Há uma boa gravação aqui no PQP BACH da Grande Missa em C menor de Mozart com Raymond Leppard. É uma extraordinária obra, cheia de solenidade. O Kyrie dessa missa é de uma beleza única. Todavia, neste CD, a obra que me chamou a atenção foi a Exsultate, Jubilate, uma peça relativamente curta, mas de grande beleza. A condução é do inominável Nikolaus Harnoncourt, regente que reputo como um dos maiores da atualidade. O CD ao lado é da obra sacra completa do Mozart gravada por Harnoncourt. Este CD que apresentamos faz parte da caixa, a qual não temos completa.
Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Grande Missa em Dó Menor, K. 427 e Exsultate, Jubilate, K. 165
Grande Missa em Dó Menor, K. 427
1. Kyrie [08:29]
2. Gloria in Excelsis [02:52]
3. Laudamus Te [04:53]
4. Gratis Agimus Tibi [01:30]
5. Domine Deus [02:52]
6. Que Tollis Peccata Mundi [06:27]
7. Quoniam Tu Solus Sanctus [04:17]
8. Jesu Crhistie [00:46]
9. Cum Sancto Spiritu [04:12]
10. Credo in Unum Deum [03:58]
11. Et Incarnatus Est [08:28]
12. Sanctus [02:03]
13. Osanna [02:16]
14. Benedictus [06:30]
Konzertvereinigung Wiener Staatsopernchor
Walter Hagen-Groll, Chorusmaster
Krisztina Láki, Zsuzsanna Dénes, soprano
Kurt Equiluz, tenor
Robert Holl, bass
Nikolaus Harnoncourt, regente
Exsultate, Jubilate, K. 165
15. Exsultate, Jubilate [4:51]
16. Fulget amica dies
17. Tu virginum corona [6:31]
18. Alleluja [2:42]
Concetus musicus Wien
Barbara Bonney, soprano
Nikolaus Harnoncourt, regente
Estava eu navegando pelos milhões de mares dessa imensa blogosfera, procurando por gravações de Satie, quando me deparei com esse primor de álbum. Adoro Satie, Milhaud e o Les Six como um todo, porém tenho em Poulenc, a figura mais talentosa do grupo. Um CD tipicamente com a cara de Poulenc e do irônico e extrovertido Les Six.
A seguir, um trecho retirado da WIKIPÉDIA, sobre a vida pessoal de Poulenc.
A vida de Poulenc foi uma vida de constante luta interna (“meio monge, meio bad boy”). Tendo nascido e sido educado na religião católica, Poulenc debatia-se com a conciliação dos seus desejos sexuais pouco ortodoxos à luz das suas convicções religiosas. Poulenc referiu a Chanlaire que “Sabes que sou sincero na minha fé, sem excessos de messianismo, tanto como sou sincero na minha sexualidade Parisiense.” Alguns autores consideram mesmo que Poulenc foi o primeiro compositor abertamente gay, embora o compositor tenha mantido relações sentimentais e físicas com mulheres e tenha sido pai de uma filha, Marie-Ange.
A sua primeira relação afectiva importante foi com o pintor Richard Chanlaire, a quem dedicou o seu Concert champêtre: “Mudaste a minha vida, és o sol dos meus trinta anos, uma razão para viver e trabalhar“. Em 1926, Francis Poulenc conhece o barítono Pierre Bernac, com o qual estabelece uma forte relação afectiva, e para quem compõe um grande número de melodias. Alguns autores indicam que esta relação tinha carácter sexual, embora a correspondência entre os dois, já publicada, sugira fortemente que não. A partir de 1935 e até à sua morte, em 1963, acompanha Bernac ao piano em recitais de música francesa por todo o mundo. Pierre Bernac é considerado como “a musa” de Poulenc.
Poulenc foi profundamente afetado pela morte de alguns dos seus amigos mais próximos. O primeiro foi a morte prematura de Raymonde Linossier, uma jovem com quem Poulenc tinha esperanças de casar. Embora Poulenc tivesse admitido que não tinha nenhum interesse sexual em Linossier, eram amigos de longa data. Em 1923, Poulenc ficou chocado e inane durante um par de dias depois da morte aos 20 anos, na sequência de febre tifóide, do seu amigo, o romancista Raymond Radiguet. Já em 1936, o seu grande amigo Pierre-Octave Ferroud foi decapitado num acidente de automóvel na Hungria, na sequência do qual visitou a Virgem Negra de Rocamadour. Em 1949, a morte de outro grande amigo, o artista Christian Bérard, esteve na origem da composição do seu Stabat Mater.
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Poulenc: Aubade – Les Biches
Les Biches, suite for orchestra (from the ballet), FP 36
1. Très lent – Subito allegro molto 3:23
2. Adagietto 3:38
3. Rag-Mazurka, Presto 6:05
4. Andantino 3:03
5. Final, Presto 3:44
Les animaux modèles, suite for orchestra, FP 111
6. Le Petit Jour – Dawn (Très Calme) 4:26
7. Le Lion Amoureux – The Amorous Lion (Passionnéjment Animé) 1:43
8. L’Homme Entre Deux Âges Et Ses Deux Maîtresses – A Middle-Aged Man And His Two Mist 2:05
9. La Mort Et Le Mûcheron – Death And The Woodcutter (Très Lent) 5:46
10. Les Deux Cogs – Two Roosters (Très Modéré) 3:31
11. Le Repas De Midi – Midday Meal (Très Doux, Calme Et Heureux) 3:12
12. Matelote provençale, for orchestra (for collab. work, La guirlande de Campra), FP 153: No. 5 {From ‘La Guirlande De Campra’} 1:32
13. Pastourelle, ballet movement (for collab. work, L’éventail de Jeanne), FP 45 1:55
14. Valse (pour Micheline Soulé), for piano in C major (for collab. work, Album des Six), FP 17 1:50
15. Discours du général, ballet movement (for collab. ballet, Les mariés de la Tour Eiffel, by Les Six), FP 23/1 0:58
16. La baigneuse de Trouville, ballet movement (for collab. ballet, Les mariés de la Tour Eiffel, by Les Six), FP 23/2 1:49
Aubade, choreographic concerto for piano & 18 instruments, FP 51
17. Toccata (Lento Et Pesante; Molto Animato) 2:41
18. Récitatif: Les Compagnes De Diane (Larghetto) 1:46
19. Rondeau: Diane Et Compagnes (Allegro)/Entrée De Diane (Più Mosso)/Sortie de Diane (Céder un peu) 3:21
20. Presto: Toilette De Diane (Presto) 1:35
21. Récitatif: Introduction À La Variation De Diane (Larghetto) 2:12
22. Andante: Variation De Diane (Andante Con Moto) 3:07
23. Allegro Féroce: Désespoir De Diane 0:39
24. Conclusion: Adieux Et Départ De Diane (Adagio) 4:58
Deux préludes posthumes et 3e gnossienne (orchestraton of 3 piano works of Erik Satie), FP 104
25. No. 1, ‘Fete donnee’ 3:34
26. No. 2, ‘1er prelude du Nazareen’ 3:43
27. No. 3, ‘3eme gnossienne’ 2:14
Pascal Rogé, piano
Orchestre National de France, Charles Dutoit
O Apollon Musagete Quartett rapidamente se estabeleceu como uma peça importante dentro da cena musical europeia. É realmente excelente, tocam demais. Visions Fugitives de Sergei Prokofiev, op. 22 é única peça fraca desde CD. Trata-se de uma adaptação para quarteto de cordas de uma partitura original para piano. O resto são obras-primas escritas originalmente para quartetos. Os de Tchai e Shosta são absolutamente empolgantes.
Tchaikovsky / Prokofiev / Shostakovich: Quartetos de Cordas (Russian Soul)
Pyotr Ilyich Tchaikovsky: Streichquartett Nr. 1 in D-Dur, op. 11
1. Moderato e semplice 10:42
2. Andante cantabile 7:08
3. Scherzo. Allegro non tanto e con fuoco – Trio 3:50
4. Finale. Allegro giusto – Allegro vivace 6:54
TUDO QUE ESTÁ ABAIXO É MENTIRA, MENOS O SUPORTE, QUE É BOM DEMAIS!
Nosso servidor de arquivos sofreu um mal súbito ontem à tarde. Mas deve retornar antes que alguém se suicide. Se o suporte não fez feriadão, voltamos segunda-feira; se fez, quarta. Não o queiram mal, é um bom moço. Beijos.
Um violista corre atrás do cellista dizendo: “Vou te matar, vou te matar”. Nisso, os outros músicos chegam e perguntam:
– Mas por que tanta agressividade?
– É porque ele desafinou de propósito uma corda da minha viola.
– E você vai matar ele só por isso?
– Não. O problema é que ele não quer me dizer qual corda foi…
Fico feliz todas as vezes que escuto a música de Mozart. E fato mais digno de nota é existência dos 5 concertos para violino e orquestra, obras de beleza intraduzível. São simplesmente divinos. Há pouco mais de um ano assistir a um extraordinário filme chamado Balzac e a costureirinha chinesa do qual faço minhas recomendações. Trata-se de uma belíssima película. O filme traz 3 desses concertos. Não lembro qual deles. A obra do diretor Dai Sejie é uma grande poesia. Trabalha os poderes imateriais da música e da literatura. O filme se passa na China maoísta. Todas as vezes que escuto estes concertos, lembro do filme. Um outro fato importante com relação a essa gravação é a presença de Anne-Sophie Mutter, violinista para qual os adjetivos são dispensáveis. Esta gravação apresenta outro trunfo a favor de Mutter: a bela conduzindo a Ensemble London Philharmonic Orchestra. Resta-nos ouvir – já estou a fazer isso enquanto digito estas palavras. Não deixe de fazê-lo também. Boa apreciação!
Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Concerto for Violin no 2 in D major, K 211, Concerto for Violin no 1 in B flat major, K 207, Concerto for Violin no 5 in A major, K 219 “Turkish”, Concerto for Violin no 4 in D major, K 218, Concerto for Violin no 3 in G major, K 216 e Sinfonia concertante for Violin and Viola in E flat major, K 364 (320d)
DISCO 1
Concerto for Violin no 2 in D major, K 211
01. I. Allegro moderato
02. II. Andante
03. III. Rondeau Allegro
Concerto for Violin no 1 in B flat major, K 207
04. I. Allegro moderato
05. II. Adagio
06. III. Presto
Concerto for Violin no 5 in A major, K 219 “Turkish”
07 I. Allegro aperto
08 II. Adagio
09 III. Rondeau Tempo di Menuetto
DISCO 2
Concerto for Violin no 4 in D major, K 218
01. I. Allegro
02. II. Andante cantabile
03. III. Rondeau Andante grazioso
Concerto for Violin no 3 in G major, K 216
04. I. Allegro
05. II. Adagio
06. III. Rondeau Allegro
Sinfonia concertante for Violin and Viola in E flat major, K 364 (320d)*
07. I. Allegro maestoso
08. II. Andante
09. III. Presto
Ensemble London Philharmonic Orchestra
Anne-Sophie Mutter, violino e condução
*London Philharmonic Orchestra
*Yuri Bashmet, viola (K. 364)
Primeiro uma ponte entre o erudito e o jazz, depois uma postagem mostrando exclusivamente o lado erudito de Goodman. Agora que tal algo totalmente jazzístico?!?!? O álbum traz 16 canções, com destaque para a melancólica e adorável Goodbye.
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Benjamin David Goodman era filho de um alfaiate e sua família tinha poucos recursos. Começou seus estudos musicais na sinagoga que frequentava e na Hull House. Menino prodígio, fez sua primeira apresentação aos 12 anos, no Teatro Central Park de Chicago, e logo passou a tocar com músicos adultos.
Goodman estudou clarineta desde cedo, tendo formação musical clássica na época em que Chicago entrava na era do jazz, vindo de New Orleans. Em 1926, aos 16 anos, juntou-se à banda do baterista Ben Pollack, fundada dois anos antes, e com ela fez seu primeiro disco.
No início dos anos 1930, passou a participar de gravações com diversos grupos de jazz, entre os quais os de Red Nichols, Joe Venuti-Eddie Lang e Jack Teagarden, até poder formar a sua própria orquestra, em 1934.
Um programa de rádio divulgou a orquestra, que se tornou muito popular, sobretudo depois do sucesso obtido na apresentação no Palomar Ballroom de Los Angeles, em 1935, e no Congress Hotel de Chicago, entre 1935e 1936.
Goodman, com estilo, precisão e inventividade, foi reconhecido como O Rei do Swing e o mais genial clarinetista de todos os tempos. Sua fama não demorou a correr o mundo, iniciando a Era do Swing, que se estenderia por dez anos.
Sua orquestra foi o primeiro grupo de jazz a se apresentar em público integrando músicos brancos e negros (Teddy Wilson, Lionel Hampton, Cootie Williams e Charlie Christian).
No dia 16 de janeiro de 1938, Benny Goodman e sua orquestra foram consagrados no histórico concerto realizado e gravado no Carnegie Hall de Nova York. Nos anos 1930 e 1940, Goodman ajudou a projetar, além dos já citados, solistas como Harry James (trompete), Georgie Auld (sax tenor) e Jess Stacy (piano).
Sua orquestra tornou-se, em 1962, a primeira jazz band norte-americana a visitar a União Soviética. Como não podia deixar de acontecer, sua clarineta e sua orquestra seriam requisitadas pelo cinema, em vários filmes, como “Folia a Bordo” (1937), “Hotel de Hollywood” (1938), “Cavalgada de Melodias” (1941), “Noivas de Tio Sam” (1943), “Música, Maestro” (1946), entre outros, como “Entre a Loura e a Morena” (1943), com Carmem Miranda.
A história de sua vida foi contada no filme “The Benny Goodman Story”, com Steve Allen como Goodman, e o clarinetista atuando na trilha sonora.
Após 1945, Goodman limitou-se a tocar em grupos pequenos, além de ter atuado em orquestras clássicas como solista.
Por motivo de doença, de 1970 a 1985 faz um intervalo em sua atividade artística. Sua volta se deu no Kool Jazz Festival de Nova York, vindo a falecer pouco depois.
01. Let’s Dance 2:34
02. Don’t Be That Way 4:26
03. Avalon 4:16
04. Flying Home 3:15
05. Memories Of You 3:13
06. Somebody Stole My Gal 3:04
07. Clarinet a la King 2:55
08. Jersey Bounce 2:56
09. Why Don’t You Do Right? 3:14
10. After You’ve Gone 2:33
11. Stompin’ At The Savoy 5:54
12. Sing, Sing, Sing 12:15
13. Symphony 03:08
14. Liza (All The Clouds’ll Roll Away) 2:55
15. How Am I To Know? 3:09
16. Goodbye 3:21
Meu pai amava os Concertos para Piano de Mozart. Devo ter ouvido cem vezes cada um deles. Seus temas e estruturas parecem estar definitivamente instalados em minha memória. Isto até o alemão chegar, claro.
Este é o terceiro dos Concertos para Piano de Mozart que Angela Hewitt grava para a Hyperion. Aqui, Hewitt é acompanhada por seus compatriotas da National Arts Centre Orchestra do Canadá e por seu frequente colaborador Hannu Lintu para belas execuções dos Concertos 22 e 24. Ambas as obras foram escritas entre dezembro de 1785 e março de 1786. No 22, pela primeira vez em uma orquestração de concerto para piano, Mozart usa clarinetes — um instrumento que se tornaria membro regular de orquestras apenas na década de 1780. Já o 24 é um trabalho sombrio e apaixonado.
W. A. Mozart (1756-1791): Concertos para Piano Nos. 22 & 24
Piano Concerto No. 22 in E flat major, K 482
1. Allegro 13:43
2. Andante 8:01
3. Allegro 10:57
Piano Concerto No. 24 in C minor, K 491
4. Allegro 13:56
5. Larghetto 7:18
6. Allegretto 9:22
Angela Hewitt, píano
National Arts Centre Orchestra
Hannu Lintu
A assinatura de Bach quando Kantor da Igreja de São Tomás, em Leipzig
Talvez, para o nosso tempo, seja difícil entender o homem que foi Johann Sebastian Bach. Ele nasceu há 330 anos, em 31 de março de 1685 (*), no que hoje é a Alemanha, numa família de músicos. Era um tempo em que era comum os filhos adotarem a profissão dos pais. Na região da Saxônia, o nome Bach era de tal forma relacionado à música que alguém com tal sobrenome só poderia ser músico e provavelmente trabalhava em alguma igreja. Seguindo a árvore genealógica da família Bach, dos 33 Bach, 27 foram músicos. Só que o talento explodiu espetacularmente no menino Johann Sebastian. É claro que ele, além de exercer outras funções, também trabalhou como Kapellmeister — termo que designa o diretor musical de uma igreja.
https://youtu.be/aCOKi4nFjpw
Durante um longo período de sua vida, escreveu uma Cantata por semana. Em média, cada uma tem 20 minutos de música. Tal cota, estabelecida por contrato, tornava impossível qualquer “bloqueio criativo”. Pensem que ele tinha que escrever a música e ainda ensaiar. Isso fez com que ele nos deixasse uma imensa obra vocal. Também escreveu muito para um instrumento fora de moda, o órgão. E, se em Weimar as obrigações de Bach estavam prioritariamente vinculadas ao serviço religioso e como organista na corte cristã, na corte calvinista de Köthen, Bach pode dedicar-se à música secular, criando um dos mais imponentes e impressionantes conjuntos de obras solo para teclado, violoncelo, flauta e violino da história da música ocidental. Deixou-nos mais de 1000 obras de todos os gêneros, à exceção da ópera.
Obs. sobre o vídeo acima: na época, era proibido que as mulheres cantassem em igrejas.
Este é um repertório pouco percorrido dentro da obra de Johann Sebastian. A Viola da Gamba é um instrumento difícil de manter afinado e inexistente na música moderna. Quem se aventura a este repertório costuma fazê-lo empunhando um violoncelo. Mas isso não significa que estamos num terreno de obras menos importantes de Bach. Elas também são do período de Köthen. A interpretação que mostramos aqui está a cargo de especialistas do assunto. Divirtam-se porque não sempre que se postam essas Sonatas.
J. S. Bach (1685-1750): As Sonatas para Viola da Gamba
1 Sonata No. 1 in G Major, BWV 1027: I. Adagio 4:07
2 Sonata No. 1 in G Major, BWV 1027: II. Allegro ma non tanto 3:42
3 Sonata No. 1 in G Major, BWV 1027: III. Andante 2:22
4 Sonata No. 1 in G Major, BWV 1027: IV. Allegro moderato 3:15
5 Capriccio in B-Flat Major, BWV 992: I. Arioso – Adagio 2:03
6 Capriccio in B-Flat Major, BWV 992: II. [ ] 1:18
7 Capriccio in B-Flat Major, BWV 992: III. Adagiosissimo 3:36
8 Capriccio in B-Flat Major, BWV 992: IV. [ ] 0:39
9 Capriccio in B-Flat Major, BWV 992: V. Adagio poco – Aria de il Postiglione 1:06
10 Capriccio in B-Flat Major, BWV 992: VI. Fuga al Imitatione di Posta 2:45
11 Sonata No. 2 in D Major, BWV 1028: I. Adagio 1:59
12 Sonata No. 2 in D Major, BWV 1028: II. Allegro 4:00
13 Sonata No. 2 in D Major, BWV 1028: III. Andante 4:43
14 Sonata No. 2 in D Major, BWV 1028: IV. Allegro 4:07
15 Capriccio in E Major, BWV 993 6:39
16 Sonata No. 3 in G Minor, BWV 1029: I. Vivace 5:36
17 Sonata No. 3 in G Minor, BWV 1029: II. Adagio 5:16
18 Sonata No. 3 in G Minor, BWV 1029: III. Allegro 3:54
Jaap ter Linden, viola da gamba
Richard Egarr, cravo
Um bonito disco de música sacra francesa da época de Rameau e Lully. Campra escreveu várias “tragédias em música”, mas seu principal mérito foi o de ser o criador de um novo gênero, a ópera-ballet, que deve ser ainda pior do que a ópera… Ele também escreveu três livros de cantatas, bem como música religiosa, incluindo um réquiem. Já Couperin — muito mais famoso — era um “músico poeta” que acreditava na “habilidade da música para expressar-se em “sa prose et ses vers” (sua prosa e sua poesia). Ele acreditava que se entrássemos na poesia da música, descobriríamos que ela é “plus belle encore que la beauté” (mais bela que a beleza).
Um disco para quem ama este período francês, o que está longe de ser o meu caso.
André Campra (1660-1744) e François Couperin (1668-1733): Salve Regina (Petits Motets)
André Campra
1 Salve Regina 5:50
François Couperin
2 Audite Omnes Et Expavescite (Meditatio De Passione Christi) 10:09
3 Respice In Me 5:46
4 Salve Regina 10:48
5 Usquequo, Domine 6:38
André Campra 8:50
6 Insere Domine 8:50
François Couperin
7 Quid Retribuam Tibi Domine 6:23
Este CD foi produzido após um minucioso processo de recuperação e remasterização de fitas cassetes de diversas épocas com gravações particulares que registraram informalmente os concertos. Essas gravações careciam de qualidade técnica, mesmo porque não foram utilizados equipamentos profissionais. Alguns ruídos, defeitos e distorções não puderam ser eliminados por completo, mas certamente o material aqui apresentado possui irrefutável valor histórico.
Victoria Kerbauy canta Almeida Prado
1. Modinha nº 1 “A saudade é matadoura”, opus 1
2. Trem de ferro
3. A minha voz é nobre
4. Rosamor
5-7. Lembranças do coração
8-10. Três canções: I. Manhã molhada; II. Bem vinda; III. O Luandê-luá
11-13. Três episódios de animais: I. Sinimbu; II. Tamanduá; III. Anta
14-25. Portrait de Nadia Boulanger
26-28. Livro Brasileiro – II caderno: I. à noite; II. à manhã; III ao sol
29-32. Quatro poemas de Manuel Bandeira: I. Andorinha; II. Teu nome; III. Belo belo; IV. A estrela
33-42. Espiral II
Três membros do Oregon — Ralph Towner, Paul McCandless e Glen Moore — estão no grupo há 42 anos. É óbvio que os três têm outros bem sucedidos projetos, mas sempre retornaram ao grupo em todos estes anos e mais de vinte LPs e CDs gravados. E é fantástico ouvi-los. O Oregon vai muito bem, cheio de criatividade. Family Tree traz cinco novas composições de Towner, duas de McCandless, uma de Glen Moore e duas composições coletivas que incluem o percussionista Mark Walker como compositor.
Este Family Tree é um dos melhores CDs do grupo. O Oregon está muito diferente do que era com Walcott ou Gurtu na percussão, tornou-se outro, mas permanece como um grande grupo de jazz. Vale muito a audição.
Oregon – Family Tree (2012)
1 Bibo Babo
2 Tern
3 Hexagram
4 Creeper
5 Jurassic
6 Family Tree
7 Stritch
8 Mirror Pond
9 Moot
10 Julian
11 Max Alert
12 Carnival Express
Este CD é uma espetacular anormalidade que meu amigo A.M. — sim, professor universitário, toca em sinfônica e como solista, chupem preconceituosos! — plantou no meu micro. (Quando vem aqui em casa, ele sempre se levanta de repente, pega um pen drive e diz: “Vou botar umas coisinhas pra tu ouvir…”. Como é sempre bom, não o reprimo). É uma obra-prima. Por favor, ouçam com o som bem alto num bom equipamento, nada de caixinhas de micro desta vez, tá? Muito respeito a Eric Dolphy e a esses surpreendentes vienenses.
Eric Dolphy (1928–1964) tocava saxofone alto, flauta, clarinete e clarone (clarinete baixo). Foi também o primeiro claronista importante como solista no jazz. Em todos esses instrumentos era um notável improvisador, muitas vezes selvagem, surpreendente e incontrolável. Nas primeiras gravações, ele tocava ocasionalmente um clarinete soprano tradicional. Seu estilo de improvisação, quase sempre uma tsunami de idéias, utilizando amplos saltos intervalares e abusando das doze notas da escala foi às vezes classificado como free jazz, mas você não precisa ser trouxa, nem sair dizendo por aí uma bobagem dessas, tá? Agora chega de papo.
Nine Immortal Non-Evergreens for Eric Dolphy – 1995
1 Out there
2 Hat and Beard
3 245
4 Miss Ann
5 Gazzelloni
6 Something Sweet – Something Tender
7 Straight Up & Down
8 Jitterbug Waltz
All titles composed by Eric Dolphy & arr. by m.ruegg,
except for the Jitterburg Walz,
composed by Fats Waller & arr. by m.ruegg.
Matthieu Michel, Bumi Fian, Herbert Joos trumpet
Klaus Dickbauer, Florian Brambock, Andy Scherrer sax
Claudio Pontiggia flugelhorn
Christian Muthspiel trombone
Frank Tortiller vibes
Heiri Kanzig bass
Uli Scherer piano
Thomas Alkier drums
mathias rüegg leader
Anna Lauvergnac, Monika Trotz vocals on 8
Vienna Art Orchestra
Recorded live during the VAO European Tour, 28 October 1995, at Migros Hochaus, Zurich, by Jurg Peterhans (Studer 48-track digital).
O compositor Maurice Ravel (1875-1937), cujo nascimento completa 140 anos neste sábado (7), foi um sujeito fino e bem-humorado. Depois da estreia de sua obra mais conhecida, o Bolero, uma pessoa da plateia afirmou que o compositor só poderia ser louco, ao que Ravel respondeu sorridente: “Ela compreendeu perfeitamente”. O compositor efetivamente desprezava sua peça mais famosa, achando-a trivial. Ele escreveu um texto nada entusiasmado para a estreia da obra:
Como eu possuo este disco em vinil, é óbvio que o Ranulfus e o FPD Bach também possuem. E aposto que eles não se arrependem de tê-lo comprado. São concertos atléticos com duas séries frenéticas de exercicios entremeadas por um descanso reparador. Como me disse certa vez meu mestre Herbert Caro, a Academy of Saint-Martin-in-the-fields de Neville Marriner e Iona Brown procurava-se colocar entre o gigantismo de Karl Richter e seus congêneres e o sectarismo dos defensores dos instrumentos originais. Colocava-se muito bem e até hoje seu som não me causa choque ou estranheza.
Baita CD!
J.S. Bach (1685-1750): Concertos para oboé
1. Concerto for Oboe, Strings, and Continuo in F, BWV 1053 – reconstruction after Concerto for Harpsichord, Strings, and Continuo No.2 in E, BWV 1053 – 1. (Allegro) 8:15
2. Concerto for Oboe, Strings, and Continuo in F, BWV 1053 – reconstruction after Concerto for Harpsichord, Strings, and Continuo No.2 in E, BWV 1053 – 2. Siciliano 4:20
3. Concerto for Oboe, Strings, and Continuo in F, BWV 1053 – reconstruction after Concerto for Harpsichord, Strings, and Continuo No.2 in E, BWV 1053 – 3. Allegro 6:37
4. Concerto for Oboe, Strings, and Continuo in D minor, BWV 1059 – reconstruction after Concerto for Harpsichord, Oboe, Strings, and Continuo in D minor, BWV 1059 – 1. Allegro 6:10
5. Concerto for Oboe, Strings, and Continuo in D minor, BWV 1059 – reconstruction after Concerto for Harpsichord, Oboe, Strings, and Continuo in D minor, BWV 1059 – 2. Siciliano 3:11
6. Concerto for Oboe, Strings, and Continuo in D minor, BWV 1059 – reconstruction after Concerto for Harpsichord, Oboe, Strings, and Continuo in D minor, BWV 1059 – 3. Presto 3:43
7. Concerto for Oboe d’amore, Strings, and Continuo in A, BWV 1055 – reconstruction after Concerto for Harpsichord, Strings, and Continuo in A, BWV 1055 – 1. (Allegro moderato) 4:39
8. Concerto for Oboe d’amore, Strings, and Continuo in A, BWV 1055 – reconstruction after Concerto for Harpsichord, Strings, and Continuo in A, BWV 1055 – 2. Larghetto 5:08
9. Concerto for Oboe d’amore, Strings, and Continuo in A, BWV 1055 – reconstruction after Concerto for Harpsichord, Strings, and Continuo in A, BWV 1055 – 3. Allegro ma non tanto
Heinz Holliger
Academy of St. Martin in the Fields
Iona Brown
Hélène Grimaud é uma mulher inteligente, claro. Bem, na verdade o que quero dizer é que este disco de Hélène Grimaud é inteligente. Não sei o que acontece com a maioria das pessoas que fazem os programas de discos e de concertos. Há pouca criatividade quando bastaria conhecer o repertório e pensar um pouquinho. Mas Hélène Grimaud, que além de inteligente é linda, não padece deste mal. Vejam bem.
No repertório deste CD, há vários tipos de correspondências, musicais ou não, que conferem unidade a esta aparentemente mistura eclética de obras. A Fantasia de John Corigliano, que abre o disco — e que nos chega através de um desempenho sensacional, cheio de poesia e mistério, de Grimaud –, baseia-se no Allegretto da Sétima de Beethoven. De forma análoga, o Credo de Pärt cita Bach. Além disso, a Fantasia Coral de Beethoven e o Credo são escritos para uma combinação incomum de piano, coro e orquestra, e em suas absolutamente diferentes formas procuram trazer a ordem a partir do caos. Credo é, enfim, um álbum conceitual muito atraente. Quase como a pianista.
Corigliano (1938), Beethoven (1770-1827), Pärt (1935): Credo (com Hélène Grimaud)
Fantasia on an Ostinato by John Corigliano
1. Fantasia on an Ostinato, for piano
Sonata for Piano no 17 in D minor, Op. 31 no 2 “Tempest” by Ludwig van Beethoven
2. Piano Sonata No. 17 in D minor (‘Tempest’), Op. 31/2: 1. Largo – Allegro
3. Piano Sonata No. 17 in D minor (‘Tempest’), Op. 31/2: 2. Adagio
4. Piano Sonata No. 17 in D minor (‘Tempest’), Op. 31/2: 3. Allegretto
Fantasia in C minor, Op. 80 “Choral Fantasy” by Ludwig van Beethoven
5. Fantasia for piano, chorus, and orchestra (‘Choral Fantasy’), Op. 80: Adagio
6. Fantasia for piano, chorus, and orchestra (‘Choral Fantasy’), Op. 80: Finale
Credo by Arvo Pärt
7. Credo, for piano, chorus & orchestra
Hélène Grimaud, piano
Swedish Radio Symphony Orchestra, Swedish Radio Chorus
Esa-Pekka Salonen
Em seu 90º ano, Elliott Carter fez algo que poucos nonagenários fizeram: estreou um novo e esplêndido quarteto de cordas, seu quinto. Esta é uma gravação monumental que documenta de um compositor lamentavelmente subvalorizado. Não apenas o quarteto é excepcional, mas também as outras peças do CD. O quarteto é uma obra de 20 minutos dividida em doze momentos. É originalíssima. A Sonata para Violoncelo e Piano é soberba, assim como a pequena peça para violoncelo solo! Uma coisa: as datas de nascimento e morte de Carter estão corretas. Ele viveu 103 anos.
Elliott Carter (1908-2012): Chamber Music
1-12. 5th String Quartet (1994-95) 20:00
1 Introduction 1:24
2 Giocoso 2:29
3 Interlude I 1:11
4 Lento espressivo 1:45
5 Interlude II 1:18
6 Presto scorrevole 1:07
7 Interlude III 1:31
8 Allegro energico 2:00
9 Interlude IV 1:58
10 Adagio sereno 2:29
11 Interlude V 1:25
12 Capriccioso 1:23
Arditti String Quartet
13. 90+ pour piano (1994) 5:35
Ursula Oppens (piano)
14-17. Sonata pour violoncelle et piano (1948) 21:06
Gosto muito da música popular dos Bálcãs. Conheço pouco, como vocês logo saberão. Tudo começou enquanto via os filmes do grande Emir Kusturica — Tempo de Ciganos, Underground, Quando papai saiu em viagem de negócios, Black cat white cat, A vida é um milagre e outros. Ali, conheci o excelente Goran Bregovic, músico, band leader e compositor responsável pelas trilhas. Depois, Bregovic e Kusturica brigaram e o próprio Kusturica fundou a No Smoking Orchestra, parceira habitual da Garbage Serbian Philharmonia.
Na verdade, conheço apenas esses dois, mas já gostei de quase todos os outros. Ah, pois é, apaixono-me facilmente. A música dos Bálcãs é informada — pois é muito bem escrita e tocada — e é UMA FESTA SÓ. Este Time of the Gypsies é das coisas mais tranquilas que tenho ouvido, mas há os bons músicos e cantores, além da alegria, mesmo que mezzo contida. Já a ironia e o deboche são o subtexto desta música.
Ah, importante: nunca percam um show desses caras. Vi a No Smoking na Inglaterra e Bregovic com sua Wedding and Funeral Band em Porto Alegre. Suas músicas e festas são um arraso.
Ouça porque vale a pena! Um pouco de álcool no sangue não fará nada mal para acompanhar as canções.
The No Smoking Orchestra / Time of the Gypsies 2007 (Punk Opera)
1. Efta Purane Ikone (Seven Old Icons)
2. Djilaben Promalen (Sing People Sing)
3. San Francisco (San Francisco)
4. O Chaveja (Oh, My Children)
5. Hederlezi (St. George Day)
6. Cik Cik Pogodi (Guess Guess Who Is Coming)
7. Crazy About Money (Crazy About Money)
8. Del Dija (Lord Gave Us)
9. Kana O del Baravel (When Lord Gives)
10. Evropa (Europe)
11. Pharimasa Va Inzares (The Beggars)
12. Perhan Sovel (Perhan Is Dreaming)
13. Lorenzzo (Lorenzzo)
14. Sas Jekh Len (There Was a River Once)
Music by Emir Kusturica, Dejan Sparavalo, Nenad Jankovic and Stribor.
With the participation of the No Smoking Orchestra and of the Garbage Serbian Philharmonia.
Na minha opinião, Paul Hindemith é uma espécie de rei de um gênero raro — o música de câmara moderna contrapontística. Guardadas as proporções, é um barroco no século XX. Adoro suas composições, cada vez mais gravadas e presentes no repertório da música erudita do hemisfério norte. Ele escreveu sete Quartetos de Cordas, os quais refletem a experiência e a segurança prática de um grande violinista e, mais tarde, violista. Coisa ainda mais rara, ele encarou a viola não como um castigo. O Quarteto No 2 foi escrito em 1918, enquanto ele era um soldado na ativa. Sim, participou da 1ª Guerra Mundial. É uma música dinâmica e enérgica, com uma engenhosa série de variações que parodiam os excessos românticos. Claro, tem um final virtuosístico. O Quarteto No 3 é de 1920 e foi muito bem sucedido quando de seu lançamento. É um exemplo emocionante da imaginação concisa de Hindemith. Este quarteto apaixonado, com seu riquíssimo material, é uma das suas obras-primas de sua música de câmara.
Paul Hindemith (1895-1963): Quartetos de Cordas Nros 2 e 3
String Quartet No. 2 in F Minor, Op. 10
1. I. Sehr lebhaft, straff im Rhythmus 00:06:15
2. II. Thema mit Variationen: Gemachlich 00:10:32
3. III. Finale: Sehr lebhaft 00:16:26
String Quartet No. 3 in C Major, Op. 16
4. I. Lebhaft und sehr energisch 00:10:28
5. II. Sehr langsam – Ausserst ruhige Viertel 00:13:09
6. III. Finale: Ausserst lebhaft 00:07:49
Este é um grande CD que cobre um repertório meio raro. Quando se fala em música húngara para quarteto de cordas, logo se pensa nos geniais quartetos de Bartók, mas há seu colega de trabalho e amigo Zoltán Kodály! E não pensem em Kodály como um ser humano muito menor do que Bartók. O talento de Kodály — grande na música — expandiu-se também para outras áreas: ele era etnomusicólogo, educador, pedagogo, linguista e filósofo. Sua música e estes quartetos merecem ser conhecidos por todo pequepiano culto. Há canções folclóricas, profundidade de sentimento, diversão, alegria, tristeza, festa e ironia. A interpretação do Dante é notável.
Zoltán Kodály (1882-1967): Quartets No 1 & 2 + Intermezzo & Gavotte
1. String Quartet No 1 Op 2 | Andante poco rubato Allegro [11’54]
2. String Quartet No 1 Op 2 | Lento assai, tranquillo [12’52]
3. String Quartet No 1 Op 2 | Presto [4’05]
4. String Quartet No 1 Op 2 | Allegro [12’27]
5. Intermezzo [5’10]
6. Gavotte [2’35]
7. String Quartet No 2 Op 10 | Allegro [6’00]
8. String Quartet No 2 Op 10 | Andante, quasi recit. [4’52]
9. String Quartet No 2 Op 10 | Allegro giocoso [6’39]
O blog holandês 33 toeren klassiek faz conversões de antigos LPs de vinil para mp3. A qualidade é sempre excelente não somente do ponto de vista técnico, é que as escolhas musicais são especiais. Elas nunca passam pelo óbvio, mas por cantinhos desconhecidos ou esquecidos do repertório e da história das gravações. É um tremendo, criterioso e qualitativo resgate histórico. Peguei de lá esta raríssima gravação do Collegium Aureum para a Harmonia Mundi em 1963.
A Cassation é um gênero ainda menor do que a Serenata ou o Divertimento. Trata-se de uma série de movimentos curtos e alegres para orquestra de câmara. Muita gente boa escreveu Cassassões lá pela metade do século XVIII. A música de Haydn serve bem ao gênero. Haydn era leve, ousado e feliz. Até suas Missas revelam uma relação secular com a divindade. O cara era feliz e não abria mão disso, ora. Ouçam o disco e comprovem: é música para abrir um bom dia.
Joseph Haydn (1732-1809): Cassations Nº 9 e 20
1 Cassatie in G (HV .II, 9, 1764) 15:26
allegro molto – menuet – adagio cantabile – menuet – finale: presto
2 Cassatie in F (HV II, 20, 1763)
allegro – menuet – adagio – menuet – finale: presto
Membros do Collegium Aureum
Direção de Franzjosef Maier
Harmonia Mundi HM 30 643
Gravado em junho de 1963
Tempo total: 33:08
Os caras em holandês:
Alfred Sous, hobo
Helmuth Hucke, hobo
Gerd Seifert, hoorn
Erich Penzel, hoorn
Ulrich Grehling, viool
Franz-Josef Maier, viool
Ulrich Koch, altviool
Günther Lemmen, altviool
Reinhold Johannes Buhl, cello
Johannes Koch, violone
Quando vi anunciado este CD, torci o nariz porque ele era dominado por Liszt, autor que não me agrada muito. Mas a gravadora Alpha raramente faz alguma sacanagem com o amante da música. Fui ouvir e a coisa é mesmo boa. Se as obras de Liszt que abrem e fecham o CD são poderosas, a beleza é deixada a cargo de quem entende disso: Mendelssohn e Bach. É indiscutível o bom gosto e a sensibilidade presentes no repertório escolhido pelo excelente organista Rechsteiner, assim como a luminosidade que Amandine Beyer extrai de seu violino. Grande disco!
Franz Liszt (1811-1886): Organ Works
1. Liszt: Präludium und Fuge über das Motiv B.A.C.H. (I), for organ, S. 260i (LW E3/1)
2. Mendelssohn: Paulus (Saint Paul), oratorio, Op. 36: Jerusalem, die du tötest den Propheten
3. Mendelssohn: Song Without Words for piano No. 7 in E flat major, Op. 30/1
4. Liszt: Variationen über das Motiv von Bach: Weinen, Klagen, for organ, S. 673 (LW E17)
5. Bach: St. Matthew Passion (Matthäuspassion), for soloists, double chorus & double orchestra, BWV 244 (BC D3b): Erbarme dich
6. Liszt: Fantasie & Fuge über den Choral ‘Ad nos, ad salutarem undam’, for organ, S. 259 (LW E1)