Prokofiev (1891-1953) – Britten (1913-1976) – Bizet (1838-1875): Sinfonias Simples – Orpheus Chamber Orchestra ֎

Prokofiev (1891-1953) – Britten (1913-1976) – Bizet (1838-1875): Sinfonias Simples – Orpheus Chamber Orchestra ֎

 

Prokofiev – Britten

Bizet

Sinfonias

Opheus Chamber Orchestra

 

Clássica, Simples e ‘em dó maior’ são os nomes de três lindas sinfonias que surgiram ao lado de obras gigantescas do gênero, mas que nunca deixaram de encantar as audiências, desde que se tornaram conhecidas.

Prokofiev escreveu sua Sinfonia Clássica, a primeira de sua carreira, inspirado nas obras de Haydn e Mozart. Ele estudava também regência naqueles dias e as aulas eram sobre como reger as sinfonias de Haydn. Isso deve ter sido ponto de partida para esse ‘exercício de composição’, especialmente para quem compunha essencialmente para piano, durante os fins de 1916 e setembro de 1917. Você deve ter percebido que isso foi exatamente no período em que ocorreu a Revolução de 1917. Veja mais detalhes sobre essa obra nessa interessante página aqui.

Quando nossos músicos e professores de inclinação clássica (que na minha opinião nada mais são do que falsos clássicos) ouvirem esta sinfonia, começarão a gritar sobre mais um ato atrevido cometido por Prokofiev e que ele não pode nem deixar Mozart em paz em seu túmulo, mas teve que perturbá-lo com suas mãos sujas, espalhando dissonâncias sujas de Prokofiev entre as pérolas clássicas puras – mas meus verdadeiros amigos entenderão que o estilo de minha sinfonia é realmente mozartiano e clássico, e então irão apreciá-lo, e o público provavelmente ficará feliz por ela ser descomplicada e alegre e, claro, aplaudirá. S.P.

Benjamin Britten foi um dos grandes compositores ingleses e o ingleses são especialmente ‘found’ de música para orquestras de cordas. Britten compôs sua Simple Symphony exatamente para uma orquestra de cordas, ainda bem jovem e usando temas que havia composto em sua infância. Eu gosto particularmente dos títulos dos movimentos, a primeira letra do adjetivo igual à do substantivo que lhe segue, como Boisterous Bourrée ou Frolicsome Finale.

Georges Bizet foi um dos maiores talentos musicais vindos ao mundo, mas nos deixou poucas obras, mesmo considerando sua relativamente curta vida. É claro, Carmen é a sua obra prima, mas essa sua Sinfonia em dó maior é mais uma prova de sua genialidade. Foi composta quando ele tinha 17 anos e já era aluno do Conservatório de Paris há 7 anos. Tudo indica que a obra foi criada tendo como exemplo a Sinfonia No. 1 de seu professor, Charles Gounod, enquanto o mesmo a compunha. As notas que estou lendo aqui atestam que a obra do aluno de longe superou a do mestre, mesmo tendo-lhe tomado algumas coisas por emprestado. Fiquei curioso para ouvir a obra do Gounod. Mesmo assim, a Sinfonia de Bizet nunca foi executada durante seus dias e nem chegou a ser por ele mencionada em sua correspondência. Só foi descoberta em 1935 e não deixou de fazer sucesso desde então. A primeira vez que a ouvi foi em um LP no qual Leopold Stokowski regia a National Philharmonic Orchestra e que incluía também a ótima Sinfonia Italiana de Mendelssohn.

Sergei Prokofiev (1891–1953)

Sinfonia No. 1 em ré maior, Op. 25 ‘Classical’

  1. Allegro
  2. Larghetto
  3. Gavotta (Non troppo allegro)
  4. Finale (Vivace)

Benjamin Britten (1913–76)

Sinfonia Simples, Op. 4

  1. Boisterous Bourrée
  2. Playful Pizzicato
  3. Sentimental Saraband
  4. Frolicsome Finale

Georges Bizet (1838–75)

Sinfonia em dó maior

  1. Allegro (Allegro vivo)
  2. Andante (Adagio)
  3. Scherzo (Allegro vivace)
  4. Finale (Allegro vivace)

Edward William Elgar (1857–1934)

  1. Salut d’amour, Op. 12 (Gil Shaham, violin)

Orpheus Chamber Orchestra

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 154 MB

Esse disco é uma pequena joia na ótima discografia da Orpheus Chamber Orchestra, aquela que toca sem maestro. Tudo é primoroso, inclusive a capa do disco, da arte de Joan Miró.

Aproveite!

René Denon

Vários Compositores: Amour Fou -Chansons d’amour à travers les àges- Myriam Leblanc (soprano) & Ensemble Mirabilia ֍

Vários Compositores: Amour Fou -Chansons d’amour à travers les àges- Myriam Leblanc (soprano) & Ensemble Mirabilia ֍

Amor Louco

Canções de amor através dos tempos

Myriam Leblanc, soprano

Ensemble Mirabilia

 

Amour Fou é um título talvez provocativo para um disco, assim como a sua capa, mas ao ouvir suas canções você entenderá. E a ideia de reunir canções falando de amor, de paixão, compostas ao longo de vários séculos e por compositores das mais diversas culturas, é ótima.

Temos assim um disco que pede para ser desfrutado a dois, com tempo de sobra, que isso sempre é bom. Mas, não importa como você o ouça, seja no sistemão de som da sala de estar, seja no compacto do seu ambiente de leituras, ou mesmo ao headphone com o ipod ou celular, não deixe de enredar-se e deliciar-se com essas maravilhosas canções.

Barbara

Entremeadas às canções temos uns poucos números instrumentais, mas sempre no espírito apaixonado. Muitas canções são em francês que o pessoal do disco é de Montreal, mas também há umas em italiano e em inglês. A mais antiga é de compositor anônimo do século XIII e fecha o disco. O desfile continua passando pela Itália de Monteverdi e Vivaldi, Inglaterra de Thomas Campion, Purcell. Os franceses vão de Fauré, que abre o disco com a maravilhosa Au bord de l’eau, e também Blavet, Ballard, Clérambault, dos mais antigos, mas também os mais recentes Barbara e Jacques Brel. Eu descobri a espetacular, maravilhosa Barbara, que já passou para minha playlist. Tanto que escolhi ilustrar a lista dos compositores a seguir apenas com uma imagem dela…

Veja alguns versos dessas canções…

« Amour, le départ d’un amant a comblé mes douleurs, mais malgré tant de maux, si tu me le ramènes, je te pardonne tes rigueurs. »

« Amor, a partida de um amante me encheu de dor, mas apesar de tantos males, se você o trouxer de volta, eu lhe perdôo seus rigores. »

« Passo di pena in pena come la navicella ch’in quest’in quell’altr’onda urtando và. »

« Vou passando de tristeza em tristeza como o barquinho que se vai a bater de onda em onda. »

« Ton image me hante, je te parle tout bas, et j’ai le mal d’amour, et j’ai le mal de toi. »

« Sua imagem me persegue, falo com você baixinho e estou apaixonada, e estou farta de você. »

Quando você escolher alguns versos significativos, mande para mim…

Lista de Canções e Peças

Gabriel Fauré (1845–1924)

  1. Au bord de l’eau, Op. 8 No. 1 (Prudhomme)

Claudio Giovanni Antonio Monteverdi (1567–1643)

  1. Pur ti miro (de L’Incoronazione di Poppea)

Antonio Vivaldi (1678–1741)

  1. Passo di pene in pena (da Cantate Amor hai vinto, RV651)

Michel Blavet (1700 – 1768), Jean-Baptiste de Bousset (1662 – 1725)

  1. Airs sérieux et à boire par Monsieur Bousset, XVIe Livre: Pourquoy doux rossignol ? (Arr. para conjunto de câmara por Grégoire Jeay)

Jean Philippe Rameau (1683–1764)

  1. La Cupis, em ré menor (Instrumental)

Barbara (1930 – 1997)

  1. Dis, quand reviendras-tu?

Christophe Ballard (1641 – 1715)

  1. Brunettes ou Petits airs tendres, avec les doubles et la basse-continue, mêlés de chansons à danser, Tome I: J’avois crû qu’en vous aimant (Arr. para conjunto de câmara por Grégoire Jeay)

George Frideric Handel (1685-1759)

  1. Sonate pour flûte no 2 en mi mineur, HWV 375, « Halle »: IV. Menuet (Instrumental)

Thomas Campion (1567–1620)

  1. Fain Would I Wed a Fair Young Man
  2. It fell on a summer’s day

John Bartlet (fl.1606, d.1610)

  1. Of all the Birds that I do know

Carl Friedrich Abel (1723-87)

  1. 27 pièces pour basse de viole – Le manuscrit Drexel 5871: No. 20: [Arpeggio] en ré mineur, WK 205 (Instrumental)

Claudio Giovanni Antonio Monteverdi (1567–1643)

  1. Si dolce e’l tormento, SV332

Louis-Nicolas Clérambault (1676-1749)

  1. Recueil d’airs variés: Amour, cruel amour

Jacques Brel (1929 – 1978)

  1. Ne me quitte pas

Giuseppe Sammartini (1695-1750)

  1. Sonata quarta pour flûte et basse continue: Allegro (Instrumental)

Henry Purcell (1659–95)

  1. I love and I must (‘Bell Barr’), Z382

Thomas Campion (1567–1620)

  1. When to her lute Corinna sings

Anônimo (Século XIII)

  1. Bele Doëtte

Myriam Leblanc, soprano

Ellen Torrie, soprano (2, 19 e guitarra em 13)

Ensemble Mirabilia

Grégoire Jeay, flautas diversas e arranjos

 

Ellen Torrie

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 163 MB

 

M Leblanc

Na coluna ‘The Book is on the Table’ de hoje: “It’s like a brandy distillate, absolutely transparent … Her name is Myriam Leblanc and in my opinion she has been one of the most beautiful voices, perhaps the most beautiful, to come out of the Quebec breeding ground in the past 10 years …”

Christophe Huss, Samedi et rien d’autre, December 2020

Myriam, Ellen e Barbara me encantaram…

Aproveite!

René Denon

Myriam Leblanc e membros de Ensemble Mirabilia

J.S. Bach (1685-1750): Concerti, Capriccio & Aria (nel gusto italiano) – Olivier Cavé (piano) ֍

J.S. Bach (1685-1750): Concerti, Capriccio & Aria (nel gusto italiano) – Olivier Cavé (piano) ֍

JS BACH

Concerti, Capriccio & Aria

Nel gusto italiano

Olivier Cavé, piano 

 

 

Wir sind alle Pilger

die wir Italien suchen

 

Nós somos todos peregrinos

em busca da Itália

Goethe

Eu sempre gostei de ouvir a música que Bach compôs para teclado interpretada ao piano. Bach ao piano! Um dos meus CDs mais antigos é o que poderíamos chamar jurássico – Alexis Weissenberg tocando Bach. (Esse disco, pasmem, foi gravado há mais de cinquenta anos.) Na verdade, Alexis toca transcrições para piano de obras de Bach, feitas principalmente por Busoni, como a Chacone, que eu custei a descobrir ter sido composta para violino solo. Bem, tratando-se de Bach, não dá para afirmar peremptoriamente isso…

O pianista Olivier Cavé é impecável e já andei postando uma ou outra coisa com ele, não deixe de conferir, caso ainda não tenha feito. Assim, o disco, apesar do piano, pode ser considerado ‘autêntico’. Reúne peças da juventude de João Sebastião, dos tempos que andava por Weimar, as voltas com o príncipe muito musical Johann Ernst von Saxe-Weimar, que morreu muito jovem, em 1715.

Temos quatro transcrições de concertos feitas para cravo de originais italianos. Dois deles do famoso Padre Vermelho, e mais dois, um de cada um dos irmão Alessandro e Benedetto Marcello. O programa segue com o magnífico Concerto Italiano, que de tanto transcrever concertos italianos, Bach viu-se capaz de compor uma ‘transcrição’ originalíssima, que prescindia de um concerto original, mais uma das muitas provas de sua genialidade criativa.

Para terminar o programa mais duas peças bem conhecidas com ares italianos – a Aria variata alla maniera italiana e o Capriccio sopra la lontananza del suo fratello dilettissimo. O libreto é um primor. Veja uma tradução livre de um dos seus parágrafos iniciais, feita com a ajuda do já conhecido Chat PQP:

Ao longo de sua extraordinária carreira de compositor, Bach nunca se cansou de copiar à mão música de outros compositores, e o senso de ecletismo que o levava a reproduzir Frescobaldi e adaptar as obras de Pergolesi foi sua maneira de alcançar uma síntese e criação muito pessoais, onde a especulação abstrata, a poesia e a busca didática encontraria seu lugar.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

 Concerto em fá maior, BWV 978 (original de Antonio Vivaldi RV 310)

  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro

Concerto em ré menor (original de Alessandro Marcello), BWV974

  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Presto

Concerto em sol maior, BWV 973 (original de Antonio Vivaldi RV 299)

  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro

Concerto em ré menor, BWV 981 (original de Benedetto Marcello, Op. 1, 2)

  1. Adagio
  2. Vivace
  3. Grave
  4. Prestissimo

Concerto Italiano, BWV971

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Presto

Aria Variata in A minor, BWV989 ‘alla Maniera Italiana’

  1. Aria
  2. Variazione I
  3. Variazione II
  4. Variazione III
  5. Variazione IV
  6. Variazione V
  7. Variazione VI
  8. Variazione VII
  9. Variazione VIII
  10. Variazione IX
  11. Variazione X

Capriccio sopra la lontananza del suo fratello dilettissimo, BWV992

  1. Arioso (Adagio)
  2. Fughetta
  3. Adagiosissimo
  4. Andante
  5. Allegro poco – Aria del postiglione
  6. Fuga all’imitazione della posta

Olivier Cavé, piano

Olivier Cavé numa estreita rua de uma famosa cidade da Itália…

Faixas Bônus

Antonio Vivaldi (1678 – 1741)

Concerto para violino em sol maior, Op. 3, 3 – RV 310

  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro

Concerto Italiano & Rinaldo Alessandrini

Concerto para cravo (do original de Vivaldi RV 310), BWV 978

  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro

Rinaldo Alessandrini, cravo

Antonio Vivaldi (1678 – 1741)

Concerto para violin em sol maior, RV 299

  1. Allegro
  2. Largo cantabile
  3. Allegro

L’Arte dell’Arco & Federico Guglielmo

Alessandro Marcello (173 – 1747)

Concerto para oboé, cordas e contínuo em rpe menor

  1. Andante spiccato
  2. Adagio
  3. Presto

Paolo Grazzi, oboé

Accademia di San Rocco & Andrea Marcon

Benedetto Marcello (1686 – 1739)

Concerto grosso, Op. 1 No. 2

  1. Adagio e staccato
  2. Vivace
  3. Adagio e staccato
  4. Prestissimo

Kaunas Chamber Orchestra & Silvano Frontalini

 

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 250 MB

De uma crítica quase anônima: I liked the approach, Bach has plagia, or rather, he reinterpreted Italian music to his sauce and it’s pretty successful!
Good record, interesting to discover Bach from this angle.
On the other hand, in the long run, the disc may seem a little monotonous

The quality of the performance is impeccable and I liked!

Me too! Aproveite!

René Denon

Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo – Hofkapelle München & Rüdiger Lotter ֎

Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo – Hofkapelle München & Rüdiger Lotter ֎

BACH

Concertos de Brandemburgo

Hofkapelle München

Rüdiger Lotter

 

 

Margrave Christian Ludwig

Esses ‘Six concerts avec plusieurs instruments’ foram dados pelo nosso compositor-mor para o Margrave Christian Ludwig von Brandenburg-Schwedt em 1721, bem possivelmente pelo seu aniversário de 44 anos. Uma das características marcantes desses concertos é a variedade. Cada concerto tem uma instrumentação própria, diferente daquela dos outros concertos.

O famoso regente e pioneiro do movimento HIP Reinhard Goebel propôs a teoria da alegoria, segundo a qual a escolha dos instrumentos faria referência a aspectos da vida do Margrave e que isso seria claramente visto por ele.

Concerto No. 1: o uso das duas trompas faz referência à caça, da qual o Margrave era especialmente afeito. Além disso, o violino piccolo (violino polaco) faz referência ao lado polonês (Schwedt) da família de Christian Ludwig.

Concerto No. 2: o trompete faz referência a deusa Fama, uma alusão à própria fama do nobre senhor.

Concerto No. 3: a insistência do número três – 3 violinos, 3 violas, 3 violoncelos – fazem uma alusão à trindade e ao status divino (?) do aniversariante. Bach era vidrado nessas significações numéricas e triplas lhe eram especialmente caras. Basta mencionar também o Concerto Triplo, por exemplo.

Concerto No. 4: o uso das flautas doce e o solo de violino aludem a um aspecto pastoral, uma referência à maneira amável do Margrave comandar e reger os destinos de seus súditos.

Concerto No. 5: nesse concerto a flauta tem um papel concertante sobre um motivo de batalha nos violinos, assim como as passagens altamente virtuosísticas no cravo indicariam a necessidade de o dirigente suplantar o gosto pela guerra.

Concerto No. 6: a escolha de instrumentos desse concerto é a mesma usada na música fúnebre alemã desde 1650. Essa referência indicaria a insignificância da vida terrena e a efemeridade da vaidade – vanitas – todas essas coisas bastante óbvias ao grande nobre.

Dorothee Oberlinger

Adorei a coisa toda e qualquer desculpa para ouvir ainda mais uma vez estes lindos concertos me parece válida e, apesar da avalanche de postagens com gravações especiais dessas obras, decidi trazer mais essa, produzida por músicos alemães e que ainda não foi apresentada por essas paragens.

Além de Rüdiger Lotter, a gravação conta com artistas como Dorothee Oberlinger (flauta doce), Laura Vukobratovic (trompete), Olga Watts (cravo) e Hille Perl (gamba), entre outros.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Concertos de Brandemburgo BWV 1046 – 1051

Concerto No. 1 em fá maior, BWV1046

  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Allegro
  4. Menuet – Trio – Menuet
  5. Polonaise
  6. Menuet – Trio – Menuet

Concerto No. 2 em fá maior, BWV1047

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Allegro assai

Concerto No. 3 em sol maior, BWV1048

  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Allegro

Concerto No. 4 em sol maior, BWV1049

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Presto

Concerto No. 5 em ré maior, BWV1050

  1. Allegro
  2. Affettuoso
  3. Allegro

Concerto No. 6 em si bemol maior, BWV1051

  1. Ohne Satzbezeichnung
  2. Adagio ma non tanto
  3. Allegro

Rüdiger Lotter, violino

Dorothee Oberlinger, flauta

Andreas Helm, oboé

Laura Vukobratovic, trompete

Lorenzo Cavasanti, flauta doce

Martin Sandhoff, flauta

Olga Watts, cravo

Hofkapelle München

Rüdiger Lotter

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 208 MB

Hille Perl

Resposta dada em um chat sobre a melhor gravação dos tais Concertos: So the final choice fell on a dark horse pointed out by premont Gordo: Rüdiger Lotter and his Hofkapelle München. New kids on the block to keep an eye on. Why? The perfomances are a breath of fresh air: spontaneous, very energetic like Harnoncourt and Savall but remarkably balanced, never over the top. Still: probably not for the fainthearted…. For those looking for a “pretty” version, Kuijken II is a perfect match. The sound of the Hofkapelle is very clear and natural. Another point is that I’m not always into Bach in “foreign” accents – this is profoundly idiomatic. I also like how they treat each concerto very much according to its own individual character – some amazing instrumental solos to be heard.

Com a ajuda do Chat PQP: Assim, a escolha final recaiu sobre um azarão apontado por Gordo: Rüdiger Lotter e sua Hofkapelle München. New kids on the block para se ficar de olho. Por quê? As performances são uma lufada de ar fresco: espontâneas, muito enérgicas como Harnoncourt e Savall, mas notavelmente equilibradas, nunca exageradas. Ainda assim: provavelmente não é para os tímidos…. Para quem procura uma versão “bonita”, Kuijken II é a combinação perfeita. O som do Hofkapelle é muito claro e natural. Outro ponto é que nem sempre gosto de Bach com sotaque “estrangeiro” – isso é profundamente idiomático. Eu também gosto de como eles tratam cada concerto de acordo com seu caráter individual – alguns solos instrumentais incríveis para serem ouvidos.

Aproveite!

René Denon

Rüdiger Lotter visitando a Muralha do Castelo do PQP Bach em Itaipava…

Schubert (1797 – 1828), Schumann (1810 – 1856), Mahler (1860 – 1911): Seleção de Canções – Samuel Hasselhorn, barítono ֎

Schubert (1797 – 1828), Schumann (1810 – 1856), Mahler (1860 – 1911): Seleção de Canções – Samuel Hasselhorn, barítono ֎

Nasce uma estrela!

Nesta postagem reuni uma coleção de Lieder de Schubert, o ciclo Dichterliebe de Schumann e duas canções do Des Knaben Wunderhorn de Mahler, interpretados pelo (ainda) jovem barítono alemão Samuel Hasselhorn. Veja também [1] e [2] e [3].

Essas canções foram escolhidas de três álbuns gravados entre 2014 e 2018. As canções de Schubert vêm do disco de 2014, Nachtblicke, no qual além de Schubert há canções de Hans Pfitzner e Aribert Reimann.

O ciclo de Schumann vem do álbum de 2018, Dichterliebe2, no qual o já mencionado ciclo é precedido de canções sobre os mesmos exatos poemas musicados por outros compositores, o que dá conta para o símbolo matemático usado no título (eu teria preferido 2 x Dichterliebe, mas…).

As duas canções de Mahler e a segunda gravação do Erlkonig vêm do álbum que reúne todas as apresentações de Samuel no Queen Elisabeth Competition, 2018. Desde 2020 Hasselhorn tem gravado para o selo harmonia mundi, que considera o quinquênio 2023 – 2028 parte das homenagens que devem ser prestadas pelos 200 anos desde a morte de Franz Schubert. Assim, em breve teremos mais postagens com o cantor, que já tem neste novo selo pelo menos três álbuns.

 

 

Franz Schubert (1797 – 1828)

Lieder

  1. Schwanengesang, D. 957 No. 8: Der Atlas
  2. Schwanengesang, D. 957 No. 7. Abschied
  3. Schwanengesang, D. 957 No. 9. Ihr Bild
  4. Erlkonig, Op. 1, D. 328
  5. Erlkonig, Op. 1, D. 328 (Live)
  6. Am Tage aller Seelen, D. 343, ”Litanei auf das Fest aller Seelen”
  7. Nachtstuck, Op. 36, No. 2, D. 672
  8. Im Freien, D. 880
  9. Des Sangers Habe, D. 832
  10. Widerschein, D. 949
  11. Schwanengesang, D. 957 No. 14. Die Taubenpost

Robert Schumann (1810 – 1856)

Dichterliebe, op. 48

  1. 1 – Im wunderschönen Monat Mai
  2. 2 – Aus meinen Tränen spriessen
  3. 3 – Die Rose, die Lilie, die Taube, die Sonne
  4. 4 – Wenn ich in deine Augen seh
  5. 5 – Ich will meine Seele tauchen
  6. 6 – Im Rhein, im heiligen Strome
  7. 7 – Ich grolle nicht
  8. 8 – Und wüßten’s die Blumen, die kleinen
  9. 9 – Das ist ein Flöten und Geigen
  10. 10 – Hör’ ich das Liedchen klingen
  11. 11 – Ein Jüngling liebt ein Mädchen
  12. 12 – Am leuchtenden Sommermorgen
  13. 13 – Ich hab’ im Traum geweinet
  14. 14 – Allnächtlich im Traume
  15. 15 – Aus alten Märchen winkt es
  16. No – 16, Die alten, bösen Lieder

Gustav Mahler (1860 – 1911)

Des Knaben Wunderhorn

  1. Wer hat dies Liedlein erdacht (Live)
  2. Wo die schönen Trompeten blasen (Live)

Samuel Hasselhorn, barítono

Takako Miyazaki, piano (1-4, 6-11)

Joseph Middleton, piano (5)

Boris Kusnezow, piano (12-27)

La Monnaie Symphony Orchestra (28-29)

Alain Altinoglu, regente

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 192 MB

Following his First Prize triumph at the 2018 Queen Elisabeth Competition, Samuel Hasselhorn has quickly established himself internationally as a versatile artist who is equally at home in the genres of opera, Lied, and oratorio.

As an internationally sought-after and esteemed Lied interpreter, Samuel Hasselhorn regularly collaborates with renowned pianists such as Helmut Deutsch, Malcolm Martineau, Ammiel Bushakevitz, Julien Libeer, Philippe Cassard and Joseph Middleton.

Samuel Hasselhorn is a prizewinner of numerous competitions and studied at the Hannover University of Music, Drama and Media with Prof. Marina Sandel and at the Conservatoire National Supérieur de la Musique et de Danse de Paris with Malcolm Walker. He received further musical impulses in master classes with Kiri Te Kanawa, Kevin Murphy, Thomas Quasthoff, Helen Donath, Annette Dasch, Susan Manoff, Jan-Philip Schulze, Anne Le Bozec and Martin Brauß.

Aproveite!

René Denon

SMETANA 200 ANOS! Bedřich Smetana (1824 – 1884): Má Vlast – Ciclo de Poemas Sinfônicos – Czech Philharmonic Orchestra – Charles Mackerras ֍

SMETANA 200 ANOS! Bedřich Smetana (1824 – 1884): Má Vlast – Ciclo de Poemas Sinfônicos – Czech Philharmonic Orchestra – Charles Mackerras ֍

– 200 Anos desde o nascimento de SMETANA –

Smetana

Má Vlast

Czech Philharmonic Orchestra

Charles Mackerras

 

O Moldava e Praga

Má Vlasta não é uma ópera sobre uma bruxa má chamada Vlast, mas um ciclo de poemas sinfônicos, um gênero musical que se fortaleceu durante o romantismo. Um desses poemas sinfônicos, O Moldava, alude ao rio e é uma das peças mais famosas de Bedřich Smetana, outro compositor além de Bruckner que nasceu em 1824, há duzentos anos. Além de poemas sinfônicos, Smetana compôs lindas peças de câmara assim como óperas.

Sua história foi pontuada por momentos muito difíceis. Por volta de 1855 perdeu uma filha e um filho ainda bem pequenos, num espaço de menos do que um ano. Isso certamente afetou sua saúde tanto física como psicológica. Em 1874 sua audição começou a ser afetada e ele acabou completamente surdo. A despeito disso, nesse ano ele compôs justamente o poema sinfônico O Moldava.

A gravação da postagem reúne a ótima orquestra checa regida pelo maestro inglês Charles Mackerras, que era muito dedicado e estudioso de música checa, numa gravação feita ao vivo em 1999.

Taken down live at the 1999 Prague Spring Festival, Charles Mackerras’ performance offers a typically fresh, vital look at Smetana’s masterpiece. With the Czech Philharmonic in fine form, the result is completely recommendable […] Mackerras’ interpretive insights are subtle, but fans of this music will find plenty to enjoy, such as the correctly played (for once!) trumpet rhythms at the climax of “Vltava”, the carefully balanced brass and string sonorities at the opening of “From Bohemia’s Woods and Fields”, and the propulsive thrust that cleverly disguises the monothematic repetitiousness of “Tábor” and “Blaník”. […] it’s impossible not to welcome music making of this enthusiasm and idiomatic security with anything less than open arms.  [David Hurwitz]

Gravada ao vivo no Festival da Primavera de Praga de 1999, a performance de Charles Mackerras oferece uma visão tipicamente fresca e vital da obra-prima de Smetana. Com a Filarmônica Checa em excelente forma, o resultado é completamente recomendável […] Os insights interpretativos de Mackerras são sutis, mas os fãs desta música terão muito de que desfrutar, como os ritmos de trompete tocados corretamente (pela primeira vez!) no clímax de “Vltava”, as sonoridades cuidadosamente equilibradas de metais e cordas na abertura de “Das florestas e bosques da Boêmia”, e o impulso propulsor que habilmente disfarça a repetitividade monotemática de “Tábor” e “Blaník”. […] é impossível não acolher a produção musical com esse entusiasmo e segurança idiomática de braços abertos. [DH via GTPQP Bach]

Bedřich Smetana (1824 – 1884)

Má Vlast

  1. Vyšehrad
  2. Moldau
  3. Šárka
  4. Z českých lůhu a hájů (Das florestas e bosques da Boêmia)
  5. Tábor
  6. Blaník

Czech Philharmonic Orchestra

Sir Charles Mackerras

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 174 MB

Sir Charles Mackerras

Another memorable Prague Spring Festival concert, this time from May 1999 and featuring a maestro whose lifelong experience and wisdom in Slavonic repertoire require no further comment. As always the Czech Philharmonic play with an understanding of the idiom possessed by no other orchestra.

Aproveite!

René Denon

O pessoal de multimídia do PQP Bach enviou essa ilustração sobre o tema ‘Smetana’…

BRUCKNER 200 ANOS! Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia No. 9 – Berliner Philharmoniker & Herbert von Karajan [Gravação de 1966] ֎

BRUCKNER 200 ANOS! Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia No. 9 – Berliner Philharmoniker & Herbert von Karajan [Gravação de 1966] ֎

Anton Bruckner

Sinfonia No. 9 em ré menor

Berliner Philharmoniker

Herbert von Karajan

 

Dia desses foi ao ar uma postagem do chefe com as Sinfonias Nos. 8 e 9 de Schubert interpretadas por Karajan, regendo a Filarmônica de Berlim. É claro do texto que nosso editor chefe não possui registro no Fã Clube do HvK: Comentários irônicos diziam que possivelmente o maestro tinha algum compromisso inadiável no dia da gravação da Sinfonia Nº 9, por isso acelerou o tempo dos movimentos, para acabar o quanto antes e não se atrasar. Ou talvez ele quisesse deixar a Grande menor do que ele, quem sabe.

A anedota é conhecida em diferentes variantes e aplicada a outras obras e regentes. Eu ouvi uma na qual um famoso expert da obra de Wagner teria sido escalado para reger uma importante orquestra alemã em um programa com uma de suas óperas. O tal regente teria dito aos músicos envolvidos: ‘Eu conheço essa música, vocês também conhecem a música, então vamos logo com isso’. Aparentemente todos iram jantar em um ótimo restaurante bem próximo da casa de espetáculos. Você conhece anedota semelhante? Sabe os nomes dos personagens envolvidos nessa variante?

Veja que a gravação postada era dos anos sessenta, antes que a onda dos instrumentos de época e interpretações historicamente informadas varresse o mundo da música. O famoso ciclo gravado pela DG para o bicentenário de nascimento do Ludovico, em 1970, também foi gravado nessa época e também tem algumas sinfonias (ou pelo menos alguns movimentos dessas sinfonias) nos quais o Herbert acelerou a batuta. Mesmo assim, esse ciclo continua bastante reverenciado, até hoje.

HvK

O tempo de gravação de um específico movimento certamente reflete o andamento escolhido pelo maestro, mas há outros fatores que influenciam o resultado, especialmente a observação (ou não observação) de repetições. Isso pode ser particularmente efetivo no caso das sinfonias de Schubert, que adorava as repetições.

Mas, antes que minhas considerações me façam voltar alguns andares abaixo, para mais perto das fornalhas aqui do PQP Bach main building, vamos a postagem de hoje.

Esta é a primeira de duas gravações comerciais que Karajan fez da Nona Sinfonia de Bruckner e, na minha opinião e na opinião de muita gente boa, é a melhor, mas apenas por um fio de cabelo.

Neste exato momento meu Yamaha enche a sala do PQP Bach MB com os maravilhosos primeiros acordes do magnífico adagio, movimento final dessa incompleta (?) sinfonia.

O austríaco Karajan, amado e vilipendiado por tantos, era um ótimo intérprete das obras de Bruckner. A segunda gravação da Nona, feita alguns anos depois, também para a DG, com a mesma orquestra, em 1976, faz parte do ciclo completo, que ele gravou entre 1976 e 1982. As primeiras sinfonias foram gravadas por último, provavelmente apenas para completar o ciclo, mas são bastante decentes. Ele era bom mesmo nas famosas, Quarta (a gravação para a EMI é mais interessante), a Sétima e a Oitava, ambas gravadas em diferentes momentos, para a EMI e para a DG (com a Filarmônica de Viena, a Sétima sendo sua última gravação).

Veja o que o Penguin Guide diz sobre essa gravação da Nona, feita em 1966, editada na coleção Galleria da DG: A reedição da DG Galleria oferece uma performance gloriosa da última e incompleta sinfonia de Bruckner, moldada de forma característica por Karajan e exibindo uma nobreza simples e direta que às vezes falta nesta obra. Mesmo em um campo competitivo, este disco de 1966 se destaca a um preço acessível, ao lado da nobre versão de Bruno Walter em 1959.

Mais um trechinho, traduzido de outra fonte, com a ajuda de nosso Chat PQP: A Nona Sinfonia nos confronta com Bruckner em seu momento mais introspectivo. Você sente que, ao mesmo tempo, ele está buscando novas perspectivas nesta obra, mas relutante em segui-las, possivelmente percebendo que a antiga ordem, na música e em muitas outras coisas, estava se esvaindo. Talvez isso explique a linguagem musical parcimoniosa e frequentemente sombria, como observa Richard Osborne, bem como a falta de um final. Nesta obra, Osborne opina que temos “Bruckner em sua bravura e desespero mais profundos”. Não vou me repetir. Karajan e a Filarmônica de Berlim trazem a esta obra todas as finas qualidades de interpretação e execução que foram tão evidentes nas sinfonias anteriores, especialmente na Sétima e Oitava, e entregam uma magnífica e majestosa performance. No final do Adagio, tem-se uma sensação de fim.

Anton Bruckner (1824 – 1896)

Sinfonia No. 9 em ré menor

  1. Feierlich, misterioso                    [24’54]
  2. Bewegt, lebhaft                             [10’37]
  3. Langsam, feierlich                        [25’51]

Berliner Philharmoniker

Herbert von Karajan

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 402 MB

Speed K

Aproveite!

René Denon

Selo Denon de Jurassiquidade…

Camille Saint-Saëns (1835-1921): Sonatas para Violino e Piano – Cecilia Zilliacus (violino) – Christian Ihle Hadland (piano) ֍

Camille Saint-Saëns (1835-1921): Sonatas para Violino e Piano – Cecilia Zilliacus (violino) – Christian Ihle Hadland (piano) ֍

Camille Saint-Saëns

Sonatas para Violino

Fantasia & Berceuse

Cecilia Zilliacus, violino

Christian Ihle Hadland, piano

Stephen Fitzpatrick, harpa

Neste disco temos as duas sonatas para ‘piano e violino’ de Camille Saint- Saëns, além de duas outras peças menores, interpretadas ao violino e harpa.

As duas sonatas não poderiam ser mais diferentes. A primeira é virtuosística, especialmente o hipnotizante último movimento, enquanto na segunda o equilíbrio entre os instrumentos é fundamental, com a escrita para piano ganhando uma direção diferente daquela usada por Camille em obras anteriores. Como podemos ver no livreto que acompanha os arquivos musicais, Saint-Saëns tinha bastante orgulho da primeira sonata, sobre a qual escreveu ao seu editor: ‘uma sonata semelhante a um cometa que devastará o universo semeando terror e resina em seu caminho’. Sobre a segunda sonata seu comentário foi: ‘ela só será compreendida depois da oitava audição’. Eu já estou quase chegando lá…

Cecilia Zilliacus

A interpretação neste disco é maravilhosa. A dupla Zilliacus e Ihle Hadland apresenta excelente entrosamento.  Eles são instrumentistas espetaculares. A introdução da resenha do disco feita na Gramaphone diz: […] as obras para violino, piano ou harpa oferecidas aqui são tocadas com fogo e comprometimento, e muitas vezes levadas ao limite.

A primeira sonata foi composta em 1885 e apresentada em um concerto da Société Nationale de Musique, pelo próprio Saint-Saëns e Martin-Pierre Marsick ao violino. O violino de Marsick era um Stradivarius de 1705 que foi também o instrumento de David Oistrakh entre 1966 e 1974. Essa sonata é contemporânea da Sinfonia com Órgão e tem quatro movimentos, que são tocados dois a dois em seguida.

Entre uma composição e outra, Camille explorava os arredores…

A segunda sonata foi composta em 1896 na cidade de Luxor, no Egito, enquanto Camille passava por lá suas férias, fugindo do frio inverno de Paris. A sonata foi composta logo após a composição do Concerto para Piano No. 5, ‘Egípcio’.

Saint-Saëns teve uma vida longa e ímpar. Demorou bastante para casar-se, mas não ficou muito tempo casado. O infortúnio da perda dos filhos certamente não ajudou a manter o casamento levando a separação. A partir daí ele essencialmente passou a fazer parte da família de Fauré, cujos filhos o viam como um tio solteirão. Daí em diante Camille passou a viajar muito. Fez bem mais do que cem viagens ao exterior da França, visitando quase trinta países. Mas o Egito, a Tunísia e a Argélia eram seus preferidos, onde passava os invernos do hemisfério norte. Como ele dizia: ‘Você embarca em um lindo navio em Marselha e 24 horas depois desembarca em Argel; e é sol, verde, flores, vida!’. Sua última viagem foi para Argélia, onde morreu em 1921. ‘No final de 1921, Saint-Saëns, de 86 anos, deu um recital bem recebido em Paris e depois partiu, como de costume, para a sua “hivernale” anual de inverno na Argélia. Mas no dia 16 de Dezembro desse ano, pouco depois de chegar ao seu querido Norte de África, sofreu um ataque cardíaco inesperado e morreu em Argel’.

Camille Saint-Saëns (1835 – 1921)

Violin Sonata No. 1 in D minor, Op. 75

  1. Allegro agitato
  2. Adagio
  3. Allegretto moderato
  4. Allegro molto

Violin Sonata No. 2 in E flat major, Op. 102

  1. Poco allegro, più tosto moderato
  2. Scherzo
  3. Andante
  4. Allegro grazioso. Non presto

Fantaisie for violin & harp, Op. 124

  1. Fantasie

Berceuse in B flat major Op. 38 (Arr. S. Fitzpatrick for Violin & Harp)

  1. Berceuse

Cecilia Zilliacus, violino

Christian Ihle Hadland, piano

Stephen Fitzpatrick, harpa

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 219 MB

Christian gostou tanto de reaparecer no PQP Bach que sapecou um selfie…

Não deixe de visitar:

The Lark – Recital para Piano – Christian Ihle Hadland

Cecilia Zilliacus

Na seção ‘The Book is on the Table’: Here Cecilia Zilliacus offers us a violin tone that is vibrant and guttural at the same time. Her warm and sometimes wonderfully husky portamentos are such a beautiful complement to this music. But this isn’t just one kind of fearlessness – there is fire and there is ice. Pianist Christian Ihle Hadland offers the ice, the crystalline precision and sparkle: the lilting arpeggiations, the flashing passagework and the glittering cascades.

A combinação Zilliacus e Hadland é espetacular…

Aproveite!

René Denon

Schubert (1797 – 1828): Lieder – Uma Antologia – Dietrich Fischer-Dieskau & Gerald Moore ֎

Schubert (1797 – 1828): Lieder – Uma Antologia – Dietrich Fischer-Dieskau & Gerald Moore ֎

Franz Schubert

Coleção de Canções

Dietrich Fischer-Dieskau, barítono

Gerald Moore, piano

 

No dia 12 de maio de 1955 três pessoas se reuniram no Sala 3 da Abbey Road Studios (naqueles dias era EMI Studio 3), o menor dos espaços do famosíssimo estúdio de gravações londrino, ideal para música de câmera e recitais. Eles gravaram sete canções (Lieder) naquele dia, algumas delas estão na antologia dessa postagem. O cantor Dietrich Fischer-Dieskau estava no seu primor, aos 30 anos; o pianista Gerald Moore já era referência na arte de acompanhamento (sua autobiografia intitula-se ‘Am I too loud?’); o terceiro personagem era o produtor musical Walter Legge, que amava música e especialmente Lieder. Essa dedicação a este gênero musical me encanta e espero que chegue também a tocar você.

DFD e Gerald Moore formam uma dupla espetacular quando o repertório é Lieder e eles gravaram uma imensidade, algumas coisas mais do que uma vez. Em 1955 gravaram canções e o ciclo Winterreise, de Schubert, para a EMI, que depois gravariam novamente para a Deutsche Grammophon.

Esta antologia reúne 30 canções que estão espalhadas em três LPs de quatro gravados para a EMI entre 1955 e 1959. Selecionei essas canções dos LPs nos quais DFD é acompanhado por Gerald Moore. No disco de número três o acompanhante é o menos conhecido, mas muito competente Karl Engel e o repertório formado de algumas canções mais longas.

As canções que escolhi são exemplares da arte de Schubert, muito representativas. O som não é espetacular, mas a beleza da voz e o entrosamento do cantor e seu acompanhante de longe compensam qualquer restrição que você possa fazer.

Se você tem alguma familiaridade com esse repertório, reconhecerá cada uma das canções. Caso contrário você terá um porto seguro para iniciar suas futuras navegações. Espero que a postagem motive maiores explorações nesse repertório e você verá que essas figurinhas carimbadas reaparecerão muitas vezes nos discos e nos programas dos artistas desse gênero.

Quanto a música, deixe-me dizer que não falo alemão, mas isso nunca foi um impedimento para apreciar os Lieder e como ouço essas canções há bastante tempo, mesmo eu acabei aprendendo algumas coisas. Ou seja, aprecio a musicalidade que elas exalam, a maneira como a voz expressa os sentimentos e como se combina com o som do piano, criando um argumento musical, um universo sonoro que narra as histórias, mesmo que você não as perceba literalmente. De qualquer forma, aqui vão algumas dicas…

Heimkehr vom Feld im Abendrot, Ignaz Raffalt

Alguns temas são recorrentes, como vaguear (Wanderer), água (Wasser, Meer), noite (Nacht), primavera (Frühling). Há um bocado de sofrência (dois ciclos são impregnados disso) e algumas imagens perpassam muitas canções. A noite é sempre profunda (tiefer Nacht), o protagonista está sempre em busca de paz (ruh) ou felicidade (Glück). O céu tem a Lua (Mond) e estrelas (Sterne).

Há canções onde a letra é formada por estrofes e a música vai se repetindo de novo e de novo e formam uma boa parte delas. Veja alguns nomes: Der Wanderer na den Mond, Der Wanderer, Der Einsame (O Solitário), Fruhlingssehnsucht, Fruhlingsglaube, Im Frühling, Im Abendrot, Die Sterne.

Wanderer do David

Há na coleção duas canções com nomes de mulheres: An Sylvia e Alinde. ‘Para Silvia’ tem por letra uma tradução para o alemão de um texto de Shakespeare, Who is Sylvia, da peça Dois Cavalheiros de Verona.

Muitas canções da antologia foram compostas no fim da (curta) vida de Schubert, como indicam os altos números do catálogo D (Deutsch), mas ele era um mestre completo na arte da canção mesmo quando muito novo, como nos atestam o inquieto Rastlose Liebe D. 138 e Nahe des Geliebten D. 162, ambos com poesia de Goethe.

Temos também oito canções do Schwanengesang, um conjunto de canções que foi publicado como um ciclo logo após a morte de Schubert, com canções sobre letras de diferentes poetas. Entre elas as belíssimas Die Taubenpost, Standchen e Abschied, que resolvi deixar no fim da fila.

Há duas baladas – canções cuja letra narra uma história ou um fragmento de história, com estilo folclórico, fantasmagórica ou com tema medieval. São elas Der Zwerg e Erlkönig, que tem letra de Goethe. Essas canções são verdadeiras provas de fogo para os intérpretes, que têm pouco tempo para dar o recado, inclusive fazendo diversos personages – o narrador, o anão, a rainha, o cavaleiro, a criança e o Rei dos Elfos… Não menos dramáticas são Der Kreuzzug, Kriegers Ahnung e Heimweh. Deixo com você a tarefa de decifrá-las.

E tem ainda a música, a maravilhosa música que era amadrinhada com Schubert e que a arte de pessoas como Dietrich Fischer-Dieskau (100 anos em 2025) e Gerald Moore nos revelam, em uma linda cançãozinha, An die Musik, uma ode à música…

Franz Schubert (1797 – 1828)

  1. Der Wanderer an den Mond D870 (Johann Gabriel Seidl)
  2. Der Einsame, D800 (Karl Lappe)
  3. Nachtviolen, D752 (Johann Mayrhofer)
  4. Frühlingssehnsucht – Schwanengesang, D. 957: No. 3 (Ludwig Rellstab)
  5. Geheimes, D. 719 (Johann Wolfgang von Goethe)
  6. Rastlose Liebe, D138 (Johann Wolfgang von Goethe)
  7. Liebesbotschaft – Schwanengesang, D. 957: No. 1 (Ludwig Rellstab)
  8. Im Abendrot, D799 (Joseph von Eichendorff)
  9. Die Sterne, D939 (Karl Gottfried von Leitner)
  10. An die Musik D547 (Franz von Schober)
  11. Wehmut, D. 772 (Matthäus Casimir von Collin)
  12. Kriegers Ahnung – Schwanengesang, D. 957: No. 2 (Ludwig Rellstab)
  13. Der Kreuzzug, D932 (Karl Gottfried von Leitner)
  14. Totengräbers Heimweh, D842 (Jacob Nicolaus Craigher de Jachelutta)
  15. Der Zwerg, D. 771 (Matthäus Casimir von Collin)
  16. Der Wanderer, D. 489 (Georg Lübeck)
  17. Frühlingsglaube, D. 686 (Johann Ludwig Uhland)
  18. Die Taubenpost – Schwanengesang, D. 957: No. 14 (Johann Gabriel Seidl)
  19. An Sylvia, D. 891 (Eduard von Bauernfeld, de William Shakespeare)
  20. Im Frühling, D. 882 (Ernst Schulze)
  21. Auf der Bruck, D853 (Ernst Schulze)
  22. Ständchen ‘Leise flehen meine Lieder’ – Schwanengesang, D957: No. 4 (Ludwig Rellstab)
  23. Alinde, D.904 (Johann Friedrich Rochlitz)
  24. Nähe des Geliebten, D162 (Johann Wolfgang von Goethe)
  25. Normans Gesang, D846 (Adam Storck, de Sir Walter Scott)
  26. In Der Ferne – Schwanengesang, D957: 6 (Ludwig Rellstab)
  27. Aufenthalt – Schwanengesang, D957: No. 5 (Ludwig Rellstab)
  28. Erlkönig, D328 (Johann Wolfgang von Goethe)
  29. Nachtstück, D.672 (Johann Mayrhofer)
  30. Abschied – Schwanengesang, D. 957: No. 7 (Ludwig Rellstab)

Dietrich Fischer-Dieskau, barítono

Gerald Moore, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 219 MB

A primeira canção, que conta a história do Wanderer e da Lua é linda, remete à poesia chinesa do Li Po. Na terceira, a voz do DFD é reduzida a quase um fiapo, mas vai em frente… siga a deixa e ouça as outras.

Aproveite!

René Denon

DFD & Gerald Moore na Liedgrosssaal do PQP Bach Corporation em Niterói

Não deixe de visitar também essas postagens:

https://pqpbach.ars.blog.br/2019/03/03/schubert-lieder-dietrich-fischer-dieskau-gerald-moore/

https://pqpbach.ars.blog.br/2020/11/02/schubert-1797-1828-%c2%b7-%e2%88%9e-%c2%b7-winterreise-%c2%b7-%e2%88%9e-%c2%b7-hotter-moore-%c2%b7-%e2%88%be-%c2%b7-goerne-johnson-%c2%b7-%e2%88%be-%c2%b7-kaufmann-deutsch-%c2%b7/

https://pqpbach.ars.blog.br/2020/06/07/schumann-1810-1856-dichterliebe-op-48-liederkreis-op-39-olaf-bar-baritono-geoffrey-parsons-piano/

JS Bach (1685 – 1750): A Arte da Fuga – Berliner Bach Akademie & Heribert Breuer ֎

JS Bach (1685 – 1750): A Arte da Fuga – Berliner Bach Akademie & Heribert Breuer ֎

BACH

A Arte da Fuga

Berliner Bach Akademie

Heribert Breuer

 

Lorenz Christoph Mizler foi, entre muitas coisas, médico, matemático e compositor. Ele estudou teologia em Leipzig nos primeiros anos da década de 1730 e também composição musical. De alguma forma acabou associando-se a Johann Sebastian Bach a quem chamava de bom amigo. Mizler posteriormente mudou-se para a Polônia e fixou-se em Varsóvia onde praticou medicina. Ele tinha grande interesse em teoria musical e fundou a Sociedade Correspondente de Ciências Musicais. Os sócios contribuíam enviando trabalhos musicais teóricos ou práticos.

Vários compositores conhecidos faziam parte da Sociedade. Telemann, Handel, Graun e o padroeiro do blog, que associou-se em 1747, quando contribuiu com as Variações Canônicas sobre ‘Vom Himmel hoch’. No ano seguinte enviou a Oferenda Musical e para 1749 planejava enviar a Arte da Fuga.

Não é surpresa então que essa obra soe um pouco acadêmica e se você conhece Bach como o compositor da Ária na Corda Sol ou Jesus, a Alegria dos Homens, vai ficar perplexo. Praticar a audição de A Arte da Fuga é um de meus passatempos favoritos.

Como não há indicação de qual instrumento ou quais instrumentos devem ser usados para se executar a música há muitas diferentes abordagens, inclusive a especulação de que a obra havia sido feita para ser ouvida na mente, um verdadeiro exercício intelectual. É claro que isso deixaria de fora toda a plebe ignara que não lê notação musical. De qualquer forma, com a abundância de gravações ninguém precisa privar-se de ter contato com essa criação genial de Bach. As mais abundantes são aquelas nas quais se usa um instrumento de tecla como um cravo, um piano ou um órgão ou aquelas nas quais se usa um quarteto de cordas. Outras combinações musicais mais exotéricas também podem ser usadas, tais como conjunto de sopros (metais ou madeiras), marimbas ou um conjunto de acordeão com viola da gamba e violino.

Eu gosto muito da gravação da postagem na qual reina a criatividade de Heribert Breuer, um organista, regente, compositor e arranjador alemão. Ele estudou em Heidelberg, Berlim e Colônia com Helmuth Rilling e outros professores.

No libreto ele conta como pensou muito no tipo de formação que usaria para orquestrar a Arte da Fuga: minha orquestração usaria quatro quartetos e um instrumento solo com teclado.

Meu conceito era do espectro tonal mais transparente possível, cujas cores deveriam formar um contrapeso à polifonia sempre presente da obra.

O primeiro contraponto é interpretado pelo clássico quarteto de cordas. Os ritmos marcantes do segundo contraponto exigem uma instrumentação que deixe clara sua relação com as raízes do ‘cool jazz’. Dois pianos, vibrafone e contrabaixo representam a ‘música contemporânea’. No terceiro contraponto temos mais contrastes: sua expressividade cromática e desenvolvimento dinâmico explícito exigem recursos românticos, representados aqui por um quarteto de sopros – oboé, clarinete, trompa e fagote. O quarto contraponto, com o qual termina a primeira parte, sugere um mundo pré-bachiano, no qual o cromatismo e os ritmos pulsantes são evitados. Este estilo Música Antiga é representado por duas flautas doces e duas violas da gamba. Os cânones são interpretados por cravo ou órgão (apenas órgão, no disco).

Deixo aqui parte de uma crítica, entre as mais amenas que encontrei, que ajuda a descrever o que segue:

What then follows is too complicated to describe here but is a combination of all instrumental premutations as the counterpoint becomes more complex. Breuer took 25 years to do it, so one can imagine the complexity of the result. It does make for satisfying listening and serves to remind us just how amazing the Art of Fugue is.  [O que se segue é muito complicado de descrever aqui, mas é uma combinação de todas as mutações instrumentais anteriores à medida que o contraponto se torna mais complexo. Breuer levou 25 anos para fazê-lo, então pode-se imaginar a complexidade do resultado. Ele faz uma audição satisfatória e serve para nos lembrar o quão incrível é a Arte da Fuga].

No livreto Heribert termina dizendo que gostaria que seu arranjo pudesse removesse dessa obra uma carga de abstração que tão comumente lhe é atribuída e que ajude a mostrar para os ouvintes a atemporalidade que reside bem no âmago da peça. Eu gostei do disco, a despeito das críticas e aguardo o vosso veredito: valeu o download?

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

The Art of Fugue

  1. Contrapunctus 1
  2. Contrapunctus 2
  3. Contrapunctus 3
  4. Contrapunctus 4
  5. Canon 1
  6. Contrapunctus 5
  7. Contrapunctus 6
  8. Contrapunctus 7
  9. Canon 2 [3]
  10. Contrapunctus 8
  11. Contrapunctus 9
  12. Contrapunctus 10
  13. Contrapunctus 11
  14. Canon 3 [2]
  15. Contrapunctus 12a
  16. Contrapunctus 12b
  17. Contrapunctus 13a
  18. Contrapunctus 13b
  19. Canon 4
  20. Contrapunctus 14

Berliner Bach Akademie

Heribert Breuer

Tempo Total: 70:49
Ano do lançamento: 2000

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 219 MB

The orchestra is made up of members of the major Berlin orchestras, its personnel varying with the program. For the Art of Fugue project, the Leipzig String Quartet, piano duettists Aglaia Bätzner and Cristina Marton, and vibraphone player Edgar Guggeis joined as guests.

Nomes dos específicos músicos estão em um documento na pasta do download.

Certainly the Musica Contemporanea group, with its jaunty, bounce-along approach, sounds out of place.  [Uma crítica não muito favorável ao disco…]

Uma pena, eu gostei bastante do quarteto contemporâneo. Ouça lá no Contraponto 14, pouco depois do terceiro minuto, como eles dão o ar da graça…

Aproveite!

René Denon

Handel (1685 – 1759): Messias (Highlights) & Bach (1685 – 1750): Oratório de Natal (Highlights) – solistas, coros, RSO Stuttgart & Sir Neville Marriner / ASMF & Sir Philip Ledge ֍

Handel (1685 – 1759): Messias (Highlights) & Bach (1685 – 1750): Oratório de Natal (Highlights) – solistas, coros, RSO Stuttgart & Sir Neville Marriner / ASMF & Sir Philip Ledge ֍

Handel: Messias & Bach: Oratório de Natal

Natal Barroco

 

Impossível evitar, o espírito de Natal está no ar. Meu vizinho colocou em sua casa tantas luzes com motivos natalinos que até a NASA já detectou o nosso bairro em seu mapa mundi de luminosidade. Fora isso, com as economias devidamente empregadas em bacalhau, a ceia deverá ser farta.  

De qualquer forma, Natal remete à família e eu penso um pouco na minha. O ano teve, como deve ter acontecido na sua, altos e baixos. Impossível ser diferente, está nos genes.

Aqui comemoramos o primeiro ano de aniversário de minha neta mais nova, que está em ótimo desenvolvimento, assim como sua irmãzinha, um ano mais velha. Essa já conta até 10, reconhece e nomeia todas as cores. Ela repete tudo o que ouve, haja cuidado com o que se diga perto dela.  

Uma querida cunhada está se despedindo da vida, uma nota de tristeza. Mas que vida cheia de amor e dedicação que tem sido essa. Força pedimos, confiança temos.  

Assim vamos exercitando ao máximo a prática de esticar o tempo para conseguir fazer tudo o que planejamos, como o catártico escrever desta postagem.  

Enfim, o que queremos para a noite de Natal? Eu quero estar rodeado de pessoas queridas, ouvir vozes e risos familiares. Ganhar abraços e beijos. Dar e receber aqueles telefonemas ou ZAP-mensagens que nos aproximam daquelas vozes que por alguma razão não podem estar ao pé de nós. Mas que no ano que vem, quem sabe?  

Para a postagem, escolhi um álbum tipicamente produzido para a ocasião. Metade do disco com números do Messias de Handel, cantado em alemão (pasmem!), mas regido pelo inglês Sir Neville Marriner. A outra metade tem números do Oratório de Natal do imenso João Sebastião Ribeiro, padroeiro do blog. Aqui, forças mistas, anglo-germânicas. São vozes conhecidas para os que já ouvem música há algum tempo e precisam ser ouvidas pelos que ainda estão se aventurando nessas águas. Tudo muito lindo.

Aleluia! 

 

George Frideric Handel (1685 – 1759)

Messiah – Der Messias HWV 56 (Highlights)

(sung in German)

  1. 2 Tröste dich, mein Volk … & Nr.3 Alle Tale macht hoch erhaben (Accompagnato & tenor arie)
  2. 4 Denn die Herrlichkeit Gottes (Chorus)
  3. 8 O du, der Wonne verkündet in Zion (Contralto aria)
  4. 11 Denn es ist uns ein Kind geboren (Chorus)
  5. 12 Pifa
  6. 14 Und alsbald war da bei dem Engel (Accompagnato sopran)
  7. 15 Ehre sei Gott in der Höhe (Chorus)
  8. 36 Warum denn rasen und toben die Heiden im Zorne (Bass aria)
  9. 39 Hallelujah! (Chorus)
  10. 40 Ich weiß, daß mein Erlöser lebet (Soprano aria)
  11. 47 Würdig ist das Lamm, das da starb (Chorus)

Lucia Popp (soprano)

Brigitte Fassbaender (contralto)

Robert Gambill (tenor)

Robert Holl (bass)

Südfunkchor  (Klaus Martin Ziegler)

Radio-Sinfonieorchester Stuttgart des SWR

Sir Neville Marriner

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Christmas Oratorio, BWV 248 (Highlights)

  1. 1 Jauchzet, frohlocket, auf, preiset die Tage (Chorus)
  2. 4 Bereite dich, Zion (Contralto aria)
  3. 5 Wie soll ich dich empfangen (Chorus)
  4. 8 Grosser Herr und starker König (Bass aria)
  5. 24 Herrscher des Himmels (Chorus da capo)
  6. 43 Ehre sei dir, Gott, gesungen (Chorus)
  7. 64 Nun seid ihr wohl gerochen (Bass aria)

Dame Janet Baker (mezzo-soprano)

Dietrich Fischer-Dieskau (bass-baritone)

Choir of King’s College Cambridge,

Academy of St Martin in the Fields

Philip Ledger

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 202 MB

Que tudo corra bem na sua Noite de Natal!

Com carinho, do René Denon

Rachmaninov (1873 – 1943): Os Concertos para Piano – Lukáš Vondráček, Prague SO & Tomáš Brauner / Earl Wild, Royal PO & Jascha Horenstein ֎

Rachmaninov (1873 – 1943): Os Concertos para Piano – Lukáš Vondráček, Prague SO & Tomáš Brauner / Earl Wild, Royal PO & Jascha Horenstein ֎

– RACH#2023 –

 

Os Concertos para Piano

Lukáš Vondráček, piano

Prague Symphony Orchestra

Tomáš Brauner

 

 

Os Concertos para Piano

Earl Wild, piano

Royal Philharmonic Orchestra

Jascha Horenstein

 

“O enorme sucesso popular que algumas poucas obras de Rachmaninov tiveram em sua vida provavelmente não durará, e os músicos nunca o consideraram com muito favor.”

Assim escreveu o ilustre crítico inglês Eric Blom na quinta edição do Grove’s Dictionary of Music and Musicians, expressando a sabedoria musicológica predominante da época: certamente a história varreria de lado essa estrela pop da sala de concertos.

Essa foi a cara que o Blom fez quando soube que abririamos a postagem com sua afirmação…

Blom was forthright in his opinions. Even more notoriously, he wrote that Rachmaninoff “did not have the individuality of Taneyev or Medtner. Technically he was highly gifted, but also severely limited. His music is … monotonous in texture … The enormous popular success some few of Rakhmaninov’s works had in his lifetime is not likely to last, and musicians never regarded it with much favour”. To this, Harold C. Schonberg, New York critic not immune to snobbery of his own, in his Lives of the Great Composers, responded with equally outspoken unfairness, “It is one of the most outrageously snobbish and even stupid statements ever to be found in a work that is supposed to be an objective reference”.

“É uma das declarações mais escandalosamente esnobes e até estúpidas já encontradas em uma obra que deveria ser uma referência objetiva”.

Pois agora, no final de 2023, ano que viu as comemorações tanto de 150 anos do nascimento quanto as homenagens feitas pelos 80 anos da morte de Rachmaninov, podemos afirmar que ‘o enorme sucesso popular’ que suas obras tiveram em vida perduraram até agora e a história ainda está considerando se tira a vassoura do armário para varrer a estrela pop da sala de concertos.

Serguei sorrindo ao ser fotografado com seu chapéu preferido

Veja alguns dos grandes e famosos pianistas que passaram o ano a tocar Rachmaninov: Yuja Wang, Daniil Trifonov, o jovem pianista Alim Beisembayev, acompanhado da Sinfonia of London, regida por John Wilson, e Mikhail Pletnev.

E nem só de Concertos para Piano viveu o artista, como se viu nesses concertos em POA e SP.

Veja também aqui: Cinco bambas do piano homenageando o compositor.

Fazia frio na América também

Se você quer mais, basta Googlar ‘Rachmaninov 2023’ e verá como no mundo todo homenagens não faltaram.

Para essa postagem escolhi dois álbuns com toda a obra para piano e orquestra de Rachmaninov. Um saído do forno, praticamente. O jovem pianista Lukáš Vondráček viu sua ocupadíssima agenda de concertos varrida pelo lockdown da Covid e teve, para nosso grande prazer, a oportunidade de, em parceria com a ótima orquestra de Praga, regida por Tomáš Brauner, gravar a integral dos Concertos para Piano do Sergei. O outro, um clássico: Earl Wild, um virtuose do piano como poucos, acompanhado por uma orquestra real, dirigida pelo improvável Rachmaninov-regente, Jascha Horenstein, mais conhecido por suas interpretações de Bruckner e Mahler. Essa gravação, pasmem, foi feita em Londres, no espaço de uma semana, no Walthamstow Town Hall, em maio de 1965, produzida para a Reader’s Digest pelo lendário Charles Gerhardt. A Royal Philharmonic era a orquestra fundada e dirigida por Beecham, que havia morrido há apenas quatro anos no momento desta gravação e estava em excelente forma. A orquestra, é claro! A edição da postagem leva o selo Chandos.

Sergei Vasilyevich Rachmaninoff

Piano Concerto No. 1 in F sharp minor Op. 1

  1. Vivace
  2. Andante
  3. Allegro vivace

Piano Concerto No. 4 in G minor Op. 40

  1. Allegro vivace
  2. Largo
  3. Allegro vivace

Rhapsody on a Theme of Paganini Op. 43

  1. Rhapsody on a Theme of Paganini Op. 43

Piano Concerto No. 2 in C minor Op. 18

  1. Moderato
  2. Adagio sostenuto
  3. Allegro scherzando

Piano Concerto No. 3 in D minor Op. 30

  1. Allegro ma non tanto
  2. Intermezzo. Adagio
  3. Finale. Alla breve

Lukáš Vondráček, piano

Prague Symphony Orchestra

Tomáš Brauner

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 364 MB

Tomáš Brauner repassando o som com a PQP Bach Sinfonieta de Alegrete

Sergei Vasilyevich Rachmaninoff

Piano Concerto No 1 In F Sharp Minor Op. 1

  1. I – Vivace
  2. II – Andante
  3. III – Allegro Vivace

Piano Concerto No. 4 In G Minor Op. 40

  1. I – Allegro
  2. II – Largo
  3. III – Allegro Vivace

Rhapsody On A Theme Of Paganini Op. 43

  1. Rhapsody On A Theme Of Paganini Op. 43

Piano Concerto No. 2 In C Minor Op. 18

  1. I – Moderato
  2. II – Adagio Sostenuto
  3. III – Allegro Scherzando

Piano Concerto No. 3 In D Minor Op. 30

  1. I – Allegro
  2. II – Intermezzo
  3. III – Finale: Allegro

Earl Wild, piano

Royal Philharmonic Orchestra

Jascha Horenstein

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 307 MB

Jascha Horenstein

“Chaque concerto est individualisé, le Premier flamboyant, athlétique (Vondráček m’y rappelle Sergio Fiorentino, mêmes tempos, mêmes accents, même furia débordante dans le Finale), le Deuxième lyrique et sombre jusque dans un Finale incendiaire, et le Troisième telle une immense rhapsodie où la poésie alterne avec des échappées épiques : soudain le piano devient un instrument au sein de l’orchestre, Vondráček et Brauner le pensent non plus comme un concerto, mais comme une symphonie.” “Cada concerto é individualizado, o Primeiro extravagante, atlético (Vondráček lembra-me Sergio Fiorentino, os mesmos tempos, os mesmos sotaques, a mesma fúria transbordante no Finale), o Segundo lírico e afunda-se num Final incendiário, e o Terceiro como uma imensa rapsódia onde a poesia se alterna com fugas épicas: de repente o piano torna-se um instrumento dentro da orquestra,  Vondráček e Brauner já não pensam nisso como um concerto, mas como uma sinfonia.”
Artalinna, June 2023

“Mais c’est dans la narration exaltée du Concerto No. 3 que le pianiste tchèque se montre à son meilleur, la prise de son restituant la moindre inflexion de ce contour sûr de ses effets. Sans conteste, le sommet du double album.” “Mas é na exaltada narração (interpretação) do Concerto No. 3 que o pianista checo mostra o seu melhor, a gravação sonora reproduz a menor inflexão deste contorno seguro dos seus efeitos. Sem dúvida, o ápice do álbum duplo.”
Diapason, October 2023

Lukáš Vondráček

Such is the luxuriance of sound revealed in these remasterings, it’s difficult to believe the recording date; and such is the quality of the piano playing that it’s easy to understand why Chandos should have wanted to go to such trouble. There aren’t so many Rachmaninov pianists who dare to throw caution to the wind to the extent that Earl Wild does in the outer movements of the First Concerto, fewer still who can keep their technical poise in the process. The improvisatory feel to the lyricism of the slow movement is no less remarkable. 

Wild’s panache is every bit as seductive in No 4, and the Paganini Rhapsody is a rare example of a performance faster than the composer’s own – devilishly driven in the early variations and with tension maintained through the following slower ones …

Earl Wild tentando avistar a turma do PQP Bach aplaudindo-o de pé…

Aproveite!

René Denon

Encontre os 7 erros…

Granados (1867 – 1916) – Albéniz (1860 – 1909) – de Falla (1876 – 1946): Peças para Piano – Luis López & Magda Tagliaferro ֎

Granados (1867 – 1916) – Albéniz (1860 – 1909) – de Falla (1876 – 1946): Peças para Piano – Luis López & Magda Tagliaferro ֎

Granados – Albeniz

de Falla

Peças para Piano

Luis López

Magda Tagliaferro

 

O que caracteriza o que chamamos música espanhola em palavras é elusivo, mas evidente nos sons musicais. E o fascínio por música espanhola é universal. Basta lembrar do Capricho Espanhol ou de Carmen.

Domenico Scarlatti e Luigi Boccherini são compositores que devem grande parte de suas reputações exatamente por terem vivido e produzido o melhor de sua arte na Espanha.

Os compositores franceses do século XIX e XX influenciaram e foram influenciados pela música espanhola. Basta pensar nos compositores-pianistas Manuel de Falla, Isaac Albéniz e Enrique Granados.

Eu adoro este tipo de música. O LP Danzas Españolas, de Granados, interpretadas por Alicia de Larrocha quase furou e desde então, sempre que vejo um disco com esse tipo de repertório vou logo investigar.

O pianista Luis López nasceu em Tenerife e começou seus estudos no Conservatório Superior de Canárias e aperfeiçoou-se na Polônia. Este disco é muito recente e traz peças de Granados e Albéniz. A produção – o som – e o programa do disco são excelentes. As Valsas Poéticas são deslumbrantes e as outras peças muito bem escolhidas.

Acrescentei ao disco da postagem uma coleção de faixas de um disco antigo, gravado pela pianista brasileira Magda Tagliaferro. A única peça em comum com aquelas do primeiro disco é uma peça de Goyescas, Quejas o la Maja y el Ruiseñor, mas há uma grande afinidade no repertório e ouvir interpretações tão diferentes é fascinante.

Espero que goste das peças e que a audição seja um estímulo para que você explore esse tipo de repertório.

Enrique Granados (1867 – 1916)

8 Valses poéticos

  1. Introducción. Vivace molto
  2. 1, Melódico
  3. 2, Tempo de vals noble
  4. 3, Tempo de vals lento
  5. 4, Allegro humoristico
  6. 5, Allegretto
  7. 6, Quasi ad libitum
  8. 7, Vivo
  9. 8a Coda. Presto
  10. 8b, Tempo dil primero vals

Capricho Español, Op. 39

  1. Capricho Español

Goyescas

  1. Quejas o la Maja y el Ruiseñor

Isaac Albeniz (1860 – 1909)

Iberia, Cahier 1

  1. El Puerto
  2. Evocación

Iberia, Cahier 2

  1. Almería

Luis López, piano

Luis López interpreta estas 8 Valsas Poéticas com rigor e inspiração, com uma sensibilidade magistral e pulso determinado. Ele completa os silêncios com intenção declarada e minucioso. Como se cada frase, cada silêncio, cada momento de som fosse uma eternidade que surge da mais distante inspiração poética.

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 116 MB

Magda Tagliaferro

 

Isaa Albéniz (1860 – 1909)

  1. Evocación-Primer Cuadermo, Iberia T. 105, IIA 20
  2. Triana-Segundo Cuadermo, Iberia T. 105, IIA 20
  3. Seguidillas (Castilla)-Cantos de España T. 101, Op. 232, IIA 6
  4. Sevilla (Sevillana)-Suite Española T. 61, Op. 47, IIA 45
  5. Córdoba-Cantos de España T. 101, OP. 232, IIA 6

Manuel de Falla (1876 – 1946)

  1. Danza Española – La Vida Breve G. 35, IMF 19
  2. Danza del Molinero-El Sombrero de Tres Picos, IMF 15

Enrique Granados (1867 – 1916)

  1. Andaluza (Playera)-Danzas Españolas, Op. 37, IEG 6
  2. Oriental-Danzas Españolas, Op. 37, IEG 6
  3. Quejas o la Maja y el Ruiseñor-Goyescas, IEG 12

Magda Tagliaferro, piano

Peças Remasterizads em 2023, Paris 1960

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 99 MB

Magda, a própria elegância!

It is difficult to think of a more irrepressible virtuoso pianist than Brazillian born but Paris based Magda Tagliaferro…a pianist who revelled in music of a facile but endearing charm.

Aproveite!

René Denon

Luis López adorou a praia de Camboinhas

William Byrd (1540 – 1623): The Great Service – The Choir of King’s College – Stephen Cleobury; The Tallis Scholars – Peter Phillips; The Cardinall’s Musick – Andrew Carwood; Odissean Ensemble – Colm Carvey ֍

William Byrd (1540 – 1623): The Great Service – The Choir of King’s College – Stephen Cleobury; The Tallis Scholars – Peter Phillips; The Cardinall’s Musick – Andrew Carwood; Odissean Ensemble – Colm Carvey ֍
Guilherme Pássaro

William BYRD

The Great Service

Esta postagem é uma reverência aos 400 anos da morte de William Byrd

William Byrd morreu há quatrocentos anos, em 1623, depois de ter vivido 83 anos. Nos nossos dias isso é considerado um feito, imagine há tantos séculos. E olhe que William era católico vivendo na Inglaterra, durante o período do surgimento da Igreja Anglicana – um ambiente no qual se misturavam religião e assuntos de estado, com conspirações ocorrendo em cada esquina.

Byrd foi organista da Lincoln Cathedral a partir de 1563 e tornou-se músico da Chapel Royal, assumindo o lugar de Robert Parsons, em 1572, servindo assim, ao lado de Thomas Tallis e outros, a Igreja Anglicana. Ao mesmo tempo era membro ativo da comunidade católica e recebia a patronagem de importantes aristocratas católicos. Em termos de música sacra, enquanto na Igreja Católica os ofícios eram em latim e a música elaborada, na Igreja Anglicana usava-se o inglês e a música que se esperava devia ser simples, uma nota para cada vogal. É claro que em certas circunstâncias esperava-se alguma coisa mais elaborada e até uns certos latins…

Mas para Byrd, essa vida dupla tornou-se mais perigosa durante a década de 1580, ao longo da qual houve tentativas de destronar a rainha Elizabeth I, para coroar em seu lugar sua prima Maria Stuart. Além disso, em 1585 morreu Thomas Tallis, que era figura importante na vida de Byrd. Eles dividiam direito de publicação de música entre outras coisas. Byrd e sua família passaram diversos perrengues, chegando a ser investigado, pagando multas por não atender aos ofícios da igreja, passando por prisão domiciliar.  Safava-se por ter costas-quentes e numa ocasião até por intervenção da rainha, que gostava de música e queria exibir, pelo menos nas devidas ocasiões, pompa e esplendor. E nisso, esses músicos eram realmente espetaculares, dominavam a arte como poucos. Há um moteto de Thomas Tallis, Spem in alium, para 40 vozes. É pouco ou quer mais? Os músicos da Chapel Royal, como Robert Parsons, John Sheppard e William Mundy, produziram música mais elaborada, os serviços, que faziam as vezes das missas no caso católico. Mas Tallis e Byrd só produziram serviços bastante simples, seguindo à risca as determinações do Arcebispo…

É por isso que a obra dessa publicação, The Great Service, coloca um certo mistério na história. Apesar de deter poder de publicação, essa obra não foi publicada durante a vida do compositor. Por volta de 1594 Byrd diminuiu suas atividades na Chapel Royal e mudou-se com a família para uma pequena vila em Essex, ficando próximo de um rico dono de terras na região, Petre, que era católico. Isso tudo não impediu que Byrd continuasse a produzir música que servisse a Igreja Anglicana e The Great Service pode ter sido um projeto que seguiu à publicação das Missas para Três, Quatro e Cinco Vozes, dando continuidade à tradição de obras desse escopo escritas por outros compositores, como William Mundy e Robert Parsons. A obra é composta para um coro de cinco partes, dividido em Decani e Cantoris (nomes dados às duas tendas de coro em que as duas divisões do coro ficavam de frente uma para a outra do outro lado do corredor). Algumas seções são marcadas para grupos de solistas, rotuladas como “verso” e contrastando com as seções “completas”. O coro era normalmente dobrado pelo órgão (como as partes sobreviventes do órgão deixam claro) e provavelmente às vezes por instrumentos de sopro altos (cornetts e sackbuts), uma prática que causou muito indignação entre os puritanos da época. Sua sobrevivência deve-se principalmente a conjuntos incompletos de livros parciais do coro da igreja, bem como três partes contemporâneas do órgão. Ao reunir vários manuscritos, os estudiosos se deram com um texto praticamente completo, embora a primeira parte do Contratenor Decani do Venite ainda esteja faltando. Devido ao seu escopo, a obra deve ter ficado limitada à Chapel Royal.

As partes do Grande Serviço são sete: três formam as Matinas (Morning Prayers), duas formam a Comunhão (Communion), e mais duas formam as Vésperas (Evensong):

  1. Venite
  2. Te Deum
  3. Benedictus
  4. Kyrie
  5. Creed
  6. Magnificat
  7. Nunc dimitts

Eu escolhi quatro gravações, duas das quais eu ouço já há muitos anos. A primeira é a mais antiga, com o coro do King’s College, sob a direção de Stephen Cleobury é de 1987 e foi publicada na saudosa série Reflexe, da EMI. Essa é uma gravação muito interessante que apresenta as partes da obra com alguns pequenos números entre elas, colocando-as como em uma liturgia. Para completar, dois anthems, o primeiro deles falando da Rainha Elizabeth.

Depois consegui um disco com a gravação de The Tallis Scholars, com direção de Peter Phillips. Essa interpretação também é de 1987 (meu Deus, o tempo voa…) e parece mais alinhada com as práticas de época. Originalmente foi lançada pelo selo Gimell Records e hoje deve estar sob controle de algum selo universal… Ela apresenta os movimentos seguidos sem qualquer outro número. O Kyrie, que dura perto de dois minutos, não aparece nesse disco, que termina com três Anthems, dois deles também fazem parte do disco anterior. A capa traz um retrato da Rainha Elizabeth I.

As outras duas gravações são mais recentes, de 2011 e 2018, e trazem a obra num contexto mais litúrgico. Os libretos com muita informação e o texto cantado constam nos arquivos nesses casos e podem fazer a experiência de ouvir essas gravações ainda mais enriquecedora. No caso da gravação mais recente, feita pelo selo Linn Records, há trechos de texto falado, recitados por um famoso personagem inglês. Se precisar decifrar quem é o dono da voz, sugiro contratar um bom detetive…

William Byrd (1540 – 1623)

The Great Service

The Morning Service

  1. I Venite
  2. II Te Deum
  3. III Benedictus

Communion

  1. IV Kyrie
  2. Creed

The Evening Service

Vocals [Cantor] – Robert Graham-Campbell

  1. I Introit “Lift Up Your Hands” (Psalm 24)
  2. II First Preces
  3. Psalm 47 “O Clap Your Hands”
  4. III Magnificat
  5. IV Nunc Dimittis
  6. V Responses
  7. Prayers
  8. Collects

Anthems

  1. VI Anthem “O Lord Make Thy Servant Elizabeth”
  2. VII Anthem “Sing Joyfully Unto God Our Strength” (Psalm 81,1-4)

Recorded At – Chapel Of King’s College, Cambridge

Alto Vocals – Anthony Musson, Benjamin Phillips (2), Stephen Hilton (2)

Bass Vocals – Gavin Carr, Lawrence Whitehead (2)

Choir – The Choir Of King’s College, Cambridge*

Directed By – Stephen Cleobury

Tenor Vocals – Christopher Cullen (2), Christopher Walker (2), Robert Graham-Campbell

Treble Vocals – Graham Green (5), Thomas Elias

Recorded: 13.-14 XII. 1985, King’s College Chapel, Cambridge.

Stephen Cleobury

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 256 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 149 MB

The Great Service

  1. Venite
  2. Te Deum
  3. Benedictus
  4. Creed
  5. Magnificat
  6. Nunc Dimittis

Anthems

  1. O Lord, Make Thy Servant Elizabeth
  2. O God, The Proud Are Risen
  3. Sing Joyfully Unto God

The Tallis Scholars

Peter Phillips

Para mais detalhes sobre essa gravação, clique aqui.

Peter Phillips

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 362 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 123 MB

The Great Service

  1. Venite
  2. Te Deum
  3. Benedictus
  4. Kyrie
  5. Creed
  6. Magnificat
  7. Nunc Dimittis

Anthems

  1. Praise Our Lord, All Ye Gentiles
  2. Unto The Hills Mine Eyes I Lift
  3. Make Ye Joy To God All The Earth
  4. Turn Our Captivity, O Lord
  5. This Day Christ Was Born

The Cardinall’s Musick

Conductor – Andrew Carwood

Recorded At – Fitzalan Chapel, Arundel Castle

Alto Vocals – Caroline Trevor, David Gould (5), David Martin (22), Patrick Craig (3)

Bass Vocals – Robert Evans (2), Robert Macdonald

Engineer – Martin Haskell

Executive-Producer – Nick Flower, Simon Perry (5)

Organ – Robert Quinney

Producer – Jonathan Freeman-Attwood*

Soprano Vocals – Carys Lane, Cecilia Osmond

Tenor Vocals – Simon Wall (2), William Balkwill

Andrew Carwood

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 357 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 256 MB

The Great Service

  1. Sentence I Will Goe to My Father
  2. Venite
  3. Lesson And David Spake the Words
  4. Te Deum
  5. Lesson And Paul Earnestly Beholding the Councell
  6. Benedictus
  7. Prayer and Thankesgiving for the Happy Deliverance of His Majestie
  8. O God, The Proud Are Risen Against Me
  9. Creed
  10. Fantasia, BK 62
  11. Sentence I Exhort You Therefore
  12. Sing Joyfully
  13. Lesson After the Death of Moses
  14. Magnificat
  15. Lesson Let Every Soule Be Subject Unto the Higher Powers
  16. Nunc Dimittis
  17. Collect Almighty God and Heavenly Father
  18. Exalt Thyself, O God

Odyssean Ensemble

Music Director – Colm Carey

Bass Vocals – James Holliday, William Gaunt

Countertenor Vocals – Daniel Collins, David Gould (5), Kate Symonds-Joy, Simon Ponsford

Organ – Christian Wilson (3)

Soprano Vocals – Angela Hicks, Emilia Morton

Tenor Vocals – Hugo Hymas, Steven Harrold

Treble Vocals, Mezzo-soprano Vocals – Amy Wood (4), Zoë Brookshaw

Colm Carey

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 374 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 220 

Resumindo:

The music in the Great Service is of unparalleled proportions and inexhaustible variety; Byrd vividly represents the text at every opportunity stimulating the listener’s imagination. The Great Service encapsulates the canticles that were sung during the services of Matins and Evensong, which made up an important part of the Book of Common Prayer.

David Suchet

Aproveite!

René Denon

Calcutta 1789 – Na encruzilhada entre Europa e Índia – Notturna e Christopher Palameta ֍

Calcutta 1789 – Na encruzilhada entre Europa e Índia – Notturna e Christopher Palameta ֍

At the Crossroads

Between Europe and India

 

Purcell – Handel

JC Bach – CF Abel

 

Você ainda não viu Uma passagem para a Índia, do David Lean? Então veja, pois o filme é ótimo. Na história se opõem duas culturas: os ingleses tentando manter seus hábitos em um ambiente impregnado de sabores, cheiros e cores exóticas, muito diferentes das que eles conheciam na terrinha deles. O filme originou de um livro escrito por Edward Morgan Forster – E.M. Forster. É uma linda história que descreve esta colisão de culturas, da qual as duas saem modificadas.

O disco desta postagem traz um paralelo sonoro a esse tipo de situação, mas remonta a um período anterior àquela descrita no filme – Calcutá, 1789. O programa descreve o que pode ter sido um concerto realizado em Calcutá naquela época.

Calcutá fica na província de Bengala e foi fundada em 1609 como um posto de troca pela Companhia Britânica das Índias Orientais. A cidade se tornou um cruzamento de culturas, o Ocidente se encontra com o Oriente, gerando uma colorida fusão de comidas, música e artes em geral. Por volta de 1780, a colônia inglesa residente em Calcutá era da ordem de 4000 pessoas. Entre eles, os nababos, ricos representantes do comércio onde permaneciam anos ou mesmo décadas e se cercavam de uma pequena corte, com músicos, cozinheiro e artistas.

Neste ambiente também floresciam empresários musicais, tais como William Hamilton Bird, que organizavam concertos com subscrição e que apresentavam até mesmo Oratórios. O gosto musical era afinado com o que se ouvia em Londres, onde reinava a dupla germânica formada por Carl Friedrich Abel e Johann Christian Bach, o Bach inglês. Músicos das gerações anteriores, como Purcell e Handel também constavam nos programas. É claro que a música era adaptada às disponibilidades locais. Aqui temos quartetos e quintetos com oboé, flauta, cordas e cravo. Mas o que mais coloriu o disco, assim como deve ter feito nos concertos daquela época, são os números musicais com influência da cultura local.

As mulheres desses altos funcionários da Companhia das Índias eram educadas e sabiam tocar cravo. Os nomes de duas delas aparecem no libreto. São as amigas Sophia Plowden, de Lucknow, e Margaret Fowke, de Benares. Elas assistiam a espetáculos de música e dança dos artistas locais e depois arranjavam para cravo aquelas peças que mais gostavam. Algumas dessas árias coletadas foram arranjadas e publicadas por William Hamilton Bird. Todo esse material está reunido na Coleção Fitzwilliam, em Cambridge.

Assim como deve ter ocorrido nos concertos em Calcutá, temos essas pioneiras peças de world music, que funcionam como interlúdios para as peças ocidentais, nas quais brilham também os instrumentos locais, como a tabla e o sitar. A primeira faixa é realmente fascinante. Inicia com solo no cravo e é uma transcrição de uma ária hindustani, ao qual se juntam os instrumentos locais, assim como flauta, oboé, violino violoncelo, numa verdadeira jam session que vale o download. 

Tradicional

  1. Sakia (ária hindustani) (Arr. para grupo de câmera feito por Notturna)

Johann Christian Bach (1735 – 1782)

Quinteto para flauta, oboé, violino, violoncelo e cravo, Op. 22, No. 2

  1. Allegro commodo
  2. Tempo di minuetto

Quinteto para flauta, oboé, violino, violoncelo e cravo, Op. 22, No. 1

  1. Andantino

George Frideric Handel (1685 – 1759)

Sonata em sol maior para oboé, dois violinos e b. c. – ‘My song shall be away’

  1. Largo e staccato
  2. Allegro
  3. Adagio
  4. Allegro

Henry Purcell (1659 – 1695)

(Arr. para grupo de câmera feito por Notturna)

  1. If love’s a sweet passion (de The Fairy Queen, Z628)
  2. Fairest Isle (de King Arthur)

Carl Friedrich Abel (1723 – 1787)

Quarteto em si bemol maior, Op. 12 No. 5, WK 71

  1. Un poco allegro
  2. Rondo

William Hamilton Bird (1750 – 1805)

Oriental Miscellany

(Arr. para grupo de câmera feito por Notturna)

  1. Rekhtah “Mera peara ab ia re”

George Frideric Handel (1685 – 1759)

(Arr. para grupo de câmera feito por Notturna)

  1. Ahi perche, giusto ciel (de Rodelinda)
  2. Solomon: Will the Sun Forget to Streak?
  3. Falsa imagine (de Ottone)

William Hamilton Bird (1750 – 1805)

Oriental Miscellany

  1. 13: Terana « Dandera vakee » para cravo e sitar

Henry Purcell (1659 – 1695)

The Indian Queen, Z630

  1. Rondeau

Notturna

Christopher Palameta, oboé e direção artística

Mika Putterman, flauta transversa
Olivier Brault, violino
Dorian Bandy, violono e viola
Susie Napper, violoncelo
Brice Sailly cravo
Uwe Neumann, sitar
Shawn Mativetsky, tabla

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 362 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 156 MB

Parte do elenco do filme de D. Lean relaxando no palácio do PQP Bach em Mumbai

Calcutá 1789 é um retrato fascinante da vida musical do século 18 na Índia durante o período colonial britânico.

Sob a direção de Christopher Palameta, o programa combina música tradicional indiana com obras de Purcell, Handel, J.C. Bach e C. F. Abel.

Aos instrumentistas de época de Notturna juntam-se os sons voluptuosos do sitar, tocado por Uwe Neumann, e da tabla, tocada por Shawn Mativetsky.

Inspirada em um programa de concertos de 1789 descoberto nos arquivos de Calcutá, a gravação reconstrói o rico intercâmbio cultural que se desenvolveu entre músicos indianos e ingleses que foram trazidos para a Índia como parte da comitiva da Companhia Britânica das Índias Orientais.

Aproveite!

René Denon

O Dep. de Artes do PQP Bach forneceu esta ilustração para a postagem… acho que eles se confundiram um pouco. Quel cul t’as!

Brahms (1833 – 1897): The Schönberg Effect – Quartetos com Piano – Notos Quartett ֎

Brahms (1833 – 1897): The Schönberg Effect – Quartetos com Piano – Notos Quartett ֎

Johannes Brahms

Quarteto No. 1 Op. 25

Sinfonia No. 3 Op. 90

(Arr. A.N. Tarkmann)

Notos Quartett

 

Neste surpreendente disco é percorrido o caminho inverso do que vimos recentemente por aqui – uma orquestração do Quarteto para Piano e Cordas No. 1, com o festivo e impetuoso Presto alla zingarese final. Apresentados aqui, temos o tal Quarteto em sol menor op. 25, na sua versão original, e ao seu lado, um arranjo da Sinfonia No. 3 para a mesma formação – piano e cordas – feito pelo arranjador e compositor Andreas N. Tarkmann (nascido em 1956).

Andreas N Tarkmann

Arranjos de obras escritas originalmente para orquestra adaptadas para conjuntos menores ou mesmo para piano eram comuns na época anterior à música gravada, pois permitia que a música fosse apreciada ou por amadores ou mais facilmente executada. Há uma versão para trio com piano da Sinfonia No. 2 de Beethoven. Arnold Schoenberg arranjou a Canção da Terra, de Mahler, para um conjunto bem menor de instrumentos e, como você já deve saber, orquestrou o Quarteto No. 1.

Notos Quartett fotografado pela equipe de mídia do PQP Bach que é especializada em grupos de música pop…

A novidade aqui deve-se ao fato de que este arranjo da sinfonia de Brahms foi feito recentemente para o Notos Quartett pelo versátil e prolífico Andreas Tarkmann. A crítica do disco no The Guardian começa com a retórica pergunta: por que ouvir uma versão para um conjunto de câmara se há tantas gravações excelentes da versão para orquestra? Ao final chega-se à conclusão que é necessário realmente ouvir o disco para crer que o quarteto arranjado é tão bom quanto o escrito por Brahms. Como eu sempre gostei do Quarteto Cigano, ouvi o disco muitas vezes… e adorei. Vamos, dê uma chance ao jovem grupo musical e seu arranjador. Aposto uma cocada como você vai gostar. Depois me conte…

Johannes Brahms (1833 – 1897)

Quarteto com Piano No. 1 em sol menor, Op. 25

  1. Allegro
  2. Intermezzo. Allegro man non troppo
  3. Andante con moto
  4. Rondo alla Zingarese. Presto

Sinfonia No. 3 em fá maior, Op. 90

(Arranjo para Quarteto com Piano – A.N. Tarkmann)

  1. Allegro con brio
  2. Andante
  3. Poco allegretto
  4. Allegro

Notos Quartett

Sindri Ledere, violino

Andrea Burger, viola

Philip Graham, violoncelo

Antonia Köster, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 275 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 167 MB

Deu a maior trabalheira levar esses espelhos todos até o bosque do PQP Bach…

Parte da crítica que pode ser lida na íntegra aqui: […] listen to what the Notos players do with the Piano Quartet No. 1. This is a stupendous performance, which entirely gets the point of Brahms’s youthful energy and ambition. Antonia Köster’s piano playing is suitably aristocratic without being overwhelming, the ensemble between her and the three string players is clean, detailed, delicate as required, and miraculously, elastically organic; Sindri Lederer’s violin tone is opulent and beautifully voiced; Andrea Burger’s viola playing is ideal for this sort of repertoire; and Philip Graham endows the cello part with rich lyricism. Together they have worked out the work’s accumulative strengths, and the result is breathtaking. I’m still reeling from the sheer power of the Andante’s middle section. Highly recommended.

[…] ouça o que os músicos do Notos fazem com o Quarteto de Piano No. 1. Esta é uma performance estupenda, que atinge inteiramente a energia e a ambição juvenil de Brahms. O piano de Antonia Köster é adequadamente aristocrático sem ser avassalador, o conjunto entre ela e os três tocadores de cordas é limpo, detalhado, delicado conforme necessário e, milagrosamente, elasticamente orgânico; O tom de violino de Sindri Lederer é opulento e lindamente dublado; A viola de Andrea Burger é ideal para esse tipo de repertório; e Philip Graham dota a parte do violoncelo de rico lirismo. Juntos, eles trabalharam os pontos fortes acumulados do trabalho e o resultado é de tirar o fôlego. Ainda estou me recuperando do poder absoluto da seção central do Andante. Altamente recomendado.

Aproveite!

René Denon

Beethoven (Arr. Mahler): Quarteto de Cordas, Op. 95 & Brahms (Orq. Schoenberg): Quarteto com Piano, Op. 25 – Wiener Philharmoniker & Christoph von Dohnányi ֍

Brahms / Schoenberg: Quarteto para Piano, Op. 25 (Arranjo para Orquestra de Arnold Schoenberg) (Comissiona)

Poulenc (1899 – 1963) – Fauré (1845 – 1924) – Ravel (1875 – 1937): Sonatas para Violino e Piano: Arabella Steinbacher & Robert Kulek ֍

Poulenc (1899 – 1963) – Fauré (1845 – 1924) – Ravel (1875 – 1937): Sonatas para Violino e Piano: Arabella Steinbacher & Robert Kulek ֍

Poulenc

Fauré

Ravel

Sonatas para Violino

Arabella Steinbacher, violino

Robert Kulek, piano

Dei com o nome Arabella Steibacher em um artigo da BBC Music Magazine sobre a famosa violinista Anne-Sophie Mutter. Ela criou em 1997 uma fundação para apoiar jovens talentos do naipe de cordas e Arabella estava entre os beneficiados, assim como Daniel Muller-Schott (violoncelo), Roman Patkoló (contrabaixo) e Sergey Kachatryan (violinista). Os benefícios culturais de iniciativas como essa são muitos e enriquecem nossas vidas.

Arabella adorou as acomodações do Salão de Entrevistas do PQP Bach headquarters…

O disco me atraiu imediatamente pelo repertório: sonatas para violino e piano compostas por franceses cujas existências coincidiram em parte, mas que também representam diferentes gerações.

Gabriel Fauré é o mais velho, mas foi bem longevo. Ele compôs duas sonatas para violino, mas essa do disco, é a primeira delas, ainda no século XIX, por volta de 1875. A première oficial foi na Société Nationale de Musique, na Sala Pleyel, que promovia música ‘francesa’ em contraste com a música ‘germânica’. Essa composição foi importante para estabelecer a reputação de Fauré como compositor.

Maurice Ravel é possivelmente o mais conhecido destes compositores e também compôs duas sonatas para violino. Como a primeira delas só veio a público depois da morte do compositor, esta segunda sonata é geralmente tratada apenas como Sonata para Violino de Ravel. Composta nos anos da década de 1920, teve o jazz e o blues, que eram muito populares em Paris desde o início do século XX, como fonte de inspiração. O terceiro movimento é intitulado ‘blues’.

A peça mais recente é a que abre o disco, uma belezura composta por Francis Poulenc. No entanto, a composição de uma sonata para violino foi um projeto que demorou a ser realizado. Várias tentativas ocorreram, desde a juventude do compositor, mas só em 1942 se completou. A sonata foi dedicada à memória do poeta Garcia Lorca, mas teve como madrinha a violinista Ginette Neveu, que deu vários pitacos para a parte de violino e estreou a peça ao lado do compositor como o pianista. Para entender a relutância e dificuldade que Francis Poulenc enfrentou na composição da peça, basta ler essas linhas que ele deixou ao completar o rascunho da peça: Le monstre est au point. Je vais commencer la réalisation. Ce n’est pas mal, je crois, et en tout cas fort différent de la sempiternelle ligne de violon-mélodie des sonates françaises du XIXe siècle…. Le violon prima donna sur piano arpège, me fait vomir. (O monstro está no ponto. Vou começar a realização. Não está mal, eu acho, e de qualquer forma é muito diferente da eterna linha violino-melodia das sonatas francesas do século XIX. O violino prima donna sobre os arpejos do piano me dá engulhos). Eu diria que o resultado ficou excelente.

Para fechar o cortejo, assim como um ‘encore’, temos mais uma peça de Ravel, Tzigane, cuja inspiração está evidente no próprio nome.

Francis Poulenc (1899 – 1963)

Sonata para Violino, FP 119

  1. Allegro con fuoco
  2. Intermezzo. Très lent et calme
  3. Presto tragico

Gabriel Fauré (1845 – 1924)

Sonata para Violino No. 1 em lá maior, Op. 13

  1. Allegro molto
  2. Andante
  3. Allegro vivo
  4. Allegro quasi presto

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Sonata para Violino em sol maior

  1. Allegretto
  2. Blues. Moderato
  3. Perpetuum mobile. Allegretto

Tzigane

  1. Tzigane

Arabella Steinbacher, violino

Robert Kulek, piano

O duo dando uma palhinha para o pessoal do PQP Bach depois do encontro para a entrevista…

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 170 MB

The Poulenc comes off best overall and there’s a lovely lightness of touch about the Ravel sonata.

Classic fm 2008

Aproveite!

René Denon

La Belle Époque: Música Francesa Para Duo de Pianos – Karin Lechner & Sergio Tiempo ֍

La Belle Époque: Música Francesa Para Duo de Pianos – Karin Lechner & Sergio Tiempo ֍

Milhaud: Scaramouche

Ravel: Daphnis et Chloé & La Valse

Fauré: Dolly Suíte

Debussy: Nuages & Fètes

Karin Lechner & Sergio Tiempo

 

Aqui em casa gostamos de comida chinesa e pedimos pelo aplicativo – eu adoro frango xadrez. Mas, gostamos mesmo é dos biscoitos da sorte. Adoramos essas frases minúsculas de ‘sabedoria chinesa’, como a maravilhosa: O segredo da longevidade é comer a metade, andar o dobro e rir o triplo’!

Se está ali, escrito, não é segredo, mas chegou apenas no seu biscoito da sorte. Parece algo que foi feito só para você. Ah, depois dessa, só pedimos meias-porções, andamos até a entrada do condomínio para buscar a comida e rimos à beça, especialmente de nós mesmos.

Bom, alegria mesmo nos deu foi esse álbum da postagem, música da Belle Époque, cheia de charme e elegância, de virtuosismo e melodias inesquecíveis. Os compositores franceses desse período, início do século 20, escreveram ou transcreveram muita música linda para duo de pianos ou piano a quatro mãos. Eu adoro esse tipo de repertório e já andei postando alguns discos dessa estirpe por aqui. Esse é de 2010, mas só agora cruzou comigo. Eu já conhecia os intérpretes, que são irmãos, mas não os havia ouvido como um duo.

Karin Lechner nasceu em Buenos Aires, Argentina. Ela passou a maior parte de sua juventude em Caracas, Venezuela, onde começou seus estudos musicais com sua mãe, Lyl Tiempo. Ela fez sua primeira aparição pública aos cinco anos de idade, e sua estreia com orquestra quando tinha 11 anos.

Mudou-se para a Europa e continuou seus estudos de piano com Maria Curcio e Pierre Sancan e também recebeu conselhos musicais de Martha Argerich, Nelson Freire, Daniel Barenboim, Nikita Magaloff e Rafael Orozco.

Sergio Tiempo fez sua estreia profissional no Amsterdam Concertgebouw aos quatorze anos, e logo se tornou internacionalmente conhecido por sua energia bruta e versatilidade musical, de Brahms a Villa-Lobos e Ginastera.

Nascido em Caracas, Venezuela, Sergio Tiempo iniciou seus estudos de piano com sua mãe, Lyl Tiempo. Enquanto esteve na Fondazione per il Pianoforte em Como, Itália, trabalhou com Dimitri Bashkirov, Fou Tsong, Murray Perahia e Dietrich Fischer-Dieskau. Ele recebeu orientação musical frequente, assim como conselhos de Martha Argerich e Nelson Freire e se apresenta regularmente com o conterrâneo e amigo Gustavo Dudamel.

O repertório do disco é ótimo. Scaramuche é uma suíte escrita por Darius Milhaud, que andou pelo Brasil como adido cultural da Embaixada Francesa, e essa experiência pode ser ouvida no terceiro e último movimento da suíte.

Depois temos transcrições da Segunda Suíte do balé Daphnis et Chloé, de Maurice Ravel, feitas por Lucien Garban, que era editor de música na editora Durand e foi amigo de Ravel por toda a vida.

No centro do disco uma peça para piano a quatro mãos, a Suíte Dolly, de Gabriel Fauré, famosa por sua inspiração no universo das crianças e que termina em um tour de force, Le pas espagnol, um enorme sucesso aqui em casa.

Depois dois noturnos de Debussy – Nuages e Fètes – transcritos para duo de pianos por Ravel. E para completar esse lindo disco, La valse, também de Ravel, em uma transcrição para duo de pianos pelo próprio compositor.

Darius Milhaud (1892 – 1974)

Scaramouche

  1. Vif
  2. Modéré
  3. Braziliera

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Daphnis et Chloé

  1. Lever du Jour
  2. Pantomime & Danse Générale

Gabriel Fauré (1845 – 1924)

Dolly Suite, Op. 56

  1. Berceuse
  2. Mi-a-ou
  3. Le jardin de Dolly
  4. Kitty-valse
  5. Tendresse
  6. Le pas espagnol

Claude Debussy (1862 – 1918)

Trois Nocturnes

  1. Nuages
  2. Fètes

Maurice Ravel

La Valse

  1. La Valse

Karin Lechner & Sergio Tiempo, piano(s)

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 162 MB

Seção “The Book is on the Table”: …without doubt one of the most electrifying recordings of four-hand piano music I have ever heard. Fauré’s Dolly is invested with a subtly expressive detail that makes you listen with fresh ears to this well-worn favourite… La valse is a thrilling tour de force. Gramophone Magazine January 2010

Do site da gravadora: It is always a musical highlight when both brother and sister join forces to offer us a truly virtuosic but also highly inspired moment of music. Their first album for avanticlassic focuses on one of the most interesting musical periods in France history: La Belle Époque. With Scaramouche from Darius Milhaud, Daphnis and Chloé by Maurice Ravel, Dolly by Gabriel Fauré, two Nocturnes from Debussy and a haunting la Valse from Maurice Ravel, they chose an inspired program displaying the intimacy, the magic, but also the fascinating musical concepts arising from this culturally rich era.

Sergio e Karin

Mais postagens que podem lhe interessar:

Música Francesa para Piano a Quatro Mãos – Marylène Dosse e Annie Petit

Exotisme, sonorités pittoresques – Peças para Piano – Ludmilla Guilmault & Jean-Noël Dubois ֍

Fauré / Debussy / Ravel / Poulenc / Stravinsky: Música Francesa para Duo de Piano – Paul Lewis · Steven Osborne ֍

Darius Milhaud (1892-1974) · ∞ · Música para dois pianistas · ∞ · Stephen Coombs & Artur Pizarro ֍

O pessoal do PQP Bach marcou uma entrevista com o duo de pianistas do disco e disse para o pessoal da imprensa que eles eram irmãos. Pois o departamento de artes foi logo tascando uma foto do arquivo….

Aproveite!

René Denon

PS: Darius fez essa cara quando lhe explicamos o ocorrido…

A frase que estava no biscoito da sorte dele foi: Quem está feliz, faz os outros felizes!

Maurice Ravel (1875 – 1937): Gaspard de la nuit, Valses nobles et sentimentales, Ma mère l’oye – Emanuel Ax (e Yoko Nazaki) ֍

Maurice Ravel (1875 – 1937): Gaspard de la nuit, Valses nobles et sentimentales, Ma mère l’oye – Emanuel Ax (e Yoko Nazaki) ֍

Maurice Ravel

Gaspard de la nuit

Valses nobles et sentimentales

Ma mère l’oye

Emanuel Ax, piano

Os melhores livros são os que emprestamos dos amigos. Foi assim, Maurice Ravel emprestou de seu amigo, o pianista Ricardo Viñes, um livro de poemas escrito por Aloysius Bertrand. As poesias são cheias de personagens fantásticos e de histórias de terror. Esse disco reúne peças que foram em parte inspiradas nessas histórias escritas em forma de poemas. O disco tem dois lados, assim como o famoso personagem do conto “O Médico e o Monstro” – Dr. Jekyll e Mr. Hyde.

A primeira parte é a peça que leva o nome do livro, Gaspard de la nuit, com seus três movimentos: Ondine, Le Gibet e Scarbo. Esta peça é considerada a mais difícil da literatura de piano e superou Islamey, de Balakyrev, a campeã em dificuldade até então. Pois foi o pianista Ricardo Viñes o primeiro a interpretá-la. Para saber mais sobre essa peça, veja aqui.

O outro lado do disco é uma delícia que começa com as Valsas nobres e sentimentais, nas quais Ravel emula o mundo vienense de Schubert, mais do que o de Strauss. A edição da partitura para piano (há uma versão para orquestra) leva uma citação de Henri de Régnier: “… le plaisir délicieux et toujour nouveau d’une occupation inutile” (… o prazer delicioso e sempre novo de uma ocupação inútil) – o que remete à doce inutilidade de escrever postagens, claro, guardadas as devidas proporções.

A última peça volta a ser colorida por seres fantásticos, mas do mundo das histórias para crianças (de todas as idades). A suíte da Mamãe Gansa é uma verdadeira maravilha, nessa versão para piano a quatro mãos. Encante-se com o Pequeno Polegar, A Princesinha Chinesa, A Bela e a Fera, e com o apoteótico Jardim das Fadas.

O pianista aqui é o jovem Emanuel Ax, que em 1978 tinha 29 anos e havia vencido em Tel Aviv o primeiro Concurso Arthur Rubinstein, em 1974. Na suíte da Mamãe Gansa ele tem a companhia da pianista Yoko Nazaki. Eu gostei muito deste disco já vintage, mas ainda em excelente forma.

Maurice Ravel (1875-1937)

Gaspard de la Nuit, M. 55

  1. Ondine
  2. Le Gibet
  3. Scarbo

Valses nobles et sentimentales, M. 61

  1. Modéré, très franc
  2. Assez lent, avec une expression intense
  3. Modéré
  4. Assez animé
  5. Presque lent, dans un semtiment intime
  6. Vif
  7. Moins vif
  8. Épilogue. Lent

Ma mère l’oye, M. 60

  1. Pavane de la Belle au bois dormant. Lent
  2. Petit Poucet. Très modéré
  3. Laideronnette, Impératrice des pagodes. Mouvement de marche
  4. Les Entretiens de la Belle et de la Bête. Mouvement de valse très modéré
  5. Le Jardin féerique. Lent et grave

Emanuel Ax, piano

Yoko Nazaki (Ma mère l’oye)

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 119 MB

Seção “The Book is on the Table”: Emmanuel Ax is of the same generation as Murray Perahia and shares many of his attributes. These recordings date from early in his career and demonstrate all the key elements of his style – subtlety of colouring, wonderful tonal control, long-breathed lines. A must for devotees of Ax and of piano playing!

Sometimes not the playing I would look for in an individual work, but always substantial pianism and mostly much better than that. The Ravel is very, very fine, which is not in the line of most of what he does. I can often hear him solving (successfully) problems that other pianists have with specific barriers.

Aproveite!

René Denon

Mais música boa aqui:

Música Francesa para Piano a Quatro Mãos – Marylène Dosse e Annie Petit

Fauré / Debussy / Ravel / Poulenc / Stravinsky: Música Francesa para Duo de Piano – Paul Lewis · Steven Osborne ֍

 

Debussy (1862 – 1918) & Poulenc (1899 – 1963): Música para Violoncelo e Piano – Jean-Guihen Queyras & Alexandre Tharaud ֍

Debussy (1862 – 1918) & Poulenc (1899 – 1963): Música para Violoncelo e Piano – Jean-Guihen Queyras & Alexandre Tharaud ֍

Debussy & Poulenc

Sonatas para Violoncelo

& outras peças

Jean-Guihen Queyras

Alexandre Tharaud

 

Un album entièrement français… Claude Debussy e Francis Poulenc contribuíram imensamente para estabelecer a identidade musical francesa, compondo música que é a um só tempo refinada, emotiva, mas também com espaço para gaiatice, ironia. E foram inovadores, verdadeiramente criativos.

A primeira vez que ouvi a sonata para violoncelo e piano de Debussy foi no disco de Rostropovich e Britten. Depois, a ouvi novamente, ao lado das suas outras sonatas, no disco da Philips, com Gendron, Grumiaux e o resto da gang. Eu gosto muito dessas obras, em particular da sonata para flauta, viola e harpa.

Francis indicando com seu chapéu para onde o pessoal do PQP Bach deveria ir para pegar o uber de volta, após a entrevista

A música de Poulenc eu descobri um pouco mais tarde, mas agora está sempre presente em minhas playslists. A sua sonata para violino, assim como a sonata para violoncelo, está entre as minhas preferidas, mas Poulenc também compôs lindas sonatas com instrumentos de sopro que vale a pena explorar.

JG Queyras

Esse disco todo francês, tem por intérpretes dois expoentes de uma nova geração de músicos franceses que assegura uma continuidade de excelência musical. Jean-Guihen Queyras é violoncelista de primeira e Alexandre Tharaud pianista que tem no repertório bem mais do que só música francesa. Os dois músicos já andaram por aqui, visitando a terrinha, e se você tiver a oportunidade, vá vê-los.

A Tharaud

Não deixe de se deliciar com as duas sonatas e também com as outras peças que completam o disco. A valsa ‘La plus que lente’, uma versão para violoncelo e piano da conhecida peça para piano. Do lado mais exótico temos a bagatela de Poulenc, que é seguida pela linda serenata. Um álbum para ser saboreado…

Claude Debussy (1862 – 1918)

Sonata para violoncelo e piano em ré menor

  1. Prologue
  2. Sérénade
  3. Finale

Valsa para piano

  1. Valsa “La plus que lente”

Francis Poulenc (1899 – 1963)

Sonata para violoncelo e piano, Op. 143

  1. Allegro – Tempo di Marcia
  2. Cavatine
  3. Ballabile
  4. Finale

Duas Peças

  1. Bagatelle in D minor
  2. Serenade

Suite française (d’après Claude Gervaise), FP80

  1. Bransle de Bourgogne
  2. Pavane
  3. Petite marche militaire
  4. Complainte
  5. Bransle de Champagne
  6. Sicilienne
  7. Carillon

Claude Debussy (1862 – 1918)

Duas Peças

  1. Scherzo
  2. Intermezzo para violoncelo e piano, L. 27

Jean-Guihen Queyras, violoncelo

Alexandre Tharaud, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 142 MB

Conheci a sonata de Poulenc graças ao Alexandre, que acredito (embora ainda não tenha conseguido fazê-lo admitir) deve ter aprendido a tocar essa música antes de começar a andar; ela parece fluir de seus dedos como se fosse uma segunda natureza. JG Queyras

un album à savourer…

Aproveite!

René Denon

Bartók (1881-1945): Música para Cordas, Percussão e Celesta & Hindemith (1895-1963): Sinfonia “Mathis der Maler” – Berliner Philharmoniker & Herbert von Karajan ֍

Bartók

Música para Cordas, Percussão e Celesta

Hindemith

Sinfonia “Mathis der Maler”

Berliner Philharmoniker

Herbert von Karajan

As 2 obras deste disco são contemporâneas. Hindemith compôs a Sinfonia em 1934 e Bartók compôs a sua obra em 1936.

Hindemith planejava compor uma ópera com enredo baseado na vida de Matthias Grünewald, o pintor do Retábulo de Isenheim, quando William Furtwängler lhe pediu uma peça para apresentar em uma turnê que faria com a Berliner Philharmoniker. Ele resolveu compor estes movimentos sinfônicos, que foram posteriormente usados na ópera.

Paul Sacher

A peça de Bartók foi comissionada por Paul Sacher para a celebração do aniversário de dez anos de sua orquestra, a Basler Kammerorchester. Paul Sacher dedicou-se à música de seu século de muitas maneiras diferentes: como intérprete, como patrono de novas composições e como membro e patrocinador de muitos comitês e instituições. A Música para Cordas, Percussão e Celesta foi composta no mesmo período em que Bartók compôs o Quarto e o Quinto Quartetos de Cordas. A partitura dessa peça é precedida pela cuidadosa disposição dos instrumentos em relação ao regente.

Este disco me deixou intrigado, pois sempre imaginava Herbert von Karajan regendo as peças de maior apelo aos ouvintes. As sinfonias de Tchaikovsky e outros famosos compositores, assim como os concertos, sempre com jovens intérpretes. No entanto, este é apenas um dos muitos aspectos deste regente que desperta tão forte opiniões nas pessoas. Havia também o seu interesse pela música de seu próprio tempo, assim como pelas novas tecnologias. Karajan gravou essa peça de Bartók três vezes. Sua primeira gravação, feita em 1949, foi simplesmente a segunda gravação da peça. A gravação que temos aqui foi feita em novembro de 1960 e já se beneficiou da nova tecnologia de gravações – estéreo. A produção foi feita pelo lendário e controverso Walter Legge. Há ainda outra gravação dessa obra de Bartók por Karajan e a Berliner Philharmoniker, provavelmente mais conhecida, por ser para o selo Deutsche Grammophon, feita em 1973.

Quanto a obra de Hindemith, não sei quantas gravações Karajan fez, mas certamente ela fazia parte de seu repertório de novidades, como as sinfonias de Arthur Honegger e as peças dos seres do outro planeta, Schoenberg, Berg e Webern. Há uma gravação feita ao vivo de um concerto com a Wiener Symphoniker em 18 de fevereiro de 1957, na Grosser Saal des Wiener Musikvereins, cujo programa foi a Sinfonia de Hindemith e a Sétima de Beethoven. 

As duas obras do disco, apesar da proximidade temporal, não poderiam ser mais diferentes. Um texto que descreve a obra de Bartók começa assim; ‘Qual é a fonte dessa música diabólica? As divagações cromáticas sugerem Wagner e o seu Tristão, que preludia Schönberg. Mas existem outros antecedentes, e estes incluem Strauss, Stravinsky, Debussy, Ravel e, crucialmente, a música folclórica da Hungria natal de Bartók e dos seus arredores’. Diabólica… bem, trechos da obra foram usados em filmes como Being John Malkovich e Shining. Aqui você encontrará mais informações sobre essa peça.

A obra de Hindemith não é uma sinfonia no sentido estrito, uma vez que sua composição derivou de material que seria usado na ópera, mas é bem próxima do que se esperava de uma sinfonia. Veja como inicia a descrição da peça em uma análise acadêmica: “É irônico que a Sinfonia “Mathis der Maler” tenha sido considerada anti-alemã pelos nazistas. Do ponto de vista estilístico, como uma obra tonal que revive a tradição sinfônica alemã, com um foco nacionalista e uso de melodias folclóricas, deveria ter sido uma obra modelo de um compositor do Terceiro Reich. No entanto, sua paleta sonora melódica e pós-romântica a coloca na categoria de outras obras europeias da década de 1930 por compositores como Stravinsky, Bartók, Schoenberg e Shostakovich que reagiram em sua música contra o totalitarismo.”

O primeiro movimento da sinfonia, por exemplo, foi inspirado no painel “O Concerto Angélico” (Engelkonsert) de Mathis Grünewald, que retrata três anjos tocando e cantando para o recém-nascido Cristo e sua mãe. A pintura serviu de inspiração para o primeiro movimento da Sinfonia, também funcionando como prelúdio para a ópera. Aqui, Hindemith optou por citar uma melodia folclórica de oito compassos, Es sungen drei Engel ein süssen Gesang (Três Anjos Cantaram uma Canção Doce). O Sepultamento, segundo movimento da Sinfonia, foi inspirado na parte de baixo do Tríptico.

A pintura mais impressionante, na minha opinião é a que trata das tentações de Santo Antônio.

Béla Bartók (1881-1945)

Música para Cordas, Percussão e Celesta, Sz. 106

  1. Andante tranquilo
  2. Allegro
  3. Adagio
  4. Allegro molto

Paul Hindemith (1895-1963)

Sinfonia “Mathis der Maler”

  1. Engelskonzert (Concerto Angélico)
  2. Grablegung (Sepultamento)
  3. Versuchung des heiligen Antonius (As Tentações de Santo Antônio)

Berliner Philharmoniker

Herbert von Karajan

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 233 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 126 MB

Numa entrevista de Herbert para Herbert, que você poderá ver na íntegra aqui:

Herbert Pendergast – ‘Você acha que a música de compositores como Boulez e Webern será facilmente compreendida pelo público musical da próxima geração?’

Herbert von Karajan – ‘Tenho certeza de que a próxima geração não terá problemas em compreender a maior parte da música de hoje. Pense no Concerto para Orquestra de Bartók. Há vinte anos era considerado inacessível; hoje é um clássico. Pense na Música para Cordas, Percussão e Celesta. Quando o tocamos hoje, soa como um concerto grosso de Handel. Com o declínio da inspiração melódica na música, as técnicas seriais de hoje são uma disciplina auto-imposta necessária para o compositor…’

Paul resolveu pousar para fotos com os instrumentos do acervo do PQP Bach, durante a preparação da postagem… Béla caiu na gargalhada…

Aproveite!

René Denon

Mozart (1756 – 1791): Concertos para Piano Nos. 20 & 27 – Evgeny Kissin & Kremerata Baltica ֎

Mozart (1756 – 1791): Concertos para Piano Nos. 20 & 27 – Evgeny Kissin & Kremerata Baltica ֎

MZRT

Concertos para Piano Nos. 20 & 27

Kremerata Baltica

Evgeny Kissin

O disco consiste em dois concertos para piano de Mozart, do período de plena maturidade do compositor, mas com características próprias, muito distintas.

O Concerto No. 20 em ré menor (1785) é austero, começa com ares ameaçadores e sombrios, cheio de afinidades com a ópera ‘Don Giovanni’. É um de dois concertos em tonalidade menor e tem um dos movimentos lentos mais sublimes em toda a literatura musical. Já o Concerto No. 27 em si bemol maior (1791) é o último da série de concertos, cheio de leveza, claridade e de uma certa alegria que só Mozart é capaz de produzir em seus momentos de grande tristeza.

O intérprete, solista e regente nesta gravação, parece mais adequado aos grandes concertos românticos, é verdade, mas talvez por ter sido criança prodígio, assim como Wolfie, mostra grande afinidade com a música e o disco é tão bom que dá vontade de ouvir de novo…

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Concerto para Piano No. 20 em ré menor, K. 466

  1. Allegro
  2. Romanze
  3. Allegro assai

Concerto para Piano No. 27 em si bemol maior, K. 595

  1. Allegro
  2. Larghetto
  3. Allegro

Kremerata Baltica

Evgeny Kissin

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 155 MB

Evgeny Kissin

Seção ‘The-book-is-on-the-table’: EMI recorded the two concertos in Munich in 2008, capturing a pleasantly ambient acoustic that perfectly suits the music; it’s slightly resonant without in any way hampering midrange transparency. There is ample stage depth for the relatively small ensemble accompanying Kissin, with a realistic piano sound, reasonably wide dynamics, a modest impact, and good, clean definition and air. It’s probably easier to describe the sound by what it’s not: It’s not bright, hard, or edgy nor is it unnecessarily warm, soft, clouded, or fuzzy. For this music, it is just right. Para ler toda a crítica, clique aqui.

Aproveite!

René Denon

Mozart, para colorir…

Handel (1685 – 1759): Algumas Suítes para Piano – Dina Ugorskaja ֎

Handel (1685 – 1759): Algumas Suítes para Piano – Dina Ugorskaja ֎

 

Handel

Cinco Suítes para Piano

Dina Ugorskaja

 

 

As suítes para teclado de Handel nunca ganharam a mesma popularidade que as suítes de Bach (Suítes Francesas, Suítes Inglesas, Partitas) ou as sonatas de seu contemporâneo italiano Domenico Scarlatti. São obras muito atraentes, com características handelianas sintetizando as características de teclado do sul da Alemanha e da Itália em um estilo e estrutura franceses muito rigorosos. Embora não sejam obviamente virtuosísticas, certamente representam um desafio para o intérprete, e o conteúdo musical é definitivamente o de Handel dos grandes oratórios, óperas e músicas orquestrais: audaz, dramático e festivo ou afetuoso.

Nas interpretações gravadas neste disco, pela pianista Dina Ugorskaja, essas características estão bastante presentes. Com tempos mais largos o aspecto mais grandioso dessas peças fica enfatizado.

Lamentavelmente, Dina Ugorskaja morreu muito cedo, em setembro de 2019. Ela era filha do pianista Anatol Ugorsky e da musicologista e artista Maja Elik. Dina estudou inicialmente com seu pai, mas toda a sua formação se deu na Alemanha, para onde a família buscou abrigo em 1990, deixando a então União Soviética.

Veja o que nos diz a abertura de sua página: Dina Ugorskaja é uma musicista reservada e profundamente intensa, séria e de voz suave, sonhadora e radiante. Sua excelência musical foi internalizada, realizada e agora nos é transmitida apenas por meio dessas incríveis gravações, como as suítes de Handel, o Cravo Bem Temperado de Bach, as obras tardias de Beethoven e Schubert.

PS: Esta postagem foi escrita antes de 5 de setembro de 2023, dia que Anatol Ugorsky faleceu, em Detmold, na Alemanha.

George Frideric Handel (1685 – 1750)

Suítes para Piano

Suíte No. 2 em fá maior, HWV 427

  1. Adagio
  2. Allegro
  3. Adagio
  4. Allegro

Suíte No 6 em fá sustenido menor, HWV 431

  1. Prélude
  2. Largo
  3. Allegro
  4. Gigue – Presto

Suíte No. 3 em ré menor, HWV 428

  1. Prélude – Presto
  2. Allegro
  3. Allemande
  4. Courante
  5. Air – Double 1-5
  6. Presto

Suíte No. 4 em mi menor, HWV 429

  1. Allegro
  2. Allemande
  3. Courante
  4. Sarabande
  5. Gigue

Suíte No. 5 em mi maior, HWV 430

  1. Prélude
  2. Allemande
  3. Courante
  4. Air – Double 1-5

Dina Ugorskaja, piano

Gravação de julho de 2009

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 247 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 184 MB

 

Dina Ugorskaja

Seção ‘The-book-is-on-the-table’: Handel was known as a superb keyboard player, and these dance suites exploit the expressive and technical resources of his instrument with no less mastery than that of his Leipzig counterpart, and with a joie de vivre that makes listening a constant diversion and delight.

Anatol Ugorsky (1942 – 2023)

Beethoven (1770 – 1827): Concertos para Piano Nos 3 & 2 – Till Fellner – Academy of St. Martin-in-the-Fields & Sir Neville Marriner ֎

BTHVN

Concertos para Piano Nos. 3 & 2

Till Fellner, piano

Academy of St. Martin-in-the-Fields

Sir Neville Marriner

 

Um jovem pianista com muita confiança se prepara para lançar um de seus primeiros álbuns no qual aparecerá como solista de uma conhecida orquestra e seu famoso maestro. Qual repertório escolher? Uma grande obra com centenas de gravações famosas que certamente levarão a comparações com os monstros sagrados do teclado ou algumas peças que ficam em menos evidência, mas que exercem uma atração especial no solista e também na audiência?

Esse tipo de questão deve ter cruzado a mente do jovem Till Fellner lá pelos idos de 1994, quando gravou este álbum. Em 1993 sua carreira foi lançada de vez quando ganhou o primeiro prêmio no Concours Clara Haskil, em Vevey, Suíça. Aposto que ele buscou inspiração em outro jovem pianista no início de carreira e escolheu os dois brilhantes concertos de Beethoven. O Concerto No. 2 foi o primeiro dos cinco publicados que ele compôs e com o novo finale para a publicação é uma peça espetacular. O Terceiro Concerto também é uma peça importante na carreira do compositor, escrito na tonalidade dó menor, assim como o concerto de Mozart que tanto gostava. Com essa escolha, Till Fellner teve muito material para mostra toda a sua técnica e musicalidade, mas ainda assim evitar os dois grandes concertos, que eventualmente viriam a aparecer em sua discografia.

O acompanhamento ficou a cargo da experientíssima orquestra de St. Martin-in-the-Fields, regida pelo incansável Neville Marriner, que tantos ótimos álbuns nos deixou.

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Concerto para Piano No. 3 em dó menor, Op. 37

  1. I Allegro con brio
  2. II Largo
  3. III Rondo – Allegro

Concerto para Piano No. 2 em si bemol maior, Op. 19

  1. I Allegro con brio
  2. II Adagio
  3. III Rondo – Molto allegro

Till Fellner, piano

The Academy Of St. Martin-in-the-Fields

Sir Neville Marriner

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 200 MB

Till Fellner passeando pelo bosque do PQP Bach de POA achando o friozinho muito estimulante…

The Book-is-on-the-table section: The young Austrian pianist Till Fellner teamed with the famous British chamber orchestra Academy of St. Martin in the Fields in 1994 and they recorded the set of two Beethoven’s early piano concertos for the French label Erato.
Fellner does a good job, his technique is more than adequate for the pieces and his musicality soars on slower movements. The orchestra under Sir Neville Marriner is as polished as ever, making for an impressive recording, which deserves much more attention than it actually gets. […]
I do not think you will go wrong with purchasing this album, even if you already have some recordings of Piano Concertos 2&3. Fellner and Marriner certainly do no shame to the great composer.

Assim disse Antonio Roberto, um crítico amador, para a Amazon. Eu não consigo discordar dele. Aproveite!

René Denon

Aqui o outro disco com Concertos para Piano de Beethoven com o Till Fellner:

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concertos para Piano Nos. 4 e 5 – Till Fellner ● Orchestre symphonique de Montréal ● Kent Nagano

J. S. Bach (1685 – 1750): Original & Transcrição – Peças para Teclado (Robert Hill – [Hänssler Edition Bachakademie]) ֎

J. S. Bach (1685 – 1750): Original & Transcrição – Peças para Teclado (Robert Hill – [Hänssler Edition Bachakademie]) ֎

“São na verdade solos de violino sem baixo, três sonatas e três partitas, que, no entanto, podem ser muito bem executadas no teclado”. (Jacob Adlung, Anleitung zu der musikalischen Gelahrtheit, 1758)

“O compositor frequentemente as tocava no próprio clavicórdio, e acrescentava tanta harmonia a elas quanto achasse necessário.” (Johann Friedrich Agricola, 1775, Bach-Dokumente III, Nr. 808)

No ano 2000 foi lançado o resultado de um projeto realizado pela Bachakademie Stuttgart e a gravadora Hänssler Classic – uma caixa com 170 CDs contendo a integral da obra de Johann Sebastian Bach, o santo padroeiro do blog. Já se vai quase um quarto de século e eu ainda não explorei devidamente essa caixota – como diria um de meus mais saudosos amigos.

Algumas peças do disco são interpretadas ao clavicórdio

Pois antes que chegue mais uma dessas efemérides e nova caixas surjam, decidi vasculhar esse material. Algumas de suas preciosidades já foram aqui apresentadas, como a extraordinária gravação das Partitas BWV 825 – 830, pelo regente e cravista Trevor Pinnock.

Para hoje temos a música de Bach interpretada pelo cravista Robert Hill. Nestes dois discos o programa é de transcrições de música escrita originalmente para instrumentos de cordas, como a Partita BWV 1004, escrita para violino solo e que termina com a famosíssima Ciaccona.

As duas frases que estão em destaque no início do texto são evidências da prática comum tanto de Bach quanto das gentes que o cercava de interpretarem assim, ao teclado, música que fora concebida para cordas.

… outras no alaúde com teclado

No disco temos transcrições feitas na época de Bach e outras recentes, feitas pelo próprio Robert Hill. Na listagem das obras a seguir isso ficará explicitado. Além disso, diferentes instrumentos de teclado são usados na gravação – cravo, clavicórdio e cravo-alaúde (Lautenklavier).

Espero que você ouça a música sem maiores preocupações com originalidade ou não, simplesmente desfrutando esse universo sonoro decididamente Bachiano. Veja que Robert Hill reúne excelente formação musical, experiência, prática e é músico de mão cheia. Há mais contribuições dele na nossa fila de espera…

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

CD1

Partita em sol menor (transcrição da Partita em ré menor BWV 1004, por Robert Hill)

  1. Allemanda
  2. Corrente
  3. Sarabanda
  4. Giga
  5. Ciaccona

Sonata em ré menor BWV 964 (transcrição da Sonata em lá menor BWV 1003)

  1. Grave
  2. Fuga
  3. Andante
  4. Allegro

Sonata em sol maior BWV 968 (transcrição da Sonata em dó maior BWV 1005 – movimentos 2 a 4 por Robert Hill)

  1. Adagio
  2. Fuga – Alla Breve
  3. Largo
  4. Allegro Assai

Robert Hill, cravo

CD2

Partita em mi maior BWV 1006a

  1. Preludio
  2. Loure
  3. Gavotte En Rondeau
  4. Menuet I
  5. Menuet II
  6. Bourrée
  7. Gigue

Sonata em dó maior BWV 966 (Composição de J.A. Reincken e arranjo de J.S. Bach)

  1. Prélude
  2. Fuga
  3. Adagio/Presto
  4. Allemande

Adagio em lá menor BWV 965 (Composição de J.A. Reincken e arranjo de J.S. Bach)

  1. Adagio

Sonata em lá menor BWV 965 (Composição de J.A. Reincken e arranjo de J.S. Bach)

  1. Adagio
  2. Fugue
  3. Adagio/Presto
  4. Allemande
  5. Courante
  6. Sarabande
  7. Gigue

Fuga em si bemol maior BWV 954 (Composição de J.A. Reincken e arranjo de J.S. Bach)

  1. Fuga

Sonata em dó menor (transcrição da Sonata em sol menor BWV 1001 feita por Robert Hill)

  1. Adagio
  2. Allegro
  3. Siciliana
  4. Presto

Robert Hill, cravo-alaúde (1-7, 20-24), clavicórdio (8-12), cravo (13-19)

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS |322 MB

Foto de R Hill nos dias que ele agitava com Reinhardt Goebel e a banda MAK

Para saber um pouco mais sobre R Hill, clique aqui.

Particularmente interessantes as faixas 12 e 13, nas quais a mesma música, composta por Reincken e transcrita para teclado por Bach, é interpretada ao calvicórdio e logo a seguir ao cravo, permitindo comparar a sonoridade dos dois instrumentos.

Dizem que ele viveu 100 anos, mas pode não ser tanto assim…

Johann Adam Reincken foi, assim como Dietrich Buxthehude, compositor e organista de uma geração anterior a J.S. Bach. Ambos eram expoentes na arte da improvisação e serviram como modelo para Bach, que visitou ambos em sua juventude, como parte de sua formação.

Reincken era organista em Hamburgo onde foi visitado por Bach mais uma vez em 1720, quando este fora até a cidade em busca de uma posição. Nesta ocasião Bach deu um concerto no órgão da Igreja de Santa Catarina, instrumento do qual ele muito gostava, com a presença de Reincken, que lhe pedira uma improvisação sobre o coral luterano An Wasserflüssen Babylon. Conta a história que o velho músico teria dito a Sebastian: Eu achava que esta arte [da improvisação] estivesse extinta, mas pude ver que ela ainda vive em você.

Aproveite!

René Denon

Robert Hill, na penumbra do PQP Bach Lounge