BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sinfonia no. 8 em Fá maior, Op. 93 – Chailly – Furtwängler – Gardiner – Haitink – Huggett – Jansons – Karajan – Rattle – Reiner – Solti – Toscanini – Wand

Quando a Oitava estreou, num concerto que também incluiu a já manjada e bem-sucedida dobradinha Sétima/Wellington, a reação, se não de desgosto, foi de estranheza. Depois da energia tremenda da Sétima, cuja reputação só crescia, surgia aquela sinfonia neoclássica, neo-haydniana, concisa e com três de seus quatro movimentos em sonata-forma. Estaria Beethoven, o arauto do futuro da Música, dando a ré?

Pelo jeito, não atentaram para a escrita: desde a “Eroica”, Ludwig alternava uma sinfonia inovadora e expansiva com uma contraparte concisa e/ou relaxada. Se a Quinta foi gêmea bivitelina da Sexta, os primeiros esboços da Oitava surgiram juntos aos da Sétima, que acabou tendo uma gestação mais curta. Composta essencialmente em 1812, ano em que Beethoven conheceu seu ídolo Goethe num veraneio em Teplitz/Teplice e escreveu sua famosa carta à “Amada Imortal”, a Oitava é notável por ser uma das únicas grandes obras de Beethoven sem um dedicatário. Ela já começa contrastando com sua irmã: em vez da imensa introdução que abre a Sétima, aqui uma frase assertiva inicia imediatamente os trabalhos. Não há, como na sinfonia anterior, um movimento lento propriamente dito, e sim um “pseudo-scherzo” cujo pulsar remete tanto a um metrônomo que se cogitou tratar-se de uma homenagem a seu inventor, Mälzel (a descoberta posterior de um breve cânone vocal com o tema do Allegretto e uma citação a Mälzel pareceu corroborar a teoria, mas acabou refutada como uma falsificação – mais uma – de Anton Schindler). Em seguida ao “pseudo-scherzo”, em dum scherzo propriamente dito, há um delicioso minueto – o primeiro que ele escrevia em oito anos, e mais uma jocosa referência ao não tão distante passado em que a uma sinfonia não poderiam faltar minuetos. O finale é, entre todas as partes, aquela de maior sustância: depois dum começo sutil e um tanto hesitante, a coisa vai fermentando e crescendo e tomando uma proporção tamanha que só consegue encontrar um fim com a maior e mais extravagante de todas as codas de Beethoven.

Tantos gestos de humor e bruscos imprevistos, dentro duma forma mormente clássica, foram entendidos na época como anacronismo, mas hoje eu só os consigo perceber como imensa ironia – a mesma com que Ludwig teria respondido ao comentário de seu aluno Czerny sobre o fato do público não ter aclamado a Oitava e preferido a Sétima:

Porque ela é muito melhor.

 

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Sinfonia no. 8 em Fá maior, Op. 93
Composta em 1812
Publicada em 1817

1 – Allegro vivace e con brio
2 – Allegretto scherzando
3 – Tempo di menuetto
4- Allegro vivace

Wiener Philarmoniker
Wilhelm Furtwängler
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NBC Symphony Orchestra
Arturo Toscanini
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Chicago Symphony Orchestra
Fritz Reiner
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Berliner Philharmoniker
Herbert von Karajan
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Chicago Symphony Orchestra
Sir Georg Solti
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Sinfonieorchester des Norddeutschen Rundfunks
Günter Wand
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Koninklijk Concertgebouworkest
Bernard Haitink
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The Hanover Band
Roy Goodman
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Orchestre Révolutionnaire et Romantique
John Eliot Gardiner
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Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks
Mariss Jansons
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Gewandhausorchester Leipzig
Riccardo Chailly
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Berliner Philharmoniker
Sir Simon Rattle
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#BTHVN250, por René Denon

Vassily

4 comments / Add your comment below

    1. Olá, José Maria!
      Sem dúvida Schmidt-Isserstedt está fazendo falta nesse rol de bons regentes, ainda mais numa série de sinfonias de Beethoven, que ele gravou integralmente duma maneira tão peculiar e marcante. O motivo para não o ter incluído foi, simplesmente, que eu não dispunha de todas as gravações de sua série quando iniciei as postagens sobre as sinfonias. Agora que as consegui, deverei postá-las em algum momento, ou mesmo incorporá-las às postagens que já fiz. Um abraço!

  1. Olá, JM!
    Eu não resisti e vou meter minha colher nesse angu! Por maior que seja o respeito que temos pelo H S-I e por mais que você goste das interpretações dele, notoriamente famosas, sua mensagem me faz lembrar da cena de Laurel e Hardy, que para nós foram o Gordo e o Magro, fazendo compras de sorvete…

    https://www.youtube.com/watch?v=pE8LVWsmMT0

    Abração…
    Quem sabe algum de nossos jurássicos representantes acrescenta algumas sinfonias com o Hans…
    Abraços do
    René

  2. Até agora fico surpreso quando penso que, dentro deste projeto que tanto estimo, foram publicadas 12 integrais das sinfonias, fora a restauração das versões de Klemperer, Walter e Harnoncourt etc., num ato de reverência à música de Beethoven infinitamente maior que tudo o que os grandes jornais brasileiros, por ex., têm feito (deixado de fazer) ao longo deste jubileu. Não ouvi as 12, a de Mariss Jansons, que não conhecia, foi para mim uma ótima descoberta. Contudo, e com todo respeito, a impressão que fica é que, fossem ofertadas 100, 200 integrais, ainda apontariam alguma falta.

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