Vítězslav Novák (1870-1949): Integral dos Quartetos de Cordas (Stamic Quartet)

Desde a metade do ano passado, comecei a ouvir muitos quartetos de cordas, sei lá o motivo. Foram se seguindo: um de Mendelssohn, depois um de Schubert, depois um de Ginastera, aí voltei a Schubert, depois Shostakovich e Gubaidulina… O fato é que apreciei aquelas obras, novas para mim, de compositores que eu já conhecia há bem mais tempo.

E no meio desse momento com os quartetos eu peguei para ouvir um disco recém-lançado de um compositor checo que me era absolutamente desconhecido: Novák. Tendo vivido bastante, os seus anos mais produtivos foram já depois do falecimento de Dvořák e Brahms, e a sua música é uma espécie de transição entre os momentos mais típicos de um romantismo centro-europeu desses dois (penso p.ex. nas Danças Húngaras de Brahms) e uma linguagem mais moderna próxima de Strauss ou Debussy.

No Quarteto nº 1 (1899), a inspiração folclórica já é marcante mas a forma geral é mais previsível, já no 2º Quarteto (1905), com apenas dois movimentos, uma improvável Fuga, mais rígida, é seguida por uma Fantasia livre e cheia de altos e baixos de emoções e de andamentos. Estreado em Berlim e em Praga à época, o quarteto é um documento do tipo de romantismo tardio em que as emoções se encadeiam com liberdade e sem os clichês da linguagem um tanto previsível de outras obras para violino da mesma época. Isso porque Novák usa um vocabulário melódico – se podemos falar assim – típico das cidades pequenas e áreas rurais da Morávia (sul da República Checa) e Eslováquia.

Se os dois primeiros quartetos, da virada do século representavam, em certa medida, aspectos que reapareceriam em uma linguagem mais vanguardista na música de Bartók, o 3º concerto (1928) já é uma obra tardia, após um período em que o compositor se dedicou a óperas de teor nacionalista durante e após a 1ª Guerra Mundial. Embora os três quartetos já tivessem sido gravados antes separadamente, essa gravação do Stamic Quartet lançada em 2025 foi a primeira integral a reunir os três.

Vítězslav Novák (1870-1949):
String Quartet No. 1 in G major / Op. 22 (1899) . . . . . . . . 28:58
1 I. Allegro moderato
2 II. Scherzo. Allegro comodo
3 III. Andante mesto – Allegro ben ritmico

String Quartet No. 2 in D major / Op. 35 (1905) . . . . . . . 27:13
4 I. Fuga. Largo misterioso
5 II. Fantasia. Allegro passionato, ma non troppo, presto – Quasi scherzo.
Allegretto moderato, ben ritmico

String Quartet No. 3 in G major / Op. 66 (1938) . . . . . . . 25:15
6 I. Allegro risoluto
7 II. Lento doloroso

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Josef Suk (compositor, pai do violinista homônimo), Vaclav Talich (maestro) e Vítězslav Novák (compositor)

Pleyel

1 comment / Add your comment below

  1. Obrigado, PQP!
    Vou ouvindo e aprendendo com você!
    Obrigado pelo disco, pelo roteiro esclarecedor, que ajuda através da criação desse ambiente histórico-cultural superlegal!
    Faltou você dizer que a gravura foi feita pela equipe de desenhistas da PQP Bach Incorporations (sim, porque essa empresa tão bem-sucedida teve ascendência europeia, tenho quase certeza)!
    Viva o PQP Bach!
    🙂

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