Este é um dos CDs que mais escuto entre todos os que disponho. E olhe que não é pouca coisa! Mas, há algo de especial nele – a música poderosa de Benjamin Britten. Acredito, sem rodeios, que Britten tenha sido o maior compositor inglês de todos os tempos. E olhem que gosto de Purcell, Elgar, Walton, Holst e Vaughan Williams. Mas Britten é imbatível. Sua música é arrebatadora. Consta que Britten ao nascer teria recebido o nome Benjamin por causa de um arroubo pretensioso da mãe. Ela julgava que o compositor seria “o quarto B” da história da música. Os primeiros foram: Bach, Beethoven e Brahms. Suas intenções eram excessivas. Mas não devemos olvidar as habilidades incomuns de Britten para compor. Sua obra é grandiosa. Separei três de suas óperas mais importantes – Peter Grimes, Morte em Veneza e Billy Bud – para postar. Acredito que isso se efetuará em algumas semanas – ou até o final do ano. Uma boa apreciação desse CD tão querido.
Benjamin Britten (1913-1976): Sinfonia da Requiem, Op. 20, Four Sea Interludes, Op. 33a, Passacaglia, Op. 33b e An American Overture
Sinfonia da Requiem, Op. 20
01. I. Lacrymosa
02. II. Dies Irae
03. III. Requiem Aeternam
Four Sea Interludes, Op. 33a
04. I. Dawn
05. II. Sunday Morning
06. III. Moonlight
07. IV. Storm
Passacaglia, Op. 33b
08. Passacaglia, Op. 33b
An American Overture
09. An American Overture
New Zealand Symphony Orchestra
Myer Fredman, regente
Não que vá mudar a vida de algum de vocês, mas devo começar esta curta pílula de curadoria dizendo que não amo incondicionalmente Vivaldi. Mas seria de uma desonestidade atroz dizer que não amei incondicionalmente este disco.
Ele ganhou como o melhor disco de música barroca de 2009 da respeitável revista Gramophone. Vocês querem que eu diga o que então? Que é ruim? Não é, é bom demais.
Vivaldi, tal como quase todo Mozart, tem aquele problema de ser alegre e feliz e demais quando eu preciso de uma boa dose de drama e sanguinolência, só que este CD traz um repertório tão original que fiquei surpreso. Não tinha ouvido ainda estes concertos escritos sob inspiração francesa, um vício da época. O título do CD é certamente uma brincadeira com o bom filme homônimo de 1971 que tinha Gene Hackman como ator principal e que foi chamado no Brasil de Operação França.
Disco obrigatório para os amantes do barroco.
O Padre Rosso (o Padre Vermelho, pois Vivaldi era ruivo) foi professor de violino num orfanato de moças chamado Ospedale della Pietà em Veneza e teve um conhecido caso com uma de suas alunas, Anna Giraud. Um orfanato de moças… Já imaginaram as possibilidades matemáticas disso? Dizem que ele teve relações com várias alunas. Eram meninas oriundas da Roda dos Expostos ou Roda dos Enjeitados que havia no Ospedale. Tais mecanismos ficavam nas fachadas de instituições religiosas, embutidas na parede, dando para a rua. Consistiam em mecanismos utilizados para abandonar os recém-nascidos indesejados, que assim ficavam ao cuidado da instituição. O mecanismo era uma caixa cilíndrica que girava sobre um eixo vertical com uma portinhola ou apenas uma abertura. Quem desejava abandonar um recém-nascido, colocava ali seu filho e girava o cilindro, dando meia volta. Desta forma, quem abandonava a criança não era visto por quem a recebia. As rodas também serviam para que pessoas piedosas oferecessem anonimamente alimentos e medicamentos a tais casas. As crianças eram normalmente filhas de pessoas pobres, para quem seria um peso receber mais uma boca para alimentar, ou filhas de mães solteiras, nobres ou burguesas, que não desejavam ver descoberta sua gravidez. Vivaldi pegava ou não pegava as menininhas? Mais um conto rodrigueano de a vida como ela é. Há que contrapor a isso a alegria e felicidade de suas obras. Pensem nisso durante a audição deste CD maravilhoso.
O pessoal da La Serenissima
Antonio Vivaldi (1678-1741): The French Connection
Concerto for strings & continuo in C major, RV 114
1 Allegro 2:41
2 Adagio 0:24
3 Ciacona 3:09
Bassoon Concerto, for bassoon, strings & continuo in F major, RV 488
4 Allegro non molto 3:11
5 Largo 2:57
6 Allegro 2:19
Violin Concerto, for violin, strings & continuo in C major (“La stravaganza” No. 7), Op. 4/7, RV 185
7 Largo 1:56
8 Allegro 2:13
9 Largo 1:32
10 Allegro 2:22
Flute Concerto, for flute, strings & continuo in G major, RV 438
11 Allegro 3:52
12 Andante 3:26
13 Allegro 3:25
Concerto for strings & continuo in G minor, RV 157
14 Allegro 2:14
15 Largo 1:38
16 Allegro 2:25
Bassoon Concerto, for bassoon, strings & continuo in C major (incomplete), RV 468
17 Allegro 2:35
18 Andante 1:44
Flute Concerto, for flute, strings & continuo in E minor, RV 432
19 Allegro 3:05
Chamber Concerto, for flute, violin, bassoon & continuo in F major, RV 100
20 Allegro 2:40
21 Largo 2:31
22 Allegro 2:39
Concerto for strings & continuo in C minor, RV 119
23 Allegro 2:47
24 Largo 1:33
25 Allegro 1:36
Violin Concerto, for violin, strings & continuo in D major, RV 211
26 Allegro non molto 6:03
27 Larghetto 3:52
28 Allegro 5:52
Katy Bircher (flute)
Peter Whelan (bassoon)
Adrian Chandler (violin, conductor)
La Serenissima
Foi casual a data desta postagem se dar próxima ao Dia de Finados. Mas o que interessa é a qualidade da música de Duarte Lôbo e o incrível trabalho do Tallis. De forma paradoxal, os renascentistas espanhóis e portugueses criaram uma música religiosa sutil e discreta, mas também muito envolvente, intensa e profunda. Essa música de Réquiem portuguesa renascentista tem muito disso. Quase tudo de concentra nos acordes bonitos. Há a polifonia, claro, mas a ideia parece ser a de criar uma série de acordes bonitos. E aqui eles são lindos. Claro que o Tallis Scholars é fantástico e capricha demais. O que torna essa música ainda mais impressionante é a rotatividade harmônica. As partes internas se movem mais rapidamente do que as externas, criando um contraste entre eternidade e tumulto secular. O som é absolutamente incrível. As linhas vocais fluem, caindo em acordes que podem ser poderosos, delicados, às vezes alegres. É esplêndido. Em nenhum lugar isso é mais evidente do que no Introitus e no Kyrie (faixas um e dois). Quando a gente acha que virá uma grande tristeza, as vozes caem em outro acorde que nos faz sorrir. A Missa Missa Vox Clamantis também é boa.
Duarte Lôbo (1565-1646): Réquiem a 6 Vozes & Missa Vox Clamantis (The Tallis Scholars, Philips)
Requiem For Six Voices (40:24) 1 Introitus 7:12
2 Kyrie 5:11
3 Graduale: Requiem Aeternam 4:18
4 Sequentia Pro Defunctis 5:15
5 Offertorium: Domine Iesu Christe 6:13
6 Sanctus & Benedictus 2:37
7 Agnus Dei I, II & III 2:33
8 Communio: Lux Aeterna 3:09
9 Responsorium Pro Defunctis: Memento Mei 3:55
Missa Vox Clamantis (25:24)
10 Kyrie 4:35
11 Gloria 5:10
12 Credo 7:57
13 Sanctus & Benedictus 4:10
14 Agnus Dei I & II 3:32
Alto Vocals – Adrian Hill, Michael Lees, Richard Wyn Roberts*, Robert Harre-Jones
Bass Vocals – Donald Greig, Francis Steele
Choir – The Tallis Scholars
Conductor – Peter Phillips
Soprano Vocals – Barbara Borden, Deborah Roberts, Ghislaine Morgan (tracks: 10 to 14), Tessa Bonner
Tenor Vocals – Angus Smith, Harvey Brough (tracks: 1 to 9), Paul Agnew (2) (tracks: 1 to 9), Rufus Müller
Dr. Cravinhos nos envia uma excelente versão do belíssimo Réquiem de Gabriel Fauré, sob responsabilidade de Philippe Herreweghe, acompanhada da reconstrução da “Messe des pêcheurs de Villerville” — outra obra de Fauré — realizada por André Messager. FDP postou recentemente o Réquiem, mas achei interessante postar outra obra análoga de Fauré. Fauré era um melodista algo melancólico, foi aluno de Saint-Saëns, o qual mostrou-lhe o caminho da verdade: Johann Sebastian Bach. É um compositor antiquado, que ouvia mas recusava Wagner. Viveu até 1924, mas sua música parece a do marido da Clara, Robert Schumann, outro refinado e melancólico melodista.
Faure escreveu este Requiem “simplesmente por prazer, não para qualquer evento”. Nele, Fauré reflete uma relação pessoal com a morte, “como uma libertação feliz”.
O registro de Herreweghe é absolutamente notável. Êta homem compreensivo (*)! Como parece ser uma gravação de 2001 [é de 1988, ver ressalva abaixo], é da atual fase ateia de Herreweghe. É como sempre digo, nada como um bom ateu para compreender (olha ele aí de novo!) as coisas da religiosidade…
(*) No sentido de que compreende a todos.
Gabriel Fauré (1845-1924): Messe de Requiem”, Op.48 / “Messe des pêcheurs de Villerville” (Herreweghe)
Gabriel Fauré (1845 – 1924) “Messe de REQUIEM” op.48, Version 1893 01 Fauré: Requiem, Op. 48 – 1. Introit & Kyrie
02 Fauré: Requiem, Op. 48 – 2. Offertory
03 Fauré: Requiem, Op. 48 – 3. Sanctus
04 Fauré: Requiem, Op. 48 – 4. Pie Jesu
05 Fauré: Requiem, Op. 48 – 5. Agnus Dei
06 Fauré: Requiem, Op. 48 – 6. Libera Me
07 Fauré: Requiem, Op. 48 – 7. In Paradisum
Gabriel Fauré & André Messager “Messe des pêcheurs de Villerville” 08 Fauré/Messager: Messe Des pêcheurs De Villerville – Kyrie
09 Fauré/Messager: Messe Des pêcheurs De Villerville – Gloria
10 Fauré/Messager: Messe Des pêcheurs De Villerville – Sanctus
11 Fauré/Messager: Messe Des pêcheurs De Villerville – O Salutaris
12 Fauré/Messager: Messe Des pêcheurs De Villerville – Agnus Dei
Agnès Mellon (soprano solo, faixa 4)
Peter Kooy (barítono solo, faixas 2 e 6)
Jean-Philippe Audoli (violino, faixa 11)
La Chapelle Royale
Les Petits Chanteurs de Saint-Louis
Ensemble Musique Oblique
Philippe Herreweghe (regente)
Um CD que não fica nada a dever aos grandes nomes que abordaram esta obra. A Canção da Terra não é uma peça para amadores. Ao contrário, é para orquestras e maestros de primeira categoria, o que não significa que o menos famoso Michael Halász faça dela a tremenda obra-prima que é. Comecemos pela gravação. Ela tem uma clareza que não pé frequentemente encontrada mesmo nas “gravações top” e é particularmente notável por colocar os cantores em correta relação com a orquestra. Todos tem presença sem sobreposições. Halász não é nada enfadonho: ele percebe a importância da grande obra, mas não se impõe a ela como tantos maestros de Mahler tendem a fazer. Da mesma forma, o ritmo é rápido — poucas leituras duram menos de uma hora –, evitando assim o sentimentalismo aberto e, ao mesmo tempo, permitindo que a obra-prima de Mahler fale por si. Os solistas vão na mesma linha. Donose é um achado, canta seus lieder com beleza atraente e leve. Thomas Harper demonstra, ao menos para mim, um equilíbrio certo entre lirismo e força.
A Canção da Terra (1908) é uma cantata sinfônica — ou uma fusão perfeita entre cantata e sinfonia — sobre textos de Li T’ai Po e outros poetas chineses, na tradução alemã de Hans Bethge. O melhor Mahler parece condensado nesta música que mistura o clássico com as predileções de Mahler pela música popular e folclórica. Sua permanente angústia religiosa e as dúvidas do intelectual se manifestam nesta música pessoalíssima e perfeita, que termina com uma comovente canção de despedida.
Gustav Mahler (1860-1911): Das Lied von der Erde (A Canção da Terra) (Halász, Donose, Harper, NSP of Ireland)
1 Das Trinklied vom Jammer der Erde 08:02
2 Der Einsame im Herbst 09:02
3 Von der Jugend 03:09
4 Von der Schonheit 06:36
5 Der Trunkene im Fruhling 04:26
6 Der Abschied 27:19
Conductor(s): Halász, Michael
Orchestra(s): Ireland National Symphony Orchestra
Artist(s): Ruxandra Donose, Thomas Harper
Nas últimas duas semanas, o número de postagens com música contemporânea tem sido considerável aqui no PQP Bach. Para não quebrar essa lógica, resolvi postar este Cd, pois ele é uma desafio para mim. É importante deveras ser surpreendido por desafios aparentemente inexpugnáveis. Parafraseando Nietzsche posso afirmar que há músicas que são admitidas com o tempo. Ouvi há quase um ano este cd e a impressão primeira não foi boa. Voltei a ouvi-lo ontem e eis que fui acometido por sensações misteriosas. Confesso que desde ontem estou aturdido com as músicas deste CD. É música profunda, cheia de desafios assustadores, quase que fantasmágoricos. O CD é a compilação da trilha sonora do filme Réquiem para um sonho, que ainda não assisti. Todavia, li algumas informações sobre a produção e tive a curiosidade despertada. Interessante é que tenho o filme. A trilha foi composta por Clint Mansell e pelo fantástico, prolífico, Kronos Quartet. Esteticamente, sinto-me grávido de impressões confusas, distantes, quando ouço esta música. Há música eletrônica, desvarios sonoros, paisagens cheias de efeitos e um cello que me transmite a ideia de um deserto desolado, afastado, silencioso, de sol amarelecido. É ouvir para conferir.
Clint Mansell (1963): Requiem for a Dream (Kronos Quartet & Clint Mansell)
Summer
1 Summer Overture 2:36
2 Party 0:28
3 Coney Island Dreaming 1:04
4 Party 0:36
5 Chocolate Charms 0:25
6 Ghosts Of Things To Come 1:33
7 Dreams 0:44
8 Tense 0:37
9 Dr. Pill 0:42
10 High On Life 0:11
11 Ghosts 1:21
12 Crimin’ & Dealin’ 1:44
13 Hope Overture 2:31
14 Tense 0:28
15 Bialy & Lox Conga 0:45
Fall
16 Cleaning Apartment 1:25
17 Ghosts-Falling 1:11
18 Dreams 1:02
19 Arnold 2:35
20 Marion Barfs 2:22
21 Supermarket Sweep 2:14
22 Dreams 0:32
23 Sara Goldfarb Has Left The Building 1:17
24 Bugs Got A Devilish Grin Conga 0:57
Winter
25 Winter Overture 0:19
26 Southern Hospitality 1:23
27 Fear 2:26
28 Full Tense 1:04
29 The Beginning Of The End 4:28
30 Ghosts Of A Future Lost 1:50
31 Meltdown 3:55
32 Lux Aeterna 3:54
33 Coney Island Low 2:13
Arranged By [Kronos Quartet Performances Arrangements By] – David Lang
Cello – Jennifer Culp
Featuring – Kronos Quartet
Programmed By [All Machines Programmed By] – Clint Mansell
Viola – Hank Dutt
Violin – David Harrington, John Sherba
Uma boa gravação destas belíssimas Sonatas de Brahms. Não se compara com a versão de Karl Leister, que é praticamente imbatível, mas mesmo assim é muito boa. Kovács comete uns errinhos e não tem aquela mágica de indiscutível de Leister. Mas… Como resistir a este repertório? Não há como, é grande, enorme música. Essas foram as últimas peças de câmara que Brahms escreveu antes de sua morte e são consideradas duas das grandes obras-primas do repertório de clarinete. Brahms também produziu uma transcrição frequentemente executada dessas obras para viola. Ora, para viola…
Johannes Brahms (1833-1897): As Sonatas para Clarinete (Kovács, Rados)
Sonata In F Minor, Op. 120, No. 1
1 I. Allegro Appassionato 7:33
2 II. Andante Un Poco Adagio 4:18
3 III. Allegretto Grazioso 4:05
4 IV. Vivace 5:00
Sonata In E-Flat, Op. 120, No. 2
5 I. Allegro Amabile 8:40
6 II. Allegro Appassionato 5:19
7 III. Andante Con Moto; Allegro 6:46
Charlie Haden (1937-2014) foi um grande gênio. Por mais de 50 anos, ele foi uma das figuras musicais mais importantes do jazz e do planeta. Uma das primeiras vezes onde ele apareceu foi como o garoto branco e magro do lado direito da fotografia da capa de This Is Our Music, de Ornette Coleman, um disco de, entre outras coisas, orgulho da raça negra… Provavelmente é a foto mais legal de um grupo de músicos já tirada. Certamente ele foi aceito porque era apenas o mais perfeito dos baixistas. Eu adoro seu som no contrabaixo, que é sombrio sem ser pesado, adoro a grande economia que às vezes dá lugar a solos dedilhados sombrios, e a maneira como ele parece ser capaz de seguir as improvisações de Ornette e Don Cherry tão de perto, apesar da ausência de diretrizes. Mas o principal é o peso emocional que ele transmite em cada nota que toca e em qualquer banda que liderasse ou com quem se apresentasse. Como todo grande jazzista, Haden tocou com centenas de grupos e formações. Fez algo que apenas outra baixista, o xará Charlie Mingus, conseguiu: criou música fortemente política. Há os cinco álbuns da Liberation Music Orchestra, quatro feitos em estúdio e um ao vivo, documentos essenciais que refletem as lutas de libertação e históricas de sua contemporaneidade na Espanha, na América Central e do Sul, na África do Sul, em Portugal e suas colônias Moçambique, Angola e Guiné, e em outros lugares. Aqui estão as canções e hinos da Brigada Internacional, dos Sandinistas, do MPLA: essa era uma música que importava, pois, para além do jazz, sua atenção fixava-se no cenário maior das coisas. Foi uma atitude que fez com que Haden fosse preso pela polícia secreta portuguesa durante uma turnê com Coleman em 1971.
Claro, sou fã do trabalho de Charlie Haden com Ornette Coleman e a Liberation Music Orchestra há anos, sem mencionar seus inúmeros trabalhos com Keith Jarrett, Pat Metheny e tantos outros. Mas eu realmente não tinha ouvido seu Quartet West, provavelmente porque a maioria das críticas que eu tinha lido se concentrava nas qualidades nostálgicas dos anos 40/50. Era um grupo — surpreendente para Haden — à moda antiga. Mas também é um álbum de jazz, com melodias sofisticadas e envolventes, trabalhos solos expressivos e altamente inventivos, uma abordagem tradicional que reconhece como o jazz soava. Este é um bom CD para ter quando você pega um romance de Raymond Chandler.
Charlie Haden: The Best of Quartet West
1 Hello My Lovely 6:47
2 Body And Soul
Drums – Billy Higgins
Written-By – Heyman*, Green*, Sour*
6:19
3 First Song (For Ruth) 6:57
4 Our Spanish Love Song 6:07
5 Always Say Goodbye 6:38
6 Où Es-Tu, Mon Amour ? (Where Are You, My Love?)
Bass [Sampled From “où Es-tu, Mon Amour ?”, January / February, 1949] – Carlo Pecori
Drums [Sampled From “où Es-tu, Mon Amour ?”, January / February, 1949] – Aurelio De Carolis
Guitar [Sampled From “où Es-tu, Mon Amour ?”, January / February, 1949] – Django Reinhardt
Piano [Sampled From “où Es-tu, Mon Amour ?”, January / February, 1949] – Gianni Safred
Violin – Stéphane Grappelli
Violin [Sampled From “où Es-tu, Mon Amour ?”, January / February, 1949] – Stéphane Grappelli
Written-By – Emil Stern, Henry Lemarchand*
6:47
7 Here’s Looking At You
Arranged By [Orchestra], Conductor [Orchestra] – Alan Broadbent
6:11
8 Alone Together
Performer [Sampled From”alone Together”, November, 1944] – Paul Weston And His Orchestra
Vocals [Sampled From”alone Together”, November, 1944] – Jo Stafford
Written-By – Arthur Schwartz – Howard Dietz*
5:21
9 The Left Hand Of God
Arranged By [Orchestra], Conductor [Orchestra] – Alan Broadbent
Written-By – Victor Young
7:48
10 Lonely Town
Arranged By [Orchestra], Conductor [Orchestra] – Alan Broadbent
Violin, Soloist – Murray Adler
Vocals – Shirley Horn
Written-By – Betty Comden – Adolf Green*, Leonard Bernstein
5:25
Quando me perguntam de quais compositores eu mais gosto, sempre respondo:
– Gosto de uns duzentos.
Porém, um dia, sonhei que me amarraram numa árvore e um implacável algoz me açoitou até que eu dissesse o nome de meus três preferidos.
– Bach, Brahms e Bartók. Mas prefiro morrer a ficar sem os últimos quartetos e sonatas de Beethoven…
E o chicote voltou a explodir sobre minhas costas.
– Diga um que não comece pela letra “B”, seu imbecil!
– Um quarto?
– O quarto você já disse, animal. Ou não ouvi o nome de Beethoven? — e mais uma terrível chicotada. Pobre de mim.
– Está bem. Escolho Shostakovich ou Mahler.
Meu algoz deu a volta na árvore, olhou bem dentro de meus olhos e questionou asperamente:
– Por que não disseste Mozart? E por que haveria dois socialistas na tua lista?
– Não sei. Talvez porque Mozart em excesso me cause enjôo.
– Enjoo???
Neste momento meu algoz caiu desfalecido, vítima de um mal súbito, e eu acordei. Ele era um homem sensível.
Meu sonho serve para que nossos quatorze leitores saibam o respeito que este bastardo bachiano guarda pelo húngaro Bartók e o motivo de sua pressa nessa repostagem. (Pois o antigo link foi para o espaço.)
Não lembro de gravação melhor do que esta para o Concerto para Orquestra. É uma coisa de louco, maravilhosa mesmo.
Béla Bartók (1881-1945): Cantata Profana / Concerto para Orquestra (Réti, Faragó, Ferencsik)
1. Cantata Profana, BB 100, “A kilenc csodaszarvas” (The 9 Enchanted Stags) (19min35)
Jozsef Reti, tenor
Andras Farago, baritone
Janos Ferencsik, conductor
Coro: Budapest Chorus
Budapest Symphony Orchestra
Concerto para Orquestra, BB 123
2. I. Introduzione (9min53)
3. II. Giuoco delle coppie (6min33)
4. III. Elegia (7min02)
5. IV. Intermezzo interrotto (3min49)
6. V. Finale (9min36)
Janos Ferencsik, Conductor
Hungarian State Orchestra
Este Uptown Ruler não está entre os melhores discos de Wynton Marsalis mas vocês sabem que sempre vale a pena ouvir a sonoridade dos grandes grupos que Wynton sempre reúne. Este quinteto é maravilhoso. É, aliás, o mesmo caso do disco que o que eu publiquei ontem — um repertório não muito bom, mas executado maravilhosamente. A série “Soul Gestures in Southern Blue”, da qual este é o Vol.2, tem sido vista como o patinho feio da discografia do trompetista. Não deixe de conferir os solos, apesar dos temas e das soluções nada substanciais. Mas é apenas a minha opinião. Provavelmente ele mereça ser explorado por melhores ouvidos.
Wynton Marsalis: Uptown Ruler
Psalm 26 1:26
Uptown Ruler 11:10
The Truth Is Spoken Here 6:50
The Burglar 8:37
Prayer 6:27
Harmonique 4:53
Down Home With Homey 11:55
Psalm 26 1:36
“Música de Câmara Alemã antes de Bach”. Pois é. Este é um disco que não chega a provocar muitas emoções. Roberto Carlos diria: “são poucas emoções”. Enfim, o barroco camarístico pré-Bach não é tão interessante nem tão emocionante quanto o que aconteceu depois. Não obstante, o Musica Antiqua de Köln mantém o alto nível de sempre. Então o disco não chega a ser chato ou desagradável de se ouvir dado o alto nível técnico dos executantes, mas o repertório não é o melhor que temos divulgado em nosso excelso blog. É um disco para tarados pelo barroco. Ou seja, é um disco para mim e o que mais me interessa aqui é a versão realmente magnífica e historicamente informada do célebre Cânon de Pachelbel. Este é, para mim, o ponto alto do disco de resto. Uma bela tarde para todos.
Reincken / Buxtehude / Rosenmüller / Westhoff / Pachelbel: Deutsche Kammermusik Vor Bach (Musica Antiqua Köln, Reinhard Goebel)
Johann Rosenmüller: Sonata E-Moll (9:52)
11 Sonata E-Moll 9:52
Johann Paul Von Westhoff: Sonata – La Guerra – A-Dur (12:22)
12 Adagio Con Una Dolce Maniera – Allegro 3:06
13 Tremulo Adagio 0:54
14 Allegro Ovvero Un Poco Presto 0:44
15 Adagio 1:01
16 Aria (Adagio Assai) 2:20
17 La Guerra Cosi Nominata Di Sua Maesta 0:41
18 Aria (Tutto Adagio) 2:04
19 Vivace 0:16
20 Gigue 1:16
A versão original das Danças Húngaras é a que consta neste excelente disco onde os irmãos belgas Steven e Stijn Kolacny as interpretam. Claro que, sem a versão orquestral, elas jamais teriam ficado tão famosas, mas ouça-as assim para ver como ficam muito melhores! Os irmãos Kolacny tocam a quatro mãos desde muito jovens e seu entendimento é perfeito. Um belíssimo disco.
J. Brahms (1833-1897): Danças Húngaras em versão para piano a mãos (Steven & Stijn Kolacny)
1. Allegro molto
2. Allegro non assai – vivo
3. Allegretto – vivace
4. Poco sostenuto – vivace – molto allegro
5. Allegro – vivace
6. Vivace – molto sustenuto
7. Allegretto
8. Presto
9. Allegro non troppo – poco sostenuto
10. Presto
11. Poco andante
12. Presto – poco meno presto
13. Andantino grazioso – vivace
14. un poco andante
15. Allegretto grazioso
16. Con moto – presto – poco meno presto
17. Andantino – vivace non troppo – meno presto
18. Molto vivace
19. Allegretto – piu presto
20. Poco allegretto – vivace
21. Vivace – piu presto
Puxa, e como é bom poder postar novamente! Estava tão envolvido com o meu trabalho de final de curso que nem lembro mais minha última contribuição.
O que venho oferecer aos caros leitores, é algo que deveria ter sido feito há algum tempo atrás… Inspirado pela postagem do mano CVL, das Danças Eslavas de Dvorák, trago-lhes essas pequenas bagatelas orquestrais. Acho até que demorei a postá-las, já que, normalmente, postamos aquilo que estamos ouvindo; e as Danças Húngaras, principalmente essas versões orquestrais, sempre estão presentes nas, já famosas, listas de músicas que costumo ouvir enquanto dirijo.
As Danças Húngaras são um conjunto de 21 danças folclóricas bem animadas em geral, baseadas, sobretudo em temas húngaros. Somente as de números 11, 14 e 16 são composições totalmente originais. A de número 5 é baseada na czárda “Bartfai emlek” de Béla Kéler, que Brahms, equivocadamente, pensou tratar-se de uma música folclórica tradicional húngara.
Brahms as escreveu originalmente para dois pianos, mais tarde arranjaria as 10 primeiras para piano solo e logo depois orquestraria somente as de número 1, 3 e 10. Outros compositores, incluindo Dvorák, orquestraram as outras danças. Johan Andreas Hallén a de número 2, Paul Juon a número 4, Martin Schmeling a sequência de 5 a 7, Hans Gál as de números 8 e 9, Albert Parlow a sequência de 11 a 16 e Dvorák orquestrou os números restantes. A mais famosa é a de número 5, em Fá Sustenido Menor (Sol Menor na versão orquestral).
.oOo.
Brahms: Danças Húngaras (Versão Orquestral)
01. Hungarian Dance No.01 in G minor – Allegro molto (2:55)
02. Hungarian Dance No.02 in D minor – Allegro non assai – Vivace(2:38)
03. Hungarian Dance No.03 in F major – Allegretto (2:19)
04. Hungarian Dance No.04 in F sharp minor – Poco sostenuto – Vivace (4:09)
05. Hungarian Dance No.05 in G minor – Allegro – Viivace (2:18)
06. Hungarian Dance No.06 in D major – Vivace (3:06)
07. Hungarian Dance No.07 in F major – Allegretto – Vivo (1:38)
08. Hungarian Dance No.08 in A minor – Presto (2:49)
09. Hungarian Dance No.09 in E minor – Allegro ma non troppo (1:39)
10. Hungarian Dance No.10 in F major – Presto (1:38)
11. Hungarian Dance No.11 in D minor – Poco andante (2:28)
12. Hungarian Dance No.12 in D minor – Presto (2:18)
13. Hungarian Dance No.13 in D major – Andantino grazioso – Vivace (1:38)
14. Hungarian Dance No.14 in D minor – Un poco andante (1:35)
15. Hungarian Dance No.15 in B flat major – Allegretto grazioso (2:43)
16. Hungarian Dance No.16 in F major – Con moto (2:20)
17. Hungarian Dance No.17 in F sharp minor – Andantino – Vivace (2:48)
18. Hungarian Dance No.18 in D major – Molto vivace (1:27)
19. Hungarian Dance No.19 in B minor – Allegretto (1:59)
20. Hungarian Dance No.20 in E minor – Poco allegretto – Vivace (2:25)
21. Hungarian Dance No.21 in E minor – Vivace (1:17)
Este é um disco que eu recolhi lá do fundo da minha coleção. Nem lembrava mais dele, mas, ao colocá-lo para rodar, revelou-se bom. A eslovaca Sylvia Čápová-Vizváry é muito competente e estas famosas Sonatas de Ludovico são indiscutíveis. Sylvia tem poesia, paixão, drama e bravura, tudo o que queremos nesse repertório. Aposto que vocês não sabem o que é uma Sonata. Na origem do termo, Sonata (do latim sonare) era a música feita para soar, ou seja, a música instrumental − em oposição à cantata, a música cantada. Sonata / Cantata, OK? Depois, tornou-se um tipo de composição musical para um único instrumento ou para pequeno conjunto. Normalmente, a sonata é dividida em três partes. No Barroco, as sonatas eram compostas principalmente para solistas acompanhados de baixo contínuo, que era o cravo com a mão esquerda, às vezes reforçada por uma viola da gamba. Agora, vocês bem o que é gamba? Não é uma variedade de gambá. E não tem nada a ver com o gambito da rainha, acho. Pesquisem, eu não sei jogar xadrez.
Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano — Appassionata • Sturm • Les Adieux (Sylvia Čápová)
Sonate F-Moll Op. 57 “Appassionata” / In F-Minor Op. 57
1 Allegro Assai 10:17
2 Andante Con Moto 6:10
3 Allegro Ma Non Troppo 8:13
Obs: quando postei este CD pela primeira vez, em 2008, Carter estava vivo.
Se não podemos garantir a imortalidade da obra de Elliott Carter, podemos afirmar que ele não morre. No dia 11 de dezembro, Carter completará 100 anos. Como cada dia dele é uma nova aventura, decidi postar este CD ainda em vida do compositor. Basta de postagens póstumas! Este decano dos compositores foi aluno de Walter Piston e de Gustav Holst e, em Paris, de Nadia Boulanger. Influenciado por Stravinsky e Hindemith, tornou-se inicialmente neoclássico. A partir dos anos cinquenta, abraçou uma moderada atonalidade cuja complexa rítmica o levou a inventar o termo modulação métrica, a fim de poder descrever com exatidão as frequentes mudanças de andamento de suas obras. Carter vem de outro tempo. MESMO.
A declaração que vem no libreto do CD é típica da Segunda Escola de Viena: Decidi escrever apenas o que me interessava, o que demonstrava os conceitos e sentimentos que tenho em mim, sem nenhuma consideração a um suposto público.
Suposto público? Bem, ao menos ele decidiu mostrar-nos o que faz e o curioso é que seus conceitos particulares na verdade querem dizer que ele manda a crítica às favas e são semelhantes aos de alguns de seus colegas, como Edgar Varèse. Música complicada e densa, gosto bastante de seu Concerto para Orquestra, onde quatro grupos orquestrais de mesma importância interrompem ou ao outro. Parece mais um jogo, principalmente após ouvirmos o dramático Concerto para Piano, um verdadeiro conflito entre piano e orquestra. Nesta peça, há sete músicos que cercam o solista e que devem fazer a intermediação entre este e a orquestra. É um concerto de grande intensidade e complexidade.
As Three Occasions formam uma peça menor.
Um filé para quem gosta de música moderna. Uma tortura para a maioria. Eu gosto bastante.
Elliott Carter (1908-2012): Orchestral Works (SWR Symph Orch, Gielen, Oppens)
Concerto For Piano And Orchestra (1964-1965)
1 I. 10:01
2 II. 12:30
3 Concerto For Orchestra (1969) 22:23
Three Occasions For Orchestra (1986-1989)
4 A Celebration Of 100 x 150 Notes 3:32
5 Remembrance 6:31
6 Anniversary 6:57
Conductor – Michael Gielen
Orchestra – SWR Symphony Orchestra*
Piano – Ursula Oppens (tracks: 1, 2)
O ballet-pantomima O Mandarim Miraculoso narra uma curiosa história. Sons precipitados e tumultuados de rua apresentam três vagabundos que coagindo uma jovem mulher a fazer o papel de prostituta a fim de atrair homens a seu quarto para que eles pudessem roubá-los. (O chamado sedutor é soado três vezes pelo clarinete.) Primeiro, a jovem atrai a atenção de um senhor de idade. Mas seu interesse por ela é subitamente interrompido quando os três cúmplices o escorraçam porque ele não tem dinheiro. O chamado sedutor soa de novo, desta vez alcançando um jovem tímido. A jovem se sente atraída por ele e os dois dançam. Mas quando descobrem que ele também tem pouco dinheiro, é igualmente posto para fora.
O terceiro chamado traz à cena o macabro Mandarim. Os olhos traem-lhe os desejos. A jovem começa a dançar para ele- uma valsa que lentamente começa a se delinear – excitando-o ainda mais. No clímax da dança ela se lança a seus joelhos. Apaixonadamente, ele a abraça. A jovem, aterrorizada, foge dele quando um forte toque de trombone anuncia frenética perseguição em ostinado. O Mandarim a persegue e, quando alcança a mulher, os três delinquentes saltam de seu esconderijo e tentam asfixiá-lo sob uma pilha de almofadas. Mas o mandarim consegue se reerguer e com os olhos fixos ainda mais apaixonadamente sobre a jovem. Os homens o atravessam com uma espada enferrujada, mas o Mandarim não sangra. Enforcam-no num candelabra mas ele não morre. Finalmente, sua cabeça é decepada e a jovem, chorando toma-o nos braços. Só então começam a ferir as feridas do Mandarim e ele consegue morrer.
O Concerto para Orquestra não tem programa e faz parte da triste história da emigração de Bartók para os EUA. Não vou falar da luta contra a pobreza nem da falta de saúde. Vamos tentar falar da parte boa: apesar dos temores quanto ao futuro, da leucemia que acabaria por matá-lo e de suas preocupações com a humanidade, ele contava com amigos influentes. Benny Goodman encomendara Contrastes e, com outros amigos, aconselhara Koussevitsky a encomendar o Concerto para Orquestra. A encomenda tinha que ser feita com discrição para evitar qualquer sugestão de caridade que feriria o orgulho de Bartók. Mesmo assim, Koussevitsky teve dificuldade em persuadir o compositor enfermo a aceitar um adiantamento. O húngaro, um socialista cujo molde perdeu-se, não tinha mesmo o traquejo social de Stravinsky, cujo indiscutível talento como compositor aliava-se notável desejo de tornar-se um socialite, coisa que conseguiu ao final da vida. Anyway…
O Concerto para Orquestra não demonstra grande tristeza. É uma obra onde a orquestra literalmente ri no quarto movimento e há a brincadeira do segundo movimento com os instrumentos entrando em duplas – Gioco delle copie. Se o terceiro movimento é uma “Canção da Morte”, o quarto é alegre e o quinto é uma belíssima afirmação de vida.
A gravação de Simon Rattle com a CBSO é uma comprovação de que ele só foi para Berlim por cargo, salário e visibilidade. Não o critico por isso, mas vejam como era fantástica sua orquestra em Birmingham!
Béla Bartók (1881-1945): O Mandarim Miraculoso e Concerto para Orquestra (Rattle)
O Mandarim Miraculoso
1 The Miraculous Mandarin, Op 19 (Sz 73): The Beginning, the Curtain Rises 3:11
2 The Miraculous Mandarin, Op 19 (Sz 73): First Seduction Game 3:44
3 The Miraculous Mandarin, Op 19 (Sz 73): Second Seduction Game 3:16
4 The Miraculous Mandarin, Op 19 (Sz 73): Third Seduction Game, the Mandarin Enters 4:14
5 The Miraculous Mandarin, Op 19 (Sz 73): Dance of the Girl 4:18
6 The Miraculous Mandarin, Op 19 (Sz 73): The Chase, the Tramps Leap Out 4:26
7 The Miraculous Mandarin, Op 19 (Sz 73): Suddenly the Mandarin’s Head Appears, They Drag the Mandarin to the Centre of the Floor 6:25
8 The Miraculous Mandarin, Op 19 (Sz 73): The Mandarin Falls to the Floor 2:11
Concerto para Orquestra
9 Concerto for Orchestra (Sz 116): Introduzione (Andante non troppo – Allegro vivace) 10:15
10 Concerto for Orchestra (Sz 116): Giuoco delle coppie (Allegretto scherzando) 6:38
11 Concerto for Orchestra (Sz 116): Elegia (Andante non troppo) 7:23
12 Concerto for Orchestra (Sz 116): Intermezzo interrotto (Allegretto) 4:27
13 Concerto for Orchestra (Sz 116): Finale (Pesante – Presto) 9:52
City of Birmingham Symphony Orchestra
Simon Rattle
Depois de ouvir muitas gravações apenas OK, algumas de “grandes nomes”, entendi tudo ao ouvir Lutz Kirchhof. Ou seja, escutei as Suítes para Alaúde de Bach por um longo tempo, porém foi só quando me deparei com esta gravação que percebi como uma suíte para alaúde realmente é. Você também ficará maravilhado com a técnica fenomenal de Kirchhof e se perguntará como ele conseguiu. Os movimentos rápidos são estimulantes e os lentos beiram a experiência religiosa. Música de alaúde de Bach, música íntima, sem acompanhamento. Não tem nada melhor do que isso.
Johann Sebastian Bach (1685-1750): A Obra Completa para Alaúde (Lutz Kirchhoff)
Suite In G Minor, BWV 995
1. Prelude 5:05
2. Allemande 4:50
3. Courante 2:01
4. Sarabande 2:22
5. Gavotte I / 6. Gavotte II en Rondeau/Gavotte I 4:30
7. Gigue 2:19
Fugue in G Minor, BWV 1000 5:50
Suite In E Minor, BWV 996
1. Praeludio: Passaggio — Presto 2:31
2. Allemande 2:32
3. Courante 3:12
4. Sarabande 3:20
5. Bourrée 1:34
6. Gigue 3:07
Prelude, Fugue and Allegro in E Flat Major, BWV 998
1. Prelude 2:24
2. Fuga 6:15
3. Allegro 3:50
Partita In C Minor, BWV 997
1. Prelude 3:24
2. Fuga 7:26
3. Sarabande 5:20
4. Gigue 3:05
5. Double 3:15
Prelude In C Minor, BWV 999 1:52
Suite In E Major, BWV 1006a
1. Prelude 5:01
2. Loure 3:33
3. Gavotte En Rondeau 3:27
4. Menuet I 2:04
5. Menuet II 2:08
6. Bourrée 2:11
7. Gigue 2:03
Gente, este disco antiguinho tinha que ser postado. Sim, ele é à moda antiga, mas com muita competência e sensibilidade, Rilling e sua excelente turminha apresentam aqui ao menos duas das melhores Cantatas de Bach, a BWV 137 e a 78. A primeira ária de ambas — faixas 2 e 12 — já bastariam pela elevar este CD ao Olimpo. Tudo funciona maravilhosamente e, como diz a imagem que acompanha este post, serve para fazer de você um sujeito mais feliz, mesmo com a fumaceira e a devastação que o agro preparou pra nós. (Escrevo este post em 12 de setembro de 2024. Vou agendá-lo e talvez ele chegue para vocês depois do fim do Brasil.)
J. S. Bach (1685-1750): Cantatas BWV 137, 129 e 78 (Rilling)
Ligeti é um dos meus compositores favoritos, assim como Bartók. Este disco é excelente. Como uma compilação de três excelentes obras importantes de Ligeti (o concerto para violoncelo é ótimo; os concertos para piano e violino são obras-primas), é uma excelente introdução ao mundo único e vanguardista de Ligeti. Por causa das excelentes performances (Pierre Boulez conduzindo seu Ensemble Intercontemporain, com virtuoses nos instrumentos solo apresentados), este disco deveria ser conhecido por todos os amantes de Ligeti. As orquestrações do húngaro parecem concebidas de forma sobrenatural. O Concerto para Piano é um turbilhão de fantasias ritmicamente conduzidas, de pulsos quase mecânicos, colidindo, e melodias distorcidas e alegres. O Concerto para Violino é peculiar e chocante, selvagem e apaixonado. Todas as composições do disco demonstram um uso incrivelmente eficaz do virtuosismo a serviço absoluto da visão artística.
György Ligeti (1923-2006): Concertos para Piano, Violoncelo e Violino (Boulez, Queyras, Gawriloff, Aimard, Ensemble InterContemporain)
Concerto For Piano And Orchestra (Piano – Pierre-Laurent Aimard)
1 1. Vivace Molto Ritmico E Preciso – Attacca Subito: 3:55
2 2. Lento E Deserto 7:01
3 3. Vivace Cantabile 4:23
4 4. Allegro Risoluto, Molto Ritmico – Attacca Subito: 4:48
5 5. Presto Luminoso: Fluido, Costante, Sempre Molto Ritmico 3:15
Concerto For Violoncello And Orchestra (Violoncello – Jean-Guihen Queyras)
6 1. ♩= 40 – Attacca: 6:54
7 2. (Lo Stesso Tempo) ♩= 40 8:14
Concerto For Violin And Orchestra (Violin – Saschko Gawriloff)
8 1. Praeludium: Vivacissimo Luminoso – Attacca: 4:18
9 2. Aria Hoquetus, Choral: Andante Con Moto – Attacca: 8:15
10 3. Intermezzo / Presto Fluido 2:44
11 4. Passacaglia: Lento Intenso 5:55
12 5. Appassionato: Agitato Molto 7:13
Composed By – György Ligeti
Conductor – Pierre Boulez
Ensemble – Ensemble InterContemporain
Os historicamente informados venceram e o sinal está fechado para nossos pais. Vindo da obscura gravadora Astree Auvidis, o CD que ora lhes apresento é superior ao de nossa última postagem. Sim, aquele era da Philips, tão cheirando a brilho e a cobre, etc., mas inferior. Fazer o quê? Acontece que este aqui é um registro com instrumentos originais e este que vos escreve se acostumou com a sonoridade dos instrumentos de época. Pode parecer que estou brincado, mas não é nada disso. A gente se acostuma ao que é bom e depois vá voltar àquele som sem transparência, vá. Belo disco. Confiram!
Antonio Vivaldi (1678-1741): 7 Concertos para Oboé, Fagote e Cordas (Bernardini, Borras)
Concerto Pour Hautbois En Fa Majeur RV 455
1 Allegro 3:37
2 Largo 2:28
3 Allegro 2:31
Concerto Pour Basson, Cordes Et Basse Continue En La Mineur RV 498
4 Allegro 4:07
5 Larghetto 3:17
6 Allegro 2:31
Concerto Pour Hautbois, Cordes Et Basse Continue En Ré Majeur RV 453
7 Allegro 3:33
8 Largo 1:58
9 Allegro 2:57
Concerto Pour Hautbois, Basson, Cordes Et Basse Continue En Sol Majeur RV 545
10 Andante Molto 3:45
11 Largo 2:42
12 Allegro Molto 3:02
Concerto Pour Basson, Cordes Et Basse Continue
13 Allegro 3:45
14 Largo 3:39
15 Allegro 3:30
Concerto Pour Hautbois, Cordes Et Basse Continue En La Mineur RV 463
16 Allegro 3:27
17 Largo 3:27
18 Allegro 2:53
Concerto Pour Basson, Cordes Et Basse Continue En Fa Majeur RV 488
19 Allegro Non Molto 3:08
20 Largo 3:13
21 Allegro 2:05
Alfredo Bernardini, oboe & dir.
Josep Borras, basson
L’Armonia et l’Inventione
Serei culpado de heresia, mas falemos sério. Esse CD, quando comparado com as gravações historicamente informadas, é inferior. Não é que seja ruim, longe disso, é que a transparência dos instrumentos originais é imbatível. Eu tenho este disco em vinil — o Ranulfus e o FDP devem ter também. Holliger em seu auge e o I Musici no mesmo nível, mas, para ouvidos atualizados, apesar do notável equilíbrio obtido pelo excelente Holliger e do perfeito senso de estilo, não funciona mais. O próximo CD que vou postar é também de Concertos de Vivaldi para Oboé — outro repertório — e é melhor. Aguardem!
Antonio Vivaldi (1678-1741): 5 Concertos para oboé e um para oboé e fagote (Holliger, Thunemann, I Musici)
Concerto RV 452 In C For Oboe, Strings And Continuo (6:17)
A1 Allegro
A2 Adagio
A3 Allegro
Concerto RV 454 In D minor For Oboe, Strings, And Continuo (8:11)
A4 Allegro
A5 Largo
A6 Allegro
Concerto RV 545 In G For Oboe, Bassoon, Strings, And Continuo (9:56)
B1 Andante Molto
B2 Largo
B3 Allegro Molto
Concerto RV 446 In C For Oboe, Strings, And Continuo (8:38)
B4 Allegro
B5 Adagio
B6 Allegro
Bassoon – Klaus Thunemann (tracks: B1 to B3)
Composed By – Antonio Vivaldi
Oboe – Heinz Holliger
Orchestra – I Musici
Painting – Antonio Canaletto*
A maioria de vocês talvez não conheça o Ensemble Renaissance, mas posso começar dizendo que ele foi o primeiro conjunto a dedicar-se à música antiga (pré-barroca) no Sul da Europa, em 1968. Os caras são de Belgrado. Os fundadores do Ensemble são Ristic Miomir, Dimitrijevic Ljubomir, Dragan Mladjenovic, Dusica Obradovic e Iskra Uzelac e deram seu primeiro concerto em 1970 em Belgrado. Hoje, já são mais de 3000 concertos em toda a Europa e eu concordo com o entusiasmo dos críticos pelo grupo. Este CD, por exemplo, é notável. Você pode não ouvir ainda aqui a alegria da música atual da Sérvia nem da Bósnia, mas toda a influência cigana já estava entranhada bem ali, ao lado da atual Itália. Curioso.
Roots of the Balkan: Music & Songs from Old Serbia (Ensemble Renaissance)
Eastern Serbia • Istočna Srbija
1 Igra I Pesma »Sitan Biber« (Svadbarska) 2:40
2 Noćna Putnička Melodija 2:55
3 Putnička Pesma »Visoko Drvo, Lad Nema« 3:44
4 Tri Igre: Ostroljanka, Polomka, Cigančica 3:53
Songs From Kossovo And Metochia
5 »Marijo, Deli, Bela Kumrijo« 3:19
6 »Crna Zemljo, Sestro« 3:16
7 »Oj, Jabuko, Zeleniko« 3:56
8 »Izvor Voda Izviraše« 2:22
9 »Soko Bira, Gde Će Naći Mira« 2:58
10 »Oj, Mori Vrbo, Zelena« 2:24
11 »Svu Noć Mi Sanak Ne Dodje« 5:01
12 »Kiša Pada, Trava Raste« 2:08
13 »Gusta Mi Magla Padnala« 2:22
Central Serbia • Centralna Srbija
14 Četiri Igre: Stara Šetnja, Zavrzlama, Šiljčići, Poljanka 4:13
15 Tri Igre: Cigančica, Stara Vranjanka, Zavrzlama 2:46
16 Dve Igre: Gajdica, Šareno Oro 2:30
17 Sedam Igara Iz Levča: Prolomka, Sekuričanka, Sitniš, Ostroljanka, Resavka, Šarićevo Kolo, Poljanka 6:34
South Serbia • Južna Srbija
18 Pesma »Sadila Moma Lojze« 3:12
19 Kasapsko Kolo 2:47
20 Skomraška Igra 2:15
21 Devojačko Kolo 2:31
O horror, o horror… Para nostálgicos — detesto-os! — que negam-se a reciclar as versões que ouviram no passado: exato, a gravação de Richter. Meu colega Ciço Villa-Lobos me presenteou com a gravação através da qual tomei meu primeiro contato com O Messias, lá no começo dos anos 70. Karl Richter era a maior das maravilhas. Esta gravação e a da Missa em Si Menor de Bach que ele fez com a Orquestra Bach de Munique eram referências absolutas e imbatíveis. Porém, nada envelheceu tanto quando os registros de música barroca daqueles anos e dos anteriores. Suas sonoridades são encorpadas demais, modernas demais, potentes demais. Com o passar dos anos, a música historicamente informada, com suas belas sonoridades rarefeitas, tomaram conta do mundo e de meu cérebro. Mas há quem ainda goste desses monstros jurássicos. Eu fora!
Georg Friedrich Händel (1685-1759): O Messias (Karl Richter)
Disc: 1
1. Symphony (Grave-Allegro Moderato)
2. Accompagnato (Tenor): Comfort Ye My People
3. Aria (Tenor): Ev’ry Valley Shall Be Exalted
4. Chorus: And The Glory Of The Lord Shall Be Revealed
5. Accompagnato (Bass): Thus Saith The Lord Of Hosts
6. Aria (Bass): But Who May Abide The Day Of His Coming
7. Chorus: And He Shall Purify
8. Recitative (Contralto): Behold, A Virgin Shall Conceive/Aria (Contralto): O Thou That Tellest Good
9. Chorus: O AThou That Tellest Good Tidings
10. Accompagnato (Bass): For Behold, Darkness Shall Cover
11. Aria (Bass): The People That Walked In Darkness
12. Chorus: For Unto Us A Child Is Born
13. Pifa (Pastoral Symphony)
14. Recitative (Soprano): There Were Shepherds Abiding In The Fields
15. Chorus: Glory To God In The Highest
16. Aria (Soprano): Rejoice Greatly, O Daughter Of Zion
17. Recitative (Contralto): Then Shall The Eyes Of The Blind /Duet: (Contralto, Soprano): He Shall Feed
18. Chorus: His Yoke Is Easy, His Burthen Is Light
19. Chorus: Behold The Lamb Of God
20. Aria (Contralto): He Was Despised
21. Chorus: Surely, He Hath Borne Our Griefs
Disc: 2
1. Chorus: And With His Stripes We Are Healed
2. Chorus: All We Like Sheep Have Gone Astray
3. Accompagnato (Tenor): All They That See Him
4. Chorus: He Trusted In God
5. Accompagnato (Tenor): Thy Rebuke Hath Broken His Heart
6. Arioso (Tenor): Behold, And See If There Be Any Sorrow
7. Accompagnato (Tenor): He Was Cut Off Out Of The Land/ Aria (Tenor): But Thou Didst Not leave His So
8. Chorus: Lift Up Your Heads, O Ye Gates
9. Recitative (Tenor): Unto Which Of The Angels/Chorus: Let All The Angels Of God Worship Him
10. Aria (Contralto): Thou Are Gone Up On High
11. Chorus: The Lord Gave The Word
12. Aria (Soprano): How Beautiful Are The Feet
13. Arioso (Tenor): Their Sound Is Gone Out
14. Aria (Bass): Why Do The Nations So Furiously Rage
15. Chorus: Let Us Break Their Bonds Asunder
16. Recitative (Tenor): He That Dwelleth In Heaven/Aria (Tenor): Thou Shalt Break Them
17. Chorus: Hallelujah
18. Chorus: Since By Man Came Death
19. Accompagnato (Bass): Behold, I Tell You A Mystery/Aria (Bass): The Trumpet Shall Sound
20. Recitative (Contralto): Then Shall Be Brought To Pass/Duet (Contralto, Tenor): O Death, Where Is Th
21. Aria (Soprano): If God Be For Us
22. Chorus: Worthy Is The Lamb That Was Slain
23. Chorus: Amen
Anna Reynolds
Donald McIntyre
Edgar Krapp
Helen Donath
Gordon Webb
Stuart Burrows
Hedwig Bilgram, órgão
London Philharmonic Orchestra
Karl Richter
Em 1703, em Arnstadt, aos 18 anos, meu pai, o imenso Johann Sebastian Bach, tomou posse do cargo de organista da igreja de St. Boniface. Durante sua gestão, fez uma viagem a Lübeck (uma jornada de 300 Km que fez a pé) para ouvir e receber conselhos do grande organista Dietrich Buxtehude. Era para ficar quatro meses com Bux, mas meu pai ficou cinco… Tal descumprimento o fêz perder o emprego e ele foi obrigado procurar outro, encontrando-o em Mülhausen, em 1706. Neste ano ele casou-se com sua prima, Maria Bárbara, que não cheguei a conhecer, tendo apenas tomado contato com Anna Magdalena, sua segunda esposa, mas essa é outra história. (Obs.: há uma correção nos comentários escrita pela filha de titio Bux.)
Buxtehude foi reconhecido principalmente como organista, mas foi bem mais do que isto. Em 1658, Buxtehude assume a função de seu pai, também organista, na igreja em Hälsingburg em 1658 e, em 1660 vai para Helsingor, e, posteriormente, para Lübeck, na Alemanha, onde é nomeado Werkmeister e organista da Marienkirche em 11 de abril de 1668, após concorrido concurso. Casa-se, em agosto desse ano, com Anna Margarethe Tunder, filha de Franz Tunder, seu antecessor nesta igreja. Esse era o costume da época, no qual o sucessor do organista da igreja deveria se casar com a filha do seu antecessor. A partir daí, e nos próximos 40 anos, Buxtehude entraria na parte mais prolífica de sua carreira, principalmente considerando que sua obra era praticamente nula até então.
Buxtehude ganha prestígio com a retomada da tradição dos Abendmusik, que eram saraus vespertinos organizados na igreja, idealizados por seu antecessor inicialmente apenas como entretenimento para os homens de negócios da cidade, previstos para ocorrerem em cinco domingos por ano, precedendo o Natal. Mas Buxtehude ampliou grandemente o escopo destes saraus e para eles compôs algumas de suas melhores obras, em forma de cantata, das quais se preservam cerca de 120 em manuscrito, com textos retirados da Bíblia, dos corais da tradição Protestante e mesmo da poesia secular. Também dedicou-se a outros gêneros, como solos para órgão (variações corais, canzonas, toccatas, prelúdios e fugas) e os concertos sacros. Todos os oratórios se perderam, mas guardam-se os registros de que existiram. Sem esquecer de Bach, em diversas ocasiões, foi visitado por compositores promissores da época, como Haendel e Mattheson, que o procuravam principalmente quanto à sua fama de organista.
Buxtehude é um compositor fundamental do barroco alemão. Foi uma espécie de pai espiritual de Bach. As obras deste CD são uma prova disso. Não pensem que as 30 Variações das Goldberg mais as duas árias não tenham nada a ver com as 32 variações da La Capricciosa. Ouçam esta obra e depois voltem às Goldberg. Está lá o agradecimento de meu pai ao grande Bux.
Dietrich Buxtehude (1637-1707): Obras para Cravo (Glen Wilson)
Handel escreveu vários sambas-enredo. Há Messias, por exemplo, onde ele fantasia coisas sobre um personagem ficcional, e há muitas daquelas coisas que chamamos de óperas que são empolados sambas-enredos. A Ode para Santa Cecília — porta-bandeira da música — é uma tremenda obra que deixará os pequepianos boquiabertos. Os sambas são fenomenais. Cuidem a dolência de What passion cannot Music raise. É espetacular, perfeito. Ouçam os corais como estão afinados ao puxador de samba, sem atravessar nunca. Tudo isto é uma Cantata escrita por John Dryden. O tema é menos fantasioso do que os dos sambas-enredo habituais: trata da teoria de Pitágoras da Harmonia Mundi, onde a música era uma força central na criação da Terra. Tudo bem, né? Fazer o quê?
CD da Naxos. (Além de perfeito para um domingo de Carnaval).
Georg Friederich Händel (1685-1759): Ode for St. Cecilia’s Day (Mields, Wilde, Helbich)
1. Overture 00:03:35
2. Interlude 00:01:23
3. Recitative: From harmony, from heav’nly harmony 00:03:20
4. Chorus: From harmony 00:03:27
5. Air: What passion cannot Music raise 00:08:19
6. Air and chorus: The trumpet’s loud clangour 00:03:25
7. March 00:02:02
8. Air: The soft complaining flute 00:05:08
9. Air: Sharp violins proclaim 00:04:10
10. Air: But oh! what art can teach 00:04:15
11. Air: Orpheus could lead the savage race 00:01:46
12. Recitative: But bright Cecilia 00:00:42
13. Air and chorus: As from the powers of sacred lays 00:07:11
Total Playing Time: 00:48:43
Dorothee Mields
Mark Wilde
Alsfelder Vocal Ensemble
Concerto Polacco
Wolfgang Helbich