IM-PER-DÍ-VEL !!!
As obras de Bouchard e Chihara são de primeira linha, mas nada se compara com a profundidade da Sonata para Viola que Shostakovich escreveu em seu leito de morte. Esta Sonata Op. 147, foi composta em 1975, ano da morte do compositor, e é a sua derradeira obra — um testamento musical escrito em poucas semanas e dedicado ao violista Fyodor Druzhinin, que a estreou. Em seus três movimentos, Shostakovich parece despedir-se da vida e da arte com uma serenidade amarga e uma lucidez comovente. O primeiro movimento, de lirismo contido, evoca o cansaço; o segundo, uma scherzo grotesco e sardônico, traz ecos do humor negro que sempre o acompanhou. Mas é no Adagio final que a obra atinge sua dimensão mais sublime: nele, Shostakovich cita longamente a Sonata ao Luar de Beethoven, transformando o tema clássico numa melodia fantasmática e suspensa, como se o compositor russo dialogasse com o passado e com a morte numa só respiração. A viola — instrumento de timbre introspectivo — torna-se aqui a voz de um homem que já não precisa gritar, apenas recordar, perdoar e, por fim, silenciar. É uma obra que não se entrega facilmente: exige escuta silenciosa, e retribui com a mais pura verdade. A interpretação de Kim Kashkashian é muito comovente e deixa as outras na poeira.
Linda Bouchard: Pourtinade / Paul Chihara: Redwood / Dmitri Shostakovich: Sonata Op. 147 (Kim Kashkashian, Robert Levin, Robyn Schulkowsky)
1 Pourtinade 17:02
Composed By – Linda Bouchard
2 Redwood 11:53
Composed By – Paul Chihara
Sonata Op. 147
Composed By – Dmitri Shostakovich
3 Moderato 9:07
4 Allegretto 7:17
5 Adagio 15:08
Percussion – Robyn Schulkowsky (faixas: 1 e 2)
Piano – Robert Levin (Faixas: 3 a 5)
Viola – Kim Kashkashian

PQP