Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 5 (Zurich / Järvi)

O maestro Paavo Järvi tem bons contratos com gravadoras: após discos recentes dedicados a Messiaen, Mendelssohn e Bruckner (em Zürich, Suíça) e a Schubert e Beethoven (em Bremen, Alemanha), além de concertos para violino gravados com J. Jansen (Beethoven e Britten, aqui) e V. Mullova (Prokofiev) ele e os suíços iniciaram em 2025 uma integral de sinfonias de Mahler. Pode parecer mais do mesmo, afinal, a cada ano diversas opções de discos de Mahler têm surgido.

Mas comecei a ouvir essa Sinfonia nº 5 e fiquei convencido: a orquestra de Zürich mostra personalidade nas melodias de sabor levemente folclórico, nas danças e canções. Quando falo em personalidade, me refiro a fraseados, articulações que fogem do óbvio ao mesmo tempo que se encaixam no que pede a partitura, fugindo assim dos rubatos grotescos ou incompreensíveis.

No libreto do álbum, Järvi traz algumas opiniões: “Mahler abriu um novo universo com a Quinta Sinfonia, iniciando um estilo musical incrivelmente pessoal. As sinfonias anteriores têm, é claro, um alto nível de genialidade e com bastante diálogo interior. Mas essa maneira de iniciar nos colocando em uma marcha fúnebre militar, com essa atmosfera trágica, a ideia mesmo de começar assim uma sinfonia – tudo isso mostra que vai acontecer algo bem diferente.

E acrescenta Franzizka Gallusser, autora das notas do álbum: Mahler disse uma vez que sua Quinta Sinfonia é a obra que “ninguém entendia”. Já abordando o movimento final da Sinfonia, que traz a marcação “Fresco”, com cantos de pássaros após o clima mais melancólico do Adagietto para cordas, Gallusser comenta as ambiguidades de Mahler, mestre em criar expectativas e quebrá-las, bem ao contrário do seu professor Anton Bruckner, que era menos imprevisível e mais classicista em termos de desenvolvimentos:

“Mahler quebra a seriedade do movimento, parodiando a expectativa usual do ouvinte de que o último movimento inclua um coral que conclua a sinfonia. Um coral aparece no final da Sinfonia, embora tenha uma conotação irônica desde o início, já que a introdução consiste em elementos do próprio coral. O coral propriamente dito, no final do movimento, perde, assim, qualquer legitimidade e não possui solenidade; isso é ainda mais enfatizado por sua repetição em um estilo burlesco e lúdico. A música, portanto, foge de qualquer interpretação clara do destino da obra sinfônica e deixa o desfecho em aberto. Será que Mahler escreveu sua sinfonia dessa maneira de propósito para que ‘ninguém a entendesse’?”

Gustav Mahler: Sinfonia nº 5 (1904)
1. Trauermarsch (Marcha Fúnebre): In gemessenem Schritt. Streng. Wie ein Kondukt (At a measured pace. Strict. Like a funeral procession.) (A passos mesurados. Estrito. Como uma processão fúnebre)
2. Stürmisch bewegt, mit größter Vehemenz (Com movimento e tempestuoso, com grande veemência)
3. Scherzo. Kräftig, nicht zu schnell (Forte, não muito rápido)
4. Adagietto. Sehr langsam (Muito lento)
5. Rondo-Finale. Allegro – Allegro giocoso. Frisch (Fresco)

Tonhalle Zurich / Paavo Järvi

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Gustav Mahler talvez um pouco cansado

Pleyel

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