Nada excepcional. Não pedimos algo que chegue perto de um Rattle ou de um Bernstein ou de um Haitink, mas também não precisa ficar tão abaixo, né? Podemos combinar que esta é uma música de alto impacto? Pois é, parece que Santtu dá uma hesitada em ir com tudo nestes momentos. É estranho como a interpretação parece oscilar entre o prosaico e o exagerado. Basta observar a exposição do primeiro movimento: as páginas iniciais eletrizantes, ficaram carentes daquela tensão angustiante e arrebatadora. Em seguida, o segundo movimento demonstra qualidade, mas tenta, de forma autoconsciente, tocar as cordas de nossos corações como se fosse Hamnet. Uma coisa que Santtu faz bem e segue à risca são aqueles sprints impetuosos e vertiginosos que Mahler adora nos apresentar. Também atenta às pausas angustiantes, às súbitas inspirações, que pontuam momentos de grande drama. Por outro lado, ele estraga o clímax assustador do desenvolvimento, inserindo partes mais lentas que anulam o impacto de cair pesadamente naquela dissonância colossal e impiedosa. Rattle e Bernstein captam isso perfeitamente – a tática de choque que Mahler imaginou. OK, é uma boa Ressurreição, mas existem gravações superiores.
Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 2, “Ressurreição” (Philharmonia, Santtu-Matias Rouvali)
Symphony No. 2 In C Minor “Resurrection”
1-01 I Allegro Maestoso 21:55
2-01 II Andante Moderato 9:43
2-02 III In Ruhig Fließender Bewegung 9:19
2-03 IV “Urlicht” – Sehr Feierlich, Aber Schlicht 4:57
2-04 V(a) Im Tempo Des Scherzos 19:48
2-05 V(b) Langsam Misterioso ‘Aufersteh’n’ 6:04
2-06 V(c) Etwas Bewegter ‘O Glaube, Mein Herz’ 9:25
Conductor – Santtu-Matias Rouvali
Orchestra – Philharmonia Orchestra

PQP