Karajan Conducts Tchaikovsky – CD 4 de 8 – Synphony no. 4 in F minor, op. 36, Variations on a Rococo Theme for Cello and Orchestra op. 33 – Karajan, BPO, Rostropovich

Eu diria que esta coleção começa a engrenar aqui, com este CD de número 4. Aqui o bicho pega.
A Sinfonia de nº 4 é de uma força tremenda, já no seu início, com os sopros mostrando a que vieram, e logo depois, as cordas, ah, as cordas da Filarmônica de Berlim… que unidade, que coerência, que precisão… em minha opinião, é a partir desta obra que Tchaikovsky começa a ser conhecido como grande sinfonista, apesar das críticas negativas na época de sua estréia com o tempo ela se impôs, e é uma das obras mais executadas e gravadas do compositor russo até os dias de hoje.
A alma russa está sempre presente na obra de Tchaikovsky, mas aquele romantismo tão característico se impõe em sua obra. Ela intercala momentos de explosão e de tranquilidade, nos levando à extremos. Gostei deste comentário do resenhista da Wikipedia:

The Fourth Symphony is where Tchaikovsky’s struggles with Western sonata form came to a head. In some ways he was not alone. The Romantics in general were never natural symphonists because music was to them primarily evocative and biographical. Western musical form, as developed primarily by Germanic composers, was analytical and architectural; it simply was not designed to handle the personal emotions the Romantics wished to express.The difference with Tchaikovsky was that while the other Romantics remained generally autobiographical in what they wanted to express, he became more specific and, consequently, more intense.
In his first three symphonies he had striven to stay within strict Western form. The turbulent changes in his personal life, including his marital crisis, now led him to write music so strongly personal and expressive that structural matters could not stay as they had been. Beginning with the Fourth Symphony, the symphony served as a human document—dramatic, autobiographical, concerned not with everyday things but with things psychological. This was because Tchaikovsky’s creative impulses had become unprecedentedly personal, urgent, capable of enormous expressive forcefulness, even violence.

A outra obra do CD é a famosa gravação das “Variações sobre um Tema Rococo” com o grande, quiçá o maior violoncelista do século XX, Mstislav Rostropovich. É considerada a gravação definitiva dessa obra.

Enfim, para quem curte fortes emoções, eu diria que este CD é altamente recomendável. Claro que leva o selo de IM-PER-DÍ-VEL!!!

01 – Symphony no. 4 in F minor, op. 36 – 1. Andante sostenuto – Moderato con anima
02 – Symphony no. 4 in F minor, op. 36 – 2. Andantino in modo di canzone
03 – Symphony no. 4 in F minor, op. 36 – 3. Scherzo. Pizzicato ostinato – Allegro
04 – Symphony no. 4 in F minor, op. 36 – 4. Finale. Allegro con fuoco
05 – Variations on a Rococo Theme for Cello and Orchestra op. 33 – Moderato quasi Andante
06 – Variations on a Rococo Theme for Cello and Orchestra op. 33 – Tema. Moderato
07 – Variations on a Rococo Theme for Cello and Orchestra op. 33 – Variazone I. Tempo del tema
08 – Variations on a Rococo Theme for Cello and Orchestra op. 33 – Variazone II. Tempo del Tema
09 – Variations on a Rococo Theme for Cello and Orchestra op. 33 – Variazone III – Andante sostenuto
10 – Variations on a Rococo Theme for Cello and Orchestra op. 33 – Variazone IV. Andante grazioso
11 – Variations on a Rococo Theme for Cello and Orchestra op. 33 – Variazone V. Alegro moderato
12 – Variations on a Rococo Theme for Cello and Orchestra op. 33 – Variazone VI. Andante
13 – Variations on a Rococo Theme for Cello and Orchestra op. 33 – Variazone VII – Alegro vivo

Mstislav Rostropovich – Cello
Berliner Philharmoniker
Herbert von Karajan

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FDPBach

13 comments / Add your comment below

  1. Que beleza esse Tchaikovsky mais solto e grande criador de melodias super coreografáveis! Quase esquecemos que é uma sinfonia, em espírito mais parece um poema sinfônico.
    Obrigado, FDP por esse CD IM-PER-DÍ-VEL!

  2. Estou ouvindo agora o “Finale. Allegro con fuoco” dessa Sinfonia e tenho que concordar parcialmente com os detratores de Karajan. São oito minutos de pura explosão sensorial, tudo alí é “over” graças à batuta espalhafatosa e desinibida do maestro alemão. Isso não é uma crítica, eu gosto muito, mas compreendo a posição dos anti-Karajan: uma partitura explosiva sob a leitura de uma maestro “descabelado” pode assustar muita gente pelo EXCESSO.

    Um outro exemplo, mas do outro lado da expressão interpretativa, o lado “frio e cerebral”: Pollini tocando o romântico Chopin, tudo perfeito, porque é criado um bom equilíbrio entre obra e intérprete. Mas o cerebral Pollini tocando o neo-clássico Brahms é… GELADO!

  3. Olá!

    Sou novo por aqui e essa é minha primeira postagem no blog. Autocrítico, começo por fazer uma crítica justamente ao meu maestro preferido, não por questões de musicismo, mas por pura identificação. O que fazem alguns maestros com o final da Sinfonia nº 4 de Tchaikovsky, em minha humilde opinião de psicólogo, é um absurdo, pois um depressivo só quer barulho para alimentar a tristeza, e Tchaikovsky, até onde sei, não era bipolar, não podia ter surtos maníacos. É verdade que sua obra é açucarada como uva, mas resisto, ainda que em minha ignorância sobre a partitura, quanto à correção de uma interpretação como a de Karajan, sem conhecer nenhuma que desse coesão à obra, com a pirotecnia acompanhada de um sentimento arrastado, doloroso e soberbo, de depressivo. Se for isso mesmo, considero uma obra bem infeliz, uma atitude que iria acabar aparecendo em alguma obra do compositor, mas que é odiosa, na prática.

  4. Muito obrigado pelo seu comentário, Hipólito. Seria pedir muito que você ouvisse a versão do Mravinsky, que postei aqui há uns dois anos atrás, para dar a sua opinião? Confesso que gosto do Tchaikovsky do Karajan das sinfonias 5 e 6, mas essa quarta sinfonia aqui postada também me deixou um pouco perturbado, e não foi só você que chamou a atenção, como podes ler no comentário do Ernesto.

  5. Oi, FDP!

    Eu ouvi o último movimento e trechos do primeiro com o Mravinsky. Está ótimo, contém aquele lirismo apaixonado que só Tschaikovsky tinha. Karajan é um caso definitivamente à parte, porque ele tinha uma personalidade complexa e, de certo modo, já representa a emancipação do maestro e o seu direito de ser humano, fazendo o que consegue, mesmo que em diversas tentativas convincentes (ou mesmo questionáveis). É ele o atormentador grito da música, no século passado, que ainda repercute entre os ouvintes mais trágicos, como eu. Não sei até que ponto Tschaikowsky apreciaria a sua interpretação desta sinfonia, levando-se em conta que era bastante ocidentalizado. Porque a interpretação de Karajan é quase nietzschiana, eu já estava pensando num Schopenhauer ao final… Corre sangue! Teria sido Tschaikowsky influenciado por esses homens, de modo parcial? Recomendo a de Mravinsky, mais serena! A do Karajan são estilhaços de uma alma.

  6. No comentário de ontem o Hipólito lembrou bem a questão da partitura. Tchaikowsky abriu todas as possibilidades para maestros “soltos” como Karajan.

    O 4º movimento já tem a indicação “COM FOGO”. Olhei a partitura no site Petrucci Music Library e observei que nela os sinais de dinâmica estão quase sempre em fortissimo (ff) e muitas vezes em molto fortissimo (fff). A orquestra toca uma boa parte da peça em bloco (tutti), com tímpanos e pratos em profusão. Não entendo muito de partituras orquestrais mas dá pra perceber que é um 4º Movimento escrito pra explodir.

    Baixei a versão Mravinsky sugerida pelo FDP, só ouví o Allegro con fuoco. Achei o andamento excessivamente rápido, a um nível assustador. Numa audição superficial, continuo com Karajan.

  7. Após as intervenções do Ernesto e do Hipólito creio que fica bem claro que a questão de interpretação é bem pessoal. Vou aproveitar o final de semana para ouvir novamente o Mravinsky, não apenas na quarta mas nas três últimas sinfonias. Já aviso, e isso vai estar explicado na postagem de amanhã, que minha relação com a quinta de Tchai com o Karajan é extremamente pessoal.
    Mas é impressionante como vira e mexe o nome do Karajan aparece. Isso com certeza mostra a força e influência que ele exerceu na música do Século XX. Claro que sabemos que existem diversos outros excelentes regentes, inclusive gosto muito da primeira postagem que fiz destas mesmas sinfonias com o Janssons, só falta agora conseguir as leituras do grande regente russo da atualidade, Valéry Gergiev, para estas obras. Desconheço se ele já às gravou na íntegra, ee alguém tiver, fica a solicitação: http://www.amazon.com/Tchaikovsky-Symphonies-4-5-6/dp/B000BGFNAK/ref=sr_1_2?ie=UTF8&qid=1316777224&sr=8-2

  8. Ouvi também a primeira do Tschaikovsky com o Karajan e confesso que gosto muito dessas peças tão carregadas de detalhes, que nos afogam. Em pensar que pouca gente conhece toda a obra e o filho da mãe do Karajan lembrava de cor a partitura, fico com uma vontade enfurecida de reger e ver se eu conseguia fazer um negócio desses! Mas não estudei música, foi uma pena!

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