, para comemorar o seu quinquagésimo aniversário. Foi estreada em 6 de fevereiro de 1941, pela mesma orquestra, sob a regência de Frederick Stock. O título pode remeter o ouvinte conhecedor à assombrosa obra homônima de Bartók, composta em 1943. Nem a ideia nem o título, porém, são novos, e a obra de Kodály, junto com a de Hindemith (que data de 1925), são anteriores à dele. Há que se explicar que este Concerto não usa do conceito que o senso comum atribui ao concerto, como peça musical que coloca em relevo um único instrumento solista. Ao contrário, ele reelabora um procedimento muito comum no período Barroco, em que mais de um solista despontava do corpo orquestral. Ele tentar combinar uma arquitetura que lembra a do primeiro Concerto de Brandenburgo de Bach à música tradicional magiar.
Zoltán Kodály (1882-1967): Háry János (Suíte) & Concerto para Orquestra (Ferencsik)
Háry János – Suite (1927)
1 I- Introduction 3:30
2 II- The Viennese Musical Clock 2:06
3 III- Song 4:58
4 IV- Napoleon’s Battle 4:00
5 V- Intermezzo 4:38
6 VI- The Entry Of The Imperial Court 2:59
Concerto for Orchestra (1939)
7 I- Allegro Risoluto 3:38
8 II- Largo 7:54
9 III- Tempo Primo 4:45
10 IV- Largo 2:46
11 V- Tempo Primo 0:56
Cello – Tamás Koó (faixas: 7 to 11)
Conductor – János Ferencsik
Orchestra – Hungarian State Orchestra (faixas: 7 to 11), Budapest Philharmonic Orchestra* (faixas: 1 to 6)
Viola – Anna Mauthner (faixas: 7 to 11)
Violin – Zoltán Dőry (faixas: 7 to 11)
Brahms loguinho se envolveu com o gênero “Sonata para Violino”. Já em 1853 ele escreveu uma sonata em lá menor, que — como tantas outras obras juvenis deste compositor muito autocrítico — não sobrevive mais. Assim, a sonata em sol maior Op. 78, escrita em 1878/79, é contada como sua primeira contribuição ao gênero. Ela tem o apelido de “Regenlied Sonata” (literalmente “sonata da canção da chuva”) por causa da citação de uma canção que aparece no final. No verão de 1886, Brahms compôs, quase simultaneamente, as duas sonatas op. 100 e 108. Todas as três obras agora têm um lugar firme no cânone violinístico. O CD é finalizado com o Scherzo em dó menor que Brahms contribuiu para a chamada “FAE Sonata”, que ele compôs junto com Robert Schumann e Albert Dietrich como um presente para o violinista Joseph Joachim em 1853. Com seu forte contraste entre o Allegro turbulento e a parte emocional più moderato, o scherzo tornou-se um popular bis. A versão de Steinbacher e Kulek para as IRRETOCÁVEIS e PERFEITAS Sonatas de Brahms é digna dos maiores elogios. Steinbacher é uma dessas mocinhas bonitinhas que agora fazem sucesso na música erudita, mas não posso fazer nada: além disso, ela é uma fantástica violinista. Tem um toque muito sutil e aveludado, no que é acompanhada pelo compreensivo Kulek. Por falar em sexo, se há um compositor consensual, além de J. S. Bach, aqui no PQP, é Brahms. Com ênfase no trio que segue: Carlinus é apaixonado, mas eu, PQP, e FDP somos devotos. Aliás, já disse e repito: meus 3 compositores preferidos são Bach, Brahms, Beethoven, Bartók, Shostakovich e Mahler, fora outros.
Johannes Brahms (1833-1897): Obra Completa para Violino e Piano (Steinbacher, Kukek)
Violin Sonata No. 1 in G major, Op. 78
1)I. Vivace ma non troppo [11:04]
2)II. Adagio [8:55]
3)III. Allegro molto moderato [9:22]
Violin Sonata No. 3 in D minor, Op. 108
7)I. Allegro [8:11]
8)II. Adagio [4:53]
9)III. Un poco presto e con sentimento [3:05]
10)IV. Presto agitato [5:54]
Violin Sonata in A minor, “F-A-E”: III. Scherzo in C minor, WoO 2
11) Allegro
12) Trio – Più moderato – In tempo ma marcato [5:50]
Hoje é o dia dos 340 anos de nascimento do maior compositor de todos os tempos, do GOAT. Não poderíamos deixar a data passar em branco. Então, resolvemos partir para o ataque de uma forma diferente. Escolhemos um dos gêneros principais e mais esquecidos de sua obra. Pois o órgão é uma coisa tão fora de moda que a gente esquece que era o instrumento preferido de Bach. É imensurável o que se perde relegando as obras de Sebastião Ribeiro para órgão a um segundo ou terceiro plano. Reduzir sua obra para o instrumento à Toccata & Fuga em Ré Menor, BWV 565, deveria ser crime inafiançável.
As obras para órgão de Johann Sebastian Bach representam um dos pilares da música ocidental e são essenciais tanto para a música sacra e secular quanto para a evolução da técnica e do repertório do instrumento. Bach, que foi um virtuose do instrumento, assim como outro grande compositor, Bruckner, além de profundo conhecedor da construção e da sonoridade do órgão. Compôs uma vasta coleção de peças que abrangem diferentes formas e estilos, consolidando o instrumento como um veículo para expressão artística, espiritualidade e inovação técnica. Bach não apenas dominou as formas tradicionais da música para órgão, como o prelúdio, a fuga e o coral, mas também expandiu os limites do instrumento em termos de harmonia, contraponto e uso do pedal. Sua música exige do organista uma grande destreza técnica e uma compreensão profunda das texturas polifônicas. Muitas das obras para órgão de Bach foram compostas para o contexto da igreja luterana, servindo como acompanhamento para o culto e reforçando a conexão entre música e fé. Seus prelúdios corais e fantasias sobre corais são exemplos de como ele transformava melodias religiosas simples em peças de profunda expressividade e complexidade contrapontística. Bach escreveu diversas obras que se tornaram marcos na literatura para o órgão, incluindo a Tocata e Fuga em Ré Menor, BWV 565 (uma das peças mais conhecidas da música ocidental, famosa pelo impacto dramático e virtuosismo), vários Prelúdios e Fugas para órgão (obras que exploram o contraponto e a riqueza harmônica do instrumento), a Passacaglia e Fuga em Dó Menor, BWV 582 (uma das mais impressionantes variações sobre um baixo ostinato, demonstrando o domínio estrutural de Bach). A música para órgão de Bach influenciou gerações de compositores, de Mendelssohn a Reger e até no desenvolvimento da música romântica e contemporânea para o instrumento. Sua abordagem técnica e expressiva continua sendo uma referência para organistas e um desafio fascinante para intérpretes até hoje. As obras para órgão de Bach são uma síntese da genialidade musical barroca, combinando estrutura rigorosa, profundidade emocional e um domínio absoluto do instrumento. Elas não apenas marcaram a história da música, mas deveriam seguir vivas em concertos e celebrações litúrgicas ao redor do mundo, reafirmando a atemporalidade do seu legado.
Helmut Walcha (1907 – 1991) foi um organista , cravista, professor e compositor alemão especializado nas obras dos mestres barrocos holandeses e alemães. Cego desde a adolescência, ele é conhecido principalmente por esta série que ora vos posto, tocada inteiramente de memória. Nascido em Leipzig, Walcha ficou cego aos 19 anos após vacinação contra varíola. Apesar de sua deficiência, ele entrou no Conservatório da cidade e se tornou assistente de Günther Ramin na Thomaskirche (posição ocupada pelo próprio Bach). Em 1929, Walcha aceitou uma posição em Frankfurt na Friedenskirche e permaneceu lá pelo resto de sua vida. De 1933 a 1938, ele lecionou no Conservatório Hoch. Em 1938, foi nomeado professor de órgão na Musikhochschule em Frankfurt e organista da Dreikönigskirche em 1946. Ele se aposentou das apresentações públicas em 1981 e morreu em Frankfurt. Walcha gravou as obras completas para teclado solo de Bach duas vezes, uma vez em mono (1947–52) e novamente em estéreo de 1956 a 1971. O primeiro ciclo (mono) foi remasterizado digitalmente e relançado como um conjunto de 10 CDs em caixa. Este último ciclo estéreo (lançado em 10/09/2001) foi remasterizado e relançado em uma caixa de 12 CDs — a mesma deste post. Esta edição também contém a gravação de sua própria conclusão da última peça de A Arte da Fuga.
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Bach, Handel e Scarlatti nasceram em 1685. Handel em 23 de fevereiro, Bach em 21 de março, Scarlatti em 26 de outubro.
São três gigantes e o fato de terem nascido no mesmo ano já é coincidência suficiente. Bem que Rameau (1683) e Vivaldi (1678) poderiam ter esperado. Bem, mas isso talvez mudasse bastante a história da música, pois Bach foi muito influenciado pelo Prete Rosso (Padre Ruivo).
Vamos procurar mais coisas em comum entre nosso grande trio de compositores? O trio de 1685 foram figuras centrais do período barroco, contribuindo significativamente para a história e o repertório da arte musical e de meu período musical preferido, o barroco. Cada um à sua maneira e segundo o ambiente em que viveu, os três moldaram a estética e as técnicas musicais da época. Bach ficou conhecido tanto por suas obras sacras, quanto por sua música instrumental, incluindo aí obras que poderíamos chamar de conceituais. Handel tem sua música instrumental, mas destacou-se muito mais nas óperas e nos oratórios, enquanto Scarlatti foi um pioneiro da sonata para teclado, especialmente no cravo. Por obrigações empregatícias escreveu mais de 500 sonatas para cravo.
Outro ponto em comum entre eles é a influência italiana. O napolitano Scarlatti naturalmente não ficaria livre dela e incorporou o estilo italiano em suas obras, claro. O super estudioso Bach estudou e adaptou técnicas italianas, especialmente de Vivaldi, em suas composições. E Handel, alemão como Bach, passou boa parte de sua carreira na Itália e na Inglaterra, absorvendo e transformando o estilo italiano em suas óperas e oratórios. Aliás, as Cantatas Italianas de Handel, escritas em sua juventude na Itália, são esplêndidas!
Mas há mais. Bach, Handel e Scarlatti eram todos exímios tecladistas. Bach era respeitadíssimo como organista e cravista, Handel destacou-se como cravista, e Scarlatti foi um dos maiores virtuoses do instrumento em sua época. Suas obras para teclado continuam sendo pilares do repertório até hoje.
Aparentemente, os três nunca se encontraram pessoalmente, mas há várias lendas e talvez uma tentativa real de encontro. A principal lenda: Handel e Scarlatti supostamente competiram em um “duelo” de cravo em Roma, onde a turma do deixa disso declarou Scarlatti superior ao cravo e Handel no órgão. Um empate real ou arranjado? Enquanto eles duelavam, Bach devia estar bebendo cerveja ou brigando com seus empregadores, mas era um admirador de Handel e diz-se que tentaram entrar em contato, sem sucesso.
Como já disse, os três compositores trabalharam tanto com música sacra quanto profana. Bach é conhecido por suas obras sacras e também pela secular. Handel equilibrou óperas e oratórios, ficando mais na área da música vocal. Já Scarlatti foi muito mais focado na música instrumental, mas também compôs obras vocais sacras.
Outra coincidência é que os três morreram em um intervalo relativamente curto de tempo: Scarlatti em 1757, Handel em 1759 e Bach em 1750. Dá pra dizer que a período barroco é finalizado com suas mortes.
A última coincidência é triste e exclui Scarlatti. Bach e Handel, quando velhos, passaram a sofrer de catarata e foram operados por John Taylor (1703–1770). Pois bem, este médico charlatão britânico — doutor em autopromoção — cegou Bach e Handel, entre muitos outros. Taylor era um notório farsante. Ambos os compositores estavam com dificuldades de visão, mas depois das “cirurgias” de Taylor, ficaram irremediavelmente cegos. Taylor é famoso. Pesquisem.
Mas hoje é dia do nascimento de Bach. E pergunto: afinal, Bach nasceu em 21 ou 31 de março de 1685? No dia 21. Vamos falar de 1582? Naquele ano, o calendário gregoriano foi introduzido em alguns países da Europa, não em todos. A Itália, a Espanha, Portugal e a Polônia, os mais católicos, aceitaram a mudança ditada pela igreja, o resto não. Só depois é que todos os outros países aderiram. O 21 de março de 1685 da Alemanha não era o mesmo 21 de março de 1685 na Itália, Espanha etc. Havia 10 dias de diferença. O dia em que Bach nasceu foi “chamado” de 21 de março na Alemanha, onde eles ainda estavam usando o calendário juliano. Mas Bach nasceu num 31 de março, considerando o calendário que todos usam hoje, o gregoriano. O que vale? Ora, segundo os historiadores, vale o que está escrito lá na igreja onde Johann Sebastian Bach foi registrado. Vale o 21 de março. Perguntem ao Francisco Marshall que ele confirmará.
Da mesma forma, é muitas vezes dito que Shakespeare e Cervantes morreram exatamente no mesmo dia, 23 de abril de 1616. A rigor, não é verdade. As mortes foram separadas por 10 dias. A de Shakespeare ocorreu em 23 de abril de 1616 (juliano), que equivalente hoje a 3 de maio (gregoriano). A de Cervantes aconteceu no dia 23 gregoriano. Mas os historiadores dizem que o que vale é o que está escrito, então ambos morreram em 23 de abril, mas com uma diferença de dez dias. Então, eles morreram no mesmo dia, mas não ao mesmo tempo… Vá entender!
O que é certo é que podemos comemorar o(s) aniversário(s) de Bach, nosso maior ídolo, com (muita) cerveja. Bach a amava e era também uma questão de segurança, de saúde. Dizem que ele a produzia em quantidades industriais em sua própria casa. Mas esta é uma história pra a gente resolver pessoalmente, né?
J. S. Bach (1685-1750): Integral das Obras para Órgão (12 CDs – Walcha)
Toccata & Fugue In D Minor, BWV 565
1-1 Toccata: Adagio 2:38
1-2 Fuge 6:52
Toccata & Fugue In F Major, BWV 540
1-3 Toccata 9:33
1-4 Fuge 5:39
Toccata & Fugue BWV 538 ”Dorian”
1-5 Toccata 6:04
1-6 Fuge 7:08
Toccata, Adagio And Fugue In C Major, BWV 564
1-7 Toccata 5:24
1-8 Adagio 4:36
1-9 Fuge 5:11
Fantasia & Fugue In G Minor, BWV 542
1-10 Fantasia 6:11
1-11 Fuge 6:48
Prelude & Fugue In C Major, BWV 531
5-1 Praeludium 2:26
5-2 Fuga 4:23
Prelude & Fugue In E Minor, BWV 533
5-3 Praeludium 1:59
5-4 Fuga 2:22
Prelude & Fugue In D Major, BWV 532
5-5 Praeludium 4:33
5-6 Fuga 6:07
Prelude & Fugue In G Major, BWV 550
5-7 Praeludium 2:32
5-8 Fuga 4:17
Prelude & Fugue In D Minor, BWV 539
5-9 Praeludium 2:19
5-10 Fuga 5:39
Prelude & Fugue In A Minor, BWV 551
5-11 Praeludium 2:08
5-12 Fuga 3:15
5-13 Fugue On A Theme By Giovanni Legrenzi In C Minor, BWV 574
Composed By [Theme] – Giovanni Legrenzi
7:35
5-14 Fugue On A Theme By Arcangelo Corelli In B Minor, BWV 579
Composed By [Theme] – Arcangelo Corelli
5:52
Prelude & Fugue In G Minor, BWV 535
6-1 Praeludium 3:11
6-2 Fuga 4:27
6-3 Fugue In G Minor, BWV 578 4:07
6-4 Pastorale In F Major, BWV 590 12:17
6-5 Canzona In D Minor, BWV 588 6:00
6-6 Allabreve In D Major, BWV 589 4:50
Four Duettos From “Part III Of The Clavier-Übung”
6-7 Duetto I In E Minor, BWV 802 3:11
6-8 Duetto II In F Major, BWV 803 4:00
6-9 Duetto III In G Major, BWV 804 3:07
6-10 Duetto IV In A Minor, BWV 805 3:05
6-11 Contrapuntcus 18 In D Minor, From “The Art Of The Fugue”, BWV 1080
Composed By [Completed by] – Helmut Walcha
10:37
Orgelbüchlein BWV 599-644
7-1 Nun Komm, Der Heiden Heiland BWV 599 1:48
7-2 Gott, Durch Deine Güte BWV 600 1:10
7-3 Herr Christ, Der Ein’ge Gottes Sohn BWV 601 1:56
7-4 Lob Sei Dem Allmächtigen Gott BWV 602 0:50
7-5 Puer Natus In Bethlehem BWV 603 1:01
7-6 Gelobet Seist Du, Jesu Christ BWV 604 1:25
7-7 Der Tag, Der Ist So Freudenreich BWV 605 1:46
7-8 Vom Himmel Hoch, Da Komm Ich Her BWV 606 0:40
7-9 Vom Himmel Kam Der Engel Schar BWV 607 1:09
7-10 In Dulci Jubilo BWV 608 1:41
7-11 Lobt Got, Ihr Christen, Allzugleich BWV 609 0:51
7-12 Jesu, Meine Freude BWV 610 2:41
7-13 Christum Wir Sollen Loben Schon BWV 611 2:01
7-14 Wir Christenleut BWV 612 1:25
7-15 Helft Mir, Gottes Güte Preisen BWV 613 1:05
7-16 Das Alte Jahr Vergangen Ist BWV 614 2:12
7-17 In Dir Ist Freude BWV 615 2:49
7-18 Mit Fried Und Freud Ich Fahr Dahin BWV 616 2:21
7-19 Herr Gott, Nun Schleuß Den Himmel Auf BWV 617 2:29
7-20 O Lamm Gottes, Unschuldig BWV 618 3:54
7-21 Christe, Du Lamm Gottes BWV 619 1:27
7-22 Christus, Der Unst Selig Macht BWV 620 2:19
7-23 Da Jesus An Dem Kreuze Stund BWV 621 1:26
7-24 O Mensch, Bewein’ Dein’ Sünde Groß BWV 622 4:34
7-25 Wir Danken Dir, Herr Jesu Christ BWV 623 1:13
7-26 Hilf Gott, Daß Mir’s Gleinge BWV 624 1:33
7-27 Christ Lag In Todesbanden BWV 625 1:18
7-28 Jesus Christus, Unser Heiland BWV 626 1:00
7-29 Christ Ist Erstanden BWV 627 4:16
7-30 Erstanden Ist Der Heil’ge Christ BWV 628 0:43
7-31 Ercheinen Ist Der Herrliche Tag BWV 629 1:10
7-32 Heut’ triumphiert Gottes Sohn BWV 630 1:32
7-33 Komm, Gott Schöpfer, Heiliger Geist BWV 631 0:53
7-34 Herr Jesu Christ, Dich Zu Uns Wend BWV 632 1:10
7-35 Liebster Jesu, Wir Sind Hier BWV 633 1:50
7-36 Dies Sind Die Heil’gen Zehn Gebot BWV 635 1:26
7-37 Vater Unser Im Himmelreich BWV 636 1:30
7-38 Durch Adams Fall Ist Ganz Verderbt BWV 637 2:04
7-39 Es Ist Das Heil Uns Kommen Her BWV 638 1:06
7-40 Ich Ruf’ Zu Dir, Herr Jesu Christ BWV 639 2:11
Orgelbüchlein (cont.)
8-1 In Dich Hab Ich Gehoffet, Herr BWV 640 1:08
8-2 Wenn Wir In Höchsten Nöten Sein BWV 641 1:47
8-3 Wer Nur Den Lieben Gott Läßt Walten BWV 642 2:06
8-4 Alle Menschen Müssen Sterben BWV 643 1:34
8-5 Ach Wie Nichtig, Ach Wie Flüchtig BWV 644 0:51
Chorale Settings
8-6 Herr Jesu Christ, Dich Zu Uns Wend BWV 709 2:53
8-7 Herzlich Tut Mich Verlangen BWV 727 2:18
Part III Of The Clavier-Übung (“Organ-Mass”)
8-8 Prelude In E Flat Major, BWV 552/1 9:26
Chorale Settings
8-9 1. Kyrie, Gott Vater In Ewigkeit BWV 669 3:05
8-10 2. Christe, Aller Welt Trost BWV 670 4:01
8-11 3. Kyrie, Gott Heiliger Geist BWV 671 4:36
8-12 4. Kyrie, Gott Vater In Ewigkeit BWV 672 1:32
8-13 5. Christe, Aller Welt Trost BWV 673 1:20
8-14 6. Kyrie, Gott Heiliger Geist BWV 674 1:26
8-15 7. Allein Gott In Der Höh Sei Ehr BWV 675 3:21
8-16 8. Allein Gott In Der Höh Sei Ehr BWV 676 4:56
8-17 9. Fughetta Super: Allein Gott In Der Höh Sei Ehr BWV 677 1:10
8-18 10. Dies Sind Die Heil’gen Zehen Gebot BWV 678 4:31
8-19 11. Fughetta Super: Dies Sind Die Heil’gen Zehen Gebot BWV 679 2:11
8-20 12. Wir Glauben All An Einen Gott BWV 680 3:25
8-21 13. Fughetta Super: Wir Glauben All An Einen Gott BWV 681 1:14
8-22 14. Vater Unser Im Himmelreich BWV 682 6:22
8-23 15. Vater Unser Im Himmelreich BWV 683 1:41
9-1 16. Christ Unser Herr Zum Jordan Kam BWV 684 5:22
9-2 17. Christ Unser Herr Zum Jordan Kam BWV 685 1:14
9-3 18. Aus Tiefer Not Schrei Ich Zu Dir BWV 686 5:26
9-4 19. Aus Tiefer Not Schrei Ich Zu Dir BWV 687 4:32
9-5 20. Jesus Christus, Unser Heiland BWV 688 4:32
9-6 21. Fuga Super: Jesus Christus, Unser Heiland BWV 689 3:58
9-7 Fugue In E Flat Major, BWV 552/2 7:25
Chorale Settings
9-8 Fuga Sopra Il Magnificat BWV 733 4:36
9-9 Nun Freut Euch, Lieben Christen G’mein, Oder: Es Ist Gewißlich An Der Zeit BWV 734 2:22
9-10 Fuga Sopra: Vom Himmel Hoch, Da Komm Ich Her BWV 700 2:23
Canonic Varietions On The Christmas Hymn “Vom Himmel Hoch, Da Komm Ich Her” BWV 769
9-11 Variatio 1: Nel Canone All’ottava 1:29
9-12 Variatio 2: Alio Modo, Nel Canone Alla Quinta 1:26
9-13 Variatio 3: Canone Alla Settima 2:20
9-14 Variatio 4: Per Augmentationem, Nel Canone All’ottava 2:51
9-15 Variatio 5: L’altra Sorte Del Canone Al Rovescio: 1) Alla Sesta, 2) Alla Terza, 3) Alla Seconda E 4) Alla Nona 3:00
Vom Himmel Hoch, Da Komm Ich Her, Bwv 769
9-16 Chorale “An Wasserflüssen Babylon” BWV 653b 4:51
9-17 Chorale Setting “Valet Will Ich Dir Geben” BWV 736 4:09
Eighteen Chorales Of Diverse Kinds
10-1 1. Fantasia Super: Komm, Heiliger Geist BWV 651 6:01
10-2 2. Komm, Heiliger Geist BWV 652 6:48
10-3 3. An Waserflüssen Babylon BWV 653 5:11
10-4 4. Schmücke Dich, O Liebe Seele BWV 654 7:32
10-5 5. Trio Super: Her Jesu Christ, Dich Zu Uns Wend BWV 655 3:57
10-6 6. O Lamm Gottes, Unschuldig (3 Versus) BWV 656 8:00
10-7 7. Nun Danket Alle Gott BWV 657 4:41
10-8 8. Von Gott Will Ich Nicht Lassen BWV 658 3:07
10-9 9. Nun Komm, Der Heiden Heiland BWV 659 3:43
10-10 10. Trio Super: Nun Komm, Der Heiden Heiland BWV 660 3:20
10-11 11. Nun Komm, Der Heiden Heiland BWV 661 2:56
10-12 12. Allein Gott In Der Höh Sei Ehr BWV 662 5:26
10-13 13. Allein Gott In Der Höh Sei Ehr BWV 663 7:23
10-14 14. Trio Super: Allein Gott In Der Höh Sei Ehr BWV 664 5:16
Estava com saudades deste disco onde Egberto passa uma régua em suas composições até 1987. Tudo num disco solo, com ar de sarau caseiro e competência de clube de jazz americano ou londrino. Claro que é uma enorme redução e ninguém deve pensar que passa a conhecer o Egberto pré 1987 ouvindo Alma. Aquele foi um período tão criativo que Alma é uma passadinha pelos momentos mais curtos e melódicos do compositor. Por exemplo, como incluir em Alma o notável e irrepetível Dança das Cabeças? E todos as variações que resultaram em memoráveis discos da ECM? Bem, mas para quem quer conhecer um pouco ou lembrar Egberto, Alma é excelente.
Orfeu e Eurídice de Gluck é uma obra venerável e importante. Esta é uma bela versão da ópera. Trata-se de uma das primeiras óperas a manterem seu lugar no repertório. Seu compositor, Christoph Willbald Gluck (1714-1787), foi um dos verdadeiros revolucionários da música. Ele mudou o caráter da ópera de um veículo para exibições floridas de vocalistas para um drama no qual a música iluminava e fazia uma parceria com o texto. As três óperas revolucionárias de Gluck, Orfeu, Alceste e Paris e Helena foram escritas em Viena de 1762-1770 em estreita colaboração com o libertista, Ranieri d’Calabigi, em uma das colaborações mais movimentadas da história da música. Dessas três óperas, a mais conhecida de longe é Orfeu e Eurídice, escrita pela primeira vez em 1762.
A apresentação de Orfeu neste CD é do Drottningholm Theatre Chorus and Orchestra, conduzida por Arnold Ostman. Ostman e o Drottningholm também produziram um CD louvável de Alceste, usando a versão original raramente tocada de Gluck de 1767. A versão de Orfeu neste disco, da mesma forma, é a versão inicial de Viena de 1762. Há gravações de várias outras versões disponíveis — incluindo a revisão de Gluck de sua partitura em Paris em 1774, e edições de compositores posteriores, incluindo Hector Berlioz.
Orfeu e Eurídice é uma obra de paixão e simplicidade que nunca deixa de comover. A obra é baseada em um mito grego no qual Orfeu, sofrendo pela morte de sua esposa, tem a oportunidade de ganhá-la das profundezas do Hades sob a condição de que ele não olhe para ela até que o casal retorne à Terra e que ele não revele essa condição a ela. O dom da canção de Orfeu doma os espíritos do Hades, mas, infelizmente, o casal não consegue manter a condição e Eurídice morre novamente. A ópera termina felizmente com a vida de Eurídice restaurada uma segunda vez como um tributo à fidelidade de Orfeu.
A história fala do poder do amor humano e do poder da arte para redimir a vida. A música de Gluck é igual aos seus temas. Há apenas três personagens na ópera, todos geralmente cantados por mulheres. Neste CD, Orfeu é interpretado por Ann-Christine Biel, Eurídice por Maya Boog e Amor por Kerstin Avemo.
Há também uma grande parte coral e interlúdios orquestrais. Cada ária nesta ópera é dedicada à representação de uma emoção específica para iluminar o drama. Assim, a ópera apresenta uma mistura única de simplicidade, racionalismo e paixão. O caráter apaixonado e emocional desta música é frequentemente negligenciado.
As partes mais fortes da performance neste CD são a orquestra e o coro. As seções orquestrais são tocadas em instrumentos de época e os sopros e a percussão saem lindamente. A música soa mais transparente. O coro também se apresenta lindamente nas cenas de abertura e conclusão e no segundo ato, onde Orfeu doma os espíritos do submundo, como Bolsonaro, Trump e Elon Musk.
Christoph Willibald Gluck (1714-1787): Orfeu e Eurídice (Biel, Boog, Avemo, Drottningholm Theatre Chorus And Drottningholm Theatre Orchestra, Östman)
1 Overture 3:20
Act I, Scene 1
2 Ah, Se Intorno A Quest’Urna Funesta 3:05
3 Basta, Basta, O Compagni 0:41
4 Ballo 1:31
5 Ah, Se Intorno A Quest’Urna Funesta 2:24
6 Chiamo Il Mio Ben Così 1:05
7 Euridice, Ombra Cara 0:53
8 Cerco Il Mio Ben Così 1:03
9 Euridice, Euridice! 1:02
10 Piango Il Mio Ben Così 1:04
11 Numi, Barbari Numi 0:56
Scene 2
12 T’Assiste Amore! 1:31
13 Gli Sguardi Trattieni 2:15
14 Che Disse? Che Ascoltai? 1:39
15 End Of Act I 0:28
Act II, Scene 1
16 Ballo 1:06
17 Chi Mai Dell’Erebo Fra Le Caligini 0:27
18 Ballo 0:40
19 Chi Mai Dell’Erebo Fra Le Caligini 1:01
20 Ballo 1:04
21 Deh Placatevi Con Me 2:04
22 Misero Giovane, Che Vuoi, Che Mediti 0:47
23 Mille Pene 0:45
24 Ah, Quale Incognito Affetto Flebile 0:45
25 Men Tiranne 0:41
26 Ah, Quale Incognito Affetto Flebile 1:09
Scene 2
27 Ballo 1:09
28 Che Puro Ciel 4:26
29 Vieni A’ Regni Del Riposo 1:43
30 Ballo 1:21
31 Anime Avventurose 0:42
32 Torna, O Bella, Al Tuo Consorte 1:47
Act III, Scene 1
33 Vieni, Segui I Miei Passi 4:29
34 Vieni Appaga Il Tuo Consorte 3:16
35 Qual Vita È Questa Mai 1:12
36 Che Fiero Momento 2:51
37 Ecco In Nuovo Tormento! 3:04
38 Che Farò Senza Euridice? 3:26
39 Ah Finisca E Per Sempre 1:08
Homenageamos com essa postagem o maior acordeonista brasileiro, Severino Dias de Oliveira, o Sivuca. Ficou mundialmente conhecido por seus arranjos e por seu dom ao tocar a sanfona, foi cultuado por fãs e instrumentistas, entretanto, nesse disco, felizmente, Sivuca deixou também sua voz gravada em algumas faixas. Participação de Fagner na faixa “No tempo dos quintais”, de Glorinha Gadelha na faixa “Macho e fêmea”, ambas composições de autoria do Sivuca em parceria com Paulinho Tapajós e participação especial de Clara Nunes na faixa “Estrela guia”, de Sivuca e Paulo César Pinheiro. Arranjos e regência de Sivuca, produção de Sivuca, Glórinha Gadelha e Talmo Scaranari, entre sambas e músicas instrumentais, uma obra prima, destaque para “Te pego na mentira” de Sivuca e Glorinha Gadelha.
.: interlúdio :. Sivuca: Cabelo de Milho
* 01. Energia (Sivuca – Glorinha Gadelha)
* 02. No tempo dos quintais (Sivuca – Paulinho Tapajós)
* 03. Te pego na mentira (Sivuca – Glorinha Gadelha)
* 04. Músicos e poetas (Sivuca)
* 05. Macho e fêmea (Sivuca – Paulinho Tapajós)
* 06. Cabelo de milho (Sivuca – Paulinho Tapajós)
* 07. Estrela guia (Sivuca – Paulo Cesar Pinheiro)
* 08. Cantador latino (Sivuca – Paulo Cesar Pinheiro)
* 09. Cada um torce como pode (Sivuca)
* 10. Feira de mangaio (Sivuca – Glorinha Gadelha)
Gravação de 1988. Eu tinha esta gravação em fita cassete… Jansons voltou a gravar esta Sinfonia com o Concertgebouw e o fez ainda melhor. Mas aqui nós temos a célebre orquestra de Leningrado, o que sempre dá arrepios em velhos comunas. Em 1988, eles ainda eram muito a orquestra de Mravinsky — ele se aposentou em 1988 depois de liderá-los com mão de ferro por cinquenta anos. O letão Jansons chegou ao pódio quase por direito de nascença. Seu pai, Arvids, tinha sido “maestro substituto” da orquestra atrás de Mravinsky e Sanderling. Mas Mariss, com 45 anos, não era um maestro jovem e inexperiente, e nasceu para isso. Aqui, tudo é vivacidade. Os músicos estão animados e o som é visceral. Como de costume para Leningrado, o som é o de estar na plateia, não somos jogados no meio da orquestra. Jansons não herdou a Filarmônica de Leningrado, nem seu pai, que morrera antes, em 1984. Essa honra coube ao grande Yuri Temirkanov, cuja gravação da Quinta pela RCA é um arraso. A 5ª simplesmente não tem momentos fracos. É uma tremenda sinfonia!
A única obra de alguma importância de Albinoni foi composta em 1945 por Remo Giazotto a partir de um pequeno fragmento — um movimento lento de uma trio sonata — “descoberto” entre as ruínas da Biblioteca Estatal. Trata-se do famoso Adágio de Albinoni, composição evidentemente de Giazotto, utilizada, entre outros, no filme Gallipoli. Giazotto era um sujeito modesto ou esperto? Escolha você. Para mim era um italiano daqueles bem malandros. O fato é que a obra — perfeitamente romântica — ficou famosíssimo. Mesmo sabendo-o autor de 50 óperas esquecidas e de uma música instrumental apenas agradável, comprei este World Premiere Recording para concluir o que esperava: os Balletti poderiam tranquilamente permanecerem inéditos, repousando sua morte em alguma biblioteca. É um CD que pode ser utilizado como fundo musical para festas classudas. Fica aquele barulhinho barroco no ambiente e as pessoas não perdem a atenção na conversa pois a música só surpreende por sua qualidade na faixa 38.
OK. Há uns Concertos para Oboé, escritos por Albinoni, que são bem legais.
1 Balletto Op. 3 N. 1 In Do Maggiore – Preludio Largo
2 Balletto Op. 3 N. 1 In Do Maggiore – Allemanda Allegro
3 Balletto Op. 3 N. 1 In Do Maggiore – Corrente Allegro
4 Balletto Op. 3 N. 1 In Do Maggiore – Gavotta Presto
5 Balletto Op. 3 N. 2 In Mi Minore – Allemanda Largo
6 Balletto Op. 3 N. 2 In Mi Minore – Sarabanda Allegro
7 Balletto Op. 3 N. 2 In Mi Minore – Giga Allegro
8 Balletto Op. 3 N. 3 In Sol Maggiore – Preludio Largo
9 Balletto Op. 3 N. 3 In Sol Maggiore – Allemanda Allegro
10 Balletto Op. 3 N. 3 In Sol Maggiore – Corrente Allegro
11 Balletto Op. 3 N. 3 In Sol Maggiore – Gavotta Presto
12 Balletto Op. 3 N. 4 In La Maggiore – Preludio Largo
13 Balletto Op. 3 N. 4 In La Maggiore – Allemanda Allegro
14 Balletto Op. 3 N. 4 In La Maggiore – Sarabanda Allegro
15 Balletto Op. 3 N. 4 In La Maggiore – Giga Allegro
16 Balletto Op. 3 N. 5 In Re Minore – Allemanda Largo Appoggiato
17 Balletto Op. 3 N. 5 In Re Minore – Corrente Allegro
18 Balletto Op. 3 N. 5 In Re Minore – Giga Allegro
19 Balletto Op. 3 N. 6 In Fa Maggiore – Preludio Largo
20 Balletto Op. 3 N. 6 In Fa Maggiore – Allemanda Allegro
21 Balletto Op. 3 N. 6 In Fa Maggiore – Sarabanda Allegro
22 Balletto Op. 3 N. 6 In Fa Maggiore – Giga Presto
23 Balletto Op. 3 N. 7 In Re Maggiore – Preludio Largo
24 Balletto Op. 3 N. 7 In Re Maggiore – Allemanda Allegro
25 Balletto Op. 3 N. 7 In Re Maggiore – Corrente Allegro
26 Balletto Op. 3 N. 7 In Re Maggiore – Sarabanda Allegro
27 Balletto Op. 3 N. 8 In Do Minore – Allemanda Largo
28 Balletto Op. 3 N. 8 In Do Minore – Corrente Allegro Assai
29 Balletto Op. 3 N. 8 In Do Minore – Giga Allegro
30 Balletto Op. 3 N. 9 In Sol Minore – Preludio Largo
31 Balletto Op. 3 N. 9 In Sol Minore – Allemanda Allegro
32 Balletto Op. 3 N. 9 In Sol Minore – Sarabanda Allegro
33 Balletto Op. 3 N. 9 In Sol Minore – Giga Allegro
34 Balletto Op. 3 N. 10 In Mi Maggiore – Preludio Largo
35 Balletto Op. 3 N. 10 In Mi Maggiore – Allemanda Presto
36 Balletto Op. 3 N. 10 In Mi Maggiore – Corrente Allegro Assai
37 Balletto Op. 3 N. 10 In Mi Maggiore – Giga Allegro
38 Balletto Op. 3 N. 11 In La Minore – Allemanda Larghetto
39 Balletto Op. 3 N. 11 In La Minore – Sarabanda Allegro
40 Balletto Op. 3 N. 11 In La Minore – Gavotta Presto
41 Balletto Op. 3 N. 12 In Sib Maggiore – Preludio Largo
42 Balletto Op. 3 N. 12 In Sib Maggiore – Allemanda Allegro
43 Balletto Op. 3 N. 12 In Sib Maggiore – Corrente Allegro
44 Balletto Op. 3 N. 12 In Sib Maggiore – Giga Allegro
No ano passado, quando Bruckner completava 200 anos de nascimento, enchemos nosso blog com suas sinfonias. E, rapazes, este lançamento de 2024 da Hänssler é realmente muito bom, deveria estar lá no tsunami de Bruckner. O menino Schaller é um especialista no compositor. Schaller faz os dois primeiros movimentos mais rápidos do que a maioria, embora ele alivie tanto para o Scherzo quanto para o final; Solti, por exemplo, na gravação de 1992, é quase um minuto e mais de dois minutos mais rápido, respectivamente, nos dois últimos movimentos. E eu amo os dois últimos movimentos desta sinfonia. O demoníaco Scherzo atinge o alvo e eu gosto de ouvir a coda triunfante vibrantemente executado como aqui. O final também está perfeito. Podem se atirar porque esta é uma excelente gravação de uma grande música.
Também no ano passado, li uma bio de Bruckner que demonstra com fatos que ele, apesar de wagneriano, jamais perseguiu músicos e maestros judeus, como sei mestre fazia.
Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 3 (Versão de 1877) (Schaller)
01. Gemäßigt, mehr bewegt, misterioso
02. Andante. Bewegt, feierlich, quasi Adagio
03. Scherzo. Ziemlich schnell – Trio.
04. Finale. Allegro