Jean Sibelius (1865-1957): As Sinfonias Completas + Tapiola & 3 Late Fragments (Mäkelä / Oslo Philharmonic)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Após quatro anos de busca, a Royal Concertgebouw Orchestra encontrou um novo maestro titular. Conforme anunciado no início da manhã durante uma conferência de imprensa, o escolhido foi o finlandês Klaus Mäkelä (26 anos!!!!), que iniciará o seu novo emprego em Amsterdam a partir de agosto de 2027, por um período de cinco anos. Até lá, ele atuará como consultor artístico do grupo holandês. Mäkelä, que se torna assim o sucessor de Daniele Gatti, estreou com a Concertgebouw Orchestra em 2020 e foi recebido com entusiasmo pelos seus membros, o que influenciou definitivamente a decisão final. Mais tarde, em novembro do ano passado, ele excursionou por Reykjavík e Hamburgo com ela. Até assumir oficialmente a direção da Orquestra Real do Concertgebouw, Mäkelä continuará a liderar os dois grupos que atualmente lidera: a Filarmônica de Oslo e a Orquestra de Paris (neste último, começou a exercer em 2021).

Eu ouvi estes CDs com as Sinfonias de Sibelius e o cara é um monstro mesmo. 26 anos…

René Denon completa, com muito maior brilhantismo e informações:

A gravação deste ciclo de Sinfonias de Jan Sibelius pela Oslo Philharmonic Orchestra, com a regência de seu novo diretor Klaus Mäkelä, estava prevista para ser realizada ao longo de concertos programados entre o outono (do hemisfério norte) de 2020 e a primavera (…) de 2021. Klaus Mäkelä (que nasceu em 1996) havia firmado um contrato exclusivo com o selo DECCA. Apenas mais dois regentes haviam tido tal relação com o selo antes. O último foi Riccardo Chailly, contratado em 1978.

Mas eis que as engrenagens do destino já estavam em movimento e… você sabe o que se abateu sobre o mundo em 2020. A gravação do ciclo então se deu em outras circunstâncias. A orquestra e seu jovem regente puderam imergir no ciclo em condições únicas, devido ao período de isolamento social a que todos nós tivemos que nos submeter.

A orquestra de Oslo não é de forma alguma inexperiente em relação às sinfonias de Sibelius. Quem não se recorda dos discos gravado por ela sob a regência do então também jovem regente que a elevou ao nível das grandes orquestras europeias, o saudoso Mariss Jansons? Como Mäkelä contou em sua entrevista à Gramaphone, esse compromisso focado nas partituras de Sibelius mudou a compreensão que a orquestra tinha delas. “Tocávamos, tocávamos e aí gravávamos”. “Isto nos permitiu ir mais fundo do que teríamos feito em uma situação normal”. Manter a distância de 1,5m entre os músicos também fez com que eles ouvissem uns aos outros mais acuradamente, disse o regente. “Era algo engraçado. As seções de gravação de Sibelius eram as únicas interações sociais que muitos de nós tínhamos, naquele período no qual tudo era proibido”.
Assim, senhores, este ciclo que nos chega ganha esse selo de unicidade, é ímpar devido ao momento em que foi elaborado. Há muitas novidades vindo aí pela batuta deste ainda muito jovem regente, assim como há outros ciclos de Sinfonias de Sibelius que os apreciadores de sua música irão buscar, mas este merece ser destacado por estas tão únicas circunstâncias.

Mette Henriette

Na programação da Oslo PO desta temporada de 2021/22, música de Saariaho, Richard Strauss (Zarathustra) e duas novas obras da saxofonista e compositora Mette Henriette, sem deixar de fora o santo padroeiro Sibelius – Lemminkäinen. Bach, Mozart, Walton, Mahler e Shostakovitch também fazem parte das programações. Portanto, reservem bom pedaço do HD para o que vem por aí e aproveite desde já estas sinfonias que dispomos. Eu começarei pela Segunda…

Here was something truly special: a conductor who revelled in freshly imagining each sound.
THE TIMES, sobre Klaus Mäkelä

Jean Sibelius (1865-1957): As Sinfonias Completas + Tapiola & 3 Late Fragments (Mäkelä / Oslo Philharmonic)

1. Symphony No. 1 in E Minor, Op. 39 – I. Andante, ma non troppo – Allegro energico
2. Symphony No. 1 in E Minor, Op. 39 – II. Andante (ma non troppo lento)
3. Symphony No. 1 in E Minor, Op. 39 – III. Scherzo. Allegro
4. Symphony No. 1 in E Minor, Op. 39 – IV. Finale. Quasi una fantasia

5. Symphony No. 2 in D Major, Op. 43 – I. Allegretto
6. Symphony No. 2 in D Major, Op. 43 – II. Tempo andante, ma rubato
7. Symphony No. 2 in D Major, Op. 43 – III. Vivacissimo
8. Symphony No. 2 in D Major, Op. 43 – IV. Finale. Allegro moderato

9. Symphony No. 3 in C Major, Op. 52 – I. Allegro moderato
10. Symphony No. 3 in C Major, Op. 52 – II. Andantino con moto, quasi allegretto
11. Symphony No. 3 in C Major, Op. 52 – III. Moderato – Allegro ma non tanto

12. Symphony No. 4 in A Minor, Op. 63 – I. Tempo molto moderato, quasi adagio
13. Symphony No. 4 in A Minor, Op. 63 – II. Allegro molto vivace
14. Symphony No. 4 in A Minor, Op. 63 – III. Il tempo largo
15. Symphony No. 4 in A Minor, Op. 63 – IV. Allegro

16. Symphony No. 5 in E-Flat Major, Op. 82 – I. Tempo molto moderato
17. Symphony No. 5 in E-Flat Major, Op. 82 – II. Andante mosso, quasi allegretto
18. Symphony No. 5 in E-Flat Major, Op. 82 – III. Allegro molto

19. Symphony No. 6 in D Minor, Op. 104 – I. Allegro molto moderato
20. Symphony No. 6 in D Minor, Op. 104 – II. Allegretto moderato
21. Symphony No. 6 in D Minor, Op. 104 – III. Poco vivace
22. Symphony No. 6 in D Minor, Op. 104 – IV. Allegro molto

23. Symphony No. 7 in C Major, Op. 105 – I. Adagio –
24. Symphony No. 7 in C Major, Op. 105 – II. Vivacissimo – Adagio –
25. Symphony No. 7 in C Major, Op. 105 – III. Allegro molto moderato –
26. Symphony No. 7 in C Major, Op. 105 – IV. Vivace – Presto – Adagio

27. Tapiola, Op. 112

28. 3 Late Fragments – I. HUL 1325 (Compl. Virtanen)
29. 3 Late Fragments – II. HUL 1326/9 (Compl. Virtanen)
30. 3 Late Fragments – III. Allegro moderato, HUL 1327/2 (Compl. Virtanen)

Oslo Philharmonic Orchestra
Klaus Mäkelä

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PQP

11 comments / Add your comment below

  1. está aí algo que desejo realmente ver. ouvi-o reger a terceira e gostei. já o mahler…sinceramente não. som maravilhoso! grande noção de espaço…mas, falta o pathos de bernstein, o ydishkheit de walter e a profundidade de tennstedt. sem falar em abbado – a quarta com a von stade é algo fabuloso ( sugestão para postar aqui no blog) – karajan – uma excelente quarta com a mathis (outra sugestão), a sexta e a nona, irresistíveis!
    sibelius era o mundo de karajan. as sinfonias 2,4,5,6 e 7 são arrebatadoras nas mãos do kaiser! sibelius ouviu karajan e disse: ele…ele sim compreendeu o que eu quis dizer…
    realmente estou curioso para ver ouvir o jovem maestro.
    o que me deixa um pouco com o pé atrás é que esses jovens têm técnica. e muita! porém, muitas vezes, parecem…algo como se fosse isopor. não sei…talvez seja um preconceito meu. e não é quanto à idade não. jan lisiecki é jovem e simplesmente fabuloso com seu chopin doce, terno. zimerman me deixou fascinado quando, o ouvi, ainda um guri, com karajan tocando grieg e schumann.
    bem…ouçamos o jovem finlandês!
    pedido/sugestão: postem por favor a obra para piano de leos janácek com rafael kubelik e rudolf firkusny, deutsche grammophon, album duplo. é um documento histórico fabuloso!!!! e abrilhantará ainda mais o PQPBACH, que já é, como diria, tullio serafin, “un monumento in piazza”
    la ringrazzio ! auf wiedersehen!

  2. a questão Mäkelä
    ouvi algumas sinfonias do jovem maestro finlandês.
    sem dúvida, o guri tem técnica! o som é muito equilibrado! maestro e orquestra mostram uma sintonia real em cada uma das obras.
    mas há algo que não me fez levantar da cadeira não. acabei não me empolgando.
    a visão de mäkelä das sinfonias de sibelius é linear. não há nuances. não há mistério.
    toda a profundidade escancarada e wagneriana de karajan, a emotividade profunda de bernstein ou a “meditação silenciosa” de paavo berglung, aqui, com mäkelä, sequer deu um olá amistoso.
    sem dúvida, a melhor leitura do jovem maestro é a da sinfonia número 3. alí, mäkelä está pensativo, contemplativo. sobretudo no primeiro movimento, mäkelä, faz seu “remeinds of the day”( alusão ao filme fabuloso com anthony hopkins e emma thompson) de seu país natal. realmente gostei.
    no entanto, as outras sinfonias, sobretudo a 2, a 5 e a 7, a leitura do moço não me agradou.
    o finale da 7, uma clara alusão à solidão, ao silêncio do norte e, talvez, à aurora boreal e seus mistérios, simplesmente, é tocado quase que burocraticamente.
    achei estranho porque, afinal, uma orquestra nórdica, um regente nórdico, talvez, captassem com tutta forza o clima; como se diz hoje, a vibe. ledo engano…
    por trás da forma meio sisuda, do natural hermetismo finlandês, há um vulcão de emoções! e como há!
    basta ouvir o concerto para violino com ferras e karajan. ou ainda a interpretação incandescente de gill shaham com sinopoli! santo dio! que gelo! mamma mia! que calor!
    enquanto bernstein está ocupado com o caminhar na neve, num amanhecer ou entardecer sob a aurora boreal ( as leituras dele das sinfonias 1, 2, 5 e 7 são estupendas(!); karajan olha para os céus. ele nos leva para aquela paisagem desolada e branca, onde tudo parece monótono e nos diz: olhem para cima.
    o que vemos é um espetáculo único, celeste…sideral. e perdemos a noção do que é a terra e do que é o espaço.
    mäkelä nos deixa na sala de concerto. faz um bom trabalho. pronto.
    bernstein e karajan nos catapultam para o espaço. vamos para as estrelas, brincando de ser uma (no belo texto do show de maria bethânia).
    berglung tem um paradigma diferente. ele e a filarmônica de helsinky, fazem quadros sonóros da finlândia. de seus lagos, de suas planuras de neve, das dunas brancas, no extremo norte e das florestas, junto aos lagos, ao sul do país.
    mas são quadros detalhados. e muito belos.
    in my humble opinion, quem quiser realmente conhecer as sinfonias de sibelius, deve procurar esses três maestros. eles, cada um a seu modo, mostram o gigante que é jean sibelius.
    no geral, mäkelä faz uma apresentação correta das obras, a maior coletânea sinfônica já feita em um país nórdico.
    mas não se aprofunda não.
    ao ouví-lo e à filarmônica de oslo, me lembrei de um regente que, francamente, não me faz a cabeça de jeito nenhum: paavo jarvi, filho de neemme jarvi.
    o que paavo faz com as sinfonias de beethoven é algo que nada me diz. quando ele esteve em são paulo, apresentando a íntegral das sinfonias do kaiser de bonn, fiquei todo o tempo pensando em klemperer. na pastoral, me veio böhm. e karajan também.
    opinião é opinião e não o momento supremo da transubstanciação do pão e do vinho, pouco antes da comunhão, na igreja católica; mas, paavo jarvi parece reger robôs, para uma platéia de robôs.
    será que mäkelä seguirá esse caminho?
    o tempo dirá.

    1. Esse Makela é uma bomba, David Hurwitz postou um vídeo detonando esse ciclo do bezerro de ouro finlandês, costumo discordar desse crítico citado mas nesse caso concordo totalmente com ele!

      1. caro isaac, boa noite! fiquei admirado com a visão “chapada” das obras de sibelius. acho que temos uma entresafra de reais talentos

        1. Olá boa noite! Eu da minha parte penso que gente carreirista sem talento ocupa o espaço de pessoas realmente talentosas. Sempre foi assim, exemplo Mozart e Salieri.

      2. Enquanto isso, em nosso grupo do Whats:

        [10:43, 19/07/2022] A: Isaac comentou lá no blog dizendo que esse Makela é uma bomba 🙄
        Pelo jeito os músicos do Concertgebouw não acertam uma! Depois da frieza do Haitink e do Gatti assediador, chamaram mais um farsante pra comandá-los…
        [10:45, 19/07/2022] B: Meu deus, aquela gentalha do Concertgebouw…
        [10:54, 19/07/2022] C: Hahahahaha
        [10:55, 19/07/2022] C: Aqueles músicos de merda com aquela acústica de bosta
        [11:44, 19/07/2022] D: Esse cara deve ter algum problema…
        [11:44, 19/07/2022] D: Gosta de ser do contra.
        [12:00, 19/07/2022] A: O que me incomoda mais é ele xingar sem fundamentar. Que diga então, sei lá, que o scherzo é sem graça, os andamentos mal escolhidos ou os metais estridentes. Falar assim que é uma bomba, parece mesmo vontade de ser do contra
        [12:02, 19/07/2022] C: Milagre que não tenha chineleado a gravação das sinfonias de Shosta regidas por Maxim, cuja orquestra desqualificou antes mesmo da publicação
        [12:19, 19/07/2022] B: É um pândego!
        [12:29, 19/07/2022] C: Um Policarpo Quaresma da música de concerto. Os ataques ad hominem a Marin Alsop e Thierry Fischer à frente da Osesp têm bem essa tônica dos comentários
        [12:35, 19/07/2022] B: Aposto que ele não ouviu a gravação do cara.
        [12:37, 19/07/2022] B: Ah, a acústica daquela sala. Estive lá só uma vez, mas não vou esquecer jamais. Pena que o regente era o Haitink, aquele homem frio.
        [12:37, 19/07/2022] C: Sim, péssimo regente
        [12:37, 19/07/2022] C: Não sabe trabalhar um fraseado
        [12:43, 19/07/2022] B: Posso dizer que ouvi todo o Sibelius do menino.
        [12:43, 19/07/2022] B: É maiúsculo
        [13:43, 19/07/2022] E: É claro que esse Isaac quer púlpito, palanque. Ele não quer fazer um comentário construtivo ou mesmo destrutivo… Ele quer ver o efeito de suas próprias palavras. Eu fico um pouco frustrado com isso, pois acho que esse tipo de comentário acaba inibindo a manifestação de outras pessoas, que realmente poderiam contribuir…
        [13:46, 19/07/2022] E: E veja que uma busca rápida só no PQP Bach apresenta várias opções de gravações de Sinfonias de Sibelius. Bernstein postado pelo Carlinus e até HvK pelo boss…
        [13:48, 19/07/2022] D: Lembro que botei com o Barbirolli, com a Hallé Orchestra .. gostei muito daquele registro, mesmo sendo lá dos anos 60.
        [13:48, 19/07/2022] D: Tem aquele menino também, o Santta Mathias, ou algo assim.

        HAHAHAHAHAHA

        Ah, não haverá bate-boca, OK? Não iremos responder.

        1. Gostaria de relembrar que fiz uma menção ao crítico David Hurwitz e sua crítica, deixei clara minha concordância como referência e ignoraram essa fonte. O pouco que escrevi ignoraram mas ainda pedem mais fundamentações, não dá para compreender!

        2. Quais ataques pessoais eu fiz aos regentes Fischer e Alsop? Uma crítica negativa de uma performance é bem diferente de um ataque ad hominem, ignorar essa distinção fundamental é uma falácia do espantalho notória! Aliás 70 por cento dos músicos da OSESP votaram pela não renovação do contrato da maestrina. Atacam a mim com argumentos ad hominem sugerindo que tenho “problemas” por criticar a regente Alsop, mas ignoram que 70 por cento dos músicos da orquestra não a queriam mais e também ignoram que não são os músicos das orquestras os únicos de decidem sobre contratos com diretores musicais. Não desinformem o público!

        3. Caro PQP Bach, desculpe pela intromissão, mas eu poderia participar (respeitando as regras estabelecidas, é claro) deste grupo de WhatsApp do blog? Ou a participação no mesmo é aberta apenas aos articulistas do blog? Fiquei interessado em apreciar essas discussões, e humildemente dar algum pitaco. Desde já agradeço.

          1. Caro Marcelo…
            Realmente é muito divertido trocar informações e opiniões sobre música com nossos amigos. Se você visitar algumas postagens antigas, verá o quanto era intensa a troca de comentários exatamente nesse espaço, que pode voltar a acontecer, se mais pessoas deixarem aqui, além de pedidos de reedição de antigas postagens (que sempre serão acolhidas, a despeito da morosidade do nosso SAC) e das mensagens desancando nossas orquestras e regentes preferidas (que também são muito bem recebidas pelo comitê que as analisa), suas impressões sobre as obras e interpretações que gostaram e coisas assim.
            Espero vê-lo participando mais vezes e sempre responderei, pelo menos um pouquinho mais celeremente do que o nosso lendário SAC…
            Abração do
            René

  3. Caro René,
    Agradeço pela resposta e pelo incentivo a participar mais frequentemente da sadia troca de opiniões e impressões acerca dos compositores e intérpretes abordados nas postagens.
    Sou um visitante meio “bissexto”, mas vou conferir as postagens com mais assiduidade. Gosto muito de ler as publicações. O estilo dos textos é leve e, ao mesmo tempo, rico em informações e comentários.
    Forte abraço,
    Marcelo

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