Vi Pollini tocar a Sonata Nº 2, a da Marcha Fúnebre,
dias após a morte de Claudio Abbado. Ele dedicou a interpretação a seu amigo e o que aconteceu depois foi uma coisa do outro mundo. Claro que Grimaud não é culpada disso, mas aquele recital reverbera até hoje em meus ouvidos. O que ela faz está OK, mas Pollini é quem tem uma das gravações de referência, não ela. Hélène Grimaud é uma mulher de fortes ideais. Como pianista, frequentemente divide o público. Este disco é bastante bom, apesar do Rachmaninov, embora eu realmente pudesse passar sem a vocalização semelhante a de Glenn Gould. Não sei por que os produtores de discos não mandam os artistas ficarem quietos na frente dos microfones. Limite-se a fazer cócegas nos marfins, Hélène. O ponto alto do CD são os Chopins, claro. Esqueça Rach.
Chopin / Rachmaninov: Sonatas para Piano Nº 2 + Berceuse + Barcarolle (Grimaud)
Frédéric Chopin Piano Sonata No. 2 In B Flat Minor, Op. 35 (25:20)
1 – Grave – Doppio Movimento 7:32
2 – Scherzo 6:43
3 – Marche Funèbre. Lento 9:24
4 – Finale. Presto 1:41
Sergei Rachmaninov* Piano Sonata No. 2 In B Minor, Op. 36 (23:13)
5 – Allegro Agitato 9:49
6 – Non Allegro – Lento 7:25
7 – L’istesso Tempo – Allegro Molto 5:59
8 Frédéric Chopin– Berceuse In D Flat Major, Op. 57 5:00
9 Frédéric Chopin– Barcarolle In F Sharp Major, Op. 60 8:33
Marc-André Hamelin é, atual e merecidamente, um dos maiores nomes do piano. De habilidade miraculosa, não é um pianista que se apoie apenas em seu virtuosismo, também interpreta com senso de estilo seu material preferido, o das obras complicadas…
Neste CD duplo, ele se debruça sobre o estranho CPE Bach, compositor que tem o vanguardismo no sangue. O CD é sensacional e intrigante. Como disse o crítico da Gramophone, certos artistas parecem encontrar um portal secreto como o de Quero ser John Malkovich e entram nos cérebros de cada compositor que tocam. Marc-André Hamelin certamente está entre eles. E quando o cérebro é o do dissidente da dinastia Bach, Carl Philipp Emanuel, podemos esperar coisas extraordinárias. Com uma música enraizada no legado de seu pai, mas tão distante quanto Brahms e Schumann, CPE é uma daquelas figuras que desafiam a visão linear da história da música. Os dois discos generosamente preenchidos de Hamelin são um argumento forte não apenas para o significado histórico do compositor, mas também mostram que apenas o piano moderno serve a seus vôos ilimitados de imaginação e justaposições inquietantes. Neste Hamelin se junta a DannyDriver (2 posts diferentes) e Mikhail Pletnev (DG) entre os mais distintos pianistas modernos e enfrentarem CPE. Entre as peças de personagens da seleção de Hamelin, destaca-se o maluco L’Aly Rupalich (H95), trazido à vida aqui com muito entusiasmo e inteligência. É possível ouvir esta peça sem mexer o corpo? Eu duvido. Ao longo do programa, o deleite e o prazer de Hamelin são altamente contagiantes. O ensaio informativo do livreto é de Mahan Esfahani, ele próprio um expoente experiente de CPE Bach no cravo. Resumindo, não consigo pensar em uma introdução melhor a CPE Bach no piano moderno do que esses dois alegres discos.
Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788): Sonatas & Rondos (Hamelin)
CD1
Sonata in A minor H247 Wq57/2[9’21]
1 Allegro[3’23]
2 Andante[1’50]
3 Allegro di molto[4’08]
4 Rondo in E major H265 Wq57/1[8’07]
Fantasia in C major H291 Wq61/6[6’07]
5 Presto di molto[0’38]
6 Andante[1’30]
7 Presto di molto[0’40]
8 Larghetto sostenuto[2’00]
9 Presto di molto[1’19]
Sonata in E minor H66 Wq62/12[15’49]
10 Allemande[2’51]
11 Courante[2’21]
12 Sarabande[3’42]
13 Menuet[4’37]
14 Gigue[2’18]
15 Abschied von meinem Silbermannischen Claviere, in einem Rondo H272 Wq66[7’56]
Arioso with 9 variations in C major H259 Wq118/10[13’38]
16 Arioso[1’18]
17 Variation 1[1’17]
18 Variation 2[1’06]
19 Variation 3[1’18]
20 Variation 4[1’16]
21 Variation 5[1’07]
22 Variation 6[1’18]
23 Variation 7[1’51]
24 Variation 8[1’31]
25 Variation 9[1’36]
26 March in G major BWVAnh124[1’22]
27 Solfeggio in C minor H220 Wq117/2[0’59]
CD2
28 Rondo in C minor H283 Wq59/4[4’40]
Sonata in F minor H173 Wq57/6[12’45]
29 Allegro assai[3’30]
30 Andante[4’16]
31 Andantino grazioso[4’59]
32 L’Aly Rupalich H95 Wq117/27[2’48]
Sonata in D major H286 Wq61/2[5’12]
33 Allegro di molto[2’19]
34 Allegretto[1’16]
35 Presto di molto[1’37]
Sonata in A flat major H31 Wq49/2[14’11]
36 Un poco allegro[6’11]
37 Adagio[4’01]
38 Allegro[3’59]
39 Rondo in B flat major H267 Wq58/5[5’14]
Sonata in E minor H281 Wq59/1[7’29]
40 Presto[3’24]
41 Adagio[1’37]
42 Andantino[2’28]
43 La complaisante H109 Wq117/28[2’55]
44 Rondo in E major H274 Wq58/3[4’06]
Freie Fantasie fürs Clavier in F sharp minor H300 Wq67[12’16]
45 Adagio[2’32]
46 Allegretto[0’43]
47 Largo[1’17]
48 Adagio[1’20]
49 Largo[1’54]
50 Adagio[1’54]
51 Allegretto[0’41]
52 Adagio[0’53]
53 Allegretto[0’32]
54 Largo[0’30]
Estes CDs já estavam há alguns dias disponíveis, mas eu não conseguia tempo para vir aqui e organizar as coisas. Como agora estou saindo para o GreNal, não terei tempo de grandes textos a respeito de algumas destas músicas que realmente amo. Por exemplo, a Sonata para Violino e Piano Nº2. Há homenagem maior a papai do que seu primeiro movimento? E o Dolce semplice que me deixa perto das lágrimas a cada audição? E os quartetos 2 e 3? E o belíssimo Adagio & Allegro para trompa e piano? Dizer o quê? Que precisamos ganhar do Grêmio para mantermos acesa a chama — em verdade um pau de fósforo queimado pela metade — da Libertadores? Bom, vocês já sabem. A gravação é excelente, demonstrando que há franceses que são tão bons que parecem alemães. Devem ter nascido na Alsácia Lorena, né?
Schumann – Música de Câmara Completa
CD 4
# Sonata for violin & piano No. 2 in D minor, Op. 121
# String Quartets (3), Op. 41 No 1 in A minor
36. Schumann : Violin Sonata No.2 in D minor Op.121 : I Un poco lento
35. Schumann : Violin Sonata No.2 in D minor Op.121 : II Molto animato
34. Schumann : Violin Sonata No.2 in D minor Op.121 : III Dolce semplice
33. Schumann : Violin Sonata No.2 in D minor Op.121 : IV Animato
32. Schumann : String Quartet No.1 in A minor Op.41 No.1 : I Introduzione – Andante espressiveo – Allegro
31. Schumann : String Quartet No.1 in A minor Op.41 No.1 : II Scherzo – Presto – Intermezzo
30. Schumann : String Quartet No.1 in A minor Op.41 No.1 : III Adagio
29. Schumann : String Quartet No.1 in A minor Op.41 No.1 : IV Presto
Jean Hubeau, piano
Jean Moulliere, violin
Quatuor Via Nova
CD 5
# String Quartets (3), Op. 41 No 2 in F minor
# String Quartets (3), Op. 41 No 3 in A minor
# 5 Stücke im Volkston for cello & piano, Op. 102
28. Schumann : String Quartet No.2 in F major Op.41 No.2 : I Allegro vivace
27. Schumann : String Quartet No.2 in F major Op.41 No.2 : II Andante, quasi variazioni
26. Schumann : String Quartet No.2 in F major Op.41 No.2 : III Scherzo – Presto
25. Schumann : String Quartet No.2 in F major Op.41 No.2 : IV Allegro molto vivace
24. Schumann : String Quartet No.3 in A major Op.41 No.3 : I Andante espressivo – Allegro molto moderato
23. Schumann : String Quartet No.3 in A major Op.41 No.3 : II Assai agitato – Un poco adagio – Tempo risoluto
22. Schumann : String Quartet No.3 in A major Op.41 No.3 : III Adagio molto
21. Schumann : String Quartet No.3 in A major Op.41 No.3 : IV Finale – Allegro molto vivace
20. Schumann : 5 Stücke im Volkston Op.102 : I Mit Humor
19. Schumann : 5 Stücke im Volkston Op.102 : II Langsam
18. Schumann : 5 Stücke im Volkston Op.102 : III Nicht schnell
17. Schumann : 5 Stücke im Volkston Op.102 : IV Nicht zu rasch
16. Schumann : 5 Stücke im Volkston Op.102 : V Stark und markiert
Quatuor Via Nova
Frederic Lodeon, cello
David Hovora, piano
CD 6
# Adagio & Allegro for horn & piano in A flat major, Op. 70
# Märchenbilder for viola & piano, Op. 113
# 3 Romances for oboe & piano, Op. 94
# Märchenerzählungen for clarinet, viola & piano, Op. 132
# Phantasiestücke for clarinet & piano, Op. 73
15. Schumann : Adagio & Allegro in A flat major Op. 70
14. Schumann : Märchenbilder Op.113 : I Nicht schnell
13. Schumann : Märchenbilder Op.113 : II Lebhaft
12. Schumann : Märchenbilder Op.113 : III Rasch
11. Schumann : Märchenbilder Op.113 : IV Langsam
10. Schumann : 3 Romances Op.94 : I Nicht schnell
09. Schumann : 3 Romances Op.94 : II Einfach, innig
08. Schumann : 3 Romances Op.94 : III Nicht schnell
07. Schumann : Märchenerzählungen Op.132 : I Lebhaft, nicht zu schnell
06. Schumann : Märchenerzählungen Op.132 : II Lebhaft und sehr markant
05. Schumann : Märchenerzählungen Op.132 : III Ruhiges tempo, mit zartem Ausdruck
04. Schumann : Märchenerzählungen Op.132 : IV Lebhaft, sehr markiert
03. Schumann : 3 Fantasiestücke Op. 73 : I Zart und mit Ausdruck
02. Schumann : 3 Fantasiestücke Op. 73 : II Lebhaft, leicht
01. Schumann : 3 Fantasiestücke Op. 73 : III Rasch und mit Feuer
Jean Hubeau, piano
Pierre del Vescovo, horn
Gerard Caussé, viola
Pierre Pierlot, oboe
Walter Boeykens, clarinet
Vocês sabem que a gente não somos mole, então vamos atacar também em outra frente: a da música de câmara do marido louquinho de Clara Schumann. Este CD sêxtuplo é um verdadeiro tesouro. É óbvio que iniciam pelo filé, o Quarteto e o Quinteto. São o “the best of”, sem dúvida e, se Alexander Kluge utilizou o Andante cantabile do Quarteto em um de seus filmes (era O Ataque do Presente Contra o Restante do Tempo ou A Patriota?), Ingmar Bergman tornou o In modo d’una Marcia do Quinteto trilha sonora de Fanny e Alexander. A estrutura do Quarteto me seduz mais, talvez pela forma com que Schumann fez os movimentos dialogarem entre si, o que é digno de meu espanto a cada audição. Os outros dois CDs de trios são um pouco inferiores, mas não muito. Só não vou comentá-los porque os confundo… Estava procurando um troço no 1 e era no 3… Melhor não arriscar comentários ainda mais infelizes do que os que faço normalmente.
Como meu HD está cheio e preciso abrir espaço, agora vocês recebem postagens de 3 CDs, mas não pensem que é por generosidade, bondade ou outra palavra sentimentalóide. É que, por uma estranha e incoercível compulsão, não podemos parar com o blog. Ah, encontrei nas internets da vida a numeração das faixas dos CDs invertida. Começa em 64 e termina em 1. Como veem, há neuroses bem mais graves que a nossa.
Schumann – Música de Câmara Completa
CD 1
# Piano Quartet in E flat major, Op. 47
# Piano Quintet in E flat major, Op. 44
64. Schumann : Piano Quartet in E flat major Op.47 : I Sostenuto assai – Allegro, ma non troppo
63. Schumann : Piano Quartet in E flat major Op.47 : II Scherzo – Molto vivace
62. Schumann : Piano Quartet in E flat major Op.47 : III Andante cantabile
61. Schumann : Piano Quartet in E flat major Op.47 : IV Finale – Vivace
60. Schumann : Piano Quintet in E flat major Op.44 : I Allegro brillante
59. Schumann : Piano Quintet in E flat major Op.44 : II In modo d’una Marcia
58. Schumann : Piano Quintet in E flat major Op.44 : III Scherzo – Molto vivace
57. Schumann : Piano Quintet in E flat major Op.44 : IV Allegro, ma non troppo
Jean Hubeau, piano
Jean Moulliere, violin
Jean-Pierre Sabouret, violin (op.44)
Claude Naveau, viola
Jean-Marie Gamard, cello
CD 2
# Piano Trio No. 1 in D minor, Op. 63
# Piano Trio No. 2 in F major, Op. 80
56. Schumann : Piano Trio No.1 in D minor Op.63 : I Mit Energie und Leidenschaft
55. Schumann : Piano Trio No.1 in D minor Op.63 : II Lebhaft, doch nicht zu rasch
54. Schumann : Piano Trio No.1 in D minor Op.63 : III Langsam, mit inniger Empfindung
53. Schumann : Piano Trio No.1 in D minor Op.63 : IV Mit Feuer
52. Schumann : Piano Trio No.2 in F major Op.80 : I Sehr lebhaft
51. Schumann : Piano Trio No.2 in F major Op.80 : II Mit innigem Ausdruck
50. Schumann : Piano Trio No.2 in F major Op.80 : III In mässiger Bewegung
49. Schumann : Piano Trio No.2 in F major Op.80 : IV Nicht zu rash
Jean Hubeau, piano
Jean Moulliere, violin
Frederic Lodeon, cello
CD 3
# Piano Trio No. 3 in G minor, Op. 110
# Phantasiestücke for violin, cello & piano in A minor, Op. 88
# Sonata for violin & piano No. 1 in A minor, Op. 105
# Sonata for violin & piano, WoO 22 Second Movement, intermezzo
48. Schumann : Piano Trio No.3 in G minor Op.110 : I Bewegt, doch nicht zu rasch
47. Schumann : Piano Trio No.3 in G minor Op.110 : II Ziemlich langsam
46. Schumann : Piano Trio No.3 in G minor Op.110 : III Rasch
45. Schumann : Piano Trio No.3 in G minor Op.110 : IV Kräftig, mit Humor
44. Schumann : Fantasiestücke Op. 88 : I Romanze
43. Schumann : Fantasiestücke Op. 88 : II Humoreske
42. Schumann : Fantasiestücke Op. 88 : III Duett
41. Schumann : Fantasiestücke Op. 88 : IV Finale
40. Schumann : Violin Sonata No.1 in A minor Op.105 : I Mit leidenschaftlichem Ausdruck
39. Schumann : Violin Sonata No.1 in A minor Op.105 : II Allegretto
38. Schumann : Violin Sonata No.1 in A minor Op.105 : III Lebhaft
37. Schumann : Violin Sonata in A minor, “FAE” : II Intermezzo
Jean Hubeau, piano
Jean Moulliere, violin
Frederic Lodeon, cello
Um bom disco de música barroca. Valentini não é Vivaldi nem Corelli nem D. Scarlatti, mas não é nada trouxa. Esses compositores parecem sobreviver longe dos concertos, mas estão nos CDs. Gente como Galuppi, Pergolesi, Torelli, Leo, Albinoni, Bonporti, Tartini, Bononcini, Cimarosa, Dall’Abaco, Marcello, Manfredini, Locatelli, Pisendel, Rosetti, Soler, Alessandro Scarlatti, Zipoli, Veracini, e, sim, Valentini são dificilmente vistos em programas de recitais, só em gravações mesmo. Neste CD você encontrará um variado conjunto de concertos tipicamente barrocos italianos. Aqueles que conhecem apenas Vivaldi só poderão ficar agradavelmente surpresos e satisfeitos com esta música que tem a mesma gama de emoções, surpresas, complexidades e temas cantáveis. As performances são brilhantes, o Ensemble 415 e Chiara Banchini usam apropriadamente instrumentos de época. A gravação é tecnicamente muito boa também. Se você gosta de música barroca, não pode errar com este CD.
Giuseppe Valentini (1681-1753): Concerti Grossi e A Quattro Violini, Op. VII (Ensemble 415 / Banchini)
Concerto Grosso No. 11, La Mineur “A Quattro Violini”
1 Largo 3:21
2 Allegro 5:46
3 Grave 0:45
4 Allegro E Solo 3:20
5 Presto 1:22
6 Adagio 3:09
7 Allegro Assai 1:29
Os dois Concertos para Violoncelo deste CD são simplesmente maravilhosos! Arto Noras é um solista vigoroso e elegante em todas as três obras, embora apenas uma – o Concerto nº 2 – tenha sido originalmente projetada para esse instrumento. A composição descrita como “Concerto para Violoncelo nº 1” começou como uma obra para violino de cinco cordas (um violino com extensão de viola), enquanto – de acordo com o livreto – existem pelo menos seis versões do Concerto para viola, incluindo a opção de tocar o solo no violoncelo. A música de Penderecki, felizmente, é bem menos complicada do que tudo isso, e o Concerto nº 2, concluído em 1982 e executado pela primeira vez por Rostropovich, é uma das demonstrações mais satisfatórias de seu estilo posterior, descaradamente romântico. Com seus 35 minutos contínuos, ele mantém um forte perfil dramático‚ e o foco obsessivo em materiais temáticos – com fortes ecos da Funeral Music de Lutoslawski – é compensado por ocasionais pelos humores explosivos do radicalismo juvenil de Penderecki. Esse estilo inicial ganha maior espaço no Primeiro Concerto, uma divertida exploração frenética de extremos, próximo de uma erupção vulcânica. É uma música emocionante, na qual os efeitos sonoros importam mais do que os temas. O Concerto para Viola, escrito cerca de um ano depois do Segundo Concerto para violoncelo, é mais fraco. Mas Noras despacha tudo com raro brilho.
Krzysztof Penderecki (1933-2020): Complete Cello Concertos (Noras, Sinfonia Varsovia, Penderecki)
1 Concerto for cello and orchestra No.1 (1967-1972) 17:48
2 Concerto for cello and orchestra No.2 (1982) 35:06
3 Concerto for viola and chamber orchestra 20:16
Cello – Arto Noras
Conductor – Krzysztof Penderecki
Orchestra – Sinfonia Varsovia
Johann Joachim Quantz nasceu em 30 de janeiro de 1697, em Oberscheden (próximo a Gottingen, Alemanha). Filho de um modesto ferreiro, seu destino provavelmente seria seguir a profissão do pai. Entretanto, iniciou-se muito cedo na música, e com a morte de seu pai quando tinha apenas dez anos, passou a estudar violino com o seu tio Julios Quantz, músico da cidade de Mersebourg. Estudou sucessivamente oboé e trompete. Durante este período também conheceu os trabalhos dos principais compositores barrocos.
Em 1716, aos dezenove anos, tornou-se membro da orquestra de Dresden, a mais famosa da Europa na época. Alargando os seus horizontes musicais, estudou contraponto em Viena e composição (1727) com Johann Georg Pisendel. Em 1718, instalou-se novamente em Dresden, onde foi designado oboísta, pela orquestra do rei da Polônia, Augusto II, de 1718 a 1723.
Dresden era um centro cosmopolita para as artes e ciências, e possuía uma das maiores casas de óperas e capelas musicais da Europa. Naquele tempo, a corte de Dresden teve em seu meio alguns grandes nomes, como Silvius Leopold Weiss, o flautista Buffardin e os violinistas Veracini e Pisendel (aluno de Vivaldi). Temendo que o oboé lhe trouxesse muitas limitações, Quantz preferiu estudar flauta, tendo aulas (1719) com o melhor flautista de sua época, Pierre Gabriel Buffardin.
Seu interesse pela composição começou a crescer, especialmente para os trabalhos com flauta, e em 1720 escreveu suas primeiras composições. De 1724 a 1727, teve muitas oportunidades de tocar para as realezas da Europa, nas grandes cidades como Varsóvia, Praga, Roma, Nápoles, Milão, Turim, Lion, Paris, Londres. Conheceu os maiores músicos de seu tempo, como Vivaldi, Scarlatti, Tartini (1723, Praga), Gasparini, Farinelli (1725), Händel (1726).
Após esta grande excursão, foi oferecido a Quantz um posto de flautista solo na orquestra da capela real de Dresden. Em 1727, tornou-se, segundo os seus biógrafos, o maior flautista da Europa.
Em 1728, durante uma visita a Berlim, Quantz tocou para o príncipe da Prússia. Frederico, 16 anos mais velho, ficou tão encantado com o músico que resolveu ter aulas de flauta com o ele, apesar das objeções de seu pai, o rei Frederico Guilherme I que considerava a música como um passatempo “para mulheres”. Durante os próximos treze anos, Quantz iria duas vezes por ano dar aulas ao futuro rei.
Quando Frederico subiu ao trono em 1741, tornando-se Frederico II, Quantz foi convidado a morar na residência real de Potsdam, onde o novo monarca vivia rodeado por músicos como Benda, Graun, e Carl Philipp Emmanuel Bach. Quantz tornou-se o compositor da corte, diretor da orquestra, professor do rei e fabricante de flautas. Em 1747, conheceu J.S.Bach, em Potsdam – NESTA CIRCUNSTÂNCIA NASCE “A OFERENDA MUSICAL” DE J.S. BACH -, e em 1750, conheceu Voltaire.
Frederico II, o Grande, foi um gênio político e militar. Trouxe muitas reformas nos campos da lei, da educação e da economia. Suas preocupações intelectuais e de sua corte foram fortemente influenciados pela França. Quantz serviu ao rei Frederico II até o dia de sua morte, em 12 de julho de 1773, em Potsdam (Alemanha).
Quantz viveu um período importante da história musical. Pertenceu à chamada “Escola de Berlim”, vivendo num período de transição entre o barroco e o classicismo. Também foi responsável por muitas inovações no desígnio da flauta, inclusive a adição de chaves para melhorar a entonação e a invenção de um novo afinador.
A produção de Quantz é extraordinária. Compôs músicas de câmara para flauta, violino e baixo contínuo, 204 sonatas para flauta, 12 duetos, etc.
Quantz escreveu cerca de 300 concertos para flauta. O Concerto para flauta em sol maior, é o seu mais conhecido concerto para flauta. É um trabalho modelar, de uma vivacidade invulgar, tanto na parte solista como na parte orquestral e muito bem estruturado no seu todo, revelando o porque, ter sido Quantz, o escolhido mestre de Frederico II. Digno de nota a extraordinária pulsação rítmica deste concerto.
Quantz não foi somente um músico excelente, mas também um grande observador das cenas musicais de seu tempo. Em 1752, publicou o seu famoso tratado A arte de tocar flauta, que não só oferece interesse considerável pela prática da flauta, mas também para muitos outros instrumentos.
Johann Joachim Quantz (1697-1773) – 7 Sonatas para Flauta e Baixo Contínuo (Csalog / Papp)
Sonata in B minor QV 1-167 (Dresden)
1. Siciliana
2. Allegro assai
3. Vivace
Sonata in D major QV 1-47 D-dur (Potsdam)
4. Cantabile ma con affetto
5. Allegro di molto, ma fiero
6. Vivace
Sonata in C major QV 1-12 (Potsdam)
7. Grave
8. Vivace di molto
9. Presto
Sonata in C minor QV 1-15 (Dresden)
10. Larghetto
11. Vivace
12. Allegro
Sonata in F major QV 1-86 (Dresden)
13. Vivace
14. Cantabile
15. Allegro
Sonata in E minor QV 1-73 (Dresden)
16. Affettuoso
17. Allegro
18. Con Brio
Sonata in G major QV 1-105 (Potsdam)
19. Largo ma con Tenerezza
20. Allegro di molto, ma fiero
21. Presto
Benedek Csalog – Baroque Flute
Rita Papp – Harpsichord
Andreas Staier é uma minhas preferências absolutas. Gosto demais de tudo o que ele gravou nas últimas décadas. Aqui, ele volta demonstrar sua notável competência. Discordo de algumas de suas escolhas estéticas, mas o conjunto é indubitavelmente uma versão de referência, uma first choice. Staier é menos poético quanto a maioria de seus pares, trazendo-nos talvez algo mais extravagante. Ele parece estar mais interessado na arquitetura e no colorido das peças do que em suas poesias, mas tenho que ouvir de novo para confirmar a impressão. Ou será que tentou ser didático? Eu ainda fico com Chorzempa (outra extravagância?), Hewitt e Pinnock (1 e 2).
Johann Sebastian Bach (1685-1750): O Cravo Bem Temperado, Livro I (Staier)
01. Prelude No. 1 in C Major, BWV 846
02. Fugue No. 1 in C Major, BWV 846
03. Prelude in C Minor, BWV 847
04. Fugue in C Minor, BWV 847
05. Prelude in C-Sharp Major, BWV 848
06. Fugue in C-Sharp Major, BWV 848
07. Prelude in C-Sharp Minor, BWV 849
08. Fugue in C-Sharp Minor, BWV 849
09. Prelude in D Major, BWV 850
10. Fugue in D Major, BWV 850
11. Prelude in D Minor, BWV 851
12. Fugue in D Minor, BWV 851
13. Prelude in E-Flat Major, BWV 852
14. Fugue in E-Flat Major, BWV 852
15. Prelude in E-Flat Minor, BWV 853
16. Fugue in D-Sharp Minor, BWV 853
17. Prelude in E Major, BWV 854
18. Fugue in E Major, BWV 854
19. Prelude in E Minor, BWV 855
20. Fugue in E Minor, BWV 855
21. Prelude in F Major, BWV 856
22. Fugue in F Major, BWV 856
23. Prelude in F Minor, BWV 857
24. Fugue in F Minor, BWV 857
25. Prelude in F-Sharp Major, BWV 858
26. Fugue in F-Sharp Major, BWV 858
27. Prelude in F-Sharp Minor, BWV 859
28. Fugue in F-Sharp Minor, BWV 859
29. Prelude in G Major, BWV 860
30. Fugue in G Major, BWV 860
31. Prelude in G Minor, BWV 861
32. Fugue in G Minor, BWV 861
33. Prelude in A-Flat Major, BWV 862
34. Fugue in A-Flat Major, BWV 862
35. Prelude in G-Sharp Minor, BWV 863
36. Fugue in G-Sharp Minor, BWV 863
37. Prelude in A Major, BWV 864
38. Fugue in A Major, BWV 864
39. Prelude in A Minor, BWV 865
40. Fugue in A Minor, BWV 865
41. Prelude in B-Flat Major, BWV 866
42. Fugue in B-Flat Major, BWV 866
43. Prelude in B-Flat Minor, BWV 867
44. Fugue in B-Flat Minor, BWV 867
45. Prelude in B Major, BWV 868
46. Fugue in B Major, BWV 868
47. Prelude in B Minor, BWV 869
48. Fugue in B Minor, BWV 869
Tio Jotabê foi primo em segundo grau de meu pai Johann Sebastian, de quem sou filho ilegítimo, como todos sabem. A música de JB comprova que, numa família, o talento que aparece aqui e ali às vezes só explode com força numa pessoa e que explosão tivemos na família Bach com deus JS e seus grandes filhos CPE, WF e PQP! Apesar do excelente trabalho da Freiburger Barockorchester e de seu condutor Thomas Hengelbrock, falta ao tio Jotabê aquela luz dos efetivamente grandes. É uma música barroca com belo estilo, mas que faz nossa mente flutuar cada vez mais longe. Deve ser bom estudar ouvindo este tio que não conheci pessoalmente.
Johann Bernhard Bach (23 de maio de 1676 – 11 de junho de 1749) foi um compositor alemão e primo em segundo grau de J. S. Bach. Ele nasceu em Erfurt, e sua educação musical inicial veio de por seu pai, Johann Aegidus Bach. Ele assumiu o cargo de organista em Erfurt em 1695 e, em seguida, assumiu uma posição semelhante em Magdeburg. Ele substituiu Johann Christoph Friedrich Bach como organista em Eisenach e também como cravista na orquestra da corte em 1703. A maior parte de sua produção musical foi perdida, mas entre sua música sobrevivente há estas quatro suítes orquestrais. Sabe-se que J. S. Bach tinha partes individuais preparadas para execução por sua orquestra. Seu estilo musical foi descrito como semelhante ao de Telemann, mas sem o talento… Acredita-se que essas suítes tenham sido escritas antes de 1730.
Johann Bernhard Bach (1676-1749): 4 Suítes Orquestrais (Freiburger Barockorchester, Hengelbrock)
Suite No. 1 (Ouverture No.1) In G Minor
1 I Ouverture 7:17
2 II Air 4:13
3 III Rondeau 1:36
4 IV Loure 3:58
5 V Fanaisie 3:52
6 VI Passepied 2:17
Suite No. 2 (Ouverture No. 2) In G Major;
7 I Ouverture 4:50
8 II Gavotten En Rondeau 1:41
9 III Sarabande 1:08
10 IV Bourrée: Gayement 1:08
11 V Air: Grave 3:42
12 VI Gigue 1:29
Suite No. 3 (Ouverture No. 3) In E Minor;
13 I Ouverture 5:55
14 II Air 1:27
15 III Les Palisirs: Vitement 1:17
16 IV Air 2:18
17 V Rigaudon 2:18
18 VI Courante 1:28
19 VII Gavotte En Rondeau 2:04
Suite No. 4 (Ouverture No. 4) In D Major
20 I Ouverture 5:20
21 II Caprice 1: Vitement 2:08
22 III Marche 1:27
23 IV Passepied 1 1:00
24 Passepied 2 – Passepied 1 1:47
25 V Caprice2: Vitement 2:23
26 VI Air: Lentement 1:22
27 VII La Joye 1:24
28 VIII Caprice 3 2:50
Freiburger Barockorchester:
Bassoon – Rhoda Patrick
Cello – Guido Larisch, Ute Petersilge
Directed By – Thomas Hengelbrock
Harpsichord – Torsten Johann
Oboe – Hans-Peter Westermann, Pieter Dhont
Viola – Christian Goosses, Ulrike Kaufmann
Violin – Anne Katharina Schreiber, Brigitte Täubl, Christa Kittel, Gottfried Von Der Goltz (tracks: 1 to 6), Petra Müllejans, Regine Schröder, Wolfgang Greser
Violin, Concertmaster – Thomas Hengelbrock
Violone – Richard Myron
Um excelente disco de compositores armênios. Claro que Khatchaturian é o mais famoso e é sua a melhor obra do CD, mas os outros “ian” não lhe ficam devendo muita coisa. O violoncelista Alexander Chaushian, solista do disco, é sensacional. As obras de Khatchaturian (1903-1978) e Zakarian (1895-1967) foram compostas durante o regime soviético e isto fica claro em cada compasso. Já Sharafyan é de 1966 e sua música vem bem mais leve e contemplativa, “100% Jdanov free”. Sua Suíte é lindíssima. E o muito talentoso Komitas Vardapet (1869-1935) tem uma história horrível. No período da Primeira Guerra Mundial, o governo dos Jovens Turcos iniciou seu monstruoso programa de extermínio do povo armênio. Em abril de 1915, Komitas foi preso junto com vários escritores, médicos e advogados armênios proeminentes. Após a prisão, acompanhada de tortura, ele foi deportado para a Anatólia, onde se tornou testemunha do extermínio brutal das mentes mais brilhantes da nação. Graças à intervenção de figuras influentes, Komitas foi devolvido a Constantinopla, mas o pesadelo experimentado por ele fê-lo enlouquecer, sem atinar para o mundo exterior. Ele acabou internado em um hospital psiquiátrico na França até o fim de seus dias.
Khatchaturian / Zakarian / Sharafyan / Komitas: Armenian Rhapsody (Chaushian / Armenian Philharmonic Orchestra / Topchjan)
Concerto-Rhapsody, For Cello And Orchestra
Composed By – Aram Khatchaturian
(25:52)
1 I. Andante Sostenuto E Pesante 13:23
2 II. Allegro Animato 9:29
3 III. Allegro Vivace 3:00
4 Monograph, For Cello And Chamber Orchestra
Composed By – Suren Zakarian
17:16
Suite For Cello And Orchestra
Composed By – Vache Sharafyan
(22:24)
5 I. Mattinata 6:25
6 II. Waltz 5:01
7 III. Sarabande-Courante 7:10
8 IV. Postero Die (The Next Day) 3:40
9 Krunk = Crane, For Duduk, Cello And Piano
Arranged By, Piano – Vache Sharafyan
Composed By – Komitas Vardapet
Duduk – Emmanuel Hovhannisyan
Cello – Alexander Chaushian
Conductor – Eduard Topchjan (tracks: 1 to 8)
Orchestra – Armenian Philharmonic Orchestra (tracks: 1 to 8)
Um disco extraordinário! Mas o canadense Kerson Leong não escapou das ironias do grupo do PQP Bach no WhatsApp. Disseram que Kerson, no Brasil, seria nome de borracheiro ou de centroavante brasileiro ruim, algo como Kersinho, com cabelo platinado e sobrancelhas de designer. Então, anos depois, surgiria uma versão genérica que não vingaria muito, o Kersinho Mineiro. Aqui no RS, tivemos o Joleno, atacante de lado. Perguntaram pra ele a origem do nome e ele respondeu que sua mãe gostava dos Bítus.
Mas o CD é sensacional. Não consigo imaginar um Concerto para Violino de que goste mais do que deste de Britten. Esse emparelhamento incomum com Bruch é uma reflexão sobre a jornada de um extremo de expressão a outro. O In Memoriam é a ponte perfeita entre eles. Após o jogo, Kersinho falou à imprensa na zona mista: “Foi uma grande vitória do nosso time. O Britten expressa uma experiência crua e exposta, enquanto o Bruch é reconfortante. Depois dos últimos anos em que o mundo passou por muitas dificuldades e incertezas devido à pandemia, guerra e crise, gravar este álbum em Londres em janeiro de 2022 com a Philharmonia Orchestra e Patrick Hahn foi um momento profundamente catártico. É com espírito de catarse que ofereço este álbum.”
(A primeira frase da declaração do atleta é uma intromissão deste que vos escreve).
B. Britten (1913-1976) & M. Bruch (1838-1920): Violin Concertos (Kersoden Leong / Philharmonia Orchestra / Patrick Hahn)
01. Britten: Violin Concerto in D Minor, Op. 15: I. Moderato con moto – Agitato – Tempo primo
02. Britten: Violin Concerto in D Minor, Op. 15: II. Vivace – Animando – Largamente – Cadenza
03. Britten: Violin Concerto in D Minor, Op. 15: III. Passacaglia – Andante lento (Un poco meno mosso)
04. Bruch: In Memoriam, Op. 65
05. Bruch: Violin Concerto No.1 in G Minor, Op. 26: I. Vorspiel. Allegro moderato
06. Bruch: Violin Concerto No.1 in G Minor, Op. 26: II. Adagio
07. Bruch: Violin Concerto No.1 in G Minor, Op. 26: III. Finale. Allegro energico
Kerson Leong, violino
Philharmonia Orchestra
Patrick Hahn
Este é um bom vinil duplo / CD simples de 1975. É uma gravação um pouquinho antiquada, mas não tanto quanto a de Nicolet / Richter, que parece ter saído das cavernas quando ouvida hoje. A versão de Graf não chega ao nível daquilo que fizeram neste século, por exemplo, Pontecorvo, Oberlinger, Marc Hantaï (a minha preferida) ou mesmo Pahud e a clássica gravação de Larrieu (1967). Mas é pra lá de boa!
As Sonatas para Flauta de Bach são belíssimas. Apesar disso, a cenário é nebuloso. Algumas delas apresentam problemas de atribuição. A Sonata BWV 1020, por exemplo, é provavelmente de seu filho Carl Philipp Emanuel. Ela está ausente neste disco. Há dúvidas ainda sobre a autoria das BWV 1031 e 1033, embora seja quase certo serem mesmo de Johann Sebastian. Por outro lado, algumas delas estão entre as melhores obras de Bach, especialmente a BWV 1030, que tem o autógrafo autêntico de JS. Outra questão a respeito destas obras é sobre o uso de flautas doces ou flautas transversais. As sonatas foram compostas na época de transição entre os dois tipos de instrumento. A BWV 1030, por exemplo, foi escrita para transversal.
J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para Flauta e Baixo Contínuo (Graf / Sax / Dahler)
Sonate H-moll Für Flöte Und Obligates Cembalo BWV 1030
1 Andante 7:28
2 Largo 3:35
3 Presto 6:22
Sonate Es-dur Für Flöte Und Obligates Cembalo BWV 1031
4 Allegro 3:40
5 Siciliano 2:05
6 Allegro 5:00
Sonate A-dur Für Flöte Und Obligates Cembalo (Ohne 1. Satz) BWV 1032
7 Largo 3:01
8 Allegro 4:49
Sonate C-dur Für Flöte Und Continuo BWV 1033
9 Andante, Allegro 4:29
10 Adagio 1:45
11 Menuetto I + II 2:54
Sonate E-moll Für Flöte Und Continuo BWV 1034
12 Adagio 3:28
13 Allegro 2:52
14 Andante 3:49
15 Allegro 5:08
Sonate E-dur Für Flöte Und Continuo BWV 1035
16 Adagio 2:33
17 Allegro 3:09
18 Siciliano 3:15
19 Allegro Assai 3:22
A água do Báltico é tão boa para a música erudita que as compositoras — infelizmente raras nesta função — também são beneficiárias. Kaija Saariaho não está apenas entre os mais importantes compositores finlandeses do seu tempo, mas deve ser classificada como um dos principais compositores do final do século XX e início do XXI no mundo. Nascida Kaija Anneli Laakkonen, ela começou a estudar artes plásticas na Universidade de Arte e Design. Casou-se com Markku Veikko Ilmari Saariaho em 1972, mas o casamento durou pouco, terminando no ano seguinte. A compositora, no entanto, manteve seu nome de casada. Em 1976, ela começou seus estudos de composição na Academia Sibelius, com Paavo Heininen. Ela obteve licenciatura em composição da academia em 1980. Depois disso, ela matriculou-se na Musikhochschule em Freiburg, Alemanha, para estudar com o compositor britânico Brian Ferneyhough e, na Alemanha, com Klaus Huber. Foi diplomada em 1983. Por esta altura, já começava a ser conhecida. Sus peças mais importantes no período são as Verblendungen para Orquestra e Gravador (1982-1984) e a peça minimalista Vers le blanc (1982). Esta peça foi composta com a utilização de um computador e um software desenvolvido no IRCAM (L’Institut de Recherche et de Coordination, de Paris), onde ela tinha começado estudos em 1982 a respeito de técnicas de computação e como estas se relacionam com a composição musical. Saariaho mudou-se para Paris no mesmo ano. Em 1984, casou-se com Jean-Baptiste Barrière, também compositor. Teve dois dois filhos, Alexandre, nascido em 1989, e Aliisa, em 1995. Em meados da década de 1980, as obras de Saariaho ganharam muita atenção e ela recebeu muitos prêmios, como o Kranichsteiner em 1986, o Prix Italia em 1988, e no ano seguinte, o Ars Electronica por seus trabalhos Stilleben (1987-1988) e Io (1986-1987). Ela também recebeu muitas encomendas, incluindo uma do Lincoln Center, que resultou em Nymphea (1987), estreada pelo Kronos Quartet. No início dos anos 1990, sua música estava começando a aparecer com maior frequência e começou a ser gravada com regularidade. Saariaho alcançou uma popularidade surpreendente para o tipo de música dissonante que fazia. Outras encomendas chegaram, incluindo uma do Ballet Nacional da Finlândia, para o qual ela produziu The Earth (1991). Muitas de suas composições foram escritas especificamente para grandes artistas ou grupos, como com a peça que ela dedicou ao violinista Gidon Kremer, intitulado Graal Théâtre (1994), e o ciclo de canções Château de l’âme (1996), para Dawn Upshaw. Uma viagem em 1993, para o Japão, levou Saariaho a compor uma obra para percussão e eletrônica, Seis jardins japoneses (1993-1995). A compositora passou um ano ensinando na Sibelius Academy (1997-1998). Em 1999, Kurt Masur e a Filarmônica de Nova York estrearam Oltra mar, e o Festival de Salzburgo, sua primeira ópera, L’amour de loin, em agosto de 2000, que contou com Upshaw e o maestro Kent Nagano. Saariaho também continua a receber prêmios, incluindo o alemão Kaske e o sueco Rolf Schock Prize, ambos em 2001. Muitas de suas obras foram disponibilizados em uma variedade de selos, incluindo BIS, Ondine e DG.
Près – Anssi Karttunen (Cello)
2. Près: I. 7:29
3. Près: II. 3:13
4. Près: III. 8:47
NoaNoa – Camilla Hoitenga (Flute)
5. NoaNoa 8:52
Six Japanese Gardens – Florent Jodelet (Percussion)
6. 6 Japanese Gardens: No. 1. Tenju-an Garden of Nanzen-ji Temple 3:50
7. 6 Japanese Gardens: No. 2. Many Pleasures (Garden of the Kinkaku-ji) 1:28
8. 6 Japanese Gardens: No. 3. Dry Mountain Stream 3:20
9. 6 Japanese Gardens: No. 4. Rock Garden of Ryoan-ji 3:52
10. 6 Japanese Gardens: No. 5. Moss Garden of the Saiho-ji 2:52
11. 6 Japanese Gardens: No. 6. Stone Bridges 3:28
Kaija Saariaho: Graal Théâtre – Château de l’âme – Amers
Graal Théâtre
1) I. Delicato [16:56]
2) II. Impetuoso [10:32]
Gidon Kremer (Violin)
Esa-Pekka Salonen
BBC Symphony Orchestra
Château de l’âme
3) La liane [5:57]
4) A la terre [5:14]
5) La liane [3:01]
6) Pour repousser l’espirit [2:08]
7)Les formules [7:53]
Dawn Upshaw (Soprano)
Esa-Pekka Salonen
Finnish Radio Symphony Orchestra
Finnish Radio Chamber Choir members
Amers
8) Part 1: Libero, dolce, misterioso [8:48]
9) Part 2: Sempre molto energico, ma espressivo [10:59]
Recorded at Maida Vale Studio 1, London, June 1996 (tracks 1-2); Kulttuuritalo (Hall of Culture), Helsinki, June 2000 (tracks 3-7); Finnish Broadcasting Company, Helsinki, June 1998 (tracks 8-9)
Como é bom ouvir Sibelius, não? Este CD tem seu conhecido Concerto para Violino e mais algumas obras desconhecidas e nada desprezíveis, antes pelo contrário. No Concerto, a romena Marcovici, se não chega ao Olimpo do Concerto, nos dá uma versão bem convincente. Já a orquestra e Järvi dão um banho de competência. O Concerto é uma obra melodiosa de grande expressão e virtuosismo, que goza de enorme popularidade entre os violinistas e o público. É um dos concertos para violino mais executados nas salas de concerto. E eu gosto muito dos extras, principalmente da Abertura em lá menor com sua linda introdução através dos metais. Acho que é um CD que merece ser ouvido.
Jean Sibelius (1865-1957): Concerto para Violino, Op. 47 / Overture In A Minor / Menuetto / In Memoriam (Gothenburg SO, Silvia Marcovici, Neeme Järvi)
Violin Concerto In D Minor, Op.47 (33:25)
1 Allegro Moderato 17:10
2 Adagio Di Molto 8:09
3 Allegro, Ma Non Tanto 7:48
4 Overture In A Minor (1902) 6:26
5 Menuetto (1894) 5:38
6 In Memoriam, Op.59 (Funeral March For Large Orchestra) 7:57
Conductor – Neeme Järvi
Orchestra – Gothenburg Symphony Orchestra
Violin – Silvia Marcovici (tracks: 1 to 3)
Li algumas críticas norte-americanas bem pesadas, falando mal deste CD de Mäkelä e da Orquestra de Paris, mas não posso concordar com elas após a audição do menino-prodígio que assumirá o Concertgebouw de Amsterdam nos próximos meses. Mäkelä tem apenas 27 anos. Na Europa, o CD foi muito elogiado. Estranho…
Mäkelä parece ter reforçado o senso de drama e de dança das obras trazendo-as de volta a suas raízes parisienses. Nestes tempos de hipervirtuosidade, ele tenta reacender aquele choque inicial, aquele espanto, e demonstra grande cuidado com os detalhes e a atmosfera das peças. Há certa tendência norte-americana em fazer Stravas e Tchais mais selvagens e primitivos do que são. De alguma forma, eles negam a sofisticação russa. A introdução da Sagração é lenta e sinuosa, desenrolando-se como sementes germinando. Em seguida, o bater de pés coletivos destranca a selvageria que está por vir. Podemos pensar nos relatos clássicos de Bernstein como uma fonte de força, energia primordial, de Abbado como algo incandescente, mas com um espírito teatral, por exemplo. Não é assim com Mäkelä que, com detalhes requintados, constrói paredes de som verdadeiramente inspiradoras num mundo da dança. É como se todos os elementos da peça fossem revelados em sua verdadeira glória. Um grande disco, mas é apenas minha opinião.
Ah, aqui temos um Pássaro de Fogo completo, o que nem sempre ouvimos.
Igor Stravinsky (1882-1971): A Sagração da Primavera e O Pássaro de Fogo (Mäkelä)
Le Sacre Du Printemps (35:15)
01 L’Adoration de la Terre: Introduction 3:33
02 L’Adoration de la Terre: Les Augures Printaniers 3:17
03 L’Adoration de la Terre: Jeu Du Rapt 1:19
04 L’Adoration de la Terre: Rondes Printanières 3:51
05 L’Adoration de la Terre: Jeux Des Cités Rivales 1:52
06 L’Adoration de la Terre: Cortège Du Sage 0:42
07 L’Adoration de la Terre: Embrasse de la Terre 0:23
08 L’Adoration de la Terre: Danse de la Terre 1:13
09 Le Sacrifice: Introduction 4:37
10 Le Sacrifice: Cercles Mystérieux Des Adolescentes 3:28
11 Le Sacrifice: Glorification de L’élue 1:33
12 Le Sacrifice: Évocation Des Ancêtres 0:44
13 Le Sacrifice: Action Rituelle Des Ancêtres 3:46
14 Le Sacrifice: Danse Sacrale 4:49
L’Oiseau De Feu (47:57)
15 I Introduction 2:52
16 II Le Jardin Enchanté de Kastchei 1:49
17 III Apparition de L’oiseau de Feu, Poursuivi Par Ivan Tsarevitch 2:16
18 IV Danse de L’oiseau de Feu 1:15
19 V Capture de L’oiseau de Feu Par Ivan Tsarevitch 1:03
20 VI Supplications de L’oiseau de Feu 6:12
21 Vii. Apparition Des Treize Princesses Enchantées 2:34
22 VIII Jeu de Princesses Avec Les Pommes D’or 2:26
23 IX Brusque Apparition D’Ivan Tsarevitch 1:20
24 X Khorovod (Ronde) Des Princesses 4:42
25 XI Lever Du Jour 1:24
26 XII Carillon Féérique, Apparition Des Monstres-gardiens de Kastchei 1:31
27 XIII Arrivée de Kastchei Liimmortel – Dialogue de Kastchei Avec Ivan Tsarevitch – Intercession Des Princesses 3:26
28 XIV Apparition de L’oiseau de Feu 0:32
29 XV Danse de la Suite de Kastchei Enchantée Par L’oiseau de Feu 0:46
30 XVI Danse Infernale de Tous Les Sujets de Kastchei 4:37
31 XVII Berceuse (L’oiseau de Feu) 3:02
32 XVIII Réveil de Kastchei – Mort de Kastchei – Profondes Tenèbres 2:45
33 XIX Disparition Du Palais Et Des Sortilèges de Kastchei – Animation Des Chevaliers Petrifiés. Allegresse Génerale 3:25
Conductor – Klaus Mäkelä
Orchestra – Orchestre De Paris
Hallé? Como assim Hallé? A Orquestra Hallé, ou simplesmente Hallé, é uma orquestra sinfônica baseada em Manchester, Inglaterra. É a orquestra mais antiga em atividade do Reino Unido e a quarta mais antiga do mundo. Conta com orquestra profissional, coro, coro jovem e uma orquestra jovem. Realiza gravações em sua própria gravadora, mas trabalha também com a Angel e EMI. O atual Diretor Musical é Sir Mark Elder.
Acho que as versões de Elder das Sinfonias 5 e 7 de Sibelius é muito boa, mas não chegam a ser first choices. Ainda fico com Rattle e a CBSO na 5ª e com o velho Mravinsky e o portento de Leningrado na 7ª. Vocês devem saber que as orquestras britânicas e seu público há muito têm uma afinidade especial com as obras orquestrais de Jean Sibelius. As interpretações de Elder são meticulosas e apaixonadas e a orquestra responde à sua direção cavando fundo. São muito bons registros. Essas sinfonias e En Saga são representativas do estilo maduro de Sibelius. Seus ritmos e desdobramentos constantes de motivos ao longo de bons períodos de tempo requerem uma escuta atenta, mas a clareza das leituras de Elder torna o progresso da música fácil de seguir.
Jean Sibelius (1865-1957): Sinfonias Nos. 5 & 7 / En Saga (Hallé, Elder)
Symphony No.5, Op.82
01. I. Tempo molto moderato (13:31)
02. II. Andante mosso, quasi allegretto (08:25)
03. III. Allegro molto (09:24)
Isso aqui é ouro puro! Um belo disco brasileiro com música de Ligeti e de compositores brazucas. Tudo muito bem gravado no ano de 2013 e notavelmente bem executado pelo Percorso Ensemble sob a direção de Ricardo Bologna. Claro que há alguma desproporção entre o mestre e os jovens brasileiros, mas o disco é realmente muito bom. Talvez Freitas e Siqueira não tenham utilizado suas próprias vozes, pois suas peças foram inspiradas pelo húngaro. O Concerto de câmara para treze instrumentos de Ligeti foi composto em 1969/1970. Foi criado num momento de maturação de seu estilo anterior, caracterizado por uma grande densidade de textura e precursor de alguns aspectos que ele virá a desenvolver posteriormente, como uma maior transparência e melodismo.
Concerto De Câmara Para 13 Instrumentistas
1 I. Corrente
2 II. Calmo, Sostenuto
3 III. Movimento Preciso E Meccanico
4 IV. Presto
Cello – Douglas Kier
Clarinet – Sérgio Burgani
Clarinet, Bass Clarinet – Nivaldo Orsi Composed By – György Ligeti
Double Bass – Claudio Torezan
Flute, Piccolo Flute – Cassia Carrascoza
French Horn – Samuel Hamzem
Harpsichord, Electric Organ [Hammond] – Lucia Cervini
Oboe, Oboe d’Amore, English Horn – Peter Apps
Piano, Celesta – Horácio Gouveia
Trombone – Dárcio Gianelli
Viola – Elisa Monteiro
Violin – Ana De Oliveira, Simona Cavuoto
Regência – Ricardo Bologna
5 Kronos & Kairós: Um Retrato Para Nancarrow E Ligeti
Ligeti não é apenas o grande compositor que de certa forma carrega o legado de Bartók, mas é um sujeito bem-humorado e divertido. Imaginem que ele estudou com Zoltán Kodály e realizou — como Bartók e Kodály — um trabalho etnomusicológico sobre a música folclórica romena, porém, depois de um ano, voltou à antiga escola em Budapeste e foi nomeado professor de harmonia, contraponto e análise musical. As 3 obras deste CD são de fases distintas do compositor. O Andante é de 1950, o Quarteto Nº 1 é de 1953 e o Nº 2 é de 1968.
Bem, como escrevi acima, cerca de 15 anos separam os dois quartetos de cordas numerados de György Ligeti e, do ponto de vista estilístico, eles pertencem a fases diferentes de sua carreira criativa. O primeiro, com o subtítulo “Métamorphoses nocturnes”, foi iniciado em 1953, quando Ligeti ainda vivia em sua Hungria natal, onde o realismo socialista era a regra para os compositores desde o governo comunista implantado cinco anos antes. Na época em que escreveu o segundo, ele já estava baseado na Europa Ocidental, tendo deixado seu país natal durante o levante de 1956 .
Ouvidos sucessivamente, os dois quartetos demonstram de onde vieram as obras madu0ras e todo um mundo musical recém-criado. Os gestos bartókianos dos 12 minúsculos movimentos do primeiro estavam totalmente fora das prescrições estilísticas autoritárias. No segundo, são substituídos pelas texturas mutáveis, pelos mecanismos interligados e as prestidigitações harmônicas com as quais Ligeti estabeleceu um distinto nicho dentro da vanguarda do pós-guerra. Infelizmente, ele nunca voltou a escrever um quarteto durante o notável terceiro período de sua carreira, embora após sua morte, em 2006, esboços de duas dessas obras tenham sido encontrados entre seus papéis, aparentemente destinados aos Quartetos Arditti e Kronos, respectivamente. UMA PENA, REALMENTE.
No entanto, o que temos são duas das contribuições mais significativas para o repertório do quarteto da segunda metade do século XX. Eles impõem enormes demandas técnicas e musicais, e o Quarteto Diotima atende a seus desafios com mais precisão e brilho do que qualquer outro que já ouvi antes. Cada detalhe da escrita das cordas, criada pela incrível imaginação de Ligeti, é cristalino, a forma de cada movimento totalmente lúcida.E, entre essas obras, o Diotima fornece um vislumbre de onde a jornada musical de Ligeti começou: se o Primeiro Quarteto pertence ao que o compositor chamou de seu período “pré-histórico”, então o Andante e Allegretto, composto em 1950, enquanto ele era aluno da Academia Franz Liszt em Budapeste, presumivelmente se qualificaria como um Ligeti primordial, quando Kodály e Bartók faziam parte da mistura estilística e a influência da música folclórica húngara e romena ainda era clara. Não sabemos se a capa do CD, no estilo 2001, uma odisseia no espaço, se deve ao bom humor do quarteto, mas que eu dei risada, dei.
György Ligeti (1923-2006): Quartetos Nº 1 e 2 / Andante e Allegretto (Quatuor Diotima)
String Quartet No. 1, “Métamorphoses Nocturnes” (20:57)
01 I Allegro Grazioso 1:28
02 II Vivace, Capriccioso 1:51
03 III Adagio, Mesto 2:13
04 IV Presto 1:08
05 V Prestissimo 1:24
06 VI Andante Tranquillo 3:12
07 VII Tempo di Valse, Moderato, Con Eleganza, Un Poco Capriccioso 0:52
08 VIII Subito Prestissimo 1:31
09 IX Allegretto, Un Poco Giovale 0:55
10 X Poco Più Mosso 1:41
11 XI Prestissimo 1:34
12 XII Ad Libitum, Senza Misura 3:15
Andante and Allegretto for String Quartet (13:17)
13 I Andante Cantabile 6:29
14 II Allegretto Poco Capriccioso 6:48
String Quartet No. 2 (19:29)
15 I Allegro Nervoso 4:40
16 II Sostenuto, Molto Calmo 4:41
17 III Come Un Meccanismo di Precisione 3:14
18 IV Presto Furioso, Brutale, Tumultuoso 1:57
19 V Allegro Con Delicatezza 4:57
Métamorphoses nocturnes é a grande atração deste CD e é um título particularmente adequado para o primeiro quarteto do lendário compositor húngaro György Ligeti. É uma extraordinária obra de juventude que dá uma mostra da inquietude e do desenvolvimento precoce daquele que é uma das vozes mais influentes do século 20.
Composto em 1953-4, fica claro que o herói de Ligeti era Béla Bartók, um dos poucos compositores “modernos” que eram acessíveis ao dentro das fronteiras da Hungria. O Quarteto é marcado por discordantes ritmos folclóricos, contraponto e episódios de solidão e violência. Bartók. Mas a voz do próprio Ligeti é clara, assim como o germe do que viria a se tornar conhecido como a “micropolifonia” — densas rajadas que resultam em aglomerados frenéticos.
Gosto muito do Quarteto Nº 1, apesar de sabê-lo inferior ao 2. Fazer o quê? Já a Sonata para Violoncelo Solo é de 1948-1953, é lírica e tem referências a Bach, Bartók e Kodály. Uma peça de estudo, ou de um estudante brilhante.
Gyorgy Ligeti (1923-2006): Quartetos de Cordas Nº 1 e 2 / Sonata para Violoncelo Solo
String Quartet No. 2
02. I. Allegro nervoso
03. II. Sostenuto, molto calmo
04. III. Come un meccanismo di precisione
05. IV. Presto furioso, brutale, tumultuoso
06. V. Allegro con delicatezza
E mais um Ligeti para o povo pequepiano. A complexidade dos contrapontos do Requiem — música da fase timbrística de Ligeti e composta um ano antes de Lux Aeterna — é uma coisa que beira o absurdo, ao menos para um ouvinte como eu. É uma coisa linda e metafísica. É a melhor peça deste maravilhoso CD, mas amo também as divertidas Aventures e as Nouvelles Aventures, escritas pouco antes do Requiem. Aqui há também uma polifonia furiosa, porém parece-me que a utilização de grunhidos e, fundamentalmente, do riso e de algumas momices, torna essas duas obras mais simpáticas do que o belo e difícil Requiem. Nas Aventuras, a impressão geral é a de que estamos de volta ao ambiente e à vida descrita pelo excelente filme Themroc (1973), de Claude Faraldo… Esta gravação é de 1965 e bastante rara, apesar da Amazon tê-la disponível.
Enjoy porque vale a pena…
György Ligeti (1923-2006) – Requiem, Aventures e Nouvelles Aventures
1 Requiem Choir – Chor Des Bayerischen Rundfunks
Chorus Master – Wolfgang Schubert
Conductor [Orchester] – Michael Gielen
Mezzo-soprano Vocals – Barbro Ericson
Orchestra – Sinfonie-Orchester Des Hessischen Rundfunks Frankfurt
Soprano Vocals – Liliana Poli
Certa vez, vi o Quarteto Hagen tocando Bartók no Southbank Center de Londres. Foi um dos melhores concertos a que fui na vida. O Hagen foi fundado em 1981 por quatro irmãos, Lukas, Angelika (primeiramente substituída por Annette Bik, que foi substituída por Rainer Schmidt em 1987), Veronika e Clemens, em Salzburgo. Os membros do quarteto são professores e mentores no Salzburg Mozarteum e na Hochschule für Musik Basel. Aqui, eles estão no seu chão e dão um chocolate. O Quarteto de Cordas Nº 1 de Ligeti, intitulado Métamorphoses nocturnes, foi composto em 1953–54. É, portanto, representativo do que Ligeti costumava chamar de “o Ligeti pré-histórico”, referindo-se às obras que escreveu antes de deixar a Hungria em 1956. Este quarteto foi fortemente inspirado pelo terceiro e quarto quartetos de Bartók, tanto que recebeu a alcunha “o sétimo quarteto de cordas de Bartók” pelo compositor húngaro György Kurtág. Ligeti só pode estrear este quarteto fora de sua Hungria natal, a performance dele foi proibida. Mas mesmo assim, ele guarda muito do Ligeti posterior. O bom humor e as surpresas estão por todo lado.
Ligeti / Lutosławski / Schnittke: Quartetos de Cordas / Cânon em Memória de Igor Stravinsky (Hagen Quartett)
1 György Ligeti– Streichquartett Nr. 1 = String Quartet No. 1 = Quatuor À Cordes N° 1 = Quartetto Per Archi N. 1 (Métamorphoses Nocturnes)
– – 20:08
– Allegro Grazioso
– Vivace, Capriccioso
– A Tempo
– Adagio, Mesto
– Presto
– […] Molto Sostenuto – Andante Tranquillo
– Più Mosso
– Tempo Di Valse, Moderato, Con Eleganza, Un Poco Capriccioso
– Subito Prestissimo
– Subito: Molto Sostenuto
– Allegretto, Un Poco Giovale
– Allarg. Poco Più Mosso
– Subito Allegro Con Moto, String. Poco A Poco Sin Al Prestissimo
– Prestissimo
– Allegro Comodo, Giovale
– Sostenuto, Accelerando
– Lento
Witold Lutosławski*– Streichquartett = String Quartet = Quatuor À Cordes = Quartetto Per Archi
2 I. Introductory Movement 9:04
3 II. Main Movement 16:36
Alfred Schnittke– Kanon In Memoriam I. Strawinsky Für Streichquartett = For String Quartet = Pour Quatuor À Cordes = Per Quartetto D’archi
4 Lento 8:02
Este disco é sensacional. A primeira sonata é bem conhecida, penso, em sua versão para flauta, mas as outras me eram inteiramente desconhecidas, E são lindas! No título, o teclado vem antes do violino e é isto mesmo o que se ouve. Nenhum dos dois instrumentos é coadjuvante, só que o piano tem leve protagonismo. E esta dupla de instrumentistas… Ah, é assim que se faz, meus amigos. Mais um disco delicioso da rainha do violino barroco, Rachel Podger. Em parceria com o tecladista Kristian Bezuidenhout, Rachel nos oferece um pouco mais de uma hora de música completamente arrebatadora do muitas vezes subestimado Carl Philipp Emanuel Bach, quinto filho e segundo filho sobrevivente de Johann Sebastian Bach. As Sonatas são imaginativas, inovadoras e sublimes. Kristian Bezuidenhout é o parceiro perfeito para Podger nesses trabalhos. Tem um toque delicado e sutil. Assim como Podger, sua forma de tocar não é automática ou perfeitinha, não está ligada a um metrônomo. Ele arrisca um bom grau de improvisação, o que torna essas obras muito mais interessantes do que seriam em outras mãos. A alternância entre cravo e pianoforte acrescenta grande interesse ao CD. O resultado é o de pura alegria auditiva. Destaque absoluto para o lindo e comovente Arioso con variazioni per il cembalo e violino.
01. Violon Sonata in G Minor, H. 542.5: I. […] 3:46
02. Violon Sonata in G Minor, H. 542.5: II. Adagio 2:40
03. Violon Sonata in G Minor, H. 542.5: III. Allegro 4:51
04. Violin Sonata in C Minor, H. 514, Wq. 78: I. Allegro moderato 8:06
05. Violin Sonata in C Minor, H. 514, Wq. 78: II. Adagio ma non troppo 6:30
06. Violin Sonata in C Minor, H. 514, Wq. 78: III. Presto 5:26
07. Arioso con variazioni per il cembalo e violino in A Major, Wq. 79 11:06
08. Violin Sonata in B Minor, H. 512, Wq. 76: I. Allegro moderato 7:15
09. Violin Sonata in B Minor, H. 512, Wq. 76: II. Poco andante 5:13
10. Violin Sonata in B Minor, H. 512, Wq. 76: III. Allegretto siciliano 5:37
11. Violin Sonata in D Major, H. 502, Wq. 71: I. Poco adagio 3:21
12. Violin Sonata in D Major, H. 502, Wq. 71: II. Allegro 2:16
13. Violin Sonata in D Major, H. 502, Wq. 71: III. Adagio 2:58
14. Violin Sonata in D Major, H. 502, Wq. 71: IV. Menuet I & II 2:53
Kristian Bezuidenhout, teclados
Rachel Podger, violino
Opa, postei sem texto (obs. de 17/05, 19h49). Vou escrever agora, vamos lá!
IM-PER-DÍ-VEL !!!
András Schiff é um cara curioso. Não consigo imaginar nenhum outro pianista de seu calibre indo em direção a um clavicórdio, apenas se por brincadeira. Mas Schiff é diferente. Ele disse que costuma iniciar seu dia tocando Bach num clavicórdio… Bem, e aqui temos este grande artista tocando esplendorosamente o pequeno teclado que precede o pianão. Eu gostei muito do que eu ouvi. A face historicamente informada de Schiff é autêntica e muito bonita. Fiquei muito feliz de ouvir. Como explica o longo artigo do livreto, o clavicórdio era o instrumento favorito de Bach, que supostamente achava que permitia capacidades expressivas não oferecidas pelo cravo. De fato, como Schiff exemplifica nesta gravação, o clavicórdio oferece ao executante tanto sutis mudanças dinâmicas quanto delicado vibrato, feito ao mover a tecla depois de tocada. Schiff toca uma réplica de um clavicórdio Specken de 1743, construído por Joris Potvlieghe em 2003. Se no piano moderno Schiff nos traz Bach em toda a sua majestade, no clavicórdio ele convida o público a escutar o próprio Bach, como se estivesse sentado na mesma sala, ou ‘num oásis tranquilo’, como Schiff coloca em suas anotações. Minha única reclamação é a de que ele torna difícil para mim voltar a ouvir essas obras no piano moderno, ou pelo menos no piano, com qualquer outro músico.
Johann Sebastian Bach (1685-1750): Clavichord — Capriccio Sopra La Lontananza Del Fratello Dilettissimo / 15 Invenções / 4 Duetos / 15 Sinfonias / Ricercare a 3 da Oferenda Musical / Fantasia e Fuga Cromática (András Schiff, Clavicórdio)
Capriccio Sopra La Lontananza Del Fratello Dilettissimo BWV 992
1-1 Arioso. Adagio – Ist Eine Schmeichelung Der Freunde, Um Denselben Von Der Reise Abzuhalten. = Is A Cajoling By His Friends To Deter Him From His Journey. 1:31
1-2 Ist Eine Vorstellung Unterschiedlicher Casuum, Die Ihm In Der Fremde Könnten Vorfallen. = Is A Representation Of Various Calamities That Might Befall Him In Foreign Parts. 1:12
1-3 Adagiosissimo – Ist Ein Allgemeines Lamento Der Freunde. = Is A General Lament Of His Friends. 2:05
1-4 Allhier Kommen Die Freunde (Weil Sie Doch Sehen, Dass Es Anders Nicht Sein Kann) Und Nehmen Abschied. = Here Come The Friends (As They See That It Cannot Be Otherwise) And Say Farewell To Him. 0:36
1-5 Aria Di Postiglione. Adagio Poco 1:36
1-6 Fuga All’ Imitatione Di Posta 2:27
Inventions BWV 772 – 786
1-7 No. 1 In C Major 1:28
1-8 No. 2 In c Minor 1:50
1-9 No. 3 In D Major 1:14
1-10 No. 4 In d Minor 0:45
1-11 No. 5 In E-flat Major 1:24
1-12 No. 6 In E Major 3:24
1-13 No. 7 In e Minor 1:41
1-14 No. 8 In F Major 0:56
1-15 No. 9 In f Minor 1:45
1-16 No. 10 In G Major 0:58
1-17 No. 11 In g Minor 0:59
1-18 No. 12 In A Major 1:12
1-19 No. 13 In a Minor 1:22
1-20 No. 14 In B-flat Major 1:20
1-21 No. 15 In b Minor 1:10
Four Duets BWV 802 – 805
1-22 No. 1 In e Minor 3:02
1-23 No. 2 In F Major 2:58
1-24 No. 3 In G Major 3:08
1-25 No. 4 In a Minor 2:10
1-26 Ricercar À 3 From “Das Musikalische Opfer” BWV 1079 5:50
Sinfonias BWV 787 – 801
2-1 No. 1 In C Major 1:08
2-2 No. 2 In c Minor 2:07
2-3 No. 3 In D Major 1:13
2-4 No. 4 In d Minor 1:45
2-5 No. 5 In E-flat Major 2:07
2-6 No. 6 In E Major 1:20
2-7 No. 7 In e Minor 2:06
2-8 No. 8 In F Major 0:59
2-9 No. 9 In f Minor 3:03
2-10 No. 10 In G Major 1:05
2-11 No. 11 In g Minor 1:55
2-12 No. 12 In A Major 1:29
2-13 No. 13 In a Minor 1:41
2-14 No. 14 In B-flat Major 1:18
2-15 No. 15 In b Minor 1:29
Mahan Esfahani é um esplêndido e original cravista. Ele não se preocupa em ser o perfeitinho limpinho engomadinho, mas tem uma percepção musical toda própria. Às vezes parece atropelado ou atabalhoado. Em suas declarações públicas, e talvez um pouco mais moderadamente em suas apresentações reais, Esfahani declarou independência de qualquer aplicação puritana ou dogmática da prática histórica da performance. Nesta gravação, dedicada às duas obras-chave do Clavierübung II de Bach – o Concerto Italiano e a Abertura em Estilo Francês – ele explicita ainda mais essa independência, ampliando sobremaneira a capacidade dinâmica e expressiva do cravo. Seu instrumento particular foi feito em 2018 na oficina de Jukka Ollikka em Praga, uma peça de mão dupla com registros de 16 pés e 4 pés para cores extras, bem como uma placa de ressonância composta de fibra de carbono. Produz sonoridades de órgão, especialmente em seus alcances mais baixos, e Esfahani explora toda a sua variedade, incluindo algumas escolhas de registro curiosas e até excêntricas. A faixa dinâmica expandida do instrumento é particularmente bem-vinda nos contrastes solo-conjunto do Concerto italiano e é particularmente eficaz na ilusão de um instrumento de sopro solo do segundo movimento. As possibilidades coloridas expandidas são melhor ouvidas na ampla coleção de danças da Abertura, que explora uma gama de escolhas de registro eficazes. Mas Esfahani não está apenas exibindo um instrumento. Sua ornamentação e articulação são inventivas e envolventes, e enviarão os ouvintes atentos a suas memórias de outros executantes, enquanto o ouvido tenta descobrir exatamente o que ele está fazendo. Esfahani tem um toque nervoso e hiperatento, com figuras rítmicas afiadas e precisas. Pode ser exaustivo, mas o álbum é melhor ouvido trabalho por trabalho, e não como um todo. Mas certifique-se de reservar atenção especial para o Capriccio em si bemol ‘na partida de seu amado irmão’, um trabalho inicial e às vezes descartado como ingênuo e não do melhor Bach. Esfahani o leva a sério. A fuga final é a pièce de résistance, transformando a despedida em uma selvagem declaração de independência de tal forma que a própria gravação se torna não apenas uma coleção de obras de Bach, mas um manifesto do intérprete.
Johann Sebastian Bach (1685-1750): Concerto Italiano / Abertura Francesa / Duetos / Caprichos (Esfahani)
Ouvertüre nach Französischer Art ‘French Overture’ BWV831[33’44]
4 Ouverture[12’53]
5 Courante[2’06]
6 Gavotte I[1’15]
7 Gavotte II[1’13]
8 Gavotte I da capo[0’42]
9 Passepied I[1’02]
10 Passepied II[0’47]
11 Passepied I da capo[0’35]
12 Sarabande[3’55]
13 Bourrée I[1’07]
14 Bourrée II[1’23]
15 Bourrée I da capo[0’45]
16 Gigue[3’01]
17 Echo[3’00]
18 Duet in E minor BWV802[2’43]
19 Duet in F major BWV803[3’04]
20 Duet in G major BWV804[2’37]
21 Duet in A minor BWV805[2’38]
Capriccio in B flat major ‘on the departure of his beloved brother’ BWV992[10’09]
22 Ist eine Schmeichelung der Freunde, um denselben von seiner Reise abzuhalten: Arioso (Adagio)[2’08]
23 Ist eine Vorstellung unterschiedlicher Casuum, die ihm in der Fremde könnten vorfallen[1’23]
24 Ist ein allgemeines Lamento der Freunde: Adagissimo[2’26]
25 Allhier kommen die Freunde (weil sie doch sehen, dass es anders nicht sein kann) und nehmen Abschied[0’42]
26 Aria di postiglione: Allegro poco[1’03]
27 Fuga all’imitazione della cornetta di postiglione[2’27]
28 Capriccio in E major ‘in honorem Johann Christoph Bachii Ohrdrufiensis’ BWV993[6’07]
Com alguma justiça, convencionou-se dizer que a Orquestra Filarmônica de Berlim é a campeã das orquestras. Isso desde antes do polêmico Karajan, na verdade desde o século XIX, com Hans von Bülow, entrando no século XX com Nikisch, Furtwängler e outros. Depois de HvK, tivemos os nomes lendários de Abbado e Rattle, chegando a 2018 com Kirill Petrenko. O russo ainda tem poucas gravações, mas já demonstra que tem tudo para seguir a estirpe. Esta versão da Sinfonia Nº 8 de Shostakovich é maravilhosa, dando aquela impressão de não somente ser definitiva como de estarmos ouvindo uma orquestra segura e infalível numa obra cheia de dificuldades. Trata-se de uma performance vívida, respirando convicção em cada momento. Não é apenas o alcance emocional da música que é destacado, há muito caráter também, especialmente em alguns dos solos. Kirill Petrenko nos lembra que Shostakovich poderia evocar emoções cruas com a urgência e acuidade de Mahler ou Tchaikovsky. Afinal, a Oitava é quase um drama psicológico, não?
1 Shostakovich: Symphony No. 8 in C Minor, Op. 65: I. Adagio – Allegro non troppo 25:12
2 Shostakovich: Symphony No. 8 in C Minor, Op. 65: II. Allegretto 06:10
3 Shostakovich: Symphony No. 8 in C Minor, Op. 65: III. Allegro non troppo 06:00
4 Shostakovich: Symphony No. 8 in C Minor, Op. 65: IV. Largo 09:55
5 Shostakovich: Symphony No. 8 in C Minor, Op. 65: V. Allegretto 13:39