Dmitri Shostakovich (1906-1975): Abertura sobre Temas Populares Russos e Quirguizes, Op. 115 / Sinfonia Nº 6, Op. 54 / Sinfonia Nº 11, Op. 103 — O Ano de 1905 (Haitink, Concertgebouw)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Abertura sobre Temas Populares Russos e Quirguizes, Op. 115 / Sinfonia Nº 6, Op. 54 / Sinfonia Nº 11, Op. 103 — O Ano de 1905 (Haitink, Concertgebouw)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Quem não der uma risada com o finalzinho da Sinfonia Nº 6 nunca foi ao circo! Garanto! A Sinfonia Nº, Op. 54, composta entre 1939 e 1940, é uma obra enigmática e estrutura subversiva, que desafia as expectativas da forma sinfônica tradicional. Após a monumental e publicamente triunfante Sinfonia nº 5, Shostakovich entregou aqui uma obra em três movimentos (ausência do scherzo), cujo núcleo emocional reside no extenso e sombrio Largo inicial – uma meditação solitária e angustiada, que se desenrola em longas linhas melódicas e texturas translúcidas, evocando um luto profundo e introspectivo. Esse marasmo é abruptamente rompido por dois movimentos finais velozes e irônicos: um Allegro nervoso, quase grotesco, e um Presto frenético que se assemelha a uma valsa demoníaca ou a um circo mecânico. Escrita à beira da Segunda Guerra Mundial e sob o espectro contínuo do stalinismo, a Sinfonia nº 6 é muitas vezes interpretada como um duplo jogo: uma fachada de brilhantismo orquestral e humor ácido que esconde  um retrato de desespero íntimo e resistência silenciosa. É, assim, um testemunho da genialidade ambígua de Shostakovich, capaz de compor ao mesmo tempo para o regime e para a própria alma.

Não deixo por menos, a Sinfonia Nº 11, Op. 103, talvez seja a maior obra programática já composta. Há grandes exemplos de músicas descritivas tais como As Quatro Estações de Vivaldi, a Sinfonia Pastoral de Beethoven , a Abertura 1812 de Tchaikovski, Quadros de uma Exposição de Mussorgski e tantas outras, mas nenhuma delas liga-se tão completa e perfeitamente ao fato descrito do que a décima primeira sinfonia de Shostakovich. Alguns compositores que assumiram o papel de criadores de “coisas belas”, veem sua tarefa como a produção de obras tão agradáveis quanto o possível. Camille Saint-Saëns dizia que o artista “que não se sente feliz com a elegância, com um perfeito equilíbrio de cores ou com uma bela sucessão de harmonias não entende a arte”. Muito outra atitude é tomada por Shostakovich, que encara vida e arte como se fossem uma coisa só, que vê a criação artística como um ato muito mais amplo e que inclui a possibilidade do artista expressar – ou procurar expressar – a verdade tal como ele a vê. Esta abordagem foi adotada por muitos escritores, pintores e músicos russos do século XIX e, para Shostakovich, a postura realista de seu ídolo Mussorgsky foi decisiva. A décima primeira sinfonia de Shostakovich tem feições inteiramente mussorgkianas e foi estreada em 1957, ano do quadragésimo aniversário da Revolução de Outubro. Contudo, ela se refere a eventos ocorridos antes, no dia 9 de janeiro de 1905, um domingo, quando tropas czaristas massacraram um grupo de trabalhadores que viera fazer um protesto pacífico e desarmado em frente ao Palácio de Inverno do Czar, em São Petersburgo. O protesto, feito após a missa e com a presença de muitas crianças, tinha a intenção de entregar uma petição — sim um papel — ao czar, solicitando coisas como redução do horário de trabalho para oito horas diárias, assistência médica, melhor tratamento, liberdade de religião, etc. A resposta foi dada pela artilharia, que matou mais de cem trabalhadores e feriu outros trezentos. O primeiro movimento descreve a caminhada dos trabalhadores até o Palácio de Inverno e a atmosfera soturna da praça em frente, coberta de neve. O tema dos trabalhadores aparecerá nos movimentos seguintes, porém, aqui, a música sugere uma calma opressiva. O segundo movimento mostra a multidão abordar o Palácio para entregar a petição ao czar, mas este encontra-se ausente e as tropas começam a atirar. Shostakovich tira o que pode da orquestra num dos mais barulhentos movimentos sinfônicos que conheço. O terceiro movimento, de caráter fúnebre, é baseado na belíssima marcha de origem polonesa Vocês caíram como mártires (Vy zhertvoyu pali) que foi cantada por Lênin e seus companheiros no exílio, quando souberam do acontecido em 9 de janeiro. O final – utilizando um bordão da época – é a promessa da vitória final do socialismo e um aviso de que aquilo não ficaria sem punição.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Abertura sobre Temas Populares Russos e Quirguizes, Op. 115 / Sinfonia Nº 6, Op. 54 / Sinfonia Nº 11, Op. 103 — O Ano de 1905 (Haitink, Concertgebouw)

1-1 Overture On Russian & Kirghiz Folk Themes, Op. 115 9:43

Symphony No. 6, Op. 54
1-2 I. Largo 17:46
1-3 II. Allegro 6:20
1-4 III. Presto 7:07

Symphony No. 11, Op. 103 ‘The Year 1905’
2-1 I. The Palace Square: Adagio 15:53
2-2 II. 9 January: Allegro 19:54
2-3 III. In Memoriam: Adagio 11:23
2-4 IV. Tocsin: Allegro Non Troppo 14:16

Concertgebouw Orchestra
Bernard Haitink, regência

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O chamado Domingo Sangrento de 1905

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Violino e Orq., Op. 61, Romance para Violino e Orq., Op. 40 e Romance para Violino e Orq., Op. 50 (Kremer, Harnoncourt)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Violino e Orq., Op. 61, Romance para Violino e Orq., Op. 40 e Romance para Violino e Orq., Op. 50 (Kremer, Harnoncourt)

51dAwfocJGL._SY355_Gosto imensamente do Opus 61 de Beethoven, cheio sensibilidade, leveza e reflexão. Há outras três ou quatro versões aqui no blog. Esta que trarei agora é com um dos meus condutores favoritos, que entende tudo e mais um pouco de regência e música, Nikolaus Harnoncourt. Ao violino temos o grande Gidon Kremer. Separei para os próximos dias uma versão muito boa com uma das minhas violinistas favoritas da atualidade, Anne-Sophie Mutter, que gosto duplamente pelos seguintes motivos: (1) pela técnica apurada e pela maturidade musical que a moça quase cinquentona conquistou; e (2) pela beleza, pela compleição física. Alguns dirão: “Ela não é nada!” Para mim o é. Tenho devaneios com aquela mulher. O Previn é quem se deu bem. Que pena! Por que não nasci na Alemanha? Voltando ao concerto: Beethoven escreveu o Concerto para violino e orquestra, Op. 61 em 1806. A obra não fez sucesso quando da estreia e foi pouco executada nos anos seguintes. Mendelssohn, em 1844, retomou as execuções desse concerto que de lá para cá tornou-se um dos principais concertos para o instrumento, o violino. Não deixe de ouvir. Boa apreciação!

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Violino e Orq., Op. 61, Romance para Violino e Orq., Op. 40 e Romance para Violino e Orq., Op. 50

Concerto para violino e orquestra em Ré maior, Op. 61
01. Allegro ma non troppo
02. Larghetto
03. Rondo, Allegro

Romance para violino e Orquestra em Sol maior, Op. 40
05. Romance para violino e Orquestra em Sol maior, Op. 40

Romance para violino e Orquestra em Fá maior, Op. 50
06. Romance para violino e Orquestra em Fá maior, Op. 50

The Chamber Orchestra of Europe
Nikolaus Harnoncourt, regente
Gidon Kremer, violino

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Alguém pode me explicar que porra foi aquela que fizeram nas cadenzas do meu belíssimo concerto?

Carlinus

UAKTI / Marco Antônio Guimarães (1948): Oficina Instrumental (1981), Uakti 2 (1982), Tudo e Todas as Coisas (1984)

UAKTI / Marco Antônio Guimarães (1948): Oficina Instrumental (1981), Uakti 2 (1982), Tudo e Todas as Coisas (1984)

Uakti Oficina Instrumental 1981 - capaFaz algum tempo postei aqui o que considero uma das realizações mais importantes da música instrumental brasileira: os 4 discos do Quinteto Armorial. Esse grupo pernambucano começou a gravar em 1974 e infelizmente não gravou mais depois de 1980.

Interessantemente, no ano seguinte começa a carreira discográfica do outro grupo cujo trabalho eu vejo entre os mais importantes da música instrumental brasileira – e me inclino a dizer que entre as realizações musicais mais relevantes do fim do século XX no mundo: o grupo mineiro (levado ao forno na Bahia) Uakti (nome indígena que por muito tempo eu pronunciei “uákti” e depois me disseram ser “uaktí”).

Uakti 2 - 1982 - capa

O Uakti toca principalmente composições de seu fundador Marco Antônio Guimarães, com algumas poucas composições alheias (especialmente canções de Milton Nascimento) arranjadas pelo próprio Marco para o instrumental experimental desenvolvido por ele.

A propósito desse instrumental, o site oficial do grupo traz fotos e algumas informações mais, porém bastante lacônicas. Os encartes originais destes 3 vinis trazem informação rica, mas só terei novamente em mãos daqui a alguns meses. Por outro lado, as melhores informações que encontrei sobre o próprio Marco e se background estão no artigo “Grupo Uakti”, de Artur Andrés Ribeiro. Foi lá que fiquei sabendo o seguinte:

Marco Antônio Guimarães nasceu em Belo Horizonte em 1948, em uma família com raízes no interior e forte tradição de trabalho artesanal em madeira, couro, metal, etc. Na época de sua Uakti 1984 Tudo e Todas as Coisas - capajuventude a Universidade Federal da Bahia havia se tornado um dos principais polos de inovação musical no Brasil, inicialmente com a presença de Hans Joachim Koellreuter, e depois com os suíços Ernst Widmer e Walter Smetak – este uma espécie de cientista maluco da invenção de instrumentos e da experimentação musical radical. Marco se mudou para Salvador para estudar Regência e Composição, e o encontro com Smetak veio de brinde, abrindo a perspectiva de fundir sua própria busca musical com a tradição artesanal da família.

Mas a relação com Smetak é até demasiado óbvia. O que me interessou mais foi a relação com o outro suíço, Ernst Widmer (1927-1990), o qual veio para o Brasil com 29 anos, 4 anos depois se naturalizou, e conseguiu melhor que muitos brasileiros natos realizar a síntese de escrever música moderna efetivamente brasileira. Widmer desenvolveu inclusive uma série de cinco volumes para o ensino do piano, com um conceito geral análogo ao do Mikrokosmos de Béla Bartók, intitulada Ludus Brasiliensis. Widmer parece um tanto esquecido no momento, mas não é de nenhum modo um compositor menor – e será fantástico se a música do Uakti, entre suas outras virtudes, ainda tiver a de nos chamar atenção para a obra desse compositor.

Voltando ao ponto de partida: ao contrário do Quinteto Armorial, que gravou só quatro discos, todos em uma década, o Uakti já tem doze gravados, de 1981 a 2009 – incluindo Águas da Amazônia, de 1999, composição de Philip Glass instrumentada por Marco Antônio a pedido do primeiro. A tentação inicial é dizer que o som do Armorial se volta ao passado, ao tradicional, ao arcaico, e o do Uakti soa de algum modo “futurista” – mas definitivamente não é tão simples assim; inclusive há momentos em que as sonoridades dos dois se cruzam, conversam.

Por outro lado, em trabalhos posteriores às vezes há momentos em que o som do Uakti parece se aproximar algo perigosamente de um mero “new age”. Consequências da colaboração com Glass?  Não sei. O trabalho que me bate mais forte ainda é o terceiro, “Tudo e Todas as Coisas”, o último desta postagem – mas talvez seja questão de se aprofundar: estes três eu conheço desde o lançamento, os outros só vim a conhecer agora.

Ficaram querendo os próximos, né? Especialmente o das composições de Glass… Calma, estão no forno! Eu não iria me arriscar a falar deles pra vocês sem estar prevenido, hehehehe…

UAKTI OFICINA INSTRUMENTAL (1981)
1 Promessas do Sol (Milton Nascimento, Fernando Brant – arr. M.A.Guimarães)
2 Dança da chuva (Marco Antônio Guimarães)
3 Maíra (Marco Antônio Guimarães)
4 As nove esferas (Marco Antônio Guimarães)
5 Uakti (Uakti)
6 Planeta-terra (Marco Antônio Guimarães)

UAKTI 2 (1982)
1 Canto de Iarra [Dança das espadas] (Marco Antônio Guimarães)
2 Cio da Terra (Chico Buarque, Milton Nascimento – arr. M.A.Guimarães)
3 Arabesque (Bento de Menezes Neto)
4 Cartiano Marra (Marco Antônio Guimarães)
5 Passo da Lua (Marco Antônio Guimarães)
6 Barroca [Mil e uma noites] (Marco Antônio Guimarães)
7 Marimba d’Angelim (Marco Antônio Guimarães)

TUDO E TODAS AS COISAS (1984)
1 Água (Marco Antônio Guimarães)
Vidro (Marco Antônio Guimarães)
2 As 7 tribos (Marco Antônio Guimarães)
3 O ovo da serpente (Marco Antônio Guimarães)
4 A grande virgem [Para Walter Smetak – In memoriam]
(Rufo Herrera, Marco Antônio Guimarães)
5 Dança das abelhas (Marco Antônio Guimarães)
Flor e mel (Marco Antônio Guimarães)
6 Pêndulo celeste [Para o cometa Halley] (Artur Andrés Ribeiro)
Lua Ganimedes (Marco Antônio Guimarães)
7 Árvore da vida (Marco Antônio Guimarães)
8 Maracatu Elefante (Marco Antônio Guimarães)

Integrantes regulares:
Marco Antônio Guimarães, Paulo Santos, Artur Andrés, Décio Ramos

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Uakti lavando a louça lá de casa.

Ranulfus (publicado originalmente em 19.03.2012)

Amaral Vieira (1952): Fantasia coral In nativitate Domini [link atualizado 2017]

Amaral Vieira (1952): Fantasia coral In nativitate Domini  [link atualizado 2017]

José Carlos do Amaral Vieira Filho, ou simplesmente Amaral Vieira, é daqueles músicos que – a despeito da quantidade de prêmios conquistados (10 como intérprete e 16 como compositor), da extensão de seu catálogo (no qual constam mais de 500 obras) e do reconhecimento de público e crítica – fazem muito mais sucesso no exterior do que aqui. (É bem provável que ele tenha se apresentado mais no Japão do que na cidade onde nasceu, São Paulo.) Com isso, já tava na hora de ele aparecer em nosso blog, inclusive em resposta a pedidos educados e conscientemente desprendidos de qualquer expectativa – que nosso SAC falhou em registrar. Hoje e daqui a 15 dias disponibilizarei dois dos vários álbuns que possuo de Amaral Vieira. Só não tenho, por ora, como me estender nas palavras.

***

Amaral Vieira (1952): Fantasia coral In nativitate Domini

1. Choral-Fantasy ‘In Nativitate Domini’ Op.260 – Eloisa Baldin/Amaral Vieira/Selma Asprino/Norma Rodrigues/Coral Pro Musica Sacra/Luiz Roberto Borges
2. Tecladofonia Op.104: Allegro Moderato-Attacca
3. Tecladofonia Op.104: Non Troppo Lento
4. Tecladofonia Op.104: Scherzando-Attacca
5. Tecladofonia Op.104: Finale: Maestoso
6. Magnificat Op.254 – Eloisa Baldin/Sao Paulo State Chor/Jose Ferraz De Toledo

Com a Banda Sinfônica do Estado de São Paulo

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Amaral Vieira
Amaral Vieira

CVL

Amaral Vieira (1952): Te Deum in stilo barocco e Missa Choralis [link atualizado 2017]

Amaral Vieira (1952): Te Deum in stilo barocco e Missa Choralis  [link atualizado 2017]

te-deum-missa-choralisAmaral Vieira
Te Deum in stilo barocco
Missa Choralis

Ouvir Amaral Vieira e descobrir quais foram os compositores que inspiraram a concepção de cada obra – da estruturação à orquestração, do contraponto à temática – é um saudável e complexo exercício que recomendo aos mais bem aventurados fazê-lo. Aqui vão duas das melhores obras coral-sinfônicas do compositor paulistano. A Missa Choralis em particular é um primor de majestade musical, valendo-se apenas de três instrumentos para dar suporte ao coral: duas trompas e um piano.

***

Amaral Vieira – Te Deum in stilo barocco e Missa Choralis

Te Deum
1. Abertura
2. Te Deum laudamus
3. Te ergo quaesumos
4. Aeterna fac
5. Salvum fac populum
6. In te Domine speravi

Missa
7. Kyrie
8. Gloria
9. Credo
10. Sanctus
11. Post elevationem (Benedictus)
12. Agnus Dei

Orquestra Filarmônica da Eslováquia e Coro, regidos por Mario Kosik e Jan Rozehnal

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MP3 | 320 kbps | 110,4 MB |51 min

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Escreve, Amaral, escreve
Escreve, Amaral, escreve

CVL
Repostado por Avicenna
Trepostado por Bisnaga

Amaral Vieira (1952): Stabat Mater e Missa pro defunctis + Tributo a Neruda [link atualizado 2017]

Amaral Vieira (1952): Stabat Mater e Missa pro defunctis + Tributo a Neruda  [link atualizado 2017]

Aqui vai o último dos cinco melhores CDs de obras de Amaral Vieira. Os demais serão postados ao longo dos próximos quinze anos. Também deixo um brinde, enviado por um dos visitantes do blog a quem agradeço desde já, embora não lembre de seu nome.

***

Amaral Vieira (1952): Stabat Mater e Missa pro defunctis

1. Stabat Mater, Op 240: 1. Stabat Mater
2. Stabat Mater, Op 240: 2. Cujus animam
3. Stabat Mater, Op 240: 3. O quam tristis
4. Stabat Mater, Op 240: 4. Quae moerebat
5. Stabat Mater, Op 240: 5. Quis est homo
6. Stabat Mater, Op 240: 6. Quis non posset
7. Stabat Mater, Op 240: 7. Pro peccatis
8. Stabat Mater, Op 240: 8. Vidit suum dulcem
9. Stabat Mater, Op 240: 9. Eia Mater
10. Stabat Mater, Op 240: 10. Fac ut ardeat
11. Stabat Mater, Op 240: 11. Sancta Mater
12. Stabat Mater, Op 240: 12. Tui nati vulnerati
13. Stabat Mater, Op 240: 13. Fac me tecum
14. Stabat Mater, Op 240: 14. Juxta crucem
15. Stabat Mater, Op 240: 15. Virgo virginum
16. Stabat Mater, Op 240: 16. Fac ut portem
17. Stabat Mater, Op 240: 17. Fac me plagis
18. Stabat Mater, Op 240: 18. Flammis ne urar
19. Stabat Mater, Op 240: 19. Christe
20. Stabat Mater, Op 240: 20. Quando corpus morietur
21. Missa por defunctis, Op 187: 1. Introitus
22. Missa por defunctis, Op 187: Kyrie
23. Missa por defunctis, Op 187: 2. Dies Irae
24. Missa por defunctis, Op 187: 3. Offertorium
25. Missa por defunctis, Op 187: 4. Sanctus
26. Missa por defunctis, Op 187: Benedictus
27. Missa por defunctis, Op 187: 5. Agnus Dei
28. Missa por defunctis, Op 187: 6. Libera me

Orchestra: Slovak Philharmonic Orchestra
Choir: Slovak Philharmonic Choir
Conductor: Marian Vech

Soloists
Adriana Kohutkova, soprano
Denisa Slepkovska, mezzo-soprano
Simon Somorjai, tenor
Stanislav Benacka, baritone
Vladimir Kubovcik, bass

[Gratíssimo ao Avicenna pelos dados deste CD]

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Amaral Vieira (1952): Poemas de Amor y Uma Canción Desesperada opus 179b
Versos de Pablo Neruda & Música de Amaral Vieira

1. Amaral Vieira, Brasil:
Cuerpo de Mujer, para canto e piano [3:46]
2. Ignacio Cervantes, Cuba (1874-1905):
La Celosa, dança cubana para piano [1:07]
3. Amaral Vieira, Brasil:
En su llama mortal, para canto e piano [3:07]
4. Enrique Soro, Chile (1884-1954):
Zamacueca, baile popular chileno para piano [3:00]
5. Amaral Vieira, Brasil:
Ah vastedad de pinos, para canto e piano [2:40]
6. Alberto Williams, Argentina (1862-1954):
Cortejo campestre, para piano [2:45]
7. Amaral Vieira, Brasil:
Es la mañana llena de tempestad, para canto e piano [2:44]
8. Armando Palmero, Bolívia (1900-1968):
Poema Índio, para piano [1:43]
9. Amaral Vieira, Brasil:
Te recuerdo, para canto e piano [4:39]
10. Dalmiro Costa, Uruguai (1836-1901):
La Pecadora, Habanera para piano [3:21]
11. Amaral Vieira, Brasil:
Para mi corazón, para canto e piano [3:04]
12. Reynaldo Hahn, Venezuela (1875-1947):
Si mes vers avaient des ailles, para piano [1:20]
13. Amaral Vieira, Brasil:
Puedo escribir los versos más tristes, para canto e piano [5:56]
14. Amaral Vieira, Brasil:
La Canción Desesperada, para canto e piano [7:04]

ELOISA BALDIN, meio-soprano
AMARAL VIEIRA, piano

Gravação ao vivo: Memorial da América Latina
Primeira gravação mundial
Selo Vela/Concertos 22-C005

[Obrigado ao Antônio Duarte pela relação de faixas. Em retribuição, reproduzo o comentário dele acerca deste CD]
É uma grande alegria ter o Stabat Mater de Amaral Vieira disponibilizado neste blog. Já escrevi anteriormente que considero essa a mais importante obra sacra de compositor brasileiro. Como já tenho este cd, comentarei sobre o Tributo a Neruda, que é uma novidade para mim. Já pudemos constatar nas obras sacras que A. Vieira escreve magnificamente bem para a voz e isso se confirma nas 9 canções incluídas neste post. É admirável o lirismo de “Te recuerdo” e “Para mi corazon”, o drama de “Es la mañana llena de tempestad” e de “La Canción Desesperada”, a delicadeza de “Ah vastedad de pinos”, a sensualidade de “Cuerpo de Mujer”. As pequenas jóias latino-americanas para piano que entremeiam as canções são tocadas de modo muito refinado. É difícil imaginar que o cd inteiro tenha sido gravado ao vivo no Memorial da América Latina de São aulo, que tem uma das mais complicadas acústicas do planeta. Eloisa Baldin uma vez mais comprova sua excelência na interpretação de obras de Amaral Vieira (já a conhecíamos nas gravações da Fantasia-Coral e do Magnificat). Uma única ressalva: na reprodução do fundo de caixa do cd, Eloisa Baldin consta como soprano, mas no meu modesto entender o seu registro está mais para meio-soprano ou até mesmo contralto.

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Amaral Vieira
Amaral Vieira

CVL

Cesar Franck (1822-1890) – Sinfonia em Ré menor e Pièce Heroïque; Vincent d’Indy (1851-1931) – Variações Sinfônicas Istar, Op. 42

Postagem original de 2010

Como eu e Ranulfus estamos num empreendimento franckiano, apresento mais uma versão da famosa Sinfonia em Ré. Surge ainda neste post outro francês, Vincent d’Indy. Seguem alguns dados dos dois compositores. César-Auguste-Jean-Guillaume-Hubert Franck foi um organista e compositor belga. Com quinze anos, após os estudos em sua cidade natal, foi para Paris onde passou a freqüentar o conservatório. Suas primeiras composições datam desta época e incluem quatro trios para piano e cordas (Trios op.1), além de peças para piano. Já separei os 4 trios para postar. Rute, uma cantata bíblica, foi composta com sucesso no conservatório em 1846. Deixou inacabada a ópera Le Valet de Ferme, iniciada em 1851. Durante muitos anos, Franck levou uma vida retirada, dedicando-se ao ensino e a seus deveres de organista, adquirindo renome como improvisador. Escreveu também uma missa, motetos, peças para órgão e outros trabalhos de cunho religioso. Professor do Conservatório de Paris em 1872, naturalizou-se francês no ano seguinte. Sua primeira obra-prima é o poema sinfônico Les Béatitudes (1879). Foi recebida, no entanto, com frieza na única execução pública durante a vida do autor. Outros poemas sinfônicos de Franck são Les Éolides, de 1876, Le Chasseur Maudit, de 1883 e Psyche, de 1888, sendo que os dois primeiros já foram postados aqui e o último ainda será postado. A Sinfonia em ré menor, em três movimentos, é sua única obra nesse formato e tem aqui uma interpretação cheia de sentimentos românticos por Pierre Monteux (1875 – 1964).

Já, por sua vez, Vincent d’Indy (1851 – 1931) foi um compositor e professor francês. Aluno e discípulo de Franck ele seria o principal fundador da “Schola Cantorum” em Paris, onde deu aula para nomes como Roussel, Honegger e também para o americano Cole Porter. Compôs três sinfonias, as Variações Sinfônicas Istar, três óperas, canções, música de câmara, aberturas, e algumas peças para piano. (Carlinus. Textos com adaptações extraídos daqui e daqui)

A revista inglesa Gramophone (dezembro/2022) lista como gravações clássicas dessa Sinfonia de Franck as dos maestros Pierre Monteux, Charles Munch, Thomas Beecham e Vladimir Ashkenazy. São escolhas que dependem do gosto do freguês, é claro, mas são nomes de peso. (Pleyel)

Cesar Franck (1822-1890) – Sinfonia em Ré menor

1 – Lento – Allegro non troppo
2 – Allegretto
3 – Allegro non troppo

Chicago Symphony Orchestra
Pierre Monteux, regente (recorded: 1961)

Cesar Franck (1822-1890) – das ‘3 Peças para Grande Órgão’

4 – Pièce Heroïque (versão orquestral)

San Francisco Symphony
Pierre Monteux, regente (recorded: 1941)

Vincent d’Indy (1851-1931) – Variações Sinfônicas Istar, Op. 42

5 – I. Très lent
6 – II. Un peu plus animé
7 – III. Très animé
8 – IV. Le double plus vite

San Francisco Symphony
Pierre Monteux, regente (recorded: 1945)

BAIXAR AQUI – DOWNLOAD HERE – MP3 320kbps

Pierre Monteux em 1917. Em 1961, quando gravou a Sinfonia de Franck, ainda tinha o mesmo bigode característico

Carlinus (2010) / repostagem por Pleyel (2022) nos 200 anos de César Franck

Piazzolla (1921-92) / Ustvolskaya (1919-2006) / Schnittke (1934-98) / Schnittke: Le Grand Tango / Grand Duet / Cello Sonata No. 2 / Epilogue

Piazzolla (1921-92) / Ustvolskaya (1919-2006) / Schnittke (1934-98) / Schnittke: Le Grand Tango / Grand Duet / Cello Sonata No. 2 / Epilogue

RostroIM-PER-DÍ-VEL !!!

Vamos voltar à Rússia com o Grand Duet (1959) para violoncelo e piano de Galina Ustvolskaya. A compositora, morta em 2006, teve um caso amoroso com Shostakovich; talvez um pouco traumático, já que aquela, nos últimos anos de sua vida, vilipendiava a imagem do compositor. A mulher era o cão e sua música retrata bem essa personalidade. O Grand Duet tem cinco movimentos com nenhum momento de alívio ou encanto. Uma obra genial por sua economia e sonoridade. No disco ainda temos a Sonata Nº 2 para Cello e Piano de Alfred Schnittke, no mesmo nível de “humor”. Já Epilogue, também de Schnittke, é uma OBRA-PRIMA. Engraçado é encontrar no início do disco uma peça de Piazzolla; bem fora do contexto, mas ótima. A interpretação de Rostropovich é esplêndida.

Piazzolla (1921-92) / Ustvolskaya (1919-2006) / Schnittke (1934-98) / Schnittke: Le Grand Tango / Grand Duet / Cello Sonata No. 2 / Epilogue

1 Le Grand Tango
(Composed By – Piazzolla) 9:33
Mstislav Rostropovich (cello), Igor Uriash (piano)

Grand Duet
(Composed By – Ustvolskaya)
2 Quaver = 276 3:07
3 Crotchet = 120 2:29
4 Crotchet = 116 3:00
5 Crotchet = 160 1:45
6 Crotchet = 112 13:20
Mstislav Rostropovich (cello), Alexei Lubimov (piano)

Cello Sonata No. 2
(Composed By – Schnittke)
7 I. Senza Tempo 4:11
8 II. Allegro 2:05
9 III. Largo 4:26
10 IV. Allegro 3:41
11 V. Lento 2:26
Mstislav Rostropovich (cello), Igor Uriash (piano)

12 Epilogue For Cello, Piano And Tape (From The Ballet, Peer Gynt)
(Composed By – Schnittke) 25:49
Mstislav Rostropovich (cello), Igor Uriash (piano)

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Galina Ustvolskaya. Shosta se ligou nela e deixou a fera ferida.
Galina Ustvolskaya: a crush de Shosta que virou fera.

CDF

Michael Daugherty (1954-): Fire & Blood, Motorcity Triptych and Raise the Roof (Neeme Jarvi, Detroit Orch)

Michael Daugherty (1954-): Fire & Blood, Motorcity Triptych and Raise the Roof (Neeme Jarvi, Detroit Orch)

IM-PER-DÍ-VEL !!! (Revalidado por PQP)

Uma das minhas recentes descobertas foi o compositor americano Michael Daugherty. Há três anos tive o primeiro contato com sua música, num concerto na Holanda, onde tocaram sua obra mais popular Metropolis Symphony , que foi escrita em homenagem ao superman. A obra é despretensiosa e engraçada, mas extremamente bem escrita. O passado desse compositor é estranho e eclético, já foi músico de Jazz, Rock, Funk, …mas percebeu que pra escrever música sinfônica ou “clássica” tinha que suar a camisa. Foi pra Europa estudar com Boulez e Ligeti (boas referências, não?).

Vamos ao disco que foi gravado ao vivo. Fire and Blood é um concerto para violino inspirado nos murais de Detroit, concebidos pelo pintor mexicano Diego Rivera. A música é muito empolgante. O violino virtuoso e sempre presente. O segundo movimento é lindíssimo, forte presença da música mexicana (ex: ouçam o que acontece em 02:40). O terceiro movimento é arrebatador, o público no fim vai ao delírio. MotorCity Triptych é outra obra que também merece nossa atenção.

Espero que vocês apreciem esse joker que, de certa forma, indica um novo rumo da música clássica.

CDF

Michael Daugherty (1954-): Fire & Blood, Motorcity Triptych and Raise the Roof

1. Fire and Blood: I. Volcano
2. Fire and Blood: II. River Rouge
3. Fire and Blood: III. Assembly Line

4. MotorCity Triptych: I. Motown Mondays
5. MotorCity Triptych: II. Pedal-to-the-Metal
6. MotorCity Triptych: III. Rosa Parks Boulevard

7. Raise the Roof

Detroit Symphony Orchestra
Ida Kavafian (violin) and Brian Jones
Neeme Jarvi

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Michael Daugherty: jokerman super competente e talentoso
Michael Daugherty: jokerman super competente e talentoso

CDF

Michael Daugherty (1954-): Metropolis Symphony (Giancarlo Guerrero, Nashville Orch)

Michael Daugherty (1954-): Metropolis Symphony (Giancarlo Guerrero, Nashville Orch)

Quando um compositor não tem referências culturais em sua infância e junto a isso, uma vida entediante e normal, dificilmente sua obra terá características próprias e originais. Por outro lado, na nossa sociedade descartável, muitos compositores negam suas origens por vergonha mesmo. Que compositor teria coragem de colocar em suas obras traços influenciados pelas bailarinas do chacrinha ou da égua pocotó? Mas ao negar sua origem, o compositor abusa de referências alemãs serialistas e sonoridades stockhausianas. Por isso a música deste tipo de compositor soa travestida, esse mundo ele não viveu.

O compositor americano Daugherty não se acovarda, além de não esconder suas referências culturais, ele as homenageia. Fã do super-homem desde menino, escreveu uma sinfonia em comemoração aos cinquenta anos (1988) da criação deste personagem. Eu já tive a oportunidade de ver está a sinfonia Metropolis ser apresentada na Holanda. Todo o público ficou satisfeito com a riqueza orquestral, mas o melhor de tudo, e o público sabia disso, aquele mundo era nosso. Os movimentos sinfônicos estão nesta ordem: 1 – Lex, referencia ao super vilão Lex Luthor, aqui representado por um violino endiabrado; 2 – Krypton, o planeta destruído do super-homem. O movimento é sombrio, os detalhes percussivos são riquíssimos; 3 Mxyzptlk, o duende da quinta dimensão. Pelas firulas das flautas, este movimento representa o scherzo da sinfonia. 4- Oh Lois! é um movimento alucinante, um pequeno concerto para orquestra em 5 minutos. Referência óbvia à jornalista Lois Lane. 5 – Red Cape Tango, o último movimento, a trágica batalha do super-homem com Doomsday, o canto medieval Dies Irae é desenvolvido, assim como no final da sinfonia fantástica de Berlioz, para dá o tom fúnebre ao destino do super-homem.

Já a outra obra do disco, Deus Ex Machina (2007) para piano e orquestra, é um concerto dedicado aos trens. O concerto tem o padrão rápido-lento-rápido dos concertos clássicos, mas a orquestra e piano estão em pé de igualdade, podemos dizer que está peça está mais para uma sinfonia concertante para piano e orquestra. Muito empolgante.

Faixas:
1. Metropolis Symphony: I. Lex
2. Metropolis Symphony: II. Krypton
3. Metropolis Symphony: III. Mxyzptlk
4. Metropolis Symphony: IV. Oh, Lois!
5. Metropolis Symphony: V. Red Cape Tango

6. Deus ex Machina: I. Fast Forward (Di andata veloce)
7. Deus ex Machina: II. Train of Tears
8. Deus ex Machina: III. Night Steam

Orchestra Nashville Symphony
Conductor by Giancarlo Guerrero

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Lex Luthor

cdf

Homenagem a Bernard Haitink – Ravel Orchestral Works

Bernard Haitink foi um maestro excepcional, de envergadura ímpar, mas ao mesmo tempo discreto e bem menos festejado que seus pares da mesma geração, como Bernstein e Karajan. Isso o colocava numa posição privilegiada, a de optar por uma escolha distinta de repertório e leituras altamente pessoais, o mais das vezes avesso ao espalhafatoso e ao verborrágico. Como muitos dos meus colegas do PQP, que neste momento se unem para homenagear um mestre comum, Haitink marcou cada um de nós com gravações que consideramos non plus ultra do repertório sinfônico mais destacado. Apesar de suas afamadas preferências por Mahler, Bruckner e Shostakovich, que estabelecem consenso de excelência dentre tanto apreciadores diletantes como críticos especializados, alguns dos melhores momentos de Haitink foram, para mim, com mestres franceses modernos, em especial Debussy e Ravel. Este último em particular ocupa lugar privilegiado na discografia haitinkiana. Ainda na era do LP, sua versão de 1973 da Rapsódia Espanhola é arrebatadora; para mim a que melhor equilibra a verve rítmica com a clareza das ideias na brilhante orquestração de Ravel. Sutilezas na pontuação das dinâmicas e da exuberante instrumentação fazem deste um registro imperdível. Um Menuet Antique, de feições mais modestas, com Haitink ganha ares de uma nobreza insondável. E que Alborada!

Uma manhã luminosa que enfatiza bem seu caráter gracioso e eloquente. Estas gravações foram lançadas na década de 70 em LPs pela PHILIPS e nenhuma foi relançada em CD, até as séries de relançamentos (PHILIPS DUO) dos anos 90. Haitink inclusive gravou novamente essas obras para lançamento exclusivo em CD, mas o brilho destas primeiras incursões é, para mim, insuperável.

Claro, ao falar de obras orquestrais mais conhecidas de Ravel, como o Boléro e Daphnis et Chloé, não podemos deixar de mencionar que temos ótimas versões paralelas. Mas nestas pequenas jóias menos divulgadas (Valses Nobles, Ma Mère l’Oye), Haitink nos revela um mundo novo, de íntima beleza, em que Ravel desponta como um colorista exímio, de sutileza ímpar. La Valse é estonteante. A orquestra do Concertgebouw em plena forma torna a experiência ainda mais única.

Palavra final: Há muitos bons intérpretes de Ravel, e há Haitink.

Ravel: Orchestral Works
Bernard Haitink, Royal Concertgebouw Orchestra

CD1

1.Boléro
2.Alborada del gracioso
3.Rhapsodie espagnole
4.La Valse
5.Pavane pour une infante défunte
6.Valses nobles et sentimentales

CD2

1.Menuet antique
2.Le tombeau de Couperin
3.Ma mère l’Oye
4.Daphins et Chloé: Suite No 2

DOWNLOAD AQUI MP3 320Kbps

CHUCRUTEN

Edward Elgar (1857-1934): Symphony No.1, Op. 55 / Pomp and Circumstance No.5, Op. 39/5 / Symphony No.2 Op. 63 (Philharmonia Orchestra, Bernard Haitink)

Gosto de um modo muito particular das obras de Elgar. De sua produção, destacam-se As Variações Enigma, Pompa e Circunstância e seu excelente Concerto para Violoncelo. Mas o seu trabalho sinfônico também vale um entusiástico adendo. Antes da Primeira Grande Guerra, Elgar conheceu não pequena fama. Suas obras eram executadas nas salas de concerto da Europa e dos Estados Unidos. Sendo inglês à semelhança de Vaughan Williams, os trabalhos de Elgar dialogam de forma profunda com a natureza. Quiça seja reflexo de sua infância. Talvez ainda sejam as charnecas tão características da Bretanha como narra Ëmile Brontë em O Morro dos Ventos Uivantes ou O Retrato do artista quando jovem de Joyce. Neste registro que ora posto, surgem duas das três sinfonias que o compositor escreveu – As sinfonias de número 1 e 2. São trabalhos realmente significativos. A primeira, a Sinfonia No. 1, é do ano de 1908. O tema de introdução da sinfonia é de uma beleza invulgar. O mesmo tema se repete no final do quarto movimento. O trabalho é regularmente apresentado em programas de concertos na América do Norte e Europa. Já a Sinfonia No. 2 é do ano de 1911. Não deixe de ouvir esses dois tocantes trabalhos do compositor inglês. Boa apreciação!

Edward Elgar (1857-1934) – Symphony No.1 in A flat major, Op. 55, Pomp and Circumstance March No.5, for orchestra in C major, Op. 39/5 e Symphony No.2 in E flat major, Op. 63

DISCO 01

Symphony No.1 in A flat major, Op. 55
01. 1. Andante, nobilimente e semplice – Allegro
02. 2. Allegro molto
03. 3. Adagio
04. 4. Lento – Allegro

Pomp and Circumstance March No.5, for orchestra in C major, Op. 39/5
05. Pomp and Circumstance March No. 5, op. 39

DISCO 02

Symphony No.2 in E flat major, Op. 63
01. 1. Allegro vivace e nobilmente
02. 2. Larghetto
03. 3. Rondo (Presto)
04. 4. Moderato

Philharmonia Orchestra
Bernard Haitink, regente

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Elgar era um aficionado pela química. Certa vez, quase fez sua casa voar pelos ares. Sério. Pesquisa aí!

Carlinus

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Sonatas para Flauta, BWV 1020, 1030-1032, Partita para Flauta Solo, BWV 1013 (Nicolet, Richter)

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Sonatas para Flauta, BWV 1020, 1030-1032, Partita para Flauta Solo, BWV 1013 (Nicolet, Richter)

Como o final de semana está chegando, FDP Bach resolveu fazer três postagens peso-pesado para seus leitores/ouvintes, que apenas aos sábados e domingos tem tempo disponível para baixar e ouvir com mais atenção a estas pérolas…

Começarei com uma gravação antológica, e aproveitando também para fazer uma contraposição à última postagem do nosso colega Blue Dog: algumas das mesmas sonatas para flauta de Bach postadas na versão de Jarrett/Petri nas mãos mágicas de Aurèle Nicolet e Karl Richter, dois dos maiores intérpretes do século XX da obra de nosso pai. Já as tive em vinil, aliás ainda a tenho, e, quando a encontrei em cd nacional, quase tive um infarto de tão emocionado que fiquei…

Bem, vamos ao que interessa…

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Sonatas para Flauta, BWV 1020, 1030-1032, Partita para Flauta Solo, BWV 1013 (Nicolet, Richter)

1 – Sonata in B minor BWV 1030 – Andante
2 – Sonata in B minor BWV 1030 – Largo e dolce
3 – Sonata in B minor BWV 1030 – Allegro

4 – Sonata in E flat major BWV 1031 – Allegro moderato
5 – Sonata in E flat major BWV 1031 – Siciliano
6 – Sonata in E flat major BWV 1031 – Allegro

7 – Sonata in A Major BWV 1032 – Vivace
8 – Sonata in A Major BWV 1032 – Largo e dolce
9 – Sonata in A Major BWV 1032 – Allegro

10 – Sonata in G minor BWV 1020 – Allegro
11 – Sonata in G minor BWV 1020 – Adagio
12 – Sonata in G minor BWV 1020 – Allegro

13 – Partita in A minor for flute solo, BWV 1013 – Allemande
14 – Partita in A minor for flute solo, BWV 1013 – Corrente
15 – Partita in A minor for flute solo, BWV 1013 – Sarabande
16 – Partita in A minor for flute solo, BWV 1013 – Bouree anglaise

Aurèle Nicolet – Flauta
Karl Richter – cravo

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topelement
Aurèle Nicolet (1926-2016) – Uma singela homenagem a um dos maiores flautistas do Século XX, que faleceu no mês de Janeiro.

FDP

Johannes Brahms (1833-1897): Sinfonia Nº 3, Op. 90 (Bernstein, Wiener)

Johannes Brahms (1833-1897): Sinfonia Nº 3, Op. 90 (Bernstein, Wiener)

Eis que Clara Schumann nos pede a Sinfonia Nº 3 de seu amado e querido Johannes, e FDP descobre que, por uma falha indesculpável, nunca chegou a postá-la…

Para satisfazê-la ainda mais, estou disponibilizando a versão de Leonard Bernstein, um dos maiores regentes do século XX, e cujas interpretações destas sinfonias ainda são referência. Querida Clara, me perdoe por esta terrível lacuna…

Brahms escreveu esta sinfonia já maduro e reconhecido como um gênio. Transcrevo abaixo uma pequena análise que Malcolm McDonald faz da obra, em sua biografia de Brahms:

“A Terceira é a menor das sinfonias e as subdivisões de desenvolvimento nos seus movimentos em forma sonata (há três delas) são notavelmente curtas. Em contrapartida, as exposições e recapitulações, especialmente do primeiro movimento e do finale, são expansivas e generosamente providas de ideias memoráveis. Já a unidade interna e através dos movimentos é assegurada tanto pelo uso de uma figura- mote – e de seu tema associado, como pelo significativo desenvolvimento, no finale, de componentes do movimento lento. Como nas outras sinfonias, embora menos abertamente por causa do poderoso primeiro movimento, o finale é a culminância do argumento todo. A estrutura sutilmente bem encadeada da obra flui com uma paixão e uma espontaneidade tão desimpedidas que Hans Richter se viu inclinado a apelidá-la “Eroica de Brahms”. Os paralelos espirituais com a Terceira de Beethoven são quase tão indefiníveis quanto os estruturais. Mas a obra de Brahms sugere realmente um home que inventaria (tinha então cinquenta anos) e enfrentaria seus destino, qualquer que possa ser, com magníficos recursos intelectuais, mas um coração aflito.”

Além desta apurada análise, podemos ver esta sinfonia como arroubo de romantismo desenfreado, basta ouvirmos seu terceiro movimento, um “poco allegretto” escancaradamente romântico. McDonald assim o descreve:

“O poco allegreto seguinte, uma simples forma ternária, é o mais íntimo de todos os intermezzos sinfônicos de Brahms e quase pode ser intitulado “romança”. Seu tema de violoncelo primorosamente modelado e ansioso, com seu floreado giro de cadência em estilo cigano, os discretos acordes que vêm dos sopros, os contornos de semicolcheias em tercinas e em leggiero das cordas que convertem os acompanhamentos farfalhantes do movimento anterior em um brando murmúrio de fundo de cena, tudo se junta em uma de suas mais memoráveis elegias crepusculares.” É preciso dizer mais alguma coisa? Como essa biografia foi escrita em 1990, com certeza McDonald se inspirou nessa magnífica interpretação de Bernstein para resumir a beleza dessa passagem.

Após essa análise da obra, espero que todos apreciem sua beleza e coerência estrutural. Coisa de gênio.

Johannes Brahms (1833-1897): Sinfonia Nº 3, Op. 90 (Bernstein, Wiener)

1 Allegro con brio
2 Andante
3 Poco Allegretto
4 Allegro

Wiener Philarmoniker
Leonard Bernstein

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Quer fazer os naipes da sua orquestra brilharem? Ask Lenny

FDP

Johannes Brahms (1833-1897): Concerto para Violino, Op. 77 , Concerto Duplo para Violino e Violoncelo, Op. 102 (Mutter, Meneses, Karajan)

Johannes Brahms (1833-1897): Concerto para Violino, Op. 77 , Concerto Duplo para Violino e Violoncelo, Op. 102 (Mutter, Meneses, Karajan)

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Atendendo à uma solicitação de nossa querida Clara Schumann, estou postando aqui um CD que ela pede faz já algum tempo. A relação de todos nós, mais velhos, com esta gravação é intensa desde os tempos do LP. O que mais chama a atenção — além da extrema musicalidade de Karajan e de sua orquestra — é a precocidade dos solistas, e ao mesmo tempo a maturidade com que eles tocam. Até parece gente grande. e puxando um pouco para o lado do ufanismo verde-amarelo, dá orgulho de ver o pernambucano Antônio Meneses tocando ao lado de Karajan e da divina — ainda adolescente — Anne-Sophie Mutter.

Johannes Brahms (1833-1897): Concerto para Violino, Op. 77 , Concerto Duplo para Violino e Violoncelo, Op. 102 (Mutter, Meneses, Karajan)

Johannes Brahms (1833-1897) – Violin Concerto in D Minor, op. 77
1 – Allegro non troppo
2 – Adagio
3 – Allegro giocoso, ma non troppo vivace – Poco pio presto
Cadenzas – Joseph Joachin

Johannes Brahms (1833-1897) – Double Concerto for Violin, Violoncelo e Orchestra, in A Minor, op. 102

1 – Allegro
2 – Andante
3 – Vivace non troppo

Anne-Sophie Mutter – Violin
Antonio Meneses – Violoncello
Berliner Philarmoniker
Herbert von Karajan – Direktor

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Karajan e Meneses se cumprimentam e... Como a idade fez bem a Mutter!
Karajan e Meneses se cumprimentam e… Como a idade fez bem a Mutter!

FDP

Serguei Prokofiev (1891-1953) & Camille Saint-Saens (1835-1921): Pedro e o Lobo & Carnaval dos Animais

Serguei Prokofiev (1891-1953) & Camille Saint-Saens (1835-1921): Pedro e o Lobo & Carnaval dos Animais

O Dia das Crianças estaá longe, mas aqui já temos o presente!  Em homenagem às eternas crianças que somos, ofereço essas três peças de cunho infantil, de Prokofiev e Saint-Saens.

As peças

Sergei Prokofiev escreveu “Pedro e o Lobo” para o Teatro Infantil de Moscou em 1936. Esta história foi criada para ser narrada enquanto a música toca e para entendê-la precisamos, antes de mais nada, sabermos que: O Pássaro é representado pelo som de uma flauta; o Pato, um oboé; o Gato, uma clarineta; o Avô, um fagote; o Lobo, cornetas francesas; os Caçadores, tímpanos. Pedro é representado pelas cordas. Nessa versão não temos o narrador, fica a cargo de cada um, fechar os olhos e deixar a imaginação florar.

“Histórias de uma Velha Avô”, quatro peças para piano, escritas pouco depois da estreia em Nova York de Prokofiev em 1918, não têm enredo especial, mas são permeadas de lembranças russas.

Escutar “Carnaval dos Animais” de Camille Saint-Saens é como fazer uma viagem musical ao zoológico. Em primeiro lugar, após a introdução, surge a “Marcha Real do Leão”, rugindo nas cordas e pianos. Depois surgem galinhas cacarejando e ciscando (cordas e piano) precedendo galos cantando (clarinete). Os “Jumentos Selvagens” da Mongólia, famosos por sua notável velocidade, aparecem retratados pelos dois pianos. Para fazer uma piada, Saint-Saens, em “Tartarugas”´pegou dois temas vistosos de Offenbach (incluindo o seu famoso “Can-Can”) e os colocou num andamento de passo de tartaruga. Outra paródia surge com o “Elefante”, onde as melodias suaves e semelhantes a contos de fada da “Dança das Sílfides” de Berlioz e de “Sonho de uma Noite de Verão” de Mendelsohn são executadas por cantrabaixos duplos.

Os “Cangurus” destaca os dois pianos como que pulando em derredor. No “Aquário” vislumbram-se brincadeiras de peixes na água proporcionada pelos pianos e, originalmente, uma harmônica de vidro (invenção de Benjamim Franklin em que copos de diferentes tamanhos são mergulhados numa calha com água). Em “Personagens com Grandes Orelhas” Saint-Saens não estava somente se referindo a jumentos, mas talvez, também a asnos humanos.

O “Cuco” em duas notas incessantes da clarineta é ouvido nas florestas sombrias (pianos). O “Viveiro de Aves” é um “tour de force” para a flauta. O tratamento de Saint-Saens ao talvez mais tranquilo de todos os animais, os “Pianistas”, de forma bem humorada critica as escalas e exercícios iniciais dos estudantes. “Fósseis” desencava quatro antigas canções francesas, uma parte do “Barbeiro de Sevilha”, bem como “Dança Macabra” do próprio Saint-Saens. O “Cisne” do violoncelo é o mais famosos dos animais e, talvez, o trabalho mais reputador de Saint-Saens. O momento mais sublime não só da peça, mas, provavelmente de toda a obra do compositor.

O “Finale”, outro can-can, reapresenta muitos mebros do zoológico musical, terminando de forma magistral com um último “relinchar” do asno.

.oOo.

Sergei Prokofiev & Camille Saint-Saens: Obras Infantis

Sergei Prokofiev

Peter and the Wolf, Op. 67
01. Andantino (1:00)
02. Allegro – Andantino come prima (1:29)
03. L’istesso tempo – Piu mosso (2:24)
04. Moderato – Allegro ma non troppo – Moderato (1:47)
05. Poco piu andante (1:03)
06. Andantino, come prima (1:07)
07. Andante molto (1:24)
08. Nervoso – Allegro – Andante (1:40)
09. Allegretto – Moderato (1:34)
10. Andantino, come prima – Meno mosso (1:05)
11. Vivo – Andante molto – Vivo – Andante (1:17)
12. Allegro – Poco meno mosso – Moderato (Meno mosso) (1:56)
13. Allegro moderato (1:16)
14. Andante (0:36)
15. Moderato – Poco piu mosso (Allegro moderato) – Sostenuto – L’istesso tempo – Poco piu mosso (4:04)
16. Andante – Allegro (0:30)

The Tales of an old Grandmother, Op. 31
17. I. Moderato (3:24)
18. II. Andantino (1:52)
19. III. Andante assai (2:33)
20. IV. Sostenuto (3:38)

Camille Saint-Saens

Carnival of the Animals
21. No. 1: Introduction and Royal March of Lion (2:24 )
22. No. 2: Hens and Roosters (0:57)
23. No. 3: Wild Donkeys (0:40)
24. No. 4: Tortoises (2:00)
25. No. 5: The Elephant (1:21)
26. No. 6: Kangaroos (0:50)
27. No. 7: Aquarium (2:13)
28. No. 8: Personages with long ears (0:55)
29. No. 9: The Cuckoo in the Heart of the Woods (1:59)
30. No. 10. Aviary (1:17)
31. No. 11: Pianists (1:26)
32. No. 12: Fossils (1:15)
33. No. 13: The Swan (3:04)
34. No. 14: Finale (2:00)

St. Peterburg Radio & TV Symphony Orchestra
Stanislav Gorkovenko

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Marcelo Stravinsky

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 6 (Münchner Philharmoniker, Celibidache)

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 6 (Münchner Philharmoniker, Celibidache)

R-7419421-1441138225-2995.jpegSigamos destemidamente em nosso empreendimento. Desta vez, surge a maravilhosa sinfonia número 6. Para ser franco, cada vez que escuto Bruckner, mais impressiono com Bruckner. Como alguém como ele, sujeito capenga, tímido, de alma frágil, compôs trabalhos tão atordoadores? Confesso que não gostava de Bruckner. Achava o seu trabalho demasiadamente extravagante, habitado por divagações forçadas. Cansava-me com facilidade quando ouvia qualquer das suas obras. O “repisamento”, uma impressão de circularidade, a força julgada, em alguns casos, desnecessária, afastou-me por muito tempo desse católico inveterado. Até que um dia, a música de Bruckner me abraçou com força. Não pude me desvencilhar de seu abraço fatal. Hoje, quando o ouço, faço questão de ligar o volume do meu som numa altura considerável. Sei que os vizinhos me olham obliquamente, mas não ligo. Outro dia estava ouvindo a Quarta Sinfonia do mesmo Bruckner com Harnoncourt e alguém comentou: “Só tu mesmo… Tu é doido!”. Forcei um riso de complacência, mas fiquei interiormente a rir em meu silêncio exultante. Cheguei a uma teoria: as sinfonias de Bruckner, Mahler e Shostakovich só podem ser apreciadas quando em volume máximo. Que os vizinhos reclamem; que continuem com os sorrisos de escárnio. Bruckner é uma galáxia e eu me perco nele. Boa apreciação!

Anton Bruckner (1824-1896) – Sinfonia No. 6 em Lá maior
01. Applause I
02. I. Majestoso
03. II. Adagio. Sehr feierlich
04. III. Scherzo. Nicht schnell – Trio. Langsam
05. IV. Finale. Bewegt, doch nicht zu schnell
06. Applause II

Münchner Philharmoniker
Sergiu Celibidache, regente
Gravado ao vivo em Munique, 1991

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Celibidache foi um grande talento e especialista em Bruckner.
Celibidache ensaiando: ele foi um grande talento e especialista em Bruckner.

Carlinus

Anton Bruckner (1824-1896) – Symphony No. 4 in E-flat major “Romântica” (Münchner Philharmoniker, Celibidache)

Postado inicialmente em 6 de novembro de 2010.

Mais uma sinfonia dessa imperdível integral. A “Romântica” de Bruckner, como também é conhecida a Quarta Sinfonia, foi gravada em 1874 e passou por inúmeras revisões até o ano de 1888. Revisionismo era uma palavra que seguiu a carreira de Bruckner. Muitas das suas sinfonias passaram por imensas “remodelagens”. Talvez isso fosse uma traço da insegurança do compositor. Embora a Sinfonia No. 4 tenha o nome de “Romântica”, ela não segue o ideário do “amor romântico” do século XVIII. Bruckner segue um programa medieval, inspirado nas óperas Lohengrin e Siegfried de Richard Wagner. Esqueçamos Wagner e nos fixemos em Bruckner, num dos trabalhos mais belos e populares do seu repertório. Confesso que não gostei tanto da versão do Celibidache. As versões com o Abbado e com o Harnoncourt ficaram bem melhores. Com Abbado eu já postei; com Harnoncourt, ainda postarei. Não deixe de ouvir. Boa apreciação!

Anton Bruckner (1824-1896) – Sinfonia No. 4 em Mi bemol maior – “Romântica”
01 – I – Bewegt, nicht zu schnell
02 – II – Andante quasi Allegretto
03 – III – Scherzo. Bewegt – Trio. Nicht zu schnell. Keinesfalls schleppend
04 – IV – Finale. Bewegt, doch nicht zu schnell

Edition: Robert Haas

Total time: 79:11

Münchner Philharmoniker
Sergiu Celibidache, regente
Gravado ao vivo em Munique, 1991

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Beethoven e Bruckner em vitral na Catedral de Linz, circa 1920

Carlinus

Nota de Pleyel ao repostar: a gravação da 4ª de Bruckner por Harnoncourt/Concertgebouw (aqui) é diametralmente oposta a esta aqui. Eu amo as duas.

John Baptist Cramer (1771-1858): Quinteto para piano, Op. 79 e Franz Schubert (1797-1828): Quinteto para piano, Op. 114 (D. 667) – A Truta

John Baptist Cramer (1771-1858): Quinteto para piano, Op. 79 e Franz Schubert (1797-1828): Quinteto para piano, Op. 114 (D. 667) – A Truta

Com instrumentos originais de época, este é um disco muito especial. Tem uma obra de um compositor desconhecido e a justamente célebre Truta de Schubert. Não conhecia a música de John Baptist Cramer. Este compositor nasceu na Alemanha, mas foi levado à Inglaterra quando ainda era criança. Começou a estudar piano muito jovem e conseguiu se estabelecer como um grande pianista. Dizem que chegou a ser respeitado por Beethoven. Foi o editor inglês do Concerto no. 5 para piano e orquestra – “Imperador” – do mesmo Beethoven. Estabeleceu uma amizade gratificante com o autor da Nona Sinfonia. Compôs obras respeitáveis — sonatas para piano, nove concertos para piano e música de câmara. Neste CD que ora posto, surge o Quinteto para Piano, Op. 79, de 1832, para essa formação (piano, violino, viola, violoncelo, contrabaixo) que foi utilizada pela 1ª vez por Johann Nepomuk Hummel, de quem o quinteto pegou emprestado o nome. A outra obra do CD — A PRINCIPAL — é o Quinteto para piano em Lá maior, Op. 114 de Schubert, também conhecido como “A Truta”, pela qual tenho uma grande paixão. Composta em 1819, circulou apenas em manuscritos durante a vida de Schubert e foi publicada um ano após sua morte. Não deixe de ouvir. Boa apreciação!

John Baptist Cramer (1771-1858) – Quinteto para piano in Si bemol maior, Op. 79 (1832)
01. Allegro moderato
02. Adagio cantabile
03. Rondo (allegro)

Franz Schubert (1797-1828) – Quinteto para piano em Lá maior, Op. 114 (D. 667) – A Truta (1819)
04. Allegro vivace
05. Andante
06. Scherzo
07. Theme with variations (andatino-allegretto)
08. Finale (allegro giusto)

Nepomuk Fortepiano Quintet
Jan Insinger, violoncelo
Elisabeth Smalt, viola
Riko Fukuda, pianoforte
Franc Polman, violino
Pieter Smithuijsen, contrabaixo

Recorded: 2007

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Vocês não esperavam um linguado, né?
Vocês não esperavam um linguado, né?

Carlinus / PQP / Pleyel

Morton Feldman (1926-1987): Piano and Orchestra; Flute and Orchestra; Oboe and Orchestra; Cello and Orchestra (Runkfunk-Sinfonieorchester Saarbrucken, Hans Zender)

É difícil definir a música do estadunidense Morton Feldman. Mas se temos intimidade com pintura abstrata ou o teatro de Beckett, esta tarefa fica mais simples. A música de Feldman é o espaço pintado com sons, só que sem ritmo, melodia ou mesmo qualquer forma. A estrutura de Feldman é a não-estrutura. O risco é a monotonia e, mesmo para ouvintes calejados, é apenas essa sensação que parece existir. A música de Feldman não oferece pontos para nos apoiarmos, o ouvinte segue os sons com os mesmos olhos de quem segue um quadro de Pollock.

Esse disco oferece quatro obras importantes, todas elas escritas na década de 1970, época que Feldman já começava a encontrar seu próprio estilo. Apesar dos títulos das obras, todas elas são anti-concertos, pois nenhum dos solistas é mais importante que a orquestra, e nem há diálogo entre eles. A construção é aquela que já disse no início, a orquestra e o solista se completam na criação de um espaço sonoro, sem início, fim ou desenvolvimento. No entanto, extremamente cativante, pois dá ao ouvinte uma sensação de vagar em terreno misterioso e belíssimo. Não se enganem com a primeira impressão (como já aconteceu comigo), Morton Feldman foi um compositor dos grandes.

Morton Feldman (1926-1987): Piano and Orchestra; Flute and Orchestra; Oboe and Orchestra; Cello and Orchestra (Runkfunk-Sinfonieorchester Saarbrucken, Hans Zender)

1-1 Flute And Orchestra (1977/78) 32:35
1-2 Cello And Orchestra (1972) 18:52
2-1 Oboe And Orchestra (1976) 21:20
2-2 Piano And Orchestra (1975) 26:47

Conductor – Hans Zender
Flute – Roswitha Staege (faixa: 1-1)
Oboe – Armin Aussem (faixa: 2-1)
Orchestra – Rundfunk-Sinfonieorchester Saarbrücken
Piano – Roger Woodward (faixa: 2-2)
Violoncello – Siegfried Palm (faixa: 1-2)

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Feldman passeando pelo Concertgebouw de Amsterdam

CDF

Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993): Sinfonia n° 2 “Uirapuru” e Alberto Nepomuceno (1864-1920): Sinfonia em Sol Menor (Sinfônica de Campinas, Juarez)

Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993): Sinfonia n° 2 “Uirapuru” e Alberto Nepomuceno (1864-1920): Sinfonia em Sol Menor (Sinfônica de Campinas, Juarez)

As duas obras deste CD estão disponíveis em outras gravações neste blog (a rigor, uma gravação de cada sinfonia), daí que não há o que acrescentar por hora: basta procurar os outros posts via tags. Vale a pena, em particular, conferir como ficou a segunda sinfonia de Guarnieri na versão original (com a Osesp) e na revisada (a deste post) – o segundo movimento tem o dobro da duração na primeira edição. Para mim, trata-se da mais bela — e mais bem feita — sinfonia jamais escrita no Brasil.

Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993): Sinfonia n° 2 “Uirapuru” e Alberto Nepomuceno (1864-1920): Sinfonia em Sol Menor (Sinfônica de Campinas, Juarez)

Alberto Nepomuceno – Sinfonia em Sol Menor
01 Allegro (com entusiasmo)
02 Andante Quasi Adagio
03 Presto
04 Con Fuoco

Camargo Guarnieri – Sinfonia n° 2 “Uirapuru” (dedicada a Heitor Villa-Lobos)
05 Energico
06 Terno
07 Festivo

Orquestra Sinfônica de Campinas, regida por Benito Juarez

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Beto Nepobaby

CVL

Quinteto Armorial: Do Romance ao Galope Nordestino (1974), Aralume (76), Quinteto Armorial (78) e Sete Flechas (80)

Quinteto Armorial: Do Romance ao Galope Nordestino (1974), Aralume (76), Quinteto Armorial (78) e Sete Flechas (80)

IM-PER-DÍ-VEL !!! Um tesouro da cultura brasileira!

Há algum tempo notei, com susto, que não tínhamos aqui no blog um disco que considero entre os “top most” de toda a produção musical brasileira: o primeiro do Quinteto Armorial, “Do Romance ao Galope Nordestino”, de 1974.

Verdade que tínhamos várias peças desse disco na postagem do CVL “Projeto Quadrante – A Pedra do Reino” – mas nesses mixes perde-se um elemento artístico tão importante quanto cada peça em si, que é a concepção de conjunto de cada disco. Por isso, fazia tempo que vinha planejando postar aqui o tal disco de 1974.

Só que de repente me veio ideia melhor: por que postar só o disco de 1974? Porque não logo a discografia completa? E foi isso o que se fez.

Enfim, não vou contar aqui nada da história nem da teoria desse quinteto nem do movimento armorial em geral – isso vocês acham relativamente fácil com a ajuda se São Google. Prefiro reaplicar algumas considerações sobre “o que é clássico” que fiz há uns dois anos, ao postar o “Dança das Cabeças” de Egberto Gismonti. Espia aí, gente:

Afinal, o que é que faz determinada música ser “clássica” ou “erudita”? Evidentemente não pode ser a ausência de melodias cantáveis, a ausência de texto, a ausência ou pouca importância da percussão ou de determinadas instrumentações, e até mesmo ausência de vulgaridade ou banalidade… pois cada uma dessas “ausências” é contradita por abundância de presenças no repertório estabelecido.

Para muitos, “clássico” equivale, mesmo que sem consciência disso, a “em formas, escalas e instrumentações de origem européia”. Donde considerarem clássicas, p.ex., as valsas dos dois Johann Strauss, quando para mim são evidentemente música popular em arranjos para poderosos. (Não estou dizendo que são inferiores por serem populares, nem que não caibam num blog como este. As danças compostas e/ou publicadas pelo Pretorius, do século 16, também são música popular em bons arranjos, e seria uma pena não tê-las aqui!).

Para mim, o “clássico” ou “erudito” se refere ao grau de complexidade da elaboração na dimensão “forma”, e/ou de libertação em relação às duas fontes primárias da música (a dança e a declamação expressiva) na direção de uma música-pela-música. E nesse sentido encontramos “clássico” em muitas tradições totalmente autônomas da européia: chinesa, indiana, mandê (da qual postei aqui o lindo exemplo que é Toumani Diabaté), e também em outras que recebem maior ou menor medida de influxo da tradição européia, mas o incorporam em formas produzidas com total autonomia em relação a essa tradição.

O Brasil talvez seja a maior usina mundial da produção deste último tipo de música – mas não me refiro a nenhum dos nossos compositores normalmente identificados como “clássicos” ou “eruditos”: nem a Villa-Lobos, nem a Camargo Guarnieri, nem a Almeida Prado, ninguém desses: todos eles trabalham fundamentalmente com a herança das matrizes formais européias. Não que isso os desqualifique, não se trata disso! Trata-se, ao contrário, é de reconhecer a qualidade do “clássico” em música que não paga nenhum tributo a essas matrizes formais (“concerto”, “sonata”, “fuga” etc.) e por isso às vezes é tida como de segunda qualidade, quando é de primeiríssima!

E por que transcrevo isso? Porque os dois primeiros discos do Quinteto Armorial me parecem ser a realização mais perfeita desse “clássico autônomo” que o Brasil já produziu (os outros dois também são bons, mas ao tenderem um tanto mais para a documentação de repertórios e estilos populares acabam não correspondendo de modo tão puro ao que quero apontar):

Primeiro, temos aí uma formação instrumental de câmara com sonoridade única, criada aqui: não tenta fazer “músca de câmara brasileira” arranjando melodias populares para quartetos de cordas, p.ex. E é nesse sentido que o Quinteto me toca muito mais fundo que a Orquestra Armorial, por importante que o seu trabalho também seja. Mas é adaptação de uma instrumentação desenvolvida fora, esta é uma instrumentação desenvolvida aqui (reparem que falei “instrumentação”, e não “instrumental”…)

Além disso, temos peças bastante longas e livres sem nenhuma preocupação de aplicarem as tais matrizes formais de que falei – e nesse sentido me interessa mais a vertente da composição própria (basicamente de dois Antônios: o José Madureira e o Nóbrega) que a do registro de peças populares arcaicas ou atuais seja com fins de demonstrar as teorias de Ariano Suassuna ou documentais em geral.

Podemos papear mais sobre isso se vocês quiserem, mas por agora vou deixar vocês com a música! As listas de faixas apareceram milagrosamente de um dia para o outro pela colaboração do colega Bisnaga – valeu, Bisnaga!

QUINTETO ARMORIAL (Pernambuco): discografia completa

• DO ROMANCE AO GALOPE NORDESTINO (1974)
1. Revoada (Antônio José Madureira)
2. Romance da Bela Infanta (Romance ibérico do século XVI, recriado por Antonio José Madureira)
3. Mourão (Guerra Peixe)
4. Toada e Desafio (Capiba)
5. Ponteio Acutilado (Antonio Carlos Nóbrega de Almeida)
6. Repente (Antonio José Madureira)
7. Toré (Antonio José Madureira)
8. Excelência (Tema nordestino de canto fúnebre, recriado por Antonio José Madureira)
9. Bendito (Egildo Vieira)
10. Toada e Dobrado de Cavalhada (Antonio José Madureira)
11. Romance de Minervina (Romance nordestino, provavelmente do século XIX,
recriado por Antonio José Madureira)
12. Rasga (Antonio Carlos Nóbrega de Almeida)

• ARALUME (1976)
1 Lancinante (Antônio José Madureira)
2 Improviso (Antônio José Madureira)
3 O homem da vaca e o poder da fortuna (Antônio José Madureira)
4 Abertura
5 A preguiça
6 A troca dos bichos
7 Ironia ao rico
8 Aralume (Antônio José Madureira)
9 Reisado (Egildo V. do Nascimento)
10 Guerreiro (Antônio José Madureira)
11 Ponteado (Antônio José Madureira)
12 Chamada e marcha caminheira (Egildo V. do Nascimento)

• QUINTETO ARMORIAL (1978)
1 – Batuque de Luanda (Antonio José Madureira)
2 – Romance da Nau Catarineta (Antonio J. Madureira)
3 – Toques dos caboclinhos (D. P.)
4 – Entremeio para rabeca e percussão (Antônio C. Nobrega)
I – Cortejo
II – Baiano
III – Boi
5 – Ária (Cantilena da Bachianas Brasileiras nº 5
de Heitor Villa-Lobos transcrição Antônio J. Madureira)
6 – Toque para marimbau e orquestra (A. J. Madureira)
I – Galope à beira-mar
II – Bendito de romeiros
III – Marcha rural

• SETE FLECHAS (1980)
1-Marcha da folia (Raul Morais)
2-Sete flechas (Antônio José Madureira)
3-Xincuan (Antônio José Madureira)
4-Improviso (Antônio José Madureira)
5-Cocada (Lourival Oliveira)
6-Martelo agalopado (Ariano Suassuna – Antônio Carlos Nóbrega)
7-Cantiga (Antônio José Madureira)
8-Algodão (Luiz Gonzaga – Humberto Teixeira)
9-Zabumba lanceada (Fernando Torres Barbosa)

Antonio José Madureira: viola sertaneja
Edilson Eulálio: violão
Fernando Torres Barbosa: marimbau nordestino
Egildo Vieira: pífano, flauta
Antonio Nóbrega: rabeca, violino
(algumas vezes com músicos adicionais)

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Comente: os comentários dos leitores são o combustível
da nossa loucura compartilhatória!

Ranulfus (publicado originalmente em 09.02.2012)

Claude Debussy (1862-1918): Nocturnes, La Damoiselle élue e Le Martyre de Saint Sébastien (Esa-Pekka Salonen, Los Angeles Philharmonic Orchestra)

Claude Debussy (1862-1918): Nocturnes, La Damoiselle élue e Le Martyre de Saint Sébastien (Esa-Pekka Salonen, Los Angeles Philharmonic Orchestra)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Os Nocturnes já tinham sido aqui postados com a gravação do Boulez. La Damoiselle élue é poema lírico baseado em um poema de Dante Gabriel Rosseti e Le Martyre de Saint-Sébastien são fragmentos sinfônicos, em 4 partes. A Orquestra é a Filarmônica de Los Angeles com a regência do sempre competente Esa-Pekka Salonen. As solistas são Dawn Upshaw – soprano – e Paula Rasmussen – mezzo soprano. O Coral é o Women of the Los Angeles Master Chorale. Belíssimo CD, que mostra toda a sensibilidade e delicadeza da música de Debussy. Abraços e boa semana. F.D.P. Bach.

Claude Debussy (1862-1918): Nocturnes, La Damoiselle élue e Le Martyre de Saint Sébastien (Esa-Pekka Salonen, Los Angeles Philharmonic Orchestra)

1. Nocturnes: I. Nuages (Nuvens)
2. Nocturnes: II. Fêtes (Festas)
3. Nocturnes: III. Sirènes (Sereias)

4. La damoiselle élue: Poème lyrique d’après Dante Gabriel Rossetti

5. Le Martyre de Saint Sébastien: I. La Cour des lys. Prelude
6. Le Martyre de Saint Sébastien: II. Danse extatique et Final du 1er Acte
7. Le Martyre de Saint Sébastien: III. La Passion
8. Le Martyre de Saint Sébastien: IV. Le Bon Pasteur

Conductor: Esa-Pekka Salonen
Performer: Paula Rasmussen, Dawn Upshaw, Women of the Los Angeles Master Chorale
Orchestra: Los Angeles Philharmonic Orchestra

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Quadro de Dante Gabriel Rossetti: bem Debussy….

F.D.P Bach + Pleyel

Fréderic Chopin (1810-1849): 4 Ballades – Barcarolle – Fantaisie – Berceuse (Lubimov)

Fréderic Chopin (1810-1849): 4 Ballades – Barcarolle – Fantaisie – Berceuse (Lubimov)

Vamos a mais uma postagem com conteúdo chopiniano. Selecionei alguns CDs para postar. Entre eles destaco uma box com treze CDs com a música de Chopin, sendo interpretada por Vladimir Ashkenazy. Fiquei a pensar se deveria postar Arrau (box com 7 CDs) ou Biret (box com 17 CDs).  Optei por Ashkenazy, que é um bom pianista. Por isso, esperem uma bombardeio com material do músico polaco. Há ainda um material com compositores avulsos. Vamos a um deles: ficamos agora com o pianista russo Alexei Borisovich Lubimov, que tem uma forte ligação com a música ocidental. Nos tempos da União Soviética chegou até a ser repreendido por causa desse fato. É um extraordinário CD. Não deixe de ouvir o trabalho de Lubimov. Boa degustação!

Fréderic Chopin (1810-1849) – 4 Ballades – Barcarolle – Fantaisie – Berceuse

01. Ballade #1 in g-min, op.23
02. Ballade #2 in F-maj, op.38
03. Ballade #3 in A-flat-maj, op.47
04. Ballade #4 in f-min, op.52
05. Barcarolle in F#-maj, op.60
06. Fantasie in f-min, op.49
07. Berceuse in D-flat-maj, op.57

Alexei Lubimov, piano

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Lubimov: já postamos homens mais belos
Lubimov: já postamos homens mais atraentes

Carlinus (2014)

P.S. de Pleyel ao respostar – existem os especialistas em Chopin, conhecidos por vocês: Artur Rubinstein, Guiomar Novaes, Maurizio Pollini, Dang Thai Son… além dos já citados acima pelo Carlinus. E existem discos um tanto surpreendentes com a música de Chopin gravada por pianistas não tão associados a ele. É o caso deste álbum em que Lubimov demonstra uma profunda sabedoria tanto sobre a música de Chopin como sobre o pianoforte Érard de 1837.

.: interlúdio :. Jaromir Hnilička (*1932): Missa Jazz (1969) – Orchester Gustav Brom

MissaJazz_capaNossa homenagem ao saudoso Ranulfus continuará, também, através da republicação de suas preciosas contribuições ao nosso blog – como esta, que veio à luz em 4/9/2016.

Tem coisa mais improvável que uma peça jazzística composta por um sujeito chamado Jaromir Hnilička?

Tem: que a peça consista basicamente de uma execução instrumental bastante simples dos cantos litúrgicos da missa católica, seja executada por uma banda de jazz tcheca… e o disco tenha feito sucesso em todo o mundo.

Pois aconteceu, senhores: o disco foi lançado na Europa em 1969, e depois teve edições em todo mundo, inclusive aqui no Brasil, onde o Monge Ranulfus o adquiriu em 1975.

Apesar de ainda possuir o vinil, a ripagem postada foi garimpada na internet por Daniel the Prophet, e Ranulfus apenas tratou de reduzir os estalos com emprego das artes mágica do mestre Avicenna.

Não tenho ideia de se vocês vão gostar ou não dessa música bem feita porém não muito complexa. A mim sempre agradou bastante – especialmente a faixa mais longa, inspirada no Kyrie e sequências, com 11 minutos. E mais não digo.

Ah, digo sim: já que é domingo de manhã… boa missa, né?

MISSA JAZZ 
Composta e arranjada por Jaromir Hnilička
Executada pela Gustav Brom Orchestra (1969)

1 – Praeludium (2’43)
2 – Introitus (5’45)
3 – Kyrie (11’00)
4 – Graduale (6’00)
5 – Gloria (4’40)
6 – Credo (3’00)
7 – Sanctus et Postludium

.  .  .  .  .  .  BAIXE AQUI – download here

Ranulfus

Revalidado por Vassily em 3/9/2025, com muitas saudades do amigo.