Antonio Carlos Gomes (1836-1896): Minhas Pobres Canções [link atualizado 2017]

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Com orgulho anunciamos a QUADRAGÉSIMA postagem de Carlos Gomes aqui no PQPBach! Hoje ele passa a ser o segundo brasileiro mais presente aqui, perdendo só para o genial Padre José Maurício Nunes Garcia (bom, o Villa-Lobos era o primeiro, mas essa é uma longa e triste história…).

Temos hoje os dois CDs que acompanham o livro da figura ao lado. Essa é daquelas obras que se propuseram a ser definitivas: Minhas Pobres Canções é praticamente um tratado sobre a obra de canções de Antonio Carlos Gomes. O livro foi escrito por Niza de Castro Tank que, além de uma das maiores sopranos nascidas neste solo, foi por muito tempo professora do curso de música da Unicamp (até a compulsória…), o que lhe permitiu ser muito mais que intérprete da música de Nhô Tonico: a limeirense Niza é uma importante pesquisadora e divulgadora da obra do compositor campineiro.
Por se tratar de um livro sobre música, ele vem acompanhado por dois CDs com 41 canções gomianas. É uma obra, literária e auditiva, de suma importância para conhecermos melhor a Carlos Gomes.

“Tão longe, de mim distante/ Onde irá, onde irá teu pensamento?” Os versos são de “Quem Sabe?”, já gravada por intérpretes tão distintos como Ney Matogrosso, Agnaldo Timóteo, Nelson Ayres e Cristina Maristany, e item mais célebre entre a porção menos conhecida da produção do compositor campineiro Antônio Carlos Gomes (1836-1896): as canções.
Se, no teatro Municipal do Rio, há uma estátua dele na entrada, no de São Paulo sua efígie mira fixamente o público, acima do palco -e não por acaso. Com uma carreira de sucesso na Itália, Carlos Gomes foi essencialmente um compositor de óperas, e os acordes da abertura de sua criação lírica mais renomada, “Il Guarany”, estreada no Scala de Milão, em 1870, ecoam até hoje no prefixo do noticioso “Voz do Brasil”.
Na Sala São Paulo, o sinal da chamada para o público vem da “Alvorada” de outra ópera de Carlos Gomes, “Lo Schiavo”.
Participante, no papel de Ceci, da primeira gravação do “Guarany”, em 1959, a soprano Niza de Castro Tank, 75, natural de Limeira (cidade próxima a Campinas), e uma das principais intérpretes do compositor, resolveu resgatar sua produção para canto e piano. “Minhas Pobres Canções” traz as partituras das 41 modinhas e canções que compreendem a produção do autor no gênero.

Dialetos
Caprichada, com revisão musical do pianista e compositor Achile Picchi, a edição traz comentários estilísticos, técnicos e musicais de Niza sobre cada uma das obras. Professores de italiano foram consultados para a versão final dos poemas, já que Carlos Gomes chegou a empregar textos em dialeto vêneto e milanês. O livro é acompanhado por um CD duplo, no qual as obras são interpretadas por Tank e mais seis cantores, acompanhados por Picchi, nas tonalidades originais para as quais foram escritas.
“Eu não podia cantar tudo”, diz Niza. “Sou soprano, até posso tentar a linha de mezzo-soprano, mas não dava para encarar as obras para baixo”, brinca. Picchi e ela participaram, em 1986, de iniciativa análoga, que contemplou uma edição “quase completa” do cancioneiro do compositor, pela Funarte.
Para além dos três álbuns publicados pela editora Ricordi, de Milão, nos anos 80 do século 19, as obras encontravam-se dispersas; além de Campinas, cidade natal do compositor, e Belém do Pará, onde ele morreu, elas foram reunidas em pesquisas no Rio de Janeiro e Curitiba.

Barcarola inédita
Com relação à edição da Funarte, a maior novidade é “Eternamente”, barcarola de 1867, em mi bemol maior, sobre texto em italiano de Marco Marcelliano Marcello (1820-1886), que se encontrava inédita. Se Niza ainda é prudente com relação a chamar sua edição atual de completa, prefere dizer que ela, agora, inclui todas as canções de Carlos Gomes “de que se tem notícia”. Estilisticamente, o compositor classificou algumas das obras do livro de modinhas (como “Quem Sabe?”, sobre versos de Bittencourt Sampaio), escritas em português e inseridas na tradição do gênero. As remanescentes são as canções propriamente ditas, divididas em românticas, dramáticas e satíricas.
“Carlos Gomes nasceu para fazer ópera e, nas canções, a gente sente o lírico que existe nele. Muitas delas são trechos de ópera”, explica Niza. “Contudo, nas canções satíricas, a gente vê o espírito brasileiro e irônico que o acompanhou durante a vida toda.” 
(Irineu Franco Perpétuo, para a Folha de São Paulo, quando do lançamento do livro – 11 de setembro de 2006)

Duas notas importantes:
– Todos os intérpretes são de alto nível. Dá muito gosto de ouví-los!
– Não encontrei o selinho do Amazon com imagem, mas você encontra esse livro-CD lá ou no Estante Virtual por preços de 40 a 120 reais.

Por hora, ouça, ouça! Deleite-se!

Antonio Carlos Gomes (1836-1896), in:
TANK, Niza de Castro. Minhas Pobres Canções. São Paulo: Algol Editora, 2006.

01. Bela ninfa de minh’alma;
02. Suspiro d’alma
03. Anália ingrata
04. Quem sabe?
05. Io ti vidi
06. Notturno
07. Eternamente
08. La madamina
09. Lisa, me vos tu bem?
10. Lo sigaretto
11. Beato Lui
12. Giulietta Mia
13. Célia d’Amore
14. Qui pro quo
15. La preghiera dell’orfano
16. Aurora e Tramonto
17. Sul Lago di Como – La regata
18. Mamma dice
19. Realtà
20. Sempre Teço
21. Mon bonheur
22. Spirto gentil
23. Divorzio
24. Rondinella
25. Oblio
26. Il brigante
27. Bella Tosa
28. Cos’è l’amore
29. La piccola mendicante
30. Civettuola
31. Conselhos
32. L’Arcolaio
33. Lontana
34. Povera Bambola
35. Dolce rimprovero
36. Tu m’ami
37. Per me solo
38. Canta ancor
39. Addio
40. Noces d’argent
41. Fra cari genitor

Niza de Castro Tank, soprano (faixas 02, 04, 18, 21, 24, 30, 33, 38, 41)
Márcia Guimarães, soprano (faixas 08, 09, 17, 32, 35, 40)
Vânia Pajares, soprano (faixas 27, 29, 31, 34)
Lenine Santos, tenor (faixas 01, 03, 05, 10, 14, 15, 19, 22, 33, 36)
Amadeu Góis, barítono (faixas 07, 37, 39)
Francisco Frias, barítono (faixas, 11, 12, 13, 16, 20, 23, 25, 28)
Toroh de Souza, baixo (faixas 06, 26)
Achille Picchi, piano
São Paulo, 2006

CLIQUE AQUI – DOWNLOAD HERE (121Mb)

Partituras e outros que tais? Clique aqui

Niza de castro Tank e Achille Picchi: dois entusiastas da obra de Carlos Gomes!

Bisnaga

12 comments / Add your comment below

  1. Por GENTILEZA, é possível você enviar novamente desta vez extraído em 320 KBPS ou em FLAC?
    Sugiro que faça sempre esta operação em 320 kbps,. Deixe o programa que você usa para a extração, já calibrado na melhor qualidade!
    Agradeço antecipadamente

  2. Meu karo Karyttus,

    Eu tenho alguns arquivos que obtive em 2008 e em anos anteriores (é o caso desses. Na época, eu, mais jovem, não tive a preocupação de extrair os áudios em qualidade melhor. Agora, faz alguns anos, sempre extraio os arquivos em 320kbps…
    No entanto, perdi a fonte desses CDs, que não são meus, e não tenho mais como conseguí-los.

    Lembrando que os álbuns aqui postados são uma amostra, muitas vezes, em qualidade de som imperfeita, para que vocês, ouvintes, conheçam a música, se apaixonem por ela, e se assim desejarem, adquiram o CD (muito mais legal!).

    Um abração
    A próxima postagem que agendei está em 320. Aguarde e aproveite.

  3. Dear Bisnaga
    Everytime I see a post of Antonio Carlos Gomes here, my heart is starting to beat faster and I can’t wait to listen. Thanks to you I had the luck of my life to get to know his operas, which are milestones not only for Brazilian opera but for the entire world of opera. And yet as an opera lover for 25 years I never ever came accross his name even!!. . I proudly say that your blog really changed my life and therefore I am so grateful from the bottom of my heart for you being his advocate to the world. These songs prove once again his genius also in a small form and when Niza de Castro Tank sings his Quem
    sabe I just wish Bellini could have heard it too. It’s music from heaven!! Thanks again my friend!!!!!!
    Jan

  4. Tentei baixar agora pelo rapidshare e está dando file not found.

    Não havia usado o rapidshare com este layout, mas acho que fiz tudo certo:

    1) Selecionei a caixa com o nome do arquivo.

    2) Cliquei em Download Selection.

    Tava seco pra ouvir o meu conterrâneo!

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